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10 de mai. de 2020

Criação de Jacarés


Jacaré é o nome comum dos répteis sul-americanos pertencentes ao gênero Caiman.
O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) vive na Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai, enquanto o jacaré negro ou de focinho estreito (Caiman crocodilus), chega até o México. 
O Jacaré-de-papo-amarelo se adapta bem ao cativeiro e ao semi-cativeiro desde que sejam atendidas suas exigências básicas como temperatura, umidade, higiene e nutrição (DEUTSCH, 1988).
Na criação em cativeiro, os jacarés comem subprodutos de indústrias ou descartes de criadouros de aves, suínos, bovinos, coelhos, peixes, etc. A carne é moída e enriquecida com um pré-mix de vitaminas e sais minerais numa proporção de 3% do peso corporal estimado ou pesado. No caso dos filhotes, o pré-mix entra na proporção de 35% do peso corporal estimado. A freqüência de alimentação depende da idade, por exemplo, os filhotes irão comer durante toda a semana e os adultos comerão de uma a duas vezes por semana, num total de 7% do peso corporal por semana (NETO, 1997).

Figura 14: Jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris).
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Criar comercialmente jacarés pode trazer boa rentabilidade para o proprietário rural. Além disso, essa é uma alternativa de preservar essas espécies da extinção. A carne é bastante procurada pelos apreciadores e proprietários de restaurantes especializados, isso sem falar no valor comercial do couro desses animais (WETTERBERG, 1976).

CONCLUSÃO
Talvez o caminho que dê mais segurança para o país, seja aquele que o leve a alcançar o desenvolvimento industrial compatível com a qualidade ambiental. Isso passa por uma radical mudança dos sistemas de produção tradicionais, trazendo para dentro da empresa a responsabilidade ambiental, reprojetando seus sistemas industriais para alcançar qualidade ambiental e eficiência econômica.
As empresas e propriedades rurais ao assumirem a postura de uma organização responsável socialmente, acabam ganhando melhor imagem institucional, pode-se afirmar então, que o primeiro grande ganho de se investir na comercialização de animais silvestres e nas questões ambientais é a melhora da imagem institucional, para isso é preciso mostrar que o meio ambiente é conhecido pela empresa (seja uma propriedade rural, empresa urbana ou criatório), que os problemas são reconhecidos e existe esforço para solucionálos.
Uma empresa ou propriedade rural (criatório) que é vista como “socialmente responsável”, possui uma vantagem estratégica em relação àquelas que não tem essa
imagem perante o público.
O sucesso da pecuária silvestre depende cada vez mais do conhecimento e da aplicação de princípios estratégicos de conservação e tecnologia. Atualmente ainda é pequeno o mercado oficial ou o comércio de produtos provenientes da fauna silvestre, existindo apenas uma oferta temporária e legal de qualquer produto que uma determinada espécie venha produzir.
Como conclusão, é correto afirmar que essa atividade só tende crescer nos próximos anos, assim como o seu mercado. O interesse de produtores, cada vez mais atraídos por um comércio lucrativo e ecologicamente correto, faz com que as criações de animais silvestres sejam vantajosas em relação aos sistemas tradicionais, além do interesse dos consumidores por carnes mais saudáveis. Nesse caminho, ainda existem muitas respostas e perguntas a serem questionadas, mas acredito que esse trabalho possa contribuir para formar parte dessas respostas e reforçar o surgimento de novos questionamentos.

Jacaré-do-pantanal

Criação de animais Silvestres em cativeiro para fins comerciais ou econômicos,Base Legal - A Portaria 132/88 de 5 de maio de 1988 é uma portaria geral que trata da previstos no Artigo 6º da Lei 5197/67, de 3 de janeiro de 1967, é regulamentada através deportarias publicadas pelo IBAMA.
A recomendação dada às unidades descentralizadas do IBAMA é que o plantel inicial de matrizes e reprodutores deverá ser preferencialmente originário de animais provenientes de outros criadouros registrados ou do produto de apreensões dos órgãos fiscalizadores. Poderá ser autorizada a captura de animais.

jacaré no  ponto de abate
O ponto de abate é determinado pela largura abdominal  total. Ela é de 18 cm , sendo medida próximo da pata dianteira. Se bem tratado, o ponto de abate é atingido com 1 ano de idade, mas para um melhor aproveitamento , costuma-se abate com 2  anos, nesta fase a largura abdominal é de aproximadamente 27 cm, aumentando o valor do animal no mercado.
A carne rende 1,7 quilo por animal mais ou menos, sendo comercializada  em vários restaurantes especializados em carnes silvestres e exóticas.
O couro necessita de uma autorização do Ibama para ser comercializado. Um cuidado todo especial deve ser tomado ao se comercializar o couro,  uma faca de ponta fina deve ser enfiada  na cabeça do animal, posteriormente coloca-se um arame  de aço pela extensão da coluna vertebral que servirá para insensibilizar o animal , fazendo com que o animal paralise os movimentos.
O couro ao redor da cabeça é desprendido, a melhor parte  é a da barriga e da lateral, o couro deve ser cortado pelas costas para que o aproveitamento seja maior. Após isso,  o couro é  desprendido da carne. Furos certamente irão desvalorizar o produto.O couro é então enviado para o freezer até ser curtido.
As patas são cortadas próximas da articulação, são então embalsamadas e usadas como enfeites.Após retirar o couro, retira-se as vísceras, nesta etapa, todo cuidado é pouco para não contaminar a carne.Depois do abate a cabeça é separada e a carne é lada e embalada em sacos plásticos. Aplica-se etiquetas com informações do criadouro contendo: nº de registro do Ibama, validade e origem do produto.

Mercado
A criação de animais silvestres tem um futuro promissor no Brasil, muito disso se deve ao fato de que há  a necessidade de preservar a espécies nativas ameaçadas de extinção; e  o jacaré é uma delas.
A criação de jacaré pode ser lucrativa já que apenas 5% dos animais nascidos na natureza atingem a idade adulta, em cativeiro são 90%.
O couro do animal caçado  tem só 25% de aproveitamento, em cativeiro é de 100%; e alem disso é caça é ilegal.
Isso sem mencionar na carne, um animal (2 anos) produz  1,7 kg de carne e os subprodutos como cabeça e patas que pode servir de enfeite, tendo uma grande demanda.
Além de todos esses fatores existe também outro fator positivo: de estar contribuindo para a preservação das espécies nativas.
Para se efetuar a criação de qualquer animal silvestre é necessária a autorização do Ibama e do governo federal responsável por esta área.

Acasalamento e Postura
Durante a cópula, o macho rodeia a fêmea em círculos cada vez mais estreitos, ambos emitem sons  e mantém seus “narizes” pra fora da água, na seqüência o macho se encurva, passa por baixo da cauda da fêmea para então  unir as cloacas.Este processo é rápido, durando  cerca de 1 minuto apenas.
As fêmeas constroem cada uma o seu ninho, este constituído de  um monte de restos de vegetais, folha e gravetos.Seu tamanho varia de 1 a 2 m de diâmetro e altura de  40 a 60 cm. A postura se inicia no começo de janeiro se estendendo até março.Cerca de 30 ovos são postos anualmente por cada fêmea.
As fêmeas têm o habito de circular em torno do ninho para proteger e ajudar durante  a eclosão.
Um passo indispensável para o sucesso de uma criação de jacarés é o manejo com os ovos. Eles não podem eclodir a campo, com a presença de predadores como aves, cobras e lagartos, a percentagem de eclosão cai para cerca de 10% dos ovos.
Todo cuidado deve ser tomado ao se retirar os ovos dos ninhos, eles não podem ser virados, para se evitar isso é marcado um X com caneta no ovo, que devera ser mantido o mais próximo possível da sua posição inicial.
Durante o transporte aconselha-se depositar um pouco da matéria do ninho para a caixa de transporte, deixando a região mais macia. São então destinados à incubadora artificial.Depois de coletar, identifica-se o ninho  por meio de uma placa contendo informações do tipo: nº do ninho; nº de ovos coletados e ano da coleta.

Incubação artificial
A incubadora pode ser  confeccionada  por meio de uma caixa de compensado naval, o material deve ser impermeável e forrado com placas de isopor
A temperatura deve gira entre 29 e 31 ºC, fora disso índice de eclosão cai muito (50%).Aplica-se a matéria orgânica retirada do ninho junto com os ovos, vermiculita também pode ser utilizada para evitar a perda de calor.
Baixa umidade pode causar muitas mortes, o ideal é estar próxima de 100%, deixando um recipiente com água  dentro da incubadora é um truque fácil para atingir a umidade ideal, pulverizar água sobre os ovos duas vezes ao dia também ajuda bastante.
Se estes itens estiverem adequados, em 65 dias a partir da postura estará ocorrendo a eclosão, cujo índice é de cerca de 90%.
Após a eclosão os filhotes são destinados às baias no barracão de engorda, 30 dias depois eles serão separados por tamanho, com o intuito de diminuir a competição por alimento.

Sistema de Criação
O ranching, na qual  os ovos são coletados na  natureza, com a autorização e acompanhamento do Ibama, sendo eclodidos posteriormente em incubadoras. Parte desses animais são destinados a natureza, os demais são enviados ao barracão de engorda até serem abatidos.
Este sistema só é funcional em regiões onde se torna possível a coleta  dos ovos no seu habitat natural.
O farming, os reprodutores são capturados na natureza, e destinados a um cativeiro para efetuarem a postura e se reproduzirem. Os ovos são incubados artificialmente.







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5 de mai. de 2020

Criação de Cutias


Cutia
A cutia é encontrada em quase todo país, com exceção do extremo sul. Há várias espécies no Brasil: a vermelha (Dasyprocta agouti); a parda (Dasyprocta azarae); e a preta (Dasyprocta fuliginosa) (LANGER, 1978).
A criação pode ser feita ao ar livre, em um terreno de chão batido. Deve-se construir uma mureta de 30 a 40 centímetros de altura, com igual profundidade para impedir que as cutias cavem buracos e fujam. Sobre o muro instala-se um cercado de tela de arame de 1,5 metro de altura. A área do cercado deve ser de 15 metros quadrados, onde podem ser mantidos 1 macho e 3 fêmeas. Os bebedouros e comedouros ficam no chão e podem ser feitos de alvenaria (GIANNONI, 2001).

Figura 13: Cutia (Dasyprocta fuliginosa).

As cutias alimentam-se geralmente de coquinhos, castanha-do-pará, verduras e legumes. Também gostam de milho, cana-de-açúcar e mandioca. Devem ser alimentadas diariamente, de preferência ao entardecer (LANGER, 1978).
A fêmea gera de dois a três filhotes por gestação e o parto se dá em um ninho cavado no chão. As cutias prenhes podem ser mantidas no mesmo cercado com outros animais do grupo, mas filhotes devem ser separados assim que não precisarem mais da mãe para se alimentar (ROCHA, 2001).

Como a de seus pares capivara e paca, a carne de cutia (Dasyprocta agouti) não é mais vista como uma iguaria rara. Após o fim dos anos 1990, período em que as carnes exóticas passaram a frequentar o cardápio de, especialmente, restaurantes finos e churrascarias de grandes centros urbanos, a proteína tornou-se mais conhecida entre os brasileiros.

Além de oferecer um alimento nutritivo para o consumidor, a cutia é, para o criador, mais uma opção de empreendimento de custo baixo e boa rentabilidade. Rústico, esse mamífero não exige manutenção cara para seu manejo. Produtos baratos são os principais componentes da dieta do animal, que também vive bem em acomodações simples, sem necessidade de realizar grandes investimentos e de demandar muita mão de obra.

Como a cutia tem o hábito de comer vegetais, a alimentação da criação pode ser cultivada no próprio local. A oferta de frutas variadas, grãos, como milho, e hortaliças diversas dispensa o uso de ração comercial, item que geralmente pesa na planilha de custos de atividades como criações de animais.

Para instalar um criadouro para cutias, não é preciso uma estrutura sofisticada nem muito espaço. Inclusive, pode-se fazer uso de áreas ociosas existentes no local. Uma opção que reduz o investimento inicial é o aproveitamento de ambiente que já serviu para lidar com outras criações, como pocilgas ou aviários.

Ao lado do baixo custo que representa para o pequeno investidor, a criação oferece bons rendimentos, tanto com a venda da carne branca e saborosa para o mercado quanto de exemplares vivos para outros criadores. O sistema de engorda de cutias e de desenvolvimento de matrizes são duas atividades que podem ser praticadas ao mesmo tempo, potencializando o lucro do produtor.

De fácil adaptação à rotina de um confinamento, a criação de cutia ainda contribui para a preservação da própria espécie. Na natureza, onde exerce importante papel ecológico, dispersando sementes, o animal fica à mercê da prática de caça ilegal e da redução de seu hábitat, devido ao desmatamento e ao crescimento urbano sobre matas e florestas pelo território nacional.

A cutia tem hábito diurno e vive em áreas do Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, sobretudo em regiões do sudeste, nordeste e norte do país. De médio porte, mede de 40 a 60 centímetros de comprimento, de 15 a 20 centímetros de altura e pesa cerca de 2 a 4 quilos. Como é um animal silvestre, a cutia, para ser criada em cativeiro, mesmo que o produtor não pretenda tornar a atividade uma prática comercial, precisa ter autorização do órgão estadual que controla a gestão da fauna local.

Criação mínima: 1 macho e 3 fêmeas
Custo: o preço de cada cutia é de cerca de R$ 800 e das instalações de 3 baias R$ 3 mil
Retorno: 28 meses
Reprodução: de 2 a 4 filhotes por ano


Início Recomenda-se a participação de um profissional especializado para a elaboração e execução do projeto, o qual precisa contar com documentação protocolada no órgão gestor da fauna do Estado. Com as instalações prontas e vistoriadas, forme o plantel inicial por meio da aquisição de exemplares de criadores idôneos.

Ambiente Como é um animal rústico, nativo de bosques e matas, a cutia resiste tanto a temperaturas mais frias quanto mais quentes. Os lugares mais calmos, que assegurem a tranquilidade da criação, são os mais indicados para a atividade. É importante também que seja sombreado.

Instalações Para comportar até cinco fêmeas e um macho, são necessárias três baias, ou boxes, com 3 x 4 metros de área cada e cobertura total ou parcial. Cerque-as com tela tipo alambrado, do teto até a base, feita de muretas de alvenaria de 40 centímetros. O piso deve ser cimentado, para facilitar a limpeza e impedir que as cutias fujam escavando o chão de terra. Disponibilize um tanque de pequenas dimensões – 1 metro quadrado e 25 centímetros de profundidade – para as cutias se banharem e beberem água.

CAIXA-NINHO Em cada baia instale a toca, que pode ser feita de madeira ou alvenaria. As medidas da caixa-ninho são de 1,10 metro de comprimento por 70 centímetros de largura. A fêmea gosta de forrar o ninho com palha seca, material que ajuda a manter a caixa sem umidade.

Cuidados As doenças mais comuns entre as cutias são verminose e pneumonia. Ambas podem ser evitadas preventivamente, seguindo um programa de aplicação de doses de vermífugos na criação e evitando o excesso de umidade nas baias.

Alimentação Por ser um animal herbívoro, a cutia alimenta-se apenas de hortaliças, como abóbora, tubérculos, como mandioca, grãos (milho e soja), cana-de-açúcar, sementes, coquinhos de palmeiras, castanhas e frutas, como banana, maçã, laranja, mamão, acerola e abacaxi. Como complemento opcional da dieta, pode ser oferecida a mesma ração que é dada aos coelhos. Roedora, a cutia gosta de roer troncos de goiabeira.

Reprodução Pode acontecer, a partir dos 10 meses de idade, período em que o mamífero atinge a maturidade sexual. Após 104 dias de gestação, nascem, em média, duas crias em cada um dos dois partos que podem ocorrer em qualquer época do ano. Aos três meses de idade, o filhote é desmamado e transferido para outra baia, iniciando a recria. Aos 12 meses, pesando de 3 a 4 quilos aproximadamente, o animal está pronto para o abate. Se for vender como matriz, após seis meses, a cutia já pode ser comercializada para outros criadores.





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19 de abr. de 2020

Criação de Pacas (Agouti paca)



Paca (Agouti paca)

A paca é o segundo maior roedor encontrado no país, perdendo apenas para a capivara. Seu comprimento varia de 32 a 60 centímetros, da cabeça à base da cauda e pesa em média 10 quilos (MARTHA, 1996).
Em cativeiro a paca convive bem com outros animais. Num grupo de pacas estudados por Piccinini (1971), composto por 3 fêmeas e 3 machos em cativeiro, foram observados:

- há demarcação territorial, feita com urina, principalmente ao redor dos comedouros;

- a eliminação das fezes ocorre num único local e bem afastado do bebedouro e do comedouro;

- a paca deve ser alimentada ao entardecer. Ao manejar o animal, o tratador deverá usar bota de cano longo (prevenindo-se contra mordidas), luvas e redes próprias. 
O animal deverá ser apanhado em horários de poucas atividades, evitando-se o estresse.
Os recintos devem ser situados em locais com sombra e plano. Para um grupo de 3 pacas (1 macho e 2 fêmeas), a área deve medir 20 metros quadrados e deve ser cercada com tela tipo alambrado medindo 1,5 metros de altura, com baldrame de 60 centímetros de profundidade para evitar as fugas. Deverá haver um abrigo para cada animal, sendo os mesmos de troncos ocos, tubos de concreto ou tocas de alvenaria.

Figura 12: Paca (Agouti paca).

Os comedouros deverão estar em locais devidamente protegidos por coberturas de sapé, folha de coqueiro, cimento, amianto etc. Para a correta alimentação das pacas, devese considerar os seguintes fatores:
- hábito do animal: noturno e crepuscular;
- ração semelhante à da cutia, fornecida apenas à tarde, em quantidade quatro vezes maior;
- apresentação do alimento: em pedaços, com casca, cru;
- higiene do comedouro, com a remoção dos restos alimentares, evitando-se processos fermentativos;
- os comedouros, de cantos arredondados e superfícies lisas, devem estar instalados em locais iluminados, ventilados e secos.

Antes de colocar água para os animais, que deve estar sempre limpa, potável e fresca, observe com atenção seus hábitos, pois há espécies que costumam banhar-se regularmente, necessitando de bebedouros em forma de tanque. Os bebedouros deverão ter dimensões adequadas de acordo com as espécies, o número de animais no recinto e o respectivo consumo. É recomendável que os bebedouros tenham cantos arredondados, superfície lisa e bordas rampadas, com inclinação média de 60º graus, da borda para o centro, facilitando a entrada e a saída dos animais, bem como a proteção aos filhotes.

Como criar paca

Mais profissionalizada, a atividade se espalha,visando à conservação do plantel nacional e ao lucrativo comércio de matrizes e carne

Se, de um lado, as carnes exóticas já não são novidade como eram há pouco mais de uma década, de outro, a maior presença delas nos canais de venda mostra como a proteína animal vem sendo bem aceita pelos brasileiros. Um bom exemplo do avanço do produto no mercado nacional é a multiplicação de criatórios de paca (Agouti paca) pelo país, com vistas a atender à demanda de um comércio lucrativo.

Produtor da região do Cerrado, especializado em manejo de animais silvestres e exóticos, Fábio Morais Hosken informa que existem de norte a sul do Brasil dezenas de restaurantes e churrascarias que possuem carne de paca em seus cardápios. O produto também pode ser encontrado em redes de supermercados, butiques e lojas de carnes instaladas em grandes centros urbanos.

O aumento da participação do alimento nos pratos dos consumidores é um reflexo da profissionalização dos criadores alcançada nos últimos anos. Leve, macia e saborosa, rica em proteínas, cálcio e fósforo, a carne de paca provém de animais tratados em estabelecimentos fiscalizados pelos Estados. Antes de responsabilidade do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a autorização e fiscalização exigidas para a criação comercial de qualquer animal silvestre passaram a ser de competência exclusiva dos Oemas (Órgãos Estaduais de Meio Ambiente) desde a publicação da Lei Complementar (LC) 140/2011.

A venda de matrizes para reprodução é outra atividade que pode trazer rendimentos para quem tem planos de iniciar uma criação. Ao mesmo tempo, o trabalho tem um caráter conservacionista e contribui para a recuperação do plantel de pacas no território nacional, que foi reduzido devido à caça predatória e à diminuição do hábitat natural promovida pelo desmatamento ao longo dos anos.

De baixo custo e necessidade de pouco espaço, o manejo de pacas tem como desafios a adaptação dos animais à vida no cativeiro e a formação de famílias, pois elas são consideradas territorialistas e fáceis de se estressar. Contudo, se cuidadas com dedicação e com o aproveitamento de dicas de profissionais experientes, apresentam bom comportamento.

Pacas nascidas em cativeiro, no entanto, tendem a ser mansas e não apresentam problemas de agressividade. De hábitos noturnos, o roedor tem pelos curtos e de cores que variam do castanho-pardo ao castanho-avermelhado. Com 32 a 70 centímetros de comprimento na idade adulta, pode viver até os 12 anos.




CRIAÇÃO MÍNIMA: um macho e quatro fêmeas
CUSTO: R$ 1.000 é o preço médio de cada exemplar
RETORNO: 30 meses
REPRODUÇÃO: dois partos por ano com uma cria cada


INÍCIO> Obtenha informações sobre as exigências que devem ser cumpridas para começar a atividade e a autorização do projeto de criação junto a um Oema. Somente após contar com as instalações, adquira os animais de criatórios com referências e devidamente registrados. Também é indicado ao criador iniciante contar com o acompanhamento de uma assessoria profissionalizada, como um zootecnista, que pode orientar a respeito das melhores técnicas para lidar com as pacas.

AMBIENTE As pacas vivem bem em locais com diferentes condições climáticas, por isso podem ser criadas em qualquer região do país. Como gostam de se molhar, é importante instalar um tanque ou piscina de, pelo menos, 1 x 1 metro de área, com profundidade de 25 centímetros. Para dar mais conforto aos animais, providencie uma caixa-ninho de 1,1 metro de comprimento e 70 centímetros de largura.

ESTRUTURA  O intensivo, considerado o melhor sistema de criação, utiliza um galpão dividido em baias de 3 x 4 metros até 5 x 5 metros, com piso de concreto, mureta de alvenaria de 50 centímetros e tela até o telhado. Um espaço ocioso, ou até mesmo um chiqueiro desativado na propriedade, pode ser adaptado para o confinamento dos animais, reduzindo os custos da implantação. Há como opção o sistema semi-intensivo, realizado em piquetes na mata com 100 metros quadrados cada, cercados de mourões de madeira, tela e arame farpado. Abaixo da cerca, faça um baldrame com 50 centímetros de profundidade a fim de evitar que as pacas fujam cavando buracos.

CUIDADOS  Antes de começar a lidar com a criação, é recomendado ao produtor tomar vacina antitetânica. O uso de botas é mais uma precaução necessária para realizar o manejo dos animais. Para evitar que a adaptação seja agressiva para as pacas, comece com dois exemplares e aos poucos vá introduzindo os demais integrantes. Entre as doenças comuns do roedor, estão estresse, vermes e eventuais problemas dentais. Contar com a visita de um médico-veterinário de dois em dois meses contribui para manter a saúde das pacas.

ALIMENTAÇÃO Pode ser produzida no próprio local, pois as pacas se alimentam de vegetais, grãos, raízes, coquinhos, legumes e frutas em geral. Opte pelos plantios que se dão bem com o clima, solo e ambiente da região. Como complemento, ofereça aos animais ração destinada para coelhos ou apenas milho em grão.

REPRODUÇÃO  São dois partos realizados por ano, gerando uma cria cada. Enquanto as fêmeas estão prontas para ser mães a partir dos oito meses de vida, os machos iniciam o período de reprodução entre nove e dez meses. De março a setembro é a principal época de procriação do mamífero, com 31 dias de ciclo produtivo. O infanticídio é um ato comum entre as pacas, por isso recomenda-se isolar as fêmeas antes do parto, até que os filhotes ganhem mais peso e força. Se nascerem junto do grupo, podem ser atacados pelos demais nas primeiras semanas.






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8 de abr. de 2020

Criação de Emas



Ema (Rhea americana)
A ema é a maior ave do continente Americano. Chega a 1 metro e 30 centímetros de altura e pode pesar de 26 a 36 quilos (GIANNONI, 1996).
Segundo Giannoni (1996), a carne é um pouco mais fibrosa que a de outras aves, como a galinha, mas tem bom sabor. Os ovos são riquíssimos em proteína e bastante grandes, podendo pesar de 400 a 700 gramas, cerca de 15 vezes maior que o da galinha. 
pele, depois de curtida, dá excepcional matéria-prima para bolsas, sapatos, cintos e casacos. 
É tão resistente quanto os couros tradicionais, mas por ter granulação fina é mais suave e macia. As penas servem para espanadores e outros artefatos, inclusive adornos de roupas femininas e fantasias. Cada ema tem 110 a 120 penas por asa e as maiores chegam a 60 centímetros.


Figura 11: Ema (Rhea americana).

A ema é onívora, isso é, come de tudo: de vegetais a animais pequenos como preás, lagartos, ratos e insetos. Tem preferência por gramíneas e leguminosas rasteiras e com os cactos ela mata, ao mesmo tempo, a fome e a sede. Quando criada em cativeiro, pode ser alimentada com ração de perus, forragens verdes e leguminosas. No primeiro ano de vida exige alimentos ricos em cálcio e fósforo para fortalecer os ossos. Por ter crescimento muito rápido e alcançar bom peso, suas pernas tendem a entortar. Não convém deixar nas proximidades objetos metálicos coloridos ou brilhantes, porque a ema engole tudo que lhe chame muito a atenção, já que quase não tem paladar (OLIVEIRA, 2008).

Não há país no planeta com mais emas (Rhea americana) nativas do que o Brasil. A maior ave silvestre existente em território nacional – e a maior das Américas – tem aqui o plantel mais volumoso do mundo, um contingente populacional que permite aproveitar todo o potencial lucrativo do comércio do animal quando criado em cativeiro.

Da ema podem-se obter ovos nutritivos e carne vermelha com muito ferro e pouco colesterol para alimentação. O couro é destinado à fabricação de vestuário e acessórios de moda, como bolsas e cintos, enquanto as penas servem tanto para espanadores, sobretudo para limpeza de componentes na indústria eletrônica e automobilística, devido à sua propriedade antiestática, quanto para uso em adornos de fantasias, em especial em época de Carnaval.
O fornecimento de matrizes para novos criadores é ainda outro canal de vendas rentável, assim como de exemplares para ornamentação de propriedades e turismo rural. De pernas e pescoço delgados, a ema apresenta-se elegante ao movimentar a plumagem abundante que cobre o seu corpo.

Com muitas opções para escolher, o criador de emas tem possibilidade de direcionar a atividade à produção de mercadorias que mais atendem ao comércio local. Também pode, se lhe convier, responder a demandas de regiões mais distantes, inclusive terras internacionais, onde os preços dos produtos são ainda mais valorizados. A versatilidade da criação ainda tem a vantagem de utilizar um manejo igualmente de custo baixo, seja para qual for a finalidade.

Ave de hábito diurno, crescimento rápido e fácil adaptação a diferentes tipos de ambientes, a ema se dá bem em espaços pequenos, podendo ser acomodados até 15 animais em áreas de pastagens destinadas apenas para uma vaca (1 hectare). Para evitar as fugas, uma vez que a ema é uma ave ratita (incapaz de voar), o indicado para o criador é fazer piquetes delimitados por cerca telada.

Além de rústica e adoecer pouco, a ema é onívora (come alimentos de origem vegetal e animal), facilitando a escolha do criador por refeições nutritivas mais baratas para a ave. Pode ser proveniente até mesmo de plantações de grãos, hortaliças e frutas existentes na propriedade. Pequenos roedores e insetos também são opções de cardápio a ser oferecidas.

Originárias da América Latina, por aqui as emas mais compactas, porém robustas e com bom rendimento de carne, se concentram no Rio Grande do Sul. De outro lado, as mais altas estão mais presentes na Região Centro-Oeste. Com 1,8 metro de altura, em média, o macho da espécie pesa próximo de 45 quilos, enquanto a fêmea pesa 40 quilos.

Mãos à obra

INÍCIO 
Por se tratar de uma ave silvestre, a ema só pode ser criada em cativeiro se autorizada pelos órgãos responsáveis pela gestão da fauna nos Estados. Após a elaboração de um projeto, realizado por um profissional especializado, e reunir documentação exigida, tudo deve ser protocolado na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) mais próxima, para obter a permissão de criadouro comercial para o exercício da atividade. Comece a criação com animais adultos, para não se preocupar, inicialmente, com estrutura que atenda às etapas de incubação e berçário. São necessários equipamentos para o manejo de filhotes, fase de vida em que a ave se apresenta mais suscetível a contrair doenças.

AMBIENTE 
De preferência, a área de criação na propriedade deve ser plana e contar com solo bem drenado. Emas são criadas a pasto ou em piquetes com disponibilidade de gramíneas e leguminosas para as aves se alimentarem à vontade.

ESTRUTURA
Cerque o local de criação com mourões espaçados de 2 em 2 metros e fixe tela tipo alambrado com fio 14 e malha de 5 a 7 centímetros a uma altura de 1,6 metro. Divida o local com uma área específica para reprodução e, no caso de o criador decidir pela realização da incubação artificial, outras duas para berçário e incubatório. Construa um brete de manejo em cada piquete, com cobertura de telhas de barro e chão cimentado para a acomodação de bebedouro e comedouro.

ALIMENTAÇÃO
 A dieta deve ser balanceada, com uso de ração comercial para avestruzes. Forneça, diariamente, 1 quilo por animal. Como complemento, sirva pequenos animais invertebrados (insetos, minhocas), pequenos roedores, pastagens, capim picado, milho, mandioca, abóbora, folhosas, farelo de soja, frutas e outras culturas que podem ser produzidas na propriedade. A combinação ajuda na economia da criação. Sempre ofereça água limpa e de boa qualidade.

CUIDADOS 
Recomenda-se a aplicação de vermífugos na ave quatro vezes por ano. Cada uma deve ser ministrada com intervalo de três meses.

REPRODUÇÃO 
Com dois anos de vida, a ema chega à maturidade sexual e pode iniciar o período de reprodução. As fêmeas colocam de 20 a 30 ovos por ciclo, mas nem todos vingam. Os machos, por sua vez, dedicam-se à feitura do ninho e a todos os cuidados com os filhotes, liberando as mães para uma nova postura. Na incubação natural, quando o pai choca os ovos e se responsabiliza pela prole no piquete, o investimento inicial é reduzido, ao contrário da artificial, que exige instalação de incubatório e creche para cria e recria da produção. Com 12 a 14 meses, a ema atinge a idade de abate, com 40 quilos, em média.

Criação mínima: 1 macho e 2 fêmeas
Custo: cerca de R$ 10.800
Retorno: a partir de 2 anos, após iniciar o período de reprodução
Reprodução: inicia-se com 24 meses





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3 de abr. de 2020

Criação da Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa)



Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) 

A Tartaruga-da-Amazônia é uma das maiores espécies de quelônios dulcícolas do mundo. A fêmea pode alcançar o comprimento de 90 centímetros e um peso de 50 quilos. O macho é menor, alcançando um comprimento de 50 centímetros. A espécie é 
amplamente distribuída por toda a bacia amazônica, inclusive nas bacias dos rios Araguaia e Tocantins (CENAQUA, 1994). 
Em termos de criação de animais silvestres, a criação da tartaruga-da-amazônia tem se mostrado como uma das mais promissoras, não só pelo aspecto econômico, mas também pela relevância que esses animais assumem na cultura amazônica, como pode ser demonstrado por Wetterberg (1976), que através de uma pesquisa realizada nos restaurantes de Manaus sobre a fauna amazônica preferida como alimento, afirma que a tartaruga foi considerada a espécie mais procurada. 
A caça predatória da tartaruga é mais que uma maneira de obter a carne, é um modo de vida e faz parte da cultura local (ALHO, 1985). Para reduzir a apanha ilegal é necessário conhecimento sobre a ecologia das espécies, a fim de se estabelecer estratégias de conservação e manejo. Para a proteção da tartaruga-da-amazônia, o IBAMA passou a coordenar o Projeto Quelônios da Amazônia – PQA – que foi criado em 1979. A partir de 1990 houve a necessidade de uma melhor estruturação dos projetos de conservação e manejo da fauna silvestre no Brasil, então alguns desses projetos foram substituídos pelos Centros Técnicos Especializados, entre eles o Centro Nacional dos Quelônios da Amazônia 
Hoje já existem 109 criatórios comerciais registrados no IBAMA em todos os estados da região Norte. O estado com maior número de criatórios é o Amazonas com 52 estabelecimentos e o maior está no Pará, que conta com 60 mil animais e nos próximos três anos pretende implantar mais 40 mil. O IBAMA reserva 10% dos quelônios que nascem naturalmente para os criadores que apresentam projetos e eles ficam também obrigados a manter, no mínimo, 10% de seu plantel para reprodução. 
Os animais chegam ao criatório com 20 gramas de peso e o abate é autorizado quando a tartaruga atinge o tamanho de 30 centímetros de casco, o que sinaliza que o peso está entre 1,5 e 3,5 quilos (GASPAR, 2001). 
O CENAQUA tem sistematizado a criação em três fases: inicial ou berçário, crescimento e reprodução. A fase de berçário inicia-se após o recebimento dos animais e pode se estender de seis meses a um ano, em função do desenvolvimento dos filhotes. A fase de crescimento é uma etapa mais extensiva, utilizando-se corpos d’água já existentes na propriedade, como represas, braços de lagos represados, tanques etc. Compreende o período que vai da transferência do berçário para um recinto maior até a comercialização dos lotes. Para essa fase recomenda-se uma densidade populacional de 4.500 animais por hectare de superfície de água, ou seja, aproximadamente 1 animal a cada 2 metros quadrados. 

Figura 10: Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa). 
Fonte: JOURNAL OF ETHNOBIOLOGY AND ETHNOMEDICINE, 2009. 

Para a fase de reprodução, o criador deverá reservar um lote de, no mínimo, 10% de plantel dentro de uma proporção de 1 macho para 3 fêmeas. Há necessidade de construção de “praias” na margem do recinto, que deverá ser feita mediante uma escavação de aproximadamente ½ metro abaixo do nível d’água, com posterior adição de areia até atingir uma altura de 1,5 metro do nível da água. 
Objetivando criar os mecanismos específicos que venham possibilitar a colocação desse produto no mercado, o CENAQUA tem buscado parcerias com empresas privadas e universidades para o desenvolvimento de tecnologias de abate e controle sanitário, além da identificação dos melhores mercados. 






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21 de mar. de 2020

Criação de Cateto e Queixada


O cateto e o queixada são pertencentes à mesma família: os tayassuídeos. São muito semelhantes, contudo, o cateto tem um porte menor, com cerca de 25 quilos, 40 centímetros de altura e 95 centímetros de comprimento, além de possuir um colar de pêlos brancos em volta do pescoço. O queixada tem um porte maior, cerca de 35 quilos, 55 centímetros de altura e 1,10 metro de comprimento e ainda possuí uma vasta coleção de pêlos brancos na mandíbula e no focinho (ROCHA, 1998). 
O peso dos animais pode variar muito de acordo com o local em que o animal vive, tendo influência a quantidade de alimento por ele obtido (MORAES, 1992). 
Os tayassuídeos vivem em uma grande variedade de habitats, incluindo regiões de clima árido e florestas tropicais úmidas (DEUTSCH, 1988). Ainda existem controvérsias entre os autores sobre o hábito alimentar dos tayassuídeos, alguns os classificam como onívoros, outros acham a classificação inadequada devido a pouca proporção de material de origem animal encontrado em seu trato digestivo. Devido à sua ampla distribuição geográfica, os tayassuídeos tem uma longa lista de alimentos consumidos. Uma análise dos conteúdos estomacais de 17 catetos que viviam em floresta tropical úmida, no Peru, mostrou que partes reprodutivas de plantas, fragmentos de sementes e frutos representaram 71% do conteúdo estomacal, enquanto as partes vegetativas, pedaços de folhas e colmos constituíram 29%. Havia ainda, traços de alimentos de origem animal, especialmente partes do corpo de insetos. Concluiu-se que o cateto é onívoro, mas que em floresta tropical úmida ele é, predominantemente, frutívoro (MORAES, 1992). 
Cada grupo utiliza uma área de mais ou menos oito quilômetros, sendo a parte central de uso exclusivo do bando e a parte periférica compartilhada com outros grupos. Possui uma glândula dorsal que é utilizada para marcação do território através da sua esfregação em árvores e outros objetos e também para identificação dos membros do grupo (NOGUEIRA FILHO, 1999). 
Em criações intensivas ou semi-intensivas é indispensável a utilização de cercas. Deve existir uma área coberta, que possa ser isolada formando um cambeamento, para um manejo melhor dos animais. A densidade recomendada é de 1 animal por 10 metros quadrados, mantendo a relação de 1 macho para 4 fêmeas. Atualmente, a criação de tayassuídeos tem tendenciado para um sistema extensivo, onde os custos de implantação e manutenção são mais reduzidos. Esse sistema exige grandes extensões de mata, subprodutos acessíveis e pouca pressão de caça e predação natural (MORAES, 1992). 

Figura 8: Cateto ( Tayassu tajacu ) 

Mesmo considerando o fato da carne de cateto e queixada alcançarem preço maiores no mercado, quando comparada com carne de capivara e de jacaré, ainda sim a atividade encontra concorrência com a carne de javali (ROCHA, 1998). 
Ao nascer, o cateto pesa cerca de 500 a 600 gramas, podendo ganhar 300 gramas por semana. No caso do criadouro, a idade de abate é de 1 ano, com peso médio de 22 quilos. Para alimentação, fornece-se ração suína, frutas, raízes e tubérculos (PRADA, 

Figura 9: Queixada ( Tayassu pecari ) 









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20 de fev. de 2020

Criação de Capivara



A capivara é o maior roedor do mundo, alcançando em média, 1 metro de comprimento por 65 centímetros de altura e pesando de 50 a 65 quilos. É encontrada sempre habitando as margens dos rios, brejos e lagoas, preferindo proximidade de matas e cerrados (SANTOS, 1956). 
Figura 6: Ilustração de Capivara (Hidrochoerus hidrochoeris). 
Como não possui glândulas sudoríparas bem desenvolvidas e as presentes encontram-se muito esparsas, necessita de água ou de abrigo sombrio para a regulação da temperatura corporal, além da cópula, que geralmente também ocorre dentro d’água. (ALHO, 1986). Como a maior exigência é de água, usada em banhos constantes, é preciso que antes de começar a criação sejam construídos tanques ou aguadas. 
A capivara é um herbívoro por excelência, que se alimenta de capins em geral, embora aceite raízes, milho, mandioca, cana-de-açúcar, bananas verdes, talos de bananeira, entre outros. Elas utilizam melhor a forragem e os concentrados de coelhos e ovinos, pois possuem grande capacidade digestiva. O estômago digere 10% dos alimentos, o intestino delgado 3%, o ceco 74% e o intestino grosso 13% (ROCHA, 1997). Quando criadas somente com capim-elefante (Pennisetum purpureum) apresentam ganho de peso de 38 a 41 gramas por dia, enquanto animais alimentados com pasto mais ração concentrada, apresentam ganho de peso de 89 a 127 gramas por dia (NEGRET, 1994). 
As capivaras constituem interesse tradicional de caça no Brasil. Na Amazônia, onde habitam as várzeas e os vales de rios e igarapés, são caçadas pelo homem ribeirinho acostumado a comer basicamente peixe, quando sua carne representa uma preciosidade. No Nordeste e nos vales de rios do Brasil central, as capivaras são raras, bem como no sul, onde os gaúchos apreciam sua carne. No Pantanal são encontradas capivaras em boas condições ecológicas em seus habitats naturais (DEUSTCH, 1988). 
Atualmente existem criadouros em sistema intensivo, semi-intensivo e extensivo (ROCHA, 1997). No sistema intensivo os animais são mantidos em áreas delimitadas por cerca, onde grande parte da alimentação é fornecida no cocho. No sistema semi-intensivo os animais são mantidos em áreas cercadas relativamente grandes e parte da alimentação é fornecida através de pastagens e outra é fornecida no cocho, principalmente nas épocas de escassez de pastagens. No sistema extensivo não há cercas em torno da área de criação, os animais são condicionados na área de criação através de cevas alimentares. Fatores de resistência do meio, tais como competição, predação e restrição alimentar são parcialmente controlados. Dessa forma há um ótimo nível de produção de animais. 
A quantidade de animais do criatório é relativa a diversos fatores de infra-estrutura, manejo e alimentação. 1 hectare (10.000 metros quadrados) cercado, pode abrigar cerca de 3 reprodutores, 12 matrizes e uma prole para terminação (entre filhotes e animais jovens) de cerca de 30 animais, ou seja, 45 animais ao todo (ROCHA, 1997). 

Figura 7: Capivaras (Hidrochoerus hidrochoeris). 



Esses índices propostos por Neto (1997) são de um criatório completamente estabilizado, isso é, onde os animais já estão aclimatados e condicionados ao manejo e principalmente onde os grupos familiares estão formados e estáveis. Em criadouros recém instalados, os índices zootécnicos ainda não estão dentro dos níveis ótimos obtidos em criadouros com pelo menos três anos. Isso é devido à delimitação do espaço por cercas e a pressão entre as famílias, contudo, depois dos primeiros anos os animais mais problemáticos são extraídos, as famílias se estabilizam e a produtividade aumenta. 






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2 de fev. de 2020

Mercado para Animais Silvestres



A produção e comercialização de animais silvestres é um sistema bastante complexo e quem investe, ou quer investir na atividade, precisa estar atento à tecnologia, mas não pode, de maneira nenhuma, esquecer a questão mercadológica (KINLAW, 1996). 
A pecuária alternativa ou silvestre, como também é chamada e inserida no contexto de econegócio, deve ser tornar regra nos próximos anos. As empresas e propriedades que atualmente estão investindo nesses seguimentos, carregam o ônus do pioneirismo pois estão abrindo o mercado (ROCHA, 2001). 
Nos últimos anos, inúmeros interessados na criação de animais silvestres foram desestimulados pela burocracia da legislação vigente, remetendo uma enorme necessidade de adaptação do mercado interno e de políticas governamentais que favoreçam as atividades ambientais desenvolvidas no país, pois será desvantajoso para o Brasil, manter uma legislação mais restrita para o uso da fauna silvestre do que a de nossos vizinhos perante o MERCOSUL. Será frustrante para o empresário nacional ver os consumidores brasileiros comprarem carne de jacaré, por exemplo, manufaturados na Argentina, legalizados na Paraguai e extraídos dos brejos do Pantanal brasileiro (ROCHA, 2001). 
A competitividade constitui, nesse século, a maior preocupação em todos os setores e atividades. Diante dessa realidade, os setores do agronegócio são pressionados a promover mudanças estratégicas em ritmo cada vez mais acelerado. O setor de produtos silvestres enfrenta mudanças turbulentas diante de um processo de reestruturação semelhante ao vivido em décadas passadas em países como Argentina, Venezuela, Bolívia e Paraguai. Entretanto, pode-se tomá-los como exemplos, fazendo uma análise da realidade do país, porém, não se pode ter um raciocínio simplista e acreditar que as soluções que foram aplicadas em outros países poderão ser adequadas para o Brasil. A produção interna do país não é suficiente para abastecer o mercado devido ao número de criadores legalizados ou à quantidade de matrizes e reprodutores. Com a abertura das importações e exportações pelo MERCOSUL, o setor passou a encarar, de uma hora para outra, uma competição com o produto externo, ou seja, os produtos oriundos de animais exóticos e até mesmo os produtos silvestres brasileiros manufaturados em países vizinhos, revendidos no Brasil como produtos de exportação (CARRER, 2001). 
O mercado brasileiro e internacional tem se mostrado ávido por carnes silvestres e exóticas, com menos gordura e colesterol, além do aspecto turístico. No Brasil, esse filão tem sido suprido pela caça predatória que ameaça de extinção inúmeras espécies. Daí o interesse para institucionalizar um amplo programa de criação, abate e comercialização de animais silvestres. Sobretudo, buscando a preservação das espécies mediante a conservação dos habitats naturais e porcentagem de reposição obrigatória por parte dos criadores (ROCHA, 2001). 
Pode-se dizer que para quem está entrando na atividade é difícil imaginar que existiria mercado, mas o detalhe é que só existe mercado se houver o produto. O país está numa fase onde não há o produto em oferta regular e constante, então se torna complicado abrir o mercado sem ter o produto. 
Segundo Oliveira (2008), hoje a criação de animais silvestres se encontra em transição e por esse motivo o criador precisa pensar, com muita cautela, numa estratégia de criação, abate e comercialização. A medida que vão aumentando as propriedades, vão se criando novos pontos de mercado. Por exemplo, o preço da capivara é o mesmo de seis anos atrás, pois conforme aumenta a oferta, os produtores tentam abrir o mercado. A Prófauna já chegou a exportar carne de capivara, mas a produção reduzida não viabiliza todo o esquema comercial para exportação. O ideal seria aumentar a produção, principalmente em fronteiras agrícolas e criar novos canais de comercialização. Se o sistema for bem dosado, a produção não vai sofrer como em alguns sistemas tradicionais onde, às vezes, existe maior oferta do que demanda do produto.




29 de dez. de 2019

MONTAGEM E OPERAÇÃO DO ABATEDOURO PARA ANIMAIS SILVESTRES



MONTAGEM E OPERAÇÃO DO ABATEDOURO 
Segundo Oliveira (2008), abatedouro trata-se de um estabelecimento comum registrado junto às autoridades sanitárias como abatedouro de pequenos animais e registrado junto ao IBAMA para abate de animais silvestres. Para um melhor entendimento do funcionamento de um abatedouro é necessário conhecer as instalações e equipamentos, as técnicas de abate e corte da carne e como é feita a inspeção sanitária. O abatedouro da empresa Pró-fauna será utilizado como modelo. 

6.1. Instalações e equipamentos 
Em um galpão dividido em baias, cujo acesso é feito por um corredor central, são alojados os animais a serem abatidos. As baias são em piso de concreto e são separadas por muretas de alvenaria, completadas por divisórias de telas de alambrado até o teto. O acesso dos animais é feito por um portão tipo guilhotina, que facilita o manejo (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Externamente existe um embarcadouro por onde os animais são retirados do caminhão de transporte. Entre o galpão de recepção e a sala de abate há um corredor por 
onde os animais são conduzidos. O transporte dos animais é feito por um caminhão cuja carroceria é subdividida em compartimentos separados por grades de ferro escamoteáveis, de maneira que permitem a circulação dos animais entre elas durante o embarque e o desembarque. Essa estrutura permite transportar os animais com segurança, facilitando o manejo, impedindo brigas e evitando fugas (PRÓ-FAUNA, 2009). 
No prédio onde funciona o abatedouro propriamente dito, existem duas caixas de água de 5 mil litros cada, que garantem o fornecimento ao abatedouro. Cada uma delas é equipada com um filtro na tubulação de abastecimento e com uma bomba de cloro na saída de água. Consome-se em média 100 litros de água por animal abatido (PRÓ-FAUNA, 2009). 
As janelas devem estar isoladas por telas, evitando a entrada de insetos e o acesso ao vestiário e ao banheiro devem ser feitos externamente. Na porta de acesso à área interna do abatedouro é indispensável uma pia para a limpeza das mãos e braços dos funcionários e também um pedilúvio para desinfecção das botas de borracha (a desinfecção pode ser feita com uma solução de cloro ou de água sanitária diretamente na água do pedilúvio). Também na parte externa do prédio, está uma área coberta para embarque de produtos para comercialização e o desembarque de insumos para a operação do abatedouro (PRÓFAUNA, 2009). 
O acesso é feito por uma ante-sala, vizinha à sala de abate, da qual se vai para a área de evisceração, local também utilizado para a inspeção sanitária. Ao lado está a sala de corte e a sala de embalagem, de onde se tem acesso à câmara fria que é dividida em dois compartimentos: o de resfriamento e o de armazenamento. Na parte interna do abatedouro, os pisos e paredes são revestidos de material impermeável. Preso ao teto está um trilho de transporte por onde as carcaças percorrem todas as instalações de processamento. Na 
portinhola de entrada dos animais estão duas gaiolas: uma com guilhotina de acesso á área externa e outra com guilhotina de acesso à área interna. Ao lado está o aparelho insensibilizador e seu painel de controle, que através de choque elétrico de 300 volts insensibiliza o animal para o momento da sangria. Outra estrutura é o tanque de coleta de sangue, sobre o qual é feita a sangria. É preciso outro tanque, que pode ser de inox, para ser o tanque escaldador, que serve para a retirada dos pêlos e que opera por um sistema de aquecimento a gás. Também com água aquecida opera uma bomba, tipo lava jato, que permite uma melhor higienização das carcaças (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Para as embalagens é preciso uma seladora a vácuo e/ou um rolo de fio de PVC. A última instalação a ser destacada é a câmara fria, que como já foi dito, se divide em dois compartimentos. Internamente as carcaças ficam dependuradas para o resfriamento (2° a 7° graus Celsius) antes do corte. Depois de cortadas e embaladas, as peças de carne vão para a câmara de armazenagem (-10° graus Celsius) (PRÓ-FAUNA, 2009). 

6.2. Operação do abatedouro 
Preliminarmente, a inspeção “ante-mortem” é feita pelo exame visual de caráter geral no momento do desembarque, observando cuidadosamente o comportamento dos animais, que devem estar com boa aparência, sem demonstrar cansaço excessivo e sem febre ou infecções. Depois do exame os animais são colocados nas baias, onde ficam em jejum por 24 horas, servidos apenas por água. Com o jejum é possível retirar as vísceras e os intestinos do animal com riscos pequenos de rompimento, preservando a higiene da 
carcaça e evitando contaminação. O jejum também diminui a energia do animal, permitindo melhor conservação da carne (DEUTSCH, 1988). 
A Lei do abate humanitário e proteção aos animais tornou obrigatório o uso de equipamentos insensibilizadores que produzem um choque elétrico e insensibilizam os animais, dando mais velocidade no abate e mais qualidade na carne. A norma, nesse caso, é provocar o menor estresse possível na hora do abate para obter uma carcaça de melhor qualidade (IBAMA, 2009). 
Assim que o animal fica inconsciente, é suspenso pelo guincho por uma das pernas traseiras, onde previamente se prende ao gancho. Em seguida, é feita a sangria contando-se a veia jugular com uma faca apropriada. A duração é de, no mínimo, três minutos, sendo que o sangue é coletado em recipientes especiais destinados a esse fim. Após a sangria é feita a pelagem com água quente no tanque escaldador. Depois de escaldados, os animais são depilados e são retiradas as unhas e a cabeça, em seguida a carcaça é lavada novamente com jatos de água quente. Procede-se, então, a evisceração do animal, que se inicia com a abertura do peito feita com uma faca própria, seguida pelo corte longitudinal da barriga (OLIVEIRA, 2008). 
Efetuadas essas operações, retiram-se as vísceras que são colocadas sobre uma mesa para serem submetidas à inspeção sanitária. Quando é encontrada alguma anomalia, a carcaça e os órgãos correspondentes são desviados para uma área reservada para inspeção detalhada e o veterinário do serviço de inspeção, juntamente com seus auxiliares, cumprem essa fiscalização final. Essa é uma tarefa que deve ser realiza com total atenção, observando se existem alterações de consistência, cor, presença de nódulos, abscessos, cistos, etc. Nenhuma peça que apresente qualquer alteração, deve ser liberada para consumo antes da inspeção (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Retiradas as vísceras, (que já inspecionadas podem ser descartadas em fossas sépticas ou incineradas, não havendo aproveitamento comercial), faz-se a divisão da carcaça ao meio, usando uma serra no sentido longitudinal da coluna vertebral. Depois de divididas, as meias carcaças passam por um novo processo de inspeção sanitária e quando aptas para o consumo, são carimbadas pelo veterinário do serviço de inspeção e ainda levam o carimbo do IBAMA, atestando que a origem da carne é de um criatório legalizado. Em seguida, as meias carcaças são levadas até a seção de pesagem e seguem para a câmara fria, onde são resfriadas e armazenadas por 24 horas. Só depois de resfriadas as carcaças vão para o corte, onde são divididas em partes. Posteriormente, são embaladas e já podem ser comercializadas (OLIVEIRA, 2008). 

6.2.1 Corte 
Nas meias carcaças de capivara, por exemplo, os corte são feitos em quatro partes: 
paleta, pernil, costela e carré (OLIVEIRA, 2008). A paleta é constituída pela pata dianteira. O pernil é a parte traseira. A parte que separa o pernil da paleta é dividido em duas partes: o carré (onde está o lombo) e a costela (que é a parte com menor quantidade de carne). Geralmente, esse mesmo esquema de corte segue para as outras espécies de mesmo porte da capivara. 
Figura 4: Localização dos cortes de Jacaré do Pantanal (Cayman yacare) efetuados pela COOCRIJAPAN em sua instalação frigorífica. 

6.2.2 Embalagem 
Terminado o corte da carcaça, já se tem o produto comercial do abate, que são as peças que serão distribuídas nos pontos de venda. Essas peças podem ser embaladas de diversas maneiras. Destaca-se o fio de PVC, onde a carne é revestida até que fique isolada, garantindo a conservação. Outra forma é a seladora a vácuo parcial. O aparelho, antes de selar o saco plástico, retira a maior parte do ar existente no interior da embalagem, o que melhora a conservação do produto (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Seja em qualquer tipo de embalagem, é obrigatória a colocação do rótulo onde diversas informações devem estar presentes, como a identificação da espécie, o corte embalado, que nível de inspeção sanitária foi feita (se municipal, estadual ou federal), a identificação e o endereço do abatedouro e o número do registro junto ao IBAMA 
(ROCHA, 2001). 

Figura 5: Carne congelada de jacaré. 

6.3 Fiscalização 
O Decreto 7.889, de 23 de novembro de 1989, estabelece as competências de cada órgão governamental, no que diz respeito à fiscalização de abates de animais, segundo o tipo de comercialização a ser efetuada. O Decreto 7. 889 também define que as Secretarias Municipais de Agricultura deverão ser as responsáveis pela fiscalização do abatedouro no 
caso da comercialização municipal; as Secretarias Estaduais dos Estados, Territórios e Distrito Federal serão as responsáveis no caso de comercialização intermunicipal; e o Ministério da Agricultura será o responsável no caso da comercialização interestadual ou internacional (MAPA, 2009). 
Os abatedouros são caracterizados segundo o destino dos produtos que serão comercializados, ou seja, deverão possuir inspeção federal aqueles que realizarem comércio de produtos interestadual ou internacional; os estabelecimentos que realizarem negócios intermunicipais deverão possuir inspeção estadual; e os estabelecimentos que realizarem comércio local, ou seja, dentro dos próprios municípios, deverão possuir inspeção municipal. Além disso, os abatedouros deverão estar previamente registrados no órgão competente antes de entrar em funcionamento. Existe uma definição para os matadouros, segundo o regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal, o RIISPOA, no 2° parágrafo do artigo 21: “estabelecimentos dotados de instalações adequadas para a matança de quaisquer das espécies de açougue, visando o fornecimento de carnes em natureza ao comércio interno, com ou sem dependências para industrialização”. 
Os maiores concorrentes dos abatedouros comerciais são os abatedouros clandestinos. Entretanto essa concorrência tende a desaparecer à medida que o consumidor vai adquirindo consciência dos riscos que corre provenientes desse tipo de abate e também à medida que o governo assume as suas responsabilidades com a saúde pública. Se o produto não estiver cadastrado em um dos serviços de inspeção, (que foram citados anteriormente), trata-se de um produto clandestino. Esse cadastro é muito importante, pois se alguma peça de carne não estiver apta para consumo, ela será investigada conforme a 
sua origem e deverá ter o cadastro em alguns dos serviços de inspeção sanitária (MAARA, 1995). 
Para o aproveitamento completo de todas as matérias-primas do abate, pode-se produzir rações com farinha de ossos ou carne. Muitos produtos farmacêuticos são produzidos utilizando a bile, as glândulas de secreção interna, as placentas e outros 
(GIANNONI, 2001). 

6.4 Higiene 
Deve-se considerar que a carne é facilmente contaminada e os alimentos mal manipulados servem como veículo de transmissão de infecções e intoxicações para o consumidor (ROCHA, 2001). 
Segundo Oliveira (2008), para produzir alimentos, deve-se observar rigorosamente o seguinte: 
- As pessoas que estiverem envolvidas no trabalho devem ser sadias e conhecedoras das técnicas recomendadas para cada tipo de produto. Elas devem, ainda, conhecer e aplicar todos os cuidados de higiene necessários como, por exemplo, lavar e desinfetar bem as mãos antes de qualquer atividade; estar bem uniformizadas, com uniformes de cor branca que estejam sempre limpos; usar boné ou gorro para evitar a queda de cabelos nos alimentos; botas de borracha branca, fáceis de serem lavadas; e aventais impermeáveis; 
- As matérias-primas e insumos devem ser de ótima qualidade; 


- Com respeito aos utensílios, equipamentos e instalações, devem-se ter cuidados especiais. Eles devem ser próprios para o trabalho, bem lavados e desinfetados. A limpeza e desinfecção dos equipamentos devem ocorrer antes e após o seu uso. Nunca deixar para o dia seguinte, pois isso irá dificultar o trabalho e aumentar as chances de contaminação. 

Na limpeza, devem ser usados detergentes neutros e biodegradáveis que não deixem resíduos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Esses produtos são apropriados para a indústria de alimentos e possuem ótima capacidade de limpeza. É bom fazer sempre uma pré-enxaguagem com água fria antes de aplicar o detergente. 
A desinfecção pode ser física ou química, o que vai depender do material a ser utilizado. O vasilhame, os utensílios metálicos, as mesas em aço inox e o prato de balança podem ser desinfetados com água quente. Outras vasilhas e utensílios que não resistem ao calor, bem como as paredes e os pisos, devem ser desinfetados com produtos químicos a base de iodo ou cloro, ou então, com outros tipos de produtos recomendados para a indústria de alimentos. A desinfecção química pode ser feita por imersão, por aspersão, ou mesmo despejando a solução sobre os equipamentos que se deseja desinfetar. Após a desinfecção, não é necessário enxaguar o material, é preciso deixar apenas escorrer o excesso do desinfetante e o equipamento pode ser utilizado imediatamente.