12 de set. de 2015

A Vida de uma Abelha Solitária



A vida de uma abelha solitária


Artigo publicado na Revista Ciência Hoje n.179 (jan/2002)
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a grande maioria das abelhas não vive em sociedade ou em colônias com rainha e operárias. A maioria das espécies de abelhas é solitária, isto é, vivem sozinhas. Cada fêmea, individualmente constrói e cuida do seu próprio ninho. A fêmea morre antes de sua cria nascer. Ou seja, não há contato entre as gerações. Desta maneira, o modo de vida de uma abelha solitária é bastante diferente do que conhecemos para aquelas abelhas que vivem em colméia

A diversidade de abelhas no Brasil 
 
Estima-se que no mundo existam mais de 20 mil espécies de abelhas. O Brasil, devido a suas proporções continentais e riqueza de ecossistemas, pode ser considerado privilegiado neste aspecto, pois abriga cerca de ¼ destas espécies (ca. 5000). Contudo, infelizmente, a abelha mais conhecida entre os brasileiros é a abelha européia (Apis mellifera), que na verdade não é nativa do Brasil. Esta espécie foi introduzida no período colonial para fins de apicultura. Atualmente é a espécie mais abundante em nossos ambientes (até mesmo urbanos), fazendo nos esquecer que possuímos uma fauna de abelhas nativa rica e diversa. Só no Estado de São Paulo foram listadas 729 espécies e no Rio Grande do Sul mais de 500 espécies são conhecidas. Segundo levantamentos feitos em diferentes regiões do Brasil, até hoje temos mais de 2 mil espécies de abelhas catalogadas. 

Uma ampla diversidade de formas, tamanhos e cores caracteriza a nossa apifauna. Existem espécies com tons verdes, azuis e roxos metálicas, que geralmente são confundidas com moscas varejeiras. Algumas abelhas são bem ornamentadas com listas e manchas pelo corpo, e outras possuem cores lisas ou brilhantes de várias tonalidades entre negro e amarelo. Existem abelhas que chegam a medir mais de 5 centímetros e outras muito pequenas com pouco mais de 2 milímetros, que geralmente também são confundidas com outros grupos de insetos.


De solitário a social 
 
Entre as abelhas existem diferentes modos de vida, denominados graus de sociabilidade. Os dois extremos são: as espécies de vida solitária e aquelas de vida totalmente social (eusociais). Entre estes extremos existem categorias como: subsociais, parasociais, ou quasesociais, que se diferenciam pela presença e domínio de uma rainha. 

Algumas espécies solitárias podem construir seus ninhos agregados, o que poderíamos comparar aos nossos "condomínios" onde vários ninhos da mesma espécie estão dispostos no mesmo local. Cada ninho possui a sua "dona" e cada abelha, ou melhor, cada fêmea cuida do seu próprio ninho. 
Abelhas altamente sociais -ou eusociais- formam colônias numerosas, perenes e com alto grau de organização interna. No Brasil este é o caso das abelhas sem ferrão -Meliponíneos, popularmente conhecidas como jataí, uruçu, mandaçaia, guaraipo, mirim, etc. Estas espécies são bem conhecidas pelos índios e pessoas que vivem no campo.


Ciclo das espécies solitárias 

A fêmea de abelha solitária deve cuidar de seu ninho sozinha. Durante sua vida estão incluídas as seguintes tarefas: procurar o local para o ninho, construi-lo, colocar os ovos, buscar alimento para a cria e defender o ninho quando necessário. 
A fêmea ao nascer será imediatamente fecundada e, em seguida, começará a busca por um local adequado para nidificar. Este local pode ser um tronco de madeira, uma área exposta de solo ou barranco, fendas em muros, ou ainda orifícios pré-existentes em outro tipo de substrato, como um buraco de fechadura, canos, tijolos, etc. Em muitas espécies as fêmeas procuram um lugar próximo ao local de seu nascimento, o que chamamos de reutilização do ninho parental. Isso é comum para as espécies que formam agregações ("condomínios"). 

Ao achar um local adequado, a fêmea inicia a construção do ninho. Escava a cavidade adequadamente e sai para coletar material para o revestimento interno. O material de construção, que varia entre as espécies, pode ser: areia, terra, barro, pedaços de folhas ou restos vegetais, óleo floral, resina, entre outros. 

Ao trazer tais materiais para dentro da cavidade, a fêmea manuseia-os formando o que chamamos de célula, ou seja, o espaço (a unidade) onde sua prole se desenvolverá. Um ninho é composto por várias células. Cada célula será revestida com o material de construção e preenchida com alimento, que geralmente é constituído por pólen misturado com néctar. A fêmea coloca um ovo em cada célula. Quando fechar esta célula, logo começará a construir a próxima. Estas etapas se repetem tantas vezes quanto forem o número de células. 
Em geral uma abelha solitária constrói entre 6-15 células. Isto pode levar algumas semanas (entre 3-6 semanas). Após este período a fêmea morre.


O desenvolvimento da prole 


O ovo colocado pela fêmea logo se transformará em uma pequena larva. Esta larva passa então a ingerir o alimento que está ao seu redor. A larva come sem parar e cresce rapidamente, passando por algumas mudas, que chamamos de estágios larvais (geralmente sofre 4 a 5 mudas). Após consumir todo o alimento que sua mãe deixou dentro da célula, a larva madura ocupa a maior parte do espaço interno da célula. Neste momento também encontramos dentro das células grande quantidade de fezes que a larva defecou. Neste estágio a larva de algumas espécies pode tecer um casulo ao seu redor, chamado de "cocoon". 
O último passo do desenvolvimento é a pupa, que é o estágio intermediário entre a larva e a forma definitiva do inseto. Quando chega próximo ao período de eclosão, a larva madura se transformará em uma pupa e completará sua metamorfose. Dos ninhos saem então as abelhas já adultas, que iniciam imediatamente um novo ciclo da espécie. Todas as etapas serão repetidas pelos novos indivíduos. 
O tempo total de desenvolvimento varia de espécie para espécie e depende também de fatores climáticos, da região de ocorrência da espécie e do número de gerações que a espécie produz em um ano.

Número de gerações 


Muitas das espécies solitárias são univoltinas, isto significa que possuem apenas uma geração por ano. Isto é comum para as espécies que ocorrem em regiões de clima subtropical ou temperado, onde as estações do ano são bem marcadas. Assim, aquela espécie ocorre em um período bem definido do ano. No sul do Brasil por exemplo, onde o inverno é rigoroso, a maioria das espécies de abelhas nasce quando a temperatura começa a subir. Nos meses de primavera há um "boom" de nascimento de abelhas. Muitas delas foram produzidas na primavera anterior e agora, após um ano, estão emergindo para formar a próxima geração. Permaneceram por muitos meses dentro da célula a espera da melhor época para nascer. Isto significa que houve um período em que o desenvolvimento estacionou. Este período, que pode durar até 10 meses, chamamos de diapausa e geralmente ocorre no último estágio larval. A larva madura permanece imóvel, aparentando estar morta. 
Outras espécies possuem 2 gerações (bivoltinas). Por exemplo, fêmeas que nasceram em novembro estarão ativas e construindo suas células por algumas semanas. A cria referente a estas fêmeas eclodem em fevereiro e iniciam imediatamente um novo ciclo. Porém, a cria desta segunda geração permanecerá em diapausa por alguns meses (outono e inverno) e sua prole eclodirá apenas em novembro. Portanto, espécies bivoltinas possuem 2 gerações durante o ano, por exemplo uma em novembro e outra em fevereiro. 
Além da temperatura, o ciclo das chuvas também é um fator que pode influenciar o número de gerações por ano de uma dada espécie de abelha. 
De um modo geral podemos dizer que a primavera é o período com maior número de espécies de abelhas em atividade, o auge da ocorrência das abelhas! Não é por acaso que isso coincide com o período de floração intenso de diversas espécies vegetais, já que as abelhas são totalmente dependentes das flores para sua sobrevivência.


Os Machos das abelhas solitárias


Geralmente, os machos possuem um período de desenvolvimento mais curto e nascem alguns dias antes das fêmeas. Logo após seu nascimento estão prontos para cópula. Esperam a eclosão das fêmeas virgens no local dos ninhos, ou as aguardam nas flores. Este comportamento é denominado de patrulha, que nada mais é do que a procura e espera por fêmeas para cópula. Sendo assim, é comum observar numerosos machos voando avidamente ao redor do local dos ninhos ou nas fontes de alimento preferido das fêmeas. Os machos visitam as flores para tomar néctar e depois patrulham sobre as plantas ou sentam na folhagem aguardando a chegada da fêmea.

 
Machos de abelhas solitárias geralmente não voltam para o ninho para dormir. No meio da tarde, quando não há mais fêmeas virgens para nascer, os machos precisam procurar um lugar para passar a noite. Machos de algumas espécies se agregam e dormem pendurados na folhagem próximo ao ninho ou à planta. Machos de outras espécies procuram um local mais ''aconchegante" e dormem dentro de flores. Geralmente são flores que fecham a noite e reabrem no dia seguinte (por exemplo flores de cactos, petunia, etc). Os machos chegam nestas flores no final da tarde, antes de seu fechamento, se acomodam entre os estames ou no fundo da flor e ficam lá até a flor abrir no outro dia.


Os "inimigos" das abelhas solitárias 



Os inimigos naturais das abelhas são muitos e variados, indo desde outras espécies de abelhas até o homem que destrói seus habitats naturais ou retira as fontes florais de que elas tanto dependem. 
Nas abelhas solitárias é muito comum a ação de parasitas nos ninhos. Estes parasitas podem ser outras espécies de abelhas, vespas, formiga feiticeira, moscas, entre outros. A estratégia mais comum destes parasitas consiste em invadir o ninho enquanto sua "dona" está ausente. Eles rondam os locais dos ninhos, esperam a fêmea sair para coletar e entram no ninho. Então, colocam seu ovo dentro da célula que já está preparada para a cria da hospedeira. Algumas espécies de parasitas destroem o ovo da hospedeira e outras apenas colocam o ovo e saem. Neste último caso, o ovo se desenvolverá rapidamente e a larva do parasita (com poderosas mandíbulas) é quem destruirá o ovo ou a jovem larva da hospedeira. A larva do parasita passa então a se alimentar do pólen e completa seu desenvolvimento normalmente dentro da célula. Estes parasitas são chamados cleptoparasitas.


Importância das abelhas 
 
As abelhas são muito mais importantes do que parecem. O seu papel ecológico é fundamental na manutenção da diversidade de espécies vegetais. As 20 mil espécies de abelhas que estima-se existir no globo, são essenciais para a reprodução sexual das plantas. Durante suas visitas às flores, as abelhas transferem o pólen de uma flor para outra, promovendo o que chamamos de polinização cruzada, ou seja neste momento ocorre a troca de gametas entre as plantas. Uma boa polinização garante a variabilidade genética dos vegetais e a formação de bons frutos. 

Deste modo, as abelhas também são importantes para as plantas cultivadas que dependem de agentes polinizadores. Portanto, as abelhas são indiretamente responsáveis pela produção de alimentos: frutas, legumes e grãos. 
Como dito no início, a diversidade de abelhas no Brasil é grande. Porém, pouco conhecemos sobre a vida da maioria destas espécies. Mas como toda unidade biológica, cada espécie de abelha tem seu papel na comunidade, mesmo que este ainda não esteja avaliado. Portanto, as abelhas devem ser preservadas, bem como o ambiente em que vivem e dependem para completar seus ciclos de vida.





11 de set. de 2015

CRIAÇÃO DE ABELHAS



HISTÓRICO

O mel, que é usado como alimento pelo homem desde a pré-história, por vários séculos foi retirado dos enxames de forma extrativista e predatória, muitas vezes causando danos ao meio ambiente, matando as abelhas. Entretanto, com o tempo, o homem foi aprendendo a proteger seus enxames, instalá-los em colmeias racionais e manejá-los de forma que houvesse maior produção de mel sem causar prejuízo para as abelhas. Nascia, assim, a apicultura.
Essa atividade atravessou o tempo, ganhou o mundo e se tornou uma importante fonte de renda para várias famílias. Hoje, além do mel, é possível explorar, com a criação racional das abelhas, produtos como: pólen apícola, geléia real, rainhas, polinização, apitoxina e cera. Existem casos de produtores que comercializam enxames e crias.
O Brasil é, atualmente, o 6° maior produtor de mel (ficando atrás somente da China, Estados Unidos, Argentina, México e Canadá), entretanto, ainda existe um grande potencial apícola (flora e clima) não explorado e grande possibilidade de se maximizar a produção, incrementando o agronegócio apícola. Para tanto, é necessário que o produtor possua conhecimentos sobre biologia das abelhas, técnicas de manejo e colheita do mel, pragas e doenças do enxame, importancia econômica, mercado e comercialização.
As abelhas são descendentes das vespas que deixaram de se alimentar de pequenos insetos e aranhas para consumirem o pólen das flores quando essas surgiram, há cerca de 135 milhões de anos. Durante esse processo evolutivo, surgiram várias espécies de abelhas. Hoje se conhecem mais de 20 mil espécies, mas acredita-se que existam umas 40 mil espécies ainda não-descobertas. Somente 2% das espécies de abelhas são sociais e produzem mel. Entre as espécies produtoras de mel, as do gênero Apis são as mais conhecidas e difundidas.
O fóssil mais antigo desse gênero que se conhece é da espécie já extinta Apis ambruster e data de 12 milhões de anos. Provavelmente esse gênero de abelha tenha surgido na África após a separação do continente americano, tendo posteriormente migrado para a Europa e Ásia, originando as espécies Apis mellifera, Apis cerana, Apis florea, Apis korchevniskov, Apis andreniformis, Apis dorsata, Apis laboriosa, Apis nuluensis e Apis nigrocincta.
As abelhas que permaneceram na África e Europa originaram várias subespécies de Apis mellifera adaptadas às diversas condições ambientais em que se desenvolveram. Embora hoje essa espécie seja criada no continente Americano e na Oceania, elas só foram introduzidas nessas regiões no período da colonização.


Prezados amigos: Com esta publicação, damos por encerrados os trabalhos aqui neste blog sobre "A CRIAÇÃO DE ABELHAS", nosso objetivo é contribuir com uma página para Produtores, Profissionais da área, Estudantes, compilando, agregando, reunindo dados que possam facilitar o estudo e conhecimentos ora em questão, nossos agradecimentos à EMBRAPA, EPAMIG E AOS MESTRES DA APICULTURA.
Para melhor entendimento, publicaremos todos os slides disponíveis até o momento, procurando sempre que possível, atualizá-los e se quiserem aprofundar mais sobre algum assunto mais especifico, sugerimos no "Blog" procurar o marcador de "ABELHAS, ABELHAS EUROPÉIAS, ABELHAS NATIVAS" e ao clicar, serás direcionados ao conjunto de publicaçôees refentes a esta criação.
Com relação aos slideshares, para melhor visualização, clique na aba inferior do mesmo, naquele quadradinho com duas setas invertidas para visualizares em tela cheia, se por acaso tiveres interesse em fazer o download do mesmo, clique no titulo logo abaixo do slide, serás direcionado ao servidor, onde há a opção para baixar para seu o "PC".

MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS POR SUA VISITA, SALIENTADO QUE ESTE É UM TRABALHO DE CONTRIBUIÇÃO, SEM NENHUMA VANTAGEM ECONÔMICA, REALIZADO APENAS PELO PRAZER E AO ETERNO AMOR À AGRICULTURA.

ABRAÇOS.

Carlos Pena




Histórico da Apicultura

Pesquisas arqueológicas mostram que as abelhas sociais já produziam e estocavam mel há 20 milhões de anos, antes mesmo do surgimento do homem na Terra, que só ocorreu poucos milhões de anos atrás.
No início, o homem promovia uma verdadeira "caçada ao mel", tendo que procurar e localizar os enxames, que muitas vezes nidificam em locais de difícil acesso e de grande risco para os coletores. Naquela época, o alimento ingerido era uma mistura de mel, pólen, crias e cera, pois o homem ainda não sabia como separar os produtos do favo. Os enxames, muitas vezes, morriam ou fugiam, obrigando o homem a procurar novos ninhos cada vez que necessitasse retirar o mel para consumo.
Há, aproximadamente, 2.400 anos a.C., os egípcios começaram a colocar as abelhas em potes de barro. A retirada do mel ainda era muito similar à "caçada" primitiva, entretanto, os enxames podiam ser transportados e colocados próximo à residência do produtor.
Apesar de os egípcios serem considerados os pioneiros na criação de abelhas, a palavra colmeia vem do grego, pois os gregos colocavam seus enxames em recipientes com forma de sino feitos de palha trançada chamada de colmo.
Naquela época, as abelhas já assumiam tanta importância para o homem que eram consideradas sagradas para muitas civilizações. Com isso várias lendas e cultos surgiram a respeito desses insetos. Com o tempo, elas também passaram a assumir grande importância econômica e a ser consideradas um símbolo de poder para reis, rainhas, papas, cardeais, duques, condes e príncipes, fazendo parte de brasões, cetros, coroas, moedas, mantos reais, entre outros.
Na Idade Média, em algumas regiões da Europa, as árvores eram propriedade do governo, sendo proibido derrubá-las, pois elas poderiam servir de abrigo a um enxame no futuro. Os enxames eram registrados em cartório e deixados de herança por escrito, o roubo de abelhas era considerado um crime imperdoável, podendo ser punido com a morte.
Nesse período, muitos produtores já não suportavam ter que matar suas abelhas para coletar o mel e vários estudos iniciaram-se nesse sentido. O uso de recipientes horizontais e com comprimento maior que o braço do produtor foi uma das primeiras tentativas. Nessas colmeias, para colheita do mel, o apicultor jogava fumaça na entrada da caixa, fazendo com que todas as abelhas fossem para o fundo, inclusive a rainha, e depois retirava somente os favos da frente, deixando uma reserva para as abelhas.
Alguns anos depois, surgiu a idéia de se trabalhar com recipientes sobrepostos, em que o apicultor removeria a parte superior, deixando reserva para as abelhas na caixa inferior. Embora resolvesse a questão da colheita do mel, o produtor não tinha acesso à área de cria sem destrui-la, o que impossibilitava um manejo mais racional dos enxames. Para resolver essa questão, os produtores começaram a colocar barras horizontais no topo dos recipientes, separadas por uma distância igual à distância dos favos construídos. Assim, as abelhas construíam os favos nessas barras, facilitando a inspeção, entretanto, as laterais dos favos ainda ficavam presas às paredes da colmeia.
Em 1851, o Reverendo Lorenzo Lorraine Langstroth verificou que as abelhas depositavam própolis em qualquer espaço inferior a 4,7 mm e construíam favos em espaços superiores a 9,5 mm. A medida entre esses dois espaços Langstroth chamou de "espaço abelha", que é o menor espaço livre existente no interior da colmeia e por onde podem passar duas abelhas ao mesmo tempo. Essa descoberta simples foi uma das chaves para o desenvolvimento da apicultura racional. Inspirado no modelo de colmeia usado por Francis Huber, que prendia cada favo em quadros presos pelas laterais e os movimentava como as páginas de um livro, Langstroth resolveu estender as barras superiores já usadas e fechar o quadro nas laterais e abaixo, mantendo sempre o espaço abelha entre cada peça da caixa, criando, assim, os quadros móveis que poderiam ser retirados das colmeias pelo topo e movidos lateralmente dentro da caixa. A colmeia de quadros móveis permitiu a criação racional de abelhas, favorecendo o avanço tecnológico da atividade como a conhecemos hoje.











ABELHAS NATIVAS SEM FERRÃO




Abelhas Nativas sem Ferrão - Uruçu, Mandaçaia, Jataí e Iraí 










Raças de Abelhas



Introdução da Apis mellifera no Brasil

As abelhas da espécie Apis mellifera foram introduzidas no Brasil em 1840, oriundas da Espanha e Portugal, trazidas pelo Padre Antônio Carneiro. Provavelmente as subespécies (abelha preta ou alemã) tenham sido as primeiras abelhas a chegar em nosso país.
Em 1845, imigrantes alemães introduziram no Sul do País a abelha . Entre os anos de 1870 a 1880, as abelhas italianas, foram introduzidas no Sul e na Bahia.
Não se tem registro preciso da introdução das abelhas no Norte e Nordeste do país, mas em 1845 Castelo Branco afirmava: "as abelhas do Piauí não têm ferrão".




Naquele período, a maior parte dos apicultores criava as abelhas de forma rústica, possuindo poucas colmeias no fundo do quintal, onde, em razão da baixa agressividade, eram criadas próximo a outros animais, como porcos e galinhas. O objetivo principal da maioria dos produtores era atender às próprias necessidades de consumo.
Em meados de 1950, a apicultura sofreu um grande baque em razão de problemas com a sanidade em função do surgimento de doenças e pragas, o que dizimou 80% das colmeias do País e diminuiu a produção apícola drasticamente. Diante desse quadro, ficou evidente que era preciso aumentar a resistência das abelhas no País.
Assim, em 1956, o professor Warwick Estevan Kerr dirigiu-se à África, com apoio do Ministério da Agricultura, com a incumbência de selecionar rainhas de colmeias africanas produtivas e resistentes a doenças. A intenção era realizar pesquisas comparando a produtividade, rusticidade e agressividade entre as abelhas européias, africanas e seus híbridos e, após os resultados conclusivos, recomendar a abelha mais apropriada às nossas condições.
Dessa forma, em 1957, 49 rainhas foram levadas ao apiário experimental de Rio Claro para serem testadas e comparadas com as abelhas italianas e pretas. Entretanto, nada se concluiu desse experimento, pois, em virtude de um acidente, 26 das colmeias africanas enxamearam 45 dias após a introdução.
A liberação dessas abelhas muito produtivas, porém muito agressivas, criou um grande problema para o Brasil. O pavor desse inseto invadiu o mundo em razão de notícias sensacionalistas nas televisões, jornais e revistas internacionais, que não condiziam exatamente com a verdade, mas ajudavam nas vendas. Nesse período, nenhum animal foi mais comentado em livros, entrevistas, reportagens e filmes do que as "abelhas assassinas" ou "abelhas brasileiras", como eram chamadas.
As "abelhas assassinas" eram consideradas pragas da apicultura e começaram a surgir campanhas para a sua erradicação, não só dos apiários, mas também das matas, com a aplicação de inseticidas em todo o País. Essa atitude, além de ser uma operação de alto custo, provocaria um desastre ecológico de tamanho incalculável.
Toda essa campanha acabou provocando o abandono de muitos apicultores da atividade e uma queda na produção de mel no País. Na verdade, o que acontecia era uma completa inadequação da forma de criação e manejo das abelhas africanas. Embora as técnicas usadas fossem adaptadas às abelhas européias, para as abelhas africanas, as vestimentas eram inadequadas; os fumigadores, pequenos e pouco potentes; as técnicas de manejo, impróprias para as abelhas e as colmeias dispostas muito próximas das residências, escolas, estradas e de outros animais. Todos esses fatores, em conjunto com a maior agressividade, facilitavam o ataque e os acidentes.
Com isso, muitos produtores considerados amadores abandonaram a atividade e os que permaneceram tiveram que se adaptar as novas técnicas de manejo, profissionalizando-se cada vez mais para controlar a agressividade das abelhas.
Na tentativa de amenizar a situação, distribuíram-se entre os apicultores rainhas italianas fecundadas por zangões italianos. Tal iniciativa não deu certo porque os produtores, já sabendo da maior produtividade das abelhas africanas, eliminavam as rainhas italianas. A solução foi distribuir rainhas italianas virgens, que se acasalavam com zangões africanos, obtendo uma prole mais produtiva e menos agressiva.
Outros fatores importantes que contribuíram para a redução da agressividade das abelhas africanas e para o crescimento e desenvolvimento da atividade foram: a interação entre produtores e pesquisadores nos congressos e simpósios; a criação de concursos premiando novos inventos; a liberação de créditos para a atividade; a participação do País em eventos internacionais; o investimento em pesquisas; a criação da Confederação Brasileira de Apicultura em 1967; e a valorização progressiva de outros produtos apícolas.
Hoje, as abelhas chamadas de africanizadas, por terem herdado muitas características das abelhas africanas, são consideradas como as responsáveis pelo desenvolvimento apícola do País, de modo que o Brasil, que era o 28º produtor mundial de mel (5 mil t/ano), passou para o 6º (20 mil t em 2001). A agressividade é considerada por muitos apicultores como um forte aliado para se evitar roubo da sua produção e ainda vêem a vantagem de serem tolerantes a várias pragas e doenças que assolam a atividade em todo o mundo, mas não têm acarretado impacto econômico no Brasil.

O habitat das abelhas Apis mellifera é bastante diversificado e inclui savana, florestas tropicais, deserto, regiões litoraneas e montanhosas. Essa grande variedade de clima e vegetação acabou originando diversas subespécies ou raças de abelhas, com diferentes características e adaptadas às diversas condições ambientais.

A diferenciação dessas raças não é um processo fácil, sendo realizado somente por pessoas especializadas, que podem usar medidas morfológicas ou análise de DNA.
A seguir, apresentam-se algumas características das raças de abelhas introduzidas no Brasil.


Apis mellifera mellifera (abelha real, alemã, comum ou negra)
  • Originárias do Norte da Europa e Centro-oeste da Russia, provavelmente estendendo-se até a Península Ibérica.
  • Abelhas grandes e escuras com poucas listras amarelas.
  • Possuem língua curta (5,7 a 6,4 mm), o que dificulta o trabalho em flores profundas.
  • Nervosas e irritadas, tornam-se agressivas com facilidade caso o manejo seja inadequado.
  • Produtivas e prolíferas, adaptam-se com facilidade a diferentes ambientes.
  • Propolisam com abundância, principalmente em regiões úmidas.


Apis mellifera ligustica (abelha italiana)
  • Originárias da Itália.
  • Essas abelhas têm coloração amarela intensa; produtivas e muito mansas, são as abelhas mais populares entre apicultores de todo o mundo.
  • Apesar de serem menores que as A. m. mellifera, têm a língua mais comprida (6,3 a 6,6 mm).
  • Possuem sentido de orientação fraco, por isso, entram nas colmeias erradas freqüentemente.
  • Constroem favos rapidamente e são mais propensas ao saque do que abelhas de outras raças européias.


Apis mellifera caucasica
  • Originárias do Vale do Cáucaso, na Rússia.
  • Possuem coloração cinza-escura, com um aspecto azulado, pêlos curtos e língua comprida (pode chegar a 7 mm).
  • Considerada a raça mais mansa e bastante produtiva.
  • Enxameiam com facilidade e usam muita própolis.
  • Sensíveis à Nosema apis.


Apis mellifera carnica (abelha carnica)
  • Originárias do Sudeste dos Alpes da Áustria, Nordeste da Iugoslávia e Vale do Danúbio.
  • Assemelham-se muito com a abelha negra, tendo o abdome cinza ou marrom.
  • Pouco propolisadoras, mansas, tolerantes a doenças e bastante produtivas.
  • Coletam "honeydew" em abundância.
  • São facilmente adaptadas a diferentes climas e possuem uma tendência maior a enxamearem.


Apis mellifera scutellata (abelha africana)
  • Originárias do Leste da África, são mais produtivas e muito mais agressivas.
  • São menores e constroem alvéolos de operárias menores que as abelhas européias. Sendo assim, suas operárias possuem um ciclo de desenvolvimento precoce (18,5 a 19 dias) em relação às européias (21 dias), o que lhe confere vantagem na produção e na tolerância ao ácaro do gênero varroa.
  • Possuem visão mais aguçada, resposta mais rápida e eficaz ao feromônio de alarme. Os ataques são, geralmente, em massa, persistentes e sucessivos, podendo estimular a agressividade de operárias de colmeias vizinhas.
  • Ao contrário das européias que armazenam muito alimento, elas convertem o alimento rapidamente em cria, aumentando a população e liberando vários enxames reprodutivos.
  • Migram facilmente se a competição for alta ou se as condições ambientais não forem favoráveis.
  • Essas características têm uma variabilidade genética muito grande e são influenciadas por fatores ambientais internos e externos.


Abelha africanizada


A abelha, no Brasil, é um híbrido das abelhas européias (Apis mellifera mellifera, Apis mellifera ligustica, Apis mellifera caucasica e Apis mellifera carnica) com a abelha africana Apis mellifera scutellata.

A variabilidade genética dessas abelhas é muito grande, havendo uma predominância das características das abelhas européias no Sul do País, enquanto ao Norte predominam as características das abelhas africanas.

A abelha africanizada possui um comportamento muito semelhante ao da Apis mellifera scutellata, em razão da maior adaptabilidade dessa raça às condições climáticas do País. Muito agressivas, porém, menos que as africanas, a abelha do Brasil tem grande facilidade de enxamear, alta produtividade, tolerância a doenças e adapta-se a climas mais frios, continuando o trabalho em temperaturas baixas, enquanto as européias se recolhem nessas épocas.



Importancia Econômica das Abelhas



As abelhas, pertencentes à ordem dos himenópterose à família dos apídeos, são muito importantes para a preservação das plantas.  Por meio da polinização, elas contribuem para a perpetuação de diversas espécies de culturas agrícolas e nativas. Economicamente, produzem melprópoliscera,geléia real e veneno, que são utilizados na indústria de alimentos e farmacêutica, e são comercializados no Brasil e exterior.
Esses insetos podem ser solitários ou sociais, dependendo do seu grau de sociabilidade. No Brasil, os meliponídeos, popularmente conhecidos comoabelhas sem ferrão ou indígenas, são altamente sociais. São pouco utilizadas na apicultura, pois sua produção é baixa. Já as abelhas do gênero Apis ou Bom-bus possuem ferrão. O Apis Melliferaé uma das espécies mais utilizada na apicultura por produzir mel de excelente qualidade.
As abelhas foram introduzidas no país pelos jesuítas, no século XVIII, e se espalharam por quase todo o território nacional. Atualmente, são catalogadas 729 espécies em São Paulo, e 500 no Rio Grande do Sul, num total de 2.000 em todo o país. No mundo todo, existem mais de 20.000 espécies.

Estudos sobre a produção apícola no Brasil mostram dados contraditórios quanto ao número de apicultores e colmeias, produção e produtividade. Quanto aos apicultores, as pesquisas apontam os extremos entre 26.315 e 300.000; esses produtores, juntos, possuem entre 1.315.790 e 2.500.000 colmeias e um faturamento anual entre R$ 84.740.000,00 e R$ 506.250.000,00.
Os dados conflitantes refletem a dificuldade em se obterem informações precisas quanto à produção e comercialização no setor agropecuário, entretanto, conseguem passar a idéia da importância dessa atividade para o País.

Produção de mel no Brasil e no mundo


Dimensionar o volume de mel produzido e comercializado é uma tarefa difícil, pois os poucos dados confiáveis sobre o assunto são conflitantes. Estima-se que a produção mundial de mel durante o ano de 2001 foi de, aproximadamente, 1.263.000 toneladas, sendo a China o maior produtor (256 mil toneladas). A Tabela 1 demonstra a produção de mel nos continentes e em alguns países nos últimos anos.
Segundo os dados do IBGE, a produção de mel em 2000 no Brasil foi de 21.865.144 kg, gerando um faturamento de R$ 84.640.339,00.
Os maiores exportadores mundiais são: China, Argentina, México, Estados Unidos e Canadá. Juntos, esses países comercializaram durante o ano de 2001 cerca de 242 mil toneladas, movimentando, aproximadamente, US$ 238 milhões (Tabela 2).
Entre janeiro e julho de 2002, o Brasil exportou 10.615 toneladas de mel, mas estima-se que o mercado internacional conseguirá absorver 170 mil toneladas/ano de mel oriundo do Brasil. Os principais compradores de mel do País são: Alemanha, Espanha, Canadá, Estados Unidos, Porto Rico e México.

Tabela 1. Produção Mundial de mel em mil toneladas.
Continente/País
1998
1999
2000
2001
Ásia
401
435
457
465
China
211
236
252
256
América do Norte e Central
218
201
208
205
Canadá
46
37
31
32
Estados Unidos
100
94
100
100
México
55
55
59
56
América do Sul
109
133
141
131
Argentina
75
93
98
90
Brasil
18
19
22
20
Europa
291
293
286
288
União Européia
109
117
112
111
Oceania
31
29
29
29
Austrália
22
19
19
19
Total
1188
1232
1265
1263
Fonte: Braunstein, 2002.
Tabela 2. Principais exportadores de mel (em mil toneladas) e os ganhos (em milhões de dólares).
País
1998
1999
2000
Mel
US$
Mel
US$
Mel
US$
China
79
87
87
79
103
87
Argentina
68
89
93
96
88
87
México
32
42
22
25
31
35
Estados Unidos
5
9
5
9
5
8
Canadá
11
20
15
21
15
21
União Européia
44
46
48
Fonte: Braunstein, 2002.

Outros produtos importantes da atividade

Além do mel, que será descrito com maiores detalhes adiante, o produtor poderá obter renda de outros produtos como cêra,própolis,geleia real,polinização e apitoxina.

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Cera
Utilizada pelas abelhas para construção dos favos e fechamento dos alvéolos (opérculo). Produzida por glandulas especiais(ceriferas) situadas no abdome das abelhas operárias. A cera de Apis mellifera possui 248 componentes diferentes, nem todos ainda identificados. Logo após sua secreção, a cera possui uma cor clara, escurecendo com o tempo, em virtude do depósito de pólen e do desenvolvimento das larvas.
As indústrias de cosméticos, medicamentos e velas são as principais consumidoras de cera; entretanto, também é utilizada na indústria têxtil, na fabricação de polidores e vernizes, no processamento de alimentos e na indústria tecnológica. Os principais importadores são: Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Japão e França; os principais exportadores são: Chile, Tanzânia, Brasil, Holanda e Austrália.


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Própolis
Substância resinosa, adesiva e balsãmica, elaborada pelas abelhas a partir da mistura da cera e da resina coletada das plantas, retirada dos botões florais, gemas e dos cortes nas cascas dos vegetais.
A própolis é usada pelas abelhas para fechar as frestas e a entrada do ninho, evitando correntes de ar frias durante o inverno. Em razão das suas propriedades bactericidas e fungicidas, é usada também na limpeza da colônia e para isolar uma parte do ninho ou algum corpo estranho que não pode ser removido da colônia.
Sua composição, cor, odor e propriedades medicinais dependem da espécie de planta disponível para as abelhas. Atualmente, a própolis é usada, principalmente, pelas indústrias de cosméticos e farmacêutica. Cerca de 75% da própolis produzida no Brasil é exportada, sendo o Japão o maior comprador.


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Pólen apícola
Gameta masculino das flores coletado pelas abelhas e transportado para a colmeia para ser armazenado nos alvéolos e passar por um processo de fermentação. Usado como alimento pelas abelhas na fase larval e abelhas adultas com até 18 dias de idade. É um produto rico em proteínas, lipídios, minerais e vitaminas.
Em virtude do seu alto valor nutritivo, é usado como suplementação alimentar, comercializado misturado com o mel, seco, em cápsulas ou tabletes. Não existem dados sobre a produção e comercialização mundial desse produto.

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Polinização
A polinização é a transferência do pólen (gameta masculino da flor) para o óvulo da mesma flor ou de outra flor da mesma espécie. Só após essa transferência é que ocorre a formação dos frutos.
Muitas vezes, para que ocorra essa transferência, é necessária a ajuda de um agente. Além da água e do vento, diversos animais podem servir de agentes polinizadores, como insetos, pássaros, morcegos, ratos, macacos; entretanto, as abelhas são os agentes mais eficientes da maioria das espécies vegetais cultivadas.
Em locais com alto índice de desmatamento e devastação ou com predominância da monocultura, os produtores ficam extremamente dependentes das abelhas para poderem produzir. Com isso, muitos apicultores alugam suas colmeias durante o período da florada para serviços de polinização.
Embora esse tipo de serviço não seja comum no Brasil, ocorrendo somente no Sul do País e em regiões isoladas do Rio Grande do Norte, nos EUA metade das colmeias é usada dessa forma, gerando um incremento na renda do produtor.
Dependendo da cultura, local de produção, manejo utilizado e devastação da região, a polinização pode aumentar a produção entre 5 e 500%. Dessa forma, estima-se que por ano a polinização gere um benefício mundial acima de cem bilhões de dólares.

 
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Geléia real
A geléia real é uma substância produzida pelas glandulas hipofaringianas e mandibulares das operárias com até 14 dias de idade. Na colmeia, é usada como alimento das larvas e da rainha.
Constituída basicamente de água, carboidratos, proteínas, lipídios e vitaminas, a geléia real é muito viscosa, possui cor branco-leitosa e sabor ácido forte. Embora não seja estocada na colmeias como o mel e o pólen, é produzida por alguns apicultores para comercialização in natura, misturada com mel ou mesmo liofilizada. A indústria de cosméticos e medicamentos também a utilizam na composição de diversos produtos.
A China é o principal País produtor, responsável por cerca de 60% da produção mundial, exportando, aproximadamente, 450 toneladas/ano para Japão, Estados Unidos e Europa.

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Apitoxina
A apitoxina é o veneno das abelhas operárias de Apis mellifera purificado. O veneno é constituído basicamente de proteínas, polipeptídios e constituintes aromáticos, sendo produzido pelas glândulas de veneno nas duas primeiras semanas de vida da operária e armazenado no "saco de veneno" situado na base do ferrão. Cada operária produz 0,3 mg de veneno, que é uma substância transparente, solúvel em água e composta de proteínas, aminoácidos, lipídios e enzimas.
Embora a ação anti-reumática do veneno seja comprovada e o preço no mercado seja muito atrativo, trata-se de um produto de difícil comercialização, pois, ao contrário de outros produtos apícolas, o veneno deve ser comercializado para farmácias de manipulação e indústrias de processamento químico, em razão da sua ação tóxica.
A tolerância do homem à dose do veneno é bastante variada. Existem relatos de pessoas que sofreram mais de cem ferroadas e não apresentaram sintomas graves. Entretanto, indivíduos extremamente alérgicos podem apresentar choque anafilático e falecer com uma única ferroada.