26 de nov. de 2019

Abate Comercial de Animais Silvestres



5. ABATE COMERCIAL

O produtor tem poucos caminhos a seguir com relação ao abate. O primeiro deles é contratar os serviços de um abatedouro de pequenos animais, (essa categoria de estabelecimentos abate suínos, ovinos e outros pequenos animais), que tenha inspeção sanitária. Com mínimas adaptações, sua estrutura pode ser usada para o abate de capivaras, catetos, queixadas, pacas e javalis (OLIVEIRA, 2008).

Figura 2: Carcaça de jacaré.

A maioria dos criadores começa fazendo o abate caseiro, que geralmente é feito no quintal de suas casas e sem as menores condições, depois percebem que a distribuição de seu produto, em escala comercial, torna-se inviável porque não há como comercializar sem o aval da inspeção. Outro aspecto a considerar é que a infra-estrutura disponível, para o abate caseiro, geralmente é bastante precária inviabilizando o abate de um maior número de animais, e pior são as condições higiênicas que são desfavoráveis, comprometendo a qualidade do produto que será entregue a uma clientela que, normalmente, ainda está desconfiada diante de um produto novo. Portanto, na hora de planejar um criatório, deve-se levar isso em consideração (OLIVEIRA, 2008).
Quanto à legislação, essa modalidade de abatedouro está amparada legalmente para fazer o abate de pequenos animais de qualquer espécie, inclusive silvestres, sendo necessário também o registro junto ao IBAMA. O maior problema a ser enfrentado por quem tem animais para abate é a baixa prioridade dada aos animais silvestres nesse tipo de frigorífico. Estabelecidos especializados no ramo de suínos, por exemplo, considerando ainda o pequeno significado do abate de animais silvestres em seu faturamento, acabam dando muito mais prioridade ao abate de suínos (ROCHA, 2001).

Figura 3: Limpeza de carcaça de jacaré.

As alternativas para o produtor são a verticalização da atividade com a construção de um abatedouro ou as parcerias entre os criatórios e os frigoríficos. Na primeira alternativa é preciso, obviamente, levar em conta que há necessidade de alta produção para que o abatedouro se torne economicamente viável, tanto em termos de retorno ao investimento feito em infra-estrutura, como nos custos de operação (OLIVEIRA, 2008).
Outra saída é a associação entre criadores para a construção de um abatedouro comum.
Essa opção significa menos investimento para cada criador e mais oferta de animais para o abate. 
A implantação de um abatedouro depende, portanto, da resposta a duas perguntas muito importantes: Há demanda para a carne produzida? Há oferta de animais para o abate e comercialização? Entre esses dois dados defini-se o potencial do negócio. A partir de 3 mil animais para abate por ano, o empreendimento começa a ter viabilidade econômica (ROCHA, 2001).

5.1. Abate humanitário
Há algumas décadas, o abate de animais era considerado uma operação tecnológica de baixo nível científico e não se constituía em um tema pesquisado seriamente por universidades, institutos de pesquisa e indústrias. A tecnologia do abate de animais destinados ao consumo somente assumiu importância científica quando se observou que os eventos que se sucedem desde a propriedade rural até o abate do animal tinham grande influência na qualidade da carne (REHAGRO, 2003)
O abate humanitário pode ser definido como o conjunto de procedimentos que garantem o bem-estar dos animais desde o embarque na propriedade rural até o manejo no frigorífico. O excesso de agressividade neste manejo pré-abate provoca o estresse dos animais, comprometendo o seu bem-estar, causando dor e sofrimento ao animal, o que é percebido através dos hematomas, das contusões e das fraturas. Uma das etapas que causam mais estresse no período pré-abate é o transporte. Quando os animais são expostos a novo grupo social, ambiente diferente e contato com pessoas estranhas, o estresse psicológico aumenta, assim como o estresse físico causado pelo desgaste durante o embarque, tempo de transporte e desembarque (WSPA, 2009).
Antes do abate, deve-se garantir que todos os animais estejam insensibilizados corretamente, para que a morte se dê enquanto estão inconscientes (anestesiados), evitando o sofrimento no momento da sangria. Devemos respeito aos animais e o mínimo que podemos garantir é que todas as práticas no manejo ocorram com o menor grau de sofrimento possível, e que na cadeia de produção haja preocupação ética, social e ambiental como um todo (WSPA, 2009).
Outros vários critérios que definem um bom método de abate são:
a) os animais não devem ser tratados com crueldade;
b) os animais não podem ser estressados desnecessariamente;
c) a sangria deve ser a mais rápida e completa possível;
d) as contusões na carcaça devem ser mínimas;
e) e o método de abate deve ser higiênico, econômico e seguro para os operadores (ROÇA, 2001).
Há necessidade do treinamento de todas as pessoas envolvidas, dentre eles: motoristas, funcionários das fazendas/ granjas e frigoríficos, assim como dos veterinários responsáveis pela inspeção do abate, que estão envolvidos diretamente na forma de organizar o manejo e melhorar o bem-estar dos animais (WSPA, 2009).
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2009), fiscais agropecuários e técnicos que trabalham no controle de qualidade de frigoríficos serão capacitados em bem-estar animal pelo Programa Nacional de Abate Humanitário, resultado de um acordo de cooperação firmado pelo MAPA com a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), em janeiro de 2008. O treinamento é voltado para profissionais agropecuários de estabelecimentos que atuam sob inspeção federal, estadual ou municipal, sendo abordado temas como a condição física e o comportamento do animal no abate e os efeitos do estresse na qualidade da carne e manejo, em conformidade com a Organização
Mundial de Saúde Animal (OIE), União Européia e outros países que importam carne brasileira.



3 de nov. de 2019

FORMAS DE COMERCIALIZAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES


Preservar o meio ambiente deixou de ser uma luta apenas dos ecologistas e um conceito sintonizado com o correto para angariar dividendos às empresas. Mais do que a preservação da natureza, produtos elaborados a partir de matérias-primas vindas da fauna e flora nacionais, apontam um mercado promissor em desenvolvimento no país. Acredita-se que as organizações estão de olho na sustentabilidade de seus negócios e preocupadas em conceber produtos, serviços e processos que as aproximem do equilíbrio ambiental.

4.1 Venda de animais vivos 

Pode-se dizer que depois da carne os principais produtos comercializáveis, em um criatório de animais silvestres, são as matrizes e os reprodutores. Mas vale destacar que, historicamente, o mercado de reprodutores de animais nativos não tem oferecido a mesma remuneração que ofereceram os mercados de exóticos, como é o caso dos javalis, que na década de 90 foram vendidos a preços altíssimos, isso porque essas espécies passaram por 
um período em que muito se especulou com seu preço e disponibilidade, porém essa diferença de remuneração tende a desaparecer, pois algumas espécies exóticas têm sofrido queda em seu comércio por causa de problemas legais (ROCHA, 2001). Outras questões também tornam o mercado de reprodutores menos atrativo, pois os criatórios de animais nativos podem, por exemplo, adquirir reprodutores e matrizes provenientes do IBAMA, oriundos da apreensão de contrabandos ou de criatórios não legalizados. Em determinadas situações podem, ainda, ser capturados na natureza, mediante a autorização do IBAMA e verificada a existência de população natural suficiente (IBAMA, 2009). 
Apesar de todas essas questões, alguns criatórios oferecem os reprodutores como um item de seus produtos e em geral a venda se dá a um preço ligeiramente superior ao pago pelos animais destinados ao abate. Se de um lado há certa disponibilidade de animais praticamente sem custos de aquisição junto ao IBAMA, do outro é importante considerar que como o mercado está em evolução, geralmente os criadores evitam vender reprodutores para manter seu próprio plantel em crescimento e vale destacar que vender reprodutores é atividade para criatórios que já possuem um plantel bastante numeroso. 

4.2 Comércio no varejo 

Muitos hotéis fazenda e restaurantes rurais tornaram-se pontos de venda da carne de animais silvestres, incluídas no cardápio como atração principal. Alguns deles chegaram a instalar pequenos criatórios como atração para seus hóspedes ou clientes, criando na 
maioria das vezes apenas uma espécie, sem a menor pretensão de alcançar uma escala de produção. Esse tipo de empreendimento turístico é, portanto, um potencial comprador do produto, principalmente quando não há um criatório próprio (CARRER, 2001). 
Entre os restaurantes, as churrascarias são os maiores compradores de carne de animais silvestres. O produto tornou-se um importante diferencial para esse tipo de estabelecimento que atrai fregueses interessados em consumir alimentos diferenciados. O consumo nas maiores churrascarias pode passar de uma tonelada ao mês, fato já relatado por distribuidores de carne. As churrascarias também têm feito excelente divulgação da carne de animais silvestres, ajudando a difundir a venda a varejo. Vários outros tipos de restaurantes, mais ou menos sofisticados que atendem clientela de diferentes níveis socioeconômicos, cada vez mais tem incluído em seus cardápios as carnes silvestres (ROCHA, 2001). 
Os supermercados também se tornaram compradores dessas carnes. A maioria das grandes redes tem procurado produtos diferenciados, havendo boa receptividade dos clientes. Açougues de maior porte e as chamadas boutiques de carnes, também se apresentam como clientes de grande potencial para a colocação do produto no varejo (OLIVEIRA, 2008). 
Sejam restaurantes ou açougues, os pontos de venda a varejo onde são comercializados produtos oriundos da fauna silvestre, também precisam estar registrados no IBAMA (IBAMA, 2009). 

4.3. Pró-fauna 

A Pró-fauna pode ser considerada um modelo de empresa no ramo de criação, abate e comercialização de animais silvestres. Sua meta principal é fazer com que a atividade cresça em todo o país. Possui um quadro de técnicos especialistas na área, formado por agrônomos, biólogos, zootecnistas e veterinários que estudam alternativas de produção para as propriedades rurais brasileiras, desenvolvendo projetos que sejam economicamente viáveis, socialmente interessantes e ecologicamente adequados (OLIVEIRA, 2008). 
A empresa tem como objetivo garantir a biodiversidade da fauna brasileira, viabilizar economicamente áreas com vegetação natural e garantir a conservação e preservação de áreas da Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia. Além disso, busca geração de emprego e de renda com atividades que causam impactos positivos sobre o meio ambiente, realizando pesquisas e prestando consultoria sobre manejo de fauna silvestre e produção comercial. Para viabilizar essas duas linhas de trabalho, reúne profissionais de alto nível que fazem diversos experimentos organizados de maneira sistematizada, testando tecnologia de manejo que são repassadas aos clientes e parceiros. Essa diretriz procura atender a falta de conhecimentos acumulados sobre a fauna nativa e seu manejo em cativeiro (PRÓ FAUNA, 2009). 
A empresa foi criada em 1991 para dar suporte técnico a novos criadores de animais silvestres e acabou evoluindo para o interessante modelo de parcerias. Entre seus parceiros estão vários dos principais criadores do país, que encontraram segurança para comercializar seus produtos com tranqüilidade. Por esse motivo que a Pró-fauna, para os 
que tem produção suficiente e gostariam de investir no negócio para crescer, é um excelente modelo a ser seguido. Para quem cria ou vai criar, mas sabe dos problemas técnicos e mercadológicos que pode enfrentar, a Pró-fauna é um potencial parceiro, pois presta assessoria à parte do projeto, legalização, fornecimento de matrizes, transporte de animais e comercialização. Ao executar os projetos, são consideradas as características geográficas, as condições físicas, operacionais, econômicas e biológicas da área de cada propriedade (OLIVEIRA, 2008). 
A empresa possui duas fazendas, localizadas em Iguape no litoral sul do estado de São Paulo, com criações de catetos, queixadas e capivaras. A fazenda Devaneio, (fazenda sede que possui seu próprio abatedouro), é subdividida em piquetes que alojam separadamente os grupos de catetos, queixadas e capivaras. São piquetes de áreas enormes cercados com telas de arame, contendo em seu interior cochos cobertos, fonte de água potável, gramíneas de boa qualidade e áreas nativas de mata. No caso das áreas destinadas à criação de capivaras, existem aguadas artificiais além da estrutura comum às outras espécies de animais (PRÓ FAUNA, 2009). 
A propriedade apresenta muitas áreas de matas nativas, que funcionam como abrigo e constituem fontes naturais de alimento. Esse tipo de manejo permite a geração de renda a partir do uso da floresta sem ter que desmatá-la. O novo meio em que será submetido o animal, deve ser o máximo parecido com seu meio natural para reduzir o estresse da adaptação e exprimir o potencial de produção e reprodução sem falhas. De acordo com Baeta e Souza (1997), o ambiente estressante pode provocar várias respostas negativas, dependendo apenas da capacidade do animal de adaptar-se. 
Segundo Paulo Bezerra Silva (citado por OLIVEIRA, 2008), proprietário da Prófauna, para cada espécie deve ser designada uma área de pelo menos 25 mil metros 
quadrados, o que praticamente não é um “cativeiro” e a criação é em sistema semiintensivo. Somente os machos são abatidos e todos os animais ficam soltos no ambiente mantendo sua função ecológica. Eles se alimentam do pasto natural e recebem ração feita com 60% de proteína como suplemento (para isso utiliza-se cabeças de peixes na sua formulação). 
A empresa, devido ao crescimento e à grande demanda, montou seu próprio abatedouro. O primeiro de animais silvestres do país com registro no Ministério da Agricultura, enquadrado legalmente junto às autoridades sanitárias como abatedouro de pequenos animais e licenciado junto ao IBAMA para a comercialização de carnes silvestres. O abatedouro é pequeno, mas ainda está longe da sua capacidade, justamente por falta de animais. Com capacidade para abater 40 animais por dia, tem abatido 40 por semana (OLIVEIRA, 2008). 
A Pró-fauna compra animais de outras propriedades e comercializa a produção das fazendas de animais silvestres de todo o Brasil e, para comercializar as carnes, a empresa mantém a Empório Silvestre, uma boutique de carnes onde é feita a venda no varejo e ao mesmo tempo, por causa da venda em maior quantidade aos restaurantes e outros distribuidores de carnes, a loja tornou-se também um pequeno atacadista. Lá se encontram produtos de primeira linha, como carne de capivara, queixada, cateto, jacaré, aves silvestres e ainda carnes exóticas, como as de javali e rã (EMPÓRIO SILVESTRE, 2009). 





28 de out. de 2019

SISTEMAS DE PRODUÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES



SISTEMAS DE PRODUÇÃO 

Oliveira (2008) relata que existem no país três sistemas básicos de produção. O primeiro deles é o sistema de pequeno porte ou sistema de subsistência, pois o criador utiliza a carne produzida para o próprio consumo e eventualmente para a venda de alguns quilos de produto. Nessa categoria, estão aproximadamente 90% dos criadores. O segundo deles é o intermediário, no qual o criador em geral, tem em seu criatório cerca de 40 a 60 matrizes. Nessa categoria estão criadores que abatem animais duas ou três vezes ao ano, já atendendo alguns clientes com certa freqüência. Nesse caso, pode-se considerar a atividade como comercial, havendo uma visão empresarial do criatório, porém considerando que ainda se encontra em fase intermediária de estabelecimento. A terceira e última categoria dos sistemas de criação é o de grande porte, que podemos chamar de empreendimento. Nesse porte de negócio o criador já pensa no mercado atacadista e mesmo na possibilidade de exportação. A atividade pode até não ser a principal da fazenda, mas deve estar entre as principais e o criador tem em mente a necessidade de ganho em escala. 
O ideal é que todo criador comece na primeira categoria, permanecendo nela por no máximo dois anos para adquirir experiência em cima de um plantel pequeno e minimizando possíveis prejuízos. Entretanto é indispensável que o criador tenha capital para investir e passar para a segunda categoria, a intermediária, fugindo do sistema de subsistência e depois evoluir até o porte de criatórios da terceira categoria. Permanecer na primeira categoria por mais de dois anos é problemático para a cadeia produtiva e para o mercado, pois não existe economia de escala, a produção não viabiliza o frete e faz com que ocorra um aumento dos custos comerciais, tanto para quem vende e para quem compra. 
No transporte, no abate e até na embalagem de pouca mercadoria, o custo será muito alto, então a pequena propriedade poderá chegar a um nível de comercialização onde não há produto suficiente para vender e tornar viáveis todas as fases comerciais (ROCHA, 2001). 

Figura 1: Pesagem de capivara (Hidrochoerus hidrochoeris)

Para quem pretende entrar no negócio de criação de animais silvestres deve começar como pequeno criador, para ganhar mais experiência, entretanto permanecer por mais de dois anos é mau negócio, além disso, outro ponto a considerar é a legislação, seja referente ao meio ambiente, à vigilância sanitária ou à tributação. Antes de iniciar o projeto do criatório, o futuro criador deve se informar, nos órgãos governamentais afins, sobre os possíveis problemas legais e tributários que poderá enfrentar. O sistema de produção de animais silvestres possui barreiras bem evidentes, uma delas é a barreira legal. Para comercializar animais silvestres é necessário o registro no IBAMA (KINLAW, 1997). 





16 de out. de 2019

ASPECTOS LEGAIS NA CRIAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES



INTRODUÇÃO 
Nos últimos 15 a 20 mil anos o homem domesticou cerca de 50 a 60 espécies de animais que hoje constituem a base da indústria animal. Os rendimentos das atividades agropecuárias convencionais no Brasil estão sob pressão devido à superprodução de produtos agrícolas, competição de produtos no exterior e os subsídios pagos por alguns países aos seus produtores. Como resultado, está havendo um maior interesse, por parte dos produtores rurais, no desenvolvimento de criações alternativas que possam aumentar os rendimentos das atividades agropecuárias (LAVORENTI, 1997). 
A exploração zootécnica de espécies de vida silvestre tem atraído atenção de muito produtores rurais. A competição nas atividades tradicionais,o alto valor agregado e a normatização da exploração de animais silvestres são fatores que estão contribuindo para a ampliação da atividade. Mais do que uma nova atividade comercial, a criação de animais silvestres se integra em um conjunto de alternativas para utilização sustentada e racional dos recursos naturais, que afirma que pode explorar comercialmente esses recursos sem necessariamente devastá-los ou extingui-los, da mesma forma, promove a valorização dos recursos faunísticos nacionais, representando uma alternativa para a produção de proteína e subprodutos de origem animal altamente adaptada às reais condições naturais do ambiente 
(SANTOS et al, 2007). 
Existem várias espécies de animais tais como as capivaras, catetos e queixadas, que podem adaptar-se aos possíveis sistemas de criação freqüentemente usados com animais domésticos, contando ainda com um mercado para os produtos e subprodutos de tais criações. Geralmente a carne de animais silvestres contém baixo teor de gordura e são ricas 
em proteínas, qualidades ideais para os consumidores que procuram carnes mais saudáveis (VALADARES, 1997). 
Esse trabalho teve como objetivo fornecer informações e metodologias sobre a produção e a comercialização de animais silvestres, mostrando que esse tipo de criação pode também constituir uma importante atividade econômica, estimulando a pequena empresa e o comércio, gerando empregos e aumentando a renda dos produtores brasileiros. 

ASPECTOS LEGAIS 
No Brasil, o IBAMA autoriza o manejo de animais silvestres em sistemas extensivos, somente nos casos em que os animais fazem parte de uma população isolada geograficamente de outras populações, uma vez que a Lei de Proteção à Fauna Silvestre permite apenas a comercialização de animais nascidos em cativeiro. Todavia, em função do crescente interesse no uso racional da fauna silvestre, já há uma discussão em andamento, envolvendo técnicos de várias instituições, em busca de subsídios para a reformulação desta legislação (DRUMOND, 2006). 
Legalmente a portaria n° 118 de 1997 do IBAMA, considera fauna silvestre todos aqueles animais pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, reproduzidos ou não em cativeiro, que tenham seu ciclo biológico ou parte dele ocorrendo naturalmente dentro dos limites do Território Brasileiro e suas águas jurisdicionais. Essa informação é básica para quem pretende entrar no ramo da criação de animais silvestres, pois com a grande variedade de espécies exploradas fica difícil distinguir o que é silvestre e o que é exótico. Segundo as normas do IBAMA, animais exóticos são todos aqueles pertencentes às espécies cuja distribuição geográfica não inclui o Território Brasileiro e que foram nele introduzidas pelo homem ou que tenham entrado espontaneamente. Como exemplos de animais silvestres explorados zootecnicamente, 
têm-se a capivara, o cateto, o queixada, a ema, entre outros animais típicos do Brasil. Como exemplos de animais exóticos, têm-se o javali, a rã, a avestruz e a perdiz, que são originários de outros países (IBAMA, 2009). 
Segundo Rocha (2001), o criador tem a opção de produzir animais silvestres ou exóticos. Quando a produção é de exóticos, encontram-se várias barreiras para a legalização do sistema, pois a preocupação dos órgãos responsáveis é o desequilíbrio ecológico. Se um animal que não pertence à fauna nativa fugir do seu criadouro e conseqüentemente aumentar sua população, o ecossistema será desequilibrado. Já na criação de silvestres essas barreiras são mais facilitadas, principalmente junto ao IBAMA e também nas secretarias municipais, estaduais, federais e no Ministério da Agricultura, onde os produtos deverão estar registrados. 
O sistema de animais silvestres possui incrementos e facilidades para a comercialização como, por exemplo, isenção fiscal. Já no sistema de animais exóticos a facilidade é para a importação dos produtos, em contrapartida, a dificuldade para a comercialização no mercado interno faz com que esse tipo de criação desanime o produtor. O conselho dos especialistas em criação de animais silvestres e exóticos é de investir nos animais nativos nacionais. Segundo Oliveira (2008), a vantagem da criação de animais silvestres é grande em relação à de animais exóticos, pois são animais já adaptados e que podem ser adquiridos do próprio IBAMA, além de ter a certeza de que o produtor não passará por problemas comerciais futuros. 
A partir de 1993, o IBAMA publicou diversas portarias e instruções normativas com intuito de ordenar a criação de animais silvestres em cativeiro. A Lei 5197 de 1967, conhecida como Lei da Fauna, enquadra os animais silvestres como pertencentes à União, considerando como crime a perseguição, captura e matança desses animais. Contudo, essa 
mesma Lei, juntamente com a Lei de Crimes Ambientais, a 9605 de 1998, permitem a criação racional de tais animais com finalidade comercial. O IBAMA é o órgão oficial que normatiza e fiscaliza a criação de animais silvestres no Brasil, sendo os projetos de criação encaminhados a ele para análise e emissão de parecer (IBAMA, 2009). 
A legalização de um criatório junto ao IBAMA requer a apresentação de um projeto específico. Existem quatro categorias de criatórios: Científico, conservacionista, comercial da fauna exótica e comercial da fauna silvestre brasileira. No caso de um projeto para exploração zootécnica, o criatório se enquadra na modalidade comercial. Esse projeto deve conter as informações necessárias sobre a infra-estrutura da propriedade, espécie a ser criada, bem como o manejo a ser aplicado (ROCHA, 2001). 
O plantel inicial de matrizes e reprodutores deverá ser, preferencialmente, originário de animais provenientes de outros criatórios registrados ou o produto de apreensões dos órgãos fiscalizadores. Poderá ser autorizada a captura de animais na natureza em áreas onde as espécies estejam comprovadamente causando danos à agricultura ou em locais que a espécie ocorra em abundância, obedecendo à estrutura familiar peculiar de cada espécie e mediante solicitação formal contendo o levantamento da espécie e informações sobre a captura (IBAMA, 2009). 
Essa burocracia faz com que muitos produtores desistam da atividade, porém é necessário que haja esse controle rigoroso para que não exista a exploração demasiada das espécies. Quem cria, abate e comercializa carne e subprodutos de animais silvestres sem o registro no IBAMA e nas secretarias ou no Ministério da Agricultura (os chamados criatórios clandestinos), poderá ter pena de seis meses a um ano de detenção e multa (GIANNONI, 2001). 
A demanda existente e a pouca oferta de carnes de animais silvestres, faz com que o 
valor agregado da carne alcance altos preços atraindo cada vez mais um maior número de produtores rurais. Os povos primitivos já se alimentavam da carne de diversos répteis, assim como outros animais silvestres sempre freqüentaram o cardápio dos brasileiros (ROCHA, 2001). Muitas espécies estão em via de extinção, conseqüência da grande procura e da perseguição desmedida do homem que promove a destruição do habitat natural desses animais. Porém, índios, antigos colonizadores e moradores de áreas rurais, têm como parte importante de suas dietas, diversos animais da nossa fauna. Na tentativa de reverter esse quadro, o IBAMA encontrou como alternativa viável, permitir a criação de algumas espécies de animais silvestres em cativeiro (FOLHA DO MEIO AMBIENTE, 2008). 
O IBAMA (2009), através da Instrução Normativa n. 2, de 2 de março de 2001, delimita (a partir desta data) um prazo de 360 dias para que todos os animais silvestres e exóticos mantidos em cativeiro no Brasil apresentem um sistema individual de marcação. O objetivo é controlar, com mais eficácia, a entrada e o gerenciamento sobre manutenção dos animais em cativeiro assim como reduzir a possibilidade de importação de espécies nocivas. Esta norma também irá contribuir para a redução do tráfico de animais uma vez que a marcação é sempre associada à documentação do animal. 
Os criadores, devidamente legalizados, podem reproduzir e comercializar animais sem prejudicar o meio ambiente. O mercado de carnes silvestres tem crescido excepcionalmente no Brasil. Hoje em dia são cerca de 800 criatórios de animais silvestres legalizados (FOLHA DO MEIO AMBIENTE, 2008). 







9 de out. de 2019

Tuberculose Bovina



Cientistas rastreiam tuberculose bovina por meio de DNA

Por meio de mutações observadas no genoma da bactéria Mycobacterium bovis, agente causador da turberculose bovina, cientistas estão rastreando a transmissão da doença em animais ou no rebanho. O trabalho é de pesquisadores da Embrapa Gado de Corte (MS), em projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e aprovado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect). Esse é o primeiro resultado da pesquisa recém-iniciada e com duração prevista de dois anos.

“Constatamos que fazendas próximas ou que comercializaram animais têm isolados de Mycobacterium bovis idênticos geneticamente. Com isso, avançamos no conhecimento das relações entre genótipos e distribuição espacial de cepas de M. bovis”, relata o imunologista Flábio Ribeiro de Araújo, pesquisador da Embrapa. Ele ressalta que esse conhecimento é importante aos estudos de manutenção e disseminação de focos de tuberculose bovina, essenciais para o sucesso de medidas de erradicação da doença. “Uma metodologia de rastreamento de focos de tuberculose bovina baseada em mutações de sítio único terá como clientes potenciais o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Tuberculose do Ministério da Agricultura (Mapa), além das agências estaduais de vigilância sanitária”, prevê.

Araújo comenta que os experimentos foram realizados em animais do Rio Grande do Sul e servem de base para as demais regiões. “Sequenciamos isolados provenientes de cultivo de tecidos de bovinos obtidos pelos serviços veterinários desse estado em seis propriedades rurais”, conta. Cada isolado de bovino acompanha dados de localização do foco, origem dos animais, movimentações prévias, resultados de diagnóstico pela prova intradérmica (teste cervical comparativo), sorologia, cultivo e nested-PCR de tecidos.

O cientista relata que próximo passo será trabalhar, estaticamente, a relação da distância física entre as propriedades e o número de mutações idênticas. Esse é um dos objetivos da doutoranda Rudielle Andrade, do programa de Ciências Veterinárias da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), orientada por Araújo. Andrade realizou treinamento na área no Instituto Sanger, no Reino Unido.

Monitorando a bactéria em humanos

Outra frente de trabalho tem sido desenvolvida por pesquisadores de instituições do norte do País (Amazonas e Pará). Eles trabalham com o sequenciamento de isolados dessas regiões e com um detalhe inédito: foco em humanos. “Se encontrarmos M. bovis em humanos, vamos correlacionar quão parecidos são com os isolados de bovinos da região. Se isso for confirmado, será a primeira descrição no Brasil de tuberculose zoonótica, o que representa muito para os estudos”, acentua Araújo. Pioneiramente, esses testes são realizados no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) de Manaus (AM), ligado à Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), parceira do projeto.

Os estudos estão sob os cuidados dos pesquisadores Paulo Alex Carneiro (Instituto Federal do Amazonas – IFAM e Centro de Epidemiologia Comparada da Michigan State University – MSU), John Kaneene (MSU), Haruo Takatani e Christian Barnadd (Agência Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas – ADAF) e Marlucia Garrido e Ana (FVS-AM).

O grupo de pesquisa ainda é formado por especialistas de diversas instituições, como Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade de São Paulo (USP), e Secretaria da Pecuária, Agricultura e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul.

Sobre a doença

A tuberculose bovina é uma doença infectocontagiosa crônica causada pela bactéria M. Bovis, que acomete animais e humanos. Entre os animais atingidos estão bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, suínos e animais silvestres, como javalis, por exemplo. Sua presença na fazenda implica exclusão da propriedade do rol de exportação do produto para alguns mercados e o pesquisador alerta que a carne de um animal infectado não pode ser consumida, pois representa risco à saúde. “A forma mais comum de o ser humano se infectar é consumir leite cru ou derivados de animais infectados. A ingestão de carne não inspecionada também é um potencial risco”, ressalta Araújo.

O cientista da Embrapa conta que o diagnóstico da doença em animais não é fácil, porque nem sempre eles apresentam sintomas. No entanto, animais infectados podem apresentar emagrecimento ou problemas respiratórios. Araújo relata que quanto mais tempo o animal estiver infectado, pior será a situação dele e da própria propriedade. “O desenvolvimento da doença é progressivo e causa lesões no sistema linfático e no pulmão. A queda na produção gira em torno de 10% a 15%”, esclarece.

“A tuberculose é um obstáculo comercial e uma doença importante, por isso, são necessários estudos avançados, como os que já estão em andamento, para conhecer com mais detalhes a transmissão da doença, sua origem e disseminação e dessa forma construir linhas de controle, combate e erradicação,” defende o pesquisador.

Fonte: Embrapa

A tuberculose bovina é doença infectocontagiosa de evolução crônica, causada pela bactéria Mycobacterium bovis, da família Mycobacteriaceae. Acomete principalmente bovinos e bubalinos e pode afetar também suínos, equinos, aves, pequenos ruminantes, cães e gatos e humanos. Já foi erradicada em alguns países desenvolvidos, sendo sua maior prevalência em países em desenvolvimento.

São bacilos, ácido-álcool resistentes, de morfologia variável, encontrados em solo, água e pastagens por até dois anos. Os reservatórios naturais são gambás, búfalos e veados. As lesões características tem aspecto nodular principalmente em pulmões e linfonodos. Os impactos econômicos são: queda no ganho de peso e na produção leiteira, descarte precoce de animais, eliminação de animais de alto valor zootécnico, condenação de carcaças na inspeção frigorífica, morte de animais e perda da credibilidade do criador.


Há alguns fatores predisponentes como:

Raças leiteiras, superlotação, estado nutricional e fatores ambientais (umidade e pouca ventilação). Geralmente a doença é introduzida no rebanho pelo contato direto ou indireto com rebanho infectado, por exemplo: a partir da aquisição de novos animais ou participação de eventos com outros animais.

As fontes de transmissão são por animais infectados, aerossóis, pastagens, água e alimentos contaminados; raramente o homem passa a doença para o animal. As portas de entrada são principalmente pelo trato respiratório e digestivo, mas também mucosas e feridas de pele. Animais infectados podem eliminar através por várias vias, dependendo da localização: gotículas e secreções respiratórias, leite, colostro, sêmen, fezes e urina.

O animal é infectado e as bactérias são fagocitadas no local por macrófagos produzindo uma inflamação granulomatosa progressiva. Forma-se um tubérculo no local de infecção e nos linfonodos regionais. Há formação de lesões secundárias necróticas e firmes e, quando ocorre ruptura destas lesões, espalha-se para serosas e órgãos parenquimatosos, via linfática e sanguínea, tornando-se generalizada.

Possui quatro formas de apresentação: pulmonar, ganglionar, intestinal e cutânea. É comum a ocorrência de animais assintomáticos, porém, os animais doentes apresentam emagrecimento, hipertrofia ganglionar, dispneia e tosse seca.

A forma de transmissão para humanos pode ocorrer pela via digestiva, através do consumo dos produtos lácteos não pasteurizados, causando lesões extra-pulmonares, ou ainda pela via respiratória- mais comum em técnicos laboratoriais e industriais, que lidam diretamente com animais doentes. Para evitar a contração da doença recomenda-se beber apenas leite pasteurizado, ser vacinado com BCG e evitar contato com bovinos infectados. Crianças, idosos e imunodeprimidos são mais suscetíveis e requerem cuidados extras.

O diagnóstico de tuberculose pode ser direto, através do isolamento do agente e identificação bioquímica, histopatológico ou ainda detecção de DNA e, pode ser indireto, através da tuberculinização (avaliação da resposta imunológica ao M. bovis), sendo este o teste mais utilizado na rotina clínica de campo.

Não há recomendação de tratamento para tuberculose em bovino. A maioria dos casos não responde ao tratamento e contribui para o surgimento de cepas resistentes, além da eliminação de medicamentos no leite.

As formas de controle são:

Animais com mais de 6 semanas fazem teste anual, sendo que os positivos devem ser isolados e descartados.Limpeza e desinfecção do ambiente e exames clínicos em todos os animais e tratadores da propriedade.

No Brasil existe o Programa Nacional e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal – PNCRBT que é Conjunto de estratégias desenvolvidas visando erradicar a Brucelose e Tuberculose. Dentre estas estratégias há o controle de trânsito, testes diagnósticos regulares, educação sanitária, entre outros.

Fontes:

Oliveira, Sergio J. de, Guia Bacteriológico prático: microbiologia veterinária. 2ª Ed. Canoas: Ed. Ulbra, 2000





1 de out. de 2019

MANEJO REPRODUTIVO DE REBANHOS LEITEIROS”



Reprodução
   Para ter uma rentabilidade na atividade leiteira, uma alta eficiência reprodutiva deve ser a principal meta dos produtores para atingir  produtividade e retorno econômico.
   Para que se alcance estes parâmetros, é necessário que se faça uma criação adequada das bezerras porque, estas bezerras é que vão ser as futuras reprodutoras do rebanho. Animais que tem pouco desenvolvimento seja por alimentação inadequada ou problemas sanitários não tem condições de expressar todo o seu potencial ao longo da vida produtiva.
   Este objetivo primário visa a idade ao primeiro parto que deve ser o mais jovem possível dentro do manejo daquele rebanho. Neste processo está incluído a meta econômica da criação. Uma análise do custo econômico desta criação tem que ser considerada pois não adianta querer um desenvolvimento muito rápido do animal se este custo ficar tão elevado que não seja compensador para o futuro produtivo do animal. Normalmente, a idade ao primeiro parto deve ser entre os 24  e  30 meses.
   Os animais gestantes também requerem cuidados especiais. Quando as vacas estão no terço final de gestação é quando o feto tem seu maior desenvolvimento e isto exige mais da mãe. Este animal deve permanecer num ambiente tranqüilo com alimentos e água de boa qualidade.
A pecuária leiteira brasileira convive há quase um século com baixa produtividade, mantendo-se quase estagnada por todo esse período. Esse fato faz com que o retorno econômico esteja muito aquém do potencial da atividade. A produção de leite no Brasil elevou-se de 5 bilhões de litros/ano em 1960 para cerca de 23 bilhões de litros em 2000.
Esse acréscimo de 18 bilhões de litros em 40 anos ocorreu nos primeiros 30 anos mais pelo aumento do número de vacas ordenhadas, enquanto nos últimos 10 anos observou-se uma melhoria significante na produtividade. Na verdade, a atividade vem se caracterizando pelo conservadorismo e extrativismo marcantes.
A baixa produtividade dos rebanhos bovinos leiteiros no Brasil (litros de leite por vaca/ano, por ha/ano e por dia de intervalo de partos) deve-se essencialmente a dois fatores:
a) mau desempenho reprodutivo, representado pela idade avançada ao primeiro parto e longo intervalo de partos;
b) qualidade genética inferior dos animais, resultando em baixa produção por lactação, lactações curtas e baixa persistência na produção.
Para que a produção de leite seja mais econômica e competitiva, o único caminho é o aumento da produtividade sem perder de vista a lucratividade. Isso exige uma reformulação de conceitos ultrapassados e um novo enfoque na assistência técnica, que deve direcionar seus esforços mais para programas de fomento e preventivos, modificando o enfoque ainda predominante mais voltado para o aspecto curativo. É necessário que o trabalho de assistência efetuado em cada propriedade, ou pelo menos naquelas com condições, englobe as funções referentes a Planejamento, Organização, Execução e Controle (zootécnico e econômico), fatores primordiais para o sucesso do empreendimento.
Afinal, quantos (%) dos produtores anotam o dia em que a vaca pariu, sem o que é impossível calcular o intervalo de partos? Qual o percentual de produtores que faz controle leiteiro do rebanho, pelo menos uma vez por mês, sabendo-se que essa atividade é imprescindível para qualquer programa de melhoramento genético?
A grande maioria dos produtores desconhece a importância e a maneira de se efetuar um efetivo controle sanitário, bem como várias técnicas de manejo e de cuidados com a alimentação, disponíveis e indispensáveis à melhoria da eficiência na atividade leiteira. Cabe aos técnicos a grande responsabilidade de reverter a situação atual, levando ao conhecimento dos produtores modernas técnicas ou informações capazes de melhorar os índices zootécnicos do rebanho. Após cientes das novas tecnologias, mas impossibilitados ou não dispostos a adotá-las, a manutenção dos baixas índices zootécnicos já passaria a ser responsabilidade dos próprios produtores.
Novas pesquisas sempre serão necessárias, mas é importante se enfatizar que já existem inúmeras informações ou tecnologias gerados pelos resultados de pesquisas disponíveis para aplicação imediata pelos produtores, capazes de reduzir seus custos de produção de leite, desde que corretamente utilizadas. A avaliação zootécnica dos resultados de pesquisas sempre deveria ser acompanhada de uma rigorosa análise econômica, de maneira que o produtor pudesse ter uma certa garantia de retorno do capital investido, evitando-se assim uma ocorrência que vem se tornando comum da adoção e posterior abandono de determinadas tecnologias, em razão da não obtenção dos resultados econômicos esperados. Também as freqüentes oscilações no preço do leite têm contribuídopara o desestímulo ao uso de muitas tecnologias.






30 de set. de 2019

Alimentação de Vacas em Lactação



Alimentação de vacas em lactação

Um sistema de alimentação para vacas em lactação, para ser implementado, é necessário considerar o nível de produção, o estágio da lactação, a idade da vaca, o consumo esperado de matéria seca, a condição corporal, tipos e valor nutritivo dos alimentos a serem utilizados.

O estágio da lactação afeta a produção e composição do leite, o consumo de alimentos e mudanças no peso vivo do animal.

Nas duas primeiras lactações da vida de uma vaca leiteira, deve-se fornecer alimentos em quantidades superiores àquelas que deveriam estar recebendo em função da produção de leite, pois estes animais ainda continuam em crescimento, com necessidades nutricionais bastante elevadas. Assim, recomenda-se que aos requerimentos de mantença sejam adicionados 20% a mais para novilhas de primeira cria e 10% para vacas de segunda cria.

Recomenda-se alimentar as vacas primíparas separadas das vacas mais velhas. Este procedimento evita a dominância, aumentando o consumo de matéria seca.

As vacas não devem parir nem excessivamente magras nem gordas. Vacas que ganham muito peso antes do parto apresentam apetite reduzido e menores produções de leite, e distúrbios metabólicos como cetose, fígado gorduroso e, deslocamento do abomaso além de baixa resistência aos agentes de doenças.

Um plano de alimentação para vacas em lactação deve considerar os três estádios da curva de lactação, pois, as exigências nutricionais dos animais, são distintas para cada um deles.

Alimentação no terço inicial da lactação

As vacas, nas primeiras semanas após o parto, não conseguem consumir alimentos em quantidades suficientes para sustentar a produção crescente de leite neste período, até atingir o pico, o que ocorre em torno de 5 a 7 semanas após o parto. O pico de consumo de alimentos só será atingido, posteriormente, em torno de 9 a 10 semanas pós-parto. Por isso, é importante que recebam uma dieta que possa permitir a maior ingestão de nutrientes possível, evitando que percam muito peso e tenham sua vida reprodutiva comprometida.

Devem ser manejadas em pastagens de excelente qualidade e em quantidade suficiente para permitir alta ingestão de matéria seca. Para isto, o manejo dos pastos em rotação é prática recomendada e para implementar um sistema pastejo rotativo.

Deve-se fornecer volumoso de boa qualidade com suplementação com concentrados e mistura mineral adequada. Vacas de alto potencial de produção devem apresentar um consumo de matéria seca equivalente a pelo menos 4% do seu peso vivo, no pico de consumo.

Vacas que são ordenhadas três vezes ao dia consomem 5 a 6% mais matéria seca do que se ordenhadas duas vezes ao dia.

Para vacas mantidas a pasto, durante o período de menor crescimento do pasto, há necessidade de suplementação com volumosos: capim-elefante verde picado, cana-de-açúcar adicionada de 1% de uréia, silagem, feno ou forrageiras de inverno.  Para vacas de alta produção leiteira ou animais confinados, forneça silagem de milho ou sorgo, à vontade.

Um regra prática para determinar a quantidade de volumoso a ser fornecida é monitorar a sobra ou o excesso que fica no cocho. Caso não haja sobras ou se sobrar menos do que 10% da quantidade total fornecida no dia anterior, aumente a quantidade de volumoso a ser fornecida. Caso haja muita sobra, reduza a quantidade.

Para cada dois quilogramas de leite produzidos, a vaca deve consumir pelo menos um quilograma de matéria seca. De outra forma, ela pode perder peso em excesso e ficar mais sujeita a problemas metabólicos.

Fornecimento de concentrado

O concentrado para vacas em lactação deve apresentar 18 a 22% de proteína bruta (PB) e acima de 70% de nutrientes digestíveis totais (NDT), na base de 1 kg para cada 2,5 kg de leite produzidos. Pode-se utilizar uma mistura simples à base de milho moído e farelo de soja ou de algodão, calcário e sal mineral, ou dependendo da disponibilidade, soja em grão moída ou caroço de algodão.

Vacas de alta produção de leite manejadas a pasto ou em confinamento  precisam ter ajustes em seu manejo e plano alimentar. Para vacas com produções diárias acima de 28-30 kg de leite, deve-se fornecer concentrados com fontes de proteína de baixa degradabilidade no rúmen, como farinha de peixe, farelo de algodão, soja em grão moída, tostada, etc.

Vacas com produções acima de 40 kg de leite por dia, além de uma fonte de gordura, como caroço de algodão, soja em grão moída ou sebo, devem receber gordura protegida (fonte comercial) para elevar o teor de gordura da dieta total para 7-8%. Essas vacas devem receber uma quantidade diária de gordura na dieta equivalente à quantidade de gordura produzida no leite.

Dieta completa

Dieta completa é uma mistura de volumosos (silagem, feno, capim verde picado) com concentrados (energéticos e protéicos), minerais e vitaminas. A mistura dos ingredientes é feita em vagão misturador próprio, com balança eletrônica para pesar os ingredientes. Muito usada em confinamento total, tem a vantagem de evitar que as vacas possam consumir uma quantidade muito grande de concentrado de uma única vez, o que pode causar problemas de acidose nos animais. Além disso, recomenda-se a inclusão de 0,8 a 1% de bicarbonato de sódio e 0,5% de óxido de magnésio na dieta total, para evitar problemas com acidose.
O melhor teor de matéria seca da ração total está entre 50 e 75%. Rações mais secas ou mais úmidas podem limitar o consumo. Por isso, o teor de umidade da silagem deve ser monitorado semanalmente, se possível.
Normalmente, as vacas se alimentam após as ordenhas. Mantendo a dieta completa à disposição dos animais nesses períodos, pode-se conseguir aumento do consumo voluntário.
Para reduzir mão-de-obra na mistura de diferentes formulações para os grupos de vacas com diferentes produções médias, a tendência atual é de se formular uma dieta completa com alto teor energético e com nível de proteína não degradável que atenda ao grupo de maior produção de leite. Os demais grupos, vacas no terço médio e vacas em final de lactação, naturalmente já controlariam o consumo, ingerindo menos matéria seca.
Para assegurar consumo máximo de forragem, principalmente na época mais quente do ano, deve-se garantir disponibilidade de alimentos ao longo do dia. Deve-se encher o cocho no final da tarde, para que os animais possam ter alimento fresco disponível durante a noite. Dessa forma, as vacas podem consumir o alimento num horário de temperatura mais amena.
A relação concentrado/volumoso é maior para vacas de maior produção de leite. De forma mais generalizada, sugere-se, na tabela abaixo, as relações concentrado/volumoso.

Produção de   Concentrado      Volumoso
leite (kg/dia)           %                     %  
Até 14                   30-35               65-70           
14 a 23                    40                    60  
24 a 35                    45                    55  
36 a 45                  50-55               45-50           
Acima de 45         55-60               40-45    

Deve-se tomar o cuidado de retirar restos de alimentos mofados do cocho antes de fornecer nova alimentação.

Forneça mistura mineral

Para animais mantidos a pasto, o método mais prático de suplementar minerais é deixando a mistura (comprada ou preparada na própria fazenda) disponível em cocho coberto, à vontade.
Para vacas em lactação e animais que são mantidos em confinamento, é mais seguro e garantido incluir a mistura mineral no concentrado ou na dieta completa.

Forneça água limpa e de boa qualidade

Vacas em lactação requerem uma quantidade muito grande de água, uma vez que o leite é composto de 87 a 88% de água. Ela deve estar à disposição dos animais, à vontade e próxima dos cochos. Normalmente as vacas consomem 8,5 litros de água para cada litro de leite produzido. Quando a temperatura ambiente se eleva, nos meses de verão, o consumo de água aumenta substancialmente.

Alimentação no terço médio da lactação

Neste período, as vacas já recuperaram parte das reservas corporais gastas no início da lactação e já deveriam estar enxertadas. A produção de leite começa a cair e as vacas devem continuar a ganhar peso, preparando sua condição corporal para o próximo parto.

O fornecimento de concentrado deve ser feito com 18 a 20% de proteína bruta, na proporção de 1 kg para cada 3 kg de leite produzidos acima de 5 kg, na época das chuvas, e a mesma relação acima de 3 kg iniciais de leite produzido, durante o período seco do ano, conforme tabela abaixo.

Produção de        Quantidade Concentrado (kg/vaca/dia)
leite (kg/vaca/dia)     Época das “águas”          Época seca 
  3 a 5                         -                         1 
  5 a 8                        1                        2 
  8 a 11                      2                        3 
11 a 14                      3                        4 
14 a 17                      4                        5 
17 a 20                      5                        6 


Alimentação no terço final da lactação

Neste período as vacas devem recuperar suas reservas corporais e a produção de leite já é bem menor que nos períodos anteriores. Deve-se alimentar as vacas para evitar que ganhem peso em excesso, mas que tenham alimento suficiente, principalmente na época seca do ano, para repor as reservas corporais perdidas no início da lactação. É o período em que ocorre a secagem do leite, encerrando-se a lactação atual e o início da preparação para o próximo parto e lactação subseqüente.

Alimentação no período seco

É o período compreendido entre a secagem e o próximo parto. Em rebanhos bem manejados sua duração é de 60 dias. É fundamental para que haja transferência de nutrientes para desenvolvimento do feto, que é acentuado nos últimos 60 - 90 dias que precedem o parto, a glândula mamária regenere os tecidos secretores de leite e acumule grandes quantidades de anticorpos,  proporcionando maior qualidade e produção de colostro, essencial para a sobrevivência da cria recém-nascida.

O suprimento de proteína, energia, minerais e vitaminas é muito importante, mas deve-se evitar que a vaca ganhe muito peso nesta fase, para reduzir a incidência de problemas no parto e durante a fase inicial da lactação. Isso se deve, principalmente, à redução na ingestão de alimentos pós-parto, o que normalmente se observa com vacas que parem gordas.

Nas duas semanas que antecedem ao parto deve-se iniciar o fornecimento de pequenas quantidades do concentrado formulado para as vacas em lactação, para que se adaptem à dieta que receberão após o parto. As quantidades a serem fornecidas variam de 0,5 a 1% do peso vivo do animal, dependendo da sua condição corporal.

O teor de cálcio da dieta de vacas no final da gestação deve ser reduzido para evitar problemas com febre do leite  após o parto. A mistura mineral (com nível baixo de cálcio) deve estar disponível, à vontade, em cocho coberto.

Alimentação de Touros

Os touros devem receber volumosos de boa qualidade, além de 2 kg de concentrado com 65% de NDT e cerca de 18% de proteína. O concentrado fornecido às vacas secas ou novilhas pode ser usado. Acesso a piquete para exercício, havendo disponibilidade adequada de  pasto de boa qualidade, melhor. Limitar o fornecimento de feno a 7 a 10 kg por dia e, se usar a silagem de milho ou sorgo, fornecer, no máximo, 7 kg/dia.


Água de boa qualidade e mistura mineral   devem estar sempre à disposição do touro.








27 de set. de 2019

Alimentação das Novilhas



A puberdade ou a idade ao primeiro cio é reflexo da idade fisiológica (tamanho ou peso) e não da idade cronológica da novilha. Deste modo, o plano de alimentação a ser adotado para as novilhas será aquele que, de forma mais econômica, permita que elas atinjam o peso para cobrição o mais cedo possível.

Alimentação de Novilhas

A fase de recria  inicia-se após o desmame estendendo-se até a primeira cobrição. É menos complexa do que a fase de cria, porém requer muita atenção do produtor, pois os requerimentos do animal em crescimento estão constantemente mudando, em função de alterações na composição de seu corpo. À medida que a idade do animal vai avançando, reduz-se a taxa de formação de ossos e proteína, com o aumento acentuado na deposição de gordura. Do início desta fase, dos 80 - 90 Kg de peso vivo até a puberdade, o monitoramento do   ganho de peso diário é fundamental,  não devendo ultrapassar 900 g por dia. Este procedimento evita a má-formação da glândula mamária (acúmulo de gordura e menor quantidade de tecido secretor de leite), resultando em menor produção de leite durante a primeira lactação.

A idade à primeira cobrição determinará a alimentação das novilhas nesta fase. Idades à primeira cobrição mais precoces (15 -16 meses)  exigirão planos mais elevados de alimentação mais do aqueles para idades mais avançadas para a primeira cobrição (24 -26 meses).

A puberdade ou a idade ao primeiro cio é reflexo da idade fisiológica (tamanho ou peso) e não da idade cronológica da novilha. Deste modo, o plano de alimentação a ser adotado para as novilhas será aquele que, de forma mais econômica permita que elas atinjam o peso para cobrição o mais cedo possível. O peso vivo para cobrição das novilhas varia de acordo com a raça, sendo o mínimo de: 340 Kg para a raça Holandesa, 330 Kg para a Pardo-Suíça, 230 Kg para a Jersey, 320 Kg para as mestiças Holandês x Zebu e    280 Kg para a mestiças Jersey x Zebu.

Recria a pasto

Pastos de excelente qualidade e bem manejados podem suprir os nutrientes para o crescimento das novilhas, desde que uma mistura mineral esteja sempre à disposição. A suplementação volumosa na época seca deve pode ser feita com forragens verdes picadas, cana-de-açúcar adicionada com 1% de uréia, silagens ou fenos. Para o fornecimento de volumosos em cochos é necessário minimizar a competição por alimento entre os animais manejados em grupos, para isto, é importante propiciar aos animais área  de cocho suficiente, permitindo que todos tenham chance de se alimentar.  

O fornecimento de concentrado às novilhas é dependente da idade,  da qualidade do alimento volumoso utilizado e do plano de alimentação adotado. Em geral, até os seis meses é necessário o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 61% de nutrientes digestíveis totais.

Recria em confinamento

Neste sistema, os alimentos são levados às novilhas que permanecem confinadas todo o tempo, sem acesso a pasto. Elas podem receber, no cocho, forrageira verde picada e/ou silagem e/ou feno. Uma mistura mineral deverá estar sempre à disposição, em cochos separados, independente do volumoso utilizado.

Ao se fornecer dietas à base de silagem de milho para novilhas, deve-se observar a necessidade de suplementação protéica, se não foi utilizada a uréia ou outra fonte de nitrogênio não protéico no momento da ensilagem. Às vezes, é necessário limitar o consumo da silagem para evitar que as novilhas fiquem obesas.

Um feno de excelente qualidade é, sem dúvida, o melhor alimento para as novilhas mantidas sob confinamento. Ele pode constituir-se no único alimento para esta categoria animal. A mistura em partes iguais (na base da matéria seca) de feno e silagem de milho pode ser considerada como o melhor alimento para esta categoria animal, quando em confinamento.

Também em sistemas de criação de novilhas confinadas, de raças especializadas para produção de leite, recomenda-se o fornecimento de concentrado durante toda a fase de recria. Tudo vai depender do ganho de peso desejado durante esta fase. É importante ter sempre em mente que os extremos, sub e superalimentação, devem ser evitados.

Água

As novilhas devem ter à sua disposição água fresca e limpa diariamente.

Monitore o crescimento das novilhas

O monitoramento do desenvolvimento das novilhas é através do acompanhamento do ganho de peso mensalmente. Dos 80-90 kg de peso vivo até a puberdade elas não devem ganhar mais do que 900 g por dia. Após a puberdade, ganhos superiores a este são admitidos, mas deve-se evitar que as novilhas fiquem obesas. O crescimento das novilhas pode ser feito através de pesagem ou pela condição corporal das mesmas. Numa escala de 1 a 5 (1 = magra e 5 = obesa), as novilhas devem apresentar escore igual a 3.

Registre em ficha individual os pesos e quaisquer problemas ocorridos com as novilhas.