18 de mai de 2018

Formação e manejo de capineiras e de pastagens para Caprinos e Ovinos



A produção de pequenos ruminantes na região Nordeste é caracterizada pelos baixos índices de produtividade dos rebanhos, decorrentes de deficiências alimentares, principalmente em função do prolongado período de seca. Essa limitação da produção de forragem na época seca do ano é agravada em virtude de a base alimentar dos rebanhos ser a Caatinga, causando problemas na produção de carne e leite. Justifica-se tal situação devido ao desconhecimento de tecnologias que possibilitem contornar tais limitações.
Durante o período seco, o pasto existente é de baixa qualidade nutritiva, levando os animais a necessitarem de longas caminhadas para suprir suas necessidades nutricionais diárias, implicando em consideráveis perdas de energia.
A adoção de tecnologias básicas, como o cultivo de espécies forrageiras adaptadas às condições climáticas do semiárido é uma das práticas que poderão ser aplicadas nos sistemas de produção no semiárido brasileiro para diminuir as perdas de peso ou de produção de leite na época seca.

Cultivo de forrageiras adaptadas ao semiárido

Várias são as espécies existentes de plantas forrageiras adaptadas ao semiárido para a formação de áreas para corte ou pastejo dos animais.
Em termos de produção animal, existem gramíneas que podem ser utilizadas para corte (capineira) ou pastejo. Por capineira entende-se uma área cultivada com uma gramínea de alta produção, utilizada sob cortes, podendo a gramínea ser fornecida verde picada no cocho imediatamente, ou então ser fenada ou ensilada para utilização posterior, em épocas críticas, destacando-se o capim-elefante, capim-paraíso e a cana-de-açúcar.
As gramíneas indicadas ao pastejo são aquelas plantas capazes de persistir na comunidade vegetal sob condições de pastejo. No Semiárido, algumas espécies forrageiras para o pastejo se destacam por possuírem características morfológicas ou fisiológicas peculiares que permitem sua sobrevivência, mesmo em condições de estresse.
Entre as espécies, destaca-se o capim-búffel, que, devido à profundidade do sistema radicular, possui habilidade de crescimento em locais com curto período de chuvas, além de possuir bom valor nutritivo e boa aceitabilidade pelos animais; o capim-gramão é outra espécie forrageira que apresenta excelente valor nutricional, sendo boa opção para a formação de pastagens cultivadas e enriquecimento de pastagens nativas, bem como para a produção de feno. Já o capim-andropogon é tolerante à seca e a solos de baixa fertilidade natural (BATISTA; GODOY, 1995). Entretanto, a entrada dos animais deve ser muitas vezes antecipada devido ao rápido crescimento do capim, acarretando em perda do valor nutricional; o capim-massai tem sido boa opção para o Semiárido, especialmente para o enriquecimento de pastagens nativas e diferimento na época seca (CAVALCANTE et al., 2014), devido à elevada quantidade de folhas produzidas em relação aos colmos, maior retardo na elevação do meristema apical, rebrotação predominantemente de gemas basais após o pastejo, maior proporção de perfilhos vegetativos em relação aos reprodutivos e boa aceitabilidade e valor nutricional.
No Nordeste, em algumas áreas mais sujeitas a encharcamentos ou alagamentos periódicos, tem sido utilizado com bastante sucesso o capim-canarana (CHAVES, 2012). Embora esta gramínea, sob condições normais, tenha um rendimento (produtividade) menor que o capim-elefante, nesses tipos de solo, ela produzirá mais que este último, já que o capim-elefante não é tolerante a solos sujeitos ao alagamento.
No Semiárido, há ainda a possibilidade de se utilizar áreas exclusivas de plantas leguminosas nativas ou não (plantas exóticas) adaptadas como bancos de proteína. Tais plantas têm a capacidade de permanecer verdes por algum tempo após o “fim das águas”. Com isso, os animais têm acesso à forragem verde e de alto valor nutritivo, diminuindo os prejuízos causados pela seca. Na região Nordeste, as leguminosas exóticas mais utilizadas são leucena, cunhã, gliricídia e feijão guandu por serem adaptadas e apresentarem crescimento rápido, possuindo elevado teor de proteína.

Formação e manejo de plantas forrageiras

Para formar uma pastagem e/ou capineira, primeiramente deve-se conhecer as características da planta que vai ser cultivada, com o intuito de garantir o sucesso de formação e de manutenção, promovendo produtividade e perenidade da pastagem, refletindo na obtenção de altos índices de produtividade animal.
Portanto, entre as características que uma planta deve ter para ser considerada de bom recurso forrageiro, destacam-se:
  • Bom valor nutritivo.
  • Elevado potencial de produção de matéria seca.
  • Bom vigor de rebrotação, com rápida recuperação após o corte ou pastejo.
  • Facilidade de propagação.
  • Resistência a pragas e doenças.
  • Rusticidade, ou seja, a capacidade de crescer bem, mesmo sob condições desfavoráveis.
  • Baixa estacionalidade de produção (ou possuir grande potencial para uso de conservação).
  • “Agressividade”, ou seja, alta capacidade de competir com as plantas daninhas que poderão surgir na área.
  • Tolerância ao pisoteio (no caso de plantas sob pastejo).
  • Acessibilidade (no caso de plantas sob pastejo).
  • Alta aceitabilidade.
Para a formação de uma área para cultivo de plantas forrageiras para pastejo, o produtor pode optar pela recuperação ou reforma de uma área já existente, ou implantação de áreas não desbravadas. Para tanto, algumas recomendações são necessárias para a obtenção do sucesso no plantio e uso de pastagens.
1. Visita da área: esta etapa tem como objetivo reconhecer totalmente a área e a sua aptidão agrícola. Deve-se escolher a área preservando matas ciliares que, por se tratar de área de preservação permanente de acordo com o Código Florestal Brasileiro, possui diversas funções ambientais, devendo ser respeitada a extensão específica de acordo com a largura do rio, lago, represa ou nascente.
2. Escolha da área: na segunda etapa, deve-se escolher as porções da área que têm aptidão agrícola à implantação de forrageiras para o pastejo. Deve-se observar quanto à fertilidade natural do solo, inclinação do terreno, dando preferência a áreas de relevo plano, e se está susceptível a alagamento, pois esses são itens que ajudarão na escolha da forrageira. Caso seja possível a confecção de silos, eles devem ser localizados próximo às instalações dos animais. Na escolha da área, deve-se fazer a coleta de solo para posterior análise, levando, se possível, um profissional qualificado para a orientação.
Seguem abaixo algumas recomendações para coleta de solo
  • Utilizar ferramentas limpas (trado).
  • Caminhar em zig-zag na área de coleta.
  • Misturar as 20 amostras simples em recipiente para formar amostra composta.
  • Armazenar parte da amostra composta em caixas ou sacos limpos e identificar o local, cidade, área, data de coleta, cultura a ser implantada, profundidade e fechar.
  • Encaminhar ao laboratório credenciado as amostras coletadas.
  • De posse dos resultados, realizar a interpretação e recomendação de corretivos e adubos, se necessário, com auxílio de profissional qualificado.
3. Escolha da forrageira a ser cultivada: a escolha da espécie forrageira a ser implantada está diretamente relacionada à seleção da área. Devem ser considerados os atributos de cada espécie, além de critérios relacionados à compatibilidade de suas diferentes variedades com a topografia e com as condições edafoclimáticas, bem como no nível tecnológico a ser empregado no manejo do pasto. Sempre que possível, é melhor escolher forrageiras com propagação por sementes, pois as desvantagens do emprego de mudas são a dificuldade de colheita, transporte e armazenamento, além do custo mais elevado do seu plantio (CASTRO et al., 2010).
4. Preparo da área: nesta etapa, objetiva-se melhorar a germinação das sementes e/ou de mudas, facilitando o desenvolvimento das raízes no solo, bem como eliminar as ervas daninhas. Em áreas para pastejo, devem-se manter algumas árvores, especialmente aquelas com potencial forrageiro que poderão eventualmente servir de alimento e serem utilizadas pelos animais para sombra. A retirada de algumas plantas deve ser feita para facilitar a mecanização agrícola, caso seja necessário. O preparo do solo deve ser realizado considerando técnicas conservacionistas, utilizando curvas de nível e plantio perpendicular à declividade do terreno e, se possível, a reposição de nutrientes da área com esterco e outros adubos orgânicos.
5. Plantio: deve ser realizado no início da estação chuvosa para que as sementes ou mudas possam ter um ambiente propício para a germinação, evitando solos excessivamente úmidos ou secos. No caso de ser instalado sistema de irrigação, recomenda-se a instalação após o preparo do solo. O método de irrigação por aspersão convencional ou mesmo pivô central em grandes áreas são os mais indicados em pastagens. Nesse caso, o plantio pode ser realizado em qualquer época do ano.
Atenção: caso haja dúvidas para a implantação da área, consultar um técnico da extensão rural.
Outros cuidados
  • Dependendo da espécie escolhida, o plantio pode ser feito através de sementes ou mudas. Os métodos de plantios por sementes incluem: covas, linha corrida ou a lanço, obedecendo à profundidade do plantio e o espaçamento entre sementes. Entre os métodos de plantio por mudas, destacam-se: sulcos, estaquia e cepas. A escolha do método de plantio por mudas vai depender da espécie a ser cultivada, devendo-se ter o cuidado durante o manejo do cultivo em relação à profundidade das covas ou dos sulcos; espaçamento entre sulcos ou covas; estado de conservação das mudas. Para o plantio do capim-elefante, por exemplo, são utilizadas estacas inteiras ou pedaços de estacas com três ou quatro nós em plantas cortadas com 90 a 100 dias de idade. As covas deverão ser abertas com distanciamento de 0,8 a 1,0 metros e as estacas deverão ser colocadas em duplas e em sentidos contrários.
  • Durante o plantio, deve ser realizada adubação com esterco curtido e com outros fertilizantes disponíveis na propriedade (compostos orgânicos, bagana de carnaúba, etc.), conforme a análise prévia do solo, quando o solo estiver úmido, devendo-se ter o cuidado de não colocar o adubo muito próximo à semente ou muda, pois alguns fertilizantes podem levar a semente ou muda à morte por desidratação.
  • Após o plantio, deve-se fazer o controle de eventuais pragas ou doenças, principalmente de ervas daninhas para evitar competição com a planta cultivada. A cultura deve crescer livremente cerca de 60-70 dias (dependendo do tipo de forrageira e do manejo) e após esse período, deve-se proceder a um corte ou pastejo leve para favorecer a formação de uma touceira mais densa e robusta. Outra forma de manejo pós-pastejo ou pós-corte seria preservar a primeira floração, proporcionando a produção de sementes, favorecendo o ressemeio natural.

Manejo de pastagens

O manejo de pastagens é realizado com os objetivos de maximizar o lucro do produtor, evitar riscos e estresses desnecessários aos animais e manter o equilíbrio do ecossistema. Dessa forma, os componentes práticos observados no manejo das pastagens são relativos às técnicas que levam a rápida rebrotação após o pastejo, manutenção da produção e vigor das plantas forrageiras.
Portanto, o sistema de pastejo, seja ele sob lotação contínua ou rotacionada, a frequência e a intensidade de pastejo, o ajuste do número de animais pela oferta de forragem disponível, a adubação de manutenção parcelada, especialmente com adubos nitrogenados e potássicos e o manejo da irrigação são de fundamental importância para garantir produtividade e perenidade do pasto (RODRIGUES; RODRIGUES, 1987).

Manejo da capineira

Para se tirar o máximo proveito da capineira, ela deve ser manejada visando à obtenção de altos rendimentos de forragem e de valor nutritivo e a uma melhor distribuição da produção forrageira durante o ano (GOMIDE, 1997). Sob esse aspecto, como na região Nordeste, o grande obstáculo para a produção animal reside na escassez de forragem na época da seca, o capim cortado na época chuvosa deve ser conservado sob a forma de feno ou silagem para utilização na seca.
No caso do manejo da capineira de capim-elefante é fundamental observar corretamente o intervalo de cortes. O corte deve ser feito rente ao solo quando a planta atingir 60 a 70 dias de idade ou quando atingir 1,70 a 1,80 m de altura (OBEID et al., 1984), sendo seguido de adubação, seja ela orgânica utilizando esterco, sja utilizando fertilizantes industriais.






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