7 de nov de 2015

Limpeza, Desinfecção e Monitorias Sanitárias na Criação de Suínos



Limpeza e Desinfecção

O sistema de manejo "todos dentro, todos fora", possibilita a limpeza e desinfecção completa das salas e a realização do vazio sanitário. Nas fases de cobrição e gestação, normalmente utiliza-se o sistema contínuo, sem realização de vazio sanitário. Por esta razão, para reduzir a contaminação do ambiente, deve-se lavar e desinfetar as baias ou boxes sempre que um lote de fêmeas for retirado.


    
A limpeza seca, com pá e vassoura na presença dos animais, deve ser feita diariamente de 1 a 3 vezes ao dia, dependendo do tipo de instalação. 

  • Iniciar a limpeza seca, com pá e vassoura, imediatamente após a retirada dos animais.
  • Esvaziar as calhas ou fossas existentes.
  • Desmontar e lavar todos os equipamentos da sala.
  • Iniciar a limpeza úmida no máximo 3 horas após a saída dos animais.
  • Umedecer previamente a instalação com água contendo um detergente para facilitar a remoção de toda a matéria orgânica aderida nas paredes e pisos.
  • Fazer a limpeza úmida com lava jato de alta pressão (1000 a 2000 libras).
  • Aplicar o desinfetante no dia seguinte ao da lavagem, com a instalação totalmente seca, usando cerca de 400ml da solução/m2 de superfície.
  • Observar com cuidado a correta diluição do desinfetante, seguindo sempre a recomendação do fabricante.
  • Desinfetar todas as superfícies da sala e todos os equipamentos.
  • Nos meses de inverno, usar água pré aquecida a 37°C para diluir o desinfetante.
  • Opcionalmente pode ser feita uma segunda desinfeção, usando pulverização ou nebulização, cerca de duas horas antes do alojamento do próximo lote animais.
  • No caso de sala de maternidade, fazer essa segunda desinfeção com vassoura de fogo (lança chamas), como medida auxiliar no controle da coccidiose.
  • Aguardar vazio sanitário mínimo de 5 dias, deixando nesse período a sala fechada.
  • Montar os equipamentos e alojar os animais na sala limpa e desinfetada.


A monitoria sanitária é uma maneira sistemática e organizada de acompanhar no tempo e no espaço a saúde de um rebanho. Pode ser realizada com vários objetivos, como a certificação da granja livre de algumas doenças (GRSC), o diagnóstico e a avaliação de medidas de controle e de programas de vacinação. O Quadro 6 apresenta os tipos de monitorias aplicadas na produção de suínos. 



Quadro 6. Tipos de monitorias sanitárias aplicadas em produção de suínos com seus respectivos métodos e suas vantagens e desvantagens. 
Tipos de monitoriaMétodosVantagensDesvantagens
Clínico-patológicaExame clínico e necropsiaPraticidadeSubjetividade
LaboratorialSorológico, bacteriológico, virológico, parasitológico, histopatológicoSensibilidade, especificidade, objetividadeAlto custo, demora
AbatedouroAnatomopatológicoBaixo custo, avaliação de maior número de animais, avaliação de várias enfermidades em um mesmo momentoPouco preciso
Fonte: (Referência n° 38) Soncini e Madureira Júnior (1998).

Monitorias clínicas
É importante que sejam realizadas pelo mesmo avaliador para diminuir risco de erro. Tais monitorias podem ser feitas a cada 15 dias ou uma vez por mês dependendo do objetivo e do tamanho do rebanho.
  • Diarréia em leitões na maternidade e creche: Avalia-se a consistência das fezes, classificando-as em normais=1; pastosas=2 e líquidas=3. Uma leitegada é considerada com diarréia quando dois ou mais leitões apresentarem fezes líquidas. Após faz-se uma classificação quanto a severidade em: insignificante = sem registro de diarréia; pouca = diarréia com duração de um a cinco dias; muita = diarréia por mais de cinco dias.
  • Avaliar os lotes de creche, crescimento e terminação, periodicamente, por determinado número de dias no mesmo horário. Quando mais de 20% dos animais estão com diarréia, considerar o lote como afetado, classificar quanto a intensidade da seguinte forma: nenhum dia com diarréia por semana = lote sem diarréia; um a três dias por semana com diarréia = lote com pouca diarréia; quatro ou mais dias com diarréia = lote com bastante diarréia.
  • Tosse e Espirro: Esta avaliação é realizada para se estimar a ocorrência de rinite atrófica e de pneumonias em lotes de suínos nas fases de creche ou crescimento/terminação. Um índice é estabelecido para tosse e outro para espirro, em três contagens consecutivas de dois minutos cada realizadas da seguinte forma:
    • a)- movimentar os animais durante um minuto;
      b)- aguardar por um minuto;
      c)- realizar a contagem de tosse e espirro simultaneamente;
      d)- movimentar os animais;
      e)- contar novamente;
      f)-  movimentar os animais;
      g)- contar novamente.
    A freqüência é determinada pela seguinte fórmula:
    Média das três contagens / Número de animais no lote x 100
    Freqüência de espirro menor que 10% indica pouco problema de rinite atrófica e freqüência de tosse menor que 2% indica pouco problema de pneumonias.

  • Onfalite: reflete a qualidade do manejo do recém nascido e do programa de limpeza e desinfecção da maternidade. Examinar no mínimo cinco leitegadas, entre 15 e 20 dias de idade, por sala de maternidade, quanto a presença de nódulo ou má cicatrização umbilical por inspeção e palpação (leitão em decúbito dorsal). A seguir calcula-se a freqüência pela seguinte fórmula:

  • Número de leitões com onfalite / Número de leitões examinados x 100
    A freqüência de leitões com esse tipo de alteração não deve ser superior a 10%.
Monitorias laboratoriais

A monitoria de doenças usando recursos laboratoriais como testes sorológicos, microbiológicos, parasitológicos e histopatológicos possibilita o acompanhamento mais preciso da saúde do rebanho. Existe uma variedade de testes disponíveis no mercado para atender as diferentes doenças. A decisão de qual teste usar e para qual doença, deve ser tomada pelo veterinário responsável pela granja. O acompanhamento clínico do rebanho, uso de vacinações e/ou medicações devem ser considerados na interpretação dos resultados. 
Os testes podem ser diretos como a identificação e caracterização do agente, muito úteis no diagnóstico e acompanhamento do rebanho, ou indiretos. Entre os indiretos, os mais comuns são os testes sorológicos que medem a presença de anticorpos contra determinado agente e são utilizados no auxílio ao diagnóstico, na avaliação de efeito da vacinação e no acompanhamento de duração de anticorpos maternos. A prova da tuberculina pareada, é um teste indireto imuno-alérgico utilizado para classificar o rebanho quanto a infecção por microbactérias.

Monitorias no abatedouro

A forma vertical da organização dos sistemas de produção de suínos, prevalente na região sul do Brasil, facilita a visita aos abatedouros para acompanhamento do abate de lotes de interesse. Desta forma pode-se estabelecer um programa de monitoria de doenças através da determinação da prevalência e gravidade de lesões observadas ao abate. Embora as lesões observadas no abate dizem respeito a infecções crônicas e sua evolução depende das condições sob as quais os animais foram submetidos, continua sendo uma prática muito útil pelo seu baixo custo e praticidade, mas necessita de pessoa treinada para executa-la



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