29 de ago de 2015

INIMIGOS DAS ABELHAS

abelhas

11. Inimigos

11.1 Quais são os inimigos das abelhas? [3]

Há vários. Microorganismos causadores de doenças de cria e de adultos, parasitas internos, externos e sociais, substâncias tóxicas, predadores e outras pragas (referências em [ESP02], [GON02], [PER03], [SAM98], [SAN99], [SHI92], [WIE87]).
No que diz respeito ao Brasil e às abelhas africanizadas, os principais problemas são as substâncias tóxicas e o vandalismo ou roubo. Em relação às doenças e parasitas em geral, as africanizadas apresentam uma resistência maior que as européias. Em parte, essa resistência tem origem orgânica, como no caso da característica SMR (de Suppress Mite Reproduction), freqüentemente encontrada nas africanizadas, que impede a reprodução da varroa nos alvéolos de cria. No caso das doenças, a maior resistência das africanizadas provavelmente se deve a um comportamento higiênico mais desenvolvido, que as leva a remover os cadáveres mais rapidamente e com maior eficiência, diminuindo assim a chance de alastramento da infecção.
Ao mesmo tempo, essas abelhas têm forte tendência de abandonar completamente o ninho quando enfrentam algum tipo de perturbação mais forte, deixando para trás todos os organismos indesejados. Esse tipo de comportamento ajuda no controle de parasitas, que chegam a devastar fortes colônias de européias, mas raramente fazem o mesmo com africanizadas.
Nos países que criam abelhas européias, três pragas são responsáveis pela maior parte dos prejuízos: a podridão americana, a varroa e o besouro da colméia.
Na África, os criadores de Apis mellifera scutellata têm sofrido nos últimos anos com um caso grave de parasitismo social da A.m. capensis [GON02].

11.2 Como são classificados esses inimigos?

Há varias classificações possíveis. Uma delas, muito citada, é por fase da vida da abelha em que ela é atingida. Por exemplo, as principais doenças de cria são as seguintes:
· Podridão européia (ou CPE - Cria Pútrida Européia)
· Podridão americana (ou CPA - Cria Pútrida Americana)
· Cria ensacada
· Cria ensacada brasileira
· Cria giz
Já as principais doenças de adultos são estas:
· Nosemose
· Disenteria
· Envenenamento
· Fome e frio
E há também os parasitas e outras pragas:
· Varroa
· Acarapis woodi (doença chamada de acariose)
· Aethina tumida (besouro da colméia)
· Apis mellifera capensis
· Traças de cera
· Formigas

11.3 Podridão européia?

Agente: bactéria Melissococcus pluton.
Sintomas: larvas mortas, amareladas ou marrons. Cheiro ácido forte. Favo de cria com poucos alvéolos operculados em meio a muitos vazios ou com larvas mortas.
Contágio: as abelhas adultas contaminam as larvas ao alimentá-las.
Prejuízo: significativo, quando a colônia não tem alimento suficiente.
Ocorrência no Brasil: relativamente comum.
Controle: uma alimentação abundante, energética e protéica, geralmente resolve o problema. Se ele persistir, uma opção é substituir a rainha para tentar mudar o perfil de tolerância à doença da colônia.
Observação: essa doença pode ser tratada com Terramicina, mas essa não é a melhor escolha (veja o item 11.20 abaixo)

11.4 Podridão americana?

Agente: bactéria Paenibacillus larvae
Sintomas: crias operculadas (pré-pupa/pupa) mortas, opérculos perfurados. Larvas marrons que, quando esmagadas com um palito, adquirem uma consistência viscosa e provocam a criação de um "fio" no momento em que o palito é removido.
Contágio: fácil, através de mel e pólen contaminados com os esporos da bactéria. A transmissão se dá por pilhagem de colônias infectadas, transferência de favos de alimento pelo apicultor e até mel extraído que é recolhido pelas abelhas (essa forma proporciona a "importação" da doença de outros países, junto com méis contaminados).
Prejuízo: muito grande, podendo devastar apiários.
Ocorrência no Brasil: ainda não detectada.
Controle: colméias suspeitas devem ser imediatamente isoladas e ter uma amostra enviada a análise de laboratório. Como esta doença ainda não foi identificada no Brasil, não existe uma diretriz nacional sobre o que fazer se o resultado for positivo. O melhor talvez seja adotar o critério mais radical, usado por diversos países, que é o da destruição completa das abelhas e de todas as partes da colméia. Para isso, remova primeiro todos os quadros e queime-os durante o dia. À noite, feche a colméia e mate as abelhas com um inseticida. Essa parte é especialmente difícil para o apicultor, mas ele deve lembrar que a sobrevivência de todos os demais enxames está em jogo. No dia seguinte, queime as caixas, fundo, tampa e as abelhas mortas. O fogo é necessário porque os esporos do P. larvae suportam temperaturas de até 150 ºC. Alguns países e estados americanos admitem a esterilização do equipamento ao invés da sua destruição, mas os meios não são facilmente encontráveis no Brasil ou são muito perigosos (irradiação beta e gama, mergulho em parafina a 160 ºC, fervura em solução de soda cáustica).

11.5 Cria ensacada?

Agente: vírus (SBV, de Sacbrood Virus, sem nome científico)
Sintomas: crias parcialmente operculadas em meio a outras totalmente operculadas ou já emergidas. Pré-pupas mortas, com cor variando do amarelo ao marrom-escuro, especialmente com a extremidade da cabeça mais escura que o resto do corpo. Indivíduos mortos podem ser facilmente removidos dos alvéolos, mas, quando agarrados por uma pinça, tomam a forma de um saquinho (daí o nome).
Contágio: provavelmente através das abelhas adultas, ao alimentar as larvas.
Prejuízo: pouco significativo, podendo passar despercebido em enxames fortes.
Ocorrência no Brasil: desconhecida (veja item 11.6).
Controle: a manutenção de enxames fortes, com bastante alimento é suficiente.

11.6 Cria ensacada brasileira?

Agente: pólen do barbatimão (Stryphnodendron spp.)
Sintomas: similares aos da cria ensacada (descritos acima)
Contágio: pelas abelhas adultas, ao alimentar as larvas com o pólen.
Prejuízo: grande, com enfraquecimento ou morte de muitos ou todos os enxames do apiário.
Ocorrência no Brasil: muito freqüente na região Sudeste. Possível em outras regiões onde exista esta planta.
Controle: alimentação com suplemento protéico pelo menos 15 dias antes do início da florada do barbatimão. Manutenção dessa alimentação durante todo o período da florada.

11.7 Cria giz?

Agente: fungo Ascosphaera apis
Sintomas: larvas rígidas, aparentando mumificação. Podem ser facilmente removidas do favo com uma sacudida.
Contágio: pelas abelhas adultas, ao alimentar as larvas com pólen contaminado com o fungo.
Prejuízo: moderado em enxames mais suscetíveis.
Ocorrência no Brasil: já detectado, mas ainda não relevante.
Controle: manutenção de enxame forte e substituição freqüente da rainha.

11.8 Nosemose?

Agente: protozoário Nosema apis
Sintomas: abelhas incapazes de voar, desorientadas no chão da colméia, com tremores, com asas em posição anormal e abdômen inchado.
Contágio: pelas fezes das abelhas adultas contaminadas, quando depositadas dentro da colméia (por impossibilidade de realizar os vôos higiênicos).
Prejuízo: grande em climas temperados, pequeno nos demais.
Ocorrência no Brasil: existente, mas atualmente pouco relevante.
Controle: manutenção de enxame forte e substituição freqüente da rainha. Esterilização eventual dos equipamentos por imersão em água quente.

11.9 Disenteria?

Agente: más condições alimentares e sanitárias
Sintomas: presença de matéria fecal marrom ou amarelada na colméia, abelhas com movimentos lerdos e abdomens inchados. Mortandade de abelhas.
Causas: alimento fermentado, alimento com impurezas (como as presentes no açúcar mascavo e melado de cana), alimento com alto teor de HMF (mel velho, açúcar invertido), excesso de umidade na colméia.
Prejuízo: de pequeno a muito grande, podendo acabar com o enxame.
Ocorrência no Brasil: geral.
Controle: eliminação das causas.

11.10 Envenenamento?

Agente: inseticidas
Sintomas: mortandade súbita de adultas dentro da colméia ou redução drástica do enxame (mortandade no campo).
Causas: aplicação de inseticidas em culturas vegetais no raio de ação das abelhas. Fungicidas e herbicidas normalmente não matam as abelhas, ainda que possam deixar resíduos nos produtos coletados.
Prejuízo: Muito grande, podendo devastar o apiário.
Ocorrência no Brasil: geral.
Controle: escolha prévia do local do apiário, conhecimento prévio da rotina de pulverização das culturas vizinhas, remoção das colméias antes das pulverizações, alimentação abundante durante e após as pulverizações.

11.11 Fome e frio?

Agente: falta de alimento energético
Sintomas: Morte ou forte redução do enxame, com abelhas adultas mortas dentro dos alvéolos, as cabeças voltadas para o fundo.
Causas: falta de alimento energético (mel, néctar, xarope), especialmente na entressafra e em clima frio, quando o consumo de mel é aumentado para a geração de calor. É importante salientar que qualquer enxame normal só morrerá de frio se não tiver mel suficiente a disposição.
Prejuízo: Grande, com possível perda do enxame.
Ocorrência no Brasil: principalmente nas regiões frias (Sul) ou naquelas em que as entressafras são severas e longas.
Controle: Alimentação artificial com xarope ou mel deixado na colméia em quantidade suficiente para a entressafra.

11.12 Varroa?

Agente: ácaros Varroa destructor e Varroa jacobsoni (talvez outros)
Sintomas: presença de muitas larvas (especialmente de zangões) com ácaros - vistos a olho nu como pontos marrons, do tamanho de uma cabeça de alfinete. Os ácaros estão presentes nos adultos também, mas não são tão facilmente identificáveis.
Um teste simples de ser feito é o seguinte: recolher uma porção de abelhas adultas (500-1000 abelhas) num vidro, adicionar água e sabão líquido a 4% (ou álcool etílico ou isopropílico a 70%) e agitar bem. Depois, coar as abelhas e verificar a presença de varroas no líquido.
Prejuízo: muito grande em climas temperados e abelhas européias, menor em climas tropicais e abelhas africanizadas.
Ocorrência no Brasil: existente, mas ainda não especialmente relevante. Exige observação.
Controle: manutenção de enxames fortes, bem alimentados. Substituição da rainha em caso de infestação acentuada. O controle químico, com fluvalinato, é permitido e usado em outros países, mas não disponível nem recomendado por grande parte dos apicultores no Brasil.
Observação: existe um inseto (Braula coeca) que é praticamente inofensivo às abelhas, mas muito parecido com a varroa. Ele se aloja no tórax das operárias e da rainha, às vezes em grupos. Uma diferença perceptível é que ele possui 3 pares de patas, que se estendem para o lado do corpo, enquanto que a varroa, um aracnídeo, possui 4 pares, que se estendem para frente.

11.13 Acariose?

Agente: ácaro Acarapis woodi
Sintomas: imprecisos, muito semelhantes aos de outras doenças: enxame anormalmente reduzido, abelhas arrastando-se com asas desconjuntadas. A confirmação só pode ser feita em laboratório.
Prejuízo: grande, se não tratado.
Ocorrência no Brasil: existente, mas atualmente irrelevante.
Controle: manutenção de enxames fortes, bem alimentados, com rainha nova.

11.14 Besouro da colméia?

Agente: coleóptero Aethina tumida
Descrição: fêmeas adultas deste besouro são atraídas pelo mel e podem entrar na colméia ou pôr ovos em favos expostos ao ar livre. As larvas, de pouco mais de 1 cm, alimentam-se de mel e de crias vivas, infestando qualquer tipo de favo. O mel, fermentado pelas fezes das larvas, é repudiado pelas abelhas. Poucos indivíduos adultos podem causar pesadas infestações.
Prejuízo: muito grande na América do Norte, com exterminação de enxames. Na África, esse besouro raramente cria problemas para os enxames de Apis mellifera scutellata, embora a sua convivência seja comum.
Ocorrência no Brasil: ainda não encontrado.
Controle: difícil. Verificação cuidadosa e pronta eliminação de favos infectados. Manutenção de enxames fortes. Prevenção por exposição mínima dos favos durante o manejo e colheita de mel.

11.15 Apis mellifera capensis?

Agente: abelha A.m. capensis
Descrição: operárias da abelha capensis invadem colméias de A.m. scutellata (só dela) e passam a competir com a rainha, pondo ovos e produzindo feromônio de rainha. Esta acaba morrendo, atacada pelas invasoras ou vítima de desnutrição por falta de atendimento das suas operárias. Os ovos postos pelas capensis, apesar de não fecundados, produzem novas fêmeas poedeiras, o que acaba desorganizando a colméia de tal modo a inviabilizá-la.
Prejuízo: muito grande na África do Sul, com grande exterminação de enxames.
Ocorrência no Brasil: ainda não identificada.
Controle: muito difícil. Prevenção por isolamento das duas espécies.

11.16 Traças de cera?

Agente: Galleria mellonella (traça maior) e Achroia grisella (traça menor)
Descrição: indivíduos adultos põem ovos no interior da colméia ou em favos guardados, especialmente os mais escuros. As larvas alimentam-se de cera e formam túneis cheios de fezes e fios de seda nos favos, que se tornam inaproveitáveis para as abelhas. Em infestações pesadas, as larvas chegam a destruir a madeira dos quadros e das caixas.
Prejuízo: insignificante ou inexistente em enxames médios e fortes; importante em enxames fracos. Possivelmente grande em favos armazenados.
Ocorrência no Brasil: geral.
Controle: manutenção de enxames fortes. Enxames fracos devem ser protegidos por redução do alvado e vedação das frestas das colméias. Favos escuros (especialmente os de ninho) devem ser derretidos tão logo sejam retirados da colméia. Favos claros devem ser guardados, preferencialmente, em ambiente claro, seco e arejado. O congelamento dos favos a -15 ºC por 2 horas destrói todas as fases das traças (ovos, larvas e adultos).
Observação: em alguns países o paradiclorobenzeno (PDB) é uma substância química aprovada para controle da traça em favos armazenados. No Brasil, recomenda-se sempre evitar procedimentos que possam deixar resíduos indesejáveis na colméia e nos seus produtos.

11.17 Formigas?

Agente: diversas espécies de formigas
Descrição: as formigas costumam atacar repentinamente e causar grandes danos, devorando as crias, o mel, o pólen e provocando um grande estresse na colméia.
Prejuízo: destruição dos favos e abandono dos enxames.
Ocorrência no Brasil: geral.
Controle: manutenção da colméia em posição elevada em relação ao solo. Uso de cavaletes com proteção contra formigas, como lã ou estopa embebida em óleo, arandelas com óleo, cúpulas invertidas (de garrafas PET, por exemplo). Limpeza do terreno e combate das formigas predadoras nas imediações do apiário.

11.18 Como se pode confirmar uma suspeita de doença?

Enviando uma amostra de favo, crias e/ou adultas para análise num laboratório. Isso especialmente necessário no caso de suspeita de podridão americana, que é a doença apícola mais importante.

11.19 A quem e como se deve enviar as amostras?

Antes de enviar amostras a algum lugar, entre em contato com alguma autoridade ligada à área de sanidade apícola. Por exemplo, existe oComitê Científico Consultivo em Sanidade Apícola - CCCSA, instituído pela Portaria nº 09, de 18 de fevereiro de 2003, da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Seus membros podem ser contatados pelos seguintes e-mails (para formar os endereços, junte as palavras em negrito com o caráter "@" entre elas):
Aroni Sattler (UFRGS/Porto Alegre/RS) - aronisattler em yahoo.com.br
Dejair Message (UFV/Viçosa/MG) - dmessage em mail.ufv.br
David de Jong (USP/Ribeirão Preto/SP) - ddjong em fmrp.usp.br
Dulce Schuch (MAPA/Porto Alegre/RS) dmtschuch em yahoo.com

11.20 Por que não tratar as doenças com remédios?

Medicamentos sempre oferecem o risco de, se mal usados, contribuírem para a seleção de cepas resistentes dos organismos que estão sendo combatidos. Além disso, eles contaminam os produtos da colméia e não têm sido necessários no Brasil. A maior resistência da abelha africanizada em relação à européia permite que muitas doenças sejam tratadas com a simples adoção de medidas sanitárias simples e/ou substituição da rainha - e conseqüente alteração do perfil genético da colméia em cerca de dois meses. Essa alteração genética é uma tentativa de criar um enxame com resistência orgânica maior ou comportamento higiênico mais apurado, o que é perfeitamente possível com a aquisição de rainhas africanizadas selecionadas.
Dessa forma, busca-se um melhoramento genético com a extinção das características ruins em relação às doenças. O retorno deste procedimento é um gasto menor em manejo e nulo em remédios, mas, principalmente, o privilégio de se recolher produtos absolutamente naturais, sem contaminantes químicos de nenhuma espécie.

11.21 Como evitar o roubo e o vandalismo?

Esse é um problema difícil. Por representar um perigo a pessoas e animais, o apiário necessariamente deve ser localizado a uma certa distância de casas e galpões, o que o torna um alvo fácil para ações criminosas. Há muito pouco o que fazer sem investir muito.
A primeira tentativa é ocultar da melhor forma possível o apiário da vista de populares. O uso de cores discretas nas colméias, telhados e suportes pode ajudar.
Alguns apicultores sugerem adotar equipamentos especiais, como fundos (chãos) de colméias com furos grandes, ou tampas integradas com telhados pesados. A idéia é que as colméias não possam ser carregadas sem que as abelhas ataquem os ladrões. Isso pode funcionar na primeira vez, mas dificilmente dará resultado numa segunda tentativa.
A montagem de armadilhas nas imediações do apiário é defendida por alguns, mas é preciso considerar muito bem as possíveis conseqüências. Armadilhas que causem dano físico ao invasor podem motivar a responsabilização criminal do apicultor. Armadilhas que apenas assustem ou que provoquem ruídos altos ou ativem sirenes talvez possam ser usadas.
Não há local 100% seguro, mas o conhecimento e uma boa relação com os vizinhos também ajudam. Um pouco de mel presenteado na colheita pode angariar aliados vigilantes.

OUTROS

É sem dúvida o homem, o principal inimigo das abelhas, devido aos maus tratos que lhe dá, não as pondo em condições de não serem incomodadas, deixando-as mesmo morrer à fome. Existem diversos aspectos relacionados com o maneio da colmeia que se podem considerar incorrectos.
Geralmente os erros mais importantes são:
- Instalação de colmeias em locais pouco protegidos, nomeadamente zonas ventosas, frias e demasiado húmidas e em locais onde frequentemente se fazem tratamentos fitossanitários.
- Falta de higiene durante a manipulação, transmitindo doenças para outras colmeias e mesmo para outros apiários.
- Excesso de desdobramentos e a cresta exagerada, reduzem também a viabilidade dos enxames uma vez que reduzem as reservas necessárias para ultrapassar os períodos de escassez.
Como conclusão, uma das principais causas de morte dos enxames, é a extracção excessiva de mel sem a necessária compensação.
Aves insectívoras: Comem grande número de abelhas, quando estas se encontram a voar, ou a visitar as flores, não sofrendo, ao que parece com o chamado « veneno » das abelhas.
Os patos também são grandes apreciadores de abelhas dizimando muitas.
De todas as aves, nos Açores a que maior número de vítimas produz será ....
Formigas: Consomem grande volume de mel, causando enormes prejuízos porque enfraquecem as colónias, matam a criação e as colmeias atacadas pelas formigas ficam mais sujeitas à pilhagem ( roubo de mel de uma colónia de abelhas enfraquecida por outra colónia de abelhas ).
Para evitar o ataque pelas formigas, temos de proteger as colmeias assentando os seus pés em copos de um material resistente com óleo não secativo. Tal medida é eficaz apenas a curto prazo, uma vez que, em caso de necessidade, as formigas constroem pontes com os corpos das companheiras mortas. Os venenos são eficazes mas dificeis de usar sem também destruirem as abelhas. Assim, as formigas devem ser destruídas na origem. É importante, evitar que qualquer ramo de planta se encoste à colmeia, facilitando a passagem das formigas.
Vespas: Grandes inimigas das abelhas. Destruir sem pre que possível os vespeiros com soluções insecticidas. Se os vespeiros se encontrarem em local fechado, pode-se queimar enxofre para as sufocar. A caça aos vespeiros de vespas e vespões é mais fácil durante a noite.
Lagartas e cobras: Também são inimigas das abelhas e devem ser combatidas junto ao apiário.
Ratos: Gostam muito de mel, e por isso devem se combatidos. A utilização de raticida ou ratoeiras junto das colmeias desde que não ponha em perigo as abelhas e animais domésticos é aconselhável.
Aranhas: São inimigas das abelhas, uma vez que constróem teias nas imediações do apiário capturando frequentemente abelhas que acabam por perecer.
Besouros: Conseguem entrar nas colmeias por possuírem uma carapaça quitinosa e invulnerável e alimentam-se de mel.
Borboleta Sfinge caveira: Grandes inimigas das abelhas e grandes apreciadoras de mel. Não são atacadas pelas abelhas por possuírem um a espessa felpa que lhes cobre o corpo, cuja altura é superior ao aguilhão das abelhas.
As abelhas para se defenderem colunas de cera e própolis na entrada das colmeias.
Piolho das abelhas ( Braulea coeca ): Pequenos insectos muito semelhantes à Varroa jacobsoni. Encontram-se em número variável, de 1 a 3, no dorso e tórax das abelhas. Para se alimentarem dirigem-se para junto da boca das abelhas, onde colhem algum alimento.
Combatem-se fumigando com fumo de tabaco, depois de se ter colocado no fundo da colmeia uma folha de papel, que recebe os piolhos como que embriagados que depois se esmagam ou queimam.
Traça ou tinta: Pequena borboleta nocturna semelhante à traça da roupa. Alimentam-se de mel e permanecem no estado larvar de 30 a 100 dias sendo esta a fase mais prejudicial. Como as borboletas são impedidas de entrar na colmeia pelas obreiras, fazem a postura em qualquer fenda da colmeia. Por vezes também fazem a postura, nas anteras das flores e, quando as abelhas colhem o pólen levam sem saber os ovos de « traça » juntamente com o pólen ecloindo posteriormente dentro da colmeia. Estas larvas para além de se alimentarem de mel também se alimentam dos restos das peles das mudas das larvas e das crisálidas das abelhas. Os casulos, onde crisalidam, ficam muitas vezes, sobrepostos, sendo de cor parda, baça, como sacos, arrumados em armazém.
Estas borboletas por ser nocturna pode ser capturada com uma lanterna, cujos vidros se untam com um óleo espesso, ou fazendo uma fogueira onde as borboletas caem depois de terem queimado as asas.
Principais doenças
Podem-se agrupar em duas categorias conforme afectam a criação ou abelhas no estado adulto. A varroose ( em fase de enorme expansão em Portugal ) incide em ambos os estados de vida das abelhas.
Doenças de criação:
Loque americana
Loque europeia
Micoses
Doenças dos adultos:
Acariose
Nosemose
Doença mista:
Varroose
Loque Americana: provocada por uma bactéria ( Bacillus larvae ) que infecta o aparelho digestivo das larvas, matando-as em pouco tempo. O interior dos alvéolos fica preenchido com um líquido viscoso amarelo que com o tempo endurece. As abelhas não conseguem limpar os alvéolos e à medida que a doença se propaga deixa de haver espaço para a postura da rainha e a colónia acaba por morrer.
Esta doença só se manifesta depois dos alvéolos estarem operculados.
Loque europeia: A sua causa é também uma bactéria ( Streptococcus pluton ) que se desenvolve no estômago das larvas durante o estádio inicial de crescimento ( antes da operculação ). As obreiras conseguem controlar a doença até um certo ponto, retirando as larvas mortas para o exterior. No entanto pode haver uma infecção maciça da criação, ameaçando toda a colónia.
Micoses: Os fungos mais comuns que se desenvolvem nas larvas das abelhas são do género Ascophaera e Aspergillus. São ingeridos pelas larvas, desenvolvendo-se no seu interior tomando rápidamente conta do seu organismo. As larvas morrem e apresentam um aspecto bolorento ou granuloso, conforme os casos.
Acariose: doença parasitária provocada por um ácaro muito pequeno ( Acarapis wood ) que se multiplica na traqueia principal da abelha. Como os ácaros se alimentam da hemolinfa, através de perfurações que fazem na parede da traqueia, têm uma forte acção debilitante. As abelhas colocam-se no exterior da colónia, esfregam o abdómen com as patas e imobilizam-se, morrendo de frio.
Nosemose: Infecção provocada por um organismo unicelular denominado Nosema apis, que se desenvolve nas células do intestino do insecto, que ao defecar espalha grande número de esporos. Os sintomas externos desta doença são muito semelhantes aos da acariose, podendo-se por vezes distinguir, quando a abelha apresenta diarreia.
Varroose: Doença que afecta a abelha tanto no estado adulto como durante o desenvolvimento larvar. Surgiu em Portugal à relativamente pouco tempo vinda de Espanha ( 1987 ) e é provocada pelo ácaro Varroa jacobsoni que se confunde facilmente com o piolho da abelha ( Braulea coecca ), podendo no entanto detectar-se diferenças quanto à forma e número de patas através de uma lupa. A Varroa fixa-se no exterior da abelha, preferencialmente nos pontos onde a carapaça é mais fina ( entre os elos abdominais ) fazendo perfurações para sugar a hemolinfa. Para se multiplicar, introduz-se nos alvéolos com larvas e reproduz-se enquanto eles estão operculados e assim as jovens abelhas já nascem debilitadas.
No período inicial de infestação, a varroose não provoca sintomas graves. No entanto, a morte do enxame pode-se dar, de repente, 2 a 3 anos depois da infestação, quando o número de varroas rondar os 10.000.
Nas zonas mais quentes, a morte é mais rápida por não haver paragem de postura.

Fêmeas adultas de V. jacobsoni.

Pupa infestada com V. Jacobsoni.
Características da VARROA:



Varroa jacobsoni – Fêmea adulta
Ácaro castanho-avermelhado, de pequenas dimensões ( a fêmea mede cerca de 1,5 x 1 mm );
Aparelho bucal adaptado para picar e sugar;
Procura zonas moles da carapaça da abelha, onde faz perfurações ( entre os elos abdominais );
Entre os elos abdominais suga a hemolinfa debilitando a abelha.

Varroa jacobsoni – Macho adulto
Como se reproduz:
A criação faz-se no interior dos alvéolos de criação das abelhas, sobretudo no dos zangãos;
As fêmeas entram nos alvéolos 1 a 2 dias antes da operculação e põem um ovo de 2 em 2 dias ( 6-10 ovos );
Em médias dentro de 7 dias surgem novas varroas que, 4 a 13 dias depois podem reproduzir-se;
Alimentam-se sugando a hemolinfa das larvas e das ninfas.
Como é parasitado o enxame: 



Manipulação das colmeias pelo apicultor que contactou com enxames infestados;
Erros de voo de obreiras de colmeias próximas;
Divagação dos zangãos;
As boas condições de desenvolvimento do enxame favorecem o desenvolvimento da varroa;
O período de maior desenvolvimento da varroa é na Primavera, altura da criação dos zangãos;
Depois de parasitado o enxame as larvas das abelhas podem morrer antes da eclosão, e as que nascem apresentam muitas vezes deformações mais ou menos graves;
Importante salientar que esta parasitose favorece o aparecimento de infecções secundárias, enfraquecendo o enxame;
No fim do Verão (depois da postura), no Outono (depois da armazenagem de alimentos) e durante o Inverno, as colónias estão vulneráveis, sendo as alturas em que morre maior número de enxames.
 
Como controlar a Varroose:



Aplicação de acaricida – Tiras de Apistan
Devem-se verificar frequentemente os enxames e observar se estão parasitados.
Os testes fazem-se no principio da Primavera e no Outono, devendo proceder ao tratamento quando o número de varroas for superior a 5%.
Métodos de diagnóstico:
1. Desoperculação dos alvéolos dos zangãos e observação das larvas.
2. Observação da sobreiras. Podem-se matar cerca de 300 abelhas de cada colmeia, por asfixia, dentro de um saco de plástico com pouco oxigénio. Lavam-se com água e detergente ou álcool dentro de um frasco agitando bem. Voltar a agitar passados 20 minutos e coar para um pano branco, através de uma malha larga, para reter só as abelhas. Se existirem varroas contam-se.
3. Armadilhas de rede ou papel engordurado.
4. Utilização de produtos químicos, em conjunto com armadilhas de rede.
Alguns tratamentos homologados em Portugal.
Nome
Sub. activa
Mét. Aplic.
Mat. Necess
Preparação
Dose p/col
Calendário
FOLBEX-VA
Bromopropilato
Fumigação
Tiras de pa-pel fumígeno
1 Tira
4 xs4 em 4 dias
PERIZIN
Cumafos
Contacto *
Dosificador
10/490ml
50 ml
2 xs - 7 dias de intervalo
APISTAN
Fluvalinato
Contacto
Tiras de plástico impregnadas
3 tiras
dte 3 semanas
APITOL
Thiazolina
Contacto *
Dosificador
20g/100ml
100 ml
2 xs - 7 dias de intervalo
* molhar as abelhas


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