23 de jul de 2015

Manual do Criador: QUALIDADE DA ÁGUA NA AVICULTURA



QUALIDADE DA ÁGUA

A avicultura brasileira é atualmente um dos setores mais organizados e desenvolvidos do agronegócio brasileiro, sendo nosso país o maior exportador de carne de frango. Avanços nas áreas de nutrição e sanidade em muito contribuíram para esse desenvolvimento. O balanceamento nutricional adequado, uso de enzimas, melhorias no processamento de matérias primas, uso de vacinas e análises laboratoriais mais precisas e confiáveis são exemplos do progresso na cadeia avícola.

Contudo, a água é um fator ao qual não tem sido dada a atenção necessária, tendo em vista a magnitude de seus requisitos. A água pode ser considerada o nutriente mais importante aos animais, desconsiderando-se o oxigênio. São inúmeras suas funções nos organismos vivos, sendo essencial nos processos de digestão, solubilização e transporte de substâncias aos diversos tecidos corporais. A água, devido ao seu alto calor específico, também é fundamental na manutenção da temperatura corporal em extremos de temperatura ambiental.

Devemos atentar para três pontos-chave quando pensamos na água para dessedentação das aves: quantidade, qualidade físico-química e qualidade microbiológica. É conveniente ressaltar que milhares de aves têm acesso a água de uma mesma fonte e qualquer comprometimento em seu fornecimento poderá acarretar sérios prejuízos ao produtor.

Quantidade
A água deve ser disponibilizada à vontade e durante todo o dia para as aves. De um modo geral, considera-se que a quantidade de água ingerida por dia pelas aves é em média o dobro da quantidade de ração consumida no mesmo período. Contudo, o consumo de água pode variar muito de acordo com alguns fatores como: temperatura ambiental, composição da dieta, idade e sexo das aves, uso de aditivos, como os anticoccidianos na ração e temperatura da água.

A fim de que as aves não passem sede, muita atenção deve ser dispensada aos bebedouros, devendo estes estar em boas condições de uso, com vazão adequada e altura ajustada ao tamanho das aves.

Recomenda-se também que a água fornecida às aves esteja fresca. Segundo Macari (1996), temperaturas da água acima de 24o C podem acarretar uma diminuição no consumo da mesma. Dessa forma, deve-se evitar a exposição direta da caixa d'água e encanamentos aos raios solares. Uma sugestão é remover a água do sistema hidráulico ao longo do dia, quando a temperatura ambiental está muito elevada, considerando-se que a água contida no encanamento tem maior temperatura que a água do reservatório.

Qualidade físico-química
A qualidade físico-química da água a ser utilizada nos aviários deve ser muito bem avaliada antes da construção do galpão, visto que muitas das características que afetam essa qualidade são próprias das regiões e, caso estejam alteradas, o tratamento pode ser muito dispendioso.

Características como cor, odor e sabor da água devem ser observadas diariamente, atentando-se para possíveis alterações. A turbidez da água, relacionada à quantidade de sólidos em suspensão é outro parâmetro físico a ser monitorado por meio de análises laboratoriais.

A análise da composição química da água é outro ponto importante no controle da qualidade da água, devendo ser periodicamente monitorada.

Os Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) indicam a concentração de minerais como cálcio, magnésio, enxofre, sódio e cloro na água. Valores elevados de SDT podem ser prejudiciais ao consumo de água, desempenho e sanidade do lote.

A Dureza da água está relacionada principalmente aos teores de cálcio e magnésio. A “água dura” pode comprometer tubulações e a vazão de água dos bebedouros, acarretando prejuízos ao produtor pelo pela queda no desempenho do lote e pela menor vida útil do sistema de tubulação.

Outros elementos que podem comprometer a qualidade da água estão listados na tabela abaixo.

Tabela 1 Qualidade físico-química da água:
PARÂMETROS -  VALOR MÁXIMO
Cloreto Total - 250mg/L
Cobre Dissolvido - 0,013mg/L
Ferro Dissolvido - 5,0 mg/L
Fósforo Total - 0,15mg/L
Manganês Total - 0,5mg/L
Nitrato - 10,0mg/L
Nitrito - 1,0mg/L
pH - 6,0 a 9,0
Sulfato Total - 250mg/L
Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) - 500mg/L
Turbidez - Até 100 UNT
Zinco Total - 5,0mg/L
Fonte: www.cnpsa.embrapa.br- Qualidade da água para suínos e aves
Qualidade microbiológica

Tendo em vista o prolongado tempo de sobrevivência de alguns microorganismos patogênicos na água e o grande número de aves que têm acesso à mesma fonte de água, a transmissão hídrica assume um fundamental papel na epidemiologia de várias enfermidades aviárias.

A contaminação da água por agentes patogênicos pode ocorrer na fonte de captação da água (nascentes, poços artesianos, poços rasos), na tubulação que conduz a água ao galpão e/ou nos bebedouros (através de secreções ou excreções das aves).

Enfermidades bacterianas, virais e por protozoários podem ser veiculadas pela água de bebida das aves, dentre as quais destacamos a Doença Crônica Respiratória, a colibacilose, a pulorose, o tifo aviário, a Doença de Newcastle, a Doença de Mark, a bronquite infecciosa, a Doença de Gumboro, a coccidiose e a histomoníase.

A cloração da água tem como objetivos eliminar agentes patogênicos, principalmente bactérias que podem estar presentes na água e deixar uma quantidade de cloro residual livre a fim de impedir a multiplicação desses agentes nos bebedouros. A quantidade de cloro a ser adicionada à água varia com o pH e a quantidade de matéria orgânica presente na água, recomendando-se que nos bebedouros exista 5 ppm de cloro residual livre.

A cada ciclo de produção o sistema de tubulações do aviário deve ser limpo e desinfetado a fim de prevenir o aparecimento de algas, limo e contaminação. Primeiramente, deve-se utilizar água sob pressão para retirar a matéria orgânica das tubulações e em seguida recomenda-se o uso de desinfetantes alcalinos, para eliminar a contaminação orgânica e, por fim, utilizar um desinfetante ácido para remover a crosta de limo do sistema.

A monitoria da qualidade da água deve ser periódica, tornando-se rotina na granja. O valor do cloro residual livre nos bebedouros deve ser mensurado semanalmente, indicando se a quantidade de cloro adicionada à água está sendo suficiente para reagir com a matéria orgânica presente na mesma.

As análises bacteriológicas são de extrema importância para indicar uma possível contaminação da água por microorganismos. Diante da grande diversidade de microorganismos que podem ser encontrados na água, são utilizados grupos de microorganismos como indicadores de contaminação. Os coliformes totais e coliformes fecais sugerem a contaminação da água por agentes de origem intestinal. Os microorganismos mesófilos, que também são pesquisados, podem interferir na detecção dos coliformes, indicando resultados falso positivos na pesquisa desses agentes. Dessa forma, a pesquisa dos mesófilos é fundamental no exame bacteriológico.

Como a contaminação da água é um processo dinâmico, podendo variar ao longo do tempo, é recomendável que sejam realizadas análises de água a cada ciclo de produção ou pelo menos duas vezes ao ano, sendo uma na época da seca e outra na época das águas. Dessa forma, facilita-se a adoção de medidas preventivas e corretivas. Para análises microbiológicas é interessante coletar amostras de três partes do sistema de água: da fonte, do reservatório e das torneiras localizadas nas instalações, o que facilita a verificação de possíveis problemas.
 

O corpo de um frango é constituído de 60% a 70% de água Esta percentagem varia conforme a sua idade, mas dá o tom à importância que esta composição ocupa em sua vida. Ao tentar manter um equilíbrio térmico entre seu organismo e o ambiente, a ave perde água por meio da sudorese O que é perdido precisa ser reposto, caso contrário seu desempenho é reduzido Em casos mais críticos, durante o verão, um stress calórico pode levar o frango à morte Por isto, é importante ter um sistema no qual a ave possa beber água sem restrições e na quantidade necessária, mantendo seu nível de satisfação.
Qualquer empecilho neste processo traz redução em sua ingestão de água, o que, por consequência, reduz a quantidade de alimento ingerido, afetando todo o processo de crescimento e desenvolvimento. A redução no consumo de água pode indicar outro fato: a incidência de enfermidades no lote.
Doentes, os frangos bebem menos. O produtor, no entanto, dificilmente irá notar alguma alteração no consumo apenas a partir de suas próprias observações, principalmente em grandes aviários, para acompanhar eventuais quedas, é necessária a colocação de um contador na entrada do sistema de distribuição de água para controlar o quanto as aves estão bebendo. Com os dados em mãos, o produtor divide o total consumido pelo número de frangos e tem a quantidade em mililitros, ingerida em um determinado período, uma possível redução no consumo da água pode ser ocasionada por algum tipo de problema mecânico do equipamento, mas também pode ser um sinal de alerta para alguma doença.
A água apresenta-se na sua forma natural com características físicas, químicas e microbiológicas variáveis em função de regiões, procedências, poluentes e contaminantes. A qualidade da água pode ser avaliada por meio de critérios físicos, químicos e bacteriológicos. O critério físico é determinado por características de cor, sabor, cheiro e temperatura. A água ideal para aves deve ser limpa, insípida e inodora.

O critério químico é determinado por características como pH, sólidos dissolvidos totais, dureza c percentagem de certos elementos na agua como nitrato, amoníaco, sulfato: pesticidas, ferro, potássio e cloro. A composição química da água afeta a condição sanitária do intestino dos animais e certos medicamentos podem não se solubilizar em águas que são muito duras, e que têm um pH inadequado Uma característica química denominada de Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) ou Salinidade fornece uma boa ingerência na qualidade química da agua Os minerais que normalmente mais contribuem para os valores de SDT são cálcio, magnésio, sódio, cloro, carbonatos e enxofre.
O critério bacteriológico determina o nível de contaminação microbiana por meio da identificação dos microrganismos, via análises para determinar o total de bactérias por unidade de amostra Embora haja valores máximos de coliformes totais, a sua presença significa poluição da água a recomendação é que sempre que aparecer coliforme total a água seja tratada. Para evitar os problemas sanitários provenientes de uma água contaminada, recomenda-se o tratamento com cloro em todos os tipos de fontes existentes, resultando na redução da transmissão e disseminação de enfermidades. Não esquecer que o uso do cloro requer alguns cuidados e atenções: limpeza dos canos para evitar que o cloro fique aderido no material orgânico; fechar o tanque de água para este não ficar exposto ao sol; não esquecer que as altas temperaturas dos pavilhões podem promover a volatização do cloro, que se dissipa facilmente da água, especialmente em bebedouros abertos, deve-se utilizar maiores níveis de cloro no sistema, explorações que reutilizam a cama aviaria apresentam maiores níveis de amoníaco, que pode neutralizar o cloro da água, também em casos de bebedouros abertos; resíduos de vacinas, antibióticos e vitaminas na água podem reduzir a efetividade do cloro (quanto mais contaminada for a água, maior a quantidade de cloro que se deve agregar), a utilização de um produto não adequado ou demasiadamente barato pode, em longo prazo, custar mais caro.
Quanto maior o pH da água, maior a necessidade de cloro como desinfetante A dosagem recomendada de cloro para pintos varia de 1 a 3 ppm e para frangos, acima de 28 dias entre 5 e 6 ppm. sem queda no consumo. O recomendado seria uma faixa de 3 a 5 ppm(média). Somente dosagens muito elevadas poderão causar algum desajuste no balanço eletrolítico das aves.
Dessa forma a utilização de água com qualidade e disponibilidade, proporciona melhores desempenhos a avicultura.



Importância da qualidade da água na produção de suínos e aves : parte 1






Importância da qualidade da água na produção de suínos e aves : parte 2 


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