2 de ago. de 2015

RECEITAS COM MEL



RECEITAS

O mel é uma substância de cor dourada, açucarada, obtida a partir do néctar das flores ou de secreções das partes vivas das plantas. Tais substâncias são captadas pelas abelhas e, no seu sistema digestivo, são transformadas. A coloração, a viscosidade, o sabor e o aroma do mel independem da ação das abelhas. O fator responsável por tais características é o tipo de flor, que também dá o nome ao mel, como o de laranjeira ou o de eucalipto, que são os mais comuns. De uma maneira geral, quanto mais escuro o mel, mais intenso é seu sabor.

Propriedades nutricionais 

O mel é composto, em sua maior parte, por dois tipos de açúcares simples: a frutose e a glicose, mas mais de 200 substâncias já foram identificadas no produto e, muitas delas, acredita-se ter propriedades terapêuticas. A composição nutricional do mel varia de acordo com o tipo de flor, mas de um modo geral é um produto energético e, por isso mesmo, utilizado por esportistas e atletas.

Como comprar e armazenar 

Escolha produtos de procedência confiável ou certificados. Quando o mel é armazenado em ambiente com temperatura mais baixa costuma cristalizar. Para voltar à sua liquidez normal, aqueça-o em banho-maria, no máximo a 50ºC. Para uma melhor conservação, guarde o mel em local fresco, num recipiente de vidro bem fechado. Dessa forma, se mantém por até um ano. Não é necessária a refrigeração, porque a sua integridade é mantida por causa do ácido fórmico, um excelente conservante natural.

Como usar 

Embora o mais comum seja o uso do mel em receitas doces, como bolos, biscoitos e sobremesas em geral, a mistura de mel com alimentos picantes ou ácidos para temperar carnes, aves ou peixe é bastante interessante. Algumas sugestões: misture o mel com limão, mostarda, rúcula ou agrião (bata com o mel no liquidificador), raiz-forte, pasta de alho ou gengibre. Para medir o mel de uma receita com facilidade, use uma colher de inox mergulhada previamente em água quente, porque assim não gruda na colher.

Perfil nutricional em 100 g (4 colheres de sopa) de mel


Calorias 

305 Kcal

Carboidratos 

82 g

Fibras 

0,2 g

Lipídeos 

0

Proteínas 

0,3 g

Sódio 

4 mg

Potássio 

52 mg

Fósforo 

17 mg

Ferro 

0,4 mg

Canjica ao mel e especiarias



Ingredientes:

2 xícaras (chá) de canjica branca 

1 canela em pau 

4 anises-estrelados 

1 colher (chá) de cardamomo 
4 cravos 
1 litro de leite 
1 xícara (chá) rasa de açúcar mascavo 
1/2 xícara (chá) de mel 
1 colher (sopa) de gengibre ralado 
canela em pó para polvilhar 
Modo de Preparo: 
Coloque numa tigela a canjica, cubra com água e deixe de molho por cerca de 4 horas. Em seguida, escorra a água da canjica. Coloque a canjica numa panela de pressão com 2 litros de água, a canela, o anis-estrelado, o cardamomo e o cravo. Tampe a panela e cozinhe em fogo alto até dar pressão. Reduza o fogo e cozinhe por cerca de 1 hora. Retire do fogo, elimine a pressão e destampe a panela. Adicione o leite, o açúcar, o mel e o gengibre e leve de volta ao fogo. Cozinhe, mexendo de vez em quando, até ficar cremoso. Elimine a canela em pau e o anis-estrelado e sirva quente. 


Categoria: 

Sobremesas: Doces

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Quente

Dificuldade: 

Fácil

Tempo de preparo: 

exige preparo antecipado

Rendimento: 

10 porções

FIGO ASSADO COM MEL


Ingredientes:

8 figos médios maduros 

1/2 xícara (chá) de mel 

1/2 xícara (chá) de suco de laranja 

1 colher (chá) de especiarias em pó (canela, sementes de cardamomo, pimenta-da-jamaica) 
100 g de nozes picadas 
400 g de iogurte natural 
Modo de Preparo: 
Ligue o forno à temperatura média. Disponha os figos numa assadeira pequena, um ao lado do outro, e regue com o mel misturado com o suco de laranja e as especiarias. Polvilhe as nozes e leve ao forno por 35 minutos, ou até os figos ficarem macios. Retire os figos do forno, distribua o iogurte em pequenos potes fundos, coloque por cima os figos e sirva. Se preferir, decore com folhas de capim-santo.


Figo assado com mel e camembert

Ingredientes:

8 figos médios maduros 

3 colheres (sopa) de mel 

200 g de queijo camembert picado 

Modo de Preparo: 
Parta os figos ao meio, no sentido vertical, sem separar as metades. Abra-os cuidadosamente, regue com a metade do mel e disponha um pedaço de queijo. Coloque os figos numa assadeira refratária e leve ao forno de microondas, na potência média, por 3 minutos, ou até ficar bem quente e o queijo derreter. Retire do forno e sirva em seguida com o mel restante.


Categoria: 

Sobremesas: Doces

Esta receita: 

usa microondas

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Quente

Dificuldade: 

Fácil

Tempo de preparo: 

7 min

Rendimento: 

4 porções

Salada de rúcula com lascas de parmesão e dressing de mel

Ingredientes:

1 maço pequeno de rúcula 

lascas de queijo parmesão 

dressing de mel 

100 ml de suco de limão (cerca de 4 unidades) 
100 ml de mel 
400 ml de azeite de oliva extravirgem 
Modo de Preparo: 
Coloque numa tigela o suco de limão, o mel e o azeite de oliva e bata, com um batedor de arame, até emulsionar. Distribua a rúcula lavada nos pratos, acrescente as lascas de queijo parmesão e regue com o molho. Sirva em seguida.


Categoria: 

Saladas

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Frio

Dificuldade: 

Fácil



Lombo com recheio de mel

Ingredientes:

500 g de lombo de porco 

1/2 xícara (chá) de vinho tinto 

2 colheres (sopa) de mel 

1 ramo de tomilho 
1 colher (chá) de molho de pimenta 
1 pão francês torrado e esfarelado 
2 colheres (sopa) de azeite de oliva 
sal a gosto 
Modo de Preparo: 
Coloque em uma panela o vinho, o mel, o tomilho e o molho de pimenta. Leve ao fogo por 10 minutos, ou até encorpar. Retire do fogo e misture com o pão. Reserve. Abra o lombo como um bife e espalhe a mistura de pão. Enrole e amarre com um barbante. Tempere a parte externa com sal, regue com o azeite e embrulhe com papel-alumínio. Asse o lombo em forno médio por 45 minutos, ou até a carne ficar macia. Retire o papel-alumínio e deixe assar por mais 25 minutos, ou até dourar. Retire do forno, corte o lombo em fatias e sirva com arroz selvagem, preparado conforme as instruções da embalagem.


Categoria: 

Carnes

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Quente

Dificuldade: 

Média

Tempo de preparo: 

20 min + o tempo de forno

Rendimento: 

2 porções



Brochete de frutas com queijo e mel

Ingredientes:

2 pêssegos cortados em gomos 

2 figos partidos ao meio (de preferência sem casca) 

1 maçã verde média cortada em gomos 

100 g de queijo brie cortado em 4 pedaços 
100 g de queijo gorgonzola cortado em 4 pedaços 
4 colheres (sopa) de mel 
Modo de Preparo: 
Ligue o forno à temperatura alta. Monte 4 espetos, intercalando as frutas com os queijos, e disponha-os numa assadeira média. Regue com a metade do mel e leve ao forno por 5 minutos. Retire de forno e distribua os brochetes nos pratos. Regue com o mel restante e sirva. 
Dicas: 
A combinação de frutas com os queijos é deliciosa. Experimente variar com outras frutas.


Categoria: 

Sobremesas: Doces

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Quente

Dificuldade: 

Fácil

Tempo de preparo: 

10 min + o tempo de forno

Pão de mel

Ingredientes:

4 xícaras (chá) de farinha de trigo 

1/2 xícara (chá) de leite integral 

1 colher (sopa) de bicarbonato em pó 

1/2 xícara (chá) de manteiga 
1 xícara (chá) de mel 
1 xícara (chá) de açúcar mascavo 
2 ovos 
1 colher (sopa) de café solúvel 
1/2 xícara (chá) de cerveja 
2 colheres (chá) de canela em pó 
1 colher (chá) de cravo-da-índia em pó 
cobertura 
600 g de chocolate meio amargo 
Modo de Preparo: 
Peneire a farinha numa tigela e reserve. Coloque o leite numa panela e leve ao fogo até amornar. Retire do fogo, misture o bicarbonato e reserve. Bata na batedeira a manteiga (reserve 3 colheres de chá), o mel, o açúcar mascavo e os ovos por 5 minutos, ou até obter um creme. Junte o leite com o bicarbonato, o café, a cerveja, a canela e o cravo e bata por mais 3 minutos. Aos poucos, e sem parar de bater, incorpore a farinha. Bata por mais 5 minutos. Cubra a massa com filme plástico e deixe na geladeira por 5 horas. Passado esse tempo, ligue o forno à temperatura média. Com a manteiga reservada, unte uma assadeira de 20 cm x 30 cm e enfarinhe. Coloque a massa e nivele-a com uma espátula umedecida. Em seguida, fure-a com um garfo e leve ao forno por 35 minutos, ou até que enfiando um palito na massa ele saia limpo. Retire do forno e deixe por 35 minutos para esfriar completamente. Corte o pão de mel em 20 pedaços e reserve. Cobertura: pique o chocolate e coloque-o numa tigela refratária. Leve ao fogo em banho-maria, por 8 minutos, ou até o chocolate derreter. Não deixe a água ferver nem encostar o fundo da tigela refratária na fôrma. Retire do fogo, transfira o chocolate para uma outra tigela e misture bem. Passe os pães de mel, um a um, no chocolate e disponha-os numa assadeira forrada com papel-alumínio. Leve à geladeira e deixe descansar por 5 minutos, ou até o chocolate endurecer. Se preferir, decore com chocolate em lascas.


Categoria: 

Torta, pizzas e pães

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Frio

Dificuldade: 

Fácil

Tempo de preparo: 

50 min + 5h e 35 min de descanso + forno

Rendimento: 

20 unidades



Bolinhos quentes de chocolate e mel com quinua real

Ingredientes:

100 g de chocolate em pó 

1 xícara (chá) de mel 

1/2 xícara (chá) de açúcar 

3 ovos 
2 colheres (sopa) de cream cheese 
250 ml de leite 
1 xícara (chá) de quinua real em flocos 
1/2 xícara (chá) de farinha de trigo 
manteiga 
Modo de Preparo: 
Bata numa tigela, com um batedor manual, o chocolate, o mel, o açúcar, os ovos e o cream cheese. Em seguida, junte o leite e bata até ficar homogêneo. Por último, adicione a quinua em flocos e a farinha de trigo e misture bem. Distribua o creme em fôrmas pequenas untadas com manteiga e enfarinhadas e leve ao forno médio, preaquecido, por 10 minutos. Retire os bolinhos do forno, deixe amornar, desenforme e sirva.


Categoria: 

Sobremesas: Bolos

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Quente

Dificuldade: 

Fácil

Rendimento: 

6 a 8 unidades (conforme o tamanho da fôrma)



Pão de mel com cobertura de chocolate

Ingredientes:

1 e 1/2 xícara (chá) de mel 

1 e 1/2 xícara (chá) de açúcar mascavo 

1 xícara (chá) de manteiga 

1 colher (chá) de especiarias em pó (canela, noz-moscada, cravo-da-índia) 
1 colher (chá) de café solúvel 
1/2 xícara (chá) de leite integral 
1/2 xícara (chá) de cerveja ou leite integral 
4 colheres (sopa) de conhaque ou suco de laranja 
3 colheres (chá) de bicarbonato em pó 
2 colheres (sopa) de fermento em pó 
1,2 kg de farinha de trigo peneirada 
600 g de chocolate meio amargo cortado em pedaços regulares 
Modo de Preparo: 
Bata por 5 minutos na batedeira o mel, o açúcar, a manteiga (reserve 1 colher de sopa), as especiarias e o café. Junte o leite, a cerveja, o conhaque, o bicarbonato e o fermento e bata por mais 1 minuto. Aos poucos, adicione a farinha de trigo e vá misturando (sem bater), até obter uma massa que possa ser aberta com um cilindro. A textura da massa deve ser macia. Cubra a tigela com filme plástico e deixe a massa descansar na geladeira por 4 horas. Preaqueça o forno à temperatura média (180ºC). Transfira a massa para uma superfície lisa e abra com a ajuda de um cilindro até ficar com 1 cm de altura. Corte-a com um aro de 4 cm de diâmetro e disponha em 4 assadeiras, untadas com a manteiga reservada. Leve ao forno por 20 minutos, ou até que enfiando um palito na massa ele saia limpo. Retire do forno e deixe esfriar. Coloque o chocolate numa tigela refratária e disponha-o dentro de uma panela com água (sem deixar a água encostar na tigela). Leve ao fogo até o chocolate derreter. Retire do fogo, transfira para outra tigela e bata com uma espátula por 3 minutos, ou até o chocolate amornar. Banhe a massa assada no chocolate e coloque numa assadeira forrada com papel-manteiga. Leve à geladeira até o chocolate secar. Se preferir, decore com cacau em pó e canela em rama. 
Dicas: 
A massa do pão de mel pode ser assada e congelada, podendo permanecer no freezer por até 6 meses. Deixe descongelar em temperatura ambiente e só então banhe no chocolate. 
Fonte: Revista Menu


Categoria: 

Sobremesas: Bolos

Cozinha: 

Brasileira

Temperatura: 

Quente

Dificuldade: 

Difícil

Tempo de preparo: 

50 min + 4 horas de descanso + o tempo de forno

Rendimento: 

64 unidades de 45g cada uma




PÃO DE MEL


31 de jul. de 2015

Receitas com Carne de Caprinos e Ovinos

O rei de todas as mesas

Carneiro ou bode? Gosto não se discute: a carne de caprinos e ovinos conquista, a cada dia, um lugar na mesa do brasileiro


No Brasil, cada vez mais, a carne de caprinos e ovinos vai deixando de ficar restrita apenas a ocasiões e lugares especiais e passa a ser incorporada nas refeições cotidianas do homem urbano - das mais simples às mais sofisticadas. Pela sua versatilidade, esta carne se presta
a vários preparos e não apenas àqueles, como se imagina, mais complicados e trabalhosos. Pode-se preparar tanto um prato com o legítimo tempero regional, quanto se aventurar por uma receita étnica - originária do Caribe, Mediterrâneo, África ou Ásia.
A carne fornecida por bodes, cabras, carneiros e ovelhas é apreciada por pessoas das mais variadas culturas e podemos detectar esta preferência através de receitas tão famosas que, praticamente, viraram pratos nacionais. Na Grécia, por exemplo, a carne de cordeiro (o carneiro ainda novo) é moída, disposta em camadas alternadas de berinjela e molho béchamel, temperada com canela, para virar a moussaka. A Índia nos oferece o lamb curry com a intensidade de suas especiarias (a carne de cordeiro em cubos é condimentada com curry, cominho e coentro, suavizados pelo acompanhamento de legumes, ervilhas secas e nozes). A sóbria Grã-Bretanha surge com a shepherd’s pie, ou torta do pastor, um prato ideal para climas frios, feito com carne de cordeiro em cubos, molho de tomate e cogumelos, cobertos com purê de batatas. A elegante França nos brinda com o gigot d’agneau (perna de cordeiro condimentada), que na região da Provença leva temperos como alho, alecrim e tomilho, e na Borgonha, zimbro.
É claro que nós, do lado de baixo do Equador, não poderíamos ficar indiferentes ao sabor e às qualidades nutricionais da carne desses animais. A facilidade no seu modo de preparo também é uma vantagem para os cozinheiros novatos e chefs veteranos. Pode-se fazer praticamente tudo com esse tipo de carne sem que ela perca suas qualidades de textura e sabor: assar, brasear, churrasquear, fritar, saltear ou cozinhar. Caprinos e ovinos têm em sua carne uma excelente fonte de ferro, proteína, zinco, niacina e vitamina B. Cerca de 200 gramas de qualquer corte são traduzidos para algo em torno de 176 calorias, ou seja, 7% da necessidade diária recomendada para um adulto entre 25 e 50 anos. Apenas 36% do total de sua gordura é saturada, o restante é mono ou polinsaturada. A mesma quantidade contém apenas 76 miligramas de colesterol. Numa época em que o culto ao corpo saudável domina as escolhas na hora da refeição, a carne de caprinos e ovinos oferece as qualidades da carne vermelha sem suas desvantagens.
Os fãs de caprinos e ovinos se dividem em relação ao sabor. Há aqueles que não abrem mão da delicadeza encontrada nos animais mais jovens (cabritos e cordeiros), embora exista também uma legião que prefere o sabor da carne dos animais adultos (bode e carneiro) que, com o tempo, assume um tom mais escuro e um gosto mais forte, bem característicos. Os cordeiros e cabritos apresentam uma carne bem clara, parecida com a da vitela, de sabor sutil, e não toleram muito tempo de fogo. São tenras e precisam ser desfrutadas no ponto perfeito, ainda levemente rosadas.
A carne de caprinos e ovinos suporta bem o congelamento, desde que obedecidas as regras básicas de armazenamento - as mesmas utilizadas para outros tipos de carne vermelha. Ela deve ser guardada em sua embalagem original e mantida bem fechada na parte mais fria da geladeira (entre 1 e - 5°). Filés duram de dois a quatro dias e peças maiores até cinco dias. Uma vez moída, ela deve ser consumida em 24 horas, pois o processo de trituração acelera sua deterioração. Depois de cozida, ela deve ser guardada apenas quando estiver completamente fria, envolta em papel alumínio. No congelamento, pedaços pequenos podem ser guardados por até quatro meses e os maiores por até nove meses. A embalagem precisa estar bem ajustada à carne para evitar a entrada de ar.
Ao adquiri-la fresca, é importante observar se a carne está rosada, com veios de gordura visíveis. Deve-se evitar a carne escura, molhada e mole. A gordura que envolve os cortes dever ter cor creme (a cor amarela é indesejada, pois deixa um gosto de ranço no final) e ser bem firme. Peças grandes normalmente vêm com um revestimento externo de pele bem fina, que parece um papel. Se estiver enrugada ou seca, é preferível evitar. Esta película deve ser retirada antes do cozimento, mas mantida nas peças que forem assadas inteiras.
Vários e saborosos são os cortes das carnes de ovinos e caprinos e não será difícil encontrar uma receita para melhor prepará-los. Só para começar, oferecemos algumas delas que nos foram fornecidas por alguns dos melhores restaurantes da cidade. As costeletas, por exemplo, prestam-se a um cozimento rápido e ficam deliciosas apenas levadas à churrasqueira ou à grelha com um raminho de alecrim. Basta retirar o excesso de gordura e deixá-la assar por cerca de três minutos de cada lado. A paleta, uma parte rosada e particularmente saborosa, com poucos veios de gordura que ajudam a manter a umidade, é excelente para grandes assados no forno. Regadas com molho, torna-se iguaria inesquecível (confira a receita fornecida pelo Talude)


GUISADO DE CABRA




Paleta
de cordeiro

Paleta de cordeiro Talude

Ingredientes:
Uma paleta de cordeiro de 1,5 kg
2 cebolas
1 cabeça de alho
Manjericão a gosto
1 copo de suco de laranja
1 colher de caldo de galinha
1 colher de sopa de catchup
1 xícara de extrato de tomate
1 xícara de azeite
100 ml de água
Sal a gosto

Preparo:
Bata todos esses ingredientes no liquidificador. Deixe a paleta mergulhada nesse molho de um dia para o outro. Assar no forno junto com o molho (tempo médio de 40 minutos).

Bode Guisado

Bode Guisado Entre Amigos

Ingredientes:
1 kg de carne de bode
Hortelã
Alecrim
Agrião
2 tomates
2 cebolas
2 pimentões
Alho
Cheiro verde
6 colheres de extrato de tomate
Sal a gosto

Preparo:
Em uma panela coloque a carne do bode junto com os ingredientes. Acrescente 1 litro de água e deixe ferver em fogo brando por 3 horas.

Sugestão de acompanhamento:
Arroz branco, macaxeira e pirão do próprio molho.

Lombo
de cordeiro

Lombo de cordeiro recheado ao molho
de manjericão e batata prensada

Lombo de cordeiro recheado ao molho

Ingredientes:
800 g de lombo de cordeiro
300 g de presunto tipo Parma
100 g de tomate concassé
50 g de manjericão
100 ml de azeite
Sal e pimenta a gosto
Oito batatas sem casca
Dois dentes de alho picado
0,5 g de açafrão
20 ml de azeite
Sal e pimenta a gosto
100 g de aparas de cordeiro
Um dente de alho picado
50 g de cebola picada
80 g de manjericão
Uma folha de louro
200 ml de água
50 g de tomate concassé
20 g de manteiga sem sal

Preparo:
Abra o lombo ao meio e tempere com sal e pimenta. Disponha sobre ele o tomate, o presunto de Parma e o manjericão. Enrole a carne com os recheios formando um medalhão, amarre-o com um barbante e reserve. Em uma frigideira aquecida com azeite sele ambos os lados do lombo. Corte a batata em rodelas e coloque no centro de um papel laminado juntamente com o alho picado, o açafrão, o azeite, e sal e pimenta a gosto. Feche formando um envelope e leve ao forno por 15 minutos. Depois de assadas, enforme as batatas em um aro, conferindo-lhes um formato prensado. Em uma panela pequena, faça um refogado com a manteiga, o alho, a cebola e as aparas. Deixe dourar e adicione o manjericão, a folha de louro, a água e o tomate. Deixe apurar até o conteúdo reduzir pela metade e adquirir uma consistência cremosa. Peneire. Disponha por cima das batatas e dos medalhões.

* Para se fazer o tomate concassê basta dar um corte no fruto e mergulhá-lo em água quente por alguns instantes. Em seguida, retire a pele e as sementes.

Rocambole
de cordeiro

Rocambole de cordeiro ao molho de menta



Rocambole de cordeiro ao molho de menta Blu’nelle

Ingredientes:
1 kg de batata cozida e amassada
2 ovos
50 g de parmesão ralado
1 colher de sopa de margarina
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sal
1 xícara de creme de leite

Preparo:
Cozinhe a batata e passe pelo espremedor. Ainda quente, acrescente por etapas o resto dos ingredientes. Leve em uma forma de rocambole forrada por um papel manteiga, pincele com margarina e polvilhe com farinha de trigo. Leve ao forno por dez minuto a 160° graus até que doure.

Ingredientes do recheio:
1 kg de pernil de cordeiro cortado em pedaços
4 dentes de alho amassados
1 maçã ácida sem sementes cortada em pedaços
1 ramo de tomilho
1 xícara de molho inglês
2 folhas de louro
1 pitada de pimenta-do-reino
1 xícara de vinho tinto seco
2 cebolas raladas
2 colheres de sopas de margarina
1 lata de creme de leite
Sal a gosto

Preparo:
Faça uma marinada com vinho, molho inglês, alho, tomilho, louro, pimenta e sal. Acrescente o pedaço de pernil e deixe descansar por uma hora. Leve ao fogo junto com a maçã até que a carne fique macia. Passe a carne pelo processador e reserve o caldo. Refogue a cebola com a margarina junte a carne e o creme de leite. Para o molho menta: pegue o caldo que reservou acrescente 300 g de menta e leve ao fogo para reduzir.

Cabrito à Serrana



Cabrito à Serrana

Ingredientes:
2 pernas de cabrito
2 dentes de alho
4 folhas de louro
1 ramo de alecrim
2 colheres de sopa de páprica doce
1 cálice de bagaceira
700 ml de vinho branco
200 ml de azeite
1 kg de batata
200 g de bacon
6 cebolas pequenas

Preparo:
Faça uma marinada de 24 horas com o cabrito, alho, louro, páprica, vinho branco, alecrim, azeite, sal e pimenta. Coloque as pernas do cabrito no tabuleiro e leve ao forno para assar. Corte as batatas em 4 com casca e ponha para assar. Faça um refogado com bacon e cebola e junte a batata. quando ela estiver quase assada sirva junto com o cabrito.

Bode assado



Bode assado

Entre Amigos

Ingredientes:
600 g de filé de bode temperado apenas no sal grosso

Preparo:
Asse o bode na brasa, apenas isso. Sirva com farofa, vinagrete e arroz branco.











CARNE DE CAPRINOS



A carne de caprino – que tem no Brasil um grande produtor mundial, sendo a região Nordeste a responsável por 90% da produção nacional – é apresentada como melhor alternativa para quem deseja uma alimentação mais saudável. Muitos médicos têm incentivado o consumo, por considerá-la uma alternativa viável para o brasileiro. 

VANTAGENS 
O Nordeste brasileiro semi-árido tem sido assumido, durante séculos, como área de vocação pecuária, especialmente, para a exploração dos ruminantes domésticos. Notadamente os caprinos e ovinos, face à característica de adaptação e ecossistemas adversos que é fortemente influenciado pelos seus hábitos alimentares. 
“A criação de caprinos, essencialmente nordestina – comenta Geraldo Magela, tradicional criador da região – será a redenção do Nordeste, por se tratar da região mais propícia para a sua criação, devido ao clima com baixo índice pluviométrico”. Ele acredita que em pouco mais de 10 anos o Brasil se transformará no principal produtor mundial de caprinos”. 
Para o secretário da Agricultura de Eunápolis, Everaldo Borges, “estaremos firmes no mercado internacional, porque Governos federal, estadual e municipal (Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Sebrae e criadores) conseguiram enxergar que esta é a vocação natural do Nordeste, que não adianta lutar contra a natureza, só caprinos conseguem conviver com a seca”, raciocina o secretário. 
CARNE SAUDÁVEL 
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou as características das principais carnes e os dados evidenciam que a carne de caprinos é a de mais baixo teor calórico, e que a sua gordura saturada é 44% mais baixo até mesmo que a do frango despelado. Outros aspectos importantes da carne de caprino é o seu teor protéico similar e teores de ferro superiores as demais carnes. 
Dados existentes na literatura internacional mostram que apenas 30% da gordura existente na carne de caprinos é formada por ácidos graxos saturados. A carne de caprinos, independente da idade, da raça e da região onde é produzida, apresenta uma boa fonte de proteína, com uma gordura saudável, apresentando conseqüentemente, um risco mínimo de consumo de colesterol.



HIGIENIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES DOS CAPRINOS


Higienize as instalações


A higiene é um conjunto de medidas visando preservar a saúde dos animais, sendo constituído de limpeza e desinfecção.
A limpeza das instalações deverá ser realizada diariamente ou, pelo, menos a cada dois dias.A desinfecção deve ser feita a cada 30 dias no sistema intensivo, e a cada 60 dias no sistema semi-intensivo.
- Faça a limpeza do curral de chão batido.
- Limpe o curral usando rodo de madeira.
- Varra o curral com vassoura.

RETIRE AS FEZES DO CURRAL:
-A retirada de fezes pode ser feita com carro de mão, balde ou outro recipiente disponível.
- Coloque as fezes em esterqueira.Quando não houver esterqueira, as fezes devem depositadas em local cercado, para evitar contaminação dos animais.Faça a limpeza do piso ripado.
- Raspe com espátula as fezes.
- Limpe o piso ripado com vassoura.
- As fezes acumuladas abaixo do piso ripado devem ser retiradas periodicamente e levadas paraa esterqueira ou para um local cercado.

A DESINFECÇÃO DAS INSTALAÇÕES:
A desinfecção consiste na aplicação de produtos químicos para diminuir as chances de ocorrência de doenças.Para desinfetar devem ser utilizados produtos à base de iodo, amônia quaternária, hipoclorito de sódio (água sanitária) ou cresol.
- Prepare a solução para desinfecção da instalação.

a) Prepare solução de iodo

- Coloque 20 litros de água em um balde. 
- Meça 200 ml de tintura de iodo a 10%. 

- Coloque 200 ml de tintura de iodo no balde. 

- Misture a solução utilizando um agitador de madeira.

b) Prepare a solução de hipoclorito de sódio.

- Coloque 20 litros de água em um balde. 
- Meça 200 ml de hipoclorito de sódio a 10%. 

- Coloque 200 ml de hipoclorito de sódio no balde. 

- Misture a solução.

c) Prepare a solução de cresol.

- Coloque 20 litros de água em um balde. 
- Meça 20 ml de creolina 

- Coloque 20 ml de creolina no balde 

- Misture a solução.

d) Prepare solução de amônia quaternária 

A recomendação do fabricante deve ser seguida.


DESINFETE AS INSTALAÇÕES PULVERIZANDO COM SOLUÇÃO:
A desinfecção das instalações deve ser feita com uma das soluções citadas anteriormente.
Precaução: Na pulverização da solução desinfetante o operador deve utilizar o equipamento de proteção individual (EPI) ou, pelo menos, luvas, botas e máscara para prevenir intoxicações.

a) Reúna o material.
Pulverizador costal, balde com a solução, máscara, luvas, botas, pano)
b) Coloque a solução no pulverizador.
Precaução: Quando, ao colocar a solução ocorrem respingos ou vazamentos na parte externa do pulverizador, deve-se enxugá-lo com um pano para evitar contato da solução com a pele do operador, previnindo-se intoxicações.
c) Pulverize as paredes, as cercas e o piso das instalações.

DESINFETE AS INSTALAÇÕES UTILIZANDO VASSOURA DE FOGO:
A vassoura de fogo é um equipamento também conhecido com lança-chamas, que, ligado a um botijão de gás, funciona como um maçarico.
A " vassoura " deve ser passada na instalação uma vez por semana no sistema intensivo, e a cada trinta dias no sistema semi-intensivo.

Precaução: 

1 - nos materiais combustíveis ( madeira, plástico, fios) o lança-chamas deve ser passado rapidamente para evitar queima. 

2 - O registro do botijão dese ser fechado ao final de cada operação.

O objetivo das instalações é viabilizar e facilitar o manejo geral de um rebanho caprino ou ovino, sem causar estresse aos animais, otimizando o emprego da mão-de-obra, reduzindo custos e favorecendo a produção e a produtividade do empreendimento.

A Importância

A importância das instalações está fundamentada na extrema capacidade que elas têm em buscar a otimização da relação homem/animal/ambiente, dentro de um processo de produção, isto é: elas facilitam e reduzem o uso da mão de obra para as tarefas diárias, favorecem o manuseio do rebanho e o controle de doenças, protegem e dão segurança aos animais, dividem pastagens, armazenam e reduzem o desperdício de alimentos, entre outras.

As Principais Instalações

Entre as instalações mais utilizadas na produção de caprinos e ovinos, as principais são:

centros de manejo

saleiros

apriscos

pedilúvio

currais

esterqueiras

bretes

cercas

comedouros

bebedouros

galpões

salas de ordenha

Aspectos Importantes na Construção das Instalações para caprinos e Ovinos

Tamanho ou a área das instalações – O tamanho ou a área de uma instalação diz respeito tão somente ao tamanho do rebanho. Seja para o pastoreio ou alimentação no cocho, seja para o descanso ou repouso noturno dos animais, o que se espera é que a instalação disponibilize espaço apenas o suficiente para propiciar condições favoráveis ao desempenho dos animais. Mais do que isso, é desperdício.

Tamanho exagerado ou área em excesso têm custos mais elevados, sem trazer maiores benefícios. Ver Quadro abaixo.

Tamanho das áreas coberta e descoberta (área de exercício) de um aprisco para caprinos e/ou ovinos, em Cab/m2.

Coberta - Descoberta (Área (m2))

Matrizes: 1,0 > 2,0

Animais jovens: 0,8 > 1,5

Crias: 0,5 > 1,0

Reprodutores: 3,0 > 6,0

Obs.: Estas mesmas medidas são recomendadas também para Centros de Manejo e Currais de engorda.

Outras recomendações de medidas:

Cocho: Recomenda-se 0,2 m a 0,25 m linear para cada animal, ou seja utilizar 04 a 05 animais por metro linear de cocho.

Brete: Comprimento = 08 m; Largura = 0,25 m na base inferior e 0,35 m na base superior; Altura = 0,85 m.

Pedilúvio: Comprimento = 2,0 m; Profundidade = 0,10 m; Largura = a mesma largura da porteira.

Material utilizado - Para a construção do aprisco, será utilizado, na medida do possível, o material da própria fazenda, durável e resistente como: madeira, varas, palhas para coberta, pedras toscas, etc. sem maiores sofisticação, visando a redução dos custos.

Localização das construções - para toda construção, a sua localização é de extrema importância, na medida em que ela deve atender aspectos de ambiente, de espaço, de tempo e de segurança, no desenvolvimento das atividades diárias com um rebanho. Em caso de apriscos, por exemplo: eles devem ser construídos em terreno elevado, bem drenado, ventilado, longe de estradas e próximo à casa do manejador;

Situação – Em algumas instalações, como é o caso dos apriscos, em especial, a sua situação com relação aos pontos cardeais é um fator importante, tendo em vista a predominância dos ventos e das chuvas, em cada localidade, e a redução máxima dos seus efeitos negativos sobre os animais (as correntes de ar e a umidade em excesso, entre outros). Assim, os apriscos deverão situar-se sempre no sentido Norte-Sul, para um melhor aproveitamento da penetração dos raios solares (manhã e tarde), permitir uma boa circulação de ar e resguardar os animais de ventos fortes e encanados;

Funcionalidade – Toda e qualquer instalação tem a obrigatoriedade de ser funcional, isto é, tem que atender bem às necessidades do rebanho, proporcionando proteção e segurança ao mesmo; deve facilitar a alimentação e tratamento dos animais e permitir a divisão dos mesmos em categorias. Atender, também, a uma melhor divisão de pastagens, ou a um melhor armazenamento de alimentos ou, ainda, permitir o livre acesso de manejadores e o trânsito fácil dos animais;

Relação custo:benefício – A fiel observância deste aspecto tem sido recomendado enfaticamente, na medida em que nem sempre fazer uso de uma instalação qualquer significa maior rentabilidade para um rebanho. Pelo contrário, muitas vezes, isto implica numa redução da economicidade. Portanto, a recomendação para a construção de uma instalação é questionar sempre: qual o seu custo? Quais os benefícios? E qual é a relação Custo / Benefício?

Higienização - A higiene das instalações é, sem sombra de dúvida, um aspecto de extrema importância na produção de caprinos e ovinos, sobretudo quando se trata de currais, apriscos e centros de manejo.

A maior ou a menor freqüência de limpeza está condicionada às condições ambientais como: períodos chuvoso e seco, o tipo da instalação, a categoria de animais e as fazes de produção ( gestação, lactação, acabamento, etc.). Todavia, o bom senso do produtor ou do manejador é o melhor referencial indicativo para o estabelecimento da freqüência de limpeza das instalações.


Em se tratando de salas de ordenha, a higienização deve ser realizada, diariamente, logo após efetuada cada ordenha.




PRODUÇÃO DE CARNE CAPRINA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS



“PRODUÇÃO DE CARNE CAPRINA: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS

1. Introdução
Muito se tem falado sobre a caprinocultura de corte nacional, particularmente sobre o seu futuro, pois de seu passado todos reconhecem a importância social, embora raras vezes seja levantado um exemplo de um empreendimento de sucesso. Com a expansão da raça Boer, o interesse pela caprinocultura de corte tomou proporção jamais vista na caprinocultura de corte mundial e esse efeito pode ser claramente percebido no Brasil. Porém esse boom esteve em primeiro momento muito mais associado à venda de animais puros para reprodução do que à produção de carne propriamente dita. Embora essa visão seja a predominante, a cada dia evidencia-se que, para o desenvolvimento sustentável da atividade, muitos outros elementos devem ser adicionados à equação. Fica claro que a atividade só irá prosperar se evoluir como um todo, com os diversos elos da cadeia produtiva participando do processo e ser tratada como um agronegócio, ou seja, com profissionalismo e uma visão empresarial.

2. Situação atual da caprinocultura do Brasil e no mundo

Segundo a FAO (2001), o rebanho mundial de caprinos em 2000 era de 715.297.550 cabeças, das quais 96% estão em países em desenvolvimento, com apenas 4% nos países desenvolvidos. Há 40 anos atrás o efetivo caprino dos países desenvolvidos era de 31,7 milhões de cabeças, sendo atualmente de 29,1 milhões, o que representa um decréscimo de 9%, enquanto nos países em desenvolvimento esse número era de 315,9 milhões em 1961 e de 686,2 milhões em 2000, mostrando um aumento de 117%.
Atualmente a China é o maior rebanho mundial, com 148,4 milhões de cabeças, o que representa 20% do efetivo mundial. Em seguida vêm a Índia e o Paquistão. O Brasil fica na décima colocação, com um rebanho de 12.600.000 cabeças, cerca de 2% do rebanho mundial.
Com relação à distribuição do efetivo caprino brasileiro, pelos dados do IBGE (2001), referentes ao censo agropecuário de 1996, o quadro apresenta um padrão idêntico ao mundial. Considerando-se as regiões Sul e Sudeste como desenvolvidas e Norte, Centro-Oeste e Nordeste com o em desenvolvimento, 4% dos caprinos estão no primeiro grupo e 96% no segundo.
Vale ressaltar que 94% do rebanho nacional está na região Nordeste, onde prevalecem condições edafo-climáticas desfavoráveis. Nessa situação os caprinos assumem uma grande importância social, pois chegam a ser a única fonte de renda em determinadas circunstâncias e deles depende a sobrevivência de muitos nordestinos. Porém, talvez até mesmo associado a esse papel, o mesmo no Nordeste raras vezes a caprinocultura é vista como uma atividade de empresarial e é freqüentemente considerada uma atividade marginal, e não uma atividade de grande potencial econômico.
O próprio nordestino, criador de “bode”, evidencia claramente o seu procedimento associando uma imagem de maior status ao criador de boi, renegando a espécie que de fato o sustenta.
Nas demais regiões do país, onde o efetivo é muito maior, muitos assimilaram de maneira distorcida o conceito de “rusticidade” dos caprinos, imaginando que, se no Nordeste, onde as condições são precárias, se produz “bode”, os resultados obtidos em condições mais “favoráveis” seriam muito melhores. A realidade não é bem essa, e sob certos aspectos é mais difícil criar caprinos nas tais condições “favoráveis”.

3. Os novos cenários

Alguns conceitos vêm transformando radicalmente as atividades pecuárias de interesse econômico. Embora não se esquecendo do papel social da caprinocultura, essa nova realidade deve ser absorvida também por essa atividade. Deve-se enfocar:
- o “agronegócio da caprinocultura”, onde o objetivo não é produzir mais cabritos ou kg de carne por área ou por matriz: o objetivo é produzir mais lucro para o empresário. Logicamente, certos conceitos complementares não devem ser esquecidos, como sustentabilidade do investimento e a utilização de práticas ecologicamente adequadas. Diz respeito ao tratamento de uma atividade agropecuária como um negócio a “cadeia produtiva da caprinocultura”, onde deve estar clara a idéia de que ninguém está sozinho na atividade. No assunto em questão, a produção de caprinos envolve desde os fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, curtumes, indústria calçadista e de vestuário, entre tantos outros elementos que poderiam aqui ser mencionados.
No meio de tudo isso está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas o segmento menos organizado, que menos tem evoluído, que menos tem se tecnificado, e em conseqüência disso, o segmento que paga as contas. Acaba por sustentar os elos precedentes e posteriores da dita “cadeia produtiva”. A partir do momento que ele se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai se preocupar com seu desenvolvimento econômico de uma forma mais abrangente, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada, e perceber que ao se reunir em associações e cooperativas ele beneficia o seu vizinho, mas que também é beneficiado com isso. Vai, então, visualizar com mais clareza que o sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Então entenderá que todos têm que participar da discussão do futuro da atividade. Se cada segmento der o seu quinhão de colaboração, todos se beneficiarão e a atividade poderá, de fato, prosperar.
Um dado importante e que deve ser a base de todo esse processo, é o mercado efetivo e o potencial, e o que vem acontecendo com ele. Se observado o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 40 anos, o quadro é desanimador: o consumo de carne é rigorosamente o mesmo nas últimas 4 décadas. Se, por outro lado, for avaliado o mercado potencial, e comparando-se o histórico de outras carnes, algumas simulações feitas para a Região Sudeste indicam que, para alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho dessa região deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, que já por mais de uma vez fizeram sondagens da possibilidade de exportação do Brasil, evidencia-se um mercado potencial muito promissor.

4. Sistemas de Criação

Classicamente, existem três sistemas básicos de criação: intensivo, semi-intensivo e extensivo. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerado um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem artificial utilizada sem uma manejo adequado pode ser considerada um sistema extensivo.
Qualquer sistema de criação deve considerar uma série de áreas de atuação. Todos os itens estão interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de esforço necessário e compatível com cada setor. Principalmente, é fundamental o conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com características diferentes.

4.1. Nutrição

Com relação à nutrição, o principal objetivo deve ser o de maximizar as potencialidades de cada região, aproveitando da melhor forma possível o que ela pode oferecer. Portanto, em regiões de terras férteis e clima favorável, deve-se considerar a utilização intensiva de insumos, buscando-se alta produtividade. Em regiões menos privilegiadas, deve-se buscar otimizar o seu potencial de produção sustentável, ou seja, o quanto é possível produzir, com investimentos passíveis de retorno, e de forma sustentável, sem degradar a vegetação existente e sem prejudicar o ambiente. Portanto, em algumas regiões haverá alimento suficiente para lotações de até 50 cabras por hectare e com animais prontos para o abate aos 4 meses de idade ou até menos. Em outras regiões, a lotação será medida em hectares por animal e o abate será muito mais tardio, pois caso se utilize uma lotação muito elevada, os alimentos disponíveis simplesmente se extinguirão em pouco tempo. Uma situação não é necessariamente melhor do que a outra. É, sim, mais ou menos adequada a cada realidade. A identificação da potencialidade de cada região deverá determinar as opções alimentares mais adequadas. 

4.2. Instalações


Com relação às instalações, deve-se, inicialmente, definir com clareza quais as suas finalidades: deve proteger os animais das intempéries climáticas e de predadores, dando-lhes maior bem estar, favorecer a rotina de trabalho e as práticas de manejo pertinentes. Deve ser muito bem planejada, pois sua vida útil é longa, normalmente superior a 10 anos, não raro chegando aos 30 anos. Um erro de concepção pode implicar em dificuldades operacionais que teriam sido evitadas com um pouco mais de cuidado e atenção. Além disso, esse é um investimento realizado na fase de implantação do projeto, quando normalmente o fluxo de entradas ainda não se estabeleceu, e implica em um elevado montante de recursos financeiros. Portanto, pode acarretar um impacto nos custos variáveis, uma vez que pode influenciar no desempenho dos animais e da mão-de-obra.
Outro aspecto a considerar são as particularidades de cada região, tanto no que diz respeito aos fatores climáticos, quanto no que diz respeito aos materiais disponíveis. Certamente as instalações utilizadas no Sertão de Pernambuco serão diferentes das necessárias para a Zona da Mata Mineira ou do Brejo Paraibano.
Com relação ao nível de investimento, mais do que nunca se deve considerar sua relação benefício:custo, logicamente atrelado à disponibilidade de recursos. Ainda, vale ressaltar que as instalações não melhoram ao longo do tempo. Muito pelo contrário, pioram, se desgastam, se deterioram, sendo algo complexo e oneroso sua recuperação ou melhoria, diferente do que pode ser feito com os demais itens.

4.3. Sanidade

A sanidade do rebanho deve ser considerada em vários aspectos e momentos. No início da atividade, a preocupação deve ser definir com bastante clareza os cuidados a serem tomados, para começar com o rebanho "limpo". Esse é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importantes problemas sanitários no rebanho. A idéia de que no início da atividade não há necessidade de se preocupar muito com esse aspecto, que depois que as coisas tiverem mais organizadas é possível “limpar” o rebanho, é totalmente equivocada. Ainda nesse contexto, sempre que possível é conveniente a utilização de rebanho “fechado”, ou seja, rebanhos onde, após a aquisição inicial de animais, só sai, entrando apenas animais utilizados para o melhoramento genético do rebanho. Nessa situação, minimiza-se o risco de entrada de novas doenças no rebanho.
Além das doenças, deve-se preocupar com caracteres indesejáveis no rebanho. É o caso da politetia, por exemplo. É uma característica hereditária que, uma vez introduzida, dificilmente será erradicada. Outro aspecto diz respeito aos chifres: se a opção for por trabalhar com animais mochos ou descornados, a presença de alguns animais chifrudos poderá vir a ser um transtorno. Além disso, ao se utilizar fêmeas mochas deve haver um cuidado especial na escolha dos machos, para se evitar problemas de intersexualidade. Esses cuidados devem ser ainda maiores quando se utiliza machos naturalmente mochos.
A outra linha de atuação diz respeito aos problemas sanitários introduzidos no criatório, muitos dos quais inevitáveis. Para eles, deve-se estabelecer práticas de rotina adequadas, para minimizar o seu impacto. Em alguns casos o correto é a erradicação da doença. Em outros, o razoável são as práticas que minimizam os prejuízos e que permitam um convívio aceitável com a doença.
Portanto, de uma forma geral, esse assunto deve freqüentemente ser considerado, desde o início da atividade e durante todo o seu transcorrer. Um momento de descuido pode colocar abaixo anos de trabalho sério e cuidadoso.

4.4. Reprodução

O desempenho reprodutivo determina, em grande parte, a quantidade a ser comercializada e é através dela que o melhoramento genético se efetiva. Da fertilidade, principalmente quando associada à prolificidade, depende o número de animais nascidos. Mas de uma boa habilidade materna depende o número e as condições em que os cabritos são desmamados.
Alguns procedimentos simples podem ter um importante impacto em seu desempenho, como separação das crias antes de entrarem na idade reprodutiva, para evitar cruzamentos indesejáveis, escolha e manejo adequado dos reprodutores, suplementação alimentar estratégica.
Práticas mais sofisticadas permitem uma importante aceleração nos resultados, mas exigem uma grande organização do rebanho e níveis de investimento mais elevados. Encontram-se nessa situação a inseminação artificial e a transferência de embriões. A primeira deve se popularizar mais rapidamente, ainda porque é fundamental para programas de melhoramento mais consistentes. A segunda, ainda por um bom tempo, deverá ficar restrita aos criatórios de elite, que comercializam reprodutores e matrizes.
De qualquer forma, mais uma vez o fundamental é definir quais as exigências e as potencialidades de cada sistema, e determinar as práticas de manejo reprodutivo mais adequadas a cada um.

4.5. Manejo

As práticas de manejo são totalmente dependentes do sistema de criação adotado, e devem ser definidas em sua função. Um conceito que deve ficar claro é que a produção de carne deve ser desenvolvida em sistemas bem mais simples do que a produção de leite. Como a receita por matriz é substancialmente menor, o custo também deve ser reduzido ao mínimo, para que o investimento se viabilize. Esse aspecto leva a um outro ponto importante: a questão da escala, que deve ser bem maior na caprinocultura de corte do que na de leite.
As práticas de manejo estarão intimamente associadas a esses conceitos, pois na produção de carne um homem deverá ser responsável por um número de animais muito maior do que na exploração de leite. Isso implica em encarar a atividade de uma maneira mais massal e simplificar ao máximo as diversas operações. Logicamente, sistemas mais intensivos terão uma maior demanda de mão de obra, mas isso deverá estar vinculado a um aumento de receita compatível.

4.6. Melhoramento genético

Esse certamente é um ponto crítico. Ele está intimamente ligado com todos os tópicos até aqui abordados. Da mesma forma que não existe o alimento perfeito, não existe a raça perfeita. Existe, sim, a raça, ou, talvez melhor, o tipo de animal mais adequado a cada sistema de produção. Porém, estranhamente, muitas vezes esse é o primeiro tema a ser considerado pelo interessado em ingressar na atividade. Na realidade, deveria ser um dos últimos, vindo depois de um levantamento cuidadoso das potencialidades e limitações de cada situação.
Segundo Gipson, “todos os caprinos são caprinos de corte”, uma vez que pode ser abatido e consumido. E esse conceito é compartilhado por muitos. Porém, quando se encara a caprinocultura de corte por um prisma empresarial, dando-lhe o enfoque de uma atividade especializada, existem muitas características desejáveis nos animais para que se obtenha bons resultados.
Deve-se buscar animais com um bom rendimento de carcaça, com uma proporção músculo:gordura:ossos adequada e com uma boa distribuição do músculo na carcaça. Ou seja, é conveniente um elevado rendimento de uma carcaça com um bom volume de músculo e a gordura necessária para garantir sua suculência, conservação e sabor, com uma maior proporção de deposição muscular nos cortes mais nobres.
Porém, isso não basta: não se pode esquecer a qualidade dessa carne. Nesse item devem ser consideradas as características visuais, sensoriais e nutricionais. Em outras palavras, o consumidor deve olhar para a carne e se sentir atraído por ela, mas essa manifestação favorável deve permanecer quando de seu consumo, com o atendimento às suas expectativas em termos de paladar. Se ainda for uma carne com aspectos nutricionais atraentes, como baixos níveis de colesterol, tanto melhor.
Mas não basta: é fundamental um bom ritmo de crescimento, situação em que devem ser considerados os pesos e os ganhos em peso para diferentes idades. Muitas vezes os menos avisados se impressionam com reprodutores muito grandes e pesados, mas se esquecem que não é esse o tipo de animal habitualmente consumido. Portanto, deve-se buscar aquele animal que apresente melhor desempenho para o peso de abate exigido pelo mercado em questão.
As características reprodutivas também devem ser consideradas, buscando-se animais que não sejam sazonais, com uma boa fertilidade e prolificidade, com um pequeno intervalo de partos e cabras com uma boa habilidade materna, que permitam a obtenção de um bom número de cabritos desmamados por cabra.
Em outras palavras, é desejável que uma boa proporção das cabras conceba, mas que além disso seja gerado um bom número de cabritos por parto e que esses nascimentos ocorram com regularidade ao longo do ano. Mas não basta nascer: a cabra deve ser capaz de cuidar bem de sua(s) cria(s), favorecendo o seu desmame em boas condições.
Se o intervalo de partos for curto, melhor ainda: o número de partos e conseqüentemente de crias desmamadas será maior ao longo da vida produtiva da cabra.
Outros aspectos que também devem ser considerados são adaptabilidade e resistência a doenças. Os animais devem se adaptar e produzir de maneira eficiente em diferentes condições climáticas e de manejo, sendo pouco susceptíveis a problemas sanitários como endoparasitoses.
Uma vez conhecidas as características desejáveis nos animais destinados à produção de carne, deve-se avaliar o material disponível na região ou para importação, para decidir com o que trabalhar. Ao se estudar a necessidade de importação de animais deve-se antes de tudo, comparar o desempenho da população existente e dos produtos de cruzamentos com a raça importada em questão. Se o desempenho da população local for superior, não se justifica a importação, partindo-se então para a seleção do material disponível. Caso os cruzamentos com a raça exótica apresentem resultados superiores, deve-se avaliar que proporção dessa raça apresenta o melhor desempenho. Se forem os animais puros, o caminho são os cruzamentos absorventes; se forem animais cruzados, a informação necessária é qual a proporção de cada raça que permite o melhor desempenho. De um estudo sério e cuidadoso, buscando respostas a essas questões, é que deve partir a orientação da importação ou não de uma nova raça e a forma mais adequada para a sua utilização. Vale lembrar que na avaliação da melhor raça, ou proporção de raças, o que deve ser observado é o desempenho econômico dos produtos.
Hoje existe uma verdadeira apologia aos caprinos Boer, raça de origem sul-africana que tem sido aclamada pelo mundo como a grande produtora de carne dos caprinos. De fato, trata-se de uma raça com excepcionais características: uma excelente carcaça, animais com um bom desempenho, mas o que de fato se conhece dessa raça nos dias de hoje? Embora o volume de informações disponíveis nos mais variados veículos de comunicação seja enorme, aquelas de boa qualidade, provenientes de trabalhos de pesquisa sérios e isentos, são raras. E mais: é difícil identificar dentre um volume tão grande de informações no que de fato se pode confiar.
Uma informação equivocada que é freqüentemente apresentada com relação à raça Boer é de que ela é a única raça caprina especializada para corte. Ela pode até ser a melhor, mas certamente não é a única. Dentre outras, pode-se mencionar a Kiko, a Miotônica, a Spanish, a Savana e a própria Pigmy, além da Anglo Nubiana, considerada uma raça de dupla aptidão por excelência.
Dentre as raças utilizadas para produção de carne caprino, no mundo, podem ser citadas:
¨ Boer – A raça Boer tem esse nome por ser a palavra alemã que representa carne. Provavelmente é derivada de cabras indígenas africanas com possível contribuição de raças indianas e européias, no século passado. Os caprinos Boer “melhorados” surgiram no início deste século, quando um grupo de criadores iniciou a criação de um caprino tipo carne com boa conformação, alta taxa de crescimento e fertilidade, pelo branco curto e marcações vermelhas na cabeça e peito. Desde 1970 esta raça foi incorporada ao Esquema Nacional de Teste de Desempenho de Ovinos e Caprinos de Corte da África do Sul, o que faz com que seja a única raça caprina envolvida efetivamente em teste de desempenho para produção de carne. São animais grandes, com altura de 82 a 90 cm para machos e 65 a 80 cm para fêmeas. Quanto ao peso, os machos pesam de 80 a 90 kg e as fêmeas entre 50 e 70 kg, ainda que possam alcançar pesos maiores. Tem orelhas pendentes e chifres. Originalmente tinha pêlo curto de cores variadas, mas atualmente é preferivelmente branca com cabeça e peito vermelhos.
¨ Kiko – Esta raça australiana de corte foi desenvolvida em duas décadas de seleção intensiva. Foi iniciada pelo cruzamento de cabras australianas selvagens (já descritas) com bodes de raças leiteiras (especialmente Anglo Nubiano), com a primeira geração de progênie fêmea sendo selecionada para conformação geral, vigor, temperamento, prolificidade, taxa de crescimento e, especialmente, tamanho e, então, retrocruzadas com bodes leiteiros. A palavra Maori para carne é “kiko”.
¨ Miotônica ou Tennessee – São animais de tamanho médio, com pelagem branca, preta ou em faixas. Conta a história que todos os caprinos dessa raça nos Estados Unidos descendem de 4 animais deixados no Tennessee no início do século. São animais que sofrem de um miotonia hereditária, que faz com que os membros animais por vezes fiquem rígidos, por alguns segundos.

¨ Spanish – São caprinos com origem não necessariamente espanhola ou mexicana, encontrados inicialmente no Texas, vêm de uma herança mista, havendo pouca padronização na aparência ou desempenho. Geralmente apresentam orelhas curtas. 

¨ Australiana e Neo-zelandeza selvagem – Não são genuinamente selvagens, mas sim animais domésticos que fugiram ou foram libertados. Se intercruzaram amplamente com a maioria das raças, formando um grupo heterogêneo. Apresentam baixa produtividade nas condições em que vivem, mas têm considerável potencial para maiores produções em ambiente mais favorável. Tem sua importância pela sua disponibilidade e número, sendo abatidos e exportados para diversos países.

¨ Pigmy – É uma raça originária das West African Dwarf e apresentam principalmente uma coloração denominada Agouti, com marcas dorsais e faciais escuras. São animais pequenos, pesando de 15 a 25 kg. É um caprino resistente e adaptável a diversos climas. Também são utilizados como “pets”.
¨ Anglo Nubiana – É considerada uma raça de dupla aptidão (carne e leite). Esta raça foi desenvolvida na Inglaterra a partir de raças indianas, africanas e européias leiteiras. São animais grandes, onde as fêmeas podem chegar a 90 kg e os machos, 140 kg. Com pelagem de qualquer coloração ou padrão, têm orelhas longas e pendentes.
Contudo, não há muitos resultados disponíveis na literatura de resultados de desempenho, no Brasil, da maioria destas raças. Na tabela abaixo podem ser observados alguns resultados das mesmas.
Em termos de Brasil, especial atenção deve ser dada às raças nativas, como Moxotó e Canindé, e a grande maioria do rebanho nordestino, que não apresenta uma padronização, mas apresenta uma série de características comuns e que constituem o grande efetivo nacional.
5. Considerações Finais
Se as considerações finais fossem baseadas na situação atual da caprinocultura de corte nacional, nos índices de produtividade alcançados pelos produtores e na adequação dos sistemas às diferentes realidades, o quadro seria desanimador. A outra alternativa é considerar o potencial do Brasil para o desenvolvimento dessa atividade, o tamanho do rebanho nacional e as perspectivas de mercado nacional e mundial. A opção mais adequada parece ser reconhecer as limitações atuais da atividade, tanto no campo tecnológico quanto de organização, para determinar onde há necessidade de maior atenção e investimento, seja por parte dos produtores, seja por parte dos fornecedores de insumos, consumidores e governo. Se isto for feito de maneira séria e organizada, o Brasil poderá, em breve, ser o mais importante país no cenário da caprinocultura de corte mundial. Se isso não for feito, se prevalecer o interesse de uns poucos, de grandes lucros hoje e nenhuma preocupação com o amanhã, a caprinocultura será mais uma atividade mal explorada, onde poucos ganharão muito e a maioria esmagadora amargará repetidos prejuízos, será mais um vazio no cenário nacional...