17 de set de 2017

Criação de Minhocas (minhocultura)



As minhocas desempenham papel importante no setor agrícola, por causa da elevada capacidade de produção de húmus, principal fonte regeneradora do solo, e por sua interferência física com a grande quantidade de terra movimentada em seus deslocamentos. 

A minhocultura tem desempenhado um papel muito importante para todo o setor agrícola. No Brasil, começou a despertar o interesse dos agricultores a partir da década de 80, por causa do baixo custo de produção e fácil integração com outras atividades rurais. De lá para cá, principalmente devido aos novos nichos de mercado em torno do setor agropecuário, a criação de minhocas volta ao cenário como um bom negócio, para quem mantém um minhocário tanto no campo quanto na cidade.

“Na agricultura, não só por sua grande capacidade de produção de húmus, principal fonte regeneradora do solo, as minhocas também se destacam pela sua interferência física com a grande quantidade de terra movimentada em seus deslocamentos. A minhoca é um verdadeiro arado vivo”, explica o técnico em Agropecuária e educador ambiental Claudio da Silva Teixeira, instrutor do curso de extensão (livre) “Minhocultura”, ministrado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), na Escola Wencesláo Bello. A unidade funciona no bairro da Penha, Rio de Janeiro.

Segundo Teixeira, na pecuária é estabelecida uma relação muito interessante com as demais criações já que, para sua alimentação, “podemos utilizar os estercos dos animais, gerando não só os adubos naturais citados, mas também a produção de uma rica fonte proteica”. “A carne da minhoca, por exemplo, apresenta cerca de 70% de proteína bruta”, comenta o  instrutor.

O crescimento da minhocultura no Brasil, na visão do educador ambiental, está ligado diretamente ao crescimento da agricultura orgânica. “Não podemos falar em uma forma sustentável de agricultura sem a preocupação com a redução de perdas de nutrientes e de outros elementos essenciais para a conservação do solo, principal responsável pela produção de alimentos e sobrevivência de toda a humanidade.”

ÍNDICES ZOOTÉCNICOS

Para explicar melhor a importância das minhocas para o setor agropecuário, o educador ambiental cita os principais índices zootécnicos das minhocas:

Longevidade: dependendo da espécie pode atingir uma vida útil de até 20 anos; em média; elas vivem quatro anos;
Reprodutivo: por ser um animal hermafrodita, apresenta os dois aparelhos reprodutivos em um mesmo indivíduo, conseguindo a procriação pela fecundação cruzada, pela qual, durante o acasalamento, um animal deposita o sêmen no receptáculo seminal do outro e os dois são fecundados com capacidade de gerar novos indivíduos. Uma minhoca pode gerar em torno de 1,5 mil descendentes por ano;
Produção de húmus: uma minhoca pode ingerir por dia o equivalente ao seu peso e dejetar, na forma de húmus, 70% do material ingerido. Uma minhoca pode ser comparada a uma “micro usina viva de transformação (beneficiamento)”.
Teixeira conta ainda que as minhocas se alimentam não só de esterco, mas de toda matéria orgânica decomposta ou em estado de decomposição: “Por isto, elas vêm sendo utilizadas, com muito sucesso, no tratamento dos resíduos sólidos orgânicos oriundos das atividades agrícolas e urbanas, por meio de técnicas de compostagem e da vermicompostagem”.

FACILIDADE DE CRIAÇÃO

O instrutor da EWB/SNA comenta que a minhocultura pode ser considerada uma atividade de fácil condução, quando comparada a outras atividades zootécnicas. “No Brasil, mesmo com a diversidade climática das regiões, o clima não é um fator limitante. Prova disto é que a atividade é desenvolvida com êxito do Norte ao Sul do País. O que vai diferenciar (entre o sucesso e o fracasso da produção) é o manejo, a forma como a criação vai ser conduzida.”

Outro diferencial, conforme Teixeira, poder ser determinado pelo objetivo da criação. “Quando é destinada para a produção de minhocas (vermicultura), visamos atender ao máximo às necessidades essenciais da espécie, para atingir um melhor índice reprodutivo. Quando objetivamos a produção de húmus (vermicompostagem), criamos as condições básicas para que as minhocas permaneçam nos criatórios e transformem os restos orgânicos tratados em húmus de minhoca.” 

IMPLANTAÇÃO

O instrutor da EWB/SNA informa que o custo de implantação de um minhocário está ligado diretamente à sua capacidade de produção e ao objetivo da criação (comercial ou doméstica). “Para fins comerciais, utilizamos como modelo uma unidade de produção que desenvolvi, para ser replicada em pequenas propriedades rurais do município de Magé (RJ).”

Nesta região, ele atua como extensionista rural, por meio da Emater-RJ (Empresa de Assistência Técnica Rural do Estado do Rio de Janeiro): “Com baixo custo e de fácil montagem, esta unidade pode ser adequada conforme a necessidade de produção.”

Teixeira comenta também que “não podemos desconsiderar o interesse que a minhocultura vem despertando para a criação doméstica”. “Graças ao incentivo da agricultura urbana, a criação de minhocas em pequenos espaços ganha, a cada dia, novos adeptos. O uso de caixas plásticas, como instalações, permite inclusive o reaproveitamento de embalagens.”

VIABILIDADE

O que determina a viabilidade da construção de um minhocário, diz o instrutor da EWB/SNA, é a disponibilidade de matérias orgânicas de origem animal e/ou vegetal que, mesmo encontradas em grandes quantidades, tanto nas áreas rurais como nas urbanas, são descartadas de forma inadequada pela falta de uma coleta seletiva, o que inviabiliza sua utilização.

“As instalações permitem a utilização de canteiros feitos em alvenaria, placas de cimento armado, madeira, bambu, caixas plásticas, entre outros.  As ferramentas, basicamente, são as mesmas utilizadas em outras atividades agrícolas. Só devemos restringir o uso, no interior dos canteiros, de ferramentas com partes cortantes, para evitar machucar as minhocas.”

A utilização de alguns equipamentos podem facilitar a vida do minhocultor, como termômetros, medidores de umidade e medidores de pH. “Trituradores de resíduos orgânicos aceleram o processo de tratamento dos resíduos orgânicos.  E o mais importante: o futuro minhocultor deve ter vocação para desenvolver uma atividade agrícola, que demandará tempo e dedicação do interessado.”

HÚMUS

O húmus é o resultado do processo de decomposição da matéria orgânica, que ocorre naturalmente, gerando um rico fertilizante. Teixeira explica que, no processo de decomposição, são consideradas algumas etapas muito importantes. A primeira delas é quando o material passa por uma ação de micro-organismos (química e biológica), caracterizada pela presença de fermentação. Nesta fase, quando está estabilizada, cria-se um ambiente propício para a atuação de uma série de macro-organismos (gongolos, formigas, tesourinha, tatuzinho, minhocas, etc.), que participarão do processo final de humificação.

“Destacamos neste processo o trabalho das minhocas, maiores e melhores produtoras biológicas de húmus. Podemos entender, então, o grande interesse na criação em cativeiro destes animais”, analisa Teixeira.

Para a implantação do minhocário, é necessário ter material orgânico tratado (animal ou vegetal), ou seja, com o processo fermentativo inicial estabilizado, as instalações devem permitir o controle da umidade (de 50 a 70%), temperatura (de 18 a 30° C) e do acesso de possíveis predadores (formigas, lacraias, sanguessugas, pássaros em geral).

“O húmus produzido será utilizado na manutenção da fertilidade dos solos e regeneração dos solos degradados. As minhocas serão usadas na alimentação de outros animais, in natura ou na forma de pasta ou farinha geralmente adicionada as rações”, relata o educador ambiental.

COMERCIALIZAÇÃO

O húmus pode ser comercializado a granel, em grandes quantidades destinadas à agricultura em geral e/ou ensacado, em pequenas quantidades geralmente destinadas a jardinagem e paisagismo.

“As minhocas despertam o interesse de um mercado muito interessante, que vai desde os criadores de pequenos animais, como pássaros e peixes ornamentais e até mesmo os criadores de grandes animais para enriquecimento das rações balanceadas. Outro filão é o da pesca recreativa, pesque-pagues e grupos de pesca formam um grupo de interesse em pleno crescimento. As minhocas também podem ser comercializadas como matrizes para futuros criadores

minhocultura, ou seja, o cultivo de minhocas em cativeiro, é uma atividade zootécnica que tem como processo básico a vermicompostagem. Esse processo consiste na transformação dos resíduos orgânicos em uma forma mais estabilizada da matéria orgânica, resultante da ação das mesmas e da microflora que vive em seu trato digestivo, produzindo húmus, que é a sua excreção. Nesse processo, ocorre também o aumento da população dos espécimes, então, fica evidente que na criação obtemos dois produtos finais, as minhocas e o húmus. 

As minhocas podem ser utilizadas na alimentação animal tanto in natura como na forma de farinha, que também vem sendo estudada e viabilizada na alimentação humana. Aproximadamente, 75% da matéria seca das minhocas é composta por proteínas. Outra finalidade é o seu uso como iscas para pesca e como matrizes para quem pretende iniciar uma criação. 

O húmus é um rico adubo orgânico que pode ser utilizado  em todas as culturas. Viveiristas, paisagistas e floricultores fazem seu uso com  frequência e são potenciais consumidores. Além disso, pode ser utilizado na fruticultura, cultivo de grãos, agricultura orgânica, dentre outros.  

Basicamente são três as características necessárias às minhocas para que sejam criadas comercialmente: devem se adaptar ao cativeiro; devem se alimentar de material orgânico em decomposição e precisam ser bastante prolíferas, reproduzindo-se em grande quantidade. As espécies mais comercializadas são a Eisenia foetida e Lumbricus rubellus, conhecidas como “Vermelha da califórnia” e Eudrilus eugeniae conhecida como “Gigante africana”. O interesse comercial por essas espécies se deve ao fato de elas viverem em altas concentrações de resíduos orgânicos, além de apresentarem uma altíssima taxa de reprodução, adaptando-se facilmente nos canteiros.

Criar minhocas é relativamente simples e, dependendo da finalidade a que se destina, não exige grandes investimentos. É possível a criação em pequenas caixas e até mesmo em latões cortados ao meio. O importante é acondicioná-las satisfatoriamente. O alimento é também o local onde vivem, dessa maneira, o substrato deve atender a requisitos que satisfaçam às exigências no que diz respeito ao ambiente e à nutrição. 

Os materiais utilizados para produção do substrato, o vermicomposto,  podem ser de diversas origens: agrícola, domiciliar ou industrial, desde que ricos em matéria orgânica, tais como esterco; palhas; lixo doméstico orgânico; lodo de esgoto; restos de culturas, dentre outros. A questão está em como fornecer esses substratos. É necessário que toda matéria-prima utilizada na preparação do mesmo passe por um processo de fermentação ou compostagem adequado


Minhoca  (Como criar)

Criação do bicho pode ser rentável até em pequenas áreas. O húmus produzido é muito usado por floricultores, jardineiros e paisagistas 
Se não fossem tão benéficas à natureza, as minhocas certamente seriam consideradas pragas. A cada dois meses, elas têm a população duplicada, um vantajoso atributo para os criadores desses anelídeos. Mas os predicados não param por aí: as minhocas melhoram a qualidade do solo, servem de alimentação para outros animais e têm boa demanda no mercado.
Miúdas e longas, as minhocas penetram na terra e, com seus movimentos, revolvem, arejam e descompactam o terreno, o que evita encharcamentos e diminui a ocorrência de erosões.
Ao mesmo tempo, em seu processo digestivo, eliminam restos em decomposição e "limpam" a terra, devolvendo ao meio ambiente um adubo natural. Trata-se do húmus, matéria orgânica rica em nutrientes, com muito nitrogênio, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e extensa flora bacteriana, ótimo para o desenvolvimento de hortaliças em geral e fruteiras, entre outras culturas. O produto tem lugar garantido entre floricultores, horticultores, jardineiros e paisagistas.
Minhocário: acima do nível do solo e em área plana, mas inclinado para evitar acúmulo de água
Ricas em proteínas, as minhocas são uma boa opção de alimento para animais. É um dos pratos prediletos de criações de aves, rãs e peixes. Servem ainda para a fabricação de farinha e podem ser usadas como isca viva na pesca esportiva. Outro papel importante das minhocas é na eliminação de lixo orgânico. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem condomínios que adotam o uso de minhocários em áreas comuns para o aproveitamento de resíduos orgânicos descartados.
Os diversificados canais de venda fazem da minhocultura um meio de o criador incrementar a renda no fim do mês. A necessidade de pouco investimento inicial e os baixos custos com manutenção da infra-estrutura também contribuem para a conquista de um negócio rentável. A atividade não exige mão-de-obra especializada nem tratamento veterinário.
As minhocas não possuem olhos, dentes ou ossos, mas têm capacidade de regenerar uma nova cauda. Pelo mundo são encontradas milhares de espécies. Aqui, são nativas a minhoca brava (Pheretyma hawayana), a mansa (Lumbricus terrestris) e o minhocuçu (Rhinodrilus alatus). Entre as estrangeiras, as populares são vermelha-da-califórnia ou vermelha-híbrida (Eisenia phoetida), gigante africana (Eudrilus eugeniae) e também a européia (Lumbricus rubelus).

Como Criar
Criação mínima: quatro litros de minhocas
Custo: 100 reais (para criação mínima)
Investimento inicial: Mil reais
Retorno: um ano e seis meses
Reprodução: criação pode dobrar a cada 60 dias

Mãos à obra
Início - comece com poucas minhocas. Coloque quatro litros em um canteiro de dois metros quadrados. Os minhocultores brasileiros preferem a vermelha-da-califórnia para a produção de húmus, pois é produtiva e fácil de lidar.
Expansão - para produções maiores, opte por um canteiro de 20 x 1 metro, com 30 centímetros de profundidade. Deposite seis metros cúbicos de esterco curtido. Se bem conduzida, a atividade pode alcançar em dois meses quatro toneladas de húmus, o equivalente a 100 sacos de 40 quilos.
Ambiente - o minhocário deve ser mantido limpo, o que evita a aproximação de predadores. Palha seca por cima inibe a ação de passarinhos. Livre-se de grama ao redor do canteiro, para não haver contaminação com sementes. Não deixe exceder o número de minhocas no local, pois elas não gostam de variações de umidade e temperatura, tampouco de locais muito quentes.
Estrutura - instale o minhocário acima do nível do solo e em área plana, mas com leve inclinação para evitar o acúmulo de água. Feitas de alvenaria ou madeira, as paredes devem contar com drenos para escoar o excesso de umidade. Proteja o local da chuva com telas plásticas apoiadas em suportes de arame, bambu ou madeira.
Alimentação - as minhocas se alimentam de esterco e restos vegetais, como gramas, frutas, folhas secas, papéis e matérias orgânicas em decomposição. Junte tudo para fazer uma compostagem. Faça um monte de 1,5 metro de altura, em local seco e arejado. Deixe descansar por uma semana e revire o material para aumentar o arejamento. Repita o procedimento, mas apenas com uma virada, até que o resfriamento da compostagem. Leve a massa para o canteiro somente quando, ao apertar um punhado, ela não pingar água.
Reprodução - apesar de possuírem os dois sexos, as minhocas não se auto-fecundam. É necessário o acasalamento com outra minhoca, o que pode ocorrer o ano todo. Fecundados e no interior de um casulo, os óvulos são expelidos na terra. Em cerca de 21 dias eles eclodem, e cada um origina algumas minhoquinhas.
Coleta - o método de armadilhas é uma das técnicas para se recolher o húmus produzido. Encha sacos de aniagem com esterco curtido e úmido, estendendo-os sobre o canteiro para atrair as minhocas. Após capturar a maior parte delas, transfira-as para um outro canteiro já preparado com esterco.

Para ler em tela cheia é só clicar nas duas setinhas invertidas embaixo e à direita do Slide.





13 de set de 2017

ALIMENTAÇÃO DAS AVES (Galinhas Caipiras)



7 - ALIMENTAÇÃO DAS AVES
O sucesso financeiro em uma criação de galinhas caipiras depende, em boa parte, da qualidade da ração e do custo com a produção da mesma. O maior custo em um projeto de criação de galinhas é com a alimentação das aves (75%) em média. Por isso, o produtor tem que procurar soluções de reduzir os custos sem que a qualidade nutricional da ração seja diminuída.
Um programa de alimentação deve atender as necessidades nutricionais das aves em suas diversas fases da vida. Por isso, se faz necessário o conhecimento da demanda nutricional dessas aves para que o produtor possa oferecer essa ração na quantidade e com os nutrientes certos para que as galinhas caipiras tenham um ganho de peso e produção de ovos dentro do padrão racial de cada ave.
Para baixar os custos com a ração para as aves, o produtor pode formular a ração em sua propriedade usando os ingredientes que podem ser encontrados na sua região.
A ração balanceada garante às aves os nutrientes necessários para alcançarem o peso ideal, produzir ovos sem deficiência de minerais e com as características ideais para a incubação. No entanto, o fornecimento de alimentos alternativos na dieta das aves é que vai complementar os nutrientes fornecidos na ração balanceada, além disso, é com essa alimentação que as galinhas adquirem o sabor característico das aves criadas soltas nos terreiros e esse é o diferencial entre esse tipo de galinhas e o frango industrial.
Elaborar um cardápio com capins, gramíneas, sobras de frutas, legumes ou verduras que não são comercializadas, também podem fazer a diferença quando se trata de baixar custos com a alimentação das aves.
As aves podem ser soltas em piquetes a partir 28° dia e com isso começar a se alimentar com matéria verde de boa qualidade nutricional. Os piquetes devem ser formados por leguminosas e gramíneas que tenha brotos novos e tenros, alto teor de proteína, boa digestibilidade. As matérias verdes mais usados em piquetes são as seguintes: capim napier, capim quicuio, capim tiffiton, capim coast-cross, grama estrela africana, rami, assa peixe, confrei entre outros. Outros alimentos alternativos como a mandioca, feijão guandu, batata doce, tronco e folhas de bananeira, cunhã, leucena e sorgo também podem ser oferecidos como alimentação para as galinhas caipiras.
Dentro dos piquetes o avicultor deve plantar algumas arvores para fazer sombra para as aves, essa prática é de suma importância dentro de um projeto de criação de galinhas caipiras no sistema semi-intensivo e extensivo.
Se possível, é interessante manter um sistema de rotação de piquetes, para garantir períodos de aproximadamente 30 dias de descanso para o brotamento da vegetação e a recuperação do pasto, causada pelo pisoteio das aves.
O fornecimento de alimentação verde para as aves garantem uma maior pigmentação da carne e ovos da galinha caipira, além de contribuir com o sabor inconfundível desse tipo de ave.
7.1 – Ingredientes da Ração Balanceada
A aquisição de ingredientes para a formulação da ração balanceada permite ao produtor incluir os grãos que possam ser encontrados na sua própria região com mais facilidade.
Os insumos que representa a base da ração são os seguintes: milho triturado, farelo de trigo, farelo de soja. Os outros ingredientes podem e devem ser complementados pelos grãos da região.
A ração balanceada pode ser comprada ou elaborada pelo avicultor. É comum encontrar no mercado local as rações prontas desenvolvidas para as necessidades nutricionais das aves e destinadas às aptidões das mesmas (corte ou postura)
Para elaborar a ração na propriedade o avicultor deve usar aos ingredientes que garantam as necessidades nutricionais das aves. Que são as seguintes: Fontes de Proteínas: Todas as necessidades de proteínas das aves devem ser atendidas usando alimentos vegetais. Para isso, o produtor pode usar os seguintes alimentos: farelo de amendoim, farelo de girassol, farelo de soja, farelo de canola, farelo de algodão, farelo de glutem, entre outros. Fonte de Energia: mandioca seca, milho triturado, sorgo, quirera de arroz, farelo de trigo, óleo de soja, triguilho, etc. Fonte de Minerais: sal comum, fosfato bicálcico e calcário calcítico. Fonte de Micronutrientes: é uma mistura de algumas vitaminas e minerais. (No mercado agropecuário existe um produto que é muito usado para suprir essa necessidade, conhecido como premix).
7.2 – Armazenamento
Para conservar a qualidade nutricional das rações, o produtor deve manter um lugar especifico para essa finalidade. O deposito deve ser um lugar arejado, sem umidade e que não receba incidência direta do sol. Dessa forma, é possível ter um melhor aproveitamento dos ingredientes que compõe a ração.
O produtor deve manter o lugar sem a presença de animais domésticos, pássaros, insetos e fazer um controle permanente contra ratos. Esses animais podem levar doenças que serão transmitidas através da alimentação das aves.
7.3 – Alimentação de Galos/Matrizes
Estudos tem mostrado que uma dieta diferenciada para machos reprodutores com níveis de proteína em torno de 12% tem mantido o nível de sêmem em um patamar satisfatório, aumentando a eclodibilidade dos ovos e reduzido o custo com a produção da ração oferecida às aves durante o período de reprodução.
No Brasil, os produtores de galinhas caipiras não adotam práticas de ração diferenciada para galos reprodutores e as razões pelas quais isso não é praticado está relacionado com a falta de informação sobre o tema, dificuldades no manejo alimentar, incertezas de funcionalidade da ração, além da dificuldade e possibilidade de erro no processo de formulação da mesma.
Assim como na dieta dos galos, as galinhas também merecem atenção especial, pois uma alimentação balanceada contribui e muito com a produção de ovos de boa qualidade para a incubação.
Sabe-se que uma dieta com 16% de proteína e 2.800 kcal e as vitaminas e minerais nos níveis corretos mantém a ave em perfeitas condições nutricionais para uma boa manutenção do seu desenvolvimento físico.
A base de um projeto de criação de galinhas caipiras é exatamente o plantel de reprodução e o produtor deve aplicar todas as técnicas de manejo para manter e maximizar a produtividade e o bem estar das aves.





6 de set de 2017

SISTEMA DE PRODUÇÃO DE GALINHA CAIPIRA


SISTEMA DE PRODUÇÃO
Definir um sistema que seja adequado para a propriedade é fundamental para o processo de criação de aves.
Com base no sistema escolhido o avicultor vai projetar os espaços necessários para o manejo adequado de sua criação.
A ocupação dos galpões deve ser de no máximo 10 aves por metro quadrado de área e os piquetes de 4 a 5 metros de área para cada ave.
Para manter um bom programa de biosseguridade o avicultor deve obedecer o sistema de criação onde todas aves alojadas tenham a mesma idade, essa pratica é w.criargalinha.com.br 27 conhecida popularmente como “todos dentro todos fora”. Assim, é possível fazer uma limpeza e higienização de forma mais efetiva e que combinada com o vazio sanitário possa eliminar boa parte das bactérias do lote anterior.
6.1 – Sistema Intensivo
Assim como na criação industrial de frangos de granja, o sistema intensivo também se aplica na criação de galinha caipira. As aves são mantidas em confinamento do nascimento até a data de abate e é fundamental manter a densidade correta de aves para a capacidade do galpão, obedecendo um limite de no máximo 8 aves por metro quadrado.
6.2 – Sistema Semi Intensivo
O sistema semi-intensivo é bastante usado na criação de galinhas caipiras ele é uma combinação da criação intensiva com a criação solta, para isso é necessário a utilização de piquetes para as aves fazerem o pastoreio durante algumas horas do dia. O espaço para o piquete deve ser de no mínimo 4 metros quadrados por ave.
6.3 – Sistema Extensivo
Esse é o sistema que oferece as melhores condições para a criação de galinhas caipiras. Nesse sistema as aves passam o dia todo soltas, ciscando e se alimentado com gramíneas e restos de frutas e verduras produzidas na propriedade. Ao entardecer, são recolhidas no galpão onde possam se proteger contra predadores as intempéries climáticas e onde possam receber ração balanceada. O limite de ocupação dos piquetes é de uma ave para cada 5 metros quadrados de área.






1 de set de 2017

Habitação para a Galinha caipira



5 – HABITAÇÃO

Na construção do galpão o principal objetivo é oferecer às aves um ambiente onde seja capaz de encontrar água em abundancia, alimentação, proteção contra predadores, abrigo contra chuva ou frio e garantir um manejo adequado contra as doenças das aves. As instalações devem ser funcionais e acima de tudo simples, não havendo necessidade da aquisição de material de alto custo para execução do projeto, o que é de extrema importância neste caso é o cumprimento de todas às exigências técnicas de higiene e manejo para evitar futuros problemas relacionados a doenças das aves e consequentemente prejuízos financeiros.



Afim de diminuir os custos do projeto o avicultor deve, na medida do possível, aproveitar as construções já existentes na propriedade.

O piso do galpão deve ser construído preferencialmente de cimento, para que o processo de limpeza e desinfecção seja feito de forma simples e eficiente e que não permita a passagem de umidade do chão para a cama das aves, ter uma inclinação de aproximadamente 2% para facilitar a saída da água no processo de desinfecção, que não seja totalmente liso e que esteja a 20 cm de altura em relação ao terreno.

A construção deve ser feita no sentido leste-oeste para que o sol, no período do verão, passe sobre a cumeeira. Evitando assim, que os raios solares não entrem no galpão (conforme desenho ao lado).

O galpão/galinheiro deve ser construído em local com um leve declive para evitar que água da chupa emposse e contribua com a proliferação de moscas e mosquitos.

O ideal e que o mesmo fique próximo da casa do tratador uns 50 metros aproximadamente, e que tenha um sistema de fornecimento de água potável e energia elétrica. Deve possuir muretas nas laterais de aproximadamente 20cm, cantos arredondados, que seja totalmente fechado com tela para evitar a entrada de pássaros e outros animais.

O telhado deve ser construído com o pé direito em conformidade com a largura do aviário de modo que o interior do aviário seja ventilado e que não seja muito quente nos horários de maior incidência do sol. A cobertura do telhado deve passar pelo menos 90cm da parede lateral para evitar a entrada de chuva, as paredes laterais deve possuir cortinas para proteger as aves dos ventos e chuva.

Os galpões devem ser construídos a uma distância mínima de 50 metros uns dos outros.

5.1 – Dimensões

O tamanho do galpão deve ser com base nas expectativas de produção do avicultor, pois o mesmo deve acomodar no máximo 10 aves por metro quadrado. Porém, deve-se levar em consideração algumas dimensões que, na prática, tem apresentado melhores resultados. A largura do aviário está diretamente ligada com o tipo de clima da região onde o mesmo será implantado. Em locais de clima quente e úmido a largura de 10 metros é a mais recomendada e em regiões de clima quente e seco a largura ideal fica entre 10 e 14 metros.

O pé direito do galpão é determinado em função da largura do mesmo, de forma que essa combinação favoreça o processo de ventilação natural dentro do aviário e com isso reduzir a temperatura interna (veja tabela abaixo). Quanto mais largo for o aviário, maior tem que ser a sua altura. O avicultor deve considerar a intensidade dos ventos de sua região quando a altura do pé direito ultrapassar os 3 metros de altura. Em regiões de ventos fortes deve-se reforçar a estrutura do galpão para evitar transtornos futuros.




Largura do Aviário (m)
Pé direto mínimo em climas quentes (m)

até 8 2,80
8 a 9 3,15
9 a 10 3,50
10 a 12 4,20
12 a 14 4,90
5.2 – Equipamentos e Utensílios

A utilização de alguns equipamentos exclusivos para a avicultura se faz extremamente importante em um projeto de criação de galinhas caipiras e o avicultor deve providenciá-los o mais breve possível para atender as necessidades básicas das aves.

Os comedouros mais utilizados em projetos de avicultura são os tipos tubulares, mais isso não impede de o avicultor possa improvisar esses equipamentos na propriedade, levando em conta que os mesmos devem ser projetados com o intuito de facilitar a alimentação das aves, manter a ração sempre limpa e, sobretudo, evitar o desperdício. Os comedouros do tipo bandeja são os mais usados nos primeiros dias de vida dos pitinhos e deve ser considerado a proporção de 80 pintos por comedouuro.

O avicultor deve regular a altura do comedouro conforme o desenvolvimento da ave durante o período de criação, de forma que a borda superior do mesmo se mantenha na altura do dorço das aves.



O fornecimento de água requer por parte do avicultor uma atenção especial, pois as aves devem sempre receber água potável e em temperatura abaixo da temperatura ambiente em seus bebedouros. Os equipamentos que melhor atendem as necessidades de bom manejo são os bebedouros automáticos.

dos fabricantes
A borda superior dos bebedouros devem ficar a uma altura de mais ou menos 4 cm acima do dorço das aves, para evitar que os pintos derrame a água sobre a cama (veja desenho ao lado). Os outros modelos devem ser regulados conforme orientação

5.2.3 – Campânolas

Nos primeiros dias de vida do pintinho, manter uma boa fonte de calor é de fundamental importância para o desenvolvimento dos mesmos. Para isso, é utilizado dois modelos de campânolas: as elétricas e as campanolas à gás GLP (de cozinha). Esses utensílios são encontrados com facilidade nas lojas do ramo. Normalmente, as campanolas podem ser a gás ou com energia elétrica. As mais usadas são as com capacidade para 500 pintos. As campanolas podem ser usadas até os 30 dias de vida do pintinho, isso depende da temperatura da região onde o aviário está localizado. Os pintinhos nascem com uma temperatura em torno dos 39,5°C e o produtor deve aos poucos, ir baixando essa faixa de temperatura conforme os pintinhos vão ficando empenados. A falta ou excesso de calor pode prejudicar a saúde dos pintinhos. Portanto, o tratador das aves deve manter a atenção redobrada enquanto houver a necessidade de aquecimento externo.

Para reduzir custos, o avicultor pode improvisar uma campanola usando uma lâmpada de 60 ou 100watts com um algum material que possa refletir o calor em direção ao chão do galpão (ex. bacia revestida com papel alumínio).

O avicultor deve criar as condições necessárias para que as aves encontrem o conforto ambiental dentro do aviário. As temperaturas adequadas para um desenvolvimento saudável das aves são as seguintes:



Temperatura Idade 32°C 1º dia 30°C 2º ao 7º dia 29°C 2ª Semana 27°C 3ª Semana 24°C 4ª Semana

Localizada nas laterais dos galpões, este é um recurso muito usado para proteger as aves contra as intempéries climáticas e fazer a troca de ar no interior do galpão. Este item não pode ser negligenciado no projeto dos aviários.

No galpão de aves de postura deve-se colocar uma “bateria de ninhos” com a finalidade de evitar que galinhas ponham os ovos no chão do galpão. Isso evita maiores problemas de infecção por fungos e bactérias nos ovos.

5.2.6 – Poleiros

Este recurso está mais ligado a uma prática de bem estar animal em função das aves, quando soltas, procurarem lugares mais altos para passarem a noite.

5.2.7 – Ventiladores

Nas regiões mais quentes do país, o uso de ventiladores se torna indispensável nos projetos dos aviários, pois eles possibilitam uma redução considerável da temperatura dentro do galpão. O uso dos ventiladores não dispensam a plantação de árvores ao redor dos galpões para proporcionar sombras às aves.

Este equipamento não precisa ser adquirido na fase inicial da avicultura. Porém, o avicultor deve providenciá-lo com a maior brevidade possível para que em caso de falta de energia da operadora, esse equipamento possa fornecer energia à propriedade, principalmente quando tem ovos sendo incubados.




As aves, assim como os humanos, necessitam receber água de qualidade para seu consumo diário. Desta forma, é possível garantir ao plantel melhores condições de higiene e, sobretudo, proteger as aves contra uma série de doenças. Em todas as fases de criação da ave a água deve ser oferecida em temperatura média 22°C e de forma abundante. O consumo da água está diretamente ligada a temperatura do ambiente, idade das aves, quantidade de sal e proteínas da ração e qualidade da mesma. Veja tabela abaixo.

Periodicamente, a pesagem de amostras da criação é de extrema importância para acompanhar o desenvolvimento das aves. Para isso, o criador deve providenciar uma balança que possa atender de forma satisfatória essa necessidade.

O avicultor deve acompanhar diariamente as condições climáticas do seu aviário e tomar as medidas necessárias para proporcionar às aves uma condição adequada para um bom desenvolvimento. Para monitorar a temperatura e a umidade do aviário o termohigrômetro deve ser mantido a uma altura de aproximadamente 50 cm do chão do aviário.






29 de ago de 2017

Reprodução de Galinhas Caipiras



O sucesso reprodutivo de galinhas caipiras está diretamente relacionado com o estado nutricional e sanitário do plantel. Outros fatores como idade, porte, adaptação ao ambiente e relação macho:fêmea também influenciam bastante nos resultados.
As aves reprodutoras devem ser capazes de realizar bem as funções produção de ovos, cobertura e fertilização. Para isto, necessitam ser saudáveis e receberem uma boa alimentação. O reprodutor bem alimentado será capaz de cobrir com naturalidade um grupo de doze matrizes sem que isso venha causar qualquer desgaste físico. Para que consiga realizar tal missão, terá que receber dieta balanceada e em quantidade suficiente, porém não excessiva, para que não se torne obeso e mantenha sua disposição física para realizar os saltos diários.
Para a matriz, além do desgaste físico com a postura, tem-se o gasto de energia com a incubação por meio de transferência de calor para os ovos. Com isso, torna-se imprescindível o aumento da densidade calórica da ração logo que se encerre o período de incubação. Tem também elevada importância a reposição protéica e a mineral, principalmente de cálcio e fósforo, que são usados na formação de casca do ovo.
Ressalte-se que mesmo com a relação macho:fêmea de 1:12, a fertilidade dos ovos pode ser comprometida se houver mais de um reprodutor num único ambiente e eles passem a disputar as fêmeas. Pode ocorrer o domínio de um reprodutor sobre outros ou que algumas fêmeas não aceitem determinados machos devido às circunstâncias de porte e/ou comportamento.
Se o criador optar por mais de um reprodutor por lote, recomenda-se que esses devem ser da mesma idade e porte, e que, preferencialmente, tenham a mesma procedência ou passado algum tempo juntos antes de ser iniciada a vida reprodutiva.
Caso em que os machos apresentam pesos exagerados com relação às fêmeas resultam em traumas físicos, da mesma forma que machos bem inferiores em termos de tamanho não conseguem uma cópula perfeita.
Aves que apresentem obesidade não são recomendadas para a reprodução. Machos diminuem a libido e sentem dificuldade de copular, enquanto as fêmeas perdem exageradamente as reservas corporais no momento de postura e principalmente quando estão submetidas à incubação. Com a obesidade, diminuem o tamanho e o número de ovos. A obesidade das fêmeas é percebida pela apalpação da região abdominal da ave, principalmente próximo à cloaca.
Deverão ser imediatamente descartadas as aves que apresentarem defeitos físicos, sinais de vícios ou taras e problemas sanitários, principalmente se esses forem capazes de infestar o plantel.
As aves ativas, com bom escore corporal e idade entre 6 e 24 meses e que não estejam comprometendo o plantel em termos de consangüinidade ou em processo de seleção indesejável e improdutivo, devem ser mantidas.
O ciclo reprodutivo é continuo nos machos, enquanto que nas fêmeas apresenta quatro etapas bem distintas:
.Pré-postura: a primeira pré-postura ocorre em aves com cerca de 22 semanas de vida. Em fêmeas reprodutivas, é a fase posterior ao choco e tem duração aproximada de 8 dias.
.Postura: essa etapa tem um período médio de 15 dias. Uma fêmea com boas condições nutricionais, sanitárias e de conforto apresenta postura de 10 a 15 ovos.
.Choco: nessa etapa ocorre a suspensão da postura e dura em torno de 21 dias. A ave apresenta comportamento mais agressivo, penas eriçadas, canto diferente e permanece mais tempo deitada no ninho ou em algum canto da instalação.
.Pós-choco: ocorre geralmente após o processo de eclosão e nascimento dos pintos ou quando o choco é interrompido. Na criação extensiva, é a época em que a fêmea passa conduzindo o grupo de pintos recém-nascidos, ou pode ser interrompida e durar apenas 3 dias.
Dependendo da forma de incubação, a etapa de choco pode ser evitada, o que resulta em maior número de ciclos reprodutivos anuais (Tabela 1).

Tabela 1. Ciclo reprodutivo da galinha caipira de acordo com as fases reprodutivas.
FaseForma de incubação
NaturalArtificial
Pré-postura (dias)88
Postura(dias)1515
Choco (dias)210
Pós-choco(dias)33
Total (dias)4726
Nº de ciclos anuais713
Fonte: Embrapa Meio-Norte
Aumentando o número de ciclos, o volume de postura e o número de crias nascidas serão também aumentados. O criador que optar pelo SACAC Familiar poderá utilizar as duas formas de incubação, natural e artificial, dependendo da finalidade e planejamento da sua criação.
O processo de incubação é iniciado no momento da coleta dos ovos. Ao serem coletados diariamente, os ovos devem passar por uma limpeza rápida, de preferência usando-se um pano úmido, para remover toda matéria orgânica incrustada na casca (BARBOSA et al., 2004). Em seguida se marca com lápis grafite na casca a data de postura (dia/mês). Esse procedimento servirá para que o criador decida pela venda, consumo ou incubação do ovo no momento adequado (Fig. 1).


Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.1. Identificação do ovo por meio de grafite.


A coleta diária ou por mais de uma vez ao dia evita que se inicie o processo indesejável e precipitado de incubação, tendo em vista que o aquecimento do ovo ocorre quando outras matrizes estão sobre os mesmos em momento de postura. O desenvolvimento embrionário, uma vez iniciado, não poderá ser mais interrompido sob pena da perda do ovo.
O tamanho, o formato e as condições externas da casca servem de base para a decisão do criador sobre o destino do ovo. Tamanho exageradamente grande ou muito reduzido, formatos estranhos e rasuras na casca indicam que o ovo deve ser consumido ou vendido imediatamente. Um procedimento usual é a ovoscopia, que permite a observação mais detalhado da casca do ovo, presença de câmara de ar e de algum processo de desenvolvimento embrionário antecipado (Fig. 2 e 3).
O lote de ovos destinado à incubação deverá ser acondicionado em local arejado por no máximo 7 dias ou em ambiente refrigerado em temperatura em torno de 10 ºC por um período não superior a 30 dias, desde que sejam virados pelo menos uma vez por dia (Fig. 4).


Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.2. Diversidade dos ovos em tamanho e formato.

Foto: F.J.V. Barbosa
Fig.3. Pré-seleção do ovo no momento da coleta. 

Foto: F.J.V. Barbosa
Fig.4. Ovos acondicionados na geladeira.


A viragem dos ovos deve ser lenta, bastando apenas que a marcação com grafite (aquela que identifica a data da postura ou o lote) seja alternada com relação à parte superior da bandeja, para evitar que a gema cole na casca do ovo, pois, se isso acontecer, o ovo não se prestará para a incubação.
Na incubação natural, o cuidado mais importante é com a escolha da matriz, que deve apresentar habilidade materna e ausência de vícios ou taras. Além dessas qualidades, o tamanho da matriz, por sua relação com a capacidade de abrigar um maior número de ovos, o conforto, segurança, arejamento e condições higiênicas do ninho são também responsáveis pela alta taxa de eclosibilidade (Fig. 5 e 6).


Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.5. Matrizes bem adaptadas ao processo de incubação natural.




Foto: F.J.V. Barbosa
Fig.6. Pintos nascendo no ninho após o processo de incubação natural.


A quantidade de 12 a 15 ovos por matriz é a mais utilizada, para isso tem-se que levar em consideração tanto o tamanho das matrizes como o dos ovos. É importante observar que no modelo do SACAC Familiar existe, na área de reprodução, a zona de incubação. Tal separação tem o objetivo de evitar que outras matrizes em situação de postura misturem seus ovos com os que já se encontram em estágio de incubação. Esse fato provocará perdas indesejáveis, já que haverá eclosão dos ovos em estágio mais avançado de incubação e o conseqüente abandono do ninho pela matriz, interrompendo o processo nos ovos que continuarem no ninho.
Ocorrências como a rejeição e trocas de ninhos são comuns. Alguns artifícios facilitam o manejo e a manutenção da ave no ninho, como o uso de tampas nos ninhos.
O acompanhamento diário detecta problemas que ocorram durante a incubação natural e que necessitem da intervenção do criador, tais como a rejeição e a troca de ninhos, que, se não detectados diariamente, podem resultar em perdas.
A ovoscopia é recomendada também durante o processo de incubação, principalmente após os primeiros 10 dias, quando já se pode observar o desenvolvimento ou não do pinto. Nos casos negativos, os ovos serão descartados (Fig. 7).

Foto: F.J.V. Barbosa

Fig.7. Processo de ovoscopia durante a fase de incubação.

Bons resultados de incubação são alcançados quando as matrizes são devidamente alimentadas, por isso é recomendável o fornecimento diário em quantidade e qualidade de uma mistura dietética que supra principalmente o desgaste energético. Há casos de deficiência alimentar nos quais as matrizes, por questão de sobrevivência, consomem os próprios ovos.
Perdas também ocorrem no momento da eclosão, tanto por dificuldades do pinto em romper a casca, como encaixe de cascas secas. Sempre se recomenda a retirada dessas cascas, elas podem servir de isca para formigas.
Dentre as vantagens de se utilizar a incubação artificial, a que mais se destaca é a não-ocupação da matriz com o choco, o que resulta em maior número de ciclos reprodutivos anuais. Outra grande vantagem é poder programar o nascimento dos pintos para uma determinada época, podendo-se economizar em manejo e atender de forma mais criteriosa às demandas do mercado consumidor.
Existem vários modelos de chocadeiras no mercado, desde as manuais às totalmente automatizadas, capazes de programar viragens e controlar temperatura e umidade por meio de termostatos e higroscópios. As chocadeiras podem ainda ser dotadas de termômetros e reservatórios de água e confeccionadas por material sintético, como fibra de vidro, plástico e acrílico, o que possibilita maior higienização. As tampas transparentes permitem uma melhor visão do processo de incubação, principalmente no momento de eclosão (Fig. 8).

Foto: M.E.Ribeiro


Fig.8. Modelo comercial de chocadeira automática.

Os mesmos procedimentos empregados para submeter ovos à incubação natural são também utilizados na incubação artificial, da mesma forma com o acompanhamento é bastante criterioso, inclusive no momento de eclosão (Fig. 9).

Foto: M.E.Ribeiro


Fig.9. Eclosão após o processo de incubação artificial.

Para se alcançar o sucesso desejado, o criador deve ter o controle exato da postura, fertilidade e eclosão (Fig. 10). Essas variáveis vão definir as necessidades de ajustes de manejo e de substituição de aves, equipamentos e máquinas.

Foto: F.J.V. Barbosa


Fig.10. Pintos bem-nascidos, manejo adequado.

PROCESSO DE REPRODUÇÃO
Manter um processo de reprodução eficiente na propriedade rural é de extrema importância para o avicultor, em função de ser a base da cadeia de produção do seu projeto de criação.
Um projeto de avicultura bem estruturado deve sempre manter um bom plantel de aves matrizes com vários reprodutores que comprovadamente façam uma boa transferência genética aos seus descendentes e que possam se reproduzir de forma sistemática afim de manter a regularidade no fornecimento de aves para o mercado consumidor.
4.1 – Monta Natural
Por apresentar uma grande facilidade de manejo, esse é o modo mais comum de reprodução das aves nas propriedades brasileiras. Cabe ao produtor fazer a formação das famílias e separá-las em grupos de no máximo 10 fêmeas para cada macho.
Nesse sistema de reprodução o avicultor deve ficar atendo a um comportamento muito comum entre as aves que é a monta preferencial entre alguns galos e galinhas.
Quando o produtor perceber esse comportamento entre suas aves ele deve fazer a troca entre as famílias formadas pelas galinhas do seu plantel para evitar o problema de infertilidade dos ovos.
4.2 – Inseminação Artificial
O procedimento de inseminação artificial é uma prática pouco realizada nos pequenos aviários, porém ela é capaz de trazer melhores taxas de fertilidade dos ovos quando aplicada corretamente. O que garante o sucesso nessa prática é possibilidade de aproveitar ao máximo a produção de sêmen de um reprodutor e a certeza de que todas as galinhas do plantel foram devidamente inseminadas.
4.3 – Manejo de Ovos para Incubação
Somente se conseguem ótimos nascimentos e pintinhos de boa qualidade quando se mantém o ovo em ótimas condições, desde a postura até a colocação na máquina incubadora. Lembremos que o ovo contém muitas células vivas. Uma vez posto o ovo, o potencial de nascimento pode, na melhor das hipóteses, ser mantido, mas nunca melhorado. Se o manejo for insatisfatório, o potencial de nascimento pode se deteriorar rapidamente. (COOB, 2008)
4.3.1 – Coleta de Ovos para Incubação
Deve-se realizar a coleta e conjuntamente, uma pré-seleção desses ovos. No mínimo cinco coletas por dia (três pela manha e duas pela tarde) devem ser realizadas. Atualmente, recomendações de sete a dez coletas diárias têm sido mais preconizadas por acreditar-se que quanto maior o numero de coletas, melhor será qualidade do ovo incubável. Os objetivos com esta prática são: reduzir o numero de ovos trincados e quebrados; reduzir o numero de ovos postos na cama e, portanto, reduzir a contaminação; reduzir o tempo de permanência dos ovos em ambiente contaminado.
A maior concentração de postura é no período da manhã. Desta maneira, as coletas de ovos devem ser concentradas no período das 6 às 12 hora, no mínimo 4 vezes por período. No período entre 13 a 17 horas, as coletas de ovos devem ser no mínimo 3 vezes por período.
Os funcionários devem desinfetar as mãos antes de colher os ovos, principalmente se os ovos de cama forem recolhidos inicialmente.
Recomenda-se que os ovos Durante a colheita sejam acondicionados em bandejas de plástico desinfetadas, pois são laváveis, de fácil desinfecção e possibilitam melhor circulação de gás durante a fumigação. (CHAPTER 5, Araújo & Albino)
É necessário descartar os ovos que apresentem pouca chance de eclosão ou que impliquem na produção de pintainhos de baixa qualidade. Ovos muito grandes ou muito pequenos dificultam a incubação, ovos deformados, casca trincada, casca suja (sangue, w.criargalinha.com.br 16 fezes de galinha, fezes de mosca), casca anormal, alteração da coloração normal da casca, entre outros fatores podem implicar no descarte desses ovos para a incubação.
Ovos sujos normalmente são provenientes de cama, porém podem ser de ninho quando as fêmeas dormirem nos ninhos ou quando o intervalo entre as coletas é muito grande. Ovos sujos geralmente têm taxas de nascimento 10% a 15% menores que as obtidas com ovos limpos. O ideal é não incubar os ovos sujos.
Os ovos postos sobre a cama são contaminados e exigem cuidados especiais na coleta e higiene. A coleta, o armazenamento e a incubação dos ovos de cama devem sem sempre separados dos ovos de ninho, pois têm menor eclodibilidade e explodem mais nas incubadoras que os ovos de ninhos devido a maior contaminação verificada naqueles ovos. (CHAPTER 5, Araújo & Albino)
A higienização dos ovos deve ser feita imediatamente após a colheita, e devem ser limpos a seco pois a prática de lavar ovos sujos e de cama aumenta a contaminação. Os ovos sujos podem contaminar os demais e, por isso representam um risco para o incubatório, além de conferirem uma queda expressiva na eclosão.
A superfície dos ovos em nenhum momento pode ser considerada um ambiente estéril. Apesar de ser produzido por reprodutora saudável, o ovo pode ser contaminado por fezes, material de ninho, mãos do tratador, água, bandejas, cama, piso e poeira.
Ao passar pela cloaca, o ovo já sofre uma contaminação e quando em contato com o ninho e com o ambiente do galpão tem aumentada essa contaminação. Apesar das barreiras naturais do ovo, muitas bactérias passam para o seu interior devido ao diferencial de temperatura no resfriamento pós-postura. Neste contexto, é muito importante reduzir esta carga microbiana, pois quanto menor for a contaminação, menor será a possibilidade de o embrião morrer devido à contaminação.
Ovos com boa qualidade de casca, com peso específico adequado podem ter penetração de bactérias em apenas 30 minutos. Mesmo os ovos que são livres de organismos patogênicos, podem ser contaminados com microorganismos que não são patogênicos mas que se desenvolvem durante o processo de incubação, produzindo gases que podem ocasionar o estouro dos ovos na máquina de incubação e a contaminação dos demais ovos.
Desta maneira, recomenda-se que a primeira higienização seja realizada no momento da coleta, no máximo 30 minutos após a postura, tentando assim evitar que os microorganismos atravessem a casca e contaminem a clara e a gema. (CHAPTER 5, Araújo & Albino)
A contaminação inicial do ovo apresenta apenas algumas colônias de microorganismos, os quais multiplicam-se dez vezes em apenas 60 minutos. (NORTH, 1984)
4.3.3.1 – Higienização Úmida (imersão)
A imersão dos ovos em solução de desinfetantes ou antibióticos é usada par a eliminação dos microorganismos sobre a casca do ovo. Esse método é pouco usado na w.criargalinha.com.br 17 indústria avícola por ser menos eficiente, uma vez que, a cada imersão, a solução vai se saturando com resíduos orgânicos e reduzindo a ação do desinfetante.
A imersão consiste em mergulhar os ovos numa solução de amônia quaternária à base de 200ppm ou de dióxido de cloro à base de 80ppm logo após a coleta.
Os dados encontrados na literatura divergem sobre qual deve ser a temperatura e o tempo ideais, podendo se encontrar trabalhos feitos com imersão em soluções com temperatura entre 39 e 42°C (Proudfoot ET al., 1985) a 35°C por 10 segundos (Donassolo, 2004), 30°C (Soncini & Bittencourt, 2003), 25 a 43°C por 3 minutos (Barros Et al, 2001) e 45°C por 30 segundos (Oliveira & Silva, 2000).
Segundo Mauldin (2002), a imersão deve ser feita por 5 minutos citando que quando a imersão é feita em período de tempos excessivametne longos a temperatura do embrião pode elevar-se resultando em mortalidade embrionária. Por outro lado, se o processo é feito em curto espaço de tempo não irá promover a desinfecção adequada.
4.3.3.2 - Higienização úmida (lavagem manual)
A lavagem direta pode ser manual, usando-se uma solução de amônia quaternária 80%, á base de 2%, e formol 37%, a 1%. Essa técnica é usada para higiene de ovos sujos. Existe o inconveniente de reduzir a eclosão e estourar os ovos durante o processo de incubação.
4.3.3.3 - Higienização úmida (pulverização)
A pulverização foi introduzida no Brasil, em 1980, pela equipe da empresa Big
Birds S/A com a finalidade de substituir o formol.
É uma técnica simples, econômica e eficaz. Quando bem aplicada, reduz a contaminação dos ovos e não afeta a eclosão.
Entre os produtos mais usados na avicultura brasileira, estão a amônia quaternária e o formol ou a combinação desses.
Os ovos devem ser pulverizados, no Máximo, 30 minutos após a coleta, antes que sejam penetrados pelos microorganismos. As bandejas também são pulverizadas com a mesma solução antes de receberem os ovos. Um simples pulverizador é suficiente para essa operação. Em seguida, os ovos são guardados num armário livre de poeira. Muitos desinfetantes têm sido usados na desinfecção úmida (pulverização) como:
Formalina, solução: 1 a 1,5%;
Água oxigenada, solução: 1,0 a 5,0%;
Bióxido de cloro, solução: 30 a 40ppm;
Fenólicos, solução: 1.600ppm;
Glutaraldeído, solução: 1.000ppm;
Proxitane, solução: 200ppm;
Combinações de amônia com: formalina, glutaraldeído, água oxigenada, ácido acético;
Combinações de água oxigenada com: ácido acétiico, ácido paracétio.
Todos esses produtos podem combater os microorganismos contaminantes da casca do ovo, porém só serão eficazes se forem considerados os fatores interferentes, como:
Incompatibilidade; Dosagem;
pH;
Concentração do principio ativo;
Presença de matéria orgânica;
Perfumes de azeites componentes do desinfetante;
Excesso de minerais na água;
Temperatura da água. (CHAPTER 9, Araújo & Albino)
A estocagem dos ovos férteis é uma prática comum e muitas vezes necessária na incubação comercial. Na maioria das vezes, o objetivo é evitar a mistura de ovos de diferentes lotes e idades, ou de lotes com status sanitário duvidoso e a incubação de um maior volume de ovos para atender uma demanda programada. O manejo de estocagem depende de vários fatores, entre eles as condições ambientais, linhagem, idade do lote, características físicas e químicas do ovo, estagio do desenvolvimento embrionário e tempo de estocagem, fatores esses que afetam a eclodibilidade e qualidade do pinto ao nascer. (EMBRAPA, 2002)
O armazenamento dos ovos férteis é uma prática, muitas vezes, necessárias na incubação comercial. Na maioria das vezes, o objetivo é evitar a mistura de ovos de diferentes lotes e idades. Porém, esta prática pode implicar em alterações na eclodibilidade dos ovos, necessitando de atenção aos fatores relacionados com a prática, como temperatura, umidade e tempo de armazenamento. (CHAPTER 5, Araújo & Albino)
Os ovos devem ser armazenados em temperaturas abaixo do “zero fisiológico” (23,9°C) para evitar o desenvolvimento do embrião fora da incubadora. Normalmente, é utilizada a temperatura entre 18 e 21°C consideradas ideais para o armazenamento dos ovos. O resfriamento dos ovos deve ser lento, sedo realizado num período entre 6 a 8 horas. (CHAPTER 5, Araújo & Albino) w.criargalinha.com.br 19
A umidade relativa deve ser mantida entre 70% e 85%, para evitar a desidratação do embrião e a condensação de gotículas na superfície dos ovos. (CHAPTER 5, Araújo & Albino)
O tempo Máximo de armazenamento é de 4 dias, principalmente para o armazenamento de ovos provenientes de matrizes com mais de 48 semanas de idade. Ovos de matrizes com menos de 48 semanas de idade possibilitam um tempo de armazenamento de até 7 dias sem prejuízos na eclosão. A partir daí a eclodibilidade cai na proporção de um ponto percentual por dia a mais de armazenamento. Os ovos postos pela manhã devem ser armazenados à tarde e, os postos à tarde devem ser armazenados à noite. (CHAPTER 5, Araújo & Albino)
4.4 – Incubação Natural
Usar galinhas para fazer a incubação dos ovos em um aviário comercial só é viável no início da criação. Depois que demanda pelo produto aumenta, essa prática torna-se economicamente não sendo interessante para o avicultor, pois é muito difícil para produtor manter um plantel de aves apenas para incubar os ovos sem que o avicultor consiga manter um programa de incubação de forma sistemática que atenda as necessidades de produção.
4.5 – Incubação Artificial
O rendimento da incubação está estreitamente relacionado coma mortalidade embrionária, à qual sofre influencia da gravidade especifica (espessura da casca) e da capacidade do ovo em perder umidade. O acompanhamento dos resultados de incubação, para conhecimento sistemático dos índices de nascimento através da eclosão e da eclodibilidade, são de fundamental importância para avaliação dos possíveis fatores que limitam a produtividade do incubatório.
A eclosão é obtida pela relação entre o numero de pintos nascidos e o total de ovos incubados (formula 1). Ela representa um índice geral, que caracteriza o desempenho tanto da granja produtora de ovos quanto do incubatório.
Já a eclodibilidade consiste em uma avaliação mais específica do incubatório. Para sua obtenção utiliza-se a relação entre os pintos nascidos e o total de ovos férteis incubados (formula 2). Para essa avaliação é indispensável que seja realizada a ovoscopia (processo de retirada de ovos claros ou inférteis, realizada no décimo dia de incubação ou transferência da incubadora para o nascedouro) esta pratica permite também determinar a fertilidade aparente do lote. (formula 3).
Após o nascimento dos pintos deve ser realizada a quebragem dos ovos não eclodidos para avaliação da mortalidade embrionária precoce (1 a 5 dias) intermediária (6 a 15 dias) e tardia (16 a 21 dias, de incubação).
Valores de 8 e 96% para eclosão e eclodibilidade, respectivamente, refletem boas práticas na granja produtora de ovos férteis e no incubatório, ressaltando-se o manejo sanitário.
É importante salientar que a qualidade do pinto está estritamente relacionada com as características do ovo incubado. Neste sentido é fundamental a manutenção de suas propriedades reprodutivas para a produção de pintos viáveis e com alta qualidade. (EMBRAPA, 2000)
(1) Eclosão = (Total de pintos nascidos/Total de ovos incubados) X 100 (2) Eclodibilidade = (Total de pintos nascidos/Total de ovos férteis) X 100 (3) Fertiliadade = (Total de ovos férteis/Total de ovos incubados) X 100
A produção industrial de pintos de corte constitui um dos fatores de maior importância no desenvolvimento da indústria avícola moderna. O processo produtivo envolvido na atividade do incubatório é constituído por entradas (ovos férteis) e transformação biológica dessas entradas em produtos (pintos de um dia), agregando valor. O sucesso desta atividade envolve condições ótimas de manejo, considerando as pressões impostas aos animais pelo ambiente, somatório de fatores biológicos e físicos, dentre os quais se destacam a temperatura de incubação e a umidade relativa. (GONZALES, 1994).
A temperatura é o fator ambiental mais importante e critico que afeta diretamente a eclodibilidade. Os reflexos da temperatura de incubação baixa ocasionam retardo no desenvolvimento embrionário e diminuição do ritmo de batimento cardíaco, com atraso de nascimento, má formação do animal e umbigo não cicatrizado. Temperaturas altas promovem aceleração no desenvolvimento do embrião com má posição embrionária, umbigo mal cicatrizado, pouca penugem, bicagem e nascimentos adiantados. (GUSTIN, 2003). A temperatura ideal para obtenção de bom desempenho zootécnico está em torno de 37,8°C e que a variação desta não deve ser superior a ± 0,3°C, uma vez que variações desta amplitude provocam impacto muito grande na incubação, dilatando o período de nascimento.
A umidade relativa é outro ponto a ser levado em consideração, no entanto, esta pode variar muito mais que a temperatura sem causar danos sérios a eclodibilidade. Porém, deverá ser mantida em determinada amplitude para assegurar a obtenção de bons resultados. Se a umidade relativa for muito alta, os embriões tendem a eclodir precocemente. (DECUPYERE et al., 2003)
Durante a incubação, a taxa de perda evaporativa de peso do ovo é controlada, em grande parte, pela umidade relativa da máquina incubadora e, também, influenciada pela qualidade da casca. Essa perda de peso tem sido associada a resultados de incubação e utilizada como ferramenta eficaz para avaliar o rendimento desse processo (Tullet & Burton, 1982)
4.5.3 – Oxigenação/Ventilação
Para favorecer o metabolismo no desenvolvimento de um pintinho saudável, oxigênio tem que ser fornecido e o gás carbônico têm que ser retirado do ovo na forma de dejetos. Consequentemente, a manutenção dos níveis corretos de oxigênio durante todo o ciclo de incubação tem um efeito benéfico no desenvolvimento do sistema circulatório e no crescimento do embrião. Além de aumentar o desenvolvimento dos embriões nas incubadoras, a estimulação pelo controle preciso do oxigênio nos nascedouros conduz a uma melhor eclosão, redução na janela de nascimento e a uma melhor qualidade do pintinho. (CHAPTER 4, Araújo & Albino)
Essa é uma prática muito importante no processo de incubação, ela evita que o embrião cole na membrana interna do ovo além de garantir a temperatura adequada em toda circunferência do ovo.
Portanto, quando o ovo é colocado em condições de incubação, isto é, oxigenação em torno de 21%, temperatura (entre 37,5°C e 38,1°C), umidade relativa (entre 60% e 75%) e viragem (mínimo de 4 em 4 horas) o embrião encontra o ambiente ideal para um desenvolvimento equilibrado e saudável.
4.5.5 – Pré aquecimento
Esse procedimento é fundamental para que os ovos não sofram um choque de temperatura e com isso, reduzir a taxa de eclosão. Quando os ovos passam por um processo de resfriamento na estocagem, o pré-aquecimento deve ser feito antes que os mesmos sejam colocados na chocadeira, esse processo deve ser feito de forma lenta num período de 6 a 12 horas a uma temperatura de 24 a 30°C e umidade variando entre 60 e 70%. Para um bom desenvolvimento do embrião a temperatura interna do ovo, no momento da incubação, deve variar entre 26 e 28°.