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18 de ago. de 2015

Manejo Ambiental na Avicultura


Aspectos Agro e Zooecológicos

A cadeia de produção avícola nacional constituí-se no setor pecuário com maior índice de industrialização. As questões ambientais relacionadas a essa atividade tomam uma importância ainda maior, devido aos vários atores desta cadeia exigirem um desenvolvimento produtivo com qualidade nutricional e ambiental, principalmente, os consumidores.
O Sistema de produção profissional para frangos de corte coloniais é um sistema orientado para o mercado, portanto com qualidade suficiente para atender as exigências dos supermercados brasileiros e para exportação. É ideal para pequenas propriedades rurais que praticam agricultura familiar, incluindo assentamentos rurais e agrovilas. É desejável que os produtores pratiquem agricultura com produção de grãos, forragens, hortaliças e fruticultura e ao utilizar as sobras dessas produções, possam agregar valor a esses subprodutos e ao mesmo tempo melhorar as características diferenciais da carne do frango; tais como, sabor e pigmentação da pele.
O sistema de produção para frangos de corte coloniais está normatizado no Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento no ofício circular DOI/DIPOA no. 007/99, sobre o registro de produto Frango Caipira ou Colonial. Esse documento define que deve se utilizar linhagens específicas, de crescimento lento, para chegar no peso ideal de abate com a idade mínima de 85 dias e que os pintos devem ter acesso ao piquete a partir dos 28 dias de idade e que em nenhuma fase da vida sejam alimentados com rações contendo promotores de crescimento, nem subprodutos de origem animal, como farinhas de carne por exemplo.
Para a implantação de projetos de produção de frango colonial nos municípios brasileiros, as prefeituras municipais não necessitam fornecer recursos financeiros, mas sua equipe técnica deve estar apta a conceber os projetos de produção, encaminhá-los para financiamento bancário e organizar os produtores interessados no mesmo assunto em associações. Normalmente as prefeituras municipais efetuam convênios com empresas estaduais de pesquisa e extensão rural para realizar essa tarefa.
Os projetos devem em primeiro lugar efetuar uma análise de mercado para definir o tamanho do mesmo e o tipo de produto demandado, a periodicidade e o selo de qualidade mais adequado para a situação. Devem também identificar quais os produtores interessados e quais os pontos fortes e pontos fracos de cada produtor. Pontos fortes devem ser multiplicados e no caso dos pontos fracos os mesmos devem ser melhorados. Normalmente um dos pontos fracos é a dificuldade em trabalhar junto à associações, outro, é a falta de atuação profissional, o que pode ser mudado via capacitação. Existem várias instituições oficiais e privadas que proporcionam essa capacitação.
O passo seguinte diz respeito ao sistema de produção com as recomendações de instalações, raças, reprodução, manejo, biosseguridade, cuidados sanitários, alimentação.
O passo posterior, e igualmente importante, diz respeito às definições logísticas em relação as demandas do mercado. Nessa etapa o projeto deve prever a origem dos pintos, matrizes ou dos ovos. Adquirir os pintos no mercado, exigindo-se qualidade e regularidade, até que o volume demandado seja suficiente para compensar a montagem de granja de matrizes própria. O planejamento para montagem de granja de matrizes ou de incubatório, são projetos a parte, não necessários para o início do empreendimento.
Também é necessário identificar quem fornece a ração ou os ingredientes, bem como as misturas minerais e vitamínicas. Os macroingredientes das dietas podem ser produzidos na propriedade, como os grãos de cereais. Os demais ingredientes e aditivos devem ser adquiridos de fornecedores idôneos.

É necessário definir também quem procede o transporte. Normalmente uma terceira parte, tem se especializado nesse assunto, não necessitando investimentos em veículos, bastando apenas alugar os fretes.

Essas questões ambientais, as quais até um passado recente, não eram consideradas pelos produtores rurais no manejo de sua unidade produtiva, a partir desse momento, passam a ser parte integrante do manejo cotidiano. Com isso, antes da própria implantação da atividade, algumas exigências devem ser contempladas para que a criação não seja uma fonte geradora de poluição. Essas exigências compreendem: 

a-) realizar um estudo preciso das características zootécnicas, hídricas, edafo-climáticas, sociais e econômicas da criação;

b-) identificar os resíduos gerados pela atividade, isso possibilitará o perfeito manejo dos resíduos e dimensionamento do sistema de tratamento;

c-) determinar a capacidade suporte dos recursos naturais em receber os resíduos, com o estabelecimento de indicadores ambientais para monitorar a atividade;
d-); identificar outras cadeias produtivas que poderão consorciar-se com a avicultura; 
e-) detectar áreas ambientalmente sensíveis na propriedade e no seu entorno; f-) ter conhecimento das principais disfunções que os resíduos podem causar ao homem e animais com levantamento dos primeiros sintomas e socorros necessários;
g-) estabelecer um programa de gerenciamento ambiental considerando, não só, a unidade produtiva, mas também, a bacia hidrográfica que esta se insere. Quando ocorrer uma expansão da criação, estes parâmetros devem ser novamente considerados antes da execução desta expansão.

Sendo esse diagnóstico inicial positivo quanto as questões ambientais, ou seja, a implantação da atividade não irá causar danos ao meio ambiente. Um Plano de Gestão Ambiental deve ser delineado para ser aplicado após a implantação da atividade. Nesse deve-se caracterizar a severidade e probabilidade dos riscos ambientais e dispor de um plano de ação para o caso de ocorrer algum problema. No plano os seguintes tópicos devem ser considerados:
1. Caracterização dos residuos produzidos: os resíduos produzidos pela avicultura de corte compreendem a cama de aviário e as carcaças de animais mortos. A cama é constituída das excretas das aves, material absorvente (que pode ser, maravalha, serragem, sabugo de milho triturado, capins e restos de culturas), penas, restos de alimento e secreções Para um correto manejo deste resíduo é necessário que se conheça sua composição, o ideal é a realização de uma análise da cama para que o manejo seja feito com maior precisão. A quantidade de carcaças geradas irá depender da eficiência produtiva da criação, assim, quanto melhor o manejo, menores serão os índices de mortalidade e consequentemente uma menor quantidade desse resíduo será gerada.
2. Mitigação dos impactos ambientais: a melhor forma para não se causar a depreciação dos recursos naturais é através da aplicação de boas práticas de produção as quais comprendem atitudes que os produtores devem ter para atingir a sustentabilidade da produção.
3. Aproveitamento dos resíduos: a cama pode ser aproveitada como fonte de nutrientes para as culturas vegetais após sofrer uma compostagem ou biodigestão, sendo os produtos destes processos o composto ou biofertilizante, respectivamente. As carcaças devem sofrer um processo de tratamento, sendo o mais correto, ambientalmente, a compostagem, mas o composto oriundo destes resíduos só deve ser aproveitado para a adubação de culturas florestais e jardinagem devido a questões sanitárias. Independente do tipo de substrato que se tenha, sua aplicação no solo deve respeitar condições básicas para que não ocorra poluição ambiental ou coloque em risco a saúde humana e animal. Isto envolve um balanço de nutrientes onde as características dos solos, culturas e resíduos são consideradas em conjunto.
4. Tratamento dos resíduos: os dois sistemas utilizados para o tratamento dos resíduos avícolas são a compostagem e a biodigestão anaeróbia. Em ambos ocorre a geração de produtos que devem ser aproveitados a fim de viabilizar ambientalmente a criação. Os produtos são o composto e o biofertilizante, utilizados como fonte de nutrientes para as culturas, e o biogás utilizado como fonte de energia térmica para iluminação, aquecimento e movimentação de equipamentos e máquinas. A cama também pode gerar energia através de sua combustão, mas esta não é aconselhável pelos danos à atmosfera, pela emissão de gases e, devido ao custo dos incineradores.
5. segurança humana e ambiental: essas atitudes possibilitarão a manutenção da qualidade de vida do produtor e a saúde do meio ambiente e do rebanho. Inclui-se também a minimização da produção de espécies nocivas, como a criação de moscas,cascudinhos e roedores, ocasionada pelo mau manejo dos resíduos e entulhos.
6. Outras considerações: devido a promulgação da Instrução Normativa nº 15, de 17 de julho de 2001 (DOU de 18-7-01) que, no 2º artigo, proíbe em todo território nacional a produção e a comercialização de cama de aviário para a alimentação de ruminantes. Esse tema não será considerado.
7. Racionalização do uso de recursos naturais e insumos: sendo a avicultura altamente dependente de recursos naturais como água e solo e, insumos, principalmente, ração e energia elétrica. O uso racional destes irá proporcionar uma longevidade produtiva à criação e vantagens econômicas a serem refletidas no custo de produção.



Boas práticas de produção em avicultura 

Considerando os recursos naturais as BPPs compreendem:
  • Água;
A água para utilização na avicultura só poderá ser extraída de fontes sustentáveis e que a forneçam em condições ideais de qualidade e quantidade. Estas fontes devem estar protegidas de cargas poluidoras e do acesso de pessoas e animais. Se a água for proveniente do subsolo, deve-se compatibilizar o consumo com o potencial de recarga.
Deve-se solicitar permissão das autoridades competentes para a utilização da água da criação.

Análises prévias da disponibilidade e qualidade da água devem ser realizadas para manutenção da sustentabilidade do sistema ao longo do tempo. Após a implantação, realizar análises semestrais da qualidade físico-químico-biológica da água de dessedentação.

Estabelecer um correto sistema de drenagem na propriedade, principalmente, nas áreas adjacentes aos sistemas de armazenamento e tratamento de resíduos. A formação de charcos ou alagamentos atraem animais silvestres, podendo-se tornar focos de contaminação, promovem a perda de nutrientes por lixiviação e salinização do solo.
Otimizar o consumo de água através de programas de reutilização das águas pluviais, em usos como higienização de instalações.
  • Solo
Identificar os tipos de solos existentes na propriedade através do seu perfil e anáises de fertilidade anuais. Tais informações são essenciais para a elaboração do plano de uso dos resíduos como fertilizante.

Avaliar os riscos de poluição ambiental existentes para o aproveitamento dos resíduos no solo levando-se em conta o uso anterior, a aplicação de outros fertilizantes químicos ou orgânicos, as características do solo, o tipo de cultura a ser implantada e o impacto do cultivo em áreas adjacentes.

A aplicação de resíduos deve ser realizada seguindo-se um plano de manejo de nutrientes, considerando-se a quantidade de nutrientes no resíduo e no solo e a exigência da cultura.

Quando se utilizar fertilizantes químicos deve-se considerar o aporte de matéria orgânica nos cálculos das necessidades e freqüências de fertilização.

Devem ser otimizadas as formas de transporte e aplicação de resíduos no solo a fim de se evitar as perdas de nutrientes por escoamento superficial e percolação, com isto a freqüência, quantidade e época de aplicação devem ser consideradas em conjunto.

A distribuição dos resíduos no solo deve ser feita de forma uniforme pois a aplicação em camadas desiguais e espessas, onde as moscas podem efetuar a postura, podem desenvolver uma nova geração de moscas no campo, quando ocorrem chuvas freqüentes.
Os resíduos não devem ser aplicados quando existir probabilidade de chuvas nos próximos três dias e/ou não seja possível sua imediata incorporação ao solo.

Quando a área destinada ao aproveitamento estiver exposta ao recebimento de águas de zonas adjacentes, deve-se proceder análises do solo após as estações chuvosas para identificação de possíveis mudanças nas suas características.
Registrar o local e dimensões das áreas ocupadas com cada cultivo com seu respectivo manejo; quantidade, freqüência, forma de disposição e tipo de adubo utilizado e cronograma de aplicação de adubos e fertilizantes.

Quando se utilizar área de terceiros para o aproveitamento dos resíduos no solo, os mesmos diagnósticos e práticas devem ser considerados.
  • Ar
No manejos dos resíduos deve-se considerar a distribuição dos ventos dominantes no local, sendo que estes não se dirijam dos pontos de manipulação dos resíduos para áreas onde ocorram concentrações humanas.

Os resíduos deverão ser aplicados no solo quando os ventos estejam previstos para soprarem para longe de áreas sensíveis.

A aplicação de resíduos no solo não deve ser feita nos finais de semana.

Monitorar as emissões e concentrações de gases prejudiciais a saúde humana e animal presentes nas instalações animais, sistemas de armazenamento e tratamento e durante a aplicação no solo.



Balanço de nutrientes

O conceito de Balanço de Nutrientes considera que só deve ser aplicado ao solo as quantidades de nutrientes a serem extraídas pela cultura subseqüente, o excesso poderá causar danos ambientais ao solo, água e ar; fitotoxidade das culturas; mortalidade dos elementos da fauna; proliferação de insetos, vermes e roedores; desenvolvimento de doenças em humanos e animais e possível deterioração da qualidade dos produtos agrícolas produzidos a partir do solo que recebeu o resíduo. Um forma de diminuir os desequilíbrios entre a proporção de nutrientes nas camas e a capacidade de extração das plantas, é o correto manejo nutricional do plantel, reduzindo-se as quantidades de matéria orgânica e de nutrientes excretados, especialmente os micronutrientes.

Para diminuir o impacto ambiental do aproveitamento deve-se: evitar o excesso de nutrientes nas rações, principalmente, de N, P, Cu e Zn; tratar os resíduos para inativar os organismos patogênicos; limitar a quantidade de nutrientes à capacidade de extração das plantas em cada solo; analisar, periodicamente, o solo e as águas superficiais e subterrâneas para detectar sua eventual poluição e contaminação; acompanhar o desenvolvimento das plantas para detectar eventuais anomalias e utilizar espécies de plantas com alta e seletiva capacidade de extração de nutrientes, para a remoção daqueles já excedentes no solo.


Compostagem

O manejo da compostagem é feito colocando no piso revestido da composteira, 30 cm de uma fonte de carbono que também permite a aeração das carcaças, podendo ser: maravalha nova, palhada de qualquer cultura ou cama de aviário. Adicionar uma camada de carcaças, deixando um espaço de 15 cm entre as aves e as paredes, sem amontoar as aves. Rodear as carcaças com o material aerador até quase cobri-las. Acrescentar água na proporção de um terço do peso das aves (para cada 10 kg de aves acrescentar 3 litros de água). Cobrir com uma camada de 15 a 20cm de material aerador seco. Continuar colocando as carcaças rodeadas pelo material aerador, acrescentando água e cobrindo com nova camada de material aerador até atingir 1,50 m de altura. Fecha-se a pilha acrescentando uma camada espessa de material aerador seco e deixando fermentar, no caso de frangos de corte, por 10 dias. A fermentação diminui o volume das carcaças permitindo que se trabalhe até 600kg de carcaças em uma câmara de 2x2x2m, com altura da pilha de 1,50m. Após os 10 dias pode-se retirar o composto da câmara e refazer a pilha em camadas, acrescentando água, deixando outros 10 dias para a fermentação total dos resíduos. Após esse prazo o material pode ser utilizado como adubo ou ser mais uma vez utilizado como material aerador na formação das novas pilhas.


Biodigestão anaeróbia

A biodigestão anaeróbia é um processo de tratamento que ocorre dentro de biodigestores, sendo dependente de uma série de condições físicas, químicas e microbiológicas para ser realmente eficiente. Como a cama de aviário tem sua geração de forma periódica, o tipo de biodigestor mais adaptado a esta é o denominado Biodigestor Batelada.
O manejo cotidiando deste tipo de biodigestor é muito simples não demandando elevada mão de obra para realiza-lo, mas a qualidade deste manejo, entendida como o conhecimento que o produtor tem sobre o sistema e o processo, é fundamental para que o resíduo seja realmente tratado.

Segurança humana e ambiental 

Ao menos um integrante e/ou assessor técnico da propriedade deve estar de posse de título/certificado que o reconheça como apto à desenvolver a atividade avícola. Atividades técnicas que permeiem a avicultura e estejam além do conhecimento técnico dos integrantes do sistema devem ser equacionadas com o auxílio de profissionais reconhecidos.

O produtor deve considerar como pode ajudar a melhorar as condições ambientais no entorno de onde desenvolve sua atividade de maneira que beneficie a conservação dos recursos naturais e da biodiversidade.

O produtor deve ter conhecimento de toda legislação referente a sua atividade, principalmente, aquela relacionada a conservação dos recursos naturais. E dispor de uma lista de telefones úteis como laboratórios de análises, órgãos de pesquisa, ambientais, de extensão e fiscalização.

As áreas ao redor dos sistemas de tratamento e armazenamento de resíduos devem estar protegidas do trânsito de pessoas e animais, bem como, de eventuais acidentes que possam ocorrer, devendo possuir sinais/cartazes permanentes e legíveis nos quais estejam identificados seus potenciais riscos a saúde e ao meio ambiente.

A mão-de-obra deve utilizar vestimentas e equipamentos adequados ao manejo de resíduos. Sendo que as pessoas que manejam os sistemas de armazenamento e tratamento de resíduos devem passar por exames de saúde anuais.

A maquinaria utilizada no manejo dos resíduos deve ser mantida em boas condições considerando-se, principalmente, sua manutenção e calibração.

Antes do manejo dos resíduos os vizinhos das áreas próximas devem ser notificados da operação.

Manter documentação referente a utilização do uso de antibióticos e outros, catalogando o princípio ativo, forma de utilização, data, período, quantidade, motivo, pessoa que faz a aplicação, fonte de recomendação, respeito ao tempo de carência, se a diluição está sendo feita considerando-se o número de cabeças e, ainda, descarte dos frascos.

Os recursos humanos envolvidos na manipulação e aplicação de medicamentos e outros devem estar devidamente capacitados para isto.





15 de ago. de 2015

GLOSSÁRIO (Frango Colonial)



A
Abate – termo técnico que significa o processo de insensibilização, sangria, depena, evisceração e separação das partes da carcaça para consumo humano. É diferente de sacrifício, pois este não necessariamente destina o produto ao consumo humano.
Aditivo - pode apresentar vários significados, mas em geral, ao serem incorporados na ração, referem-se a substâncias adicionadas em pequenas quantidades para intensificar as propriedades desejáveis e (ou) eliminar as características indesejáveis da dieta. Podem ser classificados em: pró-nutrientes, coadjuvantes de fabricação e profiláticos
Agrovila - Aglomerado de residências no meio rural cujos moradores se ocupam de atividades agrícolas ou rurais.
Apanha - é o ato de pegar (apanhar) a ave e colocá-la dentro da caixa para transporte.
Armazenamento – ato de armazenar os produtos para formar estoque antes de enviar para o mercado.
B
Biosseguridade – conceito que inclui o isolamento e cuidados sanitários e profiláticos dos plantéis para evitar que se contaminem com organismos patogênicos.
C
Caipira – denominação atribuída a pessoas ou produtos oriundos do meio rural não modernizado e sem o uso de técnicas modernas de produção.
Cama - é todo o material distribuído em um aviário para servir de leito aos animais. Mais especificamente chama-se de cama de frango o material que, permanecendo no piso de uma instalação avícola, irá receber excreções, restos de ração e penas. O material mais comumente utilizado é a maravalha ou cepilho de madeira.
Campânula - equipamento côncavo utilizado no aquecimento das aves.
Círculo de proteção - é um círculo montado com chapas de compensados ou folhas metálicas, com altura de 0,40 a 0,60 m, cercando cada um deles, uma área de aproximadamente 7 m2 para 500 pintos. O círculo de proteção tem como função proteger os pintos de correntes de ar e limitar a área disponível aos mesmos, mantendo-os mais próximos da fonte de aquecimento, água e ração.
Colonial – originado na época do Brasil colônia de Portugal. Produzido na colônia – Produzido na propriedade dos colonos (imigrantes) que receberam uma gleba de 25 hectares, gleba essa referenciada como colônia de terra.
Compostagem - processo de degradação biológica da matéria orgânica sobre condições aeróbias, tendo como resultado um material, relativamente, estável denominado de composto.
Congelamento - ato de congelar o produto embalado para prolongar a vida útil durante o transporte e durante o tempo de exposição na prateleira no supermercado.
Cortina - pode ser de plástico especial trançado, lona ou PVC. Confeccionadas em fibras diversas, porosas, permitem a troca gasosa com o exterior, podendo funcionar apenas como quebra-vento, sem capacidade de isolamento térmico. Ela deve ser instalada nas laterais, pelo lado de fora, para evitar penetração de sol, chuva e controlar a ventilação no interior do aviário.
Cutículas – partes córneas da carcaça, principalmente unhas e bico.
D
Densidade de criação - quantidade de aves criadas por m2 de piso.
Depenagem – retirada das penas por meio mecânico (máquinas com dedos de borraçha chamadas depenadeiras).
Dieta - é a mistura equilibrada de ingredientes de modo a proporcionar nutrientes exigidos pelos animais para expressar o seu desempenho produtivo e reprodutivo.
E
Efluentes – água de lavagem dos produtos e das instalações e equipamentos podendo conter resíduos sólidos como vezes, partículas de gordura, penas, ossos, carne, produtos de higiene, que fluem para fora do abatedouro e necessitam destino adequado.
Energia da dieta - é o valor medido em termos de calorias de uma dieta, em geral expresso na forma metabolizável, ou seja, a energia absorvida da dieta nos processos bioquímicos do organismo animal, diminuída das perdas de energia nas fezes e urina.
Embalagem – envolvimento do produto final em filme protetor para evitar contaminação e perda de material.
Escaldagem – passagem da ave após a sangria pelo banho de água quente para soltar as penas e facilitar a depena.
Espera - tempo decorrido entre a chegada das aves ao abatedouro e o início do abate.
Evisceração - ato de retirada das vísceras (papo, estômago, intestinos, glândulas) da ave após a morte.
Exigência - é a quantidade de nutriente ou de energia em gramas ou calorias por dia ou, como porcentagem de uma dieta fornecida em determinada quantidade por dia, requerida para o animal manifestar seu desempenho e(ou) reprodução normais.
F
Fórmulas de ração - são os resultados dos cálculos executados para determinar a quantidade de cada ingrediente que compõem uma dieta.
Frango de corte - macho ou fêmea híbrido duplo resultante do cruzamento de galinhas de corte (matrizes) destinado à produção de carne com alto desempenho e abatido em idade jovem.
Frango de corte colonial - macho ou fêmea híbrido duplo resultante do cruzamento de galinhas de corte (matrizes) destinado à produção de carne com desempenho intermediário e abatido em idade tardia 85 dias.
G
Galinheiro móvel – pequena instalação coberta e cercada para contenção e proteção das aves, que fica instalada dentro dos piquetes, podendo ser trocada de local periodicamente para que as aves utilizem áreas não utilizadas dentro do piquete e descontaminar a área antiga pela atuação dos raios solares. Pode conter comedouro, bebedouro e puleiros no interior do galinheiro.
Gotejamento – retirada do excesso de água das carcaças pelo escorrimento e gotejamento quando penduradas na nória
Grãos – cereais e oleaginosas produzidos na propriedade agrícola que podem se tornar ingrediente para ração, por exemplo, o milho.
H
Híbrido - indivíduo produzido pelo cruzamento de pais de dois genótipos diferentes.
Higienização - limpeza, tornar propício à saúde. Compreende os procedimentos de limpeza e desinfecção do sistema de produção.
I
Ingrediente - se refere a matéria prima que compõe uma dieta e que contém um ou mais nutrientes e energia.
Insensibilização - ou atordoamento, que tem como finalidade o bem-estar da ave.
Inspeção – ato de verificar a conformidade do processo. Normalmente se inspeciona para ter certeza de que a ave abatida não esteja doente e que a sua carcaça tenha sido tratada de maneira a evitar que se contamine com fezes ou outras sujidades.
Inspeção Federal, Estadual ou Municipal – significa que o inspetor é ligado ao sistema federal ou Estadual ou Municipal.

L
Lavagem – retirada das sujidades aderidas a carcaça utilizando água corrente.
M
Manejo – conjunto de práticas sistemáticas e necessárias para a cria, recria e engorda do lote de frangos desde o alojamento com um dia de vida até o carregamento para o abatedouro.
Manejo pré-abate - processo que se inicia imediatamente após a fase criatória, com a retirada da ração, chegando até o abatedouoro.
N
Nutriente - é uma substancia presente na dieta e responsável por função bioquímica e fisiológica no animal.

P
Pendura - é o processo em que as aves são retiradas das caixas e penduradas pelas pernas em suportes (ganchos) ligados à nória.
Piquete - área cercada onde as galinhas tem acesso à pastagem e exercício, isoladas de outras espécies.
Plataforma de recepção - plataforma na entrada do abatedouro onde encostam os caminhões para fazer a descarga das caixas de aves vivas que serão abatidas.
Processamento – todos os processo por onde passa a ave dentro da indústria, desde o abate até o produto final.
Projeto – conjunto de planos e desenhos (plantas) técnicos que especificam todas as etapas do empreendimento, contendo análise prévia da estimativas de produção e rentabilidade.

R
Raça - população de indivíduos com características comuns que são transmitidas de geração para geração e permitem identificação e classificação dos mesmos.
Ração - é determinada quantidade de uma dieta fornecida aos animais na base diária.
Resfriamento – ato de baixar a temperatura das carcaças logo após a lavagem para evitar a proliferação de microorganismos.
Resíduos – partículas formadas no ato de abater, lavar, processar as aves, podem ser fezes, gordura, carne, ossos, cutículas, águas servidas.
S
Sangria - é a operação de abate. Na operação manual o operador corta as veias jugulares, com pouco ou nenhum contato com os ossos do pescoço.
Seleção - escolha dos melhores reprodutores para produzir a próxima geração.
Subprodutos – produtos de interesse secundário que resultam do abate dos frangos, tais como vísceras, sangue, pena.
Sustentabilidade - estado de equilíbrio social, econômico e ambiental em um sistema produtivo, que se perpetua no tempo, garantindo a existência deste para as presentes e futuras gerações.
V
Vazio das instalações - veja Vazio sanitário.
Vazio sanitário - termo comum que designa o período imediatamente após a limpeza e desinfecção do aviário em que esse permanece fechado, interditado sem a presença de animais até o início de um novo alojamento.





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Coeficientes Técnicos na Criação de Frango Colonial




Coeficientes técnicos, custos, rendimentos e rentabilidade


A Tabela 1 mostra os coeficientes técnicos necessários para os cálculos iniciais para a concepção do projeto e também simula e estima os custos de produção de frangos em criações coloniais em projetos de 3000 aves por lote.
Outras recomendações de caráter geral podem ser também seguidas, quando não contrariarem as recomendações específicas da norma, como por exemplo as recomendações de equipamentos, apanha, contenção, transporte, descarga, abate, processamento, comercialização.
Tabela 1. Coeficientes técnicos e econômicos para a integração de frangos de corte coloniais.

Variável
Índices
Vazio Sanitário
14
Densidade Galpão (aves/m2)
10
Densidade parque (m2/ave)
3
Plantel/integrado
3.000
Área de piquete
9.000
Instalações alvenaria (m2)
320
Viabilidade (%)
94
Peso médio do frango (g)
3.100
Conversão alimentar
2,78
Idade de abate (dias)
85
Custo operacional (R$)
0,15
Consumo de ração/ave (g)
8.600
Custo da Ração/kg (R$)
0,55
Custo do Pinto (R$)
0,78
Remuneração do integrado (R$/unidade)
0,60
R$/lote
1.692,00
Custo final frango (R$/Kg)
2,080
Investimento total/integrado (R$)
6.670,00
Fonte: Schmidt (2004).
Na Tabela 2 são apresentados os parâmetros produtivos do segmento, nas diferentes escalas de produção.
Tabela 2. Quantidades médias instantâneas de aves presentes no campo, considerando o abate de 2.000, 3.000 e 5.000 aves/dia, com 22 dias úteis.
Variável
No. de aves abatidas/dia
2.000
3.000
5.000
Número de pintos alojados/mês
46.809
70.213
117.021
Plantel total a campo
131.064
196.596
327.660
Número de frangos vivos
44.000
66.000
100.000
Produção frango (ton.)
106
159
264
Número de integrados
67
100
167
Fonte: Schmidt (2004).
Um aspecto importante é a necessidade de manter uma relação adequada de frango inteiro e cortes, pois o primeiro sempre será uma exigência do mercado e o segundo tem um maior valor agregado. Os índices técnicos do abatedouro são apresentados na Tabela 3.
Tabela 3. Índices técnicos fixos do abatedouro.

Variável
(%)
Rendimento frango inteiro
86
Rendimento de cortes
76
Relação inteiro/corte
50
Fonte: Schmidt (2004).
Os custos operacionais para o abatedouro e para as áreas administrativa e comercial foram estimados com base numa empresa de pequeno porte. Verifica-se uma redução de 3,0% no preço do produto final, quando elevamos o abate de 3.000 para 5.000 aves/dia (Tabela 4).
Tabela 4. Parâmetros produtivos e econômico para o abatedouro e as áreas administrativa e comercial, considerando o abate de 3.000, 4.000 e 5.000 aves/dia, com 22 dias úteis.
Variável
No. de aves abatidas/dia
2.000
3.000
5.000
Número de frangos abatidos/mês
44.000
66.000
100.000
Frango abatido (ton)/mês
136,40
204,60
341,00
Produtos (tons) – inteiro/dia
2,67
4,00
6,77
Produtos (tons) – cortes/dia
2,36
3,53
5,89
Total (ton)
110,48
165,73
276,21
Custo operacional total (R$)
0,40
0,38
0,36
Custo final/kg frango processado (R$)
2,878
2,868
2,858
Custo operacional/kg de frango (Área Administrativa) (R$)
0,072
0,054
0,036
Custo operacional/kg de frango (Área Comercial) (R$)
0,40
0,38
0,36
Custo final do produto processado/kg (R$)
3,412
3,407
3,372
Fonte: Schmidt (2004).
Os resultados financeiros estimados, considerando os diferentes níveis de oferta e preços praticados no mercado são apresentados na Tabela 5 e contribuição porcentual na composição do preço final do frango na Tabela 6. Verifica-se que existe margem para trabalhar os principais fatores de custo, entre eles a elevação da margem de lucro dos integrados, sem comprometer a lucratividade da operação.
Tabela 5. Análise econômica em função do número de aves abatidas/dia
Variável
No. de aves abatidas/dia
2.000
3.000
5.000
Custo final do produto processado (R$)
3,412
3,407
3,372
Preço médio do frango inteiro (R$)
3,60
3,60
3,60
Preço médio dos cortes (R$)
3,82
3,82
3,82
Faturamento com a venda de frango inteiro (R$)
211.147,20
316.720,80
527.868,00
Faturamento com a venda de cortes (R$)
197.998,00
296.997,36
494.995,60
Faturamento total (R$)
409.145,44
613.718,16
1.022.863,60
Custo total (R$)
377.265,04
557.925,78
916.590,00
Receita liquida (R$)
31.880,40
55.792,38
106.273,60
Fonte: Schmidt (2004).
Tabela 6. Contribuição porcentual de cada item na composição do custo final do frango
Centro de custo
No. de aves abatidas/dia
2000
3000
5000
Pintos
9,68
9,82
9,96
Integrado
7,00
7,10
7,20
Ração
55,28
56,07
56,88
Custo operacional da integração
5,42
5,50
5,58
Custo operacional do abatedouro
11,71
11,29
10,85
Custo operacional da área comercial
8,79
8,61
8,44
Custo operacional da área administrativa
2,12
1,61
1,09
Total












100,00
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PROCESSAMENTO DO FRANGO COLONIAL



O portifólio de produtos, do abatedouro deve ser preparado considerando o fornecimento de carcaças inteiras e cortes. Dependendo do mercado, os produtos poderão ser fornecidos na forma inatura e(ou) temperado, podendo ser resfriados e(ou) congelados.
Produtos inteiros
Os produtos inteiros são descritos como: Frango Inteiro, Carcaça, Galeto, Meio Frango, Frango Desossado (com ou sem recheio). A seguir uma descrição dos mesmos.
O frango inteiro, contendo as vísceras comestíveis, pés e cabeça (enchimento), é utilizado como um produto de combate, devido ao preço. O meio frango (Figura 4) é comercializado em algumas regiões, cujo mercado exige porções menores.

Figura 4. Produtos prontos para embalagem. No caso uma meia carcaça.

Cortes

Asa: Asa, coxinha da asa “drumette”, ponta da asa, meio da asa “tulipa” e pontinha da asa.
Coxa/sobrecoxa: coxa/sobrecoxa, coxa, sobrecoxa (com e sem pele), “steak”, filé de coxa, filé de sobrecoxa.
Peito: Peito inteiro, peito sem pele, peito desossado (com e sem pele), filé de peito, filetino e Sassami.
Miúdos: Coração, figado e moela.
Outros: frango a passarinho (cortes ou recortes), pertence de canja (dorso), pescoço e pés (exportação).


Subprodutos

O rendimento de abate depende da estratégia de comercialização, isto é, na relação inteiro/corte, oscilando entre 72 a 82%, sem considerar absorção de água ou inclusão de tempero. Isto significa que o abate gera uma grande quantidade de subprodutos e de resíduos. O aproveitamento, reciclagem e reutilização desses subprodutos são de grande interesse da indústria, uma vez que se trata de produtos ricos, sob o ponto de vista nutritivo e funcional, dadas as condições de sua obtenção e tratamento. Por outro lado, a gestão adequada dessas matérias ajuda a minimizar o impacto das indústrias cárneas sobre o meio ambiente.
A utilização dos subprodutos, em geral, representa o problema da contaminação microbiológica. Dessa forma, é preciso encontrar sistemas de higienização que não prejudiquem as propriedades nutricionais e funcionais dos subprodutos que possam ser destinados à indústria alimentícia. Com exceção dos materiais classificados como de risco, não há nenhuma restrição para o uso de subprodutos, que sejam considerados aptos para o consumo humano, como ingredientes na alimentação humana.
Os principais subprodutos gerados no processo de abate são: pele, gordura e carne mecanicamente separada (CMS), que podem ser utilizados na produção de embutidos; tais como mortadela, salsicha, etc.; e a cartilagem, ossos moídos, cabeça e pés, que podem ser utilizados para a produção de ingredientes de ração para animais de estimação (gato, cachorro, etc.).


Resíduos

O processamento e(ou) tratamento dos resíduos e efluentes do abatedouro tem sido uma das grandes preocupações da indústria avícola, principalmente em decorrência das restrições que o mercado consumidor vêm impondo as questões de meio ambiente e da sua reutilização.
A transformação de resíduos da indústria cárnea tem visado a obtenção de alimentos para os próprios animais. O surgimento de enfermidades como a Encefalopatia Espongiforme bovina, ou “doença da vaca louca”, tem limitado as possibilidades de utilização desses produtos na alimentação animal. Hoje, na Europa, está proibida a utilização de farinhas de origem animal na formulação de rações. Esta situação representa para a indústria uma questão a ser estudada: como reciclar e aproveitar os subprodutos de maneira segura e economicamente rentável.
Os principais produtos gerados com a utilização dos resíduos são as farinhas de pena, sangue, vísceras e carne e óleo. A maioria das integrações tem utilizado estes produtos como ingrediente na formulação das rações. O óleo também pode ser utilizado como combustível em caldeiras.


Tratamento de efluentes

Embora esta publicação não trate deste assunto diretamente, deve ser ressaltada a sua importância, devido a crescente exigência do mercado consumidor por produtos ecologicamente corretos e pela necessidade atual de certificação e obtenção de licença ambiental para a implantação de uma planta de abate e processamento.


Embalagem

Inicialmente as embalagens eram utilizadas apenas para dar segurança e garantir que o produto chegasse em boas condições até o consumidor final. Atualmente, tem um papel fundamental para a apresentação do produto no mercado, pois é um mecanismo de propaganda eficiente quando bem explorado.
O sistema de embalagem é o conjunto de operações, materiais e acessórios que são utilizados na indústria com a finalidade de conter, proteger e conservar os diversos produtos e transportá-los aos pontos de venda ou utilização, atendendo às necessidades dos consumidores e/ou clientes a um custo adequado. A função é proteger contra a ação de fatores ambientais: oxigênio, luz, umidade, odores estranhos, microrganismos, insetos e outros e, da perda da qualidade intrínseca: perda de peso, perda de aroma, outros. A proteção depende de cuidados na produção, estocagem e transporte.
As embalagens podem ser classificadas em primárias e secundárias, dependendo da sua função. A embalagem primária é aquela que acondiciona o produto e será a apresentação na gôndola, enquanto a embalagem secundária é utilizada para o armazenamento e transporte dos produtos. As caixas de papelão, celulose e até sacos plásticos podem ser utilizadas como embalagem secundária. A Figura 5 ilustra produtos embalados prontos para o comércio.
Como embalagem primária tem-se as bandejas, onde normalmente são acondicionados os cortes e miúdos, que são envolvidos por um filme termo encolhível contendo todas as informações sobre a empresa e o produto. O saco plástico é mais utilizado para o frango inteiro embora, alguns cortes também tem tido este tipo de apresentação. Os produtos congelados devem ser acondicionados em embalagens leitosas enquanto os resfriados em embalagem transparente.
Mais do que uma importante ferramenta de marketing, as embalagens também cumprem a função de transmitir informações obrigatórias sobre o produto, previstas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Ministério da Saúde, além de identificar sua procedência e ressaltar os atributos complementares do produto. De acordo com a Resolução no. 040 de 21/03/2001, as empresas produtoras de alimentos deverão colocar nos rótulos a composição nutricional (valor calórico, nutritivo, etc.) dos produtos comercializados no mercado interno.
Para os alimentos cárneos as informações necessárias são:
A identificação mínima: País de origem do produto, data de nascimento, tipo de criação e descrição do sistema de abate das aves; Estabelecimento de abate - SIF; Marca do produto; Nome e código de produto; Data de produção e ou vencimento e Prazo de validade.
Identificação Adicional desejável: Código de lote; Hora de embalagem ou produção e Sistema de código de barras.
Identificação especial para nichos mercadológicos: Selos de qualidade (Produto natural, colonial, orgânico), Identificação dos produtores e ou seus endereços e dados de rastreabilidade.
A forma e tamanho da embalagem é outro fator que deve ser avaliado pela empresa. A padronização do peso é um fator limitante para alguns mercados, pois reduz a manipulação do produto na gôndola, reduzindo a necessidade de mão-de-obra. Pesos-padrões diferenciados também é um apelo do consumidor, principalmente com relação à produtos com maior grau de industrialização ou pré-preparados.
As embalagens para acondicionamento de produtos congelados têm como principais objetivos a proteção contra a desidratação e oxidação e, por isso, deve-se utilizar materiais de baixa permeabilidade ao vapor de água e ao oxigênio. Também é recomendado evitar espaços vazios dentro da embalagem, que contribuem para a queima pelo frio, assim como é desejável uma baixa permeabilidade aos componentes voláteis do aroma. Além dessas características é imprescindível uma boa resistência mecânica, flexibilidade e elasticidade a baixas temperaturas para se evitar rasgamentos e furos durante todas as etapas de produção, estocagem e comercialização do produto congelado.
Para a manutenção da coloração do produto fresco, o material da embalagem deve ser de alta permeabilidade ao oxigênio. Por outro lado a coloração dos produtos curados só pode ser mantida na ausência do oxigênio. Outro requisito que a embalagem para aves resfriadas deve atender é a baixa permeabilidade ao vapor d’água. Desta forma evita-se a desidratação superficial e, consequentemente, a perda de peso e escurecimento do produto, devido a concentração de pigmentos na sua superfície, quando a estocagem é feita em ambientes com baixa umidade relativa. Uma embalagem para aves resfriadas ainda deve apresentar baixa permeabilidade a odores estranhos, flexibilidade, resistência a gordura e resistência mecânica a temperatura de refrigeração.

Figura 5. Produtos contidos na embalagem primária.

Congelamento e Armazenamento

A principal vantagem do congelamento é o aumento do tempo de prateleira do produto. A escolha do tipo de equipamento a ser utilizado depende primariamente do custo e secundariamente de fatores como qualidade do produto e flexibilidade operacional.
Várias metodologias de congelamento estão disponíveis e sua utilização depende do tipo de produto, volume de abate e da capacidade de investimento da empresa. Para o congelamento do frango inteiro, cortes e vísceras comestíveis, normalmente são utilizados os túneis estáticos e contínuos, sendo o último indicado para grandes escalas de produção. No caso de produtos resfriados é necessário um choque térmico, evitando-se porém o ponto de cristalização, antes dos mesmos serem colocadas na câmara de estocagem.
Para pequenas escalas, em alguns casos, a própria câmara de armazenamento pode ser utilizada para a realização do congelamento. É conveniente ressaltar que tanto o congelamento como o armazenamento congelado não podem ser considerados como método de destruição de bactérias, pois estas operações não eliminam a maioria das células vegetativas de microrganismos.






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