23 de jul. de 2015

Manual do Criador: QUALIDADE DA ÁGUA NA AVICULTURA



QUALIDADE DA ÁGUA

A avicultura brasileira é atualmente um dos setores mais organizados e desenvolvidos do agronegócio brasileiro, sendo nosso país o maior exportador de carne de frango. Avanços nas áreas de nutrição e sanidade em muito contribuíram para esse desenvolvimento. O balanceamento nutricional adequado, uso de enzimas, melhorias no processamento de matérias primas, uso de vacinas e análises laboratoriais mais precisas e confiáveis são exemplos do progresso na cadeia avícola.

Contudo, a água é um fator ao qual não tem sido dada a atenção necessária, tendo em vista a magnitude de seus requisitos. A água pode ser considerada o nutriente mais importante aos animais, desconsiderando-se o oxigênio. São inúmeras suas funções nos organismos vivos, sendo essencial nos processos de digestão, solubilização e transporte de substâncias aos diversos tecidos corporais. A água, devido ao seu alto calor específico, também é fundamental na manutenção da temperatura corporal em extremos de temperatura ambiental.

Devemos atentar para três pontos-chave quando pensamos na água para dessedentação das aves: quantidade, qualidade físico-química e qualidade microbiológica. É conveniente ressaltar que milhares de aves têm acesso a água de uma mesma fonte e qualquer comprometimento em seu fornecimento poderá acarretar sérios prejuízos ao produtor.

Quantidade
A água deve ser disponibilizada à vontade e durante todo o dia para as aves. De um modo geral, considera-se que a quantidade de água ingerida por dia pelas aves é em média o dobro da quantidade de ração consumida no mesmo período. Contudo, o consumo de água pode variar muito de acordo com alguns fatores como: temperatura ambiental, composição da dieta, idade e sexo das aves, uso de aditivos, como os anticoccidianos na ração e temperatura da água.

A fim de que as aves não passem sede, muita atenção deve ser dispensada aos bebedouros, devendo estes estar em boas condições de uso, com vazão adequada e altura ajustada ao tamanho das aves.

Recomenda-se também que a água fornecida às aves esteja fresca. Segundo Macari (1996), temperaturas da água acima de 24o C podem acarretar uma diminuição no consumo da mesma. Dessa forma, deve-se evitar a exposição direta da caixa d'água e encanamentos aos raios solares. Uma sugestão é remover a água do sistema hidráulico ao longo do dia, quando a temperatura ambiental está muito elevada, considerando-se que a água contida no encanamento tem maior temperatura que a água do reservatório.

Qualidade físico-química
A qualidade físico-química da água a ser utilizada nos aviários deve ser muito bem avaliada antes da construção do galpão, visto que muitas das características que afetam essa qualidade são próprias das regiões e, caso estejam alteradas, o tratamento pode ser muito dispendioso.

Características como cor, odor e sabor da água devem ser observadas diariamente, atentando-se para possíveis alterações. A turbidez da água, relacionada à quantidade de sólidos em suspensão é outro parâmetro físico a ser monitorado por meio de análises laboratoriais.

A análise da composição química da água é outro ponto importante no controle da qualidade da água, devendo ser periodicamente monitorada.

Os Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) indicam a concentração de minerais como cálcio, magnésio, enxofre, sódio e cloro na água. Valores elevados de SDT podem ser prejudiciais ao consumo de água, desempenho e sanidade do lote.

A Dureza da água está relacionada principalmente aos teores de cálcio e magnésio. A “água dura” pode comprometer tubulações e a vazão de água dos bebedouros, acarretando prejuízos ao produtor pelo pela queda no desempenho do lote e pela menor vida útil do sistema de tubulação.

Outros elementos que podem comprometer a qualidade da água estão listados na tabela abaixo.

Tabela 1 Qualidade físico-química da água:
PARÂMETROS -  VALOR MÁXIMO
Cloreto Total - 250mg/L
Cobre Dissolvido - 0,013mg/L
Ferro Dissolvido - 5,0 mg/L
Fósforo Total - 0,15mg/L
Manganês Total - 0,5mg/L
Nitrato - 10,0mg/L
Nitrito - 1,0mg/L
pH - 6,0 a 9,0
Sulfato Total - 250mg/L
Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) - 500mg/L
Turbidez - Até 100 UNT
Zinco Total - 5,0mg/L
Fonte: www.cnpsa.embrapa.br- Qualidade da água para suínos e aves
Qualidade microbiológica

Tendo em vista o prolongado tempo de sobrevivência de alguns microorganismos patogênicos na água e o grande número de aves que têm acesso à mesma fonte de água, a transmissão hídrica assume um fundamental papel na epidemiologia de várias enfermidades aviárias.

A contaminação da água por agentes patogênicos pode ocorrer na fonte de captação da água (nascentes, poços artesianos, poços rasos), na tubulação que conduz a água ao galpão e/ou nos bebedouros (através de secreções ou excreções das aves).

Enfermidades bacterianas, virais e por protozoários podem ser veiculadas pela água de bebida das aves, dentre as quais destacamos a Doença Crônica Respiratória, a colibacilose, a pulorose, o tifo aviário, a Doença de Newcastle, a Doença de Mark, a bronquite infecciosa, a Doença de Gumboro, a coccidiose e a histomoníase.

A cloração da água tem como objetivos eliminar agentes patogênicos, principalmente bactérias que podem estar presentes na água e deixar uma quantidade de cloro residual livre a fim de impedir a multiplicação desses agentes nos bebedouros. A quantidade de cloro a ser adicionada à água varia com o pH e a quantidade de matéria orgânica presente na água, recomendando-se que nos bebedouros exista 5 ppm de cloro residual livre.

A cada ciclo de produção o sistema de tubulações do aviário deve ser limpo e desinfetado a fim de prevenir o aparecimento de algas, limo e contaminação. Primeiramente, deve-se utilizar água sob pressão para retirar a matéria orgânica das tubulações e em seguida recomenda-se o uso de desinfetantes alcalinos, para eliminar a contaminação orgânica e, por fim, utilizar um desinfetante ácido para remover a crosta de limo do sistema.

A monitoria da qualidade da água deve ser periódica, tornando-se rotina na granja. O valor do cloro residual livre nos bebedouros deve ser mensurado semanalmente, indicando se a quantidade de cloro adicionada à água está sendo suficiente para reagir com a matéria orgânica presente na mesma.

As análises bacteriológicas são de extrema importância para indicar uma possível contaminação da água por microorganismos. Diante da grande diversidade de microorganismos que podem ser encontrados na água, são utilizados grupos de microorganismos como indicadores de contaminação. Os coliformes totais e coliformes fecais sugerem a contaminação da água por agentes de origem intestinal. Os microorganismos mesófilos, que também são pesquisados, podem interferir na detecção dos coliformes, indicando resultados falso positivos na pesquisa desses agentes. Dessa forma, a pesquisa dos mesófilos é fundamental no exame bacteriológico.

Como a contaminação da água é um processo dinâmico, podendo variar ao longo do tempo, é recomendável que sejam realizadas análises de água a cada ciclo de produção ou pelo menos duas vezes ao ano, sendo uma na época da seca e outra na época das águas. Dessa forma, facilita-se a adoção de medidas preventivas e corretivas. Para análises microbiológicas é interessante coletar amostras de três partes do sistema de água: da fonte, do reservatório e das torneiras localizadas nas instalações, o que facilita a verificação de possíveis problemas.
 

O corpo de um frango é constituído de 60% a 70% de água Esta percentagem varia conforme a sua idade, mas dá o tom à importância que esta composição ocupa em sua vida. Ao tentar manter um equilíbrio térmico entre seu organismo e o ambiente, a ave perde água por meio da sudorese O que é perdido precisa ser reposto, caso contrário seu desempenho é reduzido Em casos mais críticos, durante o verão, um stress calórico pode levar o frango à morte Por isto, é importante ter um sistema no qual a ave possa beber água sem restrições e na quantidade necessária, mantendo seu nível de satisfação.
Qualquer empecilho neste processo traz redução em sua ingestão de água, o que, por consequência, reduz a quantidade de alimento ingerido, afetando todo o processo de crescimento e desenvolvimento. A redução no consumo de água pode indicar outro fato: a incidência de enfermidades no lote.
Doentes, os frangos bebem menos. O produtor, no entanto, dificilmente irá notar alguma alteração no consumo apenas a partir de suas próprias observações, principalmente em grandes aviários, para acompanhar eventuais quedas, é necessária a colocação de um contador na entrada do sistema de distribuição de água para controlar o quanto as aves estão bebendo. Com os dados em mãos, o produtor divide o total consumido pelo número de frangos e tem a quantidade em mililitros, ingerida em um determinado período, uma possível redução no consumo da água pode ser ocasionada por algum tipo de problema mecânico do equipamento, mas também pode ser um sinal de alerta para alguma doença.
A água apresenta-se na sua forma natural com características físicas, químicas e microbiológicas variáveis em função de regiões, procedências, poluentes e contaminantes. A qualidade da água pode ser avaliada por meio de critérios físicos, químicos e bacteriológicos. O critério físico é determinado por características de cor, sabor, cheiro e temperatura. A água ideal para aves deve ser limpa, insípida e inodora.

O critério químico é determinado por características como pH, sólidos dissolvidos totais, dureza c percentagem de certos elementos na agua como nitrato, amoníaco, sulfato: pesticidas, ferro, potássio e cloro. A composição química da água afeta a condição sanitária do intestino dos animais e certos medicamentos podem não se solubilizar em águas que são muito duras, e que têm um pH inadequado Uma característica química denominada de Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) ou Salinidade fornece uma boa ingerência na qualidade química da agua Os minerais que normalmente mais contribuem para os valores de SDT são cálcio, magnésio, sódio, cloro, carbonatos e enxofre.
O critério bacteriológico determina o nível de contaminação microbiana por meio da identificação dos microrganismos, via análises para determinar o total de bactérias por unidade de amostra Embora haja valores máximos de coliformes totais, a sua presença significa poluição da água a recomendação é que sempre que aparecer coliforme total a água seja tratada. Para evitar os problemas sanitários provenientes de uma água contaminada, recomenda-se o tratamento com cloro em todos os tipos de fontes existentes, resultando na redução da transmissão e disseminação de enfermidades. Não esquecer que o uso do cloro requer alguns cuidados e atenções: limpeza dos canos para evitar que o cloro fique aderido no material orgânico; fechar o tanque de água para este não ficar exposto ao sol; não esquecer que as altas temperaturas dos pavilhões podem promover a volatização do cloro, que se dissipa facilmente da água, especialmente em bebedouros abertos, deve-se utilizar maiores níveis de cloro no sistema, explorações que reutilizam a cama aviaria apresentam maiores níveis de amoníaco, que pode neutralizar o cloro da água, também em casos de bebedouros abertos; resíduos de vacinas, antibióticos e vitaminas na água podem reduzir a efetividade do cloro (quanto mais contaminada for a água, maior a quantidade de cloro que se deve agregar), a utilização de um produto não adequado ou demasiadamente barato pode, em longo prazo, custar mais caro.
Quanto maior o pH da água, maior a necessidade de cloro como desinfetante A dosagem recomendada de cloro para pintos varia de 1 a 3 ppm e para frangos, acima de 28 dias entre 5 e 6 ppm. sem queda no consumo. O recomendado seria uma faixa de 3 a 5 ppm(média). Somente dosagens muito elevadas poderão causar algum desajuste no balanço eletrolítico das aves.
Dessa forma a utilização de água com qualidade e disponibilidade, proporciona melhores desempenhos a avicultura.



Importância da qualidade da água na produção de suínos e aves : parte 1






Importância da qualidade da água na produção de suínos e aves : parte 2 


14 de jul. de 2015

Principais Produtos do Avestruz

Principais produtos comercializáveis

Carne: um avestruz produz entre 30 a 45 quilos de carne vermelha de primeira qualidade (ela tem níveis de gordura e colesterol baixos; é mais saudável porque apresenta baixo teor de gordura saturada e é rica em ácidos graxos poli e moninsaturados. São conhecidos como ômega três e ômega seis. A carne de avestruz é recomendada pelas Sociedades Americana e Brasileira de Cardiologia). São poucos os fornecedores no Brasil com autorização para abate comercial, mas com o aumento do plantel a tendência é que mais empresas iniciem o abate de suas aves. O quilo da carne de avestruz, que já chegou a custar em torno de R$ 120,00, hoje já pode ser encontrado na faixa de R$ 70,00.



CARNE DE AVESTRUZ






Couro do avestruz: o couro é resistente, macio, fácil de extrair e de tingir, e possui marcas características do implante das penas, o que é muito valorizado. A pele das pernas parece escamosa e assemelha-se ao couro de répteis.
Com as peles são fabricados sapatos, cintos, carteiras, bolsas, pastas e pequenas peças de vestuário como coletes e almofadas para os ombros. Marcas famosas como Gucci, Armani, Prada, Mont Blanc e Christian Dior usam couro de avestruz. O preço varia de U$ 200,00 a U$ 300,00 o metro quadrado.


COURO DE AVESTRUZ






Plumas de avestruz: um avestruz pode produzir plumas de excelente qualidade por 40 anos ou mais, desde que receba cuidados apropriados. No entanto, as melhores penas são produzidas por avestruzes de 3 a 12 anos de idade. Uma ave adulta gera cerca de 2kg de plunas por ano. As plumas estão maduras para coleta aos 8 meses. O Brasil, por ser o maior importador mundial de plumas, é um grande mercado para o produto.

PLUMAS DE AVESTRUZ





Ovo de avestruz: Um ovo de avestruz pesa entre 1,2kg e 1,8kg. Ovos inférteis são utilizados para o artesanato, sendo comercializados entre R$150,00 e R$400,00 por unidade. (ovos inférteis e sem acabamento são vendidos em média por R$ 20,00).


OVO DE AVESTRUZ



FILHOTES DE AVESTRUZ





Filhotes: é atualmente no Brasil a maior fonte de renda para os criadores pois o país está na fase de formação de plantel.

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8 de jul. de 2015

CRIAÇÃO DO BICHO DA SEDA (Sericicultura)



Bicho-da-seda

SERICICULTURA

PRODUÇÃO DA SEDA




Produção de casulos formados pela lagarta da espécie Bombyx mori é opção de renda em propriedades familiares próximas a tecelagens de seda
Neste mês, completam-se 200 anos da chegada ao Rio de Janeiro da família real portuguesa. Esse fato provocou grandes mudanças no Brasil, tratado até então como uma mera colônia extrativista para abastecer Portugal. Com os pés em terras brasileiras, logo o príncipe-regente dom João começou a tomar medidas que abriram oportunidades para o desenvolvimento de novas atividades agrícolas por aqui - como a sericicultura, a criação do bicho-da-seda.
Atualmente, essa atividade é recomendada sobretudo para gerar renda adicional em pequenas propriedades familiares, que têm à disposição novas tecnologias desenvolvidas pela Apta - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios. No estado de São Paulo, a sericicultura está concentrada em municípios como Bastos, Gália, Duartina e Fernão, entre outros. No Paraná, na região de Maringá. O bicho-da-seda (Bombyx mori) produz um casulo do qual se extrai os fios para formar um tecido de toque suave, cobiçado no mundo inteiro e que nunca sai da moda. O trabalho minucioso e delicado das lagartas da espécie já é explorado pelo homem há muito tempo. Historiadores relatam que, há cerca de 4.600 anos, a seda proveniente do inseto já era explorada para a confecção de roupas da nobreza do império chinês.
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SUPORTE onde as lagartas tecem os casulos
O ciclo de desenvolvimento do bicho-da-seda vai da eclosão do ovo até a transformação da lagarta em mariposa. O período em que vive como a lagarta é dividido em cinco fases ou idades, durante as quais é sempre alimentada com folhas da amoreira (Morus spp.).
Quando atinge tamanho que varia de sete a oito centímetros e não come mais, o bicho-da-seda deve ser transferido para o "bosque", um suporte para o inseto tecer o fio. Num movimento constante da cabeça, a lagarta produz um casulo em volta de si, a partir de um fio contínuo de cerca de 1,2 metro.
No interior de um galpão, chamado de sirgaria, o manejo do inseto é feito sobre esteiras, que também são conhecidas como camas de criação. O local deve ser limpo, livre de contaminação e com boa circulação de ar. Além disso, é preciso controlar a temperatura e a umidade relativa do ar do ambiente, mantendo-o em níveis adequados a cada idade do bicho através de abertura de janelas, para assegurar o bom trabalho dos bichinhos operários.
Raio X
CRIAÇÃO MÍNIMA: meio hectare
INVESTIMENTO INICIAL: em torno de 45 reais a caixa com 33 mil lagartas, além da formação do amoreiral e construção do galpão
RETORNO: safra de 70 quilos pode render 500 reais
REPRODUÇÃO: de 400 a 500 ovos por mariposa
Mãos à obra
BARRACÃO com folhas de amoreira, para alimentar as lagartas
INÍCIO - adquira o bicho-da-seda já na fase da lagarta, quando medem pouco mais de 1,5 centímetro. A dedicação do produtor no trato do inseto é muito importante para obter casulos de qualidade, o que define o preço pago ao criador (o quilo pode ser cotado a mais de seis reais).
AMBIENTE - nos primeiros sete dias de vida, durante a primeira e a segunda idade da lagarta, a temperatura ideal para o local de criação é de 26 a 27 graus e umidade relativa do ar de 90%. Na terceira e quarta idades, são recomendados de 24 a 25 graus e umidade de 75%, enquanto na quinta idade o ideal é 23 graus e umidade de 70%.
ESTRUTURA - as lagartas são criadas sobre esteiras dentro de barracões, com medidas que podem variar de acordo com o espaço disponível. Um galpão de nove metros de comprimento por seis de largura, por exemplo, pode ser considerado para uma pequena propriedade agrícola, rendendo até 70 quilos de casulo por mês durante a safra.
INTEGRAÇÃO - há empresas no mercado que disponibilizam ao produtor interessado toda a estrutura de apoio para a criação, inclusive as lagartas. Fornecem insumos para a desinfecção das instalações e mudas de amoreiras, além de assistência técnica em todo o processo de produção.
ALIMENTAÇÃO - para o desenvolvimento da lagarta, é necessário fornecer folhas de amoreira. A Apta multiplica e disponibiliza cultivares desenvolvida pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo, de elevada produção e valor nutritivo. Entre os mais destacados estão IZ56/4, IZ15/7, IZ13/6, IZ10/4, IZ40,
PROPAGAÇÃO - o cultivo de amoreiras é feito por estacas, que podem produzir folhas por um período de 15 a 18 anos para alimentar o bicho-da-seda. O corte deve ser diário, para oferecer às lagartas refeição fresca. As folhas devem ser oriundas de plantações livres de pragas, doenças e impurezas, nem mesmo terra.
REPRODUÇÃO - ocorre na fase adulta da mariposa, que surge a partir da transformação da lagarta dentro do casulo. Após o acasalamento, a fêmea inicia a postura dos ovos, que chega a somar de 400 a 500 unidades.

4 de jul. de 2015

Doenças e Inimigos das Abelhas


Existem vários organismos que podem causar problemas para as abelhas, tanto na fase de larva quanto na fase adulta. Algumas bactérias, fungos e vírus causam doenças que afetam principalmente as larvas. Já as abelhas adultas são freqüentemente atacadas por protozoários, ácaros e insetos.



A ocorrência e os danos provocados por cada organismo variam de acordo com a região e com o tipo de abelha. No Brasil, de modo geral, a ocorrência e os danos provocados por doenças e certas pragas são menores, principalmente em razão da maior resistência das abelhas africanizadas e das condições climáticas, que parecem ser menos favoráveis à disseminação das doenças.


Dessa forma, os apicultores não necessitam utilizar antibióticos ou pesticidas em suas colmeias, o que tem garantido a obtenção de produtos livres de resíduos químicos. Esse fato possibilita que nossos produtos sejam vistos nos mercados interno e externo como produtos mais saudáveis, isentos de contaminantes, o que favorece a comercialização.

Entretanto, para que que se continue a ter essa vantagem, os apicultores devem estar atentos à situação sanitária das colmeias, sabendo reconhecer as anormalidades que indicam a presença de doenças. Isso ajudará a evitar a disseminação de novas doenças no Brasil, que podem causar sérios prejuízos à apicultura, como é o caso da Cria Pútrida Americana.

Reconhecendo os principais sintomas de doenças, o apicultor poderá tomar medidas imediatas, como o isolamento das colmeias atacadas, enviar amostras a laboratórios para análise e diagnóstico precisos, comunicar associações, cooperativas ou outras instituições. Assim, estará contribuindo para evitar a contaminação de seus apiários e dos apiários de sua região.


Doenças das abelhas

Importância

A ocorrência de doenças nas colmeias pode acarretar prejuízos diretos pela diminuição da produtividade, uma vez que o aumento da mortalidade, tanto de crias como de abelhas adultas, leva a uma redução da população da colmeia com conseqüente redução da produção. Em casos mais graves, o apicultor poderá perder enxames, já que as abelhas africanizadas costumam abandonar as colmeias quando a população cai abaixo de 4 mil indivíduos e quando há muita cria morta.

Em países com alta incidência de doenças, os apicultores sofrem prejuízos em virtude do gasto adicional de utilização de antibióticos para o controle das doenças, além da contaminação dos produtos com resíduos de medicamentos, o que pode inviabilizar a sua comercialização, principalmente para o mercado externo.

Doenças de crias



Doenças em crias geralmente causam maiores prejuízos do que em abelhas adultas. Para que o apicultor possa reconhecer os sintomas das doenças é importante estar familiarizado com as características das diferentes fases do desenvolvimento das crias (vide item Morfologia e Biologia das Abelhas Apis mellifera) e com a aparência de um favo com crias saudáveis.



Observando a situação das crias durante as revisões



Uma das principais observações a serem feitas pelo apicultor durante as revisões é verificar como as crias estão distribuídas nos favos. Quando se observa que as áreas de crias apresentam poucas falhas (Fig. 36), é uma indicação de que a rainha está com um bom padrão de postura e que as larvas estão se desenvolvendo normalmente. Por outro lado, quadros com áreas de crias falhadas indicam que algum problema pode estar ocorrendo, como por exemplo:
  • A rainha pode estar velha e, conseqüentemente, sua postura está irregular.
  • Pode estar ocorrendo produção de zangões diplóides, em razão de cruzamentos consangüíneos. Nesse caso, as operárias costumam comer as crias, ficando a área de crias falhada.
  • Ocorrência de doenças. Nesse caso, as operárias passam a retirar as crias doentes, o que se chama "comportamento higiênico", e a área de crias apresenta-se com falhas.
O apicultor deve examinar cuidadosamente tanto as crias abertas como as operculadas. Deve verificar se a cor, a forma e a posição das crias estão normais. A aparência dos opérculos também é importante, pois opérculos furados e/ou afundados podem indicar ocorrência de doenças.



Figura 36. Favos com crias saudáveis.



Identificando doenças em crias

As principais doenças que afetam crias de abelhas são:
  • Cria Pútrida Européia
  • Cria Pútrida Americana
  • Cria Ensacada
  • Cria Giz

Cria Pútrida Européia (CPE)
Agente causador: bactéria Melissococus pluton. As larvas são infectadas quando comem alimento contaminado.

Ocorrência e danos: pode ocorrer em todo o território nacional, mas geralmente não causa sérios prejuízos.


Sintomas:
  • Favos com muitas falhas, opérculos perfurados (Fig. 37a).
  • A morte ocorre geralmente na fase de larva, antes que os alvéolos sejam operculados.
  • As larvas doentes encontram-se em posições anormais, podendo ficar contorcidas, nas paredes dos alvéolos (Fig. 37b).
  • Mudança de cor das larvas que passam de branco-pérola para amarelo até marrom (Fig. 37b).
  • Pode apresentar cheiro pútrido (de material em decomposição) ou não.
  • Quando as larvas morrem depois da operculação, aparecem opérculos escurecidos, afundados e perfurados.

Figura 37. Sintomas de Cria Pútrida Européia: área de crias com muitas falhas (a) e mudança de posição e coloração das larvas (b).


Controle:
  • Remoção dos quadros com cria doente.
  • Trocar rainha suscetível por outra mais tolerante.
  • Evitar uso de equipamentos contaminados quando manejar colmeias sadias.
Cria Pútrida Americana (CPA)

Agente causador: bactéria Paenibacillus larvae. As larvas são infectadas quando comem alimento contaminado.

Ocorrência e danos: no Brasil, foi recentemente detectada em colmeias no Rio Grande do Sul. A contaminação ocorreu porque os apicultores alimentaram as abelhas com mel e pólen importados, contaminados com a bactéria.  Essa doença pode provocar sérios prejuízos, pois seu controle é bastante difícil, já que a bactéria é resistente a antibióticos e pode permanecer no ambiente por muito tempo. Por isso, não se recomenda a importação de produtos apícolas ou rainhas de países que apresentem níveis altos de infestação.

Sintomas:
  • Favos falhados (Fig. 38a) com opérculos perfurados (Fig. 38b), escurecidos e afundados.
  • Morte na fase de pré-pupa ou pupa.
  • Larvas com mudança de cor, passando do branco para amarelo até marrom-escuro;
  • Cheiro pútrido.
  • As larvas mortas apresentam consistência viscosa, principalmente quando apresentam coloração marrom-escura. Para verificar isso, deve-se fazer o teste do palito que consiste em inserir um palito rugoso no alvéolo, esmagar a cria e puxar devagar, observando-se, então, a formação de um filamento viscoso (Fig. 39a).
  • Quando a morte ocorre na fase de pupa, observa-se geralmente a língua da pupa estendida de um lado para o outro do alvéolo.
  • Presença de escamas (restos da cria já seca e muito escura) coladas nas paredes do alvéolo e de difícil remoção (Fig. 39b).


Figura 38. Sintomas de Cria Pútrida Americana: favos falhados (a) e opérculos perfurados (b).







Figura 39. Sintomas de Cria Pútrida Americana: consistência viscosa da cria - teste do palito (a) e restos de crias mortas e ressecadas colados nas paredes do alvéolo (b).




Controle:

Não utilizar antibióticos para tratamento preventivo ou curativo, pois pode levar à resistência da bactéria e contaminar os produtos da colmeia, além de ser um gasto adicional para o apicultor. O tratamento preventivo pode ainda esconder os sintomas da doença.

Quando o apicultor suspeitar da ocorrência da CPA em seu apiário, deve tomar as seguintes medidas:

  • Marcar as colônias com sintomas de CPA.
  • Realizar anotações sobre as colônias afetadas e relatar a ocorrência para sua associação e autoridades competentes, tais como: instituições de ensino e pesquisa que trabalhem com Apicultura, Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), Delegacia Federal de Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
  • Enviar amostras dos favos com sintomas para análise em laboratórios especializados no diagnóstico de doenças de abelhas.
  • Limpar equipamentos de manejo (luvas, formão, fumigador, etc.) e não utilizá-los nas colônias sadias;
  • Após comprovação da doença por meio do resultado da análise laboratorial, destruir as colônias afetadas; para isso, pode-se optar pela queima da colmeia completa ou, se o apicultor quiser preservar as caixas, deve matar as abelhas adultas e depois queimá-las juntamente com os favos. Para o reaproveitamento das caixas, elas devem ser esterilizadas;
  • A esterilização das caixas pode ser feita de duas maneiras: mergulhando as peças em parafina a 160ºC durante 10 minutos ou em solução de hipoclorito de Sódio a 0,5% durante 20 minutos.
Para evitar a disseminação dessa grave doença no Brasil, os apicultores devem estar bastante atentos para nunca utilizarem mel ou pólen importados para alimentação de suas abelhas no período de entressafra, pois esses produtos podem estar contaminados e, conseqüentemente, contaminarão as colmeias.



Esses produtos poderão ser vendidos a preços baixos, parecendo ser vantajoso utilizá-los para evitar a perda de enxames. Entretanto, isso poderá provocar sérios prejuízos no futuro, caso a doença seja introduzida e disseminada em nossa região.


Cria Ensacada

Agente causador: Vírus "Sac Brood Virus" (SBV).  No Brasil, entretanto, a doença tem como agente causador o pólen da planta barbatimão (Stryphnodendron sp.) e não o vírus. Desse modo, a doença passou a ser chamada Cria Ensacada Brasileira. 

Ocorrência e danos: em áreas onde ocorre a planta barbatimão. A doença tem ocasionado prejuízos em várias regiões, exceto nos estados do Sul do Brasil. Em alguns casos, pode provocar 100% de mortalidade de crias, chegando a destruir uma colônia forte em menos de dois meses (Message, 2002).


Sintomas:
  • Favos com falhas e opérculos geralmente perfurados.
  • A morte ocorre na fase de pré-pupa.
  • Não apresenta cheiro pútrido.
  • Coloração da cria: cinza, marrom ou cinza-escuro (Fig. 40).
  • Ocorre a formação de líquido entre a epiderme da larva e da pupa em formação.  Quando a cria doente é retirada do alvéolo com o auxílio de uma pinça, apresenta formato de saco (Fig. 40), ficando o líquido acumulado na parte inferior.


Figura 40. Pré-pupas com sintomas de Cria Ensacada


Controle:
  • Evitar a instalação de apiários em locais com incidência da planta barbatimão.
  • Utilizar alimentação artificial das colmeias na época de floração do barbatimão.
  • Alguns apicultores relatam que deixando de manejar a colmeia afetada, evita-se a perda do enxame. Segundo eles, o manejo estimula a atividade forrageira da colônia, o que intensifica a coleta do pólen tóxico.


Cria Giz



Agente causador: fungo Ascosphaera apis.

Ocorrência e danos: A incidência dessa doença no Brasil tem sido baixa, havendo relato de poucos casos nos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Existe a possibilidade de ser introduzida por meio da alimentação das colmeias com pólen importado contaminado.

Sintomas:
  • Favos com falhas e opérculos geralmente perfurados.
  • A morte ocorre na fase de pré-pupa ou pupa.
  • Não apresenta cheiro pútrido.
  • A cria morta apresenta coloração branca ou cinza-escuro e aspecto mumificado (rígida e seca) (Fig. 41).
     


Figura 41. Crias com sintomas de Cria Giz.


Controle:
  • Como medida preventiva, recomenda-se não utilizar pólen importado ou das regiões do Brasil onde a doença foi detectada para alimentação das colmeias.
Doenças e parasitoses de abelhas adultas




Doenças em adultos são mais difíceis de ser diagnosticadas em campo porque muitas vezes apresentam sintomas similares. Desse modo, para a confirmação de doenças ou endoparasitoses, devem-se enviar amostras a laboratórios especializados, seguindo as recomendações indicadas no item Como enviar amostras de abelhas com sintomas de doença para análise em laboratório. 



O sintoma geral da ocorrência de doenças em abelhas adultas é a presença de abelhas mortas ou moribundas, rastejando na frente da colmeia. Entretanto, esses sintomas também ocorrem quando há intoxicação das abelhas por inseticidas.


Nosemose

Agente causador: protozoário Nosema apis.



Ocorrência e danos: No Brasil, ocorreu com certa freqüência até a década de 80 e, nos últimos anos, não tem sido detectada. O protozoário afeta principalmente o ventrículo (estômago da abelha) causando problemas na digestão dos alimentos e pode provocar disenteria. A doença diminui a longevidade das abelhas, causando um decréscimo na população e, conseqüentemente, na produtividade das colmeias.


Sintomas:

  • Abelhas com tremores e com dificuldade de locomoção. O intestino apresenta-se branco-leitoso, rompendo-se com facilidade.
  • Operárias campeiras mortas na frente do alvado. Em alguns casos, encontram-se fezes no alvado e nos favos.

Acariose



Agente causador: ácaro endoparasita Acarapis woodi


Ocorrência e danos: assim como a nosemose, a acariose foi mais freqüente até as décadas de 70-80, não sendo mais considerada problema nos apiários brasileiros. O ácaro se aloja nas traquéias torácicas, perfurando-as e alimentando-se da hemolinfa (sangue das abelhas). O ataque do ácaro pode diminuir a longevidade das abelhas e, conseqüentemente, reduzir a população da colmeia, provocando perdas na produção.

Sintomas:

  • Abelhas rastejando na frente da colmeia e no alvado, com as asas separadas, impossibilitadas de voar.

Como enviar amostras de abelhas com sintomas de doença para análise em laboratório



Amostras de crias: coletar um pedaço de favo contendo crias que apresentem sintomas de doença.  O favo deve ser envolto em papel absorvente como jornal. Não utilizar plástico ou outro material não-absorvente. Evitar o envio de favos com muito mel. Já a presença de pólen pode auxiliar na identificação da cria ensacada brasileira.


Amostras de abelhas adultas: coletar, no mínimo, 30 abelhas que se encontrem rastejando no alvado ou na frente da colmeia. As abelhas devem ser colocadas em caixas de fósforo ou qualquer outra caixa de madeira ou papelão.

As amostras devem ser devidamente embaladas em caixas dos correios ou similares e enviadas, preferencialmente, via sedex ou outra via rápida ao laboratório.

Juntamente com as amostras, é importante enviar informações sobre a localização do apiário, data de coleta, número de enxames afetados, características da região (clima, vegetação), uso de inseticidas nas proximidades do apiário, observações sobre os sintomas e danos.



Outros organismos que causam danos a crias e adultos



Ácaro Varroa destructor



Trata-se de um ácaro ectoparasita, de coloração marrom, que infesta tanto crias como abelhas adultas (Fig. 42). Reproduzem-se nas crias, geralmente em crias de zangões. Nos adultos, ficam aderidos principalmente na região torácica, próximos ao ponto de inserção das asas. Alimentam-se sugando a hemolinfa, podendo causar redução do peso e da longevidade das abelhas e deformações nas asas e pernas.


Esse ácaro, detectado no Brasil desde 1978, atualmente pode ser encontrado em praticamente todo o País. Felizmente, tem-se mantido em níveis populacionais baixos, em razão da maior tolerância das abelhas africanizadas, não causando prejuízos significativos à produção. Dessa forma, não se recomenda o uso de produtos químicos para o seu controle. As colônias que apresentarem infestações freqüentes do ácaro devem ter suas rainhas substituídas por outras provenientes de colônias mais resistentes.




Figura 42. Ácaro Varroa destructorVista dorsal (a), ventral (b), fêmea adulta e formas imaturas em pupa de operária (c).




Traças-da-cera

São insetos da ordem Lepidoptera, de duas espécies: Galleria mellonela (traça maior) e Achroia grisella (traça menor). Os adultos das duas espécies depositam ovos em pequenas frestas dos quadros e caixas, principalmente em colmeias fracas. As larvas alimentam-se da cera, construindo galerias nos favos onde depositam fios de seda. Os quadros ficam cobertos com grande quantidade de fios de seda e fezes (Fig 43). Algumas vezes, afetam diretamente a cria. Atacam também a cera armazenada.



O controle químico não é recomendado, uma vez que os produtos utilizados podem deixar resíduos na cera, os quais poderão ser transferidos para o mel. Desse modo, recomenda-se a adoção de medidas de manejo preventivas:


  • Manter sempre colmeias fortes no apiário, uma vez que as fracas são mais facilmente atacadas.
  • Reduzir o alvado das colmeias em épocas de entressafra e de frio.
  • Não deixar colmeias vazias (não habitadas) nem restos de cera no apiário.
  • Se encontrar foco de infestação nas colméias, matar as larvas e pupas e remover cera e própolis atacadas utilizando-se o formão, para evitar a disseminação da traça no apiário;
  • Trocar periodicamente os quadros com cera velha das colmeias.
  • Armazenar favos ou lâminas de cera em locais bem arejados, com claridade e, se possível, protegidos com tela, evitando armazenar favos velhos que são preferidos pelas traças. Temperaturas abaixo de 7ºC também ajudam no controle.
  • Se forem observadas colônias que freqüentemente apresentam alta infestação da traça, deve-se realizar a substituição de rainhas, visando aumentar a resistência.


Figura 43. Danos causados pela traça-da-cera Galleria mellonela na colmeia (a) e no favo (b).

F
ormigas e cupins

As formigas podem causar grandes prejuízos, principalmente quando atacam colmeias fracas. Podem consumir o alimento (mel e pólen) e crias, além de causarem grande desgaste e mortalidade das abelhas adultas na tentativa de defender a colônia. Em ataques severos, podem provocar o abandono da colmeia.

Os cupins danificam a madeira das caixas e cavaletes, diminuindo sua vida útil e favorecendo a entrada de outros inimigos naturais (Fig. 44).

Como medidas preventivas ao ataque de formigas e cupins, recomenda-se:

  • Não colocar as colmeias diretamente sobre o solo.
  • Destruir os ninhos de formigas e cupins encontrados nas imediações dos apiários.
  • Realizar capinas freqüentes no apiário, uma vez que a existência de plantas próximas às colmeias pode facilitar o acesso dos inimigos naturais.
  • Utilizar cavaletes com protetores contra formigas.



Figura 44. Danos causados por cupins em colmeia.



2 de jul. de 2015

Raças de Abelhas Apis mellifera


O habitat das abelhas Apis mellifera é bastante diversificado e inclui savana, florestas tropicais, deserto, regiões litoraneas e montanhosas. Essa grande variedade de clima e vegetação acabou originando diversas subespécies ou raças de abelhas, com diferentes características e adaptadas às diversas condições ambientais.


A diferenciação dessas raças não é um processo fácil, sendo realizado somente por pessoas especializadas, que podem usar medidas morfológicas ou análise de DNA.

A seguir, apresentam-se algumas características das raças de abelhas introduzidas no Brasil. 




Apis mellifera mellifera (abelha real, alemã, comum ou negra)

  • Originárias do Norte da Europa e Centro-oeste da Russia, provavelmente estendendo-se até a Península Ibérica.
  • Abelhas grandes e escuras com poucas listras amarelas.
  • Possuem língua curta (5,7 a 6,4 mm), o que dificulta o trabalho em flores profundas.
  • Nervosas e irritadas, tornam-se agressivas com facilidade caso o manejo seja inadequado.
  • Produtivas e prolíferas, adaptam-se com facilidade a diferentes ambientes.
  • Propolisam com abundância, principalmente em regiões úmidas.



Apis mellifera ligustica  (abelha italiana)

  • Originárias da Itália.
  • Essas abelhas têm coloração amarela intensa; produtivas e muito mansas, são as abelhas mais populares entre apicultores de todo o mundo.
  • Apesar de serem menores que as A. m. mellifera, têm a língua mais comprida (6,3 a 6,6 mm).
  • Possuem sentido de orientação fraco, por isso, entram nas colmeias erradas freqüentemente.
  • Constroem favos rapidamente e são mais propensas ao saque do que abelhas de outras raças européias.



Apis mellifera caucasica

  • Originárias do Vale do Cáucaso, na Rússia.
  • Possuem coloração cinza-escura, com um aspecto azulado, pêlos curtos e língua comprida (pode chegar a 7 mm).
  • Considerada a raça mais mansa e bastante produtiva.
  • Enxameiam com facilidade e usam muita própolis.
  • Sensíveis à Nosema apis.



Apis mellifera carnica (abelha carnica)

  • Originárias do Sudeste dos Alpes da Áustria, Nordeste da Iugoslávia e Vale do Danúbio.
  • Assemelham-se muito com a abelha negra, tendo o abdome cinza ou marrom.
  • Pouco propolisadoras, mansas, tolerantes a doenças e bastante produtivas.
  • Coletam "honeydew" em abundância.
  • São facilmente adaptadas a diferentes climas e possuem uma tendência maior a enxamearem.



Apis mellifera scutellata (abelha africana)

  • Originárias do Leste da África, são mais produtivas e muito mais agressivas.
  • São menores e constroem alvéolos de operárias menores que as abelhas européias. Sendo assim, suas operárias possuem um ciclo de desenvolvimento precoce (18,5 a 19 dias) em relação às européias (21 dias), o que lhe confere vantagem na produção e na tolerância ao ácaro do gênero Varroa.
  • Possuem visão mais aguçada, resposta mais rápida e eficaz ao feromônio de alarme. Os ataques são, geralmente, em massa, persistentes e sucessivos, podendo estimular a agressividade de operárias de colmeias vizinhas.
  • Ao contrário das européias que armazenam muito alimento, elas convertem o alimento rapidamente em cria, aumentando a população e liberando vários enxames reprodutivos.
  • Migram facilmente se a competição for alta ou se as condições ambientais não forem favoráveis.
  • Essas características têm uma variabilidade genética muito grande e são influenciadas por fatores ambientais internos e externos.



Abelha africanizada



A abelha, no Brasil, é um híbrido das abelhas européias (Apis mellifera mellifera, Apis mellifera ligusticaApis mellifera caucasica e Apis mellifera carnica) com a abelha africana  Apis mellifera scutellata.



A variabilidade genética dessas abelhas é muito grande, havendo uma predominância das características das abelhas européias no Sul do País, enquanto ao Norte predominam as características das abelhas africanas.


A abelha africanizada possui um comportamento muito semelhante ao da Apis mellifera scutellata, em razão da maior adaptabilidade dessa raça às condições climáticas do País. Muito agressivas, porém, menos que as africanas, a abelha do Brasil tem grande facilidade de enxamear, alta produtividade, tolerância a doenças e adapta-se a climas mais frios, continuando o trabalho em temperaturas baixas, enquanto as européias se recolhem nessas épocas.




Outras raças de abelhas

Na Tabela 3 são citadas outras raças de abelhas Apis mellifera e o seu local de ocorrência.

Tabela 3. Raças de abelhas Apis mellifera e sua distribuição.

Raçadistribuição
Apis mellifera adamiCreta
Apis mellifera andansoniiCosta Oeste da África
Apis mellifera anatolicaTurquia até Oeste do Irã
Apis mellifera armenicaArmênia
Apis mellifera capennsisSul da África do Sul
Apis mellifera cecropiaSul da Grécia
Apis mellifera cypriaMediterrâneo central e Sudoeste da Europa
Apis mellifera intermissaLíbia até Marrocos
Apis mellifera jemeneticaSomália, Uganda, Sudão
Apis mellifera lamarckiiEgito, Sudão e Vale do Nilo
Apis mellifera litóreaCosta Leste da África
Apis mellifera macedonicaNorte da Grécia
Apis mellifera majorMarrocos
Apis mellifera medaTurquia até Oeste do Irã
Apis mellifera nubicaÁfrica
Apis mellifera remipesRegião caucasiana
Apis mellifera sahariensisArgélia
Apis mellifera sicilianaSicília - Itália
Apis mellifera syriacaPalestina e Síria
Apis mellifera unicolorMadagascar
Apis mellifera yementicaYemen e Oman
Apis mellifera litoreaCosta Leste da África
Apis mellifera monticolaTanzânia, em altitude entre 1500 e 3100 m

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