20 de jun. de 2016

A Colméia

2. A Colméia

2.1 O que é uma colméia?

É a casa das abelhas. Por extensão, a palavra também é usada para fazer referência às abelhas que a habitam.

2.2 Como é uma colméia?

A colméia dita racional é uma caixa, ou um conjunto de caixas empilháveis, dispostas sobre um fundo (ou chão) e cobertas por uma tampa (ou teto). Geralmente, é feita de madeira. Dentro das caixas, ficam os quadros (ou caixilhos), que são estruturas retangulares, como molduras, destinadas a conter os favos feitos pelas abelhas.
Esse é o modelo moderno básico, mas inúmeros outros são possíveis. No passado, as colméias eram cestos de palha emborcados. Caixas comuns, sem quadros, também foram usados por décadas.

2.3 De que outros materiais podem ser feitas as colméias?

Há muitos anos existe no mercado internacional colméias feitas de material sintético, como o poliuretano. Embora ocasionalmente alguém se manifeste favoravelmente a elas, o mais comum é ouvir-se queixas e suspeitas. Seja como for, elas parecem estar no mercado há tempo demais para ainda não terem emplacado, já que o peso leve é um grande atrativo para os apicultores. Talvez com a adoção de melhores tecnologias e materiais, a colméia sintética acabe se tornando uma boa alternativa.
Mais raramente, ouve-se falar em outros materiais, como isopor ou concreto, mas nenhum deles com resultados importantes.
Na apicultura orgânica, somente caixas de madeira são permitidas.

2.4 Qual é o melhor tipo de colméia?

É difícil dizer. Hoje em dia, a apicultura mundial inclina-se para o modelo Langstroth (ou americana), talvez nem tanto pela sua funcionalidade, e mais pela sua popularidade. É um caso em que usar o mesmo modelo que todo mundo é melhor porque todos os insumos, equipamentos e acessórios disponíveis já estão padronizados e são, portanto, muito mais baratos e facilmente encontrados. Quando não mencionado, esse texto sempre fará referência a colméias Langstroth.
Várias alternativas ao modelo Langstroth já existiam ou foram desenvolvidas depois que ela apareceu no Brasil. As mais importantes são a Schenk, a Curtinaz e a Schirmer. Algumas foram projetadas para usarem as bitolas de madeira padrão no país. Outras foram adequadas para climas mais frios ou mais quentes. Outras são reversíveis, para que a disposição dos quadros em relação ao alvado possa mudar de acordo com a temperatura. Outras tiveram os seus quadros desenhados para facilitar a desoperculação. Outras previram a unificação das dimensões, com caixas e sobrecaixas idênticas. Quase todas têm uma ou mais vantagens em relação à Langstroth, mas nenhuma delas foi capaz de superá-la a ponto de tornar-se um novo padrão de fato. Portanto, se você estiver iniciando na apicultura, compre caixas Langstroth.

2.5 O que são ninhos e melgueiras?

Ninhos (ou caixas, ou câmaras de criação) contêm os quadros que serão usados para a postura de ovos e desenvolvimento das crias. Geralmente são mais altas e formam o primeiro ou os primeiros andares, se a colméia for vista como um edifício.
Melgueiras (ou sobrecaixas) são destinadas apenas à produção de mel, para que os seus quadros não contenham também crias e pólen. Geralmente são mais baixas que os ninhos e formam os andares mais altos do "prédio". Alguns apicultores preferem usar apenas ninhos nas colméias, inclusive fazendo o papel de melgueiras (os sobreninhos).
Ocasionalmente, usa-se a palavra caixa para fazer referência a um ninho ou a uma melgueira, indistintamente. A mesma palavra pode ser empregada no sentido de colméia - "tenho dez caixas de abelhas".

2.6 O que é melhor, melgueiras ou sobreninhos?

Sobreninhos são melhores porque permitem uma padronização de quadros - com ninhos e melgueiras, o apicultor precisa manter estoques de dois tamanhos de quadros e de lâminas de cera alveolada. Com sobreninhos, a tela excluidora torna-se totalmente dispensável, porque qualquer quadro com postura pode ser remanejado para o ninho.
Por outro lado, sobreninhos carregados de mel são pesados demais, e praticamente inviabilizam o manejo por uma só pessoa. Os favos de ninho também precisam ser centrifugados com muito mais cuidado, para não se partirem. Além disso, floradas não muito intensas ou enxames não muito fortes, que poderiam encher uma melgueira, talvez não sejam suficientes para encher um sobreninho, dificultando a colheita.

2.7 Não há uma alternativa intermediária?

Sim. Alguns apicultores usam e recomendam um tamanho intermediário de caixa, a ser usado como ninho (2 unidades) e melgueiras. O ninho padrão tem 24,4 cm de altura, a melgueira padrão tem 14,4 cm e essa caixa intermediária tem 16,8 cm. Por simplificação, essas alturas são eventualmente referidas como 24, 14 e 17 cm, respectivamente.Outros tamanhos também são ocasionalmente testados e recomendados por alguns apicultores.

2.8 Quanto pesam uma melgueira e um sobreninho?

Em colméias Langstroth, uma melgueira com dez quadros cheios de mel operculado contém cerca de 11 a 12 kg de mel. Um sobreninho nas mesmas condições contém cerca de 20 a 22 kg de mel. A caixa intermediária contém aproximadamente 13 a 15 kg de mel.
O peso das caixas varia com o tipo de madeira empregada. Uma melgueira de cedrinho, com dez quadros aramados e lâminas de cera alveolada pesa em torno de 5 kg. Um ninho nas mesmas condições, pesa cerca de 8 kg.
Quando são usados menos quadros na melgueira ou no sobreninho (8 ou 9), o peso do mel é um pouco maior.

2.9 Afinal, quantos quadros devem ser usados, 8, 9 ou 10?

Dez quadros é a capacidade normal, tanto das melgueiras quanto dos ninhos, e os espaçadores Hoffmann dos quadros são projetados para manter a distância de 35 mm entre os centros de dois favos contíguos. Em melgueiras e sobreninhos, porém, muitos apicultores removem um ou dois quadros, para que os favos de mel fiquem mais largos ("gordos"). Isso facilita muito a desoperculação com faca, economiza quadros e promove um melhor aproveitamento da caixa, já que um ou dois espaços vazios entre os favos são substituídos por mel. A remoção de quadros, porém, não pode ser feita a qualquer momento (veja item 8.14).
Em relação ao ninho, não há vantagem para as abelhas em usar-se menos de 10 quadros, porque elas não teriam o que fazer com o espaço excedente. Os alvéolos de cria têm um comprimento padrão, adequado para o seu desenvolvimento. No entanto, alguns apicultores recomendam a manutenção de 9 quadros no ninho para facilitar a retirada e reposição dos quadros durante o manejo.
É bom frisar que o transporte de caixas com menos de 10 quadros pode acarretar muitas quebras e esmagamentos de favos e abelhas, pelas colisões ocorridas em razão dos movimentos pendulares dos quadros.

2.10 O que são espaçadores Hoffmann?

São laterais de quadros mais largas na parte superior do que na inferior. O seu formato diminui a área propolisada entre dois quadros contíguos, facilitando a remoção do quadro. Ao mesmo tempo, o estreitamento curto e arredondado dos espaçadores facilita a inserção do quadro entre os demais.

2.11 Como as abelhas sabem onde devem colocar cada produto?

Não sabem. O apicultor apenas aproveita a sua tendência de organizar a colméia em camadas: primeiro crias, depois pólen, depois mel. Assim, se a primeira caixa (a mais de baixo) estiver bem, com favos em boas condições e com espaço sobrando, é muito provável que a rainha use esta área para pôr seus ovos.
Eventualmente, por falta de espaço ou de condições melhores, a rainha pode subir e fazer a postura numa melgueira. Para evitar isso, os apicultores às vezes usam telas excluidoras.

2.12 O que é uma tela excluidora?

É uma tela larga o suficiente para deixar uma operária passar, mas não uma rainha, nem os zangões. Com a tela posta entre o ninho e as melgueiras, pode-se ter segurança de que não haverá quadros de cria nas melgueiras.

2.13 Por que alguns apicultores não usam a tela excluidora?

Uma razão é porque a tela é um equipamento a mais para o apicultor manipular. Os manejos às vezes são demorados, e quanto mais peças o apicultor tiver de manipular, pior. Também, porque às vezes a tela parece funcionar como uma barreira para as operárias. Elas conseguem passar, mas simplesmente se negam a construir favos e depositar mel acima da tela, especialmente quando o fluxo de néctar não é dos mais fortes.
Quando colocada depois que algum mel ter sido armazenado na melgueira, zangões podem ficar presos ali e até entalarem na tela e morrerem.

2.14 Por que as abelhas constroem seus favos exatamente dentro dos quadros?

Somente porque são induzidas a isso. No centro de cada quadro, o apicultor coloca uma lâmina de cera alveolada, que funciona como um início do favo. As abelhas só continuam o que já receberam começado. Quando não são induzidas, ou quando sobra algum espaço relativamente grande numa caixa, as abelhas constroem favos fora dos quadros. Quando o apicultor esquece quadros sem cera alveolada, elas constroem favos atravessados, cada um passando por dentro de vários quadros. Neste caso, arrumar a colméia pode dar um trabalho enorme.

2.15 Por que as abelhas preenchem alguns espaços com cera e outros com própolis?

Essa foi talvez a maior descoberta da apicultura moderna, que possibilitou o desenvolvimento das colméias racionais. Não há uma razão conhecida, mas segundo as observações de Lorenzo Lorraine Langstroth, em 1851, as abelhas não fecham espaços maiores de 6,4 mm com própolis, nem constroem favos em espaços menores que 9,5 mm. Isso permitiu definir o espaço-abelha.

2.16 O que é o espaço-abelha?

É exatamente o intervalo de 6,4 a 9,5 mm que as abelhas sempre deixam livre. Conhecendo essas medidas, foi possível projetar a colméia racional, de quadros móveis, com a certeza de que as abelhas construiriam favos apenas nesses quadros, se corretamente induzidas, e não iriam colá-los entre si e nem às paredes das caixas. Essa é a dimensão mais conhecida na apicultura, mas há outras também importantes.

2.17 Quais são os outros espaços importantes?

Uma lista parcial, em milímetros, para abelhas européias, é a seguinte [CUS01]:
Espaço (mm)
Efeito
0 a 4 Insuficiente para passagem, geralmente é propolisado
4,3 Impede a passagem de zangão e rainha
5 Adequado para grades de coleta de pólen
5,2 a 5,4 Impede a passagem de zangão (não de rainha)
6 Mínimo espaço deixado entre dois favos contíguos de mel
9 Espaço usual entre dois favos contíguos de cria

2.18 O que é cera alveolada?

É cera derretida e estampada com hexágonos com a dimensão média dos alvéolos. As lâminas produzidas assim são cortadas no formato dos quadros e vendidas aos apicultores. Esta cera é fornecida às abelhas em substituição a favos velhos ou inutilizados.

2.19 Como a cera alveolada é fixada nos quadros?

Os quadros possuem fios de arame ou nylon atravessados, geralmente no sentido horizontal. A lâmina é soldada neles com ajuda de um pouco de cera derretida ou, no caso de arames, pelo seu aquecimento por uma corrente elétrica. Arames também podem ser incrustados com ajuda de uma carretilha.
Um cuidado muito importante ao soldar a lâmina é com o alinhamento dos alvéolos. Eles devem ficar com dois vértices opostos dos hexágonos perfeitamente alinhados na vertical. Isso pode não acontecer se a lâmina estiver mal cortada, no sentido atravessado (dois lados opostos alinhados com a horizontal) ou simplesmente cortada torta. Se isso ocorrer, a lâmina poderá ser integralmente rejeitada pelas abelhas.

2.20 É melhor soldar a lâmina encostada na barra superior?

O melhor, na verdade, é usar lâminas que aproveitem ao máximo o espaço disponível no quadro. Isso poupará as abelhas de produzirem cera, permitindo-lhes uma produção maior de mel. Mas quando a lâmina de cera é menor (em altura) do que o espaço disponível no quadro, há duas indicações de soldagem.
Quando o quadro for destinado à postura, é preferível soldar a lâmina encostada na barra superior. O espaço que sobrará entre a lâmina e a barra inferior normalmente não será puxado com alvéolos e, como vantagem, facilitará a movimentação da rainha e das operárias.
Quando o quadro se destina à armazenagem de mel, o ideal é soldar a lâmina encostada à barra inferior. Nessa situação, as abelhas puxam o favo e estendem-no até a barra superior, promovendo um aproveitamento integral do espaço e uma solidez muito maior do favo. Isso se reflete num armazenamento maior de mel por quadro, otimizando a função da melgueira. Além disso, e talvez mais importante, a resistência muito maior do favo, quando soldado em cima e embaixo, permite uma colheita e uma centrifugação muito menos sujeitas a quebras e despedaçamentos. E isso é especialmente importante quando se usam oito ou nove quadros na melgueira, pois eles se tornam ainda mais pesados do que o normal.

2.21 Como se solda cera com corrente elétrica?

Primeiro, os quadros devem ser aramados. O ideal é quatro fios em quadro de ninho e três em quadro de melgueira. O arame deve ser ancorado no início, passado pelos furos e ancorado novamente no fim, sem cruzamentos e amarrações intermediárias. Ele deve ficar bem esticado, mas não em excesso, caso contrário, poderá causar deformações nas laterais do quadro.
Para arames galvanizados, use uma fonte de tensão entre 12 e 18 volts. Para arame inox, use uma fonte entre 24 e 30 volts. Coloque a lâmina sobre os arames (um peso em cima da lâmina, como um pedaço de tábua, ajuda bastante). Ligue cada pólo da fonte a uma extremidade do arame e observe a incrustação ocorrer até a metade, mais ou menos, depois desligue os pólos.

2.22 Que fonte é essa?

Uma fonte de 12V possível é a bateria do automóvel, mas não é recomendável. Usando-a, você pode causar curtos-circuitos que danifiquem a bateria ou outro sistema elétrico do seu automóvel, além de descarregá-la, naturalmente.
Se você tem experiência com ligações elétricas, o melhor é fazer o seu próprio incrustador, adquirindo um transformador de tensão numa loja de artigos eletrônicos. Forneça essa especificação:
Para arames galvanizados:
Tensão de entrada: 127 ou 220 volts (escolha a que corresponde à sua rede)
Tensão de saída: 12 volts
Corrente de saída: 8 a 10 ampères
Para arames inox:
Tensão de entrada: 127 ou 220 volts (escolha a que corresponde à sua rede)
Tensão de saída: 24 a 30 volts
Corrente de saída: 8 a 10 ampères
Para qualquer tipo de arame:
Tensão de entrada: 127 V ou 220 V (escolha a que corresponde à sua rede)
Tensão de saída: 24 a 30 volts
Corrente de saída: 8 a 10 ampères
Em série com a entrada, ligue um dimmer para lâmpadas incandescentes. Ao fazer a primeira incrustação, ajuste o dimmer para que a incrustação seja rápida, mas sem provocar muito centelhamento.

2.23 Que arame é melhor?

Eu prefiro arame inox. Ele é mecanicamente mais resistente, e podem-se usar fios mais finos, que atrapalham menos a postura da rainha. É muito mais resistente à oxidação, e tem vida útil maior. Pela sua rigidez, é mais difícil de ser manipulado, e precisa estar num carretel para não virar uma maçaroca. Precisa de uma tensão elétrica mais alta para incrustação, por apresentar uma resistência elétrica maior. É mais caro, mas rende muito. O fio de 0,3 mm de diâmetro tem cerca de 1.800 metros por quilo, e apresenta uma resistência mecânica maior que a do arame galvanizado nº 22 (diâmetro de 0,7 mm), que ainda é muito usado.
O arame inox deve ser o do tipo rígido, usado para a confecção de molas. Há um fio mole, mais fácil de trabalhar, mas com uma resistência mecânica muito menor.

2.24 O arame não encrava na madeira dos quadros?

Sim, e isso acarreta uma diminuição da tensão de esticamento do arame ao longo do tempo. Para evitar esse problema, ponha ilhoses em todos os buracos dos quadros. No caso do fio de inox, mais fino, esse procedimento é absolutamente indispensável.

2.25 Quadros plásticos não são preferíveis?

Os quadros plásticos, em poliestireno, compõem-se de uma moldura, idêntica aos de madeira, e mais uma superfície alveolada, como se fosse uma lâmina de cera. Assim, estes quadros não precisam de aramação nem da incrustação de cera. Quando a parte alveolada é banhada com cera, a aceitação das abelhas é normal, mas o quadro dificilmente é aproveitado por elas quando o banho de cera não é feito.
Isso sugere dificuldades na reutilização dos quadros, e esta é de fato a principal reclamação dos usuários. É possível que para quadros de melgueira, que devem ser preservados tanto quanto possível, essa idéia dê bom resultado. Mas, como no caso das caixas de poliuretano, os quadros de poliestireno estão no mercado há tempo demais para ainda não terem se tornado uma alternativa bem conhecida.
Na apicultura orgânica, esses quadros são proibidos.

2.26 Do que são feitos os favos?

Exclusivamente da cera secretada pelas operárias.

2.27 Como os favos são produzidos?

As abelhas que secretam cera fazem uma espécie de "cortina", umas presas às outras pelas patas. Cada uma delas produz flocos de cera, que depois são mascados e amolecidos com um pouco de saliva. Em seguida, são colados e moldados na estrutura de cera que está sendo construída. No caso do favo, a estrutura é um agrupamento de alvéolos, ou células, cuja seção transversal é um hexágono. Esses alvéolos são dispostos lado a lado, de forma que cada parede é compartilhada por duas células (exceto as paredes mais externas, é claro). Eles também são dispostos fundo-contra-fundo, desencontrados, de maneira que cada favo possui duas camadas de alvéolos, cada camada voltada para um lado.

2.28 Por que o alvéolo é hexagonal?

Essa forma otimiza a construção, pois atende da melhor forma possível o compromisso entre economia de cera e trabalho versus a resistência mecânica final do conjunto. Naturalmente, esta não é uma decisão racional das abelhas; uma hipótese é que a seção hexagonal seja apenas o resultado final da tentativa de formar vários alvéolos contíguos de seção circular – uma forma muito mais comum na natureza.

2.29 Qual é o tamanho do alvéolo?

As européias constroem 857 alvéolos de operária em 100 cm² (considerando-se as duas faces). A A.m.scutellata, menor, constrói 1000 alvéolos no mesmo espaço. Quando é fornecida cera alveolada às africanizadas no padrão europeu, elas mantêm as dimensões originais da lâmina. Alvéolos de zangão são maiores e perfazem cerca de 520 por 100 cm². Alvéolos usados para cria de operárias e armazenagem de pólen geralmente têm as mesmas dimensões. O armazenamento de mel pode ser feito em alvéolos de operária ou de zangão.

2.30 Quantos alvéolos há num favo?

Depende da área útil do quadro (as medidas mais rigorosas são as externas), mas pode-se estimar, arredondando, para 7.000 alvéolos de operária por quadro de ninho (3.500 por face), e 4.000 alvéolos por quadro de melgueira (2.000 por face).
No caso de favo de zangão, um quadro de ninho possui cerca de 4.200 alvéolos (2.100 por face), e, um quadro de melgueira, 2.400 (1.200 por face).

2.31 Existe cera alveolada para zangões?

É pouco comum aqui no Brasil, mas existe sim. Ela é usada principalmente por criadores de rainhas, que precisam produzir bons zangões também. Além disso, o uso favo de zangão na melgueira é muito usado por alguns apicultores de outros países.
As razões é que, primeiro, a extração de mel é muito acelerada pelo diâmetro maior dos alvéolos, o que facilita bastante o escoamento durante a centrifugação. Segundo, um favo de zangão utiliza apenas 78% da cera empregada num favo de operária do mesmo tamanho. Numa melgueira, a diferença de cera pode chegar a 130 g a menos com favos de zangão, o que, teoricamente, corresponde a cerca de 1 kg de mel economizado na produção de cera. Em outras palavras, o uso de favos de zangão na melgueira poderia aumentar a produção de mel em cerca de 9%.

2.32 Que cor tem o favo?

Favos recém construídos são brancos, mas vão ficando amarelados rapidamente. Os favos de ninho escurecem muito mais que os de melgueira, pois cada cria deixa resíduos do seu casulo e dejetos orgânicos que as outras operárias não conseguem eliminar inteiramente. Um favo de ninho antigo chega a ser quase negro.

2.33 Por que o mel não escorre do favo?

A construção do favo é orientada pela gravidade, e ele é perfeitamente vertical. Os alvéolos, porém, não são puxados a 90º. Eles são feitos com uma inclinação ascendente de 9 a 14º em relação à horizontal. Isso evita que o néctar/mel escorra logo que começa a ser armazenado no alvéolo, e também impede que as larvas caiam da célula acidentalmente. Quando o volume de néctar/mel armazenado atinge a borda do alvéolo, as abelhas iniciam a sua operculação (fechamento), de forma a impedir o escorrimento.

2.34 Como é o fundo da colméia?

É uma superfície, geralmente de madeira, com pequenas paredes nas laterais e atrás, que servem de apoio ao ninho. A frente estende-se alguns centímetros além do comprimento do ninho, para servir de plataforma de pouso e decolagem das abelhas. O espaço formado entre a superfície do fundo e o início da parede frontal do ninho é a entrada da colméia, chamada de alvado.

2.35 Que tamanho tem o alvado?

O alvado normal tem cerca de 37 cm de largura por 1 ou 2 cm de altura. Na prática, geralmente é usado um redutor, um pedaço de madeira que diminui esse espaço um pouco nas estações quentes e bastante nas frias (nas estações quentes, às vezes não é usado nenhum redutor). Alguns fundos são reversíveis, o que significa que as paredes laterais têm alturas diferentes de um lado e de outro. Com isso, o apicultor pode variar a altura do alvado pela reversão do fundo.

2.36 Como é a tampa da colméia?

É uma superfície, geralmente de madeira, com paredes em duas laterais, que ajudam no seu encaixe sobre a última caixa da colméia ou sobre a entretampa.

2.37 O que é uma entretampa?

É um dispositivo comum em outros países, mas muito pouco usado no Brasil. Trata-se de uma peça que serve para o fechamento superior da colméia, mas não fica exposta, e sim protegida pela tampa, que nesse caso, funciona também como um telhado.
Mesmo que as nossas colméias não sejam vendidas com entretampa, eu não apenas a uso como recomendo. Uma entretampa é um dispositivo perfeito para promover a ventilação da colméia, evitando que a grande quantidade de vapor produzida pelo enxame condense nas partes superiores da colméia e torne o seu ambiente insalubre, especialmente em regiões muito úmidas ou frias.
Para fazer uma entretampa de ventilação, basta cortar uma placa de compensado naval de 10-12 mm da mesma dimensão das caixas, e montar sobre as suas bordas (de um lado só) ela uma espécie de moldura, com sarrafos de 1 x 2 cm. Essa moldura deve ser interrompida por cerca de 5 cm no centro de uma das laterais, de forma a criar uma janelinha. Posta sobre a colméia, esta entretampa ficará com a janelinha acima do alvado. Essa janela, passará a ser guardada pelas abelhas, que, no entanto, dificilmente a usarão como alvado, talvez pela sua posição superior, que não é a preferencial para elas. Uma vantagem adicional deste modelo é que o espaço maior entre o topo dos quadros e o compensado permite a colocação de alimento protéico pastoso diretamente sobre os quadros de cria, que é o ideal.
Se alguém não quiser usar os sarrafos, pode fazer uma ventilação mais simples, e, na minha observação, ainda mais eficiente: fure a placa no centro com uma serra copo de 40 mm. Depois coloque um parafuso em cada canto da placa, de forma que as cabeças se sobressaiam uns 4 mm. Sobre esses parafusos será apoiada a tampa, garantindo espaço para a ventilação, mas sem possibilidade de correntes de ar diretas.
Outros modelos, derivados destes, podem ser feitos para permitir a alimentação protéica logo acima do ninho, quando houver melgueiras, ou com um dispositivo de fechamento opcional do orifício de ventilação, o que também é muito útil às vezes. Um modelo misto, com janela lateral e furo superior pode ser usado simultaneamente para ventilação e suporte a alimentadores do tipo balde (veja capítulo 6).

2.38 Que outros equipamentos podem compor a colméia?

Outros equipamentos importantes, mas de uso temporário, estão listados abaixo. Em outros capítulos, eles são mais bem explicados.
· Alimentadores, para fornecer alimentos às abelhas
· Tela excluidora de alvado, para impedir a saída da rainha da caixa (útil em colméias com enxames recém capturados)
· Tela de alvado com escape invertido, que permite a entrada das abelhas, mas não a sua saída (útil para transportes curtos ou trabalhos de manutenção do apiário)
· Tábua de escape, para remover abelhas das melgueiras antes da sua retirada

2.39 Como se protege a colméia contra a intempérie?

De três formas: cobrindo-a com um telhado (ou impermeabilizando a tampa), protegendo-a com algum tipo de pintura ou revestimento e colocando-a sobre um suporte para afastá-la do chão.

2.40 Como pode ser feito o telhado da colméia?

Qualquer superfície impermeável, de 60x80 cm ou um pouco maior, pode dar um ótimo telhado. Um pedaço de telha de fibrocimento dá uma boa proteção. Alguns apicultores usam tonéis pequenos, cortados ao meio. Uma alternativa mais cara mas muito bonita e durável é usar placas de compensado naval cobertas com chapa galvanizada pintada. Em qualquer caso, quando a colméia estiver exposta a ventos fortes, é recomendável colocar um peso sobre o telhado.

2.41 Como se pinta uma colméia?

Somente as paredes externas da colméia devem ser pintadas. Cores claras ajudam a refletir melhor as radiações do sol e manter uma temperatura mais amena em dias quentes. Duas demãos de tinta esmalte brilhante sobre selador, aplicados em madeira bem seca, é uma fórmula de excelente durabilidade (o esmalte brilhante é mais resistente que o opaco). Alguns apicultores suspeitam que a tinta esmalte e a tinta a óleo podem contaminar os produtos da colméia com metais pesados, e recomendam apenas tinta látex, a mesma usada para alvenaria.
Diversos fabricantes de colméias não as pintam, mergulham-nas num preparado fervente de 70% querosene, 25% parafina, 2,5% cera de abelhas e 2,5% breu. As caixas devem ficar em local ventilado até que o cheiro desapareça. A durabilidade é boa, mas o processo é perigoso. Além disso, as caixas ficam altamente inflamáveis, podendo ser completamente destruídas por um incêndio de campo que ocorra no apiário.
Quem é certificado como apicultor orgânico não pode usar esses processos de impermeabilização. Uma receita "ecológica", divulgada no grupo de discussão da Apacame, é 8 litros de álcool, 1 litro de óleo vegetal e 1 kg de própolis (pode ser a borra ou raspagem de quadros). Tudo deve ficar bem fechado num tambor e ser mexido diversas vezes, durante um mês. Depois, deve ser coado numa meia de nylon e usado para pintura das caixas, em duas demãos. A pintura deve ser refeita a cada dois ou três anos. Desconheço a eficácia desta fórmula. Já ouvi elogios e contestações às proporções usadas.

2.42 Onde fica apoiada a colméia?

Diversos tipos de suporte podem ser usados. Com africanizadas, suportes individuais, ou no máximo duplos, são mais recomendáveis que os coletivos, pela sua tendência à pilhagem. Cavaletes de quatro pés, fixos ou móveis, são muito usados. Tijolos, pedras ou o chão facilitam o ataque de predadores e sujeitam a colméia a quedas por desequilíbrio.
Para suportes fixos, eu prefiro os de pé central, único. Eles podem ser feitos com restos de cano galvanizado de 100 mm, encontrado em ferros-velhos ou em secretárias de obras públicas. Com quatro pedaços de cantoneira, faz-se um H com braço central duplo, e solda-se este braço numa extremidade do cano, de cerca de 1 m. O fundo da colméia fica apoiado nos braços laterais do H, bem encaixado entre as laterais das cantoneiras. A caixa pode ficar a 40-50 cm do solo. Pintado, esse suporte tem duração ilimitada, evita deslocamentos da colméia por pequenos esbarrões ou vento, é muito mais fácil de aprumar a caixa e facilita o controle de predadores, como formigas e tatus.
Uma boa alternativa ao cano galvanizado é o uso de cano de PVC de 100 mm, cheio de concreto. A parte superior pode ser fixada em um parafuso grande, que é mergulhado numa extremidade do cano enquanto o concreto ainda está mole.











19 de jun. de 2016

O Apiário

3. O Apiário

3.1 Com quantas colméias devo iniciar um apiário?

Se você não tem experiência anterior, com zero. Isso mesmo, antes de adquirir qualquer coisa de apicultura, procure um bom curso. Depois de fazê-lo, você terá condições muito melhores de avaliar como deverá ser o seu início na apicultura, ou, se for o caso, até desistir da idéia.

3.2 Como eu acho um bom curso de apicultura?

Uma forma é consultando a associação de apicultores da sua região.
Na minha opinião, um bom curso é aquele que combina teoria e prática de forma complementar. A teoria deve ser dada em vários dias, pois o assunto é vasto e impossível de ser minimamente assimilado se ensinado em um ou dois dias apenas. Da mesma forma, a prática deve ser feita em várias vezes, para que os alunos possam enfrentar diversas situações diferentes com a necessária tranqüilidade.
Alternativamente, você pode ler este texto, alguns livros e artigos, algum curso pela Internet, o que lhe dará uma boa base teórica, e fazer alguns dias de prática com algum apicultor amigo seu. Mas eu ainda recomendo a primeira opção, em que a prática é conduzida pelo mesmo instrutor teórico, o que dá uma maior solidez ao aprendizado.
Além do curso básico tradicional, há outros específicos que podem ser do seu interesse. Antes de fazê-los, porém, procure acumular um pouco de experiência e conhecimento, para direcionar melhor seus objetivos.

3.3 Mas, afinal, com quantas colméias geralmente se inicia um apiário?

Cinco a dez colméias é uma recomendação freqüente na literatura, mas não leve isso muito a sério. Você pode perfeitamente iniciar com uma única colméia, aprender bastante com ela, divertir-se e ainda colher seu primeiro mel. Depois, se desejar, e na medida das suas possibilidades, você pode ir ampliando o apiário.
Como primeiro critério, adote a sua capacidade de manejo. Estime quantas colméias você pode manter bem, considerando o seu tempo disponível e a sua disposição. Esqueça o critério, relativamente comum no início, de aumentar o número de colméias até igualar-se ao seu vizinho ou impressionar seus amigos - esta é uma receita de fracasso quase garantida. Não esqueça que você pode ser um excelente apicultor de uma colméia ou um péssimo apicultor de 200. Na dúvida, opte sempre pela qualidade.

3.4 Onde o apiário deve ser localizado?

Há diversas variáveis envolvidas nessa escolha: segurança, disponibilidade de flores e de água, presença de outros apiários.

3.5 A que distância de casas um apiário pode estar?

Em relação à segurança, abelhas africanizadas não podem ser mantidas em áreas densamente populadas. Uma recomendação freqüente é que o apiário seja mantido a 500 m de residências e criadouros. Trata-se, porém, de uma tolice. Essa distância define uma área circular completamente desabitada de quase 80 hectares, algo impossível para a maioria dos apicultores.
Eu crio abelhas africanizadas desde 1987. Num raio de 100 a 200 m há ou já houve casas, galinheiros e chiqueiros. Em todo esse tempo, nunca houve caso de pessoa ou animal ferroado em conseqüência das confusões que aprontei no apiário. É claro que isso não prova nada, mas a minha observação (e a de muitos outros) é que a proteção mais eficiente não é a distância, mas barreiras naturais bem fechadas, como mato nativo, um morro ou um reflorestamento adensado (cuidado, porém, que florestas plantadas são cortadas periodicamente).
Portanto, ao escolher o local do seu apiário, certifique-se de que há uma boa barreira natural entre o local e as casas e galpões vizinhos. Com boas barreiras naturais, uma distância de 100 m pode ser suficiente. De qualquer forma, se você for iniciante em apicultura, procure ouvir a opinião de um apicultor experiente antes de definir o local do seu apiário.

3.6 A que distância de flores e água deve ficar o apiário?

Em relação às flores, quanto mais próximo, melhor. Grosso modo, considere que a flora apícola útil situa-se num raio de até 1.500 metros do apiário. Não apenas a distância, mas também (e principalmente) a quantidade de espécies apícolas e a duração, intensidade e período das floradas são importantes na localização de um apiário fixo. Se você não tem alternativa, só lhe resta estabelecer o apiário onde é possível e avaliar o seu desempenho por algumas safras. Deficiências na flora apícola podem ser compensadas com o plantio de espécies apropriadas à sua região, ao menos parcialmente.
Em relação à água, também é interessante que ela esteja disponível em local próximo, de fonte limpa. Às vezes, uma alternativa viável é fazer um bebedouro para as abelhas, com água encanada pingando sobre um tanque raso, com areia e brita para as abelhas não se afogarem.

3.7 Que distância entre apiários deve ser respeitada?

Considerando-se a área útil de coleta das abelhas em 1.500 m, três quilômetros seria uma distância ideal. Infelizmente, este também é um número completamente irreal para a maior parte dos apicultores. Na prática, o que importa mesmo é a saturação do local.
Qualquer florada produz uma quantidade de néctar que pode ser total ou parcialmente colhido pelas abelhas e outros insetos. Se o tempo permite, mas nem todo o néctar produzido é colhido, a área está insaturada, isto é, ela ainda admite acréscimo de colméias. Caso contrário, a área está saturada, e o acréscimo de colméias acarretará a queda de produtividade das demais. Essa condição não é imediatamente percebida, mas uma queda de produção contínua por alguns anos pode ter a saturação como causa. A saturação também pode ocorrer sem acréscimo de colméias, pela remoção da flora apícola local, por desmatamento ou limpeza de campo.
Se você estiver iniciando, pode ir aumentando suas colméias gradualmente, até que a produção média fique mais ou menos estável. Se ela entrar em declínio contínuo, é bom investigar as causas, mas cuidado para não culpar a saturação muito cedo. O clima, por exemplo, é um fator altamente determinante da produção. As ocorrência das espécies anuais e o desempenho apícola das plantas também podem variar enormemente de um ano para outro.

3.8 Até quantas colméias posso ter num apiário?

De novo, depende da saturação da área. Em alguns lugares, não valerá a pena ter nenhuma; em outros, talvez seja possível manter cinqüenta colméias. Em qualquer caso, a capacidade do local é variável, podendo crescer ou diminuir de acordo com o que é plantado ou cortado nas imediações.

3.9 E se a produção cair porque o meu vizinho instalou um apiário?

Essa é uma questão muito delicada. Parece-me claro que seu vizinho tem o mesmo direito que você de ter um apiário. É como o caso do comerciante que tem um mercado e vê um concorrente estabelecer-se a meia quadra. A não ser que haja demanda reprimida, ambos ganharão menos do que ganhariam se estivessem sós. O direito de ambos é garantido, mas os resultados podem fazer um deles desistir.
No caso de apiários vizinhos, há dois caminhos possíveis: cooperação ou competição. Você pode conversar com o seu vizinho e chegar a um acordo com ele a respeito de quantas colméias cada um pode explorar, considerando o potencial do local e quanto cada sítio contribui para a flora apícola. Essa é a solução ideal, mas requer que os vizinhos tenham bom senso e boa vontade, o que nem sempre acontece.
A alternativa, no caso de uma área saturada, é a competição: tentar fazer o melhor manejo possível, para obter uma produtividade aceitável.

3.10 A que distância deve ficar uma colméia da outra?

Abelhas africanizadas geralmente são agressivas e pilhadoras, não devendo ser mantidas muito próximas, para que o manejo de uma colméia não alarme as vizinhas. Em geral, 5 m é uma distância aceitável, mas há quem use um distanciamento muito pequeno, da ordem de 1 metro.

3.11 Que outras considerações são necessárias no planejamento do apiário?

O mais importante é que haja um planejamento completo e cuidadoso antes que a primeira colméia seja instalada, porque depois tudo será muito mais difícil.
Por exemplo:
· Verifique se há agricultores que usam pesticidas nas proximidades. Isso pode ser fatal para suas abelhas ou deixar resíduos no seu mel.
· O apiário deve ter acesso fácil - lembre-se de que haverá colméias a serem levadas para lá e, espera-se, melgueiras muito pesadas a serem retiradas.
· O acesso às colméias deve ser sempre por trás, nunca pela frente, pois isso interrompe a linha de vôo delas e provoca muito mais ataques.
· Um sombreamento leve é muito útil nas estações quentes. Em regiões que possuem estações frias, árvores que perdem as folhas no inverno são uma boa opção para arborizar o apiário. Uma boa alternativa, especialmente nas regiões mais ao Sul, é posicionar as colméias numa boca de mato voltadas para o Norte. Desta forma, elas receberão uma incidência direta de sol maior no inverno e menor no verão.
· Locais sujeitos a alagamento são péssimos para as abelhas, pois a umidade dificulta a evaporação do néctar, e para o apicultor, que deve manejar as abelhas em meio à lama.
· Terrenos muito íngremes dificultam a movimentação no apiário e sujeitam o apicultor a quedas que podem ter sérias conseqüências. O uso de terraços pode ser uma boa solução.
· É preferível que o lado dos ventos mais fortes fique protegido por algum tipo de quebra-vento, natural, construído ou plantado.
· Lembre-se que você pode querer aumentar o apiário no futuro. É melhor já pensar numa possível ampliação e preparar toda a área de uma vez.
· Não esqueça de que você precisará de um local para abrigar os equipamentos, as roupas e as colméias vazias.
· A distância do apiário à sua casa também não pode ser grande demais, para que o manejo possa ser feito numa freqüência mínima.

3.12 Para que lado devem ficar virados os alvados?

Uma crença comum é de que os alvados devem ser voltados para Leste, de forma que as abelhas "comecem a trabalhar assim que o sol nasça". Pelo mesmo raciocínio, essas abelhas devem parar de trabalhar mais cedo, já que o sol poente estará no lado oposto ao alvado? Um trabalho realizado na Inglaterra divulgado no plenário Apacame por Breno Freitas, da UFC, investigou o comportamento de abelhas cujas colméias tinham o alvado voltado para diferentes posições, e não encontrou nenhuma diferença significativa.
Um critério bom é posicionar as colméias de forma que o deslocamento do apicultor e de algum veículo possa se dar sempre pelos fundos das colméias, nunca próximo às frentes. Se ainda assim houver alternativas boas de posicionamento, considere a possibilidade de instalá-las em beira de mato, voltadas para o Norte (veja item 3.11) ou com o alvado voltado para o lado em que os ventos são menos intensos.

3.13 Como limpar o apiário?

Depois de habitado, a limpeza do apiário é um pouco mais complicada. Tem de ser feita com o equipamento de proteção, pois a movimentação provoca muita agitação nas colméias. Uma boa solução é usar as telas de alvado, de escape invertido. Essas telas permitem a entrada das campeiras, mas não a sua saída. Assim, o trabalho pode ser feito com mais calma, à custa do aprisionamento temporário das abelhas.
Alguns usam herbicidas naturais, como o sal. Poucas plantas toleram uma alta salinidade, e o apiário, ou pelo menos o entorno das colméias, pode ser mantido limpo assim. Sem uma cobertura vegetal, porém, o solo absorve e irradia mais calor, aumentando a temperatura no apiário. E as chuvas podem transformá-lo num lamaçal.
Uma boa ajuda pode ser o plantio de uma cobertura vegetal baixa e agressiva, como alguns tipos de grama e trevos, de preferência que já estejam aclimatados à região.

3.14 Posso criar animais perto do apiário?

Depende. Animais encurralados podem ser atacados e mortos se não puderem fugir.
Gado bovino normalmente pode ser criado, desde que não haja cercas que impeçam a sua fuga. Nesse caso, é preferível não cercar nem mesmo o apiário, pois se algum animal conseguir passar a cerca e derrubar alguma colméia, provavelmente não achará a saída. Com apiário aberto, geralmente o gado aprende a respeitar as colméias, e raramente se ouve relatos de acidentes.
Já com gado eqüino, alguns apicultores reportam problemas. Os cavalos parecem ter uma tendência menor de fugir sob ataque, e maior de se agitar, escoiceando. Isso é perigoso em caso de acidente.
Animais menores podem ser mantidos à distância com o cercamento do apiário com tela ou arame.

3.15 Posso fazer as minhas colméias?

A não ser que você seja um marceneiro, é melhor comprá-las, pois a construção dá muito trabalho, e as dimensões devem ser exatas, para que outros acessórios possam ser usados com elas. As dimensões estão disponíveis na Internet e em diversos livros. Mas é preciso tomar cuidado com as medidas: em [WIE87], por exemplo, algumas medidas não são as oficiais.

3.16 Quanto custa uma colméia?

Uma colméia completa, com fundo, ninho, duas melgueiras, quadros aramados e tampa custa aproximadamente o mesmo que 10 kg de mel (no varejo). Um ninho com quadros custa por volta de 4 kg de mel, e uma melgueira, uns 3 kg de mel.

3.17 Quantas melgueiras por colméia devo comprar?

Depende da produtividade possível na sua região, na melhor florada. O melhor é informar-se com os vizinhos. O mínimo absoluto, me parece, são duas melgueiras para cada colméia, pois é possível que você precise de um ninho e uma melgueira para a postura da rainha (veja item 7.14). Se você adotar um manejo intensivo para produção de mel, com troca freqüente de rainhas e alimentação artificial na entressafra, e tiver uma boa flora apícola na região, pode pensar em 3 a 5 melgueiras por colméia. Na dúvida, compre duas melgueiras por colméia e avalie os primeiros resultados.

3.18 Preciso comprar colméias de reserva?

Sim, isso é muito importante. Inicialmente, tenha pelo menos uma ou duas colméias completas de reserva. Com o tempo você vai ajustando essa quantidade.

3.19 Como povoar o apiário?

Há diversas formas de se obter enxames para povoar o apiário. A primeira é comprar enxames em uma loja ou de outro apicultor. Um enxame custa cerca de 8 kg de mel.
Outra forma é capturar enxames com caixas-isca. Esse é o método mais barato e menos trabalhoso, mas não é muito garantido.
Outra maneira é capturar enxames alojados na natureza ou em locais indevidos. Eles podem ser encontrados em ocos, cupinzeiros velhos, vãos de paredes duplas, caixas, barris, qualquer lugar. Esta, freqüentemente, é a maneira mais penosa e a que exige maior experiência. Por outro lado, pode ser também uma atividade rentável, pois há apicultores que cobram pelas remoções - além de ficarem com o enxame.
Quando se deseja ampliar um apiário já povoado, pode-se também recorrer à divisão de enxames.

3.20 Como é uma caixa-isca?

Um estudo do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) desenvolveu um padrão de caixa-isca que parece ser consenso hoje no Brasil, às vezes com pequenas variações [SOA97]. Primeiro, ela deve ser de papelão (a caixa que contém caixas de sabão em pó é boa e facilmente obtida em supermercados). Dentro, deve haver uns cinco quadros de ninho, aramados normalmente, cada um com 1/3 de lâmina de cera alveolada. As paredes internas devem ser "pintadas" com uma substância atrativa, o capim-cidró/cidreira (Cymbopogon citratus), macerado e misturado com vaselina. Um "alvado" de 10 cm² deve ser aberto na caixa.
Para aumentar a sua durabilidade, a caixa pode ser pintada de branco ou amarelo ou envolvida num plástico. Nesse caso, um saco de lixo de cor clara (de 50 l) e fita adesiva são suficientes (não esqueça de cortar o saco no local do alvado). A caixa deve ficar a 2 m de altura do solo, em boca de mato.
Algumas variações parecem funcionar igualmente bem. A tira de cera pode ser estreita - uma lâmina de melgueira fornece 5 tiras, o suficiente para uma caixa-isca. Folhas de capim-cidró podem ser esfregadas na caixa, ao invés de misturadas a vaselina. Alguns apicultores recomendam borrifar a caixa internamente a cada 15 dias com uma mistura de capim-cidró, própolis (pode ser a borra) e álcool comum. A caixa pode ficar mais baixa, a 1,5 m, por exemplo, para facilitar o manuseio.

3.21 Não é melhor usar colméias vazias para atrair enxames?

Segundo o estudo mencionado acima, não. A caixa de papelão é dez a quinze vezes mais atrativa do que as de madeira.

3.22 Por que usar o Cymbopogon citratus?

Porque ele possui um odor semelhante ao feromônio produzido pela glândula de Nasanov, que as abelhas utilizam para chamar as demais.

3.23 Quando colocar e tirar as caixas-isca?

Os períodos de enxameação coincidem com os de safra. Por isso, colocam-se as caixas-isca no início da safra, deixando-as até o final. Em outras épocas, sempre é possível capturar algum enxame, especialmente os que abandonam suas colméias, mas a probabilidade é muito menor. Por via das dúvidas, podem-se deixar algumas iscas no campo.

3.24 Quando o enxame pode ser transferido para a colméia definitiva?

Cerca de uma semana após a captura, já deve haver favos com cria. Nesse momento, cai o risco de o enxame abandonar a caixa após uma manipulação, e a transferência para a colméia definitiva pode ser feita. No entanto, eventualmente, pode-se manter o enxame na caixa-isca até a sua transferência para o local definitivo (apiário).
A limitação mais importante para a manutenção do enxame capturado na caixa-isca é o calor. Por se tratar de um material termicamente isolante, o papelão pode provocar um aumento intolerável de temperatura no interior da caixa, especialmente se ela estiver exposta ao sol da tarde. Nesse caso, 7-10 dias é, provavelmente, o máximo que um enxame agüentará ali.
Outro problema é a deterioração da caixa de papelão, que poderá acontecer rapidamente após a entrada do enxame. A causa é que, com um alvado pequeno e embalada num saco plástico, a ventilação da caixa torna-se muito deficiente, e a grande quantidade de vapor gerado pelo enxame acaba condensando-se nas paredes e encharcando o papelão.
Para evitar ou amenizar esses problemas, pode-se abrir uma fresta na parte superior de uma lateral da caixa, sobre o alvado ou na lateral oposta. Isso melhorará a ventilação e garantirá mais conforto ao enxame e uma vida útil maior à caixa-isca.

3.25 Quando a nova caixa pode ser transferida para o apiário?

Se o apiário estiver a mais de 3 km, basta esperar até que o enxame esteja bem ambientado, com as campeiras trabalhando bastante. Também é importante que o enxame esteja bem alojado, com bons favos de cria e quadros bem seguros, para que o transporte não os danifique.
Se o apiário estiver próximo, há três possibilidades. A primeira é na noite seguinte ao dia de captura. Essa é a melhor opção, mas só pode ser feita se a distância permitir um transporte manual e extremamente cuidadoso, que não perturbe o enxame, pois ele estará em forma de cortina, construindo os favos. Como as campeiras mal começaram a tarefa de coleta, elas ainda não se habituaram ao novo local, e a perda no dia seguinte, por retorno ao local da captura, será mínima.
A segunda possibilidade é mover a caixa para um local distante mais de 3 km, deixá-lo por lá duas semanas e depois transferi-lo para o apiário (há quem afirme que apenas 3 dias no local provisório são suficientes, mas eu nunca cheguei a confirmar isso). Para isso, a colméia deve estar em boas condições para resistir ao transporte.
Uma terceira possibilidade é a movimentação direta do local de captura para o apiário próximo por volta do 30º dia de captura. Nesta época, grande parte das campeiras originais já morreram ou estão próximas do fim, enquanto que a primeira geração de abelhas novas está quase pronta para iniciar as tarefas de coleta. Assim uma transferência para um local próximo causa uma perda relativamente pequena de campeiras por retorno ao local de origem, e ainda assim de campeiras velhas.

3.26 Como capturar enxames alojados?

Esse é um tópico avançado, que requer experiência no trato com as abelhas e, muitas vezes, outras habilidades. O processo, basicamente, consiste em remover os favos do local e transferi-los para um ninho. Cada favo deve ser colocado no centro de um quadro sem arame, e fixado com elásticos de prender dinheiro ou barbantes. É importante que a orientação vertical dos favos seja preservada, ou todo o trabalho será perdido. Depois disso, as abelhas e, especialmente a rainha, devem ser transferidas para a nova caixa, com ajuda de uma concha ou caneca. Enquanto a rainha não for transferida, as abelhas não permanecerão na nova casa. Ao contrário, quando a rainha estiver lá, as abelhas restantes entrarão por conta própria.
Por fim, a nova colméia pode permanecer no local por algum tempo até que todas as abelhas tenham se recolhido a ela. Às vezes, isso requer o fechamento das entradas originais. Alguns apicultores colocam ainda uma tela excluidora de alvado (ou uma tela excluidor normal, entre o ninho e o fundo), para que a rainha não consiga fugir num primeiro momento. Posteriormente, a caixa deve ser movida para o local definitivo, e os favos capturados devem ser gradualmente substituídos por cera alveolada.
Há uma alternativa interessante, que não pode ser usada sempre, e de cujo resultado não tenho confirmação. Consiste em instalar uma colméia ou um núcleo nas proximidades do enxame alojado e forçar a passagem das abelhas pela colméia, com a ajuda de um tubo. Naturalmente, todas as frestas da colméia original deverão ser bem vedadas. Eventualmente, o enxame pode adotar o novo espaço e abandonar o antigo.

3.27 Como manter informações sobre o apiário? 

O registro de informações sobre o apiário e as colméias pode ser muito útil ao apicultor, especialmente ao iniciante e ao grande apicultor. Para poucas colméias, um caderno pode ser suficiente. Para quem quiser manter dados mais organizados e em maior quantidade, algumas planilhas eletrônicas servirão perfeitamente. Quem preferir uma interface mais simples e um conjunto de funções já bem definidas pode optar por um programa de apicultura. Há vários deles disponíveis na Internet, em diversas línguas. Alguns possuem versões para demonstração e até versões gratuitas completas para poucas colméias.

O apiário

O apiário é o local onde se encontram alojadas as colmeias, devendo estar localizado em uma área de produção de flores, e protegido de ventos fortes. As colmeias são colocadas sobre suportes individuais e orientados em diferentes posições com relação a linha de voo das abelhas que é o caminho escolhido por estas para a sua colmeia.
Para garantir uma boa produtividade dentro da área de saturação, recomenda-se a instalação de no máximo 20 colmeias por apiário.
Localização do apiário
Como na localização dos apiários existe um grande número de abelhas, é necessáro que eles estejam situados em regiões onde existam uma abundante floração, pois ocorre uma estreita relação entre as abelhas e a polinização.
Tem existido, ao longo dos tempos, uma evolução conjunta de plantas e insetos, onde as plantas determinam várias adaptações morfológicas no corpo dos insetos, enquanto estes influenciam a grande diversidade de estruturas florais. Entre as estratégias das plantas encontram-se as flores que armazenam néctar em tubos longos e só acessíveis a potenciais polinizadores, e cores e odores atrativos. Existem orquídeas abelheiras que emanam um aroma muito semelhante ao das feromonas femininas atraindo, assim, os machos.
Por seu lado, os sentidos dos insetos – olfato, paladar, visão da forma e da cor – adaptaram-se à melhor forma de encontrar e utilizar as flores como fonte de alimentação. São exemplos destas adaptações a grande quantidade de pelos nas patas posteriores das abelhas, local do reservatório de pólen.
Na localização do apiário devemos seguir os seguintes passos, para o sucesso do empreendimento:
1º. Observar a florada local: iniciando com poucas colmeias, em seguida, aumentando este número, até a produção começar a declinar. A produção média de um apiário não deve ser inferior a 20 quilos de mel por ano.
2º. Evitar regiões descampadas: nessas condições, o período de florada é curto, devido a perda de umidade no solo, além de dificultar o voo das abelhas por causa dos fortes ventos.
3º. Prefirir as regiões de solos férteis: nesse caso, há maior produção de flores em número e em qualidade nectarífera, proporcionando às abelhas um maior suprimento de alimentos.
4º. Evitar alagadiços: as águas paradas são ricas em protozoários diversos, dentre os quais aquele que produz a nosemose.
5º. Fonte de água limpa: deve estar próxima ao apiário, e caso não seja possível, é necessário a instalação de um bebedouro artificial. O bebedouro mais prático é aquele que utiliza um barril fechado com uma torneira pingando sobre um estrado coberto por um pano.
6º. Linha de voo: em volta do colmeal a área deve apresentar-se livre de obstáculos que venham a atrapalhar o movimento de voo das abelhas.
7º. Regiões acidentadas: devemos escolher as áreas mais baixas para instalar o apiário, pois as abelhas, ao voltarem do campo carregadas de alimento, terão mais facilidade de voarem de cima para baixo.
8º. Acesso: os veículos e pedestres devem chegar com facilidade à área do apiário, principalmente no momento de colheita do mel. Transportar a produção em padiola que é uma prática bastante trabalhosa e implica maior custo.
9º. Vigia permanente: deve ter sempre uma pessoa próxima ao apiário, pronta para socorrer as abelhas, no caso de algum acidente, como também para evitar roubos e recuperar os enxames que por ventura venham a sair.
10º. Evitar focos de luz: postes de iluminação ou casas bem iluminadas atraem as abelhas, pondo em risco os moradores e provocando a morte de muitas abelhas.
Povoamento de um apiário
Já escolhido o local ideal para instalação do apiário, considerando os 10 pontos comentados anteriormente, o apicultor passará à próxima etapa, que é a de adquirir os enxames, observando as seguintes recomendações:
1º. Enxames naturais pendentes de galhos: estes enxames são mansos e podem ser capturados em uma colmeia tratada com ervas aromáticas, tais como erva-cidreira, bamburral, e, se possível, contendo um quadro com crias novas.
Como fazer: Se o enxame se encontra localizado em um galho baixo, a colmeia deve ser colocada embaixo das abelhas e uma pessoa agita o ramo, primeiro para baixo e depois para cima, fazendo com que todo enxame caia no interior da colmeia. Em seguida a colmeia é fechada, para que o restante das abelhas acompanhem a rainha para dentro da caixa.
Caso o enxame se encontre pendente num galho alto, podemos usar um equipamento de fácil construção chamado saco coletor de enxames, que é formado por um saco de tecido ou tela fina, montado num arco de ferro, com suporte de um cabo de madeira e um dispositivo para fechar o saco através de um cordão (tipo alavanca).
2º. Enxames naturais nidificados (alojados): estas famílias já se encontram em crescimento, apresentando favos com crias novas e maduras, e reserva de mel. Neste caso, os favos contendo cria devem ser transferidos para o ninho em quadros simples, como também um determinado suprimento de mel. Nestas condições de habitação da família, as abelhas são mais agressivas, pois defendem o seu patrimônio.
3º. Uso de iscas: nesse caso, os enxames são atraídos para o interior do ninho pelo cheiro da cera alveolada, que é colocada nos quadros, em tiras estreitas.
Após a instalação das famílias nas caixas de ninho, os quadros montados com folha de cera alveolada completa deverão substituir aquelas montadas somente com tiras finas.
Inicie o apiário com um número pequeno de colmeias, e após adquirir experiência, passe a ampliar o seu colmeal.
Caso o apiário não esteja alcançando a média de 20 quilos de mel anualmente, é um indicativo de que a região está saturada, isto é, o pasto apícola não está sendo suficiente para fornecer alimentação para todas as colmeias.
Divida o apiário, levando parte das colmeias para outra área distante, no mínimo, 1.500 metros.
Você pode povoar as colmeias comprando em grandes apiários, os enxames que são vendidos na forma de núcleos e compõem-se de: 1 rainha já fecundada, 5 a 6 mil abelhas operárias, 2 a 3 quadros com cria e 1 quadro com reserva de alimento.