17 de set. de 2017

Criação de Minhocas (minhocultura)



As minhocas desempenham papel importante no setor agrícola, por causa da elevada capacidade de produção de húmus, principal fonte regeneradora do solo, e por sua interferência física com a grande quantidade de terra movimentada em seus deslocamentos. 

A minhocultura tem desempenhado um papel muito importante para todo o setor agrícola. No Brasil, começou a despertar o interesse dos agricultores a partir da década de 80, por causa do baixo custo de produção e fácil integração com outras atividades rurais. De lá para cá, principalmente devido aos novos nichos de mercado em torno do setor agropecuário, a criação de minhocas volta ao cenário como um bom negócio, para quem mantém um minhocário tanto no campo quanto na cidade.

“Na agricultura, não só por sua grande capacidade de produção de húmus, principal fonte regeneradora do solo, as minhocas também se destacam pela sua interferência física com a grande quantidade de terra movimentada em seus deslocamentos. A minhoca é um verdadeiro arado vivo”, explica o técnico em Agropecuária e educador ambiental Claudio da Silva Teixeira, instrutor do curso de extensão (livre) “Minhocultura”, ministrado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), na Escola Wencesláo Bello. A unidade funciona no bairro da Penha, Rio de Janeiro.

Segundo Teixeira, na pecuária é estabelecida uma relação muito interessante com as demais criações já que, para sua alimentação, “podemos utilizar os estercos dos animais, gerando não só os adubos naturais citados, mas também a produção de uma rica fonte proteica”. “A carne da minhoca, por exemplo, apresenta cerca de 70% de proteína bruta”, comenta o  instrutor.

O crescimento da minhocultura no Brasil, na visão do educador ambiental, está ligado diretamente ao crescimento da agricultura orgânica. “Não podemos falar em uma forma sustentável de agricultura sem a preocupação com a redução de perdas de nutrientes e de outros elementos essenciais para a conservação do solo, principal responsável pela produção de alimentos e sobrevivência de toda a humanidade.”

ÍNDICES ZOOTÉCNICOS

Para explicar melhor a importância das minhocas para o setor agropecuário, o educador ambiental cita os principais índices zootécnicos das minhocas:

Longevidade: dependendo da espécie pode atingir uma vida útil de até 20 anos; em média; elas vivem quatro anos;
Reprodutivo: por ser um animal hermafrodita, apresenta os dois aparelhos reprodutivos em um mesmo indivíduo, conseguindo a procriação pela fecundação cruzada, pela qual, durante o acasalamento, um animal deposita o sêmen no receptáculo seminal do outro e os dois são fecundados com capacidade de gerar novos indivíduos. Uma minhoca pode gerar em torno de 1,5 mil descendentes por ano;
Produção de húmus: uma minhoca pode ingerir por dia o equivalente ao seu peso e dejetar, na forma de húmus, 70% do material ingerido. Uma minhoca pode ser comparada a uma “micro usina viva de transformação (beneficiamento)”.
Teixeira conta ainda que as minhocas se alimentam não só de esterco, mas de toda matéria orgânica decomposta ou em estado de decomposição: “Por isto, elas vêm sendo utilizadas, com muito sucesso, no tratamento dos resíduos sólidos orgânicos oriundos das atividades agrícolas e urbanas, por meio de técnicas de compostagem e da vermicompostagem”.

FACILIDADE DE CRIAÇÃO

O instrutor da EWB/SNA comenta que a minhocultura pode ser considerada uma atividade de fácil condução, quando comparada a outras atividades zootécnicas. “No Brasil, mesmo com a diversidade climática das regiões, o clima não é um fator limitante. Prova disto é que a atividade é desenvolvida com êxito do Norte ao Sul do País. O que vai diferenciar (entre o sucesso e o fracasso da produção) é o manejo, a forma como a criação vai ser conduzida.”

Outro diferencial, conforme Teixeira, poder ser determinado pelo objetivo da criação. “Quando é destinada para a produção de minhocas (vermicultura), visamos atender ao máximo às necessidades essenciais da espécie, para atingir um melhor índice reprodutivo. Quando objetivamos a produção de húmus (vermicompostagem), criamos as condições básicas para que as minhocas permaneçam nos criatórios e transformem os restos orgânicos tratados em húmus de minhoca.” 

IMPLANTAÇÃO

O instrutor da EWB/SNA informa que o custo de implantação de um minhocário está ligado diretamente à sua capacidade de produção e ao objetivo da criação (comercial ou doméstica). “Para fins comerciais, utilizamos como modelo uma unidade de produção que desenvolvi, para ser replicada em pequenas propriedades rurais do município de Magé (RJ).”

Nesta região, ele atua como extensionista rural, por meio da Emater-RJ (Empresa de Assistência Técnica Rural do Estado do Rio de Janeiro): “Com baixo custo e de fácil montagem, esta unidade pode ser adequada conforme a necessidade de produção.”

Teixeira comenta também que “não podemos desconsiderar o interesse que a minhocultura vem despertando para a criação doméstica”. “Graças ao incentivo da agricultura urbana, a criação de minhocas em pequenos espaços ganha, a cada dia, novos adeptos. O uso de caixas plásticas, como instalações, permite inclusive o reaproveitamento de embalagens.”

VIABILIDADE

O que determina a viabilidade da construção de um minhocário, diz o instrutor da EWB/SNA, é a disponibilidade de matérias orgânicas de origem animal e/ou vegetal que, mesmo encontradas em grandes quantidades, tanto nas áreas rurais como nas urbanas, são descartadas de forma inadequada pela falta de uma coleta seletiva, o que inviabiliza sua utilização.

“As instalações permitem a utilização de canteiros feitos em alvenaria, placas de cimento armado, madeira, bambu, caixas plásticas, entre outros.  As ferramentas, basicamente, são as mesmas utilizadas em outras atividades agrícolas. Só devemos restringir o uso, no interior dos canteiros, de ferramentas com partes cortantes, para evitar machucar as minhocas.”

A utilização de alguns equipamentos podem facilitar a vida do minhocultor, como termômetros, medidores de umidade e medidores de pH. “Trituradores de resíduos orgânicos aceleram o processo de tratamento dos resíduos orgânicos.  E o mais importante: o futuro minhocultor deve ter vocação para desenvolver uma atividade agrícola, que demandará tempo e dedicação do interessado.”

HÚMUS

O húmus é o resultado do processo de decomposição da matéria orgânica, que ocorre naturalmente, gerando um rico fertilizante. Teixeira explica que, no processo de decomposição, são consideradas algumas etapas muito importantes. A primeira delas é quando o material passa por uma ação de micro-organismos (química e biológica), caracterizada pela presença de fermentação. Nesta fase, quando está estabilizada, cria-se um ambiente propício para a atuação de uma série de macro-organismos (gongolos, formigas, tesourinha, tatuzinho, minhocas, etc.), que participarão do processo final de humificação.

“Destacamos neste processo o trabalho das minhocas, maiores e melhores produtoras biológicas de húmus. Podemos entender, então, o grande interesse na criação em cativeiro destes animais”, analisa Teixeira.

Para a implantação do minhocário, é necessário ter material orgânico tratado (animal ou vegetal), ou seja, com o processo fermentativo inicial estabilizado, as instalações devem permitir o controle da umidade (de 50 a 70%), temperatura (de 18 a 30° C) e do acesso de possíveis predadores (formigas, lacraias, sanguessugas, pássaros em geral).

“O húmus produzido será utilizado na manutenção da fertilidade dos solos e regeneração dos solos degradados. As minhocas serão usadas na alimentação de outros animais, in natura ou na forma de pasta ou farinha geralmente adicionada as rações”, relata o educador ambiental.

COMERCIALIZAÇÃO

O húmus pode ser comercializado a granel, em grandes quantidades destinadas à agricultura em geral e/ou ensacado, em pequenas quantidades geralmente destinadas a jardinagem e paisagismo.

“As minhocas despertam o interesse de um mercado muito interessante, que vai desde os criadores de pequenos animais, como pássaros e peixes ornamentais e até mesmo os criadores de grandes animais para enriquecimento das rações balanceadas. Outro filão é o da pesca recreativa, pesque-pagues e grupos de pesca formam um grupo de interesse em pleno crescimento. As minhocas também podem ser comercializadas como matrizes para futuros criadores

minhocultura, ou seja, o cultivo de minhocas em cativeiro, é uma atividade zootécnica que tem como processo básico a vermicompostagem. Esse processo consiste na transformação dos resíduos orgânicos em uma forma mais estabilizada da matéria orgânica, resultante da ação das mesmas e da microflora que vive em seu trato digestivo, produzindo húmus, que é a sua excreção. Nesse processo, ocorre também o aumento da população dos espécimes, então, fica evidente que na criação obtemos dois produtos finais, as minhocas e o húmus. 

As minhocas podem ser utilizadas na alimentação animal tanto in natura como na forma de farinha, que também vem sendo estudada e viabilizada na alimentação humana. Aproximadamente, 75% da matéria seca das minhocas é composta por proteínas. Outra finalidade é o seu uso como iscas para pesca e como matrizes para quem pretende iniciar uma criação. 

O húmus é um rico adubo orgânico que pode ser utilizado  em todas as culturas. Viveiristas, paisagistas e floricultores fazem seu uso com  frequência e são potenciais consumidores. Além disso, pode ser utilizado na fruticultura, cultivo de grãos, agricultura orgânica, dentre outros.  

Basicamente são três as características necessárias às minhocas para que sejam criadas comercialmente: devem se adaptar ao cativeiro; devem se alimentar de material orgânico em decomposição e precisam ser bastante prolíferas, reproduzindo-se em grande quantidade. As espécies mais comercializadas são a Eisenia foetida e Lumbricus rubellus, conhecidas como “Vermelha da califórnia” e Eudrilus eugeniae conhecida como “Gigante africana”. O interesse comercial por essas espécies se deve ao fato de elas viverem em altas concentrações de resíduos orgânicos, além de apresentarem uma altíssima taxa de reprodução, adaptando-se facilmente nos canteiros.

Criar minhocas é relativamente simples e, dependendo da finalidade a que se destina, não exige grandes investimentos. É possível a criação em pequenas caixas e até mesmo em latões cortados ao meio. O importante é acondicioná-las satisfatoriamente. O alimento é também o local onde vivem, dessa maneira, o substrato deve atender a requisitos que satisfaçam às exigências no que diz respeito ao ambiente e à nutrição. 

Os materiais utilizados para produção do substrato, o vermicomposto,  podem ser de diversas origens: agrícola, domiciliar ou industrial, desde que ricos em matéria orgânica, tais como esterco; palhas; lixo doméstico orgânico; lodo de esgoto; restos de culturas, dentre outros. A questão está em como fornecer esses substratos. É necessário que toda matéria-prima utilizada na preparação do mesmo passe por um processo de fermentação ou compostagem adequado


Minhoca  (Como criar)

Criação do bicho pode ser rentável até em pequenas áreas. O húmus produzido é muito usado por floricultores, jardineiros e paisagistas 
Se não fossem tão benéficas à natureza, as minhocas certamente seriam consideradas pragas. A cada dois meses, elas têm a população duplicada, um vantajoso atributo para os criadores desses anelídeos. Mas os predicados não param por aí: as minhocas melhoram a qualidade do solo, servem de alimentação para outros animais e têm boa demanda no mercado.
Miúdas e longas, as minhocas penetram na terra e, com seus movimentos, revolvem, arejam e descompactam o terreno, o que evita encharcamentos e diminui a ocorrência de erosões.
Ao mesmo tempo, em seu processo digestivo, eliminam restos em decomposição e "limpam" a terra, devolvendo ao meio ambiente um adubo natural. Trata-se do húmus, matéria orgânica rica em nutrientes, com muito nitrogênio, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e extensa flora bacteriana, ótimo para o desenvolvimento de hortaliças em geral e fruteiras, entre outras culturas. O produto tem lugar garantido entre floricultores, horticultores, jardineiros e paisagistas.
Minhocário: acima do nível do solo e em área plana, mas inclinado para evitar acúmulo de água
Ricas em proteínas, as minhocas são uma boa opção de alimento para animais. É um dos pratos prediletos de criações de aves, rãs e peixes. Servem ainda para a fabricação de farinha e podem ser usadas como isca viva na pesca esportiva. Outro papel importante das minhocas é na eliminação de lixo orgânico. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem condomínios que adotam o uso de minhocários em áreas comuns para o aproveitamento de resíduos orgânicos descartados.
Os diversificados canais de venda fazem da minhocultura um meio de o criador incrementar a renda no fim do mês. A necessidade de pouco investimento inicial e os baixos custos com manutenção da infra-estrutura também contribuem para a conquista de um negócio rentável. A atividade não exige mão-de-obra especializada nem tratamento veterinário.
As minhocas não possuem olhos, dentes ou ossos, mas têm capacidade de regenerar uma nova cauda. Pelo mundo são encontradas milhares de espécies. Aqui, são nativas a minhoca brava (Pheretyma hawayana), a mansa (Lumbricus terrestris) e o minhocuçu (Rhinodrilus alatus). Entre as estrangeiras, as populares são vermelha-da-califórnia ou vermelha-híbrida (Eisenia phoetida), gigante africana (Eudrilus eugeniae) e também a européia (Lumbricus rubelus).

Como Criar
Criação mínima: quatro litros de minhocas
Custo: 100 reais (para criação mínima)
Investimento inicial: Mil reais
Retorno: um ano e seis meses
Reprodução: criação pode dobrar a cada 60 dias

Mãos à obra
Início - comece com poucas minhocas. Coloque quatro litros em um canteiro de dois metros quadrados. Os minhocultores brasileiros preferem a vermelha-da-califórnia para a produção de húmus, pois é produtiva e fácil de lidar.
Expansão - para produções maiores, opte por um canteiro de 20 x 1 metro, com 30 centímetros de profundidade. Deposite seis metros cúbicos de esterco curtido. Se bem conduzida, a atividade pode alcançar em dois meses quatro toneladas de húmus, o equivalente a 100 sacos de 40 quilos.
Ambiente - o minhocário deve ser mantido limpo, o que evita a aproximação de predadores. Palha seca por cima inibe a ação de passarinhos. Livre-se de grama ao redor do canteiro, para não haver contaminação com sementes. Não deixe exceder o número de minhocas no local, pois elas não gostam de variações de umidade e temperatura, tampouco de locais muito quentes.
Estrutura - instale o minhocário acima do nível do solo e em área plana, mas com leve inclinação para evitar o acúmulo de água. Feitas de alvenaria ou madeira, as paredes devem contar com drenos para escoar o excesso de umidade. Proteja o local da chuva com telas plásticas apoiadas em suportes de arame, bambu ou madeira.
Alimentação - as minhocas se alimentam de esterco e restos vegetais, como gramas, frutas, folhas secas, papéis e matérias orgânicas em decomposição. Junte tudo para fazer uma compostagem. Faça um monte de 1,5 metro de altura, em local seco e arejado. Deixe descansar por uma semana e revire o material para aumentar o arejamento. Repita o procedimento, mas apenas com uma virada, até que o resfriamento da compostagem. Leve a massa para o canteiro somente quando, ao apertar um punhado, ela não pingar água.
Reprodução - apesar de possuírem os dois sexos, as minhocas não se auto-fecundam. É necessário o acasalamento com outra minhoca, o que pode ocorrer o ano todo. Fecundados e no interior de um casulo, os óvulos são expelidos na terra. Em cerca de 21 dias eles eclodem, e cada um origina algumas minhoquinhas.
Coleta - o método de armadilhas é uma das técnicas para se recolher o húmus produzido. Encha sacos de aniagem com esterco curtido e úmido, estendendo-os sobre o canteiro para atrair as minhocas. Após capturar a maior parte delas, transfira-as para um outro canteiro já preparado com esterco.




13 de set. de 2017

ALIMENTAÇÃO DAS AVES (Galinhas Caipiras)



7 - ALIMENTAÇÃO DAS AVES
O sucesso financeiro em uma criação de galinhas caipiras depende, em boa parte, da qualidade da ração e do custo com a produção da mesma. O maior custo em um projeto de criação de galinhas é com a alimentação das aves (75%) em média. Por isso, o produtor tem que procurar soluções de reduzir os custos sem que a qualidade nutricional da ração seja diminuída.
Um programa de alimentação deve atender as necessidades nutricionais das aves em suas diversas fases da vida. Por isso, se faz necessário o conhecimento da demanda nutricional dessas aves para que o produtor possa oferecer essa ração na quantidade e com os nutrientes certos para que as galinhas caipiras tenham um ganho de peso e produção de ovos dentro do padrão racial de cada ave.
Para baixar os custos com a ração para as aves, o produtor pode formular a ração em sua propriedade usando os ingredientes que podem ser encontrados na sua região.
A ração balanceada garante às aves os nutrientes necessários para alcançarem o peso ideal, produzir ovos sem deficiência de minerais e com as características ideais para a incubação. No entanto, o fornecimento de alimentos alternativos na dieta das aves é que vai complementar os nutrientes fornecidos na ração balanceada, além disso, é com essa alimentação que as galinhas adquirem o sabor característico das aves criadas soltas nos terreiros e esse é o diferencial entre esse tipo de galinhas e o frango industrial.
Elaborar um cardápio com capins, gramíneas, sobras de frutas, legumes ou verduras que não são comercializadas, também podem fazer a diferença quando se trata de baixar custos com a alimentação das aves.
As aves podem ser soltas em piquetes a partir 28° dia e com isso começar a se alimentar com matéria verde de boa qualidade nutricional. Os piquetes devem ser formados por leguminosas e gramíneas que tenha brotos novos e tenros, alto teor de proteína, boa digestibilidade. As matérias verdes mais usados em piquetes são as seguintes: capim napier, capim quicuio, capim tiffiton, capim coast-cross, grama estrela africana, rami, assa peixe, confrei entre outros. Outros alimentos alternativos como a mandioca, feijão guandu, batata doce, tronco e folhas de bananeira, cunhã, leucena e sorgo também podem ser oferecidos como alimentação para as galinhas caipiras.
Dentro dos piquetes o avicultor deve plantar algumas arvores para fazer sombra para as aves, essa prática é de suma importância dentro de um projeto de criação de galinhas caipiras no sistema semi-intensivo e extensivo.
Se possível, é interessante manter um sistema de rotação de piquetes, para garantir períodos de aproximadamente 30 dias de descanso para o brotamento da vegetação e a recuperação do pasto, causada pelo pisoteio das aves.
O fornecimento de alimentação verde para as aves garantem uma maior pigmentação da carne e ovos da galinha caipira, além de contribuir com o sabor inconfundível desse tipo de ave.
7.1 – Ingredientes da Ração Balanceada
A aquisição de ingredientes para a formulação da ração balanceada permite ao produtor incluir os grãos que possam ser encontrados na sua própria região com mais facilidade.
Os insumos que representa a base da ração são os seguintes: milho triturado, farelo de trigo, farelo de soja. Os outros ingredientes podem e devem ser complementados pelos grãos da região.
A ração balanceada pode ser comprada ou elaborada pelo avicultor. É comum encontrar no mercado local as rações prontas desenvolvidas para as necessidades nutricionais das aves e destinadas às aptidões das mesmas (corte ou postura)
Para elaborar a ração na propriedade o avicultor deve usar aos ingredientes que garantam as necessidades nutricionais das aves. Que são as seguintes: Fontes de Proteínas: Todas as necessidades de proteínas das aves devem ser atendidas usando alimentos vegetais. Para isso, o produtor pode usar os seguintes alimentos: farelo de amendoim, farelo de girassol, farelo de soja, farelo de canola, farelo de algodão, farelo de glutem, entre outros. Fonte de Energia: mandioca seca, milho triturado, sorgo, quirera de arroz, farelo de trigo, óleo de soja, triguilho, etc. Fonte de Minerais: sal comum, fosfato bicálcico e calcário calcítico. Fonte de Micronutrientes: é uma mistura de algumas vitaminas e minerais. (No mercado agropecuário existe um produto que é muito usado para suprir essa necessidade, conhecido como premix).
7.2 – Armazenamento
Para conservar a qualidade nutricional das rações, o produtor deve manter um lugar especifico para essa finalidade. O deposito deve ser um lugar arejado, sem umidade e que não receba incidência direta do sol. Dessa forma, é possível ter um melhor aproveitamento dos ingredientes que compõe a ração.
O produtor deve manter o lugar sem a presença de animais domésticos, pássaros, insetos e fazer um controle permanente contra ratos. Esses animais podem levar doenças que serão transmitidas através da alimentação das aves.
7.3 – Alimentação de Galos/Matrizes
Estudos tem mostrado que uma dieta diferenciada para machos reprodutores com níveis de proteína em torno de 12% tem mantido o nível de sêmem em um patamar satisfatório, aumentando a eclodibilidade dos ovos e reduzido o custo com a produção da ração oferecida às aves durante o período de reprodução.
No Brasil, os produtores de galinhas caipiras não adotam práticas de ração diferenciada para galos reprodutores e as razões pelas quais isso não é praticado está relacionado com a falta de informação sobre o tema, dificuldades no manejo alimentar, incertezas de funcionalidade da ração, além da dificuldade e possibilidade de erro no processo de formulação da mesma.
Assim como na dieta dos galos, as galinhas também merecem atenção especial, pois uma alimentação balanceada contribui e muito com a produção de ovos de boa qualidade para a incubação.
Sabe-se que uma dieta com 16% de proteína e 2.800 kcal e as vitaminas e minerais nos níveis corretos mantém a ave em perfeitas condições nutricionais para uma boa manutenção do seu desenvolvimento físico.
A base de um projeto de criação de galinhas caipiras é exatamente o plantel de reprodução e o produtor deve aplicar todas as técnicas de manejo para manter e maximizar a produtividade e o bem estar das aves.
Visão geral criada por IA
A alimentação de galinhas caipiras deve ser balanceada, combinando ração (nutrientes essenciais) com pastejo em piquetes (folhagens, insetos). A base inclui energia (milho, sorgo) e proteína (soja, leucena, guandu). Para poedeiras, o cálcio é vital, enquanto a engorda beneficia-se de papas. Ofereça ração 2x ao dia ou à vontade.
Principais Componentes da Dieta:
  • Energia: Milho moído ou quebrado, sorgo.
  • Proteína: Farelo de soja, leveduras, e forrageiras ricas como leucena e guandu.
  • Volumoso (Verdes): Capim, folhas de mandioca (secas/fenadas), moringa, hortaliças (couve).
  • Cálcio/Minerais: Calcário calcítico, casca de ovo moída, farinha de ostras (essencial para casca do ovo)
  • Dicas de Manejo Alimentar:
    • Piquetes: Permita o pastejo para acesso a insetos, minhocas e gramíneas, melhorando a saúde e a cor da gema.
    • Ração Balanceada: Use ração de postura para poedeiras e de crescimento para pintos, garantindo 70% da dieta.
    • Restos de Alimentos: Pode-se fornecer restos de cozinha (sem excesso de sal ou gordura), folhas de cenoura e rabanete.
    • Água: Deve ser fresca e limpa, sempre disponível.
    • Evitar desperdício: Ajuste a altura dos comedouros e bebedouros à altura do dorso das aves.
    • Pontos de Atenção:
      • Folhas muito fibrosas (lignificadas) têm baixo valor nutricional; prefira folhas tenras ou pique-as.
      • O uso de farinha de leucena ou mandioca deve ser limitado (10% a 20% da dieta).

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6 de set. de 2017

SISTEMA DE PRODUÇÃO DE GALINHA CAIPIRA


SISTEMA DE PRODUÇÃO
Definir um sistema que seja adequado para a propriedade é fundamental para o processo de criação de aves.
Com base no sistema escolhido o avicultor vai projetar os espaços necessários para o manejo adequado de sua criação.
A ocupação dos galpões deve ser de no máximo 10 aves por metro quadrado de área e os piquetes de 4 a 5 metros de área para cada ave.
Para manter um bom programa de biosseguridade o avicultor deve obedecer o sistema de criação onde todas aves alojadas tenham a mesma idade, essa pratica é conhecida popularmente como “todos dentro todos fora”. Assim, é possível fazer uma limpeza e higienização de forma mais efetiva e que combinada com o vazio sanitário possa eliminar boa parte das bactérias do lote anterior.
6.1 – Sistema Intensivo
Assim como na criação industrial de frangos de granja, o sistema intensivo também se aplica na criação de galinha caipira. As aves são mantidas em confinamento do nascimento até a data de abate e é fundamental manter a densidade correta de aves para a capacidade do galpão, obedecendo um limite de no máximo 8 aves por metro quadrado.
6.2 – Sistema Semi Intensivo
O sistema semi-intensivo é bastante usado na criação de galinhas caipiras ele é uma combinação da criação intensiva com a criação solta, para isso é necessário a utilização de piquetes para as aves fazerem o pastoreio durante algumas horas do dia. O espaço para o piquete deve ser de no mínimo 4 metros quadrados por ave.
6.3 – Sistema Extensivo
Esse é o sistema que oferece as melhores condições para a criação de galinhas caipiras. Nesse sistema as aves passam o dia todo soltas, ciscando e se alimentado com gramíneas e restos de frutas e verduras produzidas na propriedade. Ao entardecer, são recolhidas no galpão onde possam se proteger contra predadores as intempéries climáticas e onde possam receber ração balanceada. O limite de ocupação dos piquetes é de uma ave para cada 5 metros quadrados de área.

Visão geral criada por IA
A produção de galinha caipira é uma atividade rentável que utiliza aves de crescimento mais lento, criadas soltas ou semiconfinadas, focando em produtos de maior qualidade (carne firme, ovos caipiras). Exige galpões simples, arejados e limpos, com piquetes para pasto. O manejo inclui vacinação, alimentação baseada em milho e farelos, e controle de predadores, com abate geralmente entre 90 a 100 dias.
Pontos-chave para o Sucesso:
  • Estrutura: Galpões com boa ventilação, poleiros e ninhos, com densidade de cerca de 7 aves/
    dentro e 2 aves/
     na área externa.
  • Manejo: Aves soltas em áreas delimitadas (piquetes) para ciscar, com proteção contra predadores
    .
  • Alimentação: Uso de milho, quirela e rações balanceadas para garantir ganho de peso e postura.
  • Ciclo de Produção: Início da postura entre a 18ª e 19ª semana, com pico de produção após a 27ª semana.
  • Rentabilidade: Possibilidade de lucro alto com a venda de ovos e carne, especialmente com lotes rotativos.
  • A criação de galinhas caipiras pode ser iniciada de forma simples, com foco no autoconsumo ou como um pequeno negócio, seguindo cuidados com a higiene e nutrição

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1 de set. de 2017

Habitação para a Galinha caipira



5 – HABITAÇÃO

Na construção do galpão o principal objetivo é oferecer às aves um ambiente onde seja capaz de encontrar água em abundancia, alimentação, proteção contra predadores, abrigo contra chuva ou frio e garantir um manejo adequado contra as doenças das aves. As instalações devem ser funcionais e acima de tudo simples, não havendo necessidade da aquisição de material de alto custo para execução do projeto, o que é de extrema importância neste caso é o cumprimento de todas às exigências técnicas de higiene e manejo para evitar futuros problemas relacionados a doenças das aves e consequentemente prejuízos financeiros.



Afim de diminuir os custos do projeto o avicultor deve, na medida do possível, aproveitar as construções já existentes na propriedade.

O piso do galpão deve ser construído preferencialmente de cimento, para que o processo de limpeza e desinfecção seja feito de forma simples e eficiente e que não permita a passagem de umidade do chão para a cama das aves, ter uma inclinação de aproximadamente 2% para facilitar a saída da água no processo de desinfecção, que não seja totalmente liso e que esteja a 20 cm de altura em relação ao terreno.

A construção deve ser feita no sentido leste-oeste para que o sol, no período do verão, passe sobre a cumeeira. Evitando assim, que os raios solares não entrem no galpão (conforme desenho ao lado).

O galpão/galinheiro deve ser construído em local com um leve declive para evitar que água da chupa emposse e contribua com a proliferação de moscas e mosquitos.

O ideal e que o mesmo fique próximo da casa do tratador uns 50 metros aproximadamente, e que tenha um sistema de fornecimento de água potável e energia elétrica. Deve possuir muretas nas laterais de aproximadamente 20cm, cantos arredondados, que seja totalmente fechado com tela para evitar a entrada de pássaros e outros animais.

O telhado deve ser construído com o pé direito em conformidade com a largura do aviário de modo que o interior do aviário seja ventilado e que não seja muito quente nos horários de maior incidência do sol. A cobertura do telhado deve passar pelo menos 90cm da parede lateral para evitar a entrada de chuva, as paredes laterais deve possuir cortinas para proteger as aves dos ventos e chuva.

Os galpões devem ser construídos a uma distância mínima de 50 metros uns dos outros.

5.1 – Dimensões

O tamanho do galpão deve ser com base nas expectativas de produção do avicultor, pois o mesmo deve acomodar no máximo 10 aves por metro quadrado. Porém, deve-se levar em consideração algumas dimensões que, na prática, tem apresentado melhores resultados. A largura do aviário está diretamente ligada com o tipo de clima da região onde o mesmo será implantado. Em locais de clima quente e úmido a largura de 10 metros é a mais recomendada e em regiões de clima quente e seco a largura ideal fica entre 10 e 14 metros.

O pé direito do galpão é determinado em função da largura do mesmo, de forma que essa combinação favoreça o processo de ventilação natural dentro do aviário e com isso reduzir a temperatura interna (veja tabela abaixo). Quanto mais largo for o aviário, maior tem que ser a sua altura. O avicultor deve considerar a intensidade dos ventos de sua região quando a altura do pé direito ultrapassar os 3 metros de altura. Em regiões de ventos fortes deve-se reforçar a estrutura do galpão para evitar transtornos futuros.




Largura do Aviário (m)
Pé direto mínimo em climas quentes (m)

até 8 2,80
8 a 9 3,15
9 a 10 3,50
10 a 12 4,20
12 a 14 4,90
5.2 – Equipamentos e Utensílios

A utilização de alguns equipamentos exclusivos para a avicultura se faz extremamente importante em um projeto de criação de galinhas caipiras e o avicultor deve providenciá-los o mais breve possível para atender as necessidades básicas das aves.

Os comedouros mais utilizados em projetos de avicultura são os tipos tubulares, mais isso não impede de o avicultor possa improvisar esses equipamentos na propriedade, levando em conta que os mesmos devem ser projetados com o intuito de facilitar a alimentação das aves, manter a ração sempre limpa e, sobretudo, evitar o desperdício. Os comedouros do tipo bandeja são os mais usados nos primeiros dias de vida dos pitinhos e deve ser considerado a proporção de 80 pintos por comedouuro.

O avicultor deve regular a altura do comedouro conforme o desenvolvimento da ave durante o período de criação, de forma que a borda superior do mesmo se mantenha na altura do dorço das aves.



O fornecimento de água requer por parte do avicultor uma atenção especial, pois as aves devem sempre receber água potável e em temperatura abaixo da temperatura ambiente em seus bebedouros. Os equipamentos que melhor atendem as necessidades de bom manejo são os bebedouros automáticos.

dos fabricantes
A borda superior dos bebedouros devem ficar a uma altura de mais ou menos 4 cm acima do dorço das aves, para evitar que os pintos derrame a água sobre a cama (veja desenho ao lado). Os outros modelos devem ser regulados conforme orientação

5.2.3 – Campânolas

Nos primeiros dias de vida do pintinho, manter uma boa fonte de calor é de fundamental importância para o desenvolvimento dos mesmos. Para isso, é utilizado dois modelos de campânolas: as elétricas e as campanolas à gás GLP (de cozinha). Esses utensílios são encontrados com facilidade nas lojas do ramo. Normalmente, as campanolas podem ser a gás ou com energia elétrica. As mais usadas são as com capacidade para 500 pintos. As campanolas podem ser usadas até os 30 dias de vida do pintinho, isso depende da temperatura da região onde o aviário está localizado. Os pintinhos nascem com uma temperatura em torno dos 39,5°C e o produtor deve aos poucos, ir baixando essa faixa de temperatura conforme os pintinhos vão ficando empenados. A falta ou excesso de calor pode prejudicar a saúde dos pintinhos. Portanto, o tratador das aves deve manter a atenção redobrada enquanto houver a necessidade de aquecimento externo.

Para reduzir custos, o avicultor pode improvisar uma campanola usando uma lâmpada de 60 ou 100watts com um algum material que possa refletir o calor em direção ao chão do galpão (ex. bacia revestida com papel alumínio).

O avicultor deve criar as condições necessárias para que as aves encontrem o conforto ambiental dentro do aviário. As temperaturas adequadas para um desenvolvimento saudável das aves são as seguintes:



Temperatura Idade 32°C 1º dia 30°C 2º ao 7º dia 29°C 2ª Semana 27°C 3ª Semana 24°C 4ª Semana

Localizada nas laterais dos galpões, este é um recurso muito usado para proteger as aves contra as intempéries climáticas e fazer a troca de ar no interior do galpão. Este item não pode ser negligenciado no projeto dos aviários.

No galpão de aves de postura deve-se colocar uma “bateria de ninhos” com a finalidade de evitar que galinhas ponham os ovos no chão do galpão. Isso evita maiores problemas de infecção por fungos e bactérias nos ovos.

5.2.6 – Poleiros

Este recurso está mais ligado a uma prática de bem estar animal em função das aves, quando soltas, procurarem lugares mais altos para passarem a noite.

5.2.7 – Ventiladores

Nas regiões mais quentes do país, o uso de ventiladores se torna indispensável nos projetos dos aviários, pois eles possibilitam uma redução considerável da temperatura dentro do galpão. O uso dos ventiladores não dispensam a plantação de árvores ao redor dos galpões para proporcionar sombras às aves.

Este equipamento não precisa ser adquirido na fase inicial da avicultura. Porém, o avicultor deve providenciá-lo com a maior brevidade possível para que em caso de falta de energia da operadora, esse equipamento possa fornecer energia à propriedade, principalmente quando tem ovos sendo incubados.




As aves, assim como os humanos, necessitam receber água de qualidade para seu consumo diário. Desta forma, é possível garantir ao plantel melhores condições de higiene e, sobretudo, proteger as aves contra uma série de doenças. Em todas as fases de criação da ave a água deve ser oferecida em temperatura média 22°C e de forma abundante. O consumo da água está diretamente ligada a temperatura do ambiente, idade das aves, quantidade de sal e proteínas da ração e qualidade da mesma. Veja tabela abaixo.

Periodicamente, a pesagem de amostras da criação é de extrema importância para acompanhar o desenvolvimento das aves. Para isso, o criador deve providenciar uma balança que possa atender de forma satisfatória essa necessidade.

O avicultor deve acompanhar diariamente as condições climáticas do seu aviário e tomar as medidas necessárias para proporcionar às aves uma condição adequada para um bom desenvolvimento. Para monitorar a temperatura e a umidade do aviário o termohigrômetro deve ser mantido a uma altura de aproximadamente 50 cm do chão do aviário.