20 de mai. de 2017

Manejo reprodutivo do Gado Leiteiro



Para se ter rentabilidade na atividade leiteira, uma alta eficiência reprodutiva deve ser a principal meta dos produtores para atingir  produtividade e retorno econômico.
Para que se alcancem estes parâmetros, é necessário que se faça uma criação adequada das bezerras, porque essas bezerras é que vão ser as futuras reprodutoras do rebanho. Animais que têm pouco desenvolvimento, seja por alimentação inadequada ou problemas sanitários, não têm condições de expressar todo o seu potencial ao longo da vida produtiva.
Este objetivo primário visa à idade ao primeiro parto, que deve ser o mais jovem possível dentro do manejo daquele rebanho. Neste processo está incluída a meta econômica da criação. Uma análise do custo econômico desta criação tem que ser considerada, pois não adianta querer um desenvolvimento muito rápido do animal se este custo ficar tão elevado que não seja compensador para o futuro produtivo do animal. Normalmente, em fêmeas da raça Holandesa, a idade ao primeiro parto deve ser entre os 22 e 26 meses.
   Os animais gestantes também requerem cuidados especiais. Quando as vacas estão no terço final de gestação, o feto tem seu maior desenvolvimento e isto exige mais da mãe. Este animal deve permanecer num ambiente tranqüilo com alimentos e água de boa qualidade.

Para se ter boa eficiência reprodutiva do rebanho, é necessário que se faça periodicamente um exame ginecológico das fêmeas em reprodução. Para isso, há necessidade de se contratar os serviços de médicos-veterinários e, mais importante, seguir as suas recomendações técnicas. As cooperativas de laticínios da região mantêm departamentos de assistência técnica com o objetivo de prestar serviços especializados aos cooperados, especialmente na área de reprodução.

Manejo reprodutivo

O manejo reprodutivo de um rebanho é uma das atividades de maior importância dentro de um sistema de produção de leite, pois determinará sua eficiência e efetividade, tornando-o produtivo e rentável, uma vez que para a vaca iniciar uma lactação é necessária uma parição.
Os processos de acasalamentos podem ser por monta natural, monta controlada ou inseminação artificial. No processo de monta natural, utiliza-se em média um touro para cada 50 matrizes. No entanto, é recomendado um exame andrológico nos reprodutores para que se faça uma relação touro-vaca mais adequada. No acasalamento por monta natural, recomenda-se o uso de reprodutores da raça Gir Leiteiro ou Girolando, conforme a composição genética do rebanho. O uso de reprodutores da raça Holandesa é recomendado somente nos sistemas em que a inseminação artificial será utilizada, pois touros dessa raça não se adaptam bem às condições climáticas do Acre, passando por um intenso estresse térmico, o que afeta diretamente sua condição reprodutiva. É importante salientar ainda que touros da raça Holandesa só devem ser utilizados em matrizes com elevado grau de sangue zebuíno.
No sistema de monta controlada, os reprodutores são criados separados das matrizes. Nesse sistema, as matrizes, quando manifestam estro (cio), são separadas e conduzidas ao curral de acasalamento para o reprodutor realizar a cobertura.
Para utilização da inseminação artificial, as vacas devem ser inseminadas a partir de 45 dias após o parto e são observadas quanto à manifestação de estro pelo menos duas vezes ao dia, preferencialmente pela manhã e à tarde. As matrizes que apresentam estro pela manhã serão inseminadas no mesmo dia ao final da tarde e aquelas que apresentam cios à tarde serão inseminadas na manhã do dia seguinte. Matrizes que foram inseminadas duas vezes e não ficaram gestantes deverão passar por exame ginecológico para diagnosticar um possível problema reprodutivo e, então, serem submetidas a tratamento ou descartadas.
Tanto para a observação dos estros quanto para a execução da inseminação propriamente dita, é necessário um funcionário bem-treinado. Para melhorar a eficiência na observação de estros, recomenda-se o uso de rufiões (machos de baixo valor zootécnico, de preferência mestiços de sangue europeu, que passaram por cirurgia para impossibilitar a realização do coito). Esses animais permitem aumentar o número de vacas inseminadas no rebanho, pois permanecem o tempo todo com elas, possibilitando assim a identificação daquelas que manifestaram estros noturnos ou silenciosos, por exemplo. Adicionalmente, o uso de buçal marcador facilita ainda mais a identificação. Esse dispositivo é acoplado a um cabresto contendo um reservatório de tinta para marcar o dorso das vacas em estro que aceitaram a monta.
Independentemente do processo de acasalamento utilizado (monta natural, monta controlada ou inseminação artificial), é importante que um médico-veterinário capacitado realize periodicamente o diagnóstico de gestação nos animais, possibilitando avaliar a eficiência reprodutiva e detectar o mais rápido possível algumas vacas com problemas reprodutivos. Essa ação permite o levantamento de índices de prenhez ou de retorno de cio e, consequentemente, a avaliação da eficiência reprodutiva do rebanho.
Uma alternativa mais recente de biotecnologia reprodutiva é a inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Essa técnica consiste na utilização de hormônios em dias específicos com o intuito de sincronizar a ovulação (fazer com que as vacas ovulem no mesmo dia). Dessa maneira é possível realizar a inseminação sem observar o estro, facilitando muito o manejo da propriedade. No entanto, sua adoção deve ser feita de forma criteriosa, sempre sob a supervisão de um médico-veterinário e de acordo com as condições de manejo de cada propriedade. Caso essas condições não sejam levadas em consideração, os resultados podem ser insatisfatórios, gerando por consequência um prejuízo econômico para o produtor. Essa técnica, se bem- aplicada, pode servir ainda para o planejamento do número de vacas inseminadas durante o ano e, consequentemente, o número de vacas lactantes no ano seguinte, evitando uma grande flutuação na produção leiteira anual, além de manter um número adequado de parições todo mês.
Para que um rebanho leiteiro tenha boa eficiência reprodutiva é indispensável que fatores como nutrição, sanidade, mão de obra e controle zootécnico estejam sendo acompanhados, contribuindo diretamente para que as matrizes tenham períodos de serviço (da parição até a concepção) de cerca de 90 dias, possibilitando um parto por ano.
O escore de condição corporal (ECC) desejável de uma vaca varia conforme a fase produtiva em que se encontra. Recomenda-se que, à parição, o ECC esteja entre 3,5 e 4,0. Isso evita que o animal tenha problemas durante o parto e puerpério. Durante os primeiros meses pós-parto esse escore cairá para 2,5 e com a evolução da lactação o animal deve recuperar seu escore para 3,0 ou 3,5, permanecendo nesse patamar durante o período seco até o próximo parto.
Uma atenção especial deve ser dada à nutrição da matriz no pós-parto para que não haja uma acentuada perda de peso e, consequentemente, de escore corporal, uma vez que quanto maior for a queda do ECC, menor será a taxa de concepção. De acordo com Wattiaux (1994), foi observado um efeito da perda do ECC no início da lactação na taxa de concepção. Quando a perda foi de menos de uma unidade, de uma a duas unidades e mais do que duas unidades, as taxas de concepção foram, respectivamente, 50%, 34% e 21%.
Com mão de obra e controle zootécnico bem-aplicados é possível identificar problemas que porventura venham a ocorrer no rebanho. Além disso, esse controle servirá como ferramenta de seleção, permitindo identificar os animais mais produtivos, mantendo-os no rebanho, e usá-los intensamente na reprodução. Aqueles com baixa produção poderão ser descartados. Com a mão de obra eficiente identificam-se os possíveis problemas a tempo, permitindo que as soluções sejam aplicadas rapidamente para que o sistema de produção não perca rentabilidade econômica.

11.1. Manejo das bezerras

No sistema de produção de leite, uma atenção especial deve ser dada às bezerras nascidas na propriedade, uma vez que serão a principal fonte de animais para reposição do rebanho. Sendo assim, devem ser bem-criadas, tendo um bom ganho de peso para que possam chegar à puberdade em idade adequada e sem problemas sanitários, conforme detalhamento apresentado a seguir:
Logo após a parição: as bezerras devem ingerir o colostro até 12 horas após o nascimento, pois é rico em nutrientes e contém imunoglobulinas, que são anticorpos prontos para combater diversos patógenos, evitando o surgimento de doenças.  Após esse período, as bezerras são conduzidas e mantidas em bezerreiros calçados e cobertos, até completarem 15 dias, quando passam a ocupar piquetes coletivos ligados aos bezerreiros. Diariamente, são levadas à sala de ordenha para mamarem em um teto e realizarem o repasse nos demais tetos. Durante a ordenha, ficam em boxe ao lado da mãe. Essa ação será processada até os 60 dias de idade.
Desmama: conforme preconizado neste sistema de produção, recomenda-se utilizar a desmama precoce, em que o bezerro deverá ser desmamado quando estiver consumindo de 500 g a 600 g de concentrado diariamente, aos 60 dias de idade. Porém, em propriedades que utilizam o aleitamento natural convencional, as crias deverão ser desmamadas aos 8 meses de idade. As fêmeas devem apresentar um bom desenvolvimento ponderal quando desmamadas, evitando perda de peso e garantindo um bom desempenho reprodutivo. Nessa fase, o índice de mortalidade em torno de 2% a 3% é o máximo esperado para um rebanho bem-manejado.
Puberdade: após o desmame, o bom manejo alimentar deve continuar, pois aos 12 meses ocorre o início da puberdade. Assim, a boa alimentação beneficiará o desenvolvimento adequado do aparelho reprodutor e a produção de hormônio para iniciar a vida reprodutiva. O amadurecimento do aparelho reprodutor e a produção de hormônios provocam a manifestação dos primeiros estros, com a demonstração de fêmeas subindo uma nas outras. No entanto, esses estros normalmente são inférteis, sem ovulação. Por isso, é importante avaliar o tamanho e principalmente o peso dos animais para evitar que uma novilha pré-púbere seja inseminada, o que acarretará prejuízos econômicos.
Manejo das novilhas: o desenvolvimento das novilhas tem uma importância significativa para que o sistema de produção tenha lucratividade, pois substituirão as descartadas. É desejável um índice de descarte em torno de 20%, sendo as novilhas substituídas por aquelas do próprio rebanho ou ainda por animais adquiridos de outros criatórios. No entanto, os animais de outros criatórios devem ser selecionados de forma criteriosa, tendo sempre capacidade produtiva maior do que a média do rebanho, permitindo assim um aprimoramento genético do plantel.
Idade à cobertura: pode ser um demonstrativo de que os manejos reprodutivo, nutricional e sanitário foram aplicados corretamente no rebanho. O ideal é que as novilhas sejam cobertas entre 18 e 24 meses, quando alcançam cerca de 300 kg de peso vivo. Com isso, a fêmea chegará com a idade ao primeiro parto em torno de 27 e 33 meses e com um ECC em torno de 3,5 a 4 (de regular a bom). 




15 de mai. de 2017

Alimentação de vacas em lactação e Touros



Alimentação de vacas em lactação

Um sistema de alimentação para vacas em lactação, para ser implementado, é necessário considerar o nível de produção, o estágio da lactação, a idade da vaca, o consumo esperado de matéria seca, a condição corporal, tipos e valor nutritivo dos alimentos a serem utilizados.
O estágio da lactação afeta a produção e composição do leite, o consumo de alimentos e mudanças no peso vivo do animal.
Nas duas primeiras lactações da vida de uma vaca leiteira, deve-se fornecer alimentos em quantidades superiores àquelas que deveriam estar recebendo em função da produção de leite, pois estes animais ainda continuam em crescimento, com necessidades nutricionais bastante elevadas. Assim, recomenda-se que aos requerimentos de mantença sejam adicionados 20% a mais para novilhas de primeira cria e 10% para vacas de segunda cria.
Recomenda-se alimentar as vacas primíparas separadas das vacas mais velhas. Este procedimento evita a dominância, aumentando o consumo de matéria seca.
As vacas não devem parir nem excessivamente magras nem gordas. Vacas que ganham muito peso antes do parto apresentam apetite reduzido, menores produções de leite, distúrbios metabólicos como cetose, fígado gorduroso e, deslocamento do abomaso, além de baixa resistência aos agentes de doenças.
Um plano de alimentação para vacas em lactação deve considerar os três estádios da curva de lactação, pois as exigências nutricionais dos animais são distintas para cada um deles.

Alimentação no terço inicial da lactação
As vacas, nas primeiras semanas após o parto, não conseguem consumir alimentos em quantidades suficientes para sustentar a produção crescente de leite neste período, até atingir o pico, o que ocorre em torno de cinco a sete semanas após o parto. O pico de consumo de alimentos só será atingido posteriormente, em torno de nove a dez semanas pós-parto. Por isso, é importante que recebam uma dieta que possa permitir a maior ingestão de nutrientes possível, evitando que percam muito peso e tenham sua vida reprodutiva comprometida.
Devem ser manejadas em pastagens de excelente qualidade e em quantidade suficiente para permitir alta ingestão de matéria seca. Para isto, o manejo dos pastos em rotação é prática recomendada e para o estabelecimento de um sistema pastejo rotativo.
Deve-se fornecer volumoso de boa qualidade com suplementação, com concentrados e mistura mineral adequada. Vacas de alto potencial de produção devem apresentar um consumo de matéria seca equivalente a pelo menos 4% do seu peso vivo, no pico de consumo.
Vacas que são ordenhadas três vezes ao dia, consomem 5 a 6% mais matéria seca do que se ordenhadas duas vezes ao dia.
Para vacas mantidas a pasto, durante o período de menor crescimento do pasto, há necessidade de suplementação com volumosos: capim-elefante verde picado, cana-de-açúcar adicionada de 1% de uréia, silagem, feno ou forrageiras de inverno. Para vacas de alta produção leiteira ou animais confinados, forneça silagem de milho ou sorgo à vontade.
Uma regra prática para determinar a quantidade de volumoso a ser fornecida é monitorar a sobra ou o excesso que fica no cocho. Caso não haja sobras ou se sobrar menos do que 10% da quantidade total fornecida no dia anterior, aumente a quantidade de volumoso a ser fornecida. Caso haja muita sobra, reduza a quantidade.
Para cada dois quilogramas de leite produzidos, a vaca deve consumir pelo menos um quilograma de matéria seca. De outra forma, ela pode perder peso em excesso e ficar mais sujeita a problemas metabólicos.

O concentrado para vacas em lactação deve apresentar 18 a 22% de proteína bruta (PB) e acima de 70% de nutrientes digestíveis totais (NDT), na base de 1 kg para cada 2,5 kg de leite produzidos. Pode-se utilizar uma mistura simples à base de milho moído e farelo de soja ou de algodão, calcário e sal mineral ou, dependendo da disponibilidade, soja em grão moída ou caroço de algodão. Algumas opções para formulação de concentrado são apresentadas na 
Vacas de alta produção de leite manejadas a pasto ou em confinamento precisam ter ajustes em seu manejo e plano alimentar. Para vacas com produções diárias acima de 28-30 kg de leite, deve-se fornecer concentrados contendo fontes de proteína de baixa degradabilidade no rúmen, como farinha de peixe, farelo de algodão, soja em grão moída, tostada, etc.
Vacas com produções acima de 40 kg de leite por dia, além de uma fonte de gordura, como caroço de algodão, soja em grão moída ou sebo, devem receber gordura protegida (fonte comercial) para elevar o teor de gordura da dieta total para 7-8%. Essas vacas devem receber uma quantidade diária de gordura na dieta equivalente à quantidade de gordura produzida no leite. 

Dieta completa é uma mistura de volumosos (silagem, feno, capim verde picado) com concentrados (energéticos e protéicos), minerais e vitaminas. A mistura dos ingredientes é feita em vagão misturador próprio, contendo balança eletrônica para pesar os ingredientes. Muito usada em confinamento total, tem a vantagem de evitar que as vacas possam consumir uma quantidade muito grande de concentrado de uma única vez, o que pode causar problemas de acidose nos animais. Além disso, recomenda-se a inclusão de 0,8 a 1% de bicarbonato de sódio e 0,5% de óxido de magnésio na dieta total, para evitar problemas com acidose.
O melhor teor de matéria seca da ração total está entre 50 e 75%. Rações mais secas ou mais úmidas podem limitar o consumo. Por isso, o teor de umidade da silagem deve ser monitorado semanalmente, se possível.
Normalmente, as vacas se alimentam após as ordenhas. Mantendo a dieta completa à disposição dos animais nesses períodos, pode-se conseguir aumento do consumo voluntário.
Para reduzir mão-de-obra na mistura de diferentes formulações para os grupos de vacas com diferentes produções médias, a tendência atual é de se formular uma dieta completa com alto teor energético e com nível de proteína não-degradável que atenda o grupo de maior produção de leite. Os demais grupos, vacas no terço médio e vacas em final de lactação, naturalmente já controlariam o consumo, ingerindo menos matéria seca.
Para assegurar consumo máximo de forragem, principalmente na época mais quente do ano, deve-se garantir disponibilidade de alimentos ao longo do dia. Deve-se encher o cocho no final da tarde, para que os animais possam ter alimento fresco disponível durante a noite. Dessa forma as vacas podem consumir o alimento num horário de temperatura mais amena.
A relação concentrado/volumoso é maior para vacas de maior produção de leite. De uma forma mais generalizada, sugere-se, na tabela abaixo, as relações concentrado/volumoso.

Tabela 9.
Produção de leite
(kg/dia)
Concentrado
%
Volumoso
%
Até 14
30-35
65-70
14 a 23
40
60
24 a 35
45
55
36 a 45
50-55
45-50
Acima de 45
55-60
40-45

Deve-se tomar o cuidado de retirar restos de alimentos mofados do cocho antes de fornecer nova alimentação.

Para animais mantidos a pasto, o método mais prático de suplementar minerais é deixando a mistura (comprada ou preparada na própria fazenda) disponível em cocho coberto, à vontade.
Para vacas em lactação e animais que são mantidos em confinamento, é mais seguro e garantido incluir a mistura mineral no concentrado ou na dieta completa.

Vacas em lactação requerem uma quantidade muito grande de água, uma vez que o leite é composto de 87 a 88% de água. Ela deve estar à disposição dos animais, à vontade e próxima dos cochos. Normalmente as vacas consomem 8,5 litros de água para cada litro de leite produzido. Quando a temperatura ambiente se eleva, nos meses de verão, o consumo de água aumenta substancialmente.

Neste período, as vacas já recuperaram parte das reservas corporais gastas no início da lactação e já deveriam estar enxertadas. A produção de leite começa a cair e as vacas devem continuar a ganhar peso, preparando sua condição corporal para o próximo parto.
O fornecimento de concentrado deve ser feito com 18 a 20% de proteína bruta, na proporção de 1 kg para cada 3 kg de leite produzidos acima de 5 kg, na época das chuvas, e a mesma relação acima de 3 kg iniciais de leite produzido, durante o período seco do ano, conforme tabela abaixo.

Tabela 10.
Produção de leite
(kg/vaca/dia)
Quantidade Concentrado
(kg/vaca/dia)
Época das "águas"
Época seca
3 a 5
-
1
5 a 8
1
2
8 a 11
2
3
11 a 14
3
4
14 a 17
4
5
17 a 20
5
6

Alimentação no terço final da lactação
Neste período as vacas devem recuperar suas reservas corporais e a produção de leite já é bem menor que nos períodos anteriores. Deve-se alimentar as vacas para evitar que ganhem peso em excesso, mas que tenham alimento suficiente, principalmente na época seca do ano, para repor as reservas corporais perdidas no início da lactação. É o período em que ocorre a secagem do leite, encerrando-se a lactação atual e o início da preparação para o próximo parto e lactação subseqüente. 

Alimentação no período seco
É o período compreendido entre a secagem e o próximo parto. Em rebanhos bem manejados, sua duração é de 60 dias. É fundamental para que haja transferência de nutrientes para desenvolvimento do feto, que é acentuado nos últimos 60 - 90 dias que precedem o parto, a glândula mamária regenere os tecidos secretores de leite e acumule grandes quantidades de anticorpos, proporcionando maior qualidade e produção de colostro, essencial para a sobrevivência da cria recém-nascida.
O suprimento de proteína, energia, minerais e vitaminas é muito importante, mas deve-se evitar que a vaca ganhe muito peso nesta fase, para reduzir a incidência de problemas no parto e durante a fase inicial da lactação. Isso se deve, principalmente, à redução na ingestão de alimentos pós-parto, o que normalmente se observa com vacas que parem gordas.
Nas duas semanas que antecedem ao parto deve-se iniciar o fornecimento de pequenas quantidades do concentrado formulado para as vacas em lactação, para que se adaptem à dieta que receberão após o parto. As quantidades a serem fornecidas variam de 0,5 a 1% do peso vivo do animal, dependendo da sua condição corporal.
O teor de cálcio da dieta de vacas no final da gestação deve ser reduzido para evitar problemas com febre do leite após o parto. A mistura mineral (com nível baixo de cálcio) deve estar disponível, à vontade, em cocho coberto.

Alimentação de touros
Os touros devem receber volumosos de boa qualidade, além de 2 kg de concentrado com 65% de NDT (nutrientes digestíveis totais) e cerca de 18% de proteína. O concentrado fornecido às vacas secas ou novilhas pode ser usado.
Acesso a piquete para exercício; se houver disponibilidade de pasto de boa qualidade para isso será melhor ainda.
Limitar o fornecimento de feno a 7 - 10 kg/dia e, se usar a silagem de milho ou sorgo, fornecer no máximo 7 kg/dia.









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9 de mai. de 2017

Alimentação de Novilhas Leiteiras



Alimentação de Novilhas

A fase de recria inicia-se após o desmame, estendendo-se até a primeira cobrição. É menos complexa do que a fase de cria, porém requer muita atenção do produtor, pois os requerimentos do animal em crescimento estão constantemente mudando, em função de alterações na composição de seu corpo.
À medida que a idade do animal vai avançando, reduz-se a taxa de formação de ossos e proteína, com o aumento acentuado na deposição de gordura. Do início desta fase, dos 80 - 90 kg de peso vivo até a puberdade, o monitoramento do ganho de peso diário é fundamental, não devendo ultrapassar 900 g por dia. Este procedimento evita a má-formação da glândula mamária (acúmulo de gordura e menor quantidade de tecido secretor de leite) resultando em menor produção de leite durante a primeira lactação.
A idade à primeira cobrição determinará a alimentação das novilhas nesta fase. Idades à primeira cobrição mais precoces (15 -16 meses) exigirão planos mais elevados de alimentação do que aqueles para idades mais avançadas para a primeira cobrição (24 -26 meses).
A puberdade ou a idade ao primeiro cio é reflexo da idade fisiológica (tamanho ou peso) e não da idade cronológica da novilha. Deste modo, o plano de alimentação a ser adotado para as novilhas será aquele que, de forma mais econômica, permita que elas atinjam o peso para cobrição o mais cedo possível.
O peso vivo para cobrição das novilhas varia de acordo com a raça, sendo o mínimo de: 340 kg para a raça Holandesa, 330 kg para a Pardo-Suíça, 230 kg para a Jersey, 320 kg para as mestiças Holandês x Zebu e 280 kg para a mestiças Jersey x Zebu.

Pastos de excelente qualidade e bem manejados podem suprir os nutrientes para o crescimento das novilhas, desde que uma mistura mineral esteja sempre à disposição. A suplementação volumosa na época seca deve ser feita com forragens verdes picadas, cana-de-açúcar adicionada com 1% de uréia, silagens ou fenos. Para o fornecimento de volumosos em cochos, é necessário minimizar a competição por alimento entre os animais manejados em grupos. Para isto, é importante propiciar aos animais área de cocho suficiente, permitindo que todos tenham chance de se alimentar.
O fornecimento de concentrado às novilhas é dependente da idade, da qualidade do alimento volumoso utilizado e do plano de alimentação adotado. Em geral, até os seis meses, é necessário o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 61% de nutrientes digestíveis totais.

Recria em confinamento

Neste sistema, os alimentos são levados às novilhas que permanecem confinadas todo o tempo, sem acesso a pasto. Elas podem receber, no cocho, forrageira verde picada e/ou silagem e/ou feno. Uma mistura mineral deverá estar sempre à disposição, em cochos separados, independentemente do volumoso utilizado.
Ao fornecer dietas à base de silagem de milho para novilhas, deve-se observar a necessidade de suplementação protéica, caso não tenha sido utilizada a uréia ou outra fonte de nitrogênio não-protéico no momento da ensilagem. As vezes, é necessário limitar o consumo da silagem para evitar que as novilhas fiquem obesas.
Um feno de excelente qualidade é, sem dúvida, o melhor alimento para as novilhas mantidas sob confinamento. Ele pode constituir-se no único alimento para esta categoria animal. A mistura em partes iguais (na base da matéria seca) de feno e silagem de milho pode ser considerada como o melhor alimento para esta categoria animal, quando em confinamento.
Também em sistemas de criação de novilhas confinadas, de raças especializadas para produção de leite, recomenda-se o fornecimento de concentrado durante toda a fase de recria. Tudo vai depender do ganho de peso desejado durante esta fase. É importante ter sempre em mente que os extremos, sub e superalimentação, devem ser evitados.


As novilhas devem ter à sua disposição água fresca e limpa diariamente.


O monitoramento do desenvolvimento das novilhas é pelo acompanhamento do ganho de peso mensalmente. Dos 80 - 90 kg de peso vivo até a puberdade elas não devem ganhar mais do que 900 g por dia. Após a puberdade, ganhos superiores a este são admitidos, mas deve-se evitar que as novilhas fiquem obesas. O crescimento das novilhas pode ser feito pela pesagem ou pela condição corporal. Numa escala de 1 a 5 (1 = magra e 5 = obesa), as novilhas devem apresentar escore igual a 3.
Registre em ficha individual os pesos e quaisquer problemas ocorridos com as novilhas.









8 de mai. de 2017

Aleitamento de bezerros



Alimentação de bezerros

Ao nascer, o bezerro é um monogástrico, com o estômago apresentando características diferentes do ruminante adulto, não sendo capaz de utilizar alimentos sólidos; tem reflexo para mamar e todas as condições fisiológicas e bioquímicas para utilizar o leite. Sob condições normais de alimentação e manejo, em sessenta a noventa dias este bezerro se transforma em ruminante com habilidade para sobreviver com alimentos volumosos e concentrados, com o rúmen-retículo apresentando atividade microbiana relevante, desenvolvimento de papilas em suas paredes e capacidade de absorção de nutrientes pelas paredes do rúmen-retículo.

Aleitamento de bezerros

A fase de aleitamento pode ser natural ou artificial. No aleitamento natural, o bezerro obtém o leite mamando diretamente no úbere da vaca. Este sistema deve ser adotado em propriedades cujo plantel é formado por rebanhos puros ou de alto grau de sangue das raças zebuínas, onde é comum as vacas "esconderem o leite" na ausência do bezerro, quando ordenhadas. Outras condições são a produtividade média diária de leite por vaca inferior a 8 kg e mão-de-obra ineficiente quanto à higiene necessária para se aleitar bezerros artificialmente.
O aleitamento artificial consiste em fornecer a dieta líquida em balde, mamadeira ou similar. Este sistema permite racionalizar o manejo dos animais, ordenhar com mais higiene e controlar a quantidade de leite ingerida pelo bezerro.
Em ambos os tipos de aleitamento, o importante é fornecer colostro o mais rápido possível, pois esta é a forma de garantir a sobrevivência do bezerro nas primeiras semanas após o nascimento, fornecendo os anticorpos. A maneira mais eficiente é fazer o bezerro mamar o colostro na vaca logo após o nascimento.
  • Quando fornecido no balde, usar o colostro integral, permitindo a ingestão de 5 a 6 kg de colostro;
  • Na fase de aleitamento, o alimento natural do bezerro é o leite integral que, por seu valor comercial, pode ser substituído pelo colostro excedente ou utilizar um sucedâneo comercial do leite, normalmente vendido na forma de pó;
  • Fornecer 4 l/animal/dia qualquer que seja a dieta líquida utilizada, que deverá ser fornecida em duas refeições diárias durante a primeira semana de vida do animal. A partir daí, uma vez ao dia, de manhã ou à tarde, conforme mais conveniente para o produtor;
  • Quantidade fornecida, regularidade no horário e na temperatura da dieta líquida são muito importantes para evitar distúrbios gastrointestinais.
Fornecimento de concentrado

O concentrado inicial a ser fornecido aos bezerros, do nascimento até os 60 ou 70 dias de idade, independente do sistema de aleitamento utilizado, deve ter na sua composição alimentos considerados de excelente qualidade, como grãos de milho, raspa de mandioca, farelo de soja, farelo de algodão e misturas minerais e vitamínicas. 
Concentrados contendo grãos que sofreram tratamento térmico e/ou vapor, e aqueles na forma de pellets, aumentam a digestibilidade e estimulam seu consumo precoce.
A partir dos 70 dias, pode-se utilizar concentrados de menor custo. Muito embora alguns estudos demonstrem ser viável a utilização de uréia nos concentrados iniciais para bezerros, recomenda-se o seu uso somente após os três meses de idade, quando o rúmen estará desenvolvido o suficiente para utilizar o nitrogênio não protéico da dieta.
Após o desaleitamento, o consumo de concentrado aumentará rapidamente, devendo-se limitar a quantidade fornecida para estimular o consumo de volumoso. Tem-se sugerido o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 66% de nutrientes digestíveis totais - NDT, dependendo da qualidade do alimento volumoso utilizado.
É importante verificar a condição do concentrado que sobrou: se molhado ou mofado, remova-o; se seco e em boas condições, deixe-o.

Fornecimento de volumoso

Os alimentos volumosos são muito importantes para o desenvolvimento fisiológico, do tamanho e da musculatura do rúmen, principalmente para os dois últimos. Um bom volumoso, feno ou verde picado, deve ser fornecido desde a segunda semana de idade. Em escala de importância, para bezerros, antes dos três meses de idade, bons fenos são melhores que bons alimentos verdes picados, que, por sua vez, são melhores que boas silagens. Esta é uma recomendação de ordem geral, já que a qualidade do alimento é extremamente importante na determinação do consumo.
Antes dos três meses de idade, o uso de alimentos fermentados, como silagens, não é recomendado, uma vez que o consumo será insuficiente para promover o desenvolvimento do rúmen e o crescimento do animal.


A água disponível deve estar limpa e fresca. Se forem usados baldes para dar de beber aos animais, a água deve ser renovada diariamente.
Recomenda-se que os bezerros tenham, à sua disposição, desde a primeira semana de idade, água fresca e limpa, porque há evidências de maior consumo de concentrado pelos animais assim manejados.


Desmama ou desaleitamento precoce - Destina-se a transformar o bezerro de monogástrico em ruminante o mais cedo possível.
As maiores vantagens da desmama ou do desaleitamento precoce são as reduções no custo da alimentação, da mão-de-obra e a não ocorrência de distúrbios gastrointestinais. Quando o bezerro estiver consumindo 600 a 800 g de concentrado por dia, de maneira consistente, ele estará pronto para ser desaleitado ou desmamado, independentemente de sua idade, tamanho ou peso.
Independentemente do sistema de criação adotado, não há razão, do ponto de vista do bezerro, do fornecimento da dieta líquida ser superior a oito semanas. Recomenda-se o desaleitamento abrupto, não sendo necessária a redução gradativa da quantidade de leite oferecida para os bezerros, prática trabalhosa, principalmente à medida que aumenta o número de bezerros.
Os bezerros devem permanecer na sua instalação por mais duas semanas após o corte da dieta líquida, recebendo água e alimentos sólidos. Assim, eles perderão o hábito da dieta líquida com menor estresse, e será possível observar como eles reagiram à desmama ou ao desaleitamento.  Outro fator de importância é a não-ocorrência de estresse por competição, se mudados imediatamente após a desmama para instalações coletivas (baias ou pasto).
Importante: observe o bezerro, cuidadosamente, todos os dias e verifique:
  • o olhar do bezerro:
    olhar vivo significa saúde;
  • a existência de corrimento nasal:
    o desejável é não haver corrimento nasal;
  • a consistência das fezes:
    as fezes devem estar sólidas;
  • o apetite dos bezerros.
    bezerros sadios bebem a dieta líquida com avidez, e não descuide da Sanidade.

Pese o bezerro ao nascer e no desaleitamento ou desmama. Calcule o ganho de peso médio diário.
Cálculo do ganho de peso médio diário (GPMD)
GPMD (kg/dia) = (peso ao desaleitamento - peso ao nascimento) ÷ número de dias entre o desaleitamento e o nascimento.
Observação: O ganho de peso médio diário deve ser superior a 0,350 kg por dia.

Anote, na ficha individual do bezerro, os pesos e quaisquer problemas ocorridos com ele.







22 de abr. de 2017

Alimentação dos Bezerros (gado de leite)



Alimentação de bezerros

Ao nascer, o bezerro é um monogástrico, com o estômago apresentando características diferentes do ruminante adulto, não sendo capaz de utilizar alimentos sólidos; tem reflexo para mamar e todas as condições fisiológicas e bioquímicas para utilizar o leite. Sob condições normais de alimentação e manejo, em sessenta a noventa dias este bezerro se transforma em ruminante com habilidade para sobreviver com alimentos volumosos e concentrados, com o rúmen-retículo apresentando atividade microbiana relevante, desenvolvimento de papilas em suas paredes e capacidade de absorção de nutrientes pelas paredes do rúmen-retículo.

Aleitamento de bezerros

A fase de aleitamento pode ser natural ou artificial. No aleitamento natural, o bezerro obtém o leite mamando diretamente no úbere da vaca. Este sistema deve ser adotado em propriedades cujo plantel é formado por rebanhos puros ou de alto grau de sangue das raças zebuínas, onde é comum as vacas "esconderem o leite" na ausência do bezerro, quando ordenhadas. Outras condições são a produtividade média diária de leite por vaca inferior a 8 kg e mão-de-obra ineficiente quanto à higiene necessária para se aleitar bezerros artificialmente.
O aleitamento artificial consiste em fornecer a dieta líquida em balde, mamadeira ou similar. Este sistema permite racionalizar o manejo dos animais, ordenhar com mais higiene e controlar a quantidade de leite ingerida pelo bezerro.
Em ambos os tipos de aleitamento, o importante é fornecer colostro o mais rápido possível, pois esta é a forma de garantir a sobrevivência do bezerro nas primeiras semanas após o nascimento, fornecendo os anticorpos. A maneira mais eficiente é fazer o bezerro mamar o colostro na vaca logo após o nascimento.
  • Quando fornecido no balde, usar o colostro integral, permitindo a ingestão de 5 a 6 kg de colostro;
  • Na fase de aleitamento, o alimento natural do bezerro é o leite integral que, por seu valor comercial, pode ser substituído pelo colostro excedente ou utilizar um sucedâneo comercial do leite, normalmente vendido na forma de pó;
  • Fornecer 4 l/animal/dia qualquer que seja a dieta líquida utilizada, que deverá ser fornecida em duas refeições diárias durante a primeira semana de vida do animal. A partir daí, uma vez ao dia, de manhã ou à tarde, conforme mais conveniente para o produtor;
  • Quantidade fornecida, regularidade no horário e na temperatura da dieta líquida são muito importantes para evitar distúrbios gastrointestinais.
Fornecimento de concentrado

O concentrado inicial a ser fornecido aos bezerros, do nascimento até os 60 ou 70 dias de idade, independente do sistema de aleitamento utilizado, deve ter na sua composição alimentos considerados de excelente qualidade, como grãos de milho, raspa de mandioca, farelo de soja, farelo de algodão e misturas minerais e vitamínicas.
Concentrados contendo grãos que sofreram tratamento térmico e/ou vapor, e aqueles na forma de pellets, aumentam a digestibilidade e estimulam seu consumo precoce.
A partir dos 70 dias, pode-se utilizar concentrados de menor custo. Muito embora alguns estudos demonstrem ser viável a utilização de uréia nos concentrados iniciais para bezerros, recomenda-se o seu uso somente após os três meses de idade, quando o rúmen estará desenvolvido o suficiente para utilizar o nitrogênio não protéico da dieta.
Após o desaleitamento, o consumo de concentrado aumentará rapidamente, devendo-se limitar a quantidade fornecida para estimular o consumo de volumoso. Tem-se sugerido o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 66% de nutrientes digestíveis totais - NDT, dependendo da qualidade do alimento volumoso utilizado.
É importante verificar a condição do concentrado que sobrou: se molhado ou mofado, remova-o; se seco e em boas condições, deixe-o.

Fornecimento de volumoso

Os alimentos volumosos são muito importantes para o desenvolvimento fisiológico, do tamanho e da musculatura do rúmen, principalmente para os dois últimos. Um bom volumoso, feno ou verde picado, deve ser fornecido desde a segunda semana de idade. Em escala de importância, para bezerros, antes dos três meses de idade, bons fenos são melhores que bons alimentos verdes picados, que, por sua vez, são melhores que boas silagens. Esta é uma recomendação de ordem geral, já que a qualidade do alimento é extremamente importante na determinação do consumo.
Antes dos três meses de idade, o uso de alimentos fermentados, como silagens, não é recomendado, uma vez que o consumo será insuficiente para promover o desenvolvimento do rúmen e o crescimento do animal.

Fornecimento de água

A água disponível deve estar limpa e fresca. Se forem usados baldes para dar de beber aos animais, a água deve ser renovada diariamente.
Recomenda-se que os bezerros tenham, à sua disposição, desde a primeira semana de idade, água fresca e limpa, porque há evidências de maior consumo de concentrado pelos animais assim manejados.

Desaleitamento ou desmame dos bezerros

Desmama ou desaleitamento precoce - Destina-se a transformar o bezerro de monogástrico em ruminante o mais cedo possível.
As maiores vantagens da desmama ou do desaleitamento precoce são as reduções no custo da alimentação, da mão-de-obra e a não ocorrência de distúrbios gastrointestinais. Quando o bezerro estiver consumindo 600 a 800 g de concentrado por dia, de maneira consistente, ele estará pronto para ser desaleitado ou desmamado, independentemente de sua idade, tamanho ou peso.
Independentemente do sistema de criação adotado, não há razão, do ponto de vista do bezerro, do fornecimento da dieta líquida ser superior a oito semanas. Recomenda-se o desaleitamento abrupto, não sendo necessária a redução gradativa da quantidade de leite oferecida para os bezerros, prática trabalhosa, principalmente à medida que aumenta o número de bezerros.
Os bezerros devem permanecer na sua instalação por mais duas semanas após o corte da dieta líquida, recebendo água e alimentos sólidos. Assim, eles perderão o hábito da dieta líquida com menor estresse, e será possível observar como eles reagiram à desmama ou ao desaleitamento.  Outro fator de importância é a não-ocorrência de estresse por competição, se mudados imediatamente após a desmama para instalações coletivas (baias ou pasto).
Importante: observe o bezerro, cuidadosamente, todos os dias e verifique:
  • o olhar do bezerro:
    olhar vivo significa saúde;
  • a existência de corrimento nasal:
    o desejável é não haver corrimento nasal;
  • a consistência das fezes:
    as fezes devem estar sólidas;
  • o apetite dos bezerros.
    bezerros sadios bebem a dieta líquida com avidez, e não descuide da Sanidade.
Pese o bezerro ao nascer e no desaleitamento ou desmama. Calcule o ganho de peso médio diário.
Cálculo do ganho de peso médio diário (GPMD)
GPMD (kg/dia) = (peso ao desaleitamento - peso ao nascimento) ÷ número de dias entre o desaleitamento e o nascimento.
Observação: O ganho de peso médio diário deve ser superior a 0,350 kg por dia.

Anote, na ficha individual do bezerro, os pesos e quaisquer problemas ocorridos com ele.