19 de jun de 2016

O Apiário

3. O Apiário

3.1 Com quantas colméias devo iniciar um apiário?

Se você não tem experiência anterior, com zero. Isso mesmo, antes de adquirir qualquer coisa de apicultura, procure um bom curso. Depois de fazê-lo, você terá condições muito melhores de avaliar como deverá ser o seu início na apicultura, ou, se for o caso, até desistir da idéia.

3.2 Como eu acho um bom curso de apicultura?

Uma forma é consultando a associação de apicultores da sua região.
Na minha opinião, um bom curso é aquele que combina teoria e prática de forma complementar. A teoria deve ser dada em vários dias, pois o assunto é vasto e impossível de ser minimamente assimilado se ensinado em um ou dois dias apenas. Da mesma forma, a prática deve ser feita em várias vezes, para que os alunos possam enfrentar diversas situações diferentes com a necessária tranqüilidade.
Alternativamente, você pode ler este texto, alguns livros e artigos, algum curso pela Internet, o que lhe dará uma boa base teórica, e fazer alguns dias de prática com algum apicultor amigo seu. Mas eu ainda recomendo a primeira opção, em que a prática é conduzida pelo mesmo instrutor teórico, o que dá uma maior solidez ao aprendizado.
Além do curso básico tradicional, há outros específicos que podem ser do seu interesse. Antes de fazê-los, porém, procure acumular um pouco de experiência e conhecimento, para direcionar melhor seus objetivos.

3.3 Mas, afinal, com quantas colméias geralmente se inicia um apiário?

Cinco a dez colméias é uma recomendação freqüente na literatura, mas não leve isso muito a sério. Você pode perfeitamente iniciar com uma única colméia, aprender bastante com ela, divertir-se e ainda colher seu primeiro mel. Depois, se desejar, e na medida das suas possibilidades, você pode ir ampliando o apiário.
Como primeiro critério, adote a sua capacidade de manejo. Estime quantas colméias você pode manter bem, considerando o seu tempo disponível e a sua disposição. Esqueça o critério, relativamente comum no início, de aumentar o número de colméias até igualar-se ao seu vizinho ou impressionar seus amigos - esta é uma receita de fracasso quase garantida. Não esqueça que você pode ser um excelente apicultor de uma colméia ou um péssimo apicultor de 200. Na dúvida, opte sempre pela qualidade.

3.4 Onde o apiário deve ser localizado?

Há diversas variáveis envolvidas nessa escolha: segurança, disponibilidade de flores e de água, presença de outros apiários.

3.5 A que distância de casas um apiário pode estar?

Em relação à segurança, abelhas africanizadas não podem ser mantidas em áreas densamente populadas. Uma recomendação freqüente é que o apiário seja mantido a 500 m de residências e criadouros. Trata-se, porém, de uma tolice. Essa distância define uma área circular completamente desabitada de quase 80 hectares, algo impossível para a maioria dos apicultores.
Eu crio abelhas africanizadas desde 1987. Num raio de 100 a 200 m há ou já houve casas, galinheiros e chiqueiros. Em todo esse tempo, nunca houve caso de pessoa ou animal ferroado em conseqüência das confusões que aprontei no apiário. É claro que isso não prova nada, mas a minha observação (e a de muitos outros) é que a proteção mais eficiente não é a distância, mas barreiras naturais bem fechadas, como mato nativo, um morro ou um reflorestamento adensado (cuidado, porém, que florestas plantadas são cortadas periodicamente).
Portanto, ao escolher o local do seu apiário, certifique-se de que há uma boa barreira natural entre o local e as casas e galpões vizinhos. Com boas barreiras naturais, uma distância de 100 m pode ser suficiente. De qualquer forma, se você for iniciante em apicultura, procure ouvir a opinião de um apicultor experiente antes de definir o local do seu apiário.

3.6 A que distância de flores e água deve ficar o apiário?

Em relação às flores, quanto mais próximo, melhor. Grosso modo, considere que a flora apícola útil situa-se num raio de até 1.500 metros do apiário. Não apenas a distância, mas também (e principalmente) a quantidade de espécies apícolas e a duração, intensidade e período das floradas são importantes na localização de um apiário fixo. Se você não tem alternativa, só lhe resta estabelecer o apiário onde é possível e avaliar o seu desempenho por algumas safras. Deficiências na flora apícola podem ser compensadas com o plantio de espécies apropriadas à sua região, ao menos parcialmente.
Em relação à água, também é interessante que ela esteja disponível em local próximo, de fonte limpa. Às vezes, uma alternativa viável é fazer um bebedouro para as abelhas, com água encanada pingando sobre um tanque raso, com areia e brita para as abelhas não se afogarem.

3.7 Que distância entre apiários deve ser respeitada?

Considerando-se a área útil de coleta das abelhas em 1.500 m, três quilômetros seria uma distância ideal. Infelizmente, este também é um número completamente irreal para a maior parte dos apicultores. Na prática, o que importa mesmo é a saturação do local.
Qualquer florada produz uma quantidade de néctar que pode ser total ou parcialmente colhido pelas abelhas e outros insetos. Se o tempo permite, mas nem todo o néctar produzido é colhido, a área está insaturada, isto é, ela ainda admite acréscimo de colméias. Caso contrário, a área está saturada, e o acréscimo de colméias acarretará a queda de produtividade das demais. Essa condição não é imediatamente percebida, mas uma queda de produção contínua por alguns anos pode ter a saturação como causa. A saturação também pode ocorrer sem acréscimo de colméias, pela remoção da flora apícola local, por desmatamento ou limpeza de campo.
Se você estiver iniciando, pode ir aumentando suas colméias gradualmente, até que a produção média fique mais ou menos estável. Se ela entrar em declínio contínuo, é bom investigar as causas, mas cuidado para não culpar a saturação muito cedo. O clima, por exemplo, é um fator altamente determinante da produção. As ocorrência das espécies anuais e o desempenho apícola das plantas também podem variar enormemente de um ano para outro.

3.8 Até quantas colméias posso ter num apiário?

De novo, depende da saturação da área. Em alguns lugares, não valerá a pena ter nenhuma; em outros, talvez seja possível manter cinqüenta colméias. Em qualquer caso, a capacidade do local é variável, podendo crescer ou diminuir de acordo com o que é plantado ou cortado nas imediações.

3.9 E se a produção cair porque o meu vizinho instalou um apiário?

Essa é uma questão muito delicada. Parece-me claro que seu vizinho tem o mesmo direito que você de ter um apiário. É como o caso do comerciante que tem um mercado e vê um concorrente estabelecer-se a meia quadra. A não ser que haja demanda reprimida, ambos ganharão menos do que ganhariam se estivessem sós. O direito de ambos é garantido, mas os resultados podem fazer um deles desistir.
No caso de apiários vizinhos, há dois caminhos possíveis: cooperação ou competição. Você pode conversar com o seu vizinho e chegar a um acordo com ele a respeito de quantas colméias cada um pode explorar, considerando o potencial do local e quanto cada sítio contribui para a flora apícola. Essa é a solução ideal, mas requer que os vizinhos tenham bom senso e boa vontade, o que nem sempre acontece.
A alternativa, no caso de uma área saturada, é a competição: tentar fazer o melhor manejo possível, para obter uma produtividade aceitável.

3.10 A que distância deve ficar uma colméia da outra?

Abelhas africanizadas geralmente são agressivas e pilhadoras, não devendo ser mantidas muito próximas, para que o manejo de uma colméia não alarme as vizinhas. Em geral, 5 m é uma distância aceitável, mas há quem use um distanciamento muito pequeno, da ordem de 1 metro.

3.11 Que outras considerações são necessárias no planejamento do apiário?

O mais importante é que haja um planejamento completo e cuidadoso antes que a primeira colméia seja instalada, porque depois tudo será muito mais difícil.
Por exemplo:
· Verifique se há agricultores que usam pesticidas nas proximidades. Isso pode ser fatal para suas abelhas ou deixar resíduos no seu mel.
· O apiário deve ter acesso fácil - lembre-se de que haverá colméias a serem levadas para lá e, espera-se, melgueiras muito pesadas a serem retiradas.
· O acesso às colméias deve ser sempre por trás, nunca pela frente, pois isso interrompe a linha de vôo delas e provoca muito mais ataques.
· Um sombreamento leve é muito útil nas estações quentes. Em regiões que possuem estações frias, árvores que perdem as folhas no inverno são uma boa opção para arborizar o apiário. Uma boa alternativa, especialmente nas regiões mais ao Sul, é posicionar as colméias numa boca de mato voltadas para o Norte. Desta forma, elas receberão uma incidência direta de sol maior no inverno e menor no verão.
· Locais sujeitos a alagamento são péssimos para as abelhas, pois a umidade dificulta a evaporação do néctar, e para o apicultor, que deve manejar as abelhas em meio à lama.
· Terrenos muito íngremes dificultam a movimentação no apiário e sujeitam o apicultor a quedas que podem ter sérias conseqüências. O uso de terraços pode ser uma boa solução.
· É preferível que o lado dos ventos mais fortes fique protegido por algum tipo de quebra-vento, natural, construído ou plantado.
· Lembre-se que você pode querer aumentar o apiário no futuro. É melhor já pensar numa possível ampliação e preparar toda a área de uma vez.
· Não esqueça de que você precisará de um local para abrigar os equipamentos, as roupas e as colméias vazias.
· A distância do apiário à sua casa também não pode ser grande demais, para que o manejo possa ser feito numa freqüência mínima.

3.12 Para que lado devem ficar virados os alvados?

Uma crença comum é de que os alvados devem ser voltados para Leste, de forma que as abelhas "comecem a trabalhar assim que o sol nasça". Pelo mesmo raciocínio, essas abelhas devem parar de trabalhar mais cedo, já que o sol poente estará no lado oposto ao alvado? Um trabalho realizado na Inglaterra divulgado no plenário Apacame por Breno Freitas, da UFC, investigou o comportamento de abelhas cujas colméias tinham o alvado voltado para diferentes posições, e não encontrou nenhuma diferença significativa.
Um critério bom é posicionar as colméias de forma que o deslocamento do apicultor e de algum veículo possa se dar sempre pelos fundos das colméias, nunca próximo às frentes. Se ainda assim houver alternativas boas de posicionamento, considere a possibilidade de instalá-las em beira de mato, voltadas para o Norte (veja item 3.11) ou com o alvado voltado para o lado em que os ventos são menos intensos.

3.13 Como limpar o apiário?

Depois de habitado, a limpeza do apiário é um pouco mais complicada. Tem de ser feita com o equipamento de proteção, pois a movimentação provoca muita agitação nas colméias. Uma boa solução é usar as telas de alvado, de escape invertido. Essas telas permitem a entrada das campeiras, mas não a sua saída. Assim, o trabalho pode ser feito com mais calma, à custa do aprisionamento temporário das abelhas.
Alguns usam herbicidas naturais, como o sal. Poucas plantas toleram uma alta salinidade, e o apiário, ou pelo menos o entorno das colméias, pode ser mantido limpo assim. Sem uma cobertura vegetal, porém, o solo absorve e irradia mais calor, aumentando a temperatura no apiário. E as chuvas podem transformá-lo num lamaçal.
Uma boa ajuda pode ser o plantio de uma cobertura vegetal baixa e agressiva, como alguns tipos de grama e trevos, de preferência que já estejam aclimatados à região.

3.14 Posso criar animais perto do apiário?

Depende. Animais encurralados podem ser atacados e mortos se não puderem fugir.
Gado bovino normalmente pode ser criado, desde que não haja cercas que impeçam a sua fuga. Nesse caso, é preferível não cercar nem mesmo o apiário, pois se algum animal conseguir passar a cerca e derrubar alguma colméia, provavelmente não achará a saída. Com apiário aberto, geralmente o gado aprende a respeitar as colméias, e raramente se ouve relatos de acidentes.
Já com gado eqüino, alguns apicultores reportam problemas. Os cavalos parecem ter uma tendência menor de fugir sob ataque, e maior de se agitar, escoiceando. Isso é perigoso em caso de acidente.
Animais menores podem ser mantidos à distância com o cercamento do apiário com tela ou arame.

3.15 Posso fazer as minhas colméias?

A não ser que você seja um marceneiro, é melhor comprá-las, pois a construção dá muito trabalho, e as dimensões devem ser exatas, para que outros acessórios possam ser usados com elas. As dimensões estão disponíveis na Internet e em diversos livros. Mas é preciso tomar cuidado com as medidas: em [WIE87], por exemplo, algumas medidas não são as oficiais.

3.16 Quanto custa uma colméia?

Uma colméia completa, com fundo, ninho, duas melgueiras, quadros aramados e tampa custa aproximadamente o mesmo que 10 kg de mel (no varejo). Um ninho com quadros custa por volta de 4 kg de mel, e uma melgueira, uns 3 kg de mel.

3.17 Quantas melgueiras por colméia devo comprar?

Depende da produtividade possível na sua região, na melhor florada. O melhor é informar-se com os vizinhos. O mínimo absoluto, me parece, são duas melgueiras para cada colméia, pois é possível que você precise de um ninho e uma melgueira para a postura da rainha (veja item 7.14). Se você adotar um manejo intensivo para produção de mel, com troca freqüente de rainhas e alimentação artificial na entressafra, e tiver uma boa flora apícola na região, pode pensar em 3 a 5 melgueiras por colméia. Na dúvida, compre duas melgueiras por colméia e avalie os primeiros resultados.

3.18 Preciso comprar colméias de reserva?

Sim, isso é muito importante. Inicialmente, tenha pelo menos uma ou duas colméias completas de reserva. Com o tempo você vai ajustando essa quantidade.

3.19 Como povoar o apiário?

Há diversas formas de se obter enxames para povoar o apiário. A primeira é comprar enxames em uma loja ou de outro apicultor. Um enxame custa cerca de 8 kg de mel.
Outra forma é capturar enxames com caixas-isca. Esse é o método mais barato e menos trabalhoso, mas não é muito garantido.
Outra maneira é capturar enxames alojados na natureza ou em locais indevidos. Eles podem ser encontrados em ocos, cupinzeiros velhos, vãos de paredes duplas, caixas, barris, qualquer lugar. Esta, freqüentemente, é a maneira mais penosa e a que exige maior experiência. Por outro lado, pode ser também uma atividade rentável, pois há apicultores que cobram pelas remoções - além de ficarem com o enxame.
Quando se deseja ampliar um apiário já povoado, pode-se também recorrer à divisão de enxames.

3.20 Como é uma caixa-isca?

Um estudo do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) desenvolveu um padrão de caixa-isca que parece ser consenso hoje no Brasil, às vezes com pequenas variações [SOA97]. Primeiro, ela deve ser de papelão (a caixa que contém caixas de sabão em pó é boa e facilmente obtida em supermercados). Dentro, deve haver uns cinco quadros de ninho, aramados normalmente, cada um com 1/3 de lâmina de cera alveolada. As paredes internas devem ser "pintadas" com uma substância atrativa, o capim-cidró/cidreira (Cymbopogon citratus), macerado e misturado com vaselina. Um "alvado" de 10 cm² deve ser aberto na caixa.
Para aumentar a sua durabilidade, a caixa pode ser pintada de branco ou amarelo ou envolvida num plástico. Nesse caso, um saco de lixo de cor clara (de 50 l) e fita adesiva são suficientes (não esqueça de cortar o saco no local do alvado). A caixa deve ficar a 2 m de altura do solo, em boca de mato.
Algumas variações parecem funcionar igualmente bem. A tira de cera pode ser estreita - uma lâmina de melgueira fornece 5 tiras, o suficiente para uma caixa-isca. Folhas de capim-cidró podem ser esfregadas na caixa, ao invés de misturadas a vaselina. Alguns apicultores recomendam borrifar a caixa internamente a cada 15 dias com uma mistura de capim-cidró, própolis (pode ser a borra) e álcool comum. A caixa pode ficar mais baixa, a 1,5 m, por exemplo, para facilitar o manuseio.

3.21 Não é melhor usar colméias vazias para atrair enxames?

Segundo o estudo mencionado acima, não. A caixa de papelão é dez a quinze vezes mais atrativa do que as de madeira.

3.22 Por que usar o Cymbopogon citratus?

Porque ele possui um odor semelhante ao feromônio produzido pela glândula de Nasanov, que as abelhas utilizam para chamar as demais.

3.23 Quando colocar e tirar as caixas-isca?

Os períodos de enxameação coincidem com os de safra. Por isso, colocam-se as caixas-isca no início da safra, deixando-as até o final. Em outras épocas, sempre é possível capturar algum enxame, especialmente os que abandonam suas colméias, mas a probabilidade é muito menor. Por via das dúvidas, podem-se deixar algumas iscas no campo.

3.24 Quando o enxame pode ser transferido para a colméia definitiva?

Cerca de uma semana após a captura, já deve haver favos com cria. Nesse momento, cai o risco de o enxame abandonar a caixa após uma manipulação, e a transferência para a colméia definitiva pode ser feita. No entanto, eventualmente, pode-se manter o enxame na caixa-isca até a sua transferência para o local definitivo (apiário).
A limitação mais importante para a manutenção do enxame capturado na caixa-isca é o calor. Por se tratar de um material termicamente isolante, o papelão pode provocar um aumento intolerável de temperatura no interior da caixa, especialmente se ela estiver exposta ao sol da tarde. Nesse caso, 7-10 dias é, provavelmente, o máximo que um enxame agüentará ali.
Outro problema é a deterioração da caixa de papelão, que poderá acontecer rapidamente após a entrada do enxame. A causa é que, com um alvado pequeno e embalada num saco plástico, a ventilação da caixa torna-se muito deficiente, e a grande quantidade de vapor gerado pelo enxame acaba condensando-se nas paredes e encharcando o papelão.
Para evitar ou amenizar esses problemas, pode-se abrir uma fresta na parte superior de uma lateral da caixa, sobre o alvado ou na lateral oposta. Isso melhorará a ventilação e garantirá mais conforto ao enxame e uma vida útil maior à caixa-isca.

3.25 Quando a nova caixa pode ser transferida para o apiário?

Se o apiário estiver a mais de 3 km, basta esperar até que o enxame esteja bem ambientado, com as campeiras trabalhando bastante. Também é importante que o enxame esteja bem alojado, com bons favos de cria e quadros bem seguros, para que o transporte não os danifique.
Se o apiário estiver próximo, há três possibilidades. A primeira é na noite seguinte ao dia de captura. Essa é a melhor opção, mas só pode ser feita se a distância permitir um transporte manual e extremamente cuidadoso, que não perturbe o enxame, pois ele estará em forma de cortina, construindo os favos. Como as campeiras mal começaram a tarefa de coleta, elas ainda não se habituaram ao novo local, e a perda no dia seguinte, por retorno ao local da captura, será mínima.
A segunda possibilidade é mover a caixa para um local distante mais de 3 km, deixá-lo por lá duas semanas e depois transferi-lo para o apiário (há quem afirme que apenas 3 dias no local provisório são suficientes, mas eu nunca cheguei a confirmar isso). Para isso, a colméia deve estar em boas condições para resistir ao transporte.
Uma terceira possibilidade é a movimentação direta do local de captura para o apiário próximo por volta do 30º dia de captura. Nesta época, grande parte das campeiras originais já morreram ou estão próximas do fim, enquanto que a primeira geração de abelhas novas está quase pronta para iniciar as tarefas de coleta. Assim uma transferência para um local próximo causa uma perda relativamente pequena de campeiras por retorno ao local de origem, e ainda assim de campeiras velhas.

3.26 Como capturar enxames alojados?

Esse é um tópico avançado, que requer experiência no trato com as abelhas e, muitas vezes, outras habilidades. O processo, basicamente, consiste em remover os favos do local e transferi-los para um ninho. Cada favo deve ser colocado no centro de um quadro sem arame, e fixado com elásticos de prender dinheiro ou barbantes. É importante que a orientação vertical dos favos seja preservada, ou todo o trabalho será perdido. Depois disso, as abelhas e, especialmente a rainha, devem ser transferidas para a nova caixa, com ajuda de uma concha ou caneca. Enquanto a rainha não for transferida, as abelhas não permanecerão na nova casa. Ao contrário, quando a rainha estiver lá, as abelhas restantes entrarão por conta própria.
Por fim, a nova colméia pode permanecer no local por algum tempo até que todas as abelhas tenham se recolhido a ela. Às vezes, isso requer o fechamento das entradas originais. Alguns apicultores colocam ainda uma tela excluidora de alvado (ou uma tela excluidor normal, entre o ninho e o fundo), para que a rainha não consiga fugir num primeiro momento. Posteriormente, a caixa deve ser movida para o local definitivo, e os favos capturados devem ser gradualmente substituídos por cera alveolada.
Há uma alternativa interessante, que não pode ser usada sempre, e de cujo resultado não tenho confirmação. Consiste em instalar uma colméia ou um núcleo nas proximidades do enxame alojado e forçar a passagem das abelhas pela colméia, com a ajuda de um tubo. Naturalmente, todas as frestas da colméia original deverão ser bem vedadas. Eventualmente, o enxame pode adotar o novo espaço e abandonar o antigo.

3.27 Como manter informações sobre o apiário? 

O registro de informações sobre o apiário e as colméias pode ser muito útil ao apicultor, especialmente ao iniciante e ao grande apicultor. Para poucas colméias, um caderno pode ser suficiente. Para quem quiser manter dados mais organizados e em maior quantidade, algumas planilhas eletrônicas servirão perfeitamente. Quem preferir uma interface mais simples e um conjunto de funções já bem definidas pode optar por um programa de apicultura. Há vários deles disponíveis na Internet, em diversas línguas. Alguns possuem versões para demonstração e até versões gratuitas completas para poucas colméias.


O apiário


O apiário é o local onde se encontram alojadas as colmeias, devendo estar localizado em uma área de produção de flores, e protegido de ventos fortes. As colmeias são colocadas sobre suportes individuais e orientados em diferentes posições com relação a linha de voo das abelhas que é o caminho escolhido por estas para a sua colmeia.
Para garantir uma boa produtividade dentro da área de saturação, recomenda-se a instalação de no máximo 20 colmeias por apiário.

Apiários: produção em larga escala
Localização do apiário
Como na localização dos apiários existe um grande número de abelhas, é necessáro que eles estejam situados em regiões onde existam uma abundante floração, pois ocorre uma estreita relação entre as abelhas e a polinização.
Tem existido, ao longo dos tempos, uma evolução conjunta de plantas e insetos, onde as plantas determinam várias adaptações morfológicas no corpo dos insetos, enquanto estes influenciam a grande diversidade de estruturas florais. Entre as estratégias das plantas encontram-se as flores que armazenam néctar em tubos longos e só acessíveis a potenciais polinizadores, e cores e odores atrativos. Existem orquídeas abelheiras que emanam um aroma muito semelhante ao das feromonas femininas atraindo, assim, os machos.
Por seu lado, os sentidos dos insetos – olfato, paladar, visão da forma e da cor – adaptaram-se à melhor forma de encontrar e utilizar as flores como fonte de alimentação. São exemplos destas adaptações a grande quantidade de pelos nas patas posteriores das abelhas, local do reservatório de pólen.

Abelha retirando néctar
Na localização do apiário devemos seguir os seguintes passos, para o sucesso do empreendimento:
1º. Observar a florada local: iniciando com poucas colmeias, em seguida, aumentando este número, até a produção começar a declinar. A produção média de um apiário não deve ser inferior a 20 quilos de mel por ano.
2º. Evitar regiões descampadas: nessas condições, o período de florada é curto, devido a perda de umidade no solo, além de dificultar o voo das abelhas por causa dos fortes ventos.
3º. Prefirir as regiões de solos férteis: nesse caso, há maior produção de flores em número e em qualidade nectarífera, proporcionando às abelhas um maior suprimento de alimentos.
4º. Evitar alagadiços: as águas paradas são ricas em protozoários diversos, dentre os quais aquele que produz a nosemose.
5º. Fonte de água limpa: deve estar próxima ao apiário, e caso não seja possível, é necessário a instalação de um bebedouro artificial. O bebedouro mais prático é aquele que utiliza um barril fechado com uma torneira pingando sobre um estrado coberto por um pano.
6º. Linha de voo: em volta do colmeal a área deve apresentar-se livre de obstáculos que venham a atrapalhar o movimento de voo das abelhas.
7º. Regiões acidentadas: devemos escolher as áreas mais baixas para instalar o apiário, pois as abelhas, ao voltarem do campo carregadas de alimento, terão mais facilidade de voarem de cima para baixo.
8º. Acesso: os veículos e pedestres devem chegar com facilidade à área do apiário, principalmente no momento de colheita do mel. Transportar a produção em padiola que é uma prática bastante trabalhosa e implica maior custo.
9º. Vigia permanente: deve ter sempre uma pessoa próxima ao apiário, pronta para socorrer as abelhas, no caso de algum acidente, como também para evitar roubos e recuperar os enxames que por ventura venham a sair.
10º. Evitar focos de luz: postes de iluminação ou casas bem iluminadas atraem as abelhas, pondo em risco os moradores e provocando a morte de muitas abelhas.
Povoamento de um apiário
Já escolhido o local ideal para instalação do apiário, considerando os 10 pontos comentados anteriormente, o apicultor passará à próxima etapa, que é a de adquirir os enxames, observando as seguintes recomendações:
1º. Enxames naturais pendentes de galhos: estes enxames são mansos e podem ser capturados em uma colmeia tratada com ervas aromáticas, tais como erva-cidreira, bamburral, e, se possível, contendo um quadro com crias novas.
Como fazer: Se o enxame se encontra localizado em um galho baixo, a colmeia deve ser colocada embaixo das abelhas e uma pessoa agita o ramo, primeiro para baixo e depois para cima, fazendo com que todo enxame caia no interior da colmeia. Em seguida a colmeia é fechada, para que o restante das abelhas acompanhem a rainha para dentro da caixa.
Caso o enxame se encontre pendente num galho alto, podemos usar um equipamento de fácil construção chamado saco coletor de enxames, que é formado por um saco de tecido ou tela fina, montado num arco de ferro, com suporte de um cabo de madeira e um dispositivo para fechar o saco através de um cordão (tipo alavanca).

Saco coletor de enxames
2º. Enxames naturais nidificados (alojados): estas famílias já se encontram em crescimento, apresentando favos com crias novas e maduras, e reserva de mel. Neste caso, os favos contendo cria devem ser transferidos para o ninho em quadros simples, como também um determinado suprimento de mel. Nestas condições de habitação da família, as abelhas são mais agressivas, pois defendem o seu patrimônio.
3º. Uso de iscas: nesse caso, os enxames são atraídos para o interior do ninho pelo cheiro da cera alveolada, que é colocada nos quadros, em tiras estreitas.
Após a instalação das famílias nas caixas de ninho, os quadros montados com folha de cera alveolada completa deverão substituir aquelas montadas somente com tiras finas.
Inicie o apiário com um número pequeno de colmeias, e após adquirir experiência, passe a ampliar o seu colmeal.
Caso o apiário não esteja alcançando a média de 20 quilos de mel anualmente, é um indicativo de que a região está saturada, isto é, o pasto apícola não está sendo suficiente para fornecer alimentação para todas as colmeias.
Divida o apiário, levando parte das colmeias para outra área distante, no mínimo, 1.500 metros.
Você pode povoar as colmeias comprando em grandes apiários, os enxames que são vendidos na forma de núcleos e compõem-se de: 1 rainha já fecundada, 5 a 6 mil abelhas operárias, 2 a 3 quadros com cria e 1 quadro com reserva de alimento.






Postar um comentário