1 de jul. de 2017

A Escolha das Éguas



O primeiro aspecto inserido na escolha de uma égua reprodutora é o genético. Primeiro, o criador precisa definir as bases genéticas de sua seleção. Em seguida, escolher as éguas matrizes que se encaixam neste pilar genético, dando preferencia aos pedigrees superiores. O pedigree superior é mensurado com base no mérito zootécnico dos ancestrais mais próximos, até a terceira geração ascendente, no máximo. De cada um dos pais, a égua recebe 50% da bagagem genética. De cada um dos avós, 25%. De cada um dos bisavós, 12,5%. Daí em diante, a contribuição genética perde em relevância. Qualquer ancestral de baixo valor zootécnico ( ex. animal com Registro em Livro Aberto, de origem desconhecida ), poderá comprometer o mérito de produção. Havendo necessidade, os parentes colaterais mais próximos, como irmãos inteiros e meio irmãos também podem ser avaliados.
O segundo aspecto é o da conformação. O criador deve saber interpretar corretamente todas as definições inseridas no respectivo Padrão Racial. Caso tenha dificuldade, recomenda-se procurar um consultor especialista da área. O moderno conceito de avaliar a conformação estabelece uma correlação com a função.
O terceiro parâmetro é a funcionalidade, quase sempre sub-estimado em éguas matrizes, porque estas são introduzidas ainda em idade jovem na reprodução. Em raças de andamento marchado a marcha deve merecer a mesma importância dada à conformação. A marcha é uma característica genética, tendo no diagrama e no estilo os parâmetros de herdabilidade mais alta. Portanto, o criador deve evitar escolher éguas de diagrama excessivamente diagonalizado ou lateralizado. Entre um e outro, a preferencia ainda será para o segundo, pois tem mecanismo genético recessivo, podendo ser erradicado do plantel com mais facilidade. Todavia, o melhor diagrama é o da marcha de centro, a marcha verdadeira, que apresenta a nítida dissociação visual nos deslocamentos. Sempre que possível, montar para aferir a qualidade da comodidade, o equilíbrio dinâmico, vigor e disposição.
O temperamento é qualidade das mais relevantes. Mesmo que a égua tenha genética superior, boa conformação e bom andamento, se a índole for ruim, já é uma forte contra-indicação à seleção.
O comprador deve pesquisar por completo o histórico reprodutivo e produtivo. Verificar se a égua já apresentou algum tipo de problema reprodutivo, quantos produtos já foram gerados. Como o primeiro parto geralmente acontece por volta dos 4 anos de idade, não será normal um numero inferior a 2 produtos em éguas de idade superior a 8 anos. São raras as éguas que parem anualmente. Considera-se normal que a égua tenha dois partos seguidos e um ano de descanso.
A idade da égua matriz é mais variável, mas há um limite. Após a faixa entre 15 a 18 anos de idade, dependendo do numero de crias já produzidas, a eficiência reprodutiva e produtivo da égua declina, principalmente devido ao desgaste sofrido pela parede uterina. Entretanto, ao contrário de um antigo tabu, a qualidade da cria independe da idade da mãe.
O histórico em competições deve ser detalhadamente pesquisado. As premiações relevantes são as de campeonatos e reservado campeonatos, dependendo do grau de competitividade.
Uma ficha de controle de valor zootécnico produtivo pode ser organizada, visando avaliar a qualidade da conformação e desempenho dos produtos gerados pela égua. Esta avaliação pode ser ao vivo, conhecendo alguns dos produtos, através de fotos e dados oficiais de premiações. Os campeonatos Progênie de Mãe representam aqueles de maior valor zootécnico.
Finalmente, o comprador precisa solicitar uma avaliação atual de fertilidade, mesmo que a égua tenha um bom histórico produtivo. Os problemas reprodutivos mais comuns são abordados em outra parte desta obra. Os mais comuns são os problemas de má conformação da vulva, que deve ter posição vertical, a fim de reduzir a introdução de ar e fezes na vagina; infecção uterina; casos de ruptura reto/vaginal; cervicite; vaginite; ovários inativos; tumores ovarianos; útero infantil; mal posicionamento do útero, devido ao relaxamento de ligamentos durante gestações anteriores.
De acordo com o resultado da avaliação, a égua será classificada como doadora de embriões ( mérito zootécnico superior ), égua matriz mediana, égua receptora, égua para reprodução e competições.

GENÉTICA: SAIBA PORQUE A ÉGUA É MAIS IMPORTANTE DO QUE O GARANHÃO
Em comparação ao numero de reprodutores, uma população maior de éguas é necessária para atender as exigências de produção destinada ao mercado de usuários do cavalo de lazer e do cavalo de esportes. Anualmente, um numero bem maior de éguas entra em reprodução. De fato, não mais do que 10 % dos machos nascidos anualmente já seria suficiente para atender o mercado representado pelos criadores, até porque o número de bons reprodutores é reduzido e a técnica de Inseminação Artificial favorece o acesso a um variado leque de reprodutores. Nota-se ainda no mercado que a procura por éguas parideiras vem diminuindo, ao contrario da procura de cavalos de sela. Mas por que não de éguas para sela? É simplesmente uma questão de quebrar tabus, pois montar em uma boa égua de marcha verdadeira é tão prazeroso como montar em um bom cavalo de marcha verdadeira.
Geralmente, os criadores valorizam mais o garanhão. O principal argumento é ser responsável por um maior numero de produtos anuais. Em sistema de monta natural, um garanhão pode chegar a produzir até 50 filhos (as) por ano. Em regime de monta artificial este numero pode ser até dez vezes maior.
No caso da égua, mesmo através da técnica de transferência de embriões, os incrementos no numero de produtos em cada estação de monta não são significativos. A média ainda é de três produtos. A explicação é que, ao contrario de outras fêmeas domésticas, os ovários da égua geralmente não respondem positivamente aos tratamentos hormonais objetivando a super-ovulação.
A contribuição genética transmitida ao filho (a) é igualmente dividida, sendo 50% do pai e 50% da mãe. O diferencial a favor da mãe é que esta tem a importante tarefa de nutrir o feto durante um período de, aproximadamente, onze meses. Em seguida, amamenta, protege e orienta a criação natural do filho (a) durante um período de, aproximadamente, cinco meses. Assim, o efeito da contribuição maternal eleva a contribuição total da égua para 55 a 60%, aproximadamente.
Inicialmente, a égua oferece proteção e nutrição ao feto durante a gestação. Posteriormente, ela oferece proteção e boas atitudes ao seu filho (a). Caso a égua gestante não seja adequadamente nutrida, em termos de valor protéico da dieta, o desenvolvimento fetal será prejudicado. Se a carência for de minerais, a formação óssea não será normal,  com reflexos negativos à estrutura e aprumos. Para tentar recuperar um potro (a) fragilizado durante sua vida intra-uterina, através de eficientes programas de nutrição, manejo de cascos e condicionamento físico, será necessário contratar consultoria profissional, especializada, a qual nem sempre estará disponível, e acessível ao criador. O estado clínico da égua gestante, o tamanho e a condição de seu útero também são fatores que influenciam o desenvolvimento fetal.
Se a égua lactante não recebe uma dieta balanceada, a produção de leite declina, afetando negativamente o desenvolvimento da cria. A égua é uma grande produtora de leite, sendo normais produções entre 15 a 18 litros de leite.
Contudo, a contribuição marcante ao futuro atlético da cria deriva do temperamento da égua. O potrinho (a) apresenta elevada capacidade para imitar atitudes maternais. Por exemplo, se a égua é de má índole, morde, escoiceia, como exemplos, estas atitudes podem ser assimiladas pelo filho (a). Se a égua tem temperamento inquieto, idem. Se a égua apresenta algum tipo de vicio, como refugar, empacar, empinar, dentre outros, o vicio também poderá ser assimilado pela cria. Se a égua é linfática, apresentando deslocamentos de pouca progressão, o potencial atlético futuro da cria será negativamente afetado. Um bom exemplo prático é a qualidade do bardôto em relação ao burro. O bardôto passa em torno de 6 meses ao lado da jumenta. Tende a assimilar de sua mãe os deslocamentos de baixa velocidade e pouca progressão, o temperamento linfático.
Muitos programas de transferencia de embriões não são bem sucedidos devido à má seleção de éguas receptoras. Estas podem influenciar negativamente a criação, quando são má produtoras de leite, ou no condicionamento mental, quando apresentam algum tipo de temperamento indesejável. O potencial genético que a égua doadora transmitiu à cria será mascarado.

Por tudo isto, podemos afirmar que o impacto da contribuição de uma égua, ao melhoramento genético do plantel, vai muito além de uma bagagem de genes a ser transmitida a cada filho (a).

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25 de jun. de 2017

Raças de Cavalos


As raças brasileiras começaram a ser formadas a partir da segunda metade do século IX. A primeira delas foi a raça Mangalarga ( conhecida popularmente como “Mangalarga Paulista” seguindo-se as raças Mangalarga Marchador ( conhecida popularmente como “Mangalarga Mineiro”), Campolina, Crioula, Piquira, Pantaneira, Marajoara, Campeira, Nordestina, Brasileiro de Hipismo. Um décimo agrupamento de equinos vem sendo constituído desde 1993, através do Serviço de Registro Genealógico da ABCCPAMPA – Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pampa. Mas não se pode considerar como raça, tendo em vista que pampa define pelagem, sendo comum em várias raças, como nas próprias raças Mangalarga, Mangalarga Marchador, Campolina, Piquira, como exemplos. A morfologia e o andamento, apesar de serem orientados por um Padrão Racial, são de padronização quase que impossível, pois são registrados animais oriundos de quase uma dezena de raças, além dos animais sem origem conhecida. 

De acordo com a função, as raças são dividas em: Esporte, Lazer, Serviço. As raças brasileiras especializadas para serviço são a Crioula, Pantaneira, Marajoara e nordestina. São criadas em regiões específicas, onde adaptaram-se para o desempenho de determinadas funções. Assim, o cavalo Crioulo, uma das raças mais antigas do país, foi desenvolvido na região dos pampas gauchos, lidando com manadas de gado, cavalo, muares, ovinos. É um cavalo resistente, de criação rústica, ágil, veloz, inteligente, de boa treinabilidade. Para demonstrar suas aptidões funcionais, executa uma prova de maneabilidade e velocidade, conhecida como “Freio de Ouro”. O cavalo Pantaneiro é um especialista na lida de gado nas regiões alagadas do Pantanal do Mato Grosso, tangendo enormes boiadas de áreas inundadas para outras pastagens aproveitáveis na época das enchentes. O cavalo Marajoara é um especialista no trabalho de gado na região úmida da Ilha de Marajó, onde predominam grandes criações de búfalos, que também foram treinados para serem montados. O cavalo Nordestino é um especialista no trabalho de gado e rebanhos de caprinos e ovinos na caatinga do sertão do Nordeste, de vegetação espinhosa. Infelizmente, esta raça deixou de ser reconhecida pelo Ministério da Agricultura, desenvolvendo-se em condições desordenadas de seleção e melhoramento genético.  

As raças nacionais especialistas na prática de esportes são a Mangalarga e Brasileiro de Hipismo. O esporte original da raça Mangalarga era a caça de veados, inicialmente praticada na região montanhosa do Sul de Minas, com os cães nacionais, de faro apurado para localizar os veados nas montanhas. Posteriormente, levado para a região dos prados planos do oeste paulista, as caçadas passaram a ser realizadas pelos cães americanos, de menos faro, mas visão mais apurada, e os cavalos foram selecionados para galopar com mais velocidade e agilidade, e desenvolver um andamento característico, denominado de marcha trotada, de deslocamentos amplos, de maior progressão em relação à marcha de tríplices apoios dos “Mangalargas Mineiros”, e bem alçados e flexionados. Atualmente, o cavalo Mangalarga é muito utilizado em provas funcionais de velocidade e maneabilidade, na lida de gado e cavalgadas. Seu andamento característico, a marcha trotada, confere ao cavaleiro comodidade superior àquela derivada do trote convencional, porque o momento de suspensão é menor, e muitos animais apresentam sustentação dinâmica com base em apoios monopedais e quadrupedais, o que reduz os atritos verticais associados aos apoios duplos diagonais sincronizados. O cavalo Brasileiro de Hipismo, chamado de BH, é de formação mais recente, sendo derivado de raças estrangeiras especialistas em salto. 

As raças nacionais especialistas em lazer são a Mangalarga Marchador, Campolina, Piquira, Campeira. O que define a especialização de lazer é docilidade e a MTAD – Marcha de Tríplices Apoios Definidos, um andamento de média velocidade que, ao contrário do trote, confere ao cavaleiro, ou amazonas, a comodidade necessária para a satisfação nos passeios e cavalgadas de média a longa distância. A MTAD tem base genética, mas sofreu influencia do meio ambiente. Nas trilhas estreitas e sinuosas das regiões montanhosas do Sul de Minas e Campos das Vertentes, os animais eram forçados a uma locomoção de deslocamentos assimétricos. Apesar de tendências atuais de premiações de animais portadores de marcha batida excessivamente diagonalizada, ao extremo da marcha trotada e do trote desunido, todas as quatro raças ainda estão bem representadas por animais portadores do principal atributo que é referência mundial de “Pleasure Horses” ( cavalos de passeio ), a MTAD. Estas raças brasileiras de cavalos de marcha representam  autênticos patrimônios nacionais, que merecem mais atenção dos órgãos federais. Da mesma forma, também está sendo ignorado pelo Governo Federal o Jumento brasileiro da raça Pêga, o único marchador no mundo, capaz de produzir os mais belos e melhores muares marchadores do mundo. 

Quanto às raças estrangeiras, chamadas de exóticas, ou importadas, a maioria delas incluem-se na categoria de esportes. As mais difundidas são a Quarto de Milha, Puro Sangue Inglês, Árabe, Andaluz, Appaloosa, Luzitana, Paint Horse. A raça Árabe é a mais antiga, tendo participado da formação de um grande numero de raças. É modelo universal de beleza, sendo especialista em enduros de velocidade, pois tem resistência inigualável. A raça Puro Sangue Ingles, conhecida como P.S.I. tem como especialidade as corridas de média e longa distância. A raça Quarto de Milha tem duas especialidades: corridas rasas, de 400 metros ( um quarto de milha ) e o “cow sense”, que se traduz na aptidão nata para lidar com gado. Estas duas especialidades geraram um leque de esportes amplamente praticados no Brasil: corridas, vaquejadas, Prova dos 3 Tambores, Prova das 6 Balizas, Prova de Apartação, Prova de Laço. Os representantes das raças Appaloosa e Paint Horse derivam diretamente da raça Quarto de Milha, tendo conformação semelhante, bem como as aptidões funcionais. As diferenças estão nas pelagens que lhe deram os nomes: Appaloosa ( pintas escuras sobre pelo branco ) e Paint ( malhado ). São pelagens que não foram aceitas pelo Serviço de Registro Genealógico da raça original, Quarto de Milha. A raça Andaluz é especialista em touradas e adestramento clássico para exercícios de alto escola. Ë representada por cavalos fortes, inteligentes, de fácil treinabilidade. A raça Luzitana é tronco da raça Andaluz, tendo sido formada em Portugal.

Raças de Trote


Arabe - É a raça atual mais antiga e pura, tendo sido base para a formação de quase todas as raças existentes. Foi originária dos desertos da Arábia. A conformação é nobre, de beleza e refinamento ímpares. A cabeça é pequena, perfil de chanfro concavilineo, fronte larga, olhos salientes, boca pequena, pescoço delicado, arqueado, tronco brevelineo a mediolineo. O porte não é dos maiores, com altura média em torno de 1,50m. As pelagens são variadas, predominando a tordilha, alazã e castanha. A resistência destes cavalos é um atributo que os tornam preferenciais para a prática de enduros. Nas exposições são apresentados em diversos tipos de categorias, demonstrando a impressionante versatilidade desta raça.


Quarto de Milha - É a raça americana mais popular, famosa por ter sido a preferida pelos lendários cowbows dos filmes de faroeste. Originalmente, foi formada nos Estados da Virgínia e Carolina, por colonizadores ingleses. É o resultado do cruzamento de reprodutores Puro Sangue Inglês com éguas mustangs, nativas de sangue espanhol. As finalidades são várias, mas principalmente nas corridas de curta distância, um quarto de milha, o que lhe conferiu o nome, na lida com o gado, demonstrando um cow sense nato, e em provas de laço e de rédeas como apartação, três tambores,6 balizas. O cavalo Quarto de Milha é um animal de tronco compacto, dorso-lombo curto, musculatura geral bem desenvolvida, volumosa, membros anteriores curtos, membros posteriores longos, o que favorece a potência nas arrancadas. O temperamento é muito dócil, a inteligência uma das mais notáveis dentre as raças equinas. Qualquer pelagem sólida é comum, sendo a mais frequente a alazã. A altura média é em torno de 1,56m.


Puro Sangue Ingles - É uma raça formada na Inglaterra, no início do século XVII, com base no sangue Árabe. A finalidade principal é a corrida, em distâncias médias e longas. O corpo é esguio, de mediolineo a longelineo, com pernas longas e fortes. O pescoço é delicado, longo, cabeça harmoniosa. As alturas ideais variam de 1,60 a 1,70m. Qualquer pelagem sólida é de incidência frequente. O Puro Sangue Ingles, popularmente chamado de P.S.I. exerceu uma contribuição marcante na formação de inúmeras raças em todo o mundo.


Appaloosa - É uma raça norte-americana, formada no Vale "Palouse", região noroeste dos Estados Unidos. A origem é semelhante à do Quarto de Milha, inclusive a conformação. A finalidades também são parecidas, mas devido à pelagem os exemplares desta raça são muito procurados para circos e
desfiles. A pelagem é denominada de Appaloosa, podendo ser mantada, com manchas circulares de cor sólida sobre fundo branco incidindo na garupa e dorso-lombo, ou a variedade Leopardo, com as manchas circulares distribuídas sobre fundo branco em todo o corpo, pescoço e cabeça.


Paint - É um Quarto de Milha pampa. Criadores insatisfeitos com a discriminação da pelagem pampa pelo Padrão oficial da raça Quarto de Milha, fundaram uma associação para congregar pessoas admiradoras da pelagem pampa, que nesta raça é denominada de Tobiano ou de Overo. As pelagens foram originárias dos cavalos selvagens conhecidos como Mustangs, as montarias preferidas dos índios. A pelagem pampa denominada de tobiano é a padrão, de mecanismo genético dominante, caracterizando-se por malhas irregulares, que ultrapassam de um lado a outro, entre o pescoço e a garupa. No caso da variedade Overo, recessiva, as malhas são mais circulares, e raramente ultrapassam de um lado a outro, sendo comuns os animais de olhos azulados e cabeça branca. Como herança do Quarto de Milha, o Paint Horse é um animal muito dócil, inteligente, ágil, excelente na lida com gado, com a vantagem de possuir a pelagem pampa como diferencial de mercado.


Andaluz - Raça formada a partir do cruzamento de cavalos Bérberes, do norte da África, com éguas nativas da Espanha. A finalidade é o adestramento clássico, mas na Espanha são largamente utilizados nas touradas. O cavalo Andaluz possui um tronco compacto, robusto. Ao mesmo tempo que é um animal extremamente dócil, também é ativo, ágil, vigoroso nos deslocamentos de inigualável elegância, sendo considerado o mestre dos cavalos na nobre arte da alto escola equestre. A pelagem mais comum é a tordilha. A altura média é de 1,57m. Dezenas de raças no mundo foram formadas com base no sangue Andaluz, inclusive a maioria das raças brasileiras. Em Portugal, foi formada a raça Lusitana, de conformação e finalidades similares às da raça Andaluz, porém com um tipo mais refinado.


Poney brasileiro - É uma raça de origem britânica, descendente do Pôney Shetland, a menor dentre as nove raças de Pôneis existentes no continente inglês. No Brasil, os reprodutores Shetland foram acasalados com éguas nativas, popularmente conhecidas como Piquiras, dando origem ao Poney brasileiro, de altura inferior a 1,10m, muito requisitado para a diversão de crianças, como montarias ou em atrelagem. Apesar do tamanho reduzido, são animais muito fortes. As pelagens são vairadas e a conformação geral é bastante harmoniosa.


Bretão - Raça de origem francesa, formada a partir de cruzamentos entre as raças Percherão, Boulonnais e Ardenais. As pelagens mais comuns são a alazã, rosilha e castanha. É um animal mais leve em relação ao Percherão, raça mais conhecida no Brasil. O temperamento é muito dócil, facilitando o manejo. A finalidade principal também é a tração, em serviços agrícolas e de atrelagem, mas também podem ser usados para montarias. Como são muito fortes, são indicados para a tração de grandes carroças e charretes.


Brasileiro de Hipismo - Conhecido como BH, é uma mistura de várias raças, com grande concentração de sangue Inglês. A própria conformação, é bastante semelhante à do P.S.I. São animais de grande porte, alturas médias acima de 1,65m, tendo como finalidade principal o salto, que é uma das atividades do Hipismo Clássico. O manejo é especializado, exigindo treinamento profissional.

RAÇAS BRASILEIRAS DE MARCHA


1 - MANGALARGA MARCHADOR

A formação do cavalo Mangalarga Marchador teve a sua origem no Sul de Minas Gerais, na Fazenda Campo Alegre, sediada no município de Baependi. Gabriel Francisco Junqueira, conhecido como o Barão de Alfenas, foi o proprietário da Fazenda Campo Alegre, onde nasceu em 1782 e faleceu em 1869. No ano de 1812, o Barão de Alfenas recebeu como presente do príncipe Regente D. João VI, um cavalo da raça Alter (procedente da Coudelaria Alter do Chão, em Portugal), de nome "Sublime", usando-o para fins de cruzamento com suas éguas crioulas. Os produtos resultantes deste cruzamento constituíram a base dos primeiros cavalos Mangalarga Marchadores.

O cavalo Alter Real é de origem Andaluziana, sendo bastante semelhante em aparência ao cavalo Andaluz, com a diferença de ser um pouco mais refinado em suas linhas gerais. Em 1812 Portugal foi invadido pelos franceses, liderados por Napoleão Bonaparte. Inúmeras fazendas de criação de cavalos da raça Alter, inclusive a própria Coudelaria Alter do Chão, foram saqueadas. Nos anos subseqüentes, os cavalos Alter remanescentes no país foram cruzados com diversas raças cavalares, principalmente com a raça Árabe. No início do século XX, o sangue Andaluziano foi reintroduzido na raça, restabelecendo o tipo original.

O cavalo "Sublime", marco inicial da raça Mangalarga Marchador, veio para o Brasil antes da invasão francesa em Portugal e, portanto, era um puro exemplar da raça Alter. Quanto às éguas brasileiras nativas, estas foram originadas dos primeiros animais introduzidos no Brasil pelos colonizadores, sendo a maioria de sangue Bérbere e Andaluz. Outro fato histórico a ser lembrado é que os cavalos Bérbere e Libianos foram levados para a Espanha, onde passaram por cruzamentos sucessivos com indivíduos da raça Andaluz, dando formação aos famosos cavalos conhecidos como "Ginetes Espanhóis", os primeiros cavalos introduzidos na América do Sul pelos conquistadores. E alguns destes exemplares já apresentavam naquela época um andamento mais cômodo, derivado da Andadura. Desde o início dos trabalhos de sua seleção, Gabriel Francisco Junqueira levou em consideração o andamento cômodo, a resistência, rusticidade e o brio dos animais de sua criação. Naquela época, como o cavalo era o único meio de transporte, a notícia da existência de cavalos de andamento cômodo na Fazenda Campo Alegre despertou um grande interesse em todo o Sul do Estado de Minas e vários criadores adquiriram animais do Barão de Alfenas.

De acordo com o estudo realizado por ANDRADE (16), a versão mais sensata quanto à origem do nome Mangalarga é que o mesmo procede da "Fazenda Mangalarga", localizada em Pati do Alferes, no Estado do Rio de Janeiro. Os donos daquela fazenda somente compravam os seus cavalos no Sul de Minas, e quando iam à Corte Real, no Rio de Janeiro, pelo caminho chamavam a atenção pela elegância e beleza de seus cavalos e de imediato surgiam as perguntas: Quem eram os cavaleiros e cavalos? E a resposta vinha logo: Eram os donos da Fazenda Mangalarga. Assim, quando os compradores iam ao Sul de Minas pediam cavalos Mangalarga, isto é, iguais aos da Fazenda Mangalarga.

Com a mudança de várias famílias Junqueira para o Estado de São Paulo, o Mangalarga Marchador foi introduzido naquele Estado vizinho, onde, posteriormente, sofreu a infusão de sangue exótico, dando formação à raça Mangalarga Paulista, cuja Associação foi fundada em 1934. Paralelamente, os criadores mineiros, principalmente os Junqueiras descendentes do Barão de Alfenas, continuaram a selecionar o Mangalarga Marchador com base em sua pureza original, e diversas outras fazendas, além da Campo Alegre, constituíram a base inicial da formação da raça Mangalarga Marchador: 

Entre os reprodutores famosos que mais influenciaram na formação da raça Mangalarga Marchador temos: Soberbo, Brinquedo, Rio Branco, Rio Verde, Dourado, Ouro Preto, Caxias, Beline, Panchito, Cuera, Predileto, Abismo, Clemanceau, Sargento e outros. Aos interessados, o livro de autoria do Dr. Ricardo Figueiredo Santos (25), apresenta fotos de reprodutores famosos dentro da raça Mangalarga Marchador, Campolina e Piquira. E o livro do Dr. Ricardo Casiush (29) apresenta fotos históricas de renomados exemplares Mangalarga Marchadores.

Em 16 de julho de 1949, em reunião realizada em Caxambu-MG foi fundada a Associação dos Criadores do Cavalo Marchador da raça Mangalarga. hoje uma entidade de âmbito nacional. A raça M. Marchador é um grande exemplo de aprimoramento genético, sendo representada por animais extremamente versáteis, resistentes, rústicos, cômodos e belos. Logo, é uma raça de excelentes aptidões para o trabalho, passeio, provas funcionais e o hipismo rural.


2 – CAMPOLINA 

De acordo com as conclusões do excelente trabalho elaborado por FONTES (1957), a raça Campolina foi formada na região de Entre Rios de Minas, na Fazenda Tanque, cujo proprietário, Cassiano Campolina (1836 - 1904), iniciou em 1857 a sua criação de cavalos, constituída por um rebanho sem características definidas. Mas a verdadeira data de formação da raça é considerada como sendo o ano de 1870, quando Cassiano Campolina recebeu de um amigo (Antônio Cruz) uma égua preta, de nome Medéia, durante uma visita à cidade de Juiz de Fora-MG. Medéia era uma égua nacional e estava prenhe de um puro reprodutor da raça Andaluz, pertencente a Mariano Procópio, que o recebeu de presente do Imperador D. Pedro 11. Na Fazenda Tanque, Medéia gerou um lindo potro tordilho negro, autêntico 1/2 sangue Andaluz, cujo nome era Monarca, considerado o cavalo fundador da raça Campolina, tendo servido durante 25 anos no rebanho de fêmeas nacionais da Fazenda Tanque. Desde o início, Cassiano Campolina concentrou os seus trabalhos de seleção e melhoramento genético na obtenção de animais de elevado porte, de grande sobriedade e de andamento cômodo.

Com a morte de Monarca, em 1898, aos 28 anos de idade, Cassiano Campolina, devido a seu pouco conhecimento das raças exóticas, adquiriu um garanhão da raça Percherão (tração pesada), usando-o durante pouco tempo nas filhas de Monarca, visto que a experiência resultou no nascimento de produtos pesados, com estrutura grosseira e bastante ruins de sela. E como não poderia deixar de ser, Cassiano Campolina saiu em busca dos filhos de Monarca, a fim de dar continuidade ao seu trabalho seletivo.

Após o falecimento de Cassiano Campolina, o seu trabalho teve prosseguimento com o coronel Joaquim Pacheco de Rezende, a quem mais tarde sucedeu seu filho Joaquim Rezende, e a este o Gastão Rezende e seu fIlho, o atual proprietário da maior parte da criação marca C.C., iniciada por Cassiano Campolina. E paralelamente ao trabalho de Cassiano Campolina e dos Rezendes, um trabalho seletivo foi sendo criteriosamente conduzido na Fazenda Campo Grande, município de Passa Tempo (aproximadamente 70 Km da Fazenda Tanque), pelo coronel Gabriel de Andrade, cujo trabalho foi brilhantemente continuado por seu filho Bolivar de Andrade e, atualmente, por Márcio de Andrade. Ainda no município de Passa Tempo, José Ferreira Leite e Américo de Oliveira organizaram na Fazenda Primavera um núcleo de grande importância. Segundo FONTES (21) também devem ser lembrados os trabalhos de Pedro e Joaquim Carlos em Santo Antônio do Amparo; de Ascânio Diniz em Carmo da Mata; dos Almeidas em Pedra Azul, todos no Estado de Minas Gerais.

Além de Monarca, diversos outros garanhões de outras raças também exerceram uma influência significativa na formação da raça Campolina: 

Raça Anglo-Normando - Ainda na época de Cassiano Campolina, foi utilizado o garanhão Menelike, proveniente da cocheira "Murax", no Rio de Janeiro. Entre os bons descendentes de Menelike foram relacionados Bonaparte, Oder I e Oder II (21). O Anglo-Normando é uma raça de grande porte e de linhas gerais leves e harmônicas. Mas a principal razão que teria levado Cassiano Campolina a introduzir sangue desta raça parece ter sido a obtenção de boas éguas "mulateiras", visto que já naquela época as parelhas de muares grandes e robustos alcançavam bons preços, principalmente no Rio de Janeiro (21).

Raça Clydesdale - Após a morte de Cassiano Campolina, o seu sucessor, cel. Joaquim Pacheco de Rezende, procurou melhorar o andamento da tropa C.C., já que a tendência do mercado era para andamentos macios (marcha picada). E foi com tal objetivo que adquiriu do cel. Gabriel de Andrade, da Fazenda Campo Grande, um garanhão de nome Golias, possuidor de 1/4 de sangue da raça Clydesdale. Esta raça foi formada na Escócia, sendo de tração, tendo como características principais o grande porte, ossatura forte, grande quantidade de pelos nos membros, bom temperamento, boa disposição para o trabalho, inteligência e com uma predominância de pelagem baia e castanha, com calçamentos e frente aberta. O próprio Golias era baio, de porte pronunciado, excelente marchador, tendo exercido uma influência marcante na formação da raça Campolina. Entre os seus filhos, destacaram-se: Otelo I, Tupy, Caruso, Otelo 11. E entre as fIlhas: Walkiria, Colônia, Wanda, todas elas mães de excelentes reprodutores.

Raça Holstein - Por volta do ano de 1908 os criadores José Ferreira Leite e Américo de Oliveira, da Fazenda Primavera, município de Passa Tempo, adquiriram do cel. Horácio Lemos um garanhão Holstein, de nome Treffer, importado por Herm-Stoltz & Cia. Esta é uma raça formada na Alemanha, com influência de sangue espanhol e inglês. Os animais apresentam trem posterior possante, ossatura forte, membros relativamente curtos, boa profundidade torácica, com predominância de pelagens preta, castanha e baia. A altura média é em torno de 1,54 m e as funções principais são o trabalho e o salto. Segundo o Sr. José Ferreira Leite, a introdução de Treffer em sua criação visava em linhas gerais a mesma meta de Cassiano Campolina ao introduzir o Anglo-Normandio. Tendo deixado vários descendentes, mais tarde Treffer teve influência nos rebanhos de Santo Antônio do Amparo e Oliveira. Seus descendentes mais conhecidos foram: Urano, Soberano, Aliado, Liberal, Roseira, Primavera, Rainha, Nuvem e Sonâmbula.

Raça American Saddle Horse - Contrário à orientação de seus vizinhos ao introduzirem animais pesados, o Dr. Donato de Andrade, irmão de Bolivar de Andrade, aconselhou o seu pai, cel. Gabriel de Andrade, a procurar animais mais leves e "bons de sela", preferindo a raça American Saddle Horse. Assim, no ano de 1909 foram adquiridos do Kentuchy, Estados Unidos, dois garanhões desta raça, de nome Yankee Prince e Golden Viscount. Principalmente o primeiro, teve uma grande influência no planteI da Fazenda Campo Grande onde deixou, entre outros, Florete, Herval e Florão. As principais contribuições do American Saddle Horse para a raça Campolina foram: elegância de andar, porte, refinamento de linhas corporais e andamento mais cômodo.

Raça Mangalarga Marchador - Enquanto novos núcleos de criadores de Campolina se formavam, os continuadores da obra de Cassiano Campolina se preocupavam com o tamanho um tanto avantajado que vinham adquirindo seus animais e o perfil excessivamente convexo de alguns reprodutores, resultado da influência de animais ocidentais usados, principalmente Menelike e Golias - e também do próprio Monarca, que tinha sangue Andaluz. Por tais razões, preferiram voltar um pouco ao sangue oriental através de Rio Verde, nessa época (1934), já famoso reprodutor Mangalarga Marchador, descendente de animais do Sul de Minas e de propriedade do cel. Gabriel de Andrade, da Fazenda Campo Grande (21). Entre outros, Rio Verde deixou o famoso garanhão Gás Rex, campeão nacional e pai de reprodutores bem conhecidos, como: Emblema, Radar, Primor e Cromo. A decisão de introduzir sangue Mangalarga Marchador foi tomada por Joaquim Rezende, fIlho do cel. Joaquim Pacheco Rezende, sucessor de Cassiano Campolina, principalmente após o fracasso da introdução de sangue P.S.I. e possivelmente de Oldemburguês. Todos os animais descendentes destas duas raças foram vendidos, não tendo exercido influência sobre a formação da raça Campolina.

É importante ressaltar que pelo menos nos últimos 50 anos, não se tem registros de introdução de sangue exótico em plantéis da raça. Os registros históricos mostram que os últimos cruzamentos foram com a raça Mangalarga Marchador, através de Rio Verde no ano de 1934. Posteriormente, os filhos de Rio Verde foram utilizados, e com grandes benefícios para a raça Campolina, principalmente nas características andamento e refinamento morfológico, particularmente no pescoço e cabeça. E atualmente, todas as infusões de sangue exótico mencionadas, mesmo a contribuição genética oriunda do Mangalarga Marchador, já estão bastante diluídas. E como prova deste fato incontestável, basta lembrarmos do alto nível qualitativo e da padronização da representação de animais presentes nas exposições nacionais especializadas da raça, realizadas anualmente pela Associação.

Em 1951 os criadores de Campolina fundaram em Belo Horizonte a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Campolina, quando foi elaborado o novo padrão da raça para efeito de Registro Genealógico. Este padrão foi amplamente atualizado em 1975, tendo em vista a evolução marcante que tem sofrido a raça Campolina.

No mercado atual, o cavalo Campolina tem uma grande aceitação. Enquanto que na criação do cavalo Mangalarga Marchador nos deparamos com um grande número de linhagens tradicionais, algumas das quais, oferecendo pouca contribuição para o melhoramento genético daquela raça, na atual criação de Campolina do país, praticamente pode-se  afirmar que apenas duas linhagens constituem a base dos rebanhos. Tal fato, sem dúvidas, facilita muito os trabalhos de seleção e melhoramento genético da raça, em decorrência da menor heterogeneidade dos representantes da raça. Outro fator importante para o rápido desenvolvimento desta raça no Brasil é que a criação, até pouco tempo atrás, encontrava-se concentrada em mãos de uns poucos criadores, de maiores recursos econômicos e de maior orientação técnica, que conseguiram conduzir um trabalho sério em seus criatórios. Hoje, com o grande movimento verificado na criação de cavalos Campolina, podemos notar com imensa satisfação que a representação da raça evoluiu aceleradamente, com rara consciência, tanto do ponto-de-vista morfológico como funcional.

Garboso, sóbrio, de andar rápido e excelente comodidade, o cavalo Campolina é hoje um animal bastante requisitado e indicado para as longas caminhadas e os trabalhos de campo nas fazendas. Tendo como características peculiares o andamento (marcha) e o magnífico porte, é uma raça muito apreciada para cruzamentos com jumentos para a obtenção de animais de serviço ou para cruzamentos orientados com raças exóticas (Exs.: Puro Sangue inglês e Anglo-Árabe) com a finalidade da obtenção de produtos aptos para provas eqüestres diversas.


3 - PIQUIRA

A raça Piquira foi formada através de cruzamentos dirigidos de éguas nacionais de porte pequeno com reprodutores pôneis da raça Shetland. Desde o início a seleção baseou-se em duas características fundamentais: o porte pequeno e o andamento marchado. Ainda é uma raça com uma larga variação genética, em decorrência da mestiçagem recente e do fato de várias éguas sem origem conhecida terem sido registradas, levando-se em consideração apenas a marcha e o porte dentro dos limites de altura estabelecidos pelo padrão racial. Entretanto, é importante ressaltar que já existem inúmeros animais de excelente e bem definida caracterização racial, completamente enquadrados no padrão racial.

Os criadores de Piquira estão filiados à Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo pônei, fundada no ano de 1970 e com sede em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais.

A principal utilidade do cavalo Piquira é para montaria de crianças, seja para o passeio e divertimento ou para os trabalhos de campo nas fazendas, os concursos de marcha ou as provas funcionais. O Piquira é um animal extremamente dócil, de temperamento calmo e bastante cômodo. O seu padrão racial estabelece o seguinteAs raças brasileiras começaram a ser formadas a partir da segunda metade do século IX. A primeira delas foi a raça Mangalarga ( conhecida popularmente como “Mangalarga Paulista” seguindo-se as raças Mangalarga Marchador ( conhecida popularmente como “Mangalarga Mineiro”), Campolina, Crioula, Piquira, Pantaneira, Marajoara, Campeira, Nordestina, Brasileiro de Hipismo. Um décimo agrupamento de equinos vem sendo constituído desde 1993, através do Serviço de Registro Genealógico da ABCCPAMPA – Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pampa. Mas não se pode considerar como raça, tendo em vista que pampa define pelagem, sendo comum em várias raças, como nas próprias raças Mangalarga, Mangalarga Marchador, Campolina, Piquira, como exemplos. A morfologia e o andamento, apesar de serem orientados por um Padrão Racial, são de padronização quase que impossível, pois são registrados animais oriundos de quase uma dezena de raças, além dos animais sem origem conhecida. 

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Existem centenas de raças de cavalos, mas 20 das mais conhecidas e diversas incluem   o Árabe, Puro-Sangue Inglês, Lusitano, Andaluz, Crioulo, Mangalarga Marchador, Quarto de Milha, Appaloosa, FrísioShire, Percheron, Bretão, Haflinger, Clydesdale, Mustang, Paint Horse, Campolina, Holsteiner, Pampa, e Akhal-Teke, abrangendo desde os ágeis de sela até os robustos de tração e as raças brasileiras icônicas.

Raças Internacionais Populares:

  1. Árabe: Origem na Península Arábica, conhecido pela resistência e beleza. 

  2. Puro-Sangue Inglês: Famoso por corridas, atlético e de temperamento "quente". 

  3. Lusitano: Raça nobre de Portugal, versátil em equitação clássica e touradas. 

  4. Andaluz (Pura Raça Espanhola): Elegante, nobre, similar ao Lusitano, da Espanha. 

  5. Appaloosa: Conhecido pela pelagem pintada, desenvolvido por tribos nativas dos EUA. 

  6. Frísio (Friesian): Cavalo preto majestoso da Holanda, com crina e cauda longas. 

  7. Shire: Uma das maiores raças do mundo, da Inglaterra, para tração pesada. 

  8. Percheron: Cavalo de tração francês, grande, forte e dócil. 

  9. Mustang: Cavalo selvagem da América do Norte, descendente de cavalos espanhóis. 

  10. Paint Horse: Cavalo americano com pelagens malhadas (pinto), versátil. 

  11. Haflinger: Da Áustria, pelagem dourada e movimentos ágeis. 

  12. Clydesdale: Cavalo de tração escocês, famoso pelas "meias" brancas nas patas. 

  13. Akhal-Teke: Da Ásia Central, conhecido pelo brilho metálico da pelagem ("cavalo de ouro"). 

  14. Gypsy Vanner: Cigano britânico, com pelagem malhada e patas peludas (franjas). 

  15. Knabstrupper: Cavalo dinamarquês com pelagem manchada, semelhante ao Appaloosa. 

Raças Brasileiras Notáveis:

  1. Crioulo: Do Sul do Brasil, rústico e resistente, muito usado em provas de laço. 

  2. Mangalarga Marchador: De Minas Gerais, famoso pela marcha confortável (marcha picada). 

  3. Campolina: De Minas Gerais, conhecido pela marcha campolina e porte elegante. 

  4. Pampa: Com pelagem malhada (pampa), de origem brasileira, versátil. 

  5. Brasileiro de Hipismo (BH): Raça nacional desenvolvida para salto e adestrament


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17 de jun. de 2017

ciclo estral da égua



O ciclo estral da égua, ou simplesmente cio, é o período correspondente ao intervalo entre uma ovulação e a ovulação subsequente. O conhecimento e a manipulação da duração do ciclo estral equino e suas fases têm-se tornado muito importante com a crescente utilização de técnicas de inseminação artificial e transferências de embriões na espécie. A quantidade limitada de sêmen congelado e o alto custo no transporte de sêmen refrigerado de garanhões tornam necessária uma diminuição do número de inseminações por ciclo para não inviabilizar economicamente a técnica. Para tanto, tem-se procurado conhecer melhor a duração dos componentes do ciclo estral, bem como o momento exato da ovulação e o momento ideal de se realizar a inseminação. Apesar de poliéstrica, anual ou estacional, muitas éguas em função da latitude exibem atividades ovarianas máximas durante o período de primavera-verão. Nos meses de inverno, essa atividade é bem reduzida e é conhecida como anestro sazonal. Entre os meses de ciclicidade e os meses de anestro existe um período conhecido como período de transição no qual a é apresenta atividade ovariana, porém essa não é eficiente no sentido de haver ovulação. Isso ocorre novamente entre o período de anestro e o período de ciclicidade. O fator determinante deste comportamento de variação é a duração do período de luz/dia, ou fotoperíodo, mas outros fatores como nutrição, temperatura e estado sanitário podem alterar os padrões de ciclo estral. O ciclo estral normal na égua é de um ou dois dias maior que na vaca (22 ± 3 dias), sendo que o período de estro é o fator mais variável e responsável pelas grandes alterações na duração do ciclo estral, uma vez que o diestro é mais ou menos constante entre os animais da espécie.

O estro na égua é marcado por um período de receptividade sexual bem característico, mas em algumas éguas só é perceptível por meio do acompanhamento folicular por exame ultrassonográfico, uma vez que as manifestações psíquicas não são demonstradas (cio silencioso). Essa manifestação é muito comum no período conhecido como “cio do potro”, que ocorre entre 5° e o 15° dia pós-parto.


Diestro


Na égua, o padrão de desenvolvimento folicular é menos definido que na vaca, e esse pode determinar não só uma longa duração no período de estro, como também uma elevada incidência de ovulações múltiplas, mais comuns em animais de raças de salto e da raça Árabe.A maioria das ovulações ocorre de 24 a 48 horas antes do final do estro. Essa relação do momento de ovulação com o final do estro dificulta sua determinação exata, prejudicando muitas vezes a utilização de programas que envolvam sincronização de cio, como no caso da utilização de inseminação artificial, da transferência de embriões e até da IATF. Com esse índice de variação do ciclo estral tão alto entre as espécies e até mesmo entre indivíduos, faz-se necessário um estudo prévio do histórico reprodutivo de cada égua já que suas características tendem a se repetir de um ciclo a outro e de uma estação a outra. Fazendo isso, conseguiremos um maior número de animais nascidos numa estação de monta, uma economia em envio e utilização de sêmen congelado, lotes de nascimentos mais homogêneos e com indivíduos mais prontos para as competições de potros, tão exigentes nos dias de hoje. Assim se faz um campeão.

Visão geral criada por IA

O ciclo estral da égua 

é poliéstrico estacional de dias longos, ocorrendo geralmente de março a setembro no hemisfério norte (primavera/verão), durando em média 21 a 22 dias. Divide-se em estro (cio, 3-7 dias), com receptividade ao garanhão e ovulação, e diestro (14-17 dias), com predomínio de progesterona e rejeição ao macho. 

Principais Características e Fases:

  • Sazonalidade (Dias Longos): A luz solar estimula o início da atividade ovariana, sendo as éguas mais férteis na primavera e verão.

  • Estro (Cio): Fase de aceitação, onde há folículo dominante e altos níveis de estrogênio. Dura de 3 a 7 dias, podendo variar de 2 a 12 dias.

  • Ovulação:

Anestro: Período de inatividade ovariana no inverno, devido aos dias curtos. 


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15 de jun. de 2017

Período de Reprodução nos Equinos



Capítulo 2
Manejo e comportamento Reprodutivo da Fêmea

A fêmea Inicia a sua atividade sexual, Isto é, manifesta estro (cio>, antes dos 24 meses de Idade.
A Idade à puberdade é um Indicativo da precocidade dos animais e depende, entre muitos fatores, da raça e da alimentação. Potras criadas com restrição alimentar de energia, proteína, minerais e vitaminas, têm seu crescimento retardado e mostram o primeiro estro depois de aproximadamente
6 a 12 meses da média da raça. A Idade da fêmea à puberdade, primeira exteriorização do estro e ovulação se dá aos 14 a 18 meses em média. Entretanto, a vida reprodutiva em nossas condições de
criação começa efetivamente ao redor de 36 meses, quando já se possui equilíbrio hormonal e desenvolvimento físico suficientes para levar a termo a gestação. A taxa de prenhez em potras colocadas em reprodução aos 36 meses e manejadas em pastagem de Coast-cross (Cynodon
dactylon> tem alcançado 89,0%.
A fêmea equina é um animai poliéstrico-estacional, Isto é, apresenta certa Inatividade ovariana no período de pouca luminosidade no Inverno. A atividade ovariana é mais Intensa nas estacões da primavera e do verão (outubro a fevereiro>, conseqüentemente o maior índice de fertilidade ocorre neste período. Entretanto, nas regiões próximas ao equador, a fêmea apresenta-se como poliéstrlca contínua, com cicios estrais durante o ano todo. Isto se explica pela duração do período de luz o ano todo, que age por melo do controle de liberação dos hormônios FSH e lH provocando a atividade ou Inatividade ovariana.
A eficiência reprodutiva está, portanto, entre outros fatores, ligada diretamente à luminosidade, nutrição e temperatura. A disponibilidade alimentar afeta a atividade sexual, e a luminosidade, juntamente com a temperatura, provoca, devido ao maior desequilíbrio nos níveis hormonais, maior ou menor funcionalidade ovariana, desde o anestro até a clcllcldade dos estros.
No período do ano de transição de inverno para a primavera, a fêmea desloca-se progressivamente de um período de inatividade para um período de atividade ovariana, e pode apresentar estros prolongados ou irregulares antes de ocorrer a ovulação.
A época escolhida para a reprodução está na dependência da região, da conveniência do criador, da mão-de-obra, leilões, disponibilidade de pastagens e, sobretudo, da atividade sexual da fêmea. Normalmente, a manifestação natural do estro tem Início em setembro e outubro, quando melhoram as pastagens e o fotoperíodo é mais longo.
Na nossa criação, o período reprodutivo tem início em julho e se estende até dezembro. Em julho, as fêmeas são colocadas solteiras em um programa de luz artificial, que proporciona um adiantamento na manifestação do estro ovulatório. Este manejo reduz a milo-de-obra, diminui o intervalo entre as estações de monta, concentra as parições, facilita o manejo do recém-nascido e seu desenvolvimento, e permite, ainda, que a desmama ocorra no período de adequada disponibilidade e qualidade das pastagens.

A égua, para atrair o macho, urina levantando seu rabo e deixando a mostra a vulva. O macho que se interessar, normalmente é o garanhão, aproxima-se com a cabeça erguida, cauda e orelhas para trás cutuca, belisca e empurra a fêmea. Para que ele possa determinar a maturidade sexual dela ele fareja a urina que foi expelida por ela. Esse comportamento estimula a secreção das éguas e a ereção no macho. Se ambos se sentem satisfeitos, ele monta e a cópula ocorre.
Com 18 meses aproximadamente eles já atingem a maturidade sexual, mas o ideal é que machos e fêmeas esperem até atingir os 36 meses para iniciar a reprodução. O cio dura em média 11 dias, não sendo recomendado cobrir a água no início do mesmo. A ovulação se dá apenas de 24 a 46 horas antes do término do cio, o ideal é cobrir a fêmea a cada 2 dias, e de outubro a dezembro é o melhor período para realizar a monta.
A gestação da fêmea demora 11 meses e quando nasce com no máximo 2 horas o potrinho já ficará de pé e até mesmo andar. Eles nascem sem dentes, com até 9 meses eles devem ter aparecido todos os dentes de leite e com até 6 anos todos os dentes de leite já se tornam permanentes. O tamanho das pernas no nascimento é pouca coisa menor do tamanho que ficarão quando ele se tornar adulto.






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11 de jun. de 2017

Mecanismo Biológico da Reprodução de Equinos



A atividade sexual nos equinos é iniciada e mantida por diferentes fatores, como hormonais, nutricionais e genéticos, podendo, ser caracterizada por fenômenos como: puberdade, ciclo estral. ovulação, gestação, parto e lactação nas fêmeas, e a produção de espermatozoides, capacidade de cobrir e fecundar nos machos.
A produção de células germinativas, tanto na fêmea como no macho, se dá por meio de mecanismos Que ocorrem inicialmente no complexo hipófise-glândula pituitária, onde, sob a influência de fatores estimulantes ou inibidores como alimentação, calor, luz, trauma físico, dor e presença do macho, há secreção do hormônio liberador de gonadotrofina IGnRHl, o Qual provoca a liberação dos hormônios folículo estimulante IFSHl e luteinizante ILHl, Que atuam diretamente nos ovários e testículos. o hormõnio FSH, nas fêmeas, é responsável pelo crescimento dos folículos ovarianos, e nos machos pelo estabelecimento da diferenciação dos espermatozoides nos túbulos seminíferos dos testículos.
O hormônio LH, nas fêmeas, proporciona a maturação final do folículo pré-ovulatório, a indução da ovulação, e o início da formação dos corpos lúteos primário e secundário. Os corpos lúteos produzem progesterona até o 14º ao 15º dia pós-ovulação. com pico no 6º dia. NOS machos. o hormônio LH induz a síntese de andrógenos Itestosterona e deidrotestosteronal pelas células de Leydig, estimulando a espermatogênese, formação de espermatozoides, pelas células de Sertoli.
Após a cobertura ou inseminação, os espermatozoides são transportados, útero, até a junção útero-tubárica-istmo, onde se potencializam para encontrar o ovócito, realizar a fusão, finalizando com a fecundação e a formação do zigoto. NO início da gestação, o zigoto entra no útero e é envolvido por uma cápsula de função imunoprotetora, antiluteínica, e após 20 a 21 dias, inicia-se o processo de estabelecimento da Placentação alanto-coriônica.
O mecanismo biológico da reprodução de equinos está esquematizado na Figura 1.