18 de nov. de 2015

Manejo da Produção de Suínos



O manejo da produção compreende todo o processo reprodutivo e produtivo do sistema, devendo ser conduzido com toda a atenção, pois dele depende o atingimento de melhores índices produtivos e o retorno econômico da atividade.

Machos
  • Não permitir contato direto ou indireto do macho com as leitoas antes de completar 5 meses de idade;
  • Fornecer aos machos de 2 a 2,5 kg de ração de crescimento por dia, dependendo do seu estado corporal, até iniciarem a vida reprodutiva.
  • Passar por um período de adaptação de no mínimo 4 semanas antes de realizar a primeira cobrição;
  • Iniciar o treinamento do macho em coberturas aos 7 meses, levando-o várias vezes à baia de cobrição antes de fazer a primeira cobertura;
  • Utilizar uma fêmea que esteja com perfeito reflexo de imobilidade para fazer a primeira cobertura, observando uma igualdade no tamanho do macho e a fêmea;
  • Realizar a cobertura na baia de cobrição, com piso não escorregadio. Recomenda-se o uso de maravalha sobre o piso;
  • Antes da cobertura, realize a limpeza e esgotamento do prepúcio (após secar com papel limpo), bem como, observe se não existe nenhuma alteração no cachaço (orquite, sinal de infecção, etc.);
  • Supervisionar a monta. Retire a fêmea se a mesma for agressiva. Se o macho montar incorretamente, gentilmente coloque-o na posição correta;
  • Realizar no máximo 2 montas por semana (1 fêmea coberta) entre 7 e 9 meses de idade, no máximo 4 montas por semana (2 fêmeas cobertas ) entre 10 e 12 meses de idade e até 6 montas por semana com idade acima de 1 ano;
  • Conduzir com calma os machos e as fêmeas para a baia de cobrição, usando tábua de manejo e nenhum tipo de mau trato;
  • Fazer as cobrições sempre após o arraçoamento dos animais e nas horas mais frescas do dia, início e fim da jornada de trabalho;
  • Fornecer diariamente aos machos, após iniciarem a vida reprodutiva, ração de gestação de acordo com seu peso (Tabela 12);
Tabela 12. Arraçoamento de cachaços adultos.
Arraçoamento diário
Peso vivo dos cachaços (kg)

120 a 150

150 a 200

200 a 250

250 a 300
Quantidade fornecida (kg)2,12,42,83,0



Procedimentos para a detecção do cio

É importante o estabelecer um procedimento padrão para a atividade de diagnóstico de cio, obedecendo uma rotina diária. O contato físico direto pela introdução do macho na baia das fêmeas, pelo menos durante 10 minutos a cada dia garante a melhor estimulação para detectar o estro e é útil para checar porcas que não exibem o reflexo de tolerância. Para fêmeas alojadas em gaiolas, a utilização de um cachaço em combinação com o teste da pressão lombar é o método mais acurado de identificação de fêmeas em estro. Idealmente o diagnóstico de cio deve ser realizado duas vezes ao dia com intervalo ótimo de 12 horas.
  • Levar a fêmea na presença do macho (baia) ou colocá-la frente a frente com o cachaço (em gaiolas);
  • Utilizar um cachaço com idade acima de 10 meses. Também é aconselhável a prática do rodízio de cachaços para e detecção de cio;
  • Iniciar a tarefa de detecção de cio cerca de uma hora após a alimentação. Se ao invés de baias, a granja alojar as fêmeas em gaiolas individuais, um intenso contato "cabeça com cabeça" passando o macho pelo corredor obterá bons resultados.
  • Realizar o teste de pressão lombar imediatamente após mostrar o cachaço para a porca.
  • Gentilmente massagear o flanco e pressionar (com as mãos ou cavalgando) as costas da fêmea. A fêmea em cio para rigidamente, treme as orelhas e mostra interesse pelo macho;
  • Evitar movimentos rudes ou bruscos. O teste é menos efetivo se a fêmea tiver medo do tratador;
  • Procurar alongar a exposição do cachaço quando estiver checando cio em leitoas, uma vez que as mesmas tendem a ser mais nervosas e inquietas. Caso o cio estiver sendo checado em uma baia, não utilizar um cachaço muito agressivo;
  • Após detectar o cio deve-se respeitar um período mínimo para realizar a monta natural ou inseminar. O reflexo de imobilidade normalmente é apresentado em períodos de 8-12 minutos, seguido por períodos refratários de uma hora ou mais, devido a fadiga provocada pelas contrações musculares.
Pré-Cobrição em Leitoas

  • A maturidade sexual das leitoas ocorre entre 5,5 a 6,5 meses de idade, com algumas variações em função da genética, da nutrição, do manejo e do ambiente onde estão alojadas. Considerando que as leitoas, geralmente, chegam na propriedade, em média, com 160 dias de idade e manifestam o primeiro cio dentro de 10 dias, recomenda-se iniciar o diagnóstico do cio, uma vez ao dia, a partir do segundo dia da chegada das leitoas;
  • Evitar que as fêmeas se acostumem com a exposição ao macho por excesso de contato, isto dificulta a estimulação da puberdade e a detecção do cio. Alojar os cachaços de forma que as fêmeas desmamadas e leitoas em idade de cobrição possam vê-los e sentirem seu cheiro. Períodos de exposição direta de 10 a 20 minutos pelo menos uma vez são ao dia, são suficientes;
  • Para iniciar o estímulo da puberdade deve-se utilizar um cachaço com bom apetite sexual, acima de 10 meses de idade, dócil e não muito pesado. Fazer o rodízio de cachaços para o estimulo e detecção de cio;
  • Abrir uma ficha de anotações e controle de cio para cada lote de fêmeas;
  • Se a leitoa entrar em cio e não apresentar idade ou peso para cobrir, mantenha o registro para utilização desta leitoa dentro de 21 dias;
  • Fornecer diariamente às leitoas 2,5 kg de ração de crescimento até duas semanas antes da cobrição. A ração diária deve ser em duas refeições, pela manhã e à tarde;
  • Duas semanas antes da data provável de cobrição fornecer às leitoas ração de lactação à vontade;
  • Realizar a 1ª cobrição no 2° ou 3º cio, com idade mínima de 7 meses e 130 kg de peso;
  • As leitoas que não demonstrarem o 1º cio até 45 dias após o início do manejo para indução da puberdade devem ser descartadas.
Pré-Cobrição em Porcas

  • Período ótimo de duração da lactação é de 21-23 dias permitindo uma perfeita involução uterina e um desgaste não excessivo no aleitamento. Em regra geral as porcas retornam ao cio 4 ou 5 dias após o desmame e se não ficarem cobertas voltarão a repetir o cio aos 21 dias.
  • Agrupar as porcas desmamadas em lotes de 5 a 10 animais, em baias de pré cobrição, localizadas próximas às dos machos;
  • Agrupar as porcas por tamanho, seguido de banho com água e creolina para reduzir o estresse e as agressões. Manter um espaço ideal de 3 m2 por porca;
  • Fornecer ração de lactação às porcas, à vontade ou pelo menos 3 kg/dia, do desmame até a cobrição;
  • Estimular e observar o cio das porcas no mínimo duas vezes ao dia, com intervalo mínimo de 8 horas, colocando-as em contato direto com o macho a partir do segundo dia após o desmame.
Cobrição

Observando-se a detecção de cio com o auxílio do cachaço, duas vezes ao dia, a prática de monta natural com duas cobrições é recomendada dentro das seguintes condições:
  • Porcas com intervalo desmama-cio com 5 ou mais dias e Leitoas:
      Realizar a primeira cobrição no momento em que a porca ou leitoa inicia a aceitação do cachaço. A segunda cobrição deverá ser no máximo 24 horas após.
  • Porcas com intervalo desmama-cio até 4 dias:
    Realizar a primeira cobrição 12 horas após ter demonstrado imobilidade ao cachaço. A segunda cobrição deverá ser feita 24 horas após a primeira.
Protocolo para Inseminação Artificial

Quando as fêmeas são inseminadas deve-se observar o momento da inseminação segundo o estabelecido no Quadro 7.

Quadro 7. Protocolo de inseminação artificial.
IDC*Detecção Cio1º DIA2º DIA3º DIA
Porcas com IDC até 4 diasManhãCio
3ª IA
Tarde1ª IA2ª IA
Porcas com IDC de 5 a 6 diasManhãCio

Tarde1ª IA2ª IA
LeitoasManhãCio2ª IA
Tarde1ª IA

* Intervalo desmama-cio
Obs: Realizar a 3a IA se a porca aceitar.



Gestação

  • Preferencialmente alojar as porcas e leitoas em boxes nos primeiros 30 dias de gestação. Os deslocamentos são claramente desaconselhados entre o dia 7 e o dia 18 de gestação. O ambiente deve ser calmo. Evitar o estresse;
  • Manter as instalações em boas condições de higiene e limpeza. Quando alojadas em baias coletivas a área para leitoas deve ser de 2,0 m2 e porcas de 3,0 m2;
  • Tanto as porcas do início da gestação (até 4 ou 5 semanas pós cobertura) como aquelas do final da gestação (1-2 semanas pré-parto) necessitam especial atenção quanto a temperatura ambiental. Temperaturas elevadas causam efeitos negativos com perdas embrionárias mais evidentes, especialmente entre os dias 8-16 pós-cobrição;
  • Após a cobrição até cinco dias de gestação fornecer às fêmeas de 1,8 à 2,0 Kg de ração por dia;
  • Entre o dia seis e o dia 56 alimentar as porcas em função do seu estado ao desmame (Referência n° 22);
  • Entre os dias 56 e 85 de gestação, fazer ajuste na quantidade de ração (2,0 a 2,5 kg/dia/porca) de forma que a porca esteja em uma boa condição corporal;
  • Dos 86 dias de gestação até transferência para a maternidade deve ser fornecido até 3,0 Kg diários de ração;
  • A ração deve ser fornecida em duas refeições, pela manhã e à tarde. A oferta de água deve ser à vontade, de boa qualidade e com temperatura inferior a 20°C (consumo diário de 18 à 20 litros).
  • Do dia 18 à 24 passar o cachaço em frente às porcas pela manhã e pela tarde, após os horários de arraçoamento para verificar retornos de cio;
  • Fazer diagnóstico de gestação entre 30 - 50 dias com a utilização de ultra-som;
  • Fazer diagnóstico de gestação visual após 90 dias;
  • Aplicar as vacinas previstas para a fase de gestação e para a segunda semana pós-parto;
  • Movimentar as fêmeas no mínimo quatro vezes por dia (duas por ocasião da alimentação) para estimular o consumo de água e a micção. Supervisionar e anotar os corrimentos vulvares durante este período;
  • Identificar os animais com problema, anotar os sinais de inquietação e controlar a temperatura corporal, tratando com antitérmicos se for superior a 39,8°C. Observar e registrar os abortos e retornos tardios;
  • Fornecer alimentação mais fibrosa na última semana de gestação. Lavar as fêmeas antes de irem para a maternidade.


Tabela 13. Valores críticos e metas na fase de cobrição e gestação.

IndicadorValor Crítico(1)Meta
Taxa de partos (%)<80 b="">>86
Taxa de retorno ao cio (%)>13<10 br="">
Intervalo médio desmame cio (dias)>10<7 br="">
Taxa de reposição anual de matrizes - 1° ano (%)<12 br="">15
Taxa de reposição anual de matrizes - 2° ano (%)<20 b="">25
Taxa de reposição anual de matrizes - 3° ano (%)<30 br="">40
Taxa de reposição anual de machos (%)<50 br="">>80
Relação fêmeas por macho18:120:1
(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas.Maternidade
  • Fazer a transferência das porcas para a maternidade sete dias antes do parto previsto. Conduzir os animais com calma e sem estresse, sempre com o auxilio de corredores e da tábua de manejo. Transferir as fêmeas nas horas quentes do dia durante o inverno e nas horas frescas do dia no verão;
  • Manter a temperatura interna da sala de maternidade próxima de 18º-20ºC. Instalar um termômetro na parte central da sala a uma altura aproximada de 1,50m para facilitar a leitura;
  • Privar as porcas de ração no dia do parto, mantendo somente água a sua disposição (15-20 litros/dia). Acompanhar o parto dando toda a atenção possível à porca e aos recém nascidos. O objetivo no manejo alimentar é evitar a constipação e conservar os aportes de energia; Evitar interferência no parto a não ser nos seguintes casos: a)- Porcas sem contração: aplicar ocitocina e massagear o aparelho mamário; b)- Porcas com contração, sem iniciar o nascimento após 20 minutos, usar mão enluvada para tentar a retirada dos leitões.
  • Manter, para cada porca, uma ficha individual de anotações relativas ao parto e aos leitões, e em especial as medicações individuais ou coletivas.
  • As porcas em lactação devem receber ração à vontade. Nos períodos quentes deve-se fornecer ração molhada, distribuída várias vezes ao dia, para estimular o consumo. Nestes períodos também é muito importante o fornecimento de ração à noite (esta pode ser seca), pois nas horas mais frescas o consumo é maior.
  • Fornecer aos leitões ração pré-inicial 1 a partir dos 7 dias de vida até o desmame.
Características ideais da Maternidade

  • Acesso fácil pelo traseiro da porca para facilitar o manejo (porca e leitões);
  • Cela parideira com barra de proteção, para evitar esmagamentos;
  • Fonte de aquecimento com regulagem;
  • Piso com capacidade isolante para evitar perda de calor por contato pelo leitão;
  • Piso confortável para a porca e leitões evitando lesões de casco e articulações;
  • Manter até um máximo de 24°C para a porca e um mínimo de 32°C para o leitão recém nascido;
  • Limpeza diária com retirada dos excrementos no mínimo uma vez pela manhã e outra pela tarde.
Cuidados com os leitões ao nascer

Antes de iniciar o trabalho de parto é necessário ter a disposição os seguintes equipamentos, materiais e medicamentos:
  • Papel toalha ou panos limpos e desinfetados;
  • Barbante em solução desinfetante a base de iodo (iodo 5 a 7% ou iodo glicerinado);
  • Frasco de iodo glicerinado para desinfeção do umbigo;
  • Seringa e agulha;
  • Aparelho de desgaste ou alicate para corte de dentes;
  • Tesoura para corte do umbigo;
  • Rolo de esparadrapo largo;
  • Luvas descartáveis;
  • Dispositivo para contenção dos leitões;
  • Medicamentos (ocitocina, antitérmico, tranqüilizante e antibiótico);
  • Balde plástico para lixo (papel toalha e outros);
  • Balde plástico para receber a placenta os leitões mortos e os mumificados.
Na medida em que os leitões forem nascendo, adotar os seguintes procedimentos:
  • Limpar e secar as narinas e a boca dos leitões; massagear os leitões na região lombar, amarrar o umbigo no comprimento de 4-5 cm, cortar 1 cm abaixo da amarração e desinfetar com iodo glicerinado;
  • Orientar os leitões nas mamadas dando atenção especial para os menores que devem ser colocados nas tetas dianteiras;
  • Práticas dolorosas como o corte dos dentes e cauda dos leitões não devem ser realizadas durante a parição, mas após sua finalização.
Medidas para evitar perdas na maternidade

  • Assegurar um local quente (26º a 32ºC) e seco para os leitões, evitando o choque térmico do leitão e a conseqüente hipotermia dos recém nascidos;
  • Habilidade para fazer o remanejo de leitões logo ao nascer, inclusive estimulando os leitões menores a consumir o colostro;
  • Estimular o consumo de ração para as porcas com grandes leitegadas;
  • Obter parições eficientes diminuindo o número de natimortos e melhorando a viabilidade dos recém nascidos (uma parição normal dura em geral 2h 30m);
  • Cuidado especial deverá ser dado para as porcas velhas, pois tendem a ter maiores problemas com parições muito longas (acima de 4h). Prever uma supervisão intensiva do parto;
  • Estimular mamadas regulares e suficientes;
  • Cuidado com esmagamentos.
Prevenção da agalaxia

  • Observar a falta de apetite e empedramento do úbere;
  • Observar o comportamento de leitões (inquietos e com perda de peso);
  • Observar atentamente os corrimentos vaginais da porca, pela manhã e pela tarde durante 48h, através da abertura dos lábios vulvares;
  • Anotar a temperatura retal nos primeiros 3 dias após o parto das porcas;
  • Para as porcas que apresentarem temperaturas altas (> 39,8°C) entrar imediatamente com medicação (antitérmico e antibiótico) e se necessário com ocitocina (1-2 ml). Para todas as porcas é possível injetar uma dose de prostaglandina F2 α, 36 h após o parto para melhorar o esvaziamento uterino.
Castração dos leitões

Os leitões devem ser castrados antes de completar os 12 dias de idade, seguindo os passos abaixo:
  • Preparar o bisturi, fio e desinfetante a base de iodo em um balde.
  • Fechar os leitões no escamoteador para facilitar a captura dos mesmos.
  • Castração de leitões normais:

  • a) Um auxiliar segura o leitão na tábua de castração ou o leitão é imobilizado usando equipamento apropriado;
    b) Desinfetar a região do escroto com pano embebido no desinfetante:
    c) Realizar a castração fazendo um ou dois cortes sobre os testículos e retira-los por tração;
    d) Desinfetar novamente o local da incisão e liberar o leitão.

  • Castração de leitões com hérnia escrotal (herniados) pelo método inguinal. Este método exige treinamento antes de coloca-lo em prática.

  • a) Uma pessoa deve segurar o leitão pelas pernas traseiras com a barriga voltada para o castrador;
    b) Desinfetar a região inguinal e fazer um corte de mais ou menos 2 cm entre o último par de tetas. Em machos a incisão deve ser feita um pouco afastada da linha média para não atingir o pênis.
    c) Introduzir o dedo minguinho no corte, forçar para liberar o testículo e tracioná-lo envolto na capa;
    d) Tracionar bem o testículo, verificar se o intestino desceu e dar 2 voltas;
    e) Amarrar com barbante desinfetado;
    f) Cortar o testículo, desinfetar o local e liberar o leitão.

Tabela 14. Valores críticos e metas na fase de maternidade.
IndicadorValor Crítico(1)Meta
Nº leitões nascidos vivos/parto<10 b="">>10,8
Peso médio dos leitões ao nascer (kg)<1 br="">>1,5
Taxa de leitões nascidos mortos (%)>5,0<3 br="">
Taxa de mortalidade de leitões (%)>8,0<7 br="">
Leitões desmamados/parto<9 b="">>10,0
Média leitões desmamados/porca/ano<19 br="">>23,0
Ganho médio de peso diário dos leitões (g)<200 br="">>250
Peso dos leitões aos 21 dias (kg)<5 br="">>6,7
(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas.Descarte de Fêmeas
  • Evitar o acúmulo de porcas muito velhas na granja, mantendo sempre a recomendação de reposição anual de 30 a 40%;
  • As porcas que apresentarem qualquer um dos problemas abaixo relacionados devem ser descartadas:

  • - Não retornarem ao cio até 15 dias após o desmame;
    - Com danos severos nos aprumos;
    - Com falha de fecundação;
    - Com duas repetições seguidas de cio;
    - Que apresentaram dificuldades no parto;
    - Qualquer ocorrência de doença;
    - Com baixa produtividade;
    - Com problemas de Metrite, Mastite e Agalaxia (MMA);
    - Que apresentaram aborto ou falsa gestação.
Creche

A saída da maternidade para a creche representa um choque para os leitões, pois deixam a companhia da porca e, em substituição ao leite materno, passam a se alimentar exclusivamente de ração. Por essa razão, os cuidados dedicados aos leitões, principalmente nos primeiros dias de creche, são importantes para evitar perdas e queda no desempenho, em função de problemas alimentares e ambientais que, via de regra, resultam na ocorrência de diarréias.
  • Alojar os leitões na creche no dia do desmame, formando grupos de acordo com a idade e o sexo.
  • Fornecer suficiente espaço para os leitões, considerando o tipo de baia.
  • Manter a temperatura interna próxima de 26°C durante os primeiros 14 dias e próxima de 24°C até a saída dos leitões da creche, controlando através de termômetro.
  • Fornecer à vontade aos leitões, ração pré-inicial 2 do desmame até os 42 dias e ração inicial até a saída da creche, com peso médio mínimo dos leitões de 20 kg.
  • Fornecer ração diariamente, não deixando nos comedouros ração úmida, velha ou estragada.
  • O consumo diário de ração por leitão entre 5 e 10 kg de peso vivo é, em média, de 460 gramas Entre 10 e 20 kg de peso vivo deve ser estimulado o consumo de ração que em média é de 950 gramas por animal ao dia.
  • No caso de eventuais surtos de diarréia ou doença do edema, retirar imediatamente a ração do comedouro e iniciar um programa de fornecimento gradual de ração até controlar o problema. Buscar auxílio técnico se persistirem os sintomas.
  • Dispor de bebedouros de fácil acesso para os leitões, com altura, vazão e pressão corretamente regulados.
  • Vacinar os leitões na saída da creche de acordo com a recomendação do programa.
  • Monitorar cada sala de creche pelo menos 3 vezes pela manhã e 3 vezes pela tarde para observar as condições dos leitões, bebedouros, comedouros, ração e temperatura ambiente.
  • Limpar as salas de creche, diariamente, com pá e vassoura.
  • Lavar as salas de creche com baias suspensas, esguichando água, com lava jato de alta pressão e baixa vazão, no mínimo a cada 3 dias no inverno e a cada 2 dias nas demais estações do ano.
  • Implementar ações corretivas com a maior brevidade possível quando for constatada qualquer irregularidade, especialmente problemas sanitários.
  • Pesar e transferir para as baias de crescimento os leitões com idade entre 56 e 63 dias.

Tabela 15. Valores críticos e metas na fase de creche.
IndicadorValor Crítico(1)Meta
Taxa de mortalidade de leitões (%)>2,5<1 br="">
Conversão alimentar (kg ração/kg de ganho)>2,2<2 br="">
Peso médio de referência dos leitões na saída da creche (kg)
Aos 56 dias<18 br="">>20,0
Aos 58 dias<19 b="">>21,0
Aos 60 dias<20 br="">>22,0
Aos 63 dias<22 br="">>23,5
(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas.Crescimento e terminação
São as fases menos preocupantes dos suínos, desde que ao iniciarem as mesmas apresentem um peso compatível com a idade e boas condições sanitárias. Assim sendo, pode-se dizer que o sucesso nessas fases depende de um bom desempenho na maternidade e na creche.
  • Manejar as salas de crescimento e terminação segundo o sistema "todos dentro todos fora", ou seja, entrada e saída de lotes fechados de leitões.
  • Alojar os leitões nas baias de crescimento e terminação no dia da saída da creche, mantendo os mesmos grupos formados na creche ou refazer os lotes por tamanho e sexo.
  • Manter a temperatura das salas entre 16°C e 18°C, de acordo com a fase de desenvolvimento dos animais, controlando com o uso de termômetro.
  • Fornecer aos animais à vontade, ração de crescimento até os 50 kg de peso vivo e ração de terminação até o abate.
  • Dispor de bebedouros de fácil acesso para os animais, com altura, vazão e pressão corretamente regulados.
  • Monitorar cada sala de crescimento e terminação pelo menos 2 vezes pela manhã e 2 vezes pela tarde para observar as condições dos animais, bebedouros, comedouros, ração e temperatura ambiente.
  • Limpar as baias de crescimento e terminação diariamente com pá e vassoura.
  • Esvaziar e lavar semanalmente as calhas coletoras de dejetos, mantendo no fundo das mesmas, após a lavagem, uma lâmina de 5 cm de água, de preferência reciclada.
  • Implementar ações corretivas com a maior brevidade possível quando for constatada qualquer irregularidade, especialmente problemas sanitários.
  • Fazer a venda dos animais para o abate por lote, de acordo com o peso exigido pelo mercado.
  • Não deixar eventuais animais refugo nas instalações.

Tabela 16. Valores críticos e metas nas fases de crescimento e terminação.
IndicadorValor Crítico(1)Meta
Taxa de mortalidade de animais (%)>1,0<0 br="">
Conversão alimentar (kg ração/kg de ganho)>2,8<2 br="">
Peso médio de referência dos animais na saída para o abate (kg)
Aos 133 dias<78 br="">>83,0
Aos 140 dias<85 b="">>90,0
Aos 147 dias<92 br="">>97,0
Aos 154 dias<98 br="">>103,0
(1) Indica necessidade de identificar as causas e adotar medidas corretivas.








11 de nov. de 2015

Tratamentos e Fatores de Risco na Criação de Suínos



TRATAMENTOS


Nenhum rebanho suíno deve utilizar medicamentos sem a recomendação técnica de um Médico Veterinário, a exceção dos mencionados nesta publicação. Cabe ao Veterinário indicar a formação e manutenção de um estoque mínimo de medicamentos na granja para serem usados em caso de emergência, seguindo a sua recomendação. Também, é indispensável manter um sistema de registros de todas as medicações aplicadas aos animais.

    
O uso de antimicrobianos nas rações, especialmente na fase de creche, é uma prática corrente na moderna suinocultura intensiva. Esses produtos, no entanto, só poderão ser utilizados sob orientação técnica baseada no "Regulamento de Inspeção e Fiscalização Obrigatória dos Produtos Destinados a Alimentação Animal".
    
Um ponto chave na recuperação de suínos doentes é a imediata medicação e remoção para uma baia "hospital" simples, mas que deve ser particularmente confortável. Então, na construção da granja deve-se prever baias "hospital", para recuperação de suínos que adoecem nas fases de creche e crescimento/terminação. A necessidade de baias "hospital" é para cerca de 35 suínos para uma granja de 200 porcas. Estas baias devem ser pequenas (2 a 3 suínos por baia) e com piso compacto para possibilitar o uso de espessa camada de maravalha com o objetivo de oferecer o melhor conforto possível aos animais em recuperação.


FATORES DE RISCO

Na suinocultura moderna, as doenças que afetam os animais podem ser alocadas em dois grandes grupos: 
1) Doenças epizoóticas, causadas por agentes infecciosos específicos que se caracterizam por apresentar alta contagiosidade e altas taxas de morbidade e mortalidade; 

2) Doenças multifatoriais de etiologia complexa, em que um ou mais agentes infecciosos exercem seu efeito patogênico em animais ou rebanhos submetidos a situações de risco (Doenças de rebanho). 

Estas doenças tendem a permanecer nos rebanhos de forma enzoótica, afetando muitos animais, com baixa taxa de mortalidade, mas com impacto econômico acentuado, devido a seu efeito negativo sobre os índices produtivos do rebanho.

    
Estudos epidemiológicos têm identificado fatores de risco que favorecem a ocorrência de doenças multifatoriais nas diferentes fases de criação dos suínos. O conhecimento desses fatores de risco é importante no estabelecimento de medidas para evitá-los ou corrigi-los. Fator de risco representa uma característica do indivíduo ou do seu ambiente que quando presente aumenta a probabilidade de aparecimento e/ou agravamento de doenças. A seguir serão relacionadas as principais doenças complexas que ocorrem, por fase de produção, cujo controle envolve a identificação e correção dos fatores de risco associados.


Fase de maternidade

  O aspecto negativo mais importante na produção de suínos na fase de maternidade é a mortalidade de leitões, cujas causas principais são o esmagamento e a inanição. Além disso, as diarréias, principalmente a coccidiose e colibacilose neonatal, são importantes por prejudicar o desenvolvimento dos leitões e, as vezes, também provocar mortes como é o caso da colibacilose. 

Fase de creche

Nessa fase, as diarréias, a doença do edema e a infecção por estreptococos são os principais problemas.


O vício de sucção é uma alteração psíquica que leva os leitões ao hábito de sugar o umbigo, a vulva ou a prega das orelhas logo após o desmame, sendo considerada uma doença multifatorial. Sua ocorrência causa prejuízo para o desempenho dos animais, podendo ocorrer em alguns rebanhos, onde os leitões são submetidos a situações de risco.


Fase de crescimento e terminação

Os problemas sanitários mais importantes nessas fases são as doenças respiratórias (rinite atrófica e pneumonias) e as infeccões por estreptococos, porém, as diarreias como a ileite e as colítes também merecem atenção.


Outro problema sanitário, observado no abate, considerado de origem multifatorial, é a linfadenite granulomatosa. Na prevenção e controle dessa infecção é importante evitar ou corrigir os fatores de risco que podem ocorrer tanto na fase de creche como na fase de crescimento.


Fase de reprodução

Os principais problemas sanitários que afetam a reprodução da fêmea suína são as infecções inespecíficas do aparelho genital e urinário e a parvovirose. Os fatores importantes a serem observados na prevenção dessas infecções e no aumento do tamanho das leitegadas.

  
Um dos problemas que interfere diretamente no desempenho e sobrevivência dos leitões recém nascidos é a saúde da porca. Os principais fatores de risco identificados que favorecem a ocorrência de problemas com a porca no parto e puerpério 











7 de nov. de 2015

Limpeza, Desinfecção e Monitorias Sanitárias na Criação de Suínos


Limpeza e Desinfecção

O sistema de manejo "todos dentro, todos fora", possibilita a limpeza e desinfecção completa das salas e a realização do vazio sanitário. Nas fases de cobrição e gestação, normalmente utiliza-se o sistema contínuo, sem realização de vazio sanitário. Por esta razão, para reduzir a contaminação do ambiente, deve-se lavar e desinfetar as baias ou boxes sempre que um lote de fêmeas for retirado.

A limpeza seca, com pá e vassoura na presença dos animais, deve ser feita diariamente de 1 a 3 vezes ao dia, dependendo do tipo de instalação. 
  • Iniciar a limpeza seca, com pá e vassoura, imediatamente após a retirada dos animais.
  • Esvaziar as calhas ou fossas existentes.
  • Desmontar e lavar todos os equipamentos da sala.
  • Iniciar a limpeza úmida no máximo 3 horas após a saída dos animais.
  • Umedecer previamente a instalação com água contendo um detergente para facilitar a remoção de toda a matéria orgânica aderida nas paredes e pisos.
  • Fazer a limpeza úmida com lava jato de alta pressão (1000 a 2000 libras).
  • Aplicar o desinfetante no dia seguinte ao da lavagem, com a instalação totalmente seca, usando cerca de 400ml da solução/m2 de superfície.
  • Observar com cuidado a correta diluição do desinfetante, seguindo sempre a recomendação do fabricante.
  • Desinfetar todas as superfícies da sala e todos os equipamentos.
  • Nos meses de inverno, usar água pré aquecida a 37°C para diluir o desinfetante.
  • Opcionalmente pode ser feita uma segunda desinfeção, usando pulverização ou nebulização, cerca de duas horas antes do alojamento do próximo lote animais.
  • No caso de sala de maternidade, fazer essa segunda desinfeção com vassoura de fogo (lança chamas), como medida auxiliar no controle da coccidiose.
  • Aguardar vazio sanitário mínimo de 5 dias, deixando nesse período a sala fechada.
  • Montar os equipamentos e alojar os animais na sala limpa e desinfetadA

A monitoria sanitária é uma maneira sistemática e organizada de acompanhar no tempo e no espaço a saúde de um rebanho. Pode ser realizada com vários objetivos, como a certificação da granja livre de algumas doenças (GRSC), o diagnóstico e a avaliação de medidas de controle e de programas de vacinação. O Quadro 6 apresenta os tipos de monitorias aplicadas na produção de suínos. 

Quadro 6. Tipos de monitorias sanitárias aplicadas em produção de suínos com seus respectivos métodos e suas vantagens e desvantagens. 
Tipos de monitoriaMétodosVantagensDesvantagens
Clínico-patológicaExame clínico e necropsiaPraticidadeSubjetividade
LaboratorialSorológico, bacteriológico, virológico, parasitológico, histopatológicoSensibilidade, especificidade, objetividadeAlto custo, demora
AbatedouroAnatomopatológicoBaixo custo, avaliação de maior número de animais, avaliação de várias enfermidades em um mesmo momentoPouco preciso
Fonte: (Referência n° 38) Soncini e Madureira Júnior (1998).
Monitorias clínicasÉ importante que sejam realizadas pelo mesmo avaliador para diminuir risco de erro. Tais monitorias podem ser feitas a cada 15 dias ou uma vez por mês dependendo do objetivo e do tamanho do rebanho.
  • Diarréia em leitões na maternidade e creche: Avalia-se a consistência das fezes, classificando-as em normais=1; pastosas=2 e líquidas=3. Uma leitegada é considerada com diarréia quando dois ou mais leitões apresentarem fezes líquidas. Após faz-se uma classificação quanto a severidade em: insignificante = sem registro de diarréia; pouca = diarréia com duração de um a cinco dias; muita = diarréia por mais de cinco dias.
  • Avaliar os lotes de creche, crescimento e terminação, periodicamente, por determinado número de dias no mesmo horário. Quando mais de 20% dos animais estão com diarréia, considerar o lote como afetado, classificar quanto a intensidade da seguinte forma: nenhum dia com diarréia por semana = lote sem diarréia; um a três dias por semana com diarréia = lote com pouca diarréia; quatro ou mais dias com diarréia = lote com bastante diarréia.
  • Tosse e Espirro: Esta avaliação é realizada para se estimar a ocorrência de rinite atrófica e de pneumonias em lotes de suínos nas fases de creche ou crescimento/terminação. Um índice é estabelecido para tosse e outro para espirro, em três contagens consecutivas de dois minutos cada realizadas da seguinte forma:
    • a)- movimentar os animais durante um minuto;
      b)- aguardar por um minuto;
      c)- realizar a contagem de tosse e espirro simultaneamente;
      d)- movimentar os animais;
      e)- contar novamente;
      f)-  movimentar os animais;
      g)- contar novamente.
    A freqüência é determinada pela seguinte fórmula:
    Média das três contagens / Número de animais no lote x 100
    Freqüência de espirro menor que 10% indica pouco problema de rinite atrófica e freqüência de tosse menor que 2% indica pouco problema de pneumonias.

  • Onfalite: reflete a qualidade do manejo do recém nascido e do programa de limpeza e desinfecção da maternidade. Examinar no mínimo cinco leitegadas, entre 15 e 20 dias de idade, por sala de maternidade, quanto a presença de nódulo ou má cicatrização umbilical por inspeção e palpação (leitão em decúbito dorsal). A seguir calcula-se a freqüência pela seguinte fórmula:

  • Número de leitões com onfalite / Número de leitões examinados x 100
    A freqüência de leitões com esse tipo de alteração não deve ser superior a 10%.
Monitorias laboratoriais

A monitoria de doenças usando recursos laboratoriais como testes sorológicos, microbiológicos, parasitológicos e histopatológicos possibilita o acompanhamento mais preciso da saúde do rebanho. Existe uma variedade de testes disponíveis no mercado para atender as diferentes doenças. A decisão de qual teste usar e para qual doença, deve ser tomada pelo veterinário responsável pela granja. O acompanhamento clínico do rebanho, uso de vacinações e/ou medicações devem ser considerados na interpretação dos resultados. 
Os testes podem ser diretos como a identificação e caracterização do agente, muito úteis no diagnóstico e acompanhamento do rebanho, ou indiretos. Entre os indiretos, os mais comuns são os testes sorológicos que medem a presença de anticorpos contra determinado agente e são utilizados no auxílio ao diagnóstico, na avaliação de efeito da vacinação e no acompanhamento de duração de anticorpos maternos. A prova da tuberculina pareada, é um teste indireto imuno-alérgico utilizado para classificar o rebanho quanto a infecção por microbactérias.

Monitorias no abatedouro

A forma vertical da organização dos sistemas de produção de suínos, prevalente na região sul do Brasil, facilita a visita aos abatedouros para acompanhamento do abate de lotes de interesse. Desta forma pode-se estabelecer um programa de monitoria de doenças através da determinação da prevalência e gravidade de lesões observadas ao abate. Embora as lesões observadas no abate dizem respeito a infecções crônicas e sua evolução depende das condições sob as quais os animais foram submetidos, continua sendo uma prática muito útil pelo seu baixo custo e praticidade, mas necessita de pessoa treinada para executa-la