6 de set. de 2015

Alimentação para Abelhas (Apis Mellifera)



Para sobreviverem, as abelhas necessitam alimentar-se e atender às exigências de seu organismo quanto às necessidades de:

  • Água
  • Carboidratos (açúcares)
  • Proteínas
  • Vitaminas
  • Sais minerais
  • Lipídeos (gorduras).
Esses nutrientes são retirados da água, mel (néctar) e pólen das flores, mas também podem ser encontrados em outras substâncias usadas pelas abelhas como alimento; é o caso do caldo da cana-de-açúcar, sumo de caju, xarope de açúcar, goma de mandioca, vagem de algaroba, farelo de soja, entre outros.


As abelhas necessitam de reservas de alimento suficientes para atender a sua própria alimentação e das crias em desenvolvimento. Em épocas de escassez de néctar e pólen, é comum os apicultores perderem seus enxames que, enfraquecidos em razão da fome, migram à procura de condições melhores.

O enfraquecimento se inicia quando a rainha diminui sua postura, reduzindo a quantidade de cria e abelhas na colônia.

Quando as condições ambientais estão extremamente desfavoráveis, a pouca cria existente na colmeia pode morrer devido a fome, surgimento de doenças ou ser eliminada pelas operárias, que consomem parte da cria para saciar a falta de alimento.

Na tentativa desesperada de procurar alimento, as operárias começam a voar cada vez mais longe, podendo passar até 4 horas seguidas no campo, desgastando-se muito e reduzindo seu tempo de vida.

A desnutrição das abelhas jovens também prejudica o desenvolvimento do tecido muscular das asas e das  glândulas, inclusive da glândula hipofaringeana, produtora de enzimas que serão acrescentadas ao mel e à geléia real. A geléia real é o alimento fornecido às rainhas e crias jovens. Sua falta reduz a capacidade de postura da rainha e a sobrevivência da cria.

A desnutrição e estresse provocados pela falta de alimento deixam os enxames fracos e facilitam o surgimento de doenças e o ataque de inimigos naturais, como traça-da-cera, abelhas tataíras (Oxytrigona sp.), formigas e o ácaro Varroa destructor.

Em razão de todas essas causas, a falta de alimento prejudica a produção de mel e pólen, bem como de rainha, cera, própolis e apitoxina.


Período de Alimentação


A época correta para iniciar o fornecimento de alimento suplementar varia de acordo com a região. Em geral, nos períodos secos, chuvosos ou frios, falta alimento no campo. Por isso, o apicultor deverá ficar atento para a entrada de alimento em suas colmeias e fazer seu próprio calendário alimentar. Ademais, deverá realizar revisões periódicas em seus enxames e socorrer suas colmeias com alimentação complementar quando houver menos de dois quadros de mel na colônia.


Alimentação e Produção de Mel


Quando as primeiras floradas aparecem no campo, as operárias intensificam o trabalho de coleta de néctar e pólen. No alvado da colmeia, é possível observar grande quantidade de operárias entrando e saindo da colmeia, trabalhando ativamente.

Entretanto, ao fazer a revisão em seu apiário, alguns apicultores ficam decepcionados, pois, apesar de tantas flores no campo e muitas abelhas trabalhando, não existe estoque de mel nas colmeias. Isso ocorre porque os enxames, que se encontravam enfraquecidos, utilizam as primeiras floradas para se fortalecerem e se estabelecerem. Ao perceber que as condições ambientais mudaram e que já existe alimento nas colmeias, a rainha aumenta sua postura e todo alimento que entra na colônia é fornecido para a cria.

Somente após as crias tornarem-se adultas e o número de abelhas aumentar nas colmeias,  é que se pode verificar grande quantidade de mel estocado. Alguns enxames muito fracos só conseguem começar a "produzir" após a metade do "período de florada", causando prejuízo ao apicultor.

Em regiões onde existe uma florada rica, pouco antes do período da safra, como a florada do "juazeiro" no semi-árido, não ocorre atraso na produção. Isso ocorre porque as abelhas aproveitam essa fonte de alimento para aumentar a população da colmeia e dessa forma, ao iniciar o período produtivo, o enxame está pronto para começar a estocar mel.

Sendo assim, o apicultor pode e deve evitar esse atraso fornecendo alimento às colmeias nos períodos críticos. Experiências realizadas em Santa Catarina mostram que, 18 dias após o início da alimentação, a área de postura da colmeia duplica. A alimentação é fundamental, também, para fortalecer enxames recém-capturados, colmeias fracas e colmeias poedeiras em recuperação ou logo após a divisão.


Alimentação Energética


Um dos alimentos energéticos mais usuais é o xarope de água e açúcar, cujo receita é descrita a seguir.


Xarope de açúcar
Ingredientes: Água e açúcar na mesma quantidade.

Modo de fazer: Colocar a água no fogo e adicionar o açúcar assim que levantar fervura. Mexer até o açúcar se dissolver por completo; desligar o fogo e deixar esfriar; misturar a solução antes de colocar nas colmeias. Fornecer duas vezes por semana.
Para evitar que se estrague, o xarope deve ser fornecido no dia em que for feito e consumido pelas abelhas em 24 horas. Após esse período, o apicultor deverá recolher o alimento restante e jogá-lo fora. Em geral, as colmeias consomem 0,5 litros de xarope nesse período de tempo. Entretanto, é necessário que o produtor fique atento, pois colmeias muito fracas não conseguem consumir essa quantidade no prazo necessário. Para que não haja desperdício e problemas causados pela fermentação do xarope, dever-se-á fornecer uma quantidade menor de alimento para os enxames mais fracos, que não conseguem consumir 0,5 litros de xarope em 24 horas.
Cerca de 45 dias antes do período produtivo, o xarope pode ser enriquecido com um pouco de mel de abelha na proporção de 1 litro de xarope para 0,5 litro de mel. Alguns pesquisadores acreditam que o cheiro do mel incentiva o aumento da postura da rainha, preparando, assim, o enxame para o período de florada.
O xarope pode ser substituído pelo "xarope de açúcar invertido" que além de água e açúcar, contém ácido tartárico ou ácido cítrico, como pode ser conferido a seguir. Esses ácidos têm a função de conservar o alimento por mais tempo, além de quebrar a sacarose em glicose e frutose, agindo como a enzima invertase das abelhas.

Xarope de açúcar invertido:

Ingredientes:5 kg de açúcar; 1,7 litros de água e 5 g de ácido tartárico ou ácido cítrico.

Modo de fazer: Levar o açúcar e a água ao fogo. Quando começar a liberação do vapor, adicionar ácido tartárico e manter a mistura no fogo baixo por 40 a 50 minutos. Fornecer 1 litro a cada 2 dias.


Alguns apicultores aproveitam o açúcar existente em outros alimentos para fornecer às abelhas. É o caso da vagem de algaroba (Prosopis juliflora). Segundo Ribeiro Filho (1999), para fornecer um alimento energético e protéico ao mesmo tempo para as abelhas, o apicultor poderá levar ao fogo 1 kg de vagem de algaroba triturada com 2 litros de água. A mistura deve ser fervida até atingir a consistência de xarope e ser fornecida no mesmo dia para as abelhas, evitando a fermentação do produto.
Em algumas regiões, é comum o uso da rapadura em substituição ao alimento descrito acima. Embora muito prático, uma vez que o alimento já se encontra pronto, sendo de difícil fermentação, muitos enxames acabam morrendo pela utilização da rapadura em virtude da falta dos seguintes cuidados:
  • Baixa qualidade do produto - por se tratar de um alimento para consumo animal, alguns apicultores compram um produto de menor custo e baixa qualidade, muitas vezes já fermentado.
  • Armazenamento inadequado – é comum os apicultores deixarem a rapadura armazenada em locais úmidos, favorecendo a fermentação do produto.
  • Fornecimento inadequado – alguns apicultores fornecem a rapadura exposta ao meio ambiente e à umidade da noite, muitas vezes no chão, facilitando sua fermentação. A quantidade, aparentemente, também influencia: alguns enxames conseguem consumir uma rapadura com cerca de 300 g em 24 horas. O fornecimento de uma quantidade maior pode causar problemas intestinais e matar as abelhas. Assim, é recomendado que se ofereça, no máximo, uma rapadura pequena (300 g) duas vezes por semana.
  • Falta d'água - como a rapadura é sólida, as abelhas necessitam de muita água para dissolvê-la, transformá-la em mel para depois poderem consumir. O gasto energético dessa operação é alto e, para compensá-lo, a água deverá estar bem próxima ao apiário. Alguns produtores molham a rapadura para facilitar o trabalho das abelhas, porém, isso aumenta o risco de fermentação.
Alimentação Protéica


Existem várias receitas de alimentação protéica. O apicultor poderá utilizar uma das descritas a seguir ou procurar substitutos regionais para a fabricação de uma alimentação adequada.


Receita 1:

Ingredientes: 3 partes de farelo de soja, 1 parte de farinha de milho e 6 partes de mel

Modo de fazer: Misturar bem os dois farelos e adicionar o mel devagar até formar uma pasta mole. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.

Receita 2:

Ingredientes: 3 partes de farelo de soja, 2 partes de farinha de milho e 15 partes de mel.

Modo de fazer: Misturar bem os dois farelos e adicionar o mel devagar até formar uma pasta mole. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.


Receita 3:

Ingredientes: 7 partes de farelo de trigo, 3 partes de farelo de soja e 15 partes de mel.

Modo de fazer: Misturar os farelos e acrescentar o mel. Deixar em repouso por uma semana em local limpo e refrigerado. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.

No lugar do mel, pode-se usar xarope ou açúcar invertido, no entanto, o mel deixa o alimento mais atrativo. É importante que os farelos estejam bem moídos, caso contrário, as abelhas rejeitam o alimento.
Outros alimentos podem ser usados, a levedura de cana-de-açúcar (receita a seguir). Alguns apicultores usam leite para enriquecer o xarope com proteína, entretanto, as abelhas não possuem mecanismo para digerir o leite e acabam morrendo intoxicadas.

Receita 4:

Ingredientes6 kg de açúcar refinado, 3 kg de açúcar invertido e 1 kg de levedura seca de cana-de-açúcar.

Modo de fazerMisturar bem os ingredientes para formar a pasta. 
Fornecer a ração misturada com pólen aumenta a aceitação e a eficiência do alimento. O pesquisador Leoman Couto (1998) recomenda a receita abaixo:

Receita 5:

Ingredientes2 partes de pólen seco moído, 5 partes de açúcar, 10 partes de farelo de soja e 3 partes de mel.

Modo de fazerMisturar bem o farelo, o pólen e o açúcar e adicionar o mel devagar até formar uma pasta mole. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.
Se o produtor não quiser usar o mel ou não tiver mel disponível, poderá fornecer às abelhas a receita a seguir:

Receita 6:

Ingredientes1 parte de pólen seco e moído, 4 partes de farelo de soja, 4 partes de açúcar e 2 partes de água

Modo de fazerMisturar bem os ingredientes secos e adicionar a água lentamente, mexendo sempre.

Outra alternativa, segundo Ribeiro Filho (1999), é o fornecimento de xarope enriquecido com massa de jatobá (Hymenaea spp), usando-se 100 g de massa para cada litro de xarope. Segundo o pesquisador, o xarope também poderia ser enriquecido da mesma forma com pó de vagem de pau-ferro ou juá (Cesalphinia ferrea) ou pó de folhas de feijão, mandioca e abóbora.
Atualmente a Embrapa Meio-Norte vem pesquisando em parceria com várias instituições outras alternativas para alimentação das abelhas como: torta de babaçu (Orbygnia martiana), farinha de algaroba (Prosopis juliflora), farinha do bordão-de-velho (Pithecellobium cf. saman), feno de mandioca (Manihot esculenta), feno de leucena (Leucena leococephala).  Esses resultados estarão sendo divulgados e disponibilizados aos apicultores em breve. A instituição também se coloca à disposição para testar e avaliar qualquer produto que o apicultor tenha interesse em utilizar como alimentação, desde que seja fornecido em quantidade suficiente para os testes.

Alimentadores


A alimentação artificial pode ser administrada em alimentadores individuais ou coletivos. Cada modelo tem uma série de vantagens e desvantagens e cabe aos apicultor analisar e escolher o que seja mais adaptado para sua realidade.

O alimentador coletivo é uma espécie de cocho colocado em cada apiário, disponibilizando o alimento a todos os enxame de uma única vez. Esse modelo necessita de pouco manejo e é muito prático, sendo recomendado para apicultores que possuem grande quantidade de colmeias. Porém, apesar de mais prático, o alimentador coletivo apresenta as seguintes desvantagens:

  • Fornece alimento para enxames naturais, de apiários vizinhos, pássaros, formigas, pequenos mamíferos, etc.
  • Incentiva o saque.
  • Pode ser uma fonte de transmissão de doenças.
  • Desfavorece os enxames fracos, já que as colônias fortes coletam mais alimento do que as fracas.
Os alimentadores coletivos devem ser instalados a cerca de 50 metros do apiário e a uma altura aproximada de 50 cm do chão. Para proteger o alimento de formigas, o apicultor poderá colocar uma proteção em cada pé do suporte. Para evitar o afogamento das abelhas, esses alimentadores devem conter flutuadores, que podem ser pedaços de folhas de isopor, madeiras leves ou telas plásticas.


Os alimentadores individuais podem ser encontrados à venda nas lojas especializadas, em diversos modelos, de modo a fornecer alimento interna ou externamente, como pode ser visto a seguir. Os mais recomendados são os alimentadores internos, pois reduzem o saque.



Alimentador de Boardman

Usado na entrada da colmeia, destina-se apenas para alimentos líquidos. Consiste em um vidro emborcado sobre um suporte de madeira, que é parcialmente introduzido no alvado da colmeia. Prático, deixa o alimento exposto externamente, não havendo necessidade de abrir a colmeia para o abastecimento, contudo, pode incentivar  o saque (Fig. 33).


Figura 33. Alimentador de Boardman.


Alimentador de Cobertura ou Bandeja


Consiste em uma bandeja colocada logo abaixo da tampa, com abertura central, permitindo o acesso das abelhas ao alimento. No mercado, pode ser encontrado todo em madeira ou revestido com chapa de alumínio. Fornece alimento líquido, sólido ou pastoso, entretanto, quando o alimentador não é revestido de alumínio, para fornecer alimentos líquidos, é necessário que se faça um banho com cera nas emendas para evitar vazamentos. Uma desvantagem do alimentador de cobertura é a quantidade de abelhas que morrem afogadas no alimento. Os modelos que contêm ranhuras na madeira próxima à abertura devem ser preferidos, pois essas ranhuras facilitam o retorno das abelhas para a colmeia, evitando que muitas morram afogadas (Fig. 34).




Figura 34. Alimentador de cobertura.


Alimentador Doolitle ou de Cocho Interno


  Com as mesmas dimensões de um quadro de ninho ou melgueira, é usado dentro da colmeia em substituição a um dos quadros (Fig. 35). Para evitar que as abelhas morram afogadas no alimento líquido, o alimentador deve ter as laterais da superfície interior rugosas, de forma a criar uma superfície de apoio para as abelhas.






Figura 35. Alimentador Doolitle.

Precauções


Para que a alimentação seja eficiente e atinja seu objetivo, é necessário que o apicultor siga as seguintes recomendações:

  • Quando usar alimentador individual, fornecer o alimento ao final da tarde para evitar o saque.
  • Pelo mesmo motivo, evitar derramar alimento próximo ao apiário.
  • Quando usar alimentador coletivo, fornecer o alimento durante o dia, de modo que as abelhas tenham tempo suficiente para a coleta.
  • Para evitar ou diminuir o desperdiço, ao usar o alimentador coletivo, fornecer uma quantidade de alimento que possa ser consumida no mesmo dia.
  • Alimento fermentado mata as abelhas. Por isso é necessário que o produtor tenha muito cuidado para não fornecer alimento fermentado ou não deixar que o alimento fermente nas colmeias.
Seguindo essas recomendações, o apicultor estará reduzindo o abandono em seu apiário e aumentando sua produção em até quatro vezes.  Entretanto, a alimentação não pode ser usada como única forma de manejo para evitar o enfraquecimento e abandono dos enxames. É preciso, também, que o produtor fique atento para a falta de água, sombreamento, idade e qualidade das rainhas, ataque de inimigos naturais, mortandade das abelhas, etc.

Dicas para alimentar as abelhas no inverno








Alimentação das abelhas



5 de set. de 2015

SUBSTITUIÇÃO DAS RAINHAS NAS COLMÉIAS



A rainha é a responsável pela manutenção populacional de uma colônia que, em muitos casos pode atingir até 100 mil indivíduos e a união de todas as abelhas. Apesar da grande quantidade de abelhas presente na colônia, a vida útil de uma operária gira em torno de 45 dias, o que leva a rainha à necessidade da reposição constante dessa enorme massa populacional. Para isso, uma rainha em condições reprodutivas ideais e de potencial genético elevado pode atingir a incrível taxa de postura de 3.000 ovos/dia. Entretanto, apesar de a rainha poder viver até 5 anos, em função do desgaste a que ela é submetida, principalmente em regiões de clima tropical, a taxa de postura tende a decair acentuadamente, quando a rainha atinge os 2 anos de idade (apesar de viver até cinco anos), mas podem também existir casos em que, mesmo com poucos meses, a rainha não apresenta bom desempenho reprodutivo elevado.
Em razão desses fatores, recomenda-se a troca ou a substituição da rainha anualmente, pois, sendo peça chave para o desenvolvimento da colônia e, conseqüentemente, para o seu potencial produtivo, o apicultor deve procurar trabalhar sempre com rainhas jovens e saudáveis. Assim, é interessante que o apicultor saiba os fatores que influenciam a qualidade de uma rainha:
  • Condições da colmeia onde ela foi formada (população, sanidade, etc.).
  • Idade e peso em que foi fecundada (recomenda-se um peso maior ou igual a 200 mg).
  • Quantidade de sêmen estocado em sua espermateca.
  • Informação genética da rainha e dos zangões que a fecundaram.
  • Condições climáticas e florais da região.
  • Quantidade de alimento estocado na colmeia.
  • Sanidade da rainha.
Por ser responsável pela transmissão de toda a informação genética à família, as características dos indivíduos da colmeia serão diretamente dependentes da qualidade da rainha.
Uma rainha, para ser considerada boa, deve apresentar aspectos como alta taxa de postura, resistência a doenças, baixa tendência a enxameação, etc. Entretanto, algumas características também podem ser selecionadas conforme a preferência do apicultor como, por exemplo, baixa agressividade e capacidade de propolizar, etc.
Tendo consciência da importância de substituir suas rainhas anualmente, o apicultor poderá adquirir novas rainhas de duas formas:
  • Comprando rainhas de criadores idôneos (de preferência de sua região), tomando-se o cuidado para não adquiri-las apenas de um fornecedor, garantindo, assim, uma maior variabilidade genética;
  • Criando suas próprias rainhas. A criação de rainhas pode ser realizada de diversas maneiras, exigindo do apicultor conhecimentos específicos para realizar com sucesso esse manejo.

Cuidados na Substituição 


Para que o apicultor possa substituir suas rainhas com eficiência, algumas etapas devem ser cumpridas:
  • O apicultor deve ter certeza de que a nova rainha possui um bom potencial produtivo.
  • Certificar-se se a rainha está ou não fecundada. Caso a rainha seja virgem, é necessário que o apicultor se certifique da existência de zangões para o futuro acasalamento.
  • Verificar a existência de realeiras antes da introdução da nova rainha. Caso positivo, eliminá-las.
  • A introdução das rainhas deve ser realizada em dias claros sem chuva ou ventos fortes.
  • Introduzir a rainha em gaiolas especiais (diferentes tipos são encontradas no mercado).
  • Retirar (eliminar) a rainha velha de preferência 24 horas antes da introdução da nova rainha.
  • Uma semana após a introdução, deverá fazer uma revisão na colmeia, afim de verificar a aceitação ou não (presença de realeiras e/ou ausência de ovos) da nova rainha.

TÉCNICAS DE SUBSTITUIÇÃO DE RAINHAS


Resumo 

A substituição ou renovação das rainhas é uma ocorrência indispensável para a manutenção do vigor e a própria sobrevivência da colônia de abelhas. Na natureza as abelhas a executam segundo suas necessidades biológicas. O apicultor, entretanto, pode e deve se antecipar às abelhas, realizando as substituições nos momentos oportunos, de forma a assegurar a produtividade e outras boas qualidades para o manejo das colméias. Esta técnica é composta por duas operações, que são, a orfanação da colônia e a introdução de uma nova rainha. As novas rainhas podem ser adquiridas ou criadas pelo apicultor. Existem vários métodos, tanto para a orfanação quanto, principalmente, para a introdução. Estes métodos, embora sejam sujeitos a falhar, apresentam bons resultados, ficando por conta de cada apicultor a sua escolha. 

Palavras-chaves: Apis mellifera, Africanizada, abelhas-rainhas, produtividade 

1) INTRODUÇÃO 

Como sabemos, a unidade de produção da apicultura é a "caixa" ou "colméia de produção", constituída por uma colônia normal, adulta, e pelo seu abrigo, a colméia propriamente dita e respectivos acessórios tais como cavalete e tela excluidora. A produtividade desta unidade, contudo, depende de um conjunto de condições favoráveis, tanto externos (florada e temperatura, entre outros) como internos (população, índole das abelhas, estado sanitário etc.). 

A equação da produtividade pode ser representada assim: 




Onde P = produtividade; Fe = fatores externos e Fi = fatores internos 
Então, P será tanto maior quanto maior for o valor de cada somatório de fatores, porém será nula se qualquer um deles for zero (estiver ausente). 

Entre os fatores internos, sem dúvida o mais importante é a abelha-rainha ou simplesmente "rainha" do enxame. Vamos detalhar um pouco as funções da rainha: 
1-Se a rainha deixar de existir, o enxame perecerá por ser ela a mãe de todas as operárias, zangões e eventuais princesas do enxame. 
2- Se a rainha for de má qualidade genética, não transmitirá às suas filhas qualidades desejáveis como rusticidade, longevidade, operosidade, forte tendência ao armazenamento do mel, resistência a doenças e inimigos etc. 
3- Se a rainha, ainda que de boa constituição genética, estiver envelhecida ou desgastada, não será capaz de manter a colônia forte, populosa o bastante para realizar boas colheitas. 
Do exposto segue que, para termos nosso apiário sempre com alta capacidade produtiva, é imperioso que mantenhamos as rainhas sob controle. Devemos controlar periodicamente sua idade, origem e desempenho e fornecer rainhas para as colônias órfãs ou substituir as rainhas dos enxames de mau desempenho. Do quando e como fazê-lo é o que discutiremos nas seções seguintes. 

2) QUANDO SUBSTITUIR AS RAINHAS? 

Idealmente, as rainhas de todas as colméias do apiário deveriam ser substituídas a intervalos regulares. É a aplicação da técnica da renovação periódica das rainhas. Desta forma podemos manter todas as colônias jovens e com capacidade produtiva similar (desde que as rainhas sejam da mesma origem). A duração deste intervalo depende da raça de abelhas e do clima da região em que está instalado o apiário. Para a maior parte das situações, é recomendado um ano de intervalo entre as trocas. Para as abelhas africanizadas, principalmente se em região quente como o Nordeste Brasileiro, pode ser preferível um intervalo menor, de nove ou mesmo, seis meses. Para maior precisão da determinação do período ideal, cada apicultor pode observar e registrar a freqüência com que ocorrem as substituições espontâneas no seu apiário e usá-la como guia. 
Na prática, por razões econômicas ou técnicas, ainda é difícil para os apicultores manterem um calendário de renovação das rainhas. Assim mesmo, é possível efetuar as substituições das rainhas indesejáveis, como uma das tarefas da manutenção rotineira do apiário. Então, basta ao apicultor registrar, durante as revisões pré ou pós-colheita e, mesmo, durante as colheitas, as colônias de mau desempenho relacionado à rainha (ou órfãs) e providenciar a substituição das suas rainhas. 

3) PLANEJANDO AS SUBSTITUIÇÕES 

Sabendo quantas rainhas serão necessárias, incluindo também aquelas destinadas às colônias órfãs, teremos agora que (1) obter as rainhas substitutas e (2) estabelecer a data em que faremos este trabalho. 
Para o apicultor médio e grande e que tenha pendor para a criação, a melhor fonte será o seu apiário: poderá selecionar as melhores rainhas para mães. Alternativamente, poderá adquirir somente uma ou poucas rainhas da melhor fonte que encontrar e destas, criar suas rainhas. 
Se o apicultor não puder ou não desejar criar rainhas, terá que adquiri-las de terceiros. Neste caso, é importante estabelecer contactos prévios com os possíveis fornecedores, para obter informações sobre suas rainhas, preços e outras condições. Escolhido o fornecedor, deve fazer uma previsão das compras: quando precisará das rainhas, em que número, total e por remessa. 
Estes entendimentos são da maior importância, tanto para o apicultor, que terá maior garantia de obter suas rainhas no momento que necessitar, como para o fornecedor, para planejar sua produção. 
A data exata em que efetuará as substituições será estabelecida considerando diversos fatores, como sua rotina de trabalho, a chegada das novas rainhas etc. Deve, porém, procurar minimizar o estresse que causará às abelhas, preferindo um período entre colheitas ou durante uma florada secundária, pela manhã. 

4) SUBSTITUINDO AS RAINHAS 

A substituição é composta por duas tarefas: a orfanação (remoção da rainha a substituir) e a introdução da nova rainha. 

4.1) Orfanação da colônia 

Para orfanar a colônia é recomendado que se trabalhe pela manhã, quanto mais cedo melhor. Nessas horas as abelhas estão geralmente mais calmas e a rainha menos ativa, não se ocultando entre as operárias ou nos recantos da colméia, o que torna a sua localização mais fácil e rápida. Em caso de dificuldade para a localização da rainha, o que pode ocorrer em colônias muito populosas ou agressivas, pode-se fechar a colméia, passar á família seguinte e voltar no dia seguinte. Alternativamente, pode-se recorrer a alguns expedientes, como: 
- "Peneirar" o enxame, fazendo-o passar através de uma tela excluidora instalada em uma colméia vazia. Sobre esta tela se coloca um ninho vazio, onde se sacodem os favos e até o ninho original da colônia. A rainha deverá ser encontrada sobre a tela, a qual não consegue atravessar. 
- Fechar a colméia, dar algum tempo para as abelhas se reorganizarem e introduzir pelo alvado uma rainha amarrada por um cordel. Esta rainha será uma daquelas que foram substituídas e poderá estar viva ou morta. Dentro de alguns minutos, puxar o cordel e a rainha do enxame poderá estar agarrada à rainha-isca. 

4.2) Introdução de rainha: conceito 

As abelhas, como outros insetos sociais, vivem em uma sociedade rigidamente coesa. A existência desta sociedade é assegurada pela capacidade dos indivíduos de diferenciarem entre companheiros do ninho e outros que não o são. Os indivíduos que não são parentes são duramente agredidos ao entrar no ninho; as operárias de Apis mellifera reconhecem ainda os sinais de sua rainha e discriminam rainhas que são parentes daquelas não aparentadas da família. Quando encontram uma rainha não parente, a tendência das operárias é rejeitar essa rainha e criar uma rainha a partir das larvas parentes (suas irmãs ou meias-irmãs), existentes nos favos da colméia. Somente na falta destas larvas as operárias estarão inclinadas a conviver com a rainha estranha. Isto ocorre porque, na evolução das abelhas, se a escolha é entre não ter rainha (e, portanto perecer) ou aceitar uma rainha estranha, as operárias optaram por juntar-se à estranha. 
Compreende-se, pois, que "Introduzir" uma rainha em uma colônia de abelhas é muito mais do que simplesmente coloca-la dentro da colméia. Esta rainha somente se integrará à colônia se e após terem sido estabelecidos laços bioquímicos com a colônia. Para isto é necessário haver trocas de sinais e de substâncias de controle (feromônios) entre estes personagens. Somente após este processo de integração, a rainha será aceita pacificamente pelas operárias, que passarão a alimentar e cuidar desta rainha e da sua prole. 

4.3) Técnicas de introdução 

Para vencer a rejeição a introdução tem que ser efetivada com o uso de alguma técnica que evite ou neutralize a agressividade das abelhas durante as primeiras horas de convivência. As mais comuns são as gaiolas de introdução, como a gaiola Miller (Figura 1), que permitem o contacto porém bloqueiam a agressão, por interporem uma barreira (tela) entre a rainha e as abelhas. [1,2] 

Numerosas destas gaiolas têm sido descritas, tanto alimentadoras como não alimentadoras. Outros métodos são baseados no tempo de orfanagem, no uso de mel ou de feromônio sintético ou ainda introduzindo a rainha juntamente com um núcleo de suas próprias abelhas. 
O grau de eficiência de cada uma destas técnicas pode ser medido pela % de rainhas que são "aceitas", isto é, que se integram á colônia e nela iniciam a postura. Porém o grande número de métodos existentes já deixa claro que nenhum é perfeito, Isto é, nenhum proporciona sempre 100% de sucesso. [2] obtiveram 55 a 56% de aceitação. [3,4] trabalhando com aceitação e fecundação de rainhas africanizadas, utilizou para introdução três tipos de gaiolas: "push-in cage" ou de arame com formato quadrangular (10cm x 10cm x 1cm), "mailing cage" ou de envio pelo correio e Butler modificada, obtendo uma média de 97,5% de aceitação. Em um experimento comparativo entre quatro métodos, [5] encontrou valores entre 50 e 100% de aceitação. 
A eficiência somente, não é suficiente para a avaliação do mérito de um método de introdução de rainhas. A determinação do "melhor" método, a ser preferido em uma dada situação deve levar em conta também fatores tais como: a disponibilidade e custo dos materiais a utilizar, o tempo disponível para a execução do trabalho e até a experiência ou preferência pessoal do apicultor. 

4.4) Exemplos de utilização dos métodos de introdução mais comuns 

A) Introdução imediata, aproveitando a própria gaiola de transporte 
Esta gaiola pode ser a Benton, mais comum e tradicional ou de outro tipo, como a JzBz.

Procedimento: 
- Remove-se o batoque do lado do cândi, se houver 
- Retira-se o outro batoque, para fazer as abelhas acompanhantes saírem da gaiola e recoloca-se no seu lugar. Esta operação pode ser feita com segurança, estando a gaiola dentro de uma sacola plástica transparente, de tamanho apropriado: se a rainha sair, continuará presa na sacola, sendo fácil recoloca-la da gaiola. 
- Retira-se a rainha da colônia e imediatamente se introduz a nova rainha. 
- Coloca-se a gaiola na colméia, de preferência entre favos de cria e fixada de forma tal que suas faces teladas fiquem expostas, dando acesso às antenas e língua das operárias da colméia. 
- Cinco dias depois, abre-se a colméia para verificar a aceitação e remover a gaiola vazia. 

B) Introdução imediata, utilizando gaiola de introdução Miller, Butler (Figura 3) ou outra. 3


Procedimento: 
- Remove-se o batoque do lado do cândi, se houver. 
- Abre-se a gaiola de transporte (dentro de um saco plástico), captura-se a rainha e introduz-se na gaiola Butler, com cândi e esta é instalada na colméia, de forma similar ao descrito no processo anterior. 

C) Introdução com prazo pré-estabelecido. 
- Retira-se a rainha da colônia e todos os favos com cria aberta (larvas) e ovos. 
- Vinte e quatro horas depois se introduz a nova rainha. 
- Utiliza-se gaiola de introdução. 

D) Introdução em presença da rainha da colméia 
- Deixa-se a rainha presa em uma gaiola (de transporte ou de introdução) no interior da colônia por 24 horas. 
- No dia seguinte retira-se a rainha-mãe da colônia e o batoque da gaiola para as abelhas liberarem a rainha nova.


E) Introdução com mel (Figura 4) 
- Orfana-se a colônia (retira-se a rainha) no período matinal 
- À noite introduz-se a rainha em um pires com mel, passando-o no corpo dela 
- Abre-se a colméia e introduz-se a rainha entre os favos de cria 

5) CAUSAS DE INSUCESSO NAS INTRODUÇÕES 

Como mencionado anteriormente, a introdução, qualquer que seja o método usado, está sempre sujeita a falhar. Além das fragilidades inerentes aos métodos utilizados, diversos fatores podem levar ao não estabelecimento da rainha introduzida. Entre estes contam-se: 

a) Condições ambientais: mau tempo, baixa temperatura ou escassez de alimento. 
b) Rainhas que não são "aceitas". 
c) Presença na colméia de uma rainha, células reais ou operárias poedeiras. 
d) Excesso de fumaça ou de manipulações. 
e) Ausência de abelhas jovens ou irritação da colônia no momento da introdução. 
f) Injúrias causadas à rainha decorrentes do manuseio inadequado, sacolejo ou exposição ao sol e intempéries. 
g) Ocorrência de predadores. 

6) CONCLUSÕES 

A substituição das rainhas, programada ou efetivada de acordo com a necessidade detectada durante as visitas ao apiário é uma técnica do manejo, de grande relevância para a manutenção ou ampliação da sua capacidade produtiva, não devendo por isso, ser negligenciada pelo apicultor. 
Esta técnica abrange as operações de orfanação da colônia e da introdução da nova rainha. Para a sua execução existem diversos métodos, capazes de proporcionar bons resultados, podendo a escolha ser feita de acordo com as condições específicas do apiário ou o sistema de trabalho de cada apicultor. 





4 de set. de 2015

COLHEITA DO MEL



O manejo de colheita do mel deve seguir alguns procedimentos, visando não apenas à sua coleta eficiente, mas, principalmente, à manutenção de suas características originais e, conseqüentemente, à qualidade do produto final. É importante ressaltar que essa é a primeira fase crítica para a obtenção da qualidade total, visto que será a primeira vez que o apicultor terá contato direto com o mel, sendo o início de um longo processo de susceptibilidade do produto, em relação às condições de manipulação, equipamentos, instalações e condições ambientais, até que o produto chegue ao consumidor final.
Poucos apicultores têm consciência da importância dessa etapa para a manutenção da qualidade original do mel, passando a executar procedimentos mais criteriosos apenas na "casa do mel".
Essas recomendações irão compor um plano de controle de qualidade a ser desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, baseado nas diretrizes do plano PAS – Programa Alimento Seguro, para a fase de manejo e colheita, que será denominado APPCC – Campo para a Apicultura. A sigla APPCC se refere a um sistema de controle de qualidade, que pode ser empregado em várias fases da cadeia produtiva e significa "Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle".
Aborda-se-ão, a seguir, os requisitos e os procedimentos desde a coleta do mel nas colmeias até sua chegada à casa de mel.

Vestimentas 

O apicultor, no manejo da colheita, deve estar usando vestimentas próprias para a prática apícola - macacão ou jaleco e calça em condições ótimas de higiene, ou seja, previamente lavados e limpos (Fig. 19). O ideal seria que o apicultor dispusesse de macacões apenas para a colheita do mel, e outros para as revisões e demais serviços realizados no apiário (revisão, limpeza do terreno, etc.)

Fatores Climáticos 

A colheita do mel não deve ser realizada em dias chuvosos ou com alta umidade relativa do ar, o que levaria a um aumento dos índices de umidade no mel. O apicultor deve dar preferência aos horários entre 9 e 16 horas, em dias ensolarados. Após coletadas, as melgueiras não devem permanecer expostas ao sol por longos períodos, pois as elevadas temperaturas podem levar a um aumento do teor de hidroximetilfurfural - HMF no mel, comprometendo sua qualidade.
Uso da Fumaça
O mel é um produto com característica aromática acentuada, podendo absorver odores com facilidade, mesmo se estiver devidamente operculado nos quadros, em virtude da permeabilidade da camada de cera protetora. Sendo assim, é imprecindível que o apicultor tome alguns cuidados em relação ao uso da fumaça, para que ela não deixe resíduos no mel, o que comprometeria sua qualidade final:
    Apiario
  • Nunca utilizar no fumigador qualquer material que possa ser contaminante ao mel (esterco de animal, plásticos, madeiras com resíduos de tintas ou óleos, etc.). Recomenda-se exclusivamente o uso de resíduos de origem vegetal, como a maravalha ou serragem de madeira não-tratada, e que não apresente forte odor quando queimada.
  • Nunca direcionar diretamente para os quadros a fumaça do fumigador, devendo-se aplicá-la em pequena quantidade, de forma lenta e paralelamente à superfície da melgueira.
  • Aplicar fumaça fria, limpa e livre de fuligem.
  • Aplicar uma quantidade mínima, apenas o necessário para a retirada dos quadros de mel.
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Seleção dos quadros 


A colheita do mel deve ocorrer de forma seletiva, ou seja, ao efetuar-se a abertura das melgueiras, o apicultor deve inspecionar cada quadro, priorizando a retirada apenas dos quadros que apresentarem no mínimo 90% de seus alvéolos operculados (com uma fina camada protetora de cera), sendo indicativo da maturidade do mel em relação ao percentual de umidade. O apicultor não deve colher quadros que apresentem:
  • Crias em qualquer fase de desenvolvimento.
  • Grande quantidade de pólen.
  • Mel "verde", mel ainda não-maduro, com altos índices de umidade, que as abelhas ainda não opercularam. A quantidade elevada de água no mel facilitará a proliferação de leveduras, levando-o a fermentar, tornando-o impróprio para o consumo e impossibilitando a sua comercialização.

Transporte das melgueiras durante a colheita 


A colheita de mel é uma atividade que provoca um desgaste físico acentuado para o apicultor, uma vez que o peso das melgueiras cheias de mel é considerável. Com o intuito de minimizar esses esforço, e de se evitar problemas de saúde futuros, recomendam-se algumas práticas no momento da colheita e utilização de equipamentos de transporte das melgueiras. Todos os equipamentos utilizados para a colheita do mel devem ser destinados apenas para esse fim, de forma a se evitar qualquer possível contaminação do produto por substâncias presentes nesses utensílios.
Recomenda-se o uso de padiolas, obrigando a participação de duas pessoas no carregamento, ou carriolas (carrinhos de mão) para o transporte das melgueiras até o veículo.
Normalmente, o apicultor, após retirar a melgueira repleta de mel, a coloca no chão, o que é totalmente desaconselhável tanto para a sua saúde como para a qualidade do mel, uma vez que esse procedimento pode levar à contaminação do mel por sujidades (poeira, terra, restos vegetais, etc.) presentes no terreno. Recomenda-se o uso de um suporte, que pode ser um ninho vazio ou um cavalete, colocado ao lado da caixa, para receber a melgueira. Apoiada nesse suporte, coloca-se uma base, de preferência uma prancha de aço inoxidável (confeccionada especificamente para esse fim), ou mesmo uma tampa nova de colmeia, que servirá de base para uma melgueira vazia onde os quadros de mel serão colocados. Uma segunda tampa também é utilizada sobre essa melgueira, de forma a isolar os quadros de mel, impedindo o saque pelas abelhas e a sua indesejada presença excessiva nas melgueiras que serão transportadas. Todo esse material utilizado deve estar devidamente limpo ou ser preferencialmente novo.


Cuidados com o veículo e o transporte 

O veículo usado para o transporte das melgueiras até a casa de mel deve ser preparado no dia anterior, passando por um processo de higienização. O veículo não deve ter transportado recentemente qualquer material que possa ter deixado algum tipo de resíduo (cama de frango, produtos químicos, agroquímicos, adubo, esterco, etc.). A superfície da área de carga do veículo deve ser revestida com material devidamente limpo e livre de impurezas, de forma a evitar o contato das melgueiras diretamente com o piso (lona plástica, etc.), de forma a evitar o contato das melgueiras diretamente com o piso.
Caso o veículo tenha seu compartimento de carga aberto, recomenda-se a utilização de lonas que possam cobrir as melgueiras, evitando a contaminação do mel por poeira, terra e outras sujidades, e pela eliminação de resíduos provenientes da combustão do motor, eliminados pelo cano de descarga do veículo (principalmente em casos de motores movidos a óleo diesel). Além disso, esse procedimento evita que as abelhas possam vir a saquear o mel das melgueiras coletadas. Assim, uma lona de grandes dimensões pode tanto revestir o assoalho do veículo, como também cobrir as melgueiras, envolvendo de forma mais eficiente toda a carga.
Durante a etapa de colocação das melgueiras no veículo, recomenda-se que ele não permaneça sob a incidência direta do sol, o que influenciaria negativamente a qualidade do mel. Nessa etapa, o ideal é a participação de, pelo menos, três pessoas, sendo duas responsáveis por trazer as melgueiras até o caminhão e repassá-las à terceira pessoa, que estaria em cima do veículo. Para a acomodação da carga, pode-se utilizar uma tampa de colmeia colocada sobre a lona, atuando como base para o empilhamento das melgueiras, e uma tampa em cima das mesmas, que vedará o acesso das abelhas durante a formação dessa pilha de melgueiras. Durante o processo de colocação das melgueiras no veículo, elas devem estar sempre cobertas pela lona até o preenchimento total da carga. Dessa forma, o processo se torna mais ágil e eficiente, proporcionando uma carga segura e protegida. É importante uma amarração eficiente de toda a carga, para que não ocorra deslocamento das melgueiras, o que poderia levar à queda das pilhas e conseqüente quebra dos quadros de mel. Assim, o deslocamento do veículo deve ocorrer de forma cuidadosa, principalmente se estiver trafegando em vias não-asfaltadas ou com irregularidades. Caso o motorista necessite parar durante o transporte, deve procurar proteger a carga da incidência direta do sol, escolhendo um lugar sombreado para estacionar o veículo.






EXTRAÇÃO E PROCESSAMENTO DO MEL



Instalações 

Para que se possa manipular produtos alimentícios de forma higiênica e segura, garantindo ao consumidor a qualidade do produto final, é indispensável que esses procedimentos sejam realizados em instalações e condições adequadas, específicas à classe de produtos a serem processados.
No caso do mel, o local destinado para a sua extração é chama-se de unidade de extração, normalmente denominada "Casa do Mel". Para o seu processamento, o local indicado é o Entreposto de Mel, embora essa etapa possa ser executada também na casa do mel, caso esta apresente as condições e o dimensionamento recomendado.


Casa do Mel 

A estrutura física da casa do mel apresenta construção e disposição simples, constando de área de recepção do material do campo (melgueiras) separada da área de manipulação, área de processamento do mel (podendo ser subdividida, conforme a etapa de processamento), área de envase, local de armazenagem do produto final e banheiro em área isolada (externa ao prédio).
A construção deve obedecer às normas sanitárias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (portaria nº 006/986).


Projeto Arquitetônico 

Apesar da simplicidade da construção, existem algumas variáveis de projetos, levando-se em conta, por exemplo, a topografia do terreno. A edificação pode estar localizada em área plana, mas também pode apresentar dois níveis, utilizando-se aterro ou laje de concreto ou mesmo aproveitando-se a declividade natural do terreno ou uma encosta. Nesse caso, o projeto permite que o mel seja conduzido entre a etapa de extração e a de decantação por meio da gravidade, dispensando o uso de "bombas".
É importante ressaltar que as dimensões da edificação devem estar adaptadas ao volume de produção. Entretanto, quaisquer que forem as medidas, o projeto deve atender ao fluxograma de extração e processamento do mel, evitando a contaminação cruzada do produto e otimizando a execução das diversas etapas envolvidas no processo, desde a chegada do produto do campo, até a saída do produto acabado para a comercialização.
Características Gerais da Construção
Toda a edificação deve apresentar alguns requisitos de construção que favoreçam a higienização do local e evitem a contaminação do ambiente por agentes externos (insetos, poeira, etc.) ou por contaminação cruzada :
Pisos: Devem ser de material antiderrapante, resistente e impermeável e de fácil higiene, apresentando declividade adequada e evitando o acúmulo de água.
Paredes: Construídas e revestidas com material não absorvente, lavável e de cor clara. Devem apresentar superfície lisa, sem fendas que possam acumular sujeiras, e cantos arredondados entre piso/parede/teto, facilitando a higienização.
Teto (forro): Construído de forma a se evitar o acúmulo de sujeiras.
Janelas: Construídas com material resistente, não absorvente e de fácil limpeza (não apresentando pontos inacessíveis, que possam acumular sujeiras). Devem ser providas de telas protetoras de insetos, de material resistente e com sistema que permita a sua limpeza efetiva.
Portas: Devem ser de material resistente, não absorvente e de fácil limpeza.
Banheiros: Devem ser separados da área de manipulação, ou seja, sem acesso interno e nenhuma comunicação com a mesma. Devem ser construídos com materiais que sigam as mesmas recomendações citadas anteriormente, providos de boa ventilação, sanitários, pias, recipientes para sabonete líquido, papel-toalha absorvente, papel higiênico e depósito de lixo com tampa. É recomendável que o local apresente cartaz educativo, ilustrando a maneira e a seqüência adequada para a lavagem das mãos e utilização das dependências.
Instalações hidráulicas: É recomendável a instalação de caixas d’água (com capacidade que não comprometa o abastecimento do prédio e a sua higienização), em local que permita uma boa vazão d’água e devidamente cobertas, evitando, assim, a contaminação do reservatório. O projeto deve conter um sistema de distribuição para todos os recintos. Não é recomendável o uso de caixas d’água de amianto.
Iluminação e instalações elétricas: o projeto deve favorecer a entrada de luz natural. No caso da iluminação artificial, deve-se dar preferência a luminárias de luz fria, sendo que qualquer tipo de luminária deve apresentar proteção contra quedas e explosões.
Ventilação: o projeto arquitetônico deve favorecer a ventilação e a circulação de ar no ambiente (interno), evitando temperaturas altas internamente, que são prejudiciais às condições de trabalho e à qualidade do mel.

Equipamentos e Utensílios 

Para que o mel possa ser extraído dos favos, sob um processo com qualidade, são necessários alguns equipamentos especiais. Para que se possa garantir a qualidade do produto final, todos os equipamentos e utensílios utilizados nas várias etapas de manipulação devem ser específicos para essa atividade, não cabendo qualquer forma de adaptação. No caso dos equipamentos e utensílios que irão ter contato direto com o produto, todos devem ser de aço inoxidável 304, específico para produtos alimentícios. Cada equipamento está relacionado com uma fase do processamento, conforme listado abaixo:
Mesa desoperculadora: Equipamento utilizado para dar suporte à desoperculação dos favos de mel. Constituída de uma base para o apoio dos quadros de mel, peneira e cuba para recebimento do resíduo de mel resultante do processo.
Garfo desoperculador: Utensílio com vários filetes pontiagudos, de inoxidável na extremidade e cabo empunhador de material plástico. Ao ser introduzido, paralelamente à superfície do quadro, os opérculos são retirados com movimento de torção do garfo (Fig. 45).


Figura 45. Garfo desoperculador.

Faca desoperculadora: Espécie de lâmina de inoxidável com empunhadura de plástico, podendo ou não conter sistema de aquecimento da lâmina. Passada paralelamente sobre a superfície do quadro, retira a camada de cera protetora dos alvéolos.
Aparelho automático de desoperculação: Equipamento onde os quadros são encaixados e desoperculados automaticamente por meio de um sistema de guilhotina com arames de metal. Recomendado para grandes produções. Alguns modelos recebem apenas os quadros, outros já recebem a melgueira toda.
Centrífuga: Equipamento que recebe os quadros já desoperculados e, por meio de movimento de rotação em torno de seu próprio eixo, retira o mel dos alvéolos (força centrífuga). Existem alguns sistemas de encaixe dos quadros, entretanto, o mais comum e com melhor rendimento é o que se denomina "radial", pois permite a retirada do mel nas duas faces do quadro ao mesmo tempo. No mercado, encontramos centrífugas com várias capacidades de extração, podendo ser manuais, com sistema de rotação acionado manualmente ou elétricas, com motor e dispositivos de controle de velocidade de rotação, sendo mais recomendadas para grande produção (Fig. 47).
Peneiras: Utensílios que retiram as partículas presentes no mel oriundas do processo de desoperculação e centrifugação. O ideal é que se utilizem várias "malhas" com diferentes diâmetros para uma filtragem mais eficiente. Em processos industriais, essa filtragem pode ocorrer mecanicamente, sob pressão.
Baldes: Recipientes destinados ao recebimento do mel centrifugado, servindo de suporte para as peneiras e para o transporte do mel até o decantador. Em grandes produções, a sua utilização é inadequada, sendo substituído por sistemas de escoamento do mel, entre as várias etapas do beneficiamento.
Decantador: Recipiente destinado ao recebimento do mel já centrifugado. É dotado de abertura superior, com tampa e orifício, e escoamento localizado na base. Tem como finalidade deixar o mel "descansar" por um período determinado (máximo de 10 dias), fazendo com que as eventuais bolhas produzidas durante o processo de centrifugação e as possíveis partículas presentes ainda no mel (pedaços de cera e partes do corpo das abelhas) subam até a superfície e possam ser separadas no momento do envase (Fig. 46).
Homogeneizadores: Tanques normalmente de grande capacidade, providos de pás rotatórias, que homogeneizam o mel, com a finalidade de padronizar grandes quantidades do produto em relação à cor, aroma e sabor. Alguns homogeneizadores são construídos com paredes duplas, providos de sistemas de aquecimento controlado, evitando o processo de cristalização (Fig. 47).
Mesa coletora: Recipiente utilizado apenas em processos industriais, destinado ao recebimento do mel (em baldes ou latas), previamente centrifugado e decantado. O mel é despejado no reservatório da mesa, passando por uma peneira, e bombeado diretamente sob pressão para o tanque homogeneizador ou escoado da mesa por gravidade e posteriormente bombeado (Fig. 46 b).


Figura 46. Modelos de decantador

A
B

Figura 47. Equipamentos utilizados na extração e processamento do mel: centrífuga (a) e tanque homogeneizador (b).


Higienização

Para que se possa garantir ao consumidor a qualidade do produto final, os produtos alimentícios, devem ser processados seguindo-se normas rigorosas de higiene, tanto das instalações como do pessoal envolvido e dos equipamentos utilizados. Essas normas estão contidas no que se denomina "Boas Práticas de Fabricação de Alimentos" – BPF.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, por meio do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal – DIPOA, vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária – DAS, dispõe de uma instrução normativa que determina o Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas Práticas de Manipulação para Estabelecimentos Elaboradores e/ou Industrializadores de Alimentos".
Para o cumprimento dessas normas, é necessário que se formule um plano de ação denominado "Procedimentos Práticos de Higiene Operacional" - PPHO, que visa estabelecer os procedimentos práticos para a implantação das normas de BPF.
A higienização, tanto do ambiente como dos equipamentos e do pessoal envolvido, é condição fundamental para a garantia da qualidade do produto final, devendo ser realizada previamente ao processamento do mel, pois sendo este um produto altamente higroscópico (alta capacidade de absorção de água), tanto o ambiente como os equipamentos não devem conter resíduos de água, o que elevaria a umidade relativa do ar do recinto. A higiene do ambiente e dos equipamentos consiste basicamente em duas etapas:
Limpeza: Destina-se à remoção dos resíduos orgânicos e minerais presentes nas superfícies do ambiente e equipamentos.
Sanificação: Tem a finalidade de remover dos equipamentos a carga microbiana, reduzindo-a a níveis satisfatórios.
É importante ressaltar que, para que esses procedimentos alcancem seus objetivos plenamente, é fundamental que a água utilizada no processo esteja dentro dos padrões de qualidade.
As etapas de limpeza e sanificação estão sub-divididas da seguinte maneira:
Pré-Lavagem – utilizando-se apenas água, retira em torno de 90% das sujidades.
Lavagem – utilizam-se detergentes para a retirada de material que permaneceu aderido às superfícies.
Enxagüe – retira os resíduos das sujidades e do detergente.
Sanificação – apenas essa etapa deve ser realizada imediatamente antes da utilização dos equipamentos. Esse procedimento não corrige eventuais falhas das etapas anteriores. Abaixo relacionam-se alguns dos agentes sanificantes :
Agentes físicos: calor e luz ultravioleta.
Agentes químicos: compostos clorados (hipoclorito de sódio e cálcio) e compostos iodados (solução alcoólica a 10%).

Processamento

No caso específico do mel, existem outros procedimentos que devem ser seguidos, de forma a manterem a qualidade e as características intrínsecas do produto.
As melgueiras, ao chegarem na casa de mel, devem ser depositadas em área isolada do recinto onde ocorrerá a extração do mel e as outras etapas do beneficiamento; devem ser colocadas sobre estrados (de madeira ou material plástico) devidamente limpos, que impeçam seu contato direto com o solo. Essas melgueiras provenientes do campo não devem ter acesso à área de manipulação; assim, apenas os quadros devem ser transportados para a manipulação, podendo-se usar outras melgueiras ou caixas plásticas, devidamente limpas, apenas para esse fim.
Todas as etapas posteriores (desoperculação dos quadros, centrifugação, filtragem e decantação do mel) devem também seguir as normas higiênico-sanitárias indicadas pelas BPF. Para tal, deve-se tomar cuidados especiais em relação às vestimentas e higiene do pessoal envolvido e aos procedimentos de manipulação.
Após a desoperculação dos favos, os quadros são encaminhados para a centrifugação, que deverá ocorrer lentamente no início para não quebrar os quadros que estão cheios de mel, aumentando-se a sua velocidade progressivamente. Uma vez extraído, o mel pode ser retirado da centrífuga por gravidade, escoando-o para um balde ou diretamente para o decantador. Conforme o volume de produção, pode-se utilizar um sistema de bombeamento. Para ambas as possibilidades, o mel iniciará o processo de filtragem.
Nessa etapa, recomenda-se a utilização de várias peneiras com diferentes gramaturas, seguindo-se da maior para a menor.
Após a filtragem, o mel é encaminhado para o decantador, onde "descansará", por, pelo menos, 48 horas, a fim de que as eventuais partículas que não foram retiradas pela filtragem e as bolhas criadas durante o processo se desloquem para a porção superior do decantador, sendo retiradas posteriormente durante o procedimento de envase.
No caso da necessidade da homogeneização do mel, este segue, após a decantação, para o homogeneizador por sistema manual ou por sistema mecanizado.
Na transferência do mel para o decantador e no momento do envase, deve-se evitar o aparecimento indesejável de bolhas, executando-se os procedimentos de forma lenta e posicionando os recipientes ligeiramente inclinados, fazendo com que o mel escoe pela parede da embalagem.

Armazenamento 

Cuidados especiais devem ser tomados em relação ao armazenamento, tanto do mel a granel (baldes plásticos e tambores) como do fracionado (embalagens para o consumo final), em relação à higiene do ambiente e, principalmente, em relação ao controle da temperatura. Altas temperaturas durante todo o processamento e estocagem são prejudiciais à qualidade do produto final, uma vez que o efeito nocivo causado ao mel é acumulativo e irreversível. Essas embalagens devem ser colocadas sobre estrados de madeira ou outro material, impedindo o contato direto com o piso e facilitando seu deslocamento no caso da utilização de empilhadeiras.


Embalagem 

Para o mel, devem-se utilizar apenas embalagens próprias para o acondicionamento de produtos alimentícios e preferencialmente novas, pois não se recomenda a reciclagem de embalagens de outros produtos alimentícios (margarina, óleo, etc.). Atualmente, no mercado, existem embalagens específicas para mel, com várias capacidades e formatos.
Em embalagens a granel (25 kg), os baldes de plástico têm relação custo-benefício superior ao da lata de metal, além de proporcionar facilidade no transporte (presença de alças). Já para capacidades superiores (300 kg) destinadas à exportação, a embalagem usada é o tambor de metal (com revestimento interno de verniz especial). Quanto às embalagens para o varejo, tanto o plástico, específico para alimentos (Fig.48), como o vidro são recomendáveis, embora o vidro seja o material ideal para o acondicionamento do mel, inclusive como único material aceito para a exportação (mel fracionado) e para a certificação orgânica.
Embora o vidro apresente restrições em relação ao transporte e armazenagem das embalagens (maior risco de danos por quebra), sua constituição não propicia a troca gasosa com o ambiente externo (permeabilidade da parede), o que não ocorre com o material plástico. Outro ponto positivo do virdro está relacionado com a sua capacidade de realçar a cor do mel (ponto importante na atratividade do produto).
Outro aspecto relacionado com a qualidade da embalagem é o tipo de tampa, uma vez que ela será o ponto mais vulnerável no contato entre o produto acondicionado e o ambiente externo. A tampa deve isolar hermeticamente o conteúdo do recipiente. Isso ocorre normalmente pela presença de um anel de vedação interno. Nesse caso, as embalagens de vidro levam vantagem sobre as de plástico, que muitas vezes apresentam tampas com vedação precária, propiciando a absorção de umidade do ambiente e criando condições para o desenvolvimento microbiano, que irá acarretar a fermentação do produto.



Figura 48. Variedade de embalagens de plástico para mel.