2 de set. de 2015

Alimentação das Abelhas




Alimentação das Abelhas

6. Alimentação

6.1 Como deve ser alimentada a colméia?

Por estranho que pareça, este é um dos assuntos mais polêmicos da apicultura nacional. Há dúzias de fórmulas, das mais simples às mais sofisticadas, cada uma defendida com unhas e dentes por seus simpatizantes. Também há diversas formas de fornecer o alimento e, de novo, há defensores fervorosos de um ou outro modelo. As próximas questões esclarecem alguns pontos básicos da alimentação artificial, como tipos, fórmulas e modos de fornecimento.

6.2 O que é alimentação artificial?

Alimentação artificial é o fornecimento de substâncias nutritivas para as abelhas. A alimentação pode ser de subsistência, quando não houver provisões suficientes na colméia para garantir a sua manutenção, ou estimulante, para induzir o crescimento da colméia antes de uma florada. Além disso, a alimentação artificial pode ser protéica (para substituir o pólen) ou energética (para substituir o mel).

6.3 Quando deve ser fornecida a alimentação de subsistência?

Quando não houver reservas suficientes até a próxima florada. Ela normalmente não é necessária quando o apicultor deixa uma boa quantidade de mel para as abelhas, mas isso nem sempre é feito, já que, economicamente, o mel vale muito mais que o açúcar. Além disso, há méis de cristalização rápida que não podem ser deixados na colméia, especialmente em climas frios, sob pena de as abelhas não conseguirem consumi-lo mais tarde.
Após a colheita, o início de uma entressafra longa (mais de dois meses) é um bom momento para fornecer a alimentação de subsistência. Uma possibilidade interessante é adiar um pouco o fornecimento, até que o enxame se reduza naturalmente, inclusive com a expulsão dos zangões. Nesse momento o xarope pode ser fornecido em quantidade grande o suficiente para toda a entressafra. Ou, ao contrário, essa alimentação pode ser fornecida aos poucos, de acordo com a percepção do apicultor.
O fornecimento de uma só vez reduz o trabalho, mas aumenta o risco de perda de alimento por deterioração, caso as abelhas não o aceitem ou demorem muito a recolhê-lo. Enxames pequenos, especialmente, têm dificuldade em esvaziar os alimentadores grandes.

6.4 Como é a alimentação energética de subsistência?

O xarope (substituto do mel) deve ser mais concentrado do que na alimentação estimulante, para que as abelhas não precisem gastar muita energia na sua desidratação.
Como xarope, alguns recomendam uma mistura de açúcar refinado comum em água, num proporção alta, como 2:1 (em peso), por exemplo. Isso significa 2 kg de açúcar em 1 l de água, ou um xarope com concentração de açúcar de 67%. Aquecer a água facilita bastante a mistura.
Outra proporção interessante é 1,5:1 (açúcar:água). Ela pode ser obtida enchendo-se um recipiente até a metade com água e completando-se com açúcar. Produz um xarope com concentração de 60% de açúcar.
Outros recomendam o uso de açúcar invertido. Outros ainda, especialmente quem produz mel orgânico, recomendam apenas o fornecimento de mel.

6.5 A alimentação de subsistência não pode ser sólida?

Alguns apicultores fornecem açúcar puro ou cândi às abelhas. Não é a melhor opção, pois exige que elas dissolvam o alimento antes de consumi-lo (num período frio isso pode ser muito difícil). Além disso, o açúcar puro muitas vezes é rejeitado por elas.
Uma alimentação pastosa, mista, energético-protéica, é uma alternativa possível.

6.6 O que é cândi?

É uma mistura de açúcar com mel. Para prepará-lo, peque uma porção de açúcar confeiteiro e vá acrescentando mel e amassando até formar uma massa flexível, que seja o mais seca possível, sem se esfarelar. É um tipo alimento muito usado em transporte e introdução de rainhas.

6.7 Quando deve ser fornecida a alimentação estimulante?

Cerca de sessenta dias antes de uma florada intensa.
Uma consideração importante sobre a alimentação estimulante é que ela deve simular um fluxo de néctar na colméia e, portanto, deve ser fornecida freqüentemente. Nesse aspecto, as recomendações mais comuns para alimentadores rápidos vão de três a sete vezes por semana. Para alimentadores lentos, o fornecimento semanal ou ainda mais espaçado pode ser suficiente.

6.8 Quanto deve ser fornecido de alimentação estimulante?

Depende do tamanho do enxame. Cerca de 800 ml em dias alternados já dão uma resposta boa, mas o melhor é observar a acumulação do xarope, permitindo-a, mas não em excesso. Se essa acumulação for muito grande, vários quadros do ninho ficarão cheios de xarope, e a rainha não poderá fazer a postura. Essa é uma situação chamada de bloqueio do ninho, e leva a colméia, quase certamente, à enxameação.
Uma alternativa provavelmente melhor é alimentar as abelhas liberalmente, removendo os favos repletos de xarope sempre que necessário. Com isso, o espaço para a rainha estará garantido, ao mesmo tempo em o estímulo é máximo.

6.9 Como evitar o bloqueio do ninho?

Os quadros cheios de xarope devem ser removidos e substituídos por outros com favos vazios (em bom estado) ou lâminas de cera alveolada. Os favos com xarope podem ser distribuídos às colméias fracas, ou centrifugados, para que o seu conteúdo possa ser devolvido à colméia sob forma de mais alimento estimulante.
Uma alternativa possível, mas bem menos interessante, é deixar os favos por um dia a cerca de 100-200 metros do apiário, para que o xarope neles estocado volte a simular néctar para todas as colméias. Nesse caso, não apenas as suas colméias, mas todas as da região serão beneficiadas.

6.10 Como é a alimentação estimulante?

O xarope deve ser menos concentrado do que na alimentação de subsistência, para simular o néctar, que possui, em média, uns 30-35% de açúcar.
Para obter um xarope com aproximadamente 35% de açúcar, faça uma mistura na proporção de 4:7,5, por exemplo, 4 kg de açúcar em 7,5 l de água. Isso dá 11,5 kg de xarope, que ocupam uns 10 litros. Como a mistura é pouco saturada, ela pode ser feita facilmente com água fria e um pouco de agitação.
Da mesma forma que na alimentação de subsistência, há quem recomende o uso de açúcar invertido ou mel, mais diluídos.

6.11 Como calcular as proporções de açúcar e água?

A densidade do açúcar é 1,59, o que significa que cada quilograma contribui com 0,63 litros num xarope. Com este dado, você pode calcular qualquer proporção, mas eu vou facilitar-lhe a vida.
Para produzir cerca de 10 litros de xarope (200 ml a mais ou a menos), use a tabela abaixo. Para volumes diferentes, apenas corrija as quantidades dos ingredientes na mesma proporção.
Ingredientes
Xarope
Água (l)
Açúcar (kg)
Peso (kg)
Volume (l)
Açúcar
(%)
Equivalente em mel (kg)
A evaporar (l)
8,5
2,5
11
10,1
23
3
8
8
3,5
11,5
10,2
30
4,3
7,2
7,5
4
11,5
10
35
4,9
6,6
7
4,5
11,5
9,8
39
5,5
6
6,5
5,5
12
10
46
6,7
5,3
6
6
12
9,8
50
7,3
4,7
5,5
7
12,5
9,9
56
8,5
4
5
8
13
10
62
9,8
3,2
4,5
9
13,5
10,2
67
11
2,5
As colunas de ingredientes referem-se às quantidades a serem misturadas. O peso do xarope é apenas ilustrativo, pois os alimentadores têm suas medidas em litros. A coluna "Açúcar (%)" indica a concentração do xarope. O peso equivalente em mel corresponde ao que sobra do xarope após a sua desidratação até o patamar de 18%. A coluna "A evaporar" mostra quanta água deve ser retirada do xarope para que as abelhas possam armazená-lo com 18% de umidade. A tabela foi ajustada para volumes e pesos de ingredientes que fossem múltiplos de 0,5.

6.12 O que é açúcar invertido?

É um açúcar comum, sacarose, quebrado ("invertido") em açúcares mais simples, a frutose e a glicose. Há uma fórmula que se tornou popular no país, após a divulgação de alguns estudos de Sílvio Lengler, da UFSM. Trata-se de uma mistura de 5 kg de açúcar comum, 1,7 l de água e 5 g de ácido tartárico, tudo fervido por 40-50 min em fogo baixo [LEN99]. Eu tenho algumas reservas em relação a essa fórmula. Primeiro, ela consome muito tempo e combustível para ser feita. Segundo, há estudos que atestam que soluções de sacarose são mais atrativas para as abelhas do que as de frutose e glicose. Terceiro, é sabido que determinada concentração de HMF em xaropes, acima de 30 ppm, pode ser prejudicial às abelhas. Não conheço a concentração de HMF no açúcar invertido, mas o processo de obtenção sugere que ele deve estar presente.
Indagado a respeito disto, Lengler afirmou já estar ciente deste perigo e já ter corrigido a sua fórmula para que o tempo de fervura fosse, no máximo, 3 minutos. Segundo um pesquisador austríaco, esse tempo limitaria a formação de HMF a 30 ppm, evitando problemas para as abelhas [LEN03]. Permanece a minha dúvida se, nesse tempo, é possível de fato ocorrer a inversão de uma quantidade significativa de sacarose, ou se o resultado será quase idêntico a uma solução comum de sacarose em água.
Por outro lado, o açúcar invertido é mais resistente à fermentação que a solução se sacarose, e pode ser administrado em volumes maiores sem que se estrague antes de as abelhas poderem colhê-lo.

6.13 O que HMF?

É uma sigla que corresponde a hidroximetilfurfural, uma substância produzida pela desidratação da frutose em meio ácido, numa velocidade que varia diretamente com a temperatura. O mel (e muitos outros produtos comestíveis) possui HMF, e o seu nível elevado é um indicativo de superaquecimento (cada 10ºC a mais aumenta a velocidade de produção de HMF 4,5 vezes), longa estocagem ou falsificação.

6.14 Mel velho pode ser usado na alimentação artificial?

Depende. Se ele for estocado em temperaturas baixas, o nível de HMF deve permanecer baixo; caso contrário, o mel velho pode até matar o enxame. Na dúvida, não o utilize.

6.15 Como resolver o problema de fermentação do xarope?

De duas formas: a primeira, quimicamente, acrescentando um preservativo de alimentos. Por exemplo, sorbato de potássio (1 grama por litro de xarope) ou benzoato de sódio (1,5 gramas por litro de xarope). O açúcar invertido também é menos propenso à fermentação.
A segunda forma é deixando que as próprias abelhas cuidem disso, tal como cuidam do néctar. Para tanto, é preciso fornecer quantidades modestas de xarope de cada vez, em alimentadores individuais rápidos.

6.16 Deve-se acrescentar sal ao xarope?

Na minha opinião, não há porquê. Se o argumento é deixar o xarope mais parecido com o mel no seu conteúdo nutritivo, não é a adição que um único composto mineral que vai fazer alguma diferença. Por outro lado, se a quantidade de sal for grande, o xarope poderá matar o enxame. Por exemplo, uma proporção de apenas 0,125% (ou seja, 14 mg de sal em 10 litros de xarope a 30%) já pode causar disenteria e mortalidade nas abelhas.

6.17 Como o xarope é fornecido?

Há vários tipos de alimentadores, coletivos e individuais. Os coletivos facilitam o fornecimento, mas provocam lutas e até pilhagens entre as colméias, se o alimentador não estiver a uma distância razoável do apiário. Também fornecem alimento a todos os insetos da região, além das suas abelhas. Como se não bastasse, os enxames fortes, que não precisariam de alimentação, serão os que coletarão mais xarope, em detrimento dos menores. Alguns apicultores ainda os usam, e até o recomendam, mas eu não os acho aceitáveis.
Já os alimentadores individuais atendem uma única colméia cada um, e são muito mais eficientes. Eles podem ser externos ou internos.

6.18 Por que os alimentadores coletivos provocam pilhagem?

Quando uma fonte de alimento é encontrada nas proximidades das colméias, especialmente em época de carência, há uma boa probabilidade de as abelhas começarem a pilhar umas às outras. A provável razão disso é que recursos muito próximos da colméia são comunicados através de uma dança circular, que não informa distância e direção [WIN03]. As abelhas que assistem à dança saem depois para fazer uma pesquisa nas imediações da colméia, e pode ocorrer de algumas acharem uma colméia vizinha bem provida antes da fonte de alimento comunicada.
Em pouco tempo, principalmente em apiários com colméias próximas, muitas delas, às vezes todas, tornam-se saqueadas e saqueadoras. Para o apicultor, é uma situação completamente indesejável, pois a morte de muitas abelhas, talvez de algum enxame mais fraco, é certa. No caso do alimentador coletivo, depois de algum tempo, dependendo da resistência nas colméias, ele pode acabar sendo conhecido por todas as campeiras, e a pilhagem acabará.
O mesmo problema ocorre com manejos demorados durante a entressafra e com a devolução de melgueiras após a extração de mel, especialmente quando deixadas ao ar livre.

6.19 Como são os alimentadores individuais externos?

Os alimentadores de alvado são, em geral, menores e mais sujeitos a saque, por ficarem mais expostos, mas são mais fáceis de fornecer às abelhas, pois não exigem a abertura da colméia.
O alimentador Boardman é o mais conhecido, um vidro com tampa furada que se encaixa e pinga sobre uma plataforma de madeira encaixada no alvado. As abelhas da colméia têm acesso privilegiado ao xarope, mas muitos saques ocorrem assim mesmo. Como os furos têm de ser pequenos, para que o xarope não saia mais rapidamente do que as abelhas podem colhê-lo, o Boardman acaba sendo um alimentador lento, que assim favorece ainda mais o saque e a fermentação do xarope. Hoje, existem plataformas que suportam uma garrafa PET de 2 litros.
Um modelo modificado do Boardman tem um desempenho melhor. Ao contrário de pingar sobre uma superfície de madeira, ele tem a saída de xarope mergulhada num cocho raso, como um bebedouro de aves. Isso evita o escorrimento do xarope e acelera o seu consumo pelas abelhas.
Para mim, o melhor modelo de alimentador de alvado é o cocho. A Apivac, Associação de Apicultores do Vale do Carangola (MG), comercializa um desses alimentadores, feito em ABS. Trata-se de um recipiente que fica pendurado à frente do alvado, preso por um suporte metálico facilmente adaptável. Sobre a boca do alimentador, corre uma tampa que forma um túnel de acesso ao alimento. Dentro do cocho, há um flutuador para as abelhas não se afogarem, mas isso não é suficiente: as paredes devem ser lixadas internamente, com lixa grossa, para que elas possam subir sem dificuldade. O cocho admite cerca de 1,5 litro e é esvaziado em poucas horas por um enxame médio. Quando carregado no final da tarde, ele é encontrado vazio pela manhã, evitando quase completamente o saque. A sua recarga é muito rápida, bastando levantar a tampa e despejar o xarope. Mesmo que haja abelhas lá dentro, elas não se afogarão se o flutuador estiver presente e as paredes bem lixadas.

6.20 Como são os alimentadores internos?

Há dois tipos principais. Um é o Doolittle, um cocho estreito, que substitui um quadro da colméia. Não é muito prático porque a sua colocação envolve manipulação do ninho, o que, além de trabalhoso, pode ser prejudicial às abelhas quando a temperatura é muito baixa.
O outro modelo é o de cobertura. É um recipiente de mesmas dimensões que as caixas, apenas mais baixo, e é colocado sobre elas. As abelhas entram no alimentador para remover o xarope por dentro da colméia, o que não dá muita margem a saques. É um alimentador rápido pela sua construção, mas que geralmente aceita volumes grandes de xarope, que pode fermentar se não for quimicamente tratado. Também é um alimentador que, freqüentemente, não chama a atenção das abelhas e pode ser rejeitado. Dependendo da sua construção, também pode provocar grande mortandade por afogamento.

6.21 E os alimentadores de balde?

Estes podem ser internos ou externos. Trata-se de alternativa barata ao alimentador de cobertura, e é feito com um recipiente plástico furado, como um balde de mel de 5 kg. Ele pode ser apoiado numa entretampa furada (veja o item 2.37) e colocado dentro da colméia, protegido por um ninho vazio, ou fora, devidamente imobilizado para não voar com o vento.
Para construí-lo, basta fazer alguns furos na tampa com uma agulha incandescente. Depois, o balde deve ser emborcado sobre os quadros do ninho (apoiado em sarrafos ou na entretampa). Ao emborcar o balde, é possível que o xarope escorra por alguns instantes; por esta razão, é recomendável que ele seja comprimido antes de ser virado (para expulsão de uma parte do ar) ou que seja virado longe da colméia, para não encharcar as abelhas nem provocar saques.
Há variações deste modelo, inclusive usando garrafas PET.

6.22 O "mel" produzido com essa alimentação pode ser consumido?

O que as abelhas produzem com essa alimentação é um produto útil para elas, mas não é mel. Se for produzido higienicamente, sem aditivos tóxicos, ele pode ser consumido pelas pessoas, mas o seu sabor pouco lembrará o de algum mel legítimo. Aliás, esse produto é popularmente chamado de "mel expresso" e é eventualmente usado para incrementar a produção de forma fraudulenta.

6.23 Quando deve ser fornecida a alimentação protéica?

Em relação à alimentação protéica (substituição do pólen), geralmente não se diferencia subsistência de estímulo, exceto em relação à quantidade fornecida. Durante a entressafra, o consumo protéico normalmente é menor, pois poucas ou nenhuma cria está sendo gerada. No entanto, quando o enxame começa a se desenvolver, por estímulo artificial ou natural, a escassez de pólen pode ser um fator limitante, causando um grande atraso no aumento populacional. Se não houver fonte de proteína disponível, nenhum tipo de estimulação à base de xarope funcionará, pois as abelhas jovens não terão como produzir as substâncias nutritivas para alimentar as crias e a rainha.
Uma outra situação em que a alimentação protéica é obrigatória ocorre quando há uma florada de pólen tóxico na região. Um exemplo disso é a floração do barbatimão e do falso-barbatimão (Stryphnodendron spp. e Dimorphandra mollis), comum principalmente na região Sudeste [CIN02]. As flores dessas plantas produzem pólen tóxico, que causa alta mortalidade nas crias da colméia. Nesse caso, o recomendado é que a alimentação protéica inicie pelo menos 15 dias antes da florada, e seja mantida durante todo o seu período.

6.24 Como é a alimentação protéica?

Diversas fórmulas já foram testadas, com misturas em proporções variadas de farinha de soja, de milho e de trigo, levedo de cerveja, pólen, leite em pó. Atualmente, há duas fórmulas populares disponíveis comercialmente: a farinha, da Apivac, e o Pólemel (o acento extravagante é de responsabilidade do fabricante - a Avesul).
Ambos têm boa reputação, embora suspeite-se de que o Pólemel poderia ter a sua fórmula melhorada, se o fabricante suprimisse a lactose da sua composição. Este açúcar, encontrado no leite, é freqüentemente citado na literatura com tóxico para as abelhas. Por outro lado, a farinha da Apivac me parece ser menos atrativa para as abelhas do que o Pólemel.

6.25 Como a alimentação protéica é fornecida? 

Em alimentadores internos ou coletivos. Os internos devem ser de cobertura, de forma que o produto fique o mais próximo possível das crias. O Pólemel é fornecido no próprio saco em que é vendido, aberto (uma janela grande, na face superior do saco) e deve ser deixado próximo à área de cria, diretamente sobre os quadros do ninho ou logo abaixo deles. Para deixá-lo sobre os quadros, é preciso colocar sobre o ninho um "extensor", que pode ser um quadro feito com sarrafos de 1 x 2 cm, ou uma entretampa, ou até uma tela excluidora, dependendo do tipo de moldura usado, pois normalmente não há espaço suficiente.
Mas uma maneira muito mais rápida e menos estressante para as abelhas é fornecê-lo pelo alvado. Para isso, deve-se usar o lado alto do fundo reversível, ou aumentar a altura das suas paredes com sarrafos, até que o saco possa ser introduzido pelo alvado. Caso as abelhas depositem própolis nessa entrada, basta removê-la com a ajuda do formão. Outra alternativa é levantar a colméia inteira pelo alvado, usando o formão como alavanca, introduzir o saco de Pólemel, e baixá-la novamente (antes, porém, deve-se usar um pouco de fumaça para afastar as abelhas do fundo da colméia e evitar esmagamentos).
Um detalhe importante é que, se o Pólemel for posto longe dos quadros de cria (num alimentador de cobertura, por exemplo), há uma boa probabilidade de as abelhas rejeitarem-no.
Já a Apivac recomenda o fornecimento da sua farinha num alimentador coletivo, cujo modelo ela explica a quem quiser fazê-lo ou vende a quem preferir comprá-lo pronto.

Alimentação das abelhas





31 de ago. de 2015

Enxames e Rainhas

7. Enxames e Rainhas

7.1 Como se movimenta uma colméia para um lugar próximo?

Este pode ser um problema mais complicado do que parece à primeira vista. Acontece que as abelhas campeiras memorizam a localização da sua colméia, e quando ela é movida, as abelhas não aprendem imediatamente a nova localização. Como resultado, muitas campeiras (talvez a grande maioria), ao saírem da colméia recém movida, acabam voltando ao local original e perdendo-se.
Para evitar esse problema, há duas soluções eficazes: mover a colméia para longe, esperar duas semanas, e movê-la de volta ao local definitivo. Durante esse tempo, pelo menos a maioria das campeiras já morreu ou esqueceu seus pontos de referência, e não voltará ao local original.
Outra solução é mover a colméia cerca de um metro de cada vez, com a freqüência possível para o apicultor (1, 2, 3 vezes por semana, etc.) Com isso, as abelhas nunca chegam a se perder, pois conseguem identificar sem problemas a sua colméia, se ela estiver muito próxima do local original. Para usar esse método, um cavalete móvel é muito útil.
Uma outra solução recomendada por alguns é garantir a ventilação da colméia com uma tela, e fechar completamente o alvado com palha ou serragem molhada, para que as abelhas percebam a mudança. Infelizmente, tão freqüente quanto a recomendação dessa técnica são os relatos do seu insucesso.
Quando a colméia a ser movida para um local próximo tiver sido ocupada recentemente por um enxame voador, haverá dois momentos bons para movê-la diretamente para o local definitivo – na primeira noite e por volta do 30º dia (veja item 3.25).


7.2 O que fazer com as campeiras que voltam ao local de origem?

Quando não há alternativa para a movimentação curta de uma colméia, pode-se tentar um reaproveitamento das campeiras perdidas. Para isso, é preciso recolhê-las em um núcleo durante o dia e sacudi-las à tardinha na colméia deslocada. Há relatos de apicultores que repetiram esse procedimento por poucos dias, e as campeiras não retornaram mais ao local original.

7.3 A partir de que distância as abelhas não voltam mais ao local original?

Considerando-se a distância de vôo útil de 1,5 km, o transporte da colméia para além de 3 km não deve produzir um retorno significativo de campeiras.

7.4 Como se movimenta uma colméia para um lugar distante?

Distâncias grandes, que requerem o uso de um veículo, exigem a fixação das partes móveis da colméia e uma boa ventilação para as abelhas. A fixação pode ser feita com sarrafos e pregos ou grampos, de forma que nenhuma caixa, fundo ou tampa deslize sobre os demais. As melgueiras devem ser removidas, especialmente se tiverem mel, pois este pode vazar e afogar as abelhas. Para segurar somente a tampa, um elástico desses de prender carga em motocicleta (extensor) pode resolver.
A ventilação pode ser proporcionada por uma tela de alvado de escape invertido, se o tempo total for pequeno (2 a 4 horas, no máximo) e a temperatura não for muito alta, ou por uma tela plástica fixada no lugar da tampa. Eu prefiro montar a tela numa moldura e depois pregar a moldura na caixa. Apicultores de Santa Catarina, que trabalham com polinização de macieiras, relatam que o uso de escape invertido dispensa completamente a tela superior, desde que as caixas sejam alinhadas no sentido da carroceria do caminhão, isto é, com os alvados virados para a frente, de forma a melhorar a ventilação.
A colméia deve ser fechada para transporte no momento em que o mínimo de campeiras estiver fora. Isso pode se dar ao anoitecer ou mesmo durante o dia, com uso da tela de alvado com escape invertido, cerca de 1h30min após a sua colocação.
As colméias não podem ficar em ambiente quente demais. O vento, durante o deslocamento, também pode matar as crias e até as adultas. Quadros com muito mel podem se quebrar e causar o afogamento das abelhas. Muita vibração e quadros soltos podem causar o seu esmagamento.
Como os movimentos horizontais mais bruscos e freqüentes ocorrem na direção do deslocamento, por acelerações e freadas, recomenda-se que as colméias sejam alinhas da mesma forma. Em outras palavras, o lado mais comprido das colméias deve ficar paralelo à lateral, com o alvado voltado para a frente ou para os fundos do veículo. Dessa forma, os favos dificilmente sofrerão o movimento de pêndulo, que pode ser fatal para muitas abelhas e para a rainha.

7.5 Como se faz a divisão de um enxame?

Há várias técnicas. A idéia básica é, a partir de uma colméia, formar duas ou três menores. Um critério possível é o do equilíbrio das colméias resultantes, que é obtido pela divisão aproximadamente justa das quantidades de cria, pólen e operárias. Os quadros são separados de acordo com o seu conteúdo e postos em outras caixas. As novas colméias são depois completadas com outros quadros, com lâmina de cera, favos vazios ou favos com cria, mel ou pólen de outras colméias. Os seus alvados devem ser diminuídos ao máximo.
Se uma das colméias for movida para um local próximo, ela deverá ficar com o mínimo de mel possível, dando preferência ao que estiver operculado. Isso vai diminuir a possibilidade de saque pelas ex-companheiras. Após alguns dias, essa colméia (e a outra também, se necessário) deve receber alimentação, em alimentador interno ou externo de consumo rápido. Para dificultar a pilhagem, o xarope deve ser fornecido à noite e em pequenas quantidades. Alimentação protéica também é muito importante nessa fase.

7.6 O que fazer com a rainha numa divisão?

Uma prática recomendável é capturar a rainha antes de se proceder à divisão, tanto para protegê-la quanto para reintroduzi-la numa colméia certa. Quando o enxame é muito grande e a identificação da rainha é muito difícil, pode-se usar o seguinte método para dividir uma colméia em duas:
1. Se houver melgueiras, deve-se removê-las, cuidando para que a rainha não esteja nelas. Deixá-las fechadas por enquanto;
2. Tirar metade os quadros do ninho original e transportá-los, sem abelhas, para o novo ninho;
3. Completar os dois ninhos com novos quadros;
4. Pôr uma tela excluidora sobre o ninho original e o ninho novo sobre a tela excluidora;
5. Fechar a colméia e aguardar algum tempo (630 minutos).
6. Remover o ninho superior e formar com ele a nova colméia (está será a colméia sem rainha).
7. Redistribuir as melgueiras e mover a nova colméia ao seu local de destino. Cuidado neste ponto: o enxame movido pode tornar-se alvo de pilhagem severa, com as abelhas tentando levar o seu mel de volta ao local de origem. Uma saída possível é manter as duas colméias lado a lado, de forma que as campeiras confundam os alvados.
Na nova colméia, o apicultor pode introduzir uma rainha nova, ou deixá-la com cria e provisões suficientes para que possa produzir a sua. Caso ele opte pela produção natural de rainha, e se a separação das duas colméias resultantes for pequena, a colméia órfã provavelmente ficará melhor no local original, abastecida por todas as campeiras. A colméia com a rainha antiga perderá as campeiras, mas terá capacidade quase imediata de reposição.

7.7 O que fazer se houver saque entre as colméias?

Este problema é especialmente grave no final das safras, quando as populações estão fortes, mas não há mais néctar para colher. Nesse caso, um simples manejo mais demorado pode levar todas as colméias a entrarem em conflito. Isso ocorre porque abelhas de todas as colméias descobrem as provisões da colméia vítima e avisam as suas parceiras. No entanto, como a comunicação das abelhas não é muito precisa, as colegas tentam recolher qualquer possível fonte de mel nas imediações, o que inclui as colméias que não haviam sido abertas. Como resultado, têm-se todas as colméias tentando saquear quase todas as demais. Eventualmente, as mais fracas acabam sucumbindo.
Uma vez iniciado o saque, pará-lo é muito difícil. Quando o enxame é pequeno e suas provisões são grandes (pode acontecer com colméias sem rainha há bastante tempo), a destruição do enxame é quase certa. Fechar a colméia imediatamente e carregá-la para mais de 3 km pode ser a única saída.
Temporariamente, a pilhagem pode ser interrompida com o uso de escapes invertidos em todas as demais colméias do apiário, mas essa é uma solução emergencial, apenas para dar tempo ao apicultor realizar outros procedimentos. Quando os escapes forem retirados, se tudo permanecer como antes, o saque recomeçará.
Uma tentativa que pode funcionar para enxames médios ou grandes que estejam sob ataque é a fumegação pesada. O apicultor deve postar-se ao lado da colméia e fumegar abundantemente a região frontal ao alvado, sem deixar a fumaça entrar na colméia. Isso deve ser feito por vários minutos, sempre tentando repelir as saqueadoras, até que o movimento diminua bastante. Depois disso, muitas vezes o enxame agredido consegue se reorganizar e acabar com a pilhagem.
O melhor é sempre evitar a pilhagem, reduzindo o tempo de manejo ao máximo nas entressafras. Quando isso não for possível (no caso de troca de rainhas, por exemplo), podem-se colocar escapes invertidos em todas as colméias, aguardar algum tempo e só depois iniciar o manejo, tornando a colocar os escapes nas caixas já manipuladas e só retirando todos ao final do procedimento.
Um dispositivo freqüentemente recomendado na literatura é a tela anti-pilhagem, que é colocada à frente do alvado para enganar as abelhas saqueadoras. A entrada é por cima da tela, mas só as moradoras locais, já acostumadas, se dão conta. As saqueadoras tentem por algum tempo e depois desistem. Eu não tenho experiência com o uso desta tela e nunca consegui encontrar algum apicultor que a usasse e tivesse alguma opinião a respeito.

7.8 Para que serve uma união de enxames? 

Enxames são unidos, principalmente em duas ocasiões: por necessidade, quando um deles está fraco demais ou perdeu a rainha (e a chance de produzir uma nova), ou para aumento de produção.
Pelo menos em tese, um enxame grande deve produzir mais do que dois médios. A razão disso é que cada colméia requer um determinado número de operárias para trabalhos internos, que não varia muito com o aumento da população. Numa união, é como se todas as operárias ocupadas com o trabalho interno de uma das colméias fosse liberada para a coleta. É uma quantidade muito significativa: numa colméia de 15.000 a 30.000 abelhas, entre 60 e 80% da população (11 a 18 mil indivíduos) cuida dos trabalhos internos. Numa colméia de 60.000 abelhas essa quantidade se mantém, mas se torna muito menos significativa percentualmente (20 a 30%) [AMB92].

7.9 Então é melhor unir o máximo possível de enxames?

Em tese sim, mas é preciso tomar alguns cuidados. Uma união que resulte num enxame grande demais pode acarretar dois problemas: dificuldade de manejo para o apicultor e aumento do risco de enxameação (pela desagregação for falta de feromônio de rainha em quantidade suficiente). Na prática, talvez o melhor seja unir cada 3 ou 4 enxames pequenos, e cada 2 médios.

7.10 Qual é o melhor momento para fazer-se a união?

Em caso de necessidade, a qualquer momento. Para aumento da produção, o melhor é no início de uma grande florada.
Uniões durante a entressafra só devem ser feitas para salvar algum enxame sem rainha ou pequeno demais. Os enxames muito pequenos às vezes demoram demais a se desenvolver, mesmo quando bem alimentados. Provavelmente, a pequena quantidade de operárias seja um fator limitante para o cuidado e o aquecimento da cria, impedindo uma postura abundante da rainha, ou inviabilizando o seu desenvolvimento. Isso acontece muitas vezes com enxames resultantes de divisões de outros; no entanto, enxames capturados (de enxameações naturais) muitas vezes não apresentam a mesma dificuldade de desenvolvimento, mesmo quando pequenos. É possível que essa diferença seja explicável pelo fato de que as enxameações naturais priorizam o abandono das abelhas mais jovens e, portanto, mais aptas a cuidar das crias.
Fora essas duas situações (enxames muito pequenos ou sem rainha), não há nenhuma vantagem em se fazer uniões na entressafra. Ao contrário, quanto mais enxames houver, maior será o número de rainhas no apiário e maior será a quantidade de cria disponível no início da próxima safra. Só então, quando a postura de todas as rainhas tiver sido estimulada com alimentação energética e protéica, e houver bastante néctar disponível, podem-se unir todos os enxames pequenos e médios e preservar os que conseguiram crescer o suficiente para garantir uma boa colheita.

7.11 Como unir os enxames sem diminuir o número de colméias?

Durante o período de safra, um apiário menor e mais produtivo é mais vantajoso sob os aspectos de rendimento e mão-de-obra empregada. No entanto, é importante que o apicultor consiga repor pelo menos o mesmo número de enxames que foram subtraídos do apiário pelas uniões. Para isso, há duas alternativas.
Primeiro, a divisão ao final da safra. Todas as colméias fortes podem ser divididas, de forma a manter a lotação original do apiário. Nesse momento, podem ser adquiridas boas rainhas para os novos enxames. No entanto, é preciso ficar atento para o fato que no final da safra, freqüentemente é difícil encontrar rainhas à venda, especialmente se na sua região a safra é um pouco atrasada em relação às demais. Por outro lado, divisões de enxames que não sejam muito grandes podem resultar em frustração. Isso ocorrerá se os enxames resultantes forem muito pequenos, de modo que possam abandonar a colméia ou demorarem demais a se recuperar, mesmo sendo alimentados abundantemente,
Outra forma, na minha opinião muito melhor, é compensar as perdas das uniões com capturas de enxames, instalados na natureza ou com caixas-isca. Isso é preferível porque, ao mesmo tempo em que preserva a força de todos os seus enxames, ainda remove enxames da natureza que posteriormente fariam concorrência aos seus. Além disso, é comum conseguir-se capturas durante a safra, num período de maior disponibilidade para aquisição de rainhas. Outra razão é que enxames capturados em caixas-isca freqüentemente se desenvolvem muito melhor e mais rapidamente do que aqueles produzidos por divisão.
Na prática, podem-se combinar as duas formas acima, quando as capturas não ocorrerem em quantidade suficiente. Trabalhando dessa forma, teremos um apiário do tipo "sanfona", com mais colméias na entressafra e menos colméias na safra.

7.12 Qual é o roteiro de um apiário "sanfona"?

· No início da safra (florada grande e duradoura), unir os enxames segundo o critério de tamanho: 2 médios, 3 ou 4 fracos, tentando equilibrar a força dos enxames resultantes e preservar as rainhas melhores e/ou mais jovens.
· Também no início da safra, preparar e distribuir as caixas-isca para as capturas.
· À medida que as capturas forem ocorrendo, as novas colméias podem ser colocadas ao lado das produtivas, em suporte ou cavalete duplo. Isso facilitará bastante uma eventual união no futuro.
· Aos poucos, as colméias capturadas poderão ter as suas rainhas substituídas por outras adquiridas de um bom produtor.
· No final da safra, após a última colheita, é hora de fazer as divisões (apenas as possíveis e necessárias), substituir as rainhas do restante das colméias novas e providenciar alimentação para todas as colméias que precisarem. (Note que apenas as colméias novas recebem rainhas novas). Muito cuidado com o manejo neste momento: é o período crítico para pilhagem das abelhas (veja o item 7.7).
· Durante a entressafra, as colméias devem ser mantidas bem alimentadas. Dois meses antes da nova safra, as colméias (pelo menos as menores) devem receber alimentação estimulante, energética e protéica.
· No início da próxima safra, recomeça o ciclo.

7.13 Mas, afinal, como se faz uma união?

A união é um procedimento relativamente simples:
· Primeiro, abra a colméia com a rainha mais antiga ou mais fraca. Se houver melgueiras, ponha-as de lado, fechadas e com o mínimo de abelhas dentro. Cuidado para a rainha não ficar numa delas.
· Elimine a rainha e feche a colméia.
· Faça o mesmo em todas as colméias com rainhas antigas ou fracas.
· Mais para o final da tarde, reabra estas colméias e cubra-as com uma folha de jornal. Alguns apicultores preferem usar um sanduíche de jornal e mel, mas eu não vejo vantagem. Pelo contrário, mel com tinta de jornal não parece muito apropriado para as abelhas.
· Em seguida, sobre cada uma destas colméias orfanadas, coloque uma colméia que possui rainha nova, e, sobre esta, as melgueiras retiradas no início.
· Aguarde uma semana e faça um rearranjo nos ninhos, de forma a deixá-los prontos para a safra.
Quando o apicultor trabalha rotineiramente com união de enxames, suportes ou cavaletes duplos facilitam muito o trabalho, já que as colméias unidas já estarão lado a lado. Além disso, evitam a perda de campeiras, pois as da colméia deslocada entrarão automaticamente na colméia unida.

7.14 Com quantos ninhos deve ficar uma colméia?

Tratando-se de ninho Langstroth normal, com altura de 24 cm, e considerando o uso de melgueiras para a colocação de mel (quem só usa ninho e sobreninho não se preocupa com esse problema), há duas correntes de pensamento. Uma delas prega o uso de dois ninhos. Os argumentos a favor desta idéia incluem um espaço amplo para a rainha e um controle de enxameação mais simples, pela reversão dos ninhos (passando o de cima para baixo).
A outra corrente recomenda o uso de apenas um ninho. A idéia aqui é simplificar o manejo, usando uma caixa a menos. Ao mesmo tempo, a probabilidade de as operárias depositarem mel nas melgueiras durante um fluxo de néctar não muito grande, especialmente quando se usa tela excluidora, parece ser maior quando apenas um ninho é usado.
A minha opção é por um único ninho. A idéia de a rainha precisar de dois ninhos inteiros para a postura é discutível. Considere, por exemplo, uma excelente rainha, que chegue à média de postura de 2.500 ovos por dia durante a safra. Se cada favo de ninho receber 5 mil ovos em média (cada um possui 7 mil alvéolos), o máximo possível de cria aberta e fechada da colméia ocupará apenas dez quadros (porque o ciclo médio de desenvolvimento das africanizadas é de 20 dias), ou seja, um único ninho. Na prática, situações como esta são bastante raras, e dificilmente uma colméia chega a dez quadros de cria por si só.
Por outro lado, quando o manejo é cuidadoso, com troca freqüente de rainha e alimentação estimulante, ou quando a florada é intensa e longa, o enxame pode se desenvolver muito. Neste caso, a intensa atividade durante a safra pode provocar a ocupação de vários favos do ninho com mel e pólen, forçando a postura da rainha em caixas superiores (ou a enxameação, caso não haja espaço disponível). Embora isso dê a muitos apicultores a falsa impressão de uma postura excepcional, a conclusão é a mesma para as duas interpretações: se a rainha for confinada a um único ninho (por uma tela excluidora), a probabilidade de enxameação aumenta muito.
Assim, quando se usa um só ninho, é importante não colocar a tela excluidora diretamente sobre ele. Os apicultores que não usam a tela freqüentemente tem cria na primeira melgueira, e passam a considerá-la como parte do ninho (pelo menos os quadros com cria, já que os demais podem ser colhidos normalmente). Quem usa a tela, pode colocá-la acima da primeira melgueira, com razoável segurança de que não faltará espaço para a postura.

7.15 O que fazer com um ninho bloqueado por mel?

Algumas vezes, as próprias abelhas tratam de transferir às melgueiras o mel ali armazenado, se houver espaço disponível e, especialmente, se a rainha não puder usar os favos logo acima do ninho, pela presença de tela excluidora ou favos de mel operculados. Também por essa razão, é importante que o apicultor remova os favos que estiverem cheios de alimentação artificial no início da safra, ou ela pode acabar nas melgueiras colocadas posteriormente.
De qualquer forma, embora não seja aconselhável perturbar as abelhas durante a safra, o apicultor pode aliviar o bloqueio por mel de um ninho. Para isso, os favos devem ser removidos, centrifugados e devolvidos à colméia, de preferência um a cada 3 dias ou mais. Isso abre espaço para a rainha e é preferível à simples troca de um favo com mel por um quadro com cera alveolada, pois as abelhas iniciam a deposição de néctar nos alvéolos logo que eles começam a ser puxados, antes que a rainha possa efetuar a postura. Contrariamente, quando é fornecido um favo puxado, a rainha pode usá-lo imediatamente, e garantir o seu espaço (não significa que vá fazê-lo de fato, mas as chances são maiores). Se muitos favos puxados forem fornecidos de uma só vez, a rainha possivelmente não terá tempo de apossar-se de todos antes que a deposição de néctar inicie.
Uma outra técnica interessante é a reversão de caixas. Uma vez que a rainha esteja fazendo a maior parte da postura na caixa superior, esta pode ser trocada de lugar com o ninho (mesmo sendo uma melgueira). Neste caso, porém, é preciso verificar se o ninho possui espaço para postura, e não apenas mel operculado, o que funcionaria como uma forte barreira para a rainha voltar a usá-lo.

7.16 Como reforçar uma colméia com cria sem uni-la a outra?

É preciso retirar quadros com cria de algumas colméias e colocá-los na colméia necessitada. Alguns apicultores, ao invés de apenas estimular os enxames ou uni-los, adotam a tática de manter colméias criadeiras e colméias produtivas. As colméias produtivas recebem cria das outras, aumentando rapidamente a sua população e, dessa forma, a sua produtividade.

7.17 Como é uma colméia criadeira?

É uma colméia da qual não se obtém nada a não ser crias. Ela deve ter uma boa rainha e receber farta alimentação energética e protéica, inclusive durante a safra. Nessas condições, ela é capaz de gerar pelo menos dois quadros completos de cria por semana (cerca de 12 a 14 mil crias). Quando a cria está madura, prestes a nascer, uma parte é transferida para outro enxame (produtor), e outra parte é deixada na colméia criadeira para reposição das abelhas que forem morrendo. A cria aberta não deve ser transferida, para não sobrecarregar a colméia produtiva com mais trabalho.

7.18 Como evitar a enxameação?

Não existe método garantido. Há diversos deles propostos na literatura, alguns bastante complicados, quase todos exigindo verificação muito freqüente da colméia para a destruição de realeiras e ampliação do espaço de postura e armazenagem de mel. Às vezes, parece preferível ter algumas enxameações no apiário do que usar um desses métodos propostos.
Uma boa prevenção me parece o único caminho aceitável contra a enxameação. A troca anual de rainhas é um procedimento que ajuda a evitá-la, além de contribuir para uma maior produtividade do enxame. A manutenção de espaço de sobra na colméia, tanto para a postura quanto para a armazenagem de mel, desde o início da safra, também é uma boa prática. Também o são os manejos rápidos e infreqüentes e a manutenção das colméias com boa ventilação e em ambiente sombreado (ou com telhados amplos, de cor clara). Quando todos esses elementos estiverem presentes, a enxameação ainda será possível, mas ela provavelmente ocorrerá mais tarde, permitindo que o enxame armazene mel suficiente para ser colhido pelo apicultor.

7.19 O que fazer se houver realeiras no enxame?

Basicamente, há duas razões para haver realeiras no enxame: morte da rainha ou enxameação. No primeiro caso, as realeiras devem ser preservadas; no segundo, elas podem ser removidas se a rainha velha ainda está presente.
A inspeção dos favos pode ajudar a identificar a causa das realeiras. Muitas vezes (não sempre), um número grande de realeiras, localizadas nas bordas dos favos, são indícios de enxameação. Por oposição, poucas realeiras, localizadas nas faces dos favos, indicam reposição de rainha morta.
A esses sinais, deve-se acrescentar uma análise da cria. Rainhas prestes a enxamear param a postura por poucos dias. Portanto, realeiras fechadas com crias jovens podem indicar enxameação. Já realeiras fechadas e somente crias operculadas pode ser sinal de reposição de rainha.
De qualquer forma, é importante notar que a eliminação das realeiras na ausência da rainha velha (morta ou já enxameada) pode ser fatal para o enxame. O ideal, portanto, é que o apicultor sempre se certifique da presença da rainha antes de remover as realeiras.

7.20 O que fazer com as realeiras removidas?

Elas podem ser destruídas ou, se forem procedentes de um bom enxame e estiverem operculadas, podem ser aproveitadas em outras colméias ou núcleos.
Se a decisão for pela destruição, as que estiverem desoperculadas poderão ser guardadas num recipiente limpo para que a geléia real seja retirada e consumida, (nem que seja para matar a curiosidade dos familiares e amigos).

7.21 Como aproveitar as realeiras em outras colméias?

Realeiras retiradas de um enxame com boas características podem ser introduzidas em colméias previamente orfanadas ou núcleos criados para tal. No entanto, há um momento mais adequado para isso, que é por volta do décimo dia de construção da realeira, quando ela está fechada e a incubação ainda levará cerca de dois dias para se completar. Como o apicultor não pode estimar a idade de uma realeira "achada", o método não é muito garantido.
Por essa razão, a opção por núcleos pode ser mais interessante: se a introdução da realeira não der certo, o prejuízo com a perda de um núcleo é muito menor do que com a perda de uma colméia.
Para fazer um núcleo, pegue dois ou três quadros de cria em diferentes estágios e mais dois ou três quadros de provisões, todos com abelhas aderentes. Esses quadros podem ser procedentes de colônias diferentes, mas nenhum deles pode vir com a rainha. Os quadros serão postos numa caixa pequena (com volume de meio ninho) ou mesmo num ninho inteiro, dividido ao meio por uma tábua separadora.
Para fazer a introdução da realeira, tanto numa colméia orfanada quanto num núcleo, recorte-a cuidadosamente do quadro da colméia-mãe e fixe-a entre as barras superiores de dois quadros da caixa de destino, com o máximo cuidado para não danificar a realeira. Depois, feche o núcleo e não mexa nele por cerca de duas semanas. Dependendo das condições climáticas, durante esse tempo a princesa já deverá ter nascido e acasalado.
Antigamente, era recomendada a introdução da realeira num protetor do tipo "West", uma gaiolinha no formato de um cone de mola. Hoje, ele é considerado dispensável.

7.22 Por que a introdução de uma realeira pode não dar certo?

Vários motivos podem impedir que de uma realeira resulte uma rainha fértil. O primeiro é pela inviabilidade da pupa, já que ela pode estar morta dentro da realeira, ou ter sido lesada durante a manipulação. Por esta razão, introduzir pelo menos duas realeiras em cada núcleo ou colméia pode ser uma boa idéia.
Outro motivo é a falta de zangões na região. Após uma entressafra relativamente longa, a probabilidade de haver zangões em alguma colméia próxima é muito pequena. Nesse caso, a princesa pode nascer saudável, mas não encontrar seus pares para acasalar.
Da mesma forma, condições climáticas muito adversas podem retardar bastante os vôos nupciais ou ocasionarem a morte da princesa.

7.23 Como se acha a rainha?

Com sorte ou muita paciência. O método principal é remover cada quadro e verificar cuidadosamente as duas faces. Lembre-se que a rainha tentará esconder-se no ponto mais escuro, num canto, talvez por baixo das operárias. Olhe algumas vezes as duas faces, não desista logo. Se achar que ela não está mesmo ali, devolva o quadro à colméia (ou, melhor ainda, ponha-o num ninho vazio, previamente colocado ao lado) e passe para o próximo quadro.
Um método mais drástico é peneirar as abelhas. Primeiro, desloque a colméia para o lado e ponha uma vazia no seu lugar. Remova os quadros do ninho antigo e examine cada um para tentar achar a rainha neste momento. Se não for possível, sacuda-o e passe-o para o novo ninho sem abelhas aderentes. Quando terminar, ponha sobre o novo ninho uma tela excluidora e, sobre esta, uma melgueira vazia. A seguir, despeje todas as abelhas do ninho original dentro dessa caixa vazia, de maneira que elas tenham de passar pela tela excluidora para chegar aos seus favos. Então, ponha fumaça para forçar a descida das operárias e tente achar a rainha, que deverá estar passeando sobre a tela excluidora ou numa parede da melgueira.
Outro método que às vezes dá resultado é pôr bastante fumaça no alvado, antes de abrir a colméia. Com isso, há uma boa chance de que a rainha afaste-se dele o máximo possível, e talvez você a encontre no lado de baixo da tampa, assim que abrir a colméia. Naturalmente, trata-se de um método condenável pelo próprio abuso de fumaça (veja item 4.10) e ele não funcionará se houver uma tela excluidora. Também é especialmente danoso se houver melgueiras, pois o mel pode ser contaminado pelo excesso de fumaça, e a rainha pode se esconder numa melgueira, ao invés de subir até a tampa.

7.24 Durante as revisões é preciso sempre enxergar a rainha?

Não. A presença da rainha pode ser percebida pela presença de ovos. Mesmo quando a postura cessa completamente na entressafra, o apicultor experiente pode perceber a presença da rainha pelo comportamento mais pacífico (menos agitado, para ser mais exato) das operárias. Na verdade, há muito poucas ocasiões em que realmente é necessário achar a rainha.

7.25 Quando se deve substituir a rainha?

A melhor época de troca é dois a três meses antes da próxima safra, mas isso nem sempre é possível, já que muitos criadores de rainhas também passam por uma entressafra de produção. Se isso ocorrer, vale a pena procurar por produtores de outras regiões do país, já que a diversidade climática e as safras e entressafras são bastante distintas no Brasil.
Junto com a consideração de antecedência da próxima safra, outra que pode ser útil é o final da safra corrente. Como o fim de safra é uma ocasião de grande agitação na colméia, pela grande quantidade de abelhas presentes e pelo final do fluxo de néctar, muitas vezes é preferível esperar algum tempo (um mês, mais ou menos) para efetuar a troca da rainha. Assim, as populações serão menores, facilitando a manipulação das colméias e a procura pela rainha antiga.
Por outro lado, se o apicultor quiser fazer divisões das colméias, o ideal é aproveitar o momento de população máxima, que ocorre no final da safra. Embora a divisão não seja o método ideal para multiplicação de enxames, ele facilita grandemente a introdução de rainhas novas (veja o item 7.6).

7.26 Com que freqüência a rainha deve ser substituída?

Uma recomendação comum é que ela seja trocada anualmente. A razão disso é que uma rainha jovem é mais produtiva e menos propensa a enxamear. Há quem troque as rainhas a cada seis meses e a cada dois anos ou mais, mas a periodicidade anual me parece ser a ideal, considerados os aspectos práticos e econômicos.
Num estudo citado em [SAN93], foi medida a produção de 36 colméias, metade delas com rainhas de um ano, metade com rainhas de dois anos. As colméias com rainhas mais jovens produziram quase 40% a mais de mel do que as mais velhas – 141 kg contra 102 kg, respectivamente.

7.27 Como substituir uma rainha?

De duas formas: adquirindo uma rainha de um fornecedor e introduzindo-a na colméia ou forçando as abelhas a produzirem uma nova. Para forçar as abelhas a produzir uma rainha, basta eliminar a antiga e deixar na colméia pelo menos um quadro com ovos e cria nova. Deixe a colméia fechada por 7 a 10 dias e depois verifique a presença de realeiras. Se não houver nenhuma fechada ou em desenvolvimento, forneça mais um quadro com cria nova ao enxame. Se falhar de novo, una o enxame a outro antes que ele se torne zanganeiro. Essa técnica de ser usada apenas quando houver zangões nas colméias, para garantir a fecundação da princesa.
Para adquirir uma rainha, entre em contato com um fornecedor com boas referências. Se não conhecer nenhum, pergunte em algum grupo de discussão. Alguns fornecedores recomendam a eliminação da rainha antiga com 24 a 48 horas de antecedência, para que as operárias percebam a sua ausência e aceitem melhor a nova. Outros, no entanto, não vêem utilidade nisso e recomendam a introdução da rainha nova no mesmo momento da eliminação da antiga, o que simplifica bastante a operação. Depois da introdução, a colméia deve permanecer fechada por uma semana, pelo menos.

7.28 Como as rainhas são vendidas?

Salvo solicitação diferente, elas são vendidas fecundadas, testadas (já em postura), e marcadas na cor do ano. São enviadas pelo correio numa gaiola de transporte, junto com algumas operárias acompanhantes e uma porção de cândi.
Essa gaiola pode ser usada para se fazer a introdução, embora muitos manuais recomendem o uso de gaiolas de introdução específicas.

7.29 Como é uma gaiola de introdução?

O modelo mais simples é um rolinho de tela metálica (ou um daqueles bobs de cabelo), fechado com madeira numa ponta e dois pedaços de jornal na outra, presos com um elástico. Na madeira, põem-se dois preguinhos, para pendurar o rolo entre dois quadros do ninho (que devem ser afastados um pouco um do outro). O jornal será roído aos poucos pelas operárias, dando tempo a que elas se conheçam antes da liberação definitiva da rainha.
Uma gaiola mais sofisticada é a Müller, que possui um ou dois túneis a serem preenchidos com cândi. Um túnel longo (às vezes o único) serve de saída para a rainha, assim que as abelhas removem todo o cândi. O túnel pequeno tem um estreitamento que não permite a saída da rainha, mas dá acesso mais rápido ao interior da gaiola para algumas operárias de cada vez. Supostamente, é uma gaiola com aceitação mais garantida da nova rainha (eu nunca percebi diferença), e especialmente recomendada no caso da introdução de uma rainha européia numa colméia africanizada.
A própria gaiola de transporte é o meio mais simples para fazer a introdução. De acordo com vários autores, as acompanhantes devem ser retiradas para a introdução. No entanto, diversos apicultores têm testado com sucesso a introdução da rainha junto com as acompanhantes na gaiola de transporte, o que representa uma boa economia de trabalho.
Quem prefere remover as acompanhantes só pode usar a gaiola de transporte se ela tiver malha larga, que permita que as abelhas da colméia possam alimentar a rainha através dos furos. O buraco por onde saíram as acompanhantes deve ser fechado com uma tampa (batoque), enquanto que o buraco que fica do lado do cândi deve ser liberado (cuidado para não esquecer dele, ou a rainha ficará presa).

7.30 Como as acompanhantes são retiradas da gaiola de transporte?

O melhor é fazer isso num ambiente fechado, a prova de abelhas. Assim, se alguma rainha sair voando, ela poderá ser recapturada.
Uma maneira relativamente eficiente é tirar a tampa da gaiola e sacudi-la com cuidado dentro de um saco plástico. Quando a rainha sair, segure-a gentilmente numa dobra do saco e sacuda o resto das acompanhantes. Depois, induza a rainha a entrar na gaiola de introdução.

7.31 Como a gaiola deve ser colocada na colméia?

Uma recomendação comum é que ela seja pendurada entre dois quadros de cria, com cuidado para não obstruir os orifícios de ventilação e acesso ao cândi. Eu não gosto dessa forma porque ela exige a retirada (temporária) de um quadro do ninho ou o sacrifício de uma parte das crias, pela proximidade dos seus alvéolos com a gaiola.
A alternativa é deixar a gaiola deitada sobre as barras superiores dos quadros. Também aqui é preciso garantir que as demais abelhas terão acesso suficiente à tela, para alimentá-la (caso as abelhas acompanhantes tenham sido retiradas), e ao cândi, para libertá-la. Também é preciso providenciar um extensor para o ninho, de forma que a gaiola não seja esmagada pela tampa ou pela primeira melgueira (veja comentário sobre extensores no item 6.25). Alternativamente, a gaiola pode ser colocada no fundo da colméia, com a tela para cima, se houver espaço.

7.32 O que é "cor do ano"?

É a cor da tinta usada para pintar o tórax da rainha, para identificar o seu ano de nascimento (último dígito):
1 e 6 - branca
2 e 7 - amarela
3 e 8 - vermelha
4 e 9 - verde
5 e 0 - azul
É difícil imaginar uma utilidade real para isso. Talvez seja bom para algum apicultor com muitas colméias, que troque apenas uma parte das rainhas a cada ano e não registre quais colméias receberam rainhas novas. Situação meio rara, eu imagino. Na prática, a vantagem mesmo é que uma rainha pintada é mais fácil de ser encontrada do que uma não pintada.

7.33 Como as rainhas são produzidas para venda?

A produção de rainhas para venda é um campo bastante específico da apicultura, cheio de minúcias e conduzido por uma pequena parte dos apicultores. Apenas para dar uma idéia do processo (ou de um deles), aqui vão os detalhes básicos.
Primeiro, o apicultor seleciona as colméias que fornecerão as larvas segundo seus critérios preferidos - produtividade, mansidão, comportamento higiênico, tolerância a doenças, baixa tendência à enxameação, entre outros. Das colméias selecionadas, são extraídas larvas jovens, que são "enxertadas" em cúpulas. Essas cúpulas podem ser de plástico ou cera, e são fixadas em grupos (20, 30, 40, ...) num quadro modificado. Este quadro é colocado em seguida numa colméia forte, que pode ter sido previamente orfanada ou não, dependendo do método escolhido. Essa colméia, se alimentada abundantemente, conseguirá garantir o desenvolvimento de todas, ou quase todas as larvas enxertadas. Após cerca de dez dias do enxerto, as realeiras são distribuídas a núcleos (mini-colméias) previamente orfanados, onde as princesas nascerão, farão seus vôos nupciais e iniciarão a postura, para somente depois serem vendidas.

7.34 Quanto custa uma rainha?

Varia bastante de acordo com o fornecedor, mas fica entre 1 e 2 kg de mel, em média.

7.35 O que fazer se a rainha morrer?

Uma solução é adquirir outra rainha e tentar uma nova introdução. Outra possibilidade é deixar as próprias abelhas produzirem a sua rainha. Neste caso, deve haver um quadro com ovos e larvas jovens disponível, além de alimento suficiente (especialmente pólen ou um substituto).

7.36 O que fazer se o enxame ficar zanganeiro?

Se a colméia não aceitar outra rainha ou não conseguir produzir uma nova, ela poderá tornar-se zanganeira. É sempre melhor intervir antes que isso aconteça, mas caso essa situação ocorra, há algumas tentativas que podem ser feitas. A introdução de uma nova rainha freqüentemente falha, mas pode ser tentada se houver disponibilidade de rainha.
Uma técnica possivelmente útil para enxames zanganeiros que ainda estejam fortes é sacudir todos os favos a uma boa distância do local original da colméia, para eliminar as poedeiras. Supostamente, por estarem mais pesadas e talvez desorientadas por dedicarem-se apenas à postura, elas não voltariam para a colméia. Depois, a colméia é remontada no local original, sem os favos de cria. Assim, apenas com as operárias normais, o enxame tem uma probabilidade maior de aceitar a rainha nova.
Outra idéia é a troca de lugar de uma colméia zanganeira com outra normal, forte. Nesse caso, é preciso remover os favos zanganeiros e acrescentar favos com postura boa e jovem, para que as operárias não zanganeiras, inclusive as da colméia normal que estarão entrando, produzam uma nova rainha.
No entanto, antes de se experimentar alguma forma de recuperação do enxame zanganeiro, é preciso avaliar a sua viabilidade. Enxames nessa situação, quando são encontrados, freqüentemente apresentam um número muito pequeno de operárias, muitas delas poedeiras, e não justificam esforços maiores na sua preservação individual. Além disso, nenhum desses métodos é garantido, o que valoriza ainda mais a ações preventivas para que a colméia não chegue a essa situação.
A opção, então, é a união da colméia zanganeira com uma normal, com a eliminação dos favos que estiverem cheios de ovos das operárias, para que não nasçam mais zangões. Mesmo que o número de campeiras da colméia zanganeira não seja muito grande, ao menos as provisões de mel, pólen e favos não serão perdidas.

7.37 O que fazer se o enxame morrer?

Se o enxame morrer ou abandonar a colméia, sobrará uma porção de favos cheios de crias e alimento. Em pouco tempo, estará tudo em processo de decomposição, atraindo uma porção de traças, formigas e forídeos (um tipo de mosca, muito pequena e rápida), que aproveitarão para ali depositar seus ovos e transformar tudo num cenário de filme de terror.
Nessa situação, há pouco a fazer. Remova a caixa logo. Lave e derreta os favos menos comprometidos. É possível derreter todos os favos, mas o processo será trabalhoso e, para os mais sensíveis, verdadeiramente nojento. Se você não se importar em ficar coando teias cheias de fezes e vermes cozidos, jogue tudo num latão com água quente. Caso contrário, enterre ou queime os favos em pior estado.
Depois, limpe bem as caixas, os quadros e os demais equipamentos atingidos.