1 de out. de 2016

Raças de Bovinos de Corte

A produção animal pode ser considerada como o resultado da utilização dos recursos genéticos (raças, tipos, etc.), dos recursos ambientais e socioeconômicos disponíveis numa região ou país, das práticas de manejo adotadas e das possíveis interações entre esses componentes. 
Há várias maneiras de combinar os elementos dos componentes entre si, o que resulta em grande número de possíveis sistemas de produção. Em geral, os sistemas de produção mais eficientes são aqueles que otimizam os recursos genéticos, ambientais e socioeconômicos e as práticas de manejo em todos os componentes do ciclo produtivo da carne bovina (reprodução - aumento em número; produção - aumento em tamanho; e produto - aumento na qualidade).
No mundo, há aproximadamente mil raças de bovinos, das quais duzentos e cinqüenta têm alguma importância numérica. No Brasil, há cerca de 60 raças que podem ser exploradas para produção comercial de carne bovina.
As diferenças entre as raças quanto às características morfológicas, fisiológicas e zootécnicas podem ser atribuídas às diferentes pressões e direções da seleção às quais elas foram submetidas durante o processo evolutivo. Desse modo, cada raça é dotada de composição genética diferente, principalmente para as características relativas ao tipo racial (cor da pelagem, presença ou ausência de chifres, conformação do perfil da fronte, tamanho da orelha, etc.) e, provavelmente, para os atributos relacionados com a habilidade de adaptação ao ambiente (adaptabilidade). 
A diversidade genética existente entre as raças bovinas pode ser utilizada de três maneiras: 
  1. criação ou introdução da raça pura melhor adaptada ao sistema de produção; 
  2. formação de novas raças; e  
  3. utilização de sistemas de cruzamento. As duas primeiras podem ser praticadas por meio da realização de cruzamentos por apenas algumas gerações, uma vez que o objetivo final é a introdução de raça pura melhor adaptada ou a formação de nova raça (futuramente, uma raça pura). 
A utilização de sistemas de cruzamento, por outro lado, é uma forma de aproveitamento da diversidade genética e dos ganhos genéticos obtidos nos programas de melhoramento das raças puras de maneira permanente e contínua, sem a preocupação de obter uma nova raça ou introduzir uma raça pura no sistema de produção. 
As estratégias de utilização dos recursos genéticos envolvem diferentes alternativas de seleção. A seleção dentro de raças puras é feita com base no modelo aditivo simples quanto ao tipo de ação gênica. Na prática, a seleção de raças puras geralmente produz ganhos genéticos próximos daqueles previstos teoricamente.
A utilização de cruzamentos, por outro lado, é considerada como alternativa à seleção. No entanto, precisa ser ressaltado que as alternativas de seleção e de cruzamentos não são mutuamente exclusivas. Qualquer sistema de cruzamentos ou esquema de formação de novas raças depende dos programas de seleção das raças puras utilizadas no processo. 
O programa de melhoramento animal pode ser sistematizado em 10 passos seqüenciais:  
  1. descrição do sistema de produção;  
  2. estabelecimento do objetivo do sistema de produção;  
  3. escolha da estratégia de utilização e dos recursos genéticos;  
  4. obtenção de parâmetros de seleção (herdabilidade, correlações) e pesos econômicos relativos;  
  5. delineamento do sistema de avaliação; 
  6. desenvolvimento dos critérios de seleção;  
  7. delineamento do sistema de acasalamentos;  
  8. delineamento do sistema de multiplicação dos animais selecionados; 
  9. comparação de alternativas de programas de melhoramento; e  
  10.  revisão do programa com base nas modificações futuras e, se for o caso, na segmentação do sistema de produção de carne bovina. 
Qualquer que seja a estratégia a ser escolhida, um aspecto fundamental na utilização dos recursos genéticos e ambientais para a produção de bovinos de corte é a visão do sistema de produção como um todo, isto é, da concepção do bezerro até o consumo da carne. 
A eficiência de qualquer sistema de produção, por sua vez, é função de três componentes:  
  1. eficiência reprodutiva do rebanho de vacas; 
  2. eficiência do ganho de peso dos animais jovens; e  
  3. qualidade do produto.  
A avaliação de apenas um ou dois componentes pode conduzir a recomendações discutíveis, particularmente quanto à eficiência econômica do sistema de produção.
Valores econômicos relativos dos três componentes da eficiência produtiva em bovinos de corte são mostrados na Tabela 4.1, considerando-se cinco situações diferentes. Os valores econômicos relativos mostram a importância de cada componente da eficiência no ciclo produtivo de bovinos de corte.
Embora possa parecer óbvio, é necessário enfatizar que as características de produção não têm importância para o produtor de bovinos de corte se não há bezerros vivos, sadios, produzidos no rebanho, cujas mães fiquem prenhes na estação de monta seguinte. O aumento do ganho de peso e o melhoramento da qualidade de carcaça são características inúteis sem um bezerro vivo, já que elas simplesmente não se realizam.As características relacionadas à eficiência reprodutiva (aumento em número de animais) são de importância fundamental em qualquer situação (Tabela 4.1). O aumento da eficiência reprodutiva (taxa de desmama, por exemplo) é de 2 a 10 vezes mais importante do que o aumento no componente de produção (ganho de peso, por exemplo). 
O aumento da eficiência reprodutiva é muito mais importante (10 a 20 vezes) do que o melhoramento da qualidade do produto, para os sistemas de produção dos Estados Unidos (Tabela 4.1). No Brasil, essa relação é maior do que 300 vezes para os sistemas de produção de bovinos de corte em regime exclusivo de pastagens, o que evidencia a importância do melhoramento da eficiência reprodutiva dos rebanhos brasileiros.
As características de produção (aumento em tamanho), por sua vez, são duas vezes mais importantes do que as características relacionadas com a qualidade do produto nos sistemas integrados de produção de carne bovina dos Estados Unidos (Tabela 4.1). No sistema de produção predominante no Brasil (extensivo e em pastagens), no entanto, as características de produção, principalmente o ganho de peso após a desmama, têm valor econômico relativo 175 vezes maior do que aquelas relacionadas com a qualidade do produto. Isto faz com que o aumento do ganho de peso após a desmama seja o principal fator de contribuição para a redução da idade de abate dos animais, com efeitos indiretos na qualidade do produto.
Outro aspecto importante dos sistemas de produção de bovinos de corte refere-se ao fato de diferentes animais desempenharem funções diferentes no ciclo da produção. A menor unidade de produção é composta por três categorias de animais: vaca, touro e bezerro. Na Tabela 4.2 estão relacionadas as características de maior importância e as especificações desejáveis de cada um dos componentes da unidade de produção.
As características desejáveis nos três componentes da unidade de produção (sinais iguais ou neutralidade) são fertilidade alta, adaptação ao ambiente, longevidade, saúde e docilidade (Tabela 4.2). A ocorrência de sinais diferentes indica a existência de antagonismos entre tamanho pequeno (desejável nas vacas e indesejável nos bezerros) e ganho de peso elevado (desejável nos animais de abate, indesejável nas vacas). Esses antagonismos são, em geral, resultantes da correlação genética negativa e desfavorável entre tamanho à maturidade e grau de maturidade numa determinada idade. 
Um terceiro aspecto a ser considerado na avaliação das estratégias de utilização dos recursos genéticos é o possível antagonismo entre os objetivos econômicos das fases de reprodução (aumento em número) e produção (aumento em tamanho) nos sistemas de produção de bovinos de corte. Em geral, os custos fixos são atribuídos por animal, independentemente do seu tamanho. Além disso, o aumento em número (maior eficiência reprodutiva) provoca redução nos preços de venda por animal. A médio e longo prazos, os ciclos de preços da carne bovina são, pelo menos em parte, reflexo desse tipo de antagonismo.
Por último, mas nem por isso menos importante, há os antagonismos de natureza genética entre as características de produção (pesos, ganhos de peso) e de reprodução (intervalo de partos, taxa de concepção) em bovinos de corte. Para as condições brasileiras, foram obtidos resultados que indicaram a existência de antagonismo genético entre peso à desmama e eficiência reprodutiva de fêmeas da raça Canchim, criadas em regime de pastagens. Resultados semelhantes têm sido obtidos em outros países e outras raças de bovinos de corte. Com algumas exceções, o tamanho maior à maturidade parece não ser desejável em bovinos de corte. Este tipo de conclusão depende, obviamente, das condições ambientais em que os animais são produzidos.
É importante ressaltar que o objetivo principal da produção animal, seja ela praticada de forma extensiva ou intensiva, é atender as exigências de mercado. É difícil predizer o futuro, porque uma amplitude de cenários diferentes pode ocorrer. No entanto, esses cenários possíveis podem servir como indicação do tipo de animal que será demandado no futuro. 

Neste sentido, dois aspectos são importantes: 

  1. manutenção (ou mesmo aumento) da variabilidade disponível em bovinos de corte; e 
  2. aumento na flexibilidade para praticar mudanças no tipo de animal em resposta às mudanças nas exigências de produção e de mercado. 
A produção de carne bovina no Brasil é praticada de forma extensiva. Na maioria das regiões produtoras predomina o sistema de cria, recria e engorda, em regime exclusivo de pastagens e com práticas de manejo inadequadas. A intensificação dos sistemas de produção ainda é incipiente no País, mas um cenário possível, a médio prazo, é que as fases de cria e recria sejam praticadas em pastagens de melhor qualidade e melhor manejadas e que a fase de engorda seja feita em regime de confinamento ou semiconfinamento, visando à redução da idade de abate dos animais e à produção de carne de melhor qualidade. 
Na Figura 4.1 são ilustradas as relações entre as alternativas possíveis envolvendo seleção, cruzamentos e formação de novas raças em bovinos de corte. O ponto de partida considerado foi a utilização de uma "raça exótica" em cruzamento com fêmeas da população local. Assim, a estratégia colocada em discussão é a utilização de cruzamentos para intensificação da produção de carne bovina. As questões na Figura 4.1 precisam ser respondidas com níveis adequados de precisão. Do contrário, torna-se praticamente impossível estabelecer a estratégia de utilização dos recursos genéticos mais adequada ao sistema de produção. 
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Figura 4.1. Aspectos importantes a serem considerados na escolha estratégica do sistema de utilização e dos recursos genéticos em bovinos de corte.  

Fonte: Adaptado de Cunningham, 1981
Com base nos resultados obtidos no Brasil, concluiu-se que os animais cruzados foram, em média, 15% superiores aos de raças puras quanto às características de crescimento (pesos e ganhos de peso), mas tiveram maior consumo de matéria seca (12%) e as fêmeas apresentaram maior peso à maturidade (13%). A maior vantagem dos cruzamentos, para as condições brasileiras, parece estar na utilização de fêmeas cruzadas, que foram 20% mais eficientes do que as de raças zebuínas quanto à taxa de gestação. Estes resultados indicam que a resposta à primeira pergunta da Figura 4.1 é positiva, para a maioria das condições ambientais encontradas no Brasil.
Mas, quais raças exóticas são as mais adequadas para os diferentes sistemas de produção? A resposta é dependente dos resultados observados com a utilização de determinada raça exótica, seja como raça pura ou em cruzamentos, nas diferentes regiões edafoclimáticas do Brasil, dos resultados obtidos pelas instituições de Pesquisa e Desenvolvimento e, muitas vezes, dos "modismos" criados por estratégias de "marketing" bem sucedidas. Felizmente, há mais de mil raças de bovinos no mundo, das quais 250 têm número de animais suficiente para atender a demanda, isto é, a escolha estratégica da(s) raça(s) é possível, tanto para atender as necessidades do mercado quanto para compatibilizar as exigências dos animais com as condições ambientais.
Outra questão que ainda não foi respondida de maneira adequada é a percentagem desejável das raças exóticas na composição genética dos animais. Nos casos em que a superioridade das raças exóticas foi marcante, houve a substituição da raça local, como já ocorreu no Brasil no período de 1930 a 1960, quando as raças Caracu e Mocho Nacional foram substituídas pelas raças zebuínas, de maneira gradual, começando com Gir, Indubrasil e Guzerá e, mais tarde, terminando com Nelore. Atualmente, mais de 75% do rebanho bovino de corte é Nelore ou de alta mestiçagem de Nelore e outras raças zebuínas. 
Esse processo de substituição das raças locais (Caracu e Mocho Nacional) foi devido, em grande parte, aos resultados obtidos na Estação Experimental de Zootecnia de Sertãozinho, SP, no período de 1934 a 1942, no projeto de cruzamentos de touros de raças taurinas (Aberdeen Angus, Charolesa, Devon, Hereford, Limousin e Pardo-Suíço) e zebuínas (Gir, Guzerá e Nelore) com vacas das raças Caracu e Mocho Nacional. A taxa de mortalidade do nascimento aos três anos de idade foi muito maior nos animais cruzados de raças taurinas (47,1%) do que nos de raças zebuínas (18,8%). As recomendações técnicas foram a paralisação do projeto de cruzamentos e o estabelecimento de projetos de avaliação e seleção do Zebu para produção de carne. Essas recomendações tiveram grande impacto no processo de tomada de decisões dos produtores. 
Ainda quanto à composição genética dos animais, tem sido geralmente aceito que a proporção ideal é 5/8 Bos taurus + 3/8 Bos indicus, mas isso não tem suporte na teoria da heterose residual. Acredita-se que a definição dessa proporção ideal tenha sido derivada de uma publicação em que se diz que a raça Santa Gertrudis é composta de aproximadamente 5/8 Shorthorn + 3/8 Brahman; com a supressão do termo grifado, parece que a proporção foi sendo difundida como a ideal. Evidentemente a proporção ideal varia de acordo com as condições ambientais e as exigências de mercado, mas pouco tem sido feito no Brasil para obter informações sobre o assunto.
Na seqüência das questões (Figura 4.1), vem a importância da heterose na eficiência líquida do sistema de produção. A resposta a esta questão ainda depende de projetos de pesquisa delineados para a obtenção de resultados sobre o sistema de produção como um todo. 
As necessidades de pesquisa em sistemas de cruzamento foram levantadas por alguns autores, destacando-se a obtenção de estimativas dos efeitos aditivos e heteróticos, a avaliação econômica comparativa das estratégias de utilização dos recursos genéticos e a caracterização das raças e dos ambientes onde elas são criadas.
Finalmente, há a questão sobre a escolha estratégica entre a formação de novas raças e a utilização de sistemas de cruzamento. Se as respostas às duas últimas questões foram positivas, então a seleção nas populações produtoras de reprodutores assume papel fundamental na escolha estratégica dos recursos genéticos.
Para a intensificação dos sistemas de produção de bovinos de corte, a escolha estratégica do sistema de utilização (raça pura, nova raça, sistemas de cruzamento) e dos recursos genéticos (raças) deve ser feita com base nas respostas obtidas sobre algumas questões, como aquelas explicitadas na Figura 4.1. As opções estratégicas são a seleção de raças puras, a formação de novas raças e a utilização de sistemas de cruzamento entre raças. Deve ser lembrado, mais uma vez, que estas opções não são mutuamente exclusivas e, por isso, devem ser consideradas como complementares. Tanto a formação de novas raças quanto a utilização de sistemas de cruzamento dependem da seleção como meio para a obtenção de animais adaptados às condições ambientais e adequados às exigências do mercado de carne bovina.

ABERDEEN ANGUS



Origem
Os criadores da região de Angus e do condado de Aberdeen no oeste e nordeste da Escócia empenharam-se na formação da raça, daí o nome Aberdeen Angus. Foi reconhecida oficialmente em 1835.

Características
A raça Aberdeen Angus é de porte grande, pesando as vacas de 600 a 700 kg, e os touros, de 800 a 900 kg. Em média, as novilhas dão a primeira cria aos dois anos. Os bezerros nascem pequenos, em comparação com os de outras raças britânicas, mas crescem rapidamente. Os machos nascem, aproximadamente, com 28 kg e as fêmeas com 26 kg. Sua carne apresenta boa marmorização (gordura entremeada bem distribuída) e rendimento de carcaça elevado.Devido à qualidade da carne, à eficiência na conversão de alimentos, ao elevado rendimento de carcaça e por ser mocho, a raça Angus é muito apreciada para cruzamentos. Sua adaptabilidade permitiu a introdução e difusão em muitos países do mundo, onde ocupa um papel importante na produção de novilhos de corte.

BELGIAN BLUE



Origem
Originou-se na Bélgica central, formado pelo cruzamento do gado nativo da região com o gado de Shorthorn, importado da Inglaterra de 1850 à 1890. Corresponde quase à metade do rebanho Belga. É cogitada a presença do sangue da raça charolesa na formação do Belgian Blue. A raça Belgian Blue é relativamente nova na América do Norte e América do Sul, mas está ganhando aceitação rapidamente pelos criadores.

Características
Em princípio, a raça foi dividida em duas linhagens, uma para produção de leite e a outra para a produção de carne. A seleção para a musculatura prevaleceu, sendo que hoje a raça é selecionada basicamente para a produção de carne. O Belgian Blue não é um animal grande, apresenta linhas arredondadas e músculos proeminentes. O ombro, quarto traseiro, lombo e anca são muito musculosos. A pelagem é de coloração composta de branco, azul e às vezes negro. A cesariana, no parto de vacas Belgian Blue é freqüentemente necessária.

Aos 12 meses de idade os machos apresentam uma média de peso de 470 kg e altura de 1,20m, já as fêmeas 370 kg e 1,15 m de altura. Aos 24 meses os machos chegam a 770 kg e 1,35 m e as fêmeas 500 kg e 1,20 m. As características de carcaça do Belgian Blue são substancialmente transmitidas quando a raça é usada em cruzamentos comerciais, isto explica o crescente uso da raça em cruzamento terminal, não só pelas características da carcaça como também pelo potencial de crescimento.

Com relação à carcaça, os animais tiveram menos cobertura de gordura em relação as raças Hereford e Angus. Os animais Belgian Blue também mostraram 16% a menos de marmoreio e maior área de olho de lombo, de acordo com os novos padrões de carne magra.

BLONDE DAQUITAINE



Origem
É originária dos montes Pirineus, em terrenos pedregosos e de pastagens muito pobres. Isso lhe confere boa rusticidade. Suporta tanto frio quanto o calor intenso, o que é comum naquela região.

Características
Originariamente a raça Blonde DAquitaine é considerada de aptidão mista, trabalho e corte. Atualmente, o sistema de manejo busca a especialização para o corte que predominou em virtude das crescentes exportações e da implantação de rebanhos Blonde DAquitaine nas regiões do centro e do oeste da França. O Blonde foi introduzido no Brasil em 1972 na exposição de Esteio-RS, anos mais tarde foram feitas as primeiras importações de animais puros o que permitiu a formação do atual rebanho puro existente no país. 

BONSMARA



O gado Bonsmara é resultado de décadas de pesquisas realizadas pelo professor Jan Bonsma, na África do Sul. Seu desafio foi criar uma raça que alisasse alta produtividade, adaptabilidade ao clima tropical e carne de qualidade. O nome deriva da junção de Bonsma com Mara, centro de pesquisa onde foram realizadas as experiências, na região do Transvaal.

Com 37 criadores em seu país de origem em 1970, hoje a raça responde por aproximadamente 65% de todos os nascimentos de bovinos da África do Sul.

Com a abertura da África do Sul para o comércio exterior nos anos 90, deu-se início à exportação da genética desta raça para muitos países, entre eles o Brasil, onde chegou em 1997.

A criação do gado Bonsmara segue algumas regras para garantir a qualidade da carne, equilibrando sabor, maciez e suculência, e conquistar a certificação.

São aceitos apenas bezerros de touros Bonsmara com no mínimo 75% de sangue de raças taurinas (não zebu). Testes de DNA são realizados para comprovar a paternidade e composição racial estipulada.

Os animais são tratados por equipes especializadas, recebem alimentação balanceada e ingestão de insumos controlados de modo a que o sabor da carne seja mantido inalterado. O abate se dá de animais jovens, entre 18 e 24 meses.

Na industrialização, uma equipe acompanha o processo e classifica apenas as carcaças que atingem o padrão especificado. Todos os cortes são maturados por no mínimo 14 dias e cada corte é desenvolvido especificamente seguindo instruções rígidas.

BRAFORD



Origem
O Braford, nasceu do cruzamento de vacas Brahman e touros Hereford - Brahman. A raça Braford é aproximadamente 3/8 Brahman e 5/8 Hereford. Na década de 80 a Associação de Criadores de Hereford e a EMBRAPA-Bagé/RS introduziram a raça Braford no Brasil, tornando-se raça registrada em 1993. Atingiu um grande nível de expansão pelo país. O Braford, existe em todos os países de pecuária extensiva relevante. É presença atuante na Austrália, Argentina, África do Sul, EUA e Brasil.

Características
As características marcantes da raça Braford são precocidade, temperamento dócil e velocidade de ganho de peso do Hereford com a resistência, rusticidade e longevidade do Brahman.

BRAHMAN



Origem
Nos Estados Unidos, o gado de origem indiana recebe o nome de Brahman. Surgiu do cruzamento das raças Nelore, Guzerá, Gir, Valley e Sindi. A despreocupação do criador americano em relação à raça, visando uma melhor seleção econômica, levou o gado Brahman a ser uma mescla de raças indianas altamente produtiva; hoje encontram-se rebanhos que cobrem extensas áreas do sul dos EUA, onde predominam o calor e terras úmidas.

Características
É um gado exclusivamente dedicado à produção de carne, apropriado para cruzamentos com as raças européias. As raças Santa Gertrudis, Braford e Brangus originaram-se desses cruzamentos. O Brahman é considerado de tamanho intermediário entre as raças de corte. Os touros pesam geralmente de 720 a 990 quilos e as vacas de 450 a 630 quilos. Os bezerros são pequenos no nascimento, pesando de 30 a 40 quilos. As cores predominantes no Brahman têm tonalidades cinza claro, vermelho e preto. 

BRANGUS



Origem
É uma raça de corte, mocha, formada no sul dos EUA. O Brangus tem 5/8 de sangue Angus e 3/8 de sangue Brahman.

Características
Tem como caraterísticas principais a rusticidade do Brahman e a precocidade do Angus.

BRAVON



Origem
Com a grande procura de raças e animais para cruzamento industrial no Brasil, a Associação Brasileira de Criadores de Devon decidiu desenvolver uma raça sintética, que aliasse as características do Devon às qualidades do Nelore: o Bravon.

Características
A raça Bravon consegue unir a precocidade, fertilidade, habilidade materna e qualidade de carcaça da raça Devon, com as características preponderantes do Nelore: rusticidade, adaptabilidade, longevidade, resistência a endo e ectoparasitas. O Bravon está sendo desenvolvido com sucesso no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia.

CANCHIM



Origem
O Canchim é uma raça originada no Brasil. A raça foi desenvolvida a partir de 1940 pelo técnico Teixeira Vianna, na Fazenda Canchim, do Ministério da Agricultura, em São Carlos (SP), através de cruzamentos entre touros Charoleses e vacas zebus Indubrasil. É adaptado às nossas condições de pasto e clima. É excelente produtor de carne e está espalhado por todo o país. Seu sangue tem 5/8 Charolês e 3/8 Zebu.

Características
Seu comportamento dócil e sua pelagem baia ou amarela brilhante, em diversas tonalidades, associado às mucosas rosadas ou escuras, são suas características marcantes. Precoce, rústico e resistente ao calor, esse animal é um ótimo produtor de carne; seu rendimento de carcaça chega a 60%. O peso médio dos bezerros ao nascer é acima de 34Kg, atingindo 353 kg aos 18 meses e 410 kg aos 24. Em cruzamentos com vacas zebus produz mestiços pesados e precoces, muito convenientes para os nossos sistemas de criação e de engorda.

CARACU



Origem
O gado Caracu tem sua origem muito discutida. Dizem que sua procedência é o antigo gado Minhoto e Alentejo, bovinos portugueses trazidos para o Brasil na época colonial. É um gado extremamente rústico, que vive e se reproduz mesmo em pastagens de má qualidade. O Caracu produz leite e carne e é adequado para tração, mas deixa muito a desejar quando comparado a raças especializadas. Vem sendo muito utilizado para cruzamento industrial.

Características
Inicialmente, foi encarado como um boi de corte, embora sempre fosse reconhecido como excelente animal de trabalho. Depois, procurou-se o desempenho de três funções econômicas: produção de carne, leite e tração, com interesse especial nas duas primeiras. Possui pelagem amarela (alaranjada uniforme) variando na tonalidade. O couro é de espessura média, macio e solto. As mucosas ao redor dos olhos são desprovidas de pigmentos. Sexualmente, é um pouco tardio. Extremamente rústico, graças à sua longa adaptação ao nosso país, é bastante resistente às moléstias endêmicas e a ectoparasitas. 

CHAROLÊS



Origem
O Charolês é um gado que surgiu na França, onde está difundido por todo o país. Seu nome deriva da antiga província francesa de Charolles. Sua extraordinária produção de carne fez com que esse gado se espalhasse por todo o mundo apesar de ter sido, em sua origem, um gado de tripla aptidão (carne, trabalho e leite). No Brasil é usado principalmente na formação do gado Canchim.

Características
O Charolês é recomendado para a produção de mestiços destinados ao corte. Os novilhos comuns rendem no abate de 58 a 62%, tendo a carcaça boa distribuição de gordura. É excelente ganhador de peso em confinamento. Seu peso na idade adulta é de 600 a 800 kg nas vacas e 800 a 1.100 kg nos machos adultos. A pelagem é branca ou creme, uniforme.Suas mucosas são róseas. 

CHIANINA



Origem
A raça Chianina tem sua origem na Itália, numa região de grande variedade de solos de planície, colinas e áreas montanhosas. Era inicialmente utilizado como animal de tração sendo ainda hoje utilizado para esse fim em pequenas propriedades italianas. É pouco conhecida fora da Itália. Sua introdução em nosso País, deve-se a criadores interessados em cruzá-la com o Zebu.

Características
É caracterizado pela pelagem branca porcelana, contorno dos olhos e a vassoura da cauda com pelos negros. O focinho, os chifres e as unhas são pretos. É hoje uma das maiores raças bovinas do mundo, podendo os machos alcançar até 1,80 m de altura. Tourinhos de 12 meses de idade chegam a pesar entre 400 e 550 kg, os adultos normalmente ultrapassam 1.200kg.

É um gado que se mostra superior a outras raças quando comparado o ganho de peso e a proporção de crescimento após a desmama. Sua precocidade possibilita o abate aos 18-24 meses de idade, em regime de pasto suplementado. De crescimento rápido, grande musculatura e robusta constituição, dá rendimentos de carcaça de 54 a 61%, conforme a idade e o acabamento.

No Brasil, o gado Chianino é apreciado para cruzamentos, especialmente com o Nelore, para a produção de novilhos precoces e pesados. Os bezerros nascem grande, com 40 a 50 quilos; aos seis meses, estão com 260 kg os machos e 225 kg as fêmeas. A boa fertilidade e a grande longevidade (nas fêmeas e nos reprodutores) são outras características da raça. A carne apresenta ausência de gordura entre as fibras e com leve proporção de gordura subcutânea.

DEVON



Origem
De origem Britânica, mais precisamente das montanhas do condado de Devon e Sommerset na Inglaterra, este gado é considerado de tripla aptidão, carne, leite e trabalho. Porém nos demais países onde foi introduzida, é um animal essencialmente produtor de carne. Fora da Inglaterra, cria-se o Devon na América do Norte, Rodésia, Colônia do Cabo, Argentina, Nova Zelândia, Uruguai e Brasil.

Características
Muito apto à engorda, com um rendimento de carcaça bastante elevado, que chega a atingir 70%. Sua carne é das melhores, tendo a gordura bem distribuída, entremeada. Seu peso médio adulto é de 500kg nas fêmeas adultas e entre 600 a 800 kg nos machos com uma estatura de 1,25 m e 1,40m, respectivamente. É caracterizado pela pelagem vermelha uniforme e chifres cor de cera, com as pontas escuras. Prestam-se ao regime extensivo, mesmo em terrenos acidentados.

GIR



Origem
A raça Gir que temos hoje no Brasil corresponde fielmente ao gado Gir encontrado ao sul da península de Catiavar na Índia, de onde procede. É uma raça de dupla aptidão, voltada ao mercado de carnes e produção de leite. Seleções vem sendo feitas, dando resultados ótimos na produção de leite. No passado, muitos criadores deram importância exclusiva a caracteres raciais, de menor importância econômica; depois, evoluíram para a seleção de rebanhos e linhagens com maior capacidade produtiva, tanto para carne como para leite.

Características
As qualidades leiteiras das vacas são bastante pronunciadas, o que beneficia o desenvolvimento do bezerro. Tenta-se a seleção de uma variedade leiteira. Em alguns rebanhos a produção é regular em regime de semi-estabulação. Para isso seria vantajoso formar uma nova raça cruzando o Gir com uma raça leiteira bem adaptada, como, por exemplo, a Holandesa. O bezerro é pequeno, mas muito resistente. Às vezes encontra dificuldade em mamar devido à grossura exagerada das tetas. Quando adulto, atinge cerca de 500kg nas fêmeas e 800kg nos machos. Um grande defeito no Gir, é seu prepúcio muito baixo, que favorece o aparecimento de feridas, podendo inutilizar o reprodutor. 

GUZERÁ



A história do Guzerá perde-se na origem da humanidade, tendo sido encontrados selos impressos em cerâmica e em terracota nos sítios arqueológicos na Índia e no Paquistão. O museu de Bagdá, no Iraque, apresenta muitas peças e artefatos de ouro com a imagem do touro Guzerá, exatamente como ele é hoje. Hoje, a efígie do Guzerá é distintivo do próprio Ministério de Agricultura da Índia e a raça é apontada como sendo "melhoradora das demais raças". No Brasil, o Guzerá está espalhado por várias regiões, mas é notória sua presença na região nordestina, onde foi a única raça que sobreviveu, produtivamente, durante os cinco anos consecutivos de seca (1978-1983), além de ter enfrentado também outras secas históricas (1945, 1952 etc). Também é muito criada no Rio de Janeiro - onde constituiu o primeiro núcleo de Zebu no país - em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, e vem se expandindo para todas as regiões, com notáveis resultados.

A Consolidação do Guzerá no Brasil. Foi a primeira raça zebuína a chegar ao Brasil, entre as que persistem. A raça foi trazida da Índia, na década de 1870, pelo Barão de Duas Barras, logo dominando a pecuária nos cafezais fluminenses. Surgia como solução para arrastar os pesados carroções e até vagões para transporte de café, nas íngremes montanhas, e também para produzir leite e carne. Com a abolição da escravidão, em 1888, os cafezais fluminenses entraram em decadência, levando os fazendeiros a buscar maior proveito do gado, por meio da seleção das características produtivas. Os criadores de Guzerá foram os apologistas das vantagens e virtudes do gado, enfrentando a "guerra contra o Zebu", promovida por cientistas paulistas e estimulada pelo Governo Federal, ao mesmo tempo em que abasteciam o Triângulo Mineiro. Mesmo com poucos criadores no país, o Guzerá manteve sua presença nas exposições nacionais e brilhava em concursos leiteiros. Foi a raça escolhida para diversas exportações, estando presente em duas dezenas de países.

Depois da importação de 1962/63, o Guzerá ganhou novo impulso, principalmente no rebanho nordestino, onde era comum ouvir a frase: "quando um Guzerá cai para morrer, todos os demais gados já morreram". O Guzerá na modernidade. A demanda por Guzerá é crescente, em parte porque a vaca mestiça "Guzonel" (Guzerá x Nelore) é uma notável criadeira, unindo rusticidade e peso. Em termos de produção de leite, o grande exemplo ainda vem da Índia, onde o Guzerá consolidou uma bacia leiteira com mais de 1,5 milhão de litros dia, na região de Ahmedabad. No Brasil, os núcleos leiteiros de Guzerá estão em Cantagalo (RJ), Governador Valadares (MG), Taperoá (PB) e Quixeramobim (CE), Baixo Guandu (ES), embora existam dezenas de rebanhos leiteiros fora dos núcleos citados. Por outro lado, as linhagens de Guzerá leiteiro constituem a melhor opção para cruzamento com o Girolando, formando um "tri-cross" leiteiro. Existem 250 associados praticando o registro genealógico. Foram vendidas 108.446 doses de sêmen entre 1995 e 1999, sendo que em 1998 foram vendidas 30.629. Vem crescendo o consumo de doses de sêmen da raça.

A Funcionalidade do Guzerá. O Guzerá é de dupla aptidão, com algumas linhagens definidas para leite e a maioria do gado selecionado para carne. Mesmo as linhagens de leite são de grande porte. Na idade adulta, as fêmeas pesam entre 450 e 650kg, com recorde de 941kg e muitos animais acima de 800 kg. Os touros pesam entre 750 - 950kg, com recordes ao redor de 1.150kg. Ganho de Peso do Guzerá. O Guzerá nasce pesando entre 28 e 29kg. No regime I (campo), pesa 149kg aos 205 dias, 200kg aos 365 dias, e 275kg aos 550 dias. No regime II (semi-confinamento), pesa 155kg, 246kg e 335kg, respectivamente. No regime III (confinamento) pesa 174 kg, 275 kg e 394kg, respectivamente. O Guzerá nos cruzamentos de corte. O Guzerá é uma grande opção que vem sendo descoberta, para a formação da geração F2. Nas vastidões brasileiras, a vaca precisa ter um forte instinto maternal, jamais abandonando a cria. A fêmea Guzerá é inigualável nesse mister. O Guzerá tem sido bastante utilizado em diversos países (Estados Unidos, Costa Rica, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Venezuela, Colômbia, Equador, Paraguai etc) para melhoramento de gado Zebu e azebuado.

HEREFORD



Origem
A raça formou-se no condado de Hereford, Inglaterra, sobre terras onduladas e vales férteis. Seu melhoramento genético foi voltado para a qualidade da carne. Gado de clima frio, atualmente é encontrado nos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Argentina, Uruguai e sul do Brasil. Sua aptidão para produção de carne (podem chegar ao abate aos 18-20 meses de idade) e sua fácil adaptação a pastos mais grosseiros, são as características que fazem a raça Hereford famosa.

Características
O Hereford pode ser superado pelo Shorthorn em precocidade, mas leva vantagem na qualidade da carne, rusticidade e reprodução. Seu peso chega a 540kg nas fêmeas e 850kg nos machos. Sua carcaça se distingue pela gordura entremeada bem distribuída, dando aos cortes um aspecto marmorizado. O rendimento de carcaça é alto.

O cruzamento com o zebu, dá ótimos mestiços em conformação e precocidade. Não é adaptado a pastagens grosseiras, porque é uma raça de crescimento rápido e precisa encontrar no pasto os elementos necessários ao desenvolvimento normal. Suas qualidades leiteiras são apenas suficientes para o bezerro. As vacas procriam com regularidade, quando adequadamente nutridas. No Brasil, cria-se desde o Rio Grande do Sul até a Bahia, sendo uma das raças de corte européias que melhor suportam o clima tropical. É muito difundida no Rio Grande do Sul e Uruguai; em diversos países constitui o grosso da criação de gado de corte.

INDUBRASIL



Origem
O Indubrasil surgiu na região do triângulo mineiro, resultado do cruzamento quase que espontâneo das raças Gir, Guzerá e, em menor proporção, Nelore. A idéia principal era de unir as boas qualidades de cada, numa única raça nacional. O gado Indubrasil, ocupa atualmente o quarto lugar entre as principais raças de origem indiana criadas no Brasil. Teve a sua época áurea entre os anos 1920 e 1935. A partir de 1940 os criadores voltaram suas criações para as raças puras indianas e o gado Indubrasil começou a perder terreno até se encontrar no atual estágio. A aptidão econômica desse gado é a produção de carne. Se encontra rebanhos no sul da Bahia, norte de Minas e em Goiás.

Características
As aptidões e qualidades se assemelham muito às das outras raças zebuínas. Todavia, como é uma raça originária de cruzamentos relativamente recentes, sem muita homogeneidade, não apresenta os mesmos resultados de produção. Se criadores cessarem os cruzamentos e fizerem uma seleção bem orientada, é possível que se torne uma raça altamente produtiva. É um gado pesado chegando 700kg nas fêmeas 1000 kg nos machos mais forte, em geral seus rendimentos são menores.

LIMOUSIN



Origem
A raça Limousin é uma raça de corte originada há mais de 7.000 anos na região de Limoges na França. Os criadores souberam selecionar a raça, que se tornou uma das mais eficientes do mundo.

Características
Os cruzamentos de Limousin com Zebu são abatidos precocemente em relação às outras raças. Seu rendimento de carcaça atinge facilmente 65 %. Portanto dependendo do manejo nutricional e sanitário fornecido aos animais, consegue-se tranqüilamente abater animais cruzados com Limousin com idade média de 13 meses, chegando-se a um peso entre 15 e 16 arrobas. A idade média ao primeiro serviço gira em torno de 15 meses quando a novilha atinge peso e maturidade fisiológica ideais ao início da vida reprodutiva, desde que tenha um manejo adequado. O peso médio de nascimento dos bezerros Limousin é 36 kg. 

MARCHIGIANA



Origem
Os bovinos de raça Marchigiana foram introduzidos na Itália, depois do século V, trazidos pelas populações bárbaras, que após a queda do Império Romano invadiram a Península. Resultaram de cruzamentos de bovinos Pullesa e Romanos, com os Chiana. Encontra-se principalmente nas províncias de Ancona, Macerata, Abruzzos, Benevento, Lacio, Campania entre outras regiões do centro-sul da Itália.

Características
Voltado para a produção de carne, o Marchigiana é um gado que se justifica pela alta velocidade de ganho de peso, precocidade, comprimento, grande caixa e alto desenvolvimento das massas muscular, perfeito para corte. Cruzamentos do bovino Marchigiano com raças zebuínas mostraram uma produção de carne excelente chegando ao abate com 18-24 meses de idade. A pelagem do Marchigiano é cinza claro, quase branco, mais escura na vassoura da cauda, nas orelhas e ao redor dos olhos.

Os bezerros nascem bem pesados, com 40 a 50 kg, e apresentam crescimento rápido. Novilhos de corte, com 14 a 16 meses, bem alimentados com concentrados, podem pesar até 550 quilos, com rendimento médio da carcaça de 62%. O gado aproveita muito bem os alimentos e responde ao arraçoamento, isso o torna muito apreciado para o sistema de confinamento. A Marchigiana, como outras raças italianas e ao contrário das variedades britânicas, tem sua carne magra, macia, de ótima ossatura e coloração.

MERTOLENGO



Origem
O nome de Mertolengo para a raça de bovinos em questão está directamente associado à povoação de Mértola, uma vez que os bovinos que existiam na região, por serem diferentes dos vizinhos, assim conduziram a esta designação (Frazão, 1961).
É uma raça de regiões edafo-climáticas severas, do ponto de vista do ambiente envolvente: clima e orografia, tipo de solos, qualidade e quantidade da pastagem natural.
Para Bernardo Lima (1873): um ?alentejano? pequeno, bem adaptado aos cerros de magras pastagens e duros carregos. Rijo para carrear e lavrar nas encostas e serras e produzindo o melhor boi de cabresto. Existindo no Baixo Alentejo, nas terras de Mértola, Alcoutim e Martinlongo.
Das explicações dos diversos estudiosos da raça Mertolenga, salta como reflexo directo da utilização do Mertolengo original ?vermelho? e do Mertolengo importado ?malhado do Baixo Guadiana?, a permanência da geneticamente forte cor branca, dando origem ao Mertolengo rosilho mil-flores (que veio completar a componente ?ruão? da raça bovina Mertolenga) e que rapidamente se expandiu pela região de Serpa e Évora, pela conjugação de vantagens parciais dos outros dois tipos que tiveram como local de solidificação racial a Herdade da Abóboda, devido ao esforço de vários entusiastas e conhecedores, dos quais destacamos: Dr. António Bettencourt e Dr. Isaías Vaz. Este último como Secretário Técnico da Raça, numa fase de turbulência Nacional, conseguiu o grande feito de uniformizar, dentro da sua especificidade, os três fenótipos Mertolengos.
Actualmente, a Raça tem 3 fenótipos distintos, o vermelho ou unicolor, o rosilho, e o malhado.
Os animais desta raça caraterizam-se por terem tamanho mediano, formas harmoniosas, esqueleto fino e o contorno das aberturas naturais e mucosas de cor clara.Têm temperamento nervoso e andamentos fáçeis e enérgicos, são muito rústicos, bem adaptados e de grande longevidade produtiva. Outras características que os definem são cornos finos, brancos, escuros na ponta, de secção elíptica, em forma de gancho, acabanados ou em lira baixa , e cabeça de tamanho mediano, de fronte larga, e perfil sub-convexo ou recto.
Em Março de 2004, o efectivo nacional incluia 16255 fêmeas reprodutoras inscritas no Registo Zootécnico e Livro Genealógico (RZ/LG), distribuindo-se pelos distritos de Castelo Branco, Leiria, Santarém, Setúbal, Portalegre, Évora, Beja e Faro. Nas zonas geográficas definidas pelas bacias
hidrográficas do Sado e Tejo predonimam os efectivos de pelagem vermelha e vermelha bragada. Nas regiões de Portalegre, Évora e Beja predominam os efectivos de pelagem rosilho e rosilho mil-flores, ficando os efectivos de pelagem malhada, na sua maioria, na margem esquerda do Guadiana.

NELORE



Origem
Originário da Índia, é constituído por um importante grupo de raças, dentre as quais se sobressaem a Hariana e a Ongole. O berço da raça Ongole é a região do mesmo nome, no Estado de Madras. Esta região compreende Ongole, Guntur, Nelore, Venukonda e Kandantur. Grande número de animais puros são encontrados nessa região. No passado o Ongole foi exportado em grande escala para a América tropical e outros países, com a finalidade de melhorar o gado nativo, através de cruzamentos.

Características
A raça Nelore é essencialmente produtora de carne. Dentre as variedades trazidas da Índia, é a que vem sofrendo mais seleção, objetivando a obtenção de novilhos para corte. Tem a seu favor uma boa conformação, cabeça pequena e leve, ossatura fina e leve, e alcança bom desenvolvimento. Os bezerros Nelore são sadios, fortes, espertos e, horas depois do parto, já se deslocam com o rebanho. A perda de bezerros é mínima, bastante inferior à de outras raças indianas, dada a sua natural rusticidade. Experimentos demonstraram que o Nelore pode oferecer carcaças com 16,5 arrobas, aos 26 meses de idade e rendimento de 50 a 55%, quando alimentado em pastagem.

PIEMONTÊS



Origem
O gado Piemontês é originário da região alpina do norte da Itália denominada Piemonte. No seu sangue estão o Zebu e o gado nativo da região. Em 1886 os fazendeiros italianos notaram desenvolvimento de traços da característica conhecida como musculatura dupla, e logo reconheceram a vantagem para produção de carne. Somente 2% dos animais que ingressam no centro genético italiano, são aprovados para serem doadores de sêmen.

Características
O gado Piemontês atual é o melhor exemplo da característica de dupla musculatura, com ossos e pele fina. Como resultado o Piemontês tem o melhor rendimento de carcaça e melhor porcentagem de cortes de todas as raças. O Piemontês é uma raça moderna. Sua produção de carne é diferenciada porque agrada os consumidores e atende as exigências dos produtores. Há tendências que no futuro dominarão as raças (como Piemontês) que apresentem bom rendimento a qualquer idade, precocidade, alta conversão alimentar e produzem carne com baixo teor de gordura. A habilidade materna e uma boa produção de leite, são também características dominantes nas fêmeas mestiças.

ROMAGNOLO



Origem
Raça italiana antiga, cujo melhoramento teve início em 1800. Apresenta duas variedades: a "de planície", maior e mais precoce, boa produtora de carne e a "de montanha", preferida para o trabalho.

Características
O gado Romagnolo é produtor de carne, com crescimento rápido e bom ganho de peso. Ao nascer, as fêmeas pesam de 40 a 45 kg e os machos de 45 a 51 kg. Aos dois anos de idade, as fêmeas pesam de 500 a 550 kg e os machos mais de 700 kg, desde que bem alimentados. Na idade adulta as fêmeas atingem cerca de 640 kg e os machos 1.100 kg. A carne é de boa qualidade, saborosa, marmorizada, macia e de fibra fina. O rendimento da carcaça, em animais bem preparados, varia de 58% a 60% nos novilhos e de 55 a 60% nos bois e vacas. As cruzas com zebuínos dão origem a novilhos pesados.

SANTA GERTRUDIS



Origem
Teoricamente, o Santa Gertrudis possuí 5/8 de sangue Shorthorn e 3/8 de sangue Brahman, o que criou uma raça que se adaptou muito bem ao calor, mas que exige boas pastagens. O Santa GertrudisGertrudis é um vencedor na maioria das provas de ganho de peso nos EUA. No Brasil o Santa GertrudisGertrudis também se mostrou um gado bem adaptado. Características Os bezerros desmamam com um peso de 195 kg e aos oito meses já pesam 225 kg.. O peso dos animais adultos é 650 kg nas vacas e 900 kg nos touros. É provável que, num futuro próximo, o Santa Gertrudis desempenhe um importante papel na produção de novilhos de corte no Brasil Central com o cruzamento com a vacas Zebu. Os meio-sangue Santa GertrudisGertrudis, além de melhor conformados, atingem mais de 300 kg com um ano. 

SHORTHORN



Origem
O Shorthorn é um gado essencialmente de corte, muito antigo e de origem inglesa. Existe em muitos países como Argentina, EUA, Canadá, México, França, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia. Seu melhoramento vem sendo feito há mais de 200 anos, resultando num rebanho muito precoce. No Brasil essa raça não teve um bom aproveitamento, já que o clima tropical não agradou o gado e suas exigências para as pastagens são muito fortes. Existem criadores na Inglaterra que utilizam o Shorthorn para exploração de carne, outros para a exploração de leite.

Características
O Shorthorn é um gado de corte altamente especializado, distinguindo-se pela sua precocidade e engorda rápida. Sua aptidão à engorda é excepcional, porém a qualidade da carne é pouco apreciada, porque a distribuição da gordura não é bem feita. Quando bem gordos, dão um rendimento elevado, que atinge de 68 a 72%. Seu peso adulto varia entre 500 kg a 600 Kg nas vacas e 800 kg a 900 kg nos touros. É um gado muito exigente, especialmente no primeiro ano. Pouco rústico, não se adapta aos climas quentes e pastos secundários, porém é inigualável em pastagens superiores. A fecundidade não é muito grande, o que obriga o criador a freqüentes aquisições de reprodutores. Em cruzamento com vacas zebus tem dado bons mestiços, porém é menos recomendável que o Hereford e o Angus, que tem dado melhores resultados.

SIMENTAL



Origem
De origem Suíça, o gado Simental atualmente é encontrado com facilidade em grande parte da Alemanha, Áustria, Iugoslávia, Hungria e Itália.É um animal que se adapta muito bem a regiões montanhosas. Houve sempre por parte dos criadores uma preocupação de mantê-lo puro, evitando a introdução de raças exóticas, o que nem sempre foi possível. Dentro da Suíça, surgiram diversas variedades que só desapareceram quando a do vale do Simmen passou a fornecer reprodutores para as outras regiões, absorvendo os tipos primitivos.

Características
Embora o gado Simental seja considerado em sua terra uma raça mista para leite, carne e trabalho. Nos últimos vinte anos a seleção evoluiu para a criação de animais dotados de maior precocidade, menor altura e maiores produções de leite e carne. Os machos entram na reprodução dos 10 aos 13 meses de idade e as fêmeas dão a primeira cria entre os 30 e 36 meses de idade. O peso ao nascer é de 42 kg para as fêmeas e 50 kg para os machos. O peso médio na idade adulta é de 750 kg nas vacas e 1.050 kg nos touros.

Como animal de corte, o Simental apresenta crescimento rápido e corpo com boa musculatura, sem tendência a acumular excesso de gordura subcutânea, ao passo que a gordura intramuscular é bem desenvolvida, dando boa consistência e coloração às fibras musculares. As carcaças, nas diversas categorias de animais de abate, dão rendimentos de 60 a 65 %. Quando cruzado com o gado zebu, produz mestiços pesados.

TABAPUÃ



Origem
Esse gado se assemelha bastante ao Brahman quanto à sua composição racial. É predominantemente Nelore, com algumas características do Guzerá. Recebeu seu nome devido ao município em que se formou. É a primeira variedade zebuína mocha.

Características
É crescente o aumento do interesse pelo gado mocho em face às vantagens que apresenta na estabulação e transporte. Os criadores não estão preocupados com características raciais super valorizadas, como ocorreu com outras raças. Por isso, seu melhoramento tem caráter estritamente econômico, ou seja, preocupa-se apenas em desenvolver um animal com maior precocidade, ganho de peso e rendimento de carcaça. Alguns criadores procuram orientar a seleção visando uma raça de dupla aptidão. Como produtor de carne, o mocho já tem demonstrado seu potencial nas provas de ganho de peso. Como produtor de leite, vem respondendo de maneira surpreendente aos estímulos da seleção zootécnica. 

WAGYU



Origem:

O Wagyu ("wa" de japão, e "gyu" de gado, ou seja, "gado japonês") é uma raça de gado japonesa. O Wagyu é conhecido no mundo todo e destaca-se na gastronomia internacional como tendo uma carne extremamente macia, suculenta, saborosa e com aroma incomparável. Isso se da devido uma de suas principais características: O alto nível de marmoreio (gordura intra-muscular).

O Wagyu chegou ao Japão vindo da Peníssula Coreana, e foi introduzido inicialmente para ajudar no cultivo de arroz no século II. Devido as características geográficas do Japão, a criação do animal foi se isolando em algumas áreas, resultando, ao longo do tempo, em diferentes vertentes da raça. Apesar disto, a qualidade da carne sempre manteve-se como algo em comum entre essas vertentes. Hoje em dia, em muitos lugares no Japão é comum o uso de massagens e a adição de cerveja e até saquê na dieta dos animais. Tudo visando a qualidade da carne.


Características:

O Wagyu (Também conhecido como "Kobe beef", devido a fama dos bois originários da cidade de Kobe, no Japão) é também uma das carnes mais valorizadas no mundo. No japão, 1 kilo de carne de Wagyu ultrapassa fácil o preço de R$ 1.000,00.

Tamanha excelência se da devido o intenso trabalho de análise e classificação de carne e carcaça desenvolvido pela "Japan Meat Grading Association", que ao longo dos anos tem enfatizado o grau de marmoreio, a coloração da carne e da gordura como referência para classificar a carne de maior qualidade.







22 de set. de 2016

Aspectos agro e zooecológicos na criação de Bovinos de Corte

Clima

A região Sudeste está localizada entre as latitudes 14oe 25osul, estando assim com praticamente toda sua área na zona tropical. O Sudeste brasileiro é uma região que apresenta grande diversidade no regime térmico e pluvial, em virtude de sua posição latitudinal, que lhe confere a média de incidência de radiação solar de 0,37 a 0,39 cal/cm2/min (em ondas curtas) e 0,30 cal/cm2/min (em ondas longas), e de sua proximidade ao oceano Atlântico, o que alimenta intenso processo de evaporação e condensação, ativado pela elevada quantidade de calorias disponíveis. A energia solar disponível na superfície do solo, para a produção de matéria seca vegetal, varia entre 9.022 e 19.608 calorias/cm2/mês, significando potencial de produção mensal entre 2,3 e 4,9 t/ha de matéria seca de forragem, ou de 9,0 a 19,6 t/ha de matéria fresca, considerando forragem com 25% de matéria seca, desde que não falte água.
Além desses fatores, o relevo da região Sudeste apresenta os maiores contrastes morfológicos do Brasil, com numerosas serras intercaladas por vales, com o maior contraste ocorrendo nas bordas litorâneas, o que aumenta a turbulência do ar pela ascensão orográfica, em especial durante a passagem das correntes perturbadas do Sul, Oeste e Leste, mais freqüentes no inverno e no outono.
Na zona tropical, o ritmo do clima é definido por duas estações: a chuvosa e a seca. O que mais define o clima é a variação de temperatura durante o ano, cuja variabilidade gera verões mais ou menos quentes ou invernos mais ou menos frios, influindo mais sobre as atividades do homem do que a variabilidade das chuvas.
A média da temperatura anual é de aproximadamente 21oC (Figura 3.1), a média dos meses mais quentes (dezembro a fevereiro), de 24oC (Figura 3.2) e a média dos meses mais frios (maio a agosto), inferior a 18oC (Figura 3.3). Existe grande variabilidade entre regiões, porém, ocorrem duas regiões distintas com médias anuais mais elevadas: o interior mais ocidental (vale do São Francisco, Triângulo Mineiro e vale do Paraná) e o litoral (Figura 3.1). As temperaturas mínimas ocorrem predominantemente nas regiões mais montanhosas, chegando a ser muito menores do que as normalmente ocorrentes em outras regiões intertropicais do País, cobrindo 32,3% do Estado de Minas Gerais e 21,2% do Estado de São Paulo. Nas regiões mais próximas do mar há atenuação das temperaturas máximas, porém, não das mínimas.
As chuvas (Figura 3.4) concentram-se em mais de 70% de outubro a março, com média de 1.300 mm anuais, e ocorrência média de 300 mm no período seco. O déficit hídrico dos 3 a 5 meses mais secos (Figura 3.5) pode chegar a 166 mm mensais. A evaporação do tanque de classe A varia de 4 a 9 mm no mês mais seco, com média diária entre 3,6 e 4,5 mm ao longo do ano. A média anual da umidade relativa do ar está em torno de 75%.
A baixa distribuição de chuvas durante o período frio e de baixa luminosidade reduz drasticamente a produção de matéria seca e, consequentemente, influencia no ganho diário de peso animal. Essa redução na produção de matéria seca de forragem das pastagens obriga o produtor a usar suplementação energética, a fim de evitar quebra na produção, mas onera o custo de produção.  

Solos

A região, com relevo modelado sobre rochas sedimentares (Figura 3.7), caracteriza-se por presença de colinas com topos aplainados, tabulares, e declividade dominante entre 10 e 20%, predominando os Latossolos Vermelho-Amarelo e Vermelho-Escuro de baixa fertilidade natural, distróficos ou álicos, formados a partir de arenito sobre basalto assentado sobre arenito, o que lhe confere fragilidade potencial para erosão hídrica de muito baixa a muito alta. O teor de argila varia de 25% a 32%. Esses solos são representativos da região Sudeste, embora metade da região esteja assentada sobre rochas do complexo cristalino, onde o relevo é bastante movimentado com presença de montanhas.

Vegetação

A vegetação nativa varia entre a de Cerrado e a de Floresta subcaducifólia tropical ou mata mesófila semidecídua, predominantes na região Sudeste (Figura 3.8), com grande diversidade de flora e fauna. As gramíneas predominantes, implantadas após a derrubada da vegetação florestal, são as braquiárias, em especial Brachiaria decumbens. Existe, porém, grande variabilidade climática adequada para diferentes grupos de espécies de forrageiras, e que já foram classificadas para o Estado de São Paulo (Figura 3.9), utilizando a média de temperatura anual, a média das mínimas mensais e a deficiência hídrica, podendo servir de referência para os outros Estados. Nas áreas em que se utiliza o pastejo rotacionado, as gramíneas tropicais adubadas podem também estar representadas por capim-marandu, capim-coastcross, capim-tanzânia e capim-napier. 

Adubação

A capacidade de suporte de 0,5 UA (UA = 450 kg de peso vivo) por hectare não permite produção sustentável de bovinos em regiões com custo elevado da terra. Assim, o estímulo ao maior desenvolvimento vegetal com o fornecimento especialmente de nitrogênio, na base de 50 a 70 kg/ha de N por período de pastejo, logo após a retirada dos animais, permite elevar a capacidade de suporte no período das águas para até 10 UA/ha, com até 1 UA/ha na seca. Suplementação da dieta animal com volumoso no período seco, utilizando silagem de capim ou cana picada + uréia, possibilita manter média de lotação anual de 6 UA/ha, evitando-se que os animais passem fome e percam peso, podendo-se reduzir a idade de abate de 4 ou 6 anos para 2 anos. A adubação nitrogenada pode ocorrer na forma mineral ou na forma de resíduos orgânicos.
A adubação nitrogenada das pastagens permite mantê-la verde durante todo o ano, produzindo forragem por mais tempo após o final do período das chuvas e possibilita iniciar o desenvolvimento vegetal no início das chuvas. Isso ocorre porque as áreas adubadas desenvolvem o sistema radicular em profundidade, o que facilita a obtenção de água, e reduz o risco de incêndio das pastagens.  

Os princípios ecológicos de manejo das pastagens

A legislação ambiental brasileira é embasada em princípios ecológicos, que, quando respeitados, permitem aumentar a capacidade de suporte biológico dos recursos naturais, a eficiência dos insumos externos utilizados (adubos e água) e a produtividade de forma sustentável.
A água residente é um dos elementos mais importantes para a produção vegetal nos trópicos e somente pode ser implementada por manejo e conservação de solo e vegetação permanente, constituindo o tripé indissociável do sucesso agrícola: água residente + solo permeável + vegetação diversificada. 
A manutenção da permeabilidade do solo, mediante pastejo adequado ou descanso, para que as plantas forrageiras possam recuperar-se, por exemplo, por meio da vedação, além das práticas que aumentam o retorno de resíduos vegetais para a superfície do solo, como a suspensão das queimadas, permite a reposição de água do lençol freático e a manutenção da vazão das nascentes, bem como reduz o escoamento superficial das águas.
A proteção permanente da superfície do solo pela vegetação evita seu sobreaquecimento e seu ressecamento, além de diminuir sua compactação superficial e seu arrastamento por águas pluviais. A vegetação arbórea, estrategicamente disposta na paisagem, atuando como bomba vaporizadora e hidrotermorreguladora, que consegue bombear água do lençol freático, aumenta a umidade relativa do ar, reduz a temperatura e, assim, aumenta o conforto animal e permite melhores condições de desenvolvimento das pastagens, e conforme as espécies utilizadas, podem servir como fonte de alimento no período seco do ano, além de fonte de nutrientes para as gramíneas forrageiras. O estabelecimento dos sistemas silvo-pastoris tem esse objetivo.
Sua implementação é recomendável, em especial nas regiões com mais de dois meses de seca. As árvores estabelecidas como quebra-ventos reduzem as perdas de água residente. Todas essas práticas e as árvores protegendo os mananciais e os corpos de água permitem maior disponibilidade de água para o estabelecimento rural, reduzindo a necessidade de irrigação, de energia elétrica e de captação de água, além de valorizar a terra e de aumentar a produtividade e a lucratividade. A sustentabilidade econômica passa pela recuperação e pela conservação dos recursos naturais água-solo-biodiversidade, e pela sustentabilidade ambiental, na qual está embutida a segurança social. 
Considerando que a agricultura, em especial a pecuária extensiva, contribui para a mudança climática, em conseqüência do desmatamento de extensas áreas, além de constituir-se em produtora de gases de efeito estufa, causas da elevação da temperatura e do agravamento de falta de água no período seco, ter-se-ia, com a suspensão das queimadas, aumento da produtividade vegetal sob pastejo rotacionado e redução da idade de abate (evitando que os animais percam peso no inverno), técnicas de impacto ambiental positivo, já que permitem que ocorram menor produção de gases de efeito estufa (gás carbônico pelas queimadas e gás metano pelos ruminantes) e maior seqüestro ou imobilização de gases de efeito estufa, pelas árvores em crescimento e pelo sistema radicular das forrageiras nos ciclos de pastejo em que ocorre morte-renovação consecutiva. Para a recuperação rápida do componente arbóreo, deve-se dar preferência às leguminosas fixadoras de nitrogênio e de desenvolvimento mais rápido, sob as quais podem-se estabelecer espécies nativas de maior valor econômico. 
Evitando o acesso dos animais aos corpos de água, em especial em terrenos amorrados, com estabelecimento de bebedouros, previne-se a formação de trilhas de escoamento superficial de água e a formação de vossorocas, bem como a contaminação e o assoreamento dos corpos de água, além da contaminação da água com coliformes fecais e vermes, que podem reinfestar os animais, além de prejudicar a saúde das populações ribeirinhas, ou encarecer o tratamento da água para abastecimento urbano a jusante.
Assim, verifica-se que o atendimento aos princípios ecológicos, que aumentam a produtividade, o valor da propriedade e a lucratividade, automaticamente coloca o proprietário rural de acordo com a lei ambiental, evitando-se o pagamento de multas ambientais.
Aconselha-se ao proprietário rural contatar os escritórios do Ibama e do Departamento de Recursos Naturais ou a Polícia Ambiental e o Departamento Estadual de Águas ou o órgão de Assistência Técnica Agrícola mais próximos, para melhor orientação quanto ao manejo e à conservação de solo e água, à outorga de uso de água, à construção de barragem ou ponte, à captação de água limpa, ao lançamento de águas servidas, à necessidade mínima de reposição e manejo florestal legal, à reposição de mata ciliar e à recuperação das áreas de proteção permanente.

 Fisionomicamente, o Cerrado é uma savana mais ou menos densa, com uma cobertura herbácea contínua, e com um dossel descontínuo de elementos arbóreos e arbustivos, de galhos retorcidos, cascas espessas e, em muitas espécies, grandes folhas coriáceas.
As formações savânicas do Brasil abrangem terras onde coincidem as seguintes condições climáticas e edáficas: 
a) clima tropical estacional com chuvas da ordem de 1.500 mm anuais e duração da época seca, definida em termos de déficit hídrico, de 5 a 7 meses, coincidindo com os meses mais frios do ano; 
b) solos distróficos na grande maioria da região onde as condições de baixa fertilidade se somam a elevada acidez e altos valores de saturação de alumínio.
Ecologicamente, os dois principais fatores determinantes da presença dos Cerrados são os solos ácidos (álicos), de baixa fertilidade (distróficos), e o clima estacional. No entanto, existem outros tipos fisionômicos aos quais se associam determinados fatores. Por exemplo, quando as condições ambientais acima expostas se somam a ocorrência de solos arenosos, litólicos ou hidromórficos, que implicam em diferentes tipos de limitações adicionais, as fisionomias resultantes tendem a formas mais abertas, localmente chamadas de Campo Cerrado, Campo Sujo, ou Campo Limpo.
Ao contrário, quando ocorrem condições ambientais que implicam em compensações hídricas ou edáficas, as fisionomias tendem a formas mais densas, como Cerrado Denso ou Cerradão. Nestas circunstâncias podem ainda ocorrer as formações Mata Mesofítica e Mata de Galeria. Quando um fator limitante adicional atua plenamente, como é o caso da saturação hídrica dos solos em áreas de surgências, a vegetação típica dos Cerrados passa a ser substituída por campos Inundáveis, Veredas ou Campos de Murundus.
No estrato herbáceo os Cerrados apresentam como espécies dominantes o Capim-Flechinha (Echinolaena inflexa) e diversas espécies dos gêneros Agenium, Axonopus, Schizachryrium e Aristida.
As principais espécies dos estratos arbóreo e arbustivo são a Lixeira (Curatella americana), o Barbatimão (Stryphnodendron adstringens e Dimorphandra mollis), o Pau-Santo (Kielmeyera coriacea), o Pau-Terra (Qualea grandiflora), Gritadeira ou Douradão (Palicourea rigida), Cagaita (Eugenia desynterica) e o Murici (Byrsonima coccolobifolia).
A heterogeneidade de condições ambientais dos Cerrados é um elemento a ser levado em conta, especialmente na pesquisa agropecuária, uma vez que essa característica vai influir nas possibilidades de extrapolações de resultados. Cabe ressaltar uma característica marcante do clima dos Cerrados que é a interrupção do período de chuvas estivais. Este fenômeno, conhecido como veranico, assume importância agronômica decisiva, devido ao fato de que mais de 90% dos seus solos são fortemente ácidos e com elevada saturação de alumínio, o que limita o desenvolvimento de raízes das culturas à pequena camada da superfície do solo quando corrigida apenas com calcário (sem a aplicação concomitante do gesso agrícola). Dessa forma, o efeito da estiagem é mais acentuado nos Cerrados do que nas áreas onde o volume do solo explorado pelas raízes é maior.
O estudo de mapeamento dos solos da Região dos Cerrados é bastante recente, sendo a EMBRAPA/SNLCS a principal responsável por este levantamento, quando em 1981 publicou o Mapa de Solos do Brasil, em escala 1:5.000.000. Neste Mapa, devido à escala cartográfica utilizada, as unidades de solos mapeadas foram constituídas por associações de solos em que apenas os componentes principais são indicados.
Baseado no Mapa de Solos do Brasil, verifica-se que os Latossolos ocupam a maior parte da área total do Cerrado brasileiro, com uma área de 993.330 km2(48,8%). Os solos de Areia Quartzosas ocupam uma área de 309.715 km2 (15,2%); os solos Podzólicos ocupam uma área de 307.677 km2 (15,1%); os solos Litólicos ocupam uma área de 148.134 km2 (7,3%); os solos tipo Lateritas Hidromórficas ocupam uma área de 122.664 km2 (6,0%); os solos Cambissolos ocupam uma área de 61.943 km2 (3,0%); os Solos Concrecionários ocupam uma área de 57.460 km2 (2,8%); as terras Roxas ocupam uma área de 34.231 km2(1,7%), enquanto outros tipos de solos ocupam uma área total de 19.154 km2 (0,9%). Por esta estatística apresentada, verifica-se a importância que os Latossolos desempenham no Cerrado brasileiro.






7 de set. de 2016

Criação de Bovinos de Corte (Introdução e Importância)

Introdução

Dentre os principais fatores inibidores da produção de carne bovina no Brasil, estão aqueles inerentes ao processo produtivo, ligados a alimentação, sanidade, manejo e potencial genético. Os sistemas de criação, normalmente extensivos em regime de pastagens, sujeitam os animais à escassez periódica de forragem, comprometendo seu desenvolvimento e sua eficiência reprodutiva, e concentrando a oferta de carne em determinada época do ano. A falta de adequação do potencial genético dos rebanhos ao ambiente e ao manejo, ou vice-versa, também é um dos principais entraves do setor produtivo. Esses problemas culminam em subutilização dos recursos disponíveis, resultando em baixa produtividade, sazonalidade de produção e, conseqüentemente, baixa disponibilidade de proteínas de origem animal para o consumo humano. 
Nas condições atuais, com o alto custo do frete, a instabilidade da oferta durante o ano e a concorrência de outras atividades, principalmente em determinadas regiões do País, a competitividade tornou-se elemento fundamental no setor pecuário de corte e, com ela, a necessidade de se disponibilizar, para o mercado consumidor, produtos de qualidade a um preço acessível. Produzir de forma eficiente e eficaz tornou-se sinônimo de sobrevivência ou permanência no negócio.
Outro aspecto de extrema importância e que tem influência direta nos sistemas produtivos é a preocupação com a sustentabilidade. Deve-se mencionar a possibilidade de o Brasil, nos próximos anos, se fortalecer como fornecedor mundial de carnes, com reflexos positivos na captação de divisas para o País, além do potencial de incremento de consumo de carne bovina no mercado interno. Quanto ao mercado externo, é importante ressaltar as exigências de controle ambiental colocadas pelos países ricos, que se traduzem em imposição de padrões de requerimentos semelhantes para as importações. Nesse contexto, torna-se fundamental, entre outros fatores, que se atendam às exigências sanitárias, envolvendo tanto a questão de saúde do rebanho como da saúde pública. 
A inserção definitiva da carne bovina brasileira na economia mundial e o seu fortalecimento interno, nas próximas décadas, dependem da capacidade que os sistemas de produção e os demais segmentos da cadeia de produção tenham de disponibilizar produtos saudáveis; de utilizar de forma conservadora os recursos não-renováveis; de garantir o bem-estar social; de aumentar a participação no mercado externo; e de contribuir para a melhoria da eqüidade social. 
A pecuária de corte intensiva pode contribuir de maneira significativa na promoção do desenvolvimento do setor de produção de carne bovina no País, uma vez que favorece a utilização racional dos fatores de produção e do potencial e da diversidade genética animal e vegetal. 
Nesta publicação, são fornecidas informações úteis àqueles que desejarem intensificar seu sistema de produção de carne bovina.

Importância econômica

A produção de carne bovina assume posição importante, com valor da produção em 2001 de aproximadamente US$ 9 bilhões, representando cerca de 1,8% do PIB brasileiro (US$ 504,11 bilhões).
A média do consumo de carne bovina no Brasil foi de 36,5 kg de equivalente-carcaça/pessoa/ano em 2000, sendo superado em nível mundial apenas pelo Uruguai (75,3 kg), pela Argentina (69,0 kg), pelos EUA (45,3 kg), pelo Paraguai (43,0 kg) e pela Nova Zelândia (42,4 kg). Contudo, há de se considerar com cautela os dados de consumo per capita no Brasil, em conseqüência da elevada concentração de renda. Políticas que favoreçam a eqüidade na distribuição de renda poderão elevar o consumo per capita de carne bovina no Brasil. 
A análise detalhada da Tabela 2.1 evidencia os movimentos do consumo per capita de carnes e ovos em função da renda per capita. Pode-se observar que nos anos com maior renda per capita, 1995, 1996, 1997 e 1998, o consumo de carne bovina foi maior, havendo redução do consumo em 1999 e 2000, quando a renda per capita foi menor, e elevação do consumo per capita de carnes de frango e suína, comparativamente aos anos anteriores.  
A produção animal é uma tarefa bastante complexa. A redução dessa complexidade a uma simples questão de tecnologia pode ser um dos fatores que interfere na capacidade da pesquisa em resolver problemas do setor agropecuário. O baixo nível de adoção das tecnologias pode ser um dos indicadores desta visão simplificada da pesquisa. No entanto existem exemplos de sucesso na utilização das tecnologias como: a ampla distribuição geográfica da raça Ibagé; a utilização da consorciação de trevo branco, azevém e cornichão como principal alternativa forrageira na região sul do Brasil e a dosificação estratégica no controle parasitológico. Durante muito tempo tem sido buscado incremento na produção, via introdução de tecnologia, porém incrementar a produção sem uma visão da cadeia produtiva, pode resultar em prejuízos aos produtores pela queda dos preços do produto. Desde as últimas décadas, têm sido buscadas alternativas para aprimorar os sistemas de produção de bovinos de corte, seja através de alternativas isoladas, seja através de pacotes tecnológicos. Hoje há uma nova realidade: é necessário produzir com sustentabilidade, garantindo a continuidade da "exploração" animal pelas gerações futuras num dado ambiente. Assim, nos sistemas de criação de bovinos de corte, cada vez mais é importante o estudo das interações entre todos os fatores bióticos e abióticos que levam às respostas produtivas desejadas. O rebanho brasileiro é de 157,5 milhões de cabeças, dos quais 13,47 milhões no Estado do Rio Grande do Sul. A produção brasileira de carne é de 7,3 milhões de toneladas, sendo a participação do Rio Grande do Sul de 604.147 toneladas, ou seja, 8,2% do total brasileiro. A carne bovina é um dos principais itens na pauta de exportação do país que representa uma quota significativa da balança de pagamento, além de gerar empregos nos setores primário, secundário e terciário. A fase de terminação é o sistema de produção típico como fonte de renda na região sudoeste do Rio Grande do Sul, que é responsável por cerca de 30% do abate oficial do Estado. Esta publicação descreve um conjunto de alternativas que, uma vez incorporadas aos sistemas de produção existentes, melhoram os coeficientes produtivos da fase de terminação, contribuindo para a sustentabilidade da atividade. 






20 de ago. de 2016

O CULTIVO DA TILÁPIA



O CULTIVO DA TILÁPIA 

A Água 
 Além dos parâmetros de qualidade físico/química, deve-se considerar outros, como por exemplo: ser livre de contaminantes (agrotóxicos, ovos, larvas ou peixes indesejáveis ao cultivo, argila, etc). A origem da água do abastecimento necessita ser externa ao viveiro, para permitir controle do volume e da qualidade. 
A criação segura de tilápias necessitará para cada hectare de viveiro, o mínimo de 15 l/s (litros por segundo) de vazão. A ocorrência de argila em suspensão pode atingir teores que demandem controle, utilizando-se para isto o gesso agrícola. Para determinar a quantidade de gesso, utiliza-se o teste comparativo em garrafas. A água da garrafa que ficar transparente com a menor dose determinará a quantidade de gesso a ser utilizada.

Parâmetros de qualidade da água para tilápia

 INDICADOR IDEAL FREQUÊNCIA 
Temperatura da água 26-28 o . C. Diária 
Oxigênio da água 3 - 6 mg/l Quinzenal* 
Transparência da água 25 35 cm Semanal/diária 
Alcalinidade da água 30 - 40 mEq/l Mensal 
pH da água 7,0 - 8,5 Semanal* 
Amônia até 0,5 mg/l Semanal 

As decisões relativas ao manejo da água e da criação são tomadas tendo em vista um conjunto de fatores. Desta forma. Considerando o viveiro um organismo vivo “, ele é um resultado da interação de vários fatores. Se alterarmos, ou por qualquer razão, houver um desequilíbrio de um deles, todos os demais também serão influenciados. Entender estas correlações é fundamental para o sucesso da criação”. Com o avanço do cultivo, espera-se maior dificuldades em manter a transparência acima de 20 cm, e isto demandará maior atenção da tilapicultor para tomar as medidas apropriadas oportunamente. 

Temperatura 

O viveiro é um sistema biológico e por esta razão está diretamente ligado as variações da temperatura. É a temperatura que determina a intensidade do metabolismo dos organismos vivos no viveiro. A tilápia desenvolve-se bem na temperatura de água entre 26 a 28ºC. Os demais organismos vivos (fito e zooplancton, etc), que estão presentes nos viveiros, são importantes para a tilápia e precisam ser mantidos em condições adequadas ou desejáveis. O desenvolvimento destes organismos é influenciado pela disponibilidade e equilíbrio dos nutrientes e também pela temperatura. Para se buscar o melhor crescimento dos peixes é necessário administrar o conjunto peixe x água, dando a cada um as condições para o desenvolvimento equilibrado. Nos períodos do ano em que as temperaturas são mais altas, a água do viveiro pode atingir níveis superiores aos limites confortáveis (28ºC). Acima de 30ºC observar as reduções da taxa de alimentação, fornecendo alimentos em horários de temperaturas mais amenas e confortáveis. Iniciar o processo de renovação de água. No caso do inverno as reduções da temperatura são normalmente bruscas, mas o metabolismo da tilápia (e dos demais organismos também) mantém a mesma atividade, decrescendo gradativamente. É fundamental o acompanhamento diário para que o fornecimento de alimento seja reduzido na proporção da redução do apetite. A tabela de alimentação é a melhor referência para orientar este processo. Da mesma maneira, as temperaturas no final do inverno também se elevam rapidamente, mas o metabolismo da tilápia ainda não está bem adaptado. Devese esperar um período de pelo menos 30 dias com as temperaturas acima de 22º C, para qualquer procedimento de manejo, especialmente de juvenis.

Oxigênio 

 As fontes de oxigênio num viveiro de criação de tilápia são: o contato com o ar, o fitoplâncton, a renovação de água e também os equipamento aeradores elétricos. A quantidade de oxigênio disponível é que determina a capacidade do viveiro em manter equilibrado (vivo) os peixes e os demais organismos. O oxigênio produzido e acumulado no viveiro durante o dia é consumido durante a noite. Inspeções no viveiro nas primeiras horas de luz permitem identificar problemas de desequilíbrio e tomar decisões oportunas. A partir de 600g (peso/m3 ) de biomassa e dependendo das demais condições do viveiro, deve-se considerar o uso do aerador. Dias nublados (chuvosos) apresentam menor produção de oxigênio (menor taxa de fotossíntese das algas presentes na água). 

Transparência 

É um indicador de nutrientes e de sólidos (argila) em suspensão. Em águas de coloração esverdeada a transparência ideal é de 25-35 cm. Indica a produção primária do viveiro, que é determinante no fornecimento de oxigênio, indica também a penetração da luz solar na coluna de água. A produção primária em quantidade e qualidade é importante para o equilíbrio do sistema e o fornecimento de alimento para a tilápia, especialmente na fase inicial. É indesejável que haja grandes variações nesta medida. Abaixo de 25 cm, indica excesso de matéria orgânica, possibilidade de desequilíbrio e falta de oxigênio pelo excesso de consumo e até mortalidade de tilápia. Neste caso o procedimento é intensificar a renovação de água, reduzir a alimentação e observar o comportamento da criação. 
Acima de 40 cm indica um sistema empobrecido, mas a adição de nutriente via adubos químicos ou dejetos orgânicos necessita de critérios como: temperatura, renovação de água e profundidade do viveiro. 

Alcalinidade 

 Tanto quanto a dureza e o gás carbônico, a alcalinidade é um parâmetro que indiretamente indica o equilíbrio do pH do sistema, além de indicar a disponibilidade de cálcio e magnésio que são essenciais para o desenvolvimento dos organismos aquáticos. Na região Oeste do Paraná as águas apresentam baixos valores para alcalinidade (< 15 mg/l). A calagem é o procedimento para a elevação da alcalinidade e a análise de solo é que determina a quantidade a ser aplicada no solo do fundo do viveiro. Uma regra prática é adicionar 500-600g/m2 de calcário, que de maneira geral eleva a alcalinidade para 35 a 40 mg/l, com pequenas taxas de renovação de água (5%). 

pH 

Temos que ter em mente que o pH, por si só, não nos dá, com clareza, uma indicação da qualidade e do equilíbrio do sistema. O pH varia de acordo com as horas do dia, influenciado pelas reações químicas que naturalmente ocorrem no viveiro. Por isso pode-se dizer que grandes variações (6,0 de manhã e 9,5 à tarde) são um sinal de problemas e desenvolvimento dos peixes abaixo do potencial. A calagem bem feita é um fator de equilíbrio. O pH deve situar-se entre 6,5 e 9,5. 

 Amônia 

Ocorre pelo excesso de matéria orgânica e é um sinal de que se perdeu o momento de agir ou de que houve erro na adubação. Somente é corrigido pela renovação da água do viveiro. A calagem direta na água durante o cultivo, quando há ocorrência de amônia, piora o problema, pois a amônia é ainda mais tóxica em pH elevado (>7,0). Existem outros parâmetros de qualidade de água que podem ser utilizados, entretanto requerem mais conhecimento, pois como já foi observado, há uma estreita correlação entre os fatores que influenciam no comportamento dos organismos presentes nos viveiros e da tilápia. 

Adubação 

Assim como o solo que é corrigido para atingir condições ideais para as culturas, a água de cultivo necessita receber corretivos (adubação, química/orgânica e calcário) para que atinja os parâmetros ideais para o desenvolvimento da tilápia.
A adubação efetiva que mais contribui com a performance do viveiro, é aquela feita no solo e que visa corrigir principalmente o pH. A análise do solo é o referencial para este procedimento. A adubação química e orgânica tem por objetivo suprir de nutrientes o desenvolvimento dos organismos (plâncton) que representam a produção primária. Dentre eles as algas (fitoplâncton) são os mais importantes, por serem produtoras de oxigênio e alimento do zooplâncton. O uso preferencial da adubação orgânica é justificado pelo baixo custo, fácil disponibilidade e pelos bons resultados a campo. A adubação orgânica tem o objetivo de manter a fertilidade inicial até que a tilápia atinja mais ou menos o peso de 100g. As dosagens de reposição depois do enchimento e povoamento devem levar em consideração a biomassa. Após as 100g, o fornecimento de alimento artificial e a dinâmica do sistema se encarregarão de manter a produção primária até ao final do cultivo, o que deve ser monitorado.

Adubação Orgânica do Solo 
esterco Quantidade 
Aves 300 (g/m2 ) 
Suínos 400 (g/m2 ) 
Chorume suínos 10 l/m2 
Bovinos 600 (g/m2 ) 

A Tilápia (Oreochromis niloticus) 

 A espécie de peixe que apresenta o melhor perfil para cultivo em todo mundo é a nilótica, de origem africana. Os primeiros exemplares que iniciaram o cultivo no Oeste do Paraná em 1982 vieram da Costa do Marfim, de uma linhagem chamada Buaque. Atualmente predomina a linhagem Chitralada de origem tailandesa importada em 1996. É utilizada tanto em cultivos puros como em cruzamentos com as primeiras, chamadas de “nativas". Em qualquer dos casos os resultados no Oeste do Paraná, não evidenciam a campo, rendimentos significativamente diferentes. Trata-se de uma espécie onívora que aceita com facilidade vários tipos de alimento, dócil ao manejo em todas as fases de cultivo, boa rusticidade, prolífica e de fácil domínio da reprodução, precoce, com alta qualidade de carne (filé). Estas são basicamente as razões da opção por esta espécie a exemplo do que acontece nos demais continentes.

Manejo da criação 

Reprodução 

 Criadores especializados - os alevinocultores – é que mantém um plantel de reprodutores e fornecem alevinos aos demais criadores: os piscicultores terminadores. Para maior rendimento, somente os machos - porque tem maior crescimento – são cultivados. Para obter esta população, as larvas são 
submetidas ao processo de reversão sexual e após 30 dias estão prontas para iniciar a fase seguinte: o cultivo. Para o sucesso do cultivo não se recomenda o povoamento de viveiros de engorda com peixes de peso inferiores a 25g, chamados de juvenis. 

A produção do juvenil 

O criador pode optar por adquirir os juvenis de outro criador especializado ou produzir o seu próprio juvenil na propriedade. Em ambos os casos, alguns cuidados são fundamentais: procedência/idoneidade da estação produtora de alevinos; garantia do índice mínimo de reversão sexual de 98%; lotes homogêneos (mesma idade e tamanho) e livre de doenças. Os viveiros de produção de juvenis podem ser considerados como uma “quarentena” pois em aproximadamente 40 dias terão tamanho/peso adequado para povoar os viveiros de engorda. Por esta razão a água que sai do berçário não deve ser utilizada por outros viveiros como forma de evitar a disseminação ou contágio. Se ocorrer algum problema sanitário o viveiro e a água devem ser tratados. Estima-se uma perda variável na produção dos juvenis (predadores, oscilações térmicas, doenças, má qualidade da água, etc) em torno de 20%. Para uma área de 1 hectare (10 000 m2 ) seriam necessários aproximadamente 31.000 alevinos, para obter-se 25 000 juvenis para a engorda (2,5 juvenis/m2 ). Considerando-se que, para o bom desenvolvimento dos alevinos no berçário a biomassa de peixe não deve ser superior a 400g, calculamos que uma piscicultura com um hectare de viveiros para engorda necessitará de 1875m2 ou, aproximadamente de 2000m2 de viveiros-berçário distribuídos em número adequado à programação de produção e ao número de viveiros de engorda. 

Recomendações gerais para os viveiros-berçário ƒ 


  • Localização privilegiada para proteção contra predadores e para acesso do tratador; ƒ 
  • Evitar trocas de água, para não perder nutrientes primários importantes no equilíbrio do ambiente. Na maioria dos casos a manutenção do volume já é suficiente. ƒ 
  • A estabilidade dos parâmetros físico/químico e nutricionais é determinante do desenvolvimento do juvenil e repercutirá na fase posterior: a engorda; ƒ 
  • A programação da produção (e da comercialização) somente será possível com o domínio da disponibilidade de juvenis; ƒ 
  • Se a produção de juvenis coincidir com a estação do inverno, a mortalidade poderá ser maior que 20%. Neste caso manter a adubação em níveis adequados, evitar a entrada de água superficial; manter os alevinos em viveiros mais profundos ou manter o berçário com o nível máximo de água e ainda utilizar 1000 mg de vitamina C por quilo de ração. ƒ 
  • Efetuar uma padronização por peso/tamanho ao transferir para o viveiro de engorda. Este momento precisa ser rápido, sem comprimir os peixes visando o mínimo dano (estresse, perda de escamas, amassamento, etc) sem descuidar da temperatura e oxigenação da água; ƒ 
  • Se necessário os juvenis podem passar por um banho profilático de 5 a 10 minutos em solução salina a 2% (2 kg de sal para 100 litros de água); ƒ 
  • A alimentação é dependente da temperatura e é fundamental que, durante o período de berçário os alevinos recebam alimento no mínimo 3 vezes ao dia em quantidade determinada pela tabela de alimentação. Nesta fase o diâmetro das partículas vai de finamente farelada até máximo de 2 mm e o teor de proteína de 40 – 45%.
Manejo da criação Engorda 

 Preparo do viveiro 

Após a despesca fazer a manutenção de barragens, monges e canais. Coletar amostra de solos. Proceder a desinfecção dos viveiros com cal virgem (200g/m2 ). . De 14 a 21 dias antes do enchimento, corrigir com calcário elevando a saturação de bases. Viveiros pobres em matéria orgânica (carbono abaixo de 2%) fertilizar com adubos orgânicos. . Para melhorar a produção primária, encher os viveiros gradativamente, inicialmente até ¾. 

Povoamento 

Efetuar uma análise das condições do viveiro antes da soltura dos juvenis, assegurando-se de que se encontra adequado ao povoamento. - Evitar este procedimento quando a temperatura da água for inferior a 22o C e quando for muito quente (horas mais quentes do dia). Submeter os juvenis (no berçário) a um jejum de 24 horas anteriores ao manejo (padronização e transferência para engorda). Manter o mesmo padrão (tipo, quantidade, freqüência) de alimentação por uma semana. É esperado um “ganho compensatório”, que é um crescimento acelerado (ganho de peso) provocado pela saída de um ambiente de restrição para outro mais favorável, com mais alimento e espaço. Mas não significa que manterá este desenvolvimento ao longo do cultivo, e por esta razão o piscicultor não deve abandonar a tabela de alimentação. Outro momento em que se observa este crescimento compensatório, ocorre na saída do inverno, quando os peixes saem da restrição provocada pelas baixas temperaturas que reduzem o metabolismo. Deve-se estabelecer um procedimento para anotações das informações econômicas: despesas & receitas e indicadores de desenvolvimento da criação: volume diário de ração, uso de outros insumos, além dos demais parâmetros de qualidade de água e das variações climáticas. 

Alimentação 

Como na maioria das atividades pecuária, a alimentação é o que mais pesa no custo de produção. Representa de 68 a 79% do custo total de produção. A conversão alimentar da tilápia nas propriedades acompanhadas da Rede de Referência e no Processo Piscicultura, situou-se em torno de 1,3 (kg de ração/kg de peixe produzido). As tabelas de alimentação (Quadro 4) são confeccionadas, tendo em vista os requerimentos nutricionais totais. No caso de viveiros escavados a produção de alimento natural pode ser considerada, de acordo com o histórico do viveiro e com a recomendação do assistente técnico, levando a uma redução no fornecimento de ração que terá grande impacto nos custos. As trocas de ração podem ocorrer por: mudança no tamanho do pelete, teor de proteína, tipo (extrusada – peletizada) ou fabricante. Nestes casos a recomendação é que a mudança seja gradativa para que o peixe se adapte e não haja perda de ração e de crescimento. No povoamento, os peixes devem receber rações com 32% PB (2,5 -3,0 mm). Após atingir 100 g recomenda-se o fornecimento de rações com 28% PB (4,0 -5,0 mm) até o final do cultivo. A freqüência de alimentação recomendada é de 2 vezes ao dia. 

As condições climáticas interferem sensivelmente na velocidade do crescimento. Mas a obtenção de um lote de tilápia com 450 g num prazo de 150 dias de cultivo em média está condicionada a: Qualquer fator de estresse: mudança na cor da água, manejo nos peixes; predadores; peixes em reprodução etc; podem alterar o comportamento dos peixes, afetando o apetite (ingestão de alimento) e prejudicando o crescimento. Durante o inverno é recomendado o uso de ração extrusada para facilitar o acompanhamento do consumo de ração pelos peixes. 

Biometria 

O recomendável é que as biometrias aconteçam a cada 15 dias e tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento e ajustar a quantidade de alimento. O número de peixes amostrados deve ser de 75 a 100 indivíduos para que a amostra seja representativa. Cabe aqui uma ressalva: os cichlideos, como a tilápia, tem comportamento territorialista que pode “mascarar” a amostragem se capturados os mais agressivos (também maiores), pois por maior cuidado que se tome na homogeneização do lote, no final do cultivo observamos pelo menos três classes: os maiores (+ ou - 15%) os médios (+ ou – 70%) e os menores (+ou - 15%). Esta informação dá uma idéia do que ocorreu dentro do viveiro durante o cultivo. Quanto maior a diferença, maior o prejuízo no momento da comercialização, devido à presença de peixes pequenos no lote. A biometria é um “manejo de peixes” e não deve ser feita com temperaturas de água inferiores a 20o C, que é uma situação típica da estação de inverno, onde os períodos de baixa temperatura são longos. O manejo nestas condições é um fator de estresse que vai expor o peixe a doenças, pois já estão numa condição de baixa resistência. No Quadro 6, são apresentados dados observados em propriedades da Região Oeste do Paraná. A média ponderada destes lotes leva a constatação de que “o que se fala, não é o que se tem” pois, no momento da despesca/comercialização, falta critério para se apurar a média real dos peixes retirados do viveiro. Desta forma fica demonstrada a importância da homogeneização (tamanho e idade) na hora do povoamento para manter o crescimento durante a engorda. O manejo inadequado na engorda pode novamente provocar uma desuniformidade do lote, pondo a perder o trabalho inicial de padronização.

Reprodução da tilápia durante a engorda 

A priori, utilizamos alevinos de boa procedência e com o mínimo de 98% de machos e 2% de fêmeas. Pode ocorrer reprodução indesejada durante a engorda. Esta reprodução pode ser controlada com o uso de peixes piscívoros e outros procedimentos complementares: 1 – o tamanho do predador não pode por em risco o peixe em cultivo. Uma regra prática para definir o tamanho do peixe predador é não ser maior que o peixe que está sendo cultivado. 2 – utilizar ração extrusada de tamanho 5mm, para evitar sobras para os peixes nascidos no viveiro. 

A Despesca 

Este é o momento que se poderia chamar de “hora da verdade”. O manejo dos peixes na despesca é tão importante quanto durante o cultivo, pois se realizado de forma incorreta, poderá causar estresse e comprometer a sobrevivência no transporte. 

Preparo para a despesca 

O ajuste com o transportador quanto ao dia e a hora do carregamento é a primeira providencia para que se determine os demais procedimentos. 
1 - jejum de 24 horas anteriores ao carregamento - períodos maiores podem levar os peixes a procurar alimento no fundo do viveiro, o que fará com que sejam embarcados com conteúdo estomacal/intestinal indesejável ao transporte, acarretando grande mortalidade mesmo com troca de água dos contêineres, além de comprometer a qualidade da carne no caso de filetagem. 
2 – Baixando o nível da água - o tempo necessário para retirar a água do viveiro, precisa ser conhecido para que sejam retirados os peixes sem comprometer a sobrevivência. A demora na retirada dos peixes pode comprometê-los em função da baixa de oxigênio, argila (lodo) em suspensão, elevação da temperatura e presença de gases tóxicos. Uma equipe treinada e materiais adequados são fundamentais para o sucesso da despesca. 
A descarga ou o procedimento que vise retirar o lodo lançando-o nos mananciais é uma prática nociva ao meio ambiente. 
A velocidade de esvaziamento do viveiro deve ser ajustada para evitar o arraste. A limpeza do fundo será necessária quando a camada for superior a 15 cm. A construção correta do viveiro é que permitirá, se necessário, a remoção do lodo, rico em nutrientes, para utilização em outras áreas. 

Comercialização 

Os principais canais de comercialização são frigoríficos e os pesque&pagues. Considerando o mercado, os fatores de oportunidade precisam ser observados para a tomada de decisão sobre o momento de efetuar a venda. A partir de 350g a tilápia entra na fase de melhor rendimento econômico para o produtor, mas o mercado é restrito. O mercado de forma geral (frigoríficos, pesque&pague, exportação) apresenta tendência a exigir peixes com peso mínimo de 500g. 
Peixes maiores são mais atrativos tanto aos pesque&pagues quanto aos frigoríficos: sãos mais procurados pelos pescadores produzem filés mais adequados a exportação e rendem mais na linha de processamento dos frigoríficos, embora não apresentem maior rendimento de filé que os peixes de 350 a 500g. 
A decisão sobre a que mercado atender ou produzir, deve levar em conta a capacidade de investimento do criador, a estrutura da propriedade e a oportunidade de negociar. 
A origem dos peixes e as boas práticas de manejo também são fatores determinantes do rendimento que a criação apresentará no momento da comercialização.

 











6 de ago. de 2016

Criação de peixes ornamentais em casa

Veja como fazer para montar uma criação de peixes ornamentais e obter lucro com o negócio. Os peixes estão na terceira posição da lista dos animais mais queridos para criação em casa. Os primeiros são os cachorros empatados com os gatos, em segundo lugar os pássaros e em terceiro, os peixes.
Mas para algumas pessoas, os queridos peixes vêm em primeiro na lista, já que são animais adoráveis para se ter em casa pela sua beleza e pela fácil criação. Os vertebrados aquáticos são tão adorados, que diversas pessoas estão fazendo da criação de peixes ornamentais uma forma de empreendimento, e dos mais bem sucedidos.
Antes que se forme o pensamento de que criar peixe para o abate é mais vantajoso, basta informar que os peixes que podem ser criados em casa para este fim são de água doce e estes não são os preferidos do público consumidor. Sem contar que o custo de manutenção, bem como a estrutura exigida é bem maior e por isso, com valor mais elevado que montar uma criação de peixes para ornamentação. Por isso, muitas pessoas têm enveredado para este ramo de empreendimento.
A criação de peixes ornamentais é chamada de piscicultura, nome dado para a criação de peixes em cativeiro. O que diferencia a criação é a finalidade dos peixes: são voltados para a criação doméstica em aquários de ornamentos, ou seja, de enfeite. As raças de peixes escolhidas são apenas para compor o visual do aquário, sendo selecionadas por sua beleza e cores.

Estrutura e investimento inicial para criação de peixes ornamentais

O primeiro passo para começar a criação de peixes ornamentais é montar uma pequena piscina, que se assemelharia a um pequeno lago quadrado, uma reprodução do ambiente natural do animal. Alguns criadores costumam fazer este espaço dentro de casa, de forma que permita o espaço atingir uma temperatura média constante em torno de 28º C. O ideal é que os pequenos lagos, que são piscinas de azulejo ou pedra, sejam cobertos para evitar chuva constante. É preciso ainda, uma bomba de água semelhante a de uma piscina para que a água seja trocada e oxigenada constantemente.
Toda essa estrutura  deve custar em torno de R$ 15 mil para ser montada, variando de acordo com o tamanho do tanque, somando a esse custo a instalando hidráulica necessária e cobertura do ambiente ou climatização em caso de cidades extremamente frias no inverno. O ideal é que ele tenha em média 40 centímetros de profundidade e dois metros de largura, para que os animais se sintam confortáveis.

Tipos de peixes para uma criação de peixes ornamentais

Depois de montada a estrutura, deve-se partir para compra dos casais reprodutores, ou seja, os peixes matriz que vão ser responsáveis por toda a criação e futuro lucro do empreendimento. Pesquise no mercado e em lojas de vendas de peixes quais os mais vendidos, bem como os típicos de sua região.
Um dos peixes mais criados em casa são os betas, que são de fácil manutenção e envolvem pouco custo com alimentação e são bem bonitos e brilhantes. O beta é um dos mais baratos para venda do criador, custando R$ 1 por peixe para o criador e R$ 10 para compra do consumidor final. O custo está na venda em alta quantidade, o que é bem fácil de se conseguir. Vale lembrar que quanto mais belo e maior o peixe, mais alto será seu valor de venda. Outra espécie que é apreciada para criação doméstica é a halfmoon, o que quer dizer meia lua em inglês devido ao seu formato no corpo. Este é um dos mais caros para venda, custando em torno de R$ 100 por peixe.
O ideal é que se escolha os peixes para criação baseados em seu público consumidor, e este é varia de região a região. Faça uma pesquisa de campo antes de fazer a compra das matrizes.

Regularização de uma criação de peixes ornamentais

O investimento inicial total varia de acordo com a raça do peixe escolhida para revenda e da estrutura de uma criação de peixes ornamentais caseira, com espaço próprio.
Para regularizar o seu negócio, é preciso fazer abertura de firma e registro em cartório e órgãos competentes para fazer a venda para lojas de animais ou mesmo clientes empresariais que exijam nota fiscal e CNPJ. É preciso ainda respeitar as normas da Vigilância Sanitária no ambiente e do Corpo de Bombeiros da região.

Começando a criação de peixes ornamentais

Comprados o casal matriz, o próximo passo é investir na acomodação adequada dos animais. Procure plantas aquáticas que se assemelhem ao ambiente natural dos bichos e assim criará uma atmosfera para que não sejam agressivos uns com os outros, estimulando a reprodução. Algumas raças, como por exemplo a Beta, não podem ser criada em viveiros no período adulto, apenas enquanto ainda se desenvolvem, pois os animais são extremamente agressivos em questão territorial.
O ideal é que se leia especificamente sobre cada raça antes de começar a criação, pois cada tipo de peixe ornamental exige cuidados específicos. Quanto à alimentação, todos são iguais, sendo preciso alimentá-los apenas uma vez ao dia com ração para peixe. Jogue na água que os animais vão se alimentando aos poucos, quando sentirem necessidade.
A quantidade considerada básica para se iniciar uma criação de peixes ornamentais é de dez casais, o suficiente para gerar mais de 100 novos peixes que também serão usados para procriação e depois, revenda. Dessa forma, o retorno do valor no investimento inicial pode surgir em menos de seis meses.
Independente do tipo de negócio que você deseja montar é muito importante fazer um planejamento. Contrate uma consultoria, estude em livros, enfim, escolha a opção que mais lhe agrada, apenas não arrisque suas economias em um chute!