27 de jun. de 2018

Principais Raças Bovinas de Corte no Brasil



A pecuária bovina é um dos principais setores da economia brasileira. O mercado de bovinos tem um valor bruto de produção estimado em 74,38 bilhões neste ano, de acordo com levantamento do Ministério da Agricultura. Além disso, a área deve prosperar bastante nos próximos anos.
Segundo projeção do ministério, a produção de carne bovina deve crescer 21% na próxima década, chegando a um volume de 10.236 mil toneladas em 2026 (leia mais: aumento de produtividade é responsável por 80% do crescimento da agropecuária).
  O crescimento expressivo está ligado ao número de cabeças de gado do país, que formam o maior rebanho comercial do mundo, com 214 milhões de animais. Só neste ano, foram abatidas 30,6 milhões de cabeças em todo o Brasil, de acordo com dados do IBGE.   Outros fatores que tornam o Brasil competitivo no mercado de carne são a diversidade das raças existentes no País e o desenvolvimento genético, que seleciona animais com desempenho superior para a pecuária de corte e a produção leiteira. Confira na lista abaixo algumas raças bovinas que compõem o rebanho brasileiro e impulsionam o desenvolvimento da pecuária nacional.
A força dos bovinos
Os bovinos podem ser divididos de acordo com duas classificações. Os taurinos, de origem europeia, e os zebuínos, originários da Ásia. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), por causa da adaptação ao clima tropical, os zebuínos se desenvolveram mais no Brasil e representam atualmente cerca de 80% do rebanho brasileiro.   Os zebuínos brasileiros são fruto do cruzamento com outras espécies e, apesar de manterem as principais características zebu, eles se diferenciam dos bois de outros países. “O Brasil possui uma tecnologia em agropecuária única no planeta e tem a melhor genética zebuína do mundo”, afirma Antônio Jorge Camardelli, presidente da ABIEC em publicação comemorativa da associação.

Nelore

É a raça predominante no Brasil, muito procurada por produtores de carne. Sua característica marcante é a pelagem branca, que pode ter tons de cinza claro. Tem orelhas pontiagudas e chifres curtos, mas algumas variações são mochos, ou seja, sem chifres.       

Boi Guzerá 

Guzerá Foi a primeira raça de zebuíno a ser trazida para o País e é uma das mais antigas do mundo. É reconhecida por possuir um par de chifres grandes e curvados para cima e pode ser direcionada tanto para a pecuária de corte como de leite. A pelagem varia em tons de cinza, do mais claro ao escuro. Os animais apresentam grande porte, a raça é muito fértil e resistente à seca. 
        
boi Gir 

Gir Trazido ao Brasil em 1911, das montanhas Gir na Índia, a raça é indicada para a pecuária de leite. Inclusive, a raça Girolando, a mais famosa na produção leiteira no Brasil é resultado de cruzamento de Gir com a vaca Holandesa. Os indivíduos dessa raça apresentam chifres compridos e torcidos para baixo, com orelhas enroladas na parte superior. A pelagem varia do vermelho ao amarelado e pode apresentar pintas. A raça é dócil e as fêmeas têm grande habilidade materna.     

Gado cangaian 

Cangaian Essa raça chegou ao Brasil entre 1962 e 1963, vindo da região Sul da Índia. A raça representa um rebanho pequeno e pouco representativo, em números, no Brasil. Os bois têm pequena estatura e possuem chifres longos e grossos, mas são indicados somente à produção de carne, porque não produzem muito leite. São muito resistentes ao calor e a doenças.           

Gado brahman 

Brahman Veio em 1994 dos Estados Unidos e é o resultado do cruzamento de Nelore, Guzerá, Sindi, Cangaian e Indubrasil. A coloração pode ser cinza-claro, cinza-escuro ou vermelho. Não tem chifres e as orelhas são de tamanho médio. É indicado como gado de corte (leia mais: conheça as vantagens de criar brahman).       

Boi tabapuã 

Tabapuã Surgiu ao cruzar zebuínos Nelore, Gir e Guzerá com os mochos brasileiros e apesar de ser uma raça  nacional, é criada também em outros países, na maioria da América do Sul. A pelagem varia do branco ao cinza e não possui chifres. É usado na produção de carne, porque tem boa musculatura.       

Gado sindi 

Sindi Originária da província de Sindi, no Paquistão, a raça veio para o Brasil em 1952 e é formada por animais resistentes, que sobrevivem em locais secos e com pouco pasto sem perder peso. Por causa disso, são criados principalmente em regiões nordestinas. São bois pequenos, com chifres curtos e pelo vermelho. Podem ser usados para a produção de carne ou leite.

         Gado indubrasil 

Indubrasil A raça é fruto do cruzamento de Nelore, Gir e Guzerá. Surgiu no Brasil em 1930, sendo criação de bovinicultores do Triângulo Mineiro. A pelagem pode ser branca, cinza ou vermelha e tem chifres médios. É usado como gado de corte e já foi exportado para os Estados Unidos.       

Gado angus 

Angus Essa é a mais famosa raça de taurinos no Brasil. Seu nome ficou conhecido e a raça se popularizou especialmente a partir do investimento de grandes empresas, como o MC Donald’s, que criou um hambúrguer com a carne Angus. De acordo com a Associação Brasileira de Angus, as principais vantagens da raça para a criação são a alta fertilidade e precocidade, pois atingem a puberdade e o estado de abate mais cedo. Seu diferencial é a ótima qualidade da carne, que é marmorizada e macia (leia mais: angus garante produção de carne com qualidade superior).     

Gado caracu 

Caracu É um gado taurino português, trazido para o Brasil na época colonial, que tem pelagem amarela ou alaranjada. Segundo informações do Conselho Nacional de Pecuária de Corte, a raça é extremamente rústica, atingindo níveis de engorda mesmo em pastagens ruins. Outra vantagem da raça é ser resistente a doenças endêmicas brasileiras e a ectoparasitas. É usada como gado de corte ou de leite e também como animal de tração.   

Charolês 

Gado charolês De origem francesa, essa raça taurina é excelente para produção de carne. Informações do Conselho Nacional de Pecuária de Corte indicam que, no Brasil, é também muito usada na criação de mestiços, como o gado Canchim. A raça possui pelagem branca ou creme, com narinas rosas e é uma das melhores para engorda em confinamento, porque chega a atingir, em machos adultos, mais de uma tonelada (leia mais: conheça as vantagens de criar charolês).













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17 de jun. de 2018

Consorciação de plantas forrageiras na produção leiteira



Atualmente, é comum observarmos vacas leiteiras criadas à base de pasto alimentando-se essencialmente de monoculturas de forragem, geralmente apenas gramíneas de gênero C3. Quanto aos animais confinados, uma característica comum dos sistemas é a alimentação regular, leia-se, os mesmos ingredientes e porcentagens ao longo do ano. Nestas duas situações é praticamente inexistente o emprego de leguminosas na dieta dos animais.

Embora o uso de pastagens consorciadas promova diversos benefícios ao solo e as plantas, como o aporte de nitrogênio no sistema por meio do processo de fixação biológica de N, e a melhoria da qualidade nutricional da pastagem, principalmente em termos de PB e digestibilidade, a prática ainda é muito pouco explorada por produtores brasileiros.

No entanto, além destes benefícios, o uso de pastagens consorciadas tem mostrado um potencial de modificar o perfil de ácidos graxos (ou gordura) do leite. Tal fato tem chamado a atenção de muitos pesquisadores acerca deste tema, impulsionados diretamente pela demanda crescente de consumidores cada vez mais preocupados com a qualidade nutricional dos produtos que consomem.

Na maioria dos casos, as pesquisas que avaliam o perfil lipídico do leite buscam o aumento dos ácidos graxos poli-insaturados, em especial o ácido linoleico conjugado (CLA).  Shokryzadan et al. (2017) revisaram inúmeros estudos envolvendo o CLA e seus benefícios aos seres humanos, e os autores sentiram-se seguros em afirmar os efeitos benéficos do isômero CLA sobre o controle do peso corporal e também a inibição de diversos tipos de câncer em animais. No entanto, estas e outras questões como a diminuição do risco de doença cardiovascular em seres humanos ainda são controversos, embora os resultados preliminares sejam animadores.

Na literatura mundial, diversos estudos comparam sistemas à base de pasto com sistemas confinados e a influência disto no percentual de CLA no leite. Contudo, são escassos trabalhos que comparem apenas sistemas pastoris de monocultura com sistemas mistos. Os autores Rego et al. (2016), avaliaram vacas leiteiras da raça Holandesa em dois regimes de alimentação, em que no primeiro momento os animais foram mantidos em pastagem com suplementação de 5 kg de concentrado dia-1, e na sequência, os animais foram alocados em um confinamento no qual recebiam uma dieta composta por 60% de silagem de milho e 40% de concentrado. Após os 21 dias de confinamento as vacas retornaram a pastagem, que por sua vez era composta majoritariamente por azevém e trevo branco.

A concentração dos isômeros CLA no leite (g/100g de ácidos graxos totais) foi semelhante entre as duas etapas de pastagem, e estas, superiores ao período que os animais permaneceram confinados (1,71 e 1,58 vs. 0,85). Os mecanismos que explicam estas mudanças não estão completamente elucidados. Todavia, a principal hipótese é de que as leguminosas possuem compostos secundários, como os terpenos e os polifenóis que poderiam diminuir a taxa de biohidrogenação ruminal (Chilliard et al., 2007).

Lahlou et al. (2014) que trabalharam com vacas Holandesas confinadas versus animais à base de pastagem composta de 55% gramíneas e 45% leguminosas (trevo branco e vermelho) atribuíram a maior quantidade de CLA para os animais a pasto (1,06 vs. 0,71 g/100 g de ácidos graxos totais), devido aos polifenóis do trevo vermelho, os quais também poderiam proteger os lipídeos da biohidrogenação no rúmen.

Embora o mecanismo de ação destes compostos ainda não esteja totalmente claro, os resultados de pesquisa evidenciam a influência do consumo de leguminosas na composição do leite de vacas. Ao mesmo tempo, os trabalhos têm demonstrado que o consumo de produtos ricos em CLA parece ser promissor para a saúde humana. Aqui, gera-se então uma hipótese de que alimentar vacas com pastagens consorciadas pode ser uma alternativa para enriquecer ainda mais a qualidade nutricional do leite. Neste contexto, abre-se o precedente: podemos futuramente explorar este nicho de mercado?

Autores do artigo: 

Daniel Augusto Barreta e Beatriz Danieli > Zootecnistas e mestrandos do PPGZOO UDESC.

Ana Luiza Bachmann Schogor > Zootecnista, Professora Doutora do Departamento de Zootecnia da UDESC Oeste

A produção animal, em grande parte das regiões tropicais, é limitada principalmente, pela variação de qualidade da forragem em oferta ao longo do ano. Essa qualidade é reflexo da concentração da produção no período das chuvas, com grande oferta de forragem, porém, em contradição nas demais estações do ano, com baixa oferta e qualidade, afetando diretamente a produção animal. Além disto, as gramíneas tropicais possuem menor qualidade de forragem do que as gramíneas de clima temperado e a introdução de leguminosas adaptadas nas pastagens tropicais resolvem problemas como a baixa disponibilidade de nitrogênio e os baixos teores de proteína na dieta dos ruminantes.
A consorciação é uma prática que permite associar numa mesma área o plantio de culturas diversas para aumentar o rendimento, enriquecer a vida biológica do solo e protegê-lo contra a erosão. Podendo também ser considerada como uma técnica agrícola de conservação que visa um melhor aproveitamento em longo prazo do solo, bem como o cultivo na qual se utiliza mais de uma espécie de planta na mesma área e no mesmo período de tempo (Peixoto et al., 2001). Sendo algumas espécies mais adaptadas à consorciação, como os gêneros Stylosanthes, Arachis, Leucaena, dentre outras.
Mas para a adoção dessa técnica é necessário avaliar alguns pontos críticos do processo, como as diferenças morfológicas entre leguminosas e gramíneas forrageiras, em que as gramíneas são mais eficientes na utilização de água, de alguns nutrientes minerais e apresentam uma eficiência fotossintética mais alta, que resulta na taxa de crescimento e potencial de produção de forragem superior ao das leguminosas (Nascimento Jr., et al., 2002). Ressaltando também sua forma de crescimento e propagação diferenciada, onde a gramínea é mais agressiva e competitiva, pela presença de perfilhos e ramificações, já a leguminosa apresenta grande dependência da planta mãe, custando a possuir vigor e eficiência própria. 
Dentro desses critérios, o manejo deve ser direcionado para favorecer as leguminosas, porém sem comprometer a produtividade das gramíneas, escolhendo uma associação compatível entre a gramínea e a leguminosa, em que as condições climáticas não sejam limitantes, assegurando um suprimento adequado de nutrientes, para otimizar o crescimento da leguminosa forrageira. 
Dentre os benefícios do uso de leguminosas estão a melhor qualidade do pasto; maior ganho de peso animal; economia nos gastos com adubação nitrogenada; recuperação de áreas degradadas; maior cobertura de solo e melhor proteção, além da garantia de um processo não poluente e ambientalmente correto. 
O melhor desempenho animal em pastagens consorciadas é explicado por apresentarem em geral melhor valor alimentício em relação às gramíneas. Maiores níveis de proteína bruta e de digestibilidade são os atributos mais marcantes (Pereira, 2002).
O uso de leguminosas em pastagens vem para suprir os níveis de nitrogênio que, ao longo dos anos, acaba se tornando insuficiente para o desenvolvimento satisfatório das gramíneas, logo, a consorciação em pastagens é uma forma de aumentar o aporte de N no sistema, uma maneira econômica.
Não se trata de uma novidade para o pecuarista, embora o emprego desta técnica, anteriormente, tenha implicado em limitações pela própria falta de tradição e conhecimento dos pecuaristas, e técnicos em usar e manejar adequadamente as pastagens consorciadas.

Dheyme Cristina Bolson, Graduanda em Zootecnia – UFMT, Campus Sinop;
Dalton Henrique Pereira, Professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Sinop;
Bruno Carneiro e Pedreira, Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril.

ESCOLHA DE FORRAGEIRAS PARA A PRODUÇÃO DE LEITE.pdf

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9 de jun. de 2018

Gestão da Água na Suinocultura



Mais um fantástico trabalho que a EMBRAPA nos oferece e que orgulhosamente nosso BLOG divulga.

Um trabalho essencial para os profissionais da área, (produtores, técnicos, professores e afins)

A partir de 2010, a Embrapa Suínos e Aves, o Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados (Sindicarne/SC), a Universidade Federal de Santa Catarina (PPGEA-UFSC), a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) e a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) decidiram formalizar uma parceria para atualizar os parâmetros de consumo de água e produção de dejetos na suinocultura. O objetivo principal desta parceria foi o estudo da gestão da água e do manejo de dejetos nas propriedades produtoras de suínos. Outra intenção foi a atualização dos valores de referência para estes parâmetros, de modo a servirem de base para o processo de atualização da Instrução Normativa (IN-11), dispositivo legal utilizado pela Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (FATMA) no licenciamento ambiental de propriedades suinícolas.
Dessa experiência bem sucedida surgiu a oportunidade de reunir os principais atores envolvidos com a produção de suínos em Santa Catarina e editar um documento que sugerisse a técnicos e produtores o que fazer para utilizar de modo sustentável a água. Esta publicação é a materialização desta convergência de interesses. De forma inédita, buscou-se concentrar em um
único documento todos os itens que impactam a gestão da água. O texto
enfatiza a descrição de procedimentos, aponta sugestões que interferem na gestão da água e deixa claro os prejuízos que o produtor registra quando não combate o desperdício.
São notórios os avanços dos últimos anos na relação entre suinocultura e meio ambiente. Todos concordam, no entanto, que ainda há um bom caminho a percorrer. Como fica claro no decorrer deste documento, o aprimoramento dos avanços ambientais já conquistados passa pela melhoria da gestão da água dentro da propriedade. É na água, por exemplo, que começa boa parte dos problemas relacionados aos subprodutos e resíduos da produção. É com foco neste desafio que este documento se coloca à disposição de quem vive diariamente a suinocultura.

O Prosa Rural desta semana traz informações especiais para quem é suinocultor, pois aborda a gestão da água na suinocultura. Quem acompanhar o programa vai saber que hoje em dia é possível criar porcos, e muito bem, com muito menos água do que antigamente. E mais: o pesquisador Paulo Armando de Oliveira, da Embrapa Suínos e Aves, dá dicas sobre o bom uso da água e explica quais são os resultados dessa prática, entre outros, ganhos imediatos para o meio ambiente, para os animais e também para o bolso do produtor.







1 de jun. de 2018

Controle de Verminose em Caprinos e Ovinos


Sanidade - Controle de Verminose

O uso efetivo de drogas anti-helmínticas proveu, durante muitos anos, a base para manutenção da sanidade dos rebanhos de caprinos e ovinos no mundo todo. No entanto, devido ao surgimento da resistência parasitária e devido ao alto custo dos medicamentos, o controle tradicional vem sendo substituído por uma combinação de métodos e alternativas cujo objetivo é atacar o problema de diferentes formas e reduzir ao máximo o uso de medicamentos. Essa estratégia, associada a um conjunto de práticas de manejo, irão constituir um programa integrado de controle, cuja elaboração deverá ter por base as seguintes orientações: 1) usar várias estratégias; 2) manter uma carga parasitária mínima; 3) manter o desempenho produtivo; 4) retardar o aparecimento da resistência anti-helmíntica; 5) reduzir os resíduos na carne, no leite e no ambiente.
No entanto, um bom programa de controle da verminose é aquele que foi adaptado à realidade de cada propriedade, que é influenciada por diferentes fatores. Sendo assim, embora recomendações gerais sejam descritas aqui, não existe um programa pronto a ser entregue ao produtor rural como uma “receita de bolo”. O criador deverá, portanto, avaliar suas condições particulares e, com a ajuda de um técnico, ter habilidade para aplicar as ferramentas disponíveis de acordo com sua realidade. Ao montar um bom programa de controle, o criador se permitirá, da melhor forma possível, realizar o equilíbrio entre os animais e parasitas, minimizando os prejuízos e mantendo a viabilidade da produção.

Conhecendo a Doença

A verminose é um dos principais problemas na criação de caprinos e ovinos no mundo todo. Afeta praticamente todos os animais a campo, sendo mais grave em animais jovens. Causa prejuízos para os produtores devido às despesas adicionais com mão de obra, medicamentos e mortalidade. A doença é causada por diversas espécies de vermes, sendo o principal Haemonchus contortus que se alimenta de sangue.

Conhecendo os Sintomas

Os principais sintomas são diminuição do apetite, emagrecimento, pelos arrepiados e sem brilho, anemia e, às vezes, diarreia (Figuras 1 e 2). A mortalidade gira em torno de 30%.
Autor: Raymundo Rizaldo Pinheiro
Figura 1. Animal com diarreia.
Autor: Raymundo Rizaldo Pinheiro
Figura 2. Mucosa do olho branca (sinal de anemia).

Conhecendo a Contaminação

A principal fonte de contaminção é o próprio pasto onde as larvas dos vermes se desenvolvem após serem eliminadas junto com as fezes. Água e alimentos contaminados também podem servir de fonte de contaminação.

Fatores que Influenciam a Ocorrência da Verminose

A verminose pode ser mais grave em alguns rebanhos ou em alguns animais, e principalmente em algumas épocas, devido à influência do manejo, fatores do meio ambiente e das características do próprio animal. Esses fatores são:
  • Clima: calor e presença de chuvas aumentam a verminose.
  • Animais: categorias como cabritos e cordeiros jovens, fêmeas em gestação ou lactação, bem como algumas raças são mais sensíveis à verminose.
  • Doenças e nutrição: animais com doenças, como a linfadenite (mal do caroço) e a CAE (mal do joelho) e animais malnutridos são mais susceptíveis.
  • Resistência dos vermes aos medicamentos: o uso frequente e inadequado dos medicamentos leva à perda da sua eficiência.

Controlando a Verminose

Para se controlar a verminose, é preciso atacar a doença de diferentes formas e reduzir ao máximo o uso de medicamentos. Porém, o plano de controle da verminose deverá ser adaptado a cada realidade. Portanto, o produtor deverá avaliar a situação e escolher quais medidas poderão ser aplicadas na sua propriedade. As alternativas disponíveis são diversas e se baseiam no controle dos fatores que influenciam a ocorrência da doença. Elas buscam prevenir ou limitar ao máximo o contato entre o parasita e os animais. A seguir serão destacadas as principais medidas que podem ser utilizadas no controle da verminose, lembrando sempre que a pastagem é a principal fonte de contaminação.
Lembre-se: A verminose quando não controlada é a doença responsável pelo maior número de mortes e prejuízos nos rebanhos caprino e ovino.
Reduzindo a contaminação
  • Evite a superlotação de animais.
  • Forneça água e alimentos de boa qualidade.
  • Faça a limpeza regular das instalações. Mantenha cochos de água e alimentos sempre limpos e colocados fora das baias.
  • Escolha capim que possa ser utilizado em pastejo alto (> 15 cm), pois a maioria dos vermes se encontra até 5 cm do solo.
  • Alterne o pastejo com plantas nativas (Ex: Caatinga) e capim cultivado nas propriedades que possuam esta condição.
  • Reserve para feno ou silagem o capim oriundo dos piquetes mais contaminados.
  • Utilize o descanso de pastagens, ou alterne com culturas, pastejo de restolhos ou palhadas.
  • Coloque o esterco nas esterqueiras por um período mínimo de 60 dias antes de aplicar nas pastagens – a fermentação promove a morte das larvas.
  • Separe os animais jovens dos adultos, tanto na baia como no piquete. Animais adultos pastejam antes dos jovens; se possível, dê preferência ao confinamento de animais jovens (sensíveis).
  • Use o pastoreio rotacionado com espécies animais diferentes: utilizar outras espécies no mesmo pasto faz com que os vermes de ovinos e caprinos sejam reduzidos ao serem ingeridos por esses animais (Ex: ovinos e bovinos no mesmo pasto – Figura 3).
  • Forneça ração (1% peso vivo) para disponibilizar proteína a borregos e cabritos até a desmama.
  • Forneça ração para cabras e ovelhas em gestação e com crias ao pé.
Autor: Raymundo Rizaldo Pinheiro
Figura 3. Modelo de pastoreio rotacionado com ovinos e bovinos. Cada módulo é dividido em 8 piquetes e a cada 40 dias ovinos são transferidos para o módulo onde estavam bovinos e assim sucessivamente.
Fonte: Fernandes et al. (2004)
Selecionando animais para o tratamento
Atualmente, não se recomenda mais aplicação de vermífugos em todo rebanho sem antes identificar os animais com real necessidade de tratamento. Porém, a identificação pode ser difícil caso os animais não apresentem sinais evidentes de verminose. Nesse caso, poderão ser utilizados métodos específicos para seleção dos animais que necessitam tratamento mesmo sem sintomas. Um deles é a realização da contagem de ovos de parasitas nas fezes (OPG - ovos por grama de fezes). Porém, o exame de fezes exige o envio de amostras para um laboratório. Todos os animais que apresentarem resultados superiores a 1000 ovos/g deverão receber medicação. Esse método, embora eficiente, torna-se trabalhoso e de alto custo em grandes rebanhos. Uma forma mais prática é avaliar o grau de anemia dos animais através da observação da mucosa ocular, método conhecido como FAMACHA. Nesse método, utiliza-se um cartão com cores que indicam o grau de anemia dos animais. Os animais cuja coloração da mucosa ocular indicar nível de anemia igual ou superior a 3, precisam receber vermífugo, conforme a Figura 4.
Atenção!
  • Em regiões onde se usa pastagem cultivada e há grande incidência de verminose, recomenda-se o exame dos animais utilizando o cartão FAMACHA a cada 7 dias.
  • Em regiões semiáridas, recomenda-se a realização do exame a cada 15 dias no período chuvoso e a cada 30 dias no período seco.
Autor: Raymundo Rizaldo Pinheiro
Figura 4A. Exame da mucosa ocular.
Figura 4B. Cartão Famacha pequeno em várias línguas, lançado em 2005 - com o auxílio do cartão observa-se o grau de anemia e a indicação para a necessidade de tratamento ou não. Os animais deverão ser tratados quando apresentarem anemia do nível 3 ou superior.
Fonte: Van Wyk et al (1997).
Utilizando vermífugos corretamente
As drogas contra verminose ainda são muito importantes para o seu controle, porém o uso inadequado e por um longo período pode ser catastrófico para o produtor, levando a resistência dos vermes. Para evitar a perda da eficiência das drogas disponíveis, não se usa mais a vermifugação de todo o rebanho, devendo-se atentar para os critérios utilizados para o uso correto.
  • Vermifugue emergencialmente os animais em que os sintomas estejam visíveis (emagrecimento, anemia, papeira, diarreia, queda na produção de carne ou leite). Geralmente apenas 10% do rebanho manifestam tais sintomas. Animais sem sintomas evidentes devem ser avaliados quanto à necessidade de tratamento pelos métodos descritos anteriormente (OPG ou FAMACHA).
  • Trate os animais de compra antes de incorporá-lo no rebanho.
  • Não vermifugue as fêmeas no terço inicial da prenhez (primeiros 45 dias), para evitar problemas de malformação da cria.
  • Vermifugue as fêmeas 30 dias antes do parto.
  • Vermifugue os animais que vão entrar na estação de monta.
Atenção!
  • Após a vermifugação, deixe os animais presos no chiqueiro ou no aprisco por, pelo menos, 12 horas (faça as vermifugações sempre no final da tarde).
  • Cabritos e cordeiros deverão ser vermifugados somente após o contato com o pasto, geralmente após a terceira semana de pastejo.
  • Leia a bula do vermífugo e siga as instruções do fabricante quanto ao período de descarte do leite e tempo para o abate.
  • Reduza ao máximo a frequência de vermifugações.
  • Troque o vermífugo somente a cada ano para evitar resistência dos vermes.
Meta do Produtor
O produtor deve descartar os animais que receberam 8 ou mais doses de vermífugo num período de 6 meses (animais que repetem grau FAMACHA 3, 4 ou 5). No rebanho, devem permanecer os animais que repetem grau FAMACHA 1 e 2, ou seja, animais resistentes à verminose.
Escolha do vermífugo
Existem vários tipos de vermífugos classificados pelo grupo químico e princípio ativo (Tabela 1). Os vermífugos de um mesmo grupo químico podem ser vendidos com diferentes nomes (marca comercial) de acordo com seu fabricante. Ao trocar de vermífugo, escolha sempre um de diferente grupo químico do utilizado anteriormente. É possível consultar as opções disponíveis na internet através do endereço eletrônico http://www.cpvs.com.br/cpvs/index.html. Na dúvida, é melhor pedir a orientação de um profissional qualificado.
Atenção!
- Evite ao máximo a troca de vermífugo sem necessidade.
- Nunca troque o vermífugo antes de um ano de uso.

Precaução: 
Observar o período de carência dos medicamentos (ver informações com o técnico veterinário ou na bula). A carência é o período no qual o leite e a carne não devem ser consumidos devido à presença de resíduos do medicamento.
Tabela 1. Vermífugos disponíveis comercialmente separados pelo grupo químico e princípio ativo.
GRUPO QUÍMICO
PRINCÍPIO ATIVO
AÇÃO
IMIDATIAZÓIS
Levamisol
Tetramisol
Vermes gastrintestinais
PIRIMIDINAS
Pamoato de pirantel
Vermes gastrintestinais
SALICILANILIDAS
Closantel
Niclosamida
Vermes gastrintestinais)
Tênias
ORGANOFOSFORADOS
Triclorfon
Vermes gastrintestinais
BENZIMIDAZÓIS
Albendazol
Mebendazol
Oxfendazol
Febendazol
Vermes gastrintestinais

Vermes pulmonares e tênias
LACTONAS MACROCÍCLICAS
Ivermectina
Moxidectina
Doramectina
Abamectina
Eprinomectina
Vermes gastrintestinais, pulmonares e parasitas externos
SUBSTITUTOS NITROFENÓLICOS
Disofenol
Nitroxinil
Vermes gastrintestinais e pulmonares
DERIVADO DA AMINO-
ACETONITRILA
Monepantel
Vermes gastrintestinais

Aplicação do Vermifugo

A principal via de aplicação de vermífugos em caprinos e ovinos é a via oral ou bucal (dentro da boca). Para administrar o vermífugo na boca do animal, são utilizadas seringas comuns ou pistolas dosificadoras automáticas (Figura 5). 
Autor: Raymundo Rizaldo Pinheiro
Figura 5. Administração do vermífugo por via oral.
Atenção!
  • É importante administrar a dose recomendada pelo fabricante (bula), devendo-se para isso pesar animais.
  • Atentar para as diferenças entre caprinos e ovinos. As doses de um mesmo medicamento pode ser diferente ou não são recomendadas para ambos.
  • Tenha cuidado ao administrar medicamentos na boca do animal, pois qualquer descuido poderá levá-lo à morte.
  • Ao usar a pistola dosificadora, verifique se está funcionando bem, para evitar a aplicação de quantidades erradas.









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28 de mai. de 2018

Manejo Sanitário de Caprinos e Ovinos


Programa de manejo sanitário

Como todas as espécies animais, os caprinos e ovinos são sensíveis a várias enfermidades, por isso é preciso organizar um conjunto de ações efetivas de prevenção e controle de doenças para o rebanho.
O produtor, com a orientação de um médico veterinário, deve elaborar um programa de manejo sanitário específico para a propriedade. Esse documento deve conter as práticas realizadas no rebanho, tais como: exame individual de animais antes da compra e testes sorológicos de diagnóstico (Artrite Encefalite Caprina, Brucelose, e outros), realização de quarentena para animais introduzidos na propriedade, isolamento de animais doentes, vermifugações, medidas de limpeza e desinfecção de currais, apriscos ou chiqueiros, combate a ratos e moscas, calendário de vacinação e fichas para anotações e controle de doenças. Além disso, os funcionários devem ser treinados para realizar inspeção diária dos animais, a fim de detectar logo no início os sinais de doenças, e anotar o número do animal, tratamento, motivo e data.
Para o controle das ocorrências sanitárias, é preciso a identificação individual (brinco, colar) e o uso de fichas ou planilhas para anotações de campo. Isso facilita a avaliação, o monitoramento e o controle de indicadores simples. É, porém, de suma importância que haja o controle da taxa de natalidade, mortalidade até o desmame, do desmame aos 12 meses, e com mais de 12 meses; taxa de aborto, mastite, pododermatite, e outros motivos para o descarte involuntário de animais do rebanho. Organizando-se dessa forma, o produtor terá todas as informações técnicas necessárias para tomar decisões sobre o melhor uso dos recursos financeiros, humanos, insumos e instalações, priorizando a eficiência e rentabilidade do sistema de produção.
Figura 1. Exemplo de ficha de controle e descarte de animais com reincidência de Linfadenite Caseosa no rebanho.

Fonte: Arquivos Embrapa

Seleção de animais

No momento da compra, é muito importante a seleção de caprinos ou ovinos com saúde para prevenir a entrada e disseminação de doenças no rebanho. Primeiro, o proprietário ou técnico deve solicitar ao vendedor o histórico dos animais, verificando o calendário de vacinação do rebanho, a existência de algum tipo de doença, e em seguida deve realizar o exame individual de cada animal, apalpando-os e observando os seguintes aspectos:
  • Idade – é possível avaliar pela troca dos dentes de leite.
  • Sinal de claudicação – cascos e aprume.
  • Presença de nódulos (caroço).
  • Condição da glândula mamária (úberes e tetas).
  • Avaliar escore corporal (EC).
  • Presença de sinais de doença: diarreia, tosse, manqueira, corrimento nasal, coloração esbranquiçada da mucosa ocular, vaginal ou do prepúcio, ou outras alterações palpáveis ou visíveis.
O passo seguinte é requisitar do vendedor o atestado sanitário dos animais expedido por médico veterinário, e o resultado negativo dos testes sorológicos obrigatórios para emissão da Guia de Transito Animal (GTA) - de acordo com a legislação de defesa sanitária do estado.
Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2A. Exame individual e palpação de linfonodos 

Foto: Eduardo Luiz de Oliveira


Figura 2B. Avaliação da idade via dentição.

Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2C. Mucosa ocular normal.
Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2D. Vista da lateral e sola de casco normal.
Foto: Eduardo Luiz de Oliveira.

Figura 2E. Glândula mamária com abscesso no linfonodo.

Foto: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 2F. Úbere saudável e bem implantado.

Cuidados na produção e armazenamento de alimentos

Considerando as condições adversas de clima e ambiente do Nordeste brasileiro, os cuidados sanitários iniciam-se com o planejamento da produção, conservação e armazenagem de alimentos. Fontes alternativas para alimentação dos rebanhos em quantidade, boa qualidade e fornecimento para as diferentes categorias animais durante todos os dias do ano. Dependendo do tipo de alimento, existirá sempre uma melhor forma de conservação e armazenamento que pode ser realizada de diferentes maneiras. Geralmente, os grãos podem ser acondicionados em sacas, bombas de plástico e outros recipientes, porém nunca diretamente no piso ou chão batido. Independente do tipo de recipiente usado, os alimentos devem ser armazenados em local fechado, seco (os grãos devem estar acondicionados em sacas sobre estrados de madeira afastado das paredes para prevenir eventuais perdas por infiltração de água), com boa ventilação e feito para evitar o acesso de roedores, insetos e pássaros, possíveis veiculadores de doenças. Vale ressaltar que esse local deve permanecer sempre limpo. Por outro lado, investir na reserva de pastagem nativa, no preparo de capineira e provisão de forragens conservadas (silagem, fenação) para suplementação durante o longo período de estiagem, tudo isso antes da aquisição dos animais, é condição essencial para se dar início às atividades de produção de caprinos e ovinos de corte no semiárido brasileiro.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 3A. Alimentos armazenados em sacaria aberta.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira

Figura 3B. Bombas de plástico com tampa para armazenar feno, silagem, grãos e ração.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 3C. Silagem vedada com lona plástica coberta com terra.

Cuidados na construção e manejo das instalações

Currais, apriscos e chiqueiros são locais destinados à separação do rebanho em lotes ou grupos de produção que dependem de manejo diferenciado. Um bom exemplo é o grupo de cabras ou ovelhas gestantes que precisa ser separado para receber alimentação adequada ao crescimento fetal e bom peso da cria ao parto, ou mesmo, os lotes de cabras ou ovelhas paridas com crias ao pé, cordeiros ou cabritos desmamados, borregas ou cabritas desmamadas, cabras ou ovelhas em estação de monta, cabras ou ovelhas secas, borregas ou cabritas de recria, cordeiros ou cabritos em terminação. As construções devem atender o objetivo da exploração e o tamanho do rebanho, estando localizadas em área bem drenada e com orientação leste-oeste para evitar sol constante, correntes de vento e as chuvas predominantes da região. A capacidade de lotação adequada para curais e apriscos de chão batido é de 1,2 m² por matriz com cria ao pé, o que facilita a condução dos animais com calma e paciência, evitando agitação que favorece a ocorrência de lesões e fraturas, desencadeia estresse e o surgimento de doenças.
Autor:Antônio Cézar Cavalcante
Figura 4A. Exemplo de instalação rústicas para realização de manejo geral em rebanho caprino de corte.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 4B. Exemplo de instalação rústicas para realização de manejo geral em rebanho caprino de corte.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 4C. Exemplo de instalação rústicas para realização de manejo geral em rebanho caprino de corte.

Baia de isolamento

Local destinado a isolar animais enfermos para tratamento e observação da evolução ou cura da doença. A construção deve estar localizada próximo ao curral e a vista do tratador, para facilidade e praticidade de manejo dos animais durante todo o dia e noite. A limpeza deve ser feita com raspagem e retirada do esterco (rodo, enxada ou vassoura, pá e carrinho de mão), seguida da desinfecção com vassoura de fogo (lança-chamas) em paredes, cercas, canzil, cochos, bebedouros, saleiros e piso de cimento ou, no caso de piso de terra batida, aplicação de fina camada de cal virgem.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 5A. Exemplo de baias para o isolamento e tratamento de animais doentes.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 5B. Exemplo de baias para o isolamento e tratamento de animais doentes.

Curral para quarentena

Local destinado à permanência e observação de animais antes de serem introduzidos ao rebanho. Uma construção isolada do restante, composta por baias, com cochos, bebedouros e saleiros, local próprio para acesso ao pasto, onde os animais adquiridos permanecerão por um período de observação de aproximadamente 40 dias. Durante a permanência, deverão ser realizados exames clínicos e testes laboratoriais no intuito de detectar possíveis sinais ou alterações que indiquem a presença de enfermidade.
Autor: Eduardo Luiz de Oliviera
Figura 6A. Exemplo de curral para quarentena.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 6B. Exemplo de curral para quarentena.

Comedouros, bebedouros e saleiros

Equipamentos que permanecem do lado de fora do curral ou aprisco para evitar a contaminação com as fezes e urina dos animais e, consequentemente, prevenir doenças. Os comedouros podem ser de alvenaria ou de madeira, de fácil limpeza, que não acumulem sobras de alimento, com altura certa para cabritos, cabras ou bodes e carneiros. Os bebedouros do tipo vaso comunicante previne a contaminação da água de bebida por fezes. Os saleiros podem ser de madeira, alvenaria ou pneu com a altura correta para cada categoria animal.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7A. Comedouros em madeira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7B. Comedouros em madeira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7C. Comedor em alvenaria.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7D. Comedouro reciclado feito em caixa d`água.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7E. Meia bomba de plástico.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7F. Vaso comunicante do lado externo do aprisco.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7G. Saleiro em cano de PVC.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 7H. Reaproveitamento de pneu usado.

Centro de manejo

O centro de manejo é uma instalação composta por seringa, brete (0,80 cm de altura, 0,30 cm de largura na parte inferior e 0,60 cm de largura na parte superior) e balança. Sua finalidade é permitir a contenção do rebanho, de forma coletiva ou individual, durante os procedimentos de inspeção e palpação dos animais, vacinação, seleção, aplicação do método FAMACHA, vermifugação, pulverização, pesagem mensal, entre outros. Sua dimensão e características devem atender o objetivo da exploração, o tamanho do rebanho e os principais manejos da propriedade. A condução dos animais deve ser realizada com calma e paciência, de forma fácil e prática, assegurando a integridade física dos animais e dos funcionários.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 8A. Curral de manejo com serniga e brete.
Autor: Antônio Cézar Cavalcante
Figura 8B. Curral para manejo de caprino e ovino.

Proteção

A opção pelo plantio de árvores em linha, fileira ou em zigue-zague entre os currais e apriscos, ou em áreas de descampado ajuda a proteger de ventos frios. O uso de cortinas ao redor dos apriscos de cabras ou ovelhas com crias ao pé é importante para proteger os animais jovens do excesso de sol e vento forte. Outra opção seria a utilização de materiais da própria propriedade, como folha de carnaúba ou coqueiro, lona, bambu, sacos de plástico ou sombreamento por sombrite de nylon.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 9A. Exemplo de proteção contravento confeccionada em bambu.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 9B. Exemplo de proteção contravento confeccionada em madeira cerrada.

Pedilúvio

O pedilúvio é um tanque destinado à desinfecção dos pés dos animais, trabalhadores  visitantes e das rodas dos veículos (rodolúvio), evitando, assim, que atuem como disseminadores de doenças para os animais. Sua construção deve ser planejada logo na entrada das propriedades, currais e, principalmente, nos apriscos.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 10. Pedilúvio em alvenaria utilizando cal hidradata.

Higiene das instalações

A limpeza, desinfecção e higiene de currais, apriscos ou chiqueiros reduzem a ocorrência de doenças nos animais, ou no caso do seu aparecimento, diminui seu impacto na produção. A limpeza de currais, apriscos ou chiqueiros deve ser feita todos os dias, utilizando-se enxada ou rodo e carrinho de mão para retirar o esterco e depositar na esterqueira. A desinfecção deve ser realizada a cada três meses com vassoura de fogo em piso, paredes, cercas, canzil, cocho e bebedouros ou com aplicação de fina camada de cal virgem em piso de terra batida. Os utensílios devem ser lavados e desinfetados sempre antes e depois do uso, e os funcionários realizarem desinfecção de botas e roupas de uso na rotina.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11A. Limpeza do chão do aprisco com vassourão.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11B. Transporte de esterco para a esterqueira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11C. Desinfecção do piso de cimento utilizando lança-chamas tipo vassoura de fogo.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 11D. Desinfecção do piso de madeira utilizando lança-chamas tipo vassoura de fogo.

Esterqueira

O local destina-se ao depósito dos dejetos sólidos dos currais, apriscos ou chiqueiros. Na esterqueira, a fermentação do esterco que ocorre em torno de 60 dias, favorece a morte de larvas de vermes e produz um adubo de qualidade, seguro e de fácil aproveitamento para adubar lavouras e pastagens. A utilização do esterco direto nas pastagens acarretará contaminação das culturas por larvas de parasitos e pode causar doenças em caprinos e ovinos. A esterqueira pode ser construída de alvenaria ou madeira, basicamente de três tipos: esterqueira subterrânea, de encosta e de três celas, considerando sempre sua adequação a mão de obra disponível e uso de forma fácil, prática e racional.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 12A. Transporte de esterco e armazenamento em esterqueira de alvenaria.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro

Figura 12B. Transporte de esterco e armazenamento em esterqueira de alvenaria.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 12C. Visão da esterqueira.

Organização do ambiente de trabalho

Trata-se das condições de motivação, colaboração e cooperação dentro da propriedade rural. O pessoal do manejo deve sempre separar e organizar todos os materiais por tipo, conforme seu estado e utilidade. Organizar o que é usado com maior frequência o mais próximo possível do local de trabalho e o que for desnecessário deve ser reformado, vendido ou eliminado. Para isso, é necessário definir um lugar para cada material, facilitando o acesso. Recomenda-se a sinalização de todos os locais de forma bem visível, com etiquetas, placas, desenhos ou cores. A sinalização auxilia na conscientização dos funcionários e organização do ambiente de trabalho.

Aproveitamento de resíduos na propriedade rural

Resíduo é tudo aquilo não aproveitado durante as atividades rurais, mas que pode ter valor de mercado.
Não é uma prática correta queimar ou enterrar resíduos na propriedade. Na fazenda, deve-se criar o hábito de separar os materiais recicláveis (papel, vidro, plástico e alumínio) do lixo comum (não reciclável). O material reciclável poderá ser comercializado. Caso a coleta de lixo não chegue até a propriedade, será necessário levar o lixo até os pontos de coleta coletiva, caçambas ou tambores de lixo comum, os quais são transportados pela prefeitura até o aterro sanitário do município.
Os resíduos orgânicos da produção de ovinos ou caprinos de corte, quando corretamente manejado, podem ser reutilizados na forma de adubo orgânico. A compostagem é uma alternativa para a decomposição de folhas, palha de milho, feijão, carnaúba, girassol, maravalha grossa e sobras de forragem e ração do cocho, carcaças de animais mortos e restos de placenta. Tudo isso é transformado em adubo orgânico e pode ser aproveitado para o plantio de culturas aéreas (milho, sorgo, capim elefante), mudas de árvores e fruteiras.
Caso não haja a opção pela compostagem, as carcaças de animais mortos e os restos placentários devem ser queimados ou enterrados em local apropriado e cercado. Nunca enterrar as carcaças em baixadas ou próximo de nascentes.
Alguns materiais não devem ser descartados no aterro sanitário. Reservar um caixa resistente para descarte de agulhas e outros objetos perfurocortantes (agulhas, bisturis, lâminas). Luvas sujas, faixas, seringas e papéis utilizados em procedimentos veterinários podem ser armazenados em sacos plásticos. Esses materiais devem ser destinados à empresa responsável pelo lixo do município para serem incinerados.
Guardar medicamentos vencidos e embalagens vazias em local seguro e isolado até o descarte final. De acordo com a Lei N° 12.305, de 02 de Agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil, os frascos de medicamentos vencidos podem ser devolvidos nas lojas veterinárias onde foram comprados. 
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 13A. Armário com farmácia básica

Autor: Eduardo Luiz de Oliveira.
Figura 13B. Recipiente para acondicionamento e descarte de resíduo infectante.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 13C. Caixa para descarte de agulhas e material perfuro cortante.

Manejo do reprodutor caprino e ovino

O aprisco ou curral para bodes e carneiros reprodutores deve ser separado do rebanho. A construção deve permitir conforto térmico e abrigo da chuva, sol e vento noturno, com comedouros, saleiros e bebedouros externos para manter o fornecimento de alimentos, sal mineral completo, e água contínua, e facilidade de limpeza diária, além de um piquete para realização de exercício físico diário.
Na estação de monta, o reprodutor deve ter boa condição corporal, sem excesso de gordura. Por isso, aos 30 dias antes do acasalamento, no exame individual, o escore corporal do bode ou carneiro deve estar entre 3 e 4 pontos (ECC – escore da condição corporal – 1, 2, 3, 4 ou 5 pontos). Atenção com a alimentação para manter o ECC, pois os bodes ou carneiros chegam a perder mais de 10% do seu peso corporal durante a estação de monta. Atentar-se também ao balancear a ração, manter relação cálcio e fósforo (2:1) e uso de cloreto de amônio ou outro acidificante urinário para prevenir a formação de cálculos.
Para o controle da verminose, o produtor deve manter a aplicação do método FAMACHA durante toda a vida produtiva do reprodutor, além de realizar uma vermifugação (via oral) tática 30 dias antes da estação de monta.
Nesse momento, o produtor deve também observar a necessidade de realizar o casqueamento do animal. A prática de corte dos cascos deve ser realizada sempre no período da seca, antes do início das chuvas, evitando o amolecimento e as lesões dos cascos e, consequentemente, a manqueira e a pododermatite. Primeiramente, realiza-se a limpeza do casco com água, sabão e auxílio de uma escova (cerdas de plástico grosso), retirando toda a terra e o esterco. Isso facilita a visualização clara das partes do casco que precisam ser aparadas, evitando excessos. Com o casco limpo, avaliar e proceder ao corte das sobras de casco (sola, pinça e parede), retirando também todo o tecido necrosado. Deve-se ter cuidado ao aparar a região da sola, que é muito irrigada e sensível. Evitar cortes profundos que causem sangramento e podem ocasionar manqueira no animal. Os cascos aparados devem ser submersos em um frasco de boca larga contendo solução de sulfato de zinco a 5% por 3 minutos, sempre após o término do casqueamento de cada animal.
Na pós-monta, o técnico ou produtor dever reavaliar o EC dos reprodutores. Isso ajuda no ajuste da dieta. Pode ser necessário o fornecimento de algum concentrado para auxiliar na recuperação da condição corporal adequada para prosseguir saudável e ativo.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14A. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14B. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14C. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14E. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 14F. Exemplo de instalações para reprodutores caprinos e ovinos de corte e utensílios utilizados para armazenamento, pesagem e fornecimento de concentrado.

Descarte orientado de matrizes antes do acasalamento

Esta etapa é de preparação das cabras ou ovelhas para o acasalamento. No momento da seleção das matrizes, o produtor ou o técnico deve ter em mãos as fichas de anotações realizadas durante o último ciclo produtivo das matrizes, como exemplos, anotações da última estação de monta, do período de gestação, da última estação de parição e última desmama dos cordeiros ou cabritos de corte e das ocorrências de doenças no rebanho. O descarte orientado das matrizes inicia-se com o exame individual, verificando por palpação da glândula mamária (úbere) a presença de nódulo fibroso ou caroço que comprometa a produção de leite para a cria. Avaliar as matrizes que não acasalaram porque não apresentaram cio (sugestivo de problemas reprodutivos), ou que acasalaram, mas não pariram (sugestivo de aborto ou reabsorção embrionária), ou aquelas com parto normal, mas que não criaram os cabritos ou cordeiros (sugestivo de baixa habilidade materna e pouca produção de leite), ou ainda matrizes que criaram cabritos ou cordeiros com baixo peso a desmama (sugestivo de mastite subclínica ou crônica). Outros motivos de descarte incluem animais com reincidência de doenças contagiosas (linfadenite caseosa, mastite e pododermatite), cabras e ovelhas que receberam mais de 8 doses de vermífugo nos últimos seis meses, e outros problemas sanitários que foram anotados e que o tratamento não atende a relação custo-benefício. Feito isso, no grupo de matrizes selecionadas realiza-se a vermifugação tática 30 dias antes da estação de monta.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 15A. Úbere de ovelha normal.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 15B. Úbere de ovelha com nódulos de mastite fibrosa.

Cuidados durante a gestação

A gestação de cabras e ovelhas, para um melhor entendimento, pode ser dividida em três fases: terço inicial (0-50 dias), terço médio (50-100 dias) e terço final (100-150 dias ou o parto).
Nos dois primeiros terços, o desenvolvimento da cria é equivalente a 25% do seu peso ao nascer, enquanto no terço final esse desenvolvimento é de 75% do peso ao nascer. Além disso, a produção do colostro ocorre também nas últimas semanas da gestação. Dessa forma, a exigência nutricional da cabra ou ovelha aumenta nesse período, necessitando de um maior fornecimento de nutrientes (proteína, energia, minerais e água), em quantidade e qualidade.
No caso de ovelhas e cabras com dieta deficiente nas etapas de pré-monta e gestação, ao parto imediato observa-se natimortos, ovelhas com sinais de toxemia da prenhez e baixa produção de leite, consequentemente, fraqueza e alta mortalidade de cabritos e cordeiros. Portanto, logo após o diagnóstico de gestação, o lote de ovelhas ou cabras gestantes deve ser separado do restante do rebanho, em pasto reservado ou em confinamento, para receber alimentação que atenda as exigências do período de gestação, o que previne a toxemia da prenhez e facilita a observação diária dos animais.
No lote de cabras e ovelhas gestantes, qualquer problema sempre deve ser anotado, de preferência em ficha separada. Nesse período, o mais frequente é a ocorrência de aborto, caso em que o produtor ou funcionário deve separar o animal, anotar a data, os sinais observados na matriz, na placenta e no feto, e alguma alteração ocorrida durante o manejo, mudança de alimentação, ou manejo. (veja “Recomendações sobre procedimentos em caso esporádico ou surto de aborto”).
No pré-parto, as matrizes gestantes são muito sensíveis à infeção e disseminação de larvas de parasitos nas pastagens que são causadores da verminose. Portanto, o produtor deve realizar a vermifugação tática do lote de cabras ou ovelhas gestantes entre 4 e 3 semanas antes do parto.
Em regiões com ocorrência de raiva dos herbívoros e clostridioses, a vacinação das matrizes gestantes deve ser realizada 30 dias antes do parto.
O piquete maternidade tem por finalidade abrigar as fêmeas nos últimos 10 dias de gestação e nos primeiros cinco dias após o parto. O local deve ser preparado em uma área pequena, próxima das instalações e às vistas do tratador. Os pastos devem estar livres de plantas tóxicas, rebaixados, com área suficiente para o rebanho, sombra adequada de boa qualidade, e com cochos para sal mineral e água fresca. No período da gestação, evitar longas caminhadas, transportes rodoviários e agitação desnecessária. As matrizes devem ser introduzidas no piquete maternidade por volta dos 135 dias de gestação para aguardar o momento do parto.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 16A. Piquete maternidade para cabras e ovelhas de corte.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 16B. Piquete maternidade para cabras e ovelhas de corte.

Cuidados no parto

Por volta dos 145 a 148 dias, a gestação de cabras e ovelhas é naturalmente interrompida por ocasião do parto normal, e algumas considerações são de fundamental importância para sua boa condução e prosseguir com a lactação, boa habilidade materna e alta sobrevivência de crias ao nascimento.
No pós-parto, o produtor ou funcionário deve avaliar na matriz a expulsão completa da placenta e a condição de saúde do animal. A cria também deve apresentar boa atividade motora e interesse em buscar o teto, além de evidenciar um bom reflexo de mamada com ingestão de colostro normal.
Autor: Fernando Henrique R. M. Albuquerque
Figura 17. Comportamento das ovelhas e crias no pré e pós-parto.

Cuidados durante a lactação

A lactação é outra importante fase do ciclo produtivo de cabras e ovelhas, especialmente nas primeiras semanas de vida de cabritos e cordeiros. Geralmente, no início da lactação observa-se perda de peso nas fêmeas decorrente da elevada demanda por nutrientes, a qual está diretamente relacionada ao nível de produção de leite. A fêmea deve parir com escore de 3 a 3,5. Nessas condições, ela dispõe de reservas corporais (gordura) para mobilização, desde a produção do colostro, que ocorreu nos últimos 30 dias da gestação, até as primeiras semanas de vida dos cordeiros para produção abundante de leite.
As fêmeas que parem mais de uma cria produzem mais leite que aquelas que parem uma única cria. Todavia, esse aumento não é proporcional ao número de crias paridas, ou seja, em partos múltiplos é necessário o fornecimento de suplementação alimentar. Nesse caso, o colostro pode ser ordenhado, passado em coador de plástico com peneira fina, acondicionado em garrafas de plástico de 500 gramas, seguido do aquecido em banho-maria a 56 °C por uma hora, resfriamento em água de torneira e armazenado em freezer a uma temperatura de 10 a 20 ºC. Contudo, antes da oferta deve ser descongelado e aquecido em água morna (temperatura até 50 ºC) para não destruir as propriedades que conferem proteção aos recém-nascidos. Ao nascimento, as crias devem receber aproximadamente 10% do peso vivo em colostro, durante três vezes ao dia, pelo menos no primeiro dia de vida.
Nos primeiros dias do parto e inicio da lactação, a matriz e a cria desenvolvem forte vinculo materno e afetivo, sendo prudente mantê-los juntos e evitar qualquer perturbação ou manejo estressante que pode resultar na rejeição dos recém-nascidos. Esse comportamento, quando estabelecido, determina cuidados especiais, como maior facilidade na produção e liberação de leite, proteção física contra predadores e desafios ambientais, além de estimular a procura de alimentos, o que garante uma maior taxa de sobrevivência ao desmame.
No pós-parto e durante a lactação, as matrizes são mais sensíveis ao estabelecimento, desenvolvimento e disseminação de parasitos causadores da verminose. Portanto, o produtor deve realizar a vermifugação tática do lote de cabras ou ovelhas paridas entre a 4 e 3 semanas pós-parto, além de elaborar um programa de controle integrado da verminose com ações efetivas nesta etapa da produção.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18A. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: peneiramento do colostro.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18B. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: envaze em garrafas de plástico com tampa rosa.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18C. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado:banho maria para aquecimento do colostro em 56 ºC por uma hora.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18D. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: resfriamento em tanque com água de torneira.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18E. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: resfriamento do colostro em em freezer a temperatura de -10 ºC a -20 ºC.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18F. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: limpeza com água, sabão líquido e água sanitária.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18G. Procedimento para preparação e envase do colostro termizado: garrafas limpas e secas apra reutilização.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18H. Colostro descongelado em água morna e colocado em mamadeira comum.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 18I. Fornecimento de colostro aos cabritos e cordeiros recém-nascidos.

Cabritos e cordeiros: manejo sanitário do nascimento ao desmame

Entre as características de principal impacto na criação de caprinos e ovinos de corte, tanto produtivo quanto econômico, destaca-se a sobrevivência das crias, do nascimento à desmama.  Portanto, as práticas de manejo sanitário com cabras e ovelhas durante a gestação e com as crias após o parto são as principais responsáveis pelo aumento da sobrevivência de cabritos e cordeiros até o desmame.
Na criação extensiva de caprinos e ovinos de corte, as principais causas observadas na mortalidade das crias, desde o primeiro dia até o sexto mês de vida, são: infecções respiratórias, diarreia, infecção de umbigo e da articulação, e diminuição da temperatura corporal. Nesse tipo de criação, ocorre um aumento na taxa de mortalidade entre as crias que não mamaram o colostro, são recém-nascidos que vêm a óbito dentro de poucos dias após o nascimento. Por outro lado, quando a cria tem acesso ao colostro logo ao nascimento, há o aumento significativo nas taxas de sobrevivência e ganhos de peso a desmama.
Os cuidados sanitários e nutricionais com as matrizes no terço final da gestação poderão promover um maior peso das crias ao nascer e uma melhor qualidade do colostro, refletindo em maiores possibilidades de sobrevivência de cabritos e cordeiros, principalmente quando associado à cura do umbigo.
Logo após o parto, as cabras e as ovelhas têm o instinto de lamber a cria, o que limpa, aquece e ativa a circulação sanguínea e favorece a busca pela teta o mais cedo possível. Ao pegar a teta, a cria inicia a ingestão do colostro que, além da função nutritiva, é a primeira fonte de anticorpos (defesa) para os cabritos e cordeiros. A ingestão do colostro proporciona proteção passiva por transferência de anticorpos e vitaminas da mãe à sua cria nas primeiras semanas de vida, é a primeira defesa das crias contra as doenças. A absorção dos anticorpos ocorre no intestino delgado nas primeiras 36 horas após o nascimento. Um dos pontos fundamentais é ajudar o cordeiro a alcançar o úbere da mãe para a ingestão do colostro, garantindo uma máxima ingestão nas primeiras seis horas após o parto. Atenção maior deve ser dada em partos múltiplos, para assegurar que todas as crias tenham acesso ao colostro. Os recém-nascidos devem permanecer com as mães durante as primeiras 72 horas após o nascimento em área limpa, seca, arejada e que apresente sombra e água fresca.
Associado aos cuidados nutricionais e sanitários, produtores e técnicos devem realizar as anotações zootécnicas do animal desde o nascimento. Logo após o parto, deve-se aguardar a cabra ou ovelha lamber e limpar a cria, o que permite o vinculo mãe e cria e evita a rejeição. Os procedimentos seguintes incluem: a pesagem e identificação numérica da cria (brinco, colar com placa ou tatuagem), seguido do corte e cura do umbigo. 
O primeiro passo é desinfetar a tesoura na chama do flambador, seguido do corte do umbigo a uma distância de 2 a 3 cm da pele da região ventral da cria. A desinfecção do coto umbilical é realizada por imersão em solução de iodo 10%, com o auxilio do frasco de boca estreita. Essa imersão deve ser feita durante os 3 primeiros dias após o parto.
Nas primeiras semanas de vida, dois aspectos são de fundamental importância para a sobrevivência e bom desempenho das crias: capacidade de produção de leite e a habilidade materna das matrizes, ou seja, os cuidados e proteção dispensados às crias pela mãe.
Nesse período, as crias seguirão o manejo específico do sistema de produção, seguindo as mães para o pasto, ou permanecendo separados das mães mamando duas vezes ao dia até a idade de desmama. Em cabras e ovelhas de corte, a produção de leite aumenta após o nascimento até a terceira semana, com queda acentuada a partir da sexta semana. Nesse período, logo quando as crias estão aumentando o consumo de forragem, a pastagem normalmente encontra-se altamente contaminada por larvas infectantes de vermes, em função do aumento na produção e liberação dos ovos de parasitos nas fezes das mães no pré e pós-parto. Esse fato desencadeia a alta infeção de cabritos e cordeiros com diminuição do ganho de peso e, na maioria das vezes, pico da mortalidade. Nessa situação, a utilização racional de concentrado (1% do peso/vivo) é uma alternativa para ofertar uma fonte de proteína que ajuda na manutenção de uma resposta imune, forte e protetora, diminuindo a severidade dos quadros de verminose na fase de cria. Portanto, é necessário que o produtor elabore um programa de controle integrado da verminose, contemplando soluções tecnológicas para cordeiros e cabritos criados a campo, iniciando aos 30 dias após sua liberação para a pastagem.
A coccidiose ou eimeriose é outra enfermidade muito comum em cabritos e cordeiros na fase de cria. A doença pode se manifestar de forma silenciosa, ocasionando animais com pelo grosso, abdômen dilatado, baixo escore corporal, com ou sem sinais de diarreia, porém com baixa conversão alimentar e, consequentemente, baixo desempenho produtivo. A prevenção contra coccídeos tem início logo na segunda semana após o nascimento, utilizando ração e sal mineral completo acrescido de monensina. Nos currais ou apriscos onde os cabritos e cordeiros são recolhidos durante a noite, a limpeza deve ser feita todos os dias (varrer e retirar as fezes, evitando o uso de água) e a desinfecção com uso de vassoura de fogo (lança-chamas) no mínimo a cada 7 dias.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19A. Kit corte e cura do umbigo para cordeiros e cabritos recém-nascidos.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19B. Caixa plástica com tampa, vidro de boca estreita e solução de iodo a 10%, tesoura, álcool 70% e um flambador simples.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19C. Corte do coto umbilical com tesoura desinfectada em flambador.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 19D. Desinfecção do coto umbilical com solução de iodo a 10%.

Cuidados sanitários na fase de recria e terminação

A recria de cabritos e cordeiros de corte inicia-se com a desmama, momento em que as crias passam a depender apenas da ingestão de alimentos sólidos (forragem e ração). Nesse aspecto, para minimizar o estresse alimentar, ainda durante o aleitamento, pode-se iniciar uma suplementação concentrada para estimular o desenvolvimento do rúmen, aumentando a capacidade de ingestão de alimentos sólidos, reduzindo o estresse na desmama, e evitando também a ocorrência de doenças típicas do início da fase de recria.
A desmama também é o momento em que cordeiros e cabritos devem ser vacinados contra clostridioses, com dose de reforço aos 30 dias.
Na recria e terminação em regime de pastagem, a verminose é o principal desafio sanitário enfrentado pelos produtores de cabritos e cordeiros de corte. Os animais jovens apresentam baixa resistência, adquirindo alta carga parasitária e, na maioria das vezes, desenvolvendo a doença de forma severa, com baixo ganho de peso, retardo no crescimento, anemia intensa e, em alguns casos, alta mortalidade. Nesse tipo de situação, a falta de observação e cuidados com a verminose, geralmente predispõe à associação de outras doenças como a broncopneumonia. Portanto, é necessário que o produtor elabore um programa de controle integrado da verminose contemplando soluções tecnológicas para cordeiros e cabritos recriados ou terminados a campo, conforme explicado no tópico controle da verminose.
Os principais distúrbios metabólicos em cabritos e cordeiros em confinamento são o timpanismo e os cálculos renais. O timpanismo espumoso ou empanzinamento é muito frequente em regime de alimentação que utiliza alto consumo de concentrados (ração). Nesse caso, uma das formas de prevenção é adicionar bicarbonato de sódio (tamponante) nas rações.
Cálculo renal é a formação de urólitos (pedras) que obstruem o trato urinário (canal da urina) e, consequentemente, causam retenção da urina, podendo evoluir para ruptura da uretra ou da bexiga. Os cálculos renais ocorrem devido à relação inadequada de cálcio e fósforo (Ca:P) na dieta, além da baixa ingestão de água pelos animais. O produtor deve agir de forma preventiva, procurando manter o equilíbrio de cálcio e fósforo de modo que a ração apresente uma relação mínima de 2:1. O estímulo à ingestão de água pode ser realizado através do aumento da concentração de cloreto de sódio na dieta. A administração de cloreto de amônio ou outro acidificante urinário é prática satisfatória para evitar a formação de cálculos.

Vacinas

As vacinas são produtos biológicos que, ao serem introduzidas no corpo do animal, induzem uma reação do sistema imunológico (sistema de defesa), semelhante a que ocorreria no caso de uma infecção por um determinado agente (microrganismo), tornando esse animal imune (protegido) a esse agente e às doenças por ele desencadeadas.
Em cabritos e cordeiros, muitas doenças são prevenidas pela transferência de anticorpos pelo colostro, uma vez que não há passagem de anticorpos pela placenta. Nesse sentido, a vacinação das matrizes (cabras e ovelhas) protege as crias nas primeiras semanas de vida, pelo fornecimento de colostro rico em anticorpos, produzido a partir da vacinação, por exemplo, no terço final de gestação.
Formulação da vacina: existem inúmeros laboratórios que produzem vacinas para ovinos e caprinos no Brasil e no mundo. Diferentes tecnologias são empregadas, originando, condequentemente, produtos com características diferentes entre si, mas com a mesma finalidade de proteção.
Validade: atenção à data de validade que consta no rótulo; não aplique vacinas vencidas. Atenção ao rótulo do frasco da vacina, a partida, fabricação e data de validade.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20A. Rótulo da vacina com partida, data de fabricação e vencimento..
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20B. Rótulo da vacina com partida, data de fabricação e vencimento.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20C. Modo de usar, dose e esqeuma de vacinação.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 20D. Modo de uso e esquema de vacinação.

Manejo da vacinação

Conservação da vacina: mantenha as vacinas bem armazenadas, siga sempre a orientação do fabricante.
Aplicação adequada da vacina: siga sempre os procedimentos descritos no rótulo das vacinas.
Dose de reforço: quase todas as vacinas para caprinos e ovinos, para expressarem seu efeito máximo, precisam de uma dose de reforço quando o animal a recebe pela primeira vez em sua vida, seguida de doses complementares semestrais ou anuais conforme orientação do fabricante.
Atenção: Para alcançar uma boa resposta do sistema de defesa, vacinar apenas animais em perfeita condição de saúde e nutrição.
Cuidados com a vacinação: vacinas são produtos bastante sensíveis, principalmente em relação à temperatura em que devem ser mantidas.
Tenha cuidado: no momento da compra, certifique-se de que as vacinas estão bem armazenadas e que o cuidado será mantido durante o transporte e na fazenda, até o momento de sua aplicação. Devem ser protegidas do sol e mantidas em ambiente resfriado, de 2 ºC a 8 ºC. Além disso, é importante verificar a validade das vacinas, descartando, de forma segura, para o meio ambiente (incinerar) as que estiverem vencidas. Tenha cuidado também para a vacina não congelar. Isso pode causar nódulos no local da aplicação, além de falta de eficácia.

Preparação dos Equipamentos

Ao utilizar seringas (3 a 5 ml) e agulhas hipodérmicas descartáveis (25 x 8 G), o proprietário facilita a aplicação na pele macia de caprinos e ovinos, sem trauma, e com o uso de uma agulha por animal e seu descarte imediato, evita a disseminação de doenças no rebanho.
Tipos de seringas e agulhas descastáveis.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 21. Tipos de seringas e agulhas descartáveis.
Preparação de caixa térmica, gelo reciclável, para transporte de vacinas ao campo.
Autor: Eduardo Luiz de Oliveira
Figura 22. Armazenamento das vacinas em caixa térmica com gelo reciclado durante o transporte e utilização a campo.
Aplicação de vacina via subcutânea com agulha (25 x 8G) e seringa (3 ml) descartável.
Autor: Raimundo Ryzaldo Pinheiro
Figura 23. Aplicação de vacina via subcutânea com agulha (25x8G) e seringa (3ml) descartável.

Calendário de vacinação do rebanho

O programa de manejo sanitário para rebanhos caprinos e ovinos deve conter um calendário de vacinação que permita o controle eficiente de muitas enfermidades.
O calendário de vacinação do rebanho é específico da propriedade e deve atender ao estado fisiológico dos animais, a legislação vigente e a ocorrência de doenças na região.
As vacinas contra Raiva dos animais domésticos e Clostridioses são recomendadas nas regiões de ocorrência das doenças, além de ser obrigatória sua constatação no atestado sanitário animal (expedido por médico veterinário) para retirada da Guia de Transito Animal (GTA), segundo normativa da agência de defesa sanitária animal do Estado.  
Vacina antirrábica: a vacina deverá ser utilizada em áreas onde ocorre a doença e onde for confirmada a presença de morcegos hematófagos.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 30 dias antes do parto.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães vacinadas: vacinação aos quatro meses, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães não vacinadas: vacinação aos 30 dias de idade, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
Vacina polivalente para combater clostridioses: manter a vacinação frequente nas criações de caprinos e ovinos, assim como em situações de feira, leilões ou exposições de animais.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 30 dias antes do parto.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães vacinadas: vacinação aos quatro meses, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães não vacinadas: vacinação aos 30 dias de idade, repetir a dose com 30 dias, e anualmente.
Por outro lado, o produtor deve avaliar se as taxas de ocorrência do Tétano, Ectima Contagioso, Pododermatite Contagiosa e Linfadenite Caseosa justificam a relação custo-benefício de utilizar o esquema de vacinação contra estas doenças.
Vacina contra Tétano: a doença está associada às castrações, corte de cauda, recém-nascidos, e feridas em geral.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 30 dias antes do parto é importante para prevenção do tétano neonatal em cabritos cordeiros.
  • Cabritos e cordeiros de mães não vacinadas: vacinação aos 2 meses de idade, revacinação anual.
Vacina contra Ectima Contagioso: vacinação de caprinos e ovinos somente quando ocorrer surtos da doença na propriedade. A vacina é aplicada por escarificação (raspado produndo) da pele na face interna da coxa.
  • Vacinar imediatamente todos os animais com idade superior a seis semanas, seguindo as orientações do rótulo da vacina, mantendo cuidado na manipulação pelo risco de infecção humana.
Vacina contra Pododermatite contagiosa: a vacina deve ser utilizada em rebanhos com diagnóstico clínico e laboratorial para pododermatite contagiosa. A vacina protege o rebanho por 4 a 12 semanas. Em função dos diferentes sorotipos de Dichelobacter nodosus e Fusobacterium necrophorum, alguns animais vacinados poderão adoecer, porém a doença terá evolução curta, afetando poucos animais e as lesões serão menos severas.
  • Vacinar caprinos e ovinos antes da estação chuvosa (período de maior ocorrência da doença), com reforço 30 dias após a primeira aplicação.
Vacina contra Linfadenite caseosa: A vacina não garante proteção total contra a formação de abscessos, mas há redução do número de lesões. Para os caprinos a resposta é menos efetiva.
  • Cabras e ovelhas gestantes: vacinação 3 semanas antes do parto;
  • Cabritos e cordeiros filhos de mães não vacinadas: vacinação aos 2 meses de idade,  dose de reforço com 30 dias, e anualmente.







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