4 de jul. de 2015

Doenças e Inimigos das Abelhas


Existem vários organismos que podem causar problemas para as abelhas, tanto na fase de larva quanto na fase adulta. Algumas bactérias, fungos e vírus causam doenças que afetam principalmente as larvas. Já as abelhas adultas são freqüentemente atacadas por protozoários, ácaros e insetos.



A ocorrência e os danos provocados por cada organismo variam de acordo com a região e com o tipo de abelha. No Brasil, de modo geral, a ocorrência e os danos provocados por doenças e certas pragas são menores, principalmente em razão da maior resistência das abelhas africanizadas e das condições climáticas, que parecem ser menos favoráveis à disseminação das doenças.


Dessa forma, os apicultores não necessitam utilizar antibióticos ou pesticidas em suas colmeias, o que tem garantido a obtenção de produtos livres de resíduos químicos. Esse fato possibilita que nossos produtos sejam vistos nos mercados interno e externo como produtos mais saudáveis, isentos de contaminantes, o que favorece a comercialização.

Entretanto, para que que se continue a ter essa vantagem, os apicultores devem estar atentos à situação sanitária das colmeias, sabendo reconhecer as anormalidades que indicam a presença de doenças. Isso ajudará a evitar a disseminação de novas doenças no Brasil, que podem causar sérios prejuízos à apicultura, como é o caso da Cria Pútrida Americana.

Reconhecendo os principais sintomas de doenças, o apicultor poderá tomar medidas imediatas, como o isolamento das colmeias atacadas, enviar amostras a laboratórios para análise e diagnóstico precisos, comunicar associações, cooperativas ou outras instituições. Assim, estará contribuindo para evitar a contaminação de seus apiários e dos apiários de sua região.


Doenças das abelhas

Importância

A ocorrência de doenças nas colmeias pode acarretar prejuízos diretos pela diminuição da produtividade, uma vez que o aumento da mortalidade, tanto de crias como de abelhas adultas, leva a uma redução da população da colmeia com conseqüente redução da produção. Em casos mais graves, o apicultor poderá perder enxames, já que as abelhas africanizadas costumam abandonar as colmeias quando a população cai abaixo de 4 mil indivíduos e quando há muita cria morta.

Em países com alta incidência de doenças, os apicultores sofrem prejuízos em virtude do gasto adicional de utilização de antibióticos para o controle das doenças, além da contaminação dos produtos com resíduos de medicamentos, o que pode inviabilizar a sua comercialização, principalmente para o mercado externo.

Doenças de crias



Doenças em crias geralmente causam maiores prejuízos do que em abelhas adultas. Para que o apicultor possa reconhecer os sintomas das doenças é importante estar familiarizado com as características das diferentes fases do desenvolvimento das crias (vide item Morfologia e Biologia das Abelhas Apis mellifera) e com a aparência de um favo com crias saudáveis.



Observando a situação das crias durante as revisões



Uma das principais observações a serem feitas pelo apicultor durante as revisões é verificar como as crias estão distribuídas nos favos. Quando se observa que as áreas de crias apresentam poucas falhas (Fig. 36), é uma indicação de que a rainha está com um bom padrão de postura e que as larvas estão se desenvolvendo normalmente. Por outro lado, quadros com áreas de crias falhadas indicam que algum problema pode estar ocorrendo, como por exemplo:
  • A rainha pode estar velha e, conseqüentemente, sua postura está irregular.
  • Pode estar ocorrendo produção de zangões diplóides, em razão de cruzamentos consangüíneos. Nesse caso, as operárias costumam comer as crias, ficando a área de crias falhada.
  • Ocorrência de doenças. Nesse caso, as operárias passam a retirar as crias doentes, o que se chama "comportamento higiênico", e a área de crias apresenta-se com falhas.
O apicultor deve examinar cuidadosamente tanto as crias abertas como as operculadas. Deve verificar se a cor, a forma e a posição das crias estão normais. A aparência dos opérculos também é importante, pois opérculos furados e/ou afundados podem indicar ocorrência de doenças.



Figura 36. Favos com crias saudáveis.



Identificando doenças em crias

As principais doenças que afetam crias de abelhas são:
  • Cria Pútrida Européia
  • Cria Pútrida Americana
  • Cria Ensacada
  • Cria Giz

Cria Pútrida Européia (CPE)
Agente causador: bactéria Melissococus pluton. As larvas são infectadas quando comem alimento contaminado.

Ocorrência e danos: pode ocorrer em todo o território nacional, mas geralmente não causa sérios prejuízos.


Sintomas:
  • Favos com muitas falhas, opérculos perfurados (Fig. 37a).
  • A morte ocorre geralmente na fase de larva, antes que os alvéolos sejam operculados.
  • As larvas doentes encontram-se em posições anormais, podendo ficar contorcidas, nas paredes dos alvéolos (Fig. 37b).
  • Mudança de cor das larvas que passam de branco-pérola para amarelo até marrom (Fig. 37b).
  • Pode apresentar cheiro pútrido (de material em decomposição) ou não.
  • Quando as larvas morrem depois da operculação, aparecem opérculos escurecidos, afundados e perfurados.

Figura 37. Sintomas de Cria Pútrida Européia: área de crias com muitas falhas (a) e mudança de posição e coloração das larvas (b).


Controle:
  • Remoção dos quadros com cria doente.
  • Trocar rainha suscetível por outra mais tolerante.
  • Evitar uso de equipamentos contaminados quando manejar colmeias sadias.
Cria Pútrida Americana (CPA)

Agente causador: bactéria Paenibacillus larvae. As larvas são infectadas quando comem alimento contaminado.

Ocorrência e danos: no Brasil, foi recentemente detectada em colmeias no Rio Grande do Sul. A contaminação ocorreu porque os apicultores alimentaram as abelhas com mel e pólen importados, contaminados com a bactéria.  Essa doença pode provocar sérios prejuízos, pois seu controle é bastante difícil, já que a bactéria é resistente a antibióticos e pode permanecer no ambiente por muito tempo. Por isso, não se recomenda a importação de produtos apícolas ou rainhas de países que apresentem níveis altos de infestação.

Sintomas:
  • Favos falhados (Fig. 38a) com opérculos perfurados (Fig. 38b), escurecidos e afundados.
  • Morte na fase de pré-pupa ou pupa.
  • Larvas com mudança de cor, passando do branco para amarelo até marrom-escuro;
  • Cheiro pútrido.
  • As larvas mortas apresentam consistência viscosa, principalmente quando apresentam coloração marrom-escura. Para verificar isso, deve-se fazer o teste do palito que consiste em inserir um palito rugoso no alvéolo, esmagar a cria e puxar devagar, observando-se, então, a formação de um filamento viscoso (Fig. 39a).
  • Quando a morte ocorre na fase de pupa, observa-se geralmente a língua da pupa estendida de um lado para o outro do alvéolo.
  • Presença de escamas (restos da cria já seca e muito escura) coladas nas paredes do alvéolo e de difícil remoção (Fig. 39b).


Figura 38. Sintomas de Cria Pútrida Americana: favos falhados (a) e opérculos perfurados (b).







Figura 39. Sintomas de Cria Pútrida Americana: consistência viscosa da cria - teste do palito (a) e restos de crias mortas e ressecadas colados nas paredes do alvéolo (b).




Controle:

Não utilizar antibióticos para tratamento preventivo ou curativo, pois pode levar à resistência da bactéria e contaminar os produtos da colmeia, além de ser um gasto adicional para o apicultor. O tratamento preventivo pode ainda esconder os sintomas da doença.

Quando o apicultor suspeitar da ocorrência da CPA em seu apiário, deve tomar as seguintes medidas:

  • Marcar as colônias com sintomas de CPA.
  • Realizar anotações sobre as colônias afetadas e relatar a ocorrência para sua associação e autoridades competentes, tais como: instituições de ensino e pesquisa que trabalhem com Apicultura, Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), Delegacia Federal de Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
  • Enviar amostras dos favos com sintomas para análise em laboratórios especializados no diagnóstico de doenças de abelhas.
  • Limpar equipamentos de manejo (luvas, formão, fumigador, etc.) e não utilizá-los nas colônias sadias;
  • Após comprovação da doença por meio do resultado da análise laboratorial, destruir as colônias afetadas; para isso, pode-se optar pela queima da colmeia completa ou, se o apicultor quiser preservar as caixas, deve matar as abelhas adultas e depois queimá-las juntamente com os favos. Para o reaproveitamento das caixas, elas devem ser esterilizadas;
  • A esterilização das caixas pode ser feita de duas maneiras: mergulhando as peças em parafina a 160ºC durante 10 minutos ou em solução de hipoclorito de Sódio a 0,5% durante 20 minutos.
Para evitar a disseminação dessa grave doença no Brasil, os apicultores devem estar bastante atentos para nunca utilizarem mel ou pólen importados para alimentação de suas abelhas no período de entressafra, pois esses produtos podem estar contaminados e, conseqüentemente, contaminarão as colmeias.



Esses produtos poderão ser vendidos a preços baixos, parecendo ser vantajoso utilizá-los para evitar a perda de enxames. Entretanto, isso poderá provocar sérios prejuízos no futuro, caso a doença seja introduzida e disseminada em nossa região.


Cria Ensacada

Agente causador: Vírus "Sac Brood Virus" (SBV).  No Brasil, entretanto, a doença tem como agente causador o pólen da planta barbatimão (Stryphnodendron sp.) e não o vírus. Desse modo, a doença passou a ser chamada Cria Ensacada Brasileira. 

Ocorrência e danos: em áreas onde ocorre a planta barbatimão. A doença tem ocasionado prejuízos em várias regiões, exceto nos estados do Sul do Brasil. Em alguns casos, pode provocar 100% de mortalidade de crias, chegando a destruir uma colônia forte em menos de dois meses (Message, 2002).


Sintomas:
  • Favos com falhas e opérculos geralmente perfurados.
  • A morte ocorre na fase de pré-pupa.
  • Não apresenta cheiro pútrido.
  • Coloração da cria: cinza, marrom ou cinza-escuro (Fig. 40).
  • Ocorre a formação de líquido entre a epiderme da larva e da pupa em formação.  Quando a cria doente é retirada do alvéolo com o auxílio de uma pinça, apresenta formato de saco (Fig. 40), ficando o líquido acumulado na parte inferior.


Figura 40. Pré-pupas com sintomas de Cria Ensacada


Controle:
  • Evitar a instalação de apiários em locais com incidência da planta barbatimão.
  • Utilizar alimentação artificial das colmeias na época de floração do barbatimão.
  • Alguns apicultores relatam que deixando de manejar a colmeia afetada, evita-se a perda do enxame. Segundo eles, o manejo estimula a atividade forrageira da colônia, o que intensifica a coleta do pólen tóxico.


Cria Giz



Agente causador: fungo Ascosphaera apis.

Ocorrência e danos: A incidência dessa doença no Brasil tem sido baixa, havendo relato de poucos casos nos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Existe a possibilidade de ser introduzida por meio da alimentação das colmeias com pólen importado contaminado.

Sintomas:
  • Favos com falhas e opérculos geralmente perfurados.
  • A morte ocorre na fase de pré-pupa ou pupa.
  • Não apresenta cheiro pútrido.
  • A cria morta apresenta coloração branca ou cinza-escuro e aspecto mumificado (rígida e seca) (Fig. 41).
     


Figura 41. Crias com sintomas de Cria Giz.


Controle:
  • Como medida preventiva, recomenda-se não utilizar pólen importado ou das regiões do Brasil onde a doença foi detectada para alimentação das colmeias.
Doenças e parasitoses de abelhas adultas




Doenças em adultos são mais difíceis de ser diagnosticadas em campo porque muitas vezes apresentam sintomas similares. Desse modo, para a confirmação de doenças ou endoparasitoses, devem-se enviar amostras a laboratórios especializados, seguindo as recomendações indicadas no item Como enviar amostras de abelhas com sintomas de doença para análise em laboratório. 



O sintoma geral da ocorrência de doenças em abelhas adultas é a presença de abelhas mortas ou moribundas, rastejando na frente da colmeia. Entretanto, esses sintomas também ocorrem quando há intoxicação das abelhas por inseticidas.


Nosemose

Agente causador: protozoário Nosema apis.



Ocorrência e danos: No Brasil, ocorreu com certa freqüência até a década de 80 e, nos últimos anos, não tem sido detectada. O protozoário afeta principalmente o ventrículo (estômago da abelha) causando problemas na digestão dos alimentos e pode provocar disenteria. A doença diminui a longevidade das abelhas, causando um decréscimo na população e, conseqüentemente, na produtividade das colmeias.


Sintomas:

  • Abelhas com tremores e com dificuldade de locomoção. O intestino apresenta-se branco-leitoso, rompendo-se com facilidade.
  • Operárias campeiras mortas na frente do alvado. Em alguns casos, encontram-se fezes no alvado e nos favos.

Acariose



Agente causador: ácaro endoparasita Acarapis woodi


Ocorrência e danos: assim como a nosemose, a acariose foi mais freqüente até as décadas de 70-80, não sendo mais considerada problema nos apiários brasileiros. O ácaro se aloja nas traquéias torácicas, perfurando-as e alimentando-se da hemolinfa (sangue das abelhas). O ataque do ácaro pode diminuir a longevidade das abelhas e, conseqüentemente, reduzir a população da colmeia, provocando perdas na produção.

Sintomas:

  • Abelhas rastejando na frente da colmeia e no alvado, com as asas separadas, impossibilitadas de voar.

Como enviar amostras de abelhas com sintomas de doença para análise em laboratório



Amostras de crias: coletar um pedaço de favo contendo crias que apresentem sintomas de doença.  O favo deve ser envolto em papel absorvente como jornal. Não utilizar plástico ou outro material não-absorvente. Evitar o envio de favos com muito mel. Já a presença de pólen pode auxiliar na identificação da cria ensacada brasileira.


Amostras de abelhas adultas: coletar, no mínimo, 30 abelhas que se encontrem rastejando no alvado ou na frente da colmeia. As abelhas devem ser colocadas em caixas de fósforo ou qualquer outra caixa de madeira ou papelão.

As amostras devem ser devidamente embaladas em caixas dos correios ou similares e enviadas, preferencialmente, via sedex ou outra via rápida ao laboratório.

Juntamente com as amostras, é importante enviar informações sobre a localização do apiário, data de coleta, número de enxames afetados, características da região (clima, vegetação), uso de inseticidas nas proximidades do apiário, observações sobre os sintomas e danos.



Outros organismos que causam danos a crias e adultos



Ácaro Varroa destructor



Trata-se de um ácaro ectoparasita, de coloração marrom, que infesta tanto crias como abelhas adultas (Fig. 42). Reproduzem-se nas crias, geralmente em crias de zangões. Nos adultos, ficam aderidos principalmente na região torácica, próximos ao ponto de inserção das asas. Alimentam-se sugando a hemolinfa, podendo causar redução do peso e da longevidade das abelhas e deformações nas asas e pernas.


Esse ácaro, detectado no Brasil desde 1978, atualmente pode ser encontrado em praticamente todo o País. Felizmente, tem-se mantido em níveis populacionais baixos, em razão da maior tolerância das abelhas africanizadas, não causando prejuízos significativos à produção. Dessa forma, não se recomenda o uso de produtos químicos para o seu controle. As colônias que apresentarem infestações freqüentes do ácaro devem ter suas rainhas substituídas por outras provenientes de colônias mais resistentes.




Figura 42. Ácaro Varroa destructorVista dorsal (a), ventral (b), fêmea adulta e formas imaturas em pupa de operária (c).




Traças-da-cera

São insetos da ordem Lepidoptera, de duas espécies: Galleria mellonela (traça maior) e Achroia grisella (traça menor). Os adultos das duas espécies depositam ovos em pequenas frestas dos quadros e caixas, principalmente em colmeias fracas. As larvas alimentam-se da cera, construindo galerias nos favos onde depositam fios de seda. Os quadros ficam cobertos com grande quantidade de fios de seda e fezes (Fig 43). Algumas vezes, afetam diretamente a cria. Atacam também a cera armazenada.



O controle químico não é recomendado, uma vez que os produtos utilizados podem deixar resíduos na cera, os quais poderão ser transferidos para o mel. Desse modo, recomenda-se a adoção de medidas de manejo preventivas:


  • Manter sempre colmeias fortes no apiário, uma vez que as fracas são mais facilmente atacadas.
  • Reduzir o alvado das colmeias em épocas de entressafra e de frio.
  • Não deixar colmeias vazias (não habitadas) nem restos de cera no apiário.
  • Se encontrar foco de infestação nas colméias, matar as larvas e pupas e remover cera e própolis atacadas utilizando-se o formão, para evitar a disseminação da traça no apiário;
  • Trocar periodicamente os quadros com cera velha das colmeias.
  • Armazenar favos ou lâminas de cera em locais bem arejados, com claridade e, se possível, protegidos com tela, evitando armazenar favos velhos que são preferidos pelas traças. Temperaturas abaixo de 7ºC também ajudam no controle.
  • Se forem observadas colônias que freqüentemente apresentam alta infestação da traça, deve-se realizar a substituição de rainhas, visando aumentar a resistência.


Figura 43. Danos causados pela traça-da-cera Galleria mellonela na colmeia (a) e no favo (b).

F
ormigas e cupins

As formigas podem causar grandes prejuízos, principalmente quando atacam colmeias fracas. Podem consumir o alimento (mel e pólen) e crias, além de causarem grande desgaste e mortalidade das abelhas adultas na tentativa de defender a colônia. Em ataques severos, podem provocar o abandono da colmeia.

Os cupins danificam a madeira das caixas e cavaletes, diminuindo sua vida útil e favorecendo a entrada de outros inimigos naturais (Fig. 44).

Como medidas preventivas ao ataque de formigas e cupins, recomenda-se:

  • Não colocar as colmeias diretamente sobre o solo.
  • Destruir os ninhos de formigas e cupins encontrados nas imediações dos apiários.
  • Realizar capinas freqüentes no apiário, uma vez que a existência de plantas próximas às colmeias pode facilitar o acesso dos inimigos naturais.
  • Utilizar cavaletes com protetores contra formigas.



Figura 44. Danos causados por cupins em colmeia.



2 de jul. de 2015

Raças de Abelhas Apis mellifera


O habitat das abelhas Apis mellifera é bastante diversificado e inclui savana, florestas tropicais, deserto, regiões litoraneas e montanhosas. Essa grande variedade de clima e vegetação acabou originando diversas subespécies ou raças de abelhas, com diferentes características e adaptadas às diversas condições ambientais.


A diferenciação dessas raças não é um processo fácil, sendo realizado somente por pessoas especializadas, que podem usar medidas morfológicas ou análise de DNA.

A seguir, apresentam-se algumas características das raças de abelhas introduzidas no Brasil. 




Apis mellifera mellifera (abelha real, alemã, comum ou negra)

  • Originárias do Norte da Europa e Centro-oeste da Russia, provavelmente estendendo-se até a Península Ibérica.
  • Abelhas grandes e escuras com poucas listras amarelas.
  • Possuem língua curta (5,7 a 6,4 mm), o que dificulta o trabalho em flores profundas.
  • Nervosas e irritadas, tornam-se agressivas com facilidade caso o manejo seja inadequado.
  • Produtivas e prolíferas, adaptam-se com facilidade a diferentes ambientes.
  • Propolisam com abundância, principalmente em regiões úmidas.



Apis mellifera ligustica  (abelha italiana)

  • Originárias da Itália.
  • Essas abelhas têm coloração amarela intensa; produtivas e muito mansas, são as abelhas mais populares entre apicultores de todo o mundo.
  • Apesar de serem menores que as A. m. mellifera, têm a língua mais comprida (6,3 a 6,6 mm).
  • Possuem sentido de orientação fraco, por isso, entram nas colmeias erradas freqüentemente.
  • Constroem favos rapidamente e são mais propensas ao saque do que abelhas de outras raças européias.



Apis mellifera caucasica

  • Originárias do Vale do Cáucaso, na Rússia.
  • Possuem coloração cinza-escura, com um aspecto azulado, pêlos curtos e língua comprida (pode chegar a 7 mm).
  • Considerada a raça mais mansa e bastante produtiva.
  • Enxameiam com facilidade e usam muita própolis.
  • Sensíveis à Nosema apis.



Apis mellifera carnica (abelha carnica)

  • Originárias do Sudeste dos Alpes da Áustria, Nordeste da Iugoslávia e Vale do Danúbio.
  • Assemelham-se muito com a abelha negra, tendo o abdome cinza ou marrom.
  • Pouco propolisadoras, mansas, tolerantes a doenças e bastante produtivas.
  • Coletam "honeydew" em abundância.
  • São facilmente adaptadas a diferentes climas e possuem uma tendência maior a enxamearem.



Apis mellifera scutellata (abelha africana)

  • Originárias do Leste da África, são mais produtivas e muito mais agressivas.
  • São menores e constroem alvéolos de operárias menores que as abelhas européias. Sendo assim, suas operárias possuem um ciclo de desenvolvimento precoce (18,5 a 19 dias) em relação às européias (21 dias), o que lhe confere vantagem na produção e na tolerância ao ácaro do gênero Varroa.
  • Possuem visão mais aguçada, resposta mais rápida e eficaz ao feromônio de alarme. Os ataques são, geralmente, em massa, persistentes e sucessivos, podendo estimular a agressividade de operárias de colmeias vizinhas.
  • Ao contrário das européias que armazenam muito alimento, elas convertem o alimento rapidamente em cria, aumentando a população e liberando vários enxames reprodutivos.
  • Migram facilmente se a competição for alta ou se as condições ambientais não forem favoráveis.
  • Essas características têm uma variabilidade genética muito grande e são influenciadas por fatores ambientais internos e externos.



Abelha africanizada



A abelha, no Brasil, é um híbrido das abelhas européias (Apis mellifera mellifera, Apis mellifera ligusticaApis mellifera caucasica e Apis mellifera carnica) com a abelha africana  Apis mellifera scutellata.



A variabilidade genética dessas abelhas é muito grande, havendo uma predominância das características das abelhas européias no Sul do País, enquanto ao Norte predominam as características das abelhas africanas.


A abelha africanizada possui um comportamento muito semelhante ao da Apis mellifera scutellata, em razão da maior adaptabilidade dessa raça às condições climáticas do País. Muito agressivas, porém, menos que as africanas, a abelha do Brasil tem grande facilidade de enxamear, alta produtividade, tolerância a doenças e adapta-se a climas mais frios, continuando o trabalho em temperaturas baixas, enquanto as européias se recolhem nessas épocas.




Outras raças de abelhas

Na Tabela 3 são citadas outras raças de abelhas Apis mellifera e o seu local de ocorrência.

Tabela 3. Raças de abelhas Apis mellifera e sua distribuição.

Raçadistribuição
Apis mellifera adamiCreta
Apis mellifera andansoniiCosta Oeste da África
Apis mellifera anatolicaTurquia até Oeste do Irã
Apis mellifera armenicaArmênia
Apis mellifera capennsisSul da África do Sul
Apis mellifera cecropiaSul da Grécia
Apis mellifera cypriaMediterrâneo central e Sudoeste da Europa
Apis mellifera intermissaLíbia até Marrocos
Apis mellifera jemeneticaSomália, Uganda, Sudão
Apis mellifera lamarckiiEgito, Sudão e Vale do Nilo
Apis mellifera litóreaCosta Leste da África
Apis mellifera macedonicaNorte da Grécia
Apis mellifera majorMarrocos
Apis mellifera medaTurquia até Oeste do Irã
Apis mellifera nubicaÁfrica
Apis mellifera remipesRegião caucasiana
Apis mellifera sahariensisArgélia
Apis mellifera sicilianaSicília - Itália
Apis mellifera syriacaPalestina e Síria
Apis mellifera unicolorMadagascar
Apis mellifera yementicaYemen e Oman
Apis mellifera litoreaCosta Leste da África
Apis mellifera monticolaTanzânia, em altitude entre 1500 e 3100 m

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1 de jul. de 2015

Morfologia e Biologia das Abelhas (Aspectos morfológicos das abelhas Apis mellifera)


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Aspectos morfológicos das abelhas Apis mellifera

As abelhas, como os demais insetos, apresentam um esqueleto externo chamado exoesqueleto. Constituído de quitina, o exoesqueleto fornece proteção para os órgãos internos e sustentação para os músculos, além de proteger o inseto contra a perda de água. O corpo é dividido em três partes: cabeça, tórax e abdome (Fig. 3). A seguir, serão descritas resumidamente cada uma dessas partes, destacando-se aquelas que apresentam maior importância para o desempenho das diversas atividades das abelhas.


Figura 3. Aspectos da morfologia externa de operária de Apis mellifera.
Ilustração: Eduardo A. Bezerra e Maria Teresa do R. Lopes - adaptada de Snodgrass, 1956.

Cabeça


Na cabeça, estão localizados os olhos - simples e compostos - as antenas, o aparelho bucal (Fig. 4) e, internamente, as glândulas.



Os olhos compostos são dois grandes olhos localizados na parte lateral da cabeça. São formados por estruturas menores denominadas omatídeos, cujo número varia de acordo com a casta, sendo bem mais numerosos nos zangões do que em operárias e rainhas (Dade, 1994). Possuem função de percepção de luz, cores e movimentos. As abelhas não conseguem perceber a cor vermelha, mas podem perceber ultravioleta, azul-violeta, azul, verde, amarelo e laranja (Nogueira Couto & Couto, 2002).





Figura 4. Aspectos da morfologia externa da cabeça de operária de Apis mellifera.
Ilustração: Eduardo Aguiar e Maria Teresa do R. Lopes - adaptada de Dade, 1994.

Os olhos simples ou ocelos são estruturas menores, em número de três, localizadas na região frontal da cabeça formando um triângulo. Não formam imagens. Têm como função detectar a intensidade luminosa.



As antenas, em número de duas, são localizadas na parte frontal mediana da cabeça. Nas antenas encontram-se estruturas para o olfato, tato e audição. O olfato é realizado por meio das cavidades olfativas, que existem em número bastante superior nos zangões, quando comparados com as operárias e rainhas. Isso se deve à necessidade que os zangões têm de perceber o odor da rainha durante o vôo nupcial.



A presença de pêlos sensoriais na cabeça serve para a percepção das correntes de ar e protegem contra a poeira e água.


aparelho bucal é composto por duas mandíbulas e a língua ou glossa.  As mandíbulas são estruturas fortes, utilizadas para cortar e manipular cera, própolis e pólen. Servem também para alimentar as larvas, limpar os favos, retirar abelhas mortas do interior da colmeia e na defesa. A língua é uma peça bastante flexível, coberta de pêlos, utilizada na coleta e transferência de alimento, na desidratação do néctar e na evaporação da água quando se torna necessário controlar a temperatura da colmeia.

No interior da cabeça, encontra-se as glândulas hipofaringeanas, que têm por função a produção da geléia real, as glândulas salivares que podem estar envolvidas no processamento do alimento e as glândulas mandibulares que estão relacionadas à produção de geléia real e feromônio de alarme (Fig. 5) (Nogueira Couto & Couto, 2002).



    Figura 5. Aspectos da anatomia interna de operária de Apis mellifera.


     Ilustração: Eduardo Aguiar e Maria Teresa do R. Lopes - adaptada de Camargo, 1972.


Tórax


No tórax destacam-se os órgãos locomotores - pernas e asas (Fig. 3) - e a presença de grande quantidade de pêlos, que possuem importante função na fixação dos grãos de pólen quando as abelhas entram em contato com as flores (Nogueira Couto & Couto, 2002).



As abelhas, como os demais insetos, apresentam três pares de pernas. As pernas posteriores das operárias são adaptadas para o transporte de pólen e resinas. Para isso, possuem cavidades chamadas corbículas, nas quais são depositadas as cargas de pólen ou resinas para serem transportadas até a colmeia. Além da função de locomoção, as pernas auxiliam também na manipulação da cera e própolis, na limpeza das antenas, das asas e do corpo e no agrupamento das abelhas quando formam "cachos".



As abelhas possuem dois pares de asas de estrutura membranosa que possibilitam o vôo a uma velocidade média de 24 km/h (Nogueira Couto & Couto, 2002).

No tórax, também são encontrados espiráculos, que são órgãos de respiração, o esôfago, que é parte do sistema digestivo (Meyer & Wiese, 1985) e glândulas salivares envolvidas no processamento do alimento.


Abdome


O abdome é formado por segmentos unidos por membranas bastante flexíveis que facilitam o movimento do mesmo. Nesta parte do corpo, encontram-se órgãos do aparelho digestivo, circulatório, reprodutor, excretor, órgãos de defesa e glândulas produtoras de cera (Fig. 5).



No aparelho digestivo, destaca-se o papo ou vesícula nectarífera, que é o órgão responsável pelo transporte de água e néctar e auxilia na formação do mel. O papo possui grande capacidade de expansão e ocupa quase toda a cavidade abdominal quando está cheio. O seu conteúdo pode ser regurgitado pela contração da musculatura (Nogueira Couto & Couto, 2002).

Existem quatro glândulas produtoras de cera (ceríferas), localizadas na parte ventral do abdome das abelhas operárias. A cera secretada pelas glândulas se solidifica em contato com o ar, formando escamas ou placas que são retiradas e manipuladas para a construção dos favos com auxílio das pernas e das mandíbulas.

No final do abdome, encontra-se o órgão de defesa das abelhas - o ferrão - presente apenas nas operárias e rainhas. O ferrão é constituído por um estilete usado na perfuração e duas lancetas que possuem farpas que prendem o ferrão na superfície ferroada, dificultando sua retirada. O ferrão é ligado a uma pequena bolsa onde o veneno fica armazenado. Essas estruturas são movidas por músculos que auxiliam na introdução do ferrão e injeção do veneno. As contrações musculares da bolsa de veneno permitem que o veneno continue sendo injetado mesmo depois da saída da abelha. Desse modo, quanto mais depressa o ferrão for removido, menor será a quantidade de veneno injetada. Recomenda-se que o ferrão seja removido pela base, utilizando-se uma lâmina ou a própria unha, evitando-se pressioná-lo com os dedos para não injetar uma maior quantidade de veneno. Como, na maioria das vezes, o ferrão fica preso na superfície picada, quando a abelha tenta voar ou sair do local após a ferroada, ocorre uma ruptura de seu abdome e conseqüente morte. Na rainha, as farpas do ferrão são menos desenvolvidas que nas operárias e a musculatura ligada ao ferrão é bem forte para que a rainha não o perca após utilizá-lo.



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1 de nov. de 2013

Manual do Criador: Doenças das Aves, Profilaxia e Tratamento



DOENÇAS - MEDICAMENTOS


Verificar sempre aves fracas, pálidas e tristes. Se houver doença, medicá-las, senão, simplesmente, colocá-las em campo para tomar sol, alimento verde e alguma vitamina: Poliforte, Vitagold, Hidrovit e outras similares, Dependendo da Prescrição médica do Veterinário.

É preciso atenção para que não haja o enfraquecimento dos pintos provocado por: Frio - Umidade - Vento - Água Suja - Umbigo Aberto - Cavaco velho e com fungo - Alimentação Velha ou Mofada - Milho sem procedência - Instalação sem ser pulverizada.
Algumas sugestões que podem ser indicadas pelos veterinários independente das vacinas:


 HIDROVIT – Nos pintos de 1 dia
 SANEPRIM – Combate a Coli e as principais doenças, do quarto ao décimo dia.
 AGROVIT PLUS – A base de benzipexicilina procaína, infecções com processos progênitos.

 NEOMICINA – Efeito mais intestinal, também usado para bovinos e equinos.
 ENROTRIL – contra coriza, 40 ml em 1 litro de água = sulfamicina, indicado
      também para coccídeos, cólera, tifo aviária.
 TYLAN 200 – tilosina base: antibiótico bom para coriza e pneumonia.
 COLISTINA SOLUVEL-Diarreias, pseudômonas, echitericia coli. Remédio de
     verme conforme tabela, sobretudo, nas aves com cloaca suja.
 VACINA BIO SHS VIVA – contra pneumovirose aviária para aves poedeiras.
 IBATRIM ORAL – sulfadiazina sódica + trimetropim, contra colibacilose,
      cólera, doença respiratória, tifo aviário.
 POTENAY – Complexo vitamínico.
 POLIFORTE – Complexo vitamínico
 VITAGOLD – Complexo vitamínico
 ADETHOR – Complexo vitamínico
 GEROTREX H3 – Complexo vitamínico
A Coli tem muito a ver com a água e a limpeza do aviário. As principais características são as asas caídas, abatimento e sem se alimentar. Ataca muito os pintos. A galinha infectada prejudica o pinto. Se necessário, fazer o exame de laboratório com antibiograma para detectar qual o antibiótico sensível - MEDICAR TODO PLANTEL.
Nos climas muito úmidos, uma doença muito comum é a coriza, e existem vários medicamentos que podem ser indicados pelo veterinário: terramicina L.A, amoccilína, cilroflocxacina, sulfoelopiridazina - trimetropím - enrotril - enrofloxacina (mais respiratório), neomicina (mais intestinal), sulfaquinoxalina excelente para coccídeos, sulfaclopiridazina - eritromicina - cefalecina.
O exame de laboratório com antibiograma é fundamental na indicação do antibiótico mais sensível ao plantel afetado pela doença.

ALGUMAS INFORMAÇÕES DE DOENÇAS E PROVIDÊNCIAS:

Doenças de Marek:

É uma doença causada por vírus, também conhecida como Paralisia das Aves. Causa tumores nos nervos, nos rins, baço, fígado, intestinos, coração e músculo. Os sintomas variam de acordo com a localização dos tumores. Podem ocorrer diarreias, as aves ficam ofegantes. Afeta o sistema nervoso central das aves. O crescimento e a reprodução sofrem decréscimos.

SOLUÇÃO
Severa limpeza e desinfecção. Isolamento das aves doentes. A vacinação deve ser realizada em pintos de 1 dia de idade e aplicada no dorso ou no pescoço.

Newcastle:

São causados por um vírus, muito contagiosos. Os primeiros sintomas consistem em queda do consumo de alimentos, bronquite com tosse e espirros. As aves perdem o equilíbrio, andam em círculos, entortam o pescoço e tem diarreia. Chegam á morte rapidamente.
SOLUÇÃO:
As aves doentes devem ser isoladas, os viveiros desinfetados rigorosamente, assim como todos os bebedouros e comedouros. A vacinação é feita via nasal ou ocular, mas também pode ser feita via muscular, no peito ou na coxa.

Pulorose

Também chamada "Diarreia Branca" é uma infecção causada por Salmonela. Causam problemas na reprodução, fertilidade, atraso de crescimento e queda de produção. Há sonolência, apatia, diarreia amarelada, asas pendentes e as fezes se acumulam em torno do ânus, há dispneia da crista,
SOLUÇÃO:
O tratamento é feito com antibióticos e sulfa, desinfecção rigorosa e separação das aves contaminadas.

Tifo Aviário:

É provocada por Salmonela, provoca palidez da crista. Apatia, penas arrepiadas, diarreia amarelo ou esverdeada, febre, sede intensa, ou artrite.
SOLUÇÃO:
O tratamento é feito com algumas sulfas e antibióticos específicos, A doença aparece normalmente por práticas anti-higiênicas e mau manejo,

Aspergilose:

É uma infecção que ataca as aves, sendo provocada por fungos. Causam alterações no aparelho respiratório (ronqueira), perda de apetite, enrijecimento das articulações e paralisia, diarreia, apatia, queda na produção. Confunde-se com a coriza e a bronquite infecciosa.
SOLUÇÃO:
Não há vacina. O tratamento é feito com antibiótico e pulverização periódica dos viveiros com fungicida

Coccidiose:

Provoca a queda na produção e o atraso no crescimento. Doença parasitária do trato intestinal é transmitida através de fezes, cama úmida e água suja, O calor e umidade favorecem o aparecimento da doença. As aves tornam-se apáticas, perdem o apetite e ficam pálidas.
As fezes apresentam-se aquosa e sanguinolenta, pois, a doença provoca severa inflamação da mucosa intestinal.
SOLUÇÃO:
A desinfecção das instalações é o melhor meio de prevenção. Uso de cama limpa, limpeza e desinfecção de comedouros e bebedouros. Boa alimentação é indispensável.

Cólera:

Também conhecida como Pasteurelose Aviária, é um germe, apresenta sintomas de febre e sede intensa, respiração ofegante, sonolência e diarreia.
SOLUÇÃO:
Vacina no tempo indicado.

DOENÇAS – PROFILAXIA.

CORIZA:


É uma doença das vias respiratórias caracterizada pela Inflamação das mucosas do aparelho respiratório, podendo por vezes atacar o globo ocular.
Quando a coriza vem sem febre, de forma aguda, e provocada por vírus caracteriza o estado de uma simples constipação, a qual pode ser provocada por muitos tipos de vírus, entre eles a influenza, o rinovírus, etc. Pólens, poeiras de fenos e serragens também são capazes de irritar a mucosa nasal provocando a coriza. Assim, na forma benigna, as aves conservam quase a vivacidade normal, notando-se, no entanto a saída pelas narinas de um líquido mucoso. Na forma grave há inflamação da face, falta de apetite, espirros frequentes, corrimento nasal c por fim vem à morte, que pode atingir 50% dos efetivos.
Esta doença tem alcance mundial- especialmente em climas temperados e tropicais. Implica uma enorme importância económica uma vez que, pode ser responsável pela queda de postura (40% de perda). Ocorre principalmente em aves de postura e raramente em frangos.

PROFILAXIA

Separar as aves afetadas
Alimentação rica em vitamina A
Antibiótico na água da bebida
Ventilação adequada:
Vacinação

TRATAMENTO

Antibióticos
Clorar (ou adicionar desinfetantes á base de iodo) a água de bebida.





SÍNDROME DE QUEDA DE POSTURA

É uma doença infectocontagiosa, de ocorrência em vários países do mundo, que afeta as galinhas adultas causando, diminuição da qualidade interna do ovo e má qualidade da casca. Assim, a importância econômica está ligada à perda na produção e má qualidade dos ovos.
O ADENOVÍRUS EDS afeta apenas as espécies aviárias mantendo-as aparentemente saudáveis e não causa danos à saúde humana. Como sinais clínicos podemos observar diarreia severa durante a fase e crescimento, sonolência, baixo consumo de ração e por vezes, as galinhas comem os ovos. Os ovos por sua vez, aparecem com casca fina,
sem casca, com casca deformada e descolorida, com redução no peso e depósito de cálcio sobre a casca, Esta enfermidade não causa mortalidade nas aves.

PROFILAXIA

Vacinação
Não utilizar galos suspeitos no acasalamento de aves
Não utilizar equipamentos de lotes positivos em lotes negativos
Desinfecção dos aviários com ou solução de iodo
Utilizar hipoclorito de sódio à base de 3 ppm na agua de bebida das galinhas para
evitar possível contaminação por aves aquáticas em reservatórios naturais.

TRATAMENTO
Não há tratamento para esta enfermidade.

GUMBORO

A doença infecciosa da bursa (IBD) ou doença de gumboro é uma virose que afeta aves de várias idades.
As aves afetadas apresentam: diarreia, depressão, prostração, cristas pálidas, atrofia, hemorragias musculares, edema, etc. Aparecem processos secundários como: menor resposta ás vacinas, maior incidência de coccidiose e outros processos patológicos.
O sorotipo 1 está presente na maioria dos aviários de grandes dimensões, comerciais.
Naqueles se pratica uma vacinação correta, os sinais clínicos são raros.




PROFILAXIA

A melhor é a prevenção. A vacinação das reprodutoras com vacinas inativadas para proporcionar uma boa imunidade passiva à descendência. Os pintos devem ser vacinados com vacinas vivas no momento em que os níveis de imunidade maternal sejam adequados para que a vacina não se neutralize. São utilizadas várias fórmulas para calcular a idade ideal de vacinação. A "Fórmula
Deventer" é utilizada nos Países Baixos. Esta tem vantagens como o poder ser
usada para todo tipo de aves: frangos de corte, matrizes e poedeiras; as datas de coleta de amostras de sangue são flexíveis: de 1 a 10 dias após a eclosão; permite determinações em lotes com distribuições uniformes c também irregulares de títulos e pode ser aplicada para todos os tipos de vacinas contra
1BD.

TRATAMENTO

Não existe um tratamento eficaz contra a doença. O que se pode fazer é controlar os agentes secundários e os efeitos da imune supressão.

NEWCASTLE

Virose respiratória, também com sintomatologia nervosa e digestiva. É altamente contagiosa. Também conhecida por pseudo-peste.
As aves apresentam conjuntivite, podendo haver secreção abundante; problemas respiratórios associados a Mycoplasma sp; diarreia esverdeada e mais tarde começam as complicações nervosas como torcicolos (pela encefalite), queda de postura (até 100%). ovos deformados, tarsos assentes no chão, etc.
Enfermidade político sanitário que pode matar até 100% das aves de um lote de qualquer espécie e qualquer idade. A exportação fica inviabilizada se não houver controle da doença no país.

PROFILAXIA

 Boa desinfecção dos galinheiros
Separar as aves doentes.
Vacinação dos pintos nos primeiros 15 dias de vida, Revacinação.

LARINGOTRAQUEÍTE INFECCIOSA

A Laringotraqueíte Infecciosa (LT1) é uma doença respiratória aguda e altamente contagiosa das aves. A importância desta doença deriva das perdas econômicas ocasionadas pela alta mortalidade, diminuição do desempenho produtivo e diminuição da produção de ovos e alto consumo de medicamentos,
Embora a Laringotraqueíte possa afetar todas as aves, em qualquer idade, as galinhas são os principais hospedeiros da doença e os sintomas são mais observados nas aves já adultas.
A porta de entrada natural da doença o trato respiratório superior e a via ocular, e a transmissão ocorre pelo contato direto entre aves ou indiretamente através de equipamentos e cama contaminados. Em geral, o curso da LT varia entre sete a dez dias pode-se manifestar de duas formas. A primeira delas é a forma aguda, na qual a ocorrência e a disseminação são rápidas, com alta mortalidade chegando a ser maior que 50%. Algumas aves morrem com bom peso corporal e pescoço distendido devido à dificuldade respiratória. Sinais clínicos como a tosse normalmente ocorrem acompanhados da observação de coágulos de sangue nas narinas e no piso.
A outra forma de manifestação é a subaguda. Onde a sintomatologia é semelhante a anterior, porém com a mortalidade variando entre 10% e 30%. Além das perdas decorrentes da mortalidade de aves, a LT é responsável pela queda na produção de ovos, porém sem afetar a sua qualidade.

PROFILAXIA

Vacinação
Boa lavagem e desinfecção dos pavilhões;
Aquecimento dos galpões por 100 horas a 100 °F, antes do alojamento de novas aves;
Reforçar as medidas de biossegurança.

SÍNDROME DA CABEÇA INCHADA:

A SHS, ou Síndrome da Cabeça Inchada, é uma enfermidade que acarreta a um quadro respiratório, com edema facial e submandibular, presença de sinais nervosos, queda na produção e na qualidade dos ovos. Em frangos são observados secreção nasal, depressão e edema subcutâneo. Com frequência os quadros são agravados pela presença de infecções secundárias, principalmente E. Colí.
Em matrizes e poedeiras a mortalidade fica em torno de 1% a 3%, porém ocorrem perdas devido à queda de postura de 1% a 10% durante 2 a 3 semanas e aumento da morte embrionária em incubadora em tomo de 3% a 10%.

PROFILAXIA 


Manejo e densidades adequadas.
Controle ambiental de poeira e amordaço (níveis inferiores a 15 ppm).
Controle microbiológico da água

TRATAMENTO

Uma vez que a infecção pelo Pneumovírus Aviário não pode ser controlada por meio de medicação, o uso de vacinas atenuadas em aves jovens, e inativada em matrizes e poedeiras comerciais antes do inicio da postura, tem sido amplamente recomendado.

BOTULISMO


É uma intoxicação aguda causada pela neurotoxina* do Clostridium botulinum.
Provocando debilidade, prostração e paralisia flácida que levam à morte.
As aves afetadas apresentam: paralisia flácida das pernas, asas, pescoço e terceira pálpebra. Inicialmente, as aves afetadas ficam deitadas e não se mexem (se forçadas a caminhar, parecem aleijadas). As asas caem o pescoço encontra-se distendido para frente e apoiado no chão. As aves afetadas apresentam penas arrepiadas, que podem ser facilmente destacadas da pele. Por vezes, observa-se diarreia.

PROFILAXIA

Recolhimento rápido das aves mortas e incineração
Remoção das camas, limpeza e desinfecção com hipoclorito de cálcio ou formalina.
Controle de moscas

TRATAMENTO

Isolamento das aves doentes
Antibióticos (estreptomicina, etc.) para redução de mortalidade.

ENTERITE NECRÓTICA

É uma emerotojiemia aguda, não contagiosa encontrada principalmente em animais jovens. Suas características são o aparecimento súbito, a necrose confluente da membrana da mucosa do intestino delgado, rápida debilidade e morte. As aves apresentam severa apatia, diminuição do apetite.

PROFILAXIA

Manuseio ambiental adequado
Uso de enzimas para diminuir a viscosidade intestinal
Uso de probióticos, que colonizam o trato intestinal, reduz o PH, produzem bactericidas.
Uso de ácido orgânico

TRATAMENTO

Antibióticos

COCCIDIOSE

É uma das doenças mais importantes da avicultura.
Não bastando o fato de que o agente cause enterite e diarreia, consequentemente, uma diminuição na absorção intestinal de nutrientes, há ainda um efeito sinérgico dos coccídeos com outras doenças.
A coccidiose intestinal da galinha é devida à presença de uma bactéria a Eimeriatenella Esta produz uma afecção grave e contagiosa, causadora de perdas consideráveis, É muito resistente podendo viver de um ano para o outro. São principalmente os animais novos os mais atacados e os menos resistentes,
À infecção faz-se por via digestiva e são as aves que comem as fezes, água ou ração contaminadas que apanham a doença.
Os pintos doentes mostram-se arrepiados com as asas caídas, friorentos, umas vezes o apetite mantém-se outras não, geralmente são afetados na 1o há 10° semana. Os sinais clínicos apresentam graus variados de patogenicidade aos seus hospedeiros, dependendo qual a espécie de Eimeria que provoca a doença.

PROFILAXIA

Higiene nos aviários
Separar as aves afetadas
Alimentação à base de lacticínio.
Coccidiostático natação
Vacinação