30 de jul de 2015

Doenças dos Bezerros Bubalinos

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Introdução


Os maiores índices de morbidade e mortalidade dos bubalinos ocorrem nos primeiros meses de vida. Em rebanhos leiteiros, aproximadamente 70% das mortes são de animais lactentes. Isto porque os neonatos, totalmente desprovidos de resistência orgânica, ao enfrentarem as hostilidades do meio ambiente, tornam-se alvos fáceis dos agentes patogênicos. A manutenção de elevados índices de imunoglobulinas, logo após o nascimento, através da ingestão do colostro, é um dos principais pré-requisitos para a reversão desse quadro. 

As doenças mais freqüentes entre os bezerros búfalos, desde o nascimento até os seis meses de vida, são descritas a seguir:


Colibacilose


Etiologia:
Popularmente conhecida como curso-branco, a colibacilose é causada pela bactéria Escherichia coli. São microorganismos em forma de bastonetes, que habitam o intestino dos animais. O principal grupo responsável pela colibacilose em bubalinos é o constituído pela E. coli enterotoxigênica (ETEC).
Sintomatologia:

O principal sintoma é a diarréia amarelo-pálida ou esverdeada, que resulta em uma desidratação progressiva, acidose e morte. Freqüentemente a diarréia é aquosa profusa, fétida e amarelada, podendo apresentar-se espumosa e com manchas de sangue. 

A colibacilose é uma das doenças responsáveis pelo maior número de mortes entre os bezerros búfalos. Dotado de alta patogenicidade, que leva o animal à morte, dentro de 18 a 24 horas. O prognóstico geralmente é grave, visto que a mortalidade é de 80~90% dos animais doentes. 
Epidemiologia:


Os neonatos podem adquirir a E. coli no período pré-natal, através do canal do parto, ou pós-natal, por via digestiva (fezes dos animais infectados). Os colibacilos geralmente habitam o intestino grosso dos animais. Quando favorecidos por fatores estressantes que diminuem a resistência como: prematuridade, deficiência na ingestão do colostro, estresse calórico, superpopulação nos bezerreiros, condições não-higiênicas; multiplicam-se e provocam a doença. 

A maior incidência em regiões subtropicais ocorre nos meses de inverno, enquanto que em regiões tropicais úmidos é durante os meses mais secos e quentes do ano.

Tratamento:

Produtos à base de sulfato de neomicina ou oxitetraciclina (11mg/kg), por via oral ou injetável, são recomendados, embora sejam de pouco valor terapêutico. Na terapêutica deve-se objetivar principalmente a restauração do estado sistêmico do doente, através da fluidoterapia. Para isso, pode-se administrar sol. Fisiológica glicosada a 15%, na dose de meio litro, via subcutânea, ou um litro, via endovenosa. 

A redução do grau de exposição dos bezerros aos agentes patogênicos através da higiene ambiental e do tratamento do cordão umbilical também deve ser considerada. A ingestão do colostro em quantidades que contenham níveis elevados de imunoglobulinas, o mais cedo possível, após o nascimento, constitui uma das melhores medidas preventivas. O isolamento dos animais doentes e sadios também é de fundamental importância no controle da enfermidade.


Eimeriose


Etiologia:
A eimeriose, também conhecida como coccidiose, é uma doença causada por protozoários do gênero Eimeiria, parasitos intracelulares do epitélio intestinal. As espécies mais prevalentes são E. zuernii, E. auburnensis, E. ellipsoidalis e E. subspherica.
Sintomatologia:
Nos bubalinos, essa doença geralmente é assintomática, podendo manifestar-se através de alterações intestinais, seguidas de diarréia profusa contendo muco e sangue, desidratação, pêlos arrepiados, baixa conversão alimentar, anemia, debilidade e perda de peso.
Epidemiologia:

Após a infecção, ocorre uma imunidade específica para cada espécie de coccidio. Por essa razão, os animais jovens expostos aos coccídios pela primeira vez são muito mais susceptíveis a uma infecção aguda e doença clínica do que os animais adultos. 

O principal fator de disseminação da coccidiose é a persistente contaminação ambiental, sendo o nível de infecção diretamente proporcional ao de contaminação. A principal fonte de infecção são as fezes dos animais doentes. Os animais infectam-se através de estruturas denominadas oocistos esporulados. Nas regiões de clima subtropical, a maior incidência de oocistos esporulados ocorre nos meses de inverno; e nas regiões de clima tropical úmido isso acontece na época de menor pluviosidade (janeiro a junho).

Tratamento e controle:
No tratamento curativo, são bastante eficientes os medicamentos à base de sulfametazina (140 mg/kg) e amprólio (10mg/kg) durante cinco dias, via oral. A nitrofurazona (15 mg/kg) diariamente, durante sete dias, também oferece resultado satisfatório. Esses produtos podem ser usados, preventivamente, na água ou ração , nos lugares onde os riscos de infecção são elevados. As estratégias preventivas devem ser sempre direcionadas para o decréscimo de oocistos no meio ambiente, sendo práticas indispensáveis o controle de superpopulação de animais, a separação dos animais jovens dos adultos e a limpeza e desinfecção das instalações com creosol a 5%.

Encefalomielite esporádica


Etiologia:
Sabe-se, atualmente, que a encefalomielite esporádica é causada por bactéria do gênero Chlamydia (C. pecoris). Apesar de essa doença ocorrer em animais de qualquer idade, foi considerada própria de bezerros porque, em bubalinos, sua maior prevalência é em animais com menos de seis meses de idade. No Brasil, não foi diagnosticado nenhum caso em animais adultos.
Sintomatologia:
Os sintomas dessa enfermidade, quase sempre de curso agudo, iniciam-se pela diminuição do apetite, depressão e rigidez. Evoluem com parada dos movimentos do rúmen, contrações espasmódicas, queda em decúbito, rigidez do pescoço, salivação , corrimento nasal, respiração acelerada, opistótonos e desaparecimento dos reflexos pupilares. Posteriormente, sobrevêm paralisia flácida dos membros posteriores e morte dentro de seis a dez dias, após o aparecimento dos primeiros sintomas.
Epidemiologia:
No Brasil, ocorre preferencialmente na Região Norte, mais especificamente na ilha de Marajó. Incide mais intensamente durante a estação mais chuvosa do ano, sendo os animais com idade entre três a seis meses as principais vítimas, sempre de forma isolada e com baixa freqüência. As fezes, urina e secreção nasal é que são infectantes.
Tratamento e controle:
O tratamento quimioterápico à base de oxitetraciclina (14mg/kg), via intravenosa e, posteriormente (5mg/kg), por via intramuscular, a cada doze horas, mostra-se eficaz quando efetuado nos estádios iniciais da doença, antes de haver lesões dos tecidos cerebrais. Não se conhecem medidas de controle efetivas para a prevenção da encefalomielite. A higiene e a alimentação correta dos animais são de fundamental importância na prevenção da doença.

Enterite neonatal vírica


Etiologia:
Vários são os agentes virais entéricos citados como causadores de enterite neonatal em ruminante, entretanto, apenas o rotavírjus e o coranavírus possuem importância comprovada.
Sintomatologia:
De maneira geral, essas viroses evoluem com diarréia fluida amarelada, às vezes com muco e coágulos de leite, salivação densa e relutância em mamar. Devido à semelhança da sintomatologia clínica causada pelos patógenos entéricos, o diagnóstico definitivo dos mesmos deve ser estabelecido através de exames laboratoriais. As fezes dos animais enfermos são o material de eleição para ser enviado ao laboratório, para diagnóstico dessas infecções.
Epidemiologia:

Animais com até duas semanas de vida são os mais atingidos. A principal fonte de infecção reside nos animais doentes que eliminam vírus pelas fezes. 

Bezerros búfalos muito jovens não têm tendência de serem afetados por esses vírus, porque geralmente as vacas secretam anticorpos pelo colostro até 72 horas após o parto. A contaminação por essas viroses ocorre por ingestão de material fecal contaminado.

Tratamento e controle:
Não há tratmento efetivo para essas viroses, nem vacinas preventivas. O único modo de controle é através da separação dos animais enfermos, higiene ambiental e a ingestão do colostro pelos recém-nascidos.

Estrongiloidose

Etiologia:
A estrongiloidose é causada por nematódeos do gênero Strongyloides ( S. papillosus). Trata-se de um parasito que mede de três a seis milímetros de comprimento e que se localiza no intestino delgado dos animais jovens. Usualmente são ovíparas.
Sintomatologia:
As larvas, ao provocarem danos no epitélio intestinal, podem causar diarréia intermitente. Nas altas infestações é comum ocorrer sintomas respiratórios, devido à migração de larvas pelo pulmão. Quando a infestação é modesta, o parasitismo é assintomático.
Epidemiologia:

Estudos realizados no Brasil, mais especificamente na Amazônia , revelam que esses helmintos assumem importância patológica somente quando em altas infestações. A simples presença de ovos do parasita nas fezes dos bezerros não significa estado patológico. 

Acredita-se que a via transmamária seja uma das principais responsáveis pela precocidade da infestação. 
Búfalos com mais de seis meses de idade mostram total resistência a este tipo de parasitismo. As larvas infectantes, apesar de muito ativas, são pouco resistentes às condições do meio ambiente, sobrevivendo, entretanto, com facilidade em ambientes quentes e úmidos. Os ovos do helminto, após serem expulsos jntamente com as fezes do animal parasitado, dão origem às larvas infectantes.

Tratamento e controle:
Como regra geral, não se recomenda o tratamento dos animais parasitados por esse helminto, uma vez que curam-se espontanamente. O esquema de tratamento profilático obrigatório, assim como os anti-helmínticos utilizados no controle da neoascaridiose são suficientes para o controle dessa parasitose. A higiene do meio ambiente é fundamental no esquema profilático.

Monieziose


Etiologia:
A monieziose é uma parasitose causada por cestódeos do gênero Moniezia ( M. Bendeni) parasitos em forma de fita, que medem cerca de 3 a 6m de comprimento e 2,5cm de largura. Localizam-se no intestino delgado de animais jovens.
Sintomatologia:
A ação patogênica desses parasitos é questionada. Nos búfalos, geralmente esta parasitose evolui sem sintomas aparentes, nem provoca prejuízos econômicos. Nos casos de altas infestações, porém, podem ocorrer transtornos digestivos, ventre abaulado, timpanismo, tenesmo ou diarréia, e até podendo obstruir a luz intestinal.
Epidemiologia:
São necessarias infestações maciças para causarem doença clínica. Os animais infestados, entretanto, tendem a mostrar-se mais predisponentes a outras patogenias, especialmente as helmintoses gastrintestinais. Os proglotes (�govos�h) eliminados nas fezes dos hospedeiros são ingeridos por ácaros, encontrados especialmente em áreas úmidas, e são ingeridos com capim pelo búfalo. Os proglotes transformam-se em cisticercos infecciosos no ácaro e formam-se novos parasitos no intestino delgado do búfalo.
Tratamento e controle:
No tratamento preventivo indica-se a administração de produtos à base de diclorofenol (20 mg/kg), niclosamide (80 mg/kg), cambendazole (25 mg/kg) e mebendazole (10 mg/kg), quatro a cinco semanas após o início do pastejo dos animais em áreas infestadas. Como medidas profiláticas, aconselha-se a rotação de pastagens e exames periódicos nos animais jovens.

Neoascaridiose

Etiologia:
A neoascaridiose é causada pelo Neoascaris ritulorum, helminto que se localiza no intestino delgado dos animais jovens. Seus ovos são subesféricos de casca espessa e finamente granulosa.
Sintomatologia:
Os animais, quando parasitados pelo N. vitulorum, apresentam-se debilitados, apáticos, sem apetite, com ventre flácido e pêlos ásperos e sem brilho. Nas altas infestações podem ocorrer diarréia fétida (odor butírico) e escura e morte do hospedeiro dentro de poucos dias, em conseqüencia das perfurações e obstruções intestinais ocasionadas pelos vermes adultos. O índice de mortalidade entre os animais infestados varia entre 30% a 50%.
Epidemiologia:

O N. vitulorum é citado no Brasil como o principal agente parasitário causador de morte entre os bubalinos jovens. A presença desse helminto pode ser observada através de seus ovos, nas fezes de animais com idade em torno de 14 dias. Há um aumento no número de ovos até a idade de 30 dias, e após esta idade o número diminui bruscamente até tornar-se nulo aos 120 dias aproximadamente. 

Há afirmações que a presença precoce de ovos de N. vitulorum nas fezes de bezerros búfalos ocorre em conseqüência da infecção transplacentária ou transmamária. A queda brusca de ovopostura pelo N. vitulorum, após o primeiro mês de vida dos bezerros, está intimamtente relacionada com o desenvolvimento das funções do rúmendos hospedeiros, e também, o gradativo aumento da resposta imunitária dos bezerros. 
Em condições naturais, os bubalinos são mais susceptíveis ao N. vitulorum que os bovinos.

Tratamento e controle:
Como a biolofia parasitária do N. vitulorum independe das condições do meio ambiente, o esquema de tratamento profilático desse parasita pode ser o mesmo para todo o território brasileiro. Deve ser efetuado aos 15, 30, 60 e 180 dias de vida dos bezerros, utilizando-se vermífugos de largo espectro, preferencialmente por via oral. Produtos à base de mebendazole (8,8 mg/kg), oxibendazole (10 mg/kg), fembendazole (10 mg/kg) e tiabendazole (44 mg/kg) mostram-se bastante eficazes contra essa parasitose. Como medidas preventivas, deve-se separar os animais por faixa etária, adotar medidas higiênicas nos bezerreiros e estábulos e proceder periodicamente exames de fezes dos animais lactentes do rebanho.

Salmonelose


Etiologia: 

A salmonelose, popularmente conhecida como o curso-preto e paratifo, é causada por enterobactérias do gênero Salmonella. Dentre os diversos sorotipos existentes nos búfalos o mais encontrado é o S. dublin.

Sintomatologia:
A salmonelose evolui geralmente com diarréia pastosa acinzentada, bastante fétida e, às vezes, com estrias de sangue. Dores abdominais, apatia, perda de apetite, fraqueza, respiração acelerada, temperatura elevada e tumefações nas articulações também são sintomas observados. A salmonelose pode ser confundida com a colibacilose, entretanto, esta última afeta animais na primeira semana de vida, enquanto a outra ocorre em animais de maior idade. Na salmonelose, a diarréia geralmente é escura e mucosa e, na colibacilose, é clara e aquosa.
Epidemiologia:

A maneira de transmissão é sempre fecal/oral. Os animais doentes, ou com a doença subclínica, excretam os microorganismos em grande número, através das fezes, urina ou leite contaminando o meio ambiente e alimentos. 

A água estagnada funciona como fonte significativa de infecção, e esses locais podem permanecer contaminados por longos períodos. A doença tende a mostrar incidência estacional distinta, ocorrendo nas regiões de clima subtropical, geralmente no início do inverno e, nas regiões de clima tropical úmido, noperíodo menos chuvoso do ano. Costuma ocorrer com maior freüência nos animais mal-alimentados, nos intensamente parasitados e naqueles que permanecem concentrados em áreas alagadas, por períodos prolongados.

Tratamento e controle:
O tratamento considste, primeiramente, em eliminar a desidratação do animal, utilizando-se sol. Fisiológica glicosada a 15%, via subcutânea (500ml) ou endovenosa (1000ml). Como quimioterápicos, deve-se preferir produtos à base de trimetropim-sulfadoxine (1ml/10kg), cloranfenicol (22 mg/kg) ou ampicilina (25 mg/kg), durante 3 a 4 dias. Como medida preventiva, recomenda-se proceder a vacinação da vaca prenhe, no oitavo ou nono mês de gestação, a qual eliminará os anticorpos pelo colostro, que irão proteger o bezerro. As medidas higiências devem ser rigorosamente observadas.

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