27 de ago. de 2015

Manejo da Galinha Caipira



Manejo Reprodutivo 
 
Consiste em uma série de práticas que visam melhorar a eficiência do plantel, mediante cuidados com as aves (matrizes e reprodutores) e com os ovos. Algumas recomendações relacionadas à seleção e ao acondicionamento dos ovos devem ser feitas aos criadores, a fim de orientar e gerar subsídios para a implementação dessa atividade de forma mais eficiente.


À medida que ocorre a postura dos ovos, os mesmos devem ser recolhidos, limpos com pano úmido e receber a inscrição do dia da postura. Em seguida, são selecionados de acordo com o tamanho e qualidade da casca. Os de tamanho médio devem ser destinados à incubação e os de tamanho grande e pequeno, ao consumo e/ou comercialização. Recomenda-se o seu acondicionamento em temperatura ambiente por no máximo sete dias, desde que estejam em local arejado. Já em geladeiras, podem ser acondicionados por um período de até trinta dias. A posição de acondicionamento dos ovos deve ser alterada constantemente, para que não ocorra aderência da gema à casca.
Tanto na incubação natural como artificial, os critérios de seleção e acondicionamento dos ovos são muito importantes. O procedimento de analisar os ovos durante a incubação (ovoscopia) possibilita, após os primeiros dez dias de incubação, o recolhimento dos ovos não galados. A ovoscopia consiste em observar o interior do ovo através de uma fonte de luz em ambiente escuro. Neste procedimento, percebe-se defeitos da casca (rachaduras e despigmentação), duplicidade de gema e presença de elementos estranhos. No caso da incubação, observa-se o desenvolvimento do embrião.


Expectativa de Produção e Forma de Abate de Aves 


Para a estabilidade do plantel de um módulo de criação de galinhas caipiras deve ser levada em conta a mortalidade máxima aceitável de 10%, ficando o plantel assim configurado:

  • 01 reprodutor com 6 a 24 meses de idade.
  • 12 matrizes com 6 a 24 meses de idade.
  • 63 a 97 pintos em fase de cria (1 a 30 dias de idade).
  • 60 a 92 pintos em fase de recria (31 a 60 dias de idade).
  • 112 a 174 frangos em fase de terminação (61 a 120 dias).
A variação no número de animais nas fases de cria, recria e terminação decorre do tipo de sistema de produção adotado, que pode ser com incubação natural ou artificial (chocadeira).
Na unidade modelo da Comunidade Boi Manso, o módulo de criação conduzido no sistema de incubação natural apresentou, no período de janeiro a julho de 2002, resultados bastante satisfatórios (Tabela 15).

Tabela 15. Evolução do plantel de aves no sistema alternativo de criação de galinhas caipiras, no período de janeiro a julho de 2002, na Comunidade Boi Manso, Regeneração, PI.
 


O monitoramento da evolução do plantel de aves é uma ferramenta extremamente importante para se ter o controle dos fatores que podem comprometer o sucesso da atividade. Por meio das informações coletadas e analisadas periodicamente, o criador pode gerenciar de forma mais eficiente a sua criação, visto que, encontra meios para detectar possíveis falhas ou problemas que podem ocorrer ao longo das diferentes etapas da criação.

Dessa forma, a fim de facilitar a coleta de informações referentes a entradas e saídas de animais do plantel (nascimento, compra, morte, venda e consumo), bem como, aos dados de postura e incubação, podem ser utilizadas fichas de acompanhamento simples, conforme modelos:

Ficha 1. Modelo de ficha para controle mensal do plantel de galinhas caipiras.


 
Categoria

Estoque

inicial

Entrada

Saída

Estoque

final

Nascidos

Compra

Morte

Consumo

Venda
 Reprodutores
 Matrizes
 Pintos 1–30
 Pintos 31–60
 Frangos 61-150
 Total geral
Ficha 2. Modelo de ficha para controle mensal de postura de galinha caipira.

CONTROLE DE POSTURA – MÊS____________/___________
 Nome: ____________________________________________
 Comunidade: ______________________________________
 Município:__________________________________________

Dia

Postos

Consumidos

Vendidos

Perdidos

Incubados

01











02











03











04











05











06











07











08











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10











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19











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21











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23











24











25











26











27











28











29











30











31











TOTAL











Ficha 3. Modelo de ficha para controle mensal de incubação de galinha caipira.

CONTROLE DE INCUBAÇÃO – MÊS_____________/___________
 Nome: ____________________________________________
 Comunidade: ______________________________________
 Município:__________________________________________

Incubação

Ovoscopia

Eclosão

Ovos

cheios

Ovos

secos

Dia

Mês

Ovos

Dia

Mês

Ovos

Dia

Mês

Pintos

01





















02





















03





















04





















05





















06





















07





















08





















09





















10





















11





















12





















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14





















15





















16





















17





















18





















19





















20





















21





















22





















23





















24





















25





















26





















27





















28





















29





















30





















31





















TOTAL


















As aves prontas para o abate e destinadas à comercialização são, em sua maioria, entregues vivas em restaurantes locais ou repassadas a terceiros (intermediários ou consumidores finais). Mesmo assim, o abate é uma prática comum realizada pelos agricultores, quando as aves se destinam ao consumo doméstico. Nesse caso, devem ser observados os aspectos higiênicos adequados e os procedimentos necessários para a obtenção de carne de boa qualidade, principalmente com relação ao sabor, cor e textura. O abate em maior escala requer uma observação mais criteriosa, que atenda aos requisitos da vigilância sanitária, inclusive com relação à manipulação dos resíduos que atraem outros animais, como moscas, roedores e alguns carnívoros, além de provocarem mau cheiro e de contaminarem o ambiente.
No período que antecede ao abate, recomenda-se deixar as aves em repouso, suspendendo, seis horas antes, o fornecimento de alimentos sólidos a fim de evitar o rompimento dos intestinos e a contaminação da carcaça. Deve-se também levar em consideração a disponibilidade de água, a limpeza do local e dos instrumentos que serão utilizados na escaldagem, depenação e corte das aves, bem como, o uso de utensílios adequados para recepção de sangue, vísceras, penas e rejeitos.
A fim de reduzir o sofrimento e a dor da ave durante a sangria, recomenda-se realizar a dessensibilização, que pode ser obtida pelo desnucamento ou pela perfuração da base da nuca. Nesse processo é importante a contenção adequada da ave, para que não ocorram fraturas ou mesmo contusões que comprometam a qualidade da carcaça, além de facilitar a sangria. A sangria completa melhora a tonalidade da carne e possibilita a sua melhor conservação.
Para a depenação das aves, recomenda-se que a água esteja a uma temperatura de 65ºC, na qual a ave deve ser imersa por aproximadamente cinco minutos. Esta operação permite a retirada total das penas e pele das pernas e pés, sem causar danos à carcaça.
Após a depenação, a carcaça deverá ser lavada em água corrente, quando estará pronta para ser cortada e ter suas vísceras retiradas. O primeiro corte deve ser feito no final do pescoço, possibilitando a extração do papo e esôfago. Um outro corte na região da cloaca, permite a retirada das vísceras (moela, fígado, intestinos e outros). Cuidados especiais são necessários para manter a integridade de órgãos que contenham alimentos e fezes. Após essa operação, realiza-se uma nova lavagem da carcaça, tanto externa como internamente em água corrente, deixando-a escorrer por 15 minutos.
Para acondicionamento e armazenagem das carcaças, recomenda-se a utilização de sacos plásticos que permitam acomodá-las com suas respectivas vísceras. Para armazenar o produto por períodos inferiores a 48 horas pode-se refrigerar a carne a uma temperatura de 2 a 8ºC. Para períodos maiores, por sua vez, há a necessidade de se manter os refrigeradores a temperaturas de 10ºC, não devendo ficar armazenado por um período superior a 90 dias.
Em termos de comercialização de produtos oriundos da atividade agrícola familiar, é muito importante que os agricultores estejam organizados em associações comunitárias. Tal fato não só permite a redução dos custos operacionais com mão-de-obra e transporte, como também, a manutenção de uma oferta regular, escalonada e competitiva dos produtos. Além disso, a adoção de todos os cuidados recomendados tanto na criação, como no abate das aves, permite que o produto final atenda às exigências do consumidor facilitando a obtenção de marcas comerciais que possibilitem a sua venda em outros locais.










26 de ago. de 2015

Alimentação da Galinha Caipira



Manejo Alimentar


Tem como objetivo principal suprir as necessidades nutricionais das aves em todos os seus estágios de desenvolvimento e produção, otimizando o crescimento, a eficiência produtiva e a lucratividade da exploração, já que o custo com alimentos representa 75% do custo total de produção.

O manejo alimentar proposto para o sistema alternativo de criação de galinhas caipiras prevê a integração das atividades agropecuárias, com o aproveitamento de resíduos oriundos da atividade agrícola. Tal fato não só permite a redução dos custos de produção, como também, a agregação de valores aos produtos, pois utiliza resíduos agrícolas, como a parte aérea da mandioca (folhas), que normalmente são abandonados no campo, transformando-os em proteína animal. Além da parte aérea da mandioca, que é rica em proteína, é possível se utilizar as raízes de mandioca, suas cascas e crueiras, que são subprodutos da fabricação da farinha e da goma de mandioca (Figura 15). 
 

Figura 15. Fontes alternativas de alimento para a criação de galinhas caipiras.

Outra fonte de alimento rico em proteína que normalmente é pouco aproveitada, embora apresente enorme potencial para a alimentação de galinhas caipiras, é o farelo de arroz, cujos teores de proteína bruta são de aproximadamente 15%. Este produto resulta do processo de beneficiamento dos grãos de arroz para consumo, sendo relativamente fácil de ser obtido, principalmente nas unidades agrícolas familiares que adotam o sistema de cultivo do arroz.
Por serem animais não ruminantes, as aves exigem que os alimentos contenham pouca fibra vegetal e sejam fornecidos de forma balanceada e devidamente triturados, a fim de facilitar a digestão. Alimentos fibrosos apresentam baixa digestibilidade, elevam os custos e atrasam o desenvolvimento das aves. Dessa forma, a dieta deve ser estabelecida de acordo com a exigência nutricional de cada fase do seu desenvolvimento, sendo que a formulação da ração deve ser feita com base nos teores de proteína apresentados por cada um de seus componentes, na sua eficiência alimentar (Tabela 13).

Tabela 13. Exemplo de uma ração formulada a partir de vários ingredientes e considerando-se as diferentes fases de desenvolvimento das aves. 

Além dos produtos indicados, podem-se utilizar vários outros produtos, como fonte alternativa de alimentos para as aves, tais como fenos de feijão-guandu ou leucena, ou vagens moídas de faveira (Parkia platicephala), que é uma espécie abundante no Piauí. No caso de se utilizar qualquer uma dessas fontes de alimento, os seus teores de proteína devem ser considerados, a fim de permitir a formulação correta das rações e proporcionar um desempenho adequado das aves, conforme Tabela 14.


Tabela 14. Desempenho esperado para as aves no sistema alternativo de criação de galinhas caipiras. 


Os cálculos para estimativa de desempenho advêm da evolução zootécnica da espécie, onde com base no consumo de ração (CR) e do ganho de peso (GP) de cada fase ou de todo o ciclo reprodutivo estima-se, também, a conversão alimentar (CA), que é a razão entre as duas variáveis inicialmente citadas.








Manejo Sanitario da Galinha Caipira



Manejo Sanitário

Tem por objetivo manter as condições de higiene no sistema de criação que permitam minimizar a ocorrência de doenças, obter boa performance e bem-estar das aves, além de assegurar ao consumidor um produto de boa qualidade. Uma das formas de controlar as doenças no plantel é por meio da higienização das instalações, controle de vetores de doenças e remoção de carcaças de aves mortas. Essas medidas visam a diminuir os riscos de infecções e aumentar o controle sanitário do plantel, resguardando a saúde do consumidor.

O manejo sanitário deve ser estabelecido levando-se em conta dois pontos principais:

1) Assepsia de instalações e equipamentos: 

A remoção periódica dos excrementos e pulverização de toda a instalação com produtos naturais como fumo e sabão, cuja calda pode ser obtida a partir da desagregação de 200 gramas de fumo e sabão na proporção de (1:1) em um litro d'água durante 1 dia e posterior diluição e cinco litros d'água.

  • Limpeza diária dos comedouros e bebedouros.
  • Renovação, a cada ciclo de incubação, do enchimento dos ninhos.
2) Controle de doenças fisiológicas, patogênicas e parasitárias:
  • O controle de doenças fisiológicas é realizado mediante o uso de práticas de manejo que evitam situações estressantes. Deve ser efetuado levando-se em conta a taxa de lotação adequada, o suprimento protéico e mineral de acordo com a exigência para cada fase de criação, ventilação das instalações, fornecimento de água e comida nas horas adequadas, etc;
  • As doenças patogênicas são transmitidas por meio de vírus e bactérias. As principais doenças que ocorrem na região Meio-Norte do Brasil são a Bronquite infecciosa, Newcastle, Gumboro e Varíola aviária (Bouba). Além da limpeza dos equipamentos e instalações, também deve ser estabelecida uma cobertura vacinal, além do uso de antibióticos (Tabela 12).
  • Para o controle das doenças parasitárias, além da limpeza de equipamentos e instalações deve-se, também, estabelecer um plano de controle de endo e ectoparasitas, que dependerá do monitoramento das condições das aves (Tabela 12).

Tabela 12. Esquema de controle de doenças patogênicos e parasitárias nas diferentes fases do desenvolvimento das aves. 













24 de ago. de 2015

Manejo Produtivo da Galinha Caipira



Manejo Produtivo

Expectativa de Produção e Forma de Abate de Aves

Para a estabilidade do plantel de um módulo de criação de galinhas caipiras deve ser levada em conta a mortalidade máxima aceitável de 10%, ficando o plantel assim configurado:

  • 01 reprodutor com 6 a 24 meses de idade.
  • 12 matrizes com 6 a 24 meses de idade.
  • 63 a 97 pintos em fase de cria (1 a 30 dias de idade).
  • 60 a 92 pintos em fase de recria (31 a 60 dias de idade).
  • 112 a 174 frangos em fase de terminação (61 a 120 dias).
A variação no número de animais nas fases de cria, recria e terminação decorre do tipo de sistema de produção adotado, que pode ser com incubação natural ou artificial (chocadeira).
Na unidade modelo da Comunidade Boi Manso, o módulo de criação conduzido no sistema de incubação natural apresentou, no período de janeiro a julho de 2002, resultados bastante satisfatórios (Tabela 15).

Tabela 15. Evolução do plantel de aves no sistema alternativo de criação de galinhas caipiras, no período de janeiro a julho de 2002, na Comunidade Boi Manso, Regeneração, PI. 

O monitoramento da evolução do plantel de aves é uma ferramenta extremamente importante para se ter o controle dos fatores que podem comprometer o sucesso da atividade. Por meio das informações coletadas e analisadas periodicamente, o criador pode gerenciar de forma mais eficiente a sua criação, visto que, encontra meios para detectar possíveis falhas ou problemas que podem ocorrer ao longo das diferentes etapas da criação.

Dessa forma, a fim de facilitar a coleta de informações referentes a entradas e saídas de animais do plantel (nascimento, compra, morte, venda e consumo), bem como, aos dados de postura e incubação, podem ser utilizadas fichas de acompanhamento simples, conforme modelos:
As aves prontas para o abate e destinadas à comercialização são, em sua maioria, entregues vivas em restaurantes locais ou repassadas a terceiros (intermediários ou consumidores finais). Mesmo assim, o abate é uma prática comum realizada pelos agricultores, quando as aves se destinam ao consumo doméstico. Nesse caso, devem ser observados os aspectos higiênicos adequados e os procedimentos necessários para a obtenção de carne de boa qualidade, principalmente com relação ao sabor, cor e textura. O abate em maior escala requer uma observação mais criteriosa, que atenda aos requisitos da vigilância sanitária, inclusive com relação à manipulação dos resíduos que atraem outros animais, como moscas, roedores e alguns carnívoros, além de provocarem mau cheiro e de contaminarem o ambiente.
No período que antecede ao abate, recomenda-se deixar as aves em repouso, suspendendo, seis horas antes, o fornecimento de alimentos sólidos a fim de evitar o rompimento dos intestinos e a contaminação da carcaça. Deve-se também levar em consideração a disponibilidade de água, a limpeza do local e dos instrumentos que serão utilizados na escaldagem, depenação e corte das aves, bem como, o uso de utensílios adequados para recepção de sangue, vísceras, penas e rejeitos.
A fim de reduzir o sofrimento e a dor da ave durante a sangria, recomenda-se realizar a dessensibilização, que pode ser obtida pelo desnucamento ou pela perfuração da base da nuca. Nesse processo é importante a contenção adequada da ave, para que não ocorram fraturas ou mesmo contusões que comprometam a qualidade da carcaça, além de facilitar a sangria. A sangria completa melhora a tonalidade da carne e possibilita a sua melhor conservação.
Para a depenação das aves, recomenda-se que a água esteja a uma temperatura de 65ºC, na qual a ave deve ser imersa por aproximadamente cinco minutos. Esta operação permite a retirada total das penas e pele das pernas e pés, sem causar danos à carcaça.
Após a depenação, a carcaça deverá ser lavada em água corrente, quando estará pronta para ser cortada e ter suas vísceras retiradas. O primeiro corte deve ser feito no final do pescoço, possibilitando a extração do papo e esôfago. Um outro corte na região da cloaca, permite a retirada das vísceras (moela, fígado, intestinos e outros). Cuidados especiais são necessários para manter a integridade de órgãos que contenham alimentos e fezes. Após essa operação, realiza-se uma nova lavagem da carcaça, tanto externa como internamente em água corrente, deixando-a escorrer por 15 minutos.
Para acondicionamento e armazenagem das carcaças, recomenda-se a utilização de sacos plásticos que permitam acomodá-las com suas respectivas vísceras. Para armazenar o produto por períodos inferiores a 48 horas pode-se refrigerar a carne a uma temperatura de 2 a 8ºC. Para períodos maiores, por sua vez, há a necessidade de se manter os refrigeradores a temperaturas de 10ºC, não devendo ficar armazenado por um período superior a 90 dias.
Em termos de comercialização de produtos oriundos da atividade agrícola familiar, é muito importante que os agricultores estejam organizados em associações comunitárias. Tal fato não só permite a redução dos custos operacionais com mão-de-obra e transporte, como também, a manutenção de uma oferta regular, escalonada e competitiva dos produtos. Além disso, a adoção de todos os cuidados recomendados tanto na criação, como no abate das aves, permite que o produto final atenda às exigências do consumidor facilitando a obtenção de marcas comerciais que possibilitem a sua venda em outros locais.








Sistema Alternativo de Criação de Galinha Caipira





Validação do Sistema Alternativo de Criação de Galinha Caipira


Tradicionalmente, as criações domésticas de galinha caipira, praticadas nas unidades agrícolas familiares, se caracterizam pela sua forma de exploração extensiva, na qual inexistem instalações, bem como, a adoção de práticas de manejo que contemplem eficientemente os aspectos reprodutivos, nutricionais e sanitários. Tal fato resulta em índices de fertilidade e natalidade reduzidos.
A alta mortalidade das crias, principalmente nas primeiras semanas de vida, aliada a um baixo desempenho das aves caracterizam uma atividade de baixa eficiência produtiva. Os problemas sanitários também representam um obstáculo ao sucesso da atividade, além de consistirem em uma fonte potencial para disseminação de doenças, em função da convivência das aves com outros animais ou com pessoas no mesmo ambiente. Todos esses fatores tornam a criação de galinhas caipiras uma atividade incapaz de satisfazer às necessidades alimentares das famílias e, muito menos, de gerar lucro.
Entretanto, a criação de galinhas caipiras é uma atividade cujo mercado é muito promissor, uma vez que, comumente, a oferta desse produto é menor do que a demanda. Além disso, a sua comercialização pode ser efetuada de modo direto (produtor-consumidor), ou com a existência de, no máximo, um intermediário, tornando compensadores e bastante atrativos os preços dos produtos para o produtor.
Dessa forma, a Embrapa Meio-Norte, por intermédio de sua equipe técnica, idealizou um sistema alternativo de criação de galinhas caipiras, que consiste numa tecnologia dirigida ao agricultor familiar, capaz de organizar de forma gerenciada a atividade de criação destas aves. Esse sistema alternativo de criação melhora a qualidade de vida das famílias, seja pela maior oferta de carne e ovos de qualidade na sua alimentação, seja pela possibilidade de venda do excedente, uma vez que aumenta de forma substancial e eficiente, a capacidade produtiva do plantel.
Esse sistema está sendo validado na Comunidade Boi Manso, Regeneração, PI e consiste em um conjunto de técnicas em que são empregados procedimentos simples e de fácil assimilação, que racionalizam a atividade sem onerá-la, utilizando mão-de-obra familiar ao longo de todo o ano, promovendo a fixação do homem no campo. O processo de validação está sendo efetivado mediante implantação de um núcleo modelo (unidade central) e por meio do monitoramento de oito núcleos periféricos (unidades periféricas) implantados pelos membros da comunidade assistida. Dentre as metas almejadas com a implantação desse sistema destacam-se os seguintes:
  • Atingir um desempenho produtivo e econômico superior ao dos sistemas tradicionais, obtendo taxa de postura de 65%, taxa de fertilidade e de eclosão de 85%, taxa de mortalidade de, no máximo, 10% e terminação dos frangos com aproximadamente 2,0 kg de peso vivo, aos 120 dias de idade.
  • Disponibilizar fontes de proteína animal capazes de proporcionar melhoria na dieta alimentar dos agricultores e de seus familiares e dos consumidores.
  • Diversificar as fontes de renda e empregar mão-de-obra familiar.
A seleção das matrizes pode ser feita com base no plantel já existente, do qual são aproveitadas fêmeas em fase de pré-postura, filhas de matrizes de conhecido desempenho produtivo. Recomenda-se, entretanto, que sejam introduzidos reprodutores provenientes de outros plantéis, que apresentem boa capacidade reprodutiva, adaptabilidade ao ambiente e ao sistema de manejo empregado, além de um porte compatível com o das matrizes, possibilitando o estabelecimento de um plantel não consangüíneo e capaz de atingir altos índices de produtividade.





23 de ago. de 2015

instalações para Criação de Galinha Caipira



Instalações e Fases de Criação das Aves

O sistema alternativo de criação de galinhas caipiras preconiza a construção de instalações simples e funcionais, a partir dos recursos naturais disponíveis nas propriedades dos agricultores, tais como madeira redonda, estacas, palha de babaçu, etc. (Figura 10). O principal objetivo dessa instalação é oferecer um ambiente higiênico e protegido, que não permita a entrada de predadores e que ajude a amenizar os impactos de variações extremas de temperatura e umidade, além de assegurar o acesso das aves ao alimento e à água.


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Figura 10. Instalações recomendadas para o sistema alternativo de criação de galinhas caipiras.
Tais instalações consistem em um galinheiro com área útil de 32,0 m2 e divisões internas destinadas a cada fase de criação das aves: reprodução (postura e incubação), cria, recria e terminação (Figura 11). A área do galinheiro deve ser dimensionada de modo a proporcionar boa ventilação, luminosidade, drenagem, facilidade de acesso e disponibilidade de água. O piso deve ser revestido com uma camada de palha (cama) de 5 a 8 cm de espessura, distribuída de forma homogênea, podendo-se utilizar vários materiais como maravalha ou serragem, palha, sabugo de milho triturado ou casca de cereais (arroz). A remoção e substituição da cama, bem como, a desinfecção do aviário com cal virgem devem ser periódicas.


Figura 11. Planta baixa das instalações para o sistema alternativo de criação de galinhas caipiras.

Com exceção da área destinada à incubação e cria, as demais divisões internas devem permitir o acesso a piquetes de pastejo, com dimensões variáveis, capazes de atender às necessidades das aves e de abrigar todo o plantel de cada fase de criação (Figura 12). Os piquetes devem ser cercados de material semelhante ao utilizado no galinheiro e que seja capaz de evitar a entrada de predadores. 


Figura 12. Esquema da disposição das áreas de pastejo do sistema alternativo de criação de galinhas caipiras.

A fase de reprodução se caracteriza por apresentar uma relação macho/fêmea de 1:12, cujas aves devem possuir idade entre 6 e 24 meses. O peso vivo estabelecido para os machos deve ser de 2,0 a 3,5 kg, enquanto que, para as fêmeas, de 1,6 a 2,5 kg. A substituição dos reprodutores deve ser semestral, tendo em vista que, também, a cada semestre, ocorrerá a reposição das matrizes, que são oriundas do mesmo plantel e, portanto, filhas do reprodutor em serviço.
Nessa fase de criação, a instalação deve ter subdivisões destinadas à postura e à incubação. Esse artifício permite um maior controle sobre a postura, evita perdas com a quebra de ovos, proporcionando-lhes maior higiene e manutenção de sua viabilidade.

Na subdivisão de postura, as aves permanecem em regime semi-aberto, na qual a área coberta é de 3,75 m2, equipada com 2 a 4 ninhos de 0,35 m x 0,35 m, 1 bebedouro de pressão e 1 comedouro em forma de calha. O enchimento dos ninhos deve ser feito com o mesmo material utilizado na cama do aviário. A área de pastejo destinada a essa fase é de 40,0 m2, onde as aves complementam sua alimentação. A fase de postura dura aproximadamente 15 dias, ao longo da qual o número de ovos por matriz varia de 10 a 14. Por sua vez, na subdivisão de incubação, as aves que estiverem incubando seus ovos (chocando) permanecem em regime fechado, em uma área de 2,25 m2, equipada com 3 a 4 ninhos de 0,35m X 0,35 m (Figura 13), 1 bebedouro de pressão e 1 comedouro em forma de calha. O período de incubação dura 21 dias, após o qual, as matrizes devem retornar imediatamente para a divisão de postura onde, após 11 dias de descanso, iniciarão um novo ciclo de postura.  

Image35

Figura 13. Área destinada à postura, no sistema alternativo de criação de galinhas caipiras.

No sistema de incubação natural, em que a própria galinha é quem choca os ovos, um ciclo reprodutivo dura 47 dias. O número de ovos a ser chocado por cada matriz pode variar de 12 a 15, de acordo com o tamanho da mesma. Entretanto, é possível se utilizar chocadeiras elétricas as quais, embora representem um custo adicional ao sistema de produção, podem ser adquiridas de forma coletiva. Seu maior benefício, porém, consiste na redução do ciclo reprodutivo das matrizes para 26 dias, visto que, após a fase de postura, as mesmas entram diretamente no período de descanso.Tal fato resulta em um aumento do número de ciclos anuais por matriz, passando de 7 para 13.
Na fase de cria, os pintos permanecem desde o seu nascimento até os 30 dias de idade, em uma área coberta de 2,25 m2, equipada com 1 comedouro tipo bandeja e 1 bebedouro de pressão. Essa divisão dá acesso a um solário de 2,0 m2. Torna-se imprescindível nesta fase a proteção térmica dos pintos, além do fornecimento de água e alimento. Nesta fase, também, se dá início aos procedimentos para imunização do plantel.
A fase de recria inicia-se na quarta semana (aos 31 dias de idade dos pintos) e se estende até os 60 dias de idade, com os pintos permanecendo em regime semi-aberto, em uma área coberta de 3,75 m2, equipada com 2 bebedouros de pressão e 2 comedouros em forma de calha. Nessa fase, embora a fonte principal de alimento seja a ração devidamente balanceada, a alimentação das aves pode ser complementada mediante uso de um piquete de pastejo com dimensão de 20,0 m2. O reforço na imunização do plantel torna-se muito importante.
A fase de terminação inicia-se aos 61 dias e estende-se até os 120 dias de idade, quando as aves apresentam peso vivo de aproximadamente 1,8 kg, estando prontas para o abate. A área coberta destinada a essa fase é de 20,0 m2, equipada com poleiros, 4 bebedouros de pressão e 4 comedouros em forma de calha (Figura 14). Nesta fase, as aves têm acesso a um piquete de pastejo de 1.800,0 m2, o qual pode conter gramíneas como a Brachiaria humidicola, além de fruteiras como goiabeira, cajueiro e mangueira, que servirão como uma importante fonte de alimento, em complementação à ração fornecida.

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Figura 14. Divisão da área de terminação no sistema alternativo de criação de galinhas caipiras.



CRIAÇÃO DE GALINHA CAIPIRA








22 de ago. de 2015

Mercado e comercialização DE FRANGO CAIPIRA


Mercado e comercialização

Considerando as características do sistema de produção necessário para atender esta demanda, a pequena e a média propriedade ou a propriedade familiar são as que melhor se enquadram. Além disso, para serem viáveis na atual competição de mercado, as pequenas propriedades brasileiras necessitam diversificar as atividades e associar-se entre elas para obter escala de produção.
De nada vale todo o trabalho desenvolvido antes da comercialização, se não houver a comunicação de forma correta com os consumidores. A etapa da comercialização costuma inviabilizar bons projetos, se não conduzida corretamente. Pequenas associações de produtores devem preferencialmente comercializar seus produtos com uma marca registrada e reconhecida. Os pontos preferenciais de comercialização, nesse caso, são os de varejo e preferencialmente com venda direta ao consumidor, como as feiras livres e mercados públicos, onde a organização disponha de ponto de venda. Quando se pretende abastecer casas especializadas, mercados, quitandas, supermercados, padarias, ou vender no atacado, as margens de lucro são drasticamente reduzidas e todo o trabalho será pouco remunerado.
Um exemplo interessante vem da França, onde o consumo de carne de aves assemelha-se ao do Brasil, que está em torno de 24 kg de aves consumida por habitante/ano estão incluídas aves como peru, pato, ganso, marreco, galinha d´angola, perdiz, codorna, pombo, faisão, galo capão e pássaros. Todas estas aves podem ser comercializadas com o selo vermelho (Label rouge), que é um selo com o qual o governo Francês assegura a origem e o modo de criação das aves.
A falta de padronização dos produtos, e a inexistência de políticas de fiscalização que assegurem a qualidade do produto ao consumidor são os principais fatores que poderão limitar o crescimento do segmento. Conceitos básicos devem ser conhecidos por quem pretende ingressar na atividade: sustatentabilidade da produção, minimizar a compra de insumos, produção para um mercado diferenciado e selo de qualidade (rastreabilidade), entre outros.

Escala de Produção e Comercialização

O sistema recomendado para a produção de produtos coloniais se enquadra no perfil das pequenas e médias propriedades ou a propriedade familiar, porém, não se pode perder de vista que a produção, dentro das restrições impostas pelo mercado, deve utilizar tecnologias apropriadas para gerar produtos com as características demandadas pelo consumidor, principalmente no tocante a segurança do alimento associada a um retorno econômico adequado para atender as expectativas dos produtores.
As pequenas propriedades podem facilmente se capacitar para produzir com eficiência, porém, a indicação que as mesmas poderiam abater e comercializar seus produtos de maneira isolada, encontra diversos problemas, entre eles a manutenção da qualidade do produto, escala de produção, competência comercial, competitividade, entre outros. Portanto, o sistema adequado envolve uma relação de parceria entre os segmentos de produção, industrialização e comercialização, visando uma distribuição eqüitativa do retorno econômico gerado pelo sistema.
Do ponto de vista de negócio, a escala de produção depende da expectativa de demanda, que está em função do tipo de mercado (grandes redes, varejo, etc.) e da área de abrangência de comercialização. Com relação a empresa, além de considerar a demanda, a escala de produção depende da capacidade de investimento, expectativa de retorno econômico e do portfólio de produtos a serem oferecidos.
Na elaboração do projeto deve ser levada em conta as exigências do mercado atacadista e das grandes redes, que além da qualidade do produto e preço, exige volume e freqüência de abastecimento. Portanto, a logística de transporte e distribuição é um ponto importante a ser considerado na determinação da escala de produção.
A título de exemplo simulou-se um projeto de produção de frangos coloniais, envolvendo os segmentos de produção de frango (integração), produção de ração, abate e processamento e comercialização. Os custos de produção e investimentos foram estimados com base nas informações de uma empresa de médio porte. Considerando o abate de 2.000, 3000 e 5.000 aves/semana e uma relação entre frangos inteiros e cortes de 50% cada.
Os índices técnicos e econômicos para a integração são apresentados na Tabela 5. Estabeleceu-se que o tamanho mínimo do lote por produtor estaria ao redor de 3.000 aves. Como resultado principal tem-se o baixo investimento inicial e a taxa de retorno ao produtor, que pode ser ampliada considerando que parte do lucro final poderia ser utilizada como premiação ao desempenho de cada produtor integrado, necessitando porém o estabelecimento de indicadores de desempenho.

Marketing

Procurando alavancar sua comercialização, muitos avicultores têm investido no lançamento de produtos diferenciados e estratégias de marketing que destaquem suas qualidades nutritivas. Disponibilizar no mercado produtos mais saudáveis, embalagens mais modernas e explicativas, assim como criar novas marcas, têm sido algumas das estratégias utilizadas para combater de vez o baixo consumo entre os brasileiros.
Na rotulagem do produto poderão ser inseridas informações referentes aos métodos de criação e arraçoamento, desde que sejam inseridos no texto do rótulo a ser analisado pelo DIPOA, sem caracterizar propaganda, mas esclarecimento ao consumidor sobre a identidade do produto.

COMERCIALIZAÇÃO

Apresentação e qualidade

Vários fatores influem na qualidade dos produtos das galinhas caipiras, dentre eles, a nutrição, a sanidade, o clima, a genética e o manejo, inclusive a forma de abate, o acondicionamento e a embalagem.
É comum, no Nordeste, se transportar aves por longas distâncias, geralmente penduradas de cabeça para baixo, ou então acomodadas em gaiolas superlotadas. Isso causa estresse, às vezes, danifica a carcaça, e pode até levá-las à morte. Outro erro é a ausência de cuidados com os ovos, uma vez que não se controla o dia de postura, não se faz a assepsia necessária e nem se acondiciona em local apropriado até que se decida seu destino.

Avaliação e composição dos principais produtos
Carne
A carne da galinha caipira além de ser rica em proteínas é, também, fonte importante de energia e de outros nutrientes como vitaminas, minerais e lipídios. A galinha tem uma carne bastante rica em ferro e nas vitaminas do complexo B, em especial niacina (músculo escuro) e riboflavina (músculo claro). A pele é rica em colesterol e seu consumo deve ser limitado (FERREIRA et al., 1999).
A principal diferença entre os músculos claros e escuros está no nível de gordura (GALVÃO, 1992). A carne do peito é bem mais magra, com cerca de 1,4% de gordura, enquanto a carne da coxa apresenta cerca de 5,1% de gordura.
Com o aumento da idade, cresce a quantidade de proteína e gordura e diminuem a umidade e cinzas da carcaça, tanto em machos como em fêmeas. Maiores percentagens de umidade e proteína e menores de gordura ocorrem na carcaça dos machos, enquanto os teores de cinza são similares entre machos e fêmeas. A carcaça fica mais rica em gordura com o aumento da quantidade de gordura da dieta (MOREIRA et al., 1998).
Rendimento de carcaça - é a relação entre as partes comestíveis e as não-comestíveis e as perdas (RIBEIRO, 1992). Pode-se considerar a carcaça eviscerada inteira, isto é, com patas, pescoço e cabeça, ou então, o que é mais comum, a carcaça sem patas, pescoço e cabeça.
Em valores absolutos, os machos são mais pesados que as fêmeas, quando submetidos a um sistema alternativo de criação e a climas quentes (BARBOSA et al., 2005). No entanto, em alguns estudos, não têm ocorrido vantagens para os machos. As fêmeas acumulam mais gordura na carcaça que os machos, independente do nível de energia na dieta, isso está relacionado à presença de hormônios e ao metabolismo mais intenso dos machos.
O frango caipira ainda não detém na sua carcaça a massa muscular disposta nos seus cortes mais nobres como o frango de corte de criações tecnificadas. Porém, quando devidamente manejado, apresenta na carne fibras musculares mais consistentes e escuras. Além de saborosa, o odor nada lembra a carne oriunda de cria

Ovos

A Resolução do MAPA 005 de 1991, baseada no decreto nº 99427 de 1990, trata das características físico-químicas dos produtos de ovos (FARIA et al., 2003).
O peso do ovo e a porcentagem de gema aumentam com a idade da ave, enquanto a casca e a clara diminuem. O tempo de armazenamento também influi no peso do ovo e nas proporções dos seus componentes, da mesma forma que a temperatura ambiente elevada diminui o peso do ovo.
Os ovos das galinhas caipiras (Fig. 02), embora não obedeçam a um padrão de tamanho, coloração da casca e peso, devido à grande diversidade genética das aves, também se diferenciam dos ovos de sistemas altamente tecnificados pelo sabor e consistência da gema. Além de mais consistente, a gema é mais escura e rica em algumas vitaminas.
Nos sistemas atuais, merecem mais cuidado a forma de acondicionamento e a idade dos ovos. Estes geralmente estão fertilizados e podem desenvolver o embrião a partir de 32º C, por isso devem ser mantidos em lugares arejados e a venda ou consumo deve ser realizado antes dos 30 dias.

MERCADO

Atualmente, a avicultura no Brasil é considerada uma atividade econômica dinâmica. Iniciada na Região Sudeste,no final da década de 50, e mais tarde, nos anos 70, na Região Sul. Com a grande produção de grãos nos Cerrados, no início desse século, os valores com exportação ultrapassaram a barreira dos dois bilhões de dólares. O aumento do consumo per capita da carne de frango, principalmente por causa da qualidade do produto e dos preços acessíveis, demonstra essa mudança de hábito, pois antes a carne bovina era a mais consumida. A previsão é de que a carne de frango atinja 36,4 quilos perante 35,4 quilos da carne bovina (A PROPAGANDA..., 2006).
A produção de frango, em 2006, alcançou 9.420 milhões de toneladas, superando os 9,348 milhões alcançados em 2005. Por outro lado, esses dados demostram que o Brasil se tornou o maior exportador de aves desde 2004, uma vez que exporta anualmente cerca 3.040 toneladas de carne de frango, seguido dos Estados Unidos (2.538 toneladas), da União Européia (780 toneladas), da Tailândia (400 toneladas) e da China (360 toneladas).
Em termos de consumo de ovos, a média é considerada baixa se for levado em conta a população do Brasil e o potencial da avicultura de postura nacional. O consumo anual de ovos "in natura" é de 141 ovos enquanto que no México se consomem mais de 360 unidades, seguido pelo Japão (347) e China (310). Vale salientar que o México é o sexto maior produtor mundial de ovos e o Brasil, o sétimo, cerca de 22,212 bilhões de unidades de ovo por ano (NO MUNDO..., 2007), antes deles estão a China, os Estados Unidos, o Japão, a Índia e a Rússia (CONSUMO..., 2006).
Tal produção é basicamente originária de sistemas avícolas altamente tecnificados e tem mercado garantido. No Brasil o mercado de galinha caipira é ainda maior, uma vez que se trata de um produto considerado nobre em todos os níveis sociais e em toda extensão territorial do País. Basta dizer que o preço no varejo dos principais pratos típicos (Fig. 1) chega a ser elevado devido à pouca disponibilidade do produto. Enquanto que uma cabeça de frango terminado aos 120 dias de idade custa algo em torno de R$ 6,001 para o produtor e é repassado ao consumidor por R$ 10,00. Uma vez abatido, processado e oferecido em restaurantes, o prato passa a custar em média R$ 30,00. Quando comparado ao frango de corte, que no varejo se paga em média por quilo R$ 3,00, nos restaurantes os pratos giram em torno de R$ 14,00.

consumido no Nordeste do Brasil.

Em relação aos ovos, as proporções de preços se repetem. A dúzia do ovo oriundo de granjas tecnificadas custa no varejo em torno de R$ 3,00, já os advindos de galinhas caipiras, R$ 4,00. Nesse caso é importante ressaltar que a genética da galinha caipira ainda não permite se ter uma poedeira competitiva e os ovos comercializados são os que deixarão de certa forma de serem incubados.
Quanto mais se diminuir o custo de produção das galinhas caipiras e estas estiverem mais disponíveis, com certeza, serão mais largamente consumidas. Para que isso aconteça, a criação deve ser criteriosamente acompanhada e contabilizados todos seus custos e receitas, mesmo que isso ocorra de forma bem simples (Fig. 2).