2 de ago. de 2020

Criação de Marrecos


A semelhança entre o pato e o marreco é muito grande* e, apesar de haver diferenças, muitas pessoas chegam a confundir as duas raças.
Numa linguagem popular, diríamos que o marreco é muito mais elegante do que o pato, não só por sua postura mas também por seu aspecto físico. O marreco é barulhento, quando se assusta faz muita balbúrdia, e seu andar é elegante, enquanto o pato só gras-na, anda lentamente e possui carúnculas na cabeça, que nas fêmeas são menos pronunciadas. O marreco, de modo geral, é mais esperto do que o pato em seus movimentos. As marrecas são mais poedeiras do que as patas, botando em qualquer lugar, até dentro da água, não necessitando de ninhos, e dificilmente chocam.
* Recomendamos que o leitor não deixe de ler a parte referente a Patos, onde encontrará algumas orientações preciosas.
Existem raças de marrecos mistas, que fornecem car-ne de boa qualidade e ovos, enquanto outras são mais direcionadas à postura.
Para uma criação caseira de marrecos de raça pura, pode-se iniciar apenas com um terno, isto é, duas fêmeas e um macho de boa procedência.
Para distinguir o sexo dos marrecos é preciso observar o rabo: o do macho se curva em direção ao corpo e o da fêmea é reto.
Tal como a criação de patos, a de marrecos também é compensadora no sistema caseiro, isto é, para consumo próprio ou para reverter em renda extra, quando se dispõe de maior quantidade de aves. Trata-se também de uma criação alternativa. A criação de marrecos, para quem possui áreas adequadas, como fazendas, sítios e chácaras banhadas por riachos ou lagoas, é ideal. Até mesmo sem água podem-se criar marrecos e patos, desde que eles a tenham sempre à sua disposição para beber.
Os marrecos produzem carne de excelente qualidade, como também ovos para o consumo, apesar de o mercado, de forma geral, não os receber muito bem. A criação de marrecos em propriedades rurais também tem o fim de embelezar o ambiente, proporcionando mais vida e prazer. Além de tudo, a natureza lhes fornece muitos alimentos, quando criados em liberdade, e com isso as despesas de manutenção se reduzem muito.
Isso não significa, porém, que o marreco não possa ser criado também em fundo de quintal, com espaço me-nor, sem água. Basta dizer que três marrecos podem viver perfeitamente em um 1 m˝. O marreco é uma ave muito resistente e dificilmente contrai doenças, tão comuns às galinhas. Estamos falando na criação artesanal de marrecos, mas quem deseja explorar essas aves com fins exclusivamente comerciais precisa tomar certos cuidados, iniciando com poucos
exemplares, a fim de aprender seu manejo, até poder se expandir sem risco, usando tirocínio, aumentando sua capacidade e com segurança, principal-mente na colocação da produção.
Antes de mais nada, é muito importante verificar o mercado consumidor: localização da granja, abastecimento de rações e proximidade de cidades para a comercialização, sejam restaurantes finos ou avícolas.

Criação
A postura da marreca geralmente se inicia com cinco meses e vai de julho a novembro, chegando a ser de 80 a 150 ovos por ano. A marreca não necessita de ninhos para a postura, porque costuma botar em qualquer lugar, até mesmo dentro da água. Recomenda-se deixar as marrecas nos abrigos até as nove horas da manhã, quando já botaram, para depois soltá-las. É por isso que se deve colocar uma cobertura sobre o chão do dormitório, feita com cavaco de madeira, serragem e casca de arroz, para evitar que os ovos se sujem com as fezes e que fiquem trincados. Geralmente, a marreca costuma procurar um canto beirando as paredes para fazer a postura. O ovo da marreca-depequim pesa, em média, entre 80 e 90 gramas.
Logo após a soltura dos marrecos, os ovos devem ser recolhidos e limpos. Deve-se verificar se os ovos não estão trincados ou com defeitos; se estiverem, não servirão para incubar nem para serem comercializados, so-mente para consumo em casa. Os ovos devem ser guardados em lugar bem arejado. Muitas vezes, quando as marrecas põem os ovos na água, eles vão para o fundo e só reaparecem quando estão estragados.
Os primeiros seis ovos de uma marreca que inicia a postura não servirão para incubar, pois geralmente são estéreis.

Os marrecos-de-pequim podem ser criados com ou sem água para seus banhos.


28 de jul. de 2020

Cuidados com os Patos e Marrecos


Cuidados

Alimentação
A alimentação do pato e do marreco pode ser igual, principalmente para o criador de fundo de quintal, como se costuma dizer. Pode-se economizar muito, principal-mente fornecendo verduras e legumes cozidos e até, para quem possui uma área razoável, o milho, que deve entrar na ração em boas proporções, como veremos mais
adiante.
Tanto o marreco como o pato comem por dia, em média, 200 gramas de ração, independentemente do verde, do qual são grandes apreciadores.
Na alimentação desses palmípedes, devem entrar milho, farelo de milho, farelo de soja ou de trigo, quirera de arroz, ração de galinha e sobras de comida caseira.
A ração, tanto para os patos como para os marrecos, deve ser sempre fornecida em forma de pasta, porque des-sa maneira eles comem mais e, conseqüentemente, engordam mais rapidamente.
Quando a ração é fornecida seca, eles comem bem menos e não adquirem peso, como deveria ser.
Se as aves forem criadas em confinamento, um bom sistema para distraí-las e, ao mesmo tempo, favorecer sua saúde é pendurar feixes de folhas de confrei na altura da cabeça das aves. A verdura ou qualquer outro verde não deve ser distribuída no chão, pois dessa maneira é rejeitada.

Para as aves confinadas, a distribuição da ração deve ser feita três vezes ao dia — pela manhã, ao meio-dia e à tardinha; para as aves que estão em liberdade, basta duas vezes ao dia — uma pela manhã e outra à tarde.
Os patinhos recém-nascidos só devem receber a primeira alimentação após 30 horas do nascimento do último da ninhada, e ela deve ser constituída de pão molhado em água ou, se houver facilidade, em leite desnatado. Também podemos usar a ração inicial para patinhos,
encontrada no mercado especializado, que deve ser distribuída em forma pastosa, misturada com verdura bem picada, a fim de que eles possam comer sem dificuldades e ir se habituando com o verde. As verduras a serem distribuídas podem ser almeirão, couve e serralha, entre outras, devendo-se evitar a alface.
À medida que os patinhos vão crescendo, deve-se substituir a alimentação pela ração de crescimento, a qual também deve ser distribuída em forma pastosa, isto é, molhada, porém sem ser encharcada, misturando-a com verduras picadas e podendo-se ainda acrescentar 20% de quirera de milho.
Após três meses de idade, utiliza-se a ração de pos-tura, acrescentando-se de 30% a 40% de milho triturado, incluindo sempre verduras e legumes cozidos.

Engorda
O pato é uma ave que praticamente come de tudo, com a vantagem de poder receber sobras de hortas e de comida (desde que lavadas com água quente, para tirar a gordura).
Quando se pretende engordar patos, deve-se tirar o banho e evitar que façam muitos exercícios para não desperdiçar energias e melhorar a carne, pois com a natação ficam mais musculosos.
O parque de engorda deve ser compatível com o número de aves,isto é, dois exemplares por metro quadrado. O que não deve faltar é água para beber, sempre em abundância e limpa. Quando o pato ingere os alimentos, seu bico fica impregnado de ração; por isso, ele procura
mergulhá-lo na água para limpá-lo.
Na engorda, os alimentos devem ser distribuídos até cinco vezes ao dia. Após ingerirem os alimentos, os patos deitam e descansam; com isso, ganham peso em curto espaço de tempo. A área destinada à engorda não pode ser úmida, mas deve possuir abrigos contra o sol e a
chuva.
O pato com 60 dias está bom para o corte, possuindo carne bem tenra, de ótima qualidade. Muitos dizem que a carne do pato é muito dura, mas isso só acontece se a ave já é velha, o mesmo ocorrendo com as galinhas, os pombos, etc., pois os borrachos — filhotes de pombo que ainda não voam — é que devem ser consumidos, preparados de várias maneiras.
Existem criadores que afirmam que os patos para o abate estão bons quando as penas das asas se cruzam.
O crescimento ou mesmo a engorda dependem, naturalmente, da qualidade dos alimentos distribuídos.

Saúde
O pato é muito resistente a doenças, bem diferente do que acontece, por exemplo, com os pintinhos e mesmo com as galinhas. O principal cuidado que se deve ter com os patinhos é com relação às chuvas e ao sol muito quente, principalmente nos primeiros 30 dias de vida. Porém, quando adultos, eles se tornam fortes, muito rústicos e dificilmente contraem quaisquer doenças. Mesmo diarréia e coriza são pouco
freqüentes, desde que sejam alimentados adequadamente.
O que dissemos com relação aos patos também é válido para os marrecos, que são igualmente de grande rusticidade. Costuma-se dizer que os patinhos ou marrequinhos só morrem quando pisados.

Higienização
Não resta a menor dúvida de que a higiene é um dos principais fatores para se evitar doenças em qualquer tipo de criação de aves domésticas.
Com esse cuidado, o criador deverá ser muito rigoroso, principalmente quando a criação é confinada.
O piso do dormitório, por exemplo, deve ser limpo a cada dois dias, no máximo. Quando o chão é cimentado, deve ser varrido e, em seguida, lavado, desinfetado com creolina misturada com água, na proporção de uma parte por cem, ou com lisofórmio bruto, na mesma porcentagem. As paredes também devem ser borrifadas com desinfetante.
O parque também deve ser limpo, a fim de evitar que os alimentos se misturem com as fezes e venham a ser ingeridos pelas aves.
Os excrementos recolhidos devem ser colocados numa esterqueira, a fim de serem curtidos e depois utilizados na horta, pomar ou jardim, como adubo.

Ninhos
Os ninhos, a cada mês, também devem ser limpos, renovando-se
a palha, o cavaco e a terra do chão, quando feitos de alvenaria.
A criação de patos e marrecos não deve ser misturada com outros
tipos de aves. No dormitório, as aves que se empoleiram deixam cair os
excrementos sobre os palmípedes, que ficam sujos e correm o risco de
contrair doenças.

É da natureza das aves aquáticas apreciarem um lago.

Regras para o sucesso
. • Iniciar a criação com bons reprodutores.
. • As instalações das aves devem se situar em um lugar seco, sem umidade.
. • Dispensar cuidados especiais aos patinhos nos primeiros 30 dias.
. • Fornecer alimentos pastosos e água abundante.
. • O abrigo/dormitório deve resguardar as aves das chuvas.
. • A boa higiene é fundamental.
. • Escolher boas chocas para a incubação.
. • As patas devem chocar seus próprios ovos.
. • Os ninhos devem ser adequados para que as patas se habituem a pôr os ovos sempre no mesmo local.
. • Fornecer muito verde na alimentação, picado ou em feixes pendurados.
. • Fornecer ração de boa procedência é muito compensador.
. • As aves devem viver em um ambiente tranqüilo, sem serem importunadas por outros animais domésticos.


12 de jul. de 2020

Instalações para Criação de Patos e Marrecos



Instalações

Terreno
O terreno onde se deseja fazer a criação de patos não deve ser inteiramente plano, a fim de evitar formação de lama e empoçamento das águas de chuvas. Um ligeiro declive será o ideal para a formação da área destinada aos patos. Se o lugar onde vão ser instalados os parques
e abrigos possuir água corrente, será mais vantajoso, podendose construir os cercados abrangendo o terreno seco, com canaletas para a passagem da água. Mas se o lugar permitir que se traga água por gravidade, também será muito bom para a localização dos parques.
Mesmo em terreno que não possua água corrente também se podem criar patos, fazen-do-se um tanque de alvenaria, cujo tamanho deve ser compatível com o número de aves que se deseja alojar.

Abrigo/dormitório para patos e marrecos.

Um tanque medindo, por exemplo, 3 x 2 m pode perfeitamente abrigar 20 patos. 
A profundidade do tanque não precisa ter mais do que 30 cm, mas a água deve ser renovada uma ou duas vezes por semana.
Em uma área, por exemplo, medindo 10 x 10 m, po-dem-se criar até 100 patos. A área para cada pato é de 1 m˝.

Abrigo e parque
As instalações a fim de servir de abrigo/dormitório para os patos podem ser simples, visando principalmente abrigá-los das chuvas, do sol e dos ventos. Para manter um lote de reprodutores, composto de seis patas e um pato, o dormitório pode ter 2 m de largura por 1,5 m de fundo. Um parque com 2 m de largura por 10 m de comprimento é suficiente, a fim de que as aves possam fazer exercícios. O dormitório pode ter o telhado com uma água e o pé direito de 1,5 m e, na parte traseira, 1,2 m. Caso se deseje manter vários lotes, podem-se construir os abrigos em série, com separações internas. Esse processo de manter lotes
separados garante maior fertilidade dos ovos, o que quer dizer maior porcentagem na eclosão.
O piso dos dormitórios deve ser cimentado ou mesmo tijolado, para facilitar a higiene. Deve-se forrá-lo com cavaco de madeira, a fim de evitar a friagem, pois, como se sabe, os patos dormem deitados.
Para abrigar os patinhos com mais de 30 dias, é preciso construir parques e abrigos com medidas compatíveis com a quantidade de aves que se deseja alojar.

Abrigo de campo para patos e marrecos.

As paredes laterais dos dormitórios podem ser feitas de alvenaria ou madeira até a altura de 60 cm, e depois completada com tela, a fim de permitir uma boa ventilação, como também para evitar a entrada de animais que podem matar as aves. De preferência, os abrigos devem ser construídos de frente para o nascente.
Os parques para reprodutores, como também para os marrequinhos em crescimento, devem ser gramados. Havendo espaço suficiente, convém fazer dois para cada dormitório; assim, pode-se fazer o revezamento, porque enquanto um gramado está se desgastando com as aves, o outro permanece em recuperação. A melhor maneira de criar patos, porém, principalmente em sítios e chácaras, é deixá-los em plena liberdade. Os patos em liberdade aproveitam melhor os alimentos fornecidos pela natureza, como insetos, vermes, sementes, areia e o verde; com isso, gasta-se menos em rações concentradas.
Se a criação é feita em plena liberdade, devem-se construir pequenas casinhas para abrigar a pata e os patinhos, por ocasião das chuvas e do sol.

Comedouros
Apesar de o pato ser considerado uma ave “porca”, isto é, come de tudo e entra em qualquer água, mesmo que completamente suja e enlameada, não devemos for-necer-lhe os alimentos no chão, mas sim em comedouros. Esses comedouros devem ser lavados pelo menos uma
vez por semana com água e sabão, a fim de eliminar os resíduos, que podem fermentar.
Os comedouros para os patos devem ser feitos e distribuídos de modo que todos possam se alimentar ao mesmo tempo, na hora da distribuição da ração, sem brigas. Pode-se considerar o espaço de 15 cm de comedouro para cada ave; isto quer dizer que, em 1 m, podem-se alimentar 14 patos nos dois lados.
O comedouro com 1 m de comprimento poderá ter 20 cm de largura por 10 cm de altura.
Ao redor do comedouro deve haver uma área cimentada com 1,5 m de largura e 1 m de comprimento.

Comedouro para patos. A área cimentada ao redor evita a formação de lama.

Bebedouros
Apesar de o pato enfiar o bico em qualquer tipo de água, seja ela limpa ou barrenta, devemos fornecer-lhe água em bebedouros limpos e funcionais, trocando-a até duas vezes ao dia, se necessário. Se a água fornecida aos patos for limpa, serão diminuídos os riscos de doenças.
Um tipo de bebedouro que se consegue com certa facilidade é o feito de pneus usados de carros, que devem ser cortados ao meio.
Podem-se também construir bebedouros de cimento, pois esse tipo conserva a água sempre fresca, desde que colocado em local com sombra.
Para fazer um bebedouro de cimento, basta ter um pouco de habilidade manual. Faz-se uma caixa de madeira, de acordo com o tamanho do bebedouro desejado; dentro desta caixa, deve-se fazer outra, porém com 3 cm a menos em todos os lados, inclusive na parte do fundo. Pos-ta uma caixa dentro da outra e prendendo-as na borda por dois sarrafinhos, coloca-se uma armação de arame grosso em toda a volta e no fundo.



Antes de encher a fôrma com cimento, convém dar uma passada de óleo queimado internamente. O concreto deve ser preparado com três partes de areia por uma de cimento. Primeiramente, faz-se o fundo; quando estiver completo,Pneu cortado ao meio serve como bebedouro. vão-se enchendo todas as laterais até a borda. No dia seguinte desmonta-se a parte interna com muito cuidado, para depois retirar a parte externa. Em seguida, dá-se uma demão nas partes interna e externa com a calda de cimento puro misturada com água; deixa-se secar e dá-se a segunda demão. Quando estiver seco, deve-se colocar água e renová-la durante cinco dias, antes de colocar o bebedouro em uso.
Para que os patos ou patinhos não entrem no bebedouro, deve-se fazer uma cobertura, 20 cm  como se fosse uma casinha, gradeada ao redor; assim também se evitarão sol, chuva e que caia sujeira na água.
No mercado especializado em avicultura, existem muitos tipos de bebedouros, confeccionados com barro, alumínio, folha-de-flandres e plástico, mas acreditamos que o criador caseiro que o confeccionar em casa estará economizando.
Para evitar a formação de poças e lama em torno dos bebedouros, é de bom alvitre construir uma área cimentada de 1 m˝.
A – caixa externa.
B – caixa interna com 3 cm a menos do que a externa.
C – espaço de 3 cm para o concreto.
D – sarrafos para manter o espaço das laterais e fundo.
Concreto: três partes de areia para uma de cimento.

Bebedouro de cimento.

Lago de chuva
O sitiante ou chacareiro que não possuir nascentes em sua propriedade e desejar formar um lago artificial para criar peixes e aves aquáticas, como marrecos, patos, gansos e marrequinhas, poderá criar um lago utilizando apenas água das chuvas.
Na área mais baixa do terreno, próxima a edificações (casa de caseiro, sede, etc.) constroem-se as muretas do lago e canos de PVC de quatro polegadas canalizam a água das chuvas que cai nos telhados para o lago.
Se o terreno for bem compactado não é necessário impermeabilizá-lo.
Nas margens, deve haver várias saídas para que as aves possam facilmente alcançar terra firme. Nas beiradas do lago deve haver casinhas com ninhos para a postura.
Nesse lago é possível a criação de peixes, juntamente com marrecos, patos e gansos e até marrequinhas selvagens.
Assim, o aproveitamento do legado da natureza pas-sa a ser uma alternativa: as chuvas são particularmente benéficas para a vida rural.


29 de jun. de 2020

Manejo Reprodutivo dos Patos


Incubação
Para o pequeno criador, nada mais prático do que usar as patas de sua própria criação para a incubação, pois elas são muito carinhosas no choco, deitando-se sobre os ovos com amor, resguardando-os bem e defendendo-os quando molestados por outras aves e pequenos animais; por isso, deve-se colocar o ninho em ambiente bem tranqüilo.
A pata pode chocar 13 ovos e o tempo de incubação é de 29 a 30 dias. Quando existirem muitos ovos destinados à incubação e não houver patas chocas, é possível também utilizar galinhas caipiras chocas, que podem cobrir apenas oito ovos.
É conveniente colocar várias aves para o choco no início da incubação. Dessa maneira, quando os patinhos nascerem, podem ser agrupados com uma única mãe protetora, e assim, a pata que ficou sem os patinhos iniciará a postura mais cedo, acontecendo o mesmo com a galinha. Essa transferência de patinhos para outra pata ou galinha deve ser feita durante a noite, para que os patinhos sejam bem aceitos.
Os patinhos recém-nascidos não necessitam tanto de calor, no início de sua vida, como os pintinhos, principalmente se a temperatura não estiver muito baixa.
Os ovos destinados à incubação devem ser guardados em posição horizontal, em local bem arejado, e virados diariamente, para que a gema permaneça sempre no centro. É curioso observar que, quando os patinhos foram cobertos por uma galinha, no momento de eles entrarem na água, ela vai ficar completamente desesperada, chegando a arrepiar as penas e gritar até eles saírem da água. A galinha que cria os patinhos é muito mais cuidadosa do que a pata.

Ninhos
A pata, para a postura, procura sempre um ninho, que deve estar em lugar tranqüilo. Casinholas feitas com restos de madeira servem perfeitamente para o ninho. Em cobertura, também se podem fazer os ninhos com tijolos, ou mesmo em caixotes, colocando-se dentro palha seca, capim e até mesmo cavaco de madeira.
Os ninhos devem ser feitos na proporção de um para cada grupo de quatro patas, quando os ovos se destinam à incubação artificial. Após a coleta dos ovos, é interessante deixar no ninho um ovo falso, isto é, de madeira ou gesso, servindo de chamariz.
Quando se faz a incubação natural, o mais indicado é manter um ninho para cada pata.

Ninho de tijolos. Bateria de ninhos para patas.

Abrigo e ninho para patas. Ninho individual para patas.

Os ninhos destinados às patas devem ser abrigados do sol e das chuvas. Como já dissemos, podem ser feitos com madeira, medindo 45 x 35 cm, devendo ser cobertos se colocados ao ar livre.
Quem dispuser, por exemplo, de uma barrica velha, poderá muito bem aproveitá-la para a feitura do ninho, não precisando de proteção no teto. A barrica será um ótimo local para a própria pata chocar seus ovos.

Patinhos
Nos primeiros 30 dias, os patinhos devem ser mantidos em cercados cobertos, abrigados da chuva, do sol e do vento.
Não é aconselhável que os patinhos entrem na água enquanto não estiverem empenados. Por ocasião das chu-vas, mesmo mais tarde, eles devem ficar recolhidos nos abrigos; caso contrário, ficam com o corpo no sentido vertical, isto é, erguidos e assim a água escorre e eles recebem os  pingos diretamente, o que, muitas vezes, acaba por fazêlos cair de costas e grudar no barro, provocando sua morte.
O sol forte também é bastante prejudicial aos patinhos, por isso devem dispor de abrigos que fiquem sob a sombra de árvores ou que tenham sido construídos. O que não deve faltar, de forma alguma, é água sempre fresca e abundante em bebedouros higiênicos, feitos de tal maneira que não permitam a entrada de aves. O dormitório dos patinhos deve estar completamente isento de umidade e de corrente de vento, mas deve ser arejado.
Os patinhos que nascem brancos vão ficar amarelos, enquanto os pretos mantêm sua cor.

Reprodutores
A idade do pato para reproduzir é de 8 a 10 meses e, no máximo, até dois anos. Os patos escolhidos para reprodutores devem ter aspecto bem sadio, com boa conformação física, sem defeitos nos pés e nas asas.
O macho sadio possui a cabeça bem grande, em comparação com a da fêmea, uma espécie de topete e a cabeça coberta por carúnculas.
Quando molestado ou assustado, suas penas se levantam.
Os machos, de um modo geral, chegam a pesar entre 4 e 4,5 quilos; as fêmeas, entre 3 e 3,2 quilos. Para se obter boa fertilização dos ovos, devem-se possuir, em cada lote de reprodutores, quatro patas para cada macho, em vários cercados, de acordo com a quantidade que se deseja criar; ou pode-se utilizar apenas uma área grande, usando a proporção de um macho para cada grupo de quatro fêmeas. A cada dois anos convém trazer um macho novo para reprodutor, isto é, sangue novo para o lote, evitando a consangüinidade


12 de jun. de 2020

Criação de Patos e Marrecos (Raças)


A criação de patos ainda não atingiu a escala comercial no Brasil.
É mais fácil do que a de galinhas, porque os patos são aves de grande rusticidade e praticamente sem propensão a doenças, desde que mantidos num ambiente higiênico e isento de umidade.
Os patos podem e devem ser criados por fazendeiros, sitiantes e chacareiros, como também em fun-do de quintal, porque não dão trabalho algum e representam mais carne na mesa e mais ovos para o consumo. 
Sua produção pode aumentar, na medida das necessidades, com a incubação natural. A criação de patos em escala comercial é problemática, em virtude da escassa produção de ovos.
Ovos de pata são recomendados para pessoas debilitadas, em gemadas, principalmente. As casas que vendem produtos dietéticos são as mais indicadas para a comercialização das sobras de ovos.

Pato-crioulo macho.

A criação de patos é muito simples, desde que se disponha de água para seus banhos. Quando não há disponibilidade de água natural, devem-se construir tanques, como veremos adiante. O pato pode ser criado sem lagos ou tanques, mas não é o ideal, pois dessa forma estaríamos contrariando a natureza da ave.
As patas geralmente procuram os ninhos que são destinados à postura e chocam com muito desvelo, cuidando muito bem das ninhadas.
Elas iniciam a postura quando atingem de 4 a 5 meses, botando entre 15 a 24 ovos, para depois chocá-los. Se os ovos forem cobertos por uma galinha choca, a pata per-de o choco em 15 dias e inicia nova postura. A média de postura de uma pata é de 60 a 80 ovos por ano, bem menos que as marrecas. O período de postura vai de julho a dezembro, como o das aves silvestres.
Para iniciar uma criação caseira de patos, o mais interessante é adquirir um terno, isto é, duas patas e um pato, de boa procedência. Pode-se ainda optar pela compra inicial de patinhos de 7 a 30 dias, encontrados em casas que comercializam aves vivas ou em criadores.
Ainda existe uma terceira opção, que é a aquisição de ovos férteis de granjas especializadas.



Raças

A raça mais utilizada pelos produtores é a crioula, de cores branca, preta e cinza, que pode cruzar com outras raças e até mesmo com o marreco, resultando num híbrido estéril. O pato doméstico descende da espécie selvagem da América do Sul, conhecida como pato-crioulo.
O pato selvagem brasileiro também pode ser criado em cativeiro; entretanto é preciso tomar certos cuidados com suas avoadas, pois ele aproveita para desaparecer nos campos e matas quando o ambiente não lhe é propício, principalmente no que se refere à alimentação e tranqüilidade.
Para evitar tais fugas, basta cortar as penas de uma das asas, até que se habitue. O pato selvagem vive principalmente no Pantanal Mato-grossense e outras regiões. De cor preta, ele é conhecido popularmente como “pato de asa branca”, porque possui penas brancas nas asas, o que pode ser observado com mais facilidade quando ele está em pleno vôo.
Vimos várias vezes, no Pantanal, bandos de patos que se somavam a outros milhares. Aves migratórias, eles sobrevoam aquela imensidão de lagoas procurando os melhores pastos para sua alimentação. O pato selvagem, de modo geral, alimenta-se de tudo o que a natureza pode lhe fornecer, como capim, ervas diversas, frutos silvestres, peixes e crustáceos. Gosta também de fuçar nas lagoas, onde pode encontrar vermes e outros seres que vivem nas águas.
Outra espécie de pato do Pantanal é o marrom-es-curo, cujos hábitos são os mesmos do pato de asa branca. Ele pode ser domesticado, desde que apanhado ainda novo, a fim de que se habitue ao cativeiro.
Ao entardecer, os patos selvagens procuram abrigo nas grandes árvores para passar a noite; no dia seguinte, voam grandes distâncias, à cata de alimentos. Os caçadores os perseguem sistematicamente.
Como já dissemos, no Brasil, são duas as raças de patos selvagens da família Anatidae. Uma de cor cinza chumbo, com reflexos metálicos, sendo o dorso verde e roxo e as coberteiras exteriores das asas, brancas. A outra espécie de pato selvagem, a preta, é a Sarkidiornis sylvicola, cujos machos possuem carúncula pronunciada.
Desde que não sejam molestados, esses patos podem ser domesticados, convivendo com outras aves, principalmente quando encontram alimento. Pode também acontecer de passarem o dia todo no cativeiro e, ao entardecer, levantarem vôo, retornando na manhã seguinte.

Pato-crioulo macho e duas fêmeas.



28 de mai. de 2020

INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS para Aves Domésticas


INSTALAÇÕES E EQUIPAMENTOS

Localização: Locais secos livre de inundações, proteção natural contra ventos fortes, água de boa qualidade e localizados no mínimo a 50m da residência, isolado do fluxo normal do trânsito e de pessoal.

Materiais utilizados: Utilizando de preferência o material disponível na propriedade que permita manejar as aves corretamente.

Galinheiro:
• Piso terra batido ou concretado;
• Paredes laterais - 30 cm de altura alvenaria ou tábuas e completada até o teto arame 1,5" fio 18, trelissa, bambu ou maneira;
• Cobertura - cimento amianto, sapé, telha de barro;
• Utilizar 4 aves por m2;
• Orientação leste/oeste;
• Pé-direito - 260 a 280 m;
• Fazer um canal em volta da instalação para escoamento da água de chuva.
• Dividir o galinheiro em três partes distintas:

ABRIGO DE REPRODUÇÃO

• Ninhos: 1 para 4 aves - com madeira ou outro material disponível - dimensões: 35 x 35 x 35 e com altura do piso de 20 cm. Com fundo para casa de ração.
• Poleiros: 20 cm/ave espaçadas 40 cm e distante do piso 50 cm;
• Bebedouro: Tipo calha - feito em bambu, tubo de PVC ou chapa galvanizada, 2,5 cm/ave;
• Bebedouro pendular: 1 para cada 100 aves;
• Comedouro: Tipo cocho em madeira, bambu. Utilizar 5 cm linear por ave;
• Comedouro Tubular: 1 para cada 40 aves;
• Cocho para minerais;
• Iluminação: 1 lâmpada de 15 Watts para cada 5m2;
Pinteiro:
• Deve ser equipado com círculo de proteção altura de 50 cm e 1,5 m de diâmetro;
• Compânula ou lâmpada para aquecimento;
• Comedouro tipo bandeira - 1 para 50 pintos com as seguintes medidas 40 x 50 x 5 cm;
• Bebedouro - Tipo copo de pressão 1 para cada 50 aves;
• Com a idade de 10 dias utilizar bebedouro e comedouros de aves adultas e retirando o círculo de proteção. Dimensões - 2 x 4,40m.
• Utilizar cortinas.

CASA DE RAÇAO
• No seu interior estão localizados o fundo dos ninhos por onde serão colhidos os ovos;
• Dimensões: 4,40 x 2 m.

AVIÁRIO









17 de mai. de 2020

Criação de aves domésticas: Alimentação e Profilaxia


ALIMENTAÇÃO

As aves caipiras são mais resistentes que as aves industriais, mas mesmo assim devem receber suplementação através de ração balanceada e volumosos, capaz de atender suas exigências nutricionais.
A ração balanceada deve ser fornecida em comedouros no interior do galinheiro na base de 60 g por dia por ave e cocho com mistura mineral para consumo à vontade.
Área de pastagem recomendada para cada ave adulta é de aproximadamente 10 m2, pode-se utilizar capim quicuro, brachiaria, tifon, grama estrela, rami, confrei, quando houver área disponível recomenda-se dividi-la em piquetes e fazer o manejo rotativo, pode-se utilizar também restos de hortaliças.

Sugerimos o plantio de feijão Guandu, Girassol.

TABELA 1 - Rações Fareladas de Produção Caseira

Exemplo 3:



ARRAÇOAMENTO DO PINTINHOS

Durante os primeiros 25 a 30 dias deverá ser fornecido aos pintinhos ração comercial de fase inicial à vontade em comedouro tipo bandeira, ou copo tipo pressão. Durante o dia a ração do comedouro deverá ser peneirada para retirada das impurezas. Neste período o consumo médio
de ração é aproximadamente 1 kg, por ave, após este período as aves poderão ser soltas.

Alimentador de galinhas

Notei que as minhas galinhas desperdiçavam muito a sua comida, assim, resolvi o problema usando um jarro de plástico grande, Cortei dois buracos nas laterais do jarro, o suficientemente grandes para as galinhas passarem a cabeça. É fácil colocar comida pelos buracos e ela dura mais, porque há menos desperdício.
Li sobre esta idéia de Inetia Corbin em Organic Gardening, Janeiro/Fevereiro 2000, e experimentei com o meu novo bando de galinhas e patos. Ela estava certa funciona melhor do que os alimentadores comerciais. Usei jarros de plástico grandes para os pintos e, depois, mudei para alimentadores de maior capacidade feitos de baldes de plástico, com os buracos mais altos nas laterais, à medida que as minhas aves cresciam.

SANIDADE

A saúde é importante para que as aves sejam boas reprodutoras de carne e ovos. 
A manutenção da saúde é um conjunto de práticas que envolvem isolamento, higiene, profilaxia e combate sistemático a vermes e parasitas. Para introduzir aves no plantel, estas devem passar um período de isolamento de no mínimo 10 dias.
Todas as instalações e equipamentos e arredores da criação deverão ser limpos lavados e desinfetados a cada 15 dias.
Sugerimos uma solução de água e creolina na proporção de 3 a 5%. Apresentamos a seguir uma sugestão de solução desinfetante para caiação de ninhos, pinteiros e galpões.

TABELA 3 - Solução Desinfetante para Caiação

O piso das instalações deve ser forrado com uma "cama" que poderá ser de capim picado e seco, casca de arroz, sabugo de milho triturado, cepilho de madeira, etc.
Deve-se usar de 700 g a 1 kg de material de cama para cada m2 de instalação. Esta deverá ser substituída a cada 90 dias ou parte da cama quando for molhada.
As poças d’água estagnadas e brejos devem ser esgotados e ou isolados, e os entulhos limpos retirados.

PROFILAXIA

Para esta criação recomendamos um programa mínimo de vacinação para controle de algumas doenças.

Esquema de Vacinação


OBSERVAÇÃO: As vacinas devem ser mantidas na geladeira (fora do congelador). Deve-se verificar a data de vencimento. As sobras de vacinas e frascos devem ser encineradas ou enterrados. 

Vermifugação - Aplicar vermífugo a base de Piperazina ou Mebendazoli de 4 em 4 meses para todas as aves via água ou ração conforme recomendações da bula.

Combate a Ectoparasitas: Sarnas/Piolhos: Quando ocorrer estes tipos de parasitas deve-se fazer um polvilhamento ou pulverização de todas as instalações e equipamentos e nas próprias aves, com drogas específicas.

Observação: Sugerir as recomendações do fabricante.

RECOMENDAÇÕES COMPLEMENTARES
Quando a opção for adquirir pintinhos de incubatório para melhoramento do plantel algumas orientações devem ser seguidas:
• Adquirir pintinhos de incubatórios idôneos, vacinados contra Marek e Bloba Aviária;
• Colocar em círculo de proteção com fonte de aquecimento/água/ração;
• Colocar papel jornal sobre a "cama" e retirá-lo após 3 dias;
• Durante as primeiras horas de chegada somente água e açúcar a 5%, após 2 horas fornecer quirera de milho ou fubá médio, colocando nas bandejas e sobre o papel;
• Do 2º até o 30º dia fornecer ração inicial de frango de corte à vontade e soltá-los após este período.




10 de mai. de 2020

Criação de Jacarés


Jacaré é o nome comum dos répteis sul-americanos pertencentes ao gênero Caiman.
O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) vive na Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai, enquanto o jacaré negro ou de focinho estreito (Caiman crocodilus), chega até o México. 
O Jacaré-de-papo-amarelo se adapta bem ao cativeiro e ao semi-cativeiro desde que sejam atendidas suas exigências básicas como temperatura, umidade, higiene e nutrição (DEUTSCH, 1988).
Na criação em cativeiro, os jacarés comem subprodutos de indústrias ou descartes de criadouros de aves, suínos, bovinos, coelhos, peixes, etc. A carne é moída e enriquecida com um pré-mix de vitaminas e sais minerais numa proporção de 3% do peso corporal estimado ou pesado. No caso dos filhotes, o pré-mix entra na proporção de 35% do peso corporal estimado. A freqüência de alimentação depende da idade, por exemplo, os filhotes irão comer durante toda a semana e os adultos comerão de uma a duas vezes por semana, num total de 7% do peso corporal por semana (NETO, 1997).

Figura 14: Jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris).
.
Criar comercialmente jacarés pode trazer boa rentabilidade para o proprietário rural. Além disso, essa é uma alternativa de preservar essas espécies da extinção. A carne é bastante procurada pelos apreciadores e proprietários de restaurantes especializados, isso sem falar no valor comercial do couro desses animais (WETTERBERG, 1976).

CONCLUSÃO
Talvez o caminho que dê mais segurança para o país, seja aquele que o leve a alcançar o desenvolvimento industrial compatível com a qualidade ambiental. Isso passa por uma radical mudança dos sistemas de produção tradicionais, trazendo para dentro da empresa a responsabilidade ambiental, reprojetando seus sistemas industriais para alcançar qualidade ambiental e eficiência econômica.
As empresas e propriedades rurais ao assumirem a postura de uma organização responsável socialmente, acabam ganhando melhor imagem institucional, pode-se afirmar então, que o primeiro grande ganho de se investir na comercialização de animais silvestres e nas questões ambientais é a melhora da imagem institucional, para isso é preciso mostrar que o meio ambiente é conhecido pela empresa (seja uma propriedade rural, empresa urbana ou criatório), que os problemas são reconhecidos e existe esforço para solucionálos.
Uma empresa ou propriedade rural (criatório) que é vista como “socialmente responsável”, possui uma vantagem estratégica em relação àquelas que não tem essa
imagem perante o público.
O sucesso da pecuária silvestre depende cada vez mais do conhecimento e da aplicação de princípios estratégicos de conservação e tecnologia. Atualmente ainda é pequeno o mercado oficial ou o comércio de produtos provenientes da fauna silvestre, existindo apenas uma oferta temporária e legal de qualquer produto que uma determinada espécie venha produzir.
Como conclusão, é correto afirmar que essa atividade só tende crescer nos próximos anos, assim como o seu mercado. O interesse de produtores, cada vez mais atraídos por um comércio lucrativo e ecologicamente correto, faz com que as criações de animais silvestres sejam vantajosas em relação aos sistemas tradicionais, além do interesse dos consumidores por carnes mais saudáveis. Nesse caminho, ainda existem muitas respostas e perguntas a serem questionadas, mas acredito que esse trabalho possa contribuir para formar parte dessas respostas e reforçar o surgimento de novos questionamentos.

Jacaré-do-pantanal

Criação de animais Silvestres em cativeiro para fins comerciais ou econômicos,Base Legal - A Portaria 132/88 de 5 de maio de 1988 é uma portaria geral que trata da previstos no Artigo 6º da Lei 5197/67, de 3 de janeiro de 1967, é regulamentada através deportarias publicadas pelo IBAMA.
A recomendação dada às unidades descentralizadas do IBAMA é que o plantel inicial de matrizes e reprodutores deverá ser preferencialmente originário de animais provenientes de outros criadouros registrados ou do produto de apreensões dos órgãos fiscalizadores. Poderá ser autorizada a captura de animais.

jacaré no  ponto de abate
O ponto de abate é determinado pela largura abdominal  total. Ela é de 18 cm , sendo medida próximo da pata dianteira. Se bem tratado, o ponto de abate é atingido com 1 ano de idade, mas para um melhor aproveitamento , costuma-se abate com 2  anos, nesta fase a largura abdominal é de aproximadamente 27 cm, aumentando o valor do animal no mercado.
A carne rende 1,7 quilo por animal mais ou menos, sendo comercializada  em vários restaurantes especializados em carnes silvestres e exóticas.
O couro necessita de uma autorização do Ibama para ser comercializado. Um cuidado todo especial deve ser tomado ao se comercializar o couro,  uma faca de ponta fina deve ser enfiada  na cabeça do animal, posteriormente coloca-se um arame  de aço pela extensão da coluna vertebral que servirá para insensibilizar o animal , fazendo com que o animal paralise os movimentos.
O couro ao redor da cabeça é desprendido, a melhor parte  é a da barriga e da lateral, o couro deve ser cortado pelas costas para que o aproveitamento seja maior. Após isso,  o couro é  desprendido da carne. Furos certamente irão desvalorizar o produto.O couro é então enviado para o freezer até ser curtido.
As patas são cortadas próximas da articulação, são então embalsamadas e usadas como enfeites.Após retirar o couro, retira-se as vísceras, nesta etapa, todo cuidado é pouco para não contaminar a carne.Depois do abate a cabeça é separada e a carne é lada e embalada em sacos plásticos. Aplica-se etiquetas com informações do criadouro contendo: nº de registro do Ibama, validade e origem do produto.

Mercado
A criação de animais silvestres tem um futuro promissor no Brasil, muito disso se deve ao fato de que há  a necessidade de preservar a espécies nativas ameaçadas de extinção; e  o jacaré é uma delas.
A criação de jacaré pode ser lucrativa já que apenas 5% dos animais nascidos na natureza atingem a idade adulta, em cativeiro são 90%.
O couro do animal caçado  tem só 25% de aproveitamento, em cativeiro é de 100%; e alem disso é caça é ilegal.
Isso sem mencionar na carne, um animal (2 anos) produz  1,7 kg de carne e os subprodutos como cabeça e patas que pode servir de enfeite, tendo uma grande demanda.
Além de todos esses fatores existe também outro fator positivo: de estar contribuindo para a preservação das espécies nativas.
Para se efetuar a criação de qualquer animal silvestre é necessária a autorização do Ibama e do governo federal responsável por esta área.

Acasalamento e Postura
Durante a cópula, o macho rodeia a fêmea em círculos cada vez mais estreitos, ambos emitem sons  e mantém seus “narizes” pra fora da água, na seqüência o macho se encurva, passa por baixo da cauda da fêmea para então  unir as cloacas.Este processo é rápido, durando  cerca de 1 minuto apenas.
As fêmeas constroem cada uma o seu ninho, este constituído de  um monte de restos de vegetais, folha e gravetos.Seu tamanho varia de 1 a 2 m de diâmetro e altura de  40 a 60 cm. A postura se inicia no começo de janeiro se estendendo até março.Cerca de 30 ovos são postos anualmente por cada fêmea.
As fêmeas têm o habito de circular em torno do ninho para proteger e ajudar durante  a eclosão.
Um passo indispensável para o sucesso de uma criação de jacarés é o manejo com os ovos. Eles não podem eclodir a campo, com a presença de predadores como aves, cobras e lagartos, a percentagem de eclosão cai para cerca de 10% dos ovos.
Todo cuidado deve ser tomado ao se retirar os ovos dos ninhos, eles não podem ser virados, para se evitar isso é marcado um X com caneta no ovo, que devera ser mantido o mais próximo possível da sua posição inicial.
Durante o transporte aconselha-se depositar um pouco da matéria do ninho para a caixa de transporte, deixando a região mais macia. São então destinados à incubadora artificial.Depois de coletar, identifica-se o ninho  por meio de uma placa contendo informações do tipo: nº do ninho; nº de ovos coletados e ano da coleta.

Incubação artificial
A incubadora pode ser  confeccionada  por meio de uma caixa de compensado naval, o material deve ser impermeável e forrado com placas de isopor
A temperatura deve gira entre 29 e 31 ºC, fora disso índice de eclosão cai muito (50%).Aplica-se a matéria orgânica retirada do ninho junto com os ovos, vermiculita também pode ser utilizada para evitar a perda de calor.
Baixa umidade pode causar muitas mortes, o ideal é estar próxima de 100%, deixando um recipiente com água  dentro da incubadora é um truque fácil para atingir a umidade ideal, pulverizar água sobre os ovos duas vezes ao dia também ajuda bastante.
Se estes itens estiverem adequados, em 65 dias a partir da postura estará ocorrendo a eclosão, cujo índice é de cerca de 90%.
Após a eclosão os filhotes são destinados às baias no barracão de engorda, 30 dias depois eles serão separados por tamanho, com o intuito de diminuir a competição por alimento.

Sistema de Criação
O ranching, na qual  os ovos são coletados na  natureza, com a autorização e acompanhamento do Ibama, sendo eclodidos posteriormente em incubadoras. Parte desses animais são destinados a natureza, os demais são enviados ao barracão de engorda até serem abatidos.
Este sistema só é funcional em regiões onde se torna possível a coleta  dos ovos no seu habitat natural.
O farming, os reprodutores são capturados na natureza, e destinados a um cativeiro para efetuarem a postura e se reproduzirem. Os ovos são incubados artificialmente.




5 de mai. de 2020

Criação de Cutias


Cutia
A cutia é encontrada em quase todo país, com exceção do extremo sul. Há várias espécies no Brasil: a vermelha (Dasyprocta agouti); a parda (Dasyprocta azarae); e a preta (Dasyprocta fuliginosa) (LANGER, 1978).
A criação pode ser feita ao ar livre, em um terreno de chão batido. Deve-se construir uma mureta de 30 a 40 centímetros de altura, com igual profundidade para impedir que as cutias cavem buracos e fujam. Sobre o muro instala-se um cercado de tela de arame de 1,5 metro de altura. A área do cercado deve ser de 15 metros quadrados, onde podem ser mantidos 1 macho e 3 fêmeas. Os bebedouros e comedouros ficam no chão e podem ser feitos de alvenaria (GIANNONI, 2001).

Figura 13: Cutia (Dasyprocta fuliginosa).

As cutias alimentam-se geralmente de coquinhos, castanha-do-pará, verduras e legumes. Também gostam de milho, cana-de-açúcar e mandioca. Devem ser alimentadas diariamente, de preferência ao entardecer (LANGER, 1978).
A fêmea gera de dois a três filhotes por gestação e o parto se dá em um ninho cavado no chão. As cutias prenhes podem ser mantidas no mesmo cercado com outros animais do grupo, mas filhotes devem ser separados assim que não precisarem mais da mãe para se alimentar (ROCHA, 2001).

Como a de seus pares capivara e paca, a carne de cutia (Dasyprocta agouti) não é mais vista como uma iguaria rara. Após o fim dos anos 1990, período em que as carnes exóticas passaram a frequentar o cardápio de, especialmente, restaurantes finos e churrascarias de grandes centros urbanos, a proteína tornou-se mais conhecida entre os brasileiros.

Além de oferecer um alimento nutritivo para o consumidor, a cutia é, para o criador, mais uma opção de empreendimento de custo baixo e boa rentabilidade. Rústico, esse mamífero não exige manutenção cara para seu manejo. Produtos baratos são os principais componentes da dieta do animal, que também vive bem em acomodações simples, sem necessidade de realizar grandes investimentos e de demandar muita mão de obra.

Como a cutia tem o hábito de comer vegetais, a alimentação da criação pode ser cultivada no próprio local. A oferta de frutas variadas, grãos, como milho, e hortaliças diversas dispensa o uso de ração comercial, item que geralmente pesa na planilha de custos de atividades como criações de animais.

Para instalar um criadouro para cutias, não é preciso uma estrutura sofisticada nem muito espaço. Inclusive, pode-se fazer uso de áreas ociosas existentes no local. Uma opção que reduz o investimento inicial é o aproveitamento de ambiente que já serviu para lidar com outras criações, como pocilgas ou aviários.

Ao lado do baixo custo que representa para o pequeno investidor, a criação oferece bons rendimentos, tanto com a venda da carne branca e saborosa para o mercado quanto de exemplares vivos para outros criadores. O sistema de engorda de cutias e de desenvolvimento de matrizes são duas atividades que podem ser praticadas ao mesmo tempo, potencializando o lucro do produtor.

De fácil adaptação à rotina de um confinamento, a criação de cutia ainda contribui para a preservação da própria espécie. Na natureza, onde exerce importante papel ecológico, dispersando sementes, o animal fica à mercê da prática de caça ilegal e da redução de seu hábitat, devido ao desmatamento e ao crescimento urbano sobre matas e florestas pelo território nacional.

A cutia tem hábito diurno e vive em áreas do Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, sobretudo em regiões do sudeste, nordeste e norte do país. De médio porte, mede de 40 a 60 centímetros de comprimento, de 15 a 20 centímetros de altura e pesa cerca de 2 a 4 quilos. Como é um animal silvestre, a cutia, para ser criada em cativeiro, mesmo que o produtor não pretenda tornar a atividade uma prática comercial, precisa ter autorização do órgão estadual que controla a gestão da fauna local.

Criação mínima: 1 macho e 3 fêmeas
Custo: o preço de cada cutia é de cerca de R$ 800 e das instalações de 3 baias R$ 3 mil
Retorno: 28 meses
Reprodução: de 2 a 4 filhotes por ano


Início Recomenda-se a participação de um profissional especializado para a elaboração e execução do projeto, o qual precisa contar com documentação protocolada no órgão gestor da fauna do Estado. Com as instalações prontas e vistoriadas, forme o plantel inicial por meio da aquisição de exemplares de criadores idôneos.

Ambiente Como é um animal rústico, nativo de bosques e matas, a cutia resiste tanto a temperaturas mais frias quanto mais quentes. Os lugares mais calmos, que assegurem a tranquilidade da criação, são os mais indicados para a atividade. É importante também que seja sombreado.

Instalações Para comportar até cinco fêmeas e um macho, são necessárias três baias, ou boxes, com 3 x 4 metros de área cada e cobertura total ou parcial. Cerque-as com tela tipo alambrado, do teto até a base, feita de muretas de alvenaria de 40 centímetros. O piso deve ser cimentado, para facilitar a limpeza e impedir que as cutias fujam escavando o chão de terra. Disponibilize um tanque de pequenas dimensões – 1 metro quadrado e 25 centímetros de profundidade – para as cutias se banharem e beberem água.

CAIXA-NINHO Em cada baia instale a toca, que pode ser feita de madeira ou alvenaria. As medidas da caixa-ninho são de 1,10 metro de comprimento por 70 centímetros de largura. A fêmea gosta de forrar o ninho com palha seca, material que ajuda a manter a caixa sem umidade.

Cuidados As doenças mais comuns entre as cutias são verminose e pneumonia. Ambas podem ser evitadas preventivamente, seguindo um programa de aplicação de doses de vermífugos na criação e evitando o excesso de umidade nas baias.

Alimentação Por ser um animal herbívoro, a cutia alimenta-se apenas de hortaliças, como abóbora, tubérculos, como mandioca, grãos (milho e soja), cana-de-açúcar, sementes, coquinhos de palmeiras, castanhas e frutas, como banana, maçã, laranja, mamão, acerola e abacaxi. Como complemento opcional da dieta, pode ser oferecida a mesma ração que é dada aos coelhos. Roedora, a cutia gosta de roer troncos de goiabeira.

Reprodução Pode acontecer, a partir dos 10 meses de idade, período em que o mamífero atinge a maturidade sexual. Após 104 dias de gestação, nascem, em média, duas crias em cada um dos dois partos que podem ocorrer em qualquer época do ano. Aos três meses de idade, o filhote é desmamado e transferido para outra baia, iniciando a recria. Aos 12 meses, pesando de 3 a 4 quilos aproximadamente, o animal está pronto para o abate. Se for vender como matriz, após seis meses, a cutia já pode ser comercializada para outros criadores.


19 de abr. de 2020

Criação de Pacas (Agouti paca)



Paca (Agouti paca)

A paca é o segundo maior roedor encontrado no país, perdendo apenas para a capivara. Seu comprimento varia de 32 a 60 centímetros, da cabeça à base da cauda e pesa em média 10 quilos (MARTHA, 1996).
Em cativeiro a paca convive bem com outros animais. Num grupo de pacas estudados por Piccinini (1971), composto por 3 fêmeas e 3 machos em cativeiro, foram observados:

- há demarcação territorial, feita com urina, principalmente ao redor dos comedouros;

- a eliminação das fezes ocorre num único local e bem afastado do bebedouro e do comedouro;

- a paca deve ser alimentada ao entardecer. Ao manejar o animal, o tratador deverá usar bota de cano longo (prevenindo-se contra mordidas), luvas e redes próprias. 
O animal deverá ser apanhado em horários de poucas atividades, evitando-se o estresse.
Os recintos devem ser situados em locais com sombra e plano. Para um grupo de 3 pacas (1 macho e 2 fêmeas), a área deve medir 20 metros quadrados e deve ser cercada com tela tipo alambrado medindo 1,5 metros de altura, com baldrame de 60 centímetros de profundidade para evitar as fugas. Deverá haver um abrigo para cada animal, sendo os mesmos de troncos ocos, tubos de concreto ou tocas de alvenaria.

Figura 12: Paca (Agouti paca).

Os comedouros deverão estar em locais devidamente protegidos por coberturas de sapé, folha de coqueiro, cimento, amianto etc. Para a correta alimentação das pacas, devese considerar os seguintes fatores:
- hábito do animal: noturno e crepuscular;
- ração semelhante à da cutia, fornecida apenas à tarde, em quantidade quatro vezes maior;
- apresentação do alimento: em pedaços, com casca, cru;
- higiene do comedouro, com a remoção dos restos alimentares, evitando-se processos fermentativos;
- os comedouros, de cantos arredondados e superfícies lisas, devem estar instalados em locais iluminados, ventilados e secos.

Antes de colocar água para os animais, que deve estar sempre limpa, potável e fresca, observe com atenção seus hábitos, pois há espécies que costumam banhar-se regularmente, necessitando de bebedouros em forma de tanque. Os bebedouros deverão ter dimensões adequadas de acordo com as espécies, o número de animais no recinto e o respectivo consumo. É recomendável que os bebedouros tenham cantos arredondados, superfície lisa e bordas rampadas, com inclinação média de 60º graus, da borda para o centro, facilitando a entrada e a saída dos animais, bem como a proteção aos filhotes.

Como criar paca

Mais profissionalizada, a atividade se espalha,visando à conservação do plantel nacional e ao lucrativo comércio de matrizes e carne

Se, de um lado, as carnes exóticas já não são novidade como eram há pouco mais de uma década, de outro, a maior presença delas nos canais de venda mostra como a proteína animal vem sendo bem aceita pelos brasileiros. Um bom exemplo do avanço do produto no mercado nacional é a multiplicação de criatórios de paca (Agouti paca) pelo país, com vistas a atender à demanda de um comércio lucrativo.

Produtor da região do Cerrado, especializado em manejo de animais silvestres e exóticos, Fábio Morais Hosken informa que existem de norte a sul do Brasil dezenas de restaurantes e churrascarias que possuem carne de paca em seus cardápios. O produto também pode ser encontrado em redes de supermercados, butiques e lojas de carnes instaladas em grandes centros urbanos.

O aumento da participação do alimento nos pratos dos consumidores é um reflexo da profissionalização dos criadores alcançada nos últimos anos. Leve, macia e saborosa, rica em proteínas, cálcio e fósforo, a carne de paca provém de animais tratados em estabelecimentos fiscalizados pelos Estados. Antes de responsabilidade do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a autorização e fiscalização exigidas para a criação comercial de qualquer animal silvestre passaram a ser de competência exclusiva dos Oemas (Órgãos Estaduais de Meio Ambiente) desde a publicação da Lei Complementar (LC) 140/2011.

A venda de matrizes para reprodução é outra atividade que pode trazer rendimentos para quem tem planos de iniciar uma criação. Ao mesmo tempo, o trabalho tem um caráter conservacionista e contribui para a recuperação do plantel de pacas no território nacional, que foi reduzido devido à caça predatória e à diminuição do hábitat natural promovida pelo desmatamento ao longo dos anos.

De baixo custo e necessidade de pouco espaço, o manejo de pacas tem como desafios a adaptação dos animais à vida no cativeiro e a formação de famílias, pois elas são consideradas territorialistas e fáceis de se estressar. Contudo, se cuidadas com dedicação e com o aproveitamento de dicas de profissionais experientes, apresentam bom comportamento.

Pacas nascidas em cativeiro, no entanto, tendem a ser mansas e não apresentam problemas de agressividade. De hábitos noturnos, o roedor tem pelos curtos e de cores que variam do castanho-pardo ao castanho-avermelhado. Com 32 a 70 centímetros de comprimento na idade adulta, pode viver até os 12 anos.




CRIAÇÃO MÍNIMA: um macho e quatro fêmeas
CUSTO: R$ 1.000 é o preço médio de cada exemplar
RETORNO: 30 meses
REPRODUÇÃO: dois partos por ano com uma cria cada


INÍCIO> Obtenha informações sobre as exigências que devem ser cumpridas para começar a atividade e a autorização do projeto de criação junto a um Oema. Somente após contar com as instalações, adquira os animais de criatórios com referências e devidamente registrados. Também é indicado ao criador iniciante contar com o acompanhamento de uma assessoria profissionalizada, como um zootecnista, que pode orientar a respeito das melhores técnicas para lidar com as pacas.

AMBIENTE As pacas vivem bem em locais com diferentes condições climáticas, por isso podem ser criadas em qualquer região do país. Como gostam de se molhar, é importante instalar um tanque ou piscina de, pelo menos, 1 x 1 metro de área, com profundidade de 25 centímetros. Para dar mais conforto aos animais, providencie uma caixa-ninho de 1,1 metro de comprimento e 70 centímetros de largura.

ESTRUTURA  O intensivo, considerado o melhor sistema de criação, utiliza um galpão dividido em baias de 3 x 4 metros até 5 x 5 metros, com piso de concreto, mureta de alvenaria de 50 centímetros e tela até o telhado. Um espaço ocioso, ou até mesmo um chiqueiro desativado na propriedade, pode ser adaptado para o confinamento dos animais, reduzindo os custos da implantação. Há como opção o sistema semi-intensivo, realizado em piquetes na mata com 100 metros quadrados cada, cercados de mourões de madeira, tela e arame farpado. Abaixo da cerca, faça um baldrame com 50 centímetros de profundidade a fim de evitar que as pacas fujam cavando buracos.

CUIDADOS  Antes de começar a lidar com a criação, é recomendado ao produtor tomar vacina antitetânica. O uso de botas é mais uma precaução necessária para realizar o manejo dos animais. Para evitar que a adaptação seja agressiva para as pacas, comece com dois exemplares e aos poucos vá introduzindo os demais integrantes. Entre as doenças comuns do roedor, estão estresse, vermes e eventuais problemas dentais. Contar com a visita de um médico-veterinário de dois em dois meses contribui para manter a saúde das pacas.

ALIMENTAÇÃO Pode ser produzida no próprio local, pois as pacas se alimentam de vegetais, grãos, raízes, coquinhos, legumes e frutas em geral. Opte pelos plantios que se dão bem com o clima, solo e ambiente da região. Como complemento, ofereça aos animais ração destinada para coelhos ou apenas milho em grão.

REPRODUÇÃO  São dois partos realizados por ano, gerando uma cria cada. Enquanto as fêmeas estão prontas para ser mães a partir dos oito meses de vida, os machos iniciam o período de reprodução entre nove e dez meses. De março a setembro é a principal época de procriação do mamífero, com 31 dias de ciclo produtivo. O infanticídio é um ato comum entre as pacas, por isso recomenda-se isolar as fêmeas antes do parto, até que os filhotes ganhem mais peso e força. Se nascerem junto do grupo, podem ser atacados pelos demais nas primeiras semanas.