16 de ago de 2017

Importância da Galinha Caípira



A galinha caipira por meio da qualidade e palatabilidade dos seus produtos se tornou um dos pratos mais apreciados no Brasil. Ela é criada na quase totalidade dos núcleos agrícolas familiares, alimentando famílias e gerando renda.
Por ser uma ave rústica e capaz de suportar adversidades climáticas e resistir a algumas doenças, se torna uma alternativa principalmente para locais com menor infra-estrutura produtiva.
Este trabalho apresenta recomendações técnicas e inovações tecnológicas que viabilizam a criação da galinha caipira, tornando-a uma ave competitiva, inserindo-a no mercado de produtos agroecologicamente corretos, uma vez que pode ser criada com o uso racional dos recursos naturais renováveis, inclusive com agregação de valor à produção agrícola, agroindustrial e extrativista, já que pode ser perfeitamente integrada com as mais variadas atividades.
É importante salientar que a conservação desses recursos genéticos serão de bom uso no futuro da agropecuária nacional, tendo em vista que novos trabalhos poderão ser realizados em prol do desenvolvimento técnico-cientifico.

O Sistema Alternativo de Criação de Galinhas Caipiras (SACAC), ao mesmo tempo em que resgata a tradição de criação de galinhas caipiras, tem como objetivo o aumento do padrão econômico da agricultura familiar, melhorando a qualidade e aumentando a quantidade da produção. O sistema minimiza os danos ao meio ambiente, adotando adequações necessárias a cada ecossistema onde é implantado, seja com relação às suas instalações e equipamentos, seja na forma de alimentar ou de medicar alternativamente as aves (BARBOSA et al., 2004).
Outro importante fato a ser observado no SACAC é a capacidade de integração de criação de galinhas com outras atividades agrícolas, agroindustriais, extrativistas, pecuárias, que são costumeiramente desenvolvidas pelo agricultor familiar, o que resulta na agregação de valor e maior remuneração por produto acabado (SAGRILO, 2002). As aves criadas em sistemas mais naturais são submetidas a menos estresse do que aquelas nos sistemas de criação intensiva, em galpões com elevada população, e sua carne é considerada de melhor sabor e menor teor de colesterol.
Desenvolver uma tecnologia que impulsione a criação de uma ave doméstica, atividade que é encontrada em 99,9 % dos núcleos agrícolas familiares (RAMOS et al., 2001), é a forma que a pesquisa tem de inserir a galinha caipira nos diversos mercados consumidores, principalmente porque a mesma pode ser tratada de forma que se utilize racionalmente os recursos naturais renováveis, o que indubitavelmente a torna agroecologicamente correta.
Embora seja reconhecida como uma fonte de alimentos de alta qualidade protéica (carne e ovos), e tenha se transformado ao longo desse período em um dos pratos típicos conhecidos em todo o território brasileiro, a criação de galinhas caipiras é precária em termos zootécnicos (Fig. 1), com prejuízos para a sua produtividade.

Foto: F.J.V. Barbosa
Fig.1.Animais de várias espécies domésticas criados juntos 
de forma desordenada.


No SACAC, de acordo com o planejamento e a estrutura de produção, o agricultor familiar poderá optar pelo aviário completo ou juntar-se a outros criadores e instalarem um núcleo de multiplicação de galinhas caipiras. No primeiro caso, o agricultor familiar vai desenvolver todas as práticas de manejo nas mais diversas fases de criação. No segundo, o criador adquirirá os ovos já fertilizados para uma posterior incubação sob sua responsabilidade ou receberá pintos recém-nascidos, e sua estrutura de criação será um galpão de crescimento. A aquisição de insumos e a comercialização dos produtos poderão ser realizadas de forma coletiva nos dois casos. Nos segmentos que tratam de origem genealógica e raças, reprodução, alimentação, instalações e equipamentos, sanidade e comercialização, o agricultor familiar terá uma visão ampla da proposta do sistema de criação e com isso poderá fazer as adequações que lhe convier, desde que sejam mantidas as características desejáveis dos produtos, com o mínimo de danos à natureza.




10 de ago de 2017

Sanidade da Galinha Caipira



A maioria das enfermidades que ocorrem na avicultura são controladas pelo uso correto de procedimentos sanitários, que incluem inclusive coberturas vacinais elaboradas de acordo com o histórico da região. Esse controle tanto protege o grupo de aves que se pretende trabalhar como o consumidor dos seus produtos.
O sucesso do processo de proteção do plantel e do consumidor vai depender de todos os setores envolvidos na cadeia produtiva, já que a falha em um único segmento poderá trazer transtornos e danos irreparáveis para o desenvolvimento da atividade.
A limpeza pessoal das pessoas envolvidas no manejo das aves, limpeza e higienização das instalações e equipamentos, processamento criterioso e controle de qualidade dos ingredientes dietéticos, programas de vacinação, manipulação correta dos produtos, controle ativo de pragas (insetos e roedores), descarte de aves problema e manejo adequado para os resíduos (aves mortas, cama, restos de ração etc.) são as principais medidas que devem ser mantidas nos núcleos de produção.
Não se deve levar em conta somente a influência das doenças sobre o desempenho zootécnico (peso médio, conversão alimentar, mortalidade, rendimento de carcaça etc.), mas também o efeito negativo sobre a demanda e a imagem do produto no mercado.
Nas galinhas caipiras, o programa vacinal deve visar, prioritariamente, o controle das principais doenças virais, como: newcastle, marek, gumboro, bronquite infecciosa e bouba aviária. Outras doenças importantes que provocam efeito negativo sobre a produtividade são: ascite, coccidiose, doenças respiratórias, salmoneloses e mitoxicoses.
Como medida de biossegurança deverá ocorrer, rotineiramente, o combate aos principais vetores das doenças e os procedimentos de limpeza e higienização das instalações, e o controle de qualidade de insumos e de materiais. Os programas de vacinação e vermifugação devem ser previamente estabelecidos e implementados (Fig. 1 a 4).


Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.1. Controle da bouba aviária por meio de 
punctura na asa.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.2. Aplicação de coquetel via ocular para 
controle de doenças como newcastle, bronquite 
infecciosa e gumboro.

Foto: F.J.V. Barbosa
Fig.3. Higienização das instalações por meio 
de caiação.

Foto: F.J.V. Barbosa
Fig.4. Renovação sistemática do substrato que 
reveste o piso do aviário.


Calendário de vacinação

As medidas de biossegurança garantem a não-entrada do agente infeccioso antes da estimulação imunogênica. Essas medidas necessariamente têm que abranger todo o processo produtivo, desde reprodução, incubação, eclosão, crescimento das aves, abate, fabricação de ração e exposição dos produtos.
A vacinação pode ser feita de forma coletiva (via água nos bebedouros/ pulverização) ou individual (injeção ou gota ocular). Apesar do esforço para se vacinar todo o plantel, ocorrem casos de aves mal imunizadas, mesmo que tenham recebido dose eficiente (Tabela 1). Outra causa é a baixa eficiência da dose do vírus vacinal.
Os tipos de vacinas mais comuns são: vacina de vírus vivo (pouco utilizada), vacina atenuada e vacina inativa (morta). Dentre as vantagens da utilização de vacina atenuada, podem-se enumerar o baixo custo, possibilidade de vacinação coletiva, grande número de doses em pequeno volume, rápido início de imunidade e imunidade local precoce. No entanto, sempre podem ocorrer reações pós-vacinação, como difusão de algumas cepas, curta persistência de imunidade, possível interferência de anticorpos maternos e interferência de dois vírus do mesmo tropismo.

Tabela 1. Calendário de vacinação para galinhas caipiras de acordo com a fase de criação.
FaseViaPeríodo
NewcastleOcularMensal
Bronquite infecciosaOcularMensal
GumboroOcularMensal
Bouba aviáriaPunctura na asa1ª semana de vida
Fonte: Embrapa Meio-Norte
O criador pode utilizar alternativas medicamentosas como o fornecimento de caldas com cascas de plantas medicinais como o angico-preto (Anadenanthera macrocarpa), o jatobá (Hymenaea courbaril), o pau-ferro (Caesalpinia ferrea), o alho (Allium sativumL.) e o limão (Citrus limon), para controle de doenças oportunistas transmitidas por bactérias. Podem também ser utilizadas como alternativas de vermífugos naturais as sementes de melancia, mamão, melão e perfilhos de bananeira. Para o controle de ectoparasitas, banhos com sabão e fumo (Nicotiana tabacum) são medidas tidas como rotineiras (Fig. 5).


Foto: F.J.V. Barbosa
Fig.5. Reprodutor recebendo banho antiparasitário.


Galinha Caipira – Saiba Como Evitar as Doenças Mais Comuns




Se você está enfrentando algum problema de doença em sua criação de galinha caipira e, assim como muitos, já se desesperou diante de uma enfermidade que abateu boa parte do seu plantel, você precisa conhecer as dicas que vou lhe apresentar para combater esse tipo de problema em sua criação.

Hoje nós vamos conversar um pouco sobre medidas de prevenção que podem minimizar ou praticamente eliminar problemas sanitários e as doenças que atacam as criações de galinha caipira.
Imagine chegar em seu galpão ou galinheiro e ver boa parte das suas aves mortas pelo chão e outras tantas apresentando algum sinal de que estão doentes…
Pois é… Não é uma sensação agradável! Mas, infelizmente, isso vem acontecendo com muitos avicultores.
Uma boa parte das doenças de galinha caipira costumam apresentar uma mortalidade muito alta, chegando a praticamente eliminar o plantel.
Porém, o que muita gente não sabe é que algumas medidas muito simples podem reduzir, consideravelmente, as doenças das galinhas e, por conseqüência, a mortalidade nos aviários.
O criador de galinha caipira, seja ele para fins comerciais ou por hobby, deve adotar em sua criação algumas práticas de manejo que vão trazer bons resultados na saúde de suas aves e evitar que esse tipo de problema passe pelo seu galinheiro.

Conhecendo Um Pouco as Doenças de Galinha Caipira

O primeiro passo para combater um inimigo é exatamente conhecê-lo um pouco melhor, não é mesmo? E é isso que todo avicultor deve fazer para ganhar essa luta!
São muitas as doenças que podem atacar um plantel de galinha caipira, e o que é pior, muitas delas apresentam sintomas absolutamente parecidos, o que torna o combate muito difícil.
E para nos auxiliar nessa guerra é de extrema importância que sempre tenhamos a presença de um médico veterinário que possa examinar as aves e fazer as indicações medicamentosas que forem necessárias. Só assim podemos combater as doenças das galinhas de forma eficaz.
Veja algumas das doenças que podem atacar um aviário de galinha caipira que não adota as boas práticas de manejo em seu plantel:

Bouba Aviária 

É uma doença muito contagiosa que é presente em muitos criatórios pelo Brasil e costuma vitimar muitas aves. Ela é conhecida popularmente como “caroço” ou “pipoca” e normalmente ataca as aves de todas as idades. Temos observado que ela se torna mais presente na época do verão em função da grande quantidade de mosquitos que transmitem o vírus da doença. Os sintomas mais freqüentes são nódulos que aparecem nas barbelas, em torno dos olhos, bico e também por toda crista. Em casos mais graves esses nódulos também aparecem na garganta das aves e esse problema causa na ave uma dificuldade de se alimentar e respirar, o que torna a doença ainda mais letal.

Doença de Marek

Esta é uma doença causada por um vírus que, normalmente, ataca as aves mais jovens do plantel. Ela afeta o sistema nervoso, pele e também o globo ocular dos pintainhos. As aves afetadas por essa doença, em sua maioria, sofrem por paralisia e prostação. Normalmente, causa uma mortalidade muito grande nos aviários.

Salmonelose

Esta tem sido uma doença de galinha caipira que merece um cuidado muito especial, pois pode ser transmitida da ave para o ser humano. Normalmente, ataca as aves de todas as idades causando uma mortalidade muito alta. Tem sintomas muito parecidos com outras doenças causadas por bactérias, o que torna o tratamento ainda mais difícil.

Doença de Newcastle

As aves afetadas por esta doença apresentam lesões no sistema respiratório, nervoso e digestivo. Os sintomas apresentados são: diarréia com sangue, espirros constantes, dificuldade de respirar, torcicolo, conjuntivite, paralisia das asas e pernas, baixa produção de ovos e mortes de forma repentina.

Outras Doenças

Existem mais um grande número de doenças que podem afetar a sua criação de galinha caipira  e que o avicultor deve procurar proteger o seu plantel. Ex: Bronquite Infecciosa, Leucose Linfóide, Calibacilose, Micoplasmose, Encefalomielite aviária, Coriza Infecciosa, Botulismo, Pausteurelose, Estafilocose, Ornitose, Barreliose, Tuberculose, Entero-hepatite, Aspergilose, Coccidiose, Encefalomalácia nutricional, Ascite, Micotoxicoses, Raquitismo, Diátese exsudativa, Verminoses, Ectoparasitose e etc.
Depois de tomar conhecimento de todas essas doenças que podem afetar a sua criação de galinha caipira você deve estar pensando… Nossa, é muito difícil manter uma criação de galinhas!
Eu tenho uma boa notícia para você: Não precisa se assustar tanto… Se você aplicar as boas práticas de manejo em sua criação de galinha caipira, boa parte dessas doenças jamais chegarão em seu aviário.
Agora vou lhe apresentar algumas dicas para manter essas enfermidades bem longe do seu plantel:
01 – CONSTRUA UM AMBIENTE ADEQUADO PARA SUAS GALINHAS
Uma medida muito importante na criação de galinhas é o ambiente onde essas aves vão passar os seus dias de vida. E o avicultor deve tomar alguns cuidados para construir um ambiente agradável para o bem estar de suas aves. São eles:
  • Construa um galpão adequado para a quantidade de aves que pretende criar (Max. 10 aves por metro quadrado)
  • Mantenha sempre o galpão seco e arejado

02 – MANTENHA UM BOM PROGRAMA DE VACINAÇÃO
De fato, a prevenção é o melhor remédio. Você deve consultar um médico veterinário para elaborar um programa de vacinação que proteja suas galinhas das doenças mais comuns em sua região. Normalmente, esse programa inicia-se no primeiro dia de vida dos pintinhos e segue pela vida adulta.
03 – MANTENHA O AMBIENTE LIMPO, LIVRE DE ROEDORES E PÁSSAROS
O avicultor deve manter o galpão e os piquetes sempre limpos para evitar que os pássaros silvestres e os roedores se aglomerem em seu aviário, com isso você evita que esses animais tragam as doenças para seu plantel. É importante manter o terreno sempre nivelado para evitar o acúmulo de água e, por conseqüência, o desenvolvimento de mosquitos que também transmitem doenças às aves. A higiene está diretamente relacionada com o desenvolvimento de doenças nas criações de galinha caipira. Por isso, mantenha sempre os comedouros, poleiros e bebedouros limpos.
04 – PRATIQUE A RESTRIÇÃO DE VISITAS
Um cuidado que poucos avicultores desenvolvem em seus projetos é o controle de visitantes em seu aviário e isso tem causado grandes problemas para as criações. Imagine um visitante que antes de entrar em seu projeto teve contato com alguma ave doente e que através das roupas e sapatos podem ter trazido os vírus/fungos/bactérias para seu plantel. Pois é… Isso pode, de fato, lhe causar problemas futuros. Quando tiver que receber alguém em sua criação, deve tomar cuidados em higienizar as mãos e de preferência trocar roupas e calçados antes de entrar nas áreas comuns das aves.
05 – TENHA UMA ÁREA PARA QUARENTENA
O avicultor deve sempre observar o comportamento de suas aves para detectar anormalidades entre elas e quando notar algum problema deve separar a ave o mais rápido possível das outras na tentativa de evitar a disseminação das doenças das galinhas entre o plantel. A ave separada deve receber os cuidados necessários e só pode voltar para o lote quando estiver completamente curada. Infelizmente, em casos mais graves é necessário sacrificar a ave. As aves mortas devem ser descartadas em fossa séptica construída especificamente para essa finalidade.

3 de ago de 2017

Instalações e equipamentos para crtação de Galinha Caipira




Na perspectiva de provocar o mínimo de danos ao meio ambiente, de aproveitar racionalmente os recursos naturais renováveis e usar e reutilizar de forma criteriosa materiais disponíveis na propriedade, o SACAC também procura se adequar ao poder aquisitivo e à criatividade do criador.
O objetivo de se utilizar materiais alternativos não diminui a importância a ser dada aos aspectos de funcionalidade das instalações, de modo a garantir a limpeza e a higienização corretas (Fig. 1 a 3). Outro ponto importante é o conforto térmico das aves, principalmente em zonas que apresentem temperatura e umidade elevadas. Para isso, recomenda-se que o local escolhido para construção da estrutura de produção seja bem drenado, mais ou menos plano, ventilado, de fácil acesso e afastado de outros tipos de criações de animais. Quanto à localização e ventilação, é importante que o aviário se coloque em posição posterior a casa do criador, pois isso evitará a presença indesejável de possíveis odores e insetos resultantes do processo produtivo (COMEÇANDO..., 2004).


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.1. Cercas construídas com estacas de sabiá.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.2. Telado interno confeccionado com varas. 

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.3. Cobertura do aviário feito de palha de 
babaçu. 

No modelo do aviário completo, no qual o criador desenvolve práticas de manejo em todas as fases de criação das aves (cria, recria, engorda e reprodução), a área total sugerida é de 1.744 metros quadrados (Figura 4). Dessa área, 28 metros quadrados são destinados ao aviário coberto e 1.716 metros quadrados, a piquetes onde crescem plantas nativas ou cultivadas, de preferência frutíferas ou outras árvores de interesse do criador e que não produzam material tóxico para as aves.


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.4. Layout do modelo completo do SACAC.


A área construída deve apresentar detalhes que favorecem tanto a ventilação térmica como a higiene, tornando o ambiente agradável para as aves. Com esse objetivo, recomenda-se um pé direito de 2,10 metros de altura, composto de rodapé (30 cm) e área vazada (180 cm), limitada por tela de arame ou varas numa malha capaz de manter contidas as aves e de protegê-las de possíveis predadores.
O rodapé poderá ser construído com tijolos, tábuas, taipa ou outro material disponível. A altura de cumieira poderá variar, dependendo do material de cobertura. Se a opção for por telha, a inclinação será de 30º, enquanto que para a cobertura de palha se sugere uma inclinação de 45º. Quanto à formatação da cobertura, essa poderá ser tanto de quatro como de duas águas, desde que os beirais impeçam a penetração de raios solares nas horas mais quentes e as rajadas de ventos na época das chuvas. Com a mesma finalidade, poderão ser usadas cortinas, desde que não escureçam o interior das instalações. Em média, os beirais medem 60 centímetros e obedecem à mesma inclinação do teto (Fig. 5).


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.5. Fachada do aviário completo do SACAC.


O madeiramento estrutural e de cobertura poderá ser redondo ou serrado, dependendo da disponibilidade da região. O importante é que suporte firmemente o peso da cobertura e a força dos ventos.
A área de reprodução deve ter seis metros quadrados, dividida em zona de postura (3,75 m2) e zona de incubação (2,25m2), com capacidade para abrigar treze aves reprodutoras, sendo 1 macho e 12 fêmeas. Tanto na zona de postura como na de incubação devem ser colocados à disposição das aves comedouro, bebedouro e ninheira, esta com capacidade de abrigar quatro matrizes. As aves também devem ter acesso a um piquete com área de 40 metros quadrados, composto de arborização nativa ou exótica (Fig. 6 a 9).


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.6. Vista lateral da área de reprodução.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.7. Planta baixa do aviário.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.8. Piquete de reprodução. 

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.9. Ninheiras confeccionadas com tábuas e 
enchimento de capim seco. 


No aviário, as áreas destinadas à cria e recria localizam-se no lado oposto à área de reprodução. A área de cria tem 2,25 m2 e possui capacidade de abrigar 60 a 70 pintos, com idade variada entre 1 e 30 dias. Nela estarão disponíveis comedouro (bandeja), bebedouro e berçário dotado de fonte de calor para abrigar os pintos recém-nascidos durante a primeira semana de vida. Após a primeira semana, os pintos terão acesso livre a um solário com as mesmas dimensões da área destinada à fase de cria. A área de recria tem a função de abrigar os pintos vindos da fase de cria, ou seja, com 31 a 60 dias de idade. Compreende 3,75 m2, com bebedouro e comedouro. Nessa fase, os pintos terão livre acesso a um piquete arborizado, com 20,00 m2 (Fig. 10 a 12).


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.10. Pintos recém-nascidos alojados em berçário.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.11. Pintos acomodados na área de cria.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.12. Pintos ciscando no solário. 


No centro do aviário, com 16,00 m2, encontra se a área destinada à fase de engorda ou terminação, com capacidade de abrigar as aves na fase de recria, com 61 a 120 dias. Nessa área, estão disponíveis bebedouros, comedouros e poleiros, tendo as aves livre acesso a um piquete arborizado, com área de 1.656 m2 (Fig. 13 a 15).


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.13. Área interna do aviário dando destaque 
ao poleiro.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.14. Frangos na fase de engorda. 

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.15. Piso revestido com barro compactado.

Normalmente, a área coberta de engorda tem a capacidade de abrigar 278 aves, porém, esse número pode ser ampliado para cerca de 400 cabeças dependendo do manejo reprodutivo. Torna-se importante que o criador também possa dispor de um outro compartimento em local afastado dessa instalação para abrigar, separadamente, aves que serão introduzidas no plantel, animais descartados ou, em caso extremo, aves doentes.
O piso do aviário pode ser cimentado, revestido de tijolo deitado e mesmo de chão batido, compactado de forma que impeça que as aves escavem. Deverá ter como forro um substrato composto de serragem de madeira, capim seco triturado, casca de arroz etc. Esse substrato não pode ser tóxico e nem provocar doenças respiratórias às aves, por excesso de pó, e tem por finalidade reter a umidade resultante do metabolismo e respiração das aves (Fig. 16).
As cercas, para delimitar as áreas de manejo e oferecer proteção contra possíveis predadores, podem ser confeccionadas de acordo com a disponibilidade de material. Utilizam-se telas, estacas, arame farpado, varas, etc., dependendo da disponibilidade. É desejável que o material usado tenha bastante durabilidade e seja suficientemente forte para suportar ventos e alguns danos indesejáveis.
Quanto aos ninhos, o material a ser utilizado vai também depender da disponibilidade e criatividade do criador. Tábuas e varas são as mais recomendadas, pois permitem uma limpeza sistemática com a remoção temporária dos ninhos para o exterior das instalações, visando melhor limpeza. A renovação de forro dos ninhos, a intervalos máximos de 30 dias, também se faz necessária. Os ninhos são forrados, geralmente, com o mesmo material utilizado como substrato no piso. A sensação de conforto e segurança influi no volume de postura e na capacidade de incubação (Fig. 16).


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.16. Ninheiras confeccionadas com varas.


Os poleiros, geralmente, só são instalados na área de engorda, uma vez que um maior número de aves é alojado e ocorrem diferenças de porte, tendo em vista o período de 60 dias preconizado para essa fase de criação. É comum observar que o poleiro é mais utilizado pelas aves maiores, principalmente quando a temperatura está mais alta.
Estão à disposição do criador de galinhas caipiras, nos mais diversos pontos do país, modelos de comedouros e bebedouros, manuais ou automáticos, que podem ser largamente utilizados nas condições do SACAC. Porém, fica a cargo da criatividade do criador utilizar modelos artesanais de bebedouros e comedouros, desde que as condições de sanidade e funcionalidade sejam mantidas. No caso específico do SACAC, a opção por bebedouros confeccionados com garrafas pets e comedouros feitos com varas de cano plástico em forma de calha foi bem sucedida, facilitando a higienização quando da renovação sistemática da água e da mistura dietética (Fig. 17 e 18).
São equipamentos imprescindíveis às atividades diárias do aviário a máquina forrageira ou moinho para triturar os alimentos, balanças para pesagem, tanto das aves como dos ingredientes dietéticos, e o ovoscópio, para avaliar a qualidade dos ovos, principalmente no processo de incubação.


Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.17. Comedouro tipo calha na altura do dorso 
da ave.

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.18. Bebedouro de pressão na altura do dorso 
da ave. 





29 de jul de 2017

Dicas Sobre Criação de Cavalos



BELEZA
- A beleza do equino refere-se à sua aparencia geral, a condição do pêlo, o estado físico, toalete, maquiagem, cuidados com os cascos.

- Cavalos magros já entram em desvantagem no julgamento de conformação, pois apresentam menos qualidade na forma das partes do tronco.

- Os cavalos obesos tendem a apresentar excessos de tecido adiposo ao longo da borda superior do pescoço, garupa e base da inserção caudal. A avaliação da conformação será sensivelmente prejudicada, pela falta de definição na forma e harmonia entre as regiões.

- O pêlo, quando longo e grosseiro, interfere na avaliação da conformação, principalmente na ligação cabeça/pescoço, inserção pescoço/tronco, qualidade da sustentação muscular na região superior e na musculatura da garupa.

- Diariamente, os animais de exposição devem ser raspados e escovados. Crina e cauda devem ser penteadas.

- O pêlo adquiri melhor aparência nos animais embaiados

- Pode ser fornecido em torno de 5 a 10 ml de oleo de milho diariamente na ração, ou diretamente na boca por meio de uma seringa. Este produto melhora a condição do pêlo.

- Durante o inverno há um crescimento maior dos pêlos, que servem como proteção contra o frio e a umidade

- Os banhos devem ser dados sempre após os exercícios, utilizando shampoo apropriado e condicionador de pêlo.

- A toalete objetiva o destaque de determinadas regiões. Envolve a aparação dos pêlos nas regiões das narinas, boca, mandíbula inferior, olhos, orelhas, boletos, coroa dos cascos, tosquia do corpo, tosa do topete, da crina, desbaste da cauda.

- A prática rotineira da toalete é bastante nociva ao equino. A recomendação é que seja feita somente nos animais destinados às exposições e, mesmo assim, poucos dias antes do inicio do evento. Vejamos alguns dos principais danos à saúde:

- Tosquia do pêlo: quando feita nos períodos de frio ou chuva, deixa o animal mais sensível às alterações climáticas e às infestações por ecto-parasitas;

- Aparação da cauda: o animal perde o único meio de espantar mosquitos e outros insetos;

- Corte dos pêlos da orelha: perda da proteção contra umidade, predisposição às micoses;

- Corte dos pêlos das narinas e boca: afeta negativamente os sentidos do olfato e tato;

- Corte dos cílios: perda da proteção dos olhos

- Corte do cabelo do machinho: Denomina-se de machinho os pêlos que se estendem por trás dos boletos. Sendo aparados, a água da chuva, ou de banhos freqüentes, escorre diretamente para a região posterior da quartela, deixando-a úmida, o que favorece o desenvolvimento de micoses

-A maquiagem objetiva realçar a beleza do animal. Envolve a aplicação de óleos para conferir brilho no corpo, na cauda, na crina, região bucal, pavilhão das orelhas. Em algumas raças, é pratica comum aplicar graxa de brilho nos cascos.

- Os cascos devem ser adequadamente aparados e, se for o caso, fazer o ferrageamento. Quando aparados excessivamente ou na véspera da viagem, haverá risco do animal claudicar, pela maior sensibilidade dos cascos após as aparações, principalmente se for levado em conta que o piso nos parques de Exposições é de asfalto.

ALIMENTAÇÃO
- Acesso a pastos de qualidade, sendo a melhor graminea para pastejo o Tifton;

- O capim verde picado, oriundo das capineiras, ou de pastos de Tifton, Coast Cross, Tangola e outros, deve ser cortado no ponto ótimo de crescimento (altura em torno de 1,50m), a fim de preservar o valor nutritivo ideal. O capim velho e fibroso pode provocar distúrbios digestivos. O capim muito novo pode provocar diarréia;

- A quantidade de volumoso deve ser, no mínimo, 5kg por dia;

- O capim picado não deve permanecer no cocho mais do que 12 h, para evitar a fermentação e o consequente risco de distúrbios digestivos. As cólicas ainda representam a causa numero 1 de mortes na espécie equina;

- Não é recomendado misturar ração ao capim picado. Obedeça um intervalo de, pelo menos, uma hora, entre o consumo do volumoso e o da ração concentrada;

- É mais indicado o fornecimento de feno de qualidade para animais confinados, especialmente os de Tifton e Alfafa;

- Quantidade de feno/cabeça/dia: um fardo de 10 a 12 kg de feno de Tifton é suficiente para alimentar diariamente até dois animais adultos ou três potros, pressupondo que a dieta também inclui ração concentrada e acesso a pasto durante um período do dia ou da noite;

- A ração concentrada deve ser de fabricante idôneo, sendo recomendado dividi-la em duas ou três vezes / dia - manhã, meio-dia, tarde;

- O total de consumo/mês é relativo ao peso. Para cada 100kg de peso, fornecer de 0,5 a 1,0kg de ração concentrada.

- Não fornecer quantidade superior a 2,5 kg de ração concentrada por vez;

- Para potros, entre 1 a 2 anos, a média de consumo varia de 2 a 4 kg/dia, dependendo da raça. Para animais adultos, a média varia de 4 a 6kg/dia;

- Acesso permanente a água limpa e fresca

- Limpeza diária de bebedouros e cochos;

- Livre acesso a mistura mineral balanceada e sal comum.

- Antes, durante e logo após o transporte, não fornecer ração concentrada;

- Obedeça um intervalo de pelo menos uma hora entre o fornecimento de ração concentrada e o início e término dos exercícios físicos intensos;

- Durante o período de exposições, programar o fornecimento da mesma alimentação recebida pelos animais no haras.

CUIDADOS COM OS CASCOS
- Limpar diariamente os cascos, especialmente o sulco e comissuras laterais da ranilha, a fim de prevenir afecções, sendo as mais comuns a podridão da ranilha e as brocas de sola ou de muralha;

- O casqueamento deve ser iniciado a partir dos 2 meses de idade, principalmente quando for identificado algum tipo de desvio de aprumos. Na foto, notar a retidão dos aprumos posteriores do potrinho, em relação aos aprumos da mãe.

- O casqueamento deve ser conduzido em uma periodicidade mensal, podendo ser de tres tipos:

- O casqueamento de manutenção objetiva aparar os excessos de crescimento, mantendo o formato natural e o equilíbrio de sustentação dos cascos

- Para aumentar a eficiencia do casqueamento podem ser utilizados o angulador de cascos e o angulador das espaduas. O mesmo ângulo medido na inclinação das espaduas deve ser verificado na inclinação das quartelas após o casqueamento dos cascos anteriores

- O casqueamento corretivo tem por finalidade corrigir algum tipo de desvio de raio ósseo ou do direcionamento de cascos, sendo o mais frequente o desbalanceamento médio-lateral, que se caracteriza por um crescimento maior de um lado do casco.

- O casqueamento ortopédico tem por finalidade corrigir algum tipo de traumatismo ( ex.: fissura de muralha) ou de afecção ( ex.: doença do osso navicular)

- O ferrageamento, deve ser efetuado em caso exclusivo de necessidade, seja para proteção dos cascos de animais que trabalham em terrenos pedregosos, para correção de desvios muito graves de aprumos, problemas ortopédicos ou para correções de irregularidades na locomoção. O ferrageamento deve ser conduzido a cada 45 dias.

DOMA
- O bridão é uma embocadura para iniciar a doma de sela. 
- Existem três tipos de bridões, de acordo com o grau de severidade: ação branda, moderada ou severa. 
- O charreteamento, também chamado de redeamento, é um método de domar de baixo, com o auxilio de rédeas longas, conduzindo o animal ao passo e na marcha, ou trote. 
- A doma de sela é dividida em doma de baixo e doma de cima. Todo o processo dura, em média, de 60 a 90 dias. Em seguida, o animal é introduzido em um programa de adestramento avançado, passando a ser treinado de acordo com a atividade atlética a ser desempenhada. 
- Cada animal tem treinabilidade própria, muito influenciada pelo grau de inteligência e temperamento de sela. 
- Por temperamento de sela entende-se a disposição, vontade de trabalhar, respostas rápidas e eficientes aos comandos de equitação. 
- Por comandos de equitação entende-se os principais e auxiliares. Os primeiros são as rédeas, assento e pernas. Os segundos são a tala e esporas.

REPRODUÇÃO
- A égua é uma fêmea poliestro estacional. Os cios férteis concentram-se nas estações da primavera e verão

- O cio tem duração média de 7 dias, com a ovulação ocorrendo nas ultimas 48h. Assim, as cobrições devem ser feitas a partir do terceiro ou quarto dia do cio.

- A identificação do cio deve ser feita com um rufião apropriado, com desvio de pênis, solto com a éguada. Poneys e Piquiras não devem ser usados para este trabalho, pois as éguas de médio a grande porte geralmente não gostam destes pequenos

- Não dispondo de um rufião, utilizar qualquer cavalo inteiro, à exceção do próprio reprodutor do haras, a fim de se evitar problemas psicológicos ou até mesmo de acidentes.

- Um reprodutor não deve dar mais do que dois saltos por dia. E mesmo assim, descansando um dia da semana. A alimentação do reprodutor em serviço reprodutivo intenso deve ser reforçada 30 dias antes do inicio da estação de monta e ao longo de toda a estação.

- A prenhez já pode ser diagnosticada através de ultrasonografia a partir de 18 dias após a fecundação

- Mais de 90% dos partos ocorrem no periodo noturno, sendo que apenas 1 a 2% são partos distórcicos. A égua parturiente não deve ser incomodada, permanecendo em local limpo, seco, sem riscos de acidentes.

- As gestações gemelares quase sempre são inviáveis. O resultado será o aborto ou a morte posterior de um ou ambos os produtos.

TREINAMENTO PARA PASSEIOS E CAVALGADAS

Passeio e cavalgadas apresentam basicamente o mesmo significado, o lazer oferecido pelos chamados cavalos de sela. A diferença pode ser que no passeio, a distância do percurso geralmente é curta. Nas cavalgadas, a distância de percurso é maior. Nem por isso, uma cavalgada deixa de ser um passeio, e vice- versa. Este é o segmento que mais cresce no mundo inteiro, o uso do cavalo como trail horse, como pleasure horse.
Preparar um cavalo para tal finalidade não é difícil. Basta treinar em ambientes naturais. Uma regra básica é que o cavalo deve permanecer quieto ao ser montado e desmontado. O treinador não prepara o cavalo pensando em si, mas em qualquer pessoa, incluindo os leigos em equitação. Outra regra básica: se o cavaleiro/amazonas é iniciante, deve conduzir a montaria com comandos diretos de rédeas, no bridão. Portanto, um cavalo de cavalgadas, ao ser terminado seu adestramento avançado no freio, deve ser trabalhado também no bridão, para atender diferentes tipos de usuários.

Algumas aptidões a serem treinadas no cavalo de passeios e cavalgadas:

- Aprender a abrir e fechar corretamente porteiras;
- Permanecer quieto quando amarrado a troncos de arvores, estacas de cerca, etc. ;
- Ser resistente e bem disposto;
- Não relutar em atravessar rios, riachos, córregos, pontes, etc.;
- Ao passo, marcha, ou trote, subir com vigor e descer com equilibrio;
- Saltar valetas, subir e descer barrancos íngremes;
- Andamentos regulares ao longo de trilhas sinuosas;
- Ser regular nos andamentos naturais;
- Ser eficiente em cada variedade de andamento, de acordo com a velocidade.

Portanto, o treinamento consiste em aquecer corretamente o animal e trabalhar fora de redondéis, pistas, estradas. Pelo Método LSA de Adestramento, um cavalo que tenha passado pelo adestramento básico ao longo de 60 dias, com mais 30 dias estará finalizado o seu adestramento avançado como cavalo apto a uma performance correta nos passeios e cavalgadas.

TREINAMENTO PARA CONCURSOS DE MARCHA

Após o cavalo de marcha ter passado pelo adestramento básico, seguindo o Método LSA de Adestramento, o treinamento para concursos de marcha será por demais facilitado. O treinador precisará apenas de corrigir detalhes do estilo, buscar incrementos no rendimento da marcha, estabilizar o diagrama da marcha, e o aspecto mais demorado que é o desenvolver da resistência, para suportar provas de marcha de 40 minutos de duração em um ritmo intenso de marcha.

Os ganhos de resistência devem ser moderados, a cada semana, jamais aumentando simultaneamente a distancia e o tempo de treinamento. O cavalo estará bem condicionado para competir quando suportar bem um treinamento de uma hora de duração, em dias alternados. O melhor método é o treinamento intervalado, alternando seções de exercício de baixa, média e alta intensidade.

Os exercícios de pista devem ser intercalados com exercícios de estrada. A natação é um bom exercício para desenvolver a capacidade respiratória e circulatória, além de proporcionar um rápido fortalecimento muscular, especialmente dos músculos torácicos, das espáduas, braços e ante-braços.

O galope lento é um bom exercício para melhorar o rendimento da marcha, vigor, impulsão, equilíbrio dinâmico. O passo livre é um exercício imprescindível para relaxar o animal, recuperar as taxas respiratórias(15 fluxos/minuto) e cardíacas (30 batidas/ minuto ).

Os exercícios de marcha em figuras de serpentina, de oito, círculos à direita e à esquerda, favorecem o equilíbrio e a coordenação da marcha, desenvolvem a força de impulsão, fortalece e flexiona a musculatura geral – pescoço, tronco e membros, as articulações, tendões e ligamentos. As transições de andamentos contribuem para um melhor posicionamento da cabeça ( força a flexão da nuca ) e o fortalecimento da musculatura que se distribui ao longo da grande região dorso-lombar.

O aquecimento, durante 5 minutos, e o desaquecimento, após o trabalho, são essenciais para manter a integridade do animal. Muitos animais são arruinados na integridade muscular caso estas duas fases não sejam adequadamente conduzidas. O melhor andamento para a fase do aquecimento é o passo médio e a marcha reunida. Como o animal geralmente sai da baia com reservas de energia, pode não encarta o passo médio, apenas de contato de rédeas, permanecendo por um ou dois minutos no passo reunido. Quanto ao desaquecimento o melhor andamento é ao passo livre. Não conseguindo, o passo médio é a segunda alternativa.

TREINAMENTO PARA ATRELAGEM

Não é difícil treinar um cavalo marchador em atrelagem. Obviamente, o primeiro passo é adestrar de sela, consolidando a qualidade global na marcha. Em seguida, o treinamento para atrelagem é iniciado utilizando o selote, ou cilha, do conjunto de charreteamento utilizado no adestramento inicial de sela. Um tronco, não muito pesado, deve ser puxado de cada lado, com a corda presa em cada uma das argolas laterais do selote. O andamento nos primeiros dois, ou três dias, conforme sejam as reações de cada cavalo, deve ser o passo. Em seguida, mas dois dias, em média, na marcha. Na Segunda semana, a arreata completa para atrelagem de charrete deve ser usada, repetindo o treinamento ao passo e marcha durante dois dias. Estando o cavalo calmo, a próxima etapa é prender os varais da charrete, cabresteando o cavalo sem o condutor, ao passo e depois na marcha, durante mais dois dias. Daí, estaremosna terceira semana do treinamento, quando o condutor poderá subir na charrete e charretear. No primeiro dia é recomendado que o auxiliar puxe o cabo do cabresto, para prevenir risco do animal disparar, assustado.

Tendo o cavalo passado pelo Método LSA de Adestramento deverá estar respondendo aos comandos vocais de VIRAR!,ÔÔHA!, FASTA!, o quem em muito facilitará o aprendizado no treinamento de atrelagem.

TREINAMENTO PARA PROVAS FUNCIONAIS

O treinamento para provas funcionais consiste em apresentar o percurso ao cavalo, inicialmente ao passo reunido ou médio, seguindo-se o treinamento ao passo alongado. Quando o cavalo concluir adequadamente o percurso, deve ser solicitada a marcha curta, seguindo-se a média e a alongada. O galope, em velocidades progressivas, somente deve ser solicitado quando o animal estiver executando o percurso corretamente ao passo e marcha. Geralmente, o grau maior de dificuldades será na conclusão correta dos saltos, que em hipismo rural são sobre fardos de feno ou tambores, volteios de 360 graus em balizas e tambores e o recuo. Para o treinamento de provas funcionais é essencial que o cavalo esteja executando adequadamente todos os andamentos naturais, variações de velocidade, transições, esbarro, arrancada e recuo. Este aprendizado deve ser consolidado antes de se apresentar os percursos de provas funcionais ao animal. Primeiro, devem ser ensinados os exercícios mais fáceis no percurso.

Diversos sinais emitidos pelo cavalo podem auxiliar a condução do treinamento no haras, na apresentação e avaliação em julgamento.

Orelhas voltadas para trás: é o sinal mais evidente de raiva, intenção de morder, escoicear, manotear, corcovear;
Orelhas permanentemente móveis: indicativo de cavalos muito ativos, árdegos, briosos, nobres, mas também pode ser temperamento nervoso, associado à má índole;
Orelhas caídas: cansaço, sonolência, doença ou quando recebem sedativos fortes;
Orelhas rígidas: quando recebem estimulantes muito fortes (dopping);
Apenas uma orelha voltada para o lado: apreensão, insegurança, receio
Olhar sem brilho: fadiga, doença;
Olhar fixo, com orelhas armadas: algo desperta a atenção, podendo gerar curiosidade ou medo;
Cauda erguida: sinal de excitação, reserva acumulada de energia;
Cauda agitando ( cabear ): sinal de inquietação, temperamento nervoso, dor;
Cauda estirada ( cambitar ): pode ser fadiga ou má posição natural da cauda
Cauda em arco: excitação, alegria;
Cauda em arco invertido: cavalos árdegos, briosos;
Cauda contraída: medo ou dor
Cauda enrolada, lançada sobre o lombo: alegria ou excitação
Movimentos elevados dos membros: sinal de excitação;
Abrir e fechar a boca e/ou bater lábios: vício ou sinal de rejeição à embocadura;
Oscilação da cabeça: rejeição à embocadura, temperamento nervoso;
Passo retraído: pode ser indicativo de desequilíbrio dinâmico (desvio grave de aprumos) ou de inquietação, excitação;
Sudorese excessiva: fadiga, condicionamento físico inadequado;
Suor de coloração branca leitosa: pode indicar condicionamento inadequado;
Baixar cabeça: fadiga;
Encapotar: flexão excessiva da nuca, baixando a cabeça,
geralmente é indício de rejeição à embocadura ou de um efeito de embocadura severa;
Pendular cabeça: inquietação, temperamento indócil
Elevar a cabeça: rigidez na nuca, rejeição à embocadura ou o próprio efeito elevatório da embocadura.
CONSIDERAÇÃO FINAL – A QUALIDADE DE UM CAVALO ATLETA ESTÁ EM
SEUS CASCOS, APRUMOS, ESTRUTURA, CORAGEM, BRIO,
TREINABILIDADE, DOCILIDADE. Cabe ao treinador a obrigação de
respeitar as individualidades e explorar o máximo do potencial de cada animal. O animal deve ser adestrado para qualquer pessoa montar