19 de dez de 2015

Criação de Suínos (Resumo)


2 SUMÁRIO
1. APRESENTAÇÃO1
2. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS SUÍNOS3
3. RAÇAS6
4. REPRODUÇÃO1
5. RECRIA OU CRECHE24
6. CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO26
7. NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO29
8. ALIMENTOS ALTERNATIVOS PARA SUÍNOS35
9. CONSTRUÇÕES E EQUIPAMENTOS41
10.MANEJO SANITÁRIO4
1.CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DOS DEJETOS DE SUÍNOS..............................................................47

1 . APRESENTAÇÃO
Considerando o comportamento cíclico do mercado de suínos terminados, com constantes variações no preço recebido pelo produtor, torna-se imprescindível que os produtores alcance a lucratividade, pela melhoria da produtividade com a consequente redução nos custos de produção. Estas variáveis podem ser mais facilmente obtidas pelo produtor através do uso das tecnologias atualmente disponíveis. A suinocultura é uma atividade que exige muita dedicação para se alcançar bons índices de produtividade e, consequentemente, obter resultados econômicos satisfatórios.
Esta publicação tem por objetivo divulgar alguns conhecimentos técnicos para auxiliar os iniciantes na criação técnica e econômica de suínos. Este boletim foi elaborado por professores e pesquisadores da Universidade Federal de Lavras,
* Prof. Dep. Zootecnia , UFRJ, Campos- RJ. ** Professores do Departamento de Zootecnia/UFLA objetivando fornecer informações aos produtores de suínos numa linguagem simples, de fácil consulta, resguardando, entretanto, o alto nível técnico.
Aconselhamos ao produtor não fundamentar sua criação de suínos apenas nas informações contidas nesta publicação, devendo sempre orientar-se com o técnico de sua região e consultar novas referências para maiores esclarecimentos.
2. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS SUÍNOS
Os suínos foram domesticados primeiramente na China, por volta do ano de 4.900 a.c. São animais pertencentes à classe dos mamíferos, sendo a espécie doméstica cientificamente denominada Sus scrofa domesticus. Na América não existiam suínos antes da chegada do homem, tendo sido trazidos por Cristóvão Colombo em 1493, na sua segunda viagem. Os primeiros suínos que chegaram ao Brasil vieram com Martin Afonso de Souza, em 1532, estabelecendo-se em São Vicente, no litoral paulista. Somente a partir deste século, recebemos animais de genética melhorada provenientes da Inglaterra (Berkshire, Yorkshire, Large-black e Tamworth). Posteriormente, vieram os reprodutores Poland-China e Duroc, e, somente nas décadas de 30 e 40, chegaram as espécies Wessex e Hampshire, e na década de 50, o Landrace.
Atualmente, a suinocultura nacional é baseada nas raças Landrace, Large-White e Duroc e em híbridos destas raças.
A evolução da pecuária no Brasil ( Quadro 1) em 2003, mostra que o setor que obteve maior crescimento foi o de frangos de corte (223,4 %). O segundo maior crescimento foi registrado na suinocultura, que cresceu em média 157,14 % de 1990 a 2003. O rebanho brasileiro é de 34,5 milhões de suínos (4§ maior rebanho do mundo) tendo produzido, em 2003, cerca de 2,70 milhões de tonelada de carne (6 § maior produtor de carne do mundo).

Evolução da produção pecuária no Brasil (1990 - 2003).
Item 1990 2003 % Crescimento
Fonte: IBGE, 2003.
EVOLUÇÃO DA SUINOCULTURA NO BRASIL DE 1970 A 2003:
ANO Rebanho (milhões cab.)
Produção (mil. ton.)
População
(milhões . hab.) Consumo per capita
(Kg/hab)

Crescimento 1970ð2003 9,52 % 282,92% 90,76 % 64,24 %
Fonte: ABIPECS, 2003.
Confinado alta tecnologia 15 % 21 % 32 %
Confinado tradicional 25 % 27 % 29 %
Semi-confinado tradicional 27 % 26 % 21 %
Ar-livre 0,2 % 0,5 % 1 %
Extensivo 32,8 % 25,5 % 17 % total ð 100 % 100 % 100 %
Fonte: EMBRAPA 1992.
3. RAÇAS de SUINOS
Por definição, raça é o conjunto de animais com características semelhantes que tenham a capacidade de transmiti-las aos descendentes. Dentro de uma mesma raça encontramos animais bons e ruins e, na prática, pode-se observar que a diferença de produtividade entre estes indivíduos pode ser até mais expressiva do que a diferença entre algumas raças.
Existem certas raças que se sobressaem em produtividade, produção de carne e precocidade reprodutiva, e existem outras que, ainda que precoces, têm a conformação e peso menos adequados, com produção de menores leitegadas. Com o estudo das raças podemos conhecer seus defeitos e qualidades para produção e cruzamentos na suinocultura.
Assim sendo, será realizada uma descrição das raças estrangeiras que sejam numericamente expressivas no Brasil e as demais serão brevemente comentadas pelo processo de extinção que sofrem.
3.1 - RAÇAS ESTRANGEIRAS
É notável a contribuição das raças estrangeiras na suinocultura nacional, pela seleção de muitos anos feitas em países de adiantada tecnologia, resultando em índices de produtividade expressivos. As raças estrangeiras mais conhecidas e criadas no Brasil são: Landrace, Large White ou Yorkshire, Duroc, Pietrain, entre outras.
Estas raças são as mais indicadas para criação de suínos de sistema intensivo (confinamento), pelo retorno econômico proporcionado pelas mesmas.
3.1 1 - LANDRACE
De origem dinamarquesa, é a principal raça estrangeira criada no Brasil, a primeira no livro de registros da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). São animais totalmente brancos, com as orelhas caídas (do tipo céltica). As fêmeas são excelentes mães, muito prolíferas, produzem leite suficiente para criar leitegadas numerosas. São animais compridos com bons pernis e área de olho de lombo; entretanto, apresentam sérios defeitos de aprumos, problemas de casco e fotossensibilização.
3.1.2 - LARGE WHITE
Raça de origem inglesa, em segundo lugar nos registros da
ABCS. São animais de cor branca, cabeça moderadamente longa, orelhas grandes e em pé (do tipo asiática). Possuem lombo comprido, porém com menor área de olho lombar do que a landrace. As características produtivas e reprodutivas são semelhantes às da raça landrace, porém apresentam menos problemas de aprumos e de cascos, sendo também sensível à fotossensibilização.
3.1.3 - DUROC
Raça de origem norte americana, também bastante criada no
Brasil devido à sua rusticidade, precocidade e excelente adaptação em nosso meio. São animais de cor vermelho- cereja, com mucosas marrons. Os machos são indicados para reprodução por transmitir excelentes descendentes para abate, por isso é conhecida como raça pai. As fêmeas produzem pouco leite, apresentam freqüentes problemas no parto, tetas cegas ou invertidas, não sendo consideradas boas mães.
3.1.4 - PIETRAIN
Raça originária da Bélgica, conhecida como raça dos quatro pernis por possuir grande quantidade de carne nos quartos dianteiros. Também por este motivo, é bastante usada em melhoramento genético, nos cruzamentos com raças nacionais. As fêmeas são boas produtoras de leite e criadeiras. Apresenta problemas circulatórios, sendo comum morte súbita por deficiência cardíaca, principal causa da pouca adaptação de animais desta raça nos trópicos. A carne do Pietrain não é considerada de boa qualidade devido a problemas de perda excessiva de água (tipo PSE).
3.1.5 - OUTRAS RAÇAS
Existem ainda inúmeras raças estrangeiras criadas no Brasil como: Wessex (inglesa), Hampshire (Estados Unidos), Berkshire (inglesa), Poland China (Estados Unidos). Podemos citar ainda, as raças chinesas que atualmente vem sendo muito utilizadas em melhoramento genético pela sua alta prolificidade.
3.2 - RAÇAS NACIONAIS
Nenhuma raça nacional possui associação ou livro de registros; são animais de baixa produtividade, porém rústicos,, associados à produção de banha e indicados para criações que não tenham muito controle zootécnico e baixo controle sanitário, de forma extensiva, sem objetivos comerciais. Dentre as raças nacionais, podemos relacionar: Piau, Caruncho, Canastra, Nilo e outras.
3.2.1 - PIAU
Originada provavelmente na região do sul de Goiás e Triângulo Mineiro, considerada a melhor e mais importante raça nacional. Foi estudada e melhorada pelo Dr. Antonio Teixeira Viana, em São Carlos (SP). Possuem pelagem com manchas pretas e creme misturadas no corpo. São animais rústicos e de razoável prolificidade, relativamente precoces, podendo ser abatidos entre os 7 e os 9 meses com boa produção de carne e gordura.
3.2.2 - CARUNCHO
De origem desconhecida, são animais com pelagem semelhante a do Piau, porém com manchas menores. Animais de pequeno porte, roliços, rústicos, pouco exigentes em alimentação e grande produtores de gordura.
3.2.3 - CANASTRA
Apresentam pelagem preta, podendo ser malhados ou ruivos. Animais rústicos e muito prolíficos (8 a 10 leitões).
3.2.4 - NILO
Animais de porte médio, pelados, de cor preta. São rústicos, apresentam má conformação, pouca ossatura e pouca massa muscular.
3.2.5 - OUTRAS RAÇAS
Podemos ainda citar raças nacionais espalhadas pelo país como: Pereira, Mouro, Tatu, Pirapetinga, Sorocaba, Junqueira, etc.
3.3 - SUÍNOS HÍBRIDOS
O suíno híbrido se define como o resultado do cruzamento entre duas ou mais linhagens geneticamente diferentes entre si, com o objetivo de aproveitar o ganho (vigor híbrido) dos descendentes deste acasalamento. O programa de hibridação necessita de uma ampla base de animais puros com elevados custos de manutenção, sendo geralmente realizado por grandes empresas como a Agroceres PIC. Por estas razões, esses tipos de programas são somente justificáveis em grandes criações industriais ou cooperativas e nunca a nível de pequenas ou médias criações.
4. REPRODUÇÃO 4.1 - AQUISIÇÃO DE REPRODUTORES
A reprodução é um dos principais pontos de atenção do suinocultor, onde não bastam bons padrões nutricionais e boas normas de manejo se os índices reprodutivos não forem também elevados. A seleção de reprodutores de excelente qualidade representa um passo decisivo para o sucesso da criação, e o seu nível só poderá ser melhorado com a aquisição de reprodutores de qualidades superiores à média do rebanho.
As raças produtoras de carne são as que atendem às necessidades do mercado consumidor e também têm melhor preço, devendo ser, deste modo, consideradas na escolha dos reprodutores para a suinocultura.
Tão importante quanto as raças são os reprodutores que serão utilizados na produção de animais para abate. As fêmeas deverão ser cruzadas, filhas de macho Large White ou Duroc com fêmeas Landrace ou macho Landrace com fêmeas Large White. Para acasalar com as fêmeas cruzadas devemos dar preferência ao macho da raça que não entrou na produção das fêmeas, originando o animal treecross (três raças) que tem maior vigor híbrido.
Por ocasião da compra de reprodutores, o produtor deve conhecer as informações a respeito da vida reprodutiva, desempenho de carcaça dos pais das fêmeas cruzadas, bem como dados dos animais que estão sendo adquiridos, para garantir bons resultados de produção de suínos terminados. Ou poderá ainda, optar pela seleção de fêmeas produzidas na própria propriedade com a devida assistência técnica no sentido de orientá-lo na realização dos cruzamentos.
Segundo Oliveira e outros (EMBRAPA - CNPSA - Documento n§ 31), na aquisição de reprodutores devemos tomar alguns cuidados como: ðFÊMEAS - Na compra de matrizes é necessário observar as seguintes características: · pesar no mínimo 90 kg aos 150 dias de idade;
• nascer de uma leitegada numerosa; • possuir pelo menos 7 pares de tetas funcionais;
• não ter irmãos com defeito de nascença;
• ter vulva de tamanho proporcional à idade;
• ter bons aprumos e não apresentar desvio de coluna;
• ter bom comprimento e profundidade.
ðMACHOS - É o animal mais importante do rebanho por acasalar com várias fêmeas e transmitir suas características aos seus descendentes. Devemos: • adquirir machos selecionados com peso mínimo de 110 kg aos 150 dias e no máximo 18 cm de espessura de toucinho ao final do teste de granja; • preferir uma raça que não entrou no cruzamento das fêmeas;
· apresentar bons aprumos e não ter desvios de coluna; • apresentar os testículos salientes e proporcionais à idade;
• possuir comportamento sexual ativo;
• apresentar pernil desenvolvido e boa largura de lombo.
4.2 - MANEJO DURANTE A PUBERDADE
Puberdade é a época em que os animais estão sexualmente desenvolvidos, fisiologicamente aptos para a reprodução, ou seja, período em que a fêmea produz seus primeiros óvulos e os machos seus primeiros espermatozóides. Porém, não estão ainda preparados fisicamente para a procriação. As marrãs atingem a puberdade por volta dos 4 a 6 meses de idade; nos machos é ligeiramente mais retardada.
4.3 - FATORES QUE AFETAM A PUBERDADE
1. Consangüinidade : o alto grau de parentesco, provoca atraso do aparecimento da puberdade. 2. Raças : é observada entre raças uma variação da puberdade, sendo que raças pequenas atingem a puberdade mais cedo. e animais cruzados têm a puberdade antecipada.
3. Idade, peso vivo e taxa de crescimento : estão intimamente ligados, sendo a idade uma melhor indicação da maturidade sexual. 4. Nutrição : os planos nutricionais devem ser realizados de forma a atender as exigências dos animais em energia, proteínas, minerais e vitaminas. As restrições alimentares e o excesso de energia das rações podem retardar o aparecimento da puberdade. 5. Ambiente social : marrãs criadas em baias coletivas têm sua puberdade antecipada; do mesmo modo, a presença dos varrões entre as marrãs antecipa a puberdade através de estímulos sexuais. A combinação destes sistemas leva a melhores resultados, podendo adiantar o processo em até 15 dias. 6. Clima : marrãs que nascem no outono atingem a puberdade mais cedo do que aquelas que nascem na primavera, provavelmente devido ao fotoperíodo. 7. Stress moderado : mudança de baias ou o transporte de marrãs pode induzir ao aparecimento de cio. Consiste em boa prática de manejo não se aproveitar o primeiro cio de marrãs que foram adquiridas e transportadas recentemente para a granja, devendo antes passarem por uma adaptação ambiental.
4.4 - MANEJO REPRODUTIVO
Os reprodutores não devem ser utilizados na reprodução ao alcançarem a puberdade, devido ao desenvolvimento anatômico insuficiente. No caso dos suínos, os reprodutores devem ser induzidos à usados na reprodução somente a partir dos 7 meses e/ou 110 kg de peso vivo ou, ainda, a partir do 2§ cio das fêmeas.
Antecipar a reprodução pode retardar o processo de crescimento e comprometer a vida útil dos animais. Leitoas e porcas desmamadas devem ser colocadas em baias próximas aos machos para estimular o aparecimento de cio. O controle do cio deve ser realizado duas vezes ao dia, com o auxílio do macho.
A fêmea deverá ser levada até o macho, observando-se que a região vulvar esteja limpa, o que evitará problemas com infecções reprodutivas. Estas coberturas deverão ser realizadas nas horas mais frescas do dia e sempre acompanhada e controlada pelo tratador.
A ovulação ocorrerá de 24 a 36 horas após o aparecimento das primeiras manifestações do cio. Um método bem eficiente para se realizar coberturas no momento ideal consiste em detecção da apresentação do reflexo de imobilização pela pressão dorso lombar da fêmea. Deverão ser realizadas duas coberturas (com dois cachaços), a primeira 12 horas após a manifestação do reflexo de monta e a segunda, 12 horas após a primeira. Na prática, se o cio for detectado pela manhã, a cobertura ou inseminação deve ser realizada à tarde do mesmo dia; se for detectado à tarde, a cobertura ou inseminação deve ser realizada na manhã do dia seguinte. PERÍODO DE GESTAÇÃO - A gestação dura, em média, 114 dias dividida em duas fases: embrionária e fetal. A fase embrionária varia de 17 a 24 dias após a fecundação, sendo de grande importância, pois é neste período que ocorrem as perdas embrionárias. Neste período, portanto, a fêmea deve sofrer o mínimo de estresse possível e deve-se ter bastante cuidado com as rações que não devem conter excesso de energia para não aumentar estas perdas embrionárias.
O diagnóstico de gestação poderá ser verificado, observando a não repetição de cio 21 dias após a cobertura.
A alimentação das porcas gestantes deve ser limitada de acordo com as suas condições orgânicas, fornecendo à mesma entre 1,5 a 2 kg de ração/dia até o parto. Esta quantidade poderá ser ligeiramente aumentada nos terços finais de gestação, de acordo com orientação do zootecnista responsável. As marrãs devem ganhar mais peso na gestação em relação às porcas, pois estão em fase de crescimento.
Os machos também devem passar por um plano de nutrição moderado, semelhante ao das porcas para que não engordem.
As porcas devem ser vermifugadas e tratadas contra piolhos e sarnas, segundo a recomendação do produto utilizado e, cerca de 5 dias antes do parto, devem ser lavadas usando água e sabão neutro e transferidas para a maternidade devidamente higienizada para recebê-las.
5. PARIÇÃO E LACTAÇÃO
Parto é a expulsão dos fetos do útero após o seu completo desenvolvimento. Poderá durar de 4 a 6 horas. A proximidade do parto poderá ser verificada pela secreção de leite das tetas por uma leve pressão. Esta secreção de leite ocorre cerca de 6 horas antes do parto.
A maternidade deverá ser provida de fontes de calor (campânulas), que deverão ser testadas por ocasião do parto e escamoteadores (casinhas para abrigar leitões).
O parto deve ser sempre acompanhado pelo tratador, podendose reduzir a mortalidade de leitões em até 10 %. Logo após o nascimento dos leitões deve-se proceder à toalete, que consiste em:
limpar e enxugar os leitões com papel toalha, desobstruindo as narinas e a boca; amarrar o cordão umbilical cerca de 2 cm abaixo da barriga com barbante mantido em álcool iodado e cortar o cordão logo abaixo do amarrio; mergulhar o cordão em um vidro de boca larga com álcool iodado para desinfetar totalmente a área do umbigo; auxiliar, se necessário, o leitão a mamar o colostro (animais muito fracos, com menos de 800g e debilitados deverão ser descartados); cortar os dentes evitando machucar a gengiva; cortar o terço final da cauda; colocar os leitões no escamoteador. Após o término do parto, devemos recolher os restos de placenta e colocá-los numa fossa antiséptica.
A maternidade mais funcional é a do tipo gaiola que restringe os movimentos da porca, evitando o esmagamento dos leitões.
5.1 - RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS:
- No dia do parto a porca deverá receber apenas água de boa qualidade e fresca; - O escamoteador deve conter cama seca e fonte de calor com temperatura controlada entre 28 e 30§C;
- Porcas com 8 leitões ou mais devem receber 2,0 kg de ração no segundo dia pós parto e ir aumentando gradativamente até receberem ração à vontade. Porcas com menos de 8 leitões devem receber 2,5 kg mais 400 gramas de ração por leitão; - No 3§ e 12§ dia de vida, os leitões devem receber injeções de ferro para evitar anemia (anemia ferropriva); - Fornecer ração pré-inicial para leitões, a partir do décimo quarto dia;
- O desmame que poderá ser feito entre 28 a 35 dias, com os leitões pesando ao redor de 8 a 10 kg, deverá ser realizado em grupos, para sincronizar o aparecimento de cio pós-desmama; - Recomenda-se fazer a desmama nas quintas-feiras para que as cobrições não ocorram nos finais de semana; - Após a desmama, a porca deverá ser levada para baias próximas do macho e ser cobertas logo no aparecimento do primeiro cio, o qual deverá ocorrer por volta de 3 ou 5 dias;
5.2 - DIARRÉIA DOS LEITÕES
A diarréia dos leitões pode ter sua origem em vários fatores como vírus, bactérias, parasitas ou ainda distúrbios nutricionais. É caracterizada pelas fezes fluidas (moles), tornando os leitões fracos, refugos, mais sensíveis a outras doenças e pode ser responsável por metade das mortes na fase inicial da vida dos leitões.
Dentre os possíveis fatores responsáveis pela diarréia, podemos enumerar alguns: ð Relacionados à porca: falta de amamentação ou falta de leite. ð Relacionados ao leitão: falta ou demora na ingestão de colostro, estresse na castração, injeções, manejo em geral. ð Relacionados à alimentação: qualidade da ração, falta de minerais, vitaminas, alimentos mofados, estragados ou contaminados, água contaminada ou falta de água.
ð Relacionados ao ambiente: baias sujas, excesso de umidade, frio, ventilações inadequadas. ð Relacionadas ao manejo: troca brusca de rações, excesso de animais na baia, falta de interesse do funcionário responsável pela maternidade, etc. Podemos identificar a diarréia pela observação, por exemplo:
· diarréia causada por Costridiun perfringens Tipo C - Diarréia com sangue e morte de toda a leitegada. Tipo A - Diarréia com sangue e poucas mortes.
• diarréia causada por Escherichia coli - diarréia aquosa, raramente em todo o grupo, algumas mortes.
5.3 - DIARRÉIA DOS LEITÕES EM AMAMENTAÇÃO
Os agentes causadores de diarréia nos leitões em amamentação pode agir de forma mais rápida ou lenta, podendo ser identificados conforme a idade em que aparecem. No primeiro dia de vida dos leitões (6 a 24 horas), pode ocorrer a diarréia apenas aquosa, de cor amarelo-pálida, e que raramente afeta mais de 70 % da leitegada (causada por E. C. Perfringes ou ainda por
Campylobaster ou estreptococcus). Em leitões de 24 a 48 horas de idade ocorre a diarréia vermelho-clara, afetando toda a leitegada quando causada por
Clostridiun perfringens Tipo C. Quando causada pelo Tipo A, os sintomas são semelhantes e a mortalidade é baixa.
As diarréias ocorridas acima de 48 horas de idade dos leitões pode ser uma diarréia aquosa (diarréia epidêmica ou gastroenterite transmissível).
As ocorrências de diarréias nos leitões a partir de 72 horas de idade podem provocar uma diarréia aquosa e às vezes amarronzadas, sendo mais comum a ocorrência aos 10 dias de idade e durar de 3 a 5 dias. As últimas diarréias surgem acima de 96 horas (do quarto para o quinto dia de idade do leitão) provocando uma diarréia pastosa ou amarelada e aquosa, agravando-se com a sujeira.
Após o desmame, por diversos fatores causadores de estresse como a mudança de ambiente, a separação da mãe, a troca de ração, etc que causam um choque aos leitões, estes ficam predispostos à ocorrência da Síndrome de Diarréia Pós Desmame (SDPD).
Como medidas preventivas, devemos tentar diminuir ao máximo o estresse durante o período crítico de duas a três semanas após o desmame. Como exemplo, podemos realizar um melhor manejo da alimentação durante 10 a 12 dias após o desmame em que a ração diária deve ser restrita e fracionada em intervalos regulares.
No período de 8 a 14 dias após o desmame, podemos observar a ocorrência de sangue e muco nas fezes, sendo eliminados por dois a três dias, após o que elas se tornam verdes ou enegrecidas e de consistência mole; os leitões afetados não apresentam febre, mas emagrecem, desidratam-se, perdem peso e ficam deitados nos cantos das baias.
O controle de diarréias em suínos deve ser realizado baseandose no manejo, uso de drogas e uso de vacinas.
ðNo manejo devemos observar limpeza e desinfecção rigorosa; uso do sistema “all in all out”; fornecimento de água limpa e de boa qualidade, etc.
ðCom o uso de drogas. Devemos observar qual a causa da diarréia optar por um dos produtos como antibióticos, probióticos, vitaminas, minerais, entre outros. ðO uso de vacinas tem sido muito estudado na prevenção de diarréias, porém ainda não temos, até o momento, informações suficientes para recomendação prática do método.
6. RECRIA OU CRECHE
A fase de recria inicia-se após o desmame e vai até os 70 dias de idade, com o leitão pesando em torno de 25 Kg A temperatura ideal na creche deve ser de 25§C
A troca de ração da fase de maternidade para a fase de creche deve ser gradativa para evitar problemas com diarréia.
No dia seguinte à desmama, deve-se fornecer 50 gramas de ração por leitão, duas vezes ao dia e aumentar gradativamente até atingir o consumo à vontade. Deve ser adotado um programa de restrição alimentar, como sugere a EMBRAPA (1991) no quadro na próxima página. Durante a fase de creche, o animal consumirá, em média, 750 gramas de ração/dia.
No dimensionamento da creche deve ser considerado 0,30 m2 por animal. Não é aconselhável alojar mais que 10 leitões por baia.
Deverá ser feito tratamento contra vermes dos leitões por volta de 6 a 8 semanas de vida. Tratamentos contra sarnas e piolhos deverão ser feitos, se necessário. No final da fase de creche uniformizar o lote e transferir para as instalações de crescimento.
As trocas de rações em cada fase devem ser gradativas, adaptando os suínos às novas rações, evitando, assim, problemas com diarréias.
Período em dias após desmame
Peso médio do leitão (kg) no desmame
Ração fornecida (kg) por dia em função do n§
68 10 12
de animais / baia
7 - 9 9 - 1 1 - 12
0.821.1 1.4 1.6
1.11.4 1.8 2.1
1.41.8 2.3 2.8
1.62.1 2.6 3.1
6 - 7 7 - 9 9 - 1
1.11.5 1.9 2.3
1.62.1 2.6 3.1
2.12.8 3.5 4.2
2.43.2 3.9 4.7
6 - 7 7 - 9 9 - 1
1.72.2 2.8 3.4
2.23.0 3.7 4.5
3.1 4.1 5.1 6.2
1 - 12 3.44.5 5.6 6.7
7 - CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO
A fase de crescimento se inicia após a fase de creche (aos 70 dias), com o animal pesando por volta de 25 Kg e vai até os 60 kg (aos 120 dias). A fase de terminação é subsequente à fase de crescimento e vai até o abate, quando o peso pode variar de acordo com o mercado e o custo de produção.
Os animais devem ser agrupados em lotes, variando de 10 a 20 suínos com tamanho uniforme. Devemos evitar a superlotação, pisos molhados e ventilação inadequada que contribuem para o surgimento ou agravamento de problemas como pneumonias, rinite atrófica, diarréia e canibalismo. As baias devem ser mantidas sempre limpas, com temperatura ambiente em torno de 18 a 20§C para a fase
de crescimento e em torno de 15 a 20§C na fase de terminação
Durante estas duas fases, os animais devem receber ração à vontade. Devemos ter número adequado de bebedouros (1:10 animais) e comedouros (1 boca : 3 ou 4 animais)e mantê-los sempre limpos.
Em todas as fases da criação, principalmente nas fases de crescimento e terminação, devemos ter muito cuidado, evitando que os animais consumam ração velha e mofada nos cantos dos comedouros para se evitar problemas com micotoxinas.
IMPORTANTEðEm todas as fases da criação de suínos recomendase adotar o sistema “all in all out”, ou seja, todos dentro e todos fora.
Os animais devem iniciar e terminar uma fase todos juntos, de modo que, ao término de cada fase, o prédio seja isolado para a realização do vazio sanitário, prática de fundamental importância em suinocultura.
Índice BOM MÉDIO RUIM
Leit. nasc. vivos 10 A 12 9 A 10 menos de 9 % Natimortos 2 a 4 % 4 a 5 % mais de 5 %
% Mumificados menos de 1 % de 1 a 1,5 % mais de 1,5 % Leit. nasc. total 1,5 a 12,5 10,5 a 1,5 menos de 10,5
Peso Nascer 1,4 a 2 kg 1,3 a 1,4 kg menos de 1,3 Kg
Leit. Desmamados 10 a 1 9 a 10 menos de 9 % Mortes matern. menos de 5 % de 5 a 10 % mais de 10 % Peso desmame-21d. mais de 6 Kg de 5,7 a 6 Kg menos de 5,7 Kg
GPD maternidade * mais de 300 g 270 a 300 g menos de 270g Peso saída creche 65 dias mais de 25 kg 2 a 25 Kg menos de 2 Kg
GPD na creche * mais de 400 g 370 a 390 g menos de 360 g
% Morte na creche menos de 0,5 % 0,5 a 1 % mais de 1 % Peso abate (150 d.) mais de 100 Kg 90 a 100 Kg menos de 90 Kg GPD nasc. abate * mais de 640 g 600 a 630 g menos de 600 g CA do rebanho * menor que 2,7 2,7 a 3,0 maior que 3,0
% Retorno cio menor que 10 % 10 a 12 % maior que 12 % Taxa fertilidade maior que 90 % 83 a 89 % menor que 82 %
Fonte: Roppa (1996).
* GPD maternidade ð Ganho de Peso Diário na Maternidade
* GPD na crecheð Ganho de Peso Diário na Creche
Abate
* CA do rebanhoð Conversão Alimentar do Rebanho:
CA = Ração Consumida (kg)
Ganho de peso (kg)
31 * GPD nasc. ao abate ð Ganho de Peso Diário do Nascimento ao
8 - NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO
Estudos demonstram que a alimentação contribui com cerca de 70 a 80% do custo de produção dos suínos. Sendo assim, procuramos, com este tópico, fornecer o conhecimento básico em nutrição de suínos de forma a esclarecer possíveis questionamentos relacionados ao assunto.
Recomenda-se evitar uma série de erros técnicos tais como: alimentação dos suínos com rações mal formuladas, pouca atenção para alimentação de leitões novos, manejo incorreto nas fases de gestação e lactação, administração de ração balanceada em animais de categoria inferior, entre outros.
Existem no mercado diversos tipos de rações para suínos, sendo: rações comerciais de uso imediato, concentrados que misturados ao milho tornam-se rações balanceadas e alimentos para se fabricar a ração na própria granja. Sugerimos aos usuários de rações comerciais e concentrados que sigam rigorosamente as instruções do fabricante contidas nos rótulos das sacarias.
Na composição de uma ração balanceada a ser misturada na própria granja, devem estar alimentos energéticos, protéicos, fontes de minerais e vitaminas. Dentre os alimentos energéticos podemos usar: fubá de milho, sorgo, farelo de trigo, farelo de arroz, etc. Como alimentos protéicos podemos usar: farelo de soja, farelo de amendoim, farinha de peixes, farinha de carne, etc. Recomendamos àqueles que desejam fabricar a ração na sua própria granja que procure orientação de um zootecnista especializado.
8.l - MANEJO DA ALIMENTAÇÃO EM DIFERENTES FASES DO CICLO DE PRODUÇÃO:
· Gestação e nutrição pré-natal ðFornecer para a fêmea gestante ração com 12% de proteína bruta (PB) e 30 kcal de energia digestível (ED) sendo 1,8 kg até 72 dias de gestação e 2,5 kg até 113 dias. Dois ou três dias antes do parto, fornecer uma alimentação com altos teores de fibra, como farelo de trigo ou capim picado.
· Reprodutores ðOs reprodutores machos devem receber 2,0 kg de uma ração “da gestação”, podendo ser ligeiramente aumentada ou diminuída de acordo com a conformação física do animal, que deve não deve ser gordo.
• Parição ðNo dia provável do parto, fornecer apenas água limpa e fresca à vontade. Iniciar o fornecimento com 2 Kg de ração no 2§ dia do parto e aumentar gradativamente até que no 7§ dia, porcas com até 8 leitões devem receber 2,5 kg para a porca e 0,4 kg a mais para cada leitão; porcas com maior número de leitões fornecer ração à vontade. A ração deve conter 13% de PB e 3340 kcal de ED.
• Creche ð Deve ser feito um melhor manejo da alimentação durante 10 a 12 dias após o desmame, quando a ração diária deve ser restrita e fracionada em intervalos regulares.
• Crescimento ðO fornecimento de ração deve ser à vontade e a ração deve conter 3400 kcal de ED e o nível de proteína varia de acordo com o peso dos animais, sendo: animais de 5 a 10 kg de peso - 20 % de PB; 10 a 20 de peso - 18 % de PB, e animais de 20 a 50 kg de peso - 15 % de PB.
• Terminação ðNesta fase que vai dos 60 kg até o abate, os suínos devem receber ração à vontade com 13% de PB e 3400 kcal de ED.
· Fêmeas para reposição ðAs fêmeas destinadas à reposição devem ser separadas do lote aos 120 dias de idade e continuar recebendo ração de crescimento com 15% de PB e 30 a 3400 kcal de ED. A ração deve ser fornecida à vontade.
8.2 - PRINCIPAIS SINTOMAS DE DEFICIÊNCIAS POR
Anemia Vit. B6 - B 12 - Ác. Fólico
Dermatite Vit. B6 - Niacina
Diarréia Vit. B6 - Niacina Ác. Fólico
Distrofia muscular Vit. E
Edema Vit. A
Falha de espermatozóides Vit. A
Hemorragias Vit. K
Passo de Ganso Ácido Pantotênico Raquitismo Vit. D
Rachadura no casco Biotina Úlceras no cólon Ácido Pantotênico
As deficiências minerais em suínos ocorrem, principalmente, pelos seguintes fatores: · os suínos são animais de crescimento muito rápido, necessitando portanto, de quantidades muito grandes de minerais; • são animais que se reproduzem precocimente (6 - 7 meses), ainda em fase de crescimento; • produzem grandes leitegadas e a fêmea elimina grande quantidade de minerais durante o parto; • são criados confinados, não tendo acesso à plantas e ao solo.
• sua alimentação é a base de grãos que, geralmente, são deficientes em minerais; • são animais suscetíveis a diarréias, as quais diminuem a absorção de minerais havendo grande perdas. • em relação ao seu peso e tamanho, produzem muito leite que é um alimento rico em minerais.
8.4 - PRINCIPAIS SINTOMAS DE DEFICIÊNCIAS POR MINERAIS EM SUÍNOS
Perda de apetite Sal-Potássio-Zinco-Fósforo-Ferro Apetite depravado Sal - Fósforo Diminuição do crescimento Sal-Potássio-Ferro-Fósforo-Zinco
Fragilidade dos ossos Calcio
Raquitismo (jovens) Osteomalácia (adultos) Cálcio
Anemia Cobre - Ferro Diarréia Zinco Paraqueratose Zinco
Anormalidades, debilidades no esqueleto
Cálcio - Cobre - Zinco Manganês - Fósforo
Falhas na reprodução Fósforo - Selênio - Ferro
Leitões nascem sem pêlos ou mumificados Iodo
Dificuldade de ficar em pé Magnésio
Natimortos Manganês Fonte: Diversos autores.
9 - ALIMENTOS ALTERNATIVOS PARA SUÍNOS
As rações para suínos estão baseadas no uso, principalmente, dos ingredientes milho e farelo de soja. Cerca de 70 a 80% da ração é composta pelo milho, sendo que uma oscilação no preço deste ingrediente propiciará uma variação do preço final da ração, influenciando diretamente no custo de produção do suíno terminado. Daí a importância do estudo de alimentos alternativos para substituir o milho e também o farelo de soja que é a principal fonte protéica da dieta. No sentido de contribuir para a maximização da produtividade da suinocultura, instituições de pesquisa como a Universidade Federal de Lavras vêm estudando a viabilidade do uso de alimentos alternativos para suínos, proporcionando ao setor suinícola suporte técnico para a melhor escolha dos alimentos alternativos.
9.1 - RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS DA UTILIZAÇÃO DOS DIVERSOS INGREDIENTES NA ALIMENTAÇÃO DE SUÍNOS NAS DIFERENTES FASES DO CICLO DE PRODUÇÃO
Apresentamos, na tabela a seguir, um resumo dos alimentos alternativos e seus respectivos níveis técnicos recomendados na formulação de rações para suínos nas diferentes fases de produção:
ALIMENTO gestação lactação creche crescime/ terminação
Alfafa (feno) 0 - 25 - - 0 - 15
Aveia branca 0 - 30 - - 0 - 36
Aveia desaristada 0 - 30 - - 0 - 36
Caldo de cana - - - à vontade
Cevada 0 - 50 - - 0 - 80
Espiga de milho moída 0 - 60 - - 0 - 15
Farinha de sangue 0 - 3 0 - 3 0 - 3 0 - 3
Far. de penas e vísceras hidroliz. 0 - 3 0 - 3 0 - 3 0 - 6
Farelo de trigo 0 - 30 - - 0 - 30
ALIMENTO gestação lactação creche crescime/ terminação
Farelo de algodão 0 - 6 0 - 6 0 - 3 0 - 8
Farelo de amendoim 2 - 12 2 - 12 3 - 5 4 - 10
Farelo de arroz integral 0 - 30 0 - 30 - 0 - 30
Farelo de arroz desengordurado 0 - 20 - - 0 - 30
Farelo de soja 0 - 25 0 - 20 0 - 30 0 - 20
Farinha de peixe 0 - 5 0 - 5 0 - 10 0 - 5
Farinha de pena hidrolizada 0 - 3 0 - 3 0 - 3 0 - 3
Farrinha de carne e ossos 0 - 5 0 - 5 0 - 5 0 - 6
Fava 0 - 24 - - 0 - 24
Gorduras e óleos vegetais 0 - 5 0 - 5 0 - 5 0 - 5
ALIMENTO gestação lactação creche crescim./ terminação
Mandioca “in natura” - - - à vontade
Mandioca “raspa” 0 - 70 0 - 70 - 0 - 70
Milho moído 0 - 95 0 - 82 0 - 70 0 - 85
Soja integral cozida e torrada 10 - 15 0 - 20 - 0 - 25
Sorgo moído 0 - 80 0 - 82 0 - 70 0 - 85
Soro leite em pó - - 0 - 20 -
Soro leite líquido - - - à vontade
Trigo morisco 0 - 30 - - 0 - 40
Triguilho 0 - 30 - 0 - 30 0 - 30 Triticale 0 - 90 0 - 30 0 - 30 0 - 89
Fonte: FIALHO & BARBOSA (1993).
9.2 - CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS SOBRE ALGUNS ALIMENTOS ALTERNATIVOS
SORGO ð Alimento energético que poderá substituir o milho em até 100% nas rações de suínos em crescimento e terminação, pois seu valor energético situa-se de 90 a 95% do valor energético do milho.
Devemos evitar o uso de sorgo de alto tanino por causar problemas nutricionais. É importante salientar que à medida em que substituímos o sorgo pelo milho na ração, temos um acréscimo no consumo pelos animais. FARELO DE ARROZ INTEGRAL ð É o resíduo do arroz após descascado e polido; não deve ser depositado por longo período devido a problemas de rancidez devido ao seu alto teor de gordura. Poderá ser utilizado em níveis de até 30% em substituição ao milho, pois quando utilizado em grandes proporções produz toucinho mole. FARELO DE TRIGO ð É o subproduto da moagem do trigo. Propicia bons resultados quando utilizado em até 40% nas rações de porcas gestantes e até 30% para suínos em crescimento e terminação. Caracteriza-se por ter ação laxativa em função do seu alto teor de fibras (12%). Deve ser usado quando seu preço for, no máximo, 70% do preço do milho. É importante para fêmeas em gestação, antes da parição.
MANDIOCA ð A raspa de mandioca seca ao sol pode substituir o milho em até 50% na ração, quando o preço for inferior ao do milho. CALDO DE CANA ð O caldo de cana pode ser fornecido à vontade para suínos a partir dos 20 Kg de peso vivo até o abate. Entretanto, devemos ter o cuidado de elevar o teor de proteína da ração para compensar o menor consumo dos nutrientes. SORO DE LEITE ð Serve apenas para suprir uma fração da energia exigida diariamente pelos animais. A adaptação deve ser gradual a fim de evitar ocorrências de diarréias. Deverá ser fornecido a suínos somente quando originado de leite pasteurizado. SOJA GRÃO TOSTADA ð É possível obtermos os mesmos resultados de desempenho de suínos alimentados com soja grão em substituição ao farelo de soja na ração, porém, o seu alto teor de óleo poderá produzir toucinho mole. A soja não tostada não poderá ser utilizada na alimentação de suínos pela existência de fatores antinutricionais (sojina) que reduzem o desempenho dos animais.
10 - CONSTRUÇÕES E EQUIPAMENTOS
Tradicionalmente no Brasil, o sistema adotado é o semiconfinado, onde os reprodutores têm acesso a piquetes gramados para exercícios. Entretanto, à medida em que a criação evolui, há uma tendência de partir para o sistema totalmente confinado, exigente de melhores tecnologias que o anterior. A diferença básica é que no sistema confinado total os reprodutores não têm acesso aos piquetes. Colocaremos algumas considerações a respeito da construção de uma suinocultura em sistema de confinamento total e recomendamos aos interessados que consultem técnicos especializados antes de iniciar a construção para que indiquem as melhores opções de construção e orientação em cada caso específico.
10.1 - MATERNIDADE
São instalações indispensáveis e se destinam ao parto. Devem ser higiênicas, de fácil manejo e conter, basicamente, uma proteção contra o esmagamento dos leitões pela porca, uma fonte de calor para os recém nascidos e um abrigo para os leitões (escamoteador ou “creep”). Existem vários tipos de maternidade como a convencional e maternidades com gaiolas de parição. A maternidade com gaiolas de parição é o tipo mais recomendado para evitar o esmagamento de leitões pelas porcas. Estas gaiolas podem ser construídas de ferro, latão, madeira ou alvenaria. Devemos considerar uma cela de parição com, aproximadamente, 2,30 por 1,50m, sendo 60m de largura, 2,30m de comprimento e 40 a 60m de espaços laterais para os leitões. A altura da parede divisória deve ser de 40 a 60m. Deve ter uma inclinação no sentido de facilitar o escoamento de líquidos na limpeza. A gaiola deve conter, ainda, bebedouros e comedouros apropriados para porca e leitões.
10.2 - CRECHE
O sistema mais funcional de creche é a gaiola de piso telado, suspensa a 0,60m do piso e dimensionada para receber uma leitegada de, no máximo, 10 leitões, sendo considerada uma área de 0,30m2 por animal, correspondendo a um baia de 2,0 por 1,50m.
10.3 - CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO
Nestas fases, recomenda-se que os animais permaneçam na mesma baia, considerando uma área por animal de 0,7m2 na fase de crescimento e 1,0m2 na fase de terminação. As paredes divisórias devem ter de 0,8 a 1m de altura e o piso uma inclinação de 2 a 3% para facilitar o escoamento.
10.4 - GESTAÇÃO
Após a cobertura, as porcas irão para as baias coletivas ou individuais. As baias coletivas devem ser conduzidas em pequenos grupos (de 7 a 10 animais). Na opção de manejo das fêmeas individualmente, devemos ter gaiolas equipadas com bebedouro e comedouro individuais. Teremos uma redução significativa da área construída para o mesmo número de animais e menor gasto com mão de obra, pela menor área. As gaiolas de gestação devem ter 2,10m de comprimento por 0,60m de largura. As porcas permanecem nestas gaiolas de 4 a 7 dias antes do parto, quando são levadas para a maternidade.
10.5 - RESERVATÓRIO DE ÁGUA
A água deve ser de boa qualidade, fresca e à vontade, com temperatura entre 16 e 18§C para suínos de todas as idades. A quantidade de água utilizada numa criação de suínos depende do sistema de criação, tipo de bebedouros utilizados e da existência ou não de fossas para a retenção de dejetos. Tanto o encanamento quanto o reservatório devem ser protegidos do sol para manter a água numa temperatura adequada. Segundo a EMBRAPA (Documentos n§19 - 1993), o reservatório deve ser dimensionado para estocar água por um período de 5 dias pela seguinte equação:
Onde: CR = capacidade do reservatório
F= n§ de fêmeas no rebanho
M= n§ de machos no rebanho
STA = suínos terminados por ano
Por exemplo: sistema de produção de 24 matrizes com um macho e estimando-se 504 suínos terminados por ano.
CR = (0,48 x STA + F + M) x 0,075
CR = (0,48 STA + F + M) x 0,075
CR = (0,48 x 504 + 24 + 1) x 0,075 CR = 20,02 m3
1 - MANEJO SANITÁRIO
Consideramos de grande importância a realização do manejo com o objetivo de prevenir as doenças dos suínos, conseguindo maiores lucros e melhores índices zootécnicos com o tratamento preventivo em relação ao curativo.
Esquema de vacinação para rebanhos suínos segundo a EMBRAPA (Documentos n§ 19 - 1993). Podem ocorrer variações entre os fabricantes; neste caso, seguir a bula ou as recomendações do fabricante, assimcomo a legislação sanitária específica de cada estado.
Doença Leitoas de
Reposição
Matrizes Cachaços Leitões jovens
Dose e via de aplicação
Peste Suína Clássica *
28 dias antes da cobrição
70 a 90 dias de gestação
Anual 60 dias de idade; 7 ou 14 dias se a mãe não foi vacinada
2 ml intramuscular
Rinite
Atrófica 60 e 90 dias de gestação 90 dias de gestação
Semestral 7 e 28 dias de idade 2 ml subcutânea
Leptospi- rose 42 e 21 dias antes da cobrição entre 28 e 14 dias antes da cobrição
Semestral 2 ml intra - muscular ou sub-cutânea
Doença Leitoas de Reposição
Matrizes Cachaços Leitões jovens Dose e via de aplicação
Parvovirose 42 e 21 dias antes Entre 28 e 14 dias
Semestral 2 ml intra muscular da cobrição antes da cobrição ou subcutânea
Pneumonia
Micoplás -mica
2 vezes antes da cobrição com 14 dias de intervalo
42 e 14 dias antes do parto
Semestral 7 e 21 dias de idade 2 ml intra muscular
Erisipela 42 e 21 dias antes do parto
Entre 28 e 14 dias antes do parto
Semestral desmame e 21 dias depois
2 ml intra muscular ou subcutânea
Pleuropneumon ia
42 e 21 dias antes do parto
Entre 28 e 14 dias antes do parto
Semestral 2 ml intra muscular ou sub- cutânea
Doença Leitoas de
Reposição
Matrizes Cachaços Leitões jovens
Dose e via de aplicação
Doença de
Aujesky
42 e 21 dias antes da
Entre 42 e 21 dias antes do
Anual 65 dias de idade 2 ml intra muscular ou sub- cobertura parto cutânea
Fonte: EMBRAPA (1993). * ð Em alguns estados brasileiros, a vacinação contra Peste Suína Clássica está proibida. Deve-se, neste caso seguir a legislação vigente no estados e ou região.
12 - CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DOS DEJETOS DE SUÍNOS
Com o avanço tecnológico e a implantação do uso cada vez maior de sistemas confinados, o homem não só reduziu a oportunidade dos suínos realizarem a coprofagia (comerem suas próprias fezes), como também provocou a concentração de suínos em pequenas áreas, causando um grande volume de dejetos produzidos por unidade de área. A suinocultura é considerada, pelos órgão de controle ambiental, como “atividade potencialmente causadora de degradação ambiental”, sendo enquadrada como de grande potencial poluidor.
Do ponto de vista agronômico, a incorporação de resíduos orgânicos é fundamental para melhorar suas qualidades físicas, químicas e biológicas, além de proporcionar uma economia de insumos. Segundo Perdomo, cada tonelada de dejetos não aproveitados representa um desperdício de cerca de 10 kg de nitrogênio, fósforo e potássio.

processo de criação de suínos


Manejo de Reprodutores e Matrizes - Manejo de Dejetos


GRANJA DE SUINO AUTOSUSTENTAVEL


Sistema Orgânico de Criação de Suínos - Instalações e Manejo dos Animais


Criação de Suínos em Cama Sobreposta


Criação de Suínos, Coccidioses em Granjas, Gestão Rural


Criação de Suínos


manejo de suinos


criação de porcos caipira no sistema extensivo