10 de set. de 2015

Organização Social da Colméia



Organização e estrutura da colmeia

As abelhas são insetos sociais, vivendo em colônias organizadas em que os indivíduos se dividem em castas, possuindo funções bem definidas que são executadas visando sempre à sobrevivência e manutenção do enxame. Numa colônia, em condições normais, existe uma rainha, cerca de 5.000 a 100.000 operárias e de 0 a 400 zangões (Fig.6).

 Rainha, operárias e zangões adultos de uma colmeia de Apis mellifera.
A rainha tem por função a postura de ovos e a manutenção da ordem social na colmeia. A larva da rainha é criada num alvéolo modificado, bem maior que os das larvas de operárias e zangões, de formato cilíndrico, denominado realeira (Fig. 7), sendo alimentada pelas operárias com a geléia real, produto rico em proteínas, vitaminas e hormônios sexuais. A rainha adulta possui quase o dobro do tamanho de uma operária (Fig. 6) e é a única fêmea fértil da colmeia, apresentando o aparelho reprodutor bem desenvolvido.


 Realeiras construídas na extremidade do favo.
A vida reprodutiva da rainha inicia-se com o vôo nupcial para sua fecundação que ocorre, aproximadamente, 5 a 7 dias depois de seu nascimento. A fecundação ocorre em áreas de congregação de zangões, onde existem de centenas a milhares de zangões voando à espera de uma rainha, conferindo assim uma grande variabilidade genética no acasalamento.
A rainha se dirige a essas áreas, a cerca de 10 metros de altura, atraindo os zangões com a liberação de substâncias denominadas feromônios. Apenas os mais rápidos e fortes conseguem alcançá-la e o acasalamento, ou cópula, ocorre em pleno vôo. Uma rainha pode ser fecundada por até 17 zangões e o sêmen é armazenado num reservatório especial denominado espermateca. Esse estoque de sêmen será utilizado para a fecundação de óvulos durante toda a vida da rainha, pois ao retornar à colônia não sairá mais para realizar outro vôo nupcial. A rainha começa a postura dos ovos na colônia de 3 a 7 dias depois do acasalamento.
Somente a rainha é capaz de produzir ovos fertilizados, que dão origem às fêmeas (operárias ou novas rainhas), além de ovos não fertilizados, que originam os zangões. Em casos especiais, as operárias também podem produzir ovos, embora não fertilizados, que darão origem a zangões.
A capacidade de postura da rainha pode ser de até 2.500 a 3.000 ovos por dia, em condições de abundância de alimento. Ela pode viver e reproduzir-se por até 3 anos ou mais. Entretanto, em climas tropicais, sua taxa de postura diminui após o primeiro ano. Por isso, costuma-se recomendar aos apicultores que substituam suas rainhas anualmente.
A rainha consegue manter a ordem social na colmeia através da liberação de feromônios. Essas substâncias têm função atrativa e servem para informar aos membros da colmeia que existe uma rainha presente e em atividade; inibem a produção de outras rainhas; a enxameaçãoe a postura de ovos pelas operárias. Servem ainda para auxiliar no reconhecimento da colmeia e na orientação das operárias. A rainha está sempre acompanhada por um grupo de 5 a 10 operárias, encarregadas de alimentá-la e cuidar de sua limpeza. As operárias também podem aproximar-se da rainha para recebimento e repasse dos feromônios a outros membros da colmeia.
Quando ocorre a morte da rainha ou quando ela deixa de produzir feromônios e de realizar posturas, em virtude de sua idade avançada, ou ainda quando o enxame está muito populoso e falta espaço na colmeia, as operárias escolhem ovos recentemente depositados ou larvas de até 3 dias de idade, que se desenvolvem em células especiais - realeiras (Fig. 7) - para a produção de novas rainhas. A primeira rainha a nascer destrói as demais realeiras e luta com outras rainhas que tenham nascido ao mesmo tempo até que apenas uma sobreviva.
Em caso de população grande, a rainha velha enxameia com, aproximadamente, metade da população antes do nascimento de uma nova rainha. Em alguns casos, quando a rainha está muito cansada, ela pode permanecer na colmeia em convivência com a nova rainha por algumas semanas, até sua morte natural. Também pode ocorrer que a nova rainha elimine a rainha antiga, logo após o nascimento.
As operárias (Fig. 6) realizam todo o trabalho para a manutenção da colmeia. Elas executam atividades distintas, de acordo com a idade, desenvolvimento glandular e necessidade da colônia (Tabela 8). 

Tabela 8. Funções executadas pelas operárias de acordo com a idade.
Idade
Função

1º ao 5º dia

Realizam a limpeza dos alvéolos e de abelhas recém-nascidas

5º ao 10º

São chamadas abelhas nutrizes porque cuidam da alimentação das larvas em desenvolvimento. Nesse estágio, elas apresentam grande desenvolvimento das glândulas hipofaringeanas e mandibulares, produtoras de geléia real.

11º ao 20º dia

Produzem cera para construção de favos, quando há necessidade, pois nessa idade as operárias apresentam grande desenvolvimento das glândulas ceríferas. Além disso, recebem e desidratam o néctar trazido pelas campeiras, elaborando o mel.

18º ao 21º dia

Realizam a defesa da colmeia. Nessa fase, as operárias apresentam os órgãos de defesa bem desenvolvidos, com grande acúmulo de veneno. Podem também participar do controle da temperatura na colmeia.

22º dia até a morte

Realizam a coleta de néctar, pólen, resinas e água, quando são denominadas campeiras.

  Tabela 8. Funções executadas pelas operárias de acordo com a idade.
Idade
Função
1º ao 5º dia
Realizam a limpeza dos alvéolos e de abelhas recém-nascidas
5º ao 10º
São chamadas abelhas nutrizes porque cuidam da alimentação das larvas em desenvolvimento. Nesse estágio, elas apresentam grande desenvolvimento das glândulas hipofaringeanas e mandibulares, produtoras de geléia real.
11º ao 20º dia
Produzem cera para construção de favos, quando há necessidade, pois nessa idade as operárias apresentam grande desenvolvimento das glândulas ceríferas. Além disso, recebem e desidratam o néctar trazido pelas campeiras, elaborando o mel.
18º ao 21º dia
Realizam a defesa da colmeia. Nessa fase, as operárias apresentam os órgãos de defesa bem desenvolvidos, com grande acúmulo de veneno. Podem também participar do controle da temperatura na colmeia.
22º dia até a morte
Realizam a coleta de néctar, pólen, resinas e água, quando são denominadas campeiras.
É importante ressaltar que a necessidade da colmeia pode fazer com que as operárias reativem algumas das glândulas atrofiadas para realizar determinada atividade, ou seja, se for necessário, uma abelha mais nova pode sair para a coleta no campo e uma abelha mais velha pode encarregar-se de alimentar a cria.
As operárias possuem os órgãos reprodutores atrofiados, não sendo capazes de se reproduzirem. Isso acontece porque, na fase de larva, elas recebem alimento menos nutritivo e em menor quantidade que a rainha. Além disso, a rainha produz feromônios que inibem o desenvolvimento do sistema reprodutor das operárias na fase adulta. Em compensação, elas possuem órgãos de defesa e trabalho perfeitamente desenvolvidos, muitos dos quais não são observados na rainha e no zangão, como a corbícula (onde é feito o transporte de materiais sólidos) e as glândulas de cera.
Os zangões (Fig. 6) são os indivíduos machos da colônia, cuja única função é fecundar a rainha durante o vôo nupcial. As larvas de zangões são criadas em alvéolos maiores que os alvéolos das larvas de operárias (Fig. 8) e levam 24 dias para completarem seu desenvolvimento de ovo a adulto. Eles são maiores e mais fortes do que as operárias, entretanto, não possuem órgãos para trabalho nem ferrão e, em determinados períodos, são alimentados pelas operárias. Em contrapartida, os zangões apresentam os olhos compostos mais desenvolvidos e antenas com maior capacidade olfativa. Além disso, possuem asas maiores e musculatura de vôo mais desenvolvida. Essas características lhes permitem maior orientação, percepção e rapidez para a localização de rainhas virgens durante o vôo nupcial.


Alvéolos de zangão e de operária de Apis mellifera.
Os zangões são atraídos pelos feromônios da rainha a distâncias de até 5 km durante o vôo nupcial. Durante o acasalamento, o órgão genital do zangão (endófalo) fica preso no corpo da rainha e se rompe, ocasionando sua morte.
Desenvolvimento das abelhas
Durante seu ciclo de vida, as abelhas passam por quatro diferentes fases: ovo, larva, pupa e adulto.


Diferentes fases do ciclo de desenvolvimento de abelhas Apis mellifera.
A rainha inicia a postura geralmente após o terceiro dia de sua fecundação, depositando um ovo em cada alvéolo. O ovo é cilíndrico, de cor branca e, quando recém colocado, fica em posição vertical no fundo do alvéolo. Três dias após a postura, ocorre o nascimento da larva, que tem cor branca, formato vermiforme e fica posicionada no fundo do alvéolo, com corpo recurvado em forma de "C" (Fig. 9). Durante essa fase, a larva passa por cinco estágios de crescimento, trocando sua cutícula (pele) após cada estágio.
No final da fase larval, 5 a 6 dias após a eclosão, a célula é operculada e a larva muda de posição, ficando reta e imóvel. Nessa fase, ela não se alimenta mais, tece seu casulo, sendo comumente chamada de pré-pupa. Na fase de pupa já podem ser distinguidos a cabeça, o tórax e o abdome, visualizando-se olhos, pernas, asas, antenas e partes bucais. Os olhos e o corpo passam por mudanças de coloração até a emersão da abelha adulta (Fig. 9).
Período de Desenvolvimento (dias)
Toda a transformação pela qual a abelha passa até chegar ao estágio adulto denomina-se metamorfose.
A duração de cada uma das fases é diferenciada para rainhas, operárias e zangões (Tabela 9).
Tabela 9. Período de desenvolvimento (dias) de crias de abelhas Apis mellifera africanizada.

Período de desenvolvimento (dias)
CASTA OVO LARVA PUPA TOTAL
rainha 3 5 7 15
operaria 3 5 12 20
zangão 3 6,5 14,5 24

A longevidade dos adultos das três castas também é diferente: a rainha pode viver até 2 anos ou mais apesar de que, em clima tropical, sua vida reprodutiva dura, em média, 1 ano; as operárias, em condições normais, vivem de 20 a 40 dias. Os zangões que não acasalam podem viver até 80 dias, se houver alimento na colmeia. Durante o período de escassez de alimento, as operárias costumam expulsar ou matar os zangões.

Estrutura e uso dos favos

O ninho das abelhas é constituído de favos, que são formados por alvéolos de formato hexagonal (com seis lados). Essa forma permite menor uso de material e maior aproveitamento do espaço. Os alvéolos têm uma inclinação de 4° a 9º para cima, evitando que a larva e o mel escorram, e são construídos em dois tamanhos: no maior, a rainha faz postura de ovos de zangão; já os menores podem ser usados para a criação de operárias e para estocagem de alimento (Fig. 8).
Durante a maior parte do ano, a prole é criada nas partes centrais da colmeia, de forma a facilitar o controle de temperatura pelas operárias. A cria, freqüentemente, ocupa o centro dos favos, sendo que os cantos inferiores e superiores são usados para estocagem de alimento, facilitando o trabalho das abelhas nutrizes, que são responsáveis pela alimentação das larvas.

Diferenciação das castas

Geneticamente, uma rainha é idêntica a uma operária. Ambas se desenvolvem a partir de ovos fertilizados. Entretanto, fisiológica e morfologicamente essas castas são diferentes em razão da alimentação diferenciada que as larvas recebem.
A rainha recebe, durante toda sua vida, um alimento denominado geléia real, que é composto das secreções das glândulas mandibulares e hipofaringeanas, localizadas na cabeça de operárias (Fig. 5), com adição de açúcares provenientes do papo. Pesquisas têm indicado que a geléia real oferecida às larvas de rainha é superior em quantidade e qualidade, possuindo maior proporção da secreção das glândulas mandibulares e maior concentração de açúcares e outros compostos nutritivos
As larvas de operárias, são alimentadas até o terceiro dia com um alimento comumente chamado de geléia de operária, que apresenta maior proporção da secreção das glândulas hipofaringeanas e menor quantidade de açúcares que o da rainha. Após esse período, passam a receber uma mistura de geléia de operária, mel e pólen.
Mesmo tendo recebido um alimento menos nutritivo, uma larva de, no máximo, 3 dias pode transformar-se em rainha se passar a receber a alimentação adequada. Entretanto, quanto mais nova for a larva, melhor será a qualidade da rainha e sua capacidade de postura.
Além da alimentação, a estrutura onde a larva da rainha é criada (realeira) tem grande influência em seu desenvolvimento, uma vez que é maior que o alvéolo de operária e posicionada de cabeça para baixo, o que deixa o abdome da pupa livre, permitindo pleno desenvolvimento e formação dos órgãos reprodutores.Assim, para que uma larva de operária se transforme em rainha, é necessário, além da alimentação, que a larva seja transferida para uma realeira ou que se construa uma realeira no local onde se encontra a larva.
Um resumo sobre a diferenciação das castas em abelhas Apis mellifera apresenta-se na Fig. 10.


Figura10. Esquema de diferenciação das castas em Apis mellifera.

Comunicação

Entre as abelhas Apis mellifera, a comunicação pode ser feita por meio de sons, substâncias químicas, tato, danças ou estímulos eletromagnéticos.
A transferência de alimento parece ser uma das maneiras mais importantes de comunicação, uma vez que, durante as transferências, ocorrem também trocas de algumas secreções glandulares. Esse simples gesto de troca de alimento pode informar a necessidade de néctar e água, odor e sabor da fonte de alimento e as mudanças na qualidade e quantidade de néctar coletado, afetando a postura, criação da prole, secreção de cera e armazenamento do mel, entre outras atividades.Durante esse processo, são transferidos, também, feromônios que estimulam ações específicas, como será visto a seguir.
O principal meio de comunicação químico é feito pelos feromônios, que são substâncias químicas produzidas e liberadas externamente por indivíduos, que produzem uma resposta específica no comportamento ou fisiologia de indivíduos da mesma espécie. Em abelhas esses feromônios são transmitidos pelo ar, contato físico ou alimento. Na Tabela 10, apresentam-se alguns feromônios produzidos pelas abelhas e as reações desencadeadas por eles.

Tabela 10. Alguns feromônios produzidos por abelhas Apis mellifera e suas respectivas reações.

Tabela 10. Alguns feromônios produzidos por abelhas Apis mellifera e suas respectivas reações.
Feromônios
Reação desencadeada

Produzidos por operárias:

Feromônio de trilha

Orienta as operárias na localização do ninho e de fontes de alimento

Feromônio de alarme

Alerta as operárias para a presença de inimigo próximo à colmeia

Feromônio de defesa


Liberado por operárias durante a ferroada, atrai outras operárias para ferroarem o local

Feromônio de detenção

Repele as operárias de fontes sem disponibilidade de alimento

Feromônio da glândula de Nasonov


Liberado na entrada da colméia durante a enxameação e em fontes de água e alimento, ajuda na orientação e no agrupamento das abelhas

Produzidos por rainhas:

Feromônio da glândula mandibular

Atrai zangões para o acasalamento, mantém a unidade da colmeia, inibe o desenvolvimento dos ovários das operárias e a produção de rainhas

Feromônio das glândulas epidermais

Atração das operárias. Age em sinergia com o feromônio da glândula mandibular

Feromônio de trilha

Ajuda a evitar a produção de novas rainhas.

Produzidos por zangões:

Feromônio da glândula mandibular do zangão

Atrai rainhas e outros zangões para a zona de congregação de zangões

Produzidos por crias:

Feromônio de cria


Estimula a coleta de alimento e inibe o desenvolvimento dos ovários das operárias. Permite que as operárias reconheçam idade, casta e estado de sanidade das crias
Fonte: Free (1987), Winston (1987) e Nogueira Couto & Couto (2002).
Feromônios

Reação desencadeada

Produzidos por operárias:

Feromônio de trilha
Orienta as operárias na localização do ninho e de fontes de alimento
Feromônio de alarme
Alerta as operárias para a presença de inimigo próximo à colmeia
Feromônio de defesa
Liberado por operárias durante a ferroada, atrai outras operárias para ferroarem o local
Feromônio de detenção
Repele as operárias de fontes sem disponibilidade de alimento
Feromônio da glândula de Nasonov
Liberado na entrada da colméia durante a enxameação e em fontes de água e alimento, ajuda na orientação e no agrupamento das abelhas

Produzidos por rainhas:

Feromônio da glândula mandibular
Atrai zangões para o acasalamento, mantém a unidade da colmeia, inibe o desenvolvimento dos ovários das operárias e a produção de rainhas
Feromônio das glândulas epidermais
Atração das operárias. Age em sinergia com o feromônio da glândula mandibular
Feromônio de trilha
Ajuda a evitar a produção de novas rainhas.

Produzidos por zangões:

Feromônio da glândula mandibular do zangão
Atrai rainhas e outros zangões para a zona de congregação de zangões

Produzidos por crias:

Feromônio de cria
Estimula a coleta de alimento e inibe o desenvolvimento dos ovários das operárias. Permite que as operárias reconheçam idade, casta e estado de sanidade das crias
Fonte: Free (1987), Winston (1987) e Nogueira Couto & Couto (2002).
A dança é outro importante meio de comunicação; por meio dela as operárias podem informar a distância e a localização exata de uma fonte de alimento, um novo local para instalação do enxame, a necessidade de ajuda em sua higiene ou, ainda, podem impedir que a rainha destrua novas realeiras e estimular a enxameação.
O cientista alemão Karl Von Frisch descobriu e definiu o sistema de comunicação utilizado para informar sobre a localização da fonte de alimento, observando que as abelhas costumam realizar três tipos de dança: dança em círculo, dança do requebrado ou em forma de oito e dança da foice (Tabela 11).


Tabela 11Tipos de dança realizados pelas abelhas Apis mellifera para transmitir informações sobre fontes de alimentos.

Dança

Função
Dança em círculo
Informa sobre fontes de alimento que estão a menos de cem metros de distância da colmeia


Dança do requebrado
Usada para fontes de alimento que estão a mais de cem metros de distância. Nessa dança, a abelha descreve a direção e a distância da fonte


Dança da foice
Considerada uma dança de transição entre a dança em círculo e a do requebrado. É utilizada quando o alimento se encontra a até cem metros da colmeia

Tabela 11. Tipos de dança realizados pelas abelhas Apis mellifera para transmitir informações sobre fontes de alimentos.


Dança

Função

Dança em círculo
Informa sobre fontes de alimento que estão a menos de cem metros de distância da colmeia

Dança do requebrado
Usada para fontes de alimento que estão a mais de cem metros de distância. Nessa dança, a abelha descreve a direção e a distância da fonte

Dança da foice

Considerada uma dança de transição entre a dança em círculo e a do requebrado. É utilizada quando o alimento se encontra a até cem metros da colmeia
As danças podem ser executadas dentro da colmeia, sobre um favo, ou no alvado. Durante a dança, a operária campeira indica a direção da fonte de alimento em relação à posição da colmeia e do sol. A distância da colmeia até a fonte de néctar é informada pelo número de vibrações (requebrados) realizadas e pela intensidade do som emitido durante a dança. Quanto menor a distância entre a fonte e a colmeia, maior o número de vibrações.
A campeira pode interromper sua dança a curtos intervalos e oferecer às operárias que estão observando, uma gota do néctar que coletou. Assim, ela informa o odor do néctar e da flor e as demais operárias partem em busca desta fonte. O recrutamento aumenta com a vivacidade e a duração da dança.

Termorregulação da colmeia

Independentemente da temperatura externa, a área de cria da colmeia é mantida entre 34 e 35º C, temperatura ideal para o desenvolvimento das crias. A ocorrência de temperaturas fora dessa faixa pode provocar aumento da mortalidade na colônia e as operárias que emergirem podem apresentar defeitos físicos nas asas ou outras partes do corpo.
Para baixar a temperatura da colmeia, as abelhas do interior da colônia se distanciam dos favos e se aglomeram do lado de fora da caixa. Algumas operárias ficam posicionadas na entrada do ninho, movimentando suas asas de forma a direcionar uma corrente de ar para o interior da colmeia. Essa corrente de ar, além de esfriar a colmeia, auxilia na evaporação da umidade do néctar, transformando-o em mel.
No interior da caixa, outras operárias estão batendo as asas, ajudando na circulação da corrente de ar. Se houver duas entradas na colmeia, o ar é aspirado por uma entrada e expelido pela outra; caso contrário, usa-se parte da entrada para aspirar e outra parte para expelir.
Se a temperatura do ar estiver muito alta, as operárias coletam água e espalham pequenas gotas pela colmeia e/ou regurgitam pequena quantidade de água abaixo da língua, que será evaporada pela corrente de ar, auxiliando no resfriamento da colônia. A umidade evaporada do néctar também se presta a esse fim.
A umidade relativa da colmeia é mantida por volta dos 40%. Se essa porcentagem aumentar muito com a evaporação do néctar, as operárias imediatamente provocarão uma corrente de ar para o interior da colmeia, na tentativa de diminuir a umidade.
Em períodos frios, para aumentar a temperatura do interior do ninho, as abelhas se aglomeram em "cachos". Se a temperatura continuar caindo, as operárias aumentam sua taxa de metabolismo, provocando vibrações dos músculos torácicos, gerando calor. Ocorre também uma troca de posição: abelhas que estão no centro do cacho vão para as extremidades e vice-versa.







7 de set. de 2015

Povoamento de Colméias




Para facilitar a aceitação das abelhas à nova caixa, é recomendável que o apicultor pincele em seu interior uma solução de própolis ou extrato de capim-limão ou capim-cidreira (Cymbopogon citratus) ou esfregar um punhado de suas folhas, deixando a madeira com um odor mais atrativo para o enxame. Para povoar o apiário, o apicultor poderá comprar colmeias povoadas, dividir famílias fortes ou capturar enxame.

Caixa Isca (captura passiva)



Nas épocas de enxameação (períodos naturais de divisão e deslocamento de enxames), o apicultor deve distribuir algumas caixas com três a cinco quadros com cera alveolada perto de fontes de água, engenhos, etc. As colmeias devem ser deixadas fixadas em árvores ou em cima de tocos a uma altura de 1,5 m a 2 m, para que fiquem mais visíveis aos enxames. Se preferir, o apicultor poderá usar caixas de papelão próprias para capturas de enxames, à venda em lojas especializadas, ou ainda confeccionar pequenas caixas de madeira de baixa qualidade. Dessa forma, reduz-se o prejuízo em caso de roubo e facilita-se o transporte do enxame para o apiário. Entretanto, aumenta-se o risco de perder o enxame ao transferi-lo para a caixa padrão.   

A cada 10 a 20 dias, é necessário que se realize uma inspeção nas caixas para verificar as que foram povoadas. Após verificada a captura do enxame, ele deve ser transportado para o apiário em alguns dias (apenas o necessário para o início da postura pela rainha), pois sem o acúmulo de alimento, o enxame comporta-se-á menos agressivamente, facilitando o seu transporte.


Coleta de Enxame Migratório (captura ativa)


Trata-se de um enxame de abelhas (em forma de cacho) instalado provisoriamente em árvores, postes, telhados, etc. Nesse cacho, o apicultor não notará a presença de favos. 

Para capturar o enxame, basta pegar o cacho completo e colocar na caixa contendo quadros com cera alveolada. Pode-se utilizar um balde ou simplesmente colocar a caixa embaixo do enxame e sacudir as abelhas. A caixa deve ser fechada imediatamente e transportada para o apiário.


Coleta de Enxame Fixo


Esse enxame tem uma captura mais trabalhosa, uma vez que será necessário retirar os favos e transferi-los para a colmeia. 

Após localizar o enxame, deve-se aplicar bastante fumaça no local e cortar os favos, de forma a encaixá-los na armação do quadro, fixando-os com um elástico ou barbante e tomando o cuidado para que os favos cortados fiquem na mesma posição que estavam anteriormente. Os favos com células de zangão e mel não devem ser aproveitados no enxame. 
As operárias são colocadas no interior da caixa por meio de um recipiente. Se a rainha não for encontrada e observar-se que as abelhas estão entrando naturalmente na colmeia, é sinal de que a rainha já se encontra no seu interior. 
Todos os vestígios do enxame devem ser removidos do local, raspando-se bem os restos de favos, evitando-se, assim, que o local continue atrativo para a instalação de um novo enxame (caso não seja de interesse do apicultor). A colmeia deve permanecer no mesmo local onde estava o enxame, com o alvado voltado para o mesmo lado que a antiga entrada da colônia por três dias no mínimo (tempo necessário para que as abelhas fixem os favos transferidos).


Divisão de Enxame


Quando o apicultor notar que uma de suas colmeias está muito populosa, ele poderá dividi-la em duas colônias menores. Entretanto, convém salientar que o apicultor deve privilegiar a manutenção de colônias sempre populosas, ou seja, colmeias fortes, pois serão elas as responsáveis pela produção. 

Ao se proceder uma divisão, deve-se repartir igualmente o número de quadros contendo favos de cria e alimento nas duas colmeias, deixando o maior número de ovos (crias abertas) para a colônia que for ficar sem rainha, uma vez que eles serão necessários para a formação de uma nova rainha. As operárias também devem ser divididas e o espaço vazio das caixas deve ser preenchido com quadros com cera alveolada. O enxame que ficar com a rainha deve ser removido para uma distância mínima de 2 m (Fig. 29).










Manejo Produtivo das Colméias


Após a fase de instalação do apiário, o apicultor deverá preocupar-se em realizar o manejo eficiente de suas colmeias para que consiga ter sucesso na atividade. Para isso, deverá estar sempre atento à situação das colmeias, observando a quantidade de alimento disponível, a presença e a qualidade da postura da rainha, o desenvolvimento das crias, a ocorrência de doenças ou pragas, etc. Desse modo, muitos problemas podem ser evitados caso sejam tomadas medidas preventivas, utilizando-se técnicas de manejo adequadas.


Revisão das colmeias 
 
As revisões são realizadas para avaliar as condições gerais das colmeias e a ocorrência de anormalidades. Devem ser feitas somente quando necessário e de forma a interferir o mínimo possível na atividade das abelhas, evitando causar desgaste ao enxame, uma vez que, durante as revisões, geralmente ocorre um consumo exagerado de mel, mortalidade de abelhas adultas na tentativa de defender a colônia, mortalidade de crias em razão da exposição dos quadros ao meio ambiente e interrupção da postura da rainha, além de interferir na comunicação com a fonte de alimento.


Quando e como realizar as revisões 
 
De uma maneira geral, recomenda-se a realização de revisões nas seguintes situações e intervalos:

  • Para enxames recém-coletados, recomenda-se realizar uma revisão cerca de 15 dias após sua instalação no apiário, verificando seu desenvolvimento inicial do enxame e observar as condições gerais dos favos.
  • No período anterior às floradas, deve ser realizada uma boa revisão, com o objetivo de deixar a colmeia em ótimas condições para o início da produção. Os aspectos a serem observados e as principais medidas adotadas serão descritos a seguir.
  • Durante as floradas, devem-se realizar revisões nas melgueiras a cada 15 dias, para verificar como está a produção de mel, a quantidade de quadros completos, devidamente operculados, e a necessidade de acrescentar ou não mais melgueiras. Nessa revisão, deve-se evitar o uso excessivo de fumaça junto às melgueiras para que o mel não a absorva.
  • Após o período das principais floradas, deve-se realizar novamente uma revisão completa no ninho, verificando se existem anormalidades, com o objetivo de preparar a colmeia para o período de entressafra.
  • Na entressafra, as revisões devem ser menos freqüentes, geralmente mensais, para evitar desgaste aos enxames que, normalmente, estão mais fracos. As revisões devem ser rápidas, observando-se, principalmente, se há necessidade de alimentar as colmeias, reduzir alvado, controlar inimigos naturais ou unir enxames fracos.
Para que as revisões se realizem de forma eficiente, causando mínimos prejuízos às colmeias, recomenda-se a adoção dos seguintes procedimentos:
  • Trabalhar, preferencialmente, em dias claros, com clima estável. O melhor horário é entre 8 e 11 horas e das 15 às 17horas e 30 minutos, aproveitando que a maioria das operárias está no campo em atividade de coleta. Nunca se deve trabalhar durante a chuva.
  • Respeitar a capacidade defensiva das abelhas, utilizando vestimenta apícolaadequada, de cores claras, em bom estado de conservação e limpeza (Fig. 19); evitar cheiros fortes (suor, perfume) e barulho que possa irritar as abelhas.
  • Utilizar um bom fumigador(Fig. 16) com materiais de combustão de origem vegetal, tais como, serragem, folhas e cascas secas, de modo a produzir uma fumaça branca, fria e sem cheiro forte. Não devem ser usados produtos de origem animal ou mineral.
  • É aconselhável que duas pessoas realizem a revisão para que uma fique manejando o fumigador, enquanto a outra realiza a abertura e vistoria da colmeia. Assim, a revisão pode ser feita de forma rápida, eficiente e segura.
  • Posicionar-se sempre na parte detrás ou nas laterais da colmeia, nunca na frente, evitando a linha de vôo das abelhas (entrada e saída da colmeia).
  • Realizar a revisão com calma, sem movimentos bruscos, porém, rapidamente, evitando que a colmeia fique aberta por muito tempo.
  • Evitar a exposição demorada dos favos ao sol ou ao frio.

O uso da fumaça é essencial para o manejo das colmeias. Sua função é simular uma situação de perigo (ocorrência de incêndio), fazendo com que as abelhas se preparem para abandonar o local. Para isso, a maior parte das operárias passa a consumir o máximo de alimento possível, armazenando-o no papo. O excesso de alimento ingerido, além de deixar a abelha mais pesada, provoca uma distensão do abdome que dificulta os movimentos para a utilização do ferrão. 

Na abertura da colmeia, deve-se aplicar fumaça no alvado, aguardar alguns segundos para que a fumaça atue sobe as abelhas, levantar um pouco a tampa, com auxílio do formão, e aplicar fumaça horizontalmente sobre os quadros. Em seguida, retira-se a tampa, evitando movimentos bruscos. Durante a vistoria, a fumaça deve ser aplicada regularmente e sem excesso na colmeia em que se está trabalhando e em colmeias próximas, sempre que se observar aumento da agressividade das abelhas.

O que observar durante as revisões 
 
Depois de aberta a colmeia, utilizando-se o formão, devem-se separar os quadros, que geralmente estão colados com própolis, e retirá-los um a um, a partir das extremidades, para observar os seguintes aspectos:

  • Presença de alimento (mel e pólen) e de crias (ovo, larva, pupa).
  • Presença da rainha e avaliação de sua postura. Para verificar a presença da rainha, não é necessário visualizá-la, basta observar a ocorrência de ovos nas áreas de cria. A verificação de muitas falhas nas áreas de cria (Fig. 30) é um indicativo de que a rainha está velha e, conseqüentemente, sua postura está irregular.
  • Existência de espaço suficiente para o desenvolvimento da colmeia e armazenamento do alimento. Quando a população está elevada e o espaço restrito, a colônia tende a dividir-se naturalmente, enxameando.
  • Presença de realeiras que podem indicar ausência de rainha ou que a colônia está prestes a enxamear.
  • Sinais de ocorrência de doenças, pragas ou predadores. Áreas de cria com falhas (Fig. 30) também podem indicar a ocorrência de doenças.
  • Estado de conservação dos quadros, caixas, fundos, tampas e suportes das colmeias.

Algumas situações encontradas durante as revisões e medidas recomendadas 
 
A ausencia de cria jovens e existencia de realeira(fig.7) podem indicar que a rainha morreu e está sendo naturalmente substituída. Estas colmeias devem ficar em observação até que se verifique o sucesso da substituição. 

Se não houver crias nem realeiras, mas a rainha está presente, a colmeia poderá estar passando por uma situação de fome ou frio que induz uma interrupção da postura da rainha. Essas colmeias deverão então ser alimentadase os alvados, reduzidos. 
Já a ocorrência de realeiras quando a rainha está presente e sua postura é regular indica que a colmeia está preparando-se para enxamear. Nesse caso, devem-se retirar as realeiras e aumentar o espaço na colmeia, acrescentando sobrecaixas, ou efetuar a divisão do enxame, cujo procedimento será descrito posteriormente. 
Quando se observarem uma colmeia sem rainha e sem realeiras e a ocorrência de forte zumbido das operárias, é um indicativo de que a rainha morreu e a colmeia não tem condições de produzir uma nova rainha em virtude da inexistência de crias jovens. Nesse caso, devem-se introduzir uma rainha ou fornecer condições para que as abelhas a produzam. Para tanto, deve-se introduzir favos com ovos ou larvas bem pequenas, com até 3 dias de idade. 
As revisões também têm por finalidade a identificação de colmeias fortes e fracas no apiário, a fim de serem executados procedimentos para a sua uniformização. No caso de colmeias fracas, devem-se adotadar técnicas de fortalecimento de exames. Em colmeias populosas, pode-se proceder à divisão dos enxames, se o apicultor desejar aumentar o número de colmeias. Entretanto, ressalta-se que o apicultor deve procurar trabalhar sempre com enxames forte. Maiores detalhes sobre esses procedimentos serão apresentados em itens subseqüentes.



Fortalecimento e união das famílias 
 
Colônias fracas são, geralmente, conseqüência da falta de alimento disponível no campo, divisão natural de enxames, rainhas velhas e enxames recém-capturados. Além de não produzirem, essas colônias são alvo fácil de pragas e doenças. Para evitar esses, problemas o apicultor deve fortalecer ou unir essas colmeias.


Fortalecendo enxames 
 
A alimentação suplementar estimula a postura da rainha e ajuda a aumentar a população, acelerando o crescimento do enxame. Outra forma de aumentar a população da colônia é introduzir favos com crias fechadas prestes a nascerem nos enxames fracos. Esses quadros, que são retirados de colmeias populosas, não são rejeitados e a abelha quando emerge é aceita facilmente no novo ninho. 

É importante que o apicultor use nessa operação favos com pupa e não com larvas, pois enxames fracos não conseguem alimentar, aquecer e cuidar de uma grande quantidade de larvas, que acabam morrendo. Além disso a pupa nasce em pouco tempo e passa a contribuir para o aumento da população do ninho e produção em menos tempo do que a larva, que ainda terá que completar todo o seu ciclo de desenvolvimento. 
O uso de redutor de alvado e de espaço diminui a entrada da colmeia e o espaço interno, respectivamente. Essa redução auxilia as abelhas a defender o ninho e a manter a colônia na temperatura ideal para o desenvolvimento das crias, sendo, portanto, procedimentos importantes a serem seguidos para o fortalecimento da colônia.



União de enxames 
 
Outra forma de reforçar colmeias fracas é a união de enxames. Existem várias técnicas descritas e relatadas, entretanto, muitas delas são traumáticas e nem sempre são eficientes. A técnica da união de enxames com papel é usada com sucesso em todo o País e necessita somente de um pouco de mel e duas folhas de papel um pouco maiores que a tampa da colmeia. 

O papel usado deve ser flexível, da textura do jornal ou de papel de embrulho. Por muito tempo, essa técnica foi realizada usando-se jornal. Atualmente, com a preocupação crescente do consumidor em adquirir um produto livre de contaminação química, o jornal, ou qualquer outro papel impresso, deve ser evitado em razão do chumbo contido na tinta de impressão. Essa recomendação é somente preventiva uma vez que o jornal fica em contato com as abelhas somente por 3 dias e não existem pesquisas que comprovem o efeito da tinta na qualidade do mel nesse curto espaço de tempo. 
Para proceder a união, o apicultor pode seguir as etapas descritas abaixo e demonstradas na Fig. 31.

  • Nos enxames a serem usados, selecionar uma das rainhas e eliminar a outra.
  • Colocar uma folha de papel no lugar da tampa da colmeia que ficou com a rainha.
  • Derramar um pouco de mel sobre o papel e colocar outro papel por cima.
  • Retirar o fundo da outra colmeia e colocar em cima do jornal.
  • Dois ou três dias após a união retirar os melhores quadros dos dois enxames e comportá-los em uma única caixa. 
    O papel colocado entre as duas caixas separa os enxames e evita briga entre as operárias. O cheiro de mel incentiva as operárias a roerem e eliminarem o papel vagarosamente. Nesse processo, os feromônios dos dois enxames começam a misturar-se e, quando o papel for totalmente removido, as abelhas dos dois enxames já ter-se-ão acostumado com o feromônio das outras, não havendo brigas e rejeição. 
    Como muitas vezes o enfraquecimento do enxame deve-se a rainhas velhas, cansadas ou pouco prolíferas, o ideal é que o apicultor elimine as duas rainhas e introduze uma nova proveniente de um enxame mais produtivo e forte. 
Divisão das famílias 
 
A situação de grande volume populacional em colônias fortes pode ser facilmente reconhecida pela grande quantidade de abelhas fora da colmeia. Quando a população do ninho aumenta muito, falta espaço para as abelhas na colmeia, a temperatura interna aumenta e o ferômonio da rainha começa a ficar diluído na população. Todos esses fatores aliados à grande disponibilidade de alimento no campo levam as operárias a produzirem nova rainha e o enxame a dividir-se. Por ocasião da divisão, cerca de metade das operárias e parte dos zangões vão embora do ninho acompanhando a rainha velha, enquanto que o restante do enxame permanece no local esperando o nascimento da rainha nova. Muitas vezes, a colônia está tão forte que esse processo pode ocorrer duas ou três vezes. 

Para não perder suas abelhas, o apicultor deve manejar e dividir seu enxame, aumentando a população de seu apiário. Entretanto, como a colônia dividida reduz ou suspende temporariamente a produção de mel, alguns produtores preferem adicionar melgueiras às colmeias fortes ou usar seus quadros para fortalecimento de outros enxames. Seja qual for a decisão tomada, é importante que o produtor evite a perda de suas abelhas. 
Para evitar que os enxames se dividam naturalmente, o apicultor pode: retirar realeiras em colmeias que tenham rainhas; selecionar famílias com menor tendência a enxameação; reduzir o nascimento de zangão utilizando lâminas de cera integral; adicionar melgueira para dar espaço às abelhas; usar tela excluidora no alvado e dividir os enxames



Colmeia poedeira ou zanganeira 
 
Em colmeias sem rainha e sem cria, algumas operárias, na tentativa de propagarem a espécie, desenvolvem o ovário e podem começar a realizar postura. Essas operárias, às vezes, passam a ter um comportamento semelhante ao da rainha, deixando de ir ao campo para coletar o alimento e permanecendo no ninho para fazer postura. Algumas dessas operárias chegam a ter um grupo de 5 a 10 abelhas cuidando de sua higiene e alimentação, como ocorre com as rainhas. Como as operárias poedeiras não são fecundadas, todos esses ovos darão origem a zangões, por isso, essas famílias são também chamadas de zanganeiras. 

A colmeia com operária poedeira é facilmente identificada pelo zumbido forte emitido pelas abelhas, grande número de zangões pequenos, alvéolos contendo vários ovos e zangões nascendo em célula de operárias. Entretanto, a característica mais marcante dessa família são os alvéolos contendo vários ovos, uma vez que existem várias operárias realizando a postura. 
Para proceder à recuperação, o apicultor pode seguir as etapas descritas abaixo e demonstradas na Fig. 32.

  • Levar a caixa zanganeira para uma distância de cem metros do local de origem.
  • Colocar uma caixa nova no lugar da antiga.
  • Na colmeia zanganeira, sacudir os quadros, derrubando todas as abelhas, e levá-los para a nova caixa que ficou no local da colmeia zanganeira. É necessário ter o cuidado de destruir as pupas de zangão dos favos. Na caixa antiga, deve ser deixado um quadro com grande quantidade de ovos e larvas. As operárias que não tiverem desenvolvido os ovários voltarão ao local antigo, onde está agora a nova colmeia. Já as operárias poedeiras, por estarem com o ovário parcialmente desenvolvido, estarão muito pesadas e permanecem na caixa antiga, junto com o quadro com grande quantidade de ovos e larvas.
  • Na nova colméia, introduzir uma realeira, rainha ou quadro com ovo e larva de até 3 dias de idade, dando oportunidade para que as operárias produzam nova rainha.
  • Fortalecer a colmeia nova com quadros contendo cria de todas as idades e abelhas recém-emergidas. O enxame em recuperação com certeza estará fraco, o que dificulta os cuidados com a cria nova (ovo e larva); entretanto, o feromônio da cria nessa idade inibe o desenvolvimento do ovário das operárias, por isso, nesse caso, o apicultor deverá introduzir uma maior quantidade de quadros contendo larva do que quadros contendo pupa.
  • Fornecer alimentação artificial para ajudar no restabelecimento do enxame.
Pilhagem 
 
A pilhagem ou saque consiste no roubo de mel das colmeias por operárias de colônias vizinhas. O enxame que está sendo saqueado é facilmente identificado pela aglomeração e briga no alvado, grande quantidade de abelhas procurando entrar na colmeia pela tampa ou outras frestas e operárias mortas no chão. 

Em geral, enxames fracos são atacados por enxames fortes. A pilhagem é um acontecimento indesejável porque aumenta a mortandade no apiário, podendo causar até abandono dos enxames que estão sendo atacados. Para evitar o saque, devem-se tomar os seguintes cuidados:
  • Evitar famílias fracas no apiário e, enquanto os enxames estiverem sendo fortalecidos, usar tela antipilhagem ou redutor de alvado e não deixar grande quantidade de mel nas colmeias.
  • Por ocasião do manejo ou revisão, procurar ser rápido, cuidadoso e não derramar mel ou alimento próximo às colmeias.
  • Alimentar as caixas somente ao entardecer, dando preferência a alimentadores internos.
  • Diminuir o número de colmeias no apiário.
  • Deixar as colmeias a uma distância de pelo menos 3 metros uma da outra.
  • Identificar as colmeias saqueadoras e trocar a rainha.
  • Utilizar cavaletes individuais.

Troca de quadros e caixas 
 
Durante as revisões, o apicultor deverá marcar os quadros danificados, com arames ou peças quebrados e quadros com cera velha, principalmente aqueles que já foram naturalmente rejeitados pelas abelhas. Favos velhos ou danificados com cria devem ser transferidos para as laterais da colmeia até o nascimento das abelhas, quando serão substituídos. Esses quadros deverão ser substituídos por quadros com cera alveolada, verificando-se sempre se existe alimento suficiente para que as abelhas possam continuar a construção desses favos, uma vez que a produção de cera depende da existência de um bom suprimento de açúcares na colmeia. Em caso de enxames fracos e de falta de alimento, não se recomenda a colocação de quadros novos até que o enxame seja fortalecido e alimentado. 

O apicultor deve procurar sempre utilizar cera de boa qualidade, já que as abelhas costumam rejeitar quadros novos com lâminas de cera de baixa qualidade. Se o apicultor não tiver condições de produzir e processar sua própria cera, deve procurar adquiri-la de produtores ou comerciantes idôneos, que não pratiquem a adulteração da cera adicionando substâncias, como a parafina, para aumentar o volume produzido. 
Caixas danificadas, com furos ou irregularidades que impossibilitem o fechamento adequado da colmeia, também devem ser substituídas para evitar ataque de inimigos naturais, pilhagem e o maior desgaste das abelhas nas atividades de defesa da colônia e de termoregulação.





6 de set. de 2015

Alimentação para Abelhas (Apis Mellifera)



Para sobreviverem, as abelhas necessitam alimentar-se e atender às exigências de seu organismo quanto às necessidades de:

  • Água
  • Carboidratos (açúcares)
  • Proteínas
  • Vitaminas
  • Sais minerais
  • Lipídeos (gorduras).
Esses nutrientes são retirados da água, mel (néctar) e pólen das flores, mas também podem ser encontrados em outras substâncias usadas pelas abelhas como alimento; é o caso do caldo da cana-de-açúcar, sumo de caju, xarope de açúcar, goma de mandioca, vagem de algaroba, farelo de soja, entre outros.


As abelhas necessitam de reservas de alimento suficientes para atender a sua própria alimentação e das crias em desenvolvimento. Em épocas de escassez de néctar e pólen, é comum os apicultores perderem seus enxames que, enfraquecidos em razão da fome, migram à procura de condições melhores.

O enfraquecimento se inicia quando a rainha diminui sua postura, reduzindo a quantidade de cria e abelhas na colônia.

Quando as condições ambientais estão extremamente desfavoráveis, a pouca cria existente na colmeia pode morrer devido a fome, surgimento de doenças ou ser eliminada pelas operárias, que consomem parte da cria para saciar a falta de alimento.

Na tentativa desesperada de procurar alimento, as operárias começam a voar cada vez mais longe, podendo passar até 4 horas seguidas no campo, desgastando-se muito e reduzindo seu tempo de vida.

A desnutrição das abelhas jovens também prejudica o desenvolvimento do tecido muscular das asas e das  glândulas, inclusive da glândula hipofaringeana, produtora de enzimas que serão acrescentadas ao mel e à geléia real. A geléia real é o alimento fornecido às rainhas e crias jovens. Sua falta reduz a capacidade de postura da rainha e a sobrevivência da cria.

A desnutrição e estresse provocados pela falta de alimento deixam os enxames fracos e facilitam o surgimento de doenças e o ataque de inimigos naturais, como traça-da-cera, abelhas tataíras (Oxytrigona sp.), formigas e o ácaro Varroa destructor.

Em razão de todas essas causas, a falta de alimento prejudica a produção de mel e pólen, bem como de rainha, cera, própolis e apitoxina.


Período de Alimentação


A época correta para iniciar o fornecimento de alimento suplementar varia de acordo com a região. Em geral, nos períodos secos, chuvosos ou frios, falta alimento no campo. Por isso, o apicultor deverá ficar atento para a entrada de alimento em suas colmeias e fazer seu próprio calendário alimentar. Ademais, deverá realizar revisões periódicas em seus enxames e socorrer suas colmeias com alimentação complementar quando houver menos de dois quadros de mel na colônia.


Alimentação e Produção de Mel


Quando as primeiras floradas aparecem no campo, as operárias intensificam o trabalho de coleta de néctar e pólen. No alvado da colmeia, é possível observar grande quantidade de operárias entrando e saindo da colmeia, trabalhando ativamente.

Entretanto, ao fazer a revisão em seu apiário, alguns apicultores ficam decepcionados, pois, apesar de tantas flores no campo e muitas abelhas trabalhando, não existe estoque de mel nas colmeias. Isso ocorre porque os enxames, que se encontravam enfraquecidos, utilizam as primeiras floradas para se fortalecerem e se estabelecerem. Ao perceber que as condições ambientais mudaram e que já existe alimento nas colmeias, a rainha aumenta sua postura e todo alimento que entra na colônia é fornecido para a cria.

Somente após as crias tornarem-se adultas e o número de abelhas aumentar nas colmeias,  é que se pode verificar grande quantidade de mel estocado. Alguns enxames muito fracos só conseguem começar a "produzir" após a metade do "período de florada", causando prejuízo ao apicultor.

Em regiões onde existe uma florada rica, pouco antes do período da safra, como a florada do "juazeiro" no semi-árido, não ocorre atraso na produção. Isso ocorre porque as abelhas aproveitam essa fonte de alimento para aumentar a população da colmeia e dessa forma, ao iniciar o período produtivo, o enxame está pronto para começar a estocar mel.

Sendo assim, o apicultor pode e deve evitar esse atraso fornecendo alimento às colmeias nos períodos críticos. Experiências realizadas em Santa Catarina mostram que, 18 dias após o início da alimentação, a área de postura da colmeia duplica. A alimentação é fundamental, também, para fortalecer enxames recém-capturados, colmeias fracas e colmeias poedeiras em recuperação ou logo após a divisão.


Alimentação Energética


Um dos alimentos energéticos mais usuais é o xarope de água e açúcar, cujo receita é descrita a seguir.


Xarope de açúcar
Ingredientes: Água e açúcar na mesma quantidade.

Modo de fazer: Colocar a água no fogo e adicionar o açúcar assim que levantar fervura. Mexer até o açúcar se dissolver por completo; desligar o fogo e deixar esfriar; misturar a solução antes de colocar nas colmeias. Fornecer duas vezes por semana.
Para evitar que se estrague, o xarope deve ser fornecido no dia em que for feito e consumido pelas abelhas em 24 horas. Após esse período, o apicultor deverá recolher o alimento restante e jogá-lo fora. Em geral, as colmeias consomem 0,5 litros de xarope nesse período de tempo. Entretanto, é necessário que o produtor fique atento, pois colmeias muito fracas não conseguem consumir essa quantidade no prazo necessário. Para que não haja desperdício e problemas causados pela fermentação do xarope, dever-se-á fornecer uma quantidade menor de alimento para os enxames mais fracos, que não conseguem consumir 0,5 litros de xarope em 24 horas.
Cerca de 45 dias antes do período produtivo, o xarope pode ser enriquecido com um pouco de mel de abelha na proporção de 1 litro de xarope para 0,5 litro de mel. Alguns pesquisadores acreditam que o cheiro do mel incentiva o aumento da postura da rainha, preparando, assim, o enxame para o período de florada.
O xarope pode ser substituído pelo "xarope de açúcar invertido" que além de água e açúcar, contém ácido tartárico ou ácido cítrico, como pode ser conferido a seguir. Esses ácidos têm a função de conservar o alimento por mais tempo, além de quebrar a sacarose em glicose e frutose, agindo como a enzima invertase das abelhas.

Xarope de açúcar invertido:

Ingredientes:5 kg de açúcar; 1,7 litros de água e 5 g de ácido tartárico ou ácido cítrico.

Modo de fazer: Levar o açúcar e a água ao fogo. Quando começar a liberação do vapor, adicionar ácido tartárico e manter a mistura no fogo baixo por 40 a 50 minutos. Fornecer 1 litro a cada 2 dias.


Alguns apicultores aproveitam o açúcar existente em outros alimentos para fornecer às abelhas. É o caso da vagem de algaroba (Prosopis juliflora). Segundo Ribeiro Filho (1999), para fornecer um alimento energético e protéico ao mesmo tempo para as abelhas, o apicultor poderá levar ao fogo 1 kg de vagem de algaroba triturada com 2 litros de água. A mistura deve ser fervida até atingir a consistência de xarope e ser fornecida no mesmo dia para as abelhas, evitando a fermentação do produto.
Em algumas regiões, é comum o uso da rapadura em substituição ao alimento descrito acima. Embora muito prático, uma vez que o alimento já se encontra pronto, sendo de difícil fermentação, muitos enxames acabam morrendo pela utilização da rapadura em virtude da falta dos seguintes cuidados:
  • Baixa qualidade do produto - por se tratar de um alimento para consumo animal, alguns apicultores compram um produto de menor custo e baixa qualidade, muitas vezes já fermentado.
  • Armazenamento inadequado – é comum os apicultores deixarem a rapadura armazenada em locais úmidos, favorecendo a fermentação do produto.
  • Fornecimento inadequado – alguns apicultores fornecem a rapadura exposta ao meio ambiente e à umidade da noite, muitas vezes no chão, facilitando sua fermentação. A quantidade, aparentemente, também influencia: alguns enxames conseguem consumir uma rapadura com cerca de 300 g em 24 horas. O fornecimento de uma quantidade maior pode causar problemas intestinais e matar as abelhas. Assim, é recomendado que se ofereça, no máximo, uma rapadura pequena (300 g) duas vezes por semana.
  • Falta d'água - como a rapadura é sólida, as abelhas necessitam de muita água para dissolvê-la, transformá-la em mel para depois poderem consumir. O gasto energético dessa operação é alto e, para compensá-lo, a água deverá estar bem próxima ao apiário. Alguns produtores molham a rapadura para facilitar o trabalho das abelhas, porém, isso aumenta o risco de fermentação.
Alimentação Protéica


Existem várias receitas de alimentação protéica. O apicultor poderá utilizar uma das descritas a seguir ou procurar substitutos regionais para a fabricação de uma alimentação adequada.


Receita 1:

Ingredientes: 3 partes de farelo de soja, 1 parte de farinha de milho e 6 partes de mel

Modo de fazer: Misturar bem os dois farelos e adicionar o mel devagar até formar uma pasta mole. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.

Receita 2:

Ingredientes: 3 partes de farelo de soja, 2 partes de farinha de milho e 15 partes de mel.

Modo de fazer: Misturar bem os dois farelos e adicionar o mel devagar até formar uma pasta mole. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.


Receita 3:

Ingredientes: 7 partes de farelo de trigo, 3 partes de farelo de soja e 15 partes de mel.

Modo de fazer: Misturar os farelos e acrescentar o mel. Deixar em repouso por uma semana em local limpo e refrigerado. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.

No lugar do mel, pode-se usar xarope ou açúcar invertido, no entanto, o mel deixa o alimento mais atrativo. É importante que os farelos estejam bem moídos, caso contrário, as abelhas rejeitam o alimento.
Outros alimentos podem ser usados, a levedura de cana-de-açúcar (receita a seguir). Alguns apicultores usam leite para enriquecer o xarope com proteína, entretanto, as abelhas não possuem mecanismo para digerir o leite e acabam morrendo intoxicadas.

Receita 4:

Ingredientes6 kg de açúcar refinado, 3 kg de açúcar invertido e 1 kg de levedura seca de cana-de-açúcar.

Modo de fazerMisturar bem os ingredientes para formar a pasta. 
Fornecer a ração misturada com pólen aumenta a aceitação e a eficiência do alimento. O pesquisador Leoman Couto (1998) recomenda a receita abaixo:

Receita 5:

Ingredientes2 partes de pólen seco moído, 5 partes de açúcar, 10 partes de farelo de soja e 3 partes de mel.

Modo de fazerMisturar bem o farelo, o pólen e o açúcar e adicionar o mel devagar até formar uma pasta mole. Fornecer 200 g do alimento duas vezes por semana.
Se o produtor não quiser usar o mel ou não tiver mel disponível, poderá fornecer às abelhas a receita a seguir:

Receita 6:

Ingredientes1 parte de pólen seco e moído, 4 partes de farelo de soja, 4 partes de açúcar e 2 partes de água

Modo de fazerMisturar bem os ingredientes secos e adicionar a água lentamente, mexendo sempre.

Outra alternativa, segundo Ribeiro Filho (1999), é o fornecimento de xarope enriquecido com massa de jatobá (Hymenaea spp), usando-se 100 g de massa para cada litro de xarope. Segundo o pesquisador, o xarope também poderia ser enriquecido da mesma forma com pó de vagem de pau-ferro ou juá (Cesalphinia ferrea) ou pó de folhas de feijão, mandioca e abóbora.
Atualmente a Embrapa Meio-Norte vem pesquisando em parceria com várias instituições outras alternativas para alimentação das abelhas como: torta de babaçu (Orbygnia martiana), farinha de algaroba (Prosopis juliflora), farinha do bordão-de-velho (Pithecellobium cf. saman), feno de mandioca (Manihot esculenta), feno de leucena (Leucena leococephala).  Esses resultados estarão sendo divulgados e disponibilizados aos apicultores em breve. A instituição também se coloca à disposição para testar e avaliar qualquer produto que o apicultor tenha interesse em utilizar como alimentação, desde que seja fornecido em quantidade suficiente para os testes.

Alimentadores


A alimentação artificial pode ser administrada em alimentadores individuais ou coletivos. Cada modelo tem uma série de vantagens e desvantagens e cabe aos apicultor analisar e escolher o que seja mais adaptado para sua realidade.

O alimentador coletivo é uma espécie de cocho colocado em cada apiário, disponibilizando o alimento a todos os enxame de uma única vez. Esse modelo necessita de pouco manejo e é muito prático, sendo recomendado para apicultores que possuem grande quantidade de colmeias. Porém, apesar de mais prático, o alimentador coletivo apresenta as seguintes desvantagens:

  • Fornece alimento para enxames naturais, de apiários vizinhos, pássaros, formigas, pequenos mamíferos, etc.
  • Incentiva o saque.
  • Pode ser uma fonte de transmissão de doenças.
  • Desfavorece os enxames fracos, já que as colônias fortes coletam mais alimento do que as fracas.
Os alimentadores coletivos devem ser instalados a cerca de 50 metros do apiário e a uma altura aproximada de 50 cm do chão. Para proteger o alimento de formigas, o apicultor poderá colocar uma proteção em cada pé do suporte. Para evitar o afogamento das abelhas, esses alimentadores devem conter flutuadores, que podem ser pedaços de folhas de isopor, madeiras leves ou telas plásticas.


Os alimentadores individuais podem ser encontrados à venda nas lojas especializadas, em diversos modelos, de modo a fornecer alimento interna ou externamente, como pode ser visto a seguir. Os mais recomendados são os alimentadores internos, pois reduzem o saque.



Alimentador de Boardman

Usado na entrada da colmeia, destina-se apenas para alimentos líquidos. Consiste em um vidro emborcado sobre um suporte de madeira, que é parcialmente introduzido no alvado da colmeia. Prático, deixa o alimento exposto externamente, não havendo necessidade de abrir a colmeia para o abastecimento, contudo, pode incentivar  o saque (Fig. 33).


Figura 33. Alimentador de Boardman.


Alimentador de Cobertura ou Bandeja


Consiste em uma bandeja colocada logo abaixo da tampa, com abertura central, permitindo o acesso das abelhas ao alimento. No mercado, pode ser encontrado todo em madeira ou revestido com chapa de alumínio. Fornece alimento líquido, sólido ou pastoso, entretanto, quando o alimentador não é revestido de alumínio, para fornecer alimentos líquidos, é necessário que se faça um banho com cera nas emendas para evitar vazamentos. Uma desvantagem do alimentador de cobertura é a quantidade de abelhas que morrem afogadas no alimento. Os modelos que contêm ranhuras na madeira próxima à abertura devem ser preferidos, pois essas ranhuras facilitam o retorno das abelhas para a colmeia, evitando que muitas morram afogadas (Fig. 34).




Figura 34. Alimentador de cobertura.


Alimentador Doolitle ou de Cocho Interno


  Com as mesmas dimensões de um quadro de ninho ou melgueira, é usado dentro da colmeia em substituição a um dos quadros (Fig. 35). Para evitar que as abelhas morram afogadas no alimento líquido, o alimentador deve ter as laterais da superfície interior rugosas, de forma a criar uma superfície de apoio para as abelhas.






Figura 35. Alimentador Doolitle.

Precauções


Para que a alimentação seja eficiente e atinja seu objetivo, é necessário que o apicultor siga as seguintes recomendações:

  • Quando usar alimentador individual, fornecer o alimento ao final da tarde para evitar o saque.
  • Pelo mesmo motivo, evitar derramar alimento próximo ao apiário.
  • Quando usar alimentador coletivo, fornecer o alimento durante o dia, de modo que as abelhas tenham tempo suficiente para a coleta.
  • Para evitar ou diminuir o desperdiço, ao usar o alimentador coletivo, fornecer uma quantidade de alimento que possa ser consumida no mesmo dia.
  • Alimento fermentado mata as abelhas. Por isso é necessário que o produtor tenha muito cuidado para não fornecer alimento fermentado ou não deixar que o alimento fermente nas colmeias.
Seguindo essas recomendações, o apicultor estará reduzindo o abandono em seu apiário e aumentando sua produção em até quatro vezes.  Entretanto, a alimentação não pode ser usada como única forma de manejo para evitar o enfraquecimento e abandono dos enxames. É preciso, também, que o produtor fique atento para a falta de água, sombreamento, idade e qualidade das rainhas, ataque de inimigos naturais, mortandade das abelhas, etc.

Dicas para alimentar as abelhas no inverno








Alimentação das abelhas