30 de mar. de 2022

CARACTERÍSTICAS ZOOTÉCNICAS DAS CODORNAS

 

CARACTERÍSTICAS ZOOTÉCNICAS DAS CODORNAS

Taxa de crescimento: as codornas são aves de rápido crescimento. Nascem com cerca de 7,5 a 10 g. A codorna japonesa aos 07 dias de vida triplica o seu peso corporal. Aos 28 dias pesa dez vezes mais que o peso inicial. A codorna europeia nesta idade pesa 20 vezes mais do que o peso ao nascimento. A codorna japonesa adulta pesa em torno de 140 a 160 g e a codorna europeia em torno de 250 a 270 g. Estão aptas para postura ou abate em torno de 40 a 45 dias. 

Rusticidade: são consideradas aves resistentes a uma diversidade de doenças, podem ser criadas em regiões quentes ou frias, desde que tenham instalações que possuam um bom conforto térmico. 

Precocidade sexual e produtiva: decorrente de seu rápido cresci­mento, a codorna atinge a maturidade sexual entre 40 e 45 dias de vida, ou seja, inicia a fase de postura em idade precoce. No caso da codorna para produção de carne, pode-se realizar um abate seletivo, somente as fêmeas, aos 35 dias de vida, tornando a criação ainda mais vantajosa economicamente. 

Consumo e conversão alimentar: um animal adulto para corte con­some entre 30 a 35 g de ração por dia e animal para postura consome cerca de 25 a 28 g por dia. 

Pequeno porte: por ser uma ave de porte pequeno, ocupa pouco espaço para a sua criação, sendo uma excelente alternativa econômica para as pequenas propriedades rurais. 

Produtividade: as codornas japonesas quando bem manejadas e alojadas, a produção de ovos pode chegar a 300 ovos/ave/ano. O perí­odo de produção varia entre 12 a 14 meses. 

Rendimento de carcaça: quando criadas para a produção de carne, tanto as fêmeas como os machos apresentam um rendimento de carca­ça na ordem de 75% em relação ao seu peso vivo.


PRODUÇÃO DE CODORNA PARA CORTE 

O que diferencia a codorna europeia da codorna japonesa é o peso vivo na fase adulta, a codorna europeia é mais indicada para corte devi­do ao seu maior peso por ocasião do abate (250 a 270g), enquanto que a codorna japonesa atinge peso menor na fase adulta (140 a 160g), fato compensado por sua alta postura de ovos. 

O agricultor interessado em criar codornas para produção de carne deve ter uma atenção especial ao adquirir estas aves. As codorninhas de um dia devem ser compradas de fornecedores registrados nos serviços de defesa Agropecuária municipais, estaduais ou do Ministério da Agricultura. 

No caso do Distrito Federal, como não existem fornecedores de co­dorna para corte, os coturnicultores adquirem as codorninhas de gran­jas matrizeiras localizadas no estado de São Paulo, principalmente da região de Suzano. Estas granjas importam as matrizes, destinadas à produção de codorninhas de um dia, dos países europeus situados na região do Mediterrâneo: França, Itália, Espanha e Grécia. Nessa região existem linhagens com boa carga genética e as aves são selecionadas exclusivamente para este fim. 

Figura 07. Codorna japonesa (esquerda). Codor­na europeia (direita) Fonte: José Gonçalves.

As aves são enviadas pelas granjas matrizeiras por via aérea, sendo retiradas no aeroporto pelos criadores (figura 08 e 09). O transporte até as propriedades é realizado em veículo adequado, deve possuir boa ventilação e não permitir a entrada de chuva ou ventos fortes. 

Figura 08. Caixas para transporte aéreo de codornas de 01 dia. 

Figura 09. Caixas com codornas de 01 dia. 




13 de jan. de 2022

CLASSIFICAÇÃO DAS CODORNAS


 

CLASSIFICAÇÃO DAS CODORNAS 

A codorna pertence à classe das aves e ordem dos Galináceos, família das Faisanidas, subfamilia dos Perdicinae e do gênero Cotur­nix, existindo grandes quantidades de espécies. As mais conhecidas e difundidas são: a codorna japonesa Coturnix coturnix japonica, a codorna europeia ou selvagem Coturnix coturnix coturnix, a codorna americana conhecida como “Bobwhite Quail” Colinus virginianus, e a codorna chinesa Coturnix adansonii, muito utilizada como ave deco­rativa e ornamental. 

Descrição das espécies 

Codorna japonesa (Coturnix coturnix japonica): predomina a plu­magem de coloração bege com tonalidades tipo carijó. Entretanto, é normal na criação terem algumas com plumagem de cor branca e mista. É conhecida com uma “máquina” de produzir ovos, pois tem a capaci­dade de botar 300 ovos por ano. Animal dócil e muito resistente a do­enças, de fácil criação e manejo. 

Figura 03. Codorna Japonesa (Coturnix coturnix japonica).


Codorna europeia (Coturnix coturnix coturnix): as codornas euro­peias são aves mais precoces do que as japonesas, sendo uma melhor opção para a criação destinada ao corte. Com 42 dias de vida podem atingir peso de até 270g. Elas apresentam uma postura menor que as ja­ponesas, mas os ovos têm um peso maior, em torno de 13g enquanto os ovos das japonesas pesam 10g. Possuem rendimento de carcaça de 75%. Sua plumagem apresenta diversas cores, variando entre bege, branca, marrom e mista. Predomina a cor tipo carijó. (figura 04).

Figura 04: Codorna Europeia (Coturnix coturnix coturnix). 

Codorna chinesa (Coturnix adansonii): a codorna chinesa é criada principalmente como ave ornamental. Sua plumagem é muito variável, tornando-a bastante atraente para o mercado “pet”. É uma ave dócil e fácil de criar, de tamanho pequeno atingindo uma média de 13 centíme­tros o que a torna ideal para coabitar em viveiro com outras aves. Para identificar o macho, basta observar a plumagem do pescoço que apre­senta manchas pretas e brancas. Na cabeça a plumagem é de um tom escuro de azul e a coloração inferior da plumagem um marrom-averme­lhado. De baixa postura, seu ovo é menor do que os ovos da japonesa o que diminui a escolha da criação para postura.

Figura 05. Codorna Chinesa (Coturnix adansonii) 

Codorna americana (Colinus virginianus): a codorna americana é originária dos Estados Unidos. É também conhecida como Bob White. A sua plumagem é de coloração marrom tipo carijó tendo como destaque as listas brancas na cabeça. Suas penas traseiras são mais alongadas. A Bob White possui dupla aptidão, ou seja, é boa para a produção de carne e ovos, sendo estes bastante utilizados nas agroindústrias para a produção de ovos em conserva em virtude do seu maior tamanho. A casca do seu ovo não possui pigmentação como o da codorna europeia e o da japonesa. Em função desta característica não é aceito pelo con­sumidor quando vendido in natura. Possui baixa conversão alimentar quando comparada com a linhagem europeia e baixo índice de postura em relação à japonesa. 

Figura 06. Codorna Americana (Colinus virginianus)





21 de dez. de 2021

INSTALAÇÕES PARA INICIAR A CRIAÇÃO DE CANÁRIOS

 

INSTALAÇÕES PARA INICIAR A CRIAÇÃO

Os canários são pouco exigentes no que diz respeito ao local de sua criação. Pode-se tê-los em apartamentos, garagens, sacadas ou até em complexos e bem estruturados viveiros. No entanto, deve-se observar sua segurança, seu conforto e sua tranquilidade, uma vez que são aves sensíveis a correntes de vento, baixa temperatura, poluição e locais estressantes.

O recomendado é que o seu canário fique protegido do sol direto, de insetos e animais que o vejam como um possível lanche da tarde, como gatos, ratos e até mesmo gaviões.

VIVEIROS:

Caso você tenha intenções profissionais na criação de canários, será necessária a construção de um local especialmente destinado a essa atividade, normalmente conhecido como canaril ou criadouro, que deve ser arejado, com grandes janelas fechadas por telas do tipo mosqueteira e com capacidade para comportar os casais e os filhotes que nascerão. Veja, a seguir, um exemplo de projeto para o seu criadouro, canaril:

CANARIL

No projeto acima tem um local específico para a Quarentena, que deve ser utilizado no momento em que adquirir novos pássaros para o plantel, ou para pássaros que estejam doentes, necessitando de cuidados especiais, assim você isola o pássaro doente dos demais, para que a doença não se propague pelo plantel.

OBS: Não esqueça de instalar uma pia grande para limpeza e higienização dos utensílios, telhas transparentes para ajudar na iluminação natural, telas mosqueteiras nas janelas, um armário para guardar os alimentos, e utensílios reservas, medicações, vitaminas, etc.

GAIOLAS:

Diferentemente do que vemos por aí, a gaiola mais indicada para a criação de canários é a de ferro e não a de madeira. Por ser de mais fácil limpeza, as gaiolas de arame são as preferidas, tanto na reprodução quanto na exposição das aves.

A gaiola mais usada e indicada para a fase de reprodução é a modelo Argentina, que possui seis suportes para comedouros externos, grade no piso, bandeja removível e grade de separação dos casais ou filhotes.

GAIOLA

Uma dica interessante para facilitar a vida dos criadores é a padronização das gaiolas. Procure sempre adquiri-las com boa qualidade e de fabricantes conhecidos, o que facilitará a aquisição de novas gaiolas no caso da necessidade de se aumentar o plantel. Essa padronização irá ajudar muito na hora do trato dos animais, diminuindo o tempo necessário para essa atividade.

A voadeira é um outro tipo de gaiola muito usada após a separação dos filhotes ou até mesmo do casal. É nesse local que os pássaros irão se exercitar, terminar seu crescimento, passar o período de muda de penas e iniciar os primeiros cantos (no caso de filhotes machos).

ACESSÓRIOS:

Os fabricantes esmeram-se, a cada dia, no desenvolvimento de novos formatos, materiais e tipos de acessórios, na intenção de facilitar a vida do criador. Entende-se como acessório todo tipo de objeto utilizado para facilitar o trato das aves. É interessante que alguns deles sejam adquiridos em duplicidade, tais como poleiros, comedouros, potes, bebedouro, etc.

ACESSÓRIOS:




11 de dez. de 2021

Criação de Codornas para Corte

 

O crescimento constante da avicultura industrial possibilitou ao Brasil tornar-se um dos maiores produtores e exportadores de carne in natura. Com a evolução e a modernização tecnológica desse segmento, algumas atividades que antes eram consideradas domésticas, tornaram-se uma excelente fonte de renda para os produtores, dentre elas destaca-se a criação de codornas ou a coturnicultura. 

A criação de codorna teve o seu início na primeira década do século passado, quando os japoneses iniciaram estudos e cruzamentos entre as codornas europeias com espécies selvagens, obtendo como resultado a codorna domesticada, ou seja, a codorna japonesa. 

Atualmente, os produtores dispõem de raças desenvolvidas especialmente para a produção comercial, dentre elas, além da japonesa, destacam-se a codorna européia, a americana e a chinesa. De acordo com a aptidão de cada uma, essas aves possuem características diferentes entre si, tais como: tamanho, peso, precocidade, coloração da casca do ovo, coloração da plumagem e índice de postura. 

A criação empresarial de codornas para corte no país teve início em 1989, quando uma grande empresa avícola brasileira resolveu implantar o primeiro criatório e abatedouro no Sul do país. Com a introdução dessas linhagens europeias para a produção de carne, houve um maior estímulo ao consumo do produto, aumentando a demanda e surgindo assim uma excelente oportunidade para os criadores. 

HISTÓRICO 

Os primeiros dados históricos sobre a origem da codorna datam do século XII na Europa, onde vivia como ave migratória. Por possuir uma carne rara e de excepcional sabor, era uma das principais atrações nas grandes caçadas, hobby esportivo da época praticado pelos lordes europeus. A ave foi posteriormente levada para a Ásia (China e Coréia) e depois introduzida no Japão. A codorna foi domesticada pelos japoneses em função do canto melodioso dos machos. 

A criação de codornas com a finalidade de produzir carne e ovos iniciou-se no Século XX, mais precisamente na década de 1910, com os japoneses e chineses que por meio de diversos cruzamentos entre as codornas europeias com espécies selvagens, conseguiram obter a subespécie Coturnix coturnix japônica, ou seja, a codorna japonesa ou doméstica. 

No Brasil, as codornas foram introduzidas pelas mãos do italiano Oscar Molena em 1959. Em seu país, o criador possuía a caça dessa ave como um hobby. Entretanto, em solo brasileiro esta prática tornou-se impossível em função de não existir codornas domesticadas. Numa ocasião, ao retornar de um passeio ao seu país, o italiano conseguiu trazer 20 dúzias de ovos de codornas galados, iniciando assim, a criação exclusivamente para a caça. Somente em 1961, com o declínio da criação destinada ao hobby esportivo, começou a criação de codornas para a produção de ovos. Devido à grande aceitação do produto e à fama de alimento afrodisíaco difundida com o sucesso da música “ovo de codorna”, cantada por Luiz Gonzaga, várias pessoas demonstraram interesse na atividade, principalmente os imigrantes japoneses que passaram a desenvolvê-la no Estado de São Paulo. Desse Estado, a criação expandiu para todo o País.

A coturnicultura como uma atividade agropecuária empresarial altamente viável, capaz de gerar emprego e renda para os pequenos agricultores, principalmente em função de apresentar as seguintes características: rápido crescimento da ave, precocidade na produção, alta produtividade, ave de pequeno porte, pouco espaço exigido para implantação da granja, baixo uso de mão de obra, proximidade do mercado consumidor, baixo investimento e rápido retorno financeiro. 

Figura 01. Coturnicultura, alternativa para agricultura familiar. 

Figura 02. Codornas em confinamento. 




1 de dez. de 2021

RAÇAS DE CANÁRIOS

 

AS RAÇAS DE CANÁRIOS

As raças de canários dividem-se em três grupos:

Os canários atualmente estão classificados em:

• Canários de cor (com ou sem fator vermelho);

• Canários de porte (posição, forma, desenho, com topete e frisados);

• Canários de canto (Harzer, Malinois e Timbrado Espanhol).

Modalidades de criação:

Três grandes grupos dividem a espécie e a preferência dos criadores, são eles:

Canários de cor: São os mais difundidos no mundo todo e estão divididos em cinco subclasses:

As melânicas preto-castanho, as melânicas castanho, as lipocrômicas, as ágatas e as isabeis.

Canários de porte: Em se tratando de tamanho, temos os canários de forma e porte nos quais encontramos mais de uma dezena de subclasses, sendo as principais: Gloster, Norwich, Lizard, Frizados, Bossu Belga, Giboso.

Canários de canto: Há criadores que apreciam o canto e, nesse contexto, também existe uma espécie que foi trabalhada arduamente para que expressasse o mais melodioso dos cantos. Os canários de canto clássico, como são chamados, emitem um som mais baixo, mais suave, praticamente sem abrir o bico. Nessa categoria, podemos destacar três subclasses principais: o Harz, o Malinolis e o Timbrado Espanhol.

Canário de Canto “Timbrado Espanhol”

Canário de Cor “Amarelo Intenso”

Canário de Porte “Gloster”

É desejável que o iniciante visite uma exposição de canários onde possa observar e ouvir (no caso dos canários de canto) todas as variedades.

Aqueles que optarem por canários de porte deverão especializar-se em uma determinada raça. Da mesma forma, os que se dedicarem à criação de canários de cor, deverão especializar-se em canários de uma série, seja da linha clara (lipocrômicos) ou da linha escura (melânicos).

Os canários de fator vermelho exigem utilização de intensificador de cor (cantaxantina) durante a muda, sejam da linha clara ou da linha escura, inclusive os canários vermelhos de porte.

Tanto os canários de cor quanto os de porte e de canto possuem características próprias, definidas oficialmente por um padrão, que deverão ser observadas e melhoradas.

Com relação aos canários de canto é necessário que o criador seja dotado de ouvido absoluto, isto é, seja capaz de distinguir as qualidades e defeitos canoros dos pássaros, porque estes canários são avaliados pelas notas ou conjuntos de sons musicais que emitem. Também é necessário selecionar apenas uma raça para criar, conforme a preferência do canto, sabendo-se que, no Brasil, só existe campeonatos para os canários da raça Harzer, conhecidos também pela denominação de canários de canto clássico.

Escolha da cor

Os canários de cor dividem-se em dois grupos: LIPOCRÔMICOS (linha clara) e MELÂNICOS (linha escura).

Lipocrômicos– tem a sub-plumagem branca e a cor das penas isenta de pigmentos preto ou marrom e classificam-se de acordo com a variedade (cor de fundo), em Branco Dominante (inibição do lipocromo, com traços visíveis nas penas das asas); Branco Recessivo (inibição total do lipocromo) chamado apenas de Branco; Amarelo; Vermelho; existindo também uma mutação de olho vermelho denominada Ino, nas mesmas

variedades de cor, outra Marfim (lipocromo diluído) e a mais recente mutação, o canário vermelho de bico vermelho, ocorrida no Brasil, reconhecida com a denominação de Urucum.

A seleção é feita em função de: pureza (qualidade do lipocromo); intensidade (quantidade depositada nas penas) e uniformidade (distribuição da cor no pássaro).

Não são admitidas manchas melânicas na plumagem. Bicos pés e unhas também devem ser totalmente claros.

Melânicos– tem a sub-plumagem pigmentada e são caracterizados pelo desenho formado de estrias escuras (eumelaninas negras e/ou marrons e feomelanina canela) na cabeça, dorso e flancos/peito, além do manto ou envoltura que se distribui sobre o lipocromo.

Bico, pés e unhas escuros.

Além dos melânicos clássicos, existem as mutações: pastel, opalino, feo (inomelânico), acetinado, asa cinza, topázio, eumo, ônix, cobalto e jaspe.

Classificam-se de acordo com a variedade (conforme lipocromo de fundo) em verde ou amarelo, azul ou prateado e cobre ou vermelho e quanto ao tipo (natureza e grau de pigmentação) em oxidados, os possuidores de estrias escuras largas e contínuas (verde, azul, cobre, canela) e diluídos onde as estrias são mais claras, finas e interrompidas (ágata e isabelino).

CATEGORIAS:

Tanto os lipocrômicos quanto os melânicos subdividem-se, de acordo com o depósito de lipocromo nas penas, em três categorias:

– Intenso (o lipocromo cobre toda a superfície da pena estendendo-se até a extremidade);

– Nevado (o lipocromo não atinge o bordo das penas deixando uma faixa branca) e

– Mosaico (o lipocromo atua somente em algumas regiões: – no macho, máscara facial, peito, encontro das asas, e uropígio, diferenciando-se das fêmeas, dimorfismo sexual, estas, sem máscara, com marcações apenas no uropígio, peito e risco nos olhos).


CANÁRIOS DE COR (alguns)



CANÁRIOS DE PORTE (vários)


Além dos canários de porte que aparecem nas fotos, também são reconhecidos oficialmente o Bossu Belga, Gibber Italicus, Bernois, Fife Fancy, Crest, Raça Espanhola, Fiorino, Frisado do Sul, Frisado Suiço, Padovano, Gibboso Espanhol, Frisado Gigante Italiano, Mehringer, Melado Tinerfenho, Llarguet Espanhol, Irish Fancy, Rheinländer e Arlequim Português.




26 de nov. de 2021

A ORIGEM DOS CANÁRIOS

 

A origem do canário belga é, obviamente, a Bélgica. No entanto, apenas a linhagem a que ele pertence é que veio de lá, pois os antepassados dos exemplares dessa e de outras variedades têm raízes nas ilhas Canárias, um arquipélago do Atlântico junto ao continente africano. Os canários-do reino, por exemplo, são da mesma espécie do belga, mas ganharam essa denominação por que as aves costumavam chegar ao Brasil vindas do ‘reino’ de Portugal. Já o canário-da-terra, sim, faz parte de uma outra espécie, nativa do Brasil.

Pertencente à família dos Fringilídeos, o canário-belga mede entre 14 e 15 centímetros da ponta do bico à extremidade da cauda. A cabeça é pequena e estreita, as pernas longas, o peito arredondado e cheio. A plumagem é compacta e lisa, sem frisos. Como é um animal de origem estrangeira, a criação não precisa de autorização do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis.

Existem mais de 400 cores de canários reconhecidas no mundo. Mas é a amarela, da linhagem belga, a mais popular por aqui. A busca por novas e diferentes tonalidades e combinações é um dos principais objetivos de boa parte dos criadores, que também se interessam pela definição do porte do pássaro. Apresentação em exposições e melhoramento genético da raça são outras finalidades da criação comercial do canário, que ainda desperta a atenção pelo seu belo canto.

O canário não dá trabalho. Exige pouco espaço, e sua criação pode ser mantida na cidade ou em áreas rurais, servindo até como terapia para algumas pessoas. Entretanto, como é pequeno e frágil, demanda cuidados no manejo. Quando em grupo, os pássaros podem ser acomodados em viveiros; casais podem ficar em gaiolas separadas. As gaiolas mais recomendadas são as de arame galvanizado, que podem ser encontradas facilmente no varejo.

Apesar de vulneráveis a doenças respiratórias, os canários logo se curam se prontamente tratados com medicamentos vendidos em lojas especializadas. Mas é preciso separar o pássaro doente, no caso de enfermidades mais prolongadas. É recomendável manter limpo o local de criação e fora do alcance do sol e do vento. Para evitar acúmulo de sujeira e falta de ventilação, mantenha a posição da gaiola a dois centímetros da parede.

Os objetivos da criação de canários podem ser:

1 – Diletantismo ou lazer (“hobby”);

2 – Terapia ocupacional;

3 – Ganhar concursos;

4 – Interesse científico;

5 – Criação de novas raças ou mutações;

6 – Melhoramento das espécies;

7 – Interesse financeiro;

8 – Interação social;

9 – Outros.

Quaisquer que sejam os objetivos, o início será sempre o mesmo – aprender acriar. Só depois é que se poderá  pensar na consecução dos objetivos pretendidos.

A proposta desta publicação é exatamente esta – ensinar os conceitos básicos, regras e procedimentos, orientando os interessados a dar os primeiros passos na criação de canários.

Como só se aprende a fazer, fazendo, a criação de canários ensejará muitas oportunidades para praticar esses ensinamentos e evidenciará a necessidade de aprofundar os conhecimentos, mediante pesquisas e estudos complementares.

Convém esclarecer que não existe obstáculo legal quanto à criação do canário doméstico e que a matéria é regulada pela Instrução Normativa nº03/2011, de 1º de abril de 2011, do IBAMA.

Quanto à questão de manter os canários aprisionados em gaiolas, por muitos considerado como maldade, saibam todos que libertá-los é que seria uma tremenda maldade, pois não encontrariam alimentos, não resistiriam às intempéries e muito menos saberiam se proteger dos predadores, não conseguindo sobreviver, isto porque há séculos que o mesmo é criado em cativeiro, tendo sofrido várias modificações através dos anos, inclusive em seu código genético, que, hoje, é muito diferente do pássaro silvestre de origem. Tanto é verdade que até muitos canários já não criam seus filhotes.

A contrapartida do esforço e dedicação empregados na criação de canários é a alegria de vê-los saudáveis, cantando e as emoções da reprodução, com o nascimento e crescimento de filhotes e para alguns, a felicidade de ver seus pássaros premiados em concursos e ter canários campeões.

Aqueles que desejarem participar de concursos e exposições deverão filiar-se a algum clube de criadores de canários e identificar seus pássaros com anéis da FOB – Federação Ornitológica do Brasil, fornecidos pelo clube.




10 de nov. de 2021

Sistemas de Criação de Galinhas Caipiras no Brasil

 

Definir um sistema que seja adequado para a propriedade é fundamental para o processo de criação de aves. 

Com base no sistema escolhido o avicultor vai projetar os espaços necessários para o manejo adequado de sua criação. 

A ocupação dos galpões deve ser de no máximo 10 aves por metro quadrado de área e os piquetes de 4 a 5 metros de área para cada ave. 

Para manter um bom programa de biosseguridade o avicultor deve obedecer o sistema de criação onde todas aves alojadas tenham a mesma idade, essa pratica é conhecida popularmente como “todos dentro todos fora”. Assim, é possível fazer uma limpeza e higienização de forma mais efetiva e que combinada com o vazio sanitário possa eliminar boa parte das bactérias do lote anterior. 

Sistema Intensivo

Assim como na criação industrial de frangos de granja, o sistema intensivo também se aplica na criação de galinha caipira. As aves são mantidas em confinamento do nascimento até a data de abate e é fundamental manter a densidade correta de aves para a capacidade do galpão, obedecendo um limite de no máximo 8 aves por metro quadrado. 

Sistema Semi Intensivo

O sistema semi-intensivo é bastante usado na criação de galinhas caipiras ele é uma combinação da criação intensiva com a criação solta, para isso é necessário a utilização de piquetes para as aves fazerem o pastoreio durante algumas horas do dia. O espaço para o piquete deve ser de no mínimo 4 metros quadrados por ave. 

Sistema Extensivo

Esse é o sistema que oferece as melhores condições para a criação de galinhas caipiras. Nesse sistema as aves passam o dia todo soltas, ciscando e se alimentado com gramíneas e restos de frutas e verduras produzidas na propriedade. Ao entardecer, são recolhidas no galpão onde possam se proteger contra predadores as intempéries climáticas e onde possam receber ração balanceada. O limite de ocupação dos piquetes é de uma ave para cada 5 metros quadrados de área. 





31 de out. de 2021

Instalações e Equipamentos para Galinhas Caipiras

 

Habitação

Na construção do galpão o principal objetivo é oferecer às aves um ambiente onde seja capaz de encontrar água em abundancia, alimentação, proteção contra predadores, abrigo contra chuva ou frio e garantir um manejo adequado contra as doenças das aves. As instalações devem ser funcionais e acima de tudo simples, não havendo necessidade da aquisição de material de alto custo para execução do projeto, o que é de extrema importância neste caso é o cumprimento de todas às exigências técnicas de higiene e manejo para evitar futuros problemas relacionados a doenças das aves e consequentemente prejuízos financeiros. 

Afim de diminuir os custos do projeto o avicultor deve, na medida do possível, aproveitar as construções já existentes na propriedade. 

O piso do galpão deve ser construído preferencialmente de cimento, para que o processo de limpeza e desinfecção seja feito de forma simples e eficiente e que não permita a passagem de umidade do chão para a cama das aves, ter uma inclinação de aproximadamente 2% para facilitar a saída da água no processo de desinfecção, que não seja totalmente liso e que esteja a 20 cm de altura em relação ao terreno. 

A construção deve ser feita no sentido leste-oeste para que o sol, no período do verão, passe sobre a cumeeira. Evitando assim, que os raios solares não entrem no galpão (conforme desenho ao lado). 

O galpão/galinheiro deve ser construído em local com um leve declive para evitar que água da chupa emposse e contribua com a proliferação de moscas e mosquitos. 

O ideal e que o mesmo fique próximo da casa do tratador uns 50 metros aproximadamente, e que tenha um sistema de fornecimento de água potável e energia elétrica. Deve possuir muretas nas laterais de aproximadamente 20cm, cantos arredondados, que seja totalmente fechado com tela para evitar a entrada de pássaros e outros animais. 

O telhado deve ser construído com o pé direito em conformidade com a largura do aviário de modo que o interior do aviário seja ventilado e que não seja muito quente nos horários de maior incidência do sol. A cobertura do telhado deve passar pelo menos 90cm da parede lateral para evitar a entrada de chuva, as paredes laterais deve possuir cortinas para proteger as aves dos ventos e chuva. 

Os galpões devem ser construídos a uma distância mínima de 50 metros uns dos outros. 

DIMENSÕES

O tamanho do galpão deve ser com base nas expectativas de produção do avicultor, pois o mesmo deve acomodar no máximo 10 aves por metro quadrado. Porém, deve-se levar em consideração algumas dimensões que, na prática, tem apresentado melhores resultados. A largura do aviário está diretamente ligada com o tipo de clima da região onde o mesmo será implantado. Em locais de clima quente e úmido a largura de 10 metros é a mais recomendada e em regiões de clima quente e seco a largura ideal fica entre 10 e 14 metros. 

O pé direito do galpão é determinado em função da largura do mesmo, de forma que essa combinação favoreça o processo de ventilação natural dentro do aviário e com isso reduzir a temperatura interna (veja tabela abaixo). Quanto mais largo for o aviário, maior tem que ser a sua altura. O avicultor deve considerar a intensidade dos ventos de sua região quando a altura do pé direito ultrapassar os 3 metros de altura. Em regiões de ventos fortes deve-se reforçar a estrutura do galpão para evitar transtornos futuros. 

 


Equipamentos e Utensílios  

A utilização de alguns equipamentos exclusivos para a avicultura se faz extremamente importante em um projeto de criação de galinhas caipiras e o avicultor deve providenciá-los o mais breve possível para atender as necessidades básicas das aves. 

Comedouros

Os comedouros mais utilizados em projetos de avicultura são os tipos tubulares, mais isso não impede de o avicultor possa improvisar esses equipamentos na propriedade, levando em conta que os mesmos devem ser projetados com o intuito de facilitar a alimentação das aves, manter a ração sempre limpa e, sobretudo, evitar o desperdício. Os comedouros do tipo bandeja são os mais usados nos primeiros dias de vida dos pitinhos e deve ser considerado a proporção de 80 pintos por comedouro. 




O avicultor deve regular a altura do comedouro conforme o desenvolvimento da ave durante o período de criação, de forma que a borda superior do mesmo se mantenha na altura do dorço das aves. 

Bebedouros

O fornecimento de água requer por parte do avicultor uma atenção especial, pois as aves devem sempre receber água potável e em temperatura abaixo da temperatura ambiente em seus bebedouros. Os equipamentos que melhor atendem as necessidades de bom manejo são os bebedouros automáticos. 


A borda superior dos bebedouros devem ficar a uma altura de mais ou menos 4 cm acima do dorço das aves, para evitar que os pintos derrame a água sobre a cama (veja desenho ao lado). Os outros modelos devem ser regulados conforme orientação dos fabricantes. 

Campánulas

Nos primeiros dias de vida do pintinho, manter uma boa fonte de calor é de fundamental importância para o desenvolvimento dos mesmos. Para isso, é utilizado dois modelos de campânolas: as elétricas e as campânulas à gás GLP (de cozinha). Esses utensílios são encontrados com facilidade nas lojas do ramo. Normalmente, as campanolas podem ser a gás ou com energia elétrica. As mais usadas são as com capacidade para 500 pintos. As campanolas podem ser usadas até os 30 dias de vida do pintinho, isso depende da temperatura da região onde o aviário está localizado. Os pintinhos nascem com uma temperatura em torno dos 39,5°C e o produtor deve aos poucos, ir baixando essa faixa de temperatura conforme os pintinhos vão ficando empenados. A falta ou excesso de calor pode prejudicar a saúde dos pintinhos. Portanto, o tratador das aves deve manter a atenção redobrada enquanto houver a necessidade de aquecimento externo.Cortinas

Para reduzir custos, o avicultor pode improvisar uma campânula usando uma lâmpada de 60 ou 100 watts com um algum material que possa refletir o calor em direção ao chão do galpão (ex. bacia revestida com papel alumínio). 

O avicultor deve criar as condições necessárias para que as aves encontrem o conforto ambiental dentro do aviário. As temperaturas adequadas para um desenvolvimento saudável das aves são as seguintes: 

Cortinas

Localizada nas laterais dos galpões, este é um recurso muito usado para proteger as aves contra as intempéries climáticas e fazer a troca de ar no interior do galpão. Este item não pode ser negligenciado no projeto dos aviários. 

Ninhos

No galpão de aves de postura deve-se colocar uma “bateria de ninhos” com a finalidade de evitar que galinhas ponham os ovos no chão do galpão. Isso evita maiores problemas de infecção por fungos e bactérias nos ovos. 

Poleiros

Este recurso está mais ligado a uma prática de bem estar animal em função das aves, quando soltas, procurarem lugares mais altos para passarem a noite. 

Ventiladores

Nas regiões mais quentes do país, o uso de ventiladores se torna indispensável nos projetos dos aviários, pois eles possibilitam uma redução considerável da temperatura dentro do galpão. O uso dos ventiladores não dispensam a plantação de árvores ao redor dos galpões para proporcionar sombras às aves. 

Gerador de energia

Este equipamento não precisa ser adquirido na fase inicial da avicultura. Porém, o avicultor deve providenciá-lo com a maior brevidade possível para que em caso de falta de energia da operadora, esse equipamento possa fornecer energia à propriedade, principalmente quando tem ovos sendo incubados. 

Caixa de agua

As aves, assim como os humanos, necessitam receber água de qualidade para seu consumo diário. Desta forma, é possível garantir ao plantel melhores condições de higiene e, sobretudo, proteger as aves contra uma série de doenças. Em todas as fases de criação da ave a água deve ser oferecida em temperatura média 22°C e de forma abundante. O consumo da água está diretamente ligada a temperatura do ambiente, idade das aves, quantidade de sal e proteínas da ração e qualidade da mesma. Veja tabela abaixo. 

Balança

Periodicamente, a pesagem de amostras da criação é de extrema importância para acompanhar o desenvolvimento das aves. Para isso, o criador deve providenciar uma balança que possa atender de forma satisfatória essa necessidade. 

Thermo Higrômetro

O avicultor deve acompanhar diariamente as condições climáticas do seu aviário e tomar as medidas necessárias para proporcionar às aves uma condição adequada para um bom desenvolvimento. Para monitorar a temperatura e a umidade do aviário o termo-higrômetro deve ser mantido a uma altura de aproximadamente 50 cm do chão do aviário. 




20 de out. de 2021

PROCESSO DE REPRODUÇÃO DE GALINHAS CAIPIRAS

 

Manter um processo de reprodução eficiente na propriedade rural é de extrema importância para o avicultor, em função de ser a base da cadeia de produção do seu projeto de criação. 

Um projeto de avicultura bem estruturado deve sempre manter um bom plantel de aves matrizes com vários reprodutores que comprovadamente façam uma boa transferência genética aos seus descendentes e que possam se reproduzir de forma sistemática afim de manter a regularidade no fornecimento de aves para o mercado consumidor. 

MONTA NATURAL

Por apresentar uma grande facilidade de manejo, esse é o modo mais comum de reprodução das aves nas propriedades brasileiras. Cabe ao produtor fazer a formação das famílias e separá-las em grupos de no máximo 10 fêmeas para cada macho. 

Nesse sistema de reprodução o avicultor deve ficar atendo a um comportamento muito comum entre as aves que é a monta preferencial entre alguns galos e galinhas.

Quando o produtor perceber esse comportamento entre suas aves ele deve fazer a troca entre as famílias formadas pelas galinhas do seu plantel para evitar o problema de infertilidade dos ovos. 

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL

O procedimento de inseminação artificial é uma prática pouco realizada nos pequenos aviários, porém ela é capaz de trazer melhores taxas de fertilidade dos ovos quando aplicada corretamente. O que garante o sucesso nessa prática é possibilidade de aproveitar ao máximo a produção de sêmen de um reprodutor e a certeza de que todas as galinhas do plantel foram devidamente inseminadas. 

MANEJO DOS OVOS PARA INCUBAÇÃO

Somente se conseguem ótimos nascimentos e pintinhos de boa qualidade quando se mantém o ovo em ótimas condições, desde a postura até a colocação na máquina incubadora. Lembremos que o ovo contém muitas células vivas. Uma vez posto o ovo, o potencial de nascimento pode, na melhor das hipóteses, ser mantido, mas nunca melhorado. Se o manejo for insatisfatório, o potencial de nascimento pode se deteriorar rapidamente. 

COLETA DOS OVOS PARA INCUBAÇÃO

Deve-se realizar a coleta e conjuntamente, uma pré-seleção desses ovos. No mínimo cinco coletas por dia (três pela manha e duas pela tarde) devem ser realizadas. Atualmente, recomendações de sete a dez coletas diárias têm sido mais preconizadas por acreditar-se que quanto maior o numero de coletas, melhor será qualidade do ovo incubável. Os objetivos com esta prática são: reduzir o numero de ovos trincados e quebrados; reduzir o numero de ovos postos na cama e, portanto, reduzir a contaminação; reduzir o tempo de permanência dos ovos em ambiente contaminado. 

A maior concentração de postura é no período da manhã. Desta maneira, as coletas de ovos devem ser concentradas no período das 6 às 12 hora, no mínimo 4 vezes por período. No período entre 13 a 17 horas, as coletas de ovos devem ser no mínimo 3 vezes por período. 

Os funcionários devem desinfetar as mãos antes de colher os ovos, principalmente se os ovos de cama forem recolhidos inicialmente. 

Recomenda-se que os ovos Durante a colheita sejam acondicionados em bandejas de plástico desinfetadas, pois são laváveis, de fácil desinfecção e possibilitam melhor circulação de gás durante a fumigação. 

SELEÇÃO DOS OVOS

É necessário descartar os ovos que apresentem pouca chance de eclosão ou que impliquem na produção de pintainhos de baixa qualidade. Ovos muito grandes ou muito pequenos dificultam a incubação, ovos deformados, casca trincada, casca suja (sangue, fezes de galinha, fezes de mosca), casca anormal, alteração da coloração normal da casca, entre outros fatores podem implicar no descarte desses ovos para a incubação. 

Ovos sujos normalmente são provenientes de cama, porém podem ser de ninho quando as fêmeas dormirem nos ninhos ou quando o intervalo entre as coletas é muito grande. Ovos sujos geralmente têm taxas de nascimento 10% a 15% menores que as obtidas com ovos limpos. O ideal é não incubar os ovos sujos. 

Os ovos postos sobre a cama são contaminados e exigem cuidados especiais na coleta e higiene. A coleta, o armazenamento e a incubação dos ovos de cama devem sem sempre separados dos ovos de ninho, pois têm menor eclodibilidade e explodem mais nas incubadoras que os ovos de ninhos devido a maior contaminação verificada naqueles ovos. 

HIGIENIZAÇÃO DOS OVOS

A higienização dos ovos deve ser feita imediatamente após a colheita, e devem ser limpos a seco pois a prática de lavar ovos sujos e de cama aumenta a contaminação. Os ovos sujos podem contaminar os demais e, por isso representam um risco para o incubatório, além de conferirem uma queda expressiva na eclosão. 

A superfície dos ovos em nenhum momento pode ser considerada um ambiente estéril. Apesar de ser produzido por reprodutora saudável, o ovo pode ser contaminado por fezes, material de ninho, mãos do tratador, água, bandejas, cama, piso e poeira. 

Ao passar pela cloaca, o ovo já sofre uma contaminação e quando em contato com o ninho e com o ambiente do galpão tem aumentada essa contaminação. Apesar das barreiras naturais do ovo, muitas bactérias passam para o seu interior devido ao diferencial de temperatura no resfriamento pós-postura. Neste contexto, é muito importante reduzir esta carga microbiana, pois quanto menor for a contaminação, menor será a possibilidade de o embrião morrer devido à contaminação. 

Ovos com boa qualidade de casca, com peso específico adequado podem ter penetração de bactérias em apenas 30 minutos. Mesmo os ovos que são livres de organismos patogênicos, podem ser contaminados com microorganismos que não são patogênicos mas que se desenvolvem durante o processo de incubação, produzindo gases que podem ocasionar o estouro dos ovos na máquina de incubação e a contaminação dos demais ovos. 

Desta maneira, recomenda-se que a primeira higienização seja realizada no momento da coleta, no máximo 30 minutos após a postura, tentando assim evitar que os microorganismos atravessem a casca e contaminem a clara e a gema. 

A contaminação inicial do ovo apresenta apenas algumas colônias de microorganismos, os quais multiplicam-se dez vezes em apenas 60 minutos. 

A) HIGIENIZAÇÃO ÚMIDA A imersão dos ovos em solução de desinfetantes ou antibióticos é usada par a eliminação dos microorganismos sobre a casca do ovo. Esse método é pouco usado na indústria avícola por ser menos eficiente, uma vez que, a cada imersão, a solução vai se saturando com resíduos orgânicos e reduzindo a ação do desinfetante. 

A imersão consiste em mergulhar os ovos numa solução de amônia quaternária à base de 200ppm ou de dióxido de cloro à base de 80 ppm logo após a coleta. 

Os dados encontrados na literatura divergem sobre qual deve ser a temperatura e o tempo ideais, podendo se encontrar trabalhos feitos com imersão em soluções com temperatura entre 39 e 42°C (Proudfoot ET al., 1985) a 35°C por 10 segundos (Donassolo, 2004), 30°C (Soncini & Bittencourt, 2003), 25 a 43°C por 3 minutos (Barros Et al, 2001) e 45°C por 30 segundos (Oliveira & Silva, 2000). 

Segundo Mauldin (2002), a imersão deve ser feita por 5 minutos citando que quando a imersão é feita em período de tempos excessivametne longos a temperatura do embrião pode elevar-se resultando em mortalidade embrionária. Por outro lado, se o processo é feito em curto espaço de tempo não irá promover a desinfecção adequada. 

B) HIGIENIZAÇÃO ÚMIDA MANUAL A lavagem direta pode ser manual, usando-se uma solução de amônia quaternária 80%, á base de 2%, e formol 37%, a 1%. Essa técnica é usada para higiene de ovos sujos. Existe o inconveniente de reduzir a eclosão e estourar os ovos durante o processo de incubação. 

C) HIGIENIZAÇÃO ÚMIDA PULVERIZAÇÃO A pulverização foi introduzida no Brasil, em 1980, pela equipe da empresa Big Birds S/A com a finalidade de substituir o formol. 

É uma técnica simples, econômica e eficaz. Quando bem aplicada, reduz a contaminação dos ovos e não afeta a eclosão. 

Entre os produtos mais usados na avicultura brasileira, estão a amônia quaternária e o formol ou a combinação desses. 

Os ovos devem ser pulverizados, no Máximo, 30 minutos após a coleta, antes que sejam penetrados pelos microorganismos. As bandejas também são pulverizadas com a mesma solução antes de receberem os ovos. Um simples pulverizador é suficiente para essa operação. Em seguida, os ovos são guardados num armário livre de poeira. 

Muitos desinfetantes têm sido usados na desinfecção úmida (pulverização) como: 

· Amônia quaternária: 1.000 a 4.800ppm; 

· Formalina, solução: 1 a 1,5%; 

· Água oxigenada, solução: 1,0 a 5,0%; 

· Bióxido de cloro, solução: 30 a 40ppm; 

· Fenólicos, solução: 1.600ppm; 

· Glutaraldeído, solução: 1.000ppm; 

· Clohexidina, solução: 0,08 a 0,10ppm; 

· Proxitane, solução: 200ppm; 

· Combinações de amônia com: formalina, glutaraldeído, água oxigenada, ácido acético; 

· Combinações de água oxigenada com: ácido acétiico, ácido paracétio. 

 Todos esses produtos podem combater os microorganismos contaminantes da casca do ovo, porém só serão eficazes se forem considerados os fatores interferentes, como: 

· Incompatibilidade; 

· Dosagem; 

· pH; 

· Concentração do principio ativo; 

· Presença de matéria orgânica; 

· Perfumes de azeites componentes do desinfetante; 

· Excesso de minerais na água; 

· Temperatura da água. 

ESTOCAGEM DOS OVOS

A estocagem dos ovos férteis é uma prática comum e muitas vezes necessária na incubação comercial. Na maioria das vezes, o objetivo é evitar a mistura de ovos de diferentes lotes e idades, ou de lotes com status sanitário duvidoso e a incubação de um maior volume de ovos para atender uma demanda programada. O manejo de estocagem depende de vários fatores, entre eles as condições ambientais, linhagem, idade do lote, características físicas e químicas do ovo, estagio do desenvolvimento embrionário e tempo de estocagem, fatores esses que afetam a eclodibilidade e qualidade do pinto ao nascer. 

A) ARMAZENAMENTO DOS OVOS O armazenamento dos ovos férteis é uma prática, muitas vezes, necessárias na incubação comercial. Na maioria das vezes, o objetivo é evitar a mistura de ovos de diferentes lotes e idades. Porém, esta prática pode implicar em alterações na eclodibilidade dos ovos, necessitando de atenção aos fatores relacionados com a prática, como temperatura, umidade e tempo de armazenamento. 

B) TEMPERATURA Os ovos devem ser armazenados em temperaturas abaixo do “zero fisiológico” (23,9°C) para evitar o desenvolvimento do embrião fora da incubadora. Normalmente, é utilizada a temperatura entre 18 e 21°C consideradas ideais para o armazenamento dos ovos. O resfriamento dos ovos deve ser lento, sedo realizado num período entre 6 a 8 horas. 

C) UMIDADE A umidade relativa deve ser mantida entre 70% e 85%, para evitar a desidratação do embrião e a condensação de gotículas na superfície dos ovos. 

D) TEMPO O tempo Máximo de armazenamento é de 4 dias, principalmente para o armazenamento de ovos provenientes de matrizes com mais de 48 semanas de idade. Ovos de matrizes com menos de 48 semanas de idade possibilitam um tempo de armazenamento de até 7 dias sem prejuízos na eclosão. A partir daí a eclodibilidade cai na proporção de um ponto percentual por dia a mais de armazenamento. Os ovos postos pela manhã devem ser armazenados à tarde e, os postos à tarde devem ser armazenados à noite. 

INCUBAÇÃO  NATURAL

Usar galinhas para fazer a incubação dos ovos em um aviário comercial só é viável no início da criação. Depois que demanda pelo produto aumenta, essa prática torna-se economicamente não sendo interessante para o avicultor, pois é muito difícil para produtor manter um plantel de aves apenas para incubar os ovos sem que o avicultor consiga manter um programa de incubação de forma sistemática que atenda as necessidades de produção. 

INCUBAÇÃO ARTIFICIAL

O rendimento da incubação está estreitamente relacionado coma mortalidade embrionária, à qual sofre influencia da gravidade especifica (espessura da casca) e da capacidade do ovo em perder umidade. O acompanhamento dos resultados de incubação, para conhecimento sistemático dos índices de nascimento através da eclosão e da eclodibilidade, são de fundamental importância para avaliação dos possíveis fatores que limitam a produtividade do incubatório. 

A eclosão é obtida pela relação entre o numero de pintos nascidos e o total de ovos incubados (formula 1). Ela representa um índice geral, que caracteriza o desempenho tanto da granja produtora de ovos quanto do incubatório. 

Já a eclodibilidade consiste em uma avaliação mais específica do incubatório. Para sua obtenção utiliza-se a relação entre os pintos nascidos e o total de ovos férteis incubados (formula 2). Para essa avaliação é indispensável que seja realizada a ovoscopia (processo de retirada de ovos claros ou inférteis, realizada no décimo dia de incubação ou transferência da incubadora para o nascedouro) esta pratica permite também determinar a fertilidade aparente do lote. (formula 3). 

Após o nascimento dos pintos deve ser realizada a quebragem dos ovos não eclodidos para avaliação da mortalidade embrionária precoce (1 a 5 dias) intermediária (6 a 15 dias) e tardia (16 a 21 dias, de incubação). 

Valores de 88 e 96% para eclosão e eclodibilidade, respectivamente, refletem boas práticas na granja produtora de ovos férteis e no incubatório, ressaltando-se o manejo sanitário. 

É importante salientar que a qualidade do pinto está estritamente relacionada com as características do ovo incubado. Neste sentido é fundamental a manutenção de suas propriedades reprodutivas para a produção de pintos viáveis e com alta qualidade. 

A) TEMPERATURA A produção industrial de pintos de corte constitui um dos fatores de maior importância no desenvolvimento da indústria avícola moderna. O processo produtivo envolvido na atividade do incubatório é constituído por entradas (ovos férteis) e transformação biológica dessas entradas em produtos (pintos de um dia), agregando valor. O sucesso desta atividade envolve condições ótimas de manejo, considerando as pressões impostas aos animais pelo ambiente, somatório de fatores biológicos e físicos, dentre os quais se destacam a temperatura de incubação e a umidade relativa. (GONZALES, 1994). 

A temperatura é o fator ambiental mais importante e critico que afeta diretamente a eclodibilidade. Os reflexos da temperatura de incubação baixa ocasionam retardo no desenvolvimento embrionário e diminuição do ritmo de batimento cardíaco, com atraso de nascimento, má formação do animal e umbigo não cicatrizado. Temperaturas altas promovem aceleração no desenvolvimento do embrião com má posição embrionária, umbigo mal cicatrizado, pouca penugem, bicagem e nascimentos adiantados. (GUSTIN, 2003). A temperatura ideal para obtenção de bom desempenho zootécnico está em torno de 37,8°C e que a variação desta não deve ser superior a ± 0,3°C, uma vez que variações desta amplitude provocam impacto muito grande na incubação, dilatando o período de nascimento. 

B) UMIDADE A umidade relativa é outro ponto a ser levado em consideração, no entanto, esta pode variar muito mais que a temperatura sem causar danos sérios a eclodibilidade. Porém, deverá ser mantida em determinada amplitude para assegurar a obtenção de bons resultados. Se a umidade relativa for muito alta, os embriões tendem a eclodir precocemente. (DECUPYERE et al., 2003) 

Durante a incubação, a taxa de perda evaporativa de peso do ovo é controlada, em grande parte, pela umidade relativa da máquina incubadora e, também, influenciada pela qualidade da casca. Essa perda de peso tem sido associada a resultados de incubação e utilizada como ferramenta eficaz para avaliar o rendimento desse processo 

C) OXIGENAÇÃO E VENTILAÇÃO Para favorecer o metabolismo no desenvolvimento de um pintinho saudável, oxigênio tem que ser fornecido e o gás carbônico têm que ser retirado do ovo na forma de dejetos. Consequentemente, a manutenção dos níveis corretos de oxigênio durante todo o ciclo de incubação tem um efeito benéfico no desenvolvimento do sistema circulatório e no crescimento do embrião. Além de aumentar o desenvolvimento dos embriões nas incubadoras, a estimulação pelo controle preciso do oxigênio nos nascedouros conduz a uma melhor eclosão, redução na janela de nascimento e a uma melhor qualidade do pintinho. 

D) VIRAGEM Essa é uma prática muito importante no processo de incubação, ela evita que o embrião cole na membrana interna do ovo além de garantir a temperatura adequada em toda circunferência do ovo. 

Portanto, quando o ovo é colocado em condições de incubação, isto é, oxigenação em torno de 21%, temperatura (entre 37,5°C e 38,1°C), umidade relativa (entre 60% e 75%) e viragem (mínimo de 4 em 4 horas) o embrião encontra o ambiente ideal para um desenvolvimento equilibrado e saudável. 

E) PRÉ-AQUECIMENTO Esse procedimento é fundamental para que os ovos não sofram um choque de temperatura e com isso, reduzir a taxa de eclosão. Quando os ovos passam por um processo de resfriamento na estocagem, o pré-aquecimento deve ser feito antes que os mesmos sejam colocados na chocadeira, esse processo deve ser feito de forma lenta num período de 6 a 12 horas a uma temperatura de 24 a 30°C e umidade variando entre 60 e 70%. Para um bom desenvolvimento do embrião a temperatura interna do ovo, no momento da incubação, deve variar entre 26 e 28°.