31 de ago de 2015

Enxames e Rainhas

7. Enxames e Rainhas

7.1 Como se movimenta uma colméia para um lugar próximo?

Este pode ser um problema mais complicado do que parece à primeira vista. Acontece que as abelhas campeiras memorizam a localização da sua colméia, e quando ela é movida, as abelhas não aprendem imediatamente a nova localização. Como resultado, muitas campeiras (talvez a grande maioria), ao saírem da colméia recém movida, acabam voltando ao local original e perdendo-se.
Para evitar esse problema, há duas soluções eficazes: mover a colméia para longe, esperar duas semanas, e movê-la de volta ao local definitivo. Durante esse tempo, pelo menos a maioria das campeiras já morreu ou esqueceu seus pontos de referência, e não voltará ao local original.
Outra solução é mover a colméia cerca de um metro de cada vez, com a freqüência possível para o apicultor (1, 2, 3 vezes por semana, etc.) Com isso, as abelhas nunca chegam a se perder, pois conseguem identificar sem problemas a sua colméia, se ela estiver muito próxima do local original. Para usar esse método, um cavalete móvel é muito útil.
Uma outra solução recomendada por alguns é garantir a ventilação da colméia com uma tela, e fechar completamente o alvado com palha ou serragem molhada, para que as abelhas percebam a mudança. Infelizmente, tão freqüente quanto a recomendação dessa técnica são os relatos do seu insucesso.
Quando a colméia a ser movida para um local próximo tiver sido ocupada recentemente por um enxame voador, haverá dois momentos bons para movê-la diretamente para o local definitivo – na primeira noite e por volta do 30º dia (veja item 3.25).

7.2 O que fazer com as campeiras que voltam ao local de origem?

Quando não há alternativa para a movimentação curta de uma colméia, pode-se tentar um reaproveitamento das campeiras perdidas. Para isso, é preciso recolhê-las em um núcleo durante o dia e sacudi-las à tardinha na colméia deslocada. Há relatos de apicultores que repetiram esse procedimento por poucos dias, e as campeiras não retornaram mais ao local original.

7.3 A partir de que distância as abelhas não voltam mais ao local original?

Considerando-se a distância de vôo útil de 1,5 km, o transporte da colméia para além de 3 km não deve produzir um retorno significativo de campeiras.

7.4 Como se movimenta uma colméia para um lugar distante?

Distâncias grandes, que requerem o uso de um veículo, exigem a fixação das partes móveis da colméia e uma boa ventilação para as abelhas. A fixação pode ser feita com sarrafos e pregos ou grampos, de forma que nenhuma caixa, fundo ou tampa deslize sobre os demais. As melgueiras devem ser removidas, especialmente se tiverem mel, pois este pode vazar e afogar as abelhas. Para segurar somente a tampa, um elástico desses de prender carga em motocicleta (extensor) pode resolver.
A ventilação pode ser proporcionada por uma tela de alvado de escape invertido, se o tempo total for pequeno (2 a 4 horas, no máximo) e a temperatura não for muito alta, ou por uma tela plástica fixada no lugar da tampa. Eu prefiro montar a tela numa moldura e depois pregar a moldura na caixa. Apicultores de Santa Catarina, que trabalham com polinização de macieiras, relatam que o uso de escape invertido dispensa completamente a tela superior, desde que as caixas sejam alinhadas no sentido da carroceria do caminhão, isto é, com os alvados virados para a frente, de forma a melhorar a ventilação.
A colméia deve ser fechada para transporte no momento em que o mínimo de campeiras estiver fora. Isso pode se dar ao anoitecer ou mesmo durante o dia, com uso da tela de alvado com escape invertido, cerca de 1h30min após a sua colocação.
As colméias não podem ficar em ambiente quente demais. O vento, durante o deslocamento, também pode matar as crias e até as adultas. Quadros com muito mel podem se quebrar e causar o afogamento das abelhas. Muita vibração e quadros soltos podem causar o seu esmagamento.
Como os movimentos horizontais mais bruscos e freqüentes ocorrem na direção do deslocamento, por acelerações e freadas, recomenda-se que as colméias sejam alinhas da mesma forma. Em outras palavras, o lado mais comprido das colméias deve ficar paralelo à lateral, com o alvado voltado para a frente ou para os fundos do veículo. Dessa forma, os favos dificilmente sofrerão o movimento de pêndulo, que pode ser fatal para muitas abelhas e para a rainha.

7.5 Como se faz a divisão de um enxame?

Há várias técnicas. A idéia básica é, a partir de uma colméia, formar duas ou três menores. Um critério possível é o do equilíbrio das colméias resultantes, que é obtido pela divisão aproximadamente justa das quantidades de cria, pólen e operárias. Os quadros são separados de acordo com o seu conteúdo e postos em outras caixas. As novas colméias são depois completadas com outros quadros, com lâmina de cera, favos vazios ou favos com cria, mel ou pólen de outras colméias. Os seus alvados devem ser diminuídos ao máximo.
Se uma das colméias for movida para um local próximo, ela deverá ficar com o mínimo de mel possível, dando preferência ao que estiver operculado. Isso vai diminuir a possibilidade de saque pelas ex-companheiras. Após alguns dias, essa colméia (e a outra também, se necessário) deve receber alimentação, em alimentador interno ou externo de consumo rápido. Para dificultar a pilhagem, o xarope deve ser fornecido à noite e em pequenas quantidades. Alimentação protéica também é muito importante nessa fase.

7.6 O que fazer com a rainha numa divisão?

Uma prática recomendável é capturar a rainha antes de se proceder à divisão, tanto para protegê-la quanto para reintroduzi-la numa colméia certa. Quando o enxame é muito grande e a identificação da rainha é muito difícil, pode-se usar o seguinte método para dividir uma colméia em duas:
1. Se houver melgueiras, deve-se removê-las, cuidando para que a rainha não esteja nelas. Deixá-las fechadas por enquanto;
2. Tirar metade os quadros do ninho original e transportá-los, sem abelhas, para o novo ninho;
3. Completar os dois ninhos com novos quadros;
4. Pôr uma tela excluidora sobre o ninho original e o ninho novo sobre a tela excluidora;
5. Fechar a colméia e aguardar algum tempo (630 minutos).
6. Remover o ninho superior e formar com ele a nova colméia (está será a colméia sem rainha).
7. Redistribuir as melgueiras e mover a nova colméia ao seu local de destino. Cuidado neste ponto: o enxame movido pode tornar-se alvo de pilhagem severa, com as abelhas tentando levar o seu mel de volta ao local de origem. Uma saída possível é manter as duas colméias lado a lado, de forma que as campeiras confundam os alvados.
Na nova colméia, o apicultor pode introduzir uma rainha nova, ou deixá-la com cria e provisões suficientes para que possa produzir a sua. Caso ele opte pela produção natural de rainha, e se a separação das duas colméias resultantes for pequena, a colméia órfã provavelmente ficará melhor no local original, abastecida por todas as campeiras. A colméia com a rainha antiga perderá as campeiras, mas terá capacidade quase imediata de reposição.

7.7 O que fazer se houver saque entre as colméias?

Este problema é especialmente grave no final das safras, quando as populações estão fortes, mas não há mais néctar para colher. Nesse caso, um simples manejo mais demorado pode levar todas as colméias a entrarem em conflito. Isso ocorre porque abelhas de todas as colméias descobrem as provisões da colméia vítima e avisam as suas parceiras. No entanto, como a comunicação das abelhas não é muito precisa, as colegas tentam recolher qualquer possível fonte de mel nas imediações, o que inclui as colméias que não haviam sido abertas. Como resultado, têm-se todas as colméias tentando saquear quase todas as demais. Eventualmente, as mais fracas acabam sucumbindo.
Uma vez iniciado o saque, pará-lo é muito difícil. Quando o enxame é pequeno e suas provisões são grandes (pode acontecer com colméias sem rainha há bastante tempo), a destruição do enxame é quase certa. Fechar a colméia imediatamente e carregá-la para mais de 3 km pode ser a única saída.
Temporariamente, a pilhagem pode ser interrompida com o uso de escapes invertidos em todas as demais colméias do apiário, mas essa é uma solução emergencial, apenas para dar tempo ao apicultor realizar outros procedimentos. Quando os escapes forem retirados, se tudo permanecer como antes, o saque recomeçará.
Uma tentativa que pode funcionar para enxames médios ou grandes que estejam sob ataque é a fumegação pesada. O apicultor deve postar-se ao lado da colméia e fumegar abundantemente a região frontal ao alvado, sem deixar a fumaça entrar na colméia. Isso deve ser feito por vários minutos, sempre tentando repelir as saqueadoras, até que o movimento diminua bastante. Depois disso, muitas vezes o enxame agredido consegue se reorganizar e acabar com a pilhagem.
O melhor é sempre evitar a pilhagem, reduzindo o tempo de manejo ao máximo nas entressafras. Quando isso não for possível (no caso de troca de rainhas, por exemplo), podem-se colocar escapes invertidos em todas as colméias, aguardar algum tempo e só depois iniciar o manejo, tornando a colocar os escapes nas caixas já manipuladas e só retirando todos ao final do procedimento.
Um dispositivo freqüentemente recomendado na literatura é a tela anti-pilhagem, que é colocada à frente do alvado para enganar as abelhas saqueadoras. A entrada é por cima da tela, mas só as moradoras locais, já acostumadas, se dão conta. As saqueadoras tentem por algum tempo e depois desistem. Eu não tenho experiência com o uso desta tela e nunca consegui encontrar algum apicultor que a usasse e tivesse alguma opinião a respeito.

7.8 Para que serve uma união de enxames? 

Enxames são unidos, principalmente em duas ocasiões: por necessidade, quando um deles está fraco demais ou perdeu a rainha (e a chance de produzir uma nova), ou para aumento de produção.
Pelo menos em tese, um enxame grande deve produzir mais do que dois médios. A razão disso é que cada colméia requer um determinado número de operárias para trabalhos internos, que não varia muito com o aumento da população. Numa união, é como se todas as operárias ocupadas com o trabalho interno de uma das colméias fosse liberada para a coleta. É uma quantidade muito significativa: numa colméia de 15.000 a 30.000 abelhas, entre 60 e 80% da população (11 a 18 mil indivíduos) cuida dos trabalhos internos. Numa colméia de 60.000 abelhas essa quantidade se mantém, mas se torna muito menos significativa percentualmente (20 a 30%) [AMB92].

7.9 Então é melhor unir o máximo possível de enxames?

Em tese sim, mas é preciso tomar alguns cuidados. Uma união que resulte num enxame grande demais pode acarretar dois problemas: dificuldade de manejo para o apicultor e aumento do risco de enxameação (pela desagregação for falta de feromônio de rainha em quantidade suficiente). Na prática, talvez o melhor seja unir cada 3 ou 4 enxames pequenos, e cada 2 médios.

7.10 Qual é o melhor momento para fazer-se a união?

Em caso de necessidade, a qualquer momento. Para aumento da produção, o melhor é no início de uma grande florada.
Uniões durante a entressafra só devem ser feitas para salvar algum enxame sem rainha ou pequeno demais. Os enxames muito pequenos às vezes demoram demais a se desenvolver, mesmo quando bem alimentados. Provavelmente, a pequena quantidade de operárias seja um fator limitante para o cuidado e o aquecimento da cria, impedindo uma postura abundante da rainha, ou inviabilizando o seu desenvolvimento. Isso acontece muitas vezes com enxames resultantes de divisões de outros; no entanto, enxames capturados (de enxameações naturais) muitas vezes não apresentam a mesma dificuldade de desenvolvimento, mesmo quando pequenos. É possível que essa diferença seja explicável pelo fato de que as enxameações naturais priorizam o abandono das abelhas mais jovens e, portanto, mais aptas a cuidar das crias.
Fora essas duas situações (enxames muito pequenos ou sem rainha), não há nenhuma vantagem em se fazer uniões na entressafra. Ao contrário, quanto mais enxames houver, maior será o número de rainhas no apiário e maior será a quantidade de cria disponível no início da próxima safra. Só então, quando a postura de todas as rainhas tiver sido estimulada com alimentação energética e protéica, e houver bastante néctar disponível, podem-se unir todos os enxames pequenos e médios e preservar os que conseguiram crescer o suficiente para garantir uma boa colheita.

7.11 Como unir os enxames sem diminuir o número de colméias?

Durante o período de safra, um apiário menor e mais produtivo é mais vantajoso sob os aspectos de rendimento e mão-de-obra empregada. No entanto, é importante que o apicultor consiga repor pelo menos o mesmo número de enxames que foram subtraídos do apiário pelas uniões. Para isso, há duas alternativas.
Primeiro, a divisão ao final da safra. Todas as colméias fortes podem ser divididas, de forma a manter a lotação original do apiário. Nesse momento, podem ser adquiridas boas rainhas para os novos enxames. No entanto, é preciso ficar atento para o fato que no final da safra, freqüentemente é difícil encontrar rainhas à venda, especialmente se na sua região a safra é um pouco atrasada em relação às demais. Por outro lado, divisões de enxames que não sejam muito grandes podem resultar em frustração. Isso ocorrerá se os enxames resultantes forem muito pequenos, de modo que possam abandonar a colméia ou demorarem demais a se recuperar, mesmo sendo alimentados abundantemente,
Outra forma, na minha opinião muito melhor, é compensar as perdas das uniões com capturas de enxames, instalados na natureza ou com caixas-isca. Isso é preferível porque, ao mesmo tempo em que preserva a força de todos os seus enxames, ainda remove enxames da natureza que posteriormente fariam concorrência aos seus. Além disso, é comum conseguir-se capturas durante a safra, num período de maior disponibilidade para aquisição de rainhas. Outra razão é que enxames capturados em caixas-isca freqüentemente se desenvolvem muito melhor e mais rapidamente do que aqueles produzidos por divisão.
Na prática, podem-se combinar as duas formas acima, quando as capturas não ocorrerem em quantidade suficiente. Trabalhando dessa forma, teremos um apiário do tipo "sanfona", com mais colméias na entressafra e menos colméias na safra.

7.12 Qual é o roteiro de um apiário "sanfona"?

· No início da safra (florada grande e duradoura), unir os enxames segundo o critério de tamanho: 2 médios, 3 ou 4 fracos, tentando equilibrar a força dos enxames resultantes e preservar as rainhas melhores e/ou mais jovens.
· Também no início da safra, preparar e distribuir as caixas-isca para as capturas.
· À medida que as capturas forem ocorrendo, as novas colméias podem ser colocadas ao lado das produtivas, em suporte ou cavalete duplo. Isso facilitará bastante uma eventual união no futuro.
· Aos poucos, as colméias capturadas poderão ter as suas rainhas substituídas por outras adquiridas de um bom produtor.
· No final da safra, após a última colheita, é hora de fazer as divisões (apenas as possíveis e necessárias), substituir as rainhas do restante das colméias novas e providenciar alimentação para todas as colméias que precisarem. (Note que apenas as colméias novas recebem rainhas novas). Muito cuidado com o manejo neste momento: é o período crítico para pilhagem das abelhas (veja o item 7.7).
· Durante a entressafra, as colméias devem ser mantidas bem alimentadas. Dois meses antes da nova safra, as colméias (pelo menos as menores) devem receber alimentação estimulante, energética e protéica.
· No início da próxima safra, recomeça o ciclo.

7.13 Mas, afinal, como se faz uma união?

A união é um procedimento relativamente simples:
· Primeiro, abra a colméia com a rainha mais antiga ou mais fraca. Se houver melgueiras, ponha-as de lado, fechadas e com o mínimo de abelhas dentro. Cuidado para a rainha não ficar numa delas.
· Elimine a rainha e feche a colméia.
· Faça o mesmo em todas as colméias com rainhas antigas ou fracas.
· Mais para o final da tarde, reabra estas colméias e cubra-as com uma folha de jornal. Alguns apicultores preferem usar um sanduíche de jornal e mel, mas eu não vejo vantagem. Pelo contrário, mel com tinta de jornal não parece muito apropriado para as abelhas.
· Em seguida, sobre cada uma destas colméias orfanadas, coloque uma colméia que possui rainha nova, e, sobre esta, as melgueiras retiradas no início.
· Aguarde uma semana e faça um rearranjo nos ninhos, de forma a deixá-los prontos para a safra.
Quando o apicultor trabalha rotineiramente com união de enxames, suportes ou cavaletes duplos facilitam muito o trabalho, já que as colméias unidas já estarão lado a lado. Além disso, evitam a perda de campeiras, pois as da colméia deslocada entrarão automaticamente na colméia unida.

7.14 Com quantos ninhos deve ficar uma colméia?

Tratando-se de ninho Langstroth normal, com altura de 24 cm, e considerando o uso de melgueiras para a colocação de mel (quem só usa ninho e sobreninho não se preocupa com esse problema), há duas correntes de pensamento. Uma delas prega o uso de dois ninhos. Os argumentos a favor desta idéia incluem um espaço amplo para a rainha e um controle de enxameação mais simples, pela reversão dos ninhos (passando o de cima para baixo).
A outra corrente recomenda o uso de apenas um ninho. A idéia aqui é simplificar o manejo, usando uma caixa a menos. Ao mesmo tempo, a probabilidade de as operárias depositarem mel nas melgueiras durante um fluxo de néctar não muito grande, especialmente quando se usa tela excluidora, parece ser maior quando apenas um ninho é usado.
A minha opção é por um único ninho. A idéia de a rainha precisar de dois ninhos inteiros para a postura é discutível. Considere, por exemplo, uma excelente rainha, que chegue à média de postura de 2.500 ovos por dia durante a safra. Se cada favo de ninho receber 5 mil ovos em média (cada um possui 7 mil alvéolos), o máximo possível de cria aberta e fechada da colméia ocupará apenas dez quadros (porque o ciclo médio de desenvolvimento das africanizadas é de 20 dias), ou seja, um único ninho. Na prática, situações como esta são bastante raras, e dificilmente uma colméia chega a dez quadros de cria por si só.
Por outro lado, quando o manejo é cuidadoso, com troca freqüente de rainha e alimentação estimulante, ou quando a florada é intensa e longa, o enxame pode se desenvolver muito. Neste caso, a intensa atividade durante a safra pode provocar a ocupação de vários favos do ninho com mel e pólen, forçando a postura da rainha em caixas superiores (ou a enxameação, caso não haja espaço disponível). Embora isso dê a muitos apicultores a falsa impressão de uma postura excepcional, a conclusão é a mesma para as duas interpretações: se a rainha for confinada a um único ninho (por uma tela excluidora), a probabilidade de enxameação aumenta muito.
Assim, quando se usa um só ninho, é importante não colocar a tela excluidora diretamente sobre ele. Os apicultores que não usam a tela freqüentemente tem cria na primeira melgueira, e passam a considerá-la como parte do ninho (pelo menos os quadros com cria, já que os demais podem ser colhidos normalmente). Quem usa a tela, pode colocá-la acima da primeira melgueira, com razoável segurança de que não faltará espaço para a postura.

7.15 O que fazer com um ninho bloqueado por mel?

Algumas vezes, as próprias abelhas tratam de transferir às melgueiras o mel ali armazenado, se houver espaço disponível e, especialmente, se a rainha não puder usar os favos logo acima do ninho, pela presença de tela excluidora ou favos de mel operculados. Também por essa razão, é importante que o apicultor remova os favos que estiverem cheios de alimentação artificial no início da safra, ou ela pode acabar nas melgueiras colocadas posteriormente.
De qualquer forma, embora não seja aconselhável perturbar as abelhas durante a safra, o apicultor pode aliviar o bloqueio por mel de um ninho. Para isso, os favos devem ser removidos, centrifugados e devolvidos à colméia, de preferência um a cada 3 dias ou mais. Isso abre espaço para a rainha e é preferível à simples troca de um favo com mel por um quadro com cera alveolada, pois as abelhas iniciam a deposição de néctar nos alvéolos logo que eles começam a ser puxados, antes que a rainha possa efetuar a postura. Contrariamente, quando é fornecido um favo puxado, a rainha pode usá-lo imediatamente, e garantir o seu espaço (não significa que vá fazê-lo de fato, mas as chances são maiores). Se muitos favos puxados forem fornecidos de uma só vez, a rainha possivelmente não terá tempo de apossar-se de todos antes que a deposição de néctar inicie.
Uma outra técnica interessante é a reversão de caixas. Uma vez que a rainha esteja fazendo a maior parte da postura na caixa superior, esta pode ser trocada de lugar com o ninho (mesmo sendo uma melgueira). Neste caso, porém, é preciso verificar se o ninho possui espaço para postura, e não apenas mel operculado, o que funcionaria como uma forte barreira para a rainha voltar a usá-lo.

7.16 Como reforçar uma colméia com cria sem uni-la a outra?

É preciso retirar quadros com cria de algumas colméias e colocá-los na colméia necessitada. Alguns apicultores, ao invés de apenas estimular os enxames ou uni-los, adotam a tática de manter colméias criadeiras e colméias produtivas. As colméias produtivas recebem cria das outras, aumentando rapidamente a sua população e, dessa forma, a sua produtividade.

7.17 Como é uma colméia criadeira?

É uma colméia da qual não se obtém nada a não ser crias. Ela deve ter uma boa rainha e receber farta alimentação energética e protéica, inclusive durante a safra. Nessas condições, ela é capaz de gerar pelo menos dois quadros completos de cria por semana (cerca de 12 a 14 mil crias). Quando a cria está madura, prestes a nascer, uma parte é transferida para outro enxame (produtor), e outra parte é deixada na colméia criadeira para reposição das abelhas que forem morrendo. A cria aberta não deve ser transferida, para não sobrecarregar a colméia produtiva com mais trabalho.

7.18 Como evitar a enxameação?

Não existe método garantido. Há diversos deles propostos na literatura, alguns bastante complicados, quase todos exigindo verificação muito freqüente da colméia para a destruição de realeiras e ampliação do espaço de postura e armazenagem de mel. Às vezes, parece preferível ter algumas enxameações no apiário do que usar um desses métodos propostos.
Uma boa prevenção me parece o único caminho aceitável contra a enxameação. A troca anual de rainhas é um procedimento que ajuda a evitá-la, além de contribuir para uma maior produtividade do enxame. A manutenção de espaço de sobra na colméia, tanto para a postura quanto para a armazenagem de mel, desde o início da safra, também é uma boa prática. Também o são os manejos rápidos e infreqüentes e a manutenção das colméias com boa ventilação e em ambiente sombreado (ou com telhados amplos, de cor clara). Quando todos esses elementos estiverem presentes, a enxameação ainda será possível, mas ela provavelmente ocorrerá mais tarde, permitindo que o enxame armazene mel suficiente para ser colhido pelo apicultor.

7.19 O que fazer se houver realeiras no enxame?

Basicamente, há duas razões para haver realeiras no enxame: morte da rainha ou enxameação. No primeiro caso, as realeiras devem ser preservadas; no segundo, elas podem ser removidas se a rainha velha ainda está presente.
A inspeção dos favos pode ajudar a identificar a causa das realeiras. Muitas vezes (não sempre), um número grande de realeiras, localizadas nas bordas dos favos, são indícios de enxameação. Por oposição, poucas realeiras, localizadas nas faces dos favos, indicam reposição de rainha morta.
A esses sinais, deve-se acrescentar uma análise da cria. Rainhas prestes a enxamear param a postura por poucos dias. Portanto, realeiras fechadas com crias jovens podem indicar enxameação. Já realeiras fechadas e somente crias operculadas pode ser sinal de reposição de rainha.
De qualquer forma, é importante notar que a eliminação das realeiras na ausência da rainha velha (morta ou já enxameada) pode ser fatal para o enxame. O ideal, portanto, é que o apicultor sempre se certifique da presença da rainha antes de remover as realeiras.

7.20 O que fazer com as realeiras removidas?

Elas podem ser destruídas ou, se forem procedentes de um bom enxame e estiverem operculadas, podem ser aproveitadas em outras colméias ou núcleos.
Se a decisão for pela destruição, as que estiverem desoperculadas poderão ser guardadas num recipiente limpo para que a geléia real seja retirada e consumida, (nem que seja para matar a curiosidade dos familiares e amigos).

7.21 Como aproveitar as realeiras em outras colméias?

Realeiras retiradas de um enxame com boas características podem ser introduzidas em colméias previamente orfanadas ou núcleos criados para tal. No entanto, há um momento mais adequado para isso, que é por volta do décimo dia de construção da realeira, quando ela está fechada e a incubação ainda levará cerca de dois dias para se completar. Como o apicultor não pode estimar a idade de uma realeira "achada", o método não é muito garantido.
Por essa razão, a opção por núcleos pode ser mais interessante: se a introdução da realeira não der certo, o prejuízo com a perda de um núcleo é muito menor do que com a perda de uma colméia.
Para fazer um núcleo, pegue dois ou três quadros de cria em diferentes estágios e mais dois ou três quadros de provisões, todos com abelhas aderentes. Esses quadros podem ser procedentes de colônias diferentes, mas nenhum deles pode vir com a rainha. Os quadros serão postos numa caixa pequena (com volume de meio ninho) ou mesmo num ninho inteiro, dividido ao meio por uma tábua separadora.
Para fazer a introdução da realeira, tanto numa colméia orfanada quanto num núcleo, recorte-a cuidadosamente do quadro da colméia-mãe e fixe-a entre as barras superiores de dois quadros da caixa de destino, com o máximo cuidado para não danificar a realeira. Depois, feche o núcleo e não mexa nele por cerca de duas semanas. Dependendo das condições climáticas, durante esse tempo a princesa já deverá ter nascido e acasalado.
Antigamente, era recomendada a introdução da realeira num protetor do tipo "West", uma gaiolinha no formato de um cone de mola. Hoje, ele é considerado dispensável.

7.22 Por que a introdução de uma realeira pode não dar certo?

Vários motivos podem impedir que de uma realeira resulte uma rainha fértil. O primeiro é pela inviabilidade da pupa, já que ela pode estar morta dentro da realeira, ou ter sido lesada durante a manipulação. Por esta razão, introduzir pelo menos duas realeiras em cada núcleo ou colméia pode ser uma boa idéia.
Outro motivo é a falta de zangões na região. Após uma entressafra relativamente longa, a probabilidade de haver zangões em alguma colméia próxima é muito pequena. Nesse caso, a princesa pode nascer saudável, mas não encontrar seus pares para acasalar.
Da mesma forma, condições climáticas muito adversas podem retardar bastante os vôos nupciais ou ocasionarem a morte da princesa.

7.23 Como se acha a rainha?

Com sorte ou muita paciência. O método principal é remover cada quadro e verificar cuidadosamente as duas faces. Lembre-se que a rainha tentará esconder-se no ponto mais escuro, num canto, talvez por baixo das operárias. Olhe algumas vezes as duas faces, não desista logo. Se achar que ela não está mesmo ali, devolva o quadro à colméia (ou, melhor ainda, ponha-o num ninho vazio, previamente colocado ao lado) e passe para o próximo quadro.
Um método mais drástico é peneirar as abelhas. Primeiro, desloque a colméia para o lado e ponha uma vazia no seu lugar. Remova os quadros do ninho antigo e examine cada um para tentar achar a rainha neste momento. Se não for possível, sacuda-o e passe-o para o novo ninho sem abelhas aderentes. Quando terminar, ponha sobre o novo ninho uma tela excluidora e, sobre esta, uma melgueira vazia. A seguir, despeje todas as abelhas do ninho original dentro dessa caixa vazia, de maneira que elas tenham de passar pela tela excluidora para chegar aos seus favos. Então, ponha fumaça para forçar a descida das operárias e tente achar a rainha, que deverá estar passeando sobre a tela excluidora ou numa parede da melgueira.
Outro método que às vezes dá resultado é pôr bastante fumaça no alvado, antes de abrir a colméia. Com isso, há uma boa chance de que a rainha afaste-se dele o máximo possível, e talvez você a encontre no lado de baixo da tampa, assim que abrir a colméia. Naturalmente, trata-se de um método condenável pelo próprio abuso de fumaça (veja item 4.10) e ele não funcionará se houver uma tela excluidora. Também é especialmente danoso se houver melgueiras, pois o mel pode ser contaminado pelo excesso de fumaça, e a rainha pode se esconder numa melgueira, ao invés de subir até a tampa.

7.24 Durante as revisões é preciso sempre enxergar a rainha?

Não. A presença da rainha pode ser percebida pela presença de ovos. Mesmo quando a postura cessa completamente na entressafra, o apicultor experiente pode perceber a presença da rainha pelo comportamento mais pacífico (menos agitado, para ser mais exato) das operárias. Na verdade, há muito poucas ocasiões em que realmente é necessário achar a rainha.

7.25 Quando se deve substituir a rainha?

A melhor época de troca é dois a três meses antes da próxima safra, mas isso nem sempre é possível, já que muitos criadores de rainhas também passam por uma entressafra de produção. Se isso ocorrer, vale a pena procurar por produtores de outras regiões do país, já que a diversidade climática e as safras e entressafras são bastante distintas no Brasil.
Junto com a consideração de antecedência da próxima safra, outra que pode ser útil é o final da safra corrente. Como o fim de safra é uma ocasião de grande agitação na colméia, pela grande quantidade de abelhas presentes e pelo final do fluxo de néctar, muitas vezes é preferível esperar algum tempo (um mês, mais ou menos) para efetuar a troca da rainha. Assim, as populações serão menores, facilitando a manipulação das colméias e a procura pela rainha antiga.
Por outro lado, se o apicultor quiser fazer divisões das colméias, o ideal é aproveitar o momento de população máxima, que ocorre no final da safra. Embora a divisão não seja o método ideal para multiplicação de enxames, ele facilita grandemente a introdução de rainhas novas (veja o item 7.6).

7.26 Com que freqüência a rainha deve ser substituída?

Uma recomendação comum é que ela seja trocada anualmente. A razão disso é que uma rainha jovem é mais produtiva e menos propensa a enxamear. Há quem troque as rainhas a cada seis meses e a cada dois anos ou mais, mas a periodicidade anual me parece ser a ideal, considerados os aspectos práticos e econômicos.
Num estudo citado em [SAN93], foi medida a produção de 36 colméias, metade delas com rainhas de um ano, metade com rainhas de dois anos. As colméias com rainhas mais jovens produziram quase 40% a mais de mel do que as mais velhas – 141 kg contra 102 kg, respectivamente.

7.27 Como substituir uma rainha?

De duas formas: adquirindo uma rainha de um fornecedor e introduzindo-a na colméia ou forçando as abelhas a produzirem uma nova. Para forçar as abelhas a produzir uma rainha, basta eliminar a antiga e deixar na colméia pelo menos um quadro com ovos e cria nova. Deixe a colméia fechada por 7 a 10 dias e depois verifique a presença de realeiras. Se não houver nenhuma fechada ou em desenvolvimento, forneça mais um quadro com cria nova ao enxame. Se falhar de novo, una o enxame a outro antes que ele se torne zanganeiro. Essa técnica de ser usada apenas quando houver zangões nas colméias, para garantir a fecundação da princesa.
Para adquirir uma rainha, entre em contato com um fornecedor com boas referências. Se não conhecer nenhum, pergunte em algum grupo de discussão. Alguns fornecedores recomendam a eliminação da rainha antiga com 24 a 48 horas de antecedência, para que as operárias percebam a sua ausência e aceitem melhor a nova. Outros, no entanto, não vêem utilidade nisso e recomendam a introdução da rainha nova no mesmo momento da eliminação da antiga, o que simplifica bastante a operação. Depois da introdução, a colméia deve permanecer fechada por uma semana, pelo menos.

7.28 Como as rainhas são vendidas?

Salvo solicitação diferente, elas são vendidas fecundadas, testadas (já em postura), e marcadas na cor do ano. São enviadas pelo correio numa gaiola de transporte, junto com algumas operárias acompanhantes e uma porção de cândi.
Essa gaiola pode ser usada para se fazer a introdução, embora muitos manuais recomendem o uso de gaiolas de introdução específicas.

7.29 Como é uma gaiola de introdução?

O modelo mais simples é um rolinho de tela metálica (ou um daqueles bobs de cabelo), fechado com madeira numa ponta e dois pedaços de jornal na outra, presos com um elástico. Na madeira, põem-se dois preguinhos, para pendurar o rolo entre dois quadros do ninho (que devem ser afastados um pouco um do outro). O jornal será roído aos poucos pelas operárias, dando tempo a que elas se conheçam antes da liberação definitiva da rainha.
Uma gaiola mais sofisticada é a Müller, que possui um ou dois túneis a serem preenchidos com cândi. Um túnel longo (às vezes o único) serve de saída para a rainha, assim que as abelhas removem todo o cândi. O túnel pequeno tem um estreitamento que não permite a saída da rainha, mas dá acesso mais rápido ao interior da gaiola para algumas operárias de cada vez. Supostamente, é uma gaiola com aceitação mais garantida da nova rainha (eu nunca percebi diferença), e especialmente recomendada no caso da introdução de uma rainha européia numa colméia africanizada.
A própria gaiola de transporte é o meio mais simples para fazer a introdução. De acordo com vários autores, as acompanhantes devem ser retiradas para a introdução. No entanto, diversos apicultores têm testado com sucesso a introdução da rainha junto com as acompanhantes na gaiola de transporte, o que representa uma boa economia de trabalho.
Quem prefere remover as acompanhantes só pode usar a gaiola de transporte se ela tiver malha larga, que permita que as abelhas da colméia possam alimentar a rainha através dos furos. O buraco por onde saíram as acompanhantes deve ser fechado com uma tampa (batoque), enquanto que o buraco que fica do lado do cândi deve ser liberado (cuidado para não esquecer dele, ou a rainha ficará presa).

7.30 Como as acompanhantes são retiradas da gaiola de transporte?

O melhor é fazer isso num ambiente fechado, a prova de abelhas. Assim, se alguma rainha sair voando, ela poderá ser recapturada.
Uma maneira relativamente eficiente é tirar a tampa da gaiola e sacudi-la com cuidado dentro de um saco plástico. Quando a rainha sair, segure-a gentilmente numa dobra do saco e sacuda o resto das acompanhantes. Depois, induza a rainha a entrar na gaiola de introdução.

7.31 Como a gaiola deve ser colocada na colméia?

Uma recomendação comum é que ela seja pendurada entre dois quadros de cria, com cuidado para não obstruir os orifícios de ventilação e acesso ao cândi. Eu não gosto dessa forma porque ela exige a retirada (temporária) de um quadro do ninho ou o sacrifício de uma parte das crias, pela proximidade dos seus alvéolos com a gaiola.
A alternativa é deixar a gaiola deitada sobre as barras superiores dos quadros. Também aqui é preciso garantir que as demais abelhas terão acesso suficiente à tela, para alimentá-la (caso as abelhas acompanhantes tenham sido retiradas), e ao cândi, para libertá-la. Também é preciso providenciar um extensor para o ninho, de forma que a gaiola não seja esmagada pela tampa ou pela primeira melgueira (veja comentário sobre extensores no item 6.25). Alternativamente, a gaiola pode ser colocada no fundo da colméia, com a tela para cima, se houver espaço.

7.32 O que é "cor do ano"?

É a cor da tinta usada para pintar o tórax da rainha, para identificar o seu ano de nascimento (último dígito):
1 e 6 - branca
2 e 7 - amarela
3 e 8 - vermelha
4 e 9 - verde
5 e 0 - azul
É difícil imaginar uma utilidade real para isso. Talvez seja bom para algum apicultor com muitas colméias, que troque apenas uma parte das rainhas a cada ano e não registre quais colméias receberam rainhas novas. Situação meio rara, eu imagino. Na prática, a vantagem mesmo é que uma rainha pintada é mais fácil de ser encontrada do que uma não pintada.

7.33 Como as rainhas são produzidas para venda?

A produção de rainhas para venda é um campo bastante específico da apicultura, cheio de minúcias e conduzido por uma pequena parte dos apicultores. Apenas para dar uma idéia do processo (ou de um deles), aqui vão os detalhes básicos.
Primeiro, o apicultor seleciona as colméias que fornecerão as larvas segundo seus critérios preferidos - produtividade, mansidão, comportamento higiênico, tolerância a doenças, baixa tendência à enxameação, entre outros. Das colméias selecionadas, são extraídas larvas jovens, que são "enxertadas" em cúpulas. Essas cúpulas podem ser de plástico ou cera, e são fixadas em grupos (20, 30, 40, ...) num quadro modificado. Este quadro é colocado em seguida numa colméia forte, que pode ter sido previamente orfanada ou não, dependendo do método escolhido. Essa colméia, se alimentada abundantemente, conseguirá garantir o desenvolvimento de todas, ou quase todas as larvas enxertadas. Após cerca de dez dias do enxerto, as realeiras são distribuídas a núcleos (mini-colméias) previamente orfanados, onde as princesas nascerão, farão seus vôos nupciais e iniciarão a postura, para somente depois serem vendidas.

7.34 Quanto custa uma rainha?

Varia bastante de acordo com o fornecedor, mas fica entre 1 e 2 kg de mel, em média.

7.35 O que fazer se a rainha morrer?

Uma solução é adquirir outra rainha e tentar uma nova introdução. Outra possibilidade é deixar as próprias abelhas produzirem a sua rainha. Neste caso, deve haver um quadro com ovos e larvas jovens disponível, além de alimento suficiente (especialmente pólen ou um substituto).

7.36 O que fazer se o enxame ficar zanganeiro?

Se a colméia não aceitar outra rainha ou não conseguir produzir uma nova, ela poderá tornar-se zanganeira. É sempre melhor intervir antes que isso aconteça, mas caso essa situação ocorra, há algumas tentativas que podem ser feitas. A introdução de uma nova rainha freqüentemente falha, mas pode ser tentada se houver disponibilidade de rainha.
Uma técnica possivelmente útil para enxames zanganeiros que ainda estejam fortes é sacudir todos os favos a uma boa distância do local original da colméia, para eliminar as poedeiras. Supostamente, por estarem mais pesadas e talvez desorientadas por dedicarem-se apenas à postura, elas não voltariam para a colméia. Depois, a colméia é remontada no local original, sem os favos de cria. Assim, apenas com as operárias normais, o enxame tem uma probabilidade maior de aceitar a rainha nova.
Outra idéia é a troca de lugar de uma colméia zanganeira com outra normal, forte. Nesse caso, é preciso remover os favos zanganeiros e acrescentar favos com postura boa e jovem, para que as operárias não zanganeiras, inclusive as da colméia normal que estarão entrando, produzam uma nova rainha.
No entanto, antes de se experimentar alguma forma de recuperação do enxame zanganeiro, é preciso avaliar a sua viabilidade. Enxames nessa situação, quando são encontrados, freqüentemente apresentam um número muito pequeno de operárias, muitas delas poedeiras, e não justificam esforços maiores na sua preservação individual. Além disso, nenhum desses métodos é garantido, o que valoriza ainda mais a ações preventivas para que a colméia não chegue a essa situação.
A opção, então, é a união da colméia zanganeira com uma normal, com a eliminação dos favos que estiverem cheios de ovos das operárias, para que não nasçam mais zangões. Mesmo que o número de campeiras da colméia zanganeira não seja muito grande, ao menos as provisões de mel, pólen e favos não serão perdidas.

7.37 O que fazer se o enxame morrer?

Se o enxame morrer ou abandonar a colméia, sobrará uma porção de favos cheios de crias e alimento. Em pouco tempo, estará tudo em processo de decomposição, atraindo uma porção de traças, formigas e forídeos (um tipo de mosca, muito pequena e rápida), que aproveitarão para ali depositar seus ovos e transformar tudo num cenário de filme de terror.
Nessa situação, há pouco a fazer. Remova a caixa logo. Lave e derreta os favos menos comprometidos. É possível derreter todos os favos, mas o processo será trabalhoso e, para os mais sensíveis, verdadeiramente nojento. Se você não se importar em ficar coando teias cheias de fezes e vermes cozidos, jogue tudo num latão com água quente. Caso contrário, enterre ou queime os favos em pior estado.
Depois, limpe bem as caixas, os quadros e os demais equipamentos atingidos.



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