20 de ago de 2016

O CULTIVO DA TILÁPIA



O CULTIVO DA TILÁPIA 

A Água 
 Além dos parâmetros de qualidade físico/química, deve-se considerar outros, como por exemplo: ser livre de contaminantes (agrotóxicos, ovos, larvas ou peixes indesejáveis ao cultivo, argila, etc). A origem da água do abastecimento necessita ser externa ao viveiro, para permitir controle do volume e da qualidade. 
A criação segura de tilápias necessitará para cada hectare de viveiro, o mínimo de 15 l/s (litros por segundo) de vazão. A ocorrência de argila em suspensão pode atingir teores que demandem controle, utilizando-se para isto o gesso agrícola. Para determinar a quantidade de gesso, utiliza-se o teste comparativo em garrafas. A água da garrafa que ficar transparente com a menor dose determinará a quantidade de gesso a ser utilizada.

Parâmetros de qualidade da água para tilápia

 INDICADOR IDEAL FREQUÊNCIA 
Temperatura da água 26-28 o . C. Diária 
Oxigênio da água 3 - 6 mg/l Quinzenal* 
Transparência da água 25 35 cm Semanal/diária 
Alcalinidade da água 30 - 40 mEq/l Mensal 
pH da água 7,0 - 8,5 Semanal* 
Amônia até 0,5 mg/l Semanal 

As decisões relativas ao manejo da água e da criação são tomadas tendo em vista um conjunto de fatores. Desta forma. Considerando o viveiro um organismo vivo “, ele é um resultado da interação de vários fatores. Se alterarmos, ou por qualquer razão, houver um desequilíbrio de um deles, todos os demais também serão influenciados. Entender estas correlações é fundamental para o sucesso da criação”. Com o avanço do cultivo, espera-se maior dificuldades em manter a transparência acima de 20 cm, e isto demandará maior atenção da tilapicultor para tomar as medidas apropriadas oportunamente. 

Temperatura 

O viveiro é um sistema biológico e por esta razão está diretamente ligado as variações da temperatura. É a temperatura que determina a intensidade do metabolismo dos organismos vivos no viveiro. A tilápia desenvolve-se bem na temperatura de água entre 26 a 28ºC. Os demais organismos vivos (fito e zooplancton, etc), que estão presentes nos viveiros, são importantes para a tilápia e precisam ser mantidos em condições adequadas ou desejáveis. O desenvolvimento destes organismos é influenciado pela disponibilidade e equilíbrio dos nutrientes e também pela temperatura. Para se buscar o melhor crescimento dos peixes é necessário administrar o conjunto peixe x água, dando a cada um as condições para o desenvolvimento equilibrado. Nos períodos do ano em que as temperaturas são mais altas, a água do viveiro pode atingir níveis superiores aos limites confortáveis (28ºC). Acima de 30ºC observar as reduções da taxa de alimentação, fornecendo alimentos em horários de temperaturas mais amenas e confortáveis. Iniciar o processo de renovação de água. No caso do inverno as reduções da temperatura são normalmente bruscas, mas o metabolismo da tilápia (e dos demais organismos também) mantém a mesma atividade, decrescendo gradativamente. É fundamental o acompanhamento diário para que o fornecimento de alimento seja reduzido na proporção da redução do apetite. A tabela de alimentação é a melhor referência para orientar este processo. Da mesma maneira, as temperaturas no final do inverno também se elevam rapidamente, mas o metabolismo da tilápia ainda não está bem adaptado. Devese esperar um período de pelo menos 30 dias com as temperaturas acima de 22º C, para qualquer procedimento de manejo, especialmente de juvenis.

Oxigênio 

 As fontes de oxigênio num viveiro de criação de tilápia são: o contato com o ar, o fitoplâncton, a renovação de água e também os equipamento aeradores elétricos. A quantidade de oxigênio disponível é que determina a capacidade do viveiro em manter equilibrado (vivo) os peixes e os demais organismos. O oxigênio produzido e acumulado no viveiro durante o dia é consumido durante a noite. Inspeções no viveiro nas primeiras horas de luz permitem identificar problemas de desequilíbrio e tomar decisões oportunas. A partir de 600g (peso/m3 ) de biomassa e dependendo das demais condições do viveiro, deve-se considerar o uso do aerador. Dias nublados (chuvosos) apresentam menor produção de oxigênio (menor taxa de fotossíntese das algas presentes na água). 

Transparência 

É um indicador de nutrientes e de sólidos (argila) em suspensão. Em águas de coloração esverdeada a transparência ideal é de 25-35 cm. Indica a produção primária do viveiro, que é determinante no fornecimento de oxigênio, indica também a penetração da luz solar na coluna de água. A produção primária em quantidade e qualidade é importante para o equilíbrio do sistema e o fornecimento de alimento para a tilápia, especialmente na fase inicial. É indesejável que haja grandes variações nesta medida. Abaixo de 25 cm, indica excesso de matéria orgânica, possibilidade de desequilíbrio e falta de oxigênio pelo excesso de consumo e até mortalidade de tilápia. Neste caso o procedimento é intensificar a renovação de água, reduzir a alimentação e observar o comportamento da criação. 
Acima de 40 cm indica um sistema empobrecido, mas a adição de nutriente via adubos químicos ou dejetos orgânicos necessita de critérios como: temperatura, renovação de água e profundidade do viveiro. 

Alcalinidade 

 Tanto quanto a dureza e o gás carbônico, a alcalinidade é um parâmetro que indiretamente indica o equilíbrio do pH do sistema, além de indicar a disponibilidade de cálcio e magnésio que são essenciais para o desenvolvimento dos organismos aquáticos. Na região Oeste do Paraná as águas apresentam baixos valores para alcalinidade (< 15 mg/l). A calagem é o procedimento para a elevação da alcalinidade e a análise de solo é que determina a quantidade a ser aplicada no solo do fundo do viveiro. Uma regra prática é adicionar 500-600g/m2 de calcário, que de maneira geral eleva a alcalinidade para 35 a 40 mg/l, com pequenas taxas de renovação de água (5%). 

pH 

Temos que ter em mente que o pH, por si só, não nos dá, com clareza, uma indicação da qualidade e do equilíbrio do sistema. O pH varia de acordo com as horas do dia, influenciado pelas reações químicas que naturalmente ocorrem no viveiro. Por isso pode-se dizer que grandes variações (6,0 de manhã e 9,5 à tarde) são um sinal de problemas e desenvolvimento dos peixes abaixo do potencial. A calagem bem feita é um fator de equilíbrio. O pH deve situar-se entre 6,5 e 9,5. 

 Amônia 

Ocorre pelo excesso de matéria orgânica e é um sinal de que se perdeu o momento de agir ou de que houve erro na adubação. Somente é corrigido pela renovação da água do viveiro. A calagem direta na água durante o cultivo, quando há ocorrência de amônia, piora o problema, pois a amônia é ainda mais tóxica em pH elevado (>7,0). Existem outros parâmetros de qualidade de água que podem ser utilizados, entretanto requerem mais conhecimento, pois como já foi observado, há uma estreita correlação entre os fatores que influenciam no comportamento dos organismos presentes nos viveiros e da tilápia. 

Adubação 

Assim como o solo que é corrigido para atingir condições ideais para as culturas, a água de cultivo necessita receber corretivos (adubação, química/orgânica e calcário) para que atinja os parâmetros ideais para o desenvolvimento da tilápia.
A adubação efetiva que mais contribui com a performance do viveiro, é aquela feita no solo e que visa corrigir principalmente o pH. A análise do solo é o referencial para este procedimento. A adubação química e orgânica tem por objetivo suprir de nutrientes o desenvolvimento dos organismos (plâncton) que representam a produção primária. Dentre eles as algas (fitoplâncton) são os mais importantes, por serem produtoras de oxigênio e alimento do zooplâncton. O uso preferencial da adubação orgânica é justificado pelo baixo custo, fácil disponibilidade e pelos bons resultados a campo. A adubação orgânica tem o objetivo de manter a fertilidade inicial até que a tilápia atinja mais ou menos o peso de 100g. As dosagens de reposição depois do enchimento e povoamento devem levar em consideração a biomassa. Após as 100g, o fornecimento de alimento artificial e a dinâmica do sistema se encarregarão de manter a produção primária até ao final do cultivo, o que deve ser monitorado.

Adubação Orgânica do Solo 
esterco Quantidade 
Aves 300 (g/m2 ) 
Suínos 400 (g/m2 ) 
Chorume suínos 10 l/m2 
Bovinos 600 (g/m2 ) 

A Tilápia (Oreochromis niloticus) 

 A espécie de peixe que apresenta o melhor perfil para cultivo em todo mundo é a nilótica, de origem africana. Os primeiros exemplares que iniciaram o cultivo no Oeste do Paraná em 1982 vieram da Costa do Marfim, de uma linhagem chamada Buaque. Atualmente predomina a linhagem Chitralada de origem tailandesa importada em 1996. É utilizada tanto em cultivos puros como em cruzamentos com as primeiras, chamadas de “nativas". Em qualquer dos casos os resultados no Oeste do Paraná, não evidenciam a campo, rendimentos significativamente diferentes. Trata-se de uma espécie onívora que aceita com facilidade vários tipos de alimento, dócil ao manejo em todas as fases de cultivo, boa rusticidade, prolífica e de fácil domínio da reprodução, precoce, com alta qualidade de carne (filé). Estas são basicamente as razões da opção por esta espécie a exemplo do que acontece nos demais continentes.

Manejo da criação 

Reprodução 

 Criadores especializados - os alevinocultores – é que mantém um plantel de reprodutores e fornecem alevinos aos demais criadores: os piscicultores terminadores. Para maior rendimento, somente os machos - porque tem maior crescimento – são cultivados. Para obter esta população, as larvas são 
submetidas ao processo de reversão sexual e após 30 dias estão prontas para iniciar a fase seguinte: o cultivo. Para o sucesso do cultivo não se recomenda o povoamento de viveiros de engorda com peixes de peso inferiores a 25g, chamados de juvenis. 

A produção do juvenil 

O criador pode optar por adquirir os juvenis de outro criador especializado ou produzir o seu próprio juvenil na propriedade. Em ambos os casos, alguns cuidados são fundamentais: procedência/idoneidade da estação produtora de alevinos; garantia do índice mínimo de reversão sexual de 98%; lotes homogêneos (mesma idade e tamanho) e livre de doenças. Os viveiros de produção de juvenis podem ser considerados como uma “quarentena” pois em aproximadamente 40 dias terão tamanho/peso adequado para povoar os viveiros de engorda. Por esta razão a água que sai do berçário não deve ser utilizada por outros viveiros como forma de evitar a disseminação ou contágio. Se ocorrer algum problema sanitário o viveiro e a água devem ser tratados. Estima-se uma perda variável na produção dos juvenis (predadores, oscilações térmicas, doenças, má qualidade da água, etc) em torno de 20%. Para uma área de 1 hectare (10 000 m2 ) seriam necessários aproximadamente 31.000 alevinos, para obter-se 25 000 juvenis para a engorda (2,5 juvenis/m2 ). Considerando-se que, para o bom desenvolvimento dos alevinos no berçário a biomassa de peixe não deve ser superior a 400g, calculamos que uma piscicultura com um hectare de viveiros para engorda necessitará de 1875m2 ou, aproximadamente de 2000m2 de viveiros-berçário distribuídos em número adequado à programação de produção e ao número de viveiros de engorda. 

Recomendações gerais para os viveiros-berçário ƒ 


  • Localização privilegiada para proteção contra predadores e para acesso do tratador; ƒ 
  • Evitar trocas de água, para não perder nutrientes primários importantes no equilíbrio do ambiente. Na maioria dos casos a manutenção do volume já é suficiente. ƒ 
  • A estabilidade dos parâmetros físico/químico e nutricionais é determinante do desenvolvimento do juvenil e repercutirá na fase posterior: a engorda; ƒ 
  • A programação da produção (e da comercialização) somente será possível com o domínio da disponibilidade de juvenis; ƒ 
  • Se a produção de juvenis coincidir com a estação do inverno, a mortalidade poderá ser maior que 20%. Neste caso manter a adubação em níveis adequados, evitar a entrada de água superficial; manter os alevinos em viveiros mais profundos ou manter o berçário com o nível máximo de água e ainda utilizar 1000 mg de vitamina C por quilo de ração. ƒ 
  • Efetuar uma padronização por peso/tamanho ao transferir para o viveiro de engorda. Este momento precisa ser rápido, sem comprimir os peixes visando o mínimo dano (estresse, perda de escamas, amassamento, etc) sem descuidar da temperatura e oxigenação da água; ƒ 
  • Se necessário os juvenis podem passar por um banho profilático de 5 a 10 minutos em solução salina a 2% (2 kg de sal para 100 litros de água); ƒ 
  • A alimentação é dependente da temperatura e é fundamental que, durante o período de berçário os alevinos recebam alimento no mínimo 3 vezes ao dia em quantidade determinada pela tabela de alimentação. Nesta fase o diâmetro das partículas vai de finamente farelada até máximo de 2 mm e o teor de proteína de 40 – 45%.
Manejo da criação Engorda 

 Preparo do viveiro 

Após a despesca fazer a manutenção de barragens, monges e canais. Coletar amostra de solos. Proceder a desinfecção dos viveiros com cal virgem (200g/m2 ). . De 14 a 21 dias antes do enchimento, corrigir com calcário elevando a saturação de bases. Viveiros pobres em matéria orgânica (carbono abaixo de 2%) fertilizar com adubos orgânicos. . Para melhorar a produção primária, encher os viveiros gradativamente, inicialmente até ¾. 

Povoamento 

Efetuar uma análise das condições do viveiro antes da soltura dos juvenis, assegurando-se de que se encontra adequado ao povoamento. - Evitar este procedimento quando a temperatura da água for inferior a 22o C e quando for muito quente (horas mais quentes do dia). Submeter os juvenis (no berçário) a um jejum de 24 horas anteriores ao manejo (padronização e transferência para engorda). Manter o mesmo padrão (tipo, quantidade, freqüência) de alimentação por uma semana. É esperado um “ganho compensatório”, que é um crescimento acelerado (ganho de peso) provocado pela saída de um ambiente de restrição para outro mais favorável, com mais alimento e espaço. Mas não significa que manterá este desenvolvimento ao longo do cultivo, e por esta razão o piscicultor não deve abandonar a tabela de alimentação. Outro momento em que se observa este crescimento compensatório, ocorre na saída do inverno, quando os peixes saem da restrição provocada pelas baixas temperaturas que reduzem o metabolismo. Deve-se estabelecer um procedimento para anotações das informações econômicas: despesas & receitas e indicadores de desenvolvimento da criação: volume diário de ração, uso de outros insumos, além dos demais parâmetros de qualidade de água e das variações climáticas. 

Alimentação 

Como na maioria das atividades pecuária, a alimentação é o que mais pesa no custo de produção. Representa de 68 a 79% do custo total de produção. A conversão alimentar da tilápia nas propriedades acompanhadas da Rede de Referência e no Processo Piscicultura, situou-se em torno de 1,3 (kg de ração/kg de peixe produzido). As tabelas de alimentação (Quadro 4) são confeccionadas, tendo em vista os requerimentos nutricionais totais. No caso de viveiros escavados a produção de alimento natural pode ser considerada, de acordo com o histórico do viveiro e com a recomendação do assistente técnico, levando a uma redução no fornecimento de ração que terá grande impacto nos custos. As trocas de ração podem ocorrer por: mudança no tamanho do pelete, teor de proteína, tipo (extrusada – peletizada) ou fabricante. Nestes casos a recomendação é que a mudança seja gradativa para que o peixe se adapte e não haja perda de ração e de crescimento. No povoamento, os peixes devem receber rações com 32% PB (2,5 -3,0 mm). Após atingir 100 g recomenda-se o fornecimento de rações com 28% PB (4,0 -5,0 mm) até o final do cultivo. A freqüência de alimentação recomendada é de 2 vezes ao dia. 

As condições climáticas interferem sensivelmente na velocidade do crescimento. Mas a obtenção de um lote de tilápia com 450 g num prazo de 150 dias de cultivo em média está condicionada a: Qualquer fator de estresse: mudança na cor da água, manejo nos peixes; predadores; peixes em reprodução etc; podem alterar o comportamento dos peixes, afetando o apetite (ingestão de alimento) e prejudicando o crescimento. Durante o inverno é recomendado o uso de ração extrusada para facilitar o acompanhamento do consumo de ração pelos peixes. 

Biometria 

O recomendável é que as biometrias aconteçam a cada 15 dias e tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento e ajustar a quantidade de alimento. O número de peixes amostrados deve ser de 75 a 100 indivíduos para que a amostra seja representativa. Cabe aqui uma ressalva: os cichlideos, como a tilápia, tem comportamento territorialista que pode “mascarar” a amostragem se capturados os mais agressivos (também maiores), pois por maior cuidado que se tome na homogeneização do lote, no final do cultivo observamos pelo menos três classes: os maiores (+ ou - 15%) os médios (+ ou – 70%) e os menores (+ou - 15%). Esta informação dá uma idéia do que ocorreu dentro do viveiro durante o cultivo. Quanto maior a diferença, maior o prejuízo no momento da comercialização, devido à presença de peixes pequenos no lote. A biometria é um “manejo de peixes” e não deve ser feita com temperaturas de água inferiores a 20o C, que é uma situação típica da estação de inverno, onde os períodos de baixa temperatura são longos. O manejo nestas condições é um fator de estresse que vai expor o peixe a doenças, pois já estão numa condição de baixa resistência. No Quadro 6, são apresentados dados observados em propriedades da Região Oeste do Paraná. A média ponderada destes lotes leva a constatação de que “o que se fala, não é o que se tem” pois, no momento da despesca/comercialização, falta critério para se apurar a média real dos peixes retirados do viveiro. Desta forma fica demonstrada a importância da homogeneização (tamanho e idade) na hora do povoamento para manter o crescimento durante a engorda. O manejo inadequado na engorda pode novamente provocar uma desuniformidade do lote, pondo a perder o trabalho inicial de padronização.

Reprodução da tilápia durante a engorda 

A priori, utilizamos alevinos de boa procedência e com o mínimo de 98% de machos e 2% de fêmeas. Pode ocorrer reprodução indesejada durante a engorda. Esta reprodução pode ser controlada com o uso de peixes piscívoros e outros procedimentos complementares: 1 – o tamanho do predador não pode por em risco o peixe em cultivo. Uma regra prática para definir o tamanho do peixe predador é não ser maior que o peixe que está sendo cultivado. 2 – utilizar ração extrusada de tamanho 5mm, para evitar sobras para os peixes nascidos no viveiro. 

A Despesca 

Este é o momento que se poderia chamar de “hora da verdade”. O manejo dos peixes na despesca é tão importante quanto durante o cultivo, pois se realizado de forma incorreta, poderá causar estresse e comprometer a sobrevivência no transporte. 

Preparo para a despesca 

O ajuste com o transportador quanto ao dia e a hora do carregamento é a primeira providencia para que se determine os demais procedimentos. 
1 - jejum de 24 horas anteriores ao carregamento - períodos maiores podem levar os peixes a procurar alimento no fundo do viveiro, o que fará com que sejam embarcados com conteúdo estomacal/intestinal indesejável ao transporte, acarretando grande mortalidade mesmo com troca de água dos contêineres, além de comprometer a qualidade da carne no caso de filetagem. 
2 – Baixando o nível da água - o tempo necessário para retirar a água do viveiro, precisa ser conhecido para que sejam retirados os peixes sem comprometer a sobrevivência. A demora na retirada dos peixes pode comprometê-los em função da baixa de oxigênio, argila (lodo) em suspensão, elevação da temperatura e presença de gases tóxicos. Uma equipe treinada e materiais adequados são fundamentais para o sucesso da despesca. 
A descarga ou o procedimento que vise retirar o lodo lançando-o nos mananciais é uma prática nociva ao meio ambiente. 
A velocidade de esvaziamento do viveiro deve ser ajustada para evitar o arraste. A limpeza do fundo será necessária quando a camada for superior a 15 cm. A construção correta do viveiro é que permitirá, se necessário, a remoção do lodo, rico em nutrientes, para utilização em outras áreas. 

Comercialização 

Os principais canais de comercialização são frigoríficos e os pesque&pagues. Considerando o mercado, os fatores de oportunidade precisam ser observados para a tomada de decisão sobre o momento de efetuar a venda. A partir de 350g a tilápia entra na fase de melhor rendimento econômico para o produtor, mas o mercado é restrito. O mercado de forma geral (frigoríficos, pesque&pague, exportação) apresenta tendência a exigir peixes com peso mínimo de 500g. 
Peixes maiores são mais atrativos tanto aos pesque&pagues quanto aos frigoríficos: sãos mais procurados pelos pescadores produzem filés mais adequados a exportação e rendem mais na linha de processamento dos frigoríficos, embora não apresentem maior rendimento de filé que os peixes de 350 a 500g. 
A decisão sobre a que mercado atender ou produzir, deve levar em conta a capacidade de investimento do criador, a estrutura da propriedade e a oportunidade de negociar. 
A origem dos peixes e as boas práticas de manejo também são fatores determinantes do rendimento que a criação apresentará no momento da comercialização.












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