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Glossário de termos técnicos de cinofilia.Caes  

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entre os inumeros termos usados cinofilia, vou citar os mais comuns

Dentro das diversas descrições de padrão das raças por vezes se encontram termos como “ergots” ou coloração “arlequim” que, para aquelas pessoas que não são familiarizadas se tornam de difícil compreensão. Para sanar esta dificuldade oferecemos aqui um glossário especializado , esperamos que o mesmo seja de utilidade para todos os interessados em cinofilia. Vale também dizer que alguns termos são sinônimos mas são usados separadamente dependendo da raça, e que alguns têm diferentes significados para raças diferentes.

  • Abobadado: Diz-se de uma região do corpo do animal que apresenta perfil convexo.
  • Acaju: coloração vermelho intensa
  • Agressivo: tendência para atacar sem ser provocado (não entra em nenhum padrão)
  • Alano: Cão de grande porte utilizado na idade média para caça de animais de grande porte (javali, urso, lobo).São reconhecidos três tipos de alanos (séc. XVII) o alano gentil ( próximo ao lebrel), o de açougue (guarda e boiadeiro) e o alano Vautre (próximo ao mastim).
  • Almofadas plantares: almofadas amortecedoras do pé, revestidos de epiderme córnea, grossa, irregular e muito pigmentada.
  • Andadura: Modo de locomoção do cão (passo, trote, galope).
  • Andadura fluente: vivacidade dos movimentos.
  • Andadura fácil: realizada sem dificuldade aparente.
  • Andadura regular: Velocidade constante e passos iguais.
  • Andadura aprumo: quando os membros anteriores e posteriores de um mesmo lado se levantam e pousam ao mesmo tempo.
  • Arame: pêlo muito duro e áspero.
  • Areia: coloração amarela muito clara, resultado da diluição do fulvo.
  • Arlequim: pelagem matizada com manchas irregulares ou salpicadas sobre um fundo cinza ou azul, ou branco com manchas pretas ( branco matizado com preto ex.: Dogue Alemão arlequim., cinza com manchas irregulares ex.: teckel.) Esse termo é mais usado para raças continentais.
  • Arqueado: que apresenta forma convexa
  • Arrebitado: nariz ou focinho curto e levantado.
  • Áspero: pelo duro, resistente as intempéries.
  • Assentado: Pelo que se mantém junto a pele, deitado horizontalmente.
  • Azul: coloração resultante da diluição do preto.
  • Bamboleado: movimento transversal do corpo do cão a cada passo.
  • Barbela: dobra de pele na parte inferior do pescoço, ao nível da garganta, podendo se estender até o antepeito.
  • Basset: tipo de cão que possui o corpo semelhante ao de outro maior do qual deriva, suportado por membros encurtados.
  • Belton: pelagem branca salpicada de manchas finas ou de mosqueados.
  • Bichon: palavra francesa derivada de barbichon, um pequeno cão de companhia de pelo longo ou curto, frisado ou liso.
  • Bicolor: pelagem de duas cores distintas.
  • Blenheim: pelagem caracterizada pela ausência de pigmento no pelo.
  • Boiadeiro: cão utilizado para conduzir gado.
  • Brachet: Designação medieval para cão sabujo de tamanho médio e pelo raso.
  • Braco: cão de aponte de pelo duro.
  • Bragadas: pelo abundante nas coxas, descendo abaixo das culotes.
  • Braquicéfalo: cão de cabeça curta, larga e redonda. ( ex.: Bulldog)
  • Braquiúro: cão cuja cauda é naturalmente curta. ( ex.: Pembroke)
  • Brevilíneo: cão de proporções atarracadas e corpo comprimido.
  • Cachorrinho do mato: cão que caça no mato, que afugenta a presa, mas não a detem nem a persegue. ( sinônimo de levantador)
  • Camalha: pelos longos e abundantes recobrindo o pescoço e os ombros.
  • Cão de aponte: cão que se imobiliza quando sente a proximidade da presa, apontando para ela.
  • Cão de ordem: cão sabujo que caça em matilha.
  • Cão de pista de sangue: cão de caça especializado na busca de caça grossa (caa de grande porte) ferida, também chamada de busca de sangue, porque segue a trilha de sangue deixada pelo animal.
  • Cão rastreador: cão de aponte adestrado para caça com redes.
  • Cão sabujo: cão de orelhas pendentes e bom farejador, que persegue a caça.
  • Capa interna: subpelo.
  • Carbonada: pelagem de fundo mais ou menos clara ( fulvo ou areia) sombreada de preto, castanho ou azul.
  • Castanho: fulvo avermelhado ou alaranjado.
  • Cauda chicote: tipo de cauda do cão de caça.(extremidade da cauda)
  • Cauda em espiga: cauda ou extremidade da cauda onde os pelos se abrem como uma espiga de trigo.
  • Cauda (comprimento): o ponto de referência para o comprimento da cauda é o jarrete. (equivalente ao calcanhar no cão)
    cauda curta: termina acima do jarrete.
    cauda media: termina na altura do jarrete.
    cauda longa: termina abaixo do jarrete.
  • Cauda (postura): posição da cauda típica da raça, pode ser: enrolada sobre o dorso (akita), na horizontal, em foice, formando arco duplo ou empinada.
  • Cernelha: região situada entre o pescoço e o dorso.
  • Chama: faixa branca estreita, encontrada às vezes na testa.
  • Chocolate: coloração marrom avermelhado escuro.
  • Cinzelado: diz-se de um focinho ou de uma cabeça de linhas puras, com contornos precisos e nítidos, e com relevos bem desenhados. (sinônimo de esculpido)
  • Cob: cão compacto, atarracado com membros relativamente curtos, fortes e de formas arredondadas. ex.: Pug
  • Codorna: pelagem de fundo branco com manchas rajadas.
  • Colar: marca branca ao redor do pescoço, pelos ao redor do pescoço.
  • Concavilíneo: cão apresentando perfil côncavo, osso frontal deprimido, uma face achatada, um dorso recolhido.
  • Convexilíneo: cão com perfil convexo, osso frontal arqueado.
  • Cor de pulga: marrom escuro.
  • Corço: fulvo carbonado.
  • Culote: pelo longo e abundante recobrindo as coxas. Designa às vezes as franjas da parte posterior das coxas.
  • Cuneiforme: que tem o formato de cunha, que vai afinando-se.
  • Desbotado:cor muito atenuada.
  • Dogue: cão de guarde de grande porte, de cabeça larga, com maxilares fortes. ( ex.: molossos de pelo curto)
  • Dolicocéfalo: cão cuja cabeça é longa e estreita. (ex.: galgos)
  • Empenachada: pelagem caracterizada pela presença de manchas brancas sobre um fundo unicolor.
  • Escova: cauda parecida com a da raposa.
  • Esgalgado: Ventre muito recolhido(ex.: Greyhound).
  • Estrela: marca branca com contornos irregulares na testa ou no antepeito.
  • Ergots: dedo lateral das patas traseiras.
  • Eumétrico: cão de porte médio.
  • Fígado: cor marrom.
  • Fole: caixa toráxica.
  • Franja: pelos longos formando uma faixa nos contornos das conchas das orelhas, na parte posterior dos membros, na cauda e no ventre.
  • Fulvo: cor amarela, as marcas “fogo” são fulvas. Também pode significar mistura de branco, vermelho e preto ou marrom.
  • Garupa: Região da bacia.
  • Gázeo: olho despigmentado, a parte despigmentada do olho gázeo é cinza, azul claro, cinza azulado e às vezes esbranquiçado.
  • Grifo: cão de aponte ou sabujo de pelo longo ou semi longo, eriçado, desgrenhado ou hirsuto.
  • Hipermétrico: cão de porte superior a média.
  • Isabel: fulvo muito pálido, sinônimo de areia.
  • Juba em gravata: pelos longos, mais ou menos levantados, ao redor do pescoço.
  • Lepra: presença de áreas despigmentadas.
  • Levantador: sinônimo de cachorrinho do mato, cão que espanta a caça sem a perseguir.
  • Lilás: cor resultante da diluição do marrom, variante do bege.
  • Limão: amarelo claro, fulvo claro.
  • Lista: faixa branca situada sobre o canal nasal e que, geralmente, se prolonga até a testa.
  • Lobeiro ou cor de lobo: pelagem fulvo carbonada ou areia carbonada.
  • Lombo: região lombar, entre o dorso e a garupa.
  • Longilíneo: contrário de brevilíneo, cão de corpo alongado e esbelto, com o comprimento superior à largura.
  • Luvas: marcas brancas nas extremidades dos membros.
  • Manto: cor escura no dorso, diferente da cor do resto do corpo.
  • Máscara: coloração escora na face.
  • Mastim: qualquer cão de grande porte de guarda, caça ou pastoreio.
  • Matizado: Pelagem apresentando marcas de contornos irregulares de um pigmento não diluído sobre um fundo claro.
  • Mediolíneo: cão de proporções médias (sinônimo de mesomorfo).
  • Merle: Pelagem com manchas escuras irregulares sobre um fundo mais claro, muitas vezes cinza ( os cães continentais com esse tipo de pelagem são chamados de arlequim, enquanto que as raças britânicas são chamadas de merle).
  • Molosso: grande cão de guarda de cabeça larga, corpo muito poderoso e músculos espessos.
  • Mosaico: conjunto de manchas brancas que invadem a partir da extremidade um fundo colorido.
  • Mosqueada: Pelagem empenachada que apresenta pequenos salpicos.
  • Multicolor: Pelagem de várias cores, com justaposição de manchas ou áreas coloridas.
  • Nanismo: diminuição harmoniosa de todas as partes de um indivíduo normal.
  • Nuance: grau de intensidade que uma cor pode ter.
  • Numular: que tem formato de moeda, refere-se as manchas do dálmata.
  • Ossatura: conjunto de ossos e dos membros do corpo.
  • Padrão: descrição do modelo ideal, o primeiro padrão canino foi o do bulldog, redigido em 1876.
  • Particolor: Pelagem com duas ou mais cores bem distintas.
  • Pastilha: mancha arredondada de cor castanha na testa dos cães das raças: King Charles Spaniel e Cavalier King Charles Spaniel. Também pode designar as marcas fulvas por cima dos olhos dos cães preto e fogo.
  • Pé de gato ( ou pata de gato): pata com formato redondo.
  • Pé de lebre: pata com formato alongado e estreito ( típico do collie ).
  • Piriforme: em forma de pera.
  • Placa: mancha de cor cobrindo uma grande superfície sobre um fundo branco.
  • Plastrão: antepeito.
  • Pointer: cão de aponte de pelo raso.
  • Ponteado: pelo mesclado com pintas ou mosqueado.
  • Preto e fogo: cão preto com marcas fulvas (tan), típico do rottweiler.
  • Primitivo: relativo aos cães mais antigos.
  • Prognatismo: mandíbula proeminente. (típico do bulldog).
  • Quatro olhos: cão que tem marcas fulvas sobre os olhos, cães preto e fogo.
  • Rajado ou tigrado: Pelagem com listras escuras mais ou menos verticais sobre um fundo mais claro.
  • Raso: pelo muito curto.
  • Recolhido: diz-se de um cão curto, atarracado, compacto.
  • Retilíneo: cães que possui linhas retas, os pointers e os setters são retilíneos.
  • Retriever: cão de caça que encontra e recolhe a presa.
  • Ruão: Pelagem caracterizada pela mescla uniforme de pelos brancos com pelos vermelhos ou fulvos.
  • Rubi: pelagem vermelho intenso.
  • Rubican: presença de pelos brancos em uma pelagem que não é branca.
  • Ruivo: coloração entre o vermelho e o amarelo, avermelhado.
  • Rústico: cão que suporta as intempéries, que não requer cuidados especiais.
  • Sabujo de trela: cão de faro muito desenvolvido que busca preso a uma guia.
  • Salpicada: Pelagem branca onde aparecem pontos de cor ou pelagem colorida com pontos brancos.
  • Sarapintada: pelagem com pequenas manchas.
  • Seco:
    Cabeça seca: cabeça cinzelada, de pele estreitamente ligada ao osso e músculos chatos.
    Articulação seca: que possui contornos vigorosos, não amolecidos por um tecido espesso.
    Lábios secos: finos, bem firmes.
  • Setter: cão de aponte das ilhas britânicas.
  • Sombreado: pelagem clara com partes escuras.
  • Stop: ângulo entre o crânio e o focinho, formada pelo osso frontal e pelo nasal.
  • Tan: sinônimo para fogo.
  • Terrier: cão que caça animais em tocas, caça debaixo da terra.
  • Tricolor: coloração típica do Bernese, o cão é quase todo preto, com o ventre branco e marcas “fogo” na face e nas patas.
  • Urajiro: marcas brancas nas laterais do focinho, bochechas, sob o queixo, na garganta, no antepeito, ventre, face interna dos membros e parte inferior da cauda. Esse termo só é usado para as raças japonesas como o akita e o shiba.

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A HISTORIA DOS CAES  

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Depois de sua domesticação os cães particiaram ativamente da história das civilizações humanas. Eles serviram de transporte, de guarda, de caçadores, pastores, foram adorados como deuses, assassinados em revoluções, viajaram o pelo mundo com as Grandes Navegações, sofreram com as guerras e lutaram nelas. A história do cão doméstico é a nossa história, vista de um outro ponto de vista.

Algumas das raças mais antigas que se têm notícia são o saluki, o Samoieda e o pharaoh hound (o Cão de Canaã, o afghan hound e o xoloitzcuintle também estão entre as mais antigas raças conhecidas). Qual delas é realmente a mais antiga não se sabe, mas todas têm aproximadamente 5.000 anos de existência.

O pharaoh hound é o descendente do cão dos antigos egípicios, utilizado para caçar e adorado na forma do deus Anúbis, identificado com os chacais. Anúbis era o deus guardião dos mortos. Essa relação com os mortos que acompanhou os cães por muito tempo, teria vindo do hábito dos cães e também dos chacais, de se alimentarem dos cadáveres. A mesma relação entre uma divindade canina e o mundo dos mortos também existia na América central, o deus Xolotl (identificado com o xoloitzcuintle) dos Astecas era o guia das almas dos mortos. A lenda dizia que o próprio deus Anúbis, nascido de uma relação do deus Osíris e sua cunhada foi entregue, assim que nasceu, para ser criado por cães semelhantes aos pharaoh hound de hoje.

Enquanto no Egito os cães eram reverenciados como conhecedores dos segredos do outro mundo, na Grécia antiga cães semelhantes a galgos modernos eram relacionados aos deuses da cura. Templos que abrigavam dezenas de cães eram mantidos para que os feridos pudessem ser levados para lá e ter suas feridas lambidas pelos cães. O próprio Homéro disse na sua obra:

“Infeliz do homem que não tiver um cão para lamber suas feridas…”

Além de agentes da cura, os cães também desempenharam outro papel na Grécia antiga. Eles combatiam junto com os exércitos. Grandes cães molossos acompanharam os exércitos de Alexandre, O Grande da Macedônia e se espalharam pelo mundo. Estes cães eram considerados armas de guerra. Eles eram os ancestrais do atual Dogue do Tibete e seguiram as tropas de Alexandre quando estas retornavam para casa, vindas de campanhas na Ásia e se espalharam pela Europa, chegando à Hungria, originando raças como o komondor, à Alemanha e outros países originando diversas raças de cães molossos.

O próprio Império Romano tinha como símbolo a loba que amamentara os fundadores da cidade. Mas a participação mais famosa dos cães em Roma foi outra. Dentre os diversos animais que os romanos fizeram lutar no coliseu para diservão do público havia grandes cães. Uma das principais atrações eram cães molossos e o Wolfhound irlandês. Estes cães de tamanho gigantesco e temperamento dócil eram trazidos diretamente das colônias romanas na Bretanha, mas especificamente na Irlanda, deixados sem comida e depois eram soltos na arena para matar prisioneiros, cristãos e escravos vestidos com peles de animais. Estes cães eram tão apreciados pelos romanos que eles quase os levaram à extinção, tal foi o número de espécimens que importaram para matar e morrer na arena.

Com o fim do Império Romano e o início da Idade média, o mundo entrou em outra fase, e conseqüentemente os cães também. A igreja católica foi a instituição mais influente no mundo durante esta época. Neste período ocorreram a peste negra, a inquisição e as cruzadas e todos estes eventos influenciaram a criação de cães no mundo. No início da idade média os cães já estavam espalhados pela Europa, levados do oriente médio para toda a região mediterrânea pelos mercadores fenícios e adentrado o continente seguindo soldados romanos.

Durante a peste negra que assolou a Europa e parte da Ásia, os cadáveres se amontoaram nas cidades e campos, muitos destes corpos, antes de serem queimados, acabavam servindo de alimento para os cães que viviam nas periferias das cidades. Os cães perderam o seu antigo prestígio de divindades para serem temidos como seres relacionados a morte e às “forças das trevas”. Durante grande parte da idade média, a influência da igreja atingiu diretamente os cães. A mentalidade supersticiosa da época fez dos cães, principalmente os pretos, animais de bruxas, relacionados com vampiros e lobisomens. Milhares de lobos foram mortos por incentivo da santa inquisição na tentativa de se caçar lobisomens, assim como alguns cães-lobos bem como outros cães de grande porte. Decretos foram baixados onde se dizia que se, qualquer pessoa acusada de bruxaria, estivesse presa, a espera de julgamento pela igreja e fosse visitada por um cão , gato ou pássaro, seria imediatamente considerada culpada de bruxaria e queimada na fogueira.

Foi só após a chamada “idade das trevas”, que os cães voltaram a cair nas boas graças dos homens. Principalmente os cães dos nobres. Durante a idade moderna cães para caça esportiva como sabujos, terriers e especialmente os galgos eram os preferidos da nobreza. Estes cães eram criados com cuidado e as variedades de cada região começavam a ser cultivadas. Cada família nobre poderia desenvolver sua própria variedade de cachorro, selecionando-os de acordo com sua preferência dentro dos canis do seu castelo. Na Inglterra, a rainha Elizabeth I mantinha em seu canil particular os “pocket beagles” uma variedade de beagles desenvolvida em seu próprio canil, que atualmente não existe mais.

Antes do mundo se tormar globalizado, e quando as distâncias ainda eram enormes, cães de raças típicas de uma região eram considerados como tesouros não encontrados em nenhum outro lugar do mundo. Reis presenteavam reis de outros países com cães de raças nativas de seu país e possuir cachorros de raças exóticas era um grande sinal de riqueza. Em 1860 na época do saque ao Palácio imperial de Pequim na China por tropas inglesas, cães pequinêses faziam parte do tesouro roubado e foram dados de presente a rainha. Foi como um presente também, que os primeiros borzois chegaram a Europa. Neste caso foram presentes reais, dados pelo Tzar à rainha da Inglaterra. Estes galgos russos eram criados pelos tzares e, conta-se que, o primeiro Tzar russo, Ivan, o terrível, teria matado inimigos políticos soltando seus cães atrás deles. Esta raça, de tão identificada com os nobres foi assassinada aos montes quando os comunistas tomaram o poder na Rússia. É provável que hoje estivesse extinta se não fossem os cães dados de presente à rainha inglesa.

Enquanto tudo isso se passava na Europa, na Sibéria tribos nômades mantinham seu estilo de vida a várias gerações. A tribo dos samoyedos usava seus cães (que mais tarde receberiam o nome de samoieda) para praticamente tudo e dificilmente sobreviveria nas inóspitas condições da Sibéria sem eles. Foram estes mesmos cães, trazidos da Sibéria, que tornaram possível a conquista dos Pólos por exploradores como o norueguês Roald Amundsen e o norte-americano Robert Peary. Os primeiros homens a pisar no Pólo Sul e no Pólo Norte respectivamente, chegaram lá em trenós puxados por Samoiedas.

De volta a Europa, os cães já haviam ganhado seu espaço dentro dos palácios como companheiros. Diz-se que Guilherme De Orange, rei da Holanda, teve sua vida salva contra um atentado pêlo aviso de seu cão de guarda, um cãozinho da raça Schipperke. Na França, fala-se que Napoleão trocava bilhetes amorosos com Josefina, durante o período em que esteve na prisão, escondidos na coleira do fiel cãozinho da raça pug, que servia de mensageiro.

As Grandes Navegações chegaram ao novo mundo e trouxeram consigo cães . Embora os cães não fossem desconhecidos dos povos pré-colombianos, muitas variedades novas foram introduzidas pelos conquistadores europeus. Nas guerras empreendidas contra os nativos, cães farejadores eram utilizados para encontrar e matar índios. Diz-se que na atual República Dominicana milhares de indígenas foram derrotados por uma tropa de 150 soldados de infantaria, 30 cavaleiros e 20 cães rastreadores.

Mais próximo dos dias atuais, as duas guerras mundiais também tiveram uma forte influência sobre os cães. Muitas raças, típicas de regiões muito afetadas pela guerra desapareceram completamente e outras, como o pastor polonês da planície, quase foram extintas durante a Segunda Guerra Mundial. O boiadeiro de Flandres quase desapareceu durante a primeira guerra. Durantes as guerras, as pessoas fogem e se escondem, a criação de cães é deixada de lado (exceto dos cães do exército) e raças que só existem nestes lugares são devastadas.

A segunda guerra mundial também determinou a expansão de cães militares como o pastor alemão e o dobermmam. No Japão, em um esforço de guerra o imperador decretou que todos os cães não pastores alemães fossem mortos para a confecção de uniformes militares com seu couro. Muitos criadores de akitas, desesperados com a iminência de perder todos os cães de sua criação, cruzaram seus cães com pastores alemães para tentar fugir ao decreto. Os cães resultantes destes cruzamentos, levados aos Estados Unidos por soldados, que voltavam para casa depois da guerra, resultaram mais tarde na criação do akita americano. Foi também após as guerras mundiais que surgiram os primeiros centros de treinamento de cães-guia de cego.

No pós guerra, a guerra fria e a corrida tecnológica entre Estados Unidos e Rússia deu início à corrida espacial e, novamente devemos aos cães muito do que conseguimos nesta área. Foram cães astronautas que precederam as pessoas no espaço. Laika, Strelka e Belka, todas russas, estão entre os cães mais famosos de nossa história e foram os primeiros seres a ir ao espaço.

Atualmente os cães das mais diversas raças encontram-se espalhados por todo o mundo. Novamente a história dos cães segue a nossa e reflete nas raças o resultado da globalização e da revolução nos transportes.

Para ter um cão,basta ter amor, não maltrate seu fiel amigo companheiro.

carlos pena

Vida de suinocultor:estava ruim,imagine com a gripe  

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ESTAVA RUIM,MAS COMO DIZIA MEU PAI,MISÉRIA POUCA É BOBAGEM.
Mas um tiro na suinocultura,crise de mercado e agora vem a "gripe suina", e vai adiantar dizer para o consumidor daqui e de lá, que a carne não transmite gripe, ah meus irmãozinhos mais uma vez na corda bamba, mas titulo de esclarecimento copiei do estadão este post que acredito ser de utilidade publica e espero não ser penalizado por tal:

Fabiane Leite, Seção: Emergências em saúde pública 10:10:18.

Seguem respostas para as principais perguntas sobre a doença enviadas por leitores. A melhor receita contra a gripe suína é a informação (veja post abaixo). Envie suas dúvidas. Consulte também a página do Ministério da Saúde.

1 - As autoridades dizem que as máscaras protegem sim contra a dispersão de gotículas de saliva de pessoas que possam estar infectadas, por isto algumas as utilizam quando estão gripadas. Por outro lado, também protegem quem não está doente e precisa entrar em contato com uma pessoa infectada. Mas ainda não há recomendação de seu uso no Brasil, uma vez que não há evidências da circulação do vírus no País. As máscaras só foram recomendadas para quem vai para áreas de risco.

2 - Não é necessário se afastar de seu amigo que voltou do México, pelo que você relatou. Ele tem algum sintoma? A Organização Mundial da Saúde definiu ontem que só são casos suspeitos aqueles em que o indivíduo esteve em áreas afetadas pela doença (consulte os países no site www.saude.gov.br, no item influenza suína) nos últimos dez dias e que apresente febre repentina, acima de 38ºC, além de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, dificuldade respiratória, dores de cabeça, musculares e nas articulações.

3 - Ninguém deve cancelar viagens ainda, segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde. Há recomendação, no entanto, de medidas de proteção, como uso de máscaras e evitar locais com aglomeração de pessoas. Mais informações podem ser obtidas no site www.saude.gov.br.

4 - Há dois antivirais que, segundo informações do Centro de Controle de Doenças, nos EUA, combatem a gripe suína se utilizados preferencialmente logo no início da infecção. Mas ainda não existe qualquer recomendação para seu uso no Brasil, uma vez que não há qualquer evidência de que o vírus esteja circulando por aqui. Comprar remédios ou usá-los desnecessariamente prejudica quem pode realmente precisar, pois ataca os estoques, contribui para o aumento de preço. E seu uso indiscriminado pode levar ao desenvolvimento de vírus mais resistentes ainda.

5- Sim, é um tipo de vírus influenza que sofreu mutação e que reúne material de vírus que atingem humanos, porcos e aves, capaz de gerar infecções em humanos e de ser transmitido de pessoa para pessoa.

6 - Não foram detectados casos gerados pelo consumo de carne de porco. Não é necessário evitar carne de porco, obviamente a bem cozida. Restaurantes mexicanos não precisam ser evitados! Não há nenhuma possibilidade de a comida mexicana causar algum problema.

7 - Quem está em países que já registram casos deve adotar as medidas veiculadas pelas autoridades locais de saúde, que em geral têm sido uso de máscara, evitar aglomerações, lavar as mãos sempre. Caso apresente febre repentina (acima de 38ºC), além de um desses sintomas (tosse, dores no corpo e na cabeça e dificuldade para respirar), procure um serviço de saúde local. Nos EUA, o site do National Institute of Health é boa fonte de informação: www.nih.gov

8 - Mais uma vez, não é necessário se afastar de nenhuma pessoa que veio do México, mas obviamente se ela tiver qualquer sintoma, deve buscar um serviço de saúde. Na página do ministério da saúde brasileiro (www.saude.gov.br) há uma lista de hospitais de referência no País, com 52 unidades.

9 - O vírus causador da gripe é o vírus influenza. Há três tipos deste vírus, A, B e C e o primeiro é o que está envolvido em grandes epidemias da doença, como a gripe espanhola, em 1918. O vírus detectado na situação atual é do tipo A e tem uma composição jamais vista, pois engloba material de vírus que causam a influenza suína, humana e aviária. O vírus da gripe espanhola era um vírus aviário.

10 - A Organização Pan-Americana de Saúde informou que o vírus apresenta um potencial grande de transmissão, mas com taxa de mortalidade relativamente baixa.

RECEITA CONTRA A GRIPE

A receita contra a gripe suína, que já chegou ao México, EUA, Canadá e Espanha, é a boa informação. Não é hora para crer naqueles e-mails de origem desconhecida que certamente baixarão na sua caixa com informações "jamais reveladas" sobre o problema. Também não é o momento de dar ouvidos aos amigos hipocondríacos _certamente alguns já andam por aí esfregando suas bolas de cristal antes mesmo de termos qualquer prova da circulação do vírus no Brasil.

Claro que a situação é preocupante, o que já foi colocado claramente pela Organização Mundial da Saúde e está em todos os veículos de comunicação: o vírus é novo e a forma de transmissão, de humano para humano, também. O órgão já discute se podemos dizer que estamos em uma pandemia. Mas, diferentemente de 1918-1919, quando vivemos a pandemia de gripe espanhola, a informação hoje se dissemina muito mais rápido do que qualquer vírus e, se for boa informação, o mundo superará mais facilmente a nova doença.

Fiquei preocupada mesmo, hoje, com alguns amigos que, com pleno acesso aos jornais, livros, os melhores sites, já estão pensando em ir atrás de pílulas salvadoras. Calma lá. Sinal de que governos e nós, jornalistas, teremos de acertar esta via de comunicação.

Três pontos importantes:

- A gripe não chegou ao Brasil, não há motivo para pânico, não é preciso fazer nada. O sistema de vigilância já foi ativado e há muita gente vigiando, nós jornalistas inclusive, para evitar deslizes. Hoje, por exemplo, o Jornal da Tarde revela uma falha na vigilância do aeroporto de Guarulhos que as autoridades já prometem corrigir

- Não saia comprando ou tomando remédios, vacinas, não existe esta recomendação ainda de qualquer autoridade de saúde _veja bem, seu vizinho médico pode até ACHAR alguma coisa, mas ele pode não ter experiência alguma com saúde pública. É melhor dar seu voto de confiança para quem está na linha de frente da batalha e não quer sair arranhado

-Além de jornais e revistas de credibilidade, procure também os sites oficiais para informação, o da OMS, do Ministério da Saúde. Delete os spams

Aliás, torço para que, neste momento, as autoridades de saúde empenhem-se na divulgação dos dados para o público. Entrevistas, muitas entrevistas. Informações atualizadas online. Perguntas e respostas em linguagem simples. Porta-vozes pacientes para muitas questões, mesmo as mais estapafúrdias. Atas, resumos de reuniões na Internet. Transparência dá credibilidade e uma derrapada neste momento pode ser pior do que as mutações do vírus influenza (o vírus da gripe).

Fonte:http://blog.estadao.com.br/blog/fabianeleite/

curso basico de adestramento de caes  

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Caes

Curso Adestramento Básico

Apresentamos aqui maneiras de educar seu cachorro, alguns comandos e obediência, seu cão agradece.
É o início da preparação do animal para o objetivo que se quer atingir. Nessa fase o cão deverá entender que está sendo trabalhado e que deverá trabalhar com muita disposição e obediência.

Material utilizado:
1. Guia: existem dois modelos: a longa que mede, aproximadamente 10 (dez) metros e a curta 1,50 m (um metro e cinqüenta centímetros). A guia se divide em Três partes: alça, corpo e mosquetão.
2. Colar de espinhos: ajustáveis ao pescoço do animal. Pode ser usado com espinhos para fora ou para dentro. NOTA: atualmente conforme normas adotadas pelas Sociedades de Criadores de Cães Pastores Alemães do Brasil. É proibida a utilização do colar de espinhos para dentro, ou seja, com os espinhos voltados para o pescoço do animal. O mesmo só poderá ser utilizado, em casos em que o animal for muito feroz e estiver fora de controle.
3. Enforcador: colar liso.
4. Rasqueadeira: utilizada para remoção dos pelos mortos. Deve ser usado pelo menos duas vezes por semana.
5. Escova: ao mesmo tempo em que limpa o pelo do cão, ativa a circulação sangüínea.
6. Peitoral: utilizado para cães de busca de rasteio e venteio.
7. Cambão: apetrecho para captura de animal agressivo, pode ser utilizado também no adestramento durante a amizade com animal de temperamento forte.

O adestramento básico consiste dos seguintes exercícios:

1. Amizade com o cão
2. Exercício de junto
3. Exercício de senta
4. Exercício de parado
5. Exercício de deita
6. Exercício de morto
7. Exercício de vivo
8. Exercício de fica

1. Amizade com o cão

a. A amizade com o cão deve ser feita, quando o mesmo é ainda filhote (na faixa de três meses). Essa amizade deve ser feita, no sentido de aproximar o cão do seu dono, e ou adestrador e afastar os possíveis inimigos.
b. Período muito importante precedente ao adestramento. Durante três semanas, o adestrador deverá levar o cão para passeio, brincar com o mesmo e observar todos os vícios e características do cão. É nessa fase que o adestrador procurara descobrir e explorar as qualidades e defeitos apresentados pelo animal. O adestrador deixará junto ao cão um objeto de uso pessoal (lenço, sapato) para que o mesmo se familiarize com seus odores. Também através da amizade, o homem irá obter a confiança do animal, assim como, o cão a do adestrador.
c. Aproveitando a vivacidade do filhote, pode se começar a estimulá-lo com ordens que antecipem os comandos a serem aprendidos no futuro, tais como: SENTA, ATENÇÃO, MUITO BEM, AQUI, NÃO, PEGA. Um bom exercício para ser feito nesse período e alertá-lo toda vez que se aproximar um estranho, com o comando de atenção.
d. Durante a amizade iremos começar a colocação do colar no pescoço do animal.

ão deve ser feita, quando o mesmo é ainda filhote (na faixa de três meses). Essa amizade deve ser feita, no sentido de aproximar o cão do seu dono, e ou adestrador e afastar os possíveis inimigos.
b. Período muito importante precedente ao adestramento. Durante três semanas, o adestrador deverá levar o cão para passeio, brincar com o mesmo e observar todos os vícios e características do cão. É nessa fase que o adestrador procurara descobrir e explorar as qualidades e defeitos apresentados pelo animal. O adestrador deixará junto ao cão um objeto de uso pessoal (lenço, sapato) para que o mesmo se familiarize com seus odores. Também através da amizade, o homem irá obter a confiança do animal, assim como, o cão a do adestrador.
c. Aproveitando a vivacidade do filhote, pode se começar a estimulá-lo com ordens que antecipem os comandos a serem aprendidos no futuro, tais como: SENTA, ATENÇÃO, MUITO BEM, AQUI, NÃO, PEGA. Um bom exercício para ser feito nesse período e alertá-lo toda vez que se aproximar um estranho, com o comando de atenção.
d. Durante a amizade iremos começar a colocação do colar no pescoço do animal.

Desenvolvimento:
• Passamos a guia em torno do seu pescoço, viramos os espinhos para fora e enfiamos pela cabeça do animal. (Quando conhecemos a índole do animal e sabemos que o mesmo não tentará morder o adestrador).
• Da mesma maneira que o anterior, vamos passar a guia em trono do pescoço do cão, soltamos um dos elos de espinhos, abrindo totalmente o colar e colocamos o mesmo em volta do pescoço do animal. (Não conhecemos o animal). Se o animal mostra-se inquieto é porque não está acostumado a Ter objetos estranhos em torno de seu pescoço. Para evitar isso deixamos o colar a ser utilizado com o cão par o mesmo brinque com o colar e se familiarize com o mesmo. Colocamos o colar no pescoço do animal e vamos assim acostumando-o a essa sensação de enforcamento, provocado pelo colar. Quando já se nota uma perfeita aceitação do animal, estaremos então prontos para sairmos com o cão preso a guia. Nunca se deve obrigar o cão a andar, se notarmos que o mesmo está aflito por causa do colar.

2. Exercício de junto

O guia conduzirá seu cão por um colar, chamados de Enforcador ou de espinhos, em cuja argola se prenderá a uma guia de um metro e vinte centímetros aproximadamente. Ao fazer caminhar o cão, a ele ordenará com voz firme: JUNTO.

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3. Exercício de senta.

A esta altura, a importância de chamar o cão pelo nome já é indiscutível. Por isso, seu nome tem o mesmo peso de um comando.

Fazer com que ele esteja imediatamente atento assim que o dono chamá-lo com voz firme e forte, já é meio passo dado para que ele obedeça com sucesso. Depois de prender sua atenção chamando pelo nome, pare diante dele para ensiná-lo a sentar. Suspenda suavemente a guia ao mesmo tempo em que diz SENTA ou SIT e pressione a garupa dele para baixo, com os dedos polegar e indicador em forma de pinça. São três movimentos simultâneos: SENTA ou SIT, tranquinho da guia para cima e pressão em sua garupa par abaixo, chegará o momento em que não será preciso pressionar a garupa do cão (e ele mesmo avisará quando estiver pronto). A partir daí, fique diante do cão, suspenda a guia e movimente a mão direita de trás para frente, como se fosse uma raquete. O movimento deve iniciar ao lado do corpo e terminar acima dos olhos do cão. Enquanto durar o movimento, pronuncie SENTA. Assim que ele senta, de o comando FICA e afaste-se dele. Depois de alguns segundos, vá até o cão e acaricie-o a fim de incentivá-lo a acertar o comando sempre. E muito provável que ele tente levantar, mas se ele fizer isso, você deve dizer NÃO, imediatamente e FICA, mesmo que tenha que voltar e começar o exercício novamente não concorde com o erro dele, nunca.

No início, não se afaste muito, dê apenas alguns passinhos para trás e elogio-o em seguida, para que ele vá se acostumando com sua distância. Com alguns exercícios, a guia não será necessária para fazer sentar.

4. Exercício de parado

O adestrador deverá colocar a mão sob a barriga do cão, obrigando-o ficar de pé e ao mesmo tempo pronunciará a palavra PARADO, a cada repetição do exercício o cão deverá ser elogiado.
Poderá ainda, partindo da posição de SIT ou SENTA, comandar-se PARADO, pressionando-se com suavidade a guia para frente até conseguimos o desejado. Podemos ainda, ao mesmo tempo em que pressionamos a guia par frente, com pé esquerdo encaixado no vazio do animal, erguê-lo para cima até a posição desejada.

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5. Exercício de deita

Essa posição em que o animal permanece deitado sobre suas quatros patas, (posição esfinge). Partindo-se da posição de SIT ou SENTA, o adestrador coloca-se à frente do animal, levanta e puxa suas patas dianteiras até que ele fique deitado, pronunciado sempre a palavra DAWN ou DEITA. Partindo ainda da posição de SIT ou SENTA, o adestrador segura com a mão esquerda próximo ao colar e pressionando continuamente para frente e para baixo, conduzirá o cão em direção ao solo, até que o mesmo fique deitado sobre as quatro patas, sempre pronunciando a palavra DEITA. Quando o cão ficar na posição desejada, sem oferecer resistência deverá ser elogiado e agradado pelo adestrador.

Esse exercício deve-se repetir até o cão aprender perfeitamente o comando. Logo que o cão o realize por sinais deve o guia colocar-se à frente do cão e ao mesmo tempo em que lhe ordena DEITA, moverá energicamente a mão para baixo. Tão logo o cão se encontre corretamente deitado, o adestrador segurando a ponta da guia, dá pequenas voltas ao redor do animal, chegando mesmo a pular por cima de seu dorso, repetindo a ordem DEITA. Não se deve permitir que o animal acompanhe com as vistas o adestrador, durante essas pequenas voltas ou mudanças de posição. Não é conveniente, por cansar o animal, obrigar o cão a permanecer muito tempo nessa posição.

6. Exercício de morto

Esse movimento é aquele em que o cão deverá fingir-se de morto. Para conseguir esse movimento, devemos ficar de cócoras ao lado do cão, o qual se encontra na posição DEITA, como a mão direita segurar a guia e a mão esquerda deverá ser colocada no vazio do cão, forçando-o para a esquerda até que ele fique complemente estendido no solo. Em seguida o adestrador deverá levantar-se sempre pronunciando a palavra MORTO, fazendo com que o animal finja-se de morto por alguns segundos.

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7. Exercício de vivo

Com o cão na posição de Morto, iremos para frente do mesmo, com a mão esquerda seguramos a guia e daremos um ligeiro, tirão para cima na guia e pronunciamos a palavra VIVO o cão deverá imediatamente ficar em pé na posição de PARADO. Repetimos esse exercício tantas vezes quantas forem necessárias, até que o animal passe a obedecer ao adestrador por um simples gesto ou comando.

8. Exercício de fica

Estando o cão nas posições de SIT ou SENTA, PARADO, DAWN ou DEITA, MORTO e VIVO, o adestrador se afastará pouco a pouco do mesmo, dizendo-lhe, QUIEDATE ou FICA, ao mesmo tempo em que por gesto energético esticará o braço direto para frente, o cotovelo ligeiramente dobrado e apresentado a palma da mão direta voltada par o cão. Cada vez que o cão efetuar algum movimento, deverá ser executado o comando e o gesto para que o cão permaneça na posição ordenada. No início desse exercício, quando fazemos o gesto com a mão, é interessante que o adestrador toque com a palma da mão o focinho do animal. Se o cão tentar se mover empregamos energicamente a palavra FOI, que é o termo de repressão, pois o cão a essa altura da instrução já perceberá que se emprega a palavra para que se deixe de fazer algo que seu adestrador não lhe tenha ordenado. À medida que o cão vai interpretando a ordem o adestrador aumentará a distância paulatinamente.

Adestramento avançado

Este tipo de adestramento só deverá ser iniciado após o cão estiver adestrado no adestramento básico, tendo em vista que a execução dos exercícios de adestramento secundário dependerá dos exercícios de adestramento básico:

o adestramento avançado ensinaremos o nosso cão os seguintes exercícios:

1. Exercício de DAWN FOR (rasteja)
2. Exercício de AQUI
3. Exercício de IR EM FRENTE
4. Exercício de RECUA ou (IR PARA TRÁS)
5. Exercício de APORT ou (SEGURA)
6. Exercício de AUSS ou (LARGA)
7. Exercício de BUSCA
8. Exercício de CORTA

1. Exercício de DAWN FOR ou RASTEJA

Neste exercício o cão deverá rastejar. Este procedimento é muito útil na vida Policial Militar quando houver necessidade de nos aproximarmos de um local sem sermos percebidos.

Estando o cão na posição de DAWN ou DEITA, se lhe puxará com suavidade a guia para frente e para baixo, dizendo-lhes as palavras DAWN FOR, até que o mesmo comece adiantar-se se arrastando. A cada movimento efetuado pelo cão, por menor que seja, o guia o afagará carinhosamente, dizendo-lhe MUITO BEM, porém sem afrouxar a guia para que o cão não se levante.

Aprendido a executar este exercício através de simples comando, começar-se-á repetir o mesmo, por sinais. Devemos insistir no treinamento, até que o cão interprete o sinal. Pouco a pouco se vai soltando cada vez mais a guia para que mais tarde esta possa ser suprimida totalmente, quando o cão se arrastar somente ao comando de DAWN FOR.

De nenhum modo se deve pensar que este exercício carece de importância, pois na prática é o saldado (adestrador) que deve arrastar-se ao solo ao lado do cão, em caso de emergência ou quando deva acercar-se de um ligar onde se encontram elementos suspeitos.

Podemos ainda, estando o cão em DAWN ou DEITA, tomando-lhe suas patas dianteiras fazermos com que o mesmo arraste-se puxando-lhe pelas patas em nossa direção uma de cada vez. Por menor que seja o deslocamento conseguido pelo sinal devemos elogiá-lo.

2. Exercício de AQUI

Quando o cão estiver afastado de seu adestrador e este quiser chamá-lo, o comando a ser empregado deverá ser AQUI. Ao mesmo tempo em que o adestrador comandar AQUI, deverá apontar o dedo indicador da mão direita na direção do nariz do animal até o cão á sua frente, puxando-o pela alça da guia. Recebendo este comando o cão deverá aproximar-se até a frente do adestrador permanecendo na posição de SIT ou SENTA. Se este não fizer, comandaremos SIT ou SENTA até que se possa suprimir este comando.

Para este exercício o adestrador deverá ficar de frente voltada para o cão e com suas pernas afastadas

3. Exercício de IR EM FRENTE

Para o soldado da Polícia Militar que faz patrulhamento com seu cão, é de fundamental importância que seu acompanhante (cão) vá de vez em quando adiante do adestrador, sobretudo quando o local patrulhado é de má reputação, ou estradas solitárias, ou em altas horas da noite ou ainda zonas desconhecidas pelo Policial e que poderão ser explorados pelo cão.

O cão que possui audição e olfato bem apurados, não perderá nenhum ruído estranho e perceberá o perigo muito antes de seu guia e avisará com latidos e grunhidos, quando encontrar alguns pessoa ou objetos suspeitos, evitando assim, que o soldado (adestrador) seja surpreendido. Para ensinar um cão a IR EM FRENTE, já que até agora foi ensinado a caminhar ao lado esquerdo de seu adestrador, se escolhe um local solitário onde nada atraí a atenção do animal.

Quando o cão vai caminhando ao local do Soldado (adestrador), este estanca de repente e acaricia o cão dizendo-lhe VAI EM FRENTE, ao mesmo tempo em que lhe indica simultaneamente a direção com a mão direta. A fim de conseguir pouco a pouco que se adiante é necessário que o guia caminhe bem devagar dando sempre o comando de IR EM FRENTE, e como o cão, por si só, deseja passear e farejar sempre adiante, paulatinamente aumentará a distância entre ele e seu guia.

Caminhando por um campo aberto, se obrigará que o cão busque em direção aos dois lados do guia, exercício este adicional, que se obtém facilmente. Ao caminhar o adestrador para o lado oposto da direção que tenha tomado o cão, obrigará que este também o siga neste sentido e assim o adestrador marchará (caminhará) da esquerda para direita e vice-versa, até que o cão tenha aprendido a trançar em maior ou menor distância num amplo ziguezague na frente de seu guia.

Tão logo o cão execute este exercício, de dia, devemos repeti-lo à noite em lugares diferentes.

Podemos ainda utilizar para o treinamento deste exercício uma haste, na qual adaptamos uma roldana e uma guia (corda fina de nylon) de tamanho longo. Podemos ainda contar com o auxílio de um ajudante que permanecerá escondido em um local qualquer, também de posse de uma guia longa que ataremos no pescoço do cão. Nestas duas hipóteses, caso o cão rejeite ou vacile em executar, o exercício. O condutor e o ajudante darão pequenos tirões na guia e ao mesmo tempo o adestrador dará o comando de VAI EM FRENTE, e os respectivos elogios ao animal.

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4. Exercício de RECUAR ou IR PARA TRÁS.

Para o treinamento deste exercício, podemos utilizar dois obstáculos compridos e paralelos, no meio dos quais colocamos o cão e vamos empurrando-o para trás ao mesmo tempo em que se faz o gesto característico e se repete o comando de RECUA ou PARA TRÁS.

Podemos ainda, para ensinar este exercício, utilizarmos duas guias longas que estarão atadas ao colar do pescoço do animal. Adestrador e cão na posição de JUNTO, uma guia em cada mão, vamos dando pequenos tirões para trás ao mesmo tempo em que se repete continuamente a palavra RECUA ou PARA TRÁS.

Se o cão procurar desviar-se devemos a princípio utilizar uma parede a qual deverá estar a esquerda do animal. Se o cão negar-se a caminhar para trás podemos pisar suavemente em suas patas dianteiras sem machucá-lo, pois o animal para evitar que o pisemos retrocederá.

Quando o cão já retroceder sem dificuldade junto ao adestrador devemos ensinar-lhe que o faça afastado do mesmo. O cão na posição de PARADO, na frente do adestrador a uma distancia de meio metro aproximadamente, damos o comando de RECUA ou IR PARA TRÁS.

E caminhando para o mesmo convocando-o a retroceder fazendo gesto com a mão direita. Se o cão parar ou rejeitar o exercício, pisamos suavemente em suas patas fazendo-o retroceder.

5. Exercício de APORT ou SEGURA

Para ensinar um cão a apanhar um objeto qualquer, se começa por introduzir um sua boca um artefato de madeira ou de borracha (halter) Após introduzir o objeto em sua boca, fechamos a mesma para que o cão não solte o objeto, dizendo sempre APORT ou SEGURA. Logo que o cão mantenha durante algum tempo o objeto na boca (por alguns instantes que seja), o adestrador ordenará para que fique segurando o mesmo, repetindo sempre APORT ou SEGURA e elogiando-o com palavras de carinho como MUITO BOM, MUITO BEM, etc.

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6. Exercício de AUSS ou LARGA

Logo o cão mantenha durante algum tempo o objeto na boca, o adestrador ordenará para que o mesmo solte, dizendo-lhe AUSS ou LARGA, ou SOLTE ou ainda TIRA, enquanto tiramos o objeto da boca do cão com suaves puxadas. Sempre repetindo os comandos. Efetuada esta parte do exercício, premiaremos o cão de imediato com palavras de carinho, ao mesmo tempo em que o afagamos.

Após o cão estar perfeitamente condicionado neste tipo de exercício começaremos a distanciar a mão, mandando-lhe apanhar novamente o objeto da mão do adestrador. Repetiremos o exercício até o cão comece apanhar o objeto do solo.

Quando o cão estiver apanhado e soltando com desenvoltura, mudaremos o objeto, trocando-o sempre. O cão para aprender este exercício deve encontra-se na posição de SIT ou SENTA. De acordo com o progresso do ensinamento, vamos aumentando paulatinamente a distância entre o cão e o objeto, até que o animal comece a transpor obstáculos (barreiras, cursos d’água, etc.) com o objeto sem deixá-lo cair.

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7. Exercício de BUSCA.

À medida que a distancia vai sendo aumentada, comandamos ao cão: BUSCA, APORT ou SEGURA.

Recomendamos o uso de objetos bem leves nos primeiros ensinamentos.

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8. Exercício de CORTA

Estando o cão em posição SIT ou SENTA e na frente do adestrador, o qual deverá estar com as mãos amarradas com um cordão fino e pouco resistente, introduzir-se-á o cordão na boca do animal, dizendo-lhe CORTA. Ao mesmo tempo em que faz-se-a o movimento de vai e vem com o cordão entre os seus maxilares. O ele não consiga cortar, força-se as mãos para fora o ajudando até o seu rompimento.

Tão logo isto aconteça elogiar-se-á efusivamente o cão demostrando que ele proporcionou-lhe a liberdade, exclusivamente do animal.

Na medida em que se prossegue com o exercício, o acostumamos a cortar ataduras de várias espessuras e resistência, estando a pessoa que tem as mãos amarradas em diferentes posições (deitado, sentado, com as mãos para frente, com as mãos para trás, etc.).

Na medida em que o cão vai progredindo no exercício, podemos ainda, introduzir junto com palavra CORTA SOCORRO, ou seja, SOCORRO CORTA, porque ai vai dar a entender que ele (o adestrador), necessita de sua ajuda para se libertar. Terminado o exercício, premiaremos o cão com palavras de carinho, ao mesmo tempo em que o afagamos.

CRIAÇÃO DO BICHO DA SEDA  

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Bicho-da-seda

Produção de casulos formados pela lagarta da espécie Bombyx mori é opção de renda em propriedades familiares próximas a tecelagens de seda

Neste mês, completam-se 200 anos da chegada ao Rio de Janeiro da família real portuguesa. Esse fato provocou grandes mudanças no Brasil, tratado até então como uma mera colônia extrativista para abastecer Portugal. Com os pés em terras brasileiras, logo o príncipe-regente dom João começou a tomar medidas que abriram oportunidades para o desenvolvimento de novas atividades agrícolas por aqui - como a sericicultura, a criação do bicho-da-seda.

Atualmente, essa atividade é recomendada sobretudo para gerar renda adicional em pequenas propriedades familiares, que têm à disposição novas tecnologias desenvolvidas pela Apta - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios. No estado de São Paulo, a sericicultura está concentrada em municípios como Bastos, Gália, Duartina e Fernão, entre outros. No Paraná, na região de Maringá. O bicho-da-seda (Bombyx mori) produz um casulo do qual se extrai os fios para formar um tecido de toque suave, cobiçado no mundo inteiro e que nunca sai da moda. O trabalho minucioso e delicado das lagartas da espécie já é explorado pelo homem há muito tempo. Historiadores relatam que, há cerca de 4.600 anos, a seda proveniente do inseto já era explorada para a confecção de roupas da nobreza do império chinês.

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SUPORTE onde as lagartas tecem os casulos

O ciclo de desenvolvimento do bicho-da-seda vai da eclosão do ovo até a transformação da lagarta em mariposa. O período em que vive como a lagarta é dividido em cinco fases ou idades, durante as quais é sempre alimentada com folhas da amoreira (Morus spp.).

Quando atinge tamanho que varia de sete a oito centímetros e não come mais, o bicho-da-seda deve ser transferido para o "bosque", um suporte para o inseto tecer o fio. Num movimento constante da cabeça, a lagarta produz um casulo em volta de si, a partir de um fio contínuo de cerca de 1,2 metro.

No interior de um galpão, chamado de sirgaria, o manejo do inseto é feito sobre esteiras, que também são conhecidas como camas de criação. O local deve ser limpo, livre de contaminação e com boa circulação de ar. Além disso, é preciso controlar a temperatura e a umidade relativa do ar do ambiente, mantendo-o em níveis adequados a cada idade do bicho através de abertura de janelas, para assegurar o bom trabalho dos bichinhos operários.

Raio X

CRIAÇÃO MÍNIMA: meio hectare
INVESTIMENTO INICIAL: em torno de 45 reais a caixa com 33 mil lagartas, além da formação do amoreiral e construção do galpão
RETORNO: safra de 70 quilos pode render 500 reais
REPRODUÇÃO: de 400 a 500 ovos por mariposa

Mãos à obra

BARRACÃO com folhas de amoreira, para alimentar as lagartas

INÍCIO - adquira o bicho-da-seda já na fase da lagarta, quando medem pouco mais de 1,5 centímetro. A dedicação do produtor no trato do inseto é muito importante para obter casulos de qualidade, o que define o preço pago ao criador (o quilo pode ser cotado a mais de seis reais).
AMBIENTE - nos primeiros sete dias de vida, durante a primeira e a segunda idade da lagarta, a temperatura ideal para o local de criação é de 26 a 27 graus e umidade relativa do ar de 90%. Na terceira e quarta idades, são recomendados de 24 a 25 graus e umidade de 75%, enquanto na quinta idade o ideal é 23 graus e umidade de 70%.
ESTRUTURA - as lagartas são criadas sobre esteiras dentro de barracões, com medidas que podem variar de acordo com o espaço disponível. Um galpão de nove metros de comprimento por seis de largura, por exemplo, pode ser considerado para uma pequena propriedade agrícola, rendendo até 70 quilos de casulo por mês durante a safra.
INTEGRAÇÃO - há empresas no mercado que disponibilizam ao produtor interessado toda a estrutura de apoio para a criação, inclusive as lagartas. Fornecem insumos para a desinfecção das instalações e mudas de amoreiras, além de assistência técnica em todo o processo de produção.
ALIMENTAÇÃO - para o desenvolvimento da lagarta, é necessário fornecer folhas de amoreira. A Apta multiplica e disponibiliza cultivares desenvolvida pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo, de elevada produção e valor nutritivo. Entre os mais destacados estão IZ56/4, IZ15/7, IZ13/6, IZ10/4, IZ40,
PROPAGAÇÃO - o cultivo de amoreiras é feito por estacas, que podem produzir folhas por um período de 15 a 18 anos para alimentar o bicho-da-seda. O corte deve ser diário, para oferecer às lagartas refeição fresca. As folhas devem ser oriundas de plantações livres de pragas, doenças e impurezas, nem mesmo terra.
REPRODUÇÃO - ocorre na fase adulta da mariposa, que surge a partir da transformação da lagarta dentro do casulo. Após o acasalamento, a fêmea inicia a postura dos ovos, que chega a somar de 400 a 500 unidades.


CICLO DO BICHO DA SEDA (PDF)

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HIGIENIZACAO DAS INSTALACOES DOS CAPRINOS  

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Higienize as instalações

A higiene é um conjunto de medidas visando preservar a saúde dos animais, sendo constituído de limpeza e desinfecção.

A limpeza das instalações deverá ser realizada diariamente ou, pelo, menos a cada dois dias.A desinfecção deve ser feita a cada 30 dias no sistema intensivo, e a cada 60 dias no sistema semi-intensivo.

- Faça a limpeza do curral de chão batido.

- Limpe o curral usando rodo de madeira.

- Varra o curral com vassoura.

RETIRE AS FEZES DO CURRAL:

-A retirada de fezes pode ser feita com carro de mão, balde ou outro recipiente disponível.

- Coloque as fezes em esterqueira.Quando não houver esterqueira, as fezes devem depositadas em local cercado, para evitar contaminação dos animais.Faça a limpeza do piso ripado.

- Raspe com espátula as fezes.

- Limpe o piso ripado com vassoura.

- As fezes acumuladas abaixo do piso ripado devem ser retiradas periodicamente e levadas paraa esterqueira ou para um local cercado.

A DESINFECÇÃO DAS INSTALAÇÕES:

A desinfecção consiste na aplicação de produtos químicos para diminuir as chances de ocorrência de doenças.Para desinfetar devem ser utilizados produtos à base de iodo, amônia quaternária, hipoclorito de sódio (água sanitária) ou cresol.

- Prepare a solução para desinfecção da instalação.

a) Prepare solução de iodo

- Coloque 20 litros de água em um balde.
- Meça 200 ml de tintura de iodo a 10%.
- Coloque 200 ml de tintura de iodo no balde.
- Misture a solução utilizando um agitador de madeira.

b) Prepare a solução de hipoclorito de sódio.

- Coloque20 litros de água em um balde.
- Meça 200 ml de hipoclorito de sódio a 10%.
- Coloque 200 ml de hipoclorito de sódio no balde.
- Misture a solução.

c) Prepare a solução de cresol.

- Coloque20 litros de água em um balde.
- Meça 20 ml de creolina
- Coloque 20 ml de creolina no balde
- Misture a solução.

d) Prepare solução de amônia quaternária
A recomendação do fabricante deve ser seguida.

DESINFETE AS INSTALAÇÕES PULVERIZANDO COM SOLUÇÃO:

A desinfecção das instalações deve ser feita com uma das soluções citadas anteriormente.

Precaução: Na pulverização da solução desinfetante o operador deve utilizar o equipamento de proteção individual (EPI) ou, pelo menos, luvas, botas e máscara para prevenir intoxicações.

a) Reúna o material.

Pulverizador costal, balde com a solução, máscara, luvas, botas, pano)

b) Coloque a solução no pulverizador.

Precaução: Quando, ao colocar a solução ocorrem respingos ou vazamentos na parte externa do pulverizador, deve-se enxugá-lo com um pano para evitar contato da solução com a pele do operador, previnindo-se intoxicações.

c) Pulverize as paredes, as cercas e o piso das instalações.

DESINFETE AS INSTALAÇÕES UTILIZANDO VASSOURA DE FOGO:

A vassoura de fogo é um equipamento também conhecido com lança-chamas, que, ligado a um botijão de gás, funciona como um maçarico.

A " vassoura " deve ser passada na instalação uma vez por semana no sistema intensivo, e a cada trinta dias no sistema semi-intensivo.

Precaução:
1 - nos materiais combustíveis ( madeira, plástico, fios) o lança-chamas deve ser passado rapidamente para evitar queima.
2 - O registro do botijão dese ser fechado ao final de cada operação.

BUCHADA DE BODE  

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Buchada de bode
Um amigo lá do nordeste(Natal),ao passar pelo meu blog, mandou-me um email perguntando-me onde estava a receita da buchada,retornei o email,pedindo sua colaboração, no sentido de me enviar a receita para quê pudesse publicá-la, e aí está:
receita enviada por PAULO FERNANDES AMORIM, Natal(RN)

  • 1 bucho grande de cabrito
  • Vísceras de 1 cabrito (rins, tripa, fígado, língua, coração)
  • 1 colher (sopa) de tempero seco (cominho e pimenta do reino)
  • 1 maço de coentro
  • 1/2 xícara de azeite de boa qualidade ou 200 g de toucinho cortado em cubinhos bem pequenos
  • 2 cebolas grandes
  • 2 colheres (sopa) de colorau
  • 2 colheres (sopa) de sal
  • 2 pimentões grandes
  • 3 colheres (sopa) de vinagre ou suco de limão
  • 6 limões grandes
  • 8 dentes de alho amassados

  1. Limpe bem todas as vísceras, retirando a cartilagem e o sebo
  2. Limpe o bucho, lavando-o várias vezes em água corrente e esfregando o limão por dentro e por fora
  3. Leve o bucho e as vísceras ao fogo para escaldar um pouco
  4. Depois da fervura retire do fogo e limpe bem o bucho, raspando com uma faca. Separe.
  5. Retire alguns resíduos restantes e a pele da língua e corte as vísceras e o t em pedaços bem pequenos.
  6. Junte o bucho e as visceras em uma bacia e tempere com o tempero seco, o coentro, o sal, a cebola, o alho, os pimentões picados e o colorau
  7. Junte o vinagre ou o suco de limão e deixe marinar por pelo menos cinco horas.

Passado o tempo de marinar, é hora de fazer os saquinhos da buchada:

  1. Separe o bucho e os miúdos.
  2. Corte o bucho do bode em pedaços grandes e dobre-os ao meio (um bucho de bode rende de 6 a 8 pedaços), costurando com agulha e linha grossa os lados e deixando apenas uma abertura por onde será colocado o recheio.
  3. Junte o toucinho às vísceras marinadas e recheie com eles os saquinhos, fechando a abertura com agulha e linha
  4. Leve os saquinhos recheados ao fogo em uma panela grande com água e deixe cozinhar por algumas horas ou até que, apertando com as costas do garfo ou de uma colher, o bucho esteja mole, quase cedendo.
  5. Sirva quente, acompanhado com mocotó, arroz e farofa

CARNE DE CAPRINOS  

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A carne de caprino – que tem no Brasil um grande produtor mundial, sendo a região Nordeste a responsável por 90% da produção nacional – é apresentada como melhor alternativa para quem deseja uma alimentação mais saudável. Muitos médicos têm incentivado o consumo, por considerá-la uma alternativa viável para o brasileiro.
Estes e outros assuntos relacionados à ovinocaprinocultura serão discutidos por técnicos durante o 1º Seminário de Ovinocaprinocultura do Extremo Sul da Bahia, que será realizado em Eunápolis, no auditório da Ceplac – no centro da cidade – no próximo dia 4 de setembro, com palestras das 08h às 16:30h.
Segundo o secretário de Agricultura do município, Everaldo Borges, um dos realizadores do evento que pretende atrair produtores, potenciais produtores e pessoas interessadas no assunto de todo o extremo sul do Estado, “o objetivo do seminário é buscar a profissionalização e a integração da cadeia produtiva da ovinocaprinocultura, além de despertar e consolidar a atividade na região”.
PROGRAMAÇÃO
A programação da manhã do 1º Seminário de Ovinocaprinocultura do Extremo Sul da Bahia prevê a apresentação de três painéis: “A Cadeia Produtiva na Ovinocaprinocultura”, apresentada pelo coordenador Estadual do Projeto Aprisco Robério Araújo; “O Agronegócio da Carne: Condições, Exigências e Perspectivas para Inserção no Grande Mercado Nacional”, a ser proferida por Roberis Ribeiro da Silva, professor da universidade Federal da Bahia; e o terceiro painel “Protocolo da Ovinocaprinocultura”, apresentado por Antonio Costa Pinto.
À tarde estão programados os debates envolvendo representantes da Bahiapec, Banco do Brasil, Governo do Estado, e a discussão de linhas oficiais de financiamentos (Desdedite Brito de Souza do Banco do Brasil, Sebastião José da Costa e Alan Andrade Luz do Banco do Nordeste); “Experiências e Resultados da Ovinocaprinocultura na Bahia, pelo presidente da Associação de Caprinos e Ovinos da Bahia, Emanuel da Silva Biscarde; e mais os painéis: “Gramíneas e Leguminosas Adaptáveis ao Extremo Sul da Bahia”, apresentado pela dra. Cláudia Paula, pesquisadora da Ceplac, e “Produção, Raças e Manejo da Ovinocaprinocultura”, pelo dr. Áureo Neves, professor da Universidade Federal da Bahia
VANTAGENS
O Nordeste brasileiro semi-árido tem sido assumido, durante séculos, como área de vocação pecuária, especialmente, para a exploração dos ruminantes domésticos. Notadamente os caprinos e ovinos, face à característica de adaptação e ecossistemas adversos que é fortemente influenciado pelos seus hábitos alimentares.
“A criação de caprinos, essencialmente nordestina – comenta Geraldo Magela, tradicional criador da região – será a redenção do Nordeste, por se tratar da região mais propícia para a sua criação, devido ao clima com baixo índice pluviométrico”. Ele acredita que em pouco mais de 10 anos o Brasil se transformará no principal produtor mundial de caprinos”.
Para o secretário da Agricultura de Eunápolis, Everaldo Borges, “estaremos firmes no mercado internacional, porque Governos federal, estadual e municipal (Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Sebrae e criadores) conseguiram enxergar que esta é a vocação natural do Nordeste, que não adianta lutar contra a natureza, só caprinos conseguem conviver com a seca”, raciocina o secretário.
CARNE SAUDÁVEL
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou as características das principais carnes e os dados evidenciam que a carne de caprinos é a de mais baixo teor calórico, e que a sua gordura saturada é 44% mais baixo até mesmo que a do frango despelado. Outros aspectos importantes da carne de caprino é o seu teor protéico similar e teores de ferro superiores as demais carnes.
Dados existentes na literatura internacional mostram que apenas 30% da gordura existente na carne de caprinos é formada por ácidos graxos saturados. A carne de caprinos, independente da idade, da raça e da região onde é produzida, apresenta uma boa fonte de proteína, com uma gordura saudável, apresentando conseqüentemente, um risco mínimo de consumo de colesterol.

PRODUÇÃO DE CARNE CAPRINA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS  

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“PRODUÇÃO DE CARNE CAPRINA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS

1. Introdução

Muito se tem falado sobre a caprinocultura de corte nacional, particularmente sobre o seu futuro, pois de seu passado todos reconhecem a importância social, embora raras vezes seja levantado um exemplo de um empreendimento de sucesso. Com a expansão da raça Boer, o interesse pela caprinocultura de corte tomou proporção jamais vista na caprinocultura de corte mundial e esse efeito pode ser claramente percebido no Brasil. Porém esse boom esteve em primeiro momento muito mais associado à venda de animais puros para reprodução do que à produção de carne propriamente dita. Embora essa visão seja a predominante, a cada dia evidencia-se que, para o desenvolvimento sustentável da atividade, muitos outros elementos devem ser adicionados à equação. Fica claro que a atividade só irá prosperar se evoluir como um todo, com os diversos elos da cadeia produtiva participando do processo e ser tratada como um agronegócio, ou seja, com profissionalismo e uma visão empresarial.

2. Situação atual da caprinocultura do Brasil e no mundo

Segundo a FAO (2001), o rebanho mundial de caprinos em 2000 era de 715.297.550 cabeças, das quais 96% estão em países em desenvolvimento, com apenas 4% nos países desenvolvidos. Há 40 anos atrás o efetivo caprino dos países desenvolvidos era de 31,7 milhões de cabeças, sendo atualmente de 29,1 milhões, o que representa um decréscimo de 9%, enquanto nos países em desenvolvimento esse número era de 315,9 milhões em 1961 e de 686,2 milhões em 2000, mostrando um aumento de 117%.

Atualmente a China é o maior rebanho mundial, com 148,4 milhões de cabeças, o que representa 20% do efetivo mundial. Em seguida vêm a Índia e o Paquistão. O Brasil fica na décima colocação, com um rebanho de 12.600.000 cabeças, cerca de 2% do rebanho mundial.

Com relação à distribuição do efetivo caprino brasileiro, pelos dados do IBGE (2001), referentes ao censo agropecuário de 1996, o quadro apresenta um padrão idêntico ao mundial. Considerando-se as regiões Sul e Sudeste como desenvolvidas e Norte, Centro-Oeste e Nordeste com o em desenvolvimento, 4% dos caprinos estão no primeiro grupo e 96% no segundo.

Vale ressaltar que 94% do rebanho nacional está na região Nordeste, onde prevalecem condições edafo-climáticas desfavoráveis. Nessa situação os caprinos assumem uma grande importância social, pois chegam a ser a única fonte de renda em determinadas circunstâncias e deles depende a sobrevivência de muitos nordestinos. Porém, talvez até mesmo associado a esse papel, o mesmo no Nordeste raras vezes a caprinocultura é vista como uma atividade de empresarial e é freqüentemente considerada uma atividade marginal, e não uma atividade de grande potencial econômico.

O próprio nordestino, criador de “bode”, evidencia claramente o seu procedimento associando uma imagem de maior status ao criador de boi, renegando a espécie que de fato o sustenta.

Nas demais regiões do país, onde o efetivo é muito maior, muitos assimilaram de maneira distorcida o conceito de “rusticidade” dos caprinos, imaginando que, se no Nordeste, onde as condições são precárias, se produz “bode”, os resultados obtidos em condições mais “favoráveis” seriam muito melhores. A realidade não é bem essa, e sob certos aspectos é mais difícil criar caprinos nas tais condições “favoráveis”.

3. Os novos cenários

Alguns conceitos vêm transformando radicalmente as atividades pecuárias de interesse econômico. Embora não se esquecendo do papel social da caprinocultura, essa nova realidade deve ser absorvida também por essa atividade. Deve-se enfocar:

- o “agronegócio da caprinocultura”, onde o objetivo não é produzir mais cabritos ou kg de carne por área ou por matriz: o objetivo é produzir mais lucro para o empresário. Logicamente, certos conceitos complementares não devem ser esquecidos, como sustentabilidade do investimento e a utilização de práticas ecologicamente adequadas. Diz respeito ao tratamento de uma atividade agropecuária como um negócio a “cadeia produtiva da caprinocultura”, onde deve estar clara a idéia de que ninguém está sozinho na atividade. No assunto em questão, a produção de caprinos envolve desde os fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, curtumes, indústria calçadista e de vestuário, entre tantos outros elementos que poderiam aqui ser mencionados.

No meio de tudo isso está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas o segmento menos organizado, que menos tem evoluído, que menos tem se tecnificado, e em conseqüência disso, o segmento que paga as contas. Acaba por sustentar os elos precedentes e posteriores da dita “cadeia produtiva”. A partir do momento que ele se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai se preocupar com seu desenvolvimento econômico de uma forma mais abrangente, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada, e perceber que ao se reunir em associações e cooperativas ele beneficia o seu vizinho, mas que também é beneficiado com isso. Vai, então, visualizar com mais clareza que o sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Então entenderá que todos têm que participar da discussão do futuro da atividade. Se cada segmento der o seu quinhão de colaboração, todos se beneficiarão e a atividade poderá, de fato, prosperar.

Um dado importante e que deve ser a base de todo esse processo, é o mercado efetivo e o potencial, e o que vem acontecendo com ele. Se observado o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 40 anos, o quadro é desanimador: o consumo de carne é rigorosamente o mesmo nas últimas 4 décadas. Se, por outro lado, for avaliado o mercado potencial, e comparando-se o histórico de outras carnes, algumas simulações feitas para a Região Sudeste indicam que, para alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho dessa região deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, que já por mais de uma vez fizeram sondagens da possibilidade de exportação do Brasil, evidencia-se um mercado potencial muito promissor.

4. Sistemas de Criação

Classicamente, existem três sistemas básicos de criação: intensivo, semi-intensivo e extensivo. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerado um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem artificial utilizada sem uma manejo adequado pode ser considerada um sistema extensivo.

Qualquer sistema de criação deve considerar uma série de áreas de atuação. Todos os itens estão interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de esforço necessário e compatível com cada setor. Principalmente, é fundamental o conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com características diferentes.

4.1. Nutrição

Com relação à nutrição, o principal objetivo deve ser o de maximizar as potencialidades de cada região, aproveitando da melhor forma possível o que ela pode oferecer. Portanto, em regiões de terras férteis e clima favorável, deve-se considerar a utilização intensiva de insumos, buscando-se alta produtividade. Em regiões menos privilegiadas, deve-se buscar otimizar o seu potencial de produção sustentável, ou seja, o quanto é possível produzir, com investimentos passíveis de retorno, e de forma sustentável, sem degradar a vegetação existente e sem prejudicar o ambiente. Portanto, em algumas regiões haverá alimento suficiente para lotações de até 50 cabras por hectare e com animais prontos para o abate aos 4 meses de idade ou até menos. Em outras regiões, a lotação será medida em hectares por animal e o abate será muito mais tardio, pois caso se utilize uma lotação muito elevada, os alimentos disponíveis simplesmente se extinguirão em pouco tempo. Uma situação não é necessariamente melhor do que a outra. É, sim, mais ou menos adequada a cada realidade. A identificação da potencialidade de cada região deverá determinar as opções alimentares mais adequadas.
4.2. Instalações

Com relação às instalações, deve-se, inicialmente, definir com clareza quais as suas finalidades: deve proteger os animais das intempéries climáticas e de predadores, dando-lhes maior bem estar, favorecer a rotina de trabalho e as práticas de manejo pertinentes. Deve ser muito bem planejada, pois sua vida útil é longa, normalmente superior a 10 anos, não raro chegando aos 30 anos. Um erro de concepção pode implicar em dificuldades operacionais que teriam sido evitadas com um pouco mais de cuidado e atenção. Além disso, esse é um investimento realizado na fase de implantação do projeto, quando normalmente o fluxo de entradas ainda não se estabeleceu, e implica em um elevado montante de recursos financeiros. Portanto, pode acarretar um impacto nos custos variáveis, uma vez que pode influenciar no desempenho dos animais e da mão-de-obra.

Outro aspecto a considerar são as particularidades de cada região, tanto no que diz respeito aos fatores climáticos, quanto no que diz respeito aos materiais disponíveis. Certamente as instalações utilizadas no Sertão de Pernambuco serão diferentes das necessárias para a Zona da Mata Mineira ou do Brejo Paraibano.

Com relação ao nível de investimento, mais do que nunca se deve considerar sua relação benefício:custo, logicamente atrelado à disponibilidade de recursos. Ainda, vale ressaltar que as instalações não melhoram ao longo do tempo. Muito pelo contrário, pioram, se desgastam, se deterioram, sendo algo complexo e oneroso sua recuperação ou melhoria, diferente do que pode ser feito com os demais itens.

4.3. Sanidade

A sanidade do rebanho deve ser considerada em vários aspectos e momentos. No início da atividade, a preocupação deve ser definir com bastante clareza os cuidados a serem tomados, para começar com o rebanho "limpo". Esse é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importantes problemas sanitários no rebanho. A idéia de que no início da atividade não há necessidade de se preocupar muito com esse aspecto, que depois que as coisas tiverem mais organizadas é possível “limpar” o rebanho, é totalmente equivocada. Ainda nesse contexto, sempre que possível é conveniente a utilização de rebanho “fechado”, ou seja, rebanhos onde, após a aquisição inicial de animais, só sai, entrando apenas animais utilizados para o melhoramento genético do rebanho. Nessa situação, minimiza-se o risco de entrada de novas doenças no rebanho.

Além das doenças, deve-se preocupar com caracteres indesejáveis no rebanho. É o caso da politetia, por exemplo. É uma característica hereditária que, uma vez introduzida, dificilmente será erradicada. Outro aspecto diz respeito aos chifres: se a opção for por trabalhar com animais mochos ou descornados, a presença de alguns animais chifrudos poderá vir a ser um transtorno. Além disso, ao se utilizar fêmeas mochas deve haver um cuidado especial na escolha dos machos, para se evitar problemas de intersexualidade. Esses cuidados devem ser ainda maiores quando se utiliza machos naturalmente mochos.

A outra linha de atuação diz respeito aos problemas sanitários introduzidos no criatório, muitos dos quais inevitáveis. Para eles, deve-se estabelecer práticas de rotina adequadas, para minimizar o seu impacto. Em alguns casos o correto é a erradicação da doença. Em outros, o razoável são as práticas que minimizam os prejuízos e que permitam um convívio aceitável com a doença.

Portanto, de uma forma geral, esse assunto deve freqüentemente ser considerado, desde o início da atividade e durante todo o seu transcorrer. Um momento de descuido pode colocar abaixo anos de trabalho sério e cuidadoso.

4.4. Reprodução

O desempenho reprodutivo determina, em grande parte, a quantidade a ser comercializada e é através dela que o melhoramento genético se efetiva. Da fertilidade, principalmente quando associada à prolificidade, depende o número de animais nascidos. Mas de uma boa habilidade materna depende o número e as condições em que os cabritos são desmamados.

Alguns procedimentos simples podem ter um importante impacto em seu desempenho, como separação das crias antes de entrarem na idade reprodutiva, para evitar cruzamentos indesejáveis, escolha e manejo adequado dos reprodutores, suplementação alimentar estratégica.

Práticas mais sofisticadas permitem uma importante aceleração nos resultados, mas exigem uma grande organização do rebanho e níveis de investimento mais elevados. Encontram-se nessa situação a inseminação artificial e a transferência de embriões. A primeira deve se popularizar mais rapidamente, ainda porque é fundamental para programas de melhoramento mais consistentes. A segunda, ainda por um bom tempo, deverá ficar restrita aos criatórios de elite, que comercializam reprodutores e matrizes.

De qualquer forma, mais uma vez o fundamental é definir quais as exigências e as potencialidades de cada sistema, e determinar as práticas de manejo reprodutivo mais adequadas a cada um.

4.5. Manejo

As práticas de manejo são totalmente dependentes do sistema de criação adotado, e devem ser definidas em sua função. Um conceito que deve ficar claro é que a produção de carne deve ser desenvolvida em sistemas bem mais simples do que a produção de leite. Como a receita por matriz é substancialmente menor, o custo também deve ser reduzido ao mínimo, para que o investimento se viabilize. Esse aspecto leva a um outro ponto importante: a questão da escala, que deve ser bem maior na caprinocultura de corte do que na de leite.

As práticas de manejo estarão intimamente associadas a esses conceitos, pois na produção de carne um homem deverá ser responsável por um número de animais muito maior do que na exploração de leite. Isso implica em encarar a atividade de uma maneira mais massal e simplificar ao máximo as diversas operações. Logicamente, sistemas mais intensivos terão uma maior demanda de mão de obra, mas isso deverá estar vinculado a um aumento de receita compatível.

4.6. Melhoramento genético

Esse certamente é um ponto crítico. Ele está intimamente ligado com todos os tópicos até aqui abordados. Da mesma forma que não existe o alimento perfeito, não existe a raça perfeita. Existe, sim, a raça, ou, talvez melhor, o tipo de animal mais adequado a cada sistema de produção. Porém, estranhamente, muitas vezes esse é o primeiro tema a ser considerado pelo interessado em ingressar na atividade. Na realidade, deveria ser um dos últimos, vindo depois de um levantamento cuidadoso das potencialidades e limitações de cada situação.

Segundo Gipson, “todos os caprinos são caprinos de corte”, uma vez que pode ser abatido e consumido. E esse conceito é compartilhado por muitos. Porém, quando se encara a caprinocultura de corte por um prisma empresarial, dando-lhe o enfoque de uma atividade especializada, existem muitas características desejáveis nos animais para que se obtenha bons resultados.

Deve-se buscar animais com um bom rendimento de carcaça, com uma proporção músculo:gordura:ossos adequada e com uma boa distribuição do músculo na carcaça. Ou seja, é conveniente um elevado rendimento de uma carcaça com um bom volume de músculo e a gordura necessária para garantir sua suculência, conservação e sabor, com uma maior proporção de deposição muscular nos cortes mais nobres.

Porém, isso não basta: não se pode esquecer a qualidade dessa carne. Nesse item devem ser consideradas as características visuais, sensoriais e nutricionais. Em outras palavras, o consumidor deve olhar para a carne e se sentir atraído por ela, mas essa manifestação favorável deve permanecer quando de seu consumo, com o atendimento às suas expectativas em termos de paladar. Se ainda for uma carne com aspectos nutricionais atraentes, como baixos níveis de colesterol, tanto melhor.

Mas não basta: é fundamental um bom ritmo de crescimento, situação em que devem ser considerados os pesos e os ganhos em peso para diferentes idades. Muitas vezes os menos avisados se impressionam com reprodutores muito grandes e pesados, mas se esquecem que não é esse o tipo de animal habitualmente consumido. Portanto, deve-se buscar aquele animal que apresente melhor desempenho para o peso de abate exigido pelo mercado em questão.

As características reprodutivas também devem ser consideradas, buscando-se animais que não sejam sazonais, com uma boa fertilidade e prolificidade, com um pequeno intervalo de partos e cabras com uma boa habilidade materna, que permitam a obtenção de um bom número de cabritos desmamados por cabra.

Em outras palavras, é desejável que uma boa proporção das cabras conceba, mas que além disso seja gerado um bom número de cabritos por parto e que esses nascimentos ocorram com regularidade ao longo do ano. Mas não basta nascer: a cabra deve ser capaz de cuidar bem de sua(s) cria(s), favorecendo o seu desmame em boas condições.

Se o intervalo de partos for curto, melhor ainda: o número de partos e conseqüentemente de crias desmamadas será maior ao longo da vida produtiva da cabra.

Outros aspectos que também devem ser considerados são adaptabilidade e resistência a doenças. Os animais devem se adaptar e produzir de maneira eficiente em diferentes condições climáticas e de manejo, sendo pouco susceptíveis a problemas sanitários como endoparasitoses.

Uma vez conhecidas as características desejáveis nos animais destinados à produção de carne, deve-se avaliar o material disponível na região ou para importação, para decidir com o que trabalhar. Ao se estudar a necessidade de importação de animais deve-se antes de tudo, comparar o desempenho da população existente e dos produtos de cruzamentos com a raça importada em questão. Se o desempenho da população local for superior, não se justifica a importação, partindo-se então para a seleção do material disponível. Caso os cruzamentos com a raça exótica apresentem resultados superiores, deve-se avaliar que proporção dessa raça apresenta o melhor desempenho. Se forem os animais puros, o caminho são os cruzamentos absorventes; se forem animais cruzados, a informação necessária é qual a proporção de cada raça que permite o melhor desempenho. De um estudo sério e cuidadoso, buscando respostas a essas questões, é que deve partir a orientação da importação ou não de uma nova raça e a forma mais adequada para a sua utilização. Vale lembrar que na avaliação da melhor raça, ou proporção de raças, o que deve ser observado é o desempenho econômico dos produtos.

Hoje existe uma verdadeira apologia aos caprinos Boer, raça de origem sul-africana que tem sido aclamada pelo mundo como a grande produtora de carne dos caprinos. De fato, trata-se de uma raça com excepcionais características: uma excelente carcaça, animais com um bom desempenho, mas o que de fato se conhece dessa raça nos dias de hoje? Embora o volume de informações disponíveis nos mais variados veículos de comunicação seja enorme, aquelas de boa qualidade, provenientes de trabalhos de pesquisa sérios e isentos, são raras. E mais: é difícil identificar dentre um volume tão grande de informações no que de fato se pode confiar.

Uma informação equivocada que é freqüentemente apresentada com relação à raça Boer é de que ela é a única raça caprina especializada para corte. Ela pode até ser a melhor, mas certamente não é a única. Dentre outras, pode-se mencionar a Kiko, a Miotônica, a Spanish, a Savana e a própria Pigmy, além da Anglo Nubiana, considerada uma raça de dupla aptidão por excelência.

Dentre as raças utilizadas para produção de carne caprino, no mundo, podem ser citadas:

¨ Boer – A raça Boer tem esse nome por ser a palavra alemã que representa carne. Provavelmente é derivada de cabras indígenas africanas com possível contribuição de raças indianas e européias, no século passado. Os caprinos Boer “melhorados” surgiram no início deste século, quando um grupo de criadores iniciou a criação de um caprino tipo carne com boa conformação, alta taxa de crescimento e fertilidade, pelo branco curto e marcações vermelhas na cabeça e peito. Desde 1970 esta raça foi incorporada ao Esquema Nacional de Teste de Desempenho de Ovinos e Caprinos de Corte da África do Sul, o que faz com que seja a única raça caprina envolvida efetivamente em teste de desempenho para produção de carne. São animais grandes, com altura de 82 a 90 cm para machos e 65 a 80 cm para fêmeas. Quanto ao peso, os machos pesam de 80 a 90 kg e as fêmeas entre 50 e 70 kg, ainda que possam alcançar pesos maiores. Tem orelhas pendentes e chifres. Originalmente tinha pêlo curto de cores variadas, mas atualmente é preferivelmente branca com cabeça e peito vermelhos.

¨ Kiko – Esta raça australiana de corte foi desenvolvida em duas décadas de seleção intensiva. Foi iniciada pelo cruzamento de cabras australianas selvagens (já descritas) com bodes de raças leiteiras (especialmente Anglo Nubiano), com a primeira geração de progênie fêmea sendo selecionada para conformação geral, vigor, temperamento, prolificidade, taxa de crescimento e, especialmente, tamanho e, então, retrocruzadas com bodes leiteiros. A palavra Maori para carne é “kiko”.

¨ Miotônica ou Tennessee – São animais de tamanho médio, com pelagem branca, preta ou em faixas. Conta a história que todos os caprinos dessa raça nos Estados Unidos descendem de 4 animais deixados no Tennessee no início do século. São animais que sofrem de um miotonia hereditária, que faz com que os membros animais por vezes fiquem rígidos, por alguns segundos.

¨ Spanish – São caprinos com origem não necessariamente espanhola ou mexicana, encontrados inicialmente no Texas, vêm de uma herança mista, havendo pouca padronização na aparência ou desempenho. Geralmente apresentam orelhas curtas.
¨ Australiana e Neo-zelandeza selvagem – Não são genuinamente selvagens, mas sim animais domésticos que fugiram ou foram libertados. Se intercruzaram amplamente com a maioria das raças, formando um grupo heterogêneo. Apresentam baixa produtividade nas condições em que vivem, mas têm considerável potencial para maiores produções em ambiente mais favorável. Tem sua importância pela sua disponibilidade e número, sendo abatidos e exportados para diversos países.

¨ Pigmy – É uma raça originária das West African Dwarf e apresentam principalmente uma coloração denominada Agouti, com marcas dorsais e faciais escuras. São animais pequenos, pesando de 15 a 25 kg. É um caprino resistente e adaptável a diversos climas. Também são utilizados como “pets”.

¨ Anglo Nubiana – É considerada uma raça de dupla aptidão (carne e leite). Esta raça foi desenvolvida na Inglaterra a partir de raças indianas, africanas e européias leiteiras. São animais grandes, onde as fêmeas podem chegar a 90 kg e os machos, 140 kg. Com pelagem de qualquer coloração ou padrão, têm orelhas longas e pendentes.

Contudo, não há muitos resultados disponíveis na literatura de resultados de desempenho, no Brasil, da maioria destas raças. Na tabela abaixo podem ser observados alguns resultados das mesmas.

Em termos de Brasil, especial atenção deve ser dada às raças nativas, como Moxotó e Canindé, e a grande maioria do rebanho nordestino, que não apresenta uma padronização, mas apresenta uma série de características comuns e que constituem o grande efetivo nacional.

5. Considerações Finais

Se as considerações finais fossem baseadas na situação atual da caprinocultura de corte nacional, nos índices de produtividade alcançados pelos produtores e na adequação dos sistemas às diferentes realidades, o quadro seria desanimador. A outra alternativa é considerar o potencial do Brasil para o desenvolvimento dessa atividade, o tamanho do rebanho nacional e as perspectivas de mercado nacional e mundial. A opção mais adequada parece ser reconhecer as limitações atuais da atividade, tanto no campo tecnológico quanto de organização, para determinar onde há necessidade de maior atenção e investimento, seja por parte dos produtores, seja por parte dos fornecedores de insumos, consumidores e governo. Se isto for feito de maneira séria e organizada, o Brasil poderá, em breve, ser o mais importante país no cenário da caprinocultura de corte mundial. Se isso não for feito, se prevalecer o interesse de uns poucos, de grandes lucros hoje e nenhuma preocupação com o amanhã, a caprinocultura será mais uma atividade mal explorada, onde poucos ganharão muito e a maioria esmagadora amargará repetidos prejuízos, será mais um vazio no cenário nacional...

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