27 de jul. de 2015

Dicas para uma boa administração do seu aviário



Esta relação é apenas com a intenção de ajudar. Caso, alguma dessas providências for útil, nos damos por satisfeitos.

1. Entrada de sol no ambiente de criação
2. Sempre que necessário, pintar as gaiolas que sejam de madeira ou arame
3. Consertar os portões e as telas fracas e sem vedar a passagem
4. Caiar os aviários e desinfetá-los sempre que necessário
5. Cartaz "não jogue lixo no chão”
6. Árvores podadas para haver circulação de vento
7. Capim cortado para evitar fungos e bactérias
8. Pé de lúvio nas entradas, principalmente no pinteiro
9. Não permitir entrada de estranhos no pinteiro
10. Manter limpo e arrumado o almoxarifado, pois, é dele que saem as peças para trabalho e não devem levar bactérias de ratos, baratas, etc.
11. Pela manhã completar a ração dos comedouros para o dia e regular alguma que esteja derramando ração.
12. Caixa d água lavada a cada 15 dias e colocar cloro a cada semana
13. Descartar aves após 2 anos de postura(1°ano 80% e 2°ano 60%)
14. Equipamentos para os funcionário (botas, batas, etc.)
15. Acondicionamento e uso de medicamentos preventivos
16. Construção de incineradores e fossa séptica
17. Implantação do C.T.
18. Capacitar os funcionários. Treinamento
19. Fazer manejo por faixa etária
20. Fazer um correto armazenamento dos ovos
21. Fazer uso correto dos quarentenários
22. Controle dos vetores (ratos, moscas, etc.)
23. Estar sempre atento para: Mudar, consertar, regular e instalar bebedouros e comedouros
24. Suplementação alimentar, para evitar o consumo de ovos pelas aves. Casca de ovo moída e colocada num pote ao lado, da ração.
25. Verificar a limpeza e arrumação geral da granja, principalmente o depósito.
26. Propor formas de economizar ração (desperdício), luz, pessoal e aves que não produzem.
27. Observar e consertar, sistemas de água e luz, principalmente vazamentos.
28. Verificar a cada 2 dias o trabalho dos funcionários, de acordo com a relação estabelecida para cada um. Verificar sempre comida nos cochos ou furos nos bebedouros e altura dos mesmos, compatíveis com as aves. Altura do peito. Aves roncando.
29. Estabelecer os plantões dos funcionários aos sábados e domingos.
30. No inverno verificar se a chuva está entrando nos aviários e colocar cortinas.
31. Para os funcionários será considerado falta grave o não fornecimento de água, comida e remédios prescritos. Será imprescindível também a separação dos doentes ou ameaçados.
32. Telefone celular as 07:00hrs.Trabalhar com farda.
33. Os clientes: Anotar o nome e telefone, dos clientes.
Não é permitido desconto nas vendas ou recebimento em cheque acima dc RS 100,00 sem falar antes com a diretoria. Cheques só receber com mais de 2 anos de conta, com endereço e telefones.
34. Trocar a bota, roupa e tomar banho antes de entrar no pinteiro e sala de nascimento.
35. "Guardar utensílios e ferramentas no lugar próprio.
36. Economizar luz. Apenas 3 lâmpadas a noite.
37. Procurar aproveitar o que for possível de material antes de comprar.
38. Todos os dias as 16:00hrs, queimar aves mortas e verificar se tudo foi queimado.
39. Pulverizar os aviários duas vezes por dia com muito cuidado porque essas 2 vezes substitui as 3 necessárias. AVT 500 = 40 ml para 20 litros de água.
40. Cuidado para não desperdiçar ração. Quantidade de acordo com o número de aves. Milho para os que forem indicados.
41. Quando colocar ração, verificar a limpeza do cavaco nos bebedouros.
42. Lavar os bebedouros e comedouros com escova e sabão amarelo, a cada semana.
43. Comedouros e bebedouros que não estão sendo usados, lavar e guardá-los no depósito.
44. Passar pano nas cadeiras e mesas da área externa. Lavar com cloro cadeiras de plástico. Óleo nas madeiras próprias desse tipo de limpeza.
45. Aos sábados passar pano molhado na sala de entrada e terraço.
46. Soltar as aves pela manhã (se não chover).
47. Limpar, roçar, ciscar e queimar matos da propriedade. Aparar ervas do muro. Apanhar do chão penas, pedaços de plásticos, pedras, madeiras, etc.
48. Manter limpo o banheiro, com papel e sabão.
49. Ao final do trabalho limpar as ferramentas e a área comum.
50. Providenciar ninhos de madeira em cada criatório.



Raças Bubalinas (Bufalos)


As raças e suas características:

Os búfalos no Brasil estão representados por quatro raças : Jafarabadi, Murrah, Mediterrâneo e Carabao.
Os animais possuem uma aparência reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
Para se avaliar as raças existem características que são permissíceis, isto é , podem conter em algúns animais, e outras desclassificantes, que se houver o animal pode ser descartado. Aqui vai algumas dessas características:
Características permissíveis: pelagem preta com nuance castanha escura; pêlos brancos isolados e raros no corpo;pequena mancha branca na fronte desde que com pele preta; ausência de vassoura; pequenas manchas claras nos chifres; chifres de direção quase retilínea; cegueira unilateral;espáduas de inserção um pouco imperfeitas; claudicação leve; temperamento nervoso, sem ser bravio.

Características desclassificantes:pelagem branca ou clara ou grandes manchas-brancas; ausência de chifres; cegueira bilateral;olhos gázeos; órgãos de reprodução anormais; temperamento bravio; outras más formações hereditárias ou adquiridas; debilidade constitucional ou orgânica; hérnia;sérios defeitos de aprumos;claudicação grave; virilidade de fêmea e feminilidade de macho; temperamento bravio; 

Agora vamos as especificações das raças :
Raça Jafarabadi


De origem indiana, predomina nas regiões Centro e Sul do país, especialmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
Padrão da raça



Cabeça: maciça, perfil craniano ultraconvexo; 

Fronte: testa proeminente, ultraconvexa; 
Chanfro: retilíneo e sub-convexo; 
Chifres: longos, fortes e grossos, de secção triangular ou ovalada, dirigidos para trás e para baixo, com curvatura final para cima e para dentro, em harmonia com o perfil craniano; 
Temperamento:Dócil e manso


Características Gerais
1. Aparência: reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio a grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica misto, além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho e forma da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas, não se computando as tetas extranumerárias.
5. Olhos: profundos, elípticos, límpidos e pretos.
6.Orelhas: tamanho médio, com direção horizontal, dirigidas por cima do chifre;
7. Pelagem: forte correlação entre a cor dos pêlos e da pele em todo o corpo, sendo pretos os pêlos e a pele. A cor preta estende-se também aos chifres, casco, espelho nasais e mucosas aparentes.
Raça Murrah


De origem indiana, a raça conquistou a preferência de criadores brasileiros de diversos Estados, estando sua população em crescente desenvolvimento.
Padrão da raça


                                                                                                                  Cabeçaperfil craniano retilíneo ou levemente sub-convexo e são leves. 

-Chanfro: de retilíneo a sub-convexo; 
-Chifres: pequenos, relativamente finos, de secção ovalada ou triangular, descrevendo curvaturas em torno de si mesmo, em forma de espiral enrrodilhando-se em aneis na altura do crânio; 
-Pelagem: forte correlação entre a cor dos pêlos e da pele em todo o corpo, sendo, pretos os pêlos e a pele. A cor preta estende-se também aos chifres, cascos, espelho nasais e mucosas aparentes. A vassoura da cauda é branca, ou preta, ou mesclada. 
- Temperamento: manso ou dócil;


Características Gerais
1.Aparência: reveladora de saúde e vigor,constituição robusta,com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio a grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica misto, com prevalência leiteira, além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas.
5. Olhos: levemente proeminentes nas fêmeas e com menor projeção nos machos, vivos, límpidos e pretos.
6. Orelhas: relativamente pequenas, de direção quase horizontal e um pouco pendulosas.

Raça Mediterrânea


De origem italiana, seu aspecto externo é muito semelhante ao da raça Murrah. É encontrada em quase todos os Estados.É uma raça de dupla aptidão, leite e corte, mas é mais cotada para o corte.Os animais da raça mediterrânea apresentam porte médio e são medianamente compactos.
Padrão da Raça

- Cabeça: tamanho médio, perfil craniano ligeiramente convexo; 

- Chanfro: de retilíneo a sub-convexo; 
- Chifres: longos,fortes e grossos, de secção ovalada ou triangular, dirigidos para trás, para fora e para o alto terminando em forma semicircular ou de lira; 
- Temperamento: manso ou dócil.

Características Gerais
1. Aparência: reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio a grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica misto,além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas.
5. Olhos: arredondados, levemente projetados, vivos, límpidos e pretos;
6. Orelhas: tamanho médio e em posição horizontal;
7. Pelagem: forte correlação entre a cor dos pêlos e da pela em todo o corpo, sendo pretos os pêlos e a pele. A cor preta estende-se também ao restante das partes do corpo.

Raça Carabao


Segundo alguns autores os Carabaos foram os primeiros búfalos introduzidos no Brasil, na Região Norte. Representados pelo búfalo "preto marajoara" e muito semelhante ao búfalo da Malaia.No Brasil, a maior população desta raça está concentrada na Ilha de Marajó, no estado do Pará. É muita adaptada às regiões pantanosas e, por isto, apresentando pelagem mais clara. Também é conhecido por sua dupla aptidão, produzindo carne e sendo excelente para tração.
Padrão da raça

- Cabeça: tamanho médio perfil craniano retilíneo; 

- Chanfro: retilíneo; 
- Chifres: longos, grandes e fortes, de secção triangular, emergindo lateralmente da cabeça e dirigindo-se em posição horizontal para fora e depois para trás e para cima; 
- Temperamento: manso ou dócil.

Características Gerais
1. Aparência: reveladora de saúde e vigor, constituição robusta, com masculinidade e feminilidade segundo o sexo.
2. Tamanho: indicativo do crescimento por idade, sendo de porte médio para grande e de corpo simétrico e equilibrado.
3. Tipo: conformação própria do tipo morfo-fisiológica, de corte, além de incluir exigências de aprumos normais, com cascos fortes e bem conformados.
4. Reprodução: aparência normal quanto ao tamanho e forma da bolsa escrotal e vulva, além do número de testículos e tetas.
5. Olhos: arredondados, grandes, projetados e pretos;
6. Pelagem: cinza escura ou rosilha, manchas claras ou brancas nas patas, no pescoço logo abaixo da mandíbula e próximas ao peito em forma de listras circulares e paralelas, além de tufos claros nas arcadas orbitários superiores, nas comissuras labiais e no ventre.



Cuidados com os Bufalos

Manejo

Embora os bubalinos sejam de grande rusticidade e de fácil adaptação eles necessitam de cuidados e tratos adequados. As recomendações para os bovinos são válidas para os búfalos, mas ajustados os vários elementos indispensáveis para uma exploração racional e econômica.
O búfalo vive bem nas regiões secas ou alagadiças, em zonas de clima tórrido ou temperado em altitudes variadas. O importante é o manejo correto, adequado as condições onde é criado.
O manejo do búfalo é quase igual ao do boi. O búfalo dá piolho e verme, que podem ser facilmente combatidos. O piolho é do tamanho de um carrapato. Para combatê-lo, o animal se coça nas árvores e se cobre de lama. Sempre metido na lama, o animal é atacado por vermes. Assim, é necessário combater o piolho e os vermes. Ele pasta qualquer capim e não atola. É um animal mais gregário do que o boi. Vive em famílias. Deve ser custeado para continuar manso. É dócil, inteligente. Aceita ser montado. Possui uma força imensa. Não dá coice pra traz. É grandalhão e não cabe no tronco dos bovinos.
É desmamado aos dez meses, o que ocorre em janeiro; pode entrar imediatamente em confinamento, com 1kg de concentrado por dia, e ser abatido em agosto, aos 18 meses de idade, com 380kg, na época em que a carne possui bom preço.
Seu consumo de matéria seca em função do peso corporal é ligeiramente superior ao dos bovinos sendo, porém, reconhecidamente melhor conversor de alimentos mais pobres em carne e leite que os bovinos, apresentando excelente resposta na produção leiteira quando adequadamente alimentadas.
Ordenha
O processo de ordenha é manual, e também com uso sistemático de ordenha mecânica, necessitando os equipamentos pequenas adaptações, particularmente ao que se refere à pressão de vácuo e eventualmente na dimensão dos bicos. A apojadura normalmente é feita com a presença do bezerro, o que é bastante facilitada pelo fato de que em poucas semanas, o bezerro "aprende"o nome da mãe e assim, atende quando chamado pelo ordenhador, dirigindo-se sozinho para a sala de ordenha. Mesmo assim, sem utilização de drogas, temos diversos animais que "apojam" sem a presença dos bezerros. Não há necessidade de "amarrar" a fêmea durante a ordenha.
Um cuidado adicional, principalmente nas fêmeas de maior produção, refere-se à prevenção e tratamento da mastite. Os úberes são limpos e desinfetados antes e após a ordenha, o leite é regularmente testado (CMT) a fim de se detectar a presença de infeção sub-clínica . Nos casos clínicos os animais são isolados e recebem tratamento específico. Animais estabulados tem suas fezes recolhidas diariamente.
Adaptações


Apesar de "rústico", o búfalo está sujeito às mesmas doenças que afetam os bovinos, devendo-se pois atentar para as medidas profiláticas usuais tais como vacinações, desverminizações, pulverizações e exames periódicos de controle.


Devido às características de sua pele, mais grossa, de pelagem negra e com menor quantidade de glândulas sudoríparas, principalmente em climas mais quentes, deve-se evitar o ocorrência de "stress térmico", fornecendo aos animais sombreamento e/ou água para banho, a fim de evitar comprometimento na produção, no desenvolvimento e mesmo na fertilidade do rebanho.A presença de um lago açude ou aguada na fazenda é desejável, pois além de refresca-los e protege-los dos raios solares, hidrata a sua pele. Deve-se atentar para a contenção destes animais. Assim, as cercas, que podem ser de arame farpado ou liso devem ser mantidas em bom estado de conservação. Os búfalos respeitam bem cercas eletrificadas, mesmo que com um só fio. Observa-se porém que, na ausência de alimentação disponível, o animal, dado seu porte avantajado, busca o alimento onde ele se encontrar disponível, rompendo com mais facilidade cercas em mau estado de conservação, ou se aproveitando de eventuais interrupções de energia nas cercas eletrificadas. 

Como já dizia um criador, "... a melhor cerca para o búfalo é um bom pasto...". Alguns criadores optam pela contenção dos animais à noite, quando aproveitam para suplementar suas necessidades de volumosos e, dado seus hábitos noturnos, evitar sua movimentação excessiva. Apesar de seu tamanho avantajado,são raros problemas com seu temperamento, a não ser em fêmeas com crias recém nascidas, particularmente novilhas. Porém, não se verifica o comportamento de dominância observado nos touros bovinos, onde muitas vezes se pode manter mais de um macho em um mesmo lote. Os touros adultos não podem ser mantidos juntos, principalmente em estações de monta. Animais velhos, principalmente machos, podem apresentar-se mais bravios e nestes casos, devem ser eliminados.
A rotina e interação com os tratadores é fundamental na manutenção dos níveis de produção em búfalas. Assim, mudanças bruscas de manejo, presença de estranhos durante a ordenha, alterações na regularidade das ordenhas e alimentação podem promover redução importante em sua produção.

26 de jul. de 2015

Bufalos: 500 Perguntas e 500 Respostas Sobre Eles



A criação de búfalos no Brasil adquiriu grande dimensão em razão da adaptação dos animais às várias regiões e ao desempenho na produção de carne e leite, além da importância como animais de trabalho. Há rebanhos de grande valor zootécnico em todas as regiões do País, e os seus produtos já são diferenciados pela qualidade. Este livro, editado na coleção 500 Perguntas, 500 Respostas – O produtor pergunta, a Embrapa responde, atende à demanda de uma atividade em ascensão, visando às necessidades mais básicas dos criadores e técnicos envolvidos com a criação de búfalos, seguindo a trilha do êxito já obtido com outras espécies animais e agrícolas. Justifica-se a sua edição dadas as particularidades relacionadas com a espécie bubalina, que vão desde os hábitos e alimentação até as peculiaridades no comportamento reprodutivo. A sua elaboração partiu de perguntas formuladas por criadores e técnicos de todo o País, contatados individualmente ou por meio das associações de criadores dos estados que responderam nossas consultas. Participaram como revisores alguns dos mais renomados criadores e técnicos que, também, nos atenderam com a humildade dos que sabem quase tudo. Sem alarde ou estrelismo. Foi assim que Wanderley Bernardes, um dos expoentes máximos da bubalinocultura mundial, até poucos dias antes do seu desencarne, revisou pela segunda vez este livro, enriquecendo-o com suas observações práticas e acuidade de quem viveu toda uma vida junto aos búfalos. Durante décadas ele fez de Sarapuí, da sua Paineira da Ingaí, o ponto de convergência da criação de búfalos no Brasil. Do mesmo modo que, da imensidão dos seus conhecimentos, lúcido e sábio, o zootecnista e professor Abnor Gurgel Gondim, no aconchego da sua Fortaleza, CE, precisou de apenas poucos dias para devorar todas estas páginas, enriquecendo-as com suas sugestões e conhecimentos. Assim, este livro foi elaborado! Apenas organizamos o trabalho de pessoas sábias em búfalos pelo tempo e vivência; outras no auge do querer saber e já aprendendo cada vez mais. Basta ver a relação dos revisores e dos autores. Muitos bastante conhecidos e outros, se não o são, já sabem muito, pois são “doidos” por búfalos. Mesmo assim, sentimos falta daqueles que poderiam estar aqui, também, e, por motivos diversos, não puderam nos atender, participando desta empreitada. Por esses motivos e pelas diversas aptidões da bubalinocultura, além da dimensão do nosso país, o assunto não foi esgotado e está longe de ser. Os conhecimentos foram sintetizados em dez capítulos, envolvendo grandes áreas ligadas à criação dos animais domésticos, procurando condensar as informa- ções mais básicas, para que criadores, técnicos e estudantes tenham um ponto de partida para resolver os seus problemas mais prementes. Procurou-se, sempre que possível, uma linguagem fácil, sem rebuscos cientí- ficos para que seja acessível a todos, com o objetivo de colaborar na eficácia do gerenciamento da propriedade e manejo adequado dos animais, visando o aumento da produtividade da atividade bubalina no País.


Produtividade na criação de Bufalos




As raças bubalinas são igualmente boas. O objetivo comum deve ser a produção mista: carne e leite.
A carne dos bubalinos é aceita normalmente pela população, sendo difícil a sua distinção da carne bovina. A produção leiteira constitui outra importante função. O leite pode ser destinado para o consumo "in natura" ou para o preparo de queijo e manteiga.
A espécie apresenta produção econômica igual (ou até superior em determinadas condições) à dos bovinos especializados. Assim, com 8 litros de leite de búfala se faz 1 Kg de queijo, e são precisos 12 litros de leite de vaca para a mesma finalidade. Para 1 Kg de manteiga são necessários 14 litros de leite de búfala e 20 litros de leite de vaca.
Além disso, resultados de pesquisas mostram que o leite de búfala tem maior valor nutritivo do que o de vaca, conforme o quadro abaixo:

Quadro comparativo da composição média em % do leite
Espécie Água Gordura Açúcar Proteína Cinza
Bubalina 82,05 7,98 5,18 4,00 0,79
Bovina 87,20 3,80 4,95 3,38 0,70
O período médio de lactação pode ser estimado em 7 meses. Estudando-se as variações que este índice pode apresentar, obteve-se o seguinte resultado:

Produção leiteira
Período de lactação de búfalas, em dias
Dias Casos %
Até 100
2
0,4
101 a 150
19
3,9
151 a 200
143
29,6
201 a 250
243
50,3
251 a 300
61
12,7
301 a 365
15
3,1

Número de lactações controladas = 483

Número de búfalas controladas = 98
Período máximo de lactação (controlada) = 365 dias
Período mínimo de lactação = 87 dias
Média = 215,3 dias
Tendo em vista a sua capacidade de total aproveitamento de alimentação pobre, de pastagens grosseiras e de palhas de cereais, as quais ingerem dia e noite se assim for deixado, o búfalo é, sem a menor sombra de dúvida, a mais econômica fonte produtora de leite e manteiga.
A rusticidade do búfalo, em termos de alimentação, exige quantidade em detrimento da qualidade. Quanto à produção de leite em quilogramas, por lactação, obteve-se o seguinte resultado:

Produção de leite da búfala ( 483 casos analisados )
Quilos Casos %
Até 1000 21 4,3
1001 a 1251 68 14,1
1251 a 1500 112 23,2
1501 a 1750 131 27,1
1751 a 2000 84 17,4
Mais de 2000 67 13,9

Produção média por lactação: 1.583,07 Kgs
Produção média diária: 7,35 Kgs
Produção máxima registrada: 3.599,00 Kgs
Produção mínima registrada: 406,00 Kgs
É importante salientar que a maior produção leiteira ocorre exatamente no período de entre safra da produção dos bovinos, pois a parição da búfala se verifica predominantemente até abril de cada ano e a desmama é feita, na maior parte, de outubro a dezembro.

Rendimento de carne

O búfalo é, por natureza, mais precoce que o bovino. Atualmente, no abate, obtém-se 15 a 16 arrobas de carne por animal com idade entre 20 a 22 meses. Um dos objetivos dos criadores é obter 17 a 18 arrobas, com idade entre 20 e 22 meses em regime de pasto, e 16 a 17 arrobas com 16 a 18 meses, em confinamento.
O rendimento da carcaça do búfalo ainda não pode nos fornecer dados muito precisos. O assunto continua em aberto devido aos poucos resultados de provas e testes obtidos, os quais entretanto já nos oferecem índices bem próximos dos apresentados pelo bovino especializado.
A ABCB vem a algum tempo realizando provas e coletando dados de abate de búfalos, para em futuro próximo conseguir informar com mais precisão os índices de rendimento.
Estudos realizados pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) indicaram um rendimento de 48,7% em relação ao peso de abate ou 55,8%, em relação ao vazio, entendendo-se como peso de abate aquele obtido no frigorífico após descanso do animal em dieta hídrica, e como peso vazio, a diferença entre o peso de abate e o peso do conteúdo - gastrintestinal.
O peso médio dos búfalos varia de acordo com a raça e a idade. De um modo geral, o peso dos machos bubalinos adultos varia entre 700 e 900 quilos e o das fêmeas adultas entre 360 a 700 quilos.
Embora os búfalos apresentem, quando bezerros, um ganho de peso inferior ao do bezerro bovino, eles se igualam ou mesmo ultrapassam os bovinos, quando se tornam adultos.
Apesar dos bubalinos apresentarem musculatura mais rica do que o zebu, o rendimento em carne é menor, visto que o búfalo apresenta couro, cabeça e viceras, bem mais pesados do que o dos zebuínos. O seu couro corresponde de 10 a 12% do peso do animal, sendo mais grosso do que o do bovino e de textura mais porosa. Em Prova de Ganho de Peso, realizada em Sertãozinho/SP, Pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, na qual concorreram diversas raças, os búfalos se destacaram conforme se observa no seguinte quadro:

Raças Ganho de peso
(médio/por kg)
Ganho de peso
(médio diário/por kg)
Bovinos
Gir 66,000 0,590
Guzerá 81,380 0,730
Nelore 78,200 0,700
Caracu 80,940 0,720
Canchim 93,290 0,830
S. Gertrudes 103,580 0,970
Búfalos
Jafarabadi 108,760 0,970
Murrah 102,640 0,916
Mediterrâneo 94,80 0,837
Cálculos feitos com base nos resultados oficiais apresentados pelo instituto de zootecnia, da secretaria de agricultura e abastecimento do estado de São Paulo.

Sistema de criação

De um modo geral, a criação de búfalos segue a adotada para os bovinos, distinguindo-se: o sistema extensivo e o sistema intensivo. E também temos como recomendação comum ofato de os animais deverem ser submetidos a um bom manejo, o que tornará bem mais fácil o seu custeio.
A seleção deve ser constante para o melhoramento do rebanho juntamente com boa alimentação e ginástica funcional. Com essa preocupação, as qualidades se manifestam com maior intensidade para facilitar a escolha dos melhores reprodutores.
Os búfalos têm vida mais longa do que os bovinos, chegando a atingir 30 anos. A vida útil das fêmeas, como reprodutoras, também é longa; há matrizes com 12 e até 16 crias.
A padreação é feita quase sempre em liberdade, podendo um reprodutor servir de 40 a 50 fêmeas.
A cobertura (ou monta) "controlada" efetua-se nas criações intensivas, nas explorações leiteiras e principalmente nos plantéis de seleção. A fecundação normalmente é conseguida no primeiro serviço com uma gestação de mais ou menos 10 meses.
Os bezerros nascem com peso superior ao das raças zebuínas, com média de 38,5 Kg para os machos e 36,5 Kg para as fêmeas.


24 de jul. de 2015

Criação de Búfalos


COMO CRIAR BUFALOS:

Gestação: 10 meses e 20 dias;

-Desmama: em janeiro e fevereiro;

-Parição com monta natural, no Brasil: 87,6% parem de janeiro a maio;
-Entre 5 e 16 anos de idade, 97% das búfalos parem uma vez por ano, com monta natural;

Além da Monta Natural, podem ser feitos projetos de Inseminação Artificial, e apesar do animal ter um período estacional para o período de cio, existem diversas maneiras de que seja feito um manejo reprodutivo controlado para que a produção leiteira não pare.

-Dentição: aos nove meses o búfalo tem todos os dentes; a dentição permanente se dá da seguinte forma: primeiro par de 2,5 a 3 anos; segundo par de 3,5 a 4 anos; terceiro par de 4 a 5 anos; quarto par de 5 a 5,5 anos;

-Longevidade: o búfalo vive 40 anos; a vida produtiva das matrizes é de 25 anos; até 17 lactações a produção é normal; a partir de então, começam os abortos;
-Rendimento de carcaça: de 50 a 53%, podendo atingir 59%;
-Peso: fêmeas, de 450 a 850kg, podendo chegar a 1.000kg; machos: de 600 a 1.200kg podendo chegar a 1.600kg;
-Problema sanitário: vermes e piolho (haematophinus tuberculatus: piolho preto; hixodus resinas: piolho branco)
-Produção de leite: em Bombaim, a Aarey Milk Colony, um dos maiores plantéis do mundo, com 18.000 búfalas murrah em lactação, puras e cruzadas, produz, em média, 1.900 litros por búfala, por lactação de 300 dias, com média de 7% de matéria gorda; o recorde é 7.000 litros em 300 dias

Por que o búfalo é mais produtivo que o boi?

O búfalo é mais produtivo do que o boi devido às seguintes razões :
  • A população bacteriana do rumen do búfalo é maior; o pH é diferente e o alimento passa mais lentamente no intestino do animal, fazendo com que ele tenha uma conversão alimentar muito superior à do boi.

Prof. Dr Pietro Baruselli, da USP, escreveu em artigo divulgado pela ABCB em outubro de 2000:



"Em pesquisa realizada no Estado de São Paulo para avaliar a eficiência nutricional de bubalinos, zebuínos (Nelore) e taurinos (Holandês) confinados com cana de açúcar (ad libitum); 2kg de soja in natura; 2kg mandioca e mistura mineral foram observados os seguintes resultados:
Consumo total de matéria seca (112 dias de confinamento) e conversão alimentar segundo espécie. Velloso et al. (1994)

EspécieConsumo total
de MS
Ganho de
peso diário (Kg)
Conversão
alimentar *
Búfalo4.426,7a0,929a7,126a
Zebu-Nelore 4.881,9a0,880a8,518b
Holandês5.529,8b0,845a10,034b
* Kg MS/Kg ganho de peso
Este experimento mostrou que o nelore comeu 19,5% e o holandês 40,8% mais do que o búfalo, respectivamente, para ter o mesmo aumento de peso. Em outras palavras, a conversão alimentar do búfalo foi 19,5% melhor do que a do nelore e 40,8% melhor do que a do holandês.
  • O búfalo é mais rústico e mais fértil do que o boi; 97% das búfalas parem uma vez por ano, se estiverem bem alimentadas;
  • A dentição é muito favorável, já que a primeira muda se dá entre 30 e 36 meses. No boi, a primeira muda se dá aos 18 meses, atrapalhando o crescimento do animal numa fase crítica;
  • A desmama natural se dá em janeiro quando os pastos são bons e quando o bufalinho tem dez meses de idade; assim, o animal enfrenta a primeira estação seca com idade superior a 15 meses, sem perder os dentes.
  • O leite do búfalo produz mais do dobro, em queijo e em mozzarella, do que o leite de vaca;
  • O búfalo é um animal calmo, inteligente, aceitando sem nervosia o tratamento veterinário, o que não acontece com o nelore e com outras raças zebuínas, que se descontrolam de raiva perante uma situação adversa.
Estas diferenças fazem do búfalo um animal de alta produtividade.



23 de jul. de 2015

Generalidades sobre Bufalos

Apresentação


O interesse pela criação de búfalos vem aumentando a cada ano em todo o mundo. Embora o búfalo ainda seja um animal considerado exótico nos Estados Unidos, onde o búfalo doméstico (Bubalus bubalis) é conhecido como "water buffalo" em diferenciação ao bisão (Bison bison) também chamado de búfalo, a bubalinocultura vem crescendo ano a ano. O potencial do búfalo como animal do futuro já foi ressaltado , tanto que em 1988 foi criada em Berry College em Rome, Georgia, a American Water Buffalo Association, cuja sede está agora localizada em Gainesville, Florida.

A criação de búfalos é uma atividade que vem sido desenvolvida durante milhares de anos em praticamente toda a Ásia, continente detentor de quase a totalidade do rebanho bubalino mundial (com cerca de 150 milhões de cabeças, representando ao redor de 97% do total mundial). Nesses países, o búfalo ficou por longo tempo sendo utilizado como animal produtor de trabalho e leite, ainda assim, com baixa produtividade e eficiência devido o pobre desenvolvimento sócio-econômico da região. Entretanto, o animal adquiriu ao longo do tempo, características próprias de adaptação ao ambiente hostil com alimentação à base de alimentos volumosos grosseiros. Entre essas características, destacam-se a rusticidade ao ambiente tropical, representada pela alta resistência às doenças comuns do gado bovino, alta capacidade reprodutiva, docilidade, entre outras .

Segundo a FAO, em 1998, o rebanho Bubalino era de aproximadamente 164,3 milhões de cabeças, representando cerca de 11% do rebanho bovino mundial, apresentando uma taxa de crescimento anual acima de 10%, em países como o Brasil. 

Fora do continente asiático vamos encontrar búfalos na Europa, principalmente na Itália, Bulgária, Romênia e outros países. O país europeu com maior interesse na criação de búfalos é a Itália, onde desenvolveu-se o queijo Muzzarella, originalmente feito com leite de búfala e muito apreciado comercialmente.

Tendo em vista as excelentes perspectivas de um ótimo mercado, os produtores por sua vez, embasados em pesquisas das mais competentes instituições, caminham no sentido de incrementar a produção, tanto do leite e derivados, quanto a da famosa carne "light".



O sistema de criação predominante no país ainda é o sistema extensivo, principalmente desenvolvido em pastagens nativas e de baixa qualidade. Isso se deve em grande parte ao preconceito contra o próprio animal de que a criação somente seria viável para os locais onde não se pode criar outros animais domésticos, como em regiões pantanosas, sujeitas a enchentes, de solos pobres, em terrenos montanhosos, etc. Porém, criadores têm procurado desenvolver uma criação mais racional com introdução de melhorias no sistema tornando-o mais eficiente, como as já realizadas pelas pecuárias bovinas leiteira e de corte.

Distribuição geográfica no Brasil
Os registros existentes na Associação Brasileira de Criadores de Búfalos mostram que esses animais foram introduzidos no país no final do século XIX, mas só ganharam projeção durante as últimas décadas. Atualmente, a grande maioria dos búfalos está ainda localizada na região Norte, porém a criação vem se ampliando em todas as regiões do país. A Bubalinocultura brasileira já é uma realidade, apresentando um efetivo de aproximadamente 3 milhões de cabeças, o que torna a criação de búfalos no Brasil como a mais importante localizada fora do continente asiático.
O búfalo, trazido para o nosso país, se adaptou e desenvolveu extraordinariamente em pastagens de todos os Estados. A diversificação de clima e de solo encontrada na grande extensão territorial brasileira, não foi obstáculo capaz de deter a sua caminhada.
Atualmente, ele é considerado como uma grande opção para a pecuária nacional, pois fornece produtos similares aos dos bovinos (carne, leite e sub-produtos) em condições mais econômicas.
Segundo a própria FAO, o rebanho brasileiro teria aproximadamente 1,2 milhões de cabeças, porém a ABCB (Associação Brasileira de Criadores de Búfalos), possui estimativas ao redor de 3 milhões de animais, o que torna a criação de búfalos no Brasil como a mais importante localizada fora do continente asiático, com destaque para a região Norte do país. O Brasil conta ainda com 450 mil cabeças na região Sudeste, 420 mil na região Nordeste, 360 mil na região Centro-Oeste e 270 mil na região Sul.
Todo território brasileiro apresenta condições para a bubalinocultura, estando sua população distribuída nas seguintes regiões:

Norte - 50%
Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Amapá.

Nordeste - 14%
Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Sudeste - 15%
Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

Sul - 9%
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Centro Oeste - 12%
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.