25 de jul. de 2017

Manejo na Criação dos Equinos (Cavalo)



SISTEMA DE CRIAÇÃO
Antigamente, o sistema predominante de criação era o extensivo. A éguada era mantida em grandes extensões de pastos nativos. As crias permaneciam ao lado de suas mães até o parto subsequente, quando eram forçosamente apartadas pelas mães. Em muitas fazendas, até mesmo o reprodutor era mantido com as éguas a campo, em sistema de monta natural. As taxas de fertilidade eram boas, com economia de mão de obra, mas os reprodutores sofriam muitos acidentes. Como as pastagens eram nativas, os animais passavam por graves deficiências nutricionais, o que afetava, principalmente, o crescimento e a reprodução. Não havia o hábito de suplementar os animais durante os meses de estiagem e os piores pastos eram destinados aos equinos. As terras de cultura eram destinadas às lavouras, gado de leite e/ou gado de corte.
A primeira evolução no sistema extensivo foi o manejo de dividir os animais nos pastos de acordo com cada categoria: potros, potras, éguas paridas, éguas solteiras, éguas gestantes. A estação de monta foi adotada, concentrando as cobrições, e parições, na segunda metade da primavera e durante todo o verão. Quanto maior o fotoperíodo, mais fértil tende a ser a égua. As éguas gestantes eram mantidas nos melhores pastos. E para poupar a égua parida, os potros passaram a ser apartados em grupos, por volta dos 6 meses de idade. Mas os criadores antigos eram muito resistentes quanto à necessidade de suplementar os animais durante o período seco, como medida preventiva da perda de peso, e para manter a éguada prenhe em bom estado. Quando não havia como evitar estes gastos extras, nos casos de animais muito magros, alguns criadores utilizavam silagem, cana picada, ou rolão de milho. 
Com o avanço dos estudos na área de nutrição equina e do melhoramento genético das raças, possibilitando a produção de cavalos de maior valor, o sistema de criação extensiva foi substituído pelos sistemas intensivo e semi-intensivo. No primeiro os animais são mantidos em confinamento, saindo das baias apenas para exercícios. No segundo, os animais são mantidos confinados nas baias durante o dia e soltos à noite. Outras alternativas são soltar durante o dia e prender a noite, mantendo os animais sob vigilância, ou soltar apenas parte do dia, manhã ou tarde. 
Outra característica do presente é que um grande numero de haras são montados em áreas pequenas, o que inviabiliza o sistema extensivo de criação. Ainda assim, a recomendação é para prender somente os animais destinados às exposições e vendas. Garanhões devem ser mantidos em baia anexa a piquete. Éguas devem ser mantidas em piquetes. O confinamento onera a criação; gera estresse mental, tornando os animais inquietos, nervosos; afeta negativamente a fertilidade, pela inibição do fotoperiodo; desenvolve animais obesos, de baixa resistencia, prejudicando o desempenho funcional. O melhor sistema é o semi-intensivo.

Conheça o Método LSA de Adestramento.


Após vários anos de teoria e prática na lida com equideos, este autor desenvolveu um novo método de adestramento de cavalos, chamado de Método LSA de Adestramento, dividido em básico e avançado, para cada uma das fases do adestramento de cabresto e do adestramento de sela.
O termo doma foi substituído pelo termo adestramento, por ser este mais indicativo da lida com animais racionais. Ao contrario, domar guarda relação com a lida de animais selvagens. O termo adestramento sugere mais refinamento no trato com o cavalo.
A exemplo do método da doma racional, o Método LSA de Adestramento tem na sua essência o uso da não violência e a integração plena entre treinador / cavalo. A diferença principal dos métodos usuais de doma racional é a eliminação do uso do bridão durante a fase inicial do adestramento de sela, chamada de adestramento básico.

Durante a fase do adestramento de baixo, denominada de charreteamento, é utilizado o buçal, um equipamento de origem colombiana. Na fase seguinte, do adestramento de cima, é utilizado a barbada, também de origem colombiana, uma versão avançada de um hackamore, de uso corriqueiro pelos treinadores do cavalo Quarto de Milha.


Buçal, equipamento utilizado para o charreteamento. A cabeça do cavalo é totalmente envolvida, acionando simultaneamente todos os pontos de controle. Acima, através da testeira, que se liga a uma focinheira com proteção de feltro, exercendo pressão sobre a nuca e a região do chanfro, próximo à região de transição com o focinho. Abaixo, o afogador pressiona a região da garganta, contribuindo para firmar a testeira e a faceira da cabeçada na nuca, uma peça de sola fixa o buçal no meio da região mandibular e outra peça de sola fixa a focinheira do bucal na região do queixo, onde atua a barbela dos freios.



Barbada, ou hackamore, um equipamento utilizado para o inicio do adestramento de sela. Uma focinheira com três pontos de pressão exerce pressão no chanfro e outra peça com nylon trançado apoia na região do queixo. O comando é através de rédeas duplas, ligadas lateralmente nas argolas da cabeçada e abaixo, em argolas presas à peça inferior, de nylon trançado. As rédeas inferiores, quando acionadas de forma independente, exercem o efeito imediato de elevar a cabeça. As rédeas laterais, acionadas de forma independente, ou em conjunto com as rédeas inferiores, exercem os efeitos simultâneos da flexão vertical (da cabeça, pressionando a nuca ) e da flexão lateral ( cabeça e pescoço).
Indubitavelmente, mais de 90% dos vícios de doma e treinamento são desenvolvidos pelo mal uso de embocaduras, em especial o bridão. E logo esta, considerada a embocadura de principiantes, tanto cavalos como cavaleiros e amazonas. O bridão exerce ação elevatória da cabeça, favorecendo um dos vícios mais comuns: o posicionamento excessivamente elevado da cabeça. O segundo vicio de ocorrência mais comum é o chamado “cavalo ponteiro”, aquele que lança seu focinho à frente, atitude provocada pela má flexão da nuca. O uso do bridão não favorece o desenvolvimento de uma boa flexão da nuca. Outros vícios decorrentes do uso do bridão são: abrir e fechar a boca, pendular a cabeça.
Através do Método LSA de Adestramento, potros e potras podem ser adestrados a partir dos 24 meses de idade, desde que apresentem porte normal para a idade, bom direcionamento e sustentação na região dorso-lombar, boa estrutura óssea-muscular de tronco e membros, e aprumos sem desvios considerados graves, que são aqueles enquadrados como desvios totais de raio ósseo.
As vantagens do Método LSA de Adestramento são inúmeras:
- Possibilita avaliação precoce do potencial de andamento, o que se torna interessante em se tratando de animais destinados a venda em leilões, ou mesmo para apresentação a compradores no haras.
- Evita o adestramento de potros durante a fase critica da manifestação do libido, especialmente se estes potros já foram introduzidos na reprodução, o que geralmente ocorre por volta dos 30 meses de idade. O libido afeta negativamente o grau de concentração nas lições.
- Evita o adestramento de potras após terem sido cobertas, o que geralmente aumenta os riscos de reabsorção embrionária e/ou aborto.
- Reduz os riscos de danos à boca do animal, tendo em vista que retarda o uso de embocadura. Esta somente será introduzida quando o animal completar o adestramento basico, ou seja, estiver executando corretamente o passo, a marcha ou o trote, as paradas, os volteios à direita e à esquerda e o recuo.

Manejo Geral – Equinos

Cuidar de um cavalo é uma atividade que requer grande responsabilidade. Uma boa solução para o animal é passar parte do dia ao ar livre, em que se mantém em prática mesmo que não seja incitado a fazer exercício e outra parte do dia no estábulo; assim, o cavalo torna-se mais fácil de montar do que se estivesse todo o dia encerrado. Deixar o cavalo sempre ao ar livre ou sempre no estábulo são outras opções. No primeiro caso é necessário ter uma pastagem abundante, uma fonte de água fresca e abrigo contra o mau tempo do Inverno e os insectos no verão; nestas condições deve ser dado ao cavalo um complemento alimentar pois apenas a pastagem não é suficiente para manter o cavalo em forma. No caso do cavalo estar encerrado é preciso evitar o tédio visto que o cavalo não está no seu ambiente natural e é também essencial que o tratador entenda a psicologia do cavalo.

 Manter um cavalo a Penso

O penso ou pensão é a alternativa para quem não pode ter os cavalos em casa. Para isso é necessário encontrar um centro onde tratem cavalos e onde haja pessoal experiente. Existem 5 sistemas de penso:

O penso completo, em que se paga a alguém para fazer tudo o que for necessário inclusive o exercício de que o animal necessita;

Faça você mesmo, onde o trabalho é feito pelo proprietário;

A pastagem, que é indicada para cavalos que vivam todo o ano ao ar livre;

O repartido que é, ideal para o proprietário manter o contacto com o cavalo, pois parte do trabalho é feito por ele e a outra metade pelo centro;

O sistema em trabalho, em que o cavalo é utilizado por exemplo, numa escola de equitação.

Requisitos de uma pastagem para Cavalos

A pastagem deve ser, para cada cavalo, de cerca de 0,2 a 0,4 há. Deve ser livre de plantas venenosas, de lixo e de outros perigos tais como tocas de coelhos. Deve ter muito cuidado no que diz respeito ás cercas: utilize postes e varas, sebes vivas, cercas eléctricas, de plástico ou de arame próprio para cavalos, nunca deve ser utilizado arame farpado nem o arame simples ou concebido para outro tipo de gado, pois podem provocar ferimentos. O campo deve ter também abrigo. Este deve ter uma frente aberta e larga para não dificultar a entrada e saída dos cavalos e deve estar contra o vento predominante.

Tente sempre que o cavalo esteja acompanhado por outros animais, principalmente outros cavalos. Visite-o pelo menos duas vezes por dia mesmo que esteja permanentemente ao ar livre, pois assim fica mais alerta para quaisquer tipos de problemas.

 Cavalariças e camas

A boxe de um cavalo deve ser espaçosa, clara e arejada. Ter uma fila de boxes de um lado e do outro e um corredor central facilita as tarefas dos trabalhadores. É também muito importante que haja um constante abastecimento de água fresca e limpa.

A cama mantém o cavalo confortável e quente e evita grande parte das feridas quando este se mantém deitado. Podem ser utilizados vários tipos de cama desde as de palha às de borracha. Deve evitar que o cavalo viva num ambiente com muito pó e gases que provém da cama e até do próprio feno. Todas as camas têm vantagens e desvantagens: A palha de trigo é muito poeirenta e os cavalos comem-na; também a palha cortada e sem pó tem o inconveniente de ser comida pelos animais; as aparas de madeira só são aconselhadas se o pó tiver sido extraído; o cânhamo proporciona uma cama resistente e leve, mas têm também o problema do pó e de serem comidas; as tiras de papel não são poeirentas mas são difíceis de remover e voam facilmente; os tapetes de borracha devem ser utilizados apenas em cavalariças com boa drenagem, pois caso contrário pode formar-se uma possa de liquido de borracha, e sempre debaixo de uma fina camada de cama.

 A limpeza do estábulo

A cama deve ser remexida e o estrume retirado todos os dias. No caso de aparas, cânhamo ou papel, deve retirar-se apenas o estrume e deve ser limpo completamente 1 ou 2 dias por semana; no caso de ser de palha deve ser limpa todos os dias.

Para facilitar a limpeza utilize um carro de mão, uma pá, uma vassoura e uma forquilha. Para tirar o estrume pode calçar umas luvas de borracha e apanhá-los à mão ou então usar uma forquilha.

Aquando da limpeza completa deve tirar todo o que esteja sujo e molhado, varrer o chão e desinfecta-lo, deixando-o secar. Ao fazer de novo a cama utilize o material que aproveitou da anterior no sitio que o cavalo suja mais e acrescente material novo.

  A limpeza do cavalo

A limpeza diária do seu cavalo não serve apenas para o deixar com boa aparência pois é também uma boa oportunidade para se aperceber se este tem feridas ou inchaços nos membros ou temperatura nos cascos e articulações ou outro tipo de problemas físicos.

A técnica que utiliza na limpeza do cavalo deve estar relacionada da com o modo de vida e com o tipo de cavalo: por exemplo, um pónei que passe todo o tempo ao ar livre necessita de toda a gordura da pele sobre o pelo (para ficar impermeável; por outro lado o cavalo que passe todo o tempo no estábulo que é tosquiado deve ser limpo mais profundamente.

A maioria dos cavalos não se opõe à limpeza desde que sejam tratados respeitosamente.

 O estojo de limpeza  

O estojo de limpeza deve ser individual, para evitar infecções e transmissão de doenças e deve ter:

Um ferro de cascos;

Uma cardoa– escova de pelos compridos e duros – para limpeza geral do pelo;

Uma brussa– escova de pelos curtos e macios – para tirar o pó e a gordura;

Uma almofada para limpar as escovas;

Um pente (ou escova) de plástico para pentear crina e cauda;

Repelente de insetos;

Compressas de algodão descartáveis que se molhem para lavar olhos, narinas e zona do anús.

O estojo pode também conter unto para os cascos, tesouras de rombas (para ripar e acertar crinas e cauda).

Uma luva de crina (para remover nódoas) e um pano macio para limpar o pó e deixar o pelo brilhante.

 O processo de limpeza

No caso de ter um cavalo em semi-estábulo este deve limpar os seus cascos todos os dias e verificar as ferraduras. Deve também escovar o pelo para tirar toda a lama seca principalmente nas zonas onde são colocados os coberjões ou arreios. Deve lavar também os olhos, narinas e zona do anús.

No caso do cavalo ser castrado, deve limpar a bragada com água morna.

Para tornar a limpeza mais eficiente pode seguir os seguintes conselhos:

Limpe o cavalo estabulado fora da boxe para não largar o pó no seu interior;

Limpe-o de cima para baixo, usando sempre a mão do lado do corpo do cavalo;

Ao usar a cardoa tenha gestos curtos e leves levantando-o no final para sacudir o pó do pelo;

Utilize a brussa com gestos curtos mas não tão leves e limpe-a na almofada cada 3 ou 4 passagens;

No caso do cavalo ter a cauda aparada em cima coloque-lhe uma ligadura várias vezes por semana uma ou duas horas para     domar a cauda, mas não muito apertada para não causar problemas de circulação.

Visão geral criada por IA

O manejo de equinos exige instalações seguras (baías ventiladas, piquetes), nutrição balanceada (forragem de qualidade, água fresca, sal mineral) e rotina consistente para evitar estresse e cólicas. Fundamentalmente, inclui manejo sanitário (vacinação, vermifugação), exercícios regulares e cuidados reprodutivos, visando o bem-estar e o desempenho do animal. 

Manejo Nutricional e Alimentar

  • Volumoso é Base: Equinos são herbívoros; a dieta deve ser baseada em forragens de boa qualidade (pasto ou feno).

  • Frequência: Fornecer ração e feno em, no mínimo, duas a três refeições diárias para evitar sobrecarga gástrica.

  • Água: Deve ser fresca, limpa e disponível à vontade.

  • Acompanhamento: Éguas prenhes devem ser monitoradas, com transferência para piquetes maternidade 15 dias antes do parto.
  • Nutrição: A dieta de éguas gestantes e lactantes deve ser reforçada para garantir o desenvolvimento do potro.
  • Observação: "O olho do dono que engorda o gado" é crucial. Verificar diariamente o consumo de água, alimento e o comportamento geral.
  • Rotina: Manter horários fixos para alimentação e manejo ajuda a reduzir o estresse.
  • Higiene: Escovação diária (banho) melhora a circulação e fortalece o vínculo com o tratador.
    • Mudanças de Dieta: Devem ser graduais (5 a 10 dias) para evitar distúrbios digestivos e cólicas.

    • Sal Mineral: Oferecer específico para equinos, essencial para o equilíbrio metabólico. 

    Instalações e Conforto

    • Baías: Devem ser bem ventiladas, iluminadas e higienizadas.

    • Piso: Antiderrapante, seco e com drenagem eficiente.

    • Espaço: Cavalos precisam de tempo soltos em piquetes para exercício e convivência social.

    • Enriquecimento Ambiental: Evita "vícios de baia" (comportamentos anormais por tédio ou confinamento).

    Manejo Sanitário (Profilaxia) 

    • Limpeza: Higienizar frequentemente coxos e bebedouros.

      • Vacinação: Iniciar aos 4 meses contra doenças como Tétano, Influenza e Encefalomielite.

      • Vermifugação: Controle parasitário periódico para garantir o aproveitamento de nutrientes.

      • Avaliação: Acompanhar o escore de condição corporal (ECC) dos animais.

      Manejo Reprodutivo

      • Acompanhamento: Éguas prenhes devem ser monitoradas, com transferência para piquetes maternidade 15 dias antes do parto.

      • Nutrição: A dieta de éguas gestantes e lactantes deve ser reforçada para garantir o desenvolvimento do potro. 

        AgricOnline AgricOnline +1

      Dicas de Manejo Diário

      • Observação: "O olho do dono que engorda o gado" é crucial. Verificar diariamente o consumo de água, alimento e o comportamento geral.

      • Rotina: Manter horários fixos para alimentação e manejo ajuda a reduzir o estresse.

      • Higiene: Escovação diária (banho) melhora a circulação e fortalece o vínculo com o tratador.


VEJA OS VIDEOS


 Para baixar o slide, encoste a seta do mouse no slide, surgirá um quadrado com a seta, clique e serás direcionado ao google Drive, vá em arquivo e terás a opção “Baixar”





 Clique na busca do google abaixo e visite inúmeros textos e vídeos sobre esta postagem



12 de jul. de 2017

Instalações para Equinos (Haras)


Escolha da propriedade

O primeiro passo para se iniciar uma criação de cavalos é comprar uma propriedade adequada, em relação ao clima, topografia, qualidade de solo, pastagens. Em seguida, escolhe-se a raça, de acordo com a qual será construída a infra-estrutura básica, moderna e funcional. As duas ultimas etapas da implantação de uma criação de cavalos  serão a seleção dos animais  e a contratação de mão-de-obra especializada, sendo necessários um tratador e um treinador para um plantel de 10 a 15 animais. 
Como o Brasil é um país de clima tropical, cavalos podem ser criados em todas as regiões brasileiras, à exceção de algumas micro-regiões de clima excessivamente úmido. Quanto à topografia, as propriedades planas ou levemente onduladas são as mais indicadas. As áreas de brejo devem ser evitadas, pois danificam os cascos e favorecem diversos tipos de enfermidades. Um solo de qualidade é essencial para a formação de boas pastagens, o que reduz custos operacionais.  

Dimensionamento da criação 

A área da propriedade depende do dimensionamento da criação. Muitos criadores começam a criar cavalos em áreas de tamanho incompatível com o do plantel, passando por dificuldades de falta de pasto e capineira, o que onera bastante a criação. Em torno de 70% dos gastos de criação são relativos à alimentação e mão-de-obra. De acordo com o porte a criação de cavalos pode ser dividida da seguinte forma: 

Pequeno porte – até 10 matrizes, com um reprodutor ou utilização de sêmen

Médio porte – de 10 a 20 matrizes, ainda podendo usar apenas um reprodutor
Grande porte – acima de 20 matrizes, com dois reprodutores 
Obs.: Um segundo reprodutor será necessário para uso nas filhas das éguas base. Nos planteis de pequeno porte, serão poucas as potras selecionadas em cada safra, sendo mais interessante para o criador comprar sêmen de reprodutor testado, ao invés de investir na compra de um segundo reprodutor, ou de um potro, que é como dar um “tiro no escuro”. 
O numero de animais por hectare dependendo do tipo de graminea. No caso do Tifton, de alto valor nutritivo, a lotação anual pode chegar até 3 animais adultos por hectare. Para outras gramineas a media é de 1 animal adulto por hectare. Mesmo obedecendo estas recomendações de lotação de pastagem, durante o período seco do ano os animais deverão ser suplementados com feno de boa qualidade. É erro grosseiro de avaliação pensar que um pasto seco (fenação natural), mesmo que abundante, estará atendendo as exigências nutricionais, especialmente no caso de éguas gestantes e potros (as) em crescimento.  
O criador iniciante deve considerar que em sistema  natural de reprodução as matrizes podem parir uma cria por ano. Os produtos recriados extensiva ou semi-intensivamente também necessitarão de áreas de pastagem. Em torno de 20 a 30% dos produtos podem ser reservados, para futuros reprodutores (as) e/ou animais de exposição. O restante da safra terá destino na comercialização direta no haras, na internet, em leilões. No caso de machos a serem castrados, recomenda-se a recria para futuro adestramento de sela, visando a obtenção de melhor preço. Assim, haverá um crescimento gradual do plantel. Para um plantel estabilizado em 10 matrizes, considerando a taxa de natalidade, e de desmame, em 90% e a idade ao primeiro parto sendo por volta dos 4 anos, vamos desenvolver a evolução do plantel: 
1o ano – 9 produtos, reservando um macho e duas fêmeas
2o ano – idem. Teríamos mais 6 animais no plantel
3o ano – idem. Teríamos mais 9 animais no plantel, sendo que as duas fêmeas selecionadas no primeiro ano entrarão em reprodução. O criador deverá decidir se aumenta o plantel para 12 matrizes ou se descarta duas éguas, priorizando aquelas que não produziram bem.
4o ano – idem. Teríamos mais 12 animais no plantel, Dos quatro machos selecionados, um em cada safra, os dois melhores deverão ser reservados para teste em reprodução. Os outros dois poderão ser comercializados como reprodutores. 
No caso da adoção de sistema reprodutivo artificial, o criador poderá investir em duas ou três éguas ventres de ouro, a serem utilizadas como doadoras de embriões. Para cada égua doadora serão necessárias três éguas receptoras. De cada égua doadora é possível coletar, em média, três embriões viáveis em cada estação de monta. Geralmente, esta modalidade mais sofisticada de criação não mantem reprodutor próprio,. O criador investe em sêmen de garanhões testados e aprovados. Outro custo elevado é na assistência veterinária, seja para a coleta do sêmen, transporte e inseminação, coleta e transferência de embriões; tratamentos hormonais. A vantagem é que o aumento significativo da pressão de seleção, o que resulta em valor zootécnico superior dos produtos gerados, que podem ser comercializados a preços mais elevados. 

Localização e acesso 

Preferencialmente, o haras deve ser localizado em região de tradição na criação de cavalos, que disponibiliza as facilidades necessárias ao desenvolvimento da criação, além de reduzir custos de transporte para participar de eventos e viabilizar o escoamento mais fácil dos produtos. Outro aspecto interessante é a proximidade de alguma cidade com boa infraestrutura – supermercados, farmácia, hospital, escola de ensino publico, lazer 
Para facilitar e estimular a frequencia rotineira de visitas do criador e familiares, a localização não deve ser muito distante da cidade onde residem. Distâncias superiores a 150 km já tornam as viagens cansativas, levando em conta o mal trânsito das grandes cidades e as condições precárias em grande parte das rodovias. 
O acesso ao haras deve ser fácil, preferencialmente em via asfaltada. As estradas de terra, quando mal cuidadas, causam desconforto e transtornos em épocas chuvosas. 

Clima e topografia 

No Brasil, como país de clima tropical, há muitas variações de uma região para outra. No Sul e Sudeste, o frio é mais intenso, com o inverno seco e o verão chuvoso. Em grande parte do Centro – Oeste, a distribuição de chuvas é semelhante ao Sul e Sudeste, porem com medias pluviométricas inferiores. Nas regiões Norte e Nordeste, o inverno é chuvoso e o verão seco.  
O cavalo adapta-se bem aos climas quentes e secos. Os climas mais úmidos não menos saudáveis, especialmente quanto às afecções respiratórias e infestações de ecto e endoparasitas. Entretanto, foram forjadas raças mais resistentes para cada tipo de clima e topografia, como foi abordado na introdução desta obra. 
A topografia ideal de criação é a levemente ondulada, que possibilita melhor condicionamento aos animais criados extensivamente. A topografia montanhosa favorece os acidentes, impede a mecanização do manejo de pastos e dificulta a mão-de-obra na lida com os animais. A topografia plana facilita a distribuição dos piquetes, a movimentação dos animais no haras, o manejo geral da criação. 

Qualidade da terra 

Mais importante do que a localização é a qualidade da terra. Solos de baixa fertilidade devem ser corrigidos para a formação de pastagens, o que implica em elevados custos. As principais deficiências de minerais são de Calcio, Fósforo e Potássio. As correções de solo para formação de pastagens deverá ser feita através da aplicação grandes quantidades de adubos químicos, orgânicos e de calcareo, sendo este ultimo para a correção de acidez. Mesmo após formadas as pastagens, as aplicações periódicas de fertilizantes ainda serão necessárias, pois o solo não disponibiliza nutrientes para a planta. Este é um custo que pode inviabilizar a criação. 
As terras de cultura, de coloração roxa ou avermelhada, são as preferenciais. Terras arenosas, de cerrado, de baixadas de brejo e solos pedregosos devem ser evitados. Entretanto, estes tipos de solos são incidentes em muitas regiões. Por exemplo, na região do planalto central, predomina o solo de cerrado, geralmente pedregosos, rasos, de pouca capacidade de armazenamento de agua, de vegetação mais baixa e rala. Nas faixas litorâneas geralmente predominam  os solos mais ácidos, de baixadas, vegetação mais alta e densa. As terras de cultura são encontradas em grande parte do Estado de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, parte do Sul de Minas, mais próximo à divisa com São Paulo, grande parte do triângulo mineiro, como exemplos. 

Tipo de pastagem – nativa X artificial 

Os pastos nativas são pouco nutritivos e exigem gastos elevados de manejo da capina e limpa. Geralmente muito sujos, misturam vários tipos de gramíneas rasteiras e arbustivas, algumas podendo ser tóxicas para o equino. Outras desvantagens de pastos nativos é a maior incidência de cobras e carrapatos. Somente durante os períodos chuvosos atendem as necessidades de manutenção do equino. Também apresentam reduzida capacidade de lotação. Dois tipos de pastagens nativas incidentes no Estado de Minas Gerais são os capins gordura e Colonião. Este ultimo também incide no Sul da Bahia. 
As pastagens artificiais podem ser mais apropriadas quando se escolhe uma boa graminea, que deve ser bem adaptada ao clima e tipo de solo. Na atualidade, o Tifton é a graminea mais recomendada, devido ao elevado valor nutritivo e a possibilidade de produção de feno de boa qualidade. Os gastos com a formação, através de mudas e solo bem adubado, compensam. Havendo disponibilidade de agua para irrigação, melhor ainda, pois viabiliza a fenação. Em seguida ao Tifton, podem ser indicados o Coast Cross ( dá feno de boa qualidade ), capim Paraíso ( que também serve para capineira ), Tanzânia, Mombassa. Para regiões de clima mais seco, baixo indice pluviométrico, outras gramineas são recomendadas, tais como o Buffel Grass, Brachiaria Humidícola, Pangola. Outros capins consumidos pelo cavalo são o Pangolão, Andropogon, Colonião, Grama Estrela, Gordura, Jaraguá, Sempre Verde.

Após a escolha da raça, o interessado em iniciar uma criação de cavalos deve formar pastagens adequadas para a região de localização da propriedade e para a espécie equina. As melhores pastagens são formadas, em ordem de valor nutritivo pelas seguintes gramíneas: Tifton, Coast Cross, Pangola, Tangola, Pangolão, Tanzânia, Colonião, Sempre Verde, Jaraguá, Gordura.

É prática no Brasil a utilização de capineiras - áreas de plantio de capim para corte -, visando uma suplementação de volumoso para animais estabulados e para animais de campo durante longos períodos de estiagem. Todavia, o manejo de capineiras é oneroso e o valor nutritivo das gramíneas utilizadas para corte sofre sensíveis variações ao longo do ano, dependendo do estágio de maturação da planta. Assim, uma prática mais vantajosa é a formação de áreas para fenação, sendo que os melhores fenos são produzidos com Tifton e Coast Cross. Uma opção seria produzir alfafa para fenação, porém essa leguminosa é exigente em relação aos tratos culturais.
Para dimensionar o tamanho das pastagens deve-se destinar pelo menos um hectare para cada animal jovem. Para adultos, em especial éguas gestantes e lactantes, a ocupação aumenta para 1 unidade animal / hectare. As cercas não devem ser de arame liso, para evitar acidentes. Os piquetes para animais de exposição e garanhões devem ser, preferencialmente, de cerca com réguas.
As baias devem ser amplas, de 4 x 4 para garanhões e 3 x 4 para outras categorias. Os cochos devem ser separados, para o volumoso e a ração concentrada. O saleiro deve ser dividido para sal mineral puro e a mistura balanceada. Para utilização de feno, recomenda-se o uso de grades apropriadas ou de redes. Além das baias, uma cocheira completa inclui área para depósito de material para renovar a cama; depósito de ração, com tablados; selaria; farmácia; escritório e sala de troféus; lavador; brete para manejo reprodutivo; área cimentada; plana; para casqueamento e ferrageamento.
O material para as camas é um assunto à parte. Aparentemente simples, este é um dos principais problemas encontrados nos haras. A cama deve estar sempre limpa e seca, a fim de preservar a saúde dos cascos. Areia não deve ser utilizada como material de cama, pois tem pouco poder de absorção de umidade. Torna-se oportuno ressaltar que o material de limpeza das camas não deve ser armazenado nas proximidades das baias, para não atrair moscas.
Para a doma, exercícios de condicionamento e treinamento de cabresto, um amplo redondel deve ser construído, com diâmetro de, pelo menos 15 metros, cercado de régua ou murado. Para equinos de marcha, o piso de areia não é recomendado, a não ser na forma de uma fina (no máximo 4 cm de altura) camada de areia sobre terra batida. Como a marcha é um andamento bastante assimétrico na mecânica de locomoção, exercícios sobre piso pesado de areia sobrecarregam em demasia as articulações, tendões e ligamentos. Já para equinos de trote, o piso de areia é o mais recomendado nos redondéis.
Outras áreas apropriadas para exercícios de condicionamento e treinamento são: piscina, pista plana - mais ou menos 60 x 40m - para treinamento de andamentos e obstáculos de provas funcionais.




Modelos















































6 de jul. de 2017

Escolha dos Garanhões (Equinos)



SELEÇÃO DE GARANHÕES

O garanhão é o animal mais importante do haras, pois é responsável pelo nascimento anual de um grande numero de potros e potras. A compra de um garanhão de mérito zootécnico inferior é sinônimo de insucesso na criação.

Alguns criadores de haras de pequeno porte preferem não investir em um garanhão, mas sim na compra de sêmen de um ou mais reprodutores testados e aprovados. Além da redução no investimento inicial da implantação da criação, outro objetivo é produzir o garanhão no próprio haras, selecionando em cada safra o melhor potro, para futuro teste na reprodução.

- APARÊNCIA GERAL:

O garanhão deve denotar estado fisico-clinico normal - procedimentos para um check up detalhado são orientados em outro capítulo -, conformação harmoniosa, ser possuidor de porte e peso adequados para a respectiva raça, pêlos finos, forte constituição óssea-muscular, atitudes ativas.

- IDADE:

Em média, a maturidade reprodutiva é atingida por volta dos 60 meses de idade, quando poderá ser explorado ao máximo. Garanhões abaixo desta faixa etária são utilizados em um numero menor de éguas, exceto no caso da inseminação artificial. Em monta natural um garanhão adulto é capaz de servir em torno de 50 éguas ao longo da estação de monta, obedecendo-se a orientação de no máximo dois saltos / dia ( manhã e tarde ), e servindo a égua no cio em dias alternados, até o término do cio. Esta é a prática tradicional, quando não se dispõe de aparelho de ultrasonografia para acompanhamento das ovulações e diagnóstico da prenhez.

Garanhões entre 3 e 4 anos de idade, ainda sem produção conhecida, não são comprovados como reprodutores de mérito zootécnico superior, sendo o que se diz popularmente um“tiro no escuro”. É uma compra de risco.

- AVALIAÇÃO REPRODUTIVA:

O primeiro exame é através da avaliação visual e apalpação dos testículos. Ambos devem estar presentes na bolsa escrotal e de tamanho normal. Caso contrário, será indicativo de baixa fertilidade. Tecnicamente, a ausência de testiculos na bolsa escrotal é denominada de Criptorquidismo. Um só testiculo na bolsa escrotal denomina-se de Monorquidismo ou, popularmente, “cavalo roncolho”. Testiculos pequenos indicam uma hipoplasia. Testiculos grandes, uma hiperplasia.
Um segundo exame é o andrológico. O sêmen deve ser coletado por Médico Veterinário especialista. Aspectos como a morfologia, motilidade, concentração espermática e o volume do ejaculado, estão diretamente relacionados com a fertilidade. Um grande numero de garanhões são comprados sem a exigência do exame andrológico pelo comprador. É um risco também para o vendedor, pois há casos de garanhões que sofrem de “estresse ambiental” , devido à mudança de haras, passando por problemas reprodutivos temporários, incluindo alterações na qualidade do sêmen. É um tipo de estresse psicológico, de mudança de ambiente. Quando mudam de haras, temporariamente tornam-se sub-férteis. Portanto, o ideal é que o comprador aguarde um periodo de, aproximadamente, 30 dias no novo ambiente, para que o garanhão alcance uma boa adaptação.

Um terceiro exame é o da libido. Na presença de uma égua, observar as atitudes do garanhão, o interesse pela égua, a facilidade de ereção, o que também indica garanhão de boa potência sexual.

- PEDIGREE:

O pedigree é um dos principais parâmetros na escolha de um garanhão. A genética superior é um bom indicativo de garanhão também superior como reproduor. Um pedigree de valor zootécnico deve apresentar ancestrais notórios até a terceira geração, a dos bisavós. Cada pai contribui com 50% da bagagem genética, cada um dos avós com 25% e cada um dos bisavós com 12,5%.

Uma avaliação complementar da força genética do garanhão, se possível, é a avaliação de conformação e funcionalidade de alguns parentes colaterais, em especial os irmãos próprios, seguindo-se os meio-irmãos e os primos em 1º grau.

- PORTE:

O porte é um parâmetro de herdabilidade alta. De acordo com a raça, o aconselhavel é comprar garanhão de altura próxima ou superior àquela preconizada como sendo ideal no Padrão Racial. Todos os Padrões Raciais definem altura mínima para o Registro Genealógico. A maioria dos Padrões Raciais definem a altura ideal e alguns Padrões Raciais estabelecem limites máximos de altura.



Existem algumas situações que podem inibir o crescimento, tais como a subnutrição e períodos de doença. Se o pequeno porte de um garanhão é atribuído à uma destas situações, o defeito não será herdado. Mas o comprador terá que confiar na informação do vendedor. Uma dica é verificar o porte dos pais. Se pelo menos um apresentar porte pequeno, é indício de que o garanhão de porte reduzido possivelmente herdou este defeito.

- CONFORMAÇÃO:

A avaliação da conformação exige profissional da area, geralmente um Zootecnista. Cada raça tem seu Padrão Racial, que estabele as virtudes e os defeitos, considerados desclassificatórios.

Como regra, um garanhão deve somar qualidades, sem defeitos considerados graves. Se um defeito é compensado, sua gravidade é amenizada. Garanhão de conformação superior é aquele que não mostra defeito evidente. Este será descoberto na avaliação detalhada, pois, afinal, não existe garanhão morfologicamente perfeito.

Um bom método de avaliação da conformação consiste em dividir o animal em tres partes: conjunto de frente, conjunto de tronco e conjunto de membros, atribuindo-se percentuais para cada parte, sendo, respectivamente: 30%, 30% e 40%, como proporção ideal. A justificativa para o maior percentual atribuído à região dos membros é que o cavalo é um atleta e como tal deve ser selecionado. Não há espaço no mercado para cavalos de “vitrine”, aqueles que são tirados da baia ao cabresto somente para serem admirados. A expressão racial insere-se no conjunto de frente, e também uma boa porção da beleza zootécnica. Mas é nas regiões de membros e tronco que o comprador poderá correlacionar a conformação com a funcionalidade, dependendo das aptidões natas da respectiva raça.

- ANDAMENTO / DESEMPENHO:

Os andamentos naturais devem ser criteriosamente analisados– passo, marcha ou trote, galope. A maior importância de cada andamento dependerá da função do animal: lazer, Concursos de Marcha, esportes, serviço.

Se o cavalo é marchador, deverá ser montado para avaliação da marcha. Se é de esportes, deverá trotar, galopar e executar sua função, seja em provas de agilidade e velocidade, salto, enduro, pólo, Adestramento, dentre outras.

A avaliação do andamento e desempenho não tem por objetivo principal o uso do garanhão em competições, mas sim como parâmetro do potencial de sua herança funcional, a ser legada para a prole. Uma ressalva importante é que nem todo garanhão encontra-se preparado para competir, pois quando são introduzidos na reprodução, geralmente o treinamento é paralizado.

- TEMPERAMENTO:

O temperamento refere-se à índole. Atitudes de inquietação permanente podem indicar má índole. Coices e mordidas são as duas reações típicas de cavalos de má índole. Além de dificultar o manejo, este tipo de comportamento é geneticamente transmissível. É comum vendedores justificarem alegando que foi falha de manejo, especialmente a lida violenta recebida no passado pelo garanhão. Todavia, “na dúvida, é melhor respeitar o sinal amarelo” e desconfiar.

Quando o garanhão é conduzido com o argolão é sinal de que a contenção é difícil, sinalizando para um temperanto mais inquieto. A boa socialização do garanhão, mantendo bom comportamento na presença de outros cavalos, é um bom indicativo de bom temperamento e em muito facilita o manejo.

O extremo da boa índole é o cavalo linfático, lerdo, aquele que precisa ser insistente e firmemente comandado. Deve ser considerado como um tipo de defeito. Geralmente, o cavalo linfático não apresenta boa treinabilidade, e tem pouca resistência.

- PRODUÇÃO:

Preferencialmente, o garanhão deve ter pelo menos uma safra produzida, em torno de dez filhos. Todos, ou uma boa parte, deverão ser avaliados pelo comprador, quanto aos atributos morfológicos e de andamentos. Para uma avaliação mais criteriosa, também é interessante avaliar cada mãe, a fim de constatar a capacidade do garanhão em melhorar aspectos da conformação e andamentos.

A compra de um garanhão ja testado e aprovado como reprodutor é a maior garantia de qualidade do animal como reprodutor, e da valorização do investimento, com retorno certo através da venda de produtos e de sêmen.

Muitos compradores iludem-se com apenas um, dois produtos bons de um garanhão. O que vale em avaliação zootécnica é a média da produção, com padronização de qualidades. Outra dica prática é avaliar a égua, que pode ter mérito zootécnico superior, inibindo de certa forma a capacidade produtiva do garanhão. Ao contrário, quando este faz qualidade em égua pobre de morfologia e / ou andamento, é mérito de raçador.

- HISTÓRICO EM COMPETIÇÕES:

Caso o garanhão tenha participado de competições, o comprador deve pedir o histórico do desempenho, avaliando também o grau de competitividade. Exposições ou provas contando com poucos participantes não são representativas.

Uma forma de valorizar o investimento na compra de um garanhão é dar continuidade às participações em competições importantes. Cada campeonato conquistado valoriza o animal, bem como seus produtos, as coberturas a serem comercializadas.

- FICHA DE CONTROLE ZOOTÉCNICO:

A ficha de controle zootécnico refere-se aos cuidados com os cascos, controle nutricional, controle sanitário, controle reprodutivo, controle produtivo, programas de condicionamento físico e de treinamento. Recomenda-se que o comprador solicite uma cópia, a fim de dar continuidade no manejo geral e especializado.

O cavalo é animal sensível às mudanças, especialmente nutricionais, podendo gerar os distúrbios gastro-intestinais acompanhado pelas cólicas, não raras as vezes fatais. Também é de interesse do comprador ter conhecimento das ultimas vacinações, vermifugações e banhos carrapaticidas, bem como do tipo de medicamentos utilizados.

GARANHÃO COMPLETO – O IDEAL DA SELEÇÃO

O garanhão tem importância bem maior do que a égua, porque produz um grande numero de produtos por ano, especialmente através da técnica da Inseminação Artificial. Cada ejaculado de um garanhão de boa fertilidade é capaz de fecundar de 6 a 8 éguas. Ao contrário, as éguas, mesmo sendo doadoras de embriões, produzem uma média de 3 a 4 produtos por ano. Os ovários da égua não respondem positivamente aos hormônios estimulantes da ovulação, como ocorre em várias outras espécies de animais domésticos.

Existem vários métodos de seleção. Um dos melhores, senão o melhor, é a Seleção Integral, ou seja, como o próprio nome diz, um método pelo qual o criador seleciona ao mesmo tempo todas as caracteristicas desejáveis. Ao contrário, poderia selecionar por etapas como, por exemplo, em primeiro lugar fixar o andamento, em seguida a conformação, ou o inverso.

Muitos programas de seleção são mal sucedidos porque utilizam garanhões de mérito zootécnico baixo ou mediano. Qualquer programa seletivo que almeja o alcance de resultados positivos, seja no avanço do melhoramento zootécnico, ou dos resultados econômicos, deve usar garanhões completos. Mas afinal, quais são os pré-requisitos para alcançar esta classificação de mérito zootécnico superior?

1 – Pedigree de mérito zootécnico superior: A genética é o alicerce para a produção de elevada qualidade e, o mais importante, consistente, com média. O mérito produtivo de um garanhão que produz poucos produtos excelentes, muitos medianos e muitos fracos, não é satisfatório. Em toda raça existem vários exemplos destes garanhões, que se tornam notórios, seja através de poucos filhos (as) bons, dos valores elevados das vendas destes filhos (as), a força da mídia, ou dos Campeonatos Nacionais, muitos dos quais injustos. O que se reveste de ineresse zootécnico e econômico para o selecionador é a consistência da média qualitativa de produção, indicada pelo numero expressivo de produtos a serem anualmente selecionados para a reprodução. A referência é a própria média de qualidade do valor zootécnico dos genitores. O filho (a) deve apresentar média igual ou superior à média de qualidade dos pais. A capacidade do garanhão em melhorar os defeitos das mães também é marca dos autênticos raçadores.

2 – Conformação padrão Exposição Nacional: Atualmente, a valorização é do biótipo funcional. Portanto, a conformação de um garanhão completo deve aliar estas duas virtudes – expressão racial e biótipo funcional. Um garanhão completo não pode ser medianamente conformado.Deve ser possuidor de conformação competitiva em Exposição Nacional.

3 – Andamento Padrão Concurso de Marcha: Se o garanhãoo é possuidor de marcha competitiva, certamente herdou de um ou mais ancestrais. De acordo com estudos deste autor, a herdabilidade da dissociação e do estilo, que estão entre os principais parâmetros de avaliação da marcha, é de média a alta. Se o garanhão é possuidor de Morfologia Padrão Expo. Nacional, mas a marcha é medíocre, seerá necessária a escolha de éguas de marcha Padrão Concurso de Marcha. Mesmo assim, um numero significativo de seus filhos (as) ainda serão portadores de marcha medíocrre, ou pelo menos mediana. O pré-requisito para uma  evolução real é o rigor funcional dos programas seletivos dos criadores da elite. Poucos são aqueles que se preocuparam em priorizar a genética da marcha. Como resultado, um numero significativo de potros e potras que foram Campeões Nacionais ao cabresto vêm apresentando desempenho medíocre quando montados, porque a marcha é medíocre. 

4 – Premiações: Um garanhão completo é Campeão de Raça e de Marcha nas principais exposições. Todavia, se o garanhão foi Campeão somente em exposições regionais, de menor competitividade, geralmente não será capaz de transmitir aos filhos (as) a conformação padrão Exposição Nacional, porque não é possuidor deste diferencial.  Mas há exceções à esta regra. Casos ja ocorreram, em várias raças, de reprodutores que jamais sagraram-se Campeões Nacionais, mas produziram numero significativo de produtos Campeões Nacionais. As causas podem ser outras, não relacionadas diretamente com a qualidade do biótipo, tais como: temperamento impróprio para apresentações em pista, lesões, andamento deficiente.

5 – Temperamento: Esta é uma qualidade que deveria ser mais valorizada nos programas de seleção. O mau temperamento, seja no seu grau máximo de índole ruím, ou em graus medianos de comportamento inquieto, é depreciativo do cavalo de sela. Há vários casos de garanhões de índole ruím que produziram inúmeros filhos (as) portadores deste mesmo defeito. Em se tratando de uma raça com aptidão para passeios e cavalgadas, este é um defeito ainda mais grave. São animais rejeitados pelos usuários. O mau temperamento também afeta a treinabilidade, dificultando várias etapas especializadas do manejo, tais como o casqueamento, ferrageamento, doma de sela, condução ods exercícios de condicionamento físico, treinamento e apresentação e julgamentos. 

6 – Fertilidade: Esta é uma caracteristica que precisa ser melhorada nas raças brasileiras de cavalos de marcha, pois não recebeu a devida pressão de seleção. Como resultado, o numero de produtos por égua é inferior quando se compara com eguas de raças internacionais. Para complicar, ha um bom numero de reprodutores sub-férteis, a maioria devido às anormalidades testiculares. O sêmen de város outros não suporta congelamento e nem tão pouco o resfriamento, dificultando a inseminação artificial. Da boa fertilidade depende, principalmente, o sucesso econômico da criação.

7 – Produção Comprovada: Esta á a prova final de que um garanhão é completo, a capacidade de gerar filhos (as) Campeões de Raça e Andamento. No caso dos Campeões de Raça, não basta apenas que as notas de Morfologia sejam boas, as de Andamento também. Caso contrário, futuramente, não serão Campeões em Concursos de Marcha. O objetivo maior de qualquer selecionador é produzir um garanhão raçador, ou seja, aquele que demonstra prepotência em marcar uma prole de campeões com suas características.

Escolha dos Garanhões

Para uma escolha inteligente e tecnicamente viável, os criadores baseiam-se em cinco pilares fundamentais: 

  • Morfologia: Avaliação da conformação física e estética do animal, essencial para padrões de raça e funcionalidade.

  • Marcha ou Desempenho: A análise dos andamentos (no caso de cavalos de sela) ou da performance esportiva comprovada.

  • Genética (Genealogia): Estudo da linhagem e ascendência para prever a transmissão de características desejáveis.

  • Índole e Temperamento: Avaliação do comportamento e docilidade, fatores cruciais tanto para a reprodução quanto para o uso futuro do potro.

  • Viabilidade Financeira: O custo da cobertura e a logística de inseminação devemestar alinhados ao plano de negócios do criador

    • Em associações oficiais, como a do Cavalo Brasileiro de Hipismo (SBBCH), este processo é formalizado através de eventos de Aprovação de Garanhões, onde animais são submetidos a comissões de julgamento para obter certificados de reprodutor definitivos ou provisórios. 



VEJA OS VÍDEOS








 Clique na busca do google abaixo e visite inúmeros textos e vídeos sobre esta postagem



1 de jul. de 2017

A Escolha das Éguas



O primeiro aspecto inserido na escolha de uma égua reprodutora é o genético. Primeiro, o criador precisa definir as bases genéticas de sua seleção. Em seguida, escolher as éguas matrizes que se encaixam neste pilar genético, dando preferencia aos pedigrees superiores. O pedigree superior é mensurado com base no mérito zootécnico dos ancestrais mais próximos, até a terceira geração ascendente, no máximo. De cada um dos pais, a égua recebe 50% da bagagem genética. De cada um dos avós, 25%. De cada um dos bisavós, 12,5%. Daí em diante, a contribuição genética perde em relevância. Qualquer ancestral de baixo valor zootécnico ( ex. animal com Registro em Livro Aberto, de origem desconhecida ), poderá comprometer o mérito de produção. Havendo necessidade, os parentes colaterais mais próximos, como irmãos inteiros e meio irmãos também podem ser avaliados.
O segundo aspecto é o da conformação. O criador deve saber interpretar corretamente todas as definições inseridas no respectivo Padrão Racial. Caso tenha dificuldade, recomenda-se procurar um consultor especialista da área. O moderno conceito de avaliar a conformação estabelece uma correlação com a função.
O terceiro parâmetro é a funcionalidade, quase sempre sub-estimado em éguas matrizes, porque estas são introduzidas ainda em idade jovem na reprodução. Em raças de andamento marchado a marcha deve merecer a mesma importância dada à conformação. A marcha é uma característica genética, tendo no diagrama e no estilo os parâmetros de herdabilidade mais alta. Portanto, o criador deve evitar escolher éguas de diagrama excessivamente diagonalizado ou lateralizado. Entre um e outro, a preferencia ainda será para o segundo, pois tem mecanismo genético recessivo, podendo ser erradicado do plantel com mais facilidade. Todavia, o melhor diagrama é o da marcha de centro, a marcha verdadeira, que apresenta a nítida dissociação visual nos deslocamentos. Sempre que possível, montar para aferir a qualidade da comodidade, o equilíbrio dinâmico, vigor e disposição.
O temperamento é qualidade das mais relevantes. Mesmo que a égua tenha genética superior, boa conformação e bom andamento, se a índole for ruim, já é uma forte contra-indicação à seleção.
O comprador deve pesquisar por completo o histórico reprodutivo e produtivo. Verificar se a égua já apresentou algum tipo de problema reprodutivo, quantos produtos já foram gerados. Como o primeiro parto geralmente acontece por volta dos 4 anos de idade, não será normal um numero inferior a 2 produtos em éguas de idade superior a 8 anos. São raras as éguas que parem anualmente. Considera-se normal que a égua tenha dois partos seguidos e um ano de descanso.
A idade da égua matriz é mais variável, mas há um limite. Após a faixa entre 15 a 18 anos de idade, dependendo do numero de crias já produzidas, a eficiência reprodutiva e produtivo da égua declina, principalmente devido ao desgaste sofrido pela parede uterina. Entretanto, ao contrário de um antigo tabu, a qualidade da cria independe da idade da mãe.
O histórico em competições deve ser detalhadamente pesquisado. As premiações relevantes são as de campeonatos e reservado campeonatos, dependendo do grau de competitividade.
Uma ficha de controle de valor zootécnico produtivo pode ser organizada, visando avaliar a qualidade da conformação e desempenho dos produtos gerados pela égua. Esta avaliação pode ser ao vivo, conhecendo alguns dos produtos, através de fotos e dados oficiais de premiações. Os campeonatos Progênie de Mãe representam aqueles de maior valor zootécnico.
Finalmente, o comprador precisa solicitar uma avaliação atual de fertilidade, mesmo que a égua tenha um bom histórico produtivo. Os problemas reprodutivos mais comuns são abordados em outra parte desta obra. Os mais comuns são os problemas de má conformação da vulva, que deve ter posição vertical, a fim de reduzir a introdução de ar e fezes na vagina; infecção uterina; casos de ruptura reto/vaginal; cervicite; vaginite; ovários inativos; tumores ovarianos; útero infantil; mal posicionamento do útero, devido ao relaxamento de ligamentos durante gestações anteriores.
De acordo com o resultado da avaliação, a égua será classificada como doadora de embriões ( mérito zootécnico superior ), égua matriz mediana, égua receptora, égua para reprodução e competições.

GENÉTICA: SAIBA PORQUE A ÉGUA É MAIS IMPORTANTE DO QUE O GARANHÃO
Em comparação ao numero de reprodutores, uma população maior de éguas é necessária para atender as exigências de produção destinada ao mercado de usuários do cavalo de lazer e do cavalo de esportes. Anualmente, um numero bem maior de éguas entra em reprodução. De fato, não mais do que 10 % dos machos nascidos anualmente já seria suficiente para atender o mercado representado pelos criadores, até porque o número de bons reprodutores é reduzido e a técnica de Inseminação Artificial favorece o acesso a um variado leque de reprodutores. Nota-se ainda no mercado que a procura por éguas parideiras vem diminuindo, ao contrario da procura de cavalos de sela. Mas por que não de éguas para sela? É simplesmente uma questão de quebrar tabus, pois montar em uma boa égua de marcha verdadeira é tão prazeroso como montar em um bom cavalo de marcha verdadeira.
Geralmente, os criadores valorizam mais o garanhão. O principal argumento é ser responsável por um maior numero de produtos anuais. Em sistema de monta natural, um garanhão pode chegar a produzir até 50 filhos (as) por ano. Em regime de monta artificial este numero pode ser até dez vezes maior.
No caso da égua, mesmo através da técnica de transferência de embriões, os incrementos no numero de produtos em cada estação de monta não são significativos. A média ainda é de três produtos. A explicação é que, ao contrario de outras fêmeas domésticas, os ovários da égua geralmente não respondem positivamente aos tratamentos hormonais objetivando a super-ovulação.
A contribuição genética transmitida ao filho (a) é igualmente dividida, sendo 50% do pai e 50% da mãe. O diferencial a favor da mãe é que esta tem a importante tarefa de nutrir o feto durante um período de, aproximadamente, onze meses. Em seguida, amamenta, protege e orienta a criação natural do filho (a) durante um período de, aproximadamente, cinco meses. Assim, o efeito da contribuição maternal eleva a contribuição total da égua para 55 a 60%, aproximadamente.
Inicialmente, a égua oferece proteção e nutrição ao feto durante a gestação. Posteriormente, ela oferece proteção e boas atitudes ao seu filho (a). Caso a égua gestante não seja adequadamente nutrida, em termos de valor protéico da dieta, o desenvolvimento fetal será prejudicado. Se a carência for de minerais, a formação óssea não será normal,  com reflexos negativos à estrutura e aprumos. Para tentar recuperar um potro (a) fragilizado durante sua vida intra-uterina, através de eficientes programas de nutrição, manejo de cascos e condicionamento físico, será necessário contratar consultoria profissional, especializada, a qual nem sempre estará disponível, e acessível ao criador. O estado clínico da égua gestante, o tamanho e a condição de seu útero também são fatores que influenciam o desenvolvimento fetal.
Se a égua lactante não recebe uma dieta balanceada, a produção de leite declina, afetando negativamente o desenvolvimento da cria. A égua é uma grande produtora de leite, sendo normais produções entre 15 a 18 litros de leite.
Contudo, a contribuição marcante ao futuro atlético da cria deriva do temperamento da égua. O potrinho (a) apresenta elevada capacidade para imitar atitudes maternais. Por exemplo, se a égua é de má índole, morde, escoiceia, como exemplos, estas atitudes podem ser assimiladas pelo filho (a). Se a égua tem temperamento inquieto, idem. Se a égua apresenta algum tipo de vicio, como refugar, empacar, empinar, dentre outros, o vicio também poderá ser assimilado pela cria. Se a égua é linfática, apresentando deslocamentos de pouca progressão, o potencial atlético futuro da cria será negativamente afetado. Um bom exemplo prático é a qualidade do bardôto em relação ao burro. O bardôto passa em torno de 6 meses ao lado da jumenta. Tende a assimilar de sua mãe os deslocamentos de baixa velocidade e pouca progressão, o temperamento linfático.
Muitos programas de transferencia de embriões não são bem sucedidos devido à má seleção de éguas receptoras. Estas podem influenciar negativamente a criação, quando são má produtoras de leite, ou no condicionamento mental, quando apresentam algum tipo de temperamento indesejável. O potencial genético que a égua doadora transmitiu à cria será mascarado.

Por tudo isto, podemos afirmar que o impacto da contribuição de uma égua, ao melhoramento genético do plantel, vai muito além de uma bagagem de genes a ser transmitida a cada filho (a).

VEJA OS VÍDEOS

 Para baixar o slide, encoste a seta do mouse no slide, surgirá um quadrado com a seta, clique e serás direcionado ao google Drive, vá em arquivo e terás a opção “Baixar”





 Clique na busca do google abaixo e visite inúmeros textos e vídeos sobre esta postagem