A criação de búfalos no Brasil adquiriu grande dimensão em razão da adaptação dos animais às várias regiões e ao desempenho na produção de carne e leite,
além da importância como animais de trabalho. Há rebanhos de grande valor zootécnico
em todas as regiões do País, e os seus produtos já são diferenciados pela qualidade.
Este livro, editado na coleção 500 Perguntas, 500 Respostas – O produtor
pergunta, a Embrapa responde, atende à demanda de uma atividade em ascensão,
visando às necessidades mais básicas dos criadores e técnicos envolvidos com a
criação de búfalos, seguindo a trilha do êxito já obtido com outras espécies animais
e agrícolas. Justifica-se a sua edição dadas as particularidades relacionadas com a
espécie bubalina, que vão desde os hábitos e alimentação até as peculiaridades no
comportamento reprodutivo.
A sua elaboração partiu de perguntas formuladas por criadores e técnicos de
todo o País, contatados individualmente ou por meio das associações de criadores
dos estados que responderam nossas consultas. Participaram como revisores alguns
dos mais renomados criadores e técnicos que, também, nos atenderam com a humildade
dos que sabem quase tudo. Sem alarde ou estrelismo. Foi assim que Wanderley
Bernardes, um dos expoentes máximos da bubalinocultura mundial, até poucos dias
antes do seu desencarne, revisou pela segunda vez este livro, enriquecendo-o com
suas observações práticas e acuidade de quem viveu toda uma vida junto aos búfalos.
Durante décadas ele fez de Sarapuí, da sua Paineira da Ingaí, o ponto de convergência
da criação de búfalos no Brasil. Do mesmo modo que, da imensidão dos seus
conhecimentos, lúcido e sábio, o zootecnista e professor Abnor Gurgel Gondim, no
aconchego da sua Fortaleza, CE, precisou de apenas poucos dias para devorar todas
estas páginas, enriquecendo-as com suas sugestões e conhecimentos.
Assim, este livro foi elaborado! Apenas organizamos o trabalho de pessoas
sábias em búfalos pelo tempo e vivência; outras no auge do querer saber e já aprendendo
cada vez mais. Basta ver a relação dos revisores e dos autores. Muitos bastante
conhecidos e outros, se não o são, já sabem muito, pois são “doidos” por búfalos.
Mesmo assim, sentimos falta daqueles que poderiam estar aqui, também, e, por
motivos diversos, não puderam nos atender, participando desta empreitada. Por esses
motivos e pelas diversas aptidões da bubalinocultura, além da dimensão do nosso
país, o assunto não foi esgotado e está longe de ser.
Os conhecimentos foram sintetizados em dez capítulos, envolvendo grandes
áreas ligadas à criação dos animais domésticos, procurando condensar as informa-
ções mais básicas, para que criadores, técnicos e estudantes tenham um ponto de
partida para resolver os seus problemas mais prementes.
Procurou-se, sempre que possível, uma linguagem fácil, sem rebuscos cientí-
ficos para que seja acessível a todos, com o objetivo de colaborar na eficácia do
gerenciamento da propriedade e manejo adequado dos animais, visando o aumento
da produtividade da atividade bubalina no País.
26 de jul. de 2015
Produtividade na criação de Bufalos
As raças bubalinas são igualmente boas. O objetivo comum deve ser a produção mista: carne e leite.
A carne dos bubalinos é aceita normalmente pela população, sendo difícil a sua distinção da carne bovina. A produção leiteira constitui outra importante função. O leite pode ser destinado para o consumo "in natura" ou para o preparo de queijo e manteiga.
A espécie apresenta produção econômica igual (ou até superior em determinadas condições) à dos bovinos especializados. Assim, com 8 litros de leite de búfala se faz 1 Kg de queijo, e são precisos 12 litros de leite de vaca para a mesma finalidade. Para 1 Kg de manteiga são necessários 14 litros de leite de búfala e 20 litros de leite de vaca.
Além disso, resultados de pesquisas mostram que o leite de búfala tem maior valor nutritivo do que o de vaca, conforme o quadro abaixo:
| Quadro comparativo da composição média em % do leite | |||||
| Espécie | Água | Gordura | Açúcar | Proteína | Cinza |
| Bubalina | 82,05 | 7,98 | 5,18 | 4,00 | 0,79 |
| Bovina | 87,20 | 3,80 | 4,95 | 3,38 | 0,70 |
O período médio de lactação pode ser estimado em 7 meses. Estudando-se as variações que este índice pode apresentar, obteve-se o seguinte resultado:
Produção leiteira
| Período de lactação de búfalas, em dias | ||
| Dias | Casos | % |
Até 100
|
2
|
0,4
|
101 a 150
|
19
|
3,9
|
151 a 200
|
143
|
29,6
|
201 a 250
|
243
|
50,3
|
251 a 300
|
61
|
12,7
|
301 a 365
|
15
|
3,1
|
Número de lactações controladas = 483
Número de búfalas controladas = 98
Período máximo de lactação (controlada) = 365 dias
Período mínimo de lactação = 87 dias
Média = 215,3 dias
Tendo em vista a sua capacidade de total aproveitamento de alimentação pobre, de pastagens grosseiras e de palhas de cereais, as quais ingerem dia e noite se assim for deixado, o búfalo é, sem a menor sombra de dúvida, a mais econômica fonte produtora de leite e manteiga.
A rusticidade do búfalo, em termos de alimentação, exige quantidade em detrimento da qualidade. Quanto à produção de leite em quilogramas, por lactação, obteve-se o seguinte resultado:
| Produção de leite da búfala ( 483 casos analisados ) | |||
| Quilos | Casos | % | |
| Até | 1000 | 21 | 4,3 |
| 1001 | a 1251 | 68 | 14,1 |
| 1251 | a 1500 | 112 | 23,2 |
| 1501 | a 1750 | 131 | 27,1 |
| 1751 | a 2000 | 84 | 17,4 |
| Mais de | 2000 | 67 | 13,9 |
| Produção média por lactação: | 1.583,07 Kgs |
| Produção média diária: | 7,35 Kgs |
| Produção máxima registrada: | 3.599,00 Kgs |
| Produção mínima registrada: | 406,00 Kgs |
É importante salientar que a maior produção leiteira ocorre exatamente no período de entre safra da produção dos bovinos, pois a parição da búfala se verifica predominantemente até abril de cada ano e a desmama é feita, na maior parte, de outubro a dezembro.
Rendimento de carne
O búfalo é, por natureza, mais precoce que o bovino. Atualmente, no abate, obtém-se 15 a 16 arrobas de carne por animal com idade entre 20 a 22 meses. Um dos objetivos dos criadores é obter 17 a 18 arrobas, com idade entre 20 e 22 meses em regime de pasto, e 16 a 17 arrobas com 16 a 18 meses, em confinamento.
O rendimento da carcaça do búfalo ainda não pode nos fornecer dados muito precisos. O assunto continua em aberto devido aos poucos resultados de provas e testes obtidos, os quais entretanto já nos oferecem índices bem próximos dos apresentados pelo bovino especializado.
A ABCB vem a algum tempo realizando provas e coletando dados de abate de búfalos, para em futuro próximo conseguir informar com mais precisão os índices de rendimento.
Estudos realizados pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) indicaram um rendimento de 48,7% em relação ao peso de abate ou 55,8%, em relação ao vazio, entendendo-se como peso de abate aquele obtido no frigorífico após descanso do animal em dieta hídrica, e como peso vazio, a diferença entre o peso de abate e o peso do conteúdo - gastrintestinal.
O peso médio dos búfalos varia de acordo com a raça e a idade. De um modo geral, o peso dos machos bubalinos adultos varia entre 700 e 900 quilos e o das fêmeas adultas entre 360 a 700 quilos.
Embora os búfalos apresentem, quando bezerros, um ganho de peso inferior ao do bezerro bovino, eles se igualam ou mesmo ultrapassam os bovinos, quando se tornam adultos.
Apesar dos bubalinos apresentarem musculatura mais rica do que o zebu, o rendimento em carne é menor, visto que o búfalo apresenta couro, cabeça e viceras, bem mais pesados do que o dos zebuínos. O seu couro corresponde de 10 a 12% do peso do animal, sendo mais grosso do que o do bovino e de textura mais porosa. Em Prova de Ganho de Peso, realizada em Sertãozinho/SP, Pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, na qual concorreram diversas raças, os búfalos se destacaram conforme se observa no seguinte quadro:
| Raças | Ganho de peso (médio/por kg) | Ganho de peso (médio diário/por kg) |
| Bovinos | ||
| Gir | 66,000 | 0,590 |
| Guzerá | 81,380 | 0,730 |
| Nelore | 78,200 | 0,700 |
| Caracu | 80,940 | 0,720 |
| Canchim | 93,290 | 0,830 |
| S. Gertrudes | 103,580 | 0,970 |
| Búfalos | ||
| Jafarabadi | 108,760 | 0,970 |
| Murrah | 102,640 | 0,916 |
| Mediterrâneo | 94,80 | 0,837 |
Cálculos feitos com base nos resultados oficiais apresentados pelo instituto de zootecnia, da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo.
Sistema de criação
De um modo geral, a criação de búfalos segue a adotada para os bovinos, distinguindo-se: o sistema extensivo e o sistema intensivo. E também temos como recomendação comum ofato de os animais deverem ser submetidos a um bom manejo, o que tornará bem mais fácil o seu custeio.
A seleção deve ser constante para o melhoramento do rebanho juntamente com boa alimentação e ginástica funcional. Com essa preocupação, as qualidades se manifestam com maior intensidade para facilitar a escolha dos melhores reprodutores.
Os búfalos têm vida mais longa do que os bovinos, chegando a atingir 30 anos. A vida útil das fêmeas, como reprodutoras, também é longa; há matrizes com 12 e até 16 crias.
A padreação é feita quase sempre em liberdade, podendo um reprodutor servir de 40 a 50 fêmeas.
A cobertura (ou monta) "controlada" efetua-se nas criações intensivas, nas explorações leiteiras e principalmente nos plantéis de seleção. A fecundação normalmente é conseguida no primeiro serviço com uma gestação de mais ou menos 10 meses.
Os bezerros nascem com peso superior ao das raças zebuínas, com média de 38,5 Kg para os machos e 36,5 Kg para as fêmeas.
24 de jul. de 2015
Criação de Búfalos
COMO CRIAR BUFALOS:
Gestação: 10 meses e 20 dias;
-Desmama: em janeiro e fevereiro;
-Parição com monta natural, no Brasil: 87,6% parem de janeiro a maio;
-Entre 5 e 16 anos de idade, 97% das búfalos parem uma vez por ano, com monta natural;
Além da Monta Natural, podem ser feitos projetos de Inseminação Artificial, e apesar do animal ter um período estacional para o período de cio, existem diversas maneiras de que seja feito um manejo reprodutivo controlado para que a produção leiteira não pare.
-Dentição: aos nove meses o búfalo tem todos os dentes; a dentição permanente se dá da seguinte forma: primeiro par de 2,5 a 3 anos; segundo par de 3,5 a 4 anos; terceiro par de 4 a 5 anos; quarto par de 5 a 5,5 anos;
-Longevidade: o búfalo vive 40 anos; a vida produtiva das matrizes é de 25 anos; até 17 lactações a produção é normal; a partir de então, começam os abortos;
-Rendimento de carcaça: de 50 a 53%, podendo atingir 59%;
-Peso: fêmeas, de 450 a 850kg, podendo chegar a 1.000kg; machos: de 600 a 1.200kg podendo chegar a 1.600kg;
-Problema sanitário: vermes e piolho (haematophinus tuberculatus: piolho preto; hixodus resinas: piolho branco)
-Produção de leite: em Bombaim, a Aarey Milk Colony, um dos maiores plantéis do mundo, com 18.000 búfalas murrah em lactação, puras e cruzadas, produz, em média, 1.900 litros por búfala, por lactação de 300 dias, com média de 7% de matéria gorda; o recorde é 7.000 litros em 300 dias
Por que o búfalo é mais produtivo que o boi?
O búfalo é mais produtivo do que o boi devido às seguintes razões :
- A população bacteriana do rumen do búfalo é maior; o pH é diferente e o alimento passa mais lentamente no intestino do animal, fazendo com que ele tenha uma conversão alimentar muito superior à do boi.
Prof. Dr Pietro Baruselli, da USP, escreveu em artigo divulgado pela ABCB em outubro de 2000:
"Em pesquisa realizada no Estado de São Paulo para avaliar a eficiência nutricional de bubalinos, zebuínos (Nelore) e taurinos (Holandês) confinados com cana de açúcar (ad libitum); 2kg de soja in natura; 2kg mandioca e mistura mineral foram observados os seguintes resultados:
Consumo total de matéria seca (112 dias de confinamento) e conversão alimentar segundo espécie. Velloso et al. (1994)
| Espécie | Consumo total de MS | Ganho de peso diário (Kg) | Conversão alimentar * |
| Búfalo | 4.426,7a | 0,929a | 7,126a |
| Zebu-Nelore | 4.881,9a | 0,880a | 8,518b |
| Holandês | 5.529,8b | 0,845a | 10,034b |
* Kg MS/Kg ganho de peso
Este experimento mostrou que o nelore comeu 19,5% e o holandês 40,8% mais do que o búfalo, respectivamente, para ter o mesmo aumento de peso. Em outras palavras, a conversão alimentar do búfalo foi 19,5% melhor do que a do nelore e 40,8% melhor do que a do holandês.
- O búfalo é mais rústico e mais fértil do que o boi; 97% das búfalas parem uma vez por ano, se estiverem bem alimentadas;
- A dentição é muito favorável, já que a primeira muda se dá entre 30 e 36 meses. No boi, a primeira muda se dá aos 18 meses, atrapalhando o crescimento do animal numa fase crítica;
- A desmama natural se dá em janeiro quando os pastos são bons e quando o bufalinho tem dez meses de idade; assim, o animal enfrenta a primeira estação seca com idade superior a 15 meses, sem perder os dentes.
- O leite do búfalo produz mais do dobro, em queijo e em mozzarella, do que o leite de vaca;
- O búfalo é um animal calmo, inteligente, aceitando sem nervosia o tratamento veterinário, o que não acontece com o nelore e com outras raças zebuínas, que se descontrolam de raiva perante uma situação adversa.
Estas diferenças fazem do búfalo um animal de alta produtividade.
23 de jul. de 2015
Generalidades sobre Bufalos
Apresentação
O interesse pela criação de búfalos vem aumentando a cada ano em todo o mundo. Embora o búfalo ainda seja um animal considerado exótico nos Estados Unidos, onde o búfalo doméstico (Bubalus bubalis) é conhecido como "water buffalo" em diferenciação ao bisão (Bison bison) também chamado de búfalo, a bubalinocultura vem crescendo ano a ano. O potencial do búfalo como animal do futuro já foi ressaltado , tanto que em 1988 foi criada em Berry College em Rome, Georgia, a American Water Buffalo Association, cuja sede está agora localizada em Gainesville, Florida.
A criação de búfalos é uma atividade que vem sido desenvolvida durante milhares de anos em praticamente toda a Ásia, continente detentor de quase a totalidade do rebanho bubalino mundial (com cerca de 150 milhões de cabeças, representando ao redor de 97% do total mundial). Nesses países, o búfalo ficou por longo tempo sendo utilizado como animal produtor de trabalho e leite, ainda assim, com baixa produtividade e eficiência devido o pobre desenvolvimento sócio-econômico da região. Entretanto, o animal adquiriu ao longo do tempo, características próprias de adaptação ao ambiente hostil com alimentação à base de alimentos volumosos grosseiros. Entre essas características, destacam-se a rusticidade ao ambiente tropical, representada pela alta resistência às doenças comuns do gado bovino, alta capacidade reprodutiva, docilidade, entre outras .
Segundo a FAO, em 1998, o rebanho Bubalino era de aproximadamente 164,3 milhões de cabeças, representando cerca de 11% do rebanho bovino mundial, apresentando uma taxa de crescimento anual acima de 10%, em países como o Brasil.
Fora do continente asiático vamos encontrar búfalos na Europa, principalmente na Itália, Bulgária, Romênia e outros países. O país europeu com maior interesse na criação de búfalos é a Itália, onde desenvolveu-se o queijo Muzzarella, originalmente feito com leite de búfala e muito apreciado comercialmente.
Tendo em vista as excelentes perspectivas de um ótimo mercado, os produtores por sua vez, embasados em pesquisas das mais competentes instituições, caminham no sentido de incrementar a produção, tanto do leite e derivados, quanto a da famosa carne "light".
O sistema de criação predominante no país ainda é o sistema extensivo, principalmente desenvolvido em pastagens nativas e de baixa qualidade. Isso se deve em grande parte ao preconceito contra o próprio animal de que a criação somente seria viável para os locais onde não se pode criar outros animais domésticos, como em regiões pantanosas, sujeitas a enchentes, de solos pobres, em terrenos montanhosos, etc. Porém, criadores têm procurado desenvolver uma criação mais racional com introdução de melhorias no sistema tornando-o mais eficiente, como as já realizadas pelas pecuárias bovinas leiteira e de corte.
Distribuição geográfica no Brasil
Os registros existentes na Associação Brasileira de Criadores de Búfalos mostram que esses animais foram introduzidos no país no final do século XIX, mas só ganharam projeção durante as últimas décadas. Atualmente, a grande maioria dos búfalos está ainda localizada na região Norte, porém a criação vem se ampliando em todas as regiões do país. A Bubalinocultura brasileira já é uma realidade, apresentando um efetivo de aproximadamente 3 milhões de cabeças, o que torna a criação de búfalos no Brasil como a mais importante localizada fora do continente asiático.
O búfalo, trazido para o nosso país, se adaptou e desenvolveu extraordinariamente em pastagens de todos os Estados. A diversificação de clima e de solo encontrada na grande extensão territorial brasileira, não foi obstáculo capaz de deter a sua caminhada.
Atualmente, ele é considerado como uma grande opção para a pecuária nacional, pois fornece produtos similares aos dos bovinos (carne, leite e sub-produtos) em condições mais econômicas.
Segundo a própria FAO, o rebanho brasileiro teria aproximadamente 1,2 milhões de cabeças, porém a ABCB (Associação Brasileira de Criadores de Búfalos), possui estimativas ao redor de 3 milhões de animais, o que torna a criação de búfalos no Brasil como a mais importante localizada fora do continente asiático, com destaque para a região Norte do país. O Brasil conta ainda com 450 mil cabeças na região Sudeste, 420 mil na região Nordeste, 360 mil na região Centro-Oeste e 270 mil na região Sul.
Todo território brasileiro apresenta condições para a bubalinocultura, estando sua população distribuída nas seguintes regiões:
Norte - 50%
Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Amapá.
Nordeste - 14%
Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.
Sudeste - 15%
Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.
Sul - 9%
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Centro Oeste - 12%
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
Manual do Criador: QUALIDADE DA ÁGUA NA AVICULTURA
QUALIDADE DA ÁGUA
A avicultura brasileira é atualmente um dos setores mais organizados e desenvolvidos do agronegócio brasileiro, sendo nosso país o maior exportador de carne de frango. Avanços nas áreas de nutrição e sanidade em muito contribuíram para esse desenvolvimento. O balanceamento nutricional adequado, uso de enzimas, melhorias no processamento de matérias primas, uso de vacinas e análises laboratoriais mais precisas e confiáveis são exemplos do progresso na cadeia avícola.
Contudo, a água é um fator ao qual não tem sido dada a atenção necessária, tendo em vista a magnitude de seus requisitos. A água pode ser considerada o nutriente mais importante aos animais, desconsiderando-se o oxigênio. São inúmeras suas funções nos organismos vivos, sendo essencial nos processos de digestão, solubilização e transporte de substâncias aos diversos tecidos corporais. A água, devido ao seu alto calor específico, também é fundamental na manutenção da temperatura corporal em extremos de temperatura ambiental.
Devemos atentar para três pontos-chave quando pensamos na água para dessedentação das aves: quantidade, qualidade físico-química e qualidade microbiológica. É conveniente ressaltar que milhares de aves têm acesso a água de uma mesma fonte e qualquer comprometimento em seu fornecimento poderá acarretar sérios prejuízos ao produtor.
Quantidade
A água deve ser disponibilizada à vontade e durante todo o dia para as aves. De um modo geral, considera-se que a quantidade de água ingerida por dia pelas aves é em média o dobro da quantidade de ração consumida no mesmo período. Contudo, o consumo de água pode variar muito de acordo com alguns fatores como: temperatura ambiental, composição da dieta, idade e sexo das aves, uso de aditivos, como os anticoccidianos na ração e temperatura da água.
A fim de que as aves não passem sede, muita atenção deve ser dispensada aos bebedouros, devendo estes estar em boas condições de uso, com vazão adequada e altura ajustada ao tamanho das aves.
Recomenda-se também que a água fornecida às aves esteja fresca. Segundo Macari (1996), temperaturas da água acima de 24o C podem acarretar uma diminuição no consumo da mesma. Dessa forma, deve-se evitar a exposição direta da caixa d'água e encanamentos aos raios solares. Uma sugestão é remover a água do sistema hidráulico ao longo do dia, quando a temperatura ambiental está muito elevada, considerando-se que a água contida no encanamento tem maior temperatura que a água do reservatório.
Qualidade físico-química
A qualidade físico-química da água a ser utilizada nos aviários deve ser muito bem avaliada antes da construção do galpão, visto que muitas das características que afetam essa qualidade são próprias das regiões e, caso estejam alteradas, o tratamento pode ser muito dispendioso.
Características como cor, odor e sabor da água devem ser observadas diariamente, atentando-se para possíveis alterações. A turbidez da água, relacionada à quantidade de sólidos em suspensão é outro parâmetro físico a ser monitorado por meio de análises laboratoriais.
A análise da composição química da água é outro ponto importante no controle da qualidade da água, devendo ser periodicamente monitorada.
Os Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) indicam a concentração de minerais como cálcio, magnésio, enxofre, sódio e cloro na água. Valores elevados de SDT podem ser prejudiciais ao consumo de água, desempenho e sanidade do lote.
A Dureza da água está relacionada principalmente aos teores de cálcio e magnésio. A “água dura” pode comprometer tubulações e a vazão de água dos bebedouros, acarretando prejuízos ao produtor pelo pela queda no desempenho do lote e pela menor vida útil do sistema de tubulação.
Outros elementos que podem comprometer a qualidade da água estão listados na tabela abaixo.
Tabela 1 Qualidade físico-química da água:
PARÂMETROS - VALOR MÁXIMO
Cloreto Total - 250mg/L
Cobre Dissolvido - 0,013mg/L
Ferro Dissolvido - 5,0 mg/L
Fósforo Total - 0,15mg/L
Manganês Total - 0,5mg/L
Nitrato - 10,0mg/L
Nitrito - 1,0mg/L
pH - 6,0 a 9,0
Sulfato Total - 250mg/L
Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) - 500mg/L
Turbidez - Até 100 UNT
Zinco Total - 5,0mg/L
Fonte: www.cnpsa.embrapa.br- Qualidade da água para suínos e aves
Contudo, a água é um fator ao qual não tem sido dada a atenção necessária, tendo em vista a magnitude de seus requisitos. A água pode ser considerada o nutriente mais importante aos animais, desconsiderando-se o oxigênio. São inúmeras suas funções nos organismos vivos, sendo essencial nos processos de digestão, solubilização e transporte de substâncias aos diversos tecidos corporais. A água, devido ao seu alto calor específico, também é fundamental na manutenção da temperatura corporal em extremos de temperatura ambiental.
Devemos atentar para três pontos-chave quando pensamos na água para dessedentação das aves: quantidade, qualidade físico-química e qualidade microbiológica. É conveniente ressaltar que milhares de aves têm acesso a água de uma mesma fonte e qualquer comprometimento em seu fornecimento poderá acarretar sérios prejuízos ao produtor.
Quantidade
A água deve ser disponibilizada à vontade e durante todo o dia para as aves. De um modo geral, considera-se que a quantidade de água ingerida por dia pelas aves é em média o dobro da quantidade de ração consumida no mesmo período. Contudo, o consumo de água pode variar muito de acordo com alguns fatores como: temperatura ambiental, composição da dieta, idade e sexo das aves, uso de aditivos, como os anticoccidianos na ração e temperatura da água.
A fim de que as aves não passem sede, muita atenção deve ser dispensada aos bebedouros, devendo estes estar em boas condições de uso, com vazão adequada e altura ajustada ao tamanho das aves.
Recomenda-se também que a água fornecida às aves esteja fresca. Segundo Macari (1996), temperaturas da água acima de 24o C podem acarretar uma diminuição no consumo da mesma. Dessa forma, deve-se evitar a exposição direta da caixa d'água e encanamentos aos raios solares. Uma sugestão é remover a água do sistema hidráulico ao longo do dia, quando a temperatura ambiental está muito elevada, considerando-se que a água contida no encanamento tem maior temperatura que a água do reservatório.
Qualidade físico-química
A qualidade físico-química da água a ser utilizada nos aviários deve ser muito bem avaliada antes da construção do galpão, visto que muitas das características que afetam essa qualidade são próprias das regiões e, caso estejam alteradas, o tratamento pode ser muito dispendioso.
Características como cor, odor e sabor da água devem ser observadas diariamente, atentando-se para possíveis alterações. A turbidez da água, relacionada à quantidade de sólidos em suspensão é outro parâmetro físico a ser monitorado por meio de análises laboratoriais.
A análise da composição química da água é outro ponto importante no controle da qualidade da água, devendo ser periodicamente monitorada.
Os Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) indicam a concentração de minerais como cálcio, magnésio, enxofre, sódio e cloro na água. Valores elevados de SDT podem ser prejudiciais ao consumo de água, desempenho e sanidade do lote.
A Dureza da água está relacionada principalmente aos teores de cálcio e magnésio. A “água dura” pode comprometer tubulações e a vazão de água dos bebedouros, acarretando prejuízos ao produtor pelo pela queda no desempenho do lote e pela menor vida útil do sistema de tubulação.
Outros elementos que podem comprometer a qualidade da água estão listados na tabela abaixo.
Tabela 1 Qualidade físico-química da água:
PARÂMETROS - VALOR MÁXIMO
Cloreto Total - 250mg/L
Cobre Dissolvido - 0,013mg/L
Ferro Dissolvido - 5,0 mg/L
Fósforo Total - 0,15mg/L
Manganês Total - 0,5mg/L
Nitrato - 10,0mg/L
Nitrito - 1,0mg/L
pH - 6,0 a 9,0
Sulfato Total - 250mg/L
Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) - 500mg/L
Turbidez - Até 100 UNT
Zinco Total - 5,0mg/L
Fonte: www.cnpsa.embrapa.br- Qualidade da água para suínos e aves
Qualidade microbiológica
Tendo em vista o prolongado tempo de sobrevivência de alguns microorganismos patogênicos na água e o grande número de aves que têm acesso à mesma fonte de água, a transmissão hídrica assume um fundamental papel na epidemiologia de várias enfermidades aviárias.
A contaminação da água por agentes patogênicos pode ocorrer na fonte de captação da água (nascentes, poços artesianos, poços rasos), na tubulação que conduz a água ao galpão e/ou nos bebedouros (através de secreções ou excreções das aves).
Enfermidades bacterianas, virais e por protozoários podem ser veiculadas pela água de bebida das aves, dentre as quais destacamos a Doença Crônica Respiratória, a colibacilose, a pulorose, o tifo aviário, a Doença de Newcastle, a Doença de Mark, a bronquite infecciosa, a Doença de Gumboro, a coccidiose e a histomoníase.
A cloração da água tem como objetivos eliminar agentes patogênicos, principalmente bactérias que podem estar presentes na água e deixar uma quantidade de cloro residual livre a fim de impedir a multiplicação desses agentes nos bebedouros. A quantidade de cloro a ser adicionada à água varia com o pH e a quantidade de matéria orgânica presente na água, recomendando-se que nos bebedouros exista 5 ppm de cloro residual livre.
A cada ciclo de produção o sistema de tubulações do aviário deve ser limpo e desinfetado a fim de prevenir o aparecimento de algas, limo e contaminação. Primeiramente, deve-se utilizar água sob pressão para retirar a matéria orgânica das tubulações e em seguida recomenda-se o uso de desinfetantes alcalinos, para eliminar a contaminação orgânica e, por fim, utilizar um desinfetante ácido para remover a crosta de limo do sistema.
A monitoria da qualidade da água deve ser periódica, tornando-se rotina na granja. O valor do cloro residual livre nos bebedouros deve ser mensurado semanalmente, indicando se a quantidade de cloro adicionada à água está sendo suficiente para reagir com a matéria orgânica presente na mesma.
As análises bacteriológicas são de extrema importância para indicar uma possível contaminação da água por microorganismos. Diante da grande diversidade de microorganismos que podem ser encontrados na água, são utilizados grupos de microorganismos como indicadores de contaminação. Os coliformes totais e coliformes fecais sugerem a contaminação da água por agentes de origem intestinal. Os microorganismos mesófilos, que também são pesquisados, podem interferir na detecção dos coliformes, indicando resultados falso positivos na pesquisa desses agentes. Dessa forma, a pesquisa dos mesófilos é fundamental no exame bacteriológico.
Como a contaminação da água é um processo dinâmico, podendo variar ao longo do tempo, é recomendável que sejam realizadas análises de água a cada ciclo de produção ou pelo menos duas vezes ao ano, sendo uma na época da seca e outra na época das águas. Dessa forma, facilita-se a adoção de medidas preventivas e corretivas. Para análises microbiológicas é interessante coletar amostras de três partes do sistema de água: da fonte, do reservatório e das torneiras localizadas nas instalações, o que facilita a verificação de possíveis problemas.
O corpo de um frango é constituído de 60% a 70% de água Esta percentagem varia conforme a sua idade, mas dá o tom à importância que esta composição ocupa em sua vida. Ao tentar manter um equilíbrio térmico entre seu organismo e o ambiente, a ave perde água por meio da sudorese O que é perdido precisa ser reposto, caso contrário seu desempenho é reduzido Em casos mais críticos, durante o verão, um stress calórico pode levar o frango à morte Por isto, é importante ter um sistema no qual a ave possa beber água sem restrições e na quantidade necessária, mantendo seu nível de satisfação.
Qualquer empecilho neste processo traz redução em sua ingestão de água, o que, por consequência, reduz a quantidade de alimento ingerido, afetando todo o processo de crescimento e desenvolvimento. A redução no consumo de água pode indicar outro fato: a incidência de enfermidades no lote.
Doentes, os frangos bebem menos. O produtor, no entanto, dificilmente irá notar alguma alteração no consumo apenas a partir de suas próprias observações, principalmente em grandes aviários, para acompanhar eventuais quedas, é necessária a colocação de um contador na entrada do sistema de distribuição de água para controlar o quanto as aves estão bebendo. Com os dados em mãos, o produtor divide o total consumido pelo número de frangos e tem a quantidade em mililitros, ingerida em um determinado período, uma possível redução no consumo da água pode ser ocasionada por algum tipo de problema mecânico do equipamento, mas também pode ser um sinal de alerta para alguma doença.
A água apresenta-se na sua forma natural com características físicas, químicas e microbiológicas variáveis em função de regiões, procedências, poluentes e contaminantes. A qualidade da água pode ser avaliada por meio de critérios físicos, químicos e bacteriológicos. O critério físico é determinado por características de cor, sabor, cheiro e temperatura. A água ideal para aves deve ser limpa, insípida e inodora.
O critério químico é determinado por características como pH, sólidos dissolvidos totais, dureza c percentagem de certos elementos na agua como nitrato, amoníaco, sulfato: pesticidas, ferro, potássio e cloro. A composição química da água afeta a condição sanitária do intestino dos animais e certos medicamentos podem não se solubilizar em águas que são muito duras, e que têm um pH inadequado Uma característica química denominada de Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) ou Salinidade fornece uma boa ingerência na qualidade química da agua Os minerais que normalmente mais contribuem para os valores de SDT são cálcio, magnésio, sódio, cloro, carbonatos e enxofre.
O critério bacteriológico determina o nível de contaminação microbiana por meio da identificação dos microrganismos, via análises para determinar o total de bactérias por unidade de amostra Embora haja valores máximos de coliformes totais, a sua presença significa poluição da água a recomendação é que sempre que aparecer coliforme total a água seja tratada. Para evitar os problemas sanitários provenientes de uma água contaminada, recomenda-se o tratamento com cloro em todos os tipos de fontes existentes, resultando na redução da transmissão e disseminação de enfermidades. Não esquecer que o uso do cloro requer alguns cuidados e atenções: limpeza dos canos para evitar que o cloro fique aderido no material orgânico; fechar o tanque de água para este não ficar exposto ao sol; não esquecer que as altas temperaturas dos pavilhões podem promover a volatização do cloro, que se dissipa facilmente da água, especialmente em bebedouros abertos, deve-se utilizar maiores níveis de cloro no sistema, explorações que reutilizam a cama aviaria apresentam maiores níveis de amoníaco, que pode neutralizar o cloro da água, também em casos de bebedouros abertos; resíduos de vacinas, antibióticos e vitaminas na água podem reduzir a efetividade do cloro (quanto mais contaminada for a água, maior a quantidade de cloro que se deve agregar), a utilização de um produto não adequado ou demasiadamente barato pode, em longo prazo, custar mais caro.
Quanto maior o pH da água, maior a necessidade de cloro como desinfetante A dosagem recomendada de cloro para pintos varia de 1 a 3 ppm e para frangos, acima de 28 dias entre 5 e 6 ppm. sem queda no consumo. O recomendado seria uma faixa de 3 a 5 ppm(média). Somente dosagens muito elevadas poderão causar algum desajuste no balanço eletrolítico das aves.
Dessa forma a utilização de água com qualidade e disponibilidade, proporciona melhores desempenhos a avicultura.
Importância da qualidade da água na produção de suínos e aves : parte 1
Importância da qualidade da água na produção de suínos e aves : parte 2
14 de jul. de 2015
Principais Produtos do Avestruz
Principais produtos comercializáveis
Carne: um avestruz produz entre 30 a 45 quilos de carne vermelha de primeira qualidade (ela tem níveis de gordura e colesterol baixos; é mais saudável porque apresenta baixo teor de gordura saturada e é rica em ácidos graxos poli e moninsaturados. São conhecidos como ômega três e ômega seis. A carne de avestruz é recomendada pelas Sociedades Americana e Brasileira de Cardiologia). São poucos os fornecedores no Brasil com autorização para abate comercial, mas com o aumento do plantel a tendência é que mais empresas iniciem o abate de suas aves. O quilo da carne de avestruz, que já chegou a custar em torno de R$ 120,00, hoje já pode ser encontrado na faixa de R$ 70,00.
CARNE DE AVESTRUZ
Couro do avestruz: o couro é resistente, macio, fácil de extrair e de tingir, e possui marcas características do implante das penas, o que é muito valorizado. A pele das pernas parece escamosa e assemelha-se ao couro de répteis.
Com as peles são fabricados sapatos, cintos, carteiras, bolsas, pastas e pequenas peças de vestuário como coletes e almofadas para os ombros. Marcas famosas como Gucci, Armani, Prada, Mont Blanc e Christian Dior usam couro de avestruz. O preço varia de U$ 200,00 a U$ 300,00 o metro quadrado.
COURO DE AVESTRUZ
Plumas de avestruz: um avestruz pode produzir plumas de excelente qualidade por 40 anos ou mais, desde que receba cuidados apropriados. No entanto, as melhores penas são produzidas por avestruzes de 3 a 12 anos de idade. Uma ave adulta gera cerca de 2kg de plunas por ano. As plumas estão maduras para coleta aos 8 meses. O Brasil, por ser o maior importador mundial de plumas, é um grande mercado para o produto.
PLUMAS DE AVESTRUZ
Ovo de avestruz: Um ovo de avestruz pesa entre 1,2kg e 1,8kg. Ovos inférteis são utilizados para o artesanato, sendo comercializados entre R$150,00 e R$400,00 por unidade. (ovos inférteis e sem acabamento são vendidos em média por R$ 20,00).
OVO DE AVESTRUZ
FILHOTES DE AVESTRUZ
Filhotes: é atualmente no Brasil a maior fonte de renda para os criadores pois o país está na fase de formação de plantel.
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8 de jul. de 2015
CRIAÇÃO DO BICHO DA SEDA (Sericicultura)
Neste mês, completam-se 200 anos da chegada ao Rio de Janeiro da família real portuguesa. Esse fato provocou grandes mudanças no Brasil, tratado até então como uma mera colônia extrativista para abastecer Portugal. Com os pés em terras brasileiras, logo o príncipe-regente dom João começou a tomar medidas que abriram oportunidades para o desenvolvimento de novas atividades agrícolas por aqui - como a sericicultura, a criação do bicho-da-seda.
Atualmente, essa atividade é recomendada sobretudo para gerar renda adicional em pequenas propriedades familiares, que têm à disposição novas tecnologias desenvolvidas pela Apta - Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios. No estado de São Paulo, a sericicultura está concentrada em municípios como Bastos, Gália, Duartina e Fernão, entre outros. No Paraná, na região de Maringá. O bicho-da-seda (Bombyx mori) produz um casulo do qual se extrai os fios para formar um tecido de toque suave, cobiçado no mundo inteiro e que nunca sai da moda. O trabalho minucioso e delicado das lagartas da espécie já é explorado pelo homem há muito tempo. Historiadores relatam que, há cerca de 4.600 anos, a seda proveniente do inseto já era explorada para a confecção de roupas da nobreza do império chinês.
O ciclo de desenvolvimento do bicho-da-seda vai da eclosão do ovo até a transformação da lagarta em mariposa. O período em que vive como a lagarta é dividido em cinco fases ou idades, durante as quais é sempre alimentada com folhas da amoreira (Morus spp.).
Quando atinge tamanho que varia de sete a oito centímetros e não come mais, o bicho-da-seda deve ser transferido para o "bosque", um suporte para o inseto tecer o fio. Num movimento constante da cabeça, a lagarta produz um casulo em volta de si, a partir de um fio contínuo de cerca de 1,2 metro.
No interior de um galpão, chamado de sirgaria, o manejo do inseto é feito sobre esteiras, que também são conhecidas como camas de criação. O local deve ser limpo, livre de contaminação e com boa circulação de ar. Além disso, é preciso controlar a temperatura e a umidade relativa do ar do ambiente, mantendo-o em níveis adequados a cada idade do bicho através de abertura de janelas, para assegurar o bom trabalho dos bichinhos operários.
Raio X
CRIAÇÃO MÍNIMA: meio hectare
INVESTIMENTO INICIAL: em torno de 45 reais a caixa com 33 mil lagartas, além da formação do amoreiral e construção do galpão
RETORNO: safra de 70 quilos pode render 500 reais
REPRODUÇÃO: de 400 a 500 ovos por mariposa
INVESTIMENTO INICIAL: em torno de 45 reais a caixa com 33 mil lagartas, além da formação do amoreiral e construção do galpão
RETORNO: safra de 70 quilos pode render 500 reais
REPRODUÇÃO: de 400 a 500 ovos por mariposa
Mãos à obra
BARRACÃO com folhas de amoreira, para alimentar as lagartas
INÍCIO - adquira o bicho-da-seda já na fase da lagarta, quando medem pouco mais de 1,5 centímetro. A dedicação do produtor no trato do inseto é muito importante para obter casulos de qualidade, o que define o preço pago ao criador (o quilo pode ser cotado a mais de seis reais).
AMBIENTE - nos primeiros sete dias de vida, durante a primeira e a segunda idade da lagarta, a temperatura ideal para o local de criação é de 26 a 27 graus e umidade relativa do ar de 90%. Na terceira e quarta idades, são recomendados de 24 a 25 graus e umidade de 75%, enquanto na quinta idade o ideal é 23 graus e umidade de 70%.
ESTRUTURA - as lagartas são criadas sobre esteiras dentro de barracões, com medidas que podem variar de acordo com o espaço disponível. Um galpão de nove metros de comprimento por seis de largura, por exemplo, pode ser considerado para uma pequena propriedade agrícola, rendendo até 70 quilos de casulo por mês durante a safra.
INTEGRAÇÃO - há empresas no mercado que disponibilizam ao produtor interessado toda a estrutura de apoio para a criação, inclusive as lagartas. Fornecem insumos para a desinfecção das instalações e mudas de amoreiras, além de assistência técnica em todo o processo de produção.
ALIMENTAÇÃO - para o desenvolvimento da lagarta, é necessário fornecer folhas de amoreira. A Apta multiplica e disponibiliza cultivares desenvolvida pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo, de elevada produção e valor nutritivo. Entre os mais destacados estão IZ56/4, IZ15/7, IZ13/6, IZ10/4, IZ40,
PROPAGAÇÃO - o cultivo de amoreiras é feito por estacas, que podem produzir folhas por um período de 15 a 18 anos para alimentar o bicho-da-seda. O corte deve ser diário, para oferecer às lagartas refeição fresca. As folhas devem ser oriundas de plantações livres de pragas, doenças e impurezas, nem mesmo terra.
REPRODUÇÃO - ocorre na fase adulta da mariposa, que surge a partir da transformação da lagarta dentro do casulo. Após o acasalamento, a fêmea inicia a postura dos ovos, que chega a somar de 400 a 500 unidades.
AMBIENTE - nos primeiros sete dias de vida, durante a primeira e a segunda idade da lagarta, a temperatura ideal para o local de criação é de 26 a 27 graus e umidade relativa do ar de 90%. Na terceira e quarta idades, são recomendados de 24 a 25 graus e umidade de 75%, enquanto na quinta idade o ideal é 23 graus e umidade de 70%.
ESTRUTURA - as lagartas são criadas sobre esteiras dentro de barracões, com medidas que podem variar de acordo com o espaço disponível. Um galpão de nove metros de comprimento por seis de largura, por exemplo, pode ser considerado para uma pequena propriedade agrícola, rendendo até 70 quilos de casulo por mês durante a safra.
INTEGRAÇÃO - há empresas no mercado que disponibilizam ao produtor interessado toda a estrutura de apoio para a criação, inclusive as lagartas. Fornecem insumos para a desinfecção das instalações e mudas de amoreiras, além de assistência técnica em todo o processo de produção.
ALIMENTAÇÃO - para o desenvolvimento da lagarta, é necessário fornecer folhas de amoreira. A Apta multiplica e disponibiliza cultivares desenvolvida pelo Instituto de Zootecnia de São Paulo, de elevada produção e valor nutritivo. Entre os mais destacados estão IZ56/4, IZ15/7, IZ13/6, IZ10/4, IZ40,
PROPAGAÇÃO - o cultivo de amoreiras é feito por estacas, que podem produzir folhas por um período de 15 a 18 anos para alimentar o bicho-da-seda. O corte deve ser diário, para oferecer às lagartas refeição fresca. As folhas devem ser oriundas de plantações livres de pragas, doenças e impurezas, nem mesmo terra.
REPRODUÇÃO - ocorre na fase adulta da mariposa, que surge a partir da transformação da lagarta dentro do casulo. Após o acasalamento, a fêmea inicia a postura dos ovos, que chega a somar de 400 a 500 unidades.
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