28 de mai. de 2018

Manejo Sanitário de Caprinos e Ovinos


Programa de manejo sanitário

Como todas as espécies animais, os caprinos e ovinos são sensíveis a várias enfermidades, por isso é preciso organizar um conjunto de ações efetivas de prevenção e controle de doenças para o rebanho.
O produtor, com a orientação de um médico veterinário, deve elaborar um programa de manejo sanitário específico para a propriedade. Esse documento deve conter as práticas realizadas no rebanho, tais como: exame individual de animais antes da compra e testes sorológicos de diagnóstico (Artrite Encefalite Caprina, Brucelose, e outros), realização de quarentena para animais introduzidos na propriedade, isolamento de animais doentes, vermifugações, medidas de limpeza e desinfecção de currais, apriscos ou chiqueiros, combate a ratos e moscas, calendário de vacinação e fichas para anotações e controle de doenças. Além disso, os funcionários devem ser treinados para realizar inspeção diária dos animais, a fim de detectar logo no início os sinais de doenças, e anotar o número do animal, tratamento, motivo e data.
Para o controle das ocorrências sanitárias, é preciso a identificação individual (brinco, colar) e o uso de fichas ou planilhas para anotações de campo. Isso facilita a avaliação, o monitoramento e o controle de indicadores simples. É, porém, de suma importância que haja o controle da taxa de natalidade, mortalidade até o desmame, do desmame aos 12 meses, e com mais de 12 meses; taxa de aborto, mastite, pododermatite, e outros motivos para o descarte involuntário de animais do rebanho. Organizando-se dessa forma, o produtor terá todas as informações técnicas necessárias para tomar decisões sobre o melhor uso dos recursos financeiros, humanos, insumos e instalações, priorizando a eficiência e rentabilidade do sistema de produção.
Figura 1. Exemplo de ficha de controle e descarte de animais com reincidência de Linfadenite Caseosa no rebanho.

Fonte: Arquivos Embrapa

Seleção de animais

No momento da compra, é muito importante a seleção de caprinos ou ovinos com saúde para prevenir a entrada e disseminação de doenças no rebanho. Primeiro, o proprietário ou técnico deve solicitar ao vendedor o histórico dos animais, verificando o calendário de vacinação do rebanho, a existência de algum tipo de doença, e em seguida deve realizar o exame individual de cada animal, apalpando-os e observando os seguintes aspectos:
  • Idade – é possível avaliar pela troca dos dentes de leite.
  • Sinal de claudicação – cascos e aprume.
  • Presença de nódulos (caroço).
  • Condição da glândula mamária (úberes e tetas).
  • Avaliar escore corporal (EC).
  • Presença de sinais de doença: diarreia, tosse, manqueira, corrimento nasal, coloração esbranquiçada da mucosa ocular, vaginal ou do prepúcio, ou outras alterações palpáveis ou visíveis.
O passo seguinte é requisitar do vendedor o atestado sanitário dos animais expedido por médico veterinário, e o resultado negativo dos testes sorológicos obrigatórios para emissão da Guia de Transito Animal (GTA) - de acordo com a legislação de defesa sanitária do estado.
Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2A. Exame individual e palpação de linfonodos 

Foto: Eduardo Luiz de Oliveira


Figura 2B. Avaliação da idade via dentição.

Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2C. Mucosa ocular normal.
Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2D. Vista da lateral e sola de casco normal.
Foto: Eduardo Luiz de Oliveira.

Figura 2E. Glândula mamária com abscesso no linfonodo.

Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2F. Úbere saudável e bem implantado.

Cuidados na produção e armazenamento de alimentos

Considerando as condições adversas de clima e ambiente do Nordeste brasileiro, os cuidados sanitários iniciam-se com o planejamento da produção, conservação e armazenagem de alimentos. Fontes alternativas para alimentação dos rebanhos em quantidade, boa qualidade e fornecimento para as diferentes categorias animais durante todos os dias do ano. Dependendo do tipo de alimento, existirá sempre uma melhor forma de conservação e armazenamento que pode ser realizada de diferentes maneiras. Geralmente, os grãos podem ser acondicionados em sacas, bombas de plástico e outros recipientes, porém nunca diretamente no piso ou chão batido. Independente do tipo de recipiente usado, os alimentos devem ser armazenados em local fechado, seco (os grãos devem estar acondicionados em sacas sobre estrados de madeira afastado das paredes para prevenir eventuais perdas por infiltração de água), com boa ventilação e feito para evitar o acesso de roedores, insetos e pássaros, possíveis veiculadores de doenças. Vale ressaltar que esse local deve permanecer sempre limpo. Por outro lado, investir na reserva de pastagem nativa, no preparo de capineira e provisão de forragens conservadas (silagem, fenação) para suplementação durante o longo período de estiagem, tudo isso antes da aquisição dos animais, é condição essencial para se dar início às atividades de produção de caprinos e ovinos de corte no semiárido brasileiro.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 3A. Alimentos armazenados em sacaria aberta.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira

Figura 3B. Bombas de plástico com tampa para armazenar feno, silagem, grãos e ração.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 3C. Silagem vedada com lona plástica coberta com terra.

Cuidados na construção e manejo das instalações

Currais, apriscos e chiqueiros são locais destinados à separação do rebanho em lotes ou grupos de produção que dependem de manejo diferenciado. Um bom exemplo é o grupo de cabras ou ovelhas gestantes que precisa ser separado para receber alimentação adequada ao crescimento fetal e bom peso da cria ao parto, ou mesmo, os lotes de cabras ou ovelhas paridas com crias ao pé, cordeiros ou cabritos desmamados, borregas ou cabritas desmamadas, cabras ou ovelhas em estação de monta, cabras ou ovelhas secas, borregas ou cabritas de recria, cordeiros ou cabritos em terminação. As construções devem atender o objetivo da exploração e o tamanho do rebanho, estando localizadas em área bem drenada e com orientação leste-oeste para evitar sol constante, correntes de vento e as chuvas predominantes da região. A capacidade de lotação adequada para curais e apriscos de chão batido é de 1,2 m² por matriz com cria ao pé, o que facilita a condução dos animais com calma e paciência, evitando agitação que favorece a ocorrência de lesões e fraturas, desencadeia estresse e o surgimento de doenças.
Autor:Antônio Cézar Cavalcante
Figura 4A. Exemplo de instalação rústicas para realização de manejo geral em rebanho caprino de corte.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 4B. Exemplo de instalação rústicas para realização de manejo geral em rebanho caprino de corte.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 4C. Exemplo de instalação rústicas para realização de manejo geral em rebanho caprino de corte.

Baia de isolamento

Local destinado a isolar animais enfermos para tratamento e observação da evolução ou cura da doença. A construção deve estar localizada próximo ao curral e a vista do tratador, para facilidade e praticidade de manejo dos animais durante todo o dia e noite. A limpeza deve ser feita com raspagem e retirada do esterco (rodo, enxada ou vassoura, pá e carrinho de mão), seguida da desinfecção com vassoura de fogo (lança-chamas) em paredes, cercas, canzil, cochos, bebedouros, saleiros e piso de cimento ou, no caso de piso de terra batida, aplicação de fina camada de cal virgem.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 5A. Exemplo de baias para o isolamento e tratamento de animais doentes.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 5B. Exemplo de baias para o isolamento e tratamento de animais doentes.

Curral para quarentena

Local destinado à permanência e observação de animais antes de serem introduzidos ao rebanho. Uma construção isolada do restante, composta por baias, com cochos, bebedouros e saleiros, local próprio para acesso ao pasto, onde os animais adquiridos permanecerão por um período de observação de aproximadamente 40 dias. Durante a permanência, deverão ser realizados exames clínicos e testes laboratoriais no intuito de detectar possíveis sinais ou alterações que indiquem a presença de enfermidade.
Autor: Eduardo Luiz de Oliviera
Figura 6A. Exemplo de curral para quarentena.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 6B. Exemplo de curral para quarentena.

Comedouros, bebedouros e saleiros

Equipamentos que permanecem do lado de fora do curral ou aprisco para evitar a contaminação com as fezes e urina dos animais e, consequentemente, prevenir doenças. Os comedouros podem ser de alvenaria ou de madeira, de fácil limpeza, que não acumulem sobras de alimento, com altura certa para cabritos, cabras ou bodes e carneiros. Os bebedouros do tipo vaso comunicante previne a contaminação da água de bebida por fezes. Os saleiros podem ser de madeira, alvenaria ou pneu com a altura correta para cada categoria animal.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7A. Comedouros em madeira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7B. Comedouros em madeira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7C. Comedor em alvenaria.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7D. Comedouro reciclado feito em caixa d`água.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7E. Meia bomba de plástico.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7F. Vaso comunicante do lado externo do aprisco.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7G. Saleiro em cano de PVC.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7H. Reaproveitamento de pneu usado.

Centro de manejo

O centro de manejo é uma instalação composta por seringa, brete (0,80 cm de altura, 0,30 cm de largura na parte inferior e 0,60 cm de largura na parte superior) e balança. Sua finalidade é permitir a contenção do rebanho, de forma coletiva ou individual, durante os procedimentos de inspeção e palpação dos animais, vacinação, seleção, aplicação do método FAMACHA, vermifugação, pulverização, pesagem mensal, entre outros. Sua dimensão e características devem atender o objetivo da exploração, o tamanho do rebanho e os principais manejos da propriedade. A condução dos animais deve ser realizada com calma e paciência, de forma fácil e prática, assegurando a integridade física dos animais e dos funcionários.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 8A. Curral de manejo com serniga e brete.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 8B. Curral para manejo de caprino e ovino.

Proteção

A opção pelo plantio de árvores em linha, fileira ou em zigue-zague entre os currais e apriscos, ou em áreas de descampado ajuda a proteger de ventos frios. O uso de cortinas ao redor dos apriscos de cabras ou ovelhas com crias ao pé é importante para proteger os animais jovens do excesso de sol e vento forte. Outra opção seria a utilização de materiais da própria propriedade, como folha de carnaúba ou coqueiro, lona, bambu, sacos de plástico ou sombreamento por sombrite de nylon.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 9A. Exemplo de proteção contravento confeccionada em bambu.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 9B. Exemplo de proteção contravento confeccionada em madeira cerrada.

Pedilúvio

O pedilúvio é um tanque destinado à desinfecção dos pés dos animais, trabalhadores  visitantes e das rodas dos veículos (rodolúvio), evitando, assim, que atuem como disseminadores de doenças para os animais. Sua construção deve ser planejada logo na entrada das propriedades, currais e, principalmente, nos apriscos.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 10. Pedilúvio em alvenaria utilizando cal hidradata.

Higiene das instalações

A limpeza, desinfecção e higiene de currais, apriscos ou chiqueiros reduzem a ocorrência de doenças nos animais, ou no caso do seu aparecimento, diminui seu impacto na produção. A limpeza de currais, apriscos ou chiqueiros deve ser feita todos os dias, utilizando-se enxada ou rodo e carrinho de mão para retirar o esterco e depositar na esterqueira. A desinfecção deve ser realizada a cada três meses com vassoura de fogo em piso, paredes, cercas, canzil, cocho e bebedouros ou com aplicação de fina camada de cal virgem em piso de terra batida. Os utensílios devem ser lavados e desinfetados sempre antes e depois do uso, e os funcionários realizarem desinfecção de botas e roupas de uso na rotina.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11A. Limpeza do chão do aprisco com vassourão.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11B. Transporte de esterco para a esterqueira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11C. Desinfecção do piso de cimento utilizando lança-chamas tipo vassoura de fogo.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11D. Desinfecção do piso de madeira utilizando lança-chamas tipo vassoura de fogo.

Esterqueira

O local destina-se ao depósito dos dejetos sólidos dos currais, apriscos ou chiqueiros. Na esterqueira, a fermentação do esterco que ocorre em torno de 60 dias, favorece a morte de larvas de vermes e produz um adubo de qualidade, seguro e de fácil aproveitamento para adubar lavouras e pastagens. A utilização do esterco direto nas pastagens acarretará contaminação das culturas por larvas de parasitos e pode causar doenças em caprinos e ovinos. A esterqueira pode ser construída de alvenaria ou madeira, basicamente de três tipos: esterqueira subterrânea, de encosta e de três celas, considerando sempre sua adequação a mão de obra disponível e uso de forma fácil, prática e racional.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 12A. Transporte de esterco e armazenamento em esterqueira de alvenaria.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro

Figura 12B. Transporte de esterco e armazenamento em esterqueira de alvenaria.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 12C. Visão da esterqueira.

Organização do ambiente de trabalho

Trata-se das condições de motivação, colaboração e cooperação dentro da propriedade rural. O pessoal do manejo deve sempre separar e organizar todos os materiais por tipo, conforme seu estado e utilidade. Organizar o que é usado com maior frequência o mais próximo possível do local de trabalho e o que for desnecessário deve ser reformado, vendido ou eliminado. Para isso, é necessário definir um lugar para cada material, facilitando o acesso. Recomenda-se a sinalização de todos os locais de forma bem visível, com etiquetas, placas, desenhos ou cores. A sinalização auxilia na conscientização dos funcionários e organização do ambiente de trabalho.

Aproveitamento de resíduos na propriedade rural

Resíduo é tudo aquilo não aproveitado durante as atividades rurais, mas que pode ter valor de mercado.
Não é uma prática correta queimar ou enterrar resíduos na propriedade. Na fazenda, deve-se criar o hábito de separar os materiais recicláveis (papel, vidro, plástico e alumínio) do lixo comum (não reciclável). O material reciclável poderá ser comercializado. Caso a coleta de lixo não chegue até a propriedade, será necessário levar o lixo até os pontos de coleta coletiva, caçambas ou tambores de lixo comum, os quais são transportados pela prefeitura até o aterro sanitário do município.
Os resíduos orgânicos da produção de ovinos ou caprinos de corte, quando corretamente manejado, podem ser reutilizados na forma de adubo orgânico. A compostagem é uma alternativa para a decomposição de folhas, palha de milho, feijão, carnaúba, girassol, maravalha grossa e sobras de forragem e ração do cocho, carcaças de animais mortos e restos de placenta. Tudo isso é transformado em adubo orgânico e pode ser aproveitado para o plantio de culturas aéreas (milho, sorgo, capim elefante), mudas de árvores e fruteiras.
Caso não haja a opção pela compostagem, as carcaças de animais mortos e os restos placentários devem ser queimados ou enterrados em local apropriado e cercado. Nunca enterrar as carcaças em baixadas ou próximo de nascentes.
Alguns materiais não devem ser descartados no aterro sanitário. Reservar um caixa resistente para descarte de agulhas e outros objetos perfurocortantes (agulhas, bisturis, lâminas). Luvas sujas, faixas, seringas e papéis utilizados em procedimentos veterinários podem ser armazenados em sacos plásticos. Esses materiais devem ser destinados à empresa responsável pelo lixo do município para serem incinerados.
Guardar medicamentos vencidos e embalagens vazias em local seguro e isolado até o descarte final. De acordo com a Lei N° 12.305, de 02 de Agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil, os frascos de medicamentos vencidos podem ser devolvidos nas lojas veterinárias onde foram comprados. 
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 13A. Armário com farmácia básica

Autor: Eduardo Luiz de Oliveira.
Figura 13B. Recipiente para acondicionamento e descarte de resíduo infectante.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 13C. Caixa para descarte de agulhas e material perfuro cortante.

Manejo do reprodutor caprino e ovino

O aprisco ou curral para bodes e carneiros reprodutores deve ser separado do rebanho. A construção deve permitir conforto térmico e abrigo da chuva, sol e vento noturno, com comedouros, saleiros e bebedouros externos para manter o fornecimento de alimentos, sal mineral completo, e água contínua, e facilidade de limpeza diária, além de um piquete para realização de exercício físico diário.
Na estação de monta, o reprodutor deve ter boa condição corporal, sem excesso de gordura. Por isso, aos 30 dias antes do acasalamento, no exame individual, o escore corporal do bode ou carneiro deve estar entre 3 e 4 pontos (ECC – escore da condição corporal – 1, 2, 3, 4 ou 5 pontos). Atenção com a alimentação para manter o ECC, pois os bodes ou carneiros chegam a perder mais de 10% do seu peso corporal durante a estação de monta. Atentar-se também ao balancear a ração, manter relação cálcio e fósforo (2:1) e uso de cloreto de amônio ou outro acidificante urinário para prevenir a formação de cálculos.
Para o controle da verminose, o produtor deve manter a aplicação do método FAMACHA durante toda a vida produtiva do reprodutor, além de realizar uma vermifugação (via oral) tática 30 dias antes da estação de monta.
Nesse momento, o produtor deve também observar a necessidade de realizar o casqueamento do animal. A prática de corte dos cascos deve ser realizada sempre no período da seca, antes do início das chuvas, evitando o amolecimento e as lesões dos cascos e, consequentemente, a manqueira e a pododermatite. Primeiramente, realiza-se a limpeza do casco com água, sabão e auxílio de uma escova (cerdas de plástico grosso), retirando toda a terra e o esterco. Isso facilita a visualização clara das partes do casco que precisam ser aparadas, evitando excessos. Com o casco limpo, avaliar e proceder ao corte das sobras de casco (sola, pinça e parede), retirando também todo o tecido necrosado. Deve-se ter cuidado ao aparar a região da sola, que é muito irrigada e sensível. Evitar cortes profundos que causem sangramento e podem ocasionar manqueira no animal. Os cascos aparados devem ser submersos em um frasco de boca larga contendo solução de sulfato de zinco a 5% por 3 minutos, sempre após o término do casqueamento de cada animal.
Na pós-monta, o técnico ou produtor dever reavaliar o EC dos reprodutores. Isso ajuda no ajuste da dieta. Pode ser necessário o fornecimento de algum concentrado para auxiliar na recuperação da condição corporal adequada para prosseguir saudável e ativo.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14A. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14B. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14C. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14E. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14F. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.

Descarte orientado de matrizes antes do acasalamento

Esta etapa é de preparação das cabras ou ovelhas para o acasalamento. No momento da seleção das matrizes, o produtor ou o técnico deve ter em mãos as fichas de anotações realizadas durante o último ciclo produtivo das matrizes, como exemplos, anotações da última estação de monta, do período de gestação, da última estação de parição e última desmama dos cordeiros ou cabritos de corte e das ocorrências de doenças no rebanho. O descarte orientado das matrizes inicia-se com o exame individual, verificando por palpação da glândula mamária (úbere) a presença de nódulo fibroso ou caroço que comprometa a produção de leite para a cria. Avaliar as matrizes que não acasalaram porque não apresentaram cio (sugestivo de problemas reprodutivos), ou que acasalaram, mas não pariram (sugestivo de aborto ou reabsorção embrionária), ou aquelas com parto normal, mas que não criaram os cabritos ou cordeiros (sugestivo de baixa habilidade materna e pouca produção de leite), ou ainda matrizes que criaram cabritos ou cordeiros com baixo peso a desmama (sugestivo de mastite subclínica ou crônica). Outros motivos de descarte incluem animais com reincidência de doenças contagiosas (linfadenite caseosa, mastite e pododermatite), cabras e ovelhas que receberam mais de 8 doses de vermífugo nos últimos seis meses, e outros problemas sanitários que foram anotados e que o tratamento não atende a relação custo-benefício. Feito isso, no grupo de matrizes selecionadas realiza-se a vermifugação tática 30 dias antes da estação de monta.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 15A. Úbere de ovelha normal.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 15B. Úbere de ovelha com nódulos de mastite fibrosa.

Cuidados durante a gestação

A gestação de cabras e ovelhas, para um melhor entendimento, pode ser dividida em três fases: terço inicial (0-50 dias), terço médio (50-100 dias) e terço final (100-150 dias ou o parto).
Nos dois primeiros terços, o desenvolvimento da cria é equivalente a 25% do seu peso ao nascer, enquanto no terço final esse desenvolvimento é de 75% do peso ao nascer. Além disso, a produção do colostro ocorre também nas últimas semanas da gestação. Dessa forma, a exigência nutricional da cabra ou ovelha aumenta nesse período, necessitando de um maior fornecimento de nutrientes (proteína, energia, minerais e água), em quantidade e qualidade.
No caso de ovelhas e cabras com dieta deficiente nas etapas de pré-monta e gestação, ao parto imediato observa-se natimortos, ovelhas com sinais de toxemia da prenhez e baixa produção de leite, consequentemente, fraqueza e alta mortalidade de cabritos e cordeiros. Portanto, logo após o diagnóstico de gestação, o lote de ovelhas ou cabras gestantes deve ser separado do restante do rebanho, em pasto reservado ou em confinamento, para receber alimentação que atenda as exigências do período de gestação, o que previne a toxemia da prenhez e facilita a observação diária dos animais.
No lote de cabras e ovelhas gestantes, qualquer problema sempre deve ser anotado, de preferência em ficha separada. Nesse período, o mais frequente é a ocorrência de aborto, caso em que o produtor ou funcionário deve separar o animal, anotar a data, os sinais observados na matriz, na placenta e no feto, e alguma alteração ocorrida durante o manejo, mudança de alimentação, ou manejo. (veja “Recomendações sobre procedimentos em caso esporádico ou surto de aborto”).
No pré-parto, as matrizes gestantes são muito sensíveis à infeção e disseminação de larvas de parasitos nas pastagens que são causadores da verminose. Portanto, o produtor deve realizar a vermifugação tática do lote de cabras ou ovelhas gestantes entre 4 e 3 semanas antes do parto.
Em regiões com ocorrência de raiva dos herbívoros e clostridioses, a vacinação das matrizes gestantes deve ser realizada 30 dias antes do parto.
O piquete maternidade tem por finalidade abrigar as fêmeas nos últimos 10 dias de gestação e nos primeiros cinco dias após o parto. O local deve ser preparado em uma área pequena, próxima das instalações e às vistas do tratador. Os pastos devem estar livres de plantas tóxicas, rebaixados, com área suficiente para o rebanho, sombra adequada de boa qualidade, e com cochos para sal mineral e água fresca. No período da gestação, evitar longas caminhadas, transportes rodoviários e agitação desnecessária. As matrizes devem ser introduzidas no piquete maternidade por volta dos 135 dias de gestação para aguardar o momento do parto.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 16A. Piquete maternidade para cabras e ovelhas de corte.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 16B. Piquete maternidade para cabras e ovelhas de corte.

Cuidados no parto

Por volta dos 145 a 148 dias, a gestação de cabras e ovelhas é naturalmente interrompida por ocasião do parto normal, e algumas considerações são de fundamental importância para sua boa condução e prosseguir com a lactação, boa habilidade materna e alta sobrevivência de crias ao nascimento.
No pós-parto, o produtor ou funcionário deve avaliar na matriz a expulsão completa da placenta e a condição de saúde do animal. A cria também deve apresentar boa atividade motora e interesse em buscar o teto, além de evidenciar um bom reflexo de mamada com ingestão de colostro normal.
Autor: Fernando Henrique R. M. Albuquerque
Figura 17. Comportamento das ovelhas e crias no pré e pós-parto.

Cuidados durante a lactação

A lactação é outra importante fase do ciclo produtivo de cabras e ovelhas, especialmente nas primeiras semanas de vida de cabritos e cordeiros. Geralmente, no início da lactação observa-se perda de peso nas fêmeas decorrente da elevada demanda por nutrientes, a qual está diretamente relacionada ao nível de produção de leite. A fêmea deve parir com escore de 3 a 3,5. Nessas condições, ela dispõe de reservas corporais (gordura) para mobilização, desde a produção do colostro, que ocorreu nos últimos 30 dias da gestação, até as primeiras semanas de vida dos cordeiros para produção abundante de leite.
As fêmeas que parem mais de uma cria produzem mais leite que aquelas que parem uma única cria. Todavia, esse aumento não é proporcional ao número de crias paridas, ou seja, em partos múltiplos é necessário o fornecimento de suplementação alimentar. Nesse caso, o colostro pode ser ordenhado, passado em coador de plástico com peneira fina, acondicionado em garrafas de plástico de 500 gramas, seguido do aquecido em banho-maria a 56 °C por uma hora, resfriamento em água de torneira e armazenado em freezer a uma temperatura de 10 a 20 ºC. Contudo, antes da oferta deve ser descongelado e aquecido em água morna (temperatura até 50 ºC) para não destruir as propriedades que conferem proteção aos recém-nascidos. Ao nascimento, as crias devem receber aproximadamente 10% do peso vivo em colostro, durante três vezes ao dia, pelo menos no primeiro dia de vida.
Nos primeiros dias do parto e inicio da lactação, a matriz e a cria desenvolvem forte vinculo materno e afetivo, sendo prudente mantê-los juntos e evitar qualquer perturbação ou manejo estressante que pode resultar na rejeição dos recém-nascidos. Esse comportamento, quando estabelecido, determina cuidados especiais, como maior facilidade na produção e liberação de leite, proteção física contra predadores e desafios ambientais, além de estimular a procura de alimentos, o que garante uma maior taxa de sobrevivência ao desmame.
No pós-parto e durante a lactação, as matrizes são mais sensíveis ao estabelecimento, desenvolvimento e disseminação de parasitos causadores da verminose. Portanto, o produtor deve realizar a vermifugação tática do lote de cabras ou ovelhas paridas entre a 4 e 3 semanas pós-parto, além de elaborar um programa de controle integrado da verminose com ações efetivas nesta etapa da produção.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18A. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: peneiramento do colostro.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18B. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: envaze em garrafas de plástico com tampa rosa.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18C. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado:banho maria para aquecimento do colostro em 56 ºC por uma hora.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18D. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: resfriamento em tanque com água de torneira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18E. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: resfriamento do colostro em em freezer a temperatura de -10 ºC a -20 ºC.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18F. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: limpeza com água, sabão líquido e água sanitária.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18G. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: garrafas limpas e secas apra reutilização.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18H. Colostro descongelado em água morna e colocado em mamadeira comum.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18I. Fornecimento de colostro aos cabritos e cordeiros recém-nascidos.

Cabritos e cordeiros: manejo sanitário do nascimento ao desmame

Entre as características de principal impacto na criação de caprinos e ovinos de corte, tanto produtivo quanto econômico, destaca-se a sobrevivência das crias, do nascimento à desmama.  Portanto, as práticas de manejo sanitário com cabras e ovelhas durante a gestação e com as crias após o parto são as principais responsáveis pelo aumento da sobrevivência de cabritos e cordeiros até o desmame.
Na criação extensiva de caprinos e ovinos de corte, as principais causas observadas na mortalidade das crias, desde o primeiro dia até o sexto mês de vida, são: infecções respiratórias, diarreia, infecção de umbigo e da articulação, e diminuição da temperatura corporal. Nesse tipo de criação, ocorre um aumento na taxa de mortalidade entre as crias que não mamaram o colostro, são recém-nascidos que vêm a óbito dentro de poucos dias após o nascimento. Por outro lado, quando a cria tem acesso ao colostro logo ao nascimento, há o aumento significativo nas taxas de sobrevivência e ganhos de peso a desmama.
Os cuidados sanitários e nutricionais com as matrizes no terço final da gestação poderão promover um maior peso das crias ao nascer e uma melhor qualidade do colostro, refletindo em maiores possibilidades de sobrevivência de cabritos e cordeiros, principalmente quando associado à cura do umbigo.
Logo após o parto, as cabras e as ovelhas têm o instinto de lamber a cria, o que limpa, aquece e ativa a circulação sanguínea e favorece a busca pela teta o mais cedo possível. Ao pegar a teta, a cria inicia a ingestão do colostro que, além da função nutritiva, é a primeira fonte de anticorpos (defesa) para os cabritos e cordeiros. A ingestão do colostro proporciona proteção passiva por transferência de anticorpos e vitaminas da mãe à sua cria nas primeiras semanas de vida, é a primeira defesa das crias contra as doenças. A absorção dos anticorpos ocorre no intestino delgado nas primeiras 36 horas após o nascimento. Um dos pontos fundamentais é ajudar o cordeiro a alcançar o úbere da mãe para a ingestão do colostro, garantindo uma máxima ingestão nas primeiras seis horas após o parto. Atenção maior deve ser dada em partos múltiplos, para assegurar que todas as crias tenham acesso ao colostro. Os recém-nascidos devem permanecer com as mães durante as primeiras 72 horas após o nascimento em área limpa, seca, arejada e que apresente sombra e água fresca.
Associado aos cuidados nutricionais e sanitários, produtores e técnicos devem realizar as anotações zootécnicas do animal desde o nascimento. Logo após o parto, deve-se aguardar a cabra ou ovelha lamber e limpar a cria, o que permite o vinculo mãe e cria e evita a rejeição. Os procedimentos seguintes incluem: a pesagem e identificação numérica da cria (brinco, colar com placa ou tatuagem), seguido do corte e cura do umbigo. 
O primeiro passo é desinfetar a tesoura na chama do flambador, seguido do corte do umbigo a uma distância de 2 a 3 cm da pele da região ventral da cria. A desinfecção do coto umbilical é realizada por imersão em solução de iodo 10%, com o auxilio do frasco de boca estreita. Essa imersão deve ser feita durante os 3 primeiros dias após o parto.
Nas primeiras semanas de vida, dois aspectos são de fundamental importância para a sobrevivência e bom desempenho das crias: capacidade de produção de leite e a habilidade materna das matrizes, ou seja, os cuidados e proteção dispensados às crias pela mãe.
Nesse período, as crias seguirão o manejo específico do sistema de produção, seguindo as mães para o pasto, ou permanecendo separados das mães mamando duas vezes ao dia até a idade de desmama. Em cabras e ovelhas de corte, a produção de leite aumenta após o nascimento até a terceira semana, com queda acentuada a partir da sexta semana. Nesse período, logo quando as crias estão aumentando o consumo de forragem, a pastagem normalmente encontra-se altamente contaminada por larvas infectantes de vermes, em função do aumento na produção e liberação dos ovos de parasitos nas fezes das mães no pré e pós-parto. Esse fato desencadeia a alta infeção de cabritos e cordeiros com diminuição do ganho de peso e, na maioria das vezes, pico da mortalidade. Nessa situação, a utilização racional de concentrado (1% do peso/vivo) é uma alternativa para ofertar uma fonte de proteína que ajuda na manutenção de uma resposta imune, forte e protetora, diminuindo a severidade dos quadros de verminose na fase de cria. Portanto, é necessário que o produtor elabore um programa de controle integrado da verminose, contemplando soluções tecnológicas para cordeiros e cabritos criados a campo, iniciando aos 30 dias após sua liberação para a pastagem.
A coccidiose ou eimeriose é outra enfermidade muito comum em cabritos e cordeiros na fase de cria. A doença pode se manifestar de forma silenciosa, ocasionando animais com pelo grosso, abdômen dilatado, baixo escore corporal, com ou sem sinais de diarreia, porém com baixa conversão alimentar e, consequentemente, baixo desempenho produtivo. A prevenção contra coccídeos tem início logo na segunda semana após o nascimento, utilizando ração e sal mineral completo acrescido de monensina. Nos currais ou apriscos onde os cabritos e cordeiros são recolhidos durante a noite, a limpeza deve ser feita todos os dias (varrer e retirar as fezes, evitando o uso de água) e a desinfecção com uso de vassoura de fogo (lança-chamas) no mínimo a cada 7 dias.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19A. Kit corte e cura do umbigo para cordeiros e cabritos recém-nascidos.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19B. Caixa plástica com tampa, vidro de boca estreita e solução de iodo a 10%, tesoura, álcool 70% e um flambador simples.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19C. Corte do coto umbilical com tesoura desinfectada em flambador.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19D. Desinfecção do coto umbilical com solução de iodo a 10%.

Cuidados sanitários na fase de recria e terminação

A recria de cabritos e cordeiros de corte inicia-se com a desmama, momento em que as crias passam a depender apenas da ingestão de alimentos sólidos (forragem e ração). Nesse aspecto, para minimizar o estresse alimentar, ainda durante o aleitamento, pode-se iniciar uma suplementação concentrada para estimular o desenvolvimento do rúmen, aumentando a capacidade de ingestão de alimentos sólidos, reduzindo o estresse na desmama, e evitando também a ocorrência de doenças típicas do início da fase de recria.
A desmama também é o momento em que cordeiros e cabritos devem ser vacinados contra clostridioses, com dose de reforço aos 30 dias.
Na recria e terminação em regime de pastagem, a verminose é o principal desafio sanitário enfrentado pelos produtores de cabritos e cordeiros de corte. Os animais jovens apresentam baixa resistência, adquirindo alta carga parasitária e, na maioria das vezes, desenvolvendo a doença de forma severa, com baixo ganho de peso, retardo no crescimento, anemia intensa e, em alguns casos, alta mortalidade. Nesse tipo de situação, a falta de observação e cuidados com a verminose, geralmente predispõe à associação de outras doenças como a broncopneumonia. Portanto, é necessário que o produtor elabore um programa de controle integrado da verminose contemplando soluções tecnológicas para cordeiros e cabritos recriados ou terminados a campo, conforme explicado no tópico controle da verminose.
Os principais distúrbios metabólicos em cabritos e cordeiros em confinamento são o timpanismo e os cálculos renais. O timpanismo espumoso ou empanzinamento é muito frequente em regime de alimentação que utiliza alto consumo de concentrados (ração). Nesse caso, uma das formas de prevenção é adicionar bicarbonato de sódio (tamponante) nas rações.
Cálculo renal é a formação de urólitos (pedras) que obstruem o trato urinário (canal da urina) e, consequentemente, causam retenção da urina, podendo evoluir para ruptura da uretra ou da bexiga. Os cálculos renais ocorrem devido à relação inadequada de cálcio e fósforo (Ca:P) na dieta, além da baixa ingestão de água pelos animais. O produtor deve agir de forma preventiva, procurando manter o equilíbrio de cálcio e fósforo de modo que a ração apresente uma relação mínima de 2:1. O estímulo à ingestão de água pode ser realizado através do aumento da concentração de cloreto de sódio na dieta. A administração de cloreto de amônio ou outro acidificante urinário é prática satisfatória para evitar a formação de cálculos.

Vacinas

As vacinas são produtos biológicos que, ao serem introduzidas no corpo do animal, induzem uma reação do sistema imunológico (sistema de defesa), semelhante a que ocorreria no caso de uma infecção por um determinado agente (microrganismo), tornando esse animal imune (protegido) a esse agente e às doenças por ele desencadeadas.
Em cabritos e cordeiros, muitas doenças são prevenidas pela transferência de anticorpos pelo colostro, uma vez que não há passagem de anticorpos pela placenta. Nesse sentido, a vacinação das matrizes (cabras e ovelhas) protege as crias nas primeiras semanas de vida, pelo fornecimento de colostro rico em anticorpos, produzido a partir da vacinação, por exemplo, no terço final de gestação.
Formulação da vacina: existem inúmeros laboratórios que produzem vacinas para ovinos e caprinos no Brasil e no mundo. Diferentes tecnologias são empregadas, originando, condequentemente, produtos com características diferentes entre si, mas com a mesma finalidade de proteção.
Validade: atenção à data de validade que consta no rótulo; não aplique vacinas vencidas. Atenção ao rótulo do frasco da vacina, a partida, fabricação e data de validade.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20A. Rótulo da vacina com partida, data de fabricação e vencimento..
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20B. Rótulo da vacina com partida, data de fabricação e vencimento.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20C. Modo de usar, dose e esqeuma de vacinação.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20D. Modo de uso e esquema de vacinação.

Manejo da vacinação

Conservação da vacina: mantenha as vacinas bem armazenadas, siga sempre a orientação do fabricante.
Aplicação adequada da vacina: siga sempre os procedimentos descritos no rótulo das vacinas.
Dose de reforço: quase todas as vacinas para caprinos e ovinos, para expressarem seu efeito máximo, precisam de uma dose de reforço quando o animal a recebe pela primeira vez em sua vida, seguida de doses complementares semestrais ou anuais conforme orientação do fabricante.
Atenção: Para alcançar uma boa resposta do sistema de defesa, vacinar apenas animais em perfeita condição de saúde e nutrição.
Cuidados com a vacinação: vacinas são produtos bastante sensíveis, principalmente em relação à temperatura em que devem ser mantidas.
Tenha cuidado: no momento da compra, certifique-se de que as vacinas estão bem armazenadas e que o cuidado será mantido durante o transporte e na fazenda, até o momento de sua aplicação. Devem ser protegidas do sol e mantidas em ambiente resfriado, de 2 ºC a 8 ºC. Além disso, é importante verificar a validade das vacinas, descartando, de forma segura, para o meio ambiente (incinerar) as que estiverem vencidas. Tenha cuidado também para a vacina não congelar. Isso pode causar nódulos no local da aplicação, além de falta de eficácia.

Preparação dos Equipamentos

Ao utilizar seringas (3 a 5 ml) e agulhas hipodérmicas descartáveis (25 x 8 G), o proprietário facilita a aplicação na pele macia de caprinos e ovinos, sem trauma, e com o uso de uma agulha por animal e seu descarte imediato, evita a disseminação de doenças no rebanho.
Tipos de seringas e agulhas descastáveis.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 21. Tipos de seringas e agulhas descartáveis.
Preparação de caixa térmica, gelo reciclável, para transporte de vacinas ao campo.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 22. Armazenamento das vacinas em caixa térmica com gelo reciclado durante o transporte e utilização a campo.
Aplicação de vacina via subcutânea com agulha (25 x 8G) e seringa (3 ml) descartável.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 23. Aplicação de vacina via subcutânea com agulha (25x8G) e seringa (3ml) descartável.

Calendário de vacinação do rebanho

O programa de manejo sanitário para rebanhos caprinos e ovinos deve conter um calendário de vacinação que permita o controle eficiente de muitas enfermidades.
O calendário de vacinação do rebanho é específico da propriedade e deve atender ao estado fisiológico dos animais, a legislação vigente e a ocorrência de doenças na região.
As vacinas contra Raiva dos animais domésticos e Clostridioses são recomendadas nas regiões de ocorrência das doenças, além de ser obrigatória sua constatação no atestado sanitário animal (expedido por médico veterinário) para retirada da Guia de Transito Animal (GTA), segundo normativa da agência de defesa sanitária animal do Estado.  
Vacina antirrábica: a vacina deverá ser utilizada em áreas onde ocorre a doença e onde for confirmada a presença de morcegos hematófagos.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 30 dias antes do parto.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães vacinadas: vacinação aos quatro meses, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães não vacinadas: vacinação aos 30 dias de idade, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
Vacina polivalente para combater clostridioses: manter a vacinação frequente nas criações de caprinos e ovinos, assim como em situações de feira, leilões ou exposições de animais.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 30 dias antes do parto.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães vacinadas: vacinação aos quatro meses, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães não vacinadas: vacinação aos 30 dias de idade, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
Por outro lado, o produtor deve avaliar se as taxas de ocorrência do Tétano, Ectima Contagioso, Pododermatite Contagiosa e Linfadenite Caseosa justificam a relação custo-benefício de utilizar o esquema de vacinação contra estas doenças.
Vacina contra Tétano: a doença está associada às castrações, corte de cauda, recém-nascidos, e feridas em geral.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 30 dias antes do parto é importante para prevenção do tétano neonatal em cabritos cordeiros.
  • Cabritos e cordeiros de mães não vacinadas: vacinação aos 2 meses de idade, revacinação anual.
Vacina contra Ectima Contagioso: vacinação de caprinos e ovinos somente quando ocorrer surtos da doença na propriedade. A vacina é aplicada por escarificação (raspado produndo) da pele na face interna da coxa.
  • Vacinar imediatamente todos os animais com idade superior a seis semanas, seguindo as orientações do rótulo da vacina, mantendo cuidado na manipulação pelo risco de infecção humana.
Vacina contra Pododermatite contagiosa: a vacina deve ser utilizada em rebanhos com diagnóstico clínico e laboratorial para pododermatite contagiosa. A vacina protege o rebanho por 4 a 12 semanas. Em função dos diferentes sorotipos de Dichelobacter nodosus e Fusobacterium necrophorum, alguns animais vacinados poderão adoecer, porém a doença terá evolução curta, afetando poucos animais e as lesões serão menos severas.
  • Vacinar caprinos e ovinos antes da estação chuvosa (período de maior ocorrência da doença), com reforço 30 dias após a primeira aplicação.
Vacina contra Linfadenite caseosa: A vacina não garante proteção total contra a formação de abscessos, mas há redução do número de lesões. Para os caprinos a resposta é menos efetiva.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 3 semanas antes do parto;
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães não vacinadas: vacinação aos 2 meses de idade,  dose de reforço com 30 dias, e anualmente.







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18 de mai. de 2018

Formação e manejo de capineiras e de pastagens para Caprinos e Ovinos



A produção de pequenos ruminantes na região Nordeste é caracterizada pelos baixos índices de produtividade dos rebanhos, decorrentes de deficiências alimentares, principalmente em função do prolongado período de seca. Essa limitação da produção de forragem na época seca do ano é agravada em virtude de a base alimentar dos rebanhos ser a Caatinga, causando problemas na produção de carne e leite. Justifica-se tal situação devido ao desconhecimento de tecnologias que possibilitem contornar tais limitações.
Durante o período seco, o pasto existente é de baixa qualidade nutritiva, levando os animais a necessitarem de longas caminhadas para suprir suas necessidades nutricionais diárias, implicando em consideráveis perdas de energia.
A adoção de tecnologias básicas, como o cultivo de espécies forrageiras adaptadas às condições climáticas do semiárido é uma das práticas que poderão ser aplicadas nos sistemas de produção no semiárido brasileiro para diminuir as perdas de peso ou de produção de leite na época seca.

Cultivo de forrageiras adaptadas ao semiárido

Várias são as espécies existentes de plantas forrageiras adaptadas ao semiárido para a formação de áreas para corte ou pastejo dos animais.
Em termos de produção animal, existem gramíneas que podem ser utilizadas para corte (capineira) ou pastejo. Por capineira entende-se uma área cultivada com uma gramínea de alta produção, utilizada sob cortes, podendo a gramínea ser fornecida verde picada no cocho imediatamente, ou então ser fenada ou ensilada para utilização posterior, em épocas críticas, destacando-se o capim-elefante, capim-paraíso e a cana-de-açúcar.
As gramíneas indicadas ao pastejo são aquelas plantas capazes de persistir na comunidade vegetal sob condições de pastejo. No Semiárido, algumas espécies forrageiras para o pastejo se destacam por possuírem características morfológicas ou fisiológicas peculiares que permitem sua sobrevivência, mesmo em condições de estresse.
Entre as espécies, destaca-se o capim-búffel, que, devido à profundidade do sistema radicular, possui habilidade de crescimento em locais com curto período de chuvas, além de possuir bom valor nutritivo e boa aceitabilidade pelos animais; o capim-gramão é outra espécie forrageira que apresenta excelente valor nutricional, sendo boa opção para a formação de pastagens cultivadas e enriquecimento de pastagens nativas, bem como para a produção de feno. Já o capim-andropogon é tolerante à seca e a solos de baixa fertilidade natural (BATISTA; GODOY, 1995). Entretanto, a entrada dos animais deve ser muitas vezes antecipada devido ao rápido crescimento do capim, acarretando em perda do valor nutricional; o capim-massai tem sido boa opção para o Semiárido, especialmente para o enriquecimento de pastagens nativas e diferimento na época seca (CAVALCANTE et al., 2014), devido à elevada quantidade de folhas produzidas em relação aos colmos, maior retardo na elevação do meristema apical, rebrotação predominantemente de gemas basais após o pastejo, maior proporção de perfilhos vegetativos em relação aos reprodutivos e boa aceitabilidade e valor nutricional.
No Nordeste, em algumas áreas mais sujeitas a encharcamentos ou alagamentos periódicos, tem sido utilizado com bastante sucesso o capim-canarana (CHAVES, 2012). Embora esta gramínea, sob condições normais, tenha um rendimento (produtividade) menor que o capim-elefante, nesses tipos de solo, ela produzirá mais que este último, já que o capim-elefante não é tolerante a solos sujeitos ao alagamento.
No Semiárido, há ainda a possibilidade de se utilizar áreas exclusivas de plantas leguminosas nativas ou não (plantas exóticas) adaptadas como bancos de proteína. Tais plantas têm a capacidade de permanecer verdes por algum tempo após o “fim das águas”. Com isso, os animais têm acesso à forragem verde e de alto valor nutritivo, diminuindo os prejuízos causados pela seca. Na região Nordeste, as leguminosas exóticas mais utilizadas são leucena, cunhã, gliricídia e feijão guandu por serem adaptadas e apresentarem crescimento rápido, possuindo elevado teor de proteína.

Formação e manejo de plantas forrageiras

Para formar uma pastagem e/ou capineira, primeiramente deve-se conhecer as características da planta que vai ser cultivada, com o intuito de garantir o sucesso de formação e de manutenção, promovendo produtividade e perenidade da pastagem, refletindo na obtenção de altos índices de produtividade animal.
Portanto, entre as características que uma planta deve ter para ser considerada de bom recurso forrageiro, destacam-se:
  • Bom valor nutritivo.
  • Elevado potencial de produção de matéria seca.
  • Bom vigor de rebrotação, com rápida recuperação após o corte ou pastejo.
  • Facilidade de propagação.
  • Resistência a pragas e doenças.
  • Rusticidade, ou seja, a capacidade de crescer bem, mesmo sob condições desfavoráveis.
  • Baixa estacionalidade de produção (ou possuir grande potencial para uso de conservação).
  • “Agressividade”, ou seja, alta capacidade de competir com as plantas daninhas que poderão surgir na área.
  • Tolerância ao pisoteio (no caso de plantas sob pastejo).
  • Acessibilidade (no caso de plantas sob pastejo).
  • Alta aceitabilidade.
Para a formação de uma área para cultivo de plantas forrageiras para pastejo, o produtor pode optar pela recuperação ou reforma de uma área já existente, ou implantação de áreas não desbravadas. Para tanto, algumas recomendações são necessárias para a obtenção do sucesso no plantio e uso de pastagens.
1. Visita da área: esta etapa tem como objetivo reconhecer totalmente a área e a sua aptidão agrícola. Deve-se escolher a área preservando matas ciliares que, por se tratar de área de preservação permanente de acordo com o Código Florestal Brasileiro, possui diversas funções ambientais, devendo ser respeitada a extensão específica de acordo com a largura do rio, lago, represa ou nascente.
2. Escolha da área: na segunda etapa, deve-se escolher as porções da área que têm aptidão agrícola à implantação de forrageiras para o pastejo. Deve-se observar quanto à fertilidade natural do solo, inclinação do terreno, dando preferência a áreas de relevo plano, e se está susceptível a alagamento, pois esses são itens que ajudarão na escolha da forrageira. Caso seja possível a confecção de silos, eles devem ser localizados próximo às instalações dos animais. Na escolha da área, deve-se fazer a coleta de solo para posterior análise, levando, se possível, um profissional qualificado para a orientação.
Seguem abaixo algumas recomendações para coleta de solo
  • Utilizar ferramentas limpas (trado).
  • Caminhar em zig-zag na área de coleta.
  • Misturar as 20 amostras simples em recipiente para formar amostra composta.
  • Armazenar parte da amostra composta em caixas ou sacos limpos e identificar o local, cidade, área, data de coleta, cultura a ser implantada, profundidade e fechar.
  • Encaminhar ao laboratório credenciado as amostras coletadas.
  • De posse dos resultados, realizar a interpretação e recomendação de corretivos e adubos, se necessário, com auxílio de profissional qualificado.
3. Escolha da forrageira a ser cultivada: a escolha da espécie forrageira a ser implantada está diretamente relacionada à seleção da área. Devem ser considerados os atributos de cada espécie, além de critérios relacionados à compatibilidade de suas diferentes variedades com a topografia e com as condições edafoclimáticas, bem como no nível tecnológico a ser empregado no manejo do pasto. Sempre que possível, é melhor escolher forrageiras com propagação por sementes, pois as desvantagens do emprego de mudas são a dificuldade de colheita, transporte e armazenamento, além do custo mais elevado do seu plantio (CASTRO et al., 2010).
4. Preparo da área: nesta etapa, objetiva-se melhorar a germinação das sementes e/ou de mudas, facilitando o desenvolvimento das raízes no solo, bem como eliminar as ervas daninhas. Em áreas para pastejo, devem-se manter algumas árvores, especialmente aquelas com potencial forrageiro que poderão eventualmente servir de alimento e serem utilizadas pelos animais para sombra. A retirada de algumas plantas deve ser feita para facilitar a mecanização agrícola, caso seja necessário. O preparo do solo deve ser realizado considerando técnicas conservacionistas, utilizando curvas de nível e plantio perpendicular à declividade do terreno e, se possível, a reposição de nutrientes da área com esterco e outros adubos orgânicos.
5. Plantio: deve ser realizado no início da estação chuvosa para que as sementes ou mudas possam ter um ambiente propício para a germinação, evitando solos excessivamente úmidos ou secos. No caso de ser instalado sistema de irrigação, recomenda-se a instalação após o preparo do solo. O método de irrigação por aspersão convencional ou mesmo pivô central em grandes áreas são os mais indicados em pastagens. Nesse caso, o plantio pode ser realizado em qualquer época do ano.
Atenção: caso haja dúvidas para a implantação da área, consultar um técnico da extensão rural.
Outros cuidados
  • Dependendo da espécie escolhida, o plantio pode ser feito através de sementes ou mudas. Os métodos de plantios por sementes incluem: covas, linha corrida ou a lanço, obedecendo à profundidade do plantio e o espaçamento entre sementes. Entre os métodos de plantio por mudas, destacam-se: sulcos, estaquia e cepas. A escolha do método de plantio por mudas vai depender da espécie a ser cultivada, devendo-se ter o cuidado durante o manejo do cultivo em relação à profundidade das covas ou dos sulcos; espaçamento entre sulcos ou covas; estado de conservação das mudas. Para o plantio do capim-elefante, por exemplo, são utilizadas estacas inteiras ou pedaços de estacas com três ou quatro nós em plantas cortadas com 90 a 100 dias de idade. As covas deverão ser abertas com distanciamento de 0,8 a 1,0 metros e as estacas deverão ser colocadas em duplas e em sentidos contrários.
  • Durante o plantio, deve ser realizada adubação com esterco curtido e com outros fertilizantes disponíveis na propriedade (compostos orgânicos, bagana de carnaúba, etc.), conforme a análise prévia do solo, quando o solo estiver úmido, devendo-se ter o cuidado de não colocar o adubo muito próximo à semente ou muda, pois alguns fertilizantes podem levar a semente ou muda à morte por desidratação.
  • Após o plantio, deve-se fazer o controle de eventuais pragas ou doenças, principalmente de ervas daninhas para evitar competição com a planta cultivada. A cultura deve crescer livremente cerca de 60-70 dias (dependendo do tipo de forrageira e do manejo) e após esse período, deve-se proceder a um corte ou pastejo leve para favorecer a formação de uma touceira mais densa e robusta. Outra forma de manejo pós-pastejo ou pós-corte seria preservar a primeira floração, proporcionando a produção de sementes, favorecendo o ressemeio natural.

Manejo de pastagens

O manejo de pastagens é realizado com os objetivos de maximizar o lucro do produtor, evitar riscos e estresses desnecessários aos animais e manter o equilíbrio do ecossistema. Dessa forma, os componentes práticos observados no manejo das pastagens são relativos às técnicas que levam a rápida rebrotação após o pastejo, manutenção da produção e vigor das plantas forrageiras.
Portanto, o sistema de pastejo, seja ele sob lotação contínua ou rotacionada, a frequência e a intensidade de pastejo, o ajuste do número de animais pela oferta de forragem disponível, a adubação de manutenção parcelada, especialmente com adubos nitrogenados e potássicos e o manejo da irrigação são de fundamental importância para garantir produtividade e perenidade do pasto (RODRIGUES; RODRIGUES, 1987).

Manejo da capineira

Para se tirar o máximo proveito da capineira, ela deve ser manejada visando à obtenção de altos rendimentos de forragem e de valor nutritivo e a uma melhor distribuição da produção forrageira durante o ano (GOMIDE, 1997). Sob esse aspecto, como na região Nordeste, o grande obstáculo para a produção animal reside na escassez de forragem na época da seca, o capim cortado na época chuvosa deve ser conservado sob a forma de feno ou silagem para utilização na seca.
No caso do manejo da capineira de capim-elefante é fundamental observar corretamente o intervalo de cortes. O corte deve ser feito rente ao solo quando a planta atingir 60 a 70 dias de idade ou quando atingir 1,70 a 1,80 m de altura (OBEID et al., 1984), sendo seguido de adubação, seja ela orgânica utilizando esterco, sja utilizando fertilizantes industriais.









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12 de mai. de 2018

O Feno na Alimentação de Caprinos e Ovinos


Introdução

Inúmeras alternativas são encontradas para o fornecimento de volumosos de qualidade para alimentação dos rebanhos no Nordeste brasileiro. Entretanto, pelas facilidades nos processos de produção e armazenamento, bem como pela sua qualidade nutricional, a administração de feno é uma das alternativas mais viáveis para os sistemas de produção nordestinos. O feno é obtido mediante a exposição ao sol e ao ar da planta cortada, que sofre dessecação lenta e parcial, de modo que a sua taxa de umidade, originalmente de 60% a 85%, seja reduzida para teores entre 10 e 20%, com perda mínima de nutrientes, maciez, cor e sabor.
A fenação é um processo simples e econômico, sendo recomendável por oferecer algumas vantagens. Sua execução não apresenta dificuldades que impeçam o pequeno criador de realizá-la com o emprego de recursos manuais, ao passo que o grande criador pode fazer em larga escala com o auxílio da mecanização. O armazenamento do feno pode ser realizado em galpões, ou cobertas próximas aos apriscos. Sua distribuição é simples, o que facilita muito a logística do manejo alimentar do rebanho.

Espécies indicadas à fenação

As características desejáveis numa planta forrageira destinada à fenação são alta relação folha: colmo, o que facilita a perda de água, adaptação e tolerância ao corte, rendimento forrageiro e a qualidade de forragem.
Quanto às plantas a serem fenadas, devem-se considerar as leguminosas e as gramineas. Entre as leguminosas, destacam-se, nas condições de semiárido, a leucena como espécie exótica e a catingueira e o sabiá como opção de espécie nativa. O feno dessas espécies, quando bem feito, apresenta elevado teor de proteína e é bem aceito pelos animais. Entre as gramíneas, destacam-se o capim-buffel e espécies do gênero Cynodon (Tifton, grama bermuda e capim gramão). Além desses exemplos, pode ser citado ainda o capim massai, que apresenta grande potencial para fenação, por possuir elevada relação folha: colmo, boa aceitação pelos animais e produção de massa verde, mesmo em condições de restrição hídrica.

Etapas da fenação

  • Corte: a primeira etapa na produção de feno é o corte que pode ocorrer de forma mecânica ou manual. O período da manhã é o mais indicado para se realizar o corte por possibilitar maior desidratação da planta no fim do dia. Quando se trabalha com forrageiras com colmos mais grossos, recomenda-se a utilização de uma secadora condicionadora para facilitar a perda de água pela planta. Para a fenação de espécies de colmo mais grosso, como é o caso do capim elefante, recomenda-se a picagem da biomassa em particular de 3 a 5 cm e sua secagem em solário ou sobre lona. Na ocasião do corte, as plantas apresentam teor de umidade de 80% – 85% que necessita ser reduzido a níveis de 12%–15% para proporcionar uma preservação estável da forragem fenada.
  • Secagem: a desidratação a campo, nas etapas iniciais, pode ser acelerada de três a quatro vezes, se a planta for submetida a um processo capaz de revirá-la e afofá-la, permitindo a entrada de ar e raios solares. Essa prática produz, em média, um aumento de 30% na taxa de desidratação, o que pode reduzir o tempo de secagem a campo de duas a oito horas. Se permanecer no campo por mais de um dia, o material deve ser enleirado para evitar o efeito do orvalho e das chuvas eventuais. A ação de espalhar e enleirar o material cortado pode aumentar a queda de folhas
  • Enfardamento e armazenamento: a última etapa de processo de fenação consiste no armazenamento do feno quando atingir a umidade de equilíbrio ou “ponto de feno”, isto é, quando a perda de água é igual ao ganho obtido pelo ar. O teor de umidade do feno no momento do armazenamento é o mais crítico fator determinante do êxito ou fracasso da fenação. A umidade final do feno deve-se situar entre 12%–15%. O armazenamento de fenos com teores de umidade acima de 20% resulta na elevação das perdas de matéria seca decorrentes da contínua respiração celular e do desenvolvimento de microrganismos.
Na prática, a determinação do ponto de feno pode ser feita diretamente no campo, torcendo o feixe de capim. Se surgir umidade e, ao soltar, o material voltar à posição inicial rapidamente, ainda não está no ponto; se não surgir umidade e, ao soltar, o material voltar lentamente à posição inicial, sem rompimento de hastes, está no ponto. Outro método para verificação do ponto de fenação é usar a unha para verificar a umidade dentro do colmo e dos nós de gramíneas e nos caules finos de leguminosas. O ponto ideal de fenação é quando não houver nenhuma umidade.
Outro aspecto no processo de fenação diz respeito à escolha da área destinada à produção de feno, que deve ser plana, sobre solo de boa fertilidade e bem drenado e que possibilite a utilização de maquinário (quando for conveniente). Considerando que a colheita da forrageira representa grande retirada de nutrientes do solo, principalmente N e K, faz-se necessária adubação periódica (após cada corte) para que seja mantida a fertilidade do campo de fenação.

Qualidade do feno

A qualidade do feno é afetada por diferentes fatores, tais como: estágio de maturação da planta, espécie forrageira, composição química, forma física, impureza, deterioração durante o corte, condições de armazenamento e presença de componentes antinutricionais. A maturidade é o fator mais importante na determinação da qualidade do feno. Com o avanço da maturidade, ocorre aumento na quantidade de material fibroso que tem qualidade reduzida, resultando em diminuição da digestibilidade e do consumo.
O estágio fenológico no momento do corte tem grande influência no rendimento por unidade de área, valor nutritivo, palatabilidade, digestibilidade, proporção de folhas, coloração e teores de proteína, fibra do feno produzido. Deve-se buscar sempre um ponto ótimo entre a qualidade e a quantidade produzida. Plantas novas são mais nutritivas, entretanto quando cortadas nesse estágio, a produção total é menor. Plantas mais velhas têm menor qualidade nutricional, baixo teor proteico e elevada fibra, mas têm uma produção maior. A presença de mofo e bolores diminui a palatabilidade e o valor nutritivo do feno, além de ser perigosa para a saúde do rebanho.





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7 de mai. de 2018

Volumosos na Alimentação de Caprinos e Ovinos

Introdução

Silagem é o alimento produzido através da fermentação ácida de uma cultura, com alto teor de umidade (acima de 50%). A silagem é uma importante fonte de forragem para os ruminantes em todo o Brasil.
Quando o processo de ensilagem é executado de forma correta, a silagem produzida irá fornecer um alimento com alta concentração de energia, nutrientes e boa aceitabilidade pelos animais.
Silagem de boa qualidade é obtida por meio da colheita do material no estágio adequado, minimizando os microrganismos indesejáveis e maximizando o rápido abaixamento do pH.
Três fatores importantes são necessários para que a silagem fique bem-feita:
  1. o tipo de material que será ensilado;
  2. a umidade do material; e
  3. a retirada do oxigênio dentro do silo (compactação).
Neste contexto, a silagem pode ser uma alternativa interessante para suplementação animal no período de escassez de forragem nas pastagens.

Forrageiras para ensilagem

As melhores plantas forrageiras para ensilagem são aquelas com elevado teor de açúcares solúveis. Esse é o caso do milho e do sorgo. Os capins, geralmente, têm baixo teor de açúcares e, portanto, não são os mais indicados para ensilagem, com exceção do capim-elefante (Napier, Cameroon, Taiwan, Mineiro e outros), que, por ter adequado teor de carboidratos solúveis, pode produzir silagem de boa qualidade. Entretanto, espécies do gênero Brachiaria e Panicum são ensiladas sem grandes problemas, mas suas silagens não têm a mesma qualidade da silagem de milho. As leguminosas, por terem um alto poder tampão, são menos indicadas para serem ensiladas sozinhas, mas podem ser utilizadas como aditivos em silagens de milho, sorgo ou capim-elefante para melhorar seu valor proteico, podendo ser adicionadas em até 20%, sem comprometer o processo de fermentação e a qualidade ou pode-se adicionar 20% de cana picada em silagem de capim-elefante maduro, com menos umidade, para melhorar as condições de fermentação.
Milho
Usam-se as mesmas variedades produtoras de grãos e adaptadas à região.
Corta-se a planta toda quando os grãos estiverem no ponto farináceo, linha do leite a ½ do grão (Figura 1).


Figura 1 . Linha do leite do grão de milho.
Produção: cerca de 20-30 tonelada de massa verde por hectare.
Sorgo
Existem variedades mais indicadas (variedades de duplo propósito para produção de forragem e grão).
Corta-se a planta toda quando os grãos estiverem no ponto farináceo. Essa espécie pertence à ensilagem da rebrota, que pode chegar a 50% da produção do plantio inicial.

Produção: cerca de 20-40 t/ha, mais a rebrota que tem sua produção variável
Capim-elefante
Corte aos 60-70 dias de idade, quando o capim estiver com 1,8 m de altura. É preciso pré-murchar o capim, antes de colocá-lo no silo, pois contém água em excesso A pré-murcha é realizada cortando o capim e deixando-o na capineira por um período de tempo que pode variar de horas (6h) até dias (1,5 dias), dependendo das condições climáticas no momento do corte e da umidade original do material a ser ensilado. Pode-se utilizar algum tipo de aditivo absorvente de umidade em opção ao pré-emurchecimento.
Produção: 20 a 30 t/ha/corte, e 3 a 4 cortes/ano.

Tipo de silos

Existem vários tipos de silos, e todos têm vantagens e desvantagens, não existindo, assim, um tipo de silo perfeito ou ideal. A escolha do tipo de silo a ser utilizada deve-se levar em conta uma série de questões, tais como: custo, praticidade, perdas do material ensilado, entre outros.
O quadro abaixo tenta fazer um comparativo superficial dos tipos de silo mais utilizados para auxiliar na tomada de decisão.


Tabela 1. Tipos de silos mais utilizados para auxiliar na tomada de decisão
Tipo de Silo
Vantagem
Desvantagem
Trincheira
Praticidade de enchimento; melhor compactação
Custo elevado, alta perda
Superfície
Menor custo, facilidade de enchimento
Perda elevada, difícil compactação
Cincho
Praticidade e custo
Compactação mais difícil, tamanho bastante reduzido
Aéreo
Baixa perda, boa compactação
Difícil enchimento e esvaziamento
Processo de Ensilagem

O sucesso para a produção de uma boa silagem está diretamente relacionado às etapas que se seguem. O processo de ensilagem consiste das etapas de colheita, picagem, enchimento do silo, compactação da massa verde e vedação do silo.
  • Colheita: O ponto ideal de corte para a silagem de milho e/ou sorgo é quando a planta acumula a maior quantidade de matéria seca e qualidade nutricional. Em geral, esse ponto se dá quando os grãos atingem o estágio de farináceo-duro, ou 50% da linha do leite (Figura 1). A altura de corte da planta deve ser feita entre 5 e 10 cm de altura do chão. A matéria seca da planta deve estar em torno de 30% a 35%.
  • Picagem: O tamanho ideal de partícula é de 2 a 3 cm. Partículas acima desse tamanho atrapalham o processo de compactação e permitem ao animal uma maior seleção, aumentando as perdas no cocho. Partículas abaixo desse tamanho provocam uma perda acentuada de nutrientes via efluente e favorecem uma compactação acentuada da massa.
  • Enchimento: o período de enchimento do silo requer um planejamento logístico para a utilização de máquinas e de mão de obra bem elaborados para que o processo ocorra de forma eficiente. O enchimento do silo deve ocorrer o mais rápido possível para que o processo fermentativo ocorra de forma homogênea em todo o material. Recomenda-se, no máximo, 3 (três) dias para o completo enchimento e vedação do silo.
  • Compactação: esta é a etapa mais importante do processo de confecção de silagem. É na etapa de compactação que ocorre a máxima expulsão de oxigênio de dentro do silo. Essa expulsão pode ser realizada de várias formas: pisoteio animal ou humano; tratos; com rolos ou tambores compactadores; entre outros. A máxima eliminação do oxigênio de dentro da massa ensilada irá propiciar condição para que o processo de fermentação ocorra de forma adequada e a qualidade do material seja mantida. Deve-se atentar para a super compactação que aumenta as perdas por efluente. A densidade de compactação ideal varia de 400 kg/m3 a 600 kg/m3, dependendo o tipo de silo utilizado.
  • Vedação: Consiste na selagem do silo com lona plástica de dupla face (com a face branca para cima), material vegetal morto e terra. A vedação deve ser muito bem feita, a fim de minimizar ou não permitir a troca de oxigênio entre o ambiente e a massa ensilada. A cobertura de lona plástica com material vegetal seco e terra é muito importante para aumentar a durabilidade da lona e diminuir o aquecimento da superfície do silo, que pode acarretar perdas no valor nutricional.
  • Abertura e utilização: a abertura do silo deve ocorrer, no mínimo, 30 dias após a vedação. Para que a silagem chegue com boa qualidade ao cocho dos animais, é fundamental estar atento a alguns cuidados importantes após a abertura do silo. Depois de aberto, a massa ensilada volta a ter contato com o oxigênio, o que que permite que microrganismos aeróbicos voltem a se desenvolver dentro do silo, levando a perdas. Assim, um bom manejo do silo, após aberto, é fundamental para se garantir o fornecimento de uma silagem de qualidade para o rebanho. É aceitável uma perda entre 10% e 15% da massa ensilada. Essa perda é em decorrência dos processos de fermentação e pelo reaparecimento de microrganismos indesejáveis com a exposição da massa ensilada ao ar.
Após a abertura do silo, diariamente se deve eliminar as partes que apresentem coloração escura ou mofo. Silagem com essas características pode intoxicar os animais, podendo, em último caso, causar a morte. A camada de silagem a ser retirada diariamente do silo não deve ser inferior a 20 cm. A retirada deve ser feita de modo que o perfil do silo seja mantido liso, sem degraus. A retirada deve ser feita sempre de cima para baixo e nunca de baixo para cima do perfil, e deve ser feito em toda a superfície do perfil, não apenas em uma parte.
O manejo correto do silo após aberto passa pelo planejamento da sua adequada dimensão. Na grande maioria das vezes, deve-se preferir a construção de um número maior de silos de menor capacidade a um menor número de silos com grande capacidade; uma exceção é quando se constroem silos em confinamentos em que a quantidade de forragem retirada do silo é grande. Nesses casos, é preferível a construção de silos maiores. Outro cuidado simples, mas bastante importante é proteger o painel com lona, pois a chuva, o vento e a radiação solar aceleram o processo de perda de qualidade da silagem.







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