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6 de ago. de 2015

Receitas com carne de Bufalos




Fraldinha ao Vinho Branco







Ingredientes
  • 1kg de fraldinha num pedaço só, limpa de todas as gorduras e nervuras Para a marinada
  • 1 xícara de chá de vinho branco seco
  • 1 xícara de chá de água
  • 1 colher de café de pimenta-do-reino mo;ida na hora
  • 1 colher de sopa de molho ingles
  • sal a gosto
Modo de preparar
Num recipiente de plástico ou numa travessa refratária ou de vidro, misture todos os ingredientes da marinada e mergulhe nele a peça de fraldinha totalmente limpa. Deixe no mínimo durante 2 horas. Asse na grelha pré-aquecida, com fogo moderado, a uma distância de 30cm da brasa durante 15 minutos de cada lado. Sirva com farofa de passas e pure de mandioquinha.



Picanha Recheada com Bacon








Ingredientes

  • 1 peça de picanha pesando aproximadamente 1,3kg
  • Suco de 1 laranja grande
  • 1 colher de sopa de manteiga sem sal
  • 150g de bacon fatiado
  • 1 xícara de chá de sal grosso

Modo de Preparar 

Com uma faca fina e bem afiada faça um corte no centro da picanha, sem separar as laterais, formando uma bolsa. Passe o suco de laranja por toda a peça de carne, inclusive dentro da “bolsa”, e deixe descansar durante 4 horas. Depois, arrume as fatias de bacon dentro da bolsa e feche. Unte toda a peça com a manteiga, polvilhe com o sal grosso e pressione com as mãos para que fique integrado à manteiga. Coloque a picanha na grelha da churrasqueira a uma distância de 40cm do braseiro forte e bem formado, durante 20 minutos com a gordura virada para baixo. Depois desse tempo vire a picanha deixando a gordura virada para cima. Quando a carne tomar corpo (inchar), retire da grelha, coloque-a numa bandeja e cubra-a com um pano de prato ainda sem uso e deixe descansar durante 10 minutos. Depois retorne à grelha com a gordura voltada para cima e termine de assá-la durante mais 5 minutinhos até que fique “ao ponto”. Para servir, fatie em lâminas finas como um rosbife.

Capa de Filé








Ingredientes

  • 1 peça de capa de filé, limpa, com uma pequena camada de gordura
  • ½ copo (americano) de suco de laranja
  • ½ copo (americano) de vinho branco seco
  • 1 colher de chá de glutamato monossódico (ajinomoto)
  • 1 xícara de chá de sal grosso

Modo de Preparar 

Misture o suco de laranja com o vinho branco e o ajinomoto. Com o auxílio de uma seringa com agulha bem grossa injete a mistura por todo o interior da carne e deixe tomar gosto durante uma noite na geladeira. Retire a carne da geladeira e deixe durante 1 hora em temperatura ambiente, em um recipiente fechado. A seguir esfregue o sal grosso por toda a peça, enrole-a em 4 voltas de papel celofane especial para churrasco e leve-a à parte alta da churrasqueira (50cm) e deixe durante aproximadamente 2 horas. Retire a carne do celofane com cuidado para não se queimar com o vapor que escapa nessa hora, e retorne a peça à churrasqueira, agora a uma distância de 20cm do braseiro durante apenas 3 minutos de cada lado, só para dourar. Sirva fatiado. É sucesso.

Bufalo no Rolete






Na última segunda-feira de outubro, dia do funcionário público, a Prefeitura Municipal de Guarulhos ofereceu uma festa de confraternização aos seus servidores, regada a churrasco. Várias barraquinhas espalhadas por todo o recinto da festa (um centro poliesportivo) serviam espetinhos grelhados de vários tipos. Numa barraca especial, com toda a infra-estrutura necessária, o especialista Gil Caleiras (da Nações Eventos) preparou 2 bois no rolete, que também foram “fatiados” e distribuídos aos participantes. Nossa reportagem esteve lá conferindo a festa e anotando a receita do Gil.
Ingredientes
  • 2 bois com peso médio/animal de 11@ a 16@ - suficientes para atender a aproximadamente 200 / 350 pessoas por animal
  • 3 a 4 quilos de sal de gado (sal de cocho) e seis litros de água para cada boi

Modo de Preparar 

O tempero é injetado através de seringas em 40 pontos da carcaça do animal, 6 horas antes de ele ir ao fogo. O total do tempo de preparo do animal, desde o abate, é de mais ou menos 5 horas. Depois, é assado em churrasqueira especial sem cobertura, montado em estrutura giratória. O tempo médio para assar é de 4 a 6 horas. A técnica do fogo é acender o braseiro ao lado dos animais e não embaixo, para evitar a formação da fumaça provocada pela gordura que derrete e escorre. É uma das muitas maneiras de assar a carne, que deixa todos os cortes mais ou menos com a mesma textura e sabor. A carne depois de fatiada é servida acompanhada ou não de saladas e outras guarnições. A equipe para realizar essa tarefa é composta por 5 pessoas: 3 churrasqueiros e 2 auxiliares por boi.


Medalhões à Moda da 

Casa do Churrasqueiro





Ingredientes
  • 3 medalhões de filé mignon pesando aproximadamente 150g cada um
  • 3 tiras de bacon da mesma largura dos medalhões
  • 1 colher de sopa de sal grosso
Modo de Preparar
Envolva cada medalhão de filé numa tira de bacon, tempere espalhando um pouco do sal grosso sobre cada um e leve à grelha a uma distância de 15cm do braseiro forte, durante 15 minutos, virando apenas uma vez, para obter uma carne cozida "ao ponto". Quem gosta de carne "bem passada" deve estender o tempo de grelha para 20 ou 25 minutos. Sirva com uma salada de folhas verdes variadas, cortadas "à juliana" (em tirinhas) e temperadas com uma pitada de sal, um fio generoso de azeite de oliva e uma colher de sopa de vinagre de maçã.

Costelão no Bafo




Ingredientes
  • 1 costela inteira de oito quilos
  • Sal grosso
Modo de Preparar
Essa costela inteira demora um pouco para cozinhar e necessita de uma churrasqueira à bafo grande, para que seja assada por igual. Espalhe com a mão o sal grosso por toda a costela e leve a peça à churrasqueira por cerca de cinco horas. O ideal é começar a preparar a receita pela manhã, antes de seus convidados chegarem, e serví-la na hora em que a fome for grande e todo o mundo já estiver bem servido de caipirinhas, drinks e cervejas.




30 de jul. de 2015

Selo de Pureza dos Bufalos

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ABCB dá mais um passo em prol da bubalinocultura

Almejado desde 1986, quando os primeiros produtores de derivados de leite de búfala vinham tentando elaborar o selo de pureza segundo os padrões italianos. Resultante do árduo trabalho de muitas pessoas, enfim saiu o tão esperado e sonhado “SELO DE PUREZA”, promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos - ABCB, cujo objetivo é garantir aos consumidores, um produto puro, sem mistura, além de fomentar e proteger a Bubalinocultura das fraudes cometidas pelas indústrias que substituindo o leite de búfala pelo de vaca, diminui a demanda do leite de búfala e conseqüentemente seu preço, desmotivando assim os pecuaristas a investirem na Bubalinocultura. 

Outro importante objetivo do SELO DE PUREZA, é estar protegendo o consumidor que acreditando estar comprando “mozzarella di búfala” quando na verdade tem levado um produto misto ou até mesmo o “fior di late” ou seja, mussarela só de leite de vaca. 
Abaixo, apresenta-se aos interessados, o Regulamento do Selo de Pureza, através dele você poderá obter conhecimento e informações de como o selo estará sendo implantado e fiscalizado, e o que é necessário ser feito pelos laticínios interessados para associar-se e poder usufruir do nosso SELO DE PUREZA.   

Regulamentos do Selo de Pureza 
 
Art. 1o Fica instituído, no âmbito da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos, (ABCB) o “Selo de Pureza” (Selo), cuja utilização será regida por este regulamento, sendo exclusiva dos respectivos associados, mediante assinatura e registro do “Termo de Autorização e Compromisso”, conforme minuta anexa e parte integrante do presente Regulamento, devidamente registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, para conhecimento de terceiros. 

Art. 2o O Selo será exclusivamente aplicado aos derivados do leite de búfala, produzidos exclusivamente com leite de búfala, de origem conhecida da ABCB e sujeitos ao regime de controle e análise de pureza estabelecido neste Regulamento. 
Art. 3o O Selo corresponderá ao modelo depositado pela ABCB junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, observando as características e dimensões previstas na anexa Arte Final do logotipo, que fica fazendo parte integrante do presente Regulamento. 
Art. 4o A autorização para a utilização do Selo, contida no acima mencionado “Termo de Autorização e Compromisso”, vigorará pelo tempo em que o produtor se mantiver associado à ABCB e cumulativamente cumprir integralmente suas obrigações previstas no presente Regulamento, devendo a utilização cessar imediatamente, caso o produtor, por qualquer motivo, deixe de ser associado à ABCB, renuncie ou tenha sua autorização cassada por descumprimento de quaisquer de suas obrigações previstas no presente Regulamento. 
Art. 5o Até 30 (trinta) dias após a assinatura do “Termo de Autorização e Compromisso” o associado deverá apresentar, para exame e aprovação da ABCB, a arte final de seus rótulos, com a inclusão do Selo, devendo ater-se à forma aprovada até que qualquer alteração seja examinada e aprovada pela ABCB. 
Art. 6o O controle permanente da fabricação dos derivados do leite de búfala, e da utilização do Selo, conforme prevista neste Regulamento, será feito através do Grupo Técnico de Controle (GTC), constituído dos técnicos da ABCB, presidido pelo presidente do Conselho Deliberativo Técnico (CDT) e composto, no mínimo de três e no máximo de dez membros, nomeados pela Diretoria da ABCB, mediante indicação dos associados, tendo por base os seus conhecimentos da criação de búfalas leiteiras e produção de derivados do leite de búfala. Os membros do GTC terão mandato de 2 (dois) anos, podendo ser reconduzidos. As reuniões do GTC terão periodicidade trimestral, devendo constar da agenda da reunião o exame dos relatórios de visita e análises, realizados no período. Das reuniões do GTC serão lavradas atas, que serão encaminhadas à consideração da Diretoria da ABCB, incluindo as recomendações, sugestões e medidas punitivas aprovadas pelo GTC . 
Art. 7o Compete ao presidente do GTC selecionar o técnico para efetuar a visita ao laticínio, bem como contratar de forma terceirizada o Laboratório e o apoio técnico necessário ao serviço de análises dos produtos e controle da utilização do Selo, conforme previsto no presente Regulamento. 
Art. 8o As práticas de controle e as análises para a confirmação da pureza dos produtos serão feitas com base nos métodos aprovados pelas autoridades italianas para a “mozzarella di bufala campana” com as modificações e adaptações que forem aprovadas pelo GTC. Garantida a pureza do produto, os produtores não serão obrigados a revelar segredos de produção ou alterar seus métodos, desde que estes sejam compatíveis com as exigências do SIF/DIPOA, do Ministério da Agricultura. 
Art. 9o As vistorias nos laticínios e as análises dos produtos serão feitas com a periodicidade considerada adequada pelo GTC, devendo os técnicos conferir a origem do leite utilizado, anotar a quantidade de leite recebida e colher amostras de leite e/ou seus derivados, para posterior análise laboratorial. A critério e com a periodicidade que o GTC julgar adequada, a coleta de material para análise poderá ser feita nos pontos de venda ou consumo dos produtos. 
Art. 10 Constatada em análise a presença de proteínas de leite bovino ou de origem diversa do leite de búfala em produtos autorizados a utilizar o Selo, o produtor será imediatamente notificado do laudo, sendo os técnicos deslocados para o laticínio produtor para determinar a origem da mistura. O deslocamento será feito às expensas do produtor, que, além de arcar com os custos adicionais, deverá colaborar com os técnicos para que o problema seja sanado o mais cedo possível. Uma vez sanado o problema e ainda às expensas do produtor, o GTC, a seu critério, aumentará a freqüência das vistorias e das análises a serem feitas no laticínio do produtor, até que se certifique de que a mistura cessou. 
Art. 11 O GTC desenvolverá e recomendará aos produtores métodos práticos de controle de pureza do leite recebido na plataforma, de forma a permitir suspeita de mistura do leite recebido. Em tal caso, a pedido do produtor, o GTC dará apoio técnico para a confirmação e origem da eventual mistura. Constatada a mistura por denúncia do próprio produtor, não será esta contada para o efeito de reincidência. 
Art. 12 Constatada a reincidência de mistura, dentro do prazo de seis meses da mistura anterior, o GTC julgará, dando ao produtor ampla defesa, se o produtor agiu com culpa ou dolo, devendo, em ambos os casos, cancelar a autorização para o uso do Selo, bem como ser aplicada multa no valor deR$5.000,00. Se o GTC entender que o produtor agiu com dolo ou má fé, proporá à Diretoria da ABCB a sua expulsão dos quadros associativos da ABCB. 
Art. 13 Além da contribuição associativa devida à ABCB, os produtores autorizados ao uso do Selo deverão arcar com as despesas e custos necessários ao serviço de controle de pureza dos derivados do leite de búfala através de uma contribuição adicional, de periodicidade mensal, proporcional à quantidade de leite recebida em seus laticínios. Anualmente, o GTC juntamente à Diretoria da ABCB, preparará o orçamento das despesas e custos necessários à manutenção dos serviços, determinando o valor a ser cobrado dos produtores autorizados e fixando a respectiva contribuição, acrescida de 10%, para constituição de fundo de reserva. Para a determinação da quantidade de leite recebida, será utilizada a declaração do produtor, sujeita a confirmação durante as visitas técnicas aos laticínios, observada a sazonalidade da produção do leite de búfala. 
Art. 14 Os recursos provenientes da contribuição adicional dos produtores autorizados serão mantidos pela ABCB em conta bancária à parte. 
Art. 15 O presente Regulamento está em vigor, devidamente aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária da ABCB do dia 05 de agosto de 2000. 
Art. 16 Como medida transitória, a autorização para o uso do Selo entrará em vigor imediatamente, mediante assinatura do compromisso dos produtores de respeitar a pureza dos derivados do leite de búfala de sua produção e declaração da quantidade de leite recebida em sua plataforma, ficando a critério do primeiro GTC escolhido iniciar as vistorias e análises com a periodicidade adequada, tão logo os recursos das contribuições adicionais o permitam, sem ônus para o Caixa da ABCB. 
Art. 17 Competirá à Diretoria da ABCB resolver os casos omissos. 
Art. 18 O presente Regulamento será periodicamente revisto, à luz da 
experiência obtida com a sua aplicação, ficando a primeira revisão prevista para agosto de 2001. 
Completados 5 anos da introdução do programa, em que pese envolver ainda pequena parcela dos Laticínios que processam leite bubalino, as indústrias participantes tem experimentado significativo crescimento no leite bubalino processado, atingindo no período crescimento médio 31,9 % ao ano, período em que se observou retração no consumo dos derivados bovinos. Isto tem permitido que o preço do leite pago ao produtor represente hoje cerca de 2 vezes o valor pago pelo leite bovino e, diversamente das flutuações observadas no mercado de leite bovino, o preço pago ao leite bubalino tem se mostrado constante a cada ano.



Doenças dos Bezerros Bubalinos


Introdução


Os maiores índices de morbidade e mortalidade dos bubalinos ocorrem nos primeiros meses de vida. Em rebanhos leiteiros, aproximadamente 70% das mortes são de animais lactentes. Isto porque os neonatos, totalmente desprovidos de resistência orgânica, ao enfrentarem as hostilidades do meio ambiente, tornam-se alvos fáceis dos agentes patogênicos. A manutenção de elevados índices de imunoglobulinas, logo após o nascimento, através da ingestão do colostro, é um dos principais pré-requisitos para a reversão desse quadro. 

As doenças mais freqüentes entre os bezerros búfalos, desde o nascimento até os seis meses de vida, são descritas a seguir:

Colibacilose


Etiologia:
Popularmente conhecida como curso-branco, a colibacilose é causada pela bactéria Escherichia coli. São microorganismos em forma de bastonetes, que habitam o intestino dos animais. O principal grupo responsável pela colibacilose em bubalinos é o constituído pela E. coli enterotoxigênica (ETEC).
Sintomatologia:

O principal sintoma é a diarréia amarelo-pálida ou esverdeada, que resulta em uma desidratação progressiva, acidose e morte. Freqüentemente a diarréia é aquosa profusa, fétida e amarelada, podendo apresentar-se espumosa e com manchas de sangue. 

A colibacilose é uma das doenças responsáveis pelo maior número de mortes entre os bezerros búfalos. Dotado de alta patogenicidade, que leva o animal à morte, dentro de 18 a 24 horas. O prognóstico geralmente é grave, visto que a mortalidade é de 80~90% dos animais doentes. 
Epidemiologia:


Os neonatos podem adquirir a E. coli no período pré-natal, através do canal do parto, ou pós-natal, por via digestiva (fezes dos animais infectados). Os colibacilos geralmente habitam o intestino grosso dos animais. Quando favorecidos por fatores estressantes que diminuem a resistência como: prematuridade, deficiência na ingestão do colostro, estresse calórico, superpopulação nos bezerreiros, condições não-higiênicas; multiplicam-se e provocam a doença. 

A maior incidência em regiões subtropicais ocorre nos meses de inverno, enquanto que em regiões tropicais úmidos é durante os meses mais secos e quentes do ano.
Tratamento:

Produtos à base de sulfato de neomicina ou oxitetraciclina (11mg/kg), por via oral ou injetável, são recomendados, embora sejam de pouco valor terapêutico. Na terapêutica deve-se objetivar principalmente a restauração do estado sistêmico do doente, através da fluidoterapia. Para isso, pode-se administrar sol. Fisiológica glicosada a 15%, na dose de meio litro, via subcutânea, ou um litro, via endovenosa. 

A redução do grau de exposição dos bezerros aos agentes patogênicos através da higiene ambiental e do tratamento do cordão umbilical também deve ser considerada. A ingestão do colostro em quantidades que contenham níveis elevados de imunoglobulinas, o mais cedo possível, após o nascimento, constitui uma das melhores medidas preventivas. O isolamento dos animais doentes e sadios também é de fundamental importância no controle da enfermidade.

Eimeriose


Etiologia:
A eimeriose, também conhecida como coccidiose, é uma doença causada por protozoários do gênero Eimeiria, parasitos intracelulares do epitélio intestinal. As espécies mais prevalentes são E. zuernii, E. auburnensis, E. ellipsoidalis e E. subspherica.
Sintomatologia:
Nos bubalinos, essa doença geralmente é assintomática, podendo manifestar-se através de alterações intestinais, seguidas de diarréia profusa contendo muco e sangue, desidratação, pêlos arrepiados, baixa conversão alimentar, anemia, debilidade e perda de peso.
Epidemiologia:

Após a infecção, ocorre uma imunidade específica para cada espécie de coccidio. Por essa razão, os animais jovens expostos aos coccídios pela primeira vez são muito mais susceptíveis a uma infecção aguda e doença clínica do que os animais adultos. 

O principal fator de disseminação da coccidiose é a persistente contaminação ambiental, sendo o nível de infecção diretamente proporcional ao de contaminação. A principal fonte de infecção são as fezes dos animais doentes. Os animais infectam-se através de estruturas denominadas oocistos esporulados. Nas regiões de clima subtropical, a maior incidência de oocistos esporulados ocorre nos meses de inverno; e nas regiões de clima tropical úmido isso acontece na época de menor pluviosidade (janeiro a junho).
Tratamento e controle:
No tratamento curativo, são bastante eficientes os medicamentos à base de sulfametazina (140 mg/kg) e amprólio (10mg/kg) durante cinco dias, via oral. A nitrofurazona (15 mg/kg) diariamente, durante sete dias, também oferece resultado satisfatório. Esses produtos podem ser usados, preventivamente, na água ou ração , nos lugares onde os riscos de infecção são elevados. As estratégias preventivas devem ser sempre direcionadas para o decréscimo de oocistos no meio ambiente, sendo práticas indispensáveis o controle de superpopulação de animais, a separação dos animais jovens dos adultos e a limpeza e desinfecção das instalações com creosol a 5%.

Encefalomielite esporádica


Etiologia:
Sabe-se, atualmente, que a encefalomielite esporádica é causada por bactéria do gênero Chlamydia (C. pecoris). Apesar de essa doença ocorrer em animais de qualquer idade, foi considerada própria de bezerros porque, em bubalinos, sua maior prevalência é em animais com menos de seis meses de idade. No Brasil, não foi diagnosticado nenhum caso em animais adultos.
Sintomatologia:
Os sintomas dessa enfermidade, quase sempre de curso agudo, iniciam-se pela diminuição do apetite, depressão e rigidez. Evoluem com parada dos movimentos do rúmen, contrações espasmódicas, queda em decúbito, rigidez do pescoço, salivação , corrimento nasal, respiração acelerada, opistótonos e desaparecimento dos reflexos pupilares. Posteriormente, sobrevêm paralisia flácida dos membros posteriores e morte dentro de seis a dez dias, após o aparecimento dos primeiros sintomas.
Epidemiologia:
No Brasil, ocorre preferencialmente na Região Norte, mais especificamente na ilha de Marajó. Incide mais intensamente durante a estação mais chuvosa do ano, sendo os animais com idade entre três a seis meses as principais vítimas, sempre de forma isolada e com baixa freqüência. As fezes, urina e secreção nasal é que são infectantes.
Tratamento e controle:
O tratamento quimioterápico à base de oxitetraciclina (14mg/kg), via intravenosa e, posteriormente (5mg/kg), por via intramuscular, a cada doze horas, mostra-se eficaz quando efetuado nos estádios iniciais da doença, antes de haver lesões dos tecidos cerebrais. Não se conhecem medidas de controle efetivas para a prevenção da encefalomielite. A higiene e a alimentação correta dos animais são de fundamental importância na prevenção da doença.

Enterite neonatal vírica


Etiologia:
Vários são os agentes virais entéricos citados como causadores de enterite neonatal em ruminante, entretanto, apenas o rotavírjus e o coranavírus possuem importância comprovada.
Sintomatologia:
De maneira geral, essas viroses evoluem com diarréia fluida amarelada, às vezes com muco e coágulos de leite, salivação densa e relutância em mamar. Devido à semelhança da sintomatologia clínica causada pelos patógenos entéricos, o diagnóstico definitivo dos mesmos deve ser estabelecido através de exames laboratoriais. As fezes dos animais enfermos são o material de eleição para ser enviado ao laboratório, para diagnóstico dessas infecções.
Epidemiologia:

Animais com até duas semanas de vida são os mais atingidos. A principal fonte de infecção reside nos animais doentes que eliminam vírus pelas fezes. 

Bezerros búfalos muito jovens não têm tendência de serem afetados por esses vírus, porque geralmente as vacas secretam anticorpos pelo colostro até 72 horas após o parto. A contaminação por essas viroses ocorre por ingestão de material fecal contaminado.
Tratamento e controle:
Não há tratmento efetivo para essas viroses, nem vacinas preventivas. O único modo de controle é através da separação dos animais enfermos, higiene ambiental e a ingestão do colostro pelos recém-nascidos.

Estrongiloidose

Etiologia:
A estrongiloidose é causada por nematódeos do gênero Strongyloides ( S. papillosus). Trata-se de um parasito que mede de três a seis milímetros de comprimento e que se localiza no intestino delgado dos animais jovens. Usualmente são ovíparas.
Sintomatologia:
As larvas, ao provocarem danos no epitélio intestinal, podem causar diarréia intermitente. Nas altas infestações é comum ocorrer sintomas respiratórios, devido à migração de larvas pelo pulmão. Quando a infestação é modesta, o parasitismo é assintomático.
Epidemiologia:

Estudos realizados no Brasil, mais especificamente na Amazônia , revelam que esses helmintos assumem importância patológica somente quando em altas infestações. A simples presença de ovos do parasita nas fezes dos bezerros não significa estado patológico. 

Acredita-se que a via transmamária seja uma das principais responsáveis pela precocidade da infestação. 
Búfalos com mais de seis meses de idade mostram total resistência a este tipo de parasitismo. As larvas infectantes, apesar de muito ativas, são pouco resistentes às condições do meio ambiente, sobrevivendo, entretanto, com facilidade em ambientes quentes e úmidos. Os ovos do helminto, após serem expulsos jntamente com as fezes do animal parasitado, dão origem às larvas infectantes.

Tratamento e controle:
Como regra geral, não se recomenda o tratamento dos animais parasitados por esse helminto, uma vez que curam-se espontanamente. O esquema de tratamento profilático obrigatório, assim como os anti-helmínticos utilizados no controle da neoascaridiose são suficientes para o controle dessa parasitose. A higiene do meio ambiente é fundamental no esquema profilático.

Monieziose


Etiologia:
A monieziose é uma parasitose causada por cestódeos do gênero Moniezia ( M. Bendeni) parasitos em forma de fita, que medem cerca de 3 a 6m de comprimento e 2,5cm de largura. Localizam-se no intestino delgado de animais jovens.
Sintomatologia:
A ação patogênica desses parasitos é questionada. Nos búfalos, geralmente esta parasitose evolui sem sintomas aparentes, nem provoca prejuízos econômicos. Nos casos de altas infestações, porém, podem ocorrer transtornos digestivos, ventre abaulado, timpanismo, tenesmo ou diarréia, e até podendo obstruir a luz intestinal.
Epidemiologia:
São necessarias infestações maciças para causarem doença clínica. Os animais infestados, entretanto, tendem a mostrar-se mais predisponentes a outras patogenias, especialmente as helmintoses gastrintestinais. Os proglotes (�govos�h) eliminados nas fezes dos hospedeiros são ingeridos por ácaros, encontrados especialmente em áreas úmidas, e são ingeridos com capim pelo búfalo. Os proglotes transformam-se em cisticercos infecciosos no ácaro e formam-se novos parasitos no intestino delgado do búfalo.
Tratamento e controle:
No tratamento preventivo indica-se a administração de produtos à base de diclorofenol (20 mg/kg), niclosamide (80 mg/kg), cambendazole (25 mg/kg) e mebendazole (10 mg/kg), quatro a cinco semanas após o início do pastejo dos animais em áreas infestadas. Como medidas profiláticas, aconselha-se a rotação de pastagens e exames periódicos nos animais jovens.

Neoascaridiose

Etiologia:
A neoascaridiose é causada pelo Neoascaris ritulorum, helminto que se localiza no intestino delgado dos animais jovens. Seus ovos são subesféricos de casca espessa e finamente granulosa.
Sintomatologia:
Os animais, quando parasitados pelo N. vitulorum, apresentam-se debilitados, apáticos, sem apetite, com ventre flácido e pêlos ásperos e sem brilho. Nas altas infestações podem ocorrer diarréia fétida (odor butírico) e escura e morte do hospedeiro dentro de poucos dias, em conseqüencia das perfurações e obstruções intestinais ocasionadas pelos vermes adultos. O índice de mortalidade entre os animais infestados varia entre 30% a 50%.
Epidemiologia:

O N. vitulorum é citado no Brasil como o principal agente parasitário causador de morte entre os bubalinos jovens. A presença desse helminto pode ser observada através de seus ovos, nas fezes de animais com idade em torno de 14 dias. Há um aumento no número de ovos até a idade de 30 dias, e após esta idade o número diminui bruscamente até tornar-se nulo aos 120 dias aproximadamente. 

Há afirmações que a presença precoce de ovos de N. vitulorum nas fezes de bezerros búfalos ocorre em conseqüência da infecção transplacentária ou transmamária. A queda brusca de ovopostura pelo N. vitulorum, após o primeiro mês de vida dos bezerros, está intimamtente relacionada com o desenvolvimento das funções do rúmendos hospedeiros, e também, o gradativo aumento da resposta imunitária dos bezerros. 
Em condições naturais, os bubalinos são mais susceptíveis ao N. vitulorum que os bovinos.

Tratamento e controle:
Como a biolofia parasitária do N. vitulorum independe das condições do meio ambiente, o esquema de tratamento profilático desse parasita pode ser o mesmo para todo o território brasileiro. Deve ser efetuado aos 15, 30, 60 e 180 dias de vida dos bezerros, utilizando-se vermífugos de largo espectro, preferencialmente por via oral. Produtos à base de mebendazole (8,8 mg/kg), oxibendazole (10 mg/kg), fembendazole (10 mg/kg) e tiabendazole (44 mg/kg) mostram-se bastante eficazes contra essa parasitose. Como medidas preventivas, deve-se separar os animais por faixa etária, adotar medidas higiênicas nos bezerreiros e estábulos e proceder periodicamente exames de fezes dos animais lactentes do rebanho.

Salmonelose


Etiologia: 

A salmonelose, popularmente conhecida como o curso-preto e paratifo, é causada por enterobactérias do gênero Salmonella. Dentre os diversos sorotipos existentes nos búfalos o mais encontrado é o S. dublin.
Sintomatologia:
A salmonelose evolui geralmente com diarréia pastosa acinzentada, bastante fétida e, às vezes, com estrias de sangue. Dores abdominais, apatia, perda de apetite, fraqueza, respiração acelerada, temperatura elevada e tumefações nas articulações também são sintomas observados. A salmonelose pode ser confundida com a colibacilose, entretanto, esta última afeta animais na primeira semana de vida, enquanto a outra ocorre em animais de maior idade. Na salmonelose, a diarréia geralmente é escura e mucosa e, na colibacilose, é clara e aquosa.
Epidemiologia:

A maneira de transmissão é sempre fecal/oral. Os animais doentes, ou com a doença subclínica, excretam os microorganismos em grande número, através das fezes, urina ou leite contaminando o meio ambiente e alimentos. 

A água estagnada funciona como fonte significativa de infecção, e esses locais podem permanecer contaminados por longos períodos. A doença tende a mostrar incidência estacional distinta, ocorrendo nas regiões de clima subtropical, geralmente no início do inverno e, nas regiões de clima tropical úmido, noperíodo menos chuvoso do ano. Costuma ocorrer com maior freüência nos animais mal-alimentados, nos intensamente parasitados e naqueles que permanecem concentrados em áreas alagadas, por períodos prolongados.
Tratamento e controle:
O tratamento considste, primeiramente, em eliminar a desidratação do animal, utilizando-se sol. Fisiológica glicosada a 15%, via subcutânea (500ml) ou endovenosa (1000ml). Como quimioterápicos, deve-se preferir produtos à base de trimetropim-sulfadoxine (1ml/10kg), cloranfenicol (22 mg/kg) ou ampicilina (25 mg/kg), durante 3 a 4 dias. Como medida preventiva, recomenda-se proceder a vacinação da vaca prenhe, no oitavo ou nono mês de gestação, a qual eliminará os anticorpos pelo colostro, que irão proteger o bezerro. As medidas higiências devem ser rigorosamente observadas.



29 de jul. de 2015

Manejo sanitário dos Bufalos

Introdução
Em função do seu extraordinário crescimento vegetativo atual, cuja taxa anual é estimada em cerca de 10%, o rebanho bubalino ocupa lugar de destaque na pecuária nacional. A metade deste rebanho localiza-se na Região Norte; cerca de 420 mil na Região Nordeste; 360 mil na Região Centro-oeste; 450 mil na Região Sudeste e 270 mil na Região Sul.
Por produzirem carne de comprovada maciez e baixo colesterol, leite com elevado teor de gordura, produto valioso para a indústria láctea, e couro bastante grosso e de textura porosa, notavelmente apreciado pela indústria de calçados, os bubalinos encontram, a cada dia que passa, maior aceitação no setor produtivo. Atualmente, a maior preocupação é com o uso de práticas que proporcionem maior produtividade dos rebanhos, com menores custos.
O manejo inadequado referente à saúde dos bubalinos constitui um dos maiores fatores limitantes à sua produção. Isto porque os búfalos, ao contrário do que se pensa, apesar de serem dotados de marcante rusticidade e de natural refratariedade a determinados agentes mórbidos, são susceptíveis a uma variada gama de afecções. A maioria das doenças ocorrentes nesses animai, apesar de semelhantes às dos bovinos, assumem características próprias quanto à prevalência, patogenia e sintomatologia. Os búfalos, pelos seus hábitos semi-aquáticos, são bastante predispostos às doenças que se proliferam em ecossistemas úmidos, sendo as de origem parasitária as mais incidentes. Suas características anatômicas e fisiológicas tendem a fazer com que as enfermidades geralmente ocorram de maneira subclínica, ou que evidenciem os sintomas somente quando em estado bastante avançado.
Um dos principais fatores que contribuem para o surgimento ou agravamento de afecções dos bubalinos é o estresse nutricional causado pela insuficiente disponibilidade e ingestão de energia, proteína, vitaminas e minerais, uma vez que a deficiência desses elementos provoca sensível diminuição da resistência orgânica deles. O estresse calórico também constitui importante causa comprometedora do fisiologismo desses animais. Existem evidências de que o desconforto térmico influencia positivamente no aumento da taxa de mortalidade dos animais jovens. Da mesma maneira, a não-observação das boas normas de manejo zoosanitário, tais como o uso estratégico de anti-helmínticos e de ectoparasiticidas, a adoção de programas de vacinações (algumas obrigatórias), a manutenção da limpeza e higiene das instalações, além da utilização da suplementação mineral, contribui para aumentar nitidamente os estados mórbidos dos rebanhos.




Produção de carne de Bufalos



Na maioria dos países onde o búfalo é criado, a produção de carne é considerada fator secundário. Nos países do Oriente, preconceitos ou motivos religiosos dificultam o abate deste animal para o consumo de sua carne. No entanto, o búfalo foi utilizado durante muitos séculos como animal de tração, o que fez com essa espécie desenvolvesse grande massa muscular.
O bubalino é, por natureza, mais precoce que o bovino. Assim, os búfalos têm exibido maior ganho de peso do que os zebuínos e competido com as melhores raças européias de corte, apresentando valores muito semelhantes em performance.
O búfalo é capaz de se manter em boas condições, mesmo quando somente forragem de baixa qualidade está disponível ou quando é criado em área onde o bovino mal conseguiria sobreviver.
Se as condições de alimentação e manejo forem otimizadas, esses animais podem apresentar cerca de 1,5Kg de ganho de peso diário.Dessa forma, a melhoria das práticas de manejo e alimentação parecem ser o fator mais importante, no que tange ao incremento da produção de carne. Se as condições de alimentação e manejo forem otimizadas, esses animais podem apresentar cerca de 1,5Kg de ganho de peso diário.
Apesar dos bubalinos apresentarem musculatura mais rica do que o zebú, o rendimento em carne é menor, vsito que o búfalo tem o couro, a cabeça e as vísceras mais pesadas do que os bovinos. Essa diferença, porém, é compensada pela precocidade no abate.
Estudos realizados pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) indicaram um rendimento de 48,7% em relação ao peso de abate ou 55,8%, em relação ao vazio, entendendo-se como peso de abate aquele obtido no frigorífico após descanso do animal em dieta hídrica, e como peso vazio, a diferença entre o peso de abate e o peso do conteúdo - gastrintestinal.

O búfalo é um animal que produz uma carne vermelha com 40% menos colesterol e 11% mais proteína, se comparada à carne bovina e, além disso, o seu sabor é bastante similar. Entretanto, com todas estas vantagens aparentes, a comercialização desse tipo de carne, historicamente, não costuma ser tão fácil quanto a dos bovinos. 

Os motivos que sempre "atrapalharam" a produção bubalina são o menor rendimento de carcaça e a menor aceitação do couro. Além disso, o fator cultural, ou seja, o hábito da população de não consumir outras carnes em substituição à bovina, é bastante significativo. 

Para incentivar mercado, amenizando os problemas comerciais dos produtos de origem bubalina, principalmente a carne, as associações de criadores estão tendo um papel fundamental: Investimentos conjuntos no marketing da carne de búfalo ou a criação de programas de qualidade, com "selos" de garantia das associações, são importantes passos dados na direção de se criar um mercado melhor para o búfalo, no Brasil. 

Ninguém duvida do potencial produtivo dos búfalos, nem mesmo os grandes pecuaristas que criam bovinos para corte. Desta forma, o que se espera é que haja uma melhoria, ainda maior, no mercado de carne de búfalo, sem mencionar os outros produtos desse animal, como o couro, leite e a famosa muzzarela de búfala. 

Devido à famosa rusticidade dos búfalos, atribui-se a eles uma grande capacidade de produção, sem que haja a necessidade de cuidados especiais. De certa forma, essa afirmação pode ser considerada correta mas, na realidade dos grandes pecuaristas, somente a tecnologia, cuidados intensivos, boas instalações e controle genético, podem assegurar alta qualidade associada à alta produtividade. Mesmo assim, apesar do custo por hectare de uma criação de búfalos poder ser maior que o de uma criação bovina, os resultados financeiros obtidos serão maiores, por se tratar de um animal extremamente produtivo. 

Outros fatos importantes para o pecuarista interessado na criação de búfalos são os dados de produtividade desse animal. O búfalo é um animal que apresenta uma taxa de mortalidade bastante inferior ao dos bovinos (2,5% contra 4% dos bovinos); o intervalo entre os partos é consideravelmente menor, em relação aos bovinos, podendo chegar a uma diferença de mais de 150 dias. Além disso, há um dado de grande importância: a idade de abate dos búfalos situa-se entre 2 e 3 anos, enquanto que o abate dos bovinos ocorre aos 4 anos. Por último, podemos citar, pela sua relevância, que a vida útil de uma búfala (20 anos) é bastante superior à de uma vaca (9 anos). 

A principal conclusão que podemos chegar, no que diz respeito à situação do mercado da carne de búfalo no Brasil, é que muita coisa ainda precisa ser feita, apesar desse animal e sua carne já terem conquistado uma importante fatia do mercado de carnes. Entretanto, o búfalo ainda continua mais famoso pela produção da muzzarela feita com o leite de búfala. O quadro favorável que encontramos na comercialização do leite e da própria muzzarela pode e deve ser estendido para a produção de carne. 

Com certeza, a produção de carne de búfalo é uma maneira mais produtiva e rentável para o fornecimento de carne à população Contudo, isso só irá acontecer, em escala mais significativa, se houver uma mobilização dos produtores de todo o País, num esforço de marketing completo, que atinja desde o grande público, em uma campanha voltada ao incentivo do consumo desse tipo de carne, até os responsáveis pela cadeia de distribuição, pois de nada adiantará o público se interessar em consumir a carne de búfalo, se não for possível ou fácil encontrá-la nos supermercados e nos frigoríficos.
Qualidades da carne
De paladar saboroso, confunde-se a carne de bubalino com a de bovino, principalmente quando assada ou cozida. Porem, o ídice de gordura intra muscular da carne de búfalo é muito menor do que o da carne bovina, permitindo que, retirando-se a gordura inter muscular, obtenha-se uma carne magra e saudável.

A carne de búfalo possui:
- 40% menos colesterol
- 12 vezes menos gordura
- 55% menos calorias
- 11% a mais de proteínas
- 10% a mais de minerais

Provas de degustação evidenciam que não há grandes diferenças entre as carnes bubalinas e bovinas quanto ao odor, sabor, maciez e suculência. No que se refere à cor, estudos relatam sua aparência mais clara do que a de bovinos nos animais jovens, chegando a ser, porém, até mais escura com o avanço da idade.
Muitos frigoríficos também abatem búfalos, sendo sua carne enviada para o consumo juntamente com a de bovino, sem qualquer identificação especial.


28 de jul. de 2015

Produção de leite de Bufalos



A principal função do búfalo, em todos os países onde é explorado, é a de produzir leite do mais alto valor nutritivo.
Os bubalinos exibem produtividade leiteira economicamente superior aos zebuínos. Isto é, cada litro de leite é produzido a menor custo, não só por apresentar maior produção por vaca, maior número de fêmeas em lactação por ano, mas também por evidenciar, sobretudo, rusticidade extraordinária, aproveitando melhor forragens de inferior qualidade e resistindo às mais adversas condições climáticas.
Ainda vale ressaltar que, enquanto o gado bovino tem a sua capacidade de produtividade influenciada pela temperatura ambiente, o búfalo não sofre grande influência decorrente da ação desse agente climático.
Na espécie bubalina são consideradas como especializadas na produção de leite as raças: Murrah, Mediterrâneo e Nili. A produção média do rebanho nacional está em torno de 4,5 litros de leite diário por animal.
Um rebanho estudado no Vale do Paraíba mostrou período médio de lactação de 215 dias (sete meses). Neste mesmo rebanho, 80% da fêmeas apresentaram período de lactação entre 5 e 8 meses
Para que possa exteriorizar seu atributos leiteiros, é fundamental que a búfala esteja em bom estado nutricional, sanitário e em ambiente propício.

A interrupção da lactação deve ocorrer:


- com o intuíto de proporcionar um período de descanso à vaca, permitindo que esta se prepare para novo período de lactação;
- quando a produção diminui muito, inviabilizando economicamente a ordenha do animal;
- quando o bezerro atinge um estágio de desenvolvimento que permite sua desmana.
O leite bubalino apresenta uma riqueza extraordinária em seu valor nutritivo. A apreciação e valores, revela a superioridade do leite bubalino sobre o bovino. Essa notável superioridade é responsável pelo maior rendimento de leite bubalino na fabricação de laticínios. Assim, com 8 litros de leite de búfala se faz 1Kg de queijo; enquanto são necessários 12 litros de leite de vaca para a mesma finalidade.



27 de jul. de 2015

Raças Bubalinas (Bufalos)


As raças e suas características:

Os búfalos no Brasil estão representados por quatro raças : Jafarabadi, Murrah, Mediterrâneo e Carabao.
Os animais possuem uma aparência reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
Para se avaliar as raças existem características que são permissíceis, isto é , podem conter em algúns animais, e outras desclassificantes, que se houver o animal pode ser descartado. Aqui vai algumas dessas características:
Características permissíveis: pelagem preta com nuance castanha escura; pêlos brancos isolados e raros no corpo;pequena mancha branca na fronte desde que com pele preta; ausência de vassoura; pequenas manchas claras nos chifres; chifres de direção quase retilínea; cegueira unilateral;espáduas de inserção um pouco imperfeitas; claudicação leve; temperamento nervoso, sem ser bravio.

Características desclassificantes:pelagem branca ou clara ou grandes manchas-brancas; ausência de chifres; cegueira bilateral;olhos gázeos; órgãos de reprodução anormais; temperamento bravio; outras más formações hereditárias ou adquiridas; debilidade constitucional ou orgânica; hérnia;sérios defeitos de aprumos;claudicação grave; virilidade de fêmea e feminilidade de macho; temperamento bravio; 

Agora vamos as especificações das raças :
Raça Jafarabadi


De origem indiana, predomina nas regiões Centro e Sul do país, especialmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Padrão da raça



Cabeça: maciça, perfil craniano ultraconvexo; 

Fronte: testa proeminente, ultraconvexa; 
Chanfro: retilíneo e sub-convexo; 
Chifres: longos, fortes e grossos, de secção triangular ou ovalada, dirigidos para trás e para baixo, com curvatura final para cima e para dentro, em harmonia com o perfil craniano; 
Temperamento:Dócil e manso


Características Gerais
1. Aparência: reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio a grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica misto, além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho e forma da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas, não se computando as tetas extranumerárias.
5. Olhos: profundos, elípticos, límpidos e pretos.
6.Orelhas: tamanho médio, com direção horizontal, dirigidas por cima do chifre;
7. Pelagem: forte correlação entre a cor dos pêlos e da pele em todo o corpo, sendo pretos os pêlos e a pele. A cor preta estende-se também aos chifres, casco, espelho nasais e mucosas aparentes.
Raça Murrah


De origem indiana, a raça conquistou a preferência de criadores brasileiros de diversos Estados, estando sua população em crescente desenvolvimento.
Padrão da raça


                                                                                                                  Cabeçaperfil craniano retilíneo ou levemente sub-convexo e são leves. 

-Chanfro: de retilíneo a sub-convexo; 
-Chifres: pequenos, relativamente finos, de secção ovalada ou triangular, descrevendo curvaturas em torno de si mesmo, em forma de espiral enrrodilhando-se em aneis na altura do crânio; 
-Pelagem: forte correlação entre a cor dos pêlos e da pele em todo o corpo, sendo, pretos os pêlos e a pele. A cor preta estende-se também aos chifres, cascos, espelho nasais e mucosas aparentes. A vassoura da cauda é branca, ou preta, ou mesclada. 
- Temperamento: manso ou dócil;


Características Gerais
1.Aparência: reveladora de saúde e vigor,constituição robusta,com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio a grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica misto, com prevalência leiteira, além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas.
5. Olhos: levemente proeminentes nas fêmeas e com menor projeção nos machos, vivos, límpidos e pretos.
6. Orelhas: relativamente pequenas, de direção quase horizontal e um pouco pendulosas.

Raça Mediterrânea


De origem italiana, seu aspecto externo é muito semelhante ao da raça Murrah. É encontrada em quase todos os Estados.É uma raça de dupla aptidão, leite e corte, mas é mais cotada para o corte.Os animais da raça mediterrânea apresentam porte médio e são medianamente compactos.
Padrão da Raça

- Cabeça: tamanho médio, perfil craniano ligeiramente convexo; 

- Chanfro: de retilíneo a sub-convexo; 
- Chifres: longos,fortes e grossos, de secção ovalada ou triangular, dirigidos para trás, para fora e para o alto terminando em forma semicircular ou de lira; 
- Temperamento: manso ou dócil.

Características Gerais
1. Aparência: reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio a grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica misto,além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas.
5. Olhos: arredondados, levemente projetados, vivos, límpidos e pretos;
6. Orelhas: tamanho médio e em posição horizontal;
7. Pelagem: forte correlação entre a cor dos pêlos e da pela em todo o corpo, sendo pretos os pêlos e a pele. A cor preta estende-se também ao restante das partes do corpo.

Raça Carabao


Segundo alguns autores os Carabaos foram os primeiros búfalos introduzidos no Brasil, na Região Norte. Representados pelo búfalo "preto marajoara" e muito semelhante ao búfalo da Malaia.No Brasil, a maior população desta raça está concentrada na Ilha de Marajó, no estado do Pará. É muita adaptada às regiões pantanosas e, por isto, apresentando pelagem mais clara. Também é conhecido por sua dupla aptidão, produzindo carne e sendo excelente para tração.
Padrão da raça

- Cabeça: tamanho médio perfil craniano retilíneo; 

- Chanfro: retilíneo; 
- Chifres: longos, grandes e fortes, de secção triangular, emergindo lateralmente da cabeça e dirigindo-se em posição horizontal para fora e depois para trás e para cima; 
- Temperamento: manso ou dócil.

Características Gerais
1. Aparência: reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio para grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica, de corte, além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho e forma da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas.
5. Olhos: arredondados, grandes, projetados e pretos;
6. Pelagem: cinza escura ou rosilha, manchas claras ou brancas nas patas, no pescoço logo abaixo da mandíbula e próximas ao peito em forma de listras circulares e paralelas, além de tufos claros nas arcadas orbitários superiores, nas comissuras labiais e no ventre.



Cuidados com os Bufalos

Manejo

Embora os bubalinos sejam de grande rusticidade e de fácil adaptação eles necessitam de cuidados e tratos adequados. As recomendações para os bovinos são válidas para os búfalos, mas ajustados os vários elementos indispensáveis para uma exploração racional e econômica.
O búfalo vive bem nas regiões secas ou alagadiças, em zonas de clima tórrido ou temperado em altitudes variadas. O importante é o manejo correto, adequado as condições onde é criado.
O manejo do búfalo é quase igual ao do boi. O búfalo dá piolho e verme, que podem ser facilmente combatidos. O piolho é do tamanho de um carrapato. Para combatê-lo, o animal se coça nas árvores e se cobre de lama. Sempre metido na lama, o animal é atacado por vermes. Assim, é necessário combater o piolho e os vermes. Ele pasta qualquer capim e não atola. É um animal mais gregário do que o boi. Vive em famílias. Deve ser custeado para continuar manso. É dócil, inteligente. Aceita ser montado. Possui uma força imensa. Não dá coice pra traz. É grandalhão e não cabe no tronco dos bovinos.
É desmamado aos dez meses, o que ocorre em janeiro; pode entrar imediatamente em confinamento, com 1kg de concentrado por dia, e ser abatido em agosto, aos 18 meses de idade, com 380kg, na época em que a carne possui bom preço.
Seu consumo de matéria seca em função do peso corporal é ligeiramente superior ao dos bovinos sendo, porém, reconhecidamente melhor conversor de alimentos mais pobres em carne e leite que os bovinos, apresentando excelente resposta na produção leiteira quando adequadamente alimentadas.
Ordenha
O processo de ordenha é manual, e também com uso sistemático de ordenha mecânica, necessitando os equipamentos pequenas adaptações, particularmente ao que se refere à pressão de vácuo e eventualmente na dimensão dos bicos. A apojadura normalmente é feita com a presença do bezerro, o que é bastante facilitada pelo fato de que em poucas semanas, o bezerro "aprende"o nome da mãe e assim, atende quando chamado pelo ordenhador, dirigindo-se sozinho para a sala de ordenha. Mesmo assim, sem utilização de drogas, temos diversos animais que "apojam" sem a presença dos bezerros. Não há necessidade de "amarrar" a fêmea durante a ordenha.
Um cuidado adicional, principalmente nas fêmeas de maior produção, refere-se à prevenção e tratamento da mastite. Os úberes são limpos e desinfetados antes e após a ordenha, o leite é regularmente testado (CMT) a fim de se detectar a presença de infeção sub-clínica . Nos casos clínicos os animais são isolados e recebem tratamento específico. Animais estabulados tem suas fezes recolhidas diariamente.
Adaptações


Apesar de "rústico", o búfalo está sujeito às mesmas doenças que afetam os bovinos, devendo-se pois atentar para as medidas profiláticas usuais tais como vacinações, desverminizações, pulverizações e exames periódicos de controle.


Devido às características de sua pele, mais grossa, de pelagem negra e com menor quantidade de glândulas sudoríparas, principalmente em climas mais quentes, deve-se evitar o ocorrência de "stress térmico", fornecendo aos animais sombreamento e/ou água para banho, a fim de evitar comprometimento na produção, no desenvolvimento e mesmo na fertilidade do rebanho.A presença de um lago açude ou aguada na fazenda é desejável, pois além de refresca-los e protege-los dos raios solares, hidrata a sua pele. Deve-se atentar para a contenção destes animais. Assim, as cercas, que podem ser de arame farpado ou liso devem ser mantidas em bom estado de conservação. Os búfalos respeitam bem cercas eletrificadas, mesmo que com um só fio. Observa-se porém que, na ausência de alimentação disponível, o animal, dado seu porte avantajado, busca o alimento onde ele se encontrar disponível, rompendo com mais facilidade cercas em mau estado de conservação, ou se aproveitando de eventuais interrupções de energia nas cercas eletrificadas. 

Como já dizia um criador, "... a melhor cerca para o búfalo é um bom pasto...". Alguns criadores optam pela contenção dos animais à noite, quando aproveitam para suplementar suas necessidades de volumosos e, dado seus hábitos noturnos, evitar sua movimentação excessiva. Apesar de seu tamanho avantajado,são raros problemas com seu temperamento, a não ser em fêmeas com crias recém nascidas, particularmente novilhas. Porém, não se verifica o comportamento de dominância observado nos touros bovinos, onde muitas vezes se pode manter mais de um macho em um mesmo lote. Os touros adultos não podem ser mantidos juntos, principalmente em estações de monta. Animais velhos, principalmente machos, podem apresentar-se mais bravios e nestes casos, devem ser eliminados.
A rotina e interação com os tratadores é fundamental na manutenção dos níveis de produção em búfalas. Assim, mudanças bruscas de manejo, presença de estranhos durante a ordenha, alterações na regularidade das ordenhas e alimentação podem promover redução importante em sua produção.

26 de jul. de 2015

Bufalos: 500 Perguntas e 500 Respostas Sobre Eles



A criação de búfalos no Brasil adquiriu grande dimensão em razão da adaptação dos animais às várias regiões e ao desempenho na produção de carne e leite, além da importância como animais de trabalho. Há rebanhos de grande valor zootécnico em todas as regiões do País, e os seus produtos já são diferenciados pela qualidade. Este livro, editado na coleção 500 Perguntas, 500 Respostas – O produtor pergunta, a Embrapa responde, atende à demanda de uma atividade em ascensão, visando às necessidades mais básicas dos criadores e técnicos envolvidos com a criação de búfalos, seguindo a trilha do êxito já obtido com outras espécies animais e agrícolas. Justifica-se a sua edição dadas as particularidades relacionadas com a espécie bubalina, que vão desde os hábitos e alimentação até as peculiaridades no comportamento reprodutivo. A sua elaboração partiu de perguntas formuladas por criadores e técnicos de todo o País, contatados individualmente ou por meio das associações de criadores dos estados que responderam nossas consultas. Participaram como revisores alguns dos mais renomados criadores e técnicos que, também, nos atenderam com a humildade dos que sabem quase tudo. Sem alarde ou estrelismo. Foi assim que Wanderley Bernardes, um dos expoentes máximos da bubalinocultura mundial, até poucos dias antes do seu desencarne, revisou pela segunda vez este livro, enriquecendo-o com suas observações práticas e acuidade de quem viveu toda uma vida junto aos búfalos. Durante décadas ele fez de Sarapuí, da sua Paineira da Ingaí, o ponto de convergência da criação de búfalos no Brasil. Do mesmo modo que, da imensidão dos seus conhecimentos, lúcido e sábio, o zootecnista e professor Abnor Gurgel Gondim, no aconchego da sua Fortaleza, CE, precisou de apenas poucos dias para devorar todas estas páginas, enriquecendo-as com suas sugestões e conhecimentos. Assim, este livro foi elaborado! Apenas organizamos o trabalho de pessoas sábias em búfalos pelo tempo e vivência; outras no auge do querer saber e já aprendendo cada vez mais. Basta ver a relação dos revisores e dos autores. Muitos bastante conhecidos e outros, se não o são, já sabem muito, pois são “doidos” por búfalos. Mesmo assim, sentimos falta daqueles que poderiam estar aqui, também, e, por motivos diversos, não puderam nos atender, participando desta empreitada. Por esses motivos e pelas diversas aptidões da bubalinocultura, além da dimensão do nosso país, o assunto não foi esgotado e está longe de ser. Os conhecimentos foram sintetizados em dez capítulos, envolvendo grandes áreas ligadas à criação dos animais domésticos, procurando condensar as informa- ções mais básicas, para que criadores, técnicos e estudantes tenham um ponto de partida para resolver os seus problemas mais prementes. Procurou-se, sempre que possível, uma linguagem fácil, sem rebuscos cientí- ficos para que seja acessível a todos, com o objetivo de colaborar na eficácia do gerenciamento da propriedade e manejo adequado dos animais, visando o aumento da produtividade da atividade bubalina no País.


Produtividade na criação de Bufalos




As raças bubalinas são igualmente boas. O objetivo comum deve ser a produção mista: carne e leite.
A carne dos bubalinos é aceita normalmente pela população, sendo difícil a sua distinção da carne bovina. A produção leiteira constitui outra importante função. O leite pode ser destinado para o consumo "in natura" ou para o preparo de queijo e manteiga.
A espécie apresenta produção econômica igual (ou até superior em determinadas condições) à dos bovinos especializados. Assim, com 8 litros de leite de búfala se faz 1 Kg de queijo, e são precisos 12 litros de leite de vaca para a mesma finalidade. Para 1 Kg de manteiga são necessários 14 litros de leite de búfala e 20 litros de leite de vaca.
Além disso, resultados de pesquisas mostram que o leite de búfala tem maior valor nutritivo do que o de vaca, conforme o quadro abaixo:

Quadro comparativo da composição média em % do leite
Espécie Água Gordura Açúcar Proteína Cinza
Bubalina 82,05 7,98 5,18 4,00 0,79
Bovina 87,20 3,80 4,95 3,38 0,70
O período médio de lactação pode ser estimado em 7 meses. Estudando-se as variações que este índice pode apresentar, obteve-se o seguinte resultado:

Produção leiteira
Período de lactação de búfalas, em dias
Dias Casos %
Até 100
2
0,4
101 a 150
19
3,9
151 a 200
143
29,6
201 a 250
243
50,3
251 a 300
61
12,7
301 a 365
15
3,1

Número de lactações controladas = 483

Número de búfalas controladas = 98
Período máximo de lactação (controlada) = 365 dias
Período mínimo de lactação = 87 dias
Média = 215,3 dias
Tendo em vista a sua capacidade de total aproveitamento de alimentação pobre, de pastagens grosseiras e de palhas de cereais, as quais ingerem dia e noite se assim for deixado, o búfalo é, sem a menor sombra de dúvida, a mais econômica fonte produtora de leite e manteiga.
A rusticidade do búfalo, em termos de alimentação, exige quantidade em detrimento da qualidade. Quanto à produção de leite em quilogramas, por lactação, obteve-se o seguinte resultado:

Produção de leite da búfala ( 483 casos analisados )
Quilos Casos %
Até 1000 21 4,3
1001 a 1251 68 14,1
1251 a 1500 112 23,2
1501 a 1750 131 27,1
1751 a 2000 84 17,4
Mais de 2000 67 13,9

Produção média por lactação: 1.583,07 Kgs
Produção média diária: 7,35 Kgs
Produção máxima registrada: 3.599,00 Kgs
Produção mínima registrada: 406,00 Kgs
É importante salientar que a maior produção leiteira ocorre exatamente no período de entre safra da produção dos bovinos, pois a parição da búfala se verifica predominantemente até abril de cada ano e a desmama é feita, na maior parte, de outubro a dezembro.

Rendimento de carne

O búfalo é, por natureza, mais precoce que o bovino. Atualmente, no abate, obtém-se 15 a 16 arrobas de carne por animal com idade entre 20 a 22 meses. Um dos objetivos dos criadores é obter 17 a 18 arrobas, com idade entre 20 e 22 meses em regime de pasto, e 16 a 17 arrobas com 16 a 18 meses, em confinamento.
O rendimento da carcaça do búfalo ainda não pode nos fornecer dados muito precisos. O assunto continua em aberto devido aos poucos resultados de provas e testes obtidos, os quais entretanto já nos oferecem índices bem próximos dos apresentados pelo bovino especializado.
A ABCB vem a algum tempo realizando provas e coletando dados de abate de búfalos, para em futuro próximo conseguir informar com mais precisão os índices de rendimento.
Estudos realizados pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) indicaram um rendimento de 48,7% em relação ao peso de abate ou 55,8%, em relação ao vazio, entendendo-se como peso de abate aquele obtido no frigorífico após descanso do animal em dieta hídrica, e como peso vazio, a diferença entre o peso de abate e o peso do conteúdo - gastrintestinal.
O peso médio dos búfalos varia de acordo com a raça e a idade. De um modo geral, o peso dos machos bubalinos adultos varia entre 700 e 900 quilos e o das fêmeas adultas entre 360 a 700 quilos.
Embora os búfalos apresentem, quando bezerros, um ganho de peso inferior ao do bezerro bovino, eles se igualam ou mesmo ultrapassam os bovinos, quando se tornam adultos.
Apesar dos bubalinos apresentarem musculatura mais rica do que o zebu, o rendimento em carne é menor, visto que o búfalo apresenta couro, cabeça e viceras, bem mais pesados do que o dos zebuínos. O seu couro corresponde de 10 a 12% do peso do animal, sendo mais grosso do que o do bovino e de textura mais porosa. Em Prova de Ganho de Peso, realizada em Sertãozinho/SP, Pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, na qual concorreram diversas raças, os búfalos se destacaram conforme se observa no seguinte quadro:

Raças Ganho de peso
(médio/por kg)
Ganho de peso
(médio diário/por kg)
Bovinos
Gir 66,000 0,590
Guzerá 81,380 0,730
Nelore 78,200 0,700
Caracu 80,940 0,720
Canchim 93,290 0,830
S. Gertrudes 103,580 0,970
Búfalos
Jafarabadi 108,760 0,970
Murrah 102,640 0,916
Mediterrâneo 94,80 0,837
Cálculos feitos com base nos resultados oficiais apresentados pelo instituto de zootecnia, da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo.

Sistema de criação

De um modo geral, a criação de búfalos segue a adotada para os bovinos, distinguindo-se: o sistema extensivo e o sistema intensivo. E também temos como recomendação comum ofato de os animais deverem ser submetidos a um bom manejo, o que tornará bem mais fácil o seu custeio.
A seleção deve ser constante para o melhoramento do rebanho juntamente com boa alimentação e ginástica funcional. Com essa preocupação, as qualidades se manifestam com maior intensidade para facilitar a escolha dos melhores reprodutores.
Os búfalos têm vida mais longa do que os bovinos, chegando a atingir 30 anos. A vida útil das fêmeas, como reprodutoras, também é longa; há matrizes com 12 e até 16 crias.
A padreação é feita quase sempre em liberdade, podendo um reprodutor servir de 40 a 50 fêmeas.
A cobertura (ou monta) "controlada" efetua-se nas criações intensivas, nas explorações leiteiras e principalmente nos plantéis de seleção. A fecundação normalmente é conseguida no primeiro serviço com uma gestação de mais ou menos 10 meses.
Os bezerros nascem com peso superior ao das raças zebuínas, com média de 38,5 Kg para os machos e 36,5 Kg para as fêmeas.