Os mais variados tipos de carnes, sempre têm preferência quando há sobra no orçamento familiar, destinado a ingestão de proteínas, a carne bovina apresentando perspectiva de aumento de preço dado à tendência dos criadores em reter os animais para forçar uma elevação de seus valores atuais, quanto ao frango, os exportadores animados pela desvalorização do Real, prevêem aumentos de exportações e recuperação de mercados externos, a suinocultura beneficiada pelo aumento tanto na taxa de desfrute, quanto no peso dos animais abatidos, espera novo impulso nas exportações de carne principalmente para a Argentina e Hong Kong, também pôr conta da desvalorização da moeda brasileira ante o Dólar.
Apesar do consumo per capita de carnes no Brasil, vir se mantendo constante nos últimos quatro anos, apresentando como dados os seguintes: Carne bovina, 34 a 37 kg (01 porção de 90 g/dia), carne suína, 09 a 10 kg, carne de frango 22 a 24 kg, carne de peixe 4,5 kg levando a se prever que no caso da disponibilidade de outras carnes nobres o mercado encontra-se aberto para aquisição, consumo e ou exportação destas.
Consumo (perspectivas)
Espécie
Consumo/carne
t/ano
Carne/animal
kg
Abate Anual
Cabeças
Bovino
5.895.000
240
24.562.500
Frango
3.969.000
0,96
4.134.375.000
Suíno
1.585.000
60
26.416.666
Pescado
700.000
1,2
583.333
Avestruz 1% relação Boi
58.950
30
1.965.000
Avestruz 1% relação Todos
114.490
30
3.816.333
2. Mercado (perspectiva) Imaginando acertadas as perspectivas do quadro acima, nos obrigaria a estimar um rebanho previsto em 154 mil avestruzes (1% em relação Boi) ou 298 mil avestruzes (1% em relação Todos), isto sustentado no princípio da utilização de casais de aves e não o terno (trio) quando se utiliza um macho para duas fêmeas (redução de 20% da produtividade prevista), e numa produção média de 50 ovos pôr ano com um percentual de fertilidade destes de 80%, percentual de eclosão também de 80% e índice de mortalidade médio nos primeiros três meses de 20%, ou seja em condições ótimas 50% de taxa de desfrute.
A característica principal das instalações, esta relacionada à extrema simplicidade das mesmas, deve-se inicialmente construir piquetes de dimensões de 1.000 m² (20m x 50m) podendo também ser de 1400 m² (20m x 70m) utilizando-se de telas especiais (campestres) com altura de 1,60m não devendo ser soldada as emendas e sim costuradas, para promover a contenção e integridade das aves, com a preocupação de se instalar corredores de dimensões variando de 1,5m a 2,0m entre os piquetes que impossibilitem e ou inviabilizem o contato direto entre as aves impedindo a ocorrência de possíveis disputas (brigas), e no piquete instalar cochos de água, ração e sal sem a necessidade de serem protegidos de intempéries normais(sol e Chuva). Com o resultado do progresso de manejo dos pastos efetuamos a redução dos piquetes segundo orientações dos mais experientes para 800m²(20m x 40m) para acomodar um casal de aves (400 m²/Cab.) e temos constatado considerável sobra de forrageiras quando da rotação dos mesmos.
No caso de se optar pela cerca de arame liso, promover um distanciamento entre os fios de 10,15 e 20 cm atentando para a altura de 1,60m ou 1,80m.
Temos visto em outras propriedades a opção de se utilizar unicamente 5 fios de arame liso distanciados a 25 cm apresentando espaçamento entre mourões a cada 6 metros e balancins distanciados a cada 1,5 metros, ficando para o futuro a responsabilidade de registrar o sucesso ou fracasso da instalação.
Outra curiosidade interessante, está na formação de colônias de animais em piquetes em numero de 02 com capacidade de abrigar 30 animais medindo [180 X 200 metros] cada um, deixando para este tipo de colônia uma única sugestão, de se utilizar animais em desenvolvimento, pois no caso deles se encontrarem em fase de reprodução dificilmente se teria a certeza dos casais geradores e fertilizadores dos ovos produzidos.
Nos piquetes implantar gramíneas resistentes ao pisoteio e de porte baixo bem manejados e fertilizados, atentando para manter uma altura mínima de pastejo.
No intuito de se promover a melhoria da qualidade nutritiva das pastagens, introduzir leguminosas em consorcio com a gramínea, optando por aquela que apresente característica de agressividade, facilidade de implantação e pegamento, perenidade e disponibilidade de se adquirirem mudas em nossa região, aliado ao excelente potencial nutritivo do mesmo. O amendoim forrageiro registra índices 60 a 70 % de digestibilidade e 19% de proteína bruta.
Na criação de avestruzes, assim como em qualquer outra exploração animal, as intalações têm uma função de apoio às atividades ligadas ao processo produtivo. As pricipais funções são: facilitar o manejo alimentar, sanitário e reprodutivo; oferecer conforto e segurança aos animais; proporcionar condições para obtenção de índeces de produtividade à exploração e condições de contenção e biossegurança, impedindo que as aves tenham contato com outros animais da fauna regional, sendo esta uma exigência do IBAMA. Resuimindo, são instalações, para a criação racional de avestruzes, todas as benfeitorias necessárias para cria, recria, reprodução, incubação e manejo dos animais.
Antes do início da implementação do projeto, a escolha de um bom local é imprescindível para a obtenção do sucesso. Devemos optar por uma área a mais plana possível, sem muita necessidade de utilização de solos férteis, mas com boa drenagem (solos mais arenosos) e por região com baixa pluviosidade, possibilitando, assim, um maior período de animais em reprodução e uma baixa contaminação dos ovos, fatores que proporcionarão uma maior produtivadade.
O local ainda deve ser de fácil acesso a compradores e fornecedores, pois, é importante um canal adequado para escoar a produção para o mercado. A propriedade também deverá ter fornecimento de energia elétrica, para possibilitar a incubação artificial dos ovos. É muito importante o planejamento prévio das instalações e piquetes e também sua distribuição dentro da área. Esta medida beneficia o manejo e a segurança sanitária do plantel.
Podemos dividir a propriedade basicamente em 4 setores: setor de incubação; setor de creche ou cria; setor de recria e setor de reprodução. A distribuição dos setores deverá ser feita de tal maneira que, animais e funcionários, que tenham contato com avestruzes de uma categoria mais velha, e que tenham de passar por setores com animais de categoria mais jovem, realizem uma adequada higienização, diminuindo assim, os riscos de contaminações diversas.
No manejo diário, os funcionários deverão ser alocados por setor ou estabelecer uma rotina, de forma a respeitar o fluxo de idade dos animais, entre os diferentes setores, ou seja, os trabalhadores devem ser iniciados pelo manejo dos animais mais jovens, passando-se, depois, para as categorias com mais idade.
Contenção
Os avestruzes comportam-se de forma imprevisível em diferentes situações de manejo. Os machos, em particular, durante a estação de reprodução podem ter comportamento muito agressivo, o mesmo podendo ocorrer com algumas fêmeas adultas, tornando-se tão agressivas quanto os machos. Lembrando sempre da imprevisibilidade do comportamento do animal, deve-se tomar os devidos cuidados: as pessoas não podem entrar nos piquetes sem uma vara que pode ser bifurcada, com 2,5 m de comprimento e com um plástico preto fixado na extremidade para conter, caso se faça necessário, as aves agressivas. Os filhotes e a maioria das aves adultas são facilmente controladas por uma ou duas pessoas.
Para o manejo dos adultos é importante a utilização de um capuz colocado sobre a cabeça do avestruz porque, de olhos vedados, tornam-se mais dóceis. No entanto, o capuz deve permitir a entrada suficiente de ar para que a ave possa respirar livremente. O uso do capuz todas as vezes que for segurar as aves, desde filhotes, faz com que elas se habituem, reduzindo o stress.
As aves podem ser presas, usando um brete ou capturadas com uma vara curva, semelhante a um cajado de pastor, com 4 cm de diâmetro e 3,0 m de comprimento. O gancho deve ter cerca de 6,25 cm de largura, de modo a se adaptar frouxamente em torno do pescoço da ave mas de forma que a cabeça não escape Na hora de capturar, leve um grupo de aves para dentro do pátio de manejo, mesmo que apenas algumas delas devam ser capturadas. Elas devem ser tocadas e cercadas num canto do pátio. Então, a pessoa que vai fazer a captura deve se aproximar calmamente, com a vara curva pronta, com a ajuda de dois ou três auxiliares.
A aproximação deve ser feita pela lateral ou por trás, para evitar os chutes defensivos do avestruz. Então, o pescoço é preso pelo gancho da vara, na junção da cabeça, puxando, sem torcer, pois o pescoço quebra facilmente. Os auxiliares ajudam a segurar o animal, um na cauda e um em cada asa, enquanto é colocado o capuz na cabeça. Deve-se ter cuidado para que a ave não caia com o gancho em volta do pescoço. Faz-se então o manejo desejado ou o animal é conduzido ao transporte.
Alguns criadores colocam a ave em um saco grande para evitar agitação nos casos de transporte para locais próximos. A contenção manual de ratitas é potencialmente perigosa, tanto para o tratador como para o animal.
As aves ratitas reagem rapidamente quando se sentem ameaçadas e freqüentemente pulam e esperneiam, dando coices violentos para a frente. As unhas e os dedos tornam-se então armas formidáveis, portanto o pessoal deve ser orientado a reagir apropriadamente.
Os avestruzes jovens podem ser apanhados segurando as pernas firmemente e elevando a ave acima do chão. No caso de animais adultos, a cabeça é apanhada e imediatamente encapuzada, para que a visão do animal seja bloqueada. O capuz pode ser feito com um pano escuro ou uma meia grossa, com elástico na extremidade mais larga e um orifício na extremidade oposta para o bico. Um aro metálico na ponta de um bastão pode auxiliar a colocação do capuz e a condução da ave. Uma vez tendo a sua visão bloqueada, a ave sentir-se-á completamente dominada, podendo ser conduzida, agarrando-se suas asas e fazendo-se alguma pressão para baixo, para impedir que ela pule, especialmente quando passar de um tipo de piso para outro tipo com textura diferente.
Uma pressão maior e contínua fará com que a ave assente-se gradualmente. Deve-se lembrar que o avestruz não consegue chutar para os lados ou para trás. A dificuldade só existe quando se permite que a ave pule ou caia sobre um dos lados. Em todas as situações de contenção manual, deve-se instruir todos os auxiliares para que ajam de maneira coordenada, rápida e tranqüila. Deve-se ter todo empenho em não estressar os animais.
Nunca se deve amarrar um avestruz para o transporte. O esforço violento da ave para se libertar acaba provocando lesões graves. A solução ideal consiste utilizar caixotes individuais de madeira ou chapa de compensado, no tamanho da ave, com furos para a ventilação. O fundo destes caixotes pode ser revestido com capim seco. Os caixotes podem ser acondicionados em engradados, na carroceria de um caminhão ou caminhonete, jamais em caminhões-baú, em que a temperatura sobe demasiadamente e a ventilação é insatisfatória. O transporte deve ser feito na parte mais fresca do dia ou à noite.
A utilização de drogas tranqüilizantes como os benzodiazepínicos (Diazepam, Valium, etc., na dose de 5 a 1Omg/Kg de peso corporal) podem ser de grande valia para diminuir o stress dos animais durante o transporte.
A administração intramuscular de hidrocloreto de ketamina, 25 a 5Omg/Kg de peso corpóreo, e uma combinação de hidrocloreto de tiletamina e hidrocloreto de zolazepam, 2 a 5 mg/Kg de peso corporal, têm sido utilizados em ratitas, principalmente para captura, algumas vezes utilizando-se dardos e pistolas. As aves geralmente se acalmam com doses menores e desmontam com doses maiores. O uso de ketamina isoladamente pode provocar efeito paradoxal com doses baixas, ou seja, a ave pode ficar excitada. Mendes, 1990, comenta que em geral, a contenção química pode facilitar a movimentação de ratitas para dentro de gaiolas ou caixas de transporte, mas produz muitos problemas quando usada em dosagens maiores para imobilização total.
Anestesia
O halotano é um agente satisfatório para produzir anestesia geral em ratitas. A dificuldade primária ocorre durante a indução ou recuperação, quando as aves precisam ser contidas para prevenir danos. O processo de indução por respiração na máscara precisa ser cuidadosamente observado porque o padrão de respiração rápida da ave estressada poderá resultar em rápida depressão.
Uma vez que a ave tiver atravessado o período de indução, um tubo endotraqueal poderá ser facilmente passado e a anestesia mantida indefinidamente. Todas as espécies de aves irão experimentar quedas bruscas de temperatura corpórea, especialmente durante procedimentos prolongados. E recomendável que se isole o animal ou se providencie alguma fonte externa de calor para ajudar a manter a temperatura. Em algumas poucas situações, leituras cloacais de 34,5 a 35ºC, foram observadas durante procedimentos de uma a duas horas, sem que as aves desenvolvessem complicações pós-operatórias.
Em aves previamente imobilizadas com hidrocloreto de ketamina a 25mg/Kg, via intramuscular, a ketamina dada via venosa pode produzir anestesia adequada em doses de 5 a 1Omg/Kg. Doses adicionais de 5mg/Kg são requeridas a intervalos de 10 a 15 minutos para manter uma profundidade adequada de anestesia.
São omnívoros. A sua alimentação é variável consoante a região e a estação do ano. Normalmente, obtêm a água de que necessitam a partir dos alimentos, por isso, as plantas suculentas são muito importantes em áreas secas.
Engolem pequenas pedras e areia para ajudar a digestão.
Estes animais ingerem vários tipos de alimentos como a erva, sementes, milho, luzerna, feno, areia e ainda um granulado apropriado para avestruzes. No entanto, a luzerna é o alimento preferido. Também ingerem insectos e pequenos vertebrados.
Estes animais ingerem ainda qualquer objecto cuja cor ou forma lhes chame a atenção: calhaus, conchas, pedaços de madeira, etc. mas, o seu estômago é tão forte que até consegue fazer a digestão de metais!
Qual é a alimentação dos avestruzes?
Os avestruzes são classificados como vegetarianos, embora alguns autores os classificam como onívoros, portanto tem como base de sua alimentação matéria vegetal e animal. Em seu habitat natural, os avestruzes se alimentam de vegetação, principal base de sua dieta, e pequenas insetos.
O aparelho digestivo do avestruz apresenta uma série de características anatômicas e fisiológicas que o diferenciam das demais aves. O pró-ventrículo, além de secretar ácido clorídrico, tem a função de armazenar alimento, tendo função similar a dos animais monogástricos. O grande desenvolvimento dos cecos e do cólon (intestino grosso) são comparáveis aos encontrados em cavalos.
Estas características e em virtude de se tratar a estrutiocultura de uma atividade recente, fazem com que as pesquisas e informações científicas sobre as necessidades nutricionais dos avestruzes sejam escassas e incompletas.
A primeira característica a se destacar e a grande capacidade do avestruz de digerir a fibra presente nos alimentos, o que não existe nas demais aves, o que torna possível a utilização de forragens na sua base de alimentação.
Esta é uma das características que mostra a viabilidade de se criar avestruzes no Brasil.
A fibra é, sobretudo, uma fonte de energia importante para os avestruzes. O grande desenvolvimento do intestino grosso e a existência de uma flora celulítica capaz de romper as moléculas de celulose, hemicelulose e peptinas, para produzir ácidos graxos voláteis que são absorvidos pelas paredes intestinais e conduzidos até o sistema porta hepático, para serem utilizados como fontes de energia. Como conseqüência temos a capacidade de aproveitamento da energia existente nas forrageiras, o que não acontece nas outras aves. Este fato demonstra que os valores de energia metabolizável dos alimentos, que são normalmente utilizados para as aves, encontram-se sub-estimados.
Com relação a energia dos alimentos para avestruz, existem poucos estudos. Mas com conseqüência de seu aparelho digestivo , os valores de energia metabolizável são superiores ao utilizados para as aves.
O excesso de proteína, que é absorvida no intestino delgado, existente nas rações para avestruzes pode levar a problemas de entortamento de pernas e excesso de peso, principalmente em filhotes até 8 semanas.
Com relação às necessidades de aminoácidos essenciais, também não temos um consenso entre os pesquisadores, o que leva a distinta recomendações entre os autores.
Como conseqüência do exposto, os profissionais que formulam as rações para avestruzes devem levar em conta as matérias primas utilizadas para que tenhamos o melhor custo benefício para cada idade da criação.
Praticamente todos os grandes fabricantes de rações comerciais no Brasil já possuem a Ração para Avestruzes em sua linha comercial. Com o aumento dos estudos sobre a nutrição dos avestruzes, temos condições de elevarmos a produção de nossas aves, que já são altas, e reduzir nossos custos de produção.
Alimentação
No tocante a alimentação desta ave, deve-se considerar o consumo de pedras/pedregulhos a serem ingeridos pelas aves até a armazenagem total de 1,5 a 2,0 kg e localizadas no ventrículo, para auxílio na digestão dos alimentos, que devido ao desgaste natural destas pedras devem ser repostas. A alimentação consiste basicamente de pasto (gramíneas e leguminosas) além de ração balanceada. 1- Pastagens: - Proporcionalmente as avestruzes pastam mais e com maior eficiência do que o gado, tendo o hábito de pastejar similar ao das ovelhas, privilegiando pastos baixos. - Qualquer gramínea ou leguminosa é bem aceita. Quanto mais nutritiva for a pastagem, menor o consumo de ração. - Na ausência de pasto, deve-se fornecer capim elefante ou Cameron picado. 2– Ração: - Peletizada dá um melhor aproveitamento, menor desperdício e, maior homogeneidade dos nutrientes e vitaminas. - Como as necessidades nutricionais se modificam de acordo com a idade, deve-se usar diferentes composições de ração para acompanhar estas modificações. - Existem no mercado rações específicas para avestruzes.
Consumo Médio de Ração
- 01 a 08 semanas de idade*
0,25 a 0,50 kg/cab/dia
- 09 a 16 semanas de idade
0,50 a 1,00 kg/cab/dia
- 17 a 24 semanas de idade
1,00 a 1,40 kg/cab/dia
- 25 a 42 semanas de idade
1,40 a 1,60 kg/cab/dia
- Acima de 42 semanas:
1,60 a 1,80 kg/cab/dia
Manejo
• Captura / Contenção: Ao se promover algum trato às aves, deve-se proceder a captura utilizando-se do gancho apropriado para esta finalidade, de forma nenhuma se deve utilizar cordas ou quaisquer outros instrumentos que venha a dificultar a livre respiração destes ou promover traumatismos ao longo do pescoço da ave, a operação deve ser rápida, colocando-se um capuz que vede a passagem de luz , gerando um estado de tranqüilidade ao animal, reduzindo as movimentações, atentando sempre para que quando deste trabalho seja utilizado o mínimo de duas pessoas para execução da tarefa, e em animais maiores e muito pesados, trabalhar com o mínimo de três pessoas para capturar e conter a ave, sempre imobilizando pêlos lados pois o chute frontal pode gerar enorme perigo para quem lida com a ave.
Critérios Básicos para Ingressar na Atividade
- Quando da aquisição de animais além de consultar Profissionais de reconhecida competência, deve visitar criatórios de sucesso para observar a produtividade do plantel, manejo, consangüinidade, defeitos genéticos, experiência do criador.
Manejo alimentar
Segundo Groebbels, 1932, as ratitas são consideradas animais onívoros. Os avestruzes selvagens são consumidores oportunistas de alimentos, comendo uma grande variedade de plantas, sementes. frutas, flores, brotos novos e insetos. Sendo nômades, percorrem grandes distâncias a procura de alimento, freqüentemente agrupando-se próximos a uma fonte de água ou comida. Praticam o coprofagismo (ingestão de fezes) em todas as idades, tendo a sua importância, pois contribui para a formação da flora microbiana intestinal dos animais.
Com a exploração comercial do avestruz, teve início em meados do século passado, uma série de estudos e propostas de regimes alimentares para esta ave, conforme literatura sul-africana. Entretanto, enquanto para outras espécies de aves para carne, tais como os frangos e perus, as exigências nutricionais estão bem definidas, as informações sobre a alimentação de avestruzes em cativeiro são muito limitadas. Na tabela que segue, são apresentados os níveis de nutrientes das rações comerciais para avestruzes disponíveis no mercado norte-americano.
Tabela: níveis de nutrientes típicos de rações para avestruzes (segundo Muirhead,1995):
inicial
crescim/manut
reprodução
Proteínas (%)
18-24
16-20
14-20
Fibras (%)
5-10
10-12
9-12
Gordura (%)
3-8
3-6
3-5
Em Kcal/Kg
2300-2600
2000-2400
2000-2300
Cálcio (%)
1,2-2,0
1,2-1,8
2,0-3,5
Fósforo (%)
0,9-1,2
0,85-1,2
1,0-1,2
Para filhotes
A alimentação vai depender do tipo de manejo e qualidade do pasto nos piquetes. Como recomendação geral, pode ser utilizado o esquema apresentado a seguir:
- 0 a 3 semanas: ração balanceada com 19% de proteína, oferecida por 12 horas, estando o filhote com calor e iluminação artificiais. Iniciar a alimentação somente 5 dias depois de eclodidos, pois primeiro precisam terminar de reabsorver o saco vitelínico;
- 3 semanas a 3 meses: ração balanceada oferecida três vezes ao dia, por períodos de 15 a 20 minutos e suplementada com 50g de verde picado/dia/ave (alfafa, beldroega, soja perene, ou similares);
- após 3 meses: mesmo procedimento anterior suplementado com feno de leguminosas, capim picado e pasto.
O acesso à pastagem dos piquetes, ajuda a treinar os filhotes a pastar e ainda promover uma função intestinal sadia. O limite sugerido de 50g/filhote/dia de alimentos ricos em fibras longas é para que não venha a desequilibrar seriamente a absorção de cálcio e fósforo. A alfafa, por exemplo, tem relação cálcio/fósforo = 6:1. A redução nos níveis de proteína é necessária para evitar excessivo ganho de peso nesta fase, que contribui para o aparecimento da síndrome do entortamento das pernas.
Deverá ser oferecida, em todas as faixas etárias, granito ou pedrinhas (variando a granulação de acordo com o tamanho da ave) para auxiliar na digestão. Não deve ser utilizado farinha de ostras para não desequilibrar a relação Ca/P.
Uma maneira prática de se determinar a granulometria das pedrinhas para cada faixa de idade, basta calcular pela metade do tamanho da unha do dedo da ave.
A recusa dos filhotes ao alimento ou à água pode ser superada através de uma das seguintes técnicas:
- introduzir filhotes mais velhos (duas a três semanas de idade) junto aos recém-nascidos; acrescentar alimento verde picado, como por exemplo, grama, espinafre, beldroega, couve ou alfafa ao alimento;
- espalhar um punhado de ração no piso e ao redor do comedouro. Os avestruzinhos preferem a cor verde e não sabem comer nos comedouros. Aos poucos, reduzir a área com alimento no chão para mais próximo do comedouro.
Aves com mais de três meses
O consumo de alimento é de 0,5Kg/dia até seis semanas de idade, aumentando gradativamente até os 2Kg/dia, com ganhos em peso variando de 100 a 400g/dia. Aproximadamente, dos 14 aos 18 meses de idade, o avestruz deve atingir o pleno desenvolvimento de seu corpo, sendo que, a partir daí, será necessário alimento apenas para manutenção. Na tabela que segue, são apresentados os valores médios de ingestão de alimentos e ganho em peso de avestruzes de 6 a 50 semanas de idade.
Tabela: valores médios de ganho de peso e ingestão de alimentos:
Idade (sem.)
6
8
10
14
18
22
26
30
34
38
42
46
50
Peso (kg)
5,9
11,3
16,1
28,6
40,4
51,5
61,2
71,2
79,4
86,2
91,9
96,6
99
Ingestão (kg/d)
0,5
0,7
0,8
1,1
1,5
1,8
2,0
1,9
2,0
1,9
1,9
2,0
2,0
Ganho peso(kg/d)
0,27
0,34
0,45
0,41
0,38
0,34
0,34
0,30
0,25
0,18
0,16
0,11
0,10
Tabela: média de altura do avestruz por idade:
Idade (meses)
1
2
3
4
5
6
Altura (m)
0,5 a 0,7
0,65 a 1,2
0,9 a 1,65
1,0 a 1,8
1,4 a 2,0
1,75
Após atingir a maturidade sexual em aproximadamente dois anos, as aves reprodutoras devem receber uma ração especial. As taxas alimentares exigidas dependerão das condições de pastagem mas, como uma orientação, os machos e as fêmeas que não estão acasalando podem consumir aproximadamente 1 a 1,5 Kg de ração peletizada ao dia, e as poedeiras até 2 a 3 Kg e livre acesso a um volumoso de qualidade. A ração deve conter no máximo 16% de proteína. Recomendam-se pesagens periódicas para controle do peso dos reprodutores, pois aves com excesso de gordura não se reproduzem e podem vir a morrer.
Atenção: O controle da taxa de crescimento é essencial; o ganho excessivo de peso corporal é um dos fatores para surgimento de problemas de entortamento das pernas nas avestruzes jovens.
Algumas restrições alimentares podem ser adotadas a partir de três semanas de idade para reduzir o ganho de peso Portanto, é necessário a pesagem periódica dos filhotes com registro destas e de outras informações em fichas zootécnicas para auxiliar no controle da alimentação e de todo o sistema de criação. O criador deve sempre:
- Fornecer água em quantidade e qualidade (um avestruz adulto chega a beber até 10 litros de água por dia);
- Manter o alimento fresco e os cochos limpos;
- Diminuir os desperdícios;
- Manter a suplementação da ração com fibras e pedriscos, a fim de assegurar função digestiva sadia e apetite.
Em alguns casos, os filhotes não começam a comer. Para estimulá-los, é recomendável colocar filhotes mais velhos juntamente com os filhotinhos e esparramar uns punhados de ração em volta do comedouro.
Impactação
A impactação proveniente de areia, pedregulho, cascalho ou vegetais, pode ser um problema para os filhotinhos. Ela está relacionada a tendência do avestruz em ingerir matéria estranha de seu ambiente. Há uma alta incidência de impactação em filhotes com menos de duas semanas de idade, provocada pelo capim. Os filhotes com menos de 5 meses de idade, inclusive, não devem ficar em piquetes com árvores, pois eles apanham galhos. Para evitar a impactação, o material usado no piso dos piquetes de criação deve ser relativamente leve e fino.
No avestruz adulto, a impactação com areia e pedregulho (cascalho) é relativamente comum. Para impactações com areia, sujeira ou alimento, o tratamento é feito, utilizando-se eletrólitos orais e suplementação de energia. Para prevenir impactação por corpos estranhos nas aves adultas, deve-se remover materiais estranhos dos piquetes, como pedaços de arames.
Excluindo a ingestão de materiais brilhantes, pregos, etc., está provado que o maior fator para a impactação por capins, areia e outros produtos normais nas instalações, ou seja, o consumo excessivo destes produtos seria um distúrbio na alimentação provocado por situações de stress.
Para estimulação do desenvolvimento normal dos filhotes, é fundamental que eles tenham um espaço adequado no qual possam se exercitar. Nas savanas, os filhotes com menos de três meses de idade viajam 8 a 30 quilômetros por dia seguindo seus pais.
Empregar pais adotivos para motivar o exercício dos filhotes causa menos stress do que quando estes são forçados pelos proprietários das aves a se exercitarem. Na África do Sul, pais adotivos são usados para ajudar a criar os filhotes e assegurar exercício apropriado. Geralmente, as aves escolhidas como pais adotivos são mais velhas, dóceis, de fácil manejo e não ficam estressadas facilmente. Os filhotes mais velhos também tendem a ajudar os filhotes mais jovens introduzidos no rebanho.
Ração
Segue um exemplo de composição de ração comercial americana para ratitas (avestruz, emu e ema) de O a 6 meses, onde o fabricante recomenda iniciar a administração da mesma 3 a 4 vezes ao dia, em quantidade que os filhotes comam em 30 minutos. O mesmo cita a importância dos filhotinhos estarem em condições de instalação que proporcione exercitarem-se plenamente. Se os animais estiverem alcançando ganho de peso superior ao desejado, recomenda substituir por uma formulação similar, mas com apenas 18% de proteína (a referida contém 22% de proteína) para evitar o entortamento das pernas: