31 de jul. de 2015

PRODUÇÃO DE CARNE CAPRINA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS



“PRODUÇÃO DE CARNE CAPRINA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS

1. Introdução
Muito se tem falado sobre a caprinocultura de corte nacional, particularmente sobre o seu futuro, pois de seu passado todos reconhecem a importância social, embora raras vezes seja levantado um exemplo de um empreendimento de sucesso. Com a expansão da raça Boer, o interesse pela caprinocultura de corte tomou proporção jamais vista na caprinocultura de corte mundial e esse efeito pode ser claramente percebido no Brasil. Porém esse boom esteve em primeiro momento muito mais associado à venda de animais puros para reprodução do que à produção de carne propriamente dita. Embora essa visão seja a predominante, a cada dia evidencia-se que, para o desenvolvimento sustentável da atividade, muitos outros elementos devem ser adicionados à equação. Fica claro que a atividade só irá prosperar se evoluir como um todo, com os diversos elos da cadeia produtiva participando do processo e ser tratada como um agronegócio, ou seja, com profissionalismo e uma visão empresarial.

2. Situação atual da caprinocultura do Brasil e no mundo

Segundo a FAO (2001), o rebanho mundial de caprinos em 2000 era de 715.297.550 cabeças, das quais 96% estão em países em desenvolvimento, com apenas 4% nos países desenvolvidos. Há 40 anos atrás o efetivo caprino dos países desenvolvidos era de 31,7 milhões de cabeças, sendo atualmente de 29,1 milhões, o que representa um decréscimo de 9%, enquanto nos países em desenvolvimento esse número era de 315,9 milhões em 1961 e de 686,2 milhões em 2000, mostrando um aumento de 117%.
Atualmente a China é o maior rebanho mundial, com 148,4 milhões de cabeças, o que representa 20% do efetivo mundial. Em seguida vêm a Índia e o Paquistão. O Brasil fica na décima colocação, com um rebanho de 12.600.000 cabeças, cerca de 2% do rebanho mundial.
Com relação à distribuição do efetivo caprino brasileiro, pelos dados do IBGE (2001), referentes ao censo agropecuário de 1996, o quadro apresenta um padrão idêntico ao mundial. Considerando-se as regiões Sul e Sudeste como desenvolvidas e Norte, Centro-Oeste e Nordeste com o em desenvolvimento, 4% dos caprinos estão no primeiro grupo e 96% no segundo.
Vale ressaltar que 94% do rebanho nacional está na região Nordeste, onde prevalecem condições edafo-climáticas desfavoráveis. Nessa situação os caprinos assumem uma grande importância social, pois chegam a ser a única fonte de renda em determinadas circunstâncias e deles depende a sobrevivência de muitos nordestinos. Porém, talvez até mesmo associado a esse papel, o mesmo no Nordeste raras vezes a caprinocultura é vista como uma atividade de empresarial e é freqüentemente considerada uma atividade marginal, e não uma atividade de grande potencial econômico.
O próprio nordestino, criador de “bode”, evidencia claramente o seu procedimento associando uma imagem de maior status ao criador de boi, renegando a espécie que de fato o sustenta.
Nas demais regiões do país, onde o efetivo é muito maior, muitos assimilaram de maneira distorcida o conceito de “rusticidade” dos caprinos, imaginando que, se no Nordeste, onde as condições são precárias, se produz “bode”, os resultados obtidos em condições mais “favoráveis” seriam muito melhores. A realidade não é bem essa, e sob certos aspectos é mais difícil criar caprinos nas tais condições “favoráveis”.

3. Os novos cenários

Alguns conceitos vêm transformando radicalmente as atividades pecuárias de interesse econômico. Embora não se esquecendo do papel social da caprinocultura, essa nova realidade deve ser absorvida também por essa atividade. Deve-se enfocar:
- o “agronegócio da caprinocultura”, onde o objetivo não é produzir mais cabritos ou kg de carne por área ou por matriz: o objetivo é produzir mais lucro para o empresário. Logicamente, certos conceitos complementares não devem ser esquecidos, como sustentabilidade do investimento e a utilização de práticas ecologicamente adequadas. Diz respeito ao tratamento de uma atividade agropecuária como um negócio a “cadeia produtiva da caprinocultura”, onde deve estar clara a idéia de que ninguém está sozinho na atividade. No assunto em questão, a produção de caprinos envolve desde os fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, curtumes, indústria calçadista e de vestuário, entre tantos outros elementos que poderiam aqui ser mencionados.
No meio de tudo isso está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas o segmento menos organizado, que menos tem evoluído, que menos tem se tecnificado, e em conseqüência disso, o segmento que paga as contas. Acaba por sustentar os elos precedentes e posteriores da dita “cadeia produtiva”. A partir do momento que ele se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai se preocupar com seu desenvolvimento econômico de uma forma mais abrangente, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada, e perceber que ao se reunir em associações e cooperativas ele beneficia o seu vizinho, mas que também é beneficiado com isso. Vai, então, visualizar com mais clareza que o sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Então entenderá que todos têm que participar da discussão do futuro da atividade. Se cada segmento der o seu quinhão de colaboração, todos se beneficiarão e a atividade poderá, de fato, prosperar.
Um dado importante e que deve ser a base de todo esse processo, é o mercado efetivo e o potencial, e o que vem acontecendo com ele. Se observado o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 40 anos, o quadro é desanimador: o consumo de carne é rigorosamente o mesmo nas últimas 4 décadas. Se, por outro lado, for avaliado o mercado potencial, e comparando-se o histórico de outras carnes, algumas simulações feitas para a Região Sudeste indicam que, para alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho dessa região deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, que já por mais de uma vez fizeram sondagens da possibilidade de exportação do Brasil, evidencia-se um mercado potencial muito promissor.

4. Sistemas de Criação

Classicamente, existem três sistemas básicos de criação: intensivo, semi-intensivo e extensivo. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerado um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem artificial utilizada sem uma manejo adequado pode ser considerada um sistema extensivo.
Qualquer sistema de criação deve considerar uma série de áreas de atuação. Todos os itens estão interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de esforço necessário e compatível com cada setor. Principalmente, é fundamental o conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com características diferentes.

4.1. Nutrição

Com relação à nutrição, o principal objetivo deve ser o de maximizar as potencialidades de cada região, aproveitando da melhor forma possível o que ela pode oferecer. Portanto, em regiões de terras férteis e clima favorável, deve-se considerar a utilização intensiva de insumos, buscando-se alta produtividade. Em regiões menos privilegiadas, deve-se buscar otimizar o seu potencial de produção sustentável, ou seja, o quanto é possível produzir, com investimentos passíveis de retorno, e de forma sustentável, sem degradar a vegetação existente e sem prejudicar o ambiente. Portanto, em algumas regiões haverá alimento suficiente para lotações de até 50 cabras por hectare e com animais prontos para o abate aos 4 meses de idade ou até menos. Em outras regiões, a lotação será medida em hectares por animal e o abate será muito mais tardio, pois caso se utilize uma lotação muito elevada, os alimentos disponíveis simplesmente se extinguirão em pouco tempo. Uma situação não é necessariamente melhor do que a outra. É, sim, mais ou menos adequada a cada realidade. A identificação da potencialidade de cada região deverá determinar as opções alimentares mais adequadas. 

4.2. Instalações


Com relação às instalações, deve-se, inicialmente, definir com clareza quais as suas finalidades: deve proteger os animais das intempéries climáticas e de predadores, dando-lhes maior bem estar, favorecer a rotina de trabalho e as práticas de manejo pertinentes. Deve ser muito bem planejada, pois sua vida útil é longa, normalmente superior a 10 anos, não raro chegando aos 30 anos. Um erro de concepção pode implicar em dificuldades operacionais que teriam sido evitadas com um pouco mais de cuidado e atenção. Além disso, esse é um investimento realizado na fase de implantação do projeto, quando normalmente o fluxo de entradas ainda não se estabeleceu, e implica em um elevado montante de recursos financeiros. Portanto, pode acarretar um impacto nos custos variáveis, uma vez que pode influenciar no desempenho dos animais e da mão-de-obra.
Outro aspecto a considerar são as particularidades de cada região, tanto no que diz respeito aos fatores climáticos, quanto no que diz respeito aos materiais disponíveis. Certamente as instalações utilizadas no Sertão de Pernambuco serão diferentes das necessárias para a Zona da Mata Mineira ou do Brejo Paraibano.
Com relação ao nível de investimento, mais do que nunca se deve considerar sua relação benefício:custo, logicamente atrelado à disponibilidade de recursos. Ainda, vale ressaltar que as instalações não melhoram ao longo do tempo. Muito pelo contrário, pioram, se desgastam, se deterioram, sendo algo complexo e oneroso sua recuperação ou melhoria, diferente do que pode ser feito com os demais itens.

4.3. Sanidade

A sanidade do rebanho deve ser considerada em vários aspectos e momentos. No início da atividade, a preocupação deve ser definir com bastante clareza os cuidados a serem tomados, para começar com o rebanho "limpo". Esse é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importantes problemas sanitários no rebanho. A idéia de que no início da atividade não há necessidade de se preocupar muito com esse aspecto, que depois que as coisas tiverem mais organizadas é possível “limpar” o rebanho, é totalmente equivocada. Ainda nesse contexto, sempre que possível é conveniente a utilização de rebanho “fechado”, ou seja, rebanhos onde, após a aquisição inicial de animais, só sai, entrando apenas animais utilizados para o melhoramento genético do rebanho. Nessa situação, minimiza-se o risco de entrada de novas doenças no rebanho.
Além das doenças, deve-se preocupar com caracteres indesejáveis no rebanho. É o caso da politetia, por exemplo. É uma característica hereditária que, uma vez introduzida, dificilmente será erradicada. Outro aspecto diz respeito aos chifres: se a opção for por trabalhar com animais mochos ou descornados, a presença de alguns animais chifrudos poderá vir a ser um transtorno. Além disso, ao se utilizar fêmeas mochas deve haver um cuidado especial na escolha dos machos, para se evitar problemas de intersexualidade. Esses cuidados devem ser ainda maiores quando se utiliza machos naturalmente mochos.
A outra linha de atuação diz respeito aos problemas sanitários introduzidos no criatório, muitos dos quais inevitáveis. Para eles, deve-se estabelecer práticas de rotina adequadas, para minimizar o seu impacto. Em alguns casos o correto é a erradicação da doença. Em outros, o razoável são as práticas que minimizam os prejuízos e que permitam um convívio aceitável com a doença.
Portanto, de uma forma geral, esse assunto deve freqüentemente ser considerado, desde o início da atividade e durante todo o seu transcorrer. Um momento de descuido pode colocar abaixo anos de trabalho sério e cuidadoso.

4.4. Reprodução

O desempenho reprodutivo determina, em grande parte, a quantidade a ser comercializada e é através dela que o melhoramento genético se efetiva. Da fertilidade, principalmente quando associada à prolificidade, depende o número de animais nascidos. Mas de uma boa habilidade materna depende o número e as condições em que os cabritos são desmamados.
Alguns procedimentos simples podem ter um importante impacto em seu desempenho, como separação das crias antes de entrarem na idade reprodutiva, para evitar cruzamentos indesejáveis, escolha e manejo adequado dos reprodutores, suplementação alimentar estratégica.
Práticas mais sofisticadas permitem uma importante aceleração nos resultados, mas exigem uma grande organização do rebanho e níveis de investimento mais elevados. Encontram-se nessa situação a inseminação artificial e a transferência de embriões. A primeira deve se popularizar mais rapidamente, ainda porque é fundamental para programas de melhoramento mais consistentes. A segunda, ainda por um bom tempo, deverá ficar restrita aos criatórios de elite, que comercializam reprodutores e matrizes.
De qualquer forma, mais uma vez o fundamental é definir quais as exigências e as potencialidades de cada sistema, e determinar as práticas de manejo reprodutivo mais adequadas a cada um.

4.5. Manejo

As práticas de manejo são totalmente dependentes do sistema de criação adotado, e devem ser definidas em sua função. Um conceito que deve ficar claro é que a produção de carne deve ser desenvolvida em sistemas bem mais simples do que a produção de leite. Como a receita por matriz é substancialmente menor, o custo também deve ser reduzido ao mínimo, para que o investimento se viabilize. Esse aspecto leva a um outro ponto importante: a questão da escala, que deve ser bem maior na caprinocultura de corte do que na de leite.
As práticas de manejo estarão intimamente associadas a esses conceitos, pois na produção de carne um homem deverá ser responsável por um número de animais muito maior do que na exploração de leite. Isso implica em encarar a atividade de uma maneira mais massal e simplificar ao máximo as diversas operações. Logicamente, sistemas mais intensivos terão uma maior demanda de mão de obra, mas isso deverá estar vinculado a um aumento de receita compatível.

4.6. Melhoramento genético

Esse certamente é um ponto crítico. Ele está intimamente ligado com todos os tópicos até aqui abordados. Da mesma forma que não existe o alimento perfeito, não existe a raça perfeita. Existe, sim, a raça, ou, talvez melhor, o tipo de animal mais adequado a cada sistema de produção. Porém, estranhamente, muitas vezes esse é o primeiro tema a ser considerado pelo interessado em ingressar na atividade. Na realidade, deveria ser um dos últimos, vindo depois de um levantamento cuidadoso das potencialidades e limitações de cada situação.
Segundo Gipson, “todos os caprinos são caprinos de corte”, uma vez que pode ser abatido e consumido. E esse conceito é compartilhado por muitos. Porém, quando se encara a caprinocultura de corte por um prisma empresarial, dando-lhe o enfoque de uma atividade especializada, existem muitas características desejáveis nos animais para que se obtenha bons resultados.
Deve-se buscar animais com um bom rendimento de carcaça, com uma proporção músculo:gordura:ossos adequada e com uma boa distribuição do músculo na carcaça. Ou seja, é conveniente um elevado rendimento de uma carcaça com um bom volume de músculo e a gordura necessária para garantir sua suculência, conservação e sabor, com uma maior proporção de deposição muscular nos cortes mais nobres.
Porém, isso não basta: não se pode esquecer a qualidade dessa carne. Nesse item devem ser consideradas as características visuais, sensoriais e nutricionais. Em outras palavras, o consumidor deve olhar para a carne e se sentir atraído por ela, mas essa manifestação favorável deve permanecer quando de seu consumo, com o atendimento às suas expectativas em termos de paladar. Se ainda for uma carne com aspectos nutricionais atraentes, como baixos níveis de colesterol, tanto melhor.
Mas não basta: é fundamental um bom ritmo de crescimento, situação em que devem ser considerados os pesos e os ganhos em peso para diferentes idades. Muitas vezes os menos avisados se impressionam com reprodutores muito grandes e pesados, mas se esquecem que não é esse o tipo de animal habitualmente consumido. Portanto, deve-se buscar aquele animal que apresente melhor desempenho para o peso de abate exigido pelo mercado em questão.
As características reprodutivas também devem ser consideradas, buscando-se animais que não sejam sazonais, com uma boa fertilidade e prolificidade, com um pequeno intervalo de partos e cabras com uma boa habilidade materna, que permitam a obtenção de um bom número de cabritos desmamados por cabra.
Em outras palavras, é desejável que uma boa proporção das cabras conceba, mas que além disso seja gerado um bom número de cabritos por parto e que esses nascimentos ocorram com regularidade ao longo do ano. Mas não basta nascer: a cabra deve ser capaz de cuidar bem de sua(s) cria(s), favorecendo o seu desmame em boas condições.
Se o intervalo de partos for curto, melhor ainda: o número de partos e conseqüentemente de crias desmamadas será maior ao longo da vida produtiva da cabra.
Outros aspectos que também devem ser considerados são adaptabilidade e resistência a doenças. Os animais devem se adaptar e produzir de maneira eficiente em diferentes condições climáticas e de manejo, sendo pouco susceptíveis a problemas sanitários como endoparasitoses.
Uma vez conhecidas as características desejáveis nos animais destinados à produção de carne, deve-se avaliar o material disponível na região ou para importação, para decidir com o que trabalhar. Ao se estudar a necessidade de importação de animais deve-se antes de tudo, comparar o desempenho da população existente e dos produtos de cruzamentos com a raça importada em questão. Se o desempenho da população local for superior, não se justifica a importação, partindo-se então para a seleção do material disponível. Caso os cruzamentos com a raça exótica apresentem resultados superiores, deve-se avaliar que proporção dessa raça apresenta o melhor desempenho. Se forem os animais puros, o caminho são os cruzamentos absorventes; se forem animais cruzados, a informação necessária é qual a proporção de cada raça que permite o melhor desempenho. De um estudo sério e cuidadoso, buscando respostas a essas questões, é que deve partir a orientação da importação ou não de uma nova raça e a forma mais adequada para a sua utilização. Vale lembrar que na avaliação da melhor raça, ou proporção de raças, o que deve ser observado é o desempenho econômico dos produtos.
Hoje existe uma verdadeira apologia aos caprinos Boer, raça de origem sul-africana que tem sido aclamada pelo mundo como a grande produtora de carne dos caprinos. De fato, trata-se de uma raça com excepcionais características: uma excelente carcaça, animais com um bom desempenho, mas o que de fato se conhece dessa raça nos dias de hoje? Embora o volume de informações disponíveis nos mais variados veículos de comunicação seja enorme, aquelas de boa qualidade, provenientes de trabalhos de pesquisa sérios e isentos, são raras. E mais: é difícil identificar dentre um volume tão grande de informações no que de fato se pode confiar.
Uma informação equivocada que é freqüentemente apresentada com relação à raça Boer é de que ela é a única raça caprina especializada para corte. Ela pode até ser a melhor, mas certamente não é a única. Dentre outras, pode-se mencionar a Kiko, a Miotônica, a Spanish, a Savana e a própria Pigmy, além da Anglo Nubiana, considerada uma raça de dupla aptidão por excelência.
Dentre as raças utilizadas para produção de carne caprino, no mundo, podem ser citadas:
¨ Boer – A raça Boer tem esse nome por ser a palavra alemã que representa carne. Provavelmente é derivada de cabras indígenas africanas com possível contribuição de raças indianas e européias, no século passado. Os caprinos Boer “melhorados” surgiram no início deste século, quando um grupo de criadores iniciou a criação de um caprino tipo carne com boa conformação, alta taxa de crescimento e fertilidade, pelo branco curto e marcações vermelhas na cabeça e peito. Desde 1970 esta raça foi incorporada ao Esquema Nacional de Teste de Desempenho de Ovinos e Caprinos de Corte da África do Sul, o que faz com que seja a única raça caprina envolvida efetivamente em teste de desempenho para produção de carne. São animais grandes, com altura de 82 a 90 cm para machos e 65 a 80 cm para fêmeas. Quanto ao peso, os machos pesam de 80 a 90 kg e as fêmeas entre 50 e 70 kg, ainda que possam alcançar pesos maiores. Tem orelhas pendentes e chifres. Originalmente tinha pêlo curto de cores variadas, mas atualmente é preferivelmente branca com cabeça e peito vermelhos.
¨ Kiko – Esta raça australiana de corte foi desenvolvida em duas décadas de seleção intensiva. Foi iniciada pelo cruzamento de cabras australianas selvagens (já descritas) com bodes de raças leiteiras (especialmente Anglo Nubiano), com a primeira geração de progênie fêmea sendo selecionada para conformação geral, vigor, temperamento, prolificidade, taxa de crescimento e, especialmente, tamanho e, então, retrocruzadas com bodes leiteiros. A palavra Maori para carne é “kiko”.
¨ Miotônica ou Tennessee – São animais de tamanho médio, com pelagem branca, preta ou em faixas. Conta a história que todos os caprinos dessa raça nos Estados Unidos descendem de 4 animais deixados no Tennessee no início do século. São animais que sofrem de um miotonia hereditária, que faz com que os membros animais por vezes fiquem rígidos, por alguns segundos.

¨ Spanish – São caprinos com origem não necessariamente espanhola ou mexicana, encontrados inicialmente no Texas, vêm de uma herança mista, havendo pouca padronização na aparência ou desempenho. Geralmente apresentam orelhas curtas. 

¨ Australiana e Neo-zelandeza selvagem – Não são genuinamente selvagens, mas sim animais domésticos que fugiram ou foram libertados. Se intercruzaram amplamente com a maioria das raças, formando um grupo heterogêneo. Apresentam baixa produtividade nas condições em que vivem, mas têm considerável potencial para maiores produções em ambiente mais favorável. Tem sua importância pela sua disponibilidade e número, sendo abatidos e exportados para diversos países.

¨ Pigmy – É uma raça originária das West African Dwarf e apresentam principalmente uma coloração denominada Agouti, com marcas dorsais e faciais escuras. São animais pequenos, pesando de 15 a 25 kg. É um caprino resistente e adaptável a diversos climas. Também são utilizados como “pets”.
¨ Anglo Nubiana – É considerada uma raça de dupla aptidão (carne e leite). Esta raça foi desenvolvida na Inglaterra a partir de raças indianas, africanas e européias leiteiras. São animais grandes, onde as fêmeas podem chegar a 90 kg e os machos, 140 kg. Com pelagem de qualquer coloração ou padrão, têm orelhas longas e pendentes.
Contudo, não há muitos resultados disponíveis na literatura de resultados de desempenho, no Brasil, da maioria destas raças. Na tabela abaixo podem ser observados alguns resultados das mesmas.
Em termos de Brasil, especial atenção deve ser dada às raças nativas, como Moxotó e Canindé, e a grande maioria do rebanho nordestino, que não apresenta uma padronização, mas apresenta uma série de características comuns e que constituem o grande efetivo nacional.
5. Considerações Finais
Se as considerações finais fossem baseadas na situação atual da caprinocultura de corte nacional, nos índices de produtividade alcançados pelos produtores e na adequação dos sistemas às diferentes realidades, o quadro seria desanimador. A outra alternativa é considerar o potencial do Brasil para o desenvolvimento dessa atividade, o tamanho do rebanho nacional e as perspectivas de mercado nacional e mundial. A opção mais adequada parece ser reconhecer as limitações atuais da atividade, tanto no campo tecnológico quanto de organização, para determinar onde há necessidade de maior atenção e investimento, seja por parte dos produtores, seja por parte dos fornecedores de insumos, consumidores e governo. Se isto for feito de maneira séria e organizada, o Brasil poderá, em breve, ser o mais importante país no cenário da caprinocultura de corte mundial. Se isso não for feito, se prevalecer o interesse de uns poucos, de grandes lucros hoje e nenhuma preocupação com o amanhã, a caprinocultura será mais uma atividade mal explorada, onde poucos ganharão muito e a maioria esmagadora amargará repetidos prejuízos, será mais um vazio no cenário nacional...

30 de jul. de 2015

A ARTE DE INCUBAR OVOS



Sala de Ovos

Na Sala de Ovos, os cuidados vão desde o recebimento, até o momento de colocar os ovos na incubadora. Como fazer o recebimento, classificação, armazenagem e momento de incubação dos ovos.
Recebimento dos ovos
O ideal para se receber os ovos no incubatório é no período em que os funcionários possam executar os procedimentos de fumigação de forma correta, evitando-se que os ovos permaneçam no fumigador por muito tempo, quer sejam fumigados ou não.
Os cuidados no armazenamento dos ovos na granja devem ser estendidos ao transporte, evitando-se que os ovos sofram durante o trajeto da granja para o incubatório, principalmente quando as distâncias forem superiores a 30 km e estradas ruins.
Ovos estocados na granja em salas climatizadas devem ser transportados em caminhões com isolamento térmico para evitar possíveis condensações da casca em função das diferenças de temperatura.
Na fumigação de ovos resfriados na granja, deve-se evitar os aquecimentos prolongados no fumigador, também para evitar possíveis condensações da casca e aumentar a ação de desinfetante nos pontos condensados e que possam causar mortalidades embrionárias acima do normal.
a) Fumigação
No recebimento dos ovos são necessários alguns cuidados específicos para que os ovos não sofram interferências de temperatura e fumegantes que podem causar mortalidades embrionárias.
 Temperatura de Fumigação: 25 à 30 graus Celsius
 Umidade relativa: 55 à 70%
 Tempo de exposição: 10 à 20 minutos
 Concentração de desinfetante: A concentração de desinfetante não devem ultrapassar a DOSE TRÍPLICE (quando os ovos não foram fumigados nas granjas) e DOSE SIMPLES (para ovos fumigados nas granjas).
Obs .: Os cuidados com a temperatura e umidade devem ser observados e sempre que possível mantidos porém, quando os sistemas instalados não atenderem a necessidade de aquecimento e umidificação em até 10 minutos antes de iniciar FUMIGAÇÃO, é melhor para o embrião que não se espere mais tempo e a FUMIGAÇÃO seja iniciada imediatamente (épocas de frio e ovos mantidos em câmara fria nas granjas).
Fumigação Simples/MT3
Formol: 14 cc
Permanganato de Potássio: 7 g
Paraformaldeído: 2 g
Obs .: não deixe os ovos dentro do fumigador mais do que o tempo necessário para a fumigação e exaustão (máximo de 50 minutos totais), pois podem aumentar a ocorrência de mortalidades embrionárias precoce devido ao tempo exposto ao formol e à temperaturas não ideais para o estoque dos ovos.
b) Conferência de Ovos
Os ovos após a fumigação são levados para a sala de ovos onde devem ser separadas por lote e data da produção conferidas as quantidades e comparadas com as informações recebidas da granja, depois devem aguardar o momento de classificação.
Obs. 1 : algumas empresas conferem os ovos antes da fumigação.
Obs. 2 : cuidados para não misturar lotes e datas de produção.
Classificação dos ovos
As classificações dos ovos variam de acordo com as atividades afins de cada empresa, obedecendo a regras nem sempre consideradas como ideais, atendendo muitas vezes a necessidade de redução de mão de obra, os gerentes são envolvidos e, nem sempre a qualidade do produto final é considerada.
A classificação dos ovos deve atender a critérios básicos como:
a) Separação por faixa de pesos
Mercado Aberto (Vendas)
1) 50 a 56 g
2) 57 a 66 g
3) 67 g ou acima
Integração
1) 48 a 54 g
2) 55 a 62 g
3) 63 g ou acima
Obs: as faixas acima descritas podem ser alteradas de acordo com condições de vendas e ou de bases de aproveitamento de ovos e também o tipo de equipamentos (incubadoras e bandejas) disponíveis.
b) Qualidade da casca
(porosa enrugada, trincas)
Limpeza
A higiene dos ovos é fator primordial para que os pintos possam nascer sem problemas sanitários (onfalite, aspergilose).
Ovos de postura de chão ou limpados, devem ser de preferência incubados separados, pois o risco de apodrecimento é maior, levando a contaminações das incubadoras.
Idade das matrizes
Manter os ovos de diferentes idades de matrizes, incubados em máquinas diferentes para que se possam controlar os horários de carregamento e também as temperaturas e umidades das máquinas é importante para se conseguir melhor qualidade dos pintos no nascimento.
Estocagem
As condições de estocagem dos ovos podem determinar uma eclosão BOA ou RUIM.
A condição ideal para a estocagem dos ovos deve atender a:
 Dias de estoque
 Idade das matrizes
 Linhagens (postura ou corte)
Como padrão médio podemos considerar como condições boas as temperaturas entre 18 a 21 graus Celsius para ovos estocados até 7 dias e umidade relativa entre 70 a 85%.
Quando a estocagem for superior à 7 dias, a temperatura deve ficar entre 16 à 18 graus Celsius.
Lotes de matrizes novas devem ser incubados a partir do terceiro dia de produção e lotes de matrizes velhas (mais de 48 semanas) devem ser incubados entre 2 e 4 dias de produção para que se obtenha o melhor resultado de eclosão.
Obs. 1 : Estoques maiores devem ser considerados com perdas na eclosão.
Obs. 2 : Ovos considerados comerciais ( defeitos de casca, sujos, etc ), podem e devem ser incubados como ovos reaproveitados, otimizando os custos de produção; Estes ovos necessitam de cuidados específicos como incubação em máquinas separadas e acompanhamento da parte sanitária.
Preparação da carga
É importante que alguns itens sejam considerados para o carregamento dos ovos:
 Datas de produção
 Idade das matrizes
 Horário previsto para a retirada dos pintos
 Época do ano
 Pré-aquecimento
 Linhagem
 Número de pintos por cliente
Incubação de ovos sala de máquinas
Neste encarte técnico sobre incubação, vamos analisar vários procedimentos e lembrar alguns detalhes muitas vezes esquecidos no dia a dia do incubatório.
Após a preparação da carga, os ovos devem ser transferidos para a sala de máquinas incubadoras para os procedimentos de incubação.
Horário de incubação O horário para a incubação dos ovos deve ser determinado em função da idade da matriz, tempo de estocagem dos ovos, época do ano, horário previsto para o início dos trabalhos com os pintos e também os horários predeterminados para a entrega dos pintos nas granjas.
O tempo previsto para o nascimento dos pintos (período de incubação + nascedouros) gira em torno de 496 horas para épocas de verão a 510 horas no inverno; Outros fatores poderão influir também no tempo total de incubação:
1. Temperatura e umidade das salas A temperatura ideal das salas de incubação gira em torno de 22 a 28 graus Celsius com uma umidade relativa em torno de 60%;
Obs. : Temperaturas abaixo ou acima das faixas recomendadas poderão causar atrasos ou adiantamentos no nascimento;
A umidade relativa das salas com níveis abaixo de 50% poderá exigir um tempo de funcionamento maior dos bicos pulverizadores das incubadoras mantendo a temperatura de operação da incubadora abaixo do normal e aumentar o tempo de incubação.
2. Renovação de ar das salas
A taxa de renovação de ar das salas deve atender as necessidades de troca de ar das incubadoras mais a troca de ar do ambiente; Podemos considerar que para cada 1000 ovos incubados, precisamos de aproximadamente 200 m³ de ar por dia.
Exemplo:
Casp CM125 = 200x124.000/1000 = 24.800 m³ /dia ou
1000 m³ /hora
Petersime 576 = 200x57.600/1000 = 11.520 m³ /dia ou
500 m³ /hora
Obs. : A taxa de renovação de ar total da sala de incubação deve ficar entre 15 trocas para épocas frias e até 30 trocas para épocas de calor. Com temperatura estável em 24 graus Celsius a taxa de renovação de ar pode ficar em torno de 22 trocas/hora.
3. Tipo de Incubadora
As incubadoras podem influir no tempo total de incubação em função de regulagens de ventilação, perdas de caloria nas incubações e nas transferências.
Incubadoras de grande capacidade de ovos quando mal reguladas, podem variar o tempo total de incubação com maior intensidade que incubadoras de média capacidade.
4. Temperatura de operação das incubadoras
As temperaturas das incubadoras podem interferir no tempo de incubação em até 2 horas por fração de graus Celsius.
Temperaturas baixas atrasam o nascimento dos pintos e podem aparecer muitos pintos BALOFOS, com umbigos mal cicatrizados e muitos ovos bicados com pintos vivos sem sair da casca;
Temperaturas altas adiantam o nascimento e podem causar grande número de pintos refugos com umbigos mal cicatrizados, pintos mortos nas bandejas e também grandes quantidade de embriões mortos entre 19 e 21 dias.
5. Tempo de estocagem dos ovos
O tempo de estocagem dos ovos antes da incubação não deve ultrapassar 7 dias, sendo que o ideal é incubar os ovos entre 2 e 5 dias;
Dependendo da idade das matrizes e dias de estocagem, o tempo de incubação pode aumentar em até 6 horas. Exemplo:
IDADE MATRIZ DIAS ESTOQUE HORAS INCUBAÇÃO
35                                             5                                     0
35                                             8                                     2
35                                             10                                   4
50                                             3                                     0
50                                             5                                     2
50                                             8                                     4
6. Idade das matrizes
Manter as diferentes idades das matrizes em incubadoras separadas facilita as regulagens de temperatura, umidade e ventilação, permitindo maior uniformidade do nascimento.
7. Linhagem
Linhagens diferentes, sempre que possível, devem ser incubadas em máquinas separadas, pois existem diferenças entre as linhagens que podem alterar as condições gerais do nascimento:
 Tamanho do ovo
 Qualidade da casca
 Cor (escura e clara)
8. Fumigações
O programa de fumigações nas incubadoras deve atender os objetivos de um bom controle sanitário sem provocar mortalidades embrionárias.
Dosagens recomendadas:
Formol + Permanganato de Potássio:
Formol = 14 cc por m³
Formol = 14 cc por m³
Tempo = 6 a 10 minutos
Paraformaldeído:
Paraformaldeído = 2,5 g por m³
Tempo = 10 minutos
Pano de Gase:
Pano de gase = simples 5 ml por m³
Tempo = 15 minutos
9. Hora correta para a fumigação
O melhor horário para se fazer a fumigação nas incubadoras com um mínimo de mortalidades embrionárias fica entre 12 e 18 horas após a 1ª carga da semana para máquinas de estágio múltiplo de 6 (duas cargas na semana).
Exemplo: cargas nas 2ª e 5ª feiras as 6:00 h da manhã; fumigação é na 2ª
feira entre 18:00 e 24:00 h. Para incubadoras com apenas 1 carga na semana, fazer a fumigação entre 12 e 18 h após a carga dos ovos.
Nascedouros
Vários fatores devem ser considerados importantes na qualidade dos pintos:
 Limpeza Geral;
 Desinfecção;
 Transferência e regulagens (ventilação/temperatura/umidade);
 Horário de retirada dos pintos.
 Limpeza geral
Começa na limpeza geral dos equipamentos e da sala após o nascimento dos pintos para a manutenção da qualidade dos pintos do próximo nascimento, pois a higiene/sanitária é fator fundamental na qualidade dos mesmos.
Iniciar a limpeza pulverizando uma solução desinfetante para diminuir a poeira em suspensão, retirar toda a sujeira grossa com o auxílio de vassoura e lavar com água, sabão e bucha. É importante que a limpeza seja complementada com a limpeza dos painéis elétricos usando pistola de ar comprimido.
A limpeza do teto externo dos nascedouros precisa ser cuidadosa para evitar que fiquem pontos sem a devida limpeza e também não sejam afetados os equipamentos instalados na parte superior dos nascedouros (sistema abertura de ventilação, motores, base dos termostatos, solenoides, etc).
Desinfecção após a lavagem, desinfetar os nascedouros, carrinhos e
bandejas com solução desinfetante (800ppm), usando bomba de pressão (usar 10 litros de solução por nascedouro e 10 litros de solução a cada 100 m³ de sala).
Exemplo: Sala com 6 nascedouros e metragem de 11x10x4 = 440 m³. Usar mais ou menos 100 litros de solução desinfetante.
Após a desinfecção geral da Sala e dos nascedouros, ligar os nascedouros para a secagem.
Obs: A desinfecção úmida bem feita após a lavação, substitui a fumigação tríplice com formol antes da transferência.
Após a transferência, temos várias opções de desinfecção:
A mais usada é a desinfecção com formol líquido, através de evaporação contínua, com trocas entre 06 a 08 horas, usando 10 ml de formol por metro 3 de área de nascedouro. Obs.: é também a mais combatida devido as restrições ao uso do formol.
Os sistemas automáticos de desinfecção úmida através de pulverizadores instalados dentro dos nascedouros, ainda funcionam de forma experimental, principalmente por falta de equipamentos adequados e também por falta de avaliações técnicas (e implicações diretas na qualidade dos pintos), dos desinfetantes mais usados nas desinfecções dos incubatórios (quaternários de amônia, glutaraldeídos).
Obs: O volume de solução desinfetante usada dentro do nascedouro deve ser equivalente 0,2 ml x mt 3 x hora de produto base, a concentração da solução deve ser de 300 ml produto base (50% concentração produto ativo) x 20 litros água.
Exemplo: 01 nascedouro com 20 m³ de área:
20 m³ x 0,2 ml = 4 ml produto base por hora
1 litro de solução = 15 ml produto base
Pulverizar 270 ml solução desinfetante por hora.
Obs: Na preparação da solução desinfetante , observar a concentração do produto ativo e padronizar para base de 50%, usando a fórmula abaixo para determinar a quantidade de produto base para 20 litros água:
Exemplo:
Produto base para 20 l de água = (300/y) x 50
Onde y = 80% produto ativo
(300/80) x 50 = 188 ml
Nova solução = usar 188 ml do novo produto em 20 litros de água.
Produtos a base de peróxidos e ácidos acéticos, usar 300 ml x 20 litros de água (para produto base com concentração de produto ativo de 15% ).
Transferência e regulagens
A transferência deve ser feita com 19 dias, ou seja, com 456 horas completas de incubação. É prática comum, nos finais de semana, fazer as transferências dos ovos com 18 dias de incubação. Este manejo pode reduzir a mão de obra nos finais de semana, mas pode causar perdas de eclosão quando não observados alguns cuidados:
 Ritmo de trabalho: o ritmo do trabalho deve ser moderado para evitar batidas nos ovos e provocar estresse.
 Temperatura sala: cuidar da temperatura (mínimo de 25 Graus Celsius) e também da ventilação da sala durante a transferência.
 Temperatura/umidade do nascedouro: o ideal é manter a temperatura e a umidade do nascedouro com os valores iguais aos da incubadora até completar 19 dias de incubação, evitando possíveis atrasos do nascimento.
 Regulagem ventilação: a entrada e saída de ar do nascedouro devem ser reguladas para um mínimo de trocas (máximo de 10 trocas por hora).
Os cuidados acima descritos devem ser base também para as transferências nos horários normais, menos as regulagens de temperatura e umidade que devem ser:
 Temperatura: 98 a 98,5 graus Fahrenheit.
 Umidade: a regulagem de umidade nos nascedouros depende de muitos fatores, podendo ir de 84 até a 90 graus Fahrenheit.
As condições para as regulagens serem alteradas estão nas diferenças de:
Idade da matriz: matriz no início de produção (casca muito espessa com pouca liberação de umidade) e também no final de produção (ovos muito grandes e com muito líquido para ser eliminado) podem ter regulagens de umidades mais baixas.
Qualidade da casca: a qualidade da casca pode influir diretamente nas trocas de temperatura e perdas de umidade dos ovos durante o período de incubação.
Linhagem: algumas linhagens têm maior dificuldade em eliminar líquido durante o período de incubação, necessitando uma umidade mais baixa durante a incubação, ou então, ser trabalhada uma regulagem de umidade mais baixa nas primeiras horas de nascedouros.
Umidade de incubação: a umidade de nascedouro deve ser de 01 a 02 graus Fahrenheit acima da umidade de incubação, (menos nas transferências feitas com 18 dias onde a regulagem deve ser mantida até completar os 19 dias de incubação).
Horário de retirada dos pintos
Tempo ideal de incubação = 496 a 510 h. O horário de retirada dos pintos deve ser estabelecido para que os pintos sejam retirados e processados num período máximo de 18 horas, e as entregas (expedição) sejam feitas até um máximo de 36 horas entre a retirada dos pintos, o processamento e a chegada à granja destino.
Algumas empresas retiram, processam e expedem os pintos num período bem mais curto (10 a 15 h), isto é possível no caso de integrações, porém é importante que os pintos processados desta forma estejam mais adiantados na hora do saque para evitar que os eles não tenham a vivacidade necessária nas primeiras horas de granja. Também é importante que os pintos sejam soltos com um mínimo de 6 horas de luz natural para a acomodação na granja.

SALA DE PINTOS

(seleção, sexagem, vacinação, condições de armazenagem, temperatura umidade e ventilação da sala, expedição dos pintos).
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Os manejos de Sala de Pintos dependem da atividade comercial da EMPRESA.
Os processos de: seleção, sexagem, vacinação e horários de entrega dos pintos, devem atender as necessidades COMERCIAIS básicas.
1. Procedimentos
Retirada dos pintos:
A retirada dos pintos deve obedecer a critérios determinados para o manejo dos pintos conforme programa de incubação, manejos específicos como sexagem e horários de expedição.
Fatores importantes a serem considerado e que, devem ser determinados ainda no momento da incubação são: linhagem, tipo do ovo (faixa de peso e formato), idade da matriz data da postura (estoque).
Linhagem:
Linhagens diferentes precisam de condições diferentes (temperatura, umidade e tempo de incubação).
O motivo principal é a Pigmentação (casca escura tem maior dificuldade em trocas internas / externas e precisa de mais horas de incubação).
Tipo do ovo:
Formato:
Fórmula:
Altura/largura (ovos com formatos fora do padrão aumentam o tempo de incubação e têm maiores índices de mortalidades embrionárias em todas as fases de desenvolvimento dos embriões).
Formato Eclosão Diferença
< 70 90 % 10 %
70 a 74 95 % 4 a 6 %
75 a 79 100 % 0 %
> 80 100 % 8%
Obs.:
Para achar o padrão dos ovos de um lote, pegar 100 ovos da postura do dia (10 ovos por caixa aleatoriamente) e fazer a medição com a ajuda de um paquímetro. O lote estará dentro de um padrão considerado normal quando 80% dos ovos estiverem entre 75 a 79 de índice.
Faixa de peso:
A melhor faixa de peso dos ovos para a incubação está entre 56 e 70 gramas.Faixas de peso diferentes, alteram condições operacionais internas das incubadoras, aumentando ou diminuindo tempo total de incubação.
Idade da matriz
De acordo com a idade da matriz, o tempo de incubação vai se alterando de forma que, durante as 8 semanas iniciais, os nascimentos tendem a atrasar devido ao tamanho do ovo e qualidade da casca (espessura) e, após 30 semanas de produção, atrasam devido ao tamanho do ovo e a quantidade de líquido que deve ser eliminado durante o período de incubação.
Algumas linhagens, devido à qualidade da casca e tamanho do ovo, podem atrasar o nascimento em até 06 horas.
Data de postura (estoque)
O estoque de ovos influi diretamente no tempo total de incubação (ver quadro no capítulo "Incubação de Ovos Sala de Máquinas").
2. Retirada dos Pintos
Obs. 1 :
Quando dois ou mais lotes estiverem prontos ao mesmo tempo, a retirada dos pintos deve começar pelo lote de matrizes mais novas.
Obs 2 :
Retirar os pintos de acordo com a planilha de incubação dos ovos e planilha de expedição dos pintos, observando os manejos determinados para o cliente como sexagem e vacinação.
3. Seleção
 Visual (aspecto visual dos pintos penugem)
 Bicos e olhos
 Pernas
 Umbigo (contaminação)
 Tamanho
 Hidratação
Grande número de incubatórios fazem os manejos de seleção, em conjunto com a retirada dos pintos e após a execução dos demais manejos (sexagem, vacinação), fazem um repasse de seleção.
A qualidade deste tipo de seleção depende de alguns fatores:
 Faixas de separação tipos dos ovos
 Horário correto de retirada
 Idade das matrizes
Obs: toda seleção pode ser bem ou mal feita, o que vai determinar a qualidade da seleção é o treinamento e a qualidade da mão de obra.
4. Sexagem
A sexagem dos pintos de corte é determinada por manejos de criação e abate dos frangos; A sexagem provoca estresse nos pintos como também pode causar lesões de asa e abdômen, levando a um quadro de:
 Aumento da mortalidade inicial
 Condenação de asa no abate
Obs. 1 : É importante ressaltar que a sexagem dos pintos deve ser complementada com a criação dos frangos separados nas granjas, com fornecimento de ração adequada ao sexo e delineamento de abate com ênfase aos ganhos específicos de cada sexo.
Obs. 2 : Alguns criadores de frango (independentes e até integrações), exigem os pintos sexados apenas para ter ¨certeza¨ de que está recebendo meio a meio de machos e fêmeas.
5. Vacinação
A vacinação no incubatório é obrigatória contra a Doença de Marek, porém, a maioria dos pintos de corte é vacinada também contra a Doença de www.fazendacalifornia.com | E-mail:
fazendacalifornia@fazendacalifornia.com
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Gumboro e, durante o período de calor e chuvas (setembro a março), também podem ser vacinados contra a Bouba Aviária.
Vacinação de Bronquite não é comum e deve ser analisado caso a caso,
quando for solicitado pelo cliente, pois alguns cuidados devem ser tomados
para evitar problemas de transmissão horizontal (repicagem) do vírus vacinal dentro do setor de incubação: • A vacinação de Bronquite deve ser o último manejo com os pintos antes da expedição.
 Fazer a vacinação fora do prédio do incubatório.
 Todos os pintos que estiverem na sala devem ser vacinados (quando somente parte dos pintos serão vacinados, primeiro deve ser feita a expedição dos pintos que não serão vacinados para depois proceder a vacinação) e desinfetar a sala.
Equipamentos de apoio:
 Geladeira
 Banho maria
 Fogão
 Panela de pressão
 Vacinadoras
Preparação da vacina
Após a esterilização dos materiais de uso na vacinação (seringa, agulha, mangueira), iniciar a preparação da vacina.
 Adição de Antibióticos (*)
 Adição de Gumboro
 Adição de Bouba Suave
 Adição de Marek
(*) Obs.: Quando for necessário o uso de Antibióticos junto a vacina, a adição do Antibiótico deve ser feito em primeiro lugar e com tempo suficiente para que haja estabilidade do pH e, não interfiram na qualidade da vacina. (gentamicinas precisam de um mínimo de 20 minutos para estabilizar o PH ).
Vacinação
Qualidade da aplicação
Podemos considerar uma vacinação bem feita quando, nos testes de avaliação (sistema de corantes) encontramos:
 Bem Vacinados > 95 %
 Mal Vacinados < 3 %
 Não Vacinados < 2 %
Tempo preparação / aplicação: (não deve ser superior a 45 minutos)
6. Condição ambiental da sala
As condições ideais para a permanência dos pintos na sala são:
 Temperatura: 22 a 26 graus Celsius
 Umidade relativa: 60 %
 Troca de ar: 100 m 3 /hora x m 2 sala
Exemplo: Uma sala de 10 x 20 = 200 m 2 x 100 = 20.000m 3 de ar / hora
Velocidade ar entre caixas = 60 m por minuto
A quantidade de ar disponível na sala depende da quantidade de pintos e dos manejos realizados na sala e principalmente da qualidade do ar (temperatura e umidade) porém, o fator fundamental é a distribuição do ar dentro da sala com fluxo contínuo de movimentação permitindo o arrasto do ar quente e viciado de dentro das caixas de pintos.
Observações: A distribuição e a movimentação do ar dentro da sala devem seguir alguns pontos:
Entrada de ar no oposto da saída (entradas por cima, saída por baixo) e distribuídas de forma a manter fluxo e velocidade do ar entre as caixas de pintos; Quando a entrada do ar for através de distribuição por ductos sobre a laje, a retirada do ar deve ser através de venezianas (ou até exaustores) instaladas na parte de baixo das quatro paredes da sala, de forma a manter o fluxo entre as caixas e provocar o arrasto da massa de ar quente produzida pelos pintos.
O fornecimento de ar com temperatura acima do ideal (22 a 26 graus Celsius) provoca a necessidade de maior quantidade de trocas de ar e, pode provocar perdas de umidade acima do normal dos pintos, aumentando o risco de desidratação.
7. Expedição de pintos A expedição dos pintos é o fechamento dos trabalhos realizados durante 21 dias de incubação (sem esquecer a produção dos ovos) e manter a qualidade dos pintos passa por cuidados como:
 Limpeza e desinfecção furgão
 Funcionamento dos exaustores, ventiladores e dampers de entrada de ar
 Treinamento e conscientização dos motoristas
8. Automação Equipamentos de apoio como esteiras e mesas de sexagem e vacinação
ajudam muito na qualidade geral dos pintos pois, além de facilitar e agilizar o ritmo
de trabalho, evita o retrabalho e o stress provocado por manejos constantes de retirar
e colocar os pintos nas caixas duas vezes em cada manejo específico.
Este trabalho sobre a “ARTE DE INCUBAR” foi da avipa-avicultura integral e
patologia animal de São Paulo-Brasil.
Contribuiu para este manual a AVIPA, disponibilizando trechos da sua Publicação a
“A ARTE DE INCUBAR”.




Selo de Pureza dos Bufalos

bu3

ABCB dá mais um passo em prol da bubalinocultura

Almejado desde 1986, quando os primeiros produtores de derivados de leite de búfala vinham tentando elaborar o selo de pureza segundo os padrões italianos. Resultante do árduo trabalho de muitas pessoas, enfim saiu o tão esperado e sonhado “SELO DE PUREZA”, promovido pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos - ABCB, cujo objetivo é garantir aos consumidores, um produto puro, sem mistura, além de fomentar e proteger a Bubalinocultura das fraudes cometidas pelas indústrias que substituindo o leite de búfala pelo de vaca, diminui a demanda do leite de búfala e conseqüentemente seu preço, desmotivando assim os pecuaristas a investirem na Bubalinocultura. 

Outro importante objetivo do SELO DE PUREZA, é estar protegendo o consumidor que acreditando estar comprando “mozzarella di búfala” quando na verdade tem levado um produto misto ou até mesmo o “fior di late” ou seja, mussarela só de leite de vaca. 
Abaixo, apresenta-se aos interessados, o Regulamento do Selo de Pureza, através dele você poderá obter conhecimento e informações de como o selo estará sendo implantado e fiscalizado, e o que é necessário ser feito pelos laticínios interessados para associar-se e poder usufruir do nosso SELO DE PUREZA.   

Regulamentos do Selo de Pureza 
 
Art. 1o Fica instituído, no âmbito da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos, (ABCB) o “Selo de Pureza” (Selo), cuja utilização será regida por este regulamento, sendo exclusiva dos respectivos associados, mediante assinatura e registro do “Termo de Autorização e Compromisso”, conforme minuta anexa e parte integrante do presente Regulamento, devidamente registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, para conhecimento de terceiros. 

Art. 2o O Selo será exclusivamente aplicado aos derivados do leite de búfala, produzidos exclusivamente com leite de búfala, de origem conhecida da ABCB e sujeitos ao regime de controle e análise de pureza estabelecido neste Regulamento. 
Art. 3o O Selo corresponderá ao modelo depositado pela ABCB junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, observando as características e dimensões previstas na anexa Arte Final do logotipo, que fica fazendo parte integrante do presente Regulamento. 
Art. 4o A autorização para a utilização do Selo, contida no acima mencionado “Termo de Autorização e Compromisso”, vigorará pelo tempo em que o produtor se mantiver associado à ABCB e cumulativamente cumprir integralmente suas obrigações previstas no presente Regulamento, devendo a utilização cessar imediatamente, caso o produtor, por qualquer motivo, deixe de ser associado à ABCB, renuncie ou tenha sua autorização cassada por descumprimento de quaisquer de suas obrigações previstas no presente Regulamento. 
Art. 5o Até 30 (trinta) dias após a assinatura do “Termo de Autorização e Compromisso” o associado deverá apresentar, para exame e aprovação da ABCB, a arte final de seus rótulos, com a inclusão do Selo, devendo ater-se à forma aprovada até que qualquer alteração seja examinada e aprovada pela ABCB. 
Art. 6o O controle permanente da fabricação dos derivados do leite de búfala, e da utilização do Selo, conforme prevista neste Regulamento, será feito através do Grupo Técnico de Controle (GTC), constituído dos técnicos da ABCB, presidido pelo presidente do Conselho Deliberativo Técnico (CDT) e composto, no mínimo de três e no máximo de dez membros, nomeados pela Diretoria da ABCB, mediante indicação dos associados, tendo por base os seus conhecimentos da criação de búfalas leiteiras e produção de derivados do leite de búfala. Os membros do GTC terão mandato de 2 (dois) anos, podendo ser reconduzidos. As reuniões do GTC terão periodicidade trimestral, devendo constar da agenda da reunião o exame dos relatórios de visita e análises, realizados no período. Das reuniões do GTC serão lavradas atas, que serão encaminhadas à consideração da Diretoria da ABCB, incluindo as recomendações, sugestões e medidas punitivas aprovadas pelo GTC . 
Art. 7o Compete ao presidente do GTC selecionar o técnico para efetuar a visita ao laticínio, bem como contratar de forma terceirizada o Laboratório e o apoio técnico necessário ao serviço de análises dos produtos e controle da utilização do Selo, conforme previsto no presente Regulamento. 
Art. 8o As práticas de controle e as análises para a confirmação da pureza dos produtos serão feitas com base nos métodos aprovados pelas autoridades italianas para a “mozzarella di bufala campana” com as modificações e adaptações que forem aprovadas pelo GTC. Garantida a pureza do produto, os produtores não serão obrigados a revelar segredos de produção ou alterar seus métodos, desde que estes sejam compatíveis com as exigências do SIF/DIPOA, do Ministério da Agricultura. 
Art. 9o As vistorias nos laticínios e as análises dos produtos serão feitas com a periodicidade considerada adequada pelo GTC, devendo os técnicos conferir a origem do leite utilizado, anotar a quantidade de leite recebida e colher amostras de leite e/ou seus derivados, para posterior análise laboratorial. A critério e com a periodicidade que o GTC julgar adequada, a coleta de material para análise poderá ser feita nos pontos de venda ou consumo dos produtos. 
Art. 10 Constatada em análise a presença de proteínas de leite bovino ou de origem diversa do leite de búfala em produtos autorizados a utilizar o Selo, o produtor será imediatamente notificado do laudo, sendo os técnicos deslocados para o laticínio produtor para determinar a origem da mistura. O deslocamento será feito às expensas do produtor, que, além de arcar com os custos adicionais, deverá colaborar com os técnicos para que o problema seja sanado o mais cedo possível. Uma vez sanado o problema e ainda às expensas do produtor, o GTC, a seu critério, aumentará a freqüência das vistorias e das análises a serem feitas no laticínio do produtor, até que se certifique de que a mistura cessou. 
Art. 11 O GTC desenvolverá e recomendará aos produtores métodos práticos de controle de pureza do leite recebido na plataforma, de forma a permitir suspeita de mistura do leite recebido. Em tal caso, a pedido do produtor, o GTC dará apoio técnico para a confirmação e origem da eventual mistura. Constatada a mistura por denúncia do próprio produtor, não será esta contada para o efeito de reincidência. 
Art. 12 Constatada a reincidência de mistura, dentro do prazo de seis meses da mistura anterior, o GTC julgará, dando ao produtor ampla defesa, se o produtor agiu com culpa ou dolo, devendo, em ambos os casos, cancelar a autorização para o uso do Selo, bem como ser aplicada multa no valor deR$5.000,00. Se o GTC entender que o produtor agiu com dolo ou má fé, proporá à Diretoria da ABCB a sua expulsão dos quadros associativos da ABCB. 
Art. 13 Além da contribuição associativa devida à ABCB, os produtores autorizados ao uso do Selo deverão arcar com as despesas e custos necessários ao serviço de controle de pureza dos derivados do leite de búfala através de uma contribuição adicional, de periodicidade mensal, proporcional à quantidade de leite recebida em seus laticínios. Anualmente, o GTC juntamente à Diretoria da ABCB, preparará o orçamento das despesas e custos necessários à manutenção dos serviços, determinando o valor a ser cobrado dos produtores autorizados e fixando a respectiva contribuição, acrescida de 10%, para constituição de fundo de reserva. Para a determinação da quantidade de leite recebida, será utilizada a declaração do produtor, sujeita a confirmação durante as visitas técnicas aos laticínios, observada a sazonalidade da produção do leite de búfala. 
Art. 14 Os recursos provenientes da contribuição adicional dos produtores autorizados serão mantidos pela ABCB em conta bancária à parte. 
Art. 15 O presente Regulamento está em vigor, devidamente aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária da ABCB do dia 05 de agosto de 2000. 
Art. 16 Como medida transitória, a autorização para o uso do Selo entrará em vigor imediatamente, mediante assinatura do compromisso dos produtores de respeitar a pureza dos derivados do leite de búfala de sua produção e declaração da quantidade de leite recebida em sua plataforma, ficando a critério do primeiro GTC escolhido iniciar as vistorias e análises com a periodicidade adequada, tão logo os recursos das contribuições adicionais o permitam, sem ônus para o Caixa da ABCB. 
Art. 17 Competirá à Diretoria da ABCB resolver os casos omissos. 
Art. 18 O presente Regulamento será periodicamente revisto, à luz da 
experiência obtida com a sua aplicação, ficando a primeira revisão prevista para agosto de 2001. 
Completados 5 anos da introdução do programa, em que pese envolver ainda pequena parcela dos Laticínios que processam leite bubalino, as indústrias participantes tem experimentado significativo crescimento no leite bubalino processado, atingindo no período crescimento médio 31,9 % ao ano, período em que se observou retração no consumo dos derivados bovinos. Isto tem permitido que o preço do leite pago ao produtor represente hoje cerca de 2 vezes o valor pago pelo leite bovino e, diversamente das flutuações observadas no mercado de leite bovino, o preço pago ao leite bubalino tem se mostrado constante a cada ano.



Doenças dos Bezerros Bubalinos


Introdução


Os maiores índices de morbidade e mortalidade dos bubalinos ocorrem nos primeiros meses de vida. Em rebanhos leiteiros, aproximadamente 70% das mortes são de animais lactentes. Isto porque os neonatos, totalmente desprovidos de resistência orgânica, ao enfrentarem as hostilidades do meio ambiente, tornam-se alvos fáceis dos agentes patogênicos. A manutenção de elevados índices de imunoglobulinas, logo após o nascimento, através da ingestão do colostro, é um dos principais pré-requisitos para a reversão desse quadro. 

As doenças mais freqüentes entre os bezerros búfalos, desde o nascimento até os seis meses de vida, são descritas a seguir:

Colibacilose


Etiologia:
Popularmente conhecida como curso-branco, a colibacilose é causada pela bactéria Escherichia coli. São microorganismos em forma de bastonetes, que habitam o intestino dos animais. O principal grupo responsável pela colibacilose em bubalinos é o constituído pela E. coli enterotoxigênica (ETEC).
Sintomatologia:

O principal sintoma é a diarréia amarelo-pálida ou esverdeada, que resulta em uma desidratação progressiva, acidose e morte. Freqüentemente a diarréia é aquosa profusa, fétida e amarelada, podendo apresentar-se espumosa e com manchas de sangue. 

A colibacilose é uma das doenças responsáveis pelo maior número de mortes entre os bezerros búfalos. Dotado de alta patogenicidade, que leva o animal à morte, dentro de 18 a 24 horas. O prognóstico geralmente é grave, visto que a mortalidade é de 80~90% dos animais doentes. 
Epidemiologia:


Os neonatos podem adquirir a E. coli no período pré-natal, através do canal do parto, ou pós-natal, por via digestiva (fezes dos animais infectados). Os colibacilos geralmente habitam o intestino grosso dos animais. Quando favorecidos por fatores estressantes que diminuem a resistência como: prematuridade, deficiência na ingestão do colostro, estresse calórico, superpopulação nos bezerreiros, condições não-higiênicas; multiplicam-se e provocam a doença. 

A maior incidência em regiões subtropicais ocorre nos meses de inverno, enquanto que em regiões tropicais úmidos é durante os meses mais secos e quentes do ano.
Tratamento:

Produtos à base de sulfato de neomicina ou oxitetraciclina (11mg/kg), por via oral ou injetável, são recomendados, embora sejam de pouco valor terapêutico. Na terapêutica deve-se objetivar principalmente a restauração do estado sistêmico do doente, através da fluidoterapia. Para isso, pode-se administrar sol. Fisiológica glicosada a 15%, na dose de meio litro, via subcutânea, ou um litro, via endovenosa. 

A redução do grau de exposição dos bezerros aos agentes patogênicos através da higiene ambiental e do tratamento do cordão umbilical também deve ser considerada. A ingestão do colostro em quantidades que contenham níveis elevados de imunoglobulinas, o mais cedo possível, após o nascimento, constitui uma das melhores medidas preventivas. O isolamento dos animais doentes e sadios também é de fundamental importância no controle da enfermidade.

Eimeriose


Etiologia:
A eimeriose, também conhecida como coccidiose, é uma doença causada por protozoários do gênero Eimeiria, parasitos intracelulares do epitélio intestinal. As espécies mais prevalentes são E. zuernii, E. auburnensis, E. ellipsoidalis e E. subspherica.
Sintomatologia:
Nos bubalinos, essa doença geralmente é assintomática, podendo manifestar-se através de alterações intestinais, seguidas de diarréia profusa contendo muco e sangue, desidratação, pêlos arrepiados, baixa conversão alimentar, anemia, debilidade e perda de peso.
Epidemiologia:

Após a infecção, ocorre uma imunidade específica para cada espécie de coccidio. Por essa razão, os animais jovens expostos aos coccídios pela primeira vez são muito mais susceptíveis a uma infecção aguda e doença clínica do que os animais adultos. 

O principal fator de disseminação da coccidiose é a persistente contaminação ambiental, sendo o nível de infecção diretamente proporcional ao de contaminação. A principal fonte de infecção são as fezes dos animais doentes. Os animais infectam-se através de estruturas denominadas oocistos esporulados. Nas regiões de clima subtropical, a maior incidência de oocistos esporulados ocorre nos meses de inverno; e nas regiões de clima tropical úmido isso acontece na época de menor pluviosidade (janeiro a junho).
Tratamento e controle:
No tratamento curativo, são bastante eficientes os medicamentos à base de sulfametazina (140 mg/kg) e amprólio (10mg/kg) durante cinco dias, via oral. A nitrofurazona (15 mg/kg) diariamente, durante sete dias, também oferece resultado satisfatório. Esses produtos podem ser usados, preventivamente, na água ou ração , nos lugares onde os riscos de infecção são elevados. As estratégias preventivas devem ser sempre direcionadas para o decréscimo de oocistos no meio ambiente, sendo práticas indispensáveis o controle de superpopulação de animais, a separação dos animais jovens dos adultos e a limpeza e desinfecção das instalações com creosol a 5%.

Encefalomielite esporádica


Etiologia:
Sabe-se, atualmente, que a encefalomielite esporádica é causada por bactéria do gênero Chlamydia (C. pecoris). Apesar de essa doença ocorrer em animais de qualquer idade, foi considerada própria de bezerros porque, em bubalinos, sua maior prevalência é em animais com menos de seis meses de idade. No Brasil, não foi diagnosticado nenhum caso em animais adultos.
Sintomatologia:
Os sintomas dessa enfermidade, quase sempre de curso agudo, iniciam-se pela diminuição do apetite, depressão e rigidez. Evoluem com parada dos movimentos do rúmen, contrações espasmódicas, queda em decúbito, rigidez do pescoço, salivação , corrimento nasal, respiração acelerada, opistótonos e desaparecimento dos reflexos pupilares. Posteriormente, sobrevêm paralisia flácida dos membros posteriores e morte dentro de seis a dez dias, após o aparecimento dos primeiros sintomas.
Epidemiologia:
No Brasil, ocorre preferencialmente na Região Norte, mais especificamente na ilha de Marajó. Incide mais intensamente durante a estação mais chuvosa do ano, sendo os animais com idade entre três a seis meses as principais vítimas, sempre de forma isolada e com baixa freqüência. As fezes, urina e secreção nasal é que são infectantes.
Tratamento e controle:
O tratamento quimioterápico à base de oxitetraciclina (14mg/kg), via intravenosa e, posteriormente (5mg/kg), por via intramuscular, a cada doze horas, mostra-se eficaz quando efetuado nos estádios iniciais da doença, antes de haver lesões dos tecidos cerebrais. Não se conhecem medidas de controle efetivas para a prevenção da encefalomielite. A higiene e a alimentação correta dos animais são de fundamental importância na prevenção da doença.

Enterite neonatal vírica


Etiologia:
Vários são os agentes virais entéricos citados como causadores de enterite neonatal em ruminante, entretanto, apenas o rotavírjus e o coranavírus possuem importância comprovada.
Sintomatologia:
De maneira geral, essas viroses evoluem com diarréia fluida amarelada, às vezes com muco e coágulos de leite, salivação densa e relutância em mamar. Devido à semelhança da sintomatologia clínica causada pelos patógenos entéricos, o diagnóstico definitivo dos mesmos deve ser estabelecido através de exames laboratoriais. As fezes dos animais enfermos são o material de eleição para ser enviado ao laboratório, para diagnóstico dessas infecções.
Epidemiologia:

Animais com até duas semanas de vida são os mais atingidos. A principal fonte de infecção reside nos animais doentes que eliminam vírus pelas fezes. 

Bezerros búfalos muito jovens não têm tendência de serem afetados por esses vírus, porque geralmente as vacas secretam anticorpos pelo colostro até 72 horas após o parto. A contaminação por essas viroses ocorre por ingestão de material fecal contaminado.
Tratamento e controle:
Não há tratmento efetivo para essas viroses, nem vacinas preventivas. O único modo de controle é através da separação dos animais enfermos, higiene ambiental e a ingestão do colostro pelos recém-nascidos.

Estrongiloidose

Etiologia:
A estrongiloidose é causada por nematódeos do gênero Strongyloides ( S. papillosus). Trata-se de um parasito que mede de três a seis milímetros de comprimento e que se localiza no intestino delgado dos animais jovens. Usualmente são ovíparas.
Sintomatologia:
As larvas, ao provocarem danos no epitélio intestinal, podem causar diarréia intermitente. Nas altas infestações é comum ocorrer sintomas respiratórios, devido à migração de larvas pelo pulmão. Quando a infestação é modesta, o parasitismo é assintomático.
Epidemiologia:

Estudos realizados no Brasil, mais especificamente na Amazônia , revelam que esses helmintos assumem importância patológica somente quando em altas infestações. A simples presença de ovos do parasita nas fezes dos bezerros não significa estado patológico. 

Acredita-se que a via transmamária seja uma das principais responsáveis pela precocidade da infestação. 
Búfalos com mais de seis meses de idade mostram total resistência a este tipo de parasitismo. As larvas infectantes, apesar de muito ativas, são pouco resistentes às condições do meio ambiente, sobrevivendo, entretanto, com facilidade em ambientes quentes e úmidos. Os ovos do helminto, após serem expulsos jntamente com as fezes do animal parasitado, dão origem às larvas infectantes.

Tratamento e controle:
Como regra geral, não se recomenda o tratamento dos animais parasitados por esse helminto, uma vez que curam-se espontanamente. O esquema de tratamento profilático obrigatório, assim como os anti-helmínticos utilizados no controle da neoascaridiose são suficientes para o controle dessa parasitose. A higiene do meio ambiente é fundamental no esquema profilático.

Monieziose


Etiologia:
A monieziose é uma parasitose causada por cestódeos do gênero Moniezia ( M. Bendeni) parasitos em forma de fita, que medem cerca de 3 a 6m de comprimento e 2,5cm de largura. Localizam-se no intestino delgado de animais jovens.
Sintomatologia:
A ação patogênica desses parasitos é questionada. Nos búfalos, geralmente esta parasitose evolui sem sintomas aparentes, nem provoca prejuízos econômicos. Nos casos de altas infestações, porém, podem ocorrer transtornos digestivos, ventre abaulado, timpanismo, tenesmo ou diarréia, e até podendo obstruir a luz intestinal.
Epidemiologia:
São necessarias infestações maciças para causarem doença clínica. Os animais infestados, entretanto, tendem a mostrar-se mais predisponentes a outras patogenias, especialmente as helmintoses gastrintestinais. Os proglotes (�govos�h) eliminados nas fezes dos hospedeiros são ingeridos por ácaros, encontrados especialmente em áreas úmidas, e são ingeridos com capim pelo búfalo. Os proglotes transformam-se em cisticercos infecciosos no ácaro e formam-se novos parasitos no intestino delgado do búfalo.
Tratamento e controle:
No tratamento preventivo indica-se a administração de produtos à base de diclorofenol (20 mg/kg), niclosamide (80 mg/kg), cambendazole (25 mg/kg) e mebendazole (10 mg/kg), quatro a cinco semanas após o início do pastejo dos animais em áreas infestadas. Como medidas profiláticas, aconselha-se a rotação de pastagens e exames periódicos nos animais jovens.

Neoascaridiose

Etiologia:
A neoascaridiose é causada pelo Neoascaris ritulorum, helminto que se localiza no intestino delgado dos animais jovens. Seus ovos são subesféricos de casca espessa e finamente granulosa.
Sintomatologia:
Os animais, quando parasitados pelo N. vitulorum, apresentam-se debilitados, apáticos, sem apetite, com ventre flácido e pêlos ásperos e sem brilho. Nas altas infestações podem ocorrer diarréia fétida (odor butírico) e escura e morte do hospedeiro dentro de poucos dias, em conseqüencia das perfurações e obstruções intestinais ocasionadas pelos vermes adultos. O índice de mortalidade entre os animais infestados varia entre 30% a 50%.
Epidemiologia:

O N. vitulorum é citado no Brasil como o principal agente parasitário causador de morte entre os bubalinos jovens. A presença desse helminto pode ser observada através de seus ovos, nas fezes de animais com idade em torno de 14 dias. Há um aumento no número de ovos até a idade de 30 dias, e após esta idade o número diminui bruscamente até tornar-se nulo aos 120 dias aproximadamente. 

Há afirmações que a presença precoce de ovos de N. vitulorum nas fezes de bezerros búfalos ocorre em conseqüência da infecção transplacentária ou transmamária. A queda brusca de ovopostura pelo N. vitulorum, após o primeiro mês de vida dos bezerros, está intimamtente relacionada com o desenvolvimento das funções do rúmendos hospedeiros, e também, o gradativo aumento da resposta imunitária dos bezerros. 
Em condições naturais, os bubalinos são mais susceptíveis ao N. vitulorum que os bovinos.

Tratamento e controle:
Como a biolofia parasitária do N. vitulorum independe das condições do meio ambiente, o esquema de tratamento profilático desse parasita pode ser o mesmo para todo o território brasileiro. Deve ser efetuado aos 15, 30, 60 e 180 dias de vida dos bezerros, utilizando-se vermífugos de largo espectro, preferencialmente por via oral. Produtos à base de mebendazole (8,8 mg/kg), oxibendazole (10 mg/kg), fembendazole (10 mg/kg) e tiabendazole (44 mg/kg) mostram-se bastante eficazes contra essa parasitose. Como medidas preventivas, deve-se separar os animais por faixa etária, adotar medidas higiênicas nos bezerreiros e estábulos e proceder periodicamente exames de fezes dos animais lactentes do rebanho.

Salmonelose


Etiologia: 

A salmonelose, popularmente conhecida como o curso-preto e paratifo, é causada por enterobactérias do gênero Salmonella. Dentre os diversos sorotipos existentes nos búfalos o mais encontrado é o S. dublin.
Sintomatologia:
A salmonelose evolui geralmente com diarréia pastosa acinzentada, bastante fétida e, às vezes, com estrias de sangue. Dores abdominais, apatia, perda de apetite, fraqueza, respiração acelerada, temperatura elevada e tumefações nas articulações também são sintomas observados. A salmonelose pode ser confundida com a colibacilose, entretanto, esta última afeta animais na primeira semana de vida, enquanto a outra ocorre em animais de maior idade. Na salmonelose, a diarréia geralmente é escura e mucosa e, na colibacilose, é clara e aquosa.
Epidemiologia:

A maneira de transmissão é sempre fecal/oral. Os animais doentes, ou com a doença subclínica, excretam os microorganismos em grande número, através das fezes, urina ou leite contaminando o meio ambiente e alimentos. 

A água estagnada funciona como fonte significativa de infecção, e esses locais podem permanecer contaminados por longos períodos. A doença tende a mostrar incidência estacional distinta, ocorrendo nas regiões de clima subtropical, geralmente no início do inverno e, nas regiões de clima tropical úmido, noperíodo menos chuvoso do ano. Costuma ocorrer com maior freüência nos animais mal-alimentados, nos intensamente parasitados e naqueles que permanecem concentrados em áreas alagadas, por períodos prolongados.
Tratamento e controle:
O tratamento considste, primeiramente, em eliminar a desidratação do animal, utilizando-se sol. Fisiológica glicosada a 15%, via subcutânea (500ml) ou endovenosa (1000ml). Como quimioterápicos, deve-se preferir produtos à base de trimetropim-sulfadoxine (1ml/10kg), cloranfenicol (22 mg/kg) ou ampicilina (25 mg/kg), durante 3 a 4 dias. Como medida preventiva, recomenda-se proceder a vacinação da vaca prenhe, no oitavo ou nono mês de gestação, a qual eliminará os anticorpos pelo colostro, que irão proteger o bezerro. As medidas higiências devem ser rigorosamente observadas.