22 de ago de 2015

Mercado e comercialização DE FRANGO CAIPIRA



Mercado e comercialização

Considerando as características do sistema de produção necessário para atender esta demanda, a pequena e a média propriedade ou a propriedade familiar são as que melhor se enquadram. Além disso, para serem viáveis na atual competição de mercado, as pequenas propriedades brasileiras necessitam diversificar as atividades e associar-se entre elas para obter escala de produção.
De nada vale todo o trabalho desenvolvido antes da comercialização, se não houver a comunicação de forma correta com os consumidores. A etapa da comercialização costuma inviabilizar bons projetos, se não conduzida corretamente. Pequenas associações de produtores devem preferencialmente comercializar seus produtos com uma marca registrada e reconhecida. Os pontos preferenciais de comercialização, nesse caso, são os de varejo e preferencialmente com venda direta ao consumidor, como as feiras livres e mercados públicos, onde a organização disponha de ponto de venda. Quando se pretende abastecer casas especializadas, mercados, quitandas, supermercados, padarias, ou vender no atacado, as margens de lucro são drasticamente reduzidas e todo o trabalho será pouco remunerado.
Um exemplo interessante vem da França, onde o consumo de carne de aves assemelha-se ao do Brasil, que está em torno de 24 kg de aves consumida por habitante/ano estão incluídas aves como peru, pato, ganso, marreco, galinha d´angola, perdiz, codorna, pombo, faisão, galo capão e pássaros. Todas estas aves podem ser comercializadas com o selo vermelho (Label rouge), que é um selo com o qual o governo Francês assegura a origem e o modo de criação das aves.
A falta de padronização dos produtos, e a inexistência de políticas de fiscalização que assegurem a qualidade do produto ao consumidor são os principais fatores que poderão limitar o crescimento do segmento. Conceitos básicos devem ser conhecidos por quem pretende ingressar na atividade: sustatentabilidade da produção, minimizar a compra de insumos, produção para um mercado diferenciado e selo de qualidade (rastreabilidade), entre outros.



Escala de Produção e Comercialização

O sistema recomendado para a produção de produtos coloniais se enquadra no perfil das pequenas e médias propriedades ou a propriedade familiar, porém, não se pode perder de vista que a produção, dentro das restrições impostas pelo mercado, deve utilizar tecnologias apropriadas para gerar produtos com as características demandadas pelo consumidor, principalmente no tocante a segurança do alimento associada a um retorno econômico adequado para atender as expectativas dos produtores.
As pequenas propriedades podem facilmente se capacitar para produzir com eficiência, porém, a indicação que as mesmas poderiam abater e comercializar seus produtos de maneira isolada, encontra diversos problemas, entre eles a manutenção da qualidade do produto, escala de produção, competência comercial, competitividade, entre outros. Portanto, o sistema adequado envolve uma relação de parceria entre os segmentos de produção, industrialização e comercialização, visando uma distribuição eqüitativa do retorno econômico gerado pelo sistema.
Do ponto de vista de negócio, a escala de produção depende da expectativa de demanda, que está em função do tipo de mercado (grandes redes, varejo, etc.) e da área de abrangência de comercialização. Com relação a empresa, além de considerar a demanda, a escala de produção depende da capacidade de investimento, expectativa de retorno econômico e do portfólio de produtos a serem oferecidos.
Na elaboração do projeto deve ser levada em conta as exigências do mercado atacadista e das grandes redes, que além da qualidade do produto e preço, exige volume e freqüência de abastecimento. Portanto, a logística de transporte e distribuição é um ponto importante a ser considerado na determinação da escala de produção.
A título de exemplo simulou-se um projeto de produção de frangos coloniais, envolvendo os segmentos de produção de frango (integração), produção de ração, abate e processamento e comercialização. Os custos de produção e investimentos foram estimados com base nas informações de uma empresa de médio porte. Considerando o abate de 2.000, 3000 e 5.000 aves/semana e uma relação entre frangos inteiros e cortes de 50% cada.
Os índices técnicos e econômicos para a integração são apresentados na Tabela 5. Estabeleceu-se que o tamanho mínimo do lote por produtor estaria ao redor de 3.000 aves. Como resultado principal tem-se o baixo investimento inicial e a taxa de retorno ao produtor, que pode ser ampliada considerando que parte do lucro final poderia ser utilizada como premiação ao desempenho de cada produtor integrado, necessitando porém o estabelecimento de indicadores de desempenho.

Marketing

Procurando alavancar sua comercialização, muitos avicultores têm investido no lançamento de produtos diferenciados e estratégias de marketing que destaquem suas qualidades nutritivas. Disponibilizar no mercado produtos mais saudáveis, embalagens mais modernas e explicativas, assim como criar novas marcas, têm sido algumas das estratégias utilizadas para combater de vez o baixo consumo entre os brasileiros.
Na rotulagem do produto poderão ser inseridas informações referentes aos métodos de criação e arraçoamento, desde que sejam inseridos no texto do rótulo a ser analisado pelo DIPOA, sem caracterizar propaganda, mas esclarecimento ao consumidor sobre a identidade do produto.


COMERCIALIZAÇÃO

Apresentação e qualidade

Vários fatores influem na qualidade dos produtos das galinhas caipiras, dentre eles, a nutrição, a sanidade, o clima, a genética e o manejo, inclusive a forma de abate, o acondicionamento e a embalagem.
É comum, no Nordeste, se transportar aves por longas distâncias, geralmente penduradas de cabeça para baixo, ou então acomodadas em gaiolas superlotadas. Isso causa estresse, às vezes, danifica a carcaça, e pode até levá-las à morte. Outro erro é a ausência de cuidados com os ovos, uma vez que não se controla o dia de postura, não se faz a assepsia necessária e nem se acondiciona em local apropriado até que se decida seu destino.

Avaliação e composição dos principais produtos


Carne

A carne da galinha caipira além de ser rica em proteínas é, também, fonte importante de energia e de outros nutrientes como vitaminas, minerais e lipídios. A galinha tem uma carne bastante rica em ferro e nas vitaminas do complexo B, em especial niacina (músculo escuro) e riboflavina (músculo claro). A pele é rica em colesterol e seu consumo deve ser limitado (FERREIRA et al., 1999).
A principal diferença entre os músculos claros e escuros está no nível de gordura (GALVÃO, 1992). A carne do peito é bem mais magra, com cerca de 1,4% de gordura, enquanto a carne da coxa apresenta cerca de 5,1% de gordura.
Com o aumento da idade, cresce a quantidade de proteína e gordura e diminuem a umidade e cinzas da carcaça, tanto em machos como em fêmeas. Maiores percentagens de umidade e proteína e menores de gordura ocorrem na carcaça dos machos, enquanto os teores de cinza são similares entre machos e fêmeas. A carcaça fica mais rica em gordura com o aumento da quantidade de gordura da dieta (MOREIRA et al., 1998).
Rendimento de carcaça - é a relação entre as partes comestíveis e as não-comestíveis e as perdas (RIBEIRO, 1992). Pode-se considerar a carcaça eviscerada inteira, isto é, com patas, pescoço e cabeça, ou então, o que é mais comum, a carcaça sem patas, pescoço e cabeça.
Em valores absolutos, os machos são mais pesados que as fêmeas, quando submetidos a um sistema alternativo de criação e a climas quentes (BARBOSA et al., 2005). No entanto, em alguns estudos, não têm ocorrido vantagens para os machos. As fêmeas acumulam mais gordura na carcaça que os machos, independente do nível de energia na dieta, isso está relacionado à presença de hormônios e ao metabolismo mais intenso dos machos.
O frango caipira ainda não detém na sua carcaça a massa muscular disposta nos seus cortes mais nobres como o frango de corte de criações tecnificadas. Porém, quando devidamente manejado, apresenta na carne fibras musculares mais consistentes e escuras. Além de saborosa, o odor nada lembra a carne oriunda de criações intensivas, que contém odores e sabores de alguns ingredientes da dieta (Fig. 1).
Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.1. Cortes da carcaça do frango caipira.

Ovos

A Resolução do MAPA 005 de 1991, baseada no decreto nº 99427 de 1990, trata das características físico-químicas dos produtos de ovos (FARIA et al., 2003).
O peso do ovo e a porcentagem de gema aumentam com a idade da ave, enquanto a casca e a clara diminuem. O tempo de armazenamento também influi no peso do ovo e nas proporções dos seus componentes, da mesma forma que a temperatura ambiente elevada diminui o peso do ovo.
Os ovos das galinhas caipiras (Fig. 02), embora não obedeçam a um padrão de tamanho, coloração da casca e peso, devido à grande diversidade genética das aves, também se diferenciam dos ovos de sistemas altamente tecnificados pelo sabor e consistência da gema. Além de mais consistente, a gema é mais escura e rica em algumas vitaminas.
Nos sistemas atuais, merecem mais cuidado a forma de acondicionamento e a idade dos ovos. Estes geralmente estão fertilizados e podem desenvolver o embrião a partir de 32º C, por isso devem ser mantidos em lugares arejados e a venda ou consumo deve ser realizado antes dos 30 dias.
Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.2. Ovos de galinhas caipiras de casca azul.


MERCADO

Atualmente, a avicultura no Brasil é considerada uma atividade econômica dinâmica. Iniciada na Região Sudeste,no final da década de 50, e mais tarde, nos anos 70, na Região Sul. Com a grande produção de grãos nos Cerrados, no início desse século, os valores com exportação ultrapassaram a barreira dos dois bilhões de dólares. O aumento do consumo per capita da carne de frango, principalmente por causa da qualidade do produto e dos preços acessíveis, demonstra essa mudança de hábito, pois antes a carne bovina era a mais consumida. A previsão é de que a carne de frango atinja 36,4 quilos perante 35,4 quilos da carne bovina (A PROPAGANDA..., 2006).
A produção de frango, em 2006, alcançou 9.420 milhões de toneladas, superando os 9,348 milhões alcançados em 2005. Por outro lado, esses dados demostram que o Brasil se tornou o maior exportador de aves desde 2004, uma vez que exporta anualmente cerca 3.040 toneladas de carne de frango, seguido dos Estados Unidos (2.538 toneladas), da União Européia (780 toneladas), da Tailândia (400 toneladas) e da China (360 toneladas).
Em termos de consumo de ovos, a média é considerada baixa se for levado em conta a população do Brasil e o potencial da avicultura de postura nacional. O consumo anual de ovos "in natura" é de 141 ovos enquanto que no México se consomem mais de 360 unidades, seguido pelo Japão (347) e China (310). Vale salientar que o México é o sexto maior produtor mundial de ovos e o Brasil, o sétimo, cerca de 22,212 bilhões de unidades de ovo por ano (NO MUNDO..., 2007), antes deles estão a China, os Estados Unidos, o Japão, a Índia e a Rússia (CONSUMO..., 2006).
Tal produção é basicamente originária de sistemas avícolas altamente tecnificados e tem mercado garantido. No Brasil o mercado de galinha caipira é ainda maior, uma vez que se trata de um produto considerado nobre em todos os níveis sociais e em toda extensão territorial do País. Basta dizer que o preço no varejo dos principais pratos típicos (Fig. 1) chega a ser elevado devido à pouca disponibilidade do produto. Enquanto que uma cabeça de frango terminado aos 120 dias de idade custa algo em torno de R$ 6,001 para o produtor e é repassado ao consumidor por R$ 10,00. Uma vez abatido, processado e oferecido em restaurantes, o prato passa a custar em média R$ 30,00. Quando comparado ao frango de corte, que no varejo se paga em média por quilo R$ 3,00, nos restaurantes os pratos giram em torno de R$ 14,00.
Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.1. "Pirão de parida", prato típico muito 
consumido no Nordeste do Brasil.

Em relação aos ovos, as proporções de preços se repetem. A dúzia do ovo oriundo de granjas tecnificadas custa no varejo em torno de R$ 3,00, já os advindos de galinhas caipiras, R$ 4,00. Nesse caso é importante ressaltar que a genética da galinha caipira ainda não permite se ter uma poedeira competitiva e os ovos comercializados são os que deixarão de certa forma de serem incubados.
Quanto mais se diminuir o custo de produção das galinhas caipiras e estas estiverem mais disponíveis, com certeza, serão mais largamente consumidas. Para que isso aconteça, a criação deve ser criteriosamente acompanhada e contabilizados todos seus custos e receitas, mesmo que isso ocorra de forma bem simples (Fig. 2).


Foto: F.J.V. Barbosa



Fig.2. A contabilidade, um instrumento importante 
no sucesso da criação.



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