1 de out de 2015

Infraestrura e Raças na Criação de Caprino de Leite



O Nordeste brasileiro tem sido destacado durante séculos como área de vocação para a exploração de ruminantes domésticos, notadamente caprinos e ovinos, pelo potencial da vegetação natural para a manutenção e sobrevivência dos animais destas espécies. Nesta região tanto os animais machos como as fêmeas não apresentam estacionalidade reprodutiva, não sendo o fotoperíodo fator limitante para sua reprodução. Dentre as várias alternativas encontradas para a convivência com a seca, a caprinocultura e a ovinocultura têm sido apontadas como as mais viáveis.
Por outro lado, deve-se registrar que o simples fato de os animais apresentarem potencial produtivo ao longo do ano, não atende aos requisitos básicos de uma atividade voltada para as demandas que se manifestam em um mercado moderno e cada vez mais exigente. Assim, a exploração agropecuária através dos sistemas tradicionais de criação não mais constitui solução para a fixação do homem a terra.
Novos conceitos de organização e gerenciamento da unidade produtiva, a implementação do regime de manejo adequada para cada fase da exploração e a adoção de técnicas modernas, são pré-requisitos para a promoção da qualidade de vida do homem rural, com coerência com os índices indicados pelas organizações internacionais em relação aos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH).
Entende-se que as intempéries climáticas representam sérias ameaças ao desenvolvimento da caprinocultura leiteira no Nordeste brasileiro. No entanto, as tecnologias disponíveis e os acenos positivos do mercado tendem a estimular e fortalecer a cadeia produtiva da região. A manutenção de níveis dignos de sobrevivência de uma população passa pela eficiência produtiva, representada pela qualidade dos produtos e por escalas de produção e regularidade da oferta, em função da sua utilização (Consumo in natura ou transformação).




Infraestrura

A infra-estrutura de um sistema de produção de leite para a região Nordeste envolve a parte de instalações e também a infra-estrutura de suporte alimentar para uso dos rebanhos principalmente na época seca.

Instalações
A importância das instalações dentro de um processo de produção está na facilidade e redução da mão-de-obra para as tarefas diárias, facilidade de manejo do rebanho e o controle de doenças, proteção e segurança aos animais, divisão de pastagens, armazenamento de alimentos, favorecendo, assim, maior eficiência produtiva.
A localização de uma instalação está relacionada com as características de cada propriedade, no que diz respeito à sua forma geométrica, a disposição das pastagens existentes e a disponibilidade de água, entre outras. No entanto algumas orientações devem ser seguidas, tais como: O local deve ser uma área convergente das pastagens ou permitir fácil acesso a todas elas a fim de favorecer a otimização da mão-de-obra no manejo do rebanho; O terreno deve ser de textura bem consistente (duro, pedregoso ou de afloramento calcário) e com boa drenagem; construída próximo à casa do manejador; em instalações com área coberta, esta deve ser construída no sentido norte-sul, no maior comprimento e com declividade de 2 a 5%.
Os fatores mencionados são de fundamental importância para a segurança e saúde dos animais nas instalações, bem como, para facilitar os trabalhos de manejo na propriedade.

Aprisco de Chão Batido
Este é o tipo mais usado entre os criadores de caprinos no Nordeste. Para a construção deste tipo de instalação considerar os aspectos anteriormente mencionados sobre localização. Considerar para fins de altura do pé direito, algo entre dois e dois e meio metros de altura. A área por animal está descrita logo abaixo.

Área coberta por categoria de animal
1,0 m2/matriz
0,8 m2/jovem de reposição (recria)
0,5 m2/cria.
3,0 m2/reprodutor

Área Descoberta
Recomenda-se utilizar o dobro da área coberta para cada categoria de animal.
Quanto ao piso, deve-se utilizar material que permita uma boa compactação com uma boa drenagem. Escolher uma área com declive em torno de 2 % a 5 %.
Recomenda-se, limpeza quinzenal no período seco e diário no período chuvoso.
Aconselha-se construir, no compartimento destinado às crias, um estrado de madeira para o piso com ripões de 3,0 cm de largura, espaçado de 1,0 cm entre si.

Pedilúvio
A finalidade do pedilúvio é fazer a desinfeção espontânea dos cascos dos animais, toda vez que eles entrem ou saiam do aprisco.
Os pedilúvios deverão ser construídos na entrada dos currais, apriscos ou chiqueiros, de tal modo a forçar os animais a passarem, pisando através deles.
Eles devem ter as seguintes dimensões: 2,0 m de comprimento com 10,0 cm de profundidade. A largura deve ser a mesma largura da porteira, que deve medir 0,75 m.
Vários são os produtos que podem ser utilizados nos pedilúvios. a) solução de formol a 10 %; o sulfato de cobre a 10 % e a cal virgem. A cal virgem diluída em água funciona como um bom desinfectante sendo mais barato que os demais.

Isolamento
O isolamento é uma instalação chamada também de “hospital”. Ele destina-se a abrigar os animais doentes.
Sua construção deve seguir as mesmas recomendações do aprisco ou do chiqueiro, porém devem localizar-se bem distante destes, para evitar o contato de animais doentes com os sadios. De preferência, deve localizar-se longe de fontes de barulhos freqüentes e de movimentação de pessoas.
O isolamento deve oferecer o bem-estar e boas condições de higiene para os animais doentes.

Bretes
Os bretes são instalações complementares de um centro de manejo. Devem ser centralizados e construídos de tal forma a permitir um fácil acesso dos animais.
O tamanho pode ser variado de acordo com o número de animais do rebanho. O modelo mais divulgado é de oito metros (8,0 m) de comprimento; com uma largura de 0,25 m na base e 0,35 m na parte superior e com uma altura de 0,85 m.
Os bretes são de grande utilidade para o manejo dos animais, no que diz respeito a vacinações, vermifugações, pesagens e outras práticas.
A balança para pesagem dos animais deve ficar na saída do brete, abrigada por uma cobertura para uma melhor proteção da mesma e oferecer uma condição favorável de sombreamento para o manejador.

Esterqueira
A esterqueira é uma construção reservada para depósito de esterco. Ela permite o melhor aproveitamento do esterco e contribui para melhorar as condições higiênicas da criação.
A esterqueira não deve ficar muito próxima das instalações, pois o esterco pode funcionar como reservatório de larvas de helmintos e de moscas ou como fonte de contaminação de outras doenças.
Afora a grande importância das esterqueiras, com relação às condições higiênicas do rebanho e a saúde dos animais, elas propiciam a produção de adubo orgânico de elevada qualidade.
A esterqueira pode ser de alvenaria, medindo 4,0 m de largura x 2,0 m de profundidade e 1,5 m de altura.

Cercas
Um dos maiores pontos de estrangulamento do planejamento e na economia de uma empresa rural é o capital investido na construção de cercas, principalmente tratando-se de criação de caprinos .
Existem vários tipos de cercas, a saber: a) cercas de arame farpado; b) cercas de arame liso: c) cercas elétricas; d) cercas de madeira (varas); cercas mistas ou de estacotes (arame e madeira); e) cercas de tela; f) cercas vivas e, ainda, g) cercas de pedras toscas. Vale salientar que o custo de cada cerca varia com o tipo e com o material empregado. Nos sistemas de produção que visam o aproveitamento da pele com qualidade, as cercas para caprinos não devem ser feitas com arame farpado.
O arame liso pode ser usado da mesma forma que o convencional arame farpado, com até oito fios, ou ainda com até quatro fios com uso de cerca elétrica. A eletrificação da cerca pode ser realizada com bateria solar. Normalmente a cerca elétrica custa entre quatro e cinco vezes menos que qualquer cerca convencional. Porém, sua principal limitação para pequenos animais é a altura do primeiro fio. O contato do fio inferior com a vegetação acarreta em perda de carga elétrica da cerca comprometendo sua eficiência na contenção dos animais. O primeiro fio deve estar a 20 cm do solo, um segundo fio logo aos 50 cm do solo, ambos eletrificados, e mais dois fios complementares, na parte superior (Sório, 2003). Este tipo de cerca é mais adequado para ovinos, tendo em vista que o comportamento explorador do caprino pode comprometer a contenção eficiente desta espécie neste tipo de cerca.
A cerca de tela tem se apresentado com muita eficiência na contenção de animais, o custo de implantação é mais alto que da cerca elétrica, no entanto, os custos com manutenção são inferiores. Para reduzir os custos com cerca no sistema rotativo de uso do pasto, o produtor poderá usar telas fixas apenas na cerca periférica e usar duas telas móveis, limitando apenas a área que está sendo pastejada, semelhante ao que ocorre no pastejo em faixas.
As cercas externas devem conter nove fios de arame e as internas (de divisão de pastos) oito, com o primeiro fio distanciando-se 20 cm, a partir do solo. O distanciamento entre os quatro fios seguintes é de 13 cm, no sentido de formar uma cinta de segurança, para em seguida ir aumentando até atingir 20 cm nos fios subseqüentes.
As cercas divisórias representam uma das mais onerosas benfeitorias de uma propriedade. Porém, sem a existência delas, seria muito difícil manejar, adequadamente, os animais e as pastagens. Estas cercas devem ser construídas com mourões grandes, localizados no encontro de duas cercas e distanciados de dez metros entre si. Entre os mourões, vão as estacas distanciadas de um metro entre si.
Os mourões e as estacas devem ser enterrados na profundidade 70 cm e 50 cm, respectivamente.

Bebedouros e Comedouros
Os comedouros e bebedouros devem estar localizados fora das baias evitando assim a contaminação fecal de água e alimentos, bem como facilitando o acesso e a limpeza dos mesmos pelo manejador. Para colocação externa de comedouros e bebedouros faz-se necessária a existência de aberturas (canzis) para a passagem da cabeça do animal.
Tanto bebedouros como comedouros além de estarem fora das baias devem estar na área coberta ou com alguma proteção.
Para bebedouros devem ser evitados recipientes muito grandes, pela dificuldade da limpeza e da renovação da água. Evitar uso de bebedouros com bóias individuais, que são facilmente danificados pelos animais. O sistema de vasos comunicantes em nível, utilizando funis de alumínio de 20 cm de diâmetro é econômico, prático de de fácil limpeza. Os funis devem estar no mesmo nível da bóia da caixa d'água que os alimenta. Uma caixa d'água com 50litros alimenta 10-12 bebedouros.
Os comedouros podem ser construídos de alvenaria, madeira ou outros materiais como pneus. De um modo geral, recomenda-se 0,25 m linear de cocho para cada animal adulto, ou seja, utilizar 04 animais para cada metro linear de cocho. O fundo do cocho deve estar a 20 cm do piso da instalação. Se o animal estiver recebendo forragem verde ou silagem como volumoso, as sobras devem ser coletadas diariamente a fim de evitar que o animal consuma alimento fermentado, podendo prejudicar sua saúde.

Saleiro
São pequenos cochos distribuídos estrategicamente em meio às instalações, com a finalidade de promover a suplementação mineral dos animais. Geralmente, são feitos com pneus cortados, suspensos do solo de 20 cm a 30 cm, em forma de balanço, no sentido de favorecer o acesso ao consumo de minerais e dificultar o acesso à contaminação e ao desperdiço do sal.
Os saleiros podem também ser construídos de madeira ou de cimento podendo ser fixos ou móveis. No caso do saleiro de cimento, eles devem ser bem lisos para facilitar a limpeza.
As dimensões recomendadas para os saleiros são: 30 cm a 40 cm de altura acima do piso; 20 cm de profundidade por 30 cm de largura e o comprimento não deve ultrapassar os dois metros.

Aspectos Gerais da Infra-estrutura de Suporte Alimentar
A região Nordeste é caracterizada pela precipitação pluvial irregular e por longos períodos de seca (6-8 meses). Diante da fragilidade da vegetação nativa, faz-se necessária a inclusão no sistema de produção de uma estrutura de produção e conservação de forragem para uso durante a época seca. Existem muitas opções para compor a estrutura de suporte alimentar de uma propriedade no semi-árido. Esta estrutura envolve desde a construção de silos, até a manutenção de capineiras e bancos de proteína. Os tipos e a quantidade de estruturas de suporte alimentar irão variar de acordo com o tamanho do rebanho.

Infra estrutura para a alimentação

Pastagens Cultivadas
As pastagens cultivadas podem ser uma boa alternativa de estrutura alimentar para os rebanhos no Nordeste Brasileiro. Em áreas onde não há disponibilidade de água podem ser cultivadas gramíneas tolerantes à seca (búffel, andropogon, urochloa, gramão, entre outras). Em áreas onde há possibilidade de uso de água de irrigação, podem ser implantadas gramíneas de maior produtividade como tanzânia, mombaça, tifton e outras.
A escolha da gramínea deve levar em consideração o ambiente onde vai ser cultivada, tolerância a pragas e doenças, produção de forragem, palatabilidade, valor nutritivo e resistência ao pisoteio.
Para o preparo da área são necessárias basicamente a realização das práticas de aração e gradagem da área. Em área de mata fechada, necessita-se fazer o desmatamento. Neste caso, deixar algumas árvores para serem utilizadas como sombra.
Além das práticas de aração e gradagem importantes para preparar o solo para o plantio, a Adubação é um ponto chave para o sucesso do sistema. É importante que seja feita a correção dos nutrientes que estão em déficit no solo.
A adubação deve ser feita sempre tendo por base resultado da análise de solo.
No processo de preparo do solo, há formação de melhores condições para infiltração de água, aeração etc..., o que propicia ambiente adequado para decomposição da matéria orgânica e conseqüente liberação de N. Por isso, só é recomendada a adubação nitrogenada na implantação de pastagem nos casos de extrema carência de matéria orgânica ou algum problema quanto aos minerais presentes no solo.
Na adubação de manutenção, a eficiência de utilização do N aplicado cai à medida que se ultrapassa determinado limite (±300-400 kg N/ha/ano). Existem plantas forrageiras que respondem até doses mais elevadas, como os capins Elefante, Colonião e Pangola. No entanto, devido ao crescimento mais lento, algumas espécies só respondem com aumento na produção de forragem com doses moderadas entre 200-250 kg N/ha/ano.

Silos
Silos são compartimentos fechados, onde a forrageira picada é armazenada e compactada. Após três semanas de fermentação na ausência do ar, tem-se o produto denominado silagem. Os silos são componentes importantes da infra-estrutura da propriedade tendo em vista que a conservação de forrageiras é fundamental para a manutenção da produção animal durante a época seca.
Existem vários tipos de silo: trincheira, superfície, cincho, entre outros. A escolha do tipo de silo a ser utilizado dependerá da quantidade de forragem que o produtor necessita armazenar.
Em propriedade que precisam de até 10t de silagem, o silo cincho é uma boa opção. Para produção de silagem em silos cincho são utilizados anéis de 50cm de altura e três metros de diâmetro. A altura máxima do silo deve ser de 2m.
Para armazenar grandes quantidades de silagem, o silo mais indicado é o tipo trincheira.
O silo do tipo superfície é uma espécie de silo trincheira invertido. Se adequa bem para pequenas e médias propriedades. Pode armazenar até 40 t de silagem.
Para o cálculo do tamanho do silo e da área de plantio devem-se considerar as perdas que ocorrem durante a colheita e armazenamento da forragem no silo. Essas perdas são influenciadas por uma série de fatores, e num sistema normal em que se utiliza silagem, deve-se considerar 15% de perda. Outro ponto importante para acrescentar no cálculo do silo é o peso de silagem que em 1 m3 é igual a 500 kg. Assim, o tamanho do silo deverá ser dimensionado para comportar um volume de 517 m3 de forragem (225 x 15% ÷ 500).
O cálculo da quantidade de forragem a ser ensilada deve considerar o número de animais da propriedade que se alimentaram da silagem, na quantidade consumida por cada animal e no número de dias que os animais receberam esta suplementação.

Fenis
São locais preparados para armazenamento de feno. Este local deve ser de preferência ambiente seco e ventilado, cujo piso possua estrados de madeira que evitem o contato do feno com o chão, evitando assim que o feno adquira umidade e venha a se deteriorar. No mesmo local onde se armazena a ração pode ser armazenado o feno. Não é aconselhável o armazenamento do feno ao ar livre, pois, com a intensa insolação muitos dos nutrientes presentes no feno irá se perder se o mesmo não for acondicionado corretamente.

Capineira
Capineiras são áreas cultivadas com gramínea de alta produção, como o capim-elefante, que durante a época seca é mantida sob irrigação para a produção de forragem verde.
A capineira deve ser dimensionada com base no tamanho do rebanho, na quantidade de capim a ser consumida por cada categoria animal e no tempo que os animais irão receber este alimento.

Banco de Proteína
O banco de proteína é uma área de produção de leguminosas que deve ser implantado em áreas vizinhas ou adjacentes ao aprisco central, visando facilitar o acesso dos animais, facilitando o uso do esterco e de sobras de alimentos que deverão ser usados para melhorar e conservar o solo. A principal forrageira usada em banco de proteína no Nordeste Brasileiro. Nesta região a produtividade varia de 1.500 a 7.000 kg de Matéria seca/ha ano.

Raças

Raças Nativas

O potencial de produção de carne, leite e pele tem sido considerado muito baixo nos animais nativos do Nordeste do Brasil. Por essa razão, animais de raças exóticas têm sido frequentemenete introduzidos com o objetivo de melhorrar principalamente o potencial de produção de leite. No entanto, essas intorduções não têm obedecido a um programa pré-estabelecido de melhoramento genético local. É importante lembrar que, tanto a preservação dos animais nativos como a intordução de animais exóticos sõa recursos necessários no desenvolvimento de um programa de melhoramento genético eficiente. O material nativo deve ser preservado, obviamente, para servir como fonte de germoplasma adaptado e resistente às adversidades do meio, e o material exótico como fonte de germoplasma para melhoria da produção.
As raças ou tipos nativos encontram-se dispersos em vários estados do Nordeste e os animais com características raciais definidas constituem uma minoria do rebanho nacional. Segundo Araújo (1979), o caprino como um tipo racial padrão com características definidas vem desaparecendo gradativamente, em decorrência dos frequentes cruzamentos desordenados e sem objetivos definidos.
Ao se inciar uma criação de caprinos deve-se levar em conta o objetivo da exploração, para proceder a escolha do tipo racial que melhor se adapte às condições da região. Assim, deve ser considerado a localização da propriedade em relação ao centro consumidor de carne, pele, leite ou seus derivados, e a qualidade das terras, pastagens, aguadas e instalações, bem como as condições climáticas (temperatura, precipitação pluviométrica), além de outros fatores como altitude, latitude e topografia da região.

Quando se pretende introduzir uma raça em uma determinada região, é necessário o conhecimento das condições do habitat natural da mesma e selecionar aquela que mais se adapte ao meio no qual será criada.
Os caprinos acostumados a fazerem longas caminhadas a procura de alimentos como os tipos étnicos Moxotó, Repartida, Marota, Canindé, Gurguéia e Sem Raça definida (SRD), se adaptam mellhor ao sitema de criação extensivo.

Moxotó
Das raças brasileiras, a Moxotó é a única reconhecida oficialmente, e com livro de registro genealógico. É rústica e bastante prolífica, com aproximadamente 40% de partos múltiplos. Sua pelagem é baia ou ligeiramente mais clara, com uma lista negra partindo da borda superiro do pescoço até a base da cauda. Uma outra lista circulando as cavidades orbitais descendo lateralmente até a ponta do focinho (Foto 1).
É uma raça de pequeno porte, pouco produtora de leite, mas boa produtora de carne e excelente produtora de pele. Tem pleos curtos, lisos e birlhantes. Com altura para macho e para fêmea variando entre 50 e 70 centímetros (cm) e com peso médio ao nascer variando de 2,00 a 2,30 quilos (Kg) e, para adultos, o peso está em torno de 34 quilos (Kg). Cabeça de tamanho médio e perfil reto, chanfro levemente cavado, chifres fortes, retilíneos, dirigidos para cima e para trás, orelhas bem implantadas, pequenas e eretas. Pescoço curto, forte, bem implantado e erguido, com ou sem brincos. Corpo musculoso, profundo e de comprimento médio; membros curtos, fortes e bem apumados. Abaixo dos joelhos e jarretes são de uma coloração escura, o mesmo ocorrendo com o ventre, mucosa, úbere e unhas; garupa curta, larga e bem inclinada; úbere pequeno, bem inserido, e com tetas bem conformadas.
A produção de leite é em torno de meio litro por cabra por dia (0,5L/cabra/dia), durante um período de lactação médio, de aproximadamente quatro meses.
Esta raça encontra-se dispersa nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Bahia. Nos últimos anos vem desaparecendo gradativamente em decorrência dos cruzamentos não orientados e da falta de um programa de preservação desse germoplasma

Foto 1: Indivíduo da raça Moxotó
Indivíduo da raça Moxotó


Marota
A raça de caprinos Marota é nativa da região Nordeste do Brasil. Originou-se através de um processo de selção natural dos ecotipos de caprinos intorduzidos pelos portugueses, na época da colonização. Trata-se de um tipo étnico, pouco produtor de leite, formado sob condições desfavoráveis, cuja rusticidade e adaptação lhe proporciona a capacidade de sobreviver e produzir em ambinete pouco favorável.
O caprino da raça Marota é de pelagem branca, de pequeno porte, apresenta cabeça ligeiramente grande e vigorosa, chifres desenvolvidos, divergentes desde a base, voltados levemente para trás e para fora, pontas reviradas quase sempre para frente, orelhas pequenas terminando em ponta arredondada, forma alargada com ocorrência de pequenas manchas escuras; pescoço delgado; tronco ligeiramente alongado, linha do dorso lombar reta, garupa inclinada; tórax e abdômen amplos; membros alongados, fortes e aprumados; pele e mucosas claras apresentando pigmentação na cauda e face interna das orelhas; pelos curtos e presença de baraba; úbere de desenvolvimento regular (Foto 2).
Apesar de conhecer a importância e a necessidade da preservação e da seleção das raças nativas de caprinos, formadas no Nordeste, a raça Marota, como as demais, acah-se em processo de extinção. Isto se deve, principalmente, ao sistema extensivo de exploração ainda exixtente na região que permite a ocorrência de cruzamentos não controlados das raças nativas, entre si, e destas com as diversas raças exóticas introduziodas mais recentemente, dando origem a animais sem raça definida (SRD), que constituem o principal rebanho de caprinos da região Nordeste.

Foto 2: Indivíduos da raça Marota
Raça Marota


Canindé
A raça do tipo de caprino Canindé é nativa do estado do Piauí. Originou-se dos caprinos trazidos pelos portugueses, na época da colonização. Trat-se de um tipo étnico, com produção de leite superior à registrada nos demais caprinos nacionais. São caprinos de grande rusticidade, alta prolificidade e apresentam características fenotípicas bem definidas.
Os caprinos Canindé apresentam cabeça de tamanho médio, chifres dirigidos para trás, orelhas pequenas a médias; pescoço delgadoe bem implantado; linha dorso lombar reta, garupa curta e inclinada, membros delicados, pelos curtos e brilhantes, pelagem preta com barriga, pernas e região ao redor dos olhos avermelhados ou esbranquiçados (Foto 3).
Esses caprinos como so demais tipos étnicos estão sendo utilizados em cruzamentos com reprodutores de raças exóticas, com características fenotípicas semelhantes, visando a obtenção de cabras de maior produção de leite, com uniformidade de pelagem e que apresentem condições de melhor adaptação ao meio.

Foto 3: Indivíduos da raça Canindé
raça canindé



Repartida
A raça de caprino repartida é nativa da região Nordeste. Como as outras raças nativas, originou-se de um processo de selção natural dos ecotipos de caprinos trazidos pelos portugueses, na época da colonização. É uma raça de pequeno porte, pouco produtora de leite, boa produtora de carne e pele, e de grande rusticidade.
O caprino da raça Repartida apresenta cabeça de tamanho médio a grande, chifres grandes, dirigidos para trás e para os lados, orelhas varinado de pequenas a médias, pescoço delgado com boa inserção no tórax, corpo alongado, linha dorso lombar reta, garupa ligeiramente inclinada, membros fortes e bem aprumados, pelos curtos, pelagem preta na parte anterior do corpo e castanha calara ou escura na parte posterior. Altura em torno de 80 centímetros (cm) e peso médio de 36 quilos (Kg) para cabras adultas (Foto 4).
Esta raça encontra-se dispersa nos estados do Nordeste, mas vem desaparecendo gradativamente em decorrência dos cruzamentos indesejáveis e da falta de um programa de preservação desse germoplasma.

Foto 4: Indivíduo da raça Repartida
raça repartida


Gurguéia
A raça do tipo de caprinos Gurguéia é nativa do Nordeste brasileiro, tendo com possível berço de formação a região do Vale do Gurguéia, no estado do Piauí. Provavelmente esse tipó étnico seja descendente dos caprinos do tronco alpino, introduzidos no Brasil na época da colonização.
Apesar de não dispor de descirção oficial sobre os padrões raciais dos caprinos Gurguéia, eles apresentam características fenotípicas bem definidas (Foto 5), que se assemelham às raças Pardas Alpinas. A formação desse tipo se deu através de uma processo de seleção natural ao longo dos anos em condições ambientais adversas, dando origem a animais de grande rusticidade e adaptabilidade, porém de pequeno porte e de baixo potencial leiteiro. Sua pelagem é castanha com lista preta no dorso, ventre e membros.
Atualmente o ecotipo nativo Guerguéia vem sendo utilizado em cruzamentos com reprodutores de raças exóticas com características fenotípicas semelhantes, visando a obtenção de animais de maior produção leiteira, com uniformidade de pelagem e que apresentem condições de melhor adaptação ao meio semi-árido.
As cabras apresentam um bom desempenho reprodutivo cujos índices têm atingido: 98,33% de parição. 170,27% de prolificidade e 71% de partso múltiplos.
Com referência ao potencial leiteiro, Medeiros et al. 1988 registraram uma produção média diária de 0,390 litors por cabra por dia (L/cabra/dia), no período de 72 horas pós-parto até o final da lactação.
Esses animais acham-se me processo de extinção, devido principalmente, a afalta de uma programa de preservação e a ocorrência de cruzamentos não controlados com as raças nativas e/ou exóticas existentes na região.

Foto 5: Indivíduo da raça Gurguéia
raça gurguéia


Raças Exóticas

Os caprinos de raças exóticas produtoras de leite, criados em pequenas áreas próximas as zonas urbanas, são mais adaptados ao sistema intensivo e não devem ser criados em campos secos e montanhosos onde a quantidade de pastagens é escassa. Por isso, para a introdução dessas raças especializadas é necessário estruturar a propriedade de modo a oferecer à raça, condições de higiene e alimentação que atendam suas exigências.

Anglo-nubiana
É uma raça que possui temperamento manso, bem adaptada aos climas quentes e secos; originária da Núbia, no centro-oeste africano. Boa produtora de leite e carne (aptidão mista).
O peso varia de 40 a 50 quilos (Kg) para as fêmeas e 50 a 95 quilos (Kg) para os machos; com altura em torno de 70 centímetros (cm) para as fêmeas e 90 centímentros (cm) para os machos.
Sua pelagem é negra, branca, castanho escuro, baia ou cinza, com manchas preta ou castanha, formando padrão tartaruga; pêlos curtos, macios e brilhantes; cabeça de tamanho médio, delicada e bem feminina, olhos grandes, focinho largo, narinas e lábios fortes, chanfro convexoi, orelhas largas, longas, pendentres, com ponta recurvada para frente, chifres nos machos são curtos, achatados e dirigidos para trás e nas fêmemas geralemnte ausentes, pescoço longo, delgado, bem inserido à cabeça e às espáduas. Corpo longo e forte, bem conformado, grande perímetro toráxico e ventre profundo, garupa larga, inclinada e de comprimento médio, membros fortews, longos, bem aprumados elegantes; úbere globuloso com boa inserção no abdômen e tetas simétricas (Foto 1).
Os caprinos da raça Anglo-nubiana encontram-se dispersos em vários estados do Nordeste por tratar-se de animais rústicos, precoces e prolíferos. São muito indicados para o melhoramento dos caprinos sem raça definida SRD e para a exploração de rebanhos puros.

Foto 1: Indivíduo da raça Anglo-nubiana
Anglo nubiana


Parda Alpina
Esta raça originou-se em vários países, nos quais existem livros genealógicos organizados. Os animais apresentam cabeça fina, de comprimento médio, perfil côncavo e chanfro relativamente grosso, orelhas curtas e erectas; chifrudos ou mochos; corpo alongado com linha dorso lombar retilíneas; peito largo; garupa larga e pouco inclinada; úbere volumoso com boa inserção no abdômen, tetas bem destacadas do úbere; pelos curtos e finos podendo ser mais longos na região dorsal e nas coxas; pelagem castanha claro ou escuro com lista dorsal de cor negra; peso acima de 40 quilos (Kg) para as fêmeas e variando de 70 a 100 quilos (Kg) para os machos (Foto 2).
As cabras alpinas em seus países de origem, ou nas regiões já adaptadas, podem produzir em média 4 litros de leite por dia. No entanto, tem-se registrado produção de até 8 litros diários em algumas cabaras nas primeiras semanas após o parto. Estes animais por serem excelentes produtores de leite e rústicos, têmn sido difundidos em vários países do mundo, inclusive no Brasil.

Foto 2: Indivíduo da raça Parda Alpina
Parda Alpina
  

Toggenburg
A raça Toggenburg originou-se no Vale de Toggenburg, na Suíça. Os animais dessa raça apresentam pelos compridos e pelagem cinzenta com manchas brancas na cabeça e nos membros; cabeça de tamanho médio com chanfro retilíneo podendo ser um pouco côncavo, orelhas curtas e erectas; pescoço longo, peito bastante profundo; corpo comprido e garupa alongada; abdômen profundo e membros fortes; úbere grande com tetas simétricas, com peso em torno de 50 quilos (Kg) para as cabras e 70 quilos (Kg) para os reprodutores (Foto 3).
É uma raça produtora de leite e a semelhança das outras raças exóticas, a Toggenburg está sendo mantida em rebanhos puros ou utilizada em cruzamento com raças nativas de características fenotípicas semelhantes para obter mestiços rústicos e com boa produção de leite.

Foto 3: Indivíduo da raça Toggenburg
Toggenburg


Saanen
A raça Saanen originou-se no Vale do Saanen, na Suíça, embroa exista legitimidade da raça em vários países do mundo.
São animais com peso variando de acorod com o local de origem; pelagem branca, pelos curtos; cabeça com testa larga, podendo ser mochos ou chifrudos, orelhas pequenas e eretas, olhos claros e grandes; peito profundo e largo; linha dorso lombar horizontal, garupa pouco inclinada; membros de comprimento médio; úbere volumosos e tetas de médias a grandes. Grande produtora de leite (Foto 4).
Embora não seja muito recomendada para algumas regiões do Nordeste brasiliero, existem produotres formando núcleos de animais puros de origem (PO) e núcleos puros por curzamentos (PC), ou utilizando os reprodutores com cabras de características fenotípicas semelhantes, visando a obtenção de animais mestiços com uniformidade de pelagem e em condições de sobreviverem nas condições adversas do Nordeste, produzindo leite em quantidade superior a produção dos caprinos nacionais.

Foto 4: Indivíduo da raça Saanen
Saanen






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