19 de out. de 2015

Construções na Criação de Suínos



O tipo ideal de edificação deve ser definido fazendo-se um estudo detalhado do clima da região e(ou) do local onde será implantada a exploração, determinando as mais altas e baixas temperaturas ocorridas, a umidade do ar, a direção e a intensidade do vento. Assim, é possível projetar instalações com características construtivas capazes de minimizar os efeitos adversos do clima sobre os suínos.

Homeotermia

Os suínos são animais homeotérmicos, capazes de regular a temperatura corporal. No entanto, o mecanismo de homeostase, é eficiente somente quando a temperatura ambiente está dentro de certos limites. Portanto é importante que as instalações tenham temperaturas ambientais próximas às das condições de conforto dos suínos. Nesse sentido, o aperfeiçoamento das instalações com adoção de técnicas e equipamentos de condicionamento térmico ambiental tem superado os efeitos prejudiciais de alguns elementos climáticos, possibilitando alcançar bom desempenho produtivo dos animais.

Tabela 4. Temperatura de conforto para diferentes categorias de suínos.
CategoriaTemperatura de conforto (°C)Temperatura crítica inferior (°C)Temperatura crítica superior (°C)
Recém-nascidos
32-34
-
-
Leitões até a desmama
29-31
21
36
Leitões desmamados
22-26
17
27
Leitões em crescimento
18-20
15
26
Suínos em terminação
12-21 
12
26
Fêmeas gestantes
16-19
10
24
Fêmeas em lactação
12-16
7
23
Fêmeas vazias e machos
17-21 
10
25

Princípios básicos

Para manter a temperatura interna da instalação dentro da zona de conforto térmico dos animais, aproveitando as condições naturais do clima, alguns aspectos básicos devem ser observados, como: localização, orientação e dimensões das instalações, cobertura, área circundante e sombreamento.

Localização

A área selecionada deve permitir a locação da instalação e de sua possível expansão, de acordo com as exigências do projeto, de biossegurança e daquelas descritas na proteção ambiental. 
O local deve ser escolhido de tal modo que se aproveitem as vantagens da circulação natural do ar e se evite a obstrução do ar por outras construções, barreiras naturais ou artificiais. A instalação deve ser situada em relação à principal direção do vento. Caso isto não ocorra, a localização da instalação, para diminuir os efeitos da radiação solar em seu interior, prevalece sobre a direção do vento dominante.

Escolher o local com declividade suave, voltada para o norte, é desejável para boa ventilação. No entanto, os ventos dominantes locais, devem ser levados em conta, principalmente no período de inverno, devendo-se prever barreiras naturais.

É recomendável dentro do possível, que sejam situadas em locais de topografia plana ou levemente ondulada, contudo é interessante observar o comportamento da corrente de ar, por entre vales e planícies, nestes locais é comum o vento ganhar grandes velocidades e causar danos nas construções.
O afastamento entre instalações, deve ser suficiente para que uma não atue como barreira à ventilação natural da outra. Assim, recomenda-se afastamento de 10 vezes a altura da instalação, entre as duas primeiras a barlavento, sendo que da segunda instalação em diante o afastamento deverá ser de 20 à 25 vezes esta altura, como representado na Figura 2.


Figura 2. Esquema da distância mínima entre instalações.

Orientação

O sol não é imprescindível à suinocultura. Se possível, o melhor é evitá-lo dentro das instalações. Assim, devem ser construídas com o seu eixo longitudinal orientado no sentido leste-oeste. Nesta posição nas horas mais quentes do dia a sombra vai incidir embaixo da cobertura e a carga calorífica recebida pela instalação será a menor possível. A temperatura do topo da cobertura se eleva, por isso é de grande importância a escolha do material para evitar que esta se torne um coletor solar. Na época da construção da instalação deve ser levada em consideração a trajetória do sol, para que a orientação leste-oeste seja correta para as condições mais críticas de verão. Por mais que se oriente adequadamente a instalação em relação ao sol, haverá incidência direta de radiação solar em seu interior em algumas horas do dia na face norte, no período de inverno. Providenciar nesta face dispositivos para evitar esta radiação.

Figura 3. Orientação da instalação em relação à trajetória do sol.


Largura


 A grande influência da largura da instalação é no acondicionamento térmico interior, bem como em seu custo. A largura do instalação está relacionada com o clima da região onde a mesma será construída, com o número de animais alojados e com as dimensões e disposições das baias. Normalmente recomenda-se largura de até 10 m para clima quente e úmido e largura de 10 até 14 m para clima quente e seco. 

Pé direito

O pé direito da instalação é elemento importante para favorecer a ventilação e reduzir a quantidade de energia radiante vinda da cobertura sobre os animais. Estando os suínos mais distantes da superfície inferior do material de cobertura, receberão menor quantidade de energia radiante, por unidade de superfície do corpo, sob condições normais de radiação. Desta forma, quanto maior o pé direito da instalação, menor é a carga térmica recebida pelos animais. Recomenda-se como regra geral pé-direito de 3 a 3,5 m. 

Comprimento

O comprimento da instalação deve ser estabelecido com base no Planejamento da Produção, assim como também para evitar problemas com terraplanagem e sistema de distribuição de água.

Cobertura

O telhado recebe a radiação do sol emitindo-a, tanto para cima, como para o interior da instalação. O mais recomendável é escolher para o telhado, material com grande resistência térmica, como a telha cerâmica. Pode-se utilizar estrutura de madeira, metálica ou pré-fabricada de concreto.


Sugere-se a pintura da parte superior da cobertura na cor branca e na face inferior na cor preta. Antes da pintura deve ser feita lavagem do telhado para retirar o limo ou crostas que estiverem aderidos à telha e facilitar assim, a fixação da tinta. 
  
A proteção contra a radiação recebida e emitida pela cobertura para o interior da instalação, pode ser feita com uso de forro. Este atua como segunda barreira física, permitindo a formação de camada de ar junto à cobertura e contribuindo na redução da transferência de calor para o interior da construção.

Outras técnicas para melhorar o desempenho das coberturas e condicionar ótima proteção contra a radiação solar, tem sido o uso de isolantes sobre as telhas (poliuretano), sob as telhas (poliuretano, poliestireno extrusado, lã de vidro ou similares), ou mesmo forro à altura do pé-direito.

O lanternim, abertura na parte superior do telhado, é altamente recomendável para se conseguir adequada ventilação, pois, permite a renovação contínua do ar pelo processo de termossifão resultando em ambiente confortável. Deve ser em duas águas, disposto longitudinalmente na cobertura. Este deve permitir abertura mínima de 10% da largura (L) da instalação, com sobreposição de telhados com afastamento de 5% da largura da instalação ou 40 cm no mínimo. Deve ser equipado, com sistema que permita fácil fechamento e com tela de arame nas aberturas para evitar a entrada de pássaros.



Figura 4. Esquema para determinação das dimensões do lanternim.

Tabela 5. Largura, pé-direito e beiral em função do clima para telhas de barro.
ClimaLargura (m)Pé-direito (m)Beiral (m)
Quente seco10,0 -14,02,8 - 3,01,2 - 1,5
Quente úmido6,0 - 8,02,5 - 2,81,2 - 1,5
Obs: O uso da telha fibro-cimento está sendo limitado em alguns Estados.

Áreas circundantes


A qualidade das áreas circundantes afetam a radiosidade. É comum o plantio de grama em toda a área delimitada das instalações pois reduz a quantidade de luz refletida e o calor que penetra nos mesmos, além de evitar erosão em taludes aterros e cortes. Esta grama deve ser de crescimento rápido que feche bem o solo não permitindo a propagação de plantas invasoras. Deverá ser constantemente aparada para evitar a proliferação de insetos.

   
Para receber as águas provenientes do telhado, construir uma canaleta ao longo da instalação de 0,40 m de largura com declividade de 1%, revestida de alvenaria de tijolos ou de concreto pré-fabricado.

A rede de esgoto deve ser em manilhas ou tubos de PVC, sendo recomendado diâmetro mínimo de 0,30 para as linhas principais e de 0,20 m para as secundárias.



Figura 5. Uso de árvores como sombreiro.



O emprego de árvores altas produz micro clima ameno nas instalações, devido a projeção de sombra sobre o telhado. Para as regiões onde o inverno é mais intenso as árvores devem ser caducifólias. Assim, durante o inverno as folhas caem permitindo o aquecimento da cobertura e no verão a copa das árvores torna-se compacta sombreando a cobertura e diminuindo a carga térmica radiante para o interior da instalação. Devem ser plantadas nas faces norte e oeste da instalação e mantidas desgalhadas na região do tronco, preservando a copa superior. Desta forma a ventilação natural não fica prejudicada. Fazer verificação constante das calhas para evitar entupimento com folhas.


Instalações por fase


O sistema de produção de suínos compreende as fases de pré-cobrição e gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação. Os aspectos construtivos das instalações diferem em cada fase de criação e devem se adequar às características físicas, fisiológicas e térmicas do animal.


Pré-cobrição e gestação


Nessas instalações ficarão alojadas em baias coletivas, as fêmeas de reposição até o primeiro parto e as porcas a partir de 28 dias de gestação. Em boxes individuais, ficarão as fêmeas desmamadas até 28 dias de gestação. Os machos ficarão em baias individuais. 


As instalações para essa fase são abertas, com controle da ventilação por meio de cortinas, contendo baias para as fêmeas reprodutoras em frente ou ao lado das baias para os machos (cachaços). As baias das porcas em gestação podem ter acesso a piquetes para o exercício.
    
Aconselha-se o uso de paredes laterais externas e internas, ripadas com placas pré-fabricadas em cimento ou outro material para obter-se boa ventilação natural no interior dos prédios.
    
Fundação direta descontínua sob os pilares e direta contínua sob as alvenarias, ambas em concreto 1:4:8 (cimento, areia e brita).
    
Nos boxes individuais de gestação, o piso deve ser parcialmente ripado e nos boxes dos machos e de reposição, pode-se adotar o piso compacto ou parcialmente ripado. Piso compacto de 6 a 8 cm de espessura em concreto 1:4:8 com revestimento de argamassa 1:3 ou 1:4 (areia média) com declividade de 2% no sentido das canaletas de drenagem. Piso áspero danifica o casco do animal e piso excessivamente liso dificulta o ato de levantar e deitar. Os comedouros e bebedouros são instalados na parte frontal. Na parte traseira das baias é construído um canal coletor de dejetos. A canaleta de drenagem pode ser externa à baia com largura de 30 a 40 cm, ou na parte interna da baia com largura de aproximadamente 30% do comprimento da baia e com declividade suficiente para não permanecer dejetos dentro da mesma. O fechamento da canaleta poderá ser de ferro ou de concreto.
    
Nas baias coletivas pode-se usar o piso compacto ou 2/3 compacto e 1/3 ripado, bebedouro tipo concha e comedouro com divisórias para cada animal.



Tabela 6. Recomendações para orientação de projetos para as fases de gestação, pré-cobrição e de macho.
Baias
Área recomendada (m2/animal)
Gestação individual (Box/gaiola)
1,32
Leitoas em baias coletivas
2
Leitoas em baias coletivas
3
Macho
6



Número de animais por baia
Gestação coletiva/reposição/pré-cobrição
6 a 10


Área de piquete por fêmea
200 m2

Maternidade

É a instalação utilizada para o parto e fase de lactação das porcas que, por ser a fase mais sensível da produção de suínos, deve ser construída atentando com muito cuidado para os detalhes. Qualquer erro na construção poderá trazer graves problemas, como de umidade (empoçamento de fezes e urina), esmagamento de leitões e calor ou frio em excesso que provocam, como conseqüência, alta mortalidade de leitões. Na maternidade deve-se prever dois ambientes distintos, um para as porcas e outro para os leitões. Como a faixa de temperatura de conforto das porcas é diferente daquela dos leitões, torna-se obrigatório o uso do escamoteador para os leitões.
  • Maternidade em salas de parto múltiplas com parições escalonadas
  • Conforme já mencionado no Capítulo 3, as salas não podem ter comunicação direta entre si, recomendando-se o acesso a cada uma delas por meio de portas localizadas na lateral da instalação. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e cortinas laterais para proporcionar melhores condições de conforto.
  • As celas parideiras devem ser instaladas ao nível do piso . O piso da gaiola de parição é dividido em 3 partes distintas, que são:
  • 1)– local onde fica alojada a porca - parte dianteira com 1,30 m em piso compacto de concreto no traço 1:3:5 ou 1:4:8 de cimento areia grossa e brita 1, com 6 cm de espessura e, sobre esse é feita uma cimentação no traço 1:3 de cimento e áreia média na espessura de 1,5 a 2,5 cm, e parte de traseira com 90 cm, em ripado de concreto ou metal. Altura de 1,10 m e largura de 0,60 m.
  • 2)– local onde ficam alojados os leitões, denominado escamoteador - construído em concreto como o anterior, localizado entre duas baias na parte frontal, com largura de 0,60 m e comprimento de 1,20 m.
  • 3)– Laterais da baia onde os leitões ficam para se amamentar - um lado construído em concreto e o outro em ripado de concreto ou metal com 0,60 m de largura. 

  • Área de parição 
  •     A área de parição pode ser em baias convencionais ou em celas parideiras.
  •     Nas baias convencionais há necessidade de dispor de maior espaço que, por outro lado, contribui para um maior conforto (bem estar animal) para as porcas. Essas baias devem ter, nas laterais, um protetor contra o esmagamento dos leitões e numa das laterais o escamoteador.
  •     Nas gaiolas metálicas as divisórias podem ser de ferro redondo de construção de 6,3 mm de diâmetro e chapas de 2,5 x 6,3 mm ou em uma estrutura de chapa de 2,5 x 6,3 mm e tela de 5 cm de malha. 
  •     O escamoteador deve, em ambos os casos, ser dotado de uma fonte de aquecimento baseada em energia elétrica, biogás ou lenha. As dimensões recomendadas para a área de parição em baias convencionais e celas parideiras são apresentadas na Tabela 7.
Tabela 7. Coeficientes técnicos indicados para as áreas de parição.
- Cela Parideira:
Área da cela parideira
Espaço para a porca
Espaço para os leitões
Altura da cela parideira
Altura das divisórias
Superior a 3,96 m2
0,60 m x 2,20 m
0,60 m de cada lado x 2,20 m de comprimento
1,10 m
0,40 m a 0,50 m
- Baia convencional
Área mínima do piso
Altura do protetor contra esmagamento
Distância do protetor da parede
6 m2 (2,0 m x 3,0 m)
0,20 m

0,12 m 
- Escamoteador
Área mínima do piso
0,70 m2
- Largura mínima do corredor de serviço1,0 m

Creche

Creche é a edificação destinada aos leitões desmamados. Deve-se prever a instalação de cortinas nas laterais para permitir o manejo adequado da ventilação.

    
As baias devem ser de piso ripado ou parcialmente ripado. Pisos parcialmente ripados devem ter aproximadamente 2/3 da baia com piso compacto e o restante (1/3) com piso ripado, onde os leitões irão defecar, urinar e beber água.
    
É necessário dispor de um sistema de aquecimento, que pode ser elétrico, a gás ou a lenha, para manter a temperatura ambiente ideal para os leitões, principalmente nas primeiras semanas após o desmame. Em regiões frias é recomendado o uso de abafadores sobre as baias, com o objetivo de criar um microclima confortável.
    
Além do agrupamento correto dos leitões e da adequação de espaço para os animais, é importante que nesta fase inicial de crescimento, o leitão tenha condições de temperatura e renovação de ar compatíveis com as suas exigências. Sabe-se que um leitão desmamado precocemente necessita de um ambiente protegido e que um número excessivo de animais em pequenas salas causam problemas de concentração de gases nocivos e odores desagradáveis. Recomenda-se a construção de baias para 4 a 5 leitegadas, respeitando-se a uniformidade dos leitões nas baias, em salas com um sistema de renovação de ar, preferentemente com ventilação natural.
    
As instalações podem ser abertas, com cortinas para permitir uma boa ventilação amenizando o estresse calórico. É indispensável o uso de forro como isolante térmico e cortinas laterais para proporcionar melhores condições de conforto.

Tabela 8. Coeficientes técnicos indicados para a creche.
Área recomendada por leitão:
- Piso totalmente ripado
- Piso parcialmente ripado
0,30 m2
0,35 m2
Altura das paredes das baias0,50 m a 0,70 m
Declividade do piso5%

Crescimento e Terminação

Essa edificação destina-se ao crescimento e terminação dos animais desde a fase que vai da saída da creche até a comercialização. 


O piso das baias pode ser totalmente ripado ou 2/3 compacto e 1/3 ripado. O piso totalmente ripado é o mais indicado para regiões quentes, porém, é o de custo mais elevado. O piso parcialmente ripado, isto é, constituído de 30% da área do piso da baia em ripado sobre fosso, é construído em vigotas de concreto e o restante da área do piso (70%) compacto em concreto.

O manejo dos dejetos deve ser do lado de fora da edificação e por sala para possibilitar maior higiene e limpeza.

A declividade do piso da baia deve situar-se entre 3% e 5%.

As paredes laterais podem ser ripadas, em placas pré-fabricadas em cimento ou outro material, para facilitar a ventilação natural.

As instalações nesta fase necessitam de pouca proteção contra o frio (exceto correntes prejudiciais que podem ser controladas por meio de cortinas), e de grande proteção contra o excessivo calor, razão pela qual devem ser bem ventiladas, levando em consideração a densidade e o tamanho dos animais. Nesta fase há uma formação de grande quantidade de calor, gases e dejeções que poderão prejudicar o ambiente. Para se ter uma ventilação natural apropriada, as instalações devem possuir área por animal de 0,70, 0,80 e 1,00 m² para piso totalmente ripado, parcialmente ripado e compacto, respectivamente.

Para o sistema de ventilação mecânica pode ser adotada a exaustão ou pressurização (ventilação negativa ou positiva). O correto dimensionamento do equipamento de ventilação deve atender à demanda máxima de renovação de ar nos períodos mais quentes. Pode-se também adotar o sistema de resfriamento evaporativo por nebulização em alta pressão (> 200 psi) para evitar estresse térmico em dias quentes.

Características dos pisos ripados

Para a construção de pisos ripados em concreto, são utilizadas vigas pré-moldadas cujas dimensões estão especificadas na Tabela 9. Estas vigas são apenas assentadas e encaixadas nas reentrâncias das paredes laterais do fosso, mantendo-se afastadas umas das outras com um chanfro de argamassa de cimento e areia que define a largura das frestas.

Tabela 9. Dimensões das vigas de concreto em centímetros, construídas na forma de trapézio, projetadas para uma carga atuante de 150 kg/m.
Comprimento da vigaBase maior (parte superior)AlturaBase menor (parte inferior)Barra de ferro de reforço
122,00
10,16
8,89
7,62
3/8"
183,00
10,16
12,70
7,62
3/8"
244,00
12,70
13,97
10,16
1/2"
305,00
12,70
12,70
10,16
5/8"
366,00
12,70
10,05
10,16
5/8"







14 de out. de 2015

Proteção Ambiental na Produção de Suínos



Além da produtividade e competitividade econômica, qualquer sistema de produção deve primar pela proteção ambiental, não somente pela exigência legal, mas também por proporcionar maior qualidade de vida a população rural e urbana.


Com relação a proteção ambiental o produtor deve implantar um sistema de gestão ambiental integrado contemplando as seguintes etapas:









Avaliação dos riscos de impacto ambiental

  • Proceder o diagnóstico da situação ambiental local antes de iniciar a construir.
  • Delinear um plano com dimensionamento do projeto em função do volume de resíduos gerados na produção de suínos.
  • Planejar as obras a partir das exigências da legislação ambiental federal, estadual e municipal, que determinam, por exemplo, as distâncias mínimas de corpos d´água (fontes, rios, córregos, açudes, lagos etc.), estradas, residências, divisas do terreno, a proteção das áreas de preservação permanente, 20% da área de reserva legal e outras.


  • Planejar a propriedade tendo em vista a bacia hidrográfica como um todo, respeitando a disponibilidade de recursos naturais.
  • Minimizar o uso da água nas instalações através de: a)- Desvio das águas pluviais com o uso de calhas, aumento dos beirais e drenagem; b)- Adequação da rede hidráulica e escolha dos bebedouros; c)- Dimensionar o sistema hidráulico de forma a manter a velocidade e a pressão da água uniforme em todos os bebedouros (Tabela 1).
  • Avaliar as áreas de maior risco de poluição em caso de acidentes.
  • Atender as Legislações Estaduais e Municipais que normalmente exigem:
  • a)- LP (Licença Prévia) que determina a possibilidade de instalação do empreendimento em determinado local; b)- LI (Licença de Instalação) que faz a análise do projeto quanto a conformidade com a legislação ambiental; c)- LO (Licença de Operação) que concede a licença de funcionamento após conferência do projeto executado com base na LI e prevê um plano de monitoramento.
  • Estabelecer um programa de nutrição e manejo das rações que minimize a excreção de nutrientes e de resíduos na propriedade, escolhendo o que for mais adequado a sua área (tratamento, reaproveitamento dos resíduos, exportação para vizinhos e etc)
  • Monitorar e avaliar a adequação do dimensionamento do projeto.
  • Considerar e avaliar as ampliações futuras em função da legislação, do licenciamento e de mudanças no plano de nutrição.

Manejo voltado para a proteção ambiental

Reduzir a geração de resíduos através do manejo nutricional eficiente e do manejo da água na propriedade, diminuindo o potencial poluente dos resíduos.

Manejo Nutricional

Para promover a melhora do desempenho e das carcaças, reduzindo o poder poluente dos dejetos e o custo de produção dos suínos, o produtor deve:
  • Buscar o aumento da eficiência alimentar e da produtividade por matriz.
  • Usar rações formuladas com base nos valores de disponibilidade de nutrientes dos alimentos, utilizando informações específicas dos suínos que estão sendo produzidos, especialmente quanto ao genótipo, sexo e consumo de ração.
  • Utilizar dietas formuladas com maior precisão, evitando o acréscimo de mais nutrientes ("margens de segurança") do que os animais necessitam.
  • Empregar o conceito de alimentação em múltiplas fases e sexos separados.
  • Evitar o uso de cobre como promotor de crescimento e reduzir ao máximo o uso de zinco no controle da diarréia.
  • Aumentar o uso de fontes de nutrientes com maior disponibilidade.
  • Utilizar enzimas nas dietas.
  • Utilizar a restrição alimentar em suínos na fase de terminação.

Manejo de água na propriedade

O manejo da água na propriedade deve contemplar:
  • Evitar a utilização de lâmina d'água.
  • Remoção do dejeto via raspagem.
  • Realizar manutenção periódica do sistema hidráulico.
  • Reduzir a demanda de água no sistema através do reaproveitamento da água, servida aos suinos, para limpeza das instalações, evitando o contato com os animais.





12 de out. de 2015

Suinocultura, Importância Econômica


O presente sistema de produção está direcionado para a criação de suínos em ciclo completo, confinado, desenvolvido em um único sítio e contemplando um plantel de 160 a 320 matrizes. Todas as etapas de produção a partir da maternidade estão previstas para serem desenvolvidas seguindo o princípio do sistema "todos dentro todos fora" (all-in all-out), onde os animais de cada lote ocupam ou desocupam uma sala num mesmo momento. Este manejo possibilita a limpeza e desinfecção completa das salas e a realização do vazio sanitário.

    
Pelo fato de contemplar todas as etapas da produção, desde a aquisição do material genético até a entrega dos suínos de abate na plataforma do frigorífico, as orientações descritas neste documento aplicam-se também a sistemas de produção que executam apenas parte das etapas de produção de suínos, como a Unidade de Produção de Leitões (UPL) que produz leitões até a saída da creche e a Unidade de Terminação (UT) que recebe os leitões de uma UPL e executa as fases de crescimento e terminação.
    
Outros sistemas de produção de suínos, como o Sistema Intensivo de Suínos Criados ao Ar Livre (SISCAL), o agroecológico, o orgânico e outros, precisam ser tratados separadamente em razão de suas particularidades. Mesmo assim, grande parte dos conceitos sobre a criação de suínos, caracterizados neste sistema, podem ser considerados com as devidas adaptações. 
   
A criação de suínos sobre cama, que está ganhando espaço considerável entre os suinocultores, principalmente por facilitar o manejo dos dejetos, também apresenta peculiaridades que merecem e precisam ser tratadas de forma específica. Informações sobre a produção de suínos sobre cama poderão ser obtidas em várias publicações da Embrapa Suínos e Aves.


A produção mundial de carne suína em 2001 foi de 83.608 mil toneladas e, segundo a FAO, o crescimento anual de consumo de carnes no mundo até o ano 2015 deve ficar em torno de 2%. Considerando ser a carne suína a mais produzida no mundo, uma parcela significativa deste percentual deverá ser atendida via expansão da produção de suínos. A posição dos principais países produtores de carne suína, (China, União Européia e Estados Unidos não deve ser alterada pelo menos no curto e médio prazos, uma vez que a diferença entre eles, no volume produzido em 2001, é significativa, 42.400; 17.419 e 8.545 mil toneladas respectivamente. O Brasil ocupa atualmente a 4ª posição com 2.240 mil t. e concorre diretamente com o Canadá para manter essa classificação. As previsões para 2002 indicam que o Brasil deverá crescer cerca de 5,81% com relação a 2001, enquanto a produção de carne suína no Canadá crescerá apenas 1,74% no mesmo período. Tais níveis de produção solidificam a posição brasileira no ranking mundial.
Com relação ao abate brasileiro de suínos, no período entre 1990 e 2001, verificou-se um crescimento de cerca de 45%, passando de 19,7 para 28,5 milhões de cabeças/ano.


A expansão da produção voltou-se para algumas áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, sem no entanto caracterizar migração ou mesmo redução da atividade na Região Sul. Os dados de desempenho da suinocultura nacional mostram que em 1990 a Região Sul participava com 45,07% do abate total de suínos no Brasil e, em 2001, sua participação cresceu para 53,74%.

Com base na análise dos problemas e potencialidades dos grandes produtores mundiais, fica claro que o Brasil apresenta amplas possibilidade de se firmar como grande fornecedor de proteína animal. Estudos recentes mostram que o Brasil apresenta o menor custo de produção mundial, cerca de US$0,55/kg, e produz carcaças de qualidade comparada a dos grandes exportadores. Dessa forma, pode-se dizer que o mercado internacional sinaliza para o crescimento das exportações brasileiras, com possibilidades de abertura de novos mercados como o do NAFTA, China, África do Sul, Chile e Taiwan. A abertura do Mercado Europeu para a carne suína brasileira deverá merecer atenção especial, assim como também o ingresso no Japão que é o maior importador mundial.

O Canadá é o atual líder mundial na exportação de carne suína com 710 mil t. em 2001. O Brasil, graças a abertura do mercado russo, vem apresentando cifras cada vez maiores, passando a ocupar a quarta posição no ranking dos exportadores, com 265 mil t. em 2001, com expectativa de crescer mais 32% em 2002.
No mercado interno espera-se que, uma crescente recuperação da economia com o conseqüente aumento no poder aquisitivo da população, o consumo per capita atual de 12 kg/habitante/ano volte a crescer, estimulando o setor produtivo e exercendo pressão sobre os preços pagos por quilo de suíno vivo.
Observando o consumo de carne suína no Estado de Santa Catarina, com cerca de 23 kg/habitante/ano, percebe-se que há espaço para o aumento do consumo em nível nacional.











8 de out. de 2015

Manejo Produtivo Das Cabras Leiteiras



Para o bom funcionamento de um sistema de produção uma série de medidas de manejo geral devem fazer parte das atividades de rotina da propriedade rural. Neste capítulo estão abordadas as principais práticas gerais de manejo necessárias para a produção de caprinos e ovinos de corte.

Escrituração Zootécnica

A escrituração zootécnica consiste no conjunto de práticas relacionadas às anotações da propriedade rural que possui atividade de exploração animal. É o mecanismo de descrição formal de toda a estrutura da propriedade: localização; acesso; área; relevo; clima; divisões; áreas de pastagens; benfeitorias; máquinas e equipamentos; funcionários; rebanhos; práticas de manejo geral e alimentar, sanitário e reprodutivo; produtos e comercialização; anotações contábeis etc.
Em um sentido restrito, escrituração zootécnica consiste nas anotações de controle do rebanho, com fichas individuais por animal, registrando-se sua genealogia, ocorrências e desempenho. Nestas anotações são registradas as datas, a condição e a extensão de importantes ocorrências como nascimento; coberturas; partos; enfermidades; morte; descarte etc. além dos registros de desempenho produtivo como pesagens, entre outras importantes mensurações, tais como as medidas morfométricas (altura, comprimento, circunferência escrotal e condição corporal e medidas de tipo e conformação). Sua importância encontra-se no fato de manter-se sob controle tudo o que ocorre na propriedade, e assim tomar decisões mais acertadas, corrigindo erros que porventura venham a ocorrer. Quanto maior o detalhe das anotações maior será o benefício que poderá ser extraído destas informações.
A escrituração zootécnica pode ser feita de maneira manual ou informatizada. Na escrituração manual, o produtor utiliza fichas individuais para o registro do desempenho de cada animal e fichas coletivas para o controle das práticas de manejo, tais como coberturas, partos etc. Estas fichas são armazenadas em arquivos físicos na propriedade.
Na escrituração informatizada, as fichas estão contidas em programas específicos de computador. Os benefícios da escrituração informatizada são grandes, pois afora permitir maior controle, detalhe e integração da informação, favorece a disponibilização fácil e rápida para o usuário. Entretanto, na sua impossibilidade, a escrituração manual pode muito bem atender aos objetivos propostos, desde que tomada de forma prática e eficiente. O mercado disponibiliza diversos programas de gerenciamento de propriedade. Esses softwares apresentam várias formas de entrada de dados, controle e níveis de utilização da informação.
GENECOC é um programa desenvolvido pela Embrapa Caprinos que auxilia o produtor na tomada de decisão, através de um controle informatizado da escrituração zootécnica do rebanho.

Descarte Orientado

O percentual anual de descarte deve variar entre 15 a 20%/ano. Devem ser descartados os animais velhos, portadores de taras (defeitos) genéticos, animais improdutivos, defeituosos, fêmeas portadoras de mastite crônica, fêmeas com baixa habilidade materna, fêmeas com baixa taxa de sobrevivência das crias.

Manejo Geral das Matrizes

Deve-se anotar a data da cobertura e data possível do parto das fêmeas cobertas. Após a cobertura observar o retorno ou não do cio pela matriz. No terço final da prenhez separar as matrizes em piquetes maternidades e melhorar sua alimentação conforme recomendação no capítulo de manejo alimentar.
As matrizes devem ser mantidas em lotes homogêneos e o local onde o parto deverá ocorrer deve ser tranqüilo e higienizado. Deve-se evitar a presença de outros animais (gato, cachorro e ratos) no local do parto.
Após o parto a matriz deve fazer o reconhecimento da cria e o tratador deve observar se a mesma expulsou a placenta.

Ordenha

Para a obtenção do leite isento de odor desagradável, com boas condições de higiene e isento de bactérias, deve-se seguir as seguintes recomendações:
Preparo para a Ordenha:
- o ordenhador deve estar com unhas aparadas, roupa limpa, mãos e antebraços lavados com água e sabão neutro e não ser portador de doenças infecto-contagiosas;
- a sala ou o local reservado para ordenhar as cabras deve ser distante das instalações dos reprodutores (150 m) e higienizadas rigorosamente;
- os baldes e botijões utilizados durante a ordenha e no acondicionamento do leite devem estar bem limpos;
- não ordenhar as cabras doentes, em cio ou recém-paridas (período colostral);
- ordenhar as cabras diariamente pela manhã e à tarde, em um mesmo horário e sempre o mesmo ordenhador.
Início da ordenha:
- lavar o úbere e as tetas da cabra com água e sabão neutro e enxugá-los com papel toalha ou uma toalha de tecido, sendo que este material só deve ser usado em uma cabra e descartado para evitar contaminação.
- coletar os primeiros jatos, 50 ml de leite das duas tetas, em uma caneca de fundo escuro, para diagnosticar a mamite subclínica.
Final da Ordenha:
- para evitar a penetração no úbere, de bactérias causadoras de mastite. Deve-se ao final da ordenha imergir as tetas em um recipiente com glicerina iodada;
- filtrar o leite em uma tela milimétrica, ou em um tecido filtrante próprio para eliminar as sujeiras capazes de favorecer o desenvolvimento das bactérias;
- se as cabras forem ordenhadas no aprisco, retirar o leite deste local, imediatamente, para evitar absorção de odores desagradáveis e contaminação;
- não fornecer, para o consumo humano, leite de cabras que receberam tratamentos com vermífugos ou antibióticos num período de 48 horas antes da ordenha;
- pasteurizar o leite para destruir totalmente a flora microbiana patogênica;
- higienizar o local e o material utilizado durante a ordenha.

Manejo Geral das Crias

É muito importante o manejo da cria para a eficiência do sistema. A mortalidade das crias deve ser evitada através de medidas de manejo.
Logo após o nascimento a cria deve mamar o colostro, que é o primeiro leite. O colostro é rico em proteínas e anticorpos, que irão proteger a cria de doenças. O colostro deve ser ingerido nas primeiras 48 horas de vida da cria.
Deve-se, proceder também, logo após o parto, o corte e cura do umbigo. O umbigo deve ser cortado, deixando-o com um tamanho de três a quatro centímetros. O coto umbilical deve ser em seguida mergulhado em um frasco, com boca larga, contendo iodo a 10%.
Faz parte dos cuidados com a cria, a pesagem da mesma ao nascer, anotar junto com esse dado o dia do nascimento, o número da mãe e o número do pai. A partir daí é importante o acompanhamento periódico através de pesagens mensais, do desempenho das crias.
Exame de fezes e vermifugação periódica conforme orientação do manejo sanitário descrito nesta publicação.
Além destas práticas, existem outras que são bastante importantes no sistema de produção.


Aleitamento

Na exploração de cabras leiteiras é prática obrigatória a separação sumária das crias do convívio com a mãe. Tal prática pode ser realizada logo após o nascimento ou às 24 horas, às 48 horas ou 72 horas de idade. A partir desta idade, o lactante receberá leite artificialmente através de mamadeiras coletivas ou calhas em quantidade suficiente para atender os seus requerimentos nutricionais. A partir do décimo dia de vida, deve ser fornecido a estes animais, além do leite, forragem verde e uma ração balanceada protéica e energética, de modo a não retardar o seu crescimento. No aleitamento artificial pode ser usado leite de cabra ou sucedâneos como o leite de vaca. Em alguns casos, quando o cabrito estiver com idade superior a 30 dias, pode ser usado como sucedâneo o leite de soja.
A quantidade a ser oferecida continua sendo um assunto muito polêmico. Dependendo da faixa etária alguns autores recomendam 1 a 2 Kg de leite por cabrito por dia. Outros recomendam quantidade de leite diária em relação ao peso vivo do animal, e sugerem fornecer uma quantidade de 10% a 25% do peso vivo do animal. Em geral, recomenda-se o fornecimento em torno de 16% a 20% do peso vivo do animal, com reajuste semanal até os 49 dias de idade.

Desmame e separação por sexo

O desmame constitui uma prática de manejo recomendada e pode ser usado nas propriedades cercadas e com divisões internas. As crias devem ser desmamadas e separadas por sexo, aos 112 dias de idade. Esta prática favorece a eficiência reprodutiva do rebanho de matriz, evita cobrição precoce das fêmeas e diminui os riscos de consanguinidade do rebanho. Recomenda-se o tratamento anti-helmíntico das crias desmamadas e suplementação alimentar, caso o desmame ocorra na época seca.

Marcação

Existem várias maneiras de marcar os animais de um rebanho. É importante que o produtor tenha todos os animais marcados e identificados de modo que possa acompanhar sua vida produtiva e reprodutiva dentro do rebanho.
O uso de brincos e chapas metálicas é bastante utilizado por ser de baixo custo, e pode ser usado logo após o nascimento da cria. No entanto, tem o inconveniente dos animais constantemente perderem este tipo de identificação.
A tatuagem é outra forma de marcação. Geralmente tatuam-se os animais puros que possuem registro genealógico. Para proceder a prática utiliza-se um alicate tatuador.
A marcação de ferro a fogo é realizada na tábua do queixo ou base do chifre. O método é barato, no entanto, de difícil execução.
Os sinais chamados piques ou mossas, que são feitos nas orelhas quando os animais possuem entre dois e três meses de idade, constituem um dos tipos de marcação mais característicos dos sistemas extensivos de criação.

Castração

A castração tem por objetivos melhorar a consistência e o sabor das carnes, tornar os animais mais dóceis, engordar os animais mais rapidamente e possibilitar a criação de machos e de fêmeas juntos, sem que ocorram coberturas indesejáveis.
Existem vários métodos de castração. O método cirúrgico, burdizzo e anel de borracha são os mais conhecidos.
O método cirúrgico é o mais seguro, porém de maior custo. O método do anel de borracha é muito simples e consiste em colocar um anel de borracha na base do saco escrotal de modo que não haja circulação sanguínea e com o passar dos dias os testículos caem.
O burdizzo consiste no esmagamento dos cordões sem que haja o corte da pele. É um processo rápido, prático e simples. A eficiência deste método depende bastante do operador. Este deve estar atento para o funcionamento do alicate. Na hora de fazer a castração deve fazer o esmagamento de um lado do testículo e depois do outro. Não se deve fazer o esmagamento da região total. Ao final do processo o operador deve se certificar de que os dois cordões foram rompidos.

Descorna

A descorna tem por finalidade facilitar o manejo dos animais, evitando a ocorrência de lesões causadas por chifres no rebanho. A prática é mais destinada para caprinos. O método mais comum e eficiente é a descorna utilizando ferro quente aos dez dias de nascido. Deve-se prestar bastante atenção para que o ferro cauterize apenas o botão do chifre.
As pastas cáusticas são perigosas por causar muitas vezes cegueira e intoxicação nos animais. A descorna cirúrgica só é recomendada após oito meses de idade.

Importância do Leite de Cabra

O Brasil com cerca de 12,2 milhões de cabeças, possuí o nono maior rebanho caprino do mundo, porém contribui com apenas 1,3% da produção mundial deleite de cabra (FAO, 2005).
O leite de cabra vem conquistando crescente mercado, tanto na forma de leite pasteurizado, como na forma de leite em pó e derivados, além de continuar sendo importante fonte de alimentação de comunidades carentes.

Autores: Luiz Pinto Medeiros; Raimundo Nonato Girão; Eneide Santiago Girão; José Carlos Machado Pimentel. “Caprinos – princípios básicos para sua exploração”. Teresina: Embrapa CPAMN. Brasília: Embrapa SPI, 1994. 177 p. ISBN 85-85007-29-X.

A criação de caprinos representa uma das principais atividades econômicas das áreas mais secas do Nordeste. Carne e leite de caprinos são as principais fontes de proteína animal para as populações de baixa renda, notadamente no semi-árido nordestino. A venda de animais vivos e/ou peles constitui fonte adicional de recursos para a obtenção de gêneros não produzidos na propriedade.
Dos tipos de caprinos que compõem o rebanho nacional, destacam-se os animais do tipo Sem Raça Definida (SRD) que constituem o principal rebanho de caprinos do país. Além desse tipo existem pequenos núcleos de animais representados pelas raças e/ou tipos nativos: Moxotó, Canindé, Repartida, Marota e Gurguéia. Das raças exóticas destacam-se a Anglo-nubiana, Parda Alpina, Saanen, Toggenburg, entre outras.
Atualmente, os eco tipos nativos vêm sendo utilizados em cruzamentos com reprodutores de raças exóticas visando a obtenção de animais de maior produção de leite e que apresentem condições de melhor adaptação ao meio semi-árido.

Importância da produção de leite de Cabra

Existe, atualmente, um grande interesse na produção de leite de cabra, em virtude do seu alto valor nutritivo, do nível e qualidade dietética, despertando a iniciativa governamental para a criação de programas que objetivem elevar o nível nutricional da dieta familiar da população de baixa renda e proporcione a formação de mercados consumidores do leite e seus derivados nas áreas urbanas.
Existe um aumento acentuado da taxa do crescimento no segmento da população que apresenta níveis de ingestão de alimentos (qualitativo e quantitativo) abaixo dos recomendados, como mínimos, pela Organização Mundial de Saúde. Vários são os fatores de origem social e/ou econômicos atuando isoladamente ou em conjunto que provocam este aumento. Nota-se que este crescimento está sendo maior em regiões que apresentam grandes variações climáticas , induzindo uma maior variação na oferta de alimentos.
Nessas regiões, o caprino torna-se o animal mais importante na produção de carne e leite, principalmente nas pequenas propriedades.
Esta importância ocorre me função da alta capacidade de adaptabilidade, tamanho, facilidade de manejo e alta eficiência produtiva dos caprinos. A existência de caprinos nas diversas regiões do mundo, com exceção dos pólos, comprova sua capacidade de adaptabilidade.
Por menor que seja a área destinada a moradia de uma família na zona urbana ela tem condições de criar de duas a três cabras e, na zona rural este número mínimo cresce para oito a dez cabras, mas não será suficiente para criar uma vaca com produção média de leite. Salienta-se que as cabras, em função do seu temperamento dócil, podem ser manejadas por mulheres e crianças, sem problemas.
A eficiência produtiva da cabra pode ser medida em termos de produção de leite e número de crias por ano. O consumo de matéria seca de seis cabras com produção média de 1,2 litros de leite por dia equivale a de uma vaca com produção de 6 litros de leite por dia. Além da produção total ser maior nas cabras, a vaca necessita de uma pastagem de alta qualidade ou uso de concentrados, tornando a produção inviável economicamente. Em termos de produção de crias, as seis cabras podem ter até 21 cabritos em dois anos, enquanto a vaca só produzirá no máximo duas crias.
Pelos resultados alcançados em vários países, o uso do caprino como produtor de leite pode tornar-se um importante instrumento de política de produção de alimentos e, com isso diminuir os níveis de subnutrição e taxa de mortalidade infantil de várias regiões, principalmente do Nordeste brasileiro.

Valor nutritivo do leite de cabra

O leite de cabra é um alimento que apresenta, em sua composição química os elementos necessários à nutrição humana, como açúcares, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais. Apresenta ainda uma alta digestibilidade, em função do tamanho e dispersão de seus glóbulos de gordura, bem como das características de sua caseína.
O leite de cabra é o alimento ideal para crianças recém-nascidas ou pessoas idosas. Não provoca o aparecimento de cólicas estomacais, principalmente nas crianças, chegando, inclusive, em alguns casos, a eliminá-las.
O suprimento de 1/3 (um terço) das necessidades alimentares diárias de uma pessoa adulta pode ser suprido por um litro de leite de cabra. Este apresenta um teor energético que varia entre 60 a 75 Kcal/100 g de leite. A gordura presente contribui com mais ou menos 50% deste valor, a proteína com mais ou menos 25% e a lactose com 25%.
O leite de cabra, de vaca e humano apresentam diferenças entre si, tanto na quantidade como na classe de proteína. Contudo, existem alguns resultados de trabalhos científicos que apontam o leite de cabra como ideal opara ser usado por crianças alérgicas ao leite de vaca, ou as pessoas que fazem tratamentos quimioterápicos, porque o mesmo pode diminuir a queda dos cabelos, que é uma característica deste tipo de tratamento.

Composição química do leite de cabra

Como em qualquer tipo de leite, também no de cabra, as composição química varia com a genética do animal (raça e indivíduo), alimentação, clima, sanidade, estado fisiológico, ordenha e posteriores manipulações do produto.
Na Tabela 1, pode-se comparar as composições químicas do leite de cabra, de vaca e humano, observando-se pequenas variações entre as composições. O nível de nitrogênio no leite da cabra varia de 0,5 a 0,6% com uma média de proteína de 3,98%, distribuído em forma de caseína, lactoalbumina e nitrogênio não protéico. A caseína é o principal componente, com aproximadamente 80% de todos os compostos.

Tabela 1: Composição média de alguns componentes químicos dos leites de cabra, vaca e humano.
Tipo de Leite
Proteína (%)
Gordura (%)
Lactose (%)
Cinza (%)
Sólido (%)
Cabra
3,98
4,75
4,72
0,78
14,23
Vaca
3,40
3,70
4,90
0,72
12,70
Humano
1,00
4,30
7,40
0,18
12,90
Fonte: Woltschoon-Pombo & Furtado, 1978.

Em termos de aminoácidos não existem grandes diferenças nos teores dos três tipos de leite, sendo o leite de cabra o que mais se aproxima do leite humano, principalmente em termos de aminoácidos sulfurosos como metionina e cistina. Todos são ricos em lisina que é um aminoácido de grande importância na alimentação infantil.

Sais Minerais no leite de cabra

Geralmente, o leite de cabra é citado como sendo causador de anemia em crianças , mas isso só ocorre quando ele é utilizado como alimento exclusivo. Neste caso, a anemia é causada pelo tipo de dieta que a criança está submetida, tornando-se insuficiente a ingestão de vitaminas B6, B12 e C, bem como, ferro e cobalto. Este tipo de anemia também pode ocorrer quando a criança faz uso exclusivo do leite de vaca.
O leite de cabra é constituído de 0,70% a 0,85% de sais minerais, quantidade um pouco menor que a observada no leite de vaca. Por outro lado, é superior ao de vaca em termos de cálcio, fósforo (total), sódio e potássio.

Vitaminas no leite de cabra

Na Tabela 2, pode-se comparar os teores médios de vitaminas dos leites de cabra, de vaca e humano. Existe uma certa variação nos teores entre os diversos tipos de leite, sendo que o leite de cabra apresenta teores mais elevados em relação ao leite humano, em vitamina A, colina, tiamina, riboflavina, ácido nicotínico e biotina. Constata-se valores mais baixos para os teores de vitamina B6, B12 e K, ácido ascórbico, ácido fólico e piridoxinas.

Tabela 2: Teores médios de vitaminas nos leites de cabra, vaca e humano.
Vitaminas
Cabra
Vaca
Humano
Vitamina A
2074
1560
1098
Tiamina
0,40
0,44
0,16
Riboflavina
1084
1,75
0,36
Ácido Nicotínico
1,87
0,94
1,47
Vitamina B6
0,07
0,64
0,10
Ácido Pantotênico
3,44
3,46
1,84
Biotina
0,039
0,031
0,008
Ácido Fólico
0,0024
0,0008
0,002
Vitamina B12
0,0006
0,0043
0,0008
Ácido Ascórbico
15,0
21,1
43,0
Colina
150,0
121,0
90,0
Inositol
210,0
110,0
330,0
Vitamina D
23,7
-
2,0
Vitamina C
15,0
21,10
43,0
Vitamina A em UI/L, outros valores em mg/l.
Fonte: Parkash & Jennes, 1968.

Esses dados mostram que o leite de cabra tem realmente alto valor nutritivo. Porém, essas qualidades próprias do leite de cabra podem ser alteradas, sensivelmente, se não forem seguidas rigorosamente as recomendações sobre os procedimentos da ordenha.