8 de out. de 2015

Manejo Produtivo Das Cabras Leiteiras



Para o bom funcionamento de um sistema de produção uma série de medidas de manejo geral devem fazer parte das atividades de rotina da propriedade rural. Neste capítulo estão abordadas as principais práticas gerais de manejo necessárias para a produção de caprinos e ovinos de corte.

Escrituração Zootécnica

A escrituração zootécnica consiste no conjunto de práticas relacionadas às anotações da propriedade rural que possui atividade de exploração animal. É o mecanismo de descrição formal de toda a estrutura da propriedade: localização; acesso; área; relevo; clima; divisões; áreas de pastagens; benfeitorias; máquinas e equipamentos; funcionários; rebanhos; práticas de manejo geral e alimentar, sanitário e reprodutivo; produtos e comercialização; anotações contábeis etc.
Em um sentido restrito, escrituração zootécnica consiste nas anotações de controle do rebanho, com fichas individuais por animal, registrando-se sua genealogia, ocorrências e desempenho. Nestas anotações são registradas as datas, a condição e a extensão de importantes ocorrências como nascimento; coberturas; partos; enfermidades; morte; descarte etc. além dos registros de desempenho produtivo como pesagens, entre outras importantes mensurações, tais como as medidas morfométricas (altura, comprimento, circunferência escrotal e condição corporal e medidas de tipo e conformação). Sua importância encontra-se no fato de manter-se sob controle tudo o que ocorre na propriedade, e assim tomar decisões mais acertadas, corrigindo erros que porventura venham a ocorrer. Quanto maior o detalhe das anotações maior será o benefício que poderá ser extraído destas informações.
A escrituração zootécnica pode ser feita de maneira manual ou informatizada. Na escrituração manual, o produtor utiliza fichas individuais para o registro do desempenho de cada animal e fichas coletivas para o controle das práticas de manejo, tais como coberturas, partos etc. Estas fichas são armazenadas em arquivos físicos na propriedade.
Na escrituração informatizada, as fichas estão contidas em programas específicos de computador. Os benefícios da escrituração informatizada são grandes, pois afora permitir maior controle, detalhe e integração da informação, favorece a disponibilização fácil e rápida para o usuário. Entretanto, na sua impossibilidade, a escrituração manual pode muito bem atender aos objetivos propostos, desde que tomada de forma prática e eficiente. O mercado disponibiliza diversos programas de gerenciamento de propriedade. Esses softwares apresentam várias formas de entrada de dados, controle e níveis de utilização da informação.
GENECOC é um programa desenvolvido pela Embrapa Caprinos que auxilia o produtor na tomada de decisão, através de um controle informatizado da escrituração zootécnica do rebanho.

Descarte Orientado

O percentual anual de descarte deve variar entre 15 a 20%/ano. Devem ser descartados os animais velhos, portadores de taras (defeitos) genéticos, animais improdutivos, defeituosos, fêmeas portadoras de mastite crônica, fêmeas com baixa habilidade materna, fêmeas com baixa taxa de sobrevivência das crias.

Manejo Geral das Matrizes

Deve-se anotar a data da cobertura e data possível do parto das fêmeas cobertas. Após a cobertura observar o retorno ou não do cio pela matriz. No terço final da prenhez separar as matrizes em piquetes maternidades e melhorar sua alimentação conforme recomendação no capítulo de manejo alimentar.
As matrizes devem ser mantidas em lotes homogêneos e o local onde o parto deverá ocorrer deve ser tranqüilo e higienizado. Deve-se evitar a presença de outros animais (gato, cachorro e ratos) no local do parto.
Após o parto a matriz deve fazer o reconhecimento da cria e o tratador deve observar se a mesma expulsou a placenta.

Ordenha

Para a obtenção do leite isento de odor desagradável, com boas condições de higiene e isento de bactérias, deve-se seguir as seguintes recomendações:
Preparo para a Ordenha:
- o ordenhador deve estar com unhas aparadas, roupa limpa, mãos e antebraços lavados com água e sabão neutro e não ser portador de doenças infecto-contagiosas;
- a sala ou o local reservado para ordenhar as cabras deve ser distante das instalações dos reprodutores (150 m) e higienizadas rigorosamente;
- os baldes e botijões utilizados durante a ordenha e no acondicionamento do leite devem estar bem limpos;
- não ordenhar as cabras doentes, em cio ou recém-paridas (período colostral);
- ordenhar as cabras diariamente pela manhã e à tarde, em um mesmo horário e sempre o mesmo ordenhador.
Início da ordenha:
- lavar o úbere e as tetas da cabra com água e sabão neutro e enxugá-los com papel toalha ou uma toalha de tecido, sendo que este material só deve ser usado em uma cabra e descartado para evitar contaminação.
- coletar os primeiros jatos, 50 ml de leite das duas tetas, em uma caneca de fundo escuro, para diagnosticar a mamite subclínica.
Final da Ordenha:
- para evitar a penetração no úbere, de bactérias causadoras de mastite. Deve-se ao final da ordenha imergir as tetas em um recipiente com glicerina iodada;
- filtrar o leite em uma tela milimétrica, ou em um tecido filtrante próprio para eliminar as sujeiras capazes de favorecer o desenvolvimento das bactérias;
- se as cabras forem ordenhadas no aprisco, retirar o leite deste local, imediatamente, para evitar absorção de odores desagradáveis e contaminação;
- não fornecer, para o consumo humano, leite de cabras que receberam tratamentos com vermífugos ou antibióticos num período de 48 horas antes da ordenha;
- pasteurizar o leite para destruir totalmente a flora microbiana patogênica;
- higienizar o local e o material utilizado durante a ordenha.

Manejo Geral das Crias

É muito importante o manejo da cria para a eficiência do sistema. A mortalidade das crias deve ser evitada através de medidas de manejo.
Logo após o nascimento a cria deve mamar o colostro, que é o primeiro leite. O colostro é rico em proteínas e anticorpos, que irão proteger a cria de doenças. O colostro deve ser ingerido nas primeiras 48 horas de vida da cria.
Deve-se, proceder também, logo após o parto, o corte e cura do umbigo. O umbigo deve ser cortado, deixando-o com um tamanho de três a quatro centímetros. O coto umbilical deve ser em seguida mergulhado em um frasco, com boca larga, contendo iodo a 10%.
Faz parte dos cuidados com a cria, a pesagem da mesma ao nascer, anotar junto com esse dado o dia do nascimento, o número da mãe e o número do pai. A partir daí é importante o acompanhamento periódico através de pesagens mensais, do desempenho das crias.
Exame de fezes e vermifugação periódica conforme orientação do manejo sanitário descrito nesta publicação.
Além destas práticas, existem outras que são bastante importantes no sistema de produção.


Aleitamento

Na exploração de cabras leiteiras é prática obrigatória a separação sumária das crias do convívio com a mãe. Tal prática pode ser realizada logo após o nascimento ou às 24 horas, às 48 horas ou 72 horas de idade. A partir desta idade, o lactante receberá leite artificialmente através de mamadeiras coletivas ou calhas em quantidade suficiente para atender os seus requerimentos nutricionais. A partir do décimo dia de vida, deve ser fornecido a estes animais, além do leite, forragem verde e uma ração balanceada protéica e energética, de modo a não retardar o seu crescimento. No aleitamento artificial pode ser usado leite de cabra ou sucedâneos como o leite de vaca. Em alguns casos, quando o cabrito estiver com idade superior a 30 dias, pode ser usado como sucedâneo o leite de soja.
A quantidade a ser oferecida continua sendo um assunto muito polêmico. Dependendo da faixa etária alguns autores recomendam 1 a 2 Kg de leite por cabrito por dia. Outros recomendam quantidade de leite diária em relação ao peso vivo do animal, e sugerem fornecer uma quantidade de 10% a 25% do peso vivo do animal. Em geral, recomenda-se o fornecimento em torno de 16% a 20% do peso vivo do animal, com reajuste semanal até os 49 dias de idade.

Desmame e separação por sexo

O desmame constitui uma prática de manejo recomendada e pode ser usado nas propriedades cercadas e com divisões internas. As crias devem ser desmamadas e separadas por sexo, aos 112 dias de idade. Esta prática favorece a eficiência reprodutiva do rebanho de matriz, evita cobrição precoce das fêmeas e diminui os riscos de consanguinidade do rebanho. Recomenda-se o tratamento anti-helmíntico das crias desmamadas e suplementação alimentar, caso o desmame ocorra na época seca.

Marcação

Existem várias maneiras de marcar os animais de um rebanho. É importante que o produtor tenha todos os animais marcados e identificados de modo que possa acompanhar sua vida produtiva e reprodutiva dentro do rebanho.
O uso de brincos e chapas metálicas é bastante utilizado por ser de baixo custo, e pode ser usado logo após o nascimento da cria. No entanto, tem o inconveniente dos animais constantemente perderem este tipo de identificação.
A tatuagem é outra forma de marcação. Geralmente tatuam-se os animais puros que possuem registro genealógico. Para proceder a prática utiliza-se um alicate tatuador.
A marcação de ferro a fogo é realizada na tábua do queixo ou base do chifre. O método é barato, no entanto, de difícil execução.
Os sinais chamados piques ou mossas, que são feitos nas orelhas quando os animais possuem entre dois e três meses de idade, constituem um dos tipos de marcação mais característicos dos sistemas extensivos de criação.

Castração

A castração tem por objetivos melhorar a consistência e o sabor das carnes, tornar os animais mais dóceis, engordar os animais mais rapidamente e possibilitar a criação de machos e de fêmeas juntos, sem que ocorram coberturas indesejáveis.
Existem vários métodos de castração. O método cirúrgico, burdizzo e anel de borracha são os mais conhecidos.
O método cirúrgico é o mais seguro, porém de maior custo. O método do anel de borracha é muito simples e consiste em colocar um anel de borracha na base do saco escrotal de modo que não haja circulação sanguínea e com o passar dos dias os testículos caem.
O burdizzo consiste no esmagamento dos cordões sem que haja o corte da pele. É um processo rápido, prático e simples. A eficiência deste método depende bastante do operador. Este deve estar atento para o funcionamento do alicate. Na hora de fazer a castração deve fazer o esmagamento de um lado do testículo e depois do outro. Não se deve fazer o esmagamento da região total. Ao final do processo o operador deve se certificar de que os dois cordões foram rompidos.

Descorna

A descorna tem por finalidade facilitar o manejo dos animais, evitando a ocorrência de lesões causadas por chifres no rebanho. A prática é mais destinada para caprinos. O método mais comum e eficiente é a descorna utilizando ferro quente aos dez dias de nascido. Deve-se prestar bastante atenção para que o ferro cauterize apenas o botão do chifre.
As pastas cáusticas são perigosas por causar muitas vezes cegueira e intoxicação nos animais. A descorna cirúrgica só é recomendada após oito meses de idade.

Importância do Leite de Cabra

O Brasil com cerca de 12,2 milhões de cabeças, possuí o nono maior rebanho caprino do mundo, porém contribui com apenas 1,3% da produção mundial deleite de cabra (FAO, 2005).
O leite de cabra vem conquistando crescente mercado, tanto na forma de leite pasteurizado, como na forma de leite em pó e derivados, além de continuar sendo importante fonte de alimentação de comunidades carentes.

Autores: Luiz Pinto Medeiros; Raimundo Nonato Girão; Eneide Santiago Girão; José Carlos Machado Pimentel. “Caprinos – princípios básicos para sua exploração”. Teresina: Embrapa CPAMN. Brasília: Embrapa SPI, 1994. 177 p. ISBN 85-85007-29-X.

A criação de caprinos representa uma das principais atividades econômicas das áreas mais secas do Nordeste. Carne e leite de caprinos são as principais fontes de proteína animal para as populações de baixa renda, notadamente no semi-árido nordestino. A venda de animais vivos e/ou peles constitui fonte adicional de recursos para a obtenção de gêneros não produzidos na propriedade.
Dos tipos de caprinos que compõem o rebanho nacional, destacam-se os animais do tipo Sem Raça Definida (SRD) que constituem o principal rebanho de caprinos do país. Além desse tipo existem pequenos núcleos de animais representados pelas raças e/ou tipos nativos: Moxotó, Canindé, Repartida, Marota e Gurguéia. Das raças exóticas destacam-se a Anglo-nubiana, Parda Alpina, Saanen, Toggenburg, entre outras.
Atualmente, os eco tipos nativos vêm sendo utilizados em cruzamentos com reprodutores de raças exóticas visando a obtenção de animais de maior produção de leite e que apresentem condições de melhor adaptação ao meio semi-árido.

Importância da produção de leite de Cabra

Existe, atualmente, um grande interesse na produção de leite de cabra, em virtude do seu alto valor nutritivo, do nível e qualidade dietética, despertando a iniciativa governamental para a criação de programas que objetivem elevar o nível nutricional da dieta familiar da população de baixa renda e proporcione a formação de mercados consumidores do leite e seus derivados nas áreas urbanas.
Existe um aumento acentuado da taxa do crescimento no segmento da população que apresenta níveis de ingestão de alimentos (qualitativo e quantitativo) abaixo dos recomendados, como mínimos, pela Organização Mundial de Saúde. Vários são os fatores de origem social e/ou econômicos atuando isoladamente ou em conjunto que provocam este aumento. Nota-se que este crescimento está sendo maior em regiões que apresentam grandes variações climáticas , induzindo uma maior variação na oferta de alimentos.
Nessas regiões, o caprino torna-se o animal mais importante na produção de carne e leite, principalmente nas pequenas propriedades.
Esta importância ocorre me função da alta capacidade de adaptabilidade, tamanho, facilidade de manejo e alta eficiência produtiva dos caprinos. A existência de caprinos nas diversas regiões do mundo, com exceção dos pólos, comprova sua capacidade de adaptabilidade.
Por menor que seja a área destinada a moradia de uma família na zona urbana ela tem condições de criar de duas a três cabras e, na zona rural este número mínimo cresce para oito a dez cabras, mas não será suficiente para criar uma vaca com produção média de leite. Salienta-se que as cabras, em função do seu temperamento dócil, podem ser manejadas por mulheres e crianças, sem problemas.
A eficiência produtiva da cabra pode ser medida em termos de produção de leite e número de crias por ano. O consumo de matéria seca de seis cabras com produção média de 1,2 litros de leite por dia equivale a de uma vaca com produção de 6 litros de leite por dia. Além da produção total ser maior nas cabras, a vaca necessita de uma pastagem de alta qualidade ou uso de concentrados, tornando a produção inviável economicamente. Em termos de produção de crias, as seis cabras podem ter até 21 cabritos em dois anos, enquanto a vaca só produzirá no máximo duas crias.
Pelos resultados alcançados em vários países, o uso do caprino como produtor de leite pode tornar-se um importante instrumento de política de produção de alimentos e, com isso diminuir os níveis de subnutrição e taxa de mortalidade infantil de várias regiões, principalmente do Nordeste brasileiro.

Valor nutritivo do leite de cabra

O leite de cabra é um alimento que apresenta, em sua composição química os elementos necessários à nutrição humana, como açúcares, proteínas, gorduras, vitaminas e sais minerais. Apresenta ainda uma alta digestibilidade, em função do tamanho e dispersão de seus glóbulos de gordura, bem como das características de sua caseína.
O leite de cabra é o alimento ideal para crianças recém-nascidas ou pessoas idosas. Não provoca o aparecimento de cólicas estomacais, principalmente nas crianças, chegando, inclusive, em alguns casos, a eliminá-las.
O suprimento de 1/3 (um terço) das necessidades alimentares diárias de uma pessoa adulta pode ser suprido por um litro de leite de cabra. Este apresenta um teor energético que varia entre 60 a 75 Kcal/100 g de leite. A gordura presente contribui com mais ou menos 50% deste valor, a proteína com mais ou menos 25% e a lactose com 25%.
O leite de cabra, de vaca e humano apresentam diferenças entre si, tanto na quantidade como na classe de proteína. Contudo, existem alguns resultados de trabalhos científicos que apontam o leite de cabra como ideal opara ser usado por crianças alérgicas ao leite de vaca, ou as pessoas que fazem tratamentos quimioterápicos, porque o mesmo pode diminuir a queda dos cabelos, que é uma característica deste tipo de tratamento.

Composição química do leite de cabra

Como em qualquer tipo de leite, também no de cabra, as composição química varia com a genética do animal (raça e indivíduo), alimentação, clima, sanidade, estado fisiológico, ordenha e posteriores manipulações do produto.
Na Tabela 1, pode-se comparar as composições químicas do leite de cabra, de vaca e humano, observando-se pequenas variações entre as composições. O nível de nitrogênio no leite da cabra varia de 0,5 a 0,6% com uma média de proteína de 3,98%, distribuído em forma de caseína, lactoalbumina e nitrogênio não protéico. A caseína é o principal componente, com aproximadamente 80% de todos os compostos.

Tabela 1: Composição média de alguns componentes químicos dos leites de cabra, vaca e humano.
Tipo de Leite
Proteína (%)
Gordura (%)
Lactose (%)
Cinza (%)
Sólido (%)
Cabra
3,98
4,75
4,72
0,78
14,23
Vaca
3,40
3,70
4,90
0,72
12,70
Humano
1,00
4,30
7,40
0,18
12,90
Fonte: Woltschoon-Pombo & Furtado, 1978.

Em termos de aminoácidos não existem grandes diferenças nos teores dos três tipos de leite, sendo o leite de cabra o que mais se aproxima do leite humano, principalmente em termos de aminoácidos sulfurosos como metionina e cistina. Todos são ricos em lisina que é um aminoácido de grande importância na alimentação infantil.

Sais Minerais no leite de cabra

Geralmente, o leite de cabra é citado como sendo causador de anemia em crianças , mas isso só ocorre quando ele é utilizado como alimento exclusivo. Neste caso, a anemia é causada pelo tipo de dieta que a criança está submetida, tornando-se insuficiente a ingestão de vitaminas B6, B12 e C, bem como, ferro e cobalto. Este tipo de anemia também pode ocorrer quando a criança faz uso exclusivo do leite de vaca.
O leite de cabra é constituído de 0,70% a 0,85% de sais minerais, quantidade um pouco menor que a observada no leite de vaca. Por outro lado, é superior ao de vaca em termos de cálcio, fósforo (total), sódio e potássio.

Vitaminas no leite de cabra

Na Tabela 2, pode-se comparar os teores médios de vitaminas dos leites de cabra, de vaca e humano. Existe uma certa variação nos teores entre os diversos tipos de leite, sendo que o leite de cabra apresenta teores mais elevados em relação ao leite humano, em vitamina A, colina, tiamina, riboflavina, ácido nicotínico e biotina. Constata-se valores mais baixos para os teores de vitamina B6, B12 e K, ácido ascórbico, ácido fólico e piridoxinas.

Tabela 2: Teores médios de vitaminas nos leites de cabra, vaca e humano.
Vitaminas
Cabra
Vaca
Humano
Vitamina A
2074
1560
1098
Tiamina
0,40
0,44
0,16
Riboflavina
1084
1,75
0,36
Ácido Nicotínico
1,87
0,94
1,47
Vitamina B6
0,07
0,64
0,10
Ácido Pantotênico
3,44
3,46
1,84
Biotina
0,039
0,031
0,008
Ácido Fólico
0,0024
0,0008
0,002
Vitamina B12
0,0006
0,0043
0,0008
Ácido Ascórbico
15,0
21,1
43,0
Colina
150,0
121,0
90,0
Inositol
210,0
110,0
330,0
Vitamina D
23,7
-
2,0
Vitamina C
15,0
21,10
43,0
Vitamina A em UI/L, outros valores em mg/l.
Fonte: Parkash & Jennes, 1968.

Esses dados mostram que o leite de cabra tem realmente alto valor nutritivo. Porém, essas qualidades próprias do leite de cabra podem ser alteradas, sensivelmente, se não forem seguidas rigorosamente as recomendações sobre os procedimentos da ordenha.









7 de out. de 2015

Uso de Isumos e Mão-de-obra na Criação de Cabras Leiteiras



Toda e qualquer atividade agropecuária precisa ser economicamente viável. Para tanto, são propostos alguns passos que, se seguidos, irão proporcionar um instrumental de acompanhamento e análise da viabilidade econômica de sistemas de produção de caprinos de leite.
Para avaliar economicamente a viabilidade de se investir na atividade da caprinocultura leiteira são necessárias informações relacionadas às diversas etapas do processo produtivo descrito neste sistema. Considerando que a viabilidade econômica tem papel-chave na tomada de decisão sobre os investimentos a serem feitos dentro da empresa rural, apresenta-se aqui alguns aspectos a serem considerados.


Coeficientes Técnicos

Para avaliar a viabilidade econômica da atividade é necessário, inicialmente, que sejam observados alguns coeficientes zootécnicos. A tabela 1 apresenta alguns coeficientes relacionados à caprinocultura de leite.
Tabela 1. Coeficientes zootécnicos para caprinocultura de leite em sistemas de produção no Nordeste Brasileiro.
Coeficientes
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Parição (parto/matriz/ano)
1,2
1,2
1,5
Fertilidade (fêmeas paridas/fêmeas cobertas)
60 – 70%
80 – 85%
90 – 95%
Prolificidade (crias/parto)
1,3
1,4
1,5
Mortalidade até 1 ano (%)
10
7
5
Mortalidade acima de 1 ano (%)
7
5
3
Descarte de matrizes (%/ano)

20

Relação reprodutor:matriz
1:30
1:40
1:60
Percentagem (%) de peso adulto ao primeiro acasalamento (fêmeas)

70

Aprisco p/ animais até 06 meses (m²/cabeça)

0,5

Aprisco p/ animais acima de 06 meses (m²/cabeça)

1,2

Intervalo entre partos (meses)

8

Consumo de água (litros/cabeça/dia)

5

Produção de fezes (kg/cabeça/dia) animal de40 Kg

1,5

Número de animais até 06 meses por UA

10

Número de animais acima de 06 meses por UA

6

Produção de leite (litros/cabeça/dia)
8
6
5

Custos

Os custos são elementos importantes na análise da eficiência dos sistemas de produção implantados. Desta forma, o controle dos custos fixos e variáveis é fundamental para quem está iniciando a produção de caprinos de leite e para quem já se encontra na atividade. Os custos de produção dos caprinos variam de acordo com os insumos usados e práticas de manejo adotadas.

Custos Fixos

Custos fixos são aqueles que ocorrem independente de haver produção ou não. Entre os principais custos fixos da produção de caprinos de leite está a depreciação.

As benfeitorias e sua depreciação - Compreendem benfeitorias as construções/instalações, açudes, cercas, etc. A Tabela 2 auxilia no levantamento das benfeitorias.

Tabela 2. Levantamento de benfeitorias envolvidas no sistema de produção de caprinos de leite em sistemas de produção no Nordeste Brasileiro.
Tipo de benfeitoria
Área / tamanho
Ano*
Valor inicial (R$)
Vida útil (anos)
Valor final (R$)
DEPRECIAÇÃO ANUAL (R$)
1.






2.






3.






* ano de implantação

O valor inicial corresponde ao custo total de construção ou implantação e o valor final é o valor da benfeitoria após o fim de sua respectiva vida útil. A depreciação anual de cada benfeitoria (1 a 3) é encontrada pela fórmula:
Portanto, o total da depreciação anual das benfeitorias será a soma das depreciações anuais de 1 a 3 (Tabela 2). A maioria dos modelos de cálculo de custo considera que (20) vinte anos seja a vida útil média provável para as benfeitorias.
Máquinas, motores e equipamentos e sua depreciação anual - Máquinas destinadas à produção de forragem (trator, ensiladeira, etc.), trituradores e demais equipamentos deverão ser levantados. A Tabela 3 auxilia tal levantamento.

Tabela 3. Levantamento de máquinas, motores e equipamentos envolvidos no processo de produção caprinos de leite em sistemas de produção no Nordeste Brasileiro.
Tipo de máquina, motor ou equipamento
Tamanho, potência
Ano*
Valor novo (R$)
Vida útil (anos)
Valor final (R$)
DEPRECIAÇÃO ANUAL (R$)
1.






2.






3.






*ano de compra

O valor novo corresponde ao preço de aquisição da máquina, motor ou equipamento novo e o valor residual será o valor do mesmo, após o fim de sua respectiva vida útil. A depreciação anual de cada máquina, motor ou equipamento (1 a 3) pode ser obtida pela fórmula:
Assim sendo, o total da depreciação anual das máquinas, motores e equipamentos será a soma das depreciações anuais de 1 a 3 (Tabela 3). A maioria dos modelos de cálculo de custo considera que (10) dez anos seja a vida útil média provável para as máquinas e equipamentos.
As forrageiras perenes e sua depreciação anual - O custo de implantação corresponde ao total gasto com a implantação de cada forrageira (Tabela 4). Para fins de depreciação não são considerados os custos de manutenção das pastagens, pois estes constituem custos variáveis.


Tabela 4. Levantamento de forrageiras envolvidas no processo de produção caprinos de leite em sistemas de produção no Nordeste Brasileiro.
Tipo de forrageira
Área
Ano de implantação
Custo de implantação (R$)
Vida útil (anos)
DEPRECIAÇÃO ANUAL (R$)
1.





2.





3.






A depreciação anual de cada forrageira (1 a 3) é encontrada pela fórmula:
Assim sendo, o total da depreciação anual das forrageiras perenes será a soma das depreciações anuais de 1 a 3 (Tabela 4).
Depreciação anual de animais adultos - Animais usados no processo produtivo representam investimentos, e como tais, precisam ser repostos depois de algum tempo. Por isso, o cálculo da depreciação dos mesmos é fundamental. A tabela 5 contém um modelo que permite fazer este cálculo.

Tabela 5. Levantamento de animais adultos envolvidas no processo de produção de caprinos de leite.
Categoria de animal
Número
Idade
Vida útil (anos)
Valor atual (R$)
Valor de descarte ou venda (R$)
depreciação anual (R$)
Grupo de Reprodutores






Grupo de Reprodutores






Grupo de Matrizes






Grupo de Matrizes






Grupo de Matrizes






Grupo de Matrizes







A tabela 5 permite distinguir grupos de reprodutores e matrizes de mesma idade dentro do rebanho. A vida útil corresponde ao período que o produtor pode utilizar cada categoria de animais. O valor atual corresponde ao valor dos animais na função que desempenham no momento e, o valor residual seria o valor destes animais ao final de sua vida útil para fins de produção de leite. A depreciação anual de cada grupo de animais adultos (reprodutores e matrizes) pode ser encontrada pela fórmula:
Portanto, o total da depreciação anual dos animais adultos será a soma das depreciações anuais de cada grupo de animais adultos (Tabela 5).
Impostos e taxas - Impostos como ITR e outros, assim como taxas de aluguéis e arrendamentos pagos pelo produtor precisam ser levantados. A tabela 6 contém um exemplo de como realizar esta tarefa.

Tabela 6. Levantamento de impostos e taxas ligadas ao processo de produção de caprinos de leite.
Tipo de imposto ou taxa
Valor pago (R$/ano)
1

2

3

4


O total de impostos e taxas pagos no decorrer do ano será a soma dos impostos/taxas de 1 a 4 (Tabela 6).
Remuneração do capital investido - Refere-se ao total de investimentos feitos, incluindo benfeitorias, máquinas, motores, equipamentos, animais adultos e forrageiras. Usando-se uma taxa de juros que seria recebida em aplicação financeira, se calcula os juros que o capital investido renderia durante o período de duração do empreendimento.

Tabela 7. Totais dos custos fixos anuais para produção de caprinos de leite.
Item
Custo fixo anual (R$)
Depreciação de benfeitorias

Depreciação de máquinas, motores e equipamentos

Depreciação de forrageiras

Depreciação de animais adultos

Impostos e taxas

Remuneração do capital investido

Total de custos fixos anuais (R$/ano)


Custos Variáveis
Custos variáveis são aqueles que dependem da escala de produção, ou seja, sua ocorrência está ligada diretamente à produção – não há custos variáveis se não houver produção. Compõem os custos variáveis itens como: mão-de-obra, alimentação, medicamentos, energia, combustíveis, reparos em benfeitorias, máquinas e equipamentos, além da remuneração do capital de giro.
Mão-de-obra - Referem-se aos custos com o pessoal envolvido no processo de produção de caprinos de leite. Pode ser mão-de-obra permanente ou temporária. Para fazer este levantamento, a tabela 8 deve ser utilizada.

Tabela 8. Levantamento da mão-de-obra gasta anualmente para produção de caprinos de leite.
Mão de obra permanente
Salário vigente na região (R$/mês)


N° de empregados permanentes


Total salário-base dos empregados permanentes (R$/mês)


Encargos referentes ao salário base
FGTS
8,00%

Férias e prêmio obrigatório
11,11%

13º salário
8,33%

Prêmio do FGTS
3,33%

Salário família
2,50%

Salário educação
2,50%

INCRA
0,20%

INSS pago pelo empregador
12,00%
Total de gastos mensais com mão-de-obra permanente (R$/mês)


Total de gastos anuais com mão-de-obra permanente (R$/ano)


Valor da diária vigente na região (R$/dia)


Mão de obra temporária
Número de diárias de mão-de-obra temporária no ano (dh/ano)


Total de gastos anuais com mão-de-obra temporária (g x h) (R$/ano)



Gasto total anual com mão-de-obra (R$/ano)
Concentrados - O consumo anual de concentrados deve ser levantado. Para tanto, a Ficha 9 deve ser preenchida.
Tabela 9. Levantamento do consumo anual de concentrado.
Tipo de Mistura Mineral
Unidade (kg ou saca)
Valor unitário (R$)
Valor total (R$)




TOTAL ANUAL DE GASTOS COM CONCENTRADO (R$)


Mistura mineral - O registro do consumo anual de mistura mineral pode ser feito baseado na tabela 10.
Tabela 10. Levantamento do consumo anual de mistura mineral.
Tipo de Mistura Mineral
Unidade (kg ou saca)
Valor unitário (R$)
Valor total (R$)




TOTAL ANUAL DE GASTOS COM MISTURA MINERAL (R$)


Forragens verdes - Os gastos anuais com manutenção de forrageiras (pastagens perenes) devem ser levantados tomando-se como base na tabela 11. No caso de forrageiras de ciclo anual, se considera todos os gastos feitos com o ciclo nesta mesma tabela 11 (sem calcular sua depreciação).
Tabela 11. Levantamento de gastos anuais com manutenção de forrageiras.
Espécie forrageira
Tipo de gasto (R$)
Valor (R$)



TOTAL ANUAL DE GASTOS COM MANUTENÇÃO DE FORRAGEIRAS (R$)


Silagem - Caso o produtor use a ensilagem como forma de conservação de forragens para a época seca, a tabela 12 servirá para levantar os custos relacionados a este processo (valor de compra da silagem, ensilagem, transporte, cobertura do silo, retirada do silo, etc.).
Tabela 12. Levantamento de gastos anuais com silagem.
Tipo de gasto (R$)
Valor (R$)


TOTAL ANUAL DE GASTOS COM SILAGEM (R$)


Feno - Caso o produtor use algum tipo de feno a Ficha 13 servirá para levantar os custos anuais relacionados ao processo (valor de compra do feno, fenação, transporte, armazenagem, etc.).
Tabela 13. Levantamento de gastos anuais com feno.
Tipo de gasto (R$)
Valor (R$)


TOTAL ANUAL DE GASTOS COM FENO (R$)



Medicamentos (vermífugos, antibióticos, curativos, vacinas) - Dependendo das práticas adotadas, o produtor terá uma série de gastos relacionados à sanidade de seu rebanho de caprinos. A tabela 14 servirá para registrar os gastos anuais com vermífugos, antibióticos, curativos, vacinas, etc.
Tabela 14. Levantamento de gastos anuais com medicamentos.
Tipo de Medicamento
Unidade
Quantidade
valor unitário (R$)
Valor total (R$)





TOTAL ANUAL DE GASTOS COM MEDICAMENTOS (R$)


Energia e combustível - Na tabela 15 o produtor registrará os gastos com energia e combustível.
Tabela 15. Levantamento de gastos anuais com energia e combustível.
Item
Meses
Valor (R$)
ENERGIA
Jan


Fev


.


.


.


Dez

TOTAL ANUAL DE GASTOS COM ENERGIA (R$)

COMBUSTÍVEL
Jan


Fev


.


.


.


Dez

TOTAL ANUAL DE GASTOS COMBUSTÍVEL (R$)

TOTAL GERAL DE GASTOS COM ENERGIA E COMBUSTÍVEL (R$)


Reparos de benfeitorias - Na tabela 16 o produtor poderá registrar os reparos (consertos) feitos nas benfeitorias no decorrer do ano.
Tabela 16. Levantamento de gastos anuais com reparos de benfeitorias.
Tipo de reparo
Valor (R$)


TOTAL ANUAL DE REPARO NAS BENFEITORIAS (R$)


Reparos de máquinas, motores e equipamentos - Na tabela 17 o produtor poderá registrar os gastos anuais com consertos/reparos feitos em máquinas, motores e equipamentos.
Tabela 17. Levantamento de gastos anuais com reparos de máquinas, motores e equipamentos.
Tipo de reparo
Valor (R$)


TOTAL ANUAL DE REPARO NAS MÁQUINAS, MOTORES E EQUIPAMENTOS (R$)


Remuneração do capital de giro - Aplica-se uma taxa de juros que seria obtida em aplicação financeira (custo de oportunidade) obtendo-se, desta forma, uma rentabilidade do capital de giro usado na atividade da produção de caprinos de leite.
Total anual de custos variáveis - Na tabela 18 o produtor fará a transcrição dos totais de custos variáveis obtidos nas tabelas 8 a 17 e com a remuneração do capital de giro.
Tabela 18. Levantamento dos custos totais e variáveis.
Tipo de reparo
Valor (R$)
1. Mão-de-obra

2. Concentrados

3. Mistura mineral

4. Forragens verdes

5. Silagem

6. Feno

7. Medicamentos

8. Energia e combustível

9. Reparos de benfeitorias

10. Reparos de máquinas, motores e equipamentos.

11. Remuneração de capital de giro

Total anual de custos variáveis (R$)



Receitas
Na tabela 19 o produtor poderá fazer o registro das receitas oriundas do processo produtivo de seu rebanho caprino.

Tabela 19. Levantamento das receitas provenientes do sistema de produção.
Tipo de receita
Unidade
Quantidade
valor unitário (R$)
Valor total (R$)
Venda de Leite




Venda de Animais




Venda de outros sub-produtos




TOTAL ANUAL DE RECEITAS (R$/ANO)






Rendimentos (lucros)
O lucro anual da atividade é obtido subtraindo-se o total de despesas (fixas e variáveis) (Parte 2) do total de receitas (Parte 3). O lucro por kg de carne produzido é obtido pela divisão do lucro anual pela produção anual de leite. A tabela 20 poderá facilitar estes cálculos.

Tabela 20. Cálculo do lucro líquido anual e por litro de leite produzido.
Item
Valor total (R$)
a) Custo fixo anual (Ficha 8)

b) Custos variáveis (total anual) (Ficha 19)

c) Total de custos anuais (a + b)

d) Total de custos por kg (c / kg produzidos no ano)

e) Receita total anual

f) Lucro total anual (e – c)

g) Lucro líquido por kg de carne produzido (f / kg produzidos no ano)



Rentabilidade
Para calcular a sua rentabilidade, o produtor poderá dividir o seu resultado anual obtido com a caprinocultura de leite pelo total do capital investido. Considerar-se-á como “rentável” a atividade que proporcionar um índice de rentabilidade igual ou superior à aplicação financeira, na qual o produtor poderia ter investido o seu capital.