A produção mundial de mel teve uma tendência crescente nos últimos 20 anos, apesar das flutuações, em regiões e países (industrializados e não-industrializados), atribuídas a um aumento no número de colméias e da produção por colônia. O consumo também aumentou durante os últimos anos, sendo atribuído ao aumento geral nos padrões de vida e também a um interesse maior em produtos naturais e saudáveis.
O mundo produz 1.200.000 toneladas de mel por ano. A Alemanha compra 50% do mel exportado no mundo e só produz 33.000 t/ano. A China é o principal exportador de mel para a Alemanha até 1987. No Japão, 60% do mel consumido se destina a usos na indústria e 40% constitui mel de mesa. O Japão tem-se transformado num dos maiores importadores de mel, principalmente devido à redução do número de apicultores, em decorrência da competição dos preços de importação e da diminuição de áreas melíferas. A Argentina, que produz cerca de 60.000t/ano, consome só 10.000 t/ano e possui uma área de apenas 2.776.700 Km2 (Munhoz, 1997).
Desde o início de 2002, decisões dos EUA e da Comunidade Européia suspenderam a importação de mel da China devido aos altos índices de resíduos de drogas veterinárias encontrados no mel oriundo daquele país. Concomitantemente, os EUA suspenderam também a importação de mel da Argentina, alegando distorções no preço do produto, o que estava promovendo uma concorrência desleal com os próprios produtores americanos.
Preço
Estes acontecimentos provocaram uma importante redução da oferta e, consequentemente, um desequilíbrio na relação oferta-demanda, elevando significativamente o preço do mel. Até 2001, o quilograma do mel era vendido, no mercado interno, em um intervalo de preço que variava de R$ 1,50 a R$ 2,00. Após o desequilíbrio citado, o quilograma do mel chegou a atingir R$ 4,50 no mês de setembro, no Estado do Piauí, preço líquido pago ao produtor. Mesmo considerando que é uma situação conjuntural, a tendência é de que esse preço se estabilize em patamares significativamente superiores aos praticados até 2001, pois a crise da apicultura chinesa, maior produtor e exportador mundial, é de difícil solução.
Comercialização
Esses dois fatos estão contribuindo para colocar o Brasil, pela primeira vez, na rota do mercado mundial. Até 2001, a produção brasileira de mel era totalmente consumida no mercado interno.
No Brasil, as importações são maiores que as exportações. Praticamente tudo o que se produz é consumido no mercado interno. Os altos custos de produção e o bom preço do mercado interno, até 2001, desestimulavam a exportação. O consumo per capta é inferior a 300g/ano. A Argentina exporta cerca de 2,2% de sua produção para o Brasil (1.300t/ano) e o Uruguai 4% (350 t/ano) (Munhoz, 1997), observando-se que a área do Uruguai é 176.200 km2 e da Argentina é 2.776.700 Km2. A área territorial do Brasil é 8.512.700 Km2, três vezes maior que a Argentina e 48 vezes maior que o Uruguai.
Segundo dados disseminados pelo Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior, denominado ALICE-Web, da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as importações e exportações brasileiras de mel natural, de 1998 a 2001 (jan/dez), tiveram comportamentos inversos: enquanto as importações diminuíram, as exportações aumentaram (Tabela 8). A produção de mel nesse mesmo período também apresentou tendência crescente (Tabela 9), em função do aumento do número de colmeias e da produtividade.
Tabela 8. Exportações e importação brasileiras de mel natural, de 1998 a 2001*.
Produção de mel (Toneladas)
Ano
1998
1999
2000
2001
Importações
2.428,8
1.820,7
287,2
252,5
Exportações
16,7
18,6
268,9
1814,4
*até novembro 2001.
Fonte: SECEX - Sistema ALICE.
Tabela 9. Produção de mel de abelhas no Brasil, 1998 a 2001, segundo a FAO.
Produção de mel (Mt)
Ano
1998
1999
2000
2001
Brasil
18,308
19,751
21,865
20,000
Segundo Vilela (2000), nos últimos 15 anos a atividade apícola cresceu 94,7% no Piauí, com uma importante expansão entre 1996 e 1998, quando o aumento foi de 39,7%, numa média de 13,23% ao ano. Entretanto, entre 1999 e 2000 o incremento foi de apenas 6%, redução que pode ser atribuída às dificuldades encontradas nos anos de 1998 e 1999, devido ao longo período de estiagem, provocado pelo fenômeno El Niño, quando muitos apicultores perderam entre 80 e 100% de seus enxames, desistiram da atividade e desmotivaram futuros produtores. O registro de importações de mel pelo Estado, em 1999, de 20 toneladas (SECEX - Sitema Alice) vem confirmar esta ocorrência. Este comportamento também foi confirmado nos registros de exportações de mel do Piauí de 1998 a 2001, considerados insignificantes.
Coeficientes Técnicos, Custos, Rendimentos e Rentabilidade
A tabela abaixo explicita os principais parâmetros para o estabelecimento da relação custo-rentabilidade, considerando diferentes categorias de apicultores de acordo com o tamanho do empreendimento, que é definido pela quantidade de colméias com as quais ele trabalha.
DISCRIMINAÇÃO P/ 100 COLMÉIAS
Custo anual Total (R$)................................. 13.800,00
Preço de Venda (R$/kg de mel)...................... 6,40
Produção (kg de mel)................................... 3.000
Receita Total (R$)....................................... 19.200,00
Preço de Custo (R$/kg de mel)....................... 4,60
Lucro (R$/kg de mel).................................... 1,80
DISCRIMINAÇÃO P/ 350 COLMÉIAS
Custo Anual Total (R$).................................37.800,00
Preço de Venda (R$/kg de mel)...................... 6,40
Produção (kg de mel)................................... 10.500
Receita Total (R$)....................................... 67.200,00
Preço de Custo (R$/kg de mel)....................... 3,60
Lucro (R$/kg de mel).................................... 2,80
DISCRIMINAÇÃO P/ 1000 COLMÉIAS
Custo Anual Total (R$)................................. 96.000,00
Preço de Venda (R$/kg de mel)...................... 6,40
Produção (kg de mel)................................... 30.000,00
Receita Total (R$) .......................................192.000,00
Preço de Custo (R$/kg de mel)...................... 3,20
Lucro (R$/kg de mel)................................... 3,20
5.1 Quais são as principais ferramentas do apicultor?
Na hora do manejo, as ferramentas essenciais são o fumegador, o formão e o espanador.
5.2 Como é o fumegador?
É um cilindro metálico - a fornalha, acoplado a um fole. Há dois modelos básicos, o tradicional, usado no mundo inteiro, e um modelo brasileiro, conhecido como SC-Brasil. O modelo brasileiro é maior e mais apropriado para se trabalhar com africanizadas, pois essas abelhas requerem mais fumaça. Em contrapartida, o modelo tradicional geralmente pode ser utilizado com uma só mão, enquanto que o SC-Brasil precisa de duas mãos ou, pelo menos, de uma mão e de uma perna (ou barriga).
Diversos apicultores usam o fumegador pendurado numa lateral da caixa, e aproveitam o "bico de pato" (um espalhador de fumaça) para fumegar o topo dos quadros usando uma só mão. A desvantagem desse método é que muita água com alcatrão pinga pelo bico, sujando os quadros e os favos.
5.3 Qual é o combustível ideal para o fumegador?
Há inúmeras fórmulas mirabolantes, geralmente inventadas por gente que acredita que as abelhas devem ser narcotizadas. Não falta também quem pense que o fumegador é um incinerador de lixo e jogue ali qualquer porcaria que esteja à mão. Mas é preciso lembrar que a fumaça entra em contato e deixa resíduo em toda a colméia, inclusive no mel. O melhor é usar apenas restos vegetais bem secos, como palha (restos de roçada de campo, por exemplo) ou maravalha de madeira bruta (restos de aplainamento de tábuas). Cuidado para não usar restos de compensados ou aglomerados, inclusive MDF, pois eles são produzidos com colas que, ao queimarem, podem produzir fumaça ainda mais tóxica do que o normal.
5.4 Como acender o fumegador?
Se o combustível estiver bem seco, não haverá problema. Coloque um pouco no fundo da fornalha e acenda com fósforo, ou, melhor ainda, com um daqueles acendedores a gás para fogões. Espere até formar algumas brasas, ajude um pouco com o fole. Depois vá colocando mais combustível, pouco a pouco, e acionando o fole até que uma fumaça branca, espessa e fria saia pela boca do fumegador. Recarregue-o com mais combustível sempre que a fumaça começar a escurecer um pouco ou sair acompanhada de fagulhas.
Se o combustível estiver um pouco úmido, uma pequena dose de álcool em gel resolverá o problema.
5.5 E como reacender o fumegador?
Se sobrar combustível na fornalha de um dia para outro, não tente acender o fumegador por cima, pois o resultado sempre será ruim. Se o combustível velho estiver muito carbonizado, jogue-o fora. Se ainda houver uma boa porção não queimada, despeje-o numa folha de jornal, inicie o fogo do fundo e recoloque-o aos poucos na fornalha. Depois, complete o nível com combustível novo.
5.6 Para que serve o formão?
As abelhas tendem a propolisar todas as frestas estreitas da colméia, a acabam assim colando todas as partes móveis da colméia. Por essa razão, a ferramenta mais importante do apicultor é o formão, uma barra chata de aço, dobrada em L, com as extremidades levemente afiadas (mas não cortantes). Esse formão é usado sempre como alavanca, para levantar a tampa, separar os quadros e descolar as caixas. Também é muito útil para raspar restos de cera e de própolis.
5.7 Como é o espanador?
O espanador (ou escova), apesar do nome, parece-se mais com um grande pente, porque possui apenas uma fileira de cerdas. Essas cerdas devem ser bem macias, para removerem as abelhas sem machucá-las ou danificar os favos. Também é importante que as cerdas sejam de cor clara, menos irritantes para as abelhas.
O espanador deve ser passado de forma a não irritar ou machucar as abelhas.
5.8 Há outras ferramentas úteis para o manejo?
Uma lâmina afiada (faca, canivete ou estilete) é imprescindível no dia-a-dia do apicultor.
Um acendedor para o fumegador é necessário. Podem ser fósforos ou isqueiro, mas o melhor é um acendedor a gás para fogões, daqueles com uma haste comprida.
Há um tipo especial de formão, com uma extremidade em forma de "J", que funciona muito melhor que o formão convencional na hora de retirar os quadros.
Uma outra ferramenta, de alguma utilidade, é o pegador (sacador) de quadros. Trata-se de uma espécie de alicate duplo, usado para retirar e segurar os quadros que serão examinados, com mínimo risco de danificar o favo ou machucar as abelhas. Alguns apicultores gostam do sacador, mas outros, depois de algum tempo, acreditam que podem trabalhar muito bem sem ele. Eu estou no segundo time.
Elásticos ou barbantes podem salvar o dia, caso você se depare com favos tortos ou quebrados.
Outras ferramentas podem ser importantes, mas de uso muito eventual, como alicate, martelo, arame, pregos.
5.9 Como fazer para não perder essas ferramentas?
Nada mais fácil do que perder essas ferramentas num apiário. Para evitar isso, faça o seguinte: vá a uma ferragem e compre dois rolos de fita isolante, um vermelho e outro amarelo. Coloque uma ou duas fitas de cada cor em volta das suas ferramentas e nunca mais você as perderá. Se você for daltônico, escolha cores que você consegue distinguir perfeitamente no campo, em ambiente claro e quase escuro.
5.10 Com que freqüência devo examinar as colméias?
Depende da época e do tipo de manejo. Uma inspeção rápida pode ser feita a cada semana (ou duas, ou três), mas talvez não haja nenhum problema se você esperar um mês ou mais. Revisões completas podem ser feitas cerca de 2 a 4 vezes por ano.
Se você quiser usar alimentação estimulante antes da florada, o ideal será fornecê-la com grande freqüência - dia sim, dia não, por exemplo. Se isso não for possível, procure fornecer uma quantidade maior de xarope em alimentadores lentos (veja o capítulo 6).
Durante a safra, há duas abordagens antagônicas. A primeira é verificar a colméia freqüentemente para tentar conter alguma enxameação. No entanto, o controle de enxameação não é nada trivial nem 100% garantido, e muito melhor é fazer-se uma prevenção adequada (veja o capítulo 7).
A segunda abordagem, preferível na minha opinião, é mexer o mínimo possível na colméia, abrindo-a poucas vezes e rapidamente, apenas para verificar a acumulação de mel e colocar ou retirar melgueiras. Isso evita perturbações na que podem até significar perda de mel.
De qualquer forma, independentemente da abordagem adotada, é importante que
As colméias não sejam abertas com temperatura ambiente muito baixa, da ordem de 10 ºC ou menos. Caso contrário, muitas crias poderão morrer.
5.11 Como é feita uma revisão completa?
Primeiro, ponha fumaça e abra a colméia, como mencionado acima. Se houver melgueiras, avalie o seu conteúdo retirando um ou dois quadros. Com o tempo, bastará dar uma olhada superficial e suspendê-la, para estimar bem a quantidade de mel armazenado. Verifique se há postura na melgueira. Faça o mesmo com todas as melgueiras e vá retirando-as até chegar ao ninho, usando um pouco fumaça sempre que necessário. Se houver mel desoperculado, use a fumaça lentamente, dirigindo-a apenas para o topo dos quadros. Se estiver ventando, direcione a fumaça para o lado da colméia que estiver recebendo o vento, diretamente na parede. A fumaça vai subir e apenas lamber a parte superior dos quadros.
No ninho, retire cada um dos quadros e examine-os Com o tempo, você será capaz de selecionar apenas alguns quadros bem representativos da situação do ninho, abreviando esse trabalho. No início, ajuda bastante remover o quadro mais vazio de uma das extremidades e pô-lo de lado, para ampliar o espaço de trabalho. Em seguida, faça as verificações e correções necessárias, recoloque todos os quadros, de preferência com a mesma orientação frente-fundo original, e recoloque as melgueiras, usando um pouco de fumaça para esmagar o mínimo de abelhas possível.
Numa revisão de rotina, verificam-se diversos pontos:
· O enxame está bem desenvolvido para a época?
· Há reservas de mel suficientes até a próxima revisão?
· O tamanho do alvado é compatível com a temperatura média da estação e com o movimento de entrada e saída das abelhas?
· A rainha está presente e a postura é adequada?
· Há realeiras?
· As crias estão se desenvolvendo bem?
· Há espaço suficiente para aumentar a postura?
· Há espaço suficiente para armazenar mais mel?
· Há sinal de doença na colméia?
· Há sinal de ataque de formigas, traças ou outros animais?
· Há favos velhos ou quadros danificados a serem substituídos?
· Há umidade condensada na colméia?
· Há sinais de excesso de calor dentro da colméia?
5.12 As colméias mais fortes devem ser examinadas primeiro?
Não. Em apicultura, muitas vezes a idéia de se fazer primeiro o trabalho mais complicado é impraticável. A razão disso é que mexer primeiro na colméia mais difícil pode significar problemas para o manejo de todas as outras. Isso acontece especialmente em dias desfavoráveis para o manejo, como os nublados, úmidos e ventosos. Fazendo sempre as revisões mais simples primeiro garante que, se você tiver de interromper o trabalho, uma boa parte dele talvez já esteja concluída.
5.13 Por que pode ser necessário interromper o trabalho?
Uma possibilidade é começar a chover. Outra é que a agitação e a agressividade das abelhas podem atingir um nível alto demais, atrapalhando muito o manejo e causando um número alto de ferroadas, além de saque generalizado e mortandade de abelhas. Isso não é comum, mas é bom acostumar-se com a idéia de que o apicultor nem sempre consegue fazer no apiário tudo o que foi planejado, especialmente quando a sua experiência ainda não muito grande.
5.14 Onde ponho as caixas que vão sendo retiradas?
Quando se retira uma caixa da colméia, muitas abelhas que estavam ali saem (caminhando) para fazer uma investigação do que houve. Quando essa caixa é posta diretamente no solo, as abelhas que saem podem ser pisadas pelo apicultor, atacadas por predadores ou, na melhor das hipóteses, demorar muito para retornar à casa, já que muitas delas são jovens que nunca voaram.
O que eu faço (e recomendo) é apoiar a caixa sobre a tampa, previamente largada no solo. A caixa pode ficar apoiada numa lateral menor, isto é, de tal forma que os quadros fiquem em sentido vertical ("de pé"). Fica melhor ainda se um canto dessa lateral ficar sobre um ressalto da tampa. Essa posição é confortável para o apicultor, evita que muitas abelhas saiam da caixa, evita que o mel escorra e evita que os quadros se inclinem, o que acontece quando a caixa é apoiada numa das laterais maiores.
Após recolocar as caixas, basta varrer as abelhas que estão sobre a tampa para dentro da colméia, e a perda de abelhas é mínima.
5.15 Como retirar e examinar os quadros?
Se houver muitas abelhas sobre ele, ponha um pouco de fumaça para elas se afastarem. Depois, descole as laterais do quadro, usando o formão como alavanca. Fica mais fácil se um quadro da extremidade tiver sido retirado antes. A seguir, suspenda um canto do quadro com o formão e segure esse canto com os dedos ou o quadro inteiro com o sacador de quadros. Depois solte o outro canto com o formão e retire o quadro.
Se houver muitas abelhas sobre o favo, e você precisar ter uma visão melhor, remova o excesso com um leve chacoalhar, bem acima do ninho. Se precisar remover quase todas as abelhas, use seguinte manobra: segure o quadro por um canto com uma das mãos e, com a outra mão, dê um golpe seco, de cima para baixo, na mão que está segurando o quadro. Dependendo da força que você usar, poderão se desprender as abelhas, os ovos, as larvas e o néctar; muito cuidado, portanto.
Em seguida, segure o quadro pelos cantos e analise a face do favo que está voltada para você. Se você estiver de costas para o sol, o quadro ficará mais bem iluminado. Para analisar a face oposta, vire-o de cabeça para baixo, girando-o com os dedos das duas mãos. Tenha cuidado para não expor as crias muito tempo ao sol (mais de alguns poucos segundos), pois elas são extremamente sensíveis.
Tenha muito cuidado também ao recolocar o quadro, para não esmagar outras abelhas e, principalmente, a rainha.
Quando terminar de recolocar todos os quadros, aperte-os em direção a uma das extremidades, para que sobre o mínimo de folga entre eles, dificultando a propolisação das suas laterais.
5.16 Como saber se o enxame está bem desenvolvido?
Principalmente, por comparação com os demais. Mas a experiência ajuda muito.
5.17 Como saber se há mel suficiente até a próxima revisão?
Depende da temperatura média da época, do fluxo de néctar existente ou por iniciar, de quando será a próxima revisão e do tamanho do enxame. É um ponto em que a experiência do apicultor é muito importante para um bom julgamento.
Se as abelhas estiverem colhendo néctar, esse dado não é tão importante. Caso contrário, se houver um quadro de ninho com bastante mel ou várias coroas de mel sobre a área de cria, provavelmente você não precisará se preocupar por uma ou duas semanas, dependendo do tamanho do enxame. Na dúvida, sempre alimente a colméia.
5.18 Quais são os sinais de excesso de calor na colméia?
A presença de abelhas paradas no alvado, batendo as asas, significa que elas estão forçando a ventilação da colméia. Isso é normal, desde que não sejam muitas abelhas e que o zumbido interno (das que estão ventilando lá dentro) não seja muito forte.
Um indício forte de excesso de calor é o agrupamento de abelhas do lado de fora, formando uma "barba" perto do alvado. Embora seja às vezes entendido (corretamente) como prenúncio de enxameação, o mais provável é que as abelhas não estejam conseguindo refrigerar o interior da colméia quando todas elas estão lá dentro. Para resolver esse problema emergencialmente, podem-se colocar pequenos calços sob a tampa. Para resolvê-lo melhor, pode-se adotar um telhado maior, de cor clara, ou mover a colméia para um local mais sombreado. Uma boa alternativa é usar uma entretampa para ventilação (veja item2.37).
5.19 Por que os favos de cria devem ser substituídos periodicamente?
Há duas razões principais: Uma é evitar que o favo velho se transforme num veículo de contaminação, já que ele é sistematicamente exposto a dejetos das larvas. A outra é impedir que o estreitamente natural do alvéolo, provocado pelos restos de sucessivos encasulamentos, acabe influindo no desenvolvimento das crias, resultando em adultos menores.
5.20 Quando os favos devem ser trocados?
A fórmula mais simples é substituir, numa das revisões anuais, aqueles que estiverem totalmente escuros, de forma que não se possa ver a luz do sol através dos alvéolos.
Outra recomendação comum é trocar-se cerca de 1/3 dos favos por ano, o que daria, em média, uma vida útil de 3 anos por favo.
5.21 Quando devem ser colocadas as melgueiras?
No início da safra, quando a movimentação do alvado começar a crescer. Nesse momento, interrompa a alimentação energética (veja o capítulo 6) e, se houver quadros do ninho com "mel" feito a partir do xarope, remova-os, centrifugue-os e devolva-os vazios à colméia. Isso é necessário por duas razões: primeiro, se este mel estiver desoperculado, ele pode ser relocado pelas abelhas para abrir espaço para a postura da rainha, e as melgueiras recém postas são um ótimo destino. Segundo, se o mel estiver operculado, ele pode bloquear o ninho, impedindo que a rainha aumente sua postura. Veja também o capítulo 8 para maiores considerações sobre a colocação de melgueiras.
5.22 É melhor fazer o manejo de dia ou à noite?
Isso é uma preferência bastante pessoal do apicultor. Acredito que a maioria prefira trabalhar à luz do dia, mas há alguns que não concordam. Quem trabalha à noite afirma que é mais fácil manejar os enxames muito agressivos, pois as abelhas voam muito pouco. Na minha opinião, o manejo à noite dificulta muito a inspeção visual, aumenta o risco de tropeços e quedas e causa muito mais mortes de abelhas, pois elas tendem a cobrir a caixa e os favos, numa atitude de defesa passiva (elas param com o ferrão voltado para cima, de modo a evitar o contato do "atacante" com a colméia).
A fumaça também parece ser muito menos eficaz à noite. Elas não retornam rapidamente à colméia quando fumegadas, e permanecem cobrindo o topo dos quadros e as paredes das caixas. Por esta razão, A quantidade de abelhas esmagadas na reposição das caixas também é muito maior. As que voam até o apicultor agarram-se firmemente às suas vestes, todas tentando ferroar, e só podem ser removidas com o espanador.
Uma vantagem é que o trabalho à noite é quase sempre mais fresco do que durante o dia.
5.23 Por que as abelhas voam pouco à noite?
Na verdade, elas voam se houver luz visível. O que os apicultores fazem é usar luz vermelha, que não é visível para as abelhas. Para isso, usam qualquer fonte de luz comum, como uma lanterna, e cobrem-na com papel celofane vermelho ou algo similar. Nessas condições, os objetos iluminados por essa luz não são bem visíveis para as abelhas, especialmente se a lua for nova ou estiver encoberta. Mesmo assim, elas conseguem fazer alguns vôos curtos e chegar ao apicultor, que, por essa razão, não pode prescindir do seu equipamento de proteção.
Por estranho que pareça, este é um dos assuntos mais polêmicos da apicultura nacional. Há dúzias de fórmulas, das mais simples às mais sofisticadas, cada uma defendida com unhas e dentes por seus simpatizantes. Também há diversas formas de fornecer o alimento e, de novo, há defensores fervorosos de um ou outro modelo. As próximas questões esclarecem alguns pontos básicos da alimentação artificial, como tipos, fórmulas e modos de fornecimento.
6.2O que é alimentação artificial?
Alimentação artificial é o fornecimento de substâncias nutritivas para as abelhas. A alimentação pode ser de subsistência, quando não houver provisões suficientes na colméia para garantir a sua manutenção, ou estimulante, para induzir o crescimento da colméia antes de uma florada. Além disso, a alimentação artificial pode ser protéica (para substituir o pólen) ou energética (para substituir o mel).
6.3Quando deve ser fornecida a alimentação de subsistência?
Quando não houver reservas suficientes até a próxima florada. Ela normalmente não é necessária quando o apicultor deixa uma boa quantidade de mel para as abelhas, mas isso nem sempre é feito, já que, economicamente, o mel vale muito mais que o açúcar. Além disso, há méis de cristalização rápida que não podem ser deixados na colméia, especialmente em climas frios, sob pena de as abelhas não conseguirem consumi-lo mais tarde.
Após a colheita, o início de uma entressafra longa (mais de dois meses) é um bom momento para fornecer a alimentação de subsistência. Uma possibilidade interessante é adiar um pouco o fornecimento, até que o enxame se reduza naturalmente, inclusive com a expulsão dos zangões. Nesse momento o xarope pode ser fornecido em quantidade grande o suficiente para toda a entressafra. Ou, ao contrário, essa alimentação pode ser fornecida aos poucos, de acordo com a percepção do apicultor.
O fornecimento de uma só vez reduz o trabalho, mas aumenta o risco de perda de alimento por deterioração, caso as abelhas não o aceitem ou demorem muito a recolhê-lo. Enxames pequenos, especialmente, têm dificuldade em esvaziar os alimentadores grandes.
6.4Como é a alimentação energética de subsistência?
O xarope (substituto do mel) deve ser mais concentrado do que na alimentação estimulante, para que as abelhas não precisem gastar muita energia na sua desidratação.
Como xarope, alguns recomendam uma mistura de açúcar refinado comum em água, num proporção alta, como 2:1 (em peso), por exemplo. Isso significa 2 kg de açúcar em 1 l de água, ou um xarope com concentração de açúcar de 67%. Aquecer a água facilita bastante a mistura.
Outra proporção interessante é 1,5:1 (açúcar:água). Ela pode ser obtida enchendo-se um recipiente até a metade com água e completando-se com açúcar. Produz um xarope com concentração de 60% de açúcar.
Outros recomendam o uso de açúcar invertido. Outros ainda, especialmente quem produz mel orgânico, recomendam apenas o fornecimento de mel.
6.5A alimentação de subsistência não pode ser sólida?
Alguns apicultores fornecem açúcar puro ou cândi às abelhas. Não é a melhor opção, pois exige que elas dissolvam o alimento antes de consumi-lo (num período frio isso pode ser muito difícil). Além disso, o açúcar puro muitas vezes é rejeitado por elas.
Uma alimentação pastosa, mista, energético-protéica, é uma alternativa possível.
6.6O que é cândi?
É uma mistura de açúcar com mel. Para prepará-lo, peque uma porção de açúcar confeiteiro e vá acrescentando mel e amassando até formar uma massa flexível, que seja o mais seca possível, sem se esfarelar. É um tipo alimento muito usado em transporte e introdução de rainhas.
6.7Quando deve ser fornecida a alimentação estimulante?
Cerca de sessenta dias antes de uma florada intensa.
Uma consideração importante sobre a alimentação estimulante é que ela deve simular um fluxo de néctar na colméia e, portanto, deve ser fornecida freqüentemente. Nesse aspecto, as recomendações mais comuns para alimentadores rápidos vão de três a sete vezes por semana. Para alimentadores lentos, o fornecimento semanal ou ainda mais espaçado pode ser suficiente.
6.8Quanto deve ser fornecido de alimentação estimulante?
Depende do tamanho do enxame. Cerca de 800 ml em dias alternados já dão uma resposta boa, mas o melhor é observar a acumulação do xarope, permitindo-a, mas não em excesso. Se essa acumulação for muito grande, vários quadros do ninho ficarão cheios de xarope, e a rainha não poderá fazer a postura. Essa é uma situação chamada de bloqueio do ninho, e leva a colméia, quase certamente, à enxameação.
Uma alternativa provavelmente melhor é alimentar as abelhas liberalmente, removendo os favos repletos de xarope sempre que necessário. Com isso, o espaço para a rainha estará garantido, ao mesmo tempo em o estímulo é máximo.
6.9Como evitar o bloqueio do ninho?
Os quadros cheios de xarope devem ser removidos e substituídos por outros com favos vazios (em bom estado) ou lâminas de cera alveolada. Os favos com xarope podem ser distribuídos às colméias fracas, ou centrifugados, para que o seu conteúdo possa ser devolvido à colméia sob forma de mais alimento estimulante.
Uma alternativa possível, mas bem menos interessante, é deixar os favos por um dia a cerca de 100-200 metros do apiário, para que o xarope neles estocado volte a simular néctar para todas as colméias. Nesse caso, não apenas as suas colméias, mas todas as da região serão beneficiadas.
6.10Como é a alimentação estimulante?
O xarope deve ser menos concentrado do que na alimentação de subsistência, para simular o néctar, que possui, em média, uns 30-35% de açúcar.
Para obter um xarope com aproximadamente 35% de açúcar, faça uma mistura na proporção de 4:7,5, por exemplo, 4 kg de açúcar em 7,5 l de água. Isso dá 11,5 kg de xarope, que ocupam uns 10 litros. Como a mistura é pouco saturada, ela pode ser feita facilmente com água fria e um pouco de agitação.
Da mesma forma que na alimentação de subsistência, há quem recomende o uso de açúcar invertido ou mel, mais diluídos.
6.11Como calcular as proporções de açúcar e água?
A densidade do açúcar é 1,59, o que significa que cada quilograma contribui com 0,63 litros num xarope. Com este dado, você pode calcular qualquer proporção, mas eu vou facilitar-lhe a vida.
Para produzir cerca de 10 litros de xarope (200 ml a mais ou a menos), use a tabela abaixo. Para volumes diferentes, apenas corrija as quantidades dos ingredientes na mesma proporção.
Ingredientes
Xarope
Água (l)
Açúcar (kg)
Peso (kg)
Volume (l)
Açúcar
(%)
Equivalente em mel (kg)
A evaporar (l)
8,5
2,5
11
10,1
23
3
8
8
3,5
11,5
10,2
30
4,3
7,2
7,5
4
11,5
10
35
4,9
6,6
7
4,5
11,5
9,8
39
5,5
6
6,5
5,5
12
10
46
6,7
5,3
6
6
12
9,8
50
7,3
4,7
5,5
7
12,5
9,9
56
8,5
4
5
8
13
10
62
9,8
3,2
4,5
9
13,5
10,2
67
11
2,5
As colunas de ingredientes referem-se às quantidades a serem misturadas. O peso do xarope é apenas ilustrativo, pois os alimentadores têm suas medidas em litros. A coluna "Açúcar (%)" indica a concentração do xarope. O peso equivalente em mel corresponde ao que sobra do xarope após a sua desidratação até o patamar de 18%. A coluna "A evaporar" mostra quanta água deve ser retirada do xarope para que as abelhas possam armazená-lo com 18% de umidade. A tabela foi ajustada para volumes e pesos de ingredientes que fossem múltiplos de 0,5.
6.12O que é açúcar invertido?
É um açúcar comum, sacarose, quebrado ("invertido") em açúcares mais simples, a frutose e a glicose. Há uma fórmula que se tornou popular no país, após a divulgação de alguns estudos de Sílvio Lengler, da UFSM. Trata-se de uma mistura de 5 kg de açúcar comum, 1,7 l de água e 5 g de ácido tartárico, tudo fervido por 40-50 min em fogo baixo [LEN99]. Eu tenho algumas reservas em relação a essa fórmula. Primeiro, ela consome muito tempo e combustível para ser feita. Segundo, há estudos que atestam que soluções de sacarose são mais atrativas para as abelhas do que as de frutose e glicose. Terceiro, é sabido que determinada concentração de HMF em xaropes, acima de 30 ppm, pode ser prejudicial às abelhas. Não conheço a concentração de HMF no açúcar invertido, mas o processo de obtenção sugere que ele deve estar presente.
Indagado a respeito disto, Lengler afirmou já estar ciente deste perigo e já ter corrigido a sua fórmula para que o tempo de fervura fosse, no máximo, 3 minutos. Segundo um pesquisador austríaco, esse tempo limitaria a formação de HMF a 30 ppm, evitando problemas para as abelhas [LEN03]. Permanece a minha dúvida se, nesse tempo, é possível de fato ocorrer a inversão de uma quantidade significativa de sacarose, ou se o resultado será quase idêntico a uma solução comum de sacarose em água.
Por outro lado, o açúcar invertido é mais resistente à fermentação que a solução se sacarose, e pode ser administrado em volumes maiores sem que se estrague antes de as abelhas poderem colhê-lo.
6.13O que HMF?
É uma sigla que corresponde a hidroximetilfurfural, uma substância produzida pela desidratação da frutose em meio ácido, numa velocidade que varia diretamente com a temperatura. O mel (e muitos outros produtos comestíveis) possui HMF, e o seu nível elevado é um indicativo de superaquecimento (cada 10ºC a mais aumenta a velocidade de produção de HMF 4,5 vezes), longa estocagem ou falsificação.
6.14Mel velho pode ser usado na alimentação artificial?
Depende. Se ele for estocado em temperaturas baixas, o nível de HMF deve permanecer baixo; caso contrário, o mel velho pode até matar o enxame. Na dúvida, não o utilize.
6.15Como resolver o problema de fermentação do xarope?
De duas formas: a primeira, quimicamente, acrescentando um preservativo de alimentos. Por exemplo, sorbato de potássio (1 grama por litro de xarope) ou benzoato de sódio (1,5 gramas por litro de xarope). O açúcar invertido também é menos propenso à fermentação.
A segunda forma é deixando que as próprias abelhas cuidem disso, tal como cuidam do néctar. Para tanto, é preciso fornecer quantidades modestas de xarope de cada vez, em alimentadores individuais rápidos.
6.16Deve-se acrescentar sal ao xarope?
Na minha opinião, não há porquê. Se o argumento é deixar o xarope mais parecido com o mel no seu conteúdo nutritivo, não é a adição que um único composto mineral que vai fazer alguma diferença. Por outro lado, se a quantidade de sal for grande, o xarope poderá matar o enxame. Por exemplo, uma proporção de apenas 0,125% (ou seja, 14 mg de sal em 10 litros de xarope a 30%) já pode causar disenteria e mortalidade nas abelhas.
6.17Como o xarope é fornecido?
Há vários tipos de alimentadores, coletivos e individuais. Os coletivos facilitam o fornecimento, mas provocam lutas e até pilhagens entre as colméias, se o alimentador não estiver a uma distância razoável do apiário. Também fornecem alimento a todos os insetos da região, além das suas abelhas. Como se não bastasse, os enxames fortes, que não precisariam de alimentação, serão os que coletarão mais xarope, em detrimento dos menores. Alguns apicultores ainda os usam, e até o recomendam, mas eu não os acho aceitáveis.
Já os alimentadores individuais atendem uma única colméia cada um, e são muito mais eficientes. Eles podem ser externos ou internos.
6.18Por que os alimentadores coletivos provocam pilhagem?
Quando uma fonte de alimento é encontrada nas proximidades das colméias, especialmente em época de carência, há uma boa probabilidade de as abelhas começarem a pilhar umas às outras. A provável razão disso é que recursos muito próximos da colméia são comunicados através de uma dança circular, que não informa distância e direção [WIN03]. As abelhas que assistem à dança saem depois para fazer uma pesquisa nas imediações da colméia, e pode ocorrer de algumas acharem uma colméia vizinha bem provida antes da fonte de alimento comunicada.
Em pouco tempo, principalmente em apiários com colméias próximas, muitas delas, às vezes todas, tornam-se saqueadas e saqueadoras. Para o apicultor, é uma situação completamente indesejável, pois a morte de muitas abelhas, talvez de algum enxame mais fraco, é certa. No caso do alimentador coletivo, depois de algum tempo, dependendo da resistência nas colméias, ele pode acabar sendo conhecido por todas as campeiras, e a pilhagem acabará.
O mesmo problema ocorre com manejos demorados durante a entressafra e com a devolução de melgueiras após a extração de mel, especialmente quando deixadas ao ar livre.
6.19Como são os alimentadores individuais externos?
Os alimentadores de alvado são, em geral, menores e mais sujeitos a saque, por ficarem mais expostos, mas são mais fáceis de fornecer às abelhas, pois não exigem a abertura da colméia.
O alimentador Boardman é o mais conhecido, um vidro com tampa furada que se encaixa e pinga sobre uma plataforma de madeira encaixada no alvado. As abelhas da colméia têm acesso privilegiado ao xarope, mas muitos saques ocorrem assim mesmo. Como os furos têm de ser pequenos, para que o xarope não saia mais rapidamente do que as abelhas podem colhê-lo, o Boardman acaba sendo um alimentador lento, que assim favorece ainda mais o saque e a fermentação do xarope. Hoje, existem plataformas que suportam uma garrafa PET de 2 litros.
Um modelo modificado do Boardman tem um desempenho melhor. Ao contrário de pingar sobre uma superfície de madeira, ele tem a saída de xarope mergulhada num cocho raso, como um bebedouro de aves. Isso evita o escorrimento do xarope e acelera o seu consumo pelas abelhas.
Para mim, o melhor modelo de alimentador de alvado é o cocho. A Apivac, Associação de Apicultores do Vale do Carangola (MG), comercializa um desses alimentadores, feito em ABS. Trata-se de um recipiente que fica pendurado à frente do alvado, preso por um suporte metálico facilmente adaptável. Sobre a boca do alimentador, corre uma tampa que forma um túnel de acesso ao alimento. Dentro do cocho, há um flutuador para as abelhas não se afogarem, mas isso não é suficiente: as paredes devem ser lixadas internamente, com lixa grossa, para que elas possam subir sem dificuldade. O cocho admite cerca de 1,5 litro e é esvaziado em poucas horas por um enxame médio. Quando carregado no final da tarde, ele é encontrado vazio pela manhã, evitando quase completamente o saque. A sua recarga é muito rápida, bastando levantar a tampa e despejar o xarope. Mesmo que haja abelhas lá dentro, elas não se afogarão se o flutuador estiver presente e as paredes bem lixadas.
6.20Como são os alimentadores internos?
Há dois tipos principais. Um é o Doolittle, um cocho estreito, que substitui um quadro da colméia. Não é muito prático porque a sua colocação envolve manipulação do ninho, o que, além de trabalhoso, pode ser prejudicial às abelhas quando a temperatura é muito baixa.
O outro modelo é o de cobertura. É um recipiente de mesmas dimensões que as caixas, apenas mais baixo, e é colocado sobre elas. As abelhas entram no alimentador para remover o xarope por dentro da colméia, o que não dá muita margem a saques. É um alimentador rápido pela sua construção, mas que geralmente aceita volumes grandes de xarope, que pode fermentar se não for quimicamente tratado. Também é um alimentador que, freqüentemente, não chama a atenção das abelhas e pode ser rejeitado. Dependendo da sua construção, também pode provocar grande mortandade por afogamento.
6.21E os alimentadores de balde?
Estes podem ser internos ou externos. Trata-se de alternativa barata ao alimentador de cobertura, e é feito com um recipiente plástico furado, como um balde de mel de 5 kg. Ele pode ser apoiado numa entretampa furada (veja o item 2.37) e colocado dentro da colméia, protegido por um ninho vazio, ou fora, devidamente imobilizado para não voar com o vento.
Para construí-lo, basta fazer alguns furos na tampa com uma agulha incandescente. Depois, o balde deve ser emborcado sobre os quadros do ninho (apoiado em sarrafos ou na entretampa). Ao emborcar o balde, é possível que o xarope escorra por alguns instantes; por esta razão, é recomendável que ele seja comprimido antes de ser virado (para expulsão de uma parte do ar) ou que seja virado longe da colméia, para não encharcar as abelhas nem provocar saques.
Há variações deste modelo, inclusive usando garrafas PET.
6.22O "mel" produzido com essa alimentação pode ser consumido?
O que as abelhas produzem com essa alimentação é um produto útil para elas, mas não é mel. Se for produzido higienicamente, sem aditivos tóxicos, ele pode ser consumido pelas pessoas, mas o seu sabor pouco lembrará o de algum mel legítimo. Aliás, esse produto é popularmente chamado de "mel expresso" e é eventualmente usado para incrementar a produção de forma fraudulenta.
6.23Quando deve ser fornecida a alimentação protéica?
Em relação à alimentação protéica (substituição do pólen), geralmente não se diferencia subsistência de estímulo, exceto em relação à quantidade fornecida. Durante a entressafra, o consumo protéico normalmente é menor, pois poucas ou nenhuma cria está sendo gerada. No entanto, quando o enxame começa a se desenvolver, por estímulo artificial ou natural, a escassez de pólen pode ser um fator limitante, causando um grande atraso no aumento populacional. Se não houver fonte de proteína disponível, nenhum tipo de estimulação à base de xarope funcionará, pois as abelhas jovens não terão como produzir as substâncias nutritivas para alimentar as crias e a rainha.
Uma outra situação em que a alimentação protéica é obrigatória ocorre quando há uma florada de pólen tóxico na região. Um exemplo disso é a floração do barbatimão e do falso-barbatimão (Stryphnodendron spp. e Dimorphandra mollis), comum principalmente na região Sudeste [CIN02]. As flores dessas plantas produzem pólen tóxico, que causa alta mortalidade nas crias da colméia. Nesse caso, o recomendado é que a alimentação protéica inicie pelo menos 15 dias antes da florada, e seja mantida durante todo o seu período.
6.24Como é a alimentação protéica?
Diversas fórmulas já foram testadas, com misturas em proporções variadas de farinha de soja, de milho e de trigo, levedo de cerveja, pólen, leite em pó. Atualmente, há duas fórmulas populares disponíveis comercialmente: a farinha, da Apivac, e o Pólemel (o acento extravagante é de responsabilidade do fabricante - a Avesul).
Ambos têm boa reputação, embora suspeite-se de que o Pólemel poderia ter a sua fórmula melhorada, se o fabricante suprimisse a lactose da sua composição. Este açúcar, encontrado no leite, é freqüentemente citado na literatura com tóxico para as abelhas. Por outro lado, a farinha da Apivac me parece ser menos atrativa para as abelhas do que o Pólemel.
6.25Como a alimentação protéica é fornecida?
Em alimentadores internos ou coletivos. Os internos devem ser de cobertura, de forma que o produto fique o mais próximo possível das crias. O Pólemel é fornecido no próprio saco em que é vendido, aberto (uma janela grande, na face superior do saco) e deve ser deixado próximo à área de cria, diretamente sobre os quadros do ninho ou logo abaixo deles. Para deixá-lo sobre os quadros, é preciso colocar sobre o ninho um "extensor", que pode ser um quadro feito com sarrafos de 1 x 2 cm, ou uma entretampa, ou até uma tela excluidora, dependendo do tipo de moldura usado, pois normalmente não há espaço suficiente.
Mas uma maneira muito mais rápida e menos estressante para as abelhas é fornecê-lo pelo alvado. Para isso, deve-se usar o lado alto do fundo reversível, ou aumentar a altura das suas paredes com sarrafos, até que o saco possa ser introduzido pelo alvado. Caso as abelhas depositem própolis nessa entrada, basta removê-la com a ajuda do formão. Outra alternativa é levantar a colméia inteira pelo alvado, usando o formão como alavanca, introduzir o saco de Pólemel, e baixá-la novamente (antes, porém, deve-se usar um pouco de fumaça para afastar as abelhas do fundo da colméia e evitar esmagamentos).
Um detalhe importante é que, se o Pólemel for posto longe dos quadros de cria (num alimentador de cobertura, por exemplo), há uma boa probabilidade de as abelhas rejeitarem-no.
Já a Apivac recomenda o fornecimento da sua farinha num alimentador coletivo, cujo modelo ela explica a quem quiser fazê-lo ou vende a quem preferir comprá-lo pronto.