14 de out de 2018

Aspectos Agro e Zoo ecológicos na Exploração de Gado Leiteiro



Fisionomicamente, o Cerrado é uma savana mais ou menos densa, com uma cobertura herbácea contínua, e com um dossel descontínuo de elementos arbóreos e arbustivos, de galhos retorcidos, cascas espessas e, em muitas espécies, grandes folhas coriáceas.
As formações savânicas do Brasil abrangem terras onde coincidem as seguintes condições climáticas e edáficas: 
a) clima tropical estacional com chuvas da ordem de 1.500 mm anuais e duração da época seca, definida em termos de déficit hídrico, de 5 a 7 meses, coincidindo com os meses mais frios do ano; 
b) solos distróficos na grande maioria da região onde as condições de baixa fertilidade se somam a elevada acidez e altos valores de saturação de alumínio.
Ecologicamente, os dois principais fatores determinantes da presença dos Cerrados são os solos ácidos (álicos), de baixa fertilidade (distróficos), e o clima estacional. No entanto, existem outros tipos fisionômicos aos quais se associam determinados fatores. Por exemplo, quando as condições ambientais acima expostas se somam a ocorrência de solos arenosos, litólicos ou hidromórficos, que implicam em diferentes tipos de limitações adicionais, as fisionomias resultantes tendem a formas mais abertas, localmente chamadas de Campo Cerrado, Campo Sujo, ou Campo Limpo.
Ao contrário, quando ocorrem condições ambientais que implicam em compensações hídricas ou edáficas, as fisionomias tendem a formas mais densas, como Cerrado Denso ou Cerradão. Nestas circunstâncias podem ainda ocorrer as formações Mata Mesofítica e Mata de Galeria. Quando um fator limitante adicional atua plenamente, como é o caso da saturação hídrica dos solos em áreas de surgências, a vegetação típica dos Cerrados passa a ser substituída por campos Inundáveis, Veredas ou Campos de Murundus.
No estrato herbáceo os Cerrados apresentam como espécies dominantes o Capim-Flechinha (Echinolaena inflexa) e diversas espécies dos gêneros AgeniumAxonopusSchizachryrium e Aristida.
As principais espécies dos estratos arbóreo e arbustivo são a Lixeira (Curatella americana), o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens e Dimorphandra mollis), o Pau-Santo (Kielmeyera coriacea), o Pau-Terra (Qualea grandiflora), Gritadeira ou Douradão (Palicourea rigida), Cagaita (Eugenia desynterica) e o Murici (Byrsonima coccolobifolia).
A heterogeneidade de condições ambientais dos Cerrados é um elemento a ser levado em conta, especialmente na pesquisa agropecuária, uma vez que essa característica vai influir nas possibilidades de extrapolações de resultados. Cabe ressaltar uma característica marcante do clima dos Cerrados que é a interrupção do período de chuvas estivais. Este fenômeno, conhecido como veranico, assume importância agronômica decisiva, devido ao fato de que mais de 90% dos seus solos são fortemente ácidos e com elevada saturação de alumínio, o que limita o desenvolvimento de raízes das culturas à pequena camada da superfície do solo quando corrigida apenas com calcário (sem a aplicação concomitante do gesso agrícola). Dessa forma, o efeito da estiagem é mais acentuado nos Cerrados do que nas áreas onde o volume do solo explorado pelas raízes é maior.
O estudo de mapeamento dos solos da Região dos Cerrados é bastante recente, sendo a EMBRAPA/SNLCS a principal responsável por este levantamento, quando em 1981 publicou o Mapa de Solos do Brasil, em escala 1:5.000.000. Neste Mapa, devido à escala cartográfica utilizada, as unidades de solos mapeadas foram constituídas por associações de solos em que apenas os componentes principais são indicados.
Baseado no Mapa de Solos do Brasil, verifica-se que os Latossolos ocupam a maior parte da área total do Cerrado brasileiro, com uma área de 993.330 km2 (48,8%). Os solos de Areia Quartzosas ocupam uma área de 309.715 km2 (15,2%); os solos Podzólicos ocupam uma área de 307.677 km2 (15,1%); os solos Litólicos ocupam uma área de 148.134 km2 (7,3%); os solos tipo Lateritas Hidromórficas ocupam uma área de 122.664 km2 (6,0%); os solos Cambissolos ocupam uma área de 61.943 km2 (3,0%); os Solos Concrecionários ocupam uma área de 57.460 km2 (2,8%); as terras Roxas ocupam uma área de 34.231 km2 (1,7%), enquanto outros tipos de solos ocupam uma área total de 19.154 km2 (0,9%). Por esta estatística apresentada, verifica-se a importância que os Latossolos desempenham no Cerrado brasileiro.

Processo de Formação do Solo

Por serem os Latossolos e Podzólicos os solos mais representativos da Região Sudeste, os seus processos de formação serão descritos, porém de forma reduzida.
Latolização
É importante destacar que o processo de latolização consiste na remoção de sílica e bases do perfil do solo. Os solos oriundos desse processo são aqueles que apresentam horizonte B latossólico, os mais velhos da crosta terrestre, ocupando, portanto, as partes velhas (há muito tempo expostas) da paisagem. Em geral, além de se apresentarem em maior proporção na paisagem, ocupam também as superfícies mais elevadas em relação à paisagem circundante. Essa situação é comum na Região Sudeste.
Em geral, os solos latossólicos são muito profundos e apresentam pouca diferenciação de horizontes, bastante intemperizados - argilas de baixíssima atividade - pouca retenção de bases e sem minerais primários facilmente intemperizáveis. Além disso, devido à grande lixiviação a que estão sujeitos, tanto a sílica como outros elementos são removidos do perfil do solo, promovendo um enriquecimento relativo de óxidos de ferro e de alumínio. Estes, como agentes agregantes (cimentantes), provocam grande macroporosidade, dando à massa de solo aspecto maciço poroso (esponjoso), resistência à erosão e alta friabilidade, facilitando, assim, o trabalho no solo, mesmo depois das chuvas.
Os Latossolos são solos fortes a moderadamente drenados, muito profundos, com seqüência de horizontes A, B e C pouco diferenciados. No horizonte B latossólico os teores de argila permanecem constantes ao longo do perfil, ou aumentam levemente sem, contudo, chegar a configurar um B textural, característicos do solos Podzólicos. O horizonte B latossólico, ocorre imediatamente abaixo do horizonte A. As cores predominantes do perfil dos Latossolos variam de vermelhas muito escuras a amareladas; geralmente são mais escuras no horizonte A, vivas no B e mais claras no C. São solos minerais, não-hidromórficos, em avançado estádio de intemperização, virtualmente destituídos de minerais primários (facilmente intemperizáveis), formados por uma mistura, em que predominam óxidos hidratados de ferro e/ou alumínio, ou argilo-minerais do tipo 1:1.
Os componentes granulométricos principais são a argila e areia. A argila varia de 15 a 80%. O silte apresenta-se relativamente constante quaisquer que sejam as combinações entre a argila e a areia, situando-se entre 10 e 20%. As estruturas dominantes são em forma de blocos subangulares (francamente desenvolvidos), ultrapequena granular ou maciças.
Quimicamente, os Latossolos são em sua quase totalidade distróficos, ácidos e com baixos valores de capacidade de troca catiônica (CTC). Os valores de pH situam-se entre 4,0 e 5,5, o que caracteriza como fortes e medianamente ácidos.
Os valores da soma de bases (SB), na maioria dos Latossolos, são bastante baixos, variando de 0,2 a 3,8 meq/100g de solos (atualmente cmolc/dm3 nos horizontes superficiais, com exceção dos desenvolvidos a partir de rochas básicas, em que os valores situam-se em torno de 6,1 cmolc/dm3. Nas camadas inferiores do perfil, aqueles valores decrescem consideravelmente. A maior contribuição para o total das bases é devida ao cálcio (Ca) e a menor, quase insignificante, ao sódio (Na). Os teores de potássio (K) são em geral muito baixos.
Os teores de carbono (C) em Latossolos argilosos variam de 0,5 a 2,4 % (atualmente dag/kg nas camadas superficiais, decrescendo até 0,2 dag/kg nas camadas inferiores, valores esses considerados de médio a altos. Em solos de textura média, os teores de C são menores. Além de ser fonte de nutrientes, a matéria orgânica melhora as condições físicas do solo, aumenta a capacidade de retenção de água e é responsável, em grande parte, pela CTC.
Os valores médios de CTC no horizonte A dos Latossolos argilosos variam entre 3,9 a 13,9 cmolc/dm3, enquanto nos de textura média situam-se entre 4,3 e 5,1 cmolc/dm3. Os valores médios da CTC efetiva, obtida pela soma de SB + Al, foram extremamente baixos, ficando na casa de 1,1 cmolc/dm3. Este fato evidencia reduzido número de cargas próximo ao do pH natural, o que, juntamente com os baixos teores de bases, indica limitada reserva de nutrientes para as plantas.
A porcentagem de saturação de bases (V) na maioria dos Latossolos é inferior a 50%, o que caracteriza solos distróficos. Em áreas localizadas com perfis desenvolvidos de sedimentos provenientes de rochas básicas, podem ocorrem Latossolos Roxos ou Vermelho-Escuro eutróficos (solos com saturação de bases superior a 50%). Os Latossolos,na maioria, são álicos, ou seja, apresentam saturação de alumínio superior a 50%.
Os teores de fósforo disponíveis são extremamente baixos, situando-se em torno de 2 ppm (atualmente mg/dm3).
Podzolização
Outro processo também importante na formação do solo refere-se à Podzolização, que consiste essencialmente na translocação de materiais do horizonte A, acumulando-se no horizonte B. O principal grupo de solo que sofreu o processo de Podzolização refere-se ao solos Podzólicos, também bastante representativos da pedopaisagem da Região Sudeste. Se o material translocado do horizonte A para o B for argila silicatada (material de origem geralmente mais argiloso), depositando-se nas superfícies das estruturas (agregados) do horizonte B e formando cerosidade, tem-se um solo B textural (ou podzólico). Se o material translocado é matéria orgânica e óxido de ferro e de alumínio, o que geralmente acontece quando o material de origem é pobre em argila (por exemplo, quartzito, ou arenito pobre) e a drenagem é deficiente, tem-se um solo com B podzol.
A área bioclimática típica desse solo está nas regiões frias do globo, com vegetação de coníferas, mas algumas condições locais podem dar origem a estes solos, mesmo em regiões mais quentes.
Assim, sobre o processo de Podzolização, pode-se concluir:
  • os solos podzolizados têm horizontes bem diferenciados, provocados pela translocação;
  • os solos com B podzol são muito pobres e ácidos, visto que a vegetação, quando se decompõe, dá grande acidez ao solo e o material de origem é muito pobre;
  • os solos com B textural são mais férteis do que os com B podzol, apresentando mais argila no horizonte B que no horizonte A;
  • tanto os solos com B podzol quanto os com B textural, se estão em relevo movimentado, tendem a ser facilmente erodíveis, por causa do material arenoso e sem estrutura que apresentam, no horizonte. No caso do B textural, principalmente, por causa da diferença de textura entre os horizontes dificultando infiltração de água, há favorecimento do processo de erosão.


Principais Segmentos da Pedopaisagem

A Região Centro-Oeste, onde predomina a formação de Cerrados, caracteriza-se por apresentar o solo, e em particular o horizonte "Cr", muito profundo, embora haja grandes afloramentos rochosos. Em geral, os solos são velhos e empobrecidos, encontram-se em franco processo de remoção. Os solos mais jovens e férteis são encontrados nas partes mais baixas, que vão penetrando vale acima, criando novas relações entre o homem e o solo. Além da grande profundidade e da espessura desproporcional entre solum e horizonte C, há um perfil de cor típica, da rocha fresca à superfície: o horizonte C profundo é tipicamente de coloração rósea (mais avermelhado quando úmido); próximo à rocha fresca ele se torna acinzentado e em direção à superfície é substituído por um horizonte B amarelado ou avermelhado.
Quando o horizonte C róseo é estreito ou a cor cinzenta vem até à base do horizonte B (ausência de cor rósea), o horizonte B tende a ser vermelho e eutrófico (Podzólicos Vermelho-Amarelos e Podzólicos Vermelho-Escuros). Se o horizonte C róseo é profundo, o horizonte B é amarelado (Latossolo Vermelho-Amarelo e Latossolo Una); Latossolo Vermelho-Escuro pode ocorrer, mas, em geral, não é, muito expressivo. Nos casos em que o processo erosivo é muito intenso e o solum é muito raso, ocorrem Cambissolos. 
Os Latossolos, os Podzólicos e as Areias Quartzosas são, de fato, as três grandes classes de solos que dominam a Região dos Cerrados, podendo se apresentar tanto nas regiões mais acidentadas, quanto em regiões mais planas.
O relevo característico em grande parte dessa região é representado pela Figura 1. Nessa Figura, é descrita a situação de cada um dos segmentos que compõem a referida pedopaisagem. Vale ressaltar que esta situação apresentada na Figura 1, embora sendo mais característica da área dos morros florestados da Região Sudeste, pode também ser encontrada nas demais regiões fisiográficas do País, como é o caso da Região Centro-Oeste coberta por extensas áreas de Cerrados.


Figura 1. Toposseqüência característica da Região Sudeste do Brasil.
A seguir, é descrito cada um desses segmentos, localizando alguns aspectos relacionados ao seu uso, objetivando a exploração animal.
A – Leito Menor. Caracterizado pela presença de fontes de água da propriedade, normalmente constituído por olhos-d'água, minas d'água, córregos, riachos e rios, açudes, etc.
B – Leito Maior. Este segmento é caracterizado por inundações periódicas, ora permanecendo encoberto de água por períodos prolongados, ora inundados, porém com escoamento rápido do excesso de água. Além disso, sobressai por um enriquecimento de sua fertilidade natural, mercê das constantes inundações, que depositam grande quantidade de colóides na superfície do solo. Em decorrência desses freqüentes alagamentos, este segmento apresenta fortes limitações relativas à drenagem e à mecanização motorizada; é normalmente utilizado com forrageiras resistentes ao encharcamento, citando como exemplo: capim-angola, estrela africana, tangola, coast-cross e setária.
Por ser o capim-elefante uma planta que não se adapta a solos com problemas de drenagem, o leito maior não é recomendado para o seu cultivo. Da mesma forma, este segmento não é recomendado para o cultivo de forrageiras dos gêneros Panicum ou Brachiaria.
C – Terraço. É também um segmento plano da paisagem, porém mais elevado que o leito maior, não sujeito às inundações. Caracteriza-se também por apresentar fertilidade natural bastante elevada, além de não apresentar impedimento à motomecanização. Em geral, é usado com as culturas de milho, sorgo, feijão, arroz de sequeiro etc. Se usado para pastagens, deverá ser cultivado com espécies que apresentem alto potencial de produção de biomassa, relevando-se: capim-elefante, Panicum maximum, estrela africana, coast-cross, milho, sorgo e cana-de-açúcar.
D – Meia-Encosta. Sua forma côncava facilita a deposição de partículas de solo, removidas dos segmentos (E) e (F) pelo processo de erosão, enriquecendo sua fertilidade natural. Em geral, pode ser cultivado usando-se tração animal e/ou mecanizada. Por apresentar maior fertilidade natural e possibilidade de mecanização, deverá ser cultivado com forrageiras que apresentem alto potencial de produção de biomassa.
E – Morro (Área côncava e convexa) - Caracterizado por solos de baixa fertilidade natural e forte impedimento à mecanização motorizada.
Em razão desta baixa fertilidade natural e declive acentuado, é recomendado para cultivos com forrageiras que apresentem características de tolerância a fatores de acidez de solo; adaptação à baixa fertilidade natural; rapidez na cobertura do solo, após plantio; boa capacidade de produzir sementes, dentre outras. As forrageiras mais indicadas para serem usadas neste segmento são: braquiárias (especialmente B. ruziziensis B. decumbens), Hyparhenia rufa (capim-jaraguá) e capim-gordura (Melinis minutiflora), dentre outras.
Salienta-se, ainda, que o cultivo desta área implica emprego de práticas conservacionistas de manejo do solo.
F – Topo do Morro. Caracteriza-se por apresentar, geralmente, baixa fertilidade natural; entretanto, permite o uso de mecanização por tração motorizada.
Neste segmento, poderão ser cultivadas forrageiras adaptadas a solos de baixa fertilidade e acidez elevada. Poderá também ser cultivado com forrageiras que apresentem alta capacidade de produção de biomassa; neste caso haverá necessidade de se elevarem os níveis de calagem e de adubação de plantio e de manutenção.
O capim-elefante, assim como as cultivares do gênero Panicum, bem como as forrageiras milho, sorgo e cana-de-açúcar (recursos forrageiros usados como suplementos volumosos para a época seca do ano) são plantas extremamente sensíveis ao encharcamento do solo. Assim, as áreas da propriedade sujeitas a inundações ou elevação do lençol freático, como é o caso do segmento B, apresentado na Figura 1, não são indicadas para o cultivo dessas forrageiras. Além dessa limitação, áreas com declive acima de 25 a 30% (segmento E) não devem também ser empregadas. A não-recomendação das áreas de relevo mais acidentado deve-se à dificuldade de mecanização, bem como às perdas de solo e água pela erosão, e pelas dificuldades de adoção de práticas racionais de conservação de solo.
Assim, as áreas da propriedade mais indicadas ao cultivo destes recursos forrageiros são o terraço e meia-encosta (segmentos C e D), áreas estas não-sujeitas às inundações. Essas áreas, além de não apresentarem impedimento à mecanização, são também as que apresentam os solos de fertilidade natural mais elevada.

Manejo de Solo em Áreas de Relevo Acidentado

O manejo de solo em áreas de relevo acidentado constitui prática importante durante o estabelecimento de forrageiras, uma vez que o manejo mal conduzido acarretará perdas apreciáveis de solo, aumentando ainda mais sua degradação. Dependendo da espécie forrageira a ser implantada, há necessidade do estabelecimento de práticas conservacionistas, tais como: terraços e cordões de contorno.

Para exemplificar, na Figura 1 são apresentados resultados de perda de solo por erosão, numa pastagem degradada de capim-gordura, com aproximadamente 40% de declive em função dos tratamentos de manejo de solo que consistiram de diferentes proporções de área preparada.

Perdas relativas de solo por erosão
Figura 1 - Perdas relativas de solo por erosão, comparando-se sistemas de preparo do solo para a recuperação de pastagens.

Verifica-se que no preparo A, onde o solo permaneceu durante todo o período de avaliação descoberto, a perda relativa de solo foi de 100%, ao passo que nos outros dois tratamentos as perdas de solo sofreram redução bastante expressiva.

No preparo B, onde o solo foi totalmente preparado (aração e gradagem, seguido de adubação e plantio a lanço de capim-gordura), a perda de solo ao final do período experimental reduziu em 58%, em relação ao tratamento A. Quando o solo foi preparado em faixas e em nível, adubado e seguido de semeadura da forrageiras, (preparo C), cujas áreas preparadas corresponderam de um terço a dois terços da área total, as perdas de solo reduziram em média 93%. Esses resultados confirmam a importância da cobertura vegetal do solo, no controle da erosão e, principalmente, a manutenção de faixas de retenção, durante as operações de preparo do solo para a formação de pastagens em áreas declivosas.

A redução ocorrida no preparo de solo C é de extrema importância, não só para a pastagem, pois evita que haja perdas de nutrientes e água durante o processo erosivo mas, principalmente, por manter-se quase que inalterado, do ponto de vista de fertilidade natural, o solo, um recurso natural não-renovável.

Do ponto de vista prático, vale a pena destacar que as faixas devem ter largura média de dois metros. Essa largura facilita a operação de gradagem do solo, uma vez que as grades de tração animal têm, em média, dois metros de largura.

Além disso, dependendo dos resultados da análise do solo, há necessidade de se fazer recomendações de calagem e adubação nas faixas a serem preparadas.

Na Embrapa Gado de Leite, observou-se que, ao se usar o processo de recuperação uma forrageira com grande capacidade de sementeação, como é o caso das braquiárias, as faixas não-preparadas tiveram sua cobertura vegetal (em geral capim-gordura), totalmente substituída pela braquiária.

A Figura 2 apresenta com detalhes o processo de estabelecimento em faixas, em áreas declivosas.

Plantio de forrageiras em áreas montanhosas
Figura 2 – Plantio de forrageiras em áreas montanhosas, por meio de faixas (a) cultivadas em nível e intercaladas por faixas de retenção (b), não cultivadas.

Dependendo da espécie forrageira a ser implantada, especialmente se for uma forrageira "agressiva", como é o caso das braquiárias, as faixas poderão ser substituídas por sulcos em nível, alternados com áreas não-preparadas. A escolha de faixas ou sulcos dependerá da declividade do terreno. Sugerem-se sulcos em terrenos muito íngremes, onde o preparo das faixas é dificultado. O preparo de solo em áreas declivosas, com o uso de sulcos em nível, é também bastante adotado para o estabelecimento de leguminosas forrageiras.





26 de set de 2018

Criação de Gado Leiteiro (Importância)



A cadeia produtiva do leite é uma das mais importantes do complexo agroindustrial brasileiro. Movimenta anualmente cerca de US$10 bilhões, emprega 3 milhões de pessoas, das quais acima de 1 milhão são produtores, e produz aproximadamente 20 bilhões de litros de leite por ano, provenientes de um dos maiores rebanhos do mundo, com grande potencial para abastecer o mercado interno e exportar. Entre 1990 e 2000, a produção nacional de leite cresceu 37%, enquanto na Região Centro-Oeste o crescimento foi de 81% e, no Estado de Goiás, 105%. A Região Centro-Oeste abriga 35% do rebanho bovino nacional, com uma das principais concentrações de indústrias de laticínios do  País.
Com uma área de 201,7 milhões de hectares, a Região dos Cerrados, que se confunde, na maioria das vezes, com a Região Centro-Oeste, corresponde a 24,4% da superfície do território nacional, dos quais se estima que 50% são adequados à produção de grãos, embora quase toda a região, pelas condições climáticas, topográficas e edáficas, seja propícia à pecuária. Da área total dos Cerrados, 20,8% estão ocupados com pastagens cultivadas e 37,2% com pastagens naturais. Os Estados com as maiores áreas ocupadas com cerrado são: Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Rondônia, Maranhão e Piauí.
Se na produção agrícola a participação do Cerrado é importante, ela é ainda maior na pecuária, abrigando 35% do rebanho bovino nacional. Para a pecuária de leite, além do grande potencial produtivo, as principais indústrias de laticínios do País têm unidades nesta região, garantindo o processamento e escoamento da produção. A maioria das indústrias de laticínios instalada nos Cerrados opera com capacidade ociosa. Isto significa que as indústrias estão apostando na possibilidade de aumentar ainda mais a produção de leite nessa região. Em grande parte, a explicação para o crescimento da produção de leite da Região Centro-Oeste está na sua crescente produção agrícola.
Existe uma preocupação, na comunidade científica, sobre a sustentabilidade dos sistemas de produção nessa região. A atividade leiteira regional tem evoluído de um modelo tradicional de produção para outro mais competitivo, exigindo das instituições de Pesquisa e Desenvolvimento, agências de fomento e de assistência técnica e extensão rural soluções mais ágeis para se obter aumentos da  produção e custos decrescentes e em bases sustentáveis.
Foi com esta preocupação e devido à importância da Região dos Cerrados para  a bovinocultura leiteira brasileira que a Embrapa Gado de Leite, em parceria institucional com outras 19 entidades, inaugurou em 16 de fevereiro de 2001o Núcleo Centro-Oeste de Apoio à Pesquisa e Transferência de Tecnologia e implantou um sistema físico de produção de leite a pasto em uma área de 34 ha da Embrapa Arroz e Feijão, localizada na Fazenda Capivara no Município de Santo Antônio de Goiás, a aproximadamente 25 km do centro da cidade de Goiânia, GO.
Nas páginas seguintes deste documento o leitor terá oportunidade de conhecer os detalhes do sistema de produção de leite a pasto implantado e em pleno funcionamento, em termos de: descrição física, importância econômica, aspectos agro e zooecológicos, raças, infra-estrutura, plantas de instalações, manejos reprodutivo, sanitário e de alimentação, mercado e comercialização e coeficientes técnicos.

Parcerias Institucionais
A instituição executora é a Embrapa Gado de Leite, em co-execução com Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Cerrados e Agência Rural. Como instituições co-financiadoras estão o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás – Seagro e a Serrana Nutrição Animal. Como instituições parceiras estão a Associação Brasileira dos Criadores da Raça Girolando, a Associação Goiana dos Criadores da Raça Girolando, a Federação da Agricultura do Estado de Goiás - Faeg, a Universidade Federal de Goiás - UFG, o Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado de Goiás – Sindileite, a Comércio e Indústria Matsuda Ltda...., a Bosio, a JF- Máquinas Agrícolas, a Casale Equipamentos, a Belgo Mineira Bekaert Trefilarias S.A., a Nestlé do Brasil Ltda..., a DEC Internacional do Brasil Ltda... e Safrasul.

Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão - CNPAF

A Embrapa Arroz e Feijão é uma Unidade de pesquisa de referência de produto pertencente à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), empresa pública de direito privado, vinculada ao Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento, com patrimônio próprio e autonomia administrativa e financeira. Disponibiliza uma área de 34 ha[E2] localizada na atual sede, na Fazenda Capivara, próximo a Goiânia, onde serão implantados os sistemas intensivos de produção de leite a pasto. Participa do Projeto ainda com apoio logístico de laboratório para análises de solo e algumas análises de forrageiras, uma sala para funcionamento do escritório para os técnicos envolvidos no projeto; provida de redes de telefonia e de computador; veículos, máquinas e implementos para a mecanização e transporte de insumos e seus operadores.

Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados – CPAC

A Embrapa Cerrados é uma das 39 Unidades descentralizadas que compõem a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento. O CPAC foi criado em 23 de janeiro de 1975, como centro de referência ecorregional para o Cerrado. Participa com a disponibilização de laboratório de análises bromatológicas e de solo e de um Pesquisador, especialista em rotação de culturas, considerando a integração agricultura pecuária, balanço de nitrogênio e reciclagem de nutrientes, que estará participando do Projeto.

Agência Rural

 É a empresa sucessora da extinta Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, Pesquisa Agropecuária e Classificação de Produtos de Origem Vegetal do Estado de Goiás - Emater-GO, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, é entidade pública com personalidade jurídica de direito privado, patrimônio próprio, autonomia administrativa e financeira. Disponibiliza dois técnicos de nível superior, sendo um especialista em forragicultura e pastagens e outro em medicina veterinária, na área clínica e de reprodução. Colabora com o projeto ainda na disponibilização de veículos, equipamentos audiovisuais e outros técnicos quando da organização de eventos de transferência de tecnologia.

Secretaria  de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás - Seagro

A  Seagro, modificada estruturalmente pela Lei nº 13.456 de 16 de abril de 1999, compete à coordenação política e de planejamento do Desenvolvimento Rural, com base no modelo do agronegócio, visando à integração dos diversos elos das cadeias produtivas agrícolas, em coerência com as diretrizes dos governos estadual e federal, bem como as atividades específicas de planejamento agrícola, mercado agropecuário, informações estatísticas, irrigação e conservação, manejo do solo e da água, defesa da produção animal e vegetal, pesquisa e extensão rural, política fundiária e assentamento rural e desenvolvimento florestal e pesqueiro. Disponibilizou parte do recurso financeiro para a construção das obras civis do projeto e participa oferecendo apoio político a ele e às ações de TT, assim como junto à mídia. Oferece ainda apoio logístico de auditórios e salas para eventos e veículos apropriados para transporte de animais.

Associação Brasileira dos Criadores da Raça Girolando

Conforme a Portaria 079, de 01 de fevereiro de 1996, a raça GIROLANDO, Gado Leiteiro Tropical com 5/8 de sangue Holandês e 3/8 de sangue Gir,  foi oficializada pelo Ministério da Agricultura, passando a entidade a adotar o nome de ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE GIROLANDO, com a sigla 'GIROLANDO", e registro nº 59, da série Entidade de Âmbito Nacional, no cadastro das Associações encarregadas do Registro Genealógico, tendo por finalidade precípua incrementar de maneira racional, a criação da raça Girolando, congregando e defendendo o interesse de seus associados. Participa no fornecimento de  60 vacas da raça Girolando e sêmen de reprodutores mestiços provados para o sistema de produção.

Associação Goiana dos Criadores da Raça Girolando

É o ramo estadual (GO) da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Participa no controle genealógico e na reposição dos animais que compõem o rebanho do sistema.

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq

O CNPq é uma Fundação de fomento à pesquisa, dotada de personalidade jurídica de direito privado, vinculada ao MCT, Ministério da Ciência e Tecnologia. A missão do CNPq é promover e fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico do País e contribuir na formulação das políticas nacionais de ciência e tecnologia. Participa no fomento à pesquisa (publicações e eventos) e na formação de recursos humanos voltados para as atividades de C&T (estagiários bolsistas).

Federação da Agricultura do Estado de Goiás - Faeg

A Faeg, entidade sindical de grau superior, foi criada em 1967, constituída da categoria econômica ligada às atividades da agropecuária, do extrativismo rural e outras que lhes guardem similitude, tendo por objetivo o estudo, a coordenação, a defesa e a busca de soluções de questões inerentes aos interesses econômicos da categoria que a constitui, ou seja, a classe produtora rural. Participa colocando à disposição toda a infra-estrutura de auditórios, sala de reunião e os 105 sindicatos em todo território Goiano. Tem papel importante na difusão e transferência de tecnologia, facilitando a realização de dias de campo, unidade de demonstração, seminários e reuniões com os produtores e técnicos de Goiás. Também disponibiliza os dados econômicos e zootécnicos existentes sobre os atuais sistemas de produção de leite predominantes em Goiás, que poderão ser comparados com os dados a serem levantados nos sistemas alternativos a serem testados. Um técnico de nível superior auxiliará nas transferências de tecnologias.

Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado de Goiás – Sindileite GO

Foi fundado em 23 de novembro de 1989 como sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos, tendo os seguintes objetivos: representar  e defender os direitos e interesses individuais ou coletivos dos laticinistas goianos; firmar parcerias entre diversos setores da cadeia láctea, buscando apoio para desenvolvimento de projetos de interesse da classe; buscar apoio e firmar parcerias com os órgãos financiadores de projetos agropecuários; buscar apoio governamental para estabelecer um diálogo quanto a financiamento de projetos de interesse da entidade; manter um fórum constante de discussão sobre os objetivos do Sindicato, evolução dos projetos em andamento e seus resultados práticos; manter constante contato com os membros da cadeia láctea com o fim de agregá-los ao sindicato; participar nas negociações coletivas de trabalho; eleger ou designar delegados sindicatos para as delegacias ou seções que instituir, além dos representantes da categoria junto às Entidades Sindicais de grau superior; fixar as contribuições pecuniárias para os associados; manter serviços e assessoria jurídica em benefício dos associados, além de celebrar convênios no interesse da categoria. O Sindileite congrega, hoje, 35 indústrias de laticínios os quais industrializam 80% (oitenta por cento) do leite captado no Estado. Colabora ativamente nas realizações de eventos e tem papel importante na difusão e transferência de tecnologia, facilitando a realização de dias de campo, unidade de demonstração, seminários e reuniões com os produtores e técnicos de Goiás. Também disponibiliza dados de produção necessários para planejamento de ações de pesquisa e transferência de tecnologia no estado.

Universidade Federal de Goiás – UFG

Fundada em 1960, a Universidade Federal de Goiás, vinculada ao Ministério da Educação e do Deporto, possui, hoje, seis campus: Campus Samambaia, Campus Professor Colemar Natal e Sila e os Campus Avançados de Catalão, Firminópolis e Jataí, em Goiás e o de Porto Nacional em Tocantins. A UFG disponibiliza uma base física no Campus da Universidade, para implantar os experimentos de rotação de cultura, seleção de alfafa tolerante a solo com pH ácido e alumínio elevado. Em articulação com as outras instituições participantes, a UFG coloca três professores do departamento de agronomia, especialistas em forragicultura, economia rural e fertilidade do solo, à disposição para auxiliar na implantação, supervisão e interpretação dos resultados a serem obtidos. Além do mais, estudantes com perfis para receberem bolsas de I.C. são selecionados.

Serrana Nutrição Animal

Empresa do Grupo Bunge, a Serrana é a maior produtora nacional de fertilizantes, atuando ainda na área de componentes para nutrição animal, setor em que é líder no fornecimento de fosfato bicálcico. Também produz ácido fosfórico purificado, para refrigerantes e conservantes de  alimentos, em associação com a Solutia e a Prayon. Emprega 2.200 pessoas e fatura mais de US$700 milhões/ano. Participa fornecendo os fertilizantes (NPK) necessários para a implantação e manutenção das ações de pesquisa relacionadas às respostas de forrageiras ao pastejo intensivo e aos sistemas de produção de leite a pasto. Patrocinará a divulgação dos resultados parciais e finais do Projeto, em forma de eventos e publicações técnicas.

Comércio e Indústria Matsuda Ltda....

O Grupo Matsuda, empresa de capital nacional, atua em mais de dez cidades brasileiras, englobando vários Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás.  Participa no fornecimento do sal mineral e de todas as sementes de forrageiras necessárias para a implantação das ações de pesquisa relacionadas à resposta de forrageiras ao pastejo intensivo e aos  sistemas de produção de leite a pasto.

Bosio

Em 1978 realizou-se a divisão da empresa Bosio e Hijos S.R.L., nascendo a "Juan Batista Bosio S.R.L.", que a partir do próximo ano se transformou em S.A. Ela se compõe de um grupo familiar integrado por Juan Batista e seus filhos Dante, Lida e Hugo. Participa no fornecimento e manutenção de todo os equipamentos relacionados com a ordenha  mecânica, considerando a implantação dos sistemas intensivos de produção de leite a pasto.

JF Máquinas Agrícolas

A Empresa J.F. Máquinas Agrícolas Ltda.foi criada pela fusão dos Irmãos Nogueira S/A, sendo fundada no dia 12/06/81, transformando-se numa Empresa especializada em máquinas para colher, cortar e desintegrar forragens (carretas, ancinhos, segadeiras, etc.), ganhando assim o mercado rapidamente por desenvolver tecnologia de alto nível na linha de produtos que fabrica. A J.F. conta com uma rede de 400 distribuidores para consumidores pelo País, tendo mecânicos treinados na fábrica para entrega e assistência técnica. Participa no fornecimento de ensiladeira e sua manutenção durante a condução dos sistemas intensivos de produção de leite a pasto, considerando o preparo de silagem e o corte e  picagem de forrageiras.

Casale Equipamentos Ltda...

É uma Empresa com 100% de capital social nacional, atuando em todo mercado Nacional e no Mercosul, cujas linhas de produção são: Vertical  Mixer Misturadora-Alimentadora-Totalmix, Lançadora de Esterco Sólido, Colhedora de Forragens Multi-uso, Carreta Basculante Hidráulica e Roçapasto. Participa no fornecimento e manutenção de um misturador de ração, série Piccola, tendo por base o preparo de ração completa no período de estiagem para atender parte dos sistemas intensivos de produção de leite, programados no Projeto.

Belgo Mineira Bekaert Trefilaria S.A.

A Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, primeira usina siderúrgica integrada da América Latina, foi criada em 1921, resultado da associação da Companhia Siderúrgica Mineira com a Arbed (Aciéries Reunies de Bourbach-Eich-Dudelange), do Luxemburgo. Participa no fornecimento de arames e cordoalhas para as cercas e o curral do sistema.

Nestlé do Brasil Ltda.

A Nestlé surgiu em 1867, quando Henri Nestlé criou um produto nutritivo para as crianças cujas mães estavam impossibilitadas de amamentar: a Farinha Láctea. Ela é uma empresa que usa anualmente 1 bilhão e 600 milhões de litros de leite, produz 1 milhão de toneladas de alimentos em suas 23 fábricas, tem 30 mil fornecedores, emprega 12,6 mil funcionários e ainda tem mais 220 mil famílias que dependem dela por intermédio de trabalhos terceirizados. Participa no fornecimento de um brete individual e uma balança com capacidade de 1.500 Kg.

DEC Internacional do Brasil Ltda.

Em 1947 Gilman Albrecht fundou a Dairy Equipment Company para vender resfriadores de latões de leite a fazendeiros produtores de laticínios. Em 1958 iniciou a fabricação em Hartford, Wisconsin para as produção de resfriadores de leite de grande capacidade. Hoje ela projeta e fabrica sistemas de ordenha e de resfriamento de leite para produtores de leite em todo o mundo. No Brasil a DEC Internacional fabrica sistemas de refrigeração de leite e distribui sistemas de ordenha Pioneer, desenvolvido pela BOU-Matic, para mercados da América Latina. Participa no fornecimento e manutenção de um tanque de expansão Modelo BMV, com capacidade para 1.300 litros visando à armazenagem e ao resfriamento do leite.

Safrasul

Empresa privada prestadora de serviços na área de insumos agropecuários, com ênfase em equipamentos e acessórios para cercas elétricas – distribui com exclusividade para todo Brasil os produtos da PICANA , empresa líder na Argentina, com mais de 50 anos de mercado, além de fabricar uma linha complementar de eletrificadores com a sua marca – SAFRASHOCK. Comercializa ainda troncos, balanças, suplementos minerais, fertilizantes, marcas inox e nitrogênio líquido para abastecimento de botijões de sêmen. A empresa também possui uma estrutura coligada, produtora de sementes para pastagens – SEMENTES SAFRASUL Ltda..., fiscalizada pelo Ministério da Agricultura e parceira de órgãos oficiais de pesquisa agropecuária. Com a Embrapa Gado de Corte, participa ativamente da multiplicação de novas variedades de gramíneas e leguminosas. Nosso objetivo é proporcionar maior eficiência aos produtores de carne e leite no Brasil e nos países vizinhos, aos quais exportamos, melhorando o desempenho da atividade pecuária. Participa no fornecimento e manutenção de um kit para cerca elétrica que consiste de um eletrificador, uma placa solar e assessórios (isoladores, hastes, isolador de porteira), necessário para a condução do subprojeto "Intensificação da Produção de Leite a Pasto Manejado em Sistema Rotacionado".

Importância Econômica
O leite está entre os seis produtos mais importantes da agropecuária brasileira, ficando à frente de produtos tradicionais como café beneficiado e arroz. O Agronegócio do Leite e seus derivados desempenham um papel relevante no suprimento de alimentos e na geração de emprego e renda para a população.

O Valor Bruto da Produção Agropecuária estimado para 2002 é de 103,5 bilhões de reais. Destes, aproximadamente 41 bilhões de reais são de produtos pecuários, sendo o leite um dos principais, com o valor de 6,6 bilhões de reais, ou 16% do Valor Bruto da Produção Pecuária, superado pelo Valor da Produção da carne bovina e frango.  

O Brasil é o sexto maior produtor de leite do mundo e cresce a uma taxa anual de 4%, superior à de todos os países que ocupam os primeiros lugares. Respondemos por 66% do volume total de leite produzido nos países que compõem o Mercosul. Pelo faturamento de alguns produtos da indústria brasileira de alimentos na última década,  pode-se avaliar a importância relativa do produto lácteo no contexto do agronegócio nacional, registrando 248% de aumento contra 78% de todos os segmentos.  

Além da importância econômica, o leite é um alimento de natural grande valor nutritivo com maior concentração de cálcio, que é essencial para a formação e manutenção dos ossos. As proteínas do leite são completas, propiciando a formação e manutenção dos tecidos. Além da vitamina A, o leite contém vitamina B1, B2 e minerais que favorecem o crescimento e a manutenção de uma vida saudável. A indústria de laticínios tem potencializado o valor nutritivo do produto. Existem no mercado uma série de bebidas lácteas enriquecidas com vitaminas, minerais e ômegas, assim como leites especiais para as pessoas que não conseguem digerir a lactose.



Embora seja essencial para crianças e adolescentes, é um erro pensar que o leite não é importante na fase adulta. Beber dois copos por dia garante uma vida saudável na maturidade e ajuda a evitar problemas na terceira idade. Estudos provam que o seu consumo diário reduz a incidência de osteoporose.

Além da sua importância nutritiva e na economia, o leite desempenha um relevante  papel  social, principalmente na geração de empregos. O País tem, hoje, acima de um milhão e cem mil propriedades que exploram leite, ocupando diretamente 3,6 milhões de pessoas. O Agronegócio do leite é responsável por 40% dos postos de trabalho no meio rural. Para ter-se uma idéia mais objetiva do impacto deste setor na nossa economia, a elevação na demanda final por produtos lácteos em um milhão de reais gera 195 empregos permanentes. Este impacto supera o de setores tradicionalmente importantes como o automobilístico, o de construção civil, o siderúrgico e o têxtil. Numa análise retrospectiva, a produção brasileira de leite nos últimos 25 anos    aumentou 150%. Passamos de 8 bilhões (1975) para 19,8 bilhões de litros (2000). A expectativa é de que se tenha produzido próximo a 21 bilhões de litros em 2001. No  Gráfico 1 observa-se a evolução da produção de leite no Brasil na última década.

Para esse significativo crescimento, não podemos desconsiderar a abertura de novas fronteiras, como a Região do Cerrado (especialmente Goiás) e as Regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em Minas Gerais, além de outras regiões emergentes como Rondônia, Mato Grosso e sul do Pará. O ganho na produtividade também contribuiu para este aumento. No início da década de 1970, a produtividade do rebanho leiteiro nacional era inferior a 700 litros por vaca ordenhada por ano; um número que praticamente dobrou no final dos anos 90. Estes índices referem-se a dados agregados, provenientes de rebanhos leiteiros especializados e rebanhos de dupla-aptidão. Em bacias leiteiras tradicionais e propriedades com rebanhos especializados para leite, temos registros de produtividade anual cinco vezes superior à registrada 25 anos atrás.

A produção de leite tem perspectiva de continuar a crescer nos próximos anos, com condições reais de o País mudar o panorama de importador para exportador de   produtos lácteos. Dentro do cenário mundial, o mercado brasileiro tem um potencial, como poucos, para tal esforços têm sido direcionados para impulsionar as vendas externas de lácteos, o que, associado ao crescimento da produção nos últimos anos, garante excedentes de oferta, refletindo diretamente na redução das importações de lácteos.

Como se pode observar, o agronegócio do leite ocupa posição de destaque na economia brasileira, sendo grandes as expectativas, nesta década, de continuarmos o crescimento da produção e da produtividade, com índices maiores do que aqueles que têm sido alcançados em anos recentes.

Para isso, a iniciativa privada e o governo precisam unir esforços para impulsionar as vendas externas de leite e derivados, criando um programa de incentivo às exportações, incluir o leite na Política de Garantia de Preços Mínimos, possibilitando a implementação de mecanismos de comercialização de produtos lácteos, criar um fundo para a promoção do consumo de leite e derivados no mercado doméstico, e incentivar o uso de leite nacional na merenda escolar, estimulando as compras nos estados e municípios.






19 de set de 2018

Fabricação de Queijo Minas Artesanal



Queijo minas frescal, ou simplesmente queijo minas, é um queijo brasileiro e segundo o regulamento técnico do Mercosul de identidade e qualidade:"entende-se por queijo minas frescal o queijo fresco obtido por coagulação enzimática do leite com coalho e/ou outras enzimas coagulantes apropriadas, complementada ou não com ação de bactérias lácticas. 
Queijo de minas" (ou "Queijo minas" como é popularmente chamado), diz respeito a todo e qualquer queijo produzido em Minas Gerais, independente de local ou processo de cura. Por outro lado, em alguns estados do Brasil o nome se tornou sinônimo do queijo frescal, ou queijo branco, como é conhecido em alguns lugares do país. Nesse caso, o queijo minas corresponde ao queijo fresco, com pouco tempo de cura e ainda no processo de dessoração (perda de líquido). O uso do nome queijo minas para certos tipos de queijo se deu pelo fato histórico de que Minas Gerais sempre foi o mais tradicional produtor de laticínios do país.específicas.

Etapas de produção do Queijo Minas

Leite 

Após a ordenha, o leite é imediatamente encaminhado para a queijaria, que deve ser próxima ao curral. Ao ser colocado no tanque de fabricação, ele é filtrado em dessoradores de náilon. Este é colocado na saída do cano que dá acesso do exterior da queijaria para o tanque. O leite deve chegar à queijaria em, no máximo, 40 min, para que mantenha a temperatura e diminuam os riscos de contaminação.

Coagulação 

Quando se utiliza o coalho líquido, ele pode ser colocado, diretamente no tanque de fabricação, ou em conjunto com o pingo. Já o coalho em pó deve ser diluído em água potável ou leite antes de ser adicionado. 

Adição da cultura 

Pela tradição de produção do Queijo Canastra, é utilizado o pingo extraído da produção do queijo do dia anterior. Devem ser adicionados 0,5% de pingo em leite, ou seja, cerca de meio litro de pingo para cada 100 L de leite. Como para o Queijo do Serro, para a fabricação da primeira massa de queijo, ou quando o produtor perde o pingo, o queijo pode ser fabricado acrescentando cerca de 150 g de raspa de um queijo que apresente ótima qualidade. 

Repouso 

O leite com o coalho e o pingo, que é o fermento utilizado nesse queijo, deve permanecer em repouso, por cerca de 2 horas, para que ocorra a reação de seus microrganismos que irão coalhar a mistura.

Corte da massa 

Uma técnica bastante utilizada pelos produtores do Canastra, para verificar se a massa está no ponto de corte, é quebrando-a com a mão. Ela deve estar firme e o soro brotar límpido e rapidamente. Quando a massa está no ponto ela é batida com auxílio de uma pá. Esta operação deve ser feita, lentamente, para evitar a formação de grãos muito pequenos, o que diminui o rendimento do queijo. 

Repouso 

Com o objetivo de aumentar a resistência dos grãos, deve-se mantê-los, em repouso, por um período de cerca de 15 min. Isso é fundamental para que os grãos formem uma película mais firme e resistente, evitando que a massa se quebre em demasia. 

Retirada do soro 

Retire o excesso do soro com o auxílio de um balde de aço inoxidável ou de plástico. É comum, nessa operação, a retirada de muitos grãos junto ao soro. Por isso, para aumentar o rendimento, é indicado verter o soro, sobre um dessorador, retirando os grãos retidos na tela.
Para se proceder à enformagem, a coalhada é colocada na forma e pressionada, até eliminar todo o soro. Por fim, surge o queijo em sua forma compacta.

Enformagem 

Primeiramente, coloque cerca de 2 litros de coalhada, em um dessorador de náilon, em cima de um escorredor. Confine-a, torcendo a parte superior do dessorador. À medida que o soro é eliminado, torça um pouco mais a parte superior, pressionando o conteúdo. Depois de retirado o excesso de soro, a coalhada, ainda confinada no dessorador, é colocada na forma e constantemente pressionada, até eliminar todo o soro.

Lavagem 

De forma geral, duas a três lavagens, de cada lado da forma, são suficientes para a retirada do excesso de soro. Após a lavagem, os queijos devem ser deixados para escorrer por alguns instantes. 

Salga 

O sal grosso é mantido na superfície do queijo por um período de, aproximadamente, 6 horas, quando o excesso de sal deve ser retirado. Em seguida, o queijo deve ser virado e, nova camada de sal espalhada sobre a outra superfície. Desse outro lado, o sal é mantido por mais 12 h. Como sobraram resíduos de sal do outro lado, a salga agora ocorre dos dois lados. 

Retirada do sal 

Passadas as 12 horas de salga, o restante do sal pode ser retirado e os queijos, mantidos na forma por mais 6 h, quando eles são desenformados e lavados em água até completa retirada do sal aderido em sua superfície. 

Cura 

Depois de lavados, os queijos são encaminhados para cura, que deve ser realizada em bancadas de madeira ou em fibra de vidro. Estes devem ser arrumados de forma a permanecer um espaço de cerca de 4,0 cm entre eles. 

Acabamento 

Assim que termina o processo de cura, um ralador deve ser passado em todos os lados do queijo. A parte ralada produz uma massa fina, utilizada para o acabamento. Para isso, deve ser misturada uma parte desta massa com um pouco de água tratada, para formar uma massinha consistente, que tampará os buracos formados durante o processo. Por fim, o Canastra deve retornar à bancada de cura.




VEJA O VÍDEO

16 de set de 2018

Criação de Animais Silvestres



A exploração zootécnica de espécies silvestres, por ser uma boa alternativa econômica e ambiental, tem atraído a atenção e o investimento de muitos produtores rurais. A competição nas atividades tradicionais, o alto valor agregado e a normatização da criação de animais silvestres para fins comerciais, são fatores que contribuem para a ampliação da atividade. Centenas de criadores de animais silvestres se estabeleceram no Brasil interessados na tecnologia de criação em cativeiro, deixando a questão mercadológica relegada a segundo plano. O objetivo desse trabalho é responder algumas perguntas, levantar possibilidades e indicar diretrizes referentes ao sistema de criação, abate e comercialização de animais silvestres, abordando alguns tópicos como os aspectos legais e ambientais, as espécies a criar, os sistemas de produção, o manejo sanitário e reprodutivo, a montagem e a operação de um abatedouro, as formas de comercialização, o mercado, os exemplos de empresas e a importância econômica que a produção de carnes de animais silvestres tem para o país.







9 de set de 2018

Raças Caprinas e suas Características



A produção de carne caprina no Brasil possui forte caráter regional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região Nordeste é responsável por mais de 90% da criação brasileira, com aproximadamente 8.109.672 cabeças. De acordo com previsões da Embrapa Ovinos e Caprinos, a tendência é que esse mercado seja mais valorizado.
Nos últimos 5 anos, a produção de carne caprina registrou uma taxa de crescimento de 1,4% ao ano. Segundo o pesquisador Octavio Morais, da área de melhoramento genético da Embrapa Ovinos e Caprinos, a caprinocultura é um mercado a ser explorado. “Embora ainda tenha alguns preconceitos com relação ao consumo da carne, ela é saborosa e saudável”, afirmou o pesquisador.


Moxotó
Das raças brasileiras, a Moxotó é a única reconhecida oficialmente. Os animais são considerados de pequeno porte, com uma média de peso em torno de 34 quilos. É mais conhecida pela produção de carne e pele, pois a produção de leite é pequena, cerca de 0,5 litro por dia. As criações concentram-se principalmente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Bahia.


Canindé
Os caprinos da raça Canindé são nativos do estado do Piauí. São animais de grande rusticidade, alta capacidade reprodutiva e de características fenotípicas bem definidas. Essa raça é responsável pela maior produção de leite de cabra no Brasil. Dentre as características físicas estão chifres dirigidos para trás, pelagem preta e porte médio.


Alpina
A raça é originária da parte meridional dos Alpes suíços. É também criada em regiões da França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e Canadá.  Os animais apresentam cabeça triangular, perfil semicôncavo ou retilíneo, orelhas eretas e curtas e porte médio. Cor escura  na face, no ventre, na parte dianteira dos membros e na linha dorsal. O peso varia de 70 kg a 90 kg nos machos e de 50 kg a 60 kg nas fêmeas. A raça é criada no Brasil para a produção de leite, principalmente em São Paulo e na região sul, onde a média diária de produção tem variado de 2,0 kg a 4,0 kg  para um período de lactação entre 240 e 280 dias. Existem animais desprovidos de chifres (mochos) que são conhecidos como Oberhasli, que é considerado outra raça[


Anglo-Nubiana
A raça Anglo-Nubiana surgiu em torno de 1895, do aprimoramento feito com os cruzamentos de reprodutores da raça Nubiana com cabras nativas da Inglaterra, predominantemente a Zaraibi e a Chitral, após intenso processo de seleção genética buscando a dupla aptidão para leite e carne. A Nubiana pertence ao tronco das raças asiáticas-africanas, sendo consolidada em torno de 1860 no vale do Alto Nilo, da região da Núbia, hoje pertencente ao Sudão. A raça prospera em vários países e foi introduzida no Brasil em 1932. No nordeste a raça é bem apreciada em virtude da sua adaptação as condições climáticas da zona semi-árida. Os animais têm a cabeça pequena, boa conformação, perfil convexo, com orelhas podendo ir até abaixo do focinho. Machos e fêmeas são mochos. Os machos têm pelos finos, longos e brilhantes. As fêmeas têm pelos flexíveis e mais curtos. Pele quase sempre escura, solta e de espessura média.


Bôer
A raça tem como ascendentes os caprinos selvagens capturados pelos Hotentotes e outras tribos nômades do sudoeste da África do Sul. Teve miscigenação com outros animais europeus e asiáticos em razão da importância estratégica da região do Cabo, ponto de parada das embarcações nas rotas marítimas com destino a India e Extremo Oriente.  Também  é conhecida por Africânder ou Afrikaner, foi melhorada pelo cruzamento com reprodutores Angorá, no período entre 1800 e 1820, quando a sua criação foi desenvolvida  na província do Cabo.  O nome é derivado da palavra holandesa ‘boer’ que significa ‘fazendeiro/agricultor’. Em 4 de julho de 1959 foi fundada a ‘Associação Sul Africana de Criadores de Caprinos Boer’, que passou a ser responsável pelo registros genealógicos  e melhoria da raça. Foi estabelecido cinco estirpes de animais: Boer comum, Boer pelo longo, Boer mocho, Boer nativo e Boer melhorado. É um animal forte, robusto e de aparência vigorosa. Apresenta pelos curtos sobre uma pele solta, macia e pregueada, responsável pela boa adaptação a condições climáticas adversas. A boa produção de leite, as altas taxas de fertilidade e fecundidade com alta incidência de partos duplos, são características da fêmea.


Murciana
A raça é originária da região de Múrcia, no sul da Espanha e pertence ao tronco das Pirenaicas. Existem hoje três estirpes:  a Hora, que é criada entabulada, a Campeira de Cartagena e a Serrana, estas últimas criadas a regime de pasto. Os criadores e zootecnistas espanhóis têm dedicado, ao longo das últimas décadas, bastante esforço na seleção para o aprimoramento da raça, objetivando á produção de leite. No Brasil, na década de 1990 foi introduzido um lote desta raça por criadores do estado da Paraíba. São animais de pelos curtos e finos, de cor preta, avermelhada ou castanho-escuro. A cabeça é triangular, de perfil reto com frontal amplo e ligeiramente deprimido ao centro. As orelhas são de tamanho médio, eretas e muito móveis. É um animal geralmente mocho, de porte pequeno, com peso variando nas fêmeas adultas de 45 kg a 60 kg, e nos machos adultos de 60 kg a 70 kg. A altura média é de 0,80 m nos machos adultos e de 0,70 m nas fêmeas. A média de produção é de 600 kg de leite por período de lactação. A raça brasileira Graúna é descendente da Murciana.


Saanen
Também conhecida como Gessenay (sinônimo de Saanen em francês) é originária do vale de Saanen, nos cantões de Berna e Appenzell na Suiça. Raça muito difundida nas regiões mais frias da Europa e dos Estados Unidos por sua alta produção leiteira e duração de lactação. É considerada a raça de melhor produção de leite do mundo, produzindo num período médio de lactação de 10 meses cerca de 3 litros/dia com 3,5% de gordura.Uma cabra dos Estados Unidos produziu 1821 litros de leite em 300 dias. Tem a pele rosada, pelos curtos e cor branca ou quase branca, olhos amarelos e orelhas médias e levantadas. Existem animais  mochos. É uma raça de animais grandes e altos: o macho pesa entre 70 kg e 90 kg e tem altura entre 80 e 95 cm e a fêmea pesa entre 45 kg a 60 kg medindo entre 70 e 85 cm. Existem rebanhos da raça no Brasil no Rio Grande do Sul, pois não suporta temperaturas altas.


Toggenburg
Originaria da Suíça, do vale do Toggenburg, no cantão de Saint-Gall, pelo cruzamento  de animais da raça amarela de Saint-Gall com osda raça de animais brancos de Saanen. É uma das raças de maior rebanho  na Suíça, sendo também bem difundida na Inglaterra e nos Estados Unidos, pela sua aptidão para a produção de leite. A cabra recordista dos Estados Unidos produziu 2010 litros de leite em um período de lactação. Apresenta pelagem parda, quase da cor de chocolate, com duas faixas cinzentas que partem da boca atingindo a orelha. Pode ter pelo comprido ou curto e as barbichas são muito desenvolvidas nos machos. As orelhas são eretas e dirigidas para frente.  Os machos pesam em média 70 kg e têm uma altura média de 80 cm e as fêmeas pesam em média 50 kg e medem em média 70 cm.