19 de abr. de 2020

Criação de Pacas (Agouti paca)



Paca (Agouti paca)

A paca é o segundo maior roedor encontrado no país, perdendo apenas para a capivara. Seu comprimento varia de 32 a 60 centímetros, da cabeça à base da cauda e pesa em média 10 quilos (MARTHA, 1996).
Em cativeiro a paca convive bem com outros animais. Num grupo de pacas estudados por Piccinini (1971), composto por 3 fêmeas e 3 machos em cativeiro, foram observados:

- há demarcação territorial, feita com urina, principalmente ao redor dos comedouros;

- a eliminação das fezes ocorre num único local e bem afastado do bebedouro e do comedouro;

- a paca deve ser alimentada ao entardecer. Ao manejar o animal, o tratador deverá usar bota de cano longo (prevenindo-se contra mordidas), luvas e redes próprias. 
O animal deverá ser apanhado em horários de poucas atividades, evitando-se o estresse.
Os recintos devem ser situados em locais com sombra e plano. Para um grupo de 3 pacas (1 macho e 2 fêmeas), a área deve medir 20 metros quadrados e deve ser cercada com tela tipo alambrado medindo 1,5 metros de altura, com baldrame de 60 centímetros de profundidade para evitar as fugas. Deverá haver um abrigo para cada animal, sendo os mesmos de troncos ocos, tubos de concreto ou tocas de alvenaria.

Figura 12: Paca (Agouti paca).

Os comedouros deverão estar em locais devidamente protegidos por coberturas de sapé, folha de coqueiro, cimento, amianto etc. Para a correta alimentação das pacas, devese considerar os seguintes fatores:
- hábito do animal: noturno e crepuscular;
- ração semelhante à da cutia, fornecida apenas à tarde, em quantidade quatro vezes maior;
- apresentação do alimento: em pedaços, com casca, cru;
- higiene do comedouro, com a remoção dos restos alimentares, evitando-se processos fermentativos;
- os comedouros, de cantos arredondados e superfícies lisas, devem estar instalados em locais iluminados, ventilados e secos.

Antes de colocar água para os animais, que deve estar sempre limpa, potável e fresca, observe com atenção seus hábitos, pois há espécies que costumam banhar-se regularmente, necessitando de bebedouros em forma de tanque. Os bebedouros deverão ter dimensões adequadas de acordo com as espécies, o número de animais no recinto e o respectivo consumo. É recomendável que os bebedouros tenham cantos arredondados, superfície lisa e bordas rampadas, com inclinação média de 60º graus, da borda para o centro, facilitando a entrada e a saída dos animais, bem como a proteção aos filhotes.

Como criar paca

Mais profissionalizada, a atividade se espalha,visando à conservação do plantel nacional e ao lucrativo comércio de matrizes e carne

Se, de um lado, as carnes exóticas já não são novidade como eram há pouco mais de uma década, de outro, a maior presença delas nos canais de venda mostra como a proteína animal vem sendo bem aceita pelos brasileiros. Um bom exemplo do avanço do produto no mercado nacional é a multiplicação de criatórios de paca (Agouti paca) pelo país, com vistas a atender à demanda de um comércio lucrativo.

Produtor da região do Cerrado, especializado em manejo de animais silvestres e exóticos, Fábio Morais Hosken informa que existem de norte a sul do Brasil dezenas de restaurantes e churrascarias que possuem carne de paca em seus cardápios. O produto também pode ser encontrado em redes de supermercados, butiques e lojas de carnes instaladas em grandes centros urbanos.

O aumento da participação do alimento nos pratos dos consumidores é um reflexo da profissionalização dos criadores alcançada nos últimos anos. Leve, macia e saborosa, rica em proteínas, cálcio e fósforo, a carne de paca provém de animais tratados em estabelecimentos fiscalizados pelos Estados. Antes de responsabilidade do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), a autorização e fiscalização exigidas para a criação comercial de qualquer animal silvestre passaram a ser de competência exclusiva dos Oemas (Órgãos Estaduais de Meio Ambiente) desde a publicação da Lei Complementar (LC) 140/2011.

A venda de matrizes para reprodução é outra atividade que pode trazer rendimentos para quem tem planos de iniciar uma criação. Ao mesmo tempo, o trabalho tem um caráter conservacionista e contribui para a recuperação do plantel de pacas no território nacional, que foi reduzido devido à caça predatória e à diminuição do hábitat natural promovida pelo desmatamento ao longo dos anos.

De baixo custo e necessidade de pouco espaço, o manejo de pacas tem como desafios a adaptação dos animais à vida no cativeiro e a formação de famílias, pois elas são consideradas territorialistas e fáceis de se estressar. Contudo, se cuidadas com dedicação e com o aproveitamento de dicas de profissionais experientes, apresentam bom comportamento.

Pacas nascidas em cativeiro, no entanto, tendem a ser mansas e não apresentam problemas de agressividade. De hábitos noturnos, o roedor tem pelos curtos e de cores que variam do castanho-pardo ao castanho-avermelhado. Com 32 a 70 centímetros de comprimento na idade adulta, pode viver até os 12 anos.




CRIAÇÃO MÍNIMA: um macho e quatro fêmeas
CUSTO: R$ 1.000 é o preço médio de cada exemplar
RETORNO: 30 meses
REPRODUÇÃO: dois partos por ano com uma cria cada


INÍCIO> Obtenha informações sobre as exigências que devem ser cumpridas para começar a atividade e a autorização do projeto de criação junto a um Oema. Somente após contar com as instalações, adquira os animais de criatórios com referências e devidamente registrados. Também é indicado ao criador iniciante contar com o acompanhamento de uma assessoria profissionalizada, como um zootecnista, que pode orientar a respeito das melhores técnicas para lidar com as pacas.

AMBIENTE As pacas vivem bem em locais com diferentes condições climáticas, por isso podem ser criadas em qualquer região do país. Como gostam de se molhar, é importante instalar um tanque ou piscina de, pelo menos, 1 x 1 metro de área, com profundidade de 25 centímetros. Para dar mais conforto aos animais, providencie uma caixa-ninho de 1,1 metro de comprimento e 70 centímetros de largura.

ESTRUTURA  O intensivo, considerado o melhor sistema de criação, utiliza um galpão dividido em baias de 3 x 4 metros até 5 x 5 metros, com piso de concreto, mureta de alvenaria de 50 centímetros e tela até o telhado. Um espaço ocioso, ou até mesmo um chiqueiro desativado na propriedade, pode ser adaptado para o confinamento dos animais, reduzindo os custos da implantação. Há como opção o sistema semi-intensivo, realizado em piquetes na mata com 100 metros quadrados cada, cercados de mourões de madeira, tela e arame farpado. Abaixo da cerca, faça um baldrame com 50 centímetros de profundidade a fim de evitar que as pacas fujam cavando buracos.

CUIDADOS  Antes de começar a lidar com a criação, é recomendado ao produtor tomar vacina antitetânica. O uso de botas é mais uma precaução necessária para realizar o manejo dos animais. Para evitar que a adaptação seja agressiva para as pacas, comece com dois exemplares e aos poucos vá introduzindo os demais integrantes. Entre as doenças comuns do roedor, estão estresse, vermes e eventuais problemas dentais. Contar com a visita de um médico-veterinário de dois em dois meses contribui para manter a saúde das pacas.

ALIMENTAÇÃO Pode ser produzida no próprio local, pois as pacas se alimentam de vegetais, grãos, raízes, coquinhos, legumes e frutas em geral. Opte pelos plantios que se dão bem com o clima, solo e ambiente da região. Como complemento, ofereça aos animais ração destinada para coelhos ou apenas milho em grão.

REPRODUÇÃO  São dois partos realizados por ano, gerando uma cria cada. Enquanto as fêmeas estão prontas para ser mães a partir dos oito meses de vida, os machos iniciam o período de reprodução entre nove e dez meses. De março a setembro é a principal época de procriação do mamífero, com 31 dias de ciclo produtivo. O infanticídio é um ato comum entre as pacas, por isso recomenda-se isolar as fêmeas antes do parto, até que os filhotes ganhem mais peso e força. Se nascerem junto do grupo, podem ser atacados pelos demais nas primeiras semanas.






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8 de abr. de 2020

Criação de Emas



Ema (Rhea americana)
A ema é a maior ave do continente Americano. Chega a 1 metro e 30 centímetros de altura e pode pesar de 26 a 36 quilos (GIANNONI, 1996).
Segundo Giannoni (1996), a carne é um pouco mais fibrosa que a de outras aves, como a galinha, mas tem bom sabor. Os ovos são riquíssimos em proteína e bastante grandes, podendo pesar de 400 a 700 gramas, cerca de 15 vezes maior que o da galinha. 
pele, depois de curtida, dá excepcional matéria-prima para bolsas, sapatos, cintos e casacos. 
É tão resistente quanto os couros tradicionais, mas por ter granulação fina é mais suave e macia. As penas servem para espanadores e outros artefatos, inclusive adornos de roupas femininas e fantasias. Cada ema tem 110 a 120 penas por asa e as maiores chegam a 60 centímetros.


Figura 11: Ema (Rhea americana).

A ema é onívora, isso é, come de tudo: de vegetais a animais pequenos como preás, lagartos, ratos e insetos. Tem preferência por gramíneas e leguminosas rasteiras e com os cactos ela mata, ao mesmo tempo, a fome e a sede. Quando criada em cativeiro, pode ser alimentada com ração de perus, forragens verdes e leguminosas. No primeiro ano de vida exige alimentos ricos em cálcio e fósforo para fortalecer os ossos. Por ter crescimento muito rápido e alcançar bom peso, suas pernas tendem a entortar. Não convém deixar nas proximidades objetos metálicos coloridos ou brilhantes, porque a ema engole tudo que lhe chame muito a atenção, já que quase não tem paladar (OLIVEIRA, 2008).

Não há país no planeta com mais emas (Rhea americana) nativas do que o Brasil. A maior ave silvestre existente em território nacional – e a maior das Américas – tem aqui o plantel mais volumoso do mundo, um contingente populacional que permite aproveitar todo o potencial lucrativo do comércio do animal quando criado em cativeiro.

Da ema podem-se obter ovos nutritivos e carne vermelha com muito ferro e pouco colesterol para alimentação. O couro é destinado à fabricação de vestuário e acessórios de moda, como bolsas e cintos, enquanto as penas servem tanto para espanadores, sobretudo para limpeza de componentes na indústria eletrônica e automobilística, devido à sua propriedade antiestática, quanto para uso em adornos de fantasias, em especial em época de Carnaval.
O fornecimento de matrizes para novos criadores é ainda outro canal de vendas rentável, assim como de exemplares para ornamentação de propriedades e turismo rural. De pernas e pescoço delgados, a ema apresenta-se elegante ao movimentar a plumagem abundante que cobre o seu corpo.

Com muitas opções para escolher, o criador de emas tem possibilidade de direcionar a atividade à produção de mercadorias que mais atendem ao comércio local. Também pode, se lhe convier, responder a demandas de regiões mais distantes, inclusive terras internacionais, onde os preços dos produtos são ainda mais valorizados. A versatilidade da criação ainda tem a vantagem de utilizar um manejo igualmente de custo baixo, seja para qual for a finalidade.

Ave de hábito diurno, crescimento rápido e fácil adaptação a diferentes tipos de ambientes, a ema se dá bem em espaços pequenos, podendo ser acomodados até 15 animais em áreas de pastagens destinadas apenas para uma vaca (1 hectare). Para evitar as fugas, uma vez que a ema é uma ave ratita (incapaz de voar), o indicado para o criador é fazer piquetes delimitados por cerca telada.

Além de rústica e adoecer pouco, a ema é onívora (come alimentos de origem vegetal e animal), facilitando a escolha do criador por refeições nutritivas mais baratas para a ave. Pode ser proveniente até mesmo de plantações de grãos, hortaliças e frutas existentes na propriedade. Pequenos roedores e insetos também são opções de cardápio a ser oferecidas.

Originárias da América Latina, por aqui as emas mais compactas, porém robustas e com bom rendimento de carne, se concentram no Rio Grande do Sul. De outro lado, as mais altas estão mais presentes na Região Centro-Oeste. Com 1,8 metro de altura, em média, o macho da espécie pesa próximo de 45 quilos, enquanto a fêmea pesa 40 quilos.

Mãos à obra

INÍCIO 
Por se tratar de uma ave silvestre, a ema só pode ser criada em cativeiro se autorizada pelos órgãos responsáveis pela gestão da fauna nos Estados. Após a elaboração de um projeto, realizado por um profissional especializado, e reunir documentação exigida, tudo deve ser protocolado na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) mais próxima, para obter a permissão de criadouro comercial para o exercício da atividade. Comece a criação com animais adultos, para não se preocupar, inicialmente, com estrutura que atenda às etapas de incubação e berçário. São necessários equipamentos para o manejo de filhotes, fase de vida em que a ave se apresenta mais suscetível a contrair doenças.

AMBIENTE 
De preferência, a área de criação na propriedade deve ser plana e contar com solo bem drenado. Emas são criadas a pasto ou em piquetes com disponibilidade de gramíneas e leguminosas para as aves se alimentarem à vontade.

ESTRUTURA
Cerque o local de criação com mourões espaçados de 2 em 2 metros e fixe tela tipo alambrado com fio 14 e malha de 5 a 7 centímetros a uma altura de 1,6 metro. Divida o local com uma área específica para reprodução e, no caso de o criador decidir pela realização da incubação artificial, outras duas para berçário e incubatório. Construa um brete de manejo em cada piquete, com cobertura de telhas de barro e chão cimentado para a acomodação de bebedouro e comedouro.

ALIMENTAÇÃO
 A dieta deve ser balanceada, com uso de ração comercial para avestruzes. Forneça, diariamente, 1 quilo por animal. Como complemento, sirva pequenos animais invertebrados (insetos, minhocas), pequenos roedores, pastagens, capim picado, milho, mandioca, abóbora, folhosas, farelo de soja, frutas e outras culturas que podem ser produzidas na propriedade. A combinação ajuda na economia da criação. Sempre ofereça água limpa e de boa qualidade.

CUIDADOS 
Recomenda-se a aplicação de vermífugos na ave quatro vezes por ano. Cada uma deve ser ministrada com intervalo de três meses.

REPRODUÇÃO 
Com dois anos de vida, a ema chega à maturidade sexual e pode iniciar o período de reprodução. As fêmeas colocam de 20 a 30 ovos por ciclo, mas nem todos vingam. Os machos, por sua vez, dedicam-se à feitura do ninho e a todos os cuidados com os filhotes, liberando as mães para uma nova postura. Na incubação natural, quando o pai choca os ovos e se responsabiliza pela prole no piquete, o investimento inicial é reduzido, ao contrário da artificial, que exige instalação de incubatório e creche para cria e recria da produção. Com 12 a 14 meses, a ema atinge a idade de abate, com 40 quilos, em média.

Criação mínima: 1 macho e 2 fêmeas
Custo: cerca de R$ 10.800
Retorno: a partir de 2 anos, após iniciar o período de reprodução
Reprodução: inicia-se com 24 meses





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3 de abr. de 2020

Criação da Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa)



Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) 

A Tartaruga-da-Amazônia é uma das maiores espécies de quelônios dulcícolas do mundo. A fêmea pode alcançar o comprimento de 90 centímetros e um peso de 50 quilos. O macho é menor, alcançando um comprimento de 50 centímetros. A espécie é 
amplamente distribuída por toda a bacia amazônica, inclusive nas bacias dos rios Araguaia e Tocantins (CENAQUA, 1994). 
Em termos de criação de animais silvestres, a criação da tartaruga-da-amazônia tem se mostrado como uma das mais promissoras, não só pelo aspecto econômico, mas também pela relevância que esses animais assumem na cultura amazônica, como pode ser demonstrado por Wetterberg (1976), que através de uma pesquisa realizada nos restaurantes de Manaus sobre a fauna amazônica preferida como alimento, afirma que a tartaruga foi considerada a espécie mais procurada. 
A caça predatória da tartaruga é mais que uma maneira de obter a carne, é um modo de vida e faz parte da cultura local (ALHO, 1985). Para reduzir a apanha ilegal é necessário conhecimento sobre a ecologia das espécies, a fim de se estabelecer estratégias de conservação e manejo. Para a proteção da tartaruga-da-amazônia, o IBAMA passou a coordenar o Projeto Quelônios da Amazônia – PQA – que foi criado em 1979. A partir de 1990 houve a necessidade de uma melhor estruturação dos projetos de conservação e manejo da fauna silvestre no Brasil, então alguns desses projetos foram substituídos pelos Centros Técnicos Especializados, entre eles o Centro Nacional dos Quelônios da Amazônia 
Hoje já existem 109 criatórios comerciais registrados no IBAMA em todos os estados da região Norte. O estado com maior número de criatórios é o Amazonas com 52 estabelecimentos e o maior está no Pará, que conta com 60 mil animais e nos próximos três anos pretende implantar mais 40 mil. O IBAMA reserva 10% dos quelônios que nascem naturalmente para os criadores que apresentam projetos e eles ficam também obrigados a manter, no mínimo, 10% de seu plantel para reprodução. 
Os animais chegam ao criatório com 20 gramas de peso e o abate é autorizado quando a tartaruga atinge o tamanho de 30 centímetros de casco, o que sinaliza que o peso está entre 1,5 e 3,5 quilos (GASPAR, 2001). 
O CENAQUA tem sistematizado a criação em três fases: inicial ou berçário, crescimento e reprodução. A fase de berçário inicia-se após o recebimento dos animais e pode se estender de seis meses a um ano, em função do desenvolvimento dos filhotes. A fase de crescimento é uma etapa mais extensiva, utilizando-se corpos d’água já existentes na propriedade, como represas, braços de lagos represados, tanques etc. Compreende o período que vai da transferência do berçário para um recinto maior até a comercialização dos lotes. Para essa fase recomenda-se uma densidade populacional de 4.500 animais por hectare de superfície de água, ou seja, aproximadamente 1 animal a cada 2 metros quadrados. 

Figura 10: Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa). 
Fonte: JOURNAL OF ETHNOBIOLOGY AND ETHNOMEDICINE, 2009. 

Para a fase de reprodução, o criador deverá reservar um lote de, no mínimo, 10% de plantel dentro de uma proporção de 1 macho para 3 fêmeas. Há necessidade de construção de “praias” na margem do recinto, que deverá ser feita mediante uma escavação de aproximadamente ½ metro abaixo do nível d’água, com posterior adição de areia até atingir uma altura de 1,5 metro do nível da água. 
Objetivando criar os mecanismos específicos que venham possibilitar a colocação desse produto no mercado, o CENAQUA tem buscado parcerias com empresas privadas e universidades para o desenvolvimento de tecnologias de abate e controle sanitário, além da identificação dos melhores mercados. 






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21 de mar. de 2020

Criação de aves domésticas: Galinhas (parte 1)


Quem possui uma propriedade rural, como fazenda, sítio ou chácara, pode aproveitar espaços para criação de várias espécies de aves, valorizando o meio ambiente com:

a. o aspecto agradável que elas proporcionam. Habitualmente, as pessoas criam apenas galinhas poedeiras, para consumo próprio, mas é muito fácil criar também aves como patos, marrecos, perus e avestruzes. Os palmípedes, isto é, patos e marrecos, precisam de um lago, porque apreciam banhos diários. Se porventura a propriedade não possuir nascentes próprias,

b. o problema poderá ser resolvido com a construção de um lago artificial, aproveitando as águas das chuvas. Quando o ambiente é favorável, os patos e marrecos costumam viver em plena harmonia. 
A criação de perus é relativamente simples, e pode ser feita em qualquer região do país. 
A criação de avestruzes pode ser transformar num excelente negócio.
As poucas doenças que afetam esses animais podem ser evitadas se o criador mantiver boas condições de higiene e fornecer alimentos adequados. As instalações, de modo geral, são modestas, estando ao alcance de todo criador.
O importante na criação de todas essas aves é introduzir sangue novo, principalmente nos reprodutores, para evitar consangüinidade.
A avicultura brasileira iniciou com Cabral, que trouxe para o Brasil os primeiros exemplares de aves de raça pura. Estas aves eram criadas soltas a campo e daí originou o nome popular de Galinha Caipira, nome originário do Tupi guarani. Devido ao sistema de produção utilizada até
hoje, estas aves sofreram um processo de degeneração, com conseqüente perda de produção e produtividade, porém ainda existe em mais de 80% das propriedades mineiras, contribuindo para melhorar a alimentação das famílias e muitas vezes servindo como parte de renda auxiliando substancialmente a economia familiar. Merece, em função disto, um trabalho na área de extensão rural visando melhorar principalmente a produtividade destas criações ditas caipiras, para aumentar a disponibilidade de carne e ovos para consumo próprio ou para incremento de renda.

Criação de aves domésticas: Galinhas

SELEÇÃO DO PLANTEL

Com este trabalho pretendemos provocar uma seleção do plantel existente visando seu melhoramento, descartando as aves que não se enquadram nos itens abaixo.

Escolha das Galinhas:
• Selecionar as galinhas que demonstram ser saudáveis, semdefeitos físicos e dóceis;
• Boa conformação corporal;
• Cristas e barbelas bem desenvolvidas;
• Por ovos com freqüência e de bom tamanho com formato regular;
• Menor tendência ao choco e manter-se em postura quando a maioria das galinhas estiverem em muda.

Escolha do Galo: 
• Devem ser vigorosos, sadios, não apresentar defeitos físicos ou de aprumos;
• Musculosos e pesados;
• Sexualmente ativos;
• Manter a proporção de um galo para dez galinhas;
• Ser mantido no plantel no máximo 30 meses;

INTRODUÇÃO DE AVES MELHORADAS

É possível provocar o melhoramento genético do plantel, sem precisar mudar o sistema produção e com pouco investimento.
Para tanto recomendamos a introdução de aves já melhoradas geneticamente que serão cruzadas com aves do plantel previamente selecionadas.

As aves que recomendamos deverão apresentar características de dupla aptidão - carne e ovos.
• Raças Puras - Rhode Island Red, Plimauth Rock Bared, New Hampshire;
• Aves híbridas de ovos vermelhos;
• Isa Browm;
• Hy-line Browm;
• Shaver Browm;
• Label Rouge;
• Aves Canadense - Paraíso Pedrez.

MANEJO DE PINTINHOS

A grande mortalidade dos pintinhos é verificada nas criações que não usam nenhuma tecnologia;
Os pintinhos requerem maiores cuidados principalmente nos primeiros 20 dias, pois eles não tem capacidade de regular sua temperatura corporal. por este motivo eles devem ser aquecidos pelas mães ou aquecimento artificial.
Após o nascimento deverão ser retiradas do ninho as cascas de ovos gerados e o material que foi utilizado no ninho como forro e trocando-o por material limpo e seco, deixando que a galinha abrigue sua ninhada.

Nas primeiras 24 horas após o nascimento não precisa dar alimentação pára os pintinhos, quando o produtor colocar para chocar várias galinhas e a eclosão não for uniforme pode-se juntar as ninhadas de forma que cada galinha não tome conta de mais 15 pintinhos.
Quando a propriedade for dotada de energia elétrica os pintinhos poderão ser colocados em pinteiros providos de comedouros, bebedouros e aquecimento através de uma lâmpada elétrica, que será usada 10 dias no verão e 15 dias no inverno.
A temperatura no interior do pinteiro deve ser regulada levantando ou abaixando a lâmpada ou compânula a gás, de acordo com o comportamento das aves. Quando os pintinhos se amontoarem debaixo da fonte de aquecimento é sinal que estão com frio ou quando se afastarem muito da fonte indica que está muito quente.
Quando a opção for adquirir pintinhos melhorados de incubatórios sugerimos utilizar c[circulo de proteção, cama, comedouro e bebedouro e fonte de calor.

MANEJO DA RECRIA

• Após 30 dias o empenamento estará completo e as aves poderão ser soltas lentamente onde irão adquirir o hábito de ciscar e procurar alimento, e receberão o mesmo manejo das aves adultas.
• Nesta fase inicia-se a seleção das melhores aves para a reprodução, as demais serão engordadas e vendidas para o abate (machos e fêmeas).
• Os machos neste período são facilmente reconhecidos, estes são mais fortes (20%±) que as fêmeas e também tem a crista bem mais vermelha.

MANEJO DE AVES ADULTAS

As aves de reprodução que permanecerão no plantel devem ser sadias e estar em bom estado físico. Os machos também devem ser sadios, vigorosos e bons reprodutores.
Recomenda-se 1 galo para 10 galinhas para haver uma boa fertilidade.
Ninhos - deve-se utilizar 1 ninho para 4 galinhas e estes devem ser fechados à noite, para evitar que as aves durmam nele, e serão colocados em locais que ficarão na penumbra, pois ninhos muito claros no seu interior, as aves rejeitam e muito escuro as aves aninham.

A cama do ninho deve ser macia e confortável, feita com materiais como capim seco picado, casca de arroz, serragem e folha de fumo, que contribui para o controle ao piolho e sarna, deve ser mantido sempre limpo e com espessura de 7 a 10 cm.
Os ovos devem ser colhidos diariamente, estes terão dois destinos. Os destinados à comercialização, devem ser limpos e guardados em ambientes frescos, geladeiras ou caixas de isopor, afim de preservar sua qualidade. Deve-se ter o cuidado de armazenar os ovos com a
extremidade mais fina voltada para baixo, afim de preservar a câmara de ar.
Ovos para incubação - devem ser colhidos mais vezes ao dia, sem trincas, sem sujeiras, tamanho médio para grande, formato normal.
Condicionamento - em pentes com extremidade maior voltada para cima e num período máximo de 7 dias.
Para haver uma boa eclosão deve-se colocar de 9 a 13 ovos para que a galinha o cubra totalmente.
Próximo aos ninhos onde as galinhas estão chocando deve haver água e ração à vontade.
As aves devido a idade, desenvolvimento sexual incompleto, e com início de mudas precoces não produzem ovos, e portanto, devem ser descartados.



É importante deixar boas chocadeiras para se fazer incubação natural dos ovos.
A postura ocorre com freqüência de aproximadamente até 10 horas da manhã, portanto neste período as aves devem ficar presas.




Criação de Cateto e Queixada


O cateto e o queixada são pertencentes à mesma família: os tayassuídeos. São muito semelhantes, contudo, o cateto tem um porte menor, com cerca de 25 quilos, 40 centímetros de altura e 95 centímetros de comprimento, além de possuir um colar de pêlos brancos em volta do pescoço. O queixada tem um porte maior, cerca de 35 quilos, 55 centímetros de altura e 1,10 metro de comprimento e ainda possuí uma vasta coleção de pêlos brancos na mandíbula e no focinho (ROCHA, 1998). 
O peso dos animais pode variar muito de acordo com o local em que o animal vive, tendo influência a quantidade de alimento por ele obtido (MORAES, 1992). 
Os tayassuídeos vivem em uma grande variedade de habitats, incluindo regiões de clima árido e florestas tropicais úmidas (DEUTSCH, 1988). Ainda existem controvérsias entre os autores sobre o hábito alimentar dos tayassuídeos, alguns os classificam como onívoros, outros acham a classificação inadequada devido a pouca proporção de material de origem animal encontrado em seu trato digestivo. Devido à sua ampla distribuição geográfica, os tayassuídeos tem uma longa lista de alimentos consumidos. Uma análise dos conteúdos estomacais de 17 catetos que viviam em floresta tropical úmida, no Peru, mostrou que partes reprodutivas de plantas, fragmentos de sementes e frutos representaram 71% do conteúdo estomacal, enquanto as partes vegetativas, pedaços de folhas e colmos constituíram 29%. Havia ainda, traços de alimentos de origem animal, especialmente partes do corpo de insetos. Concluiu-se que o cateto é onívoro, mas que em floresta tropical úmida ele é, predominantemente, frutívoro (MORAES, 1992). 
Cada grupo utiliza uma área de mais ou menos oito quilômetros, sendo a parte central de uso exclusivo do bando e a parte periférica compartilhada com outros grupos. Possui uma glândula dorsal que é utilizada para marcação do território através da sua esfregação em árvores e outros objetos e também para identificação dos membros do grupo (NOGUEIRA FILHO, 1999). 
Em criações intensivas ou semi-intensivas é indispensável a utilização de cercas. Deve existir uma área coberta, que possa ser isolada formando um cambeamento, para um manejo melhor dos animais. A densidade recomendada é de 1 animal por 10 metros quadrados, mantendo a relação de 1 macho para 4 fêmeas. Atualmente, a criação de tayassuídeos tem tendenciado para um sistema extensivo, onde os custos de implantação e manutenção são mais reduzidos. Esse sistema exige grandes extensões de mata, subprodutos acessíveis e pouca pressão de caça e predação natural (MORAES, 1992). 

Figura 8: Cateto ( Tayassu tajacu ) 

Mesmo considerando o fato da carne de cateto e queixada alcançarem preço maiores no mercado, quando comparada com carne de capivara e de jacaré, ainda sim a atividade encontra concorrência com a carne de javali (ROCHA, 1998). 
Ao nascer, o cateto pesa cerca de 500 a 600 gramas, podendo ganhar 300 gramas por semana. No caso do criadouro, a idade de abate é de 1 ano, com peso médio de 22 quilos. Para alimentação, fornece-se ração suína, frutas, raízes e tubérculos (PRADA, 

Figura 9: Queixada ( Tayassu pecari ) 









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20 de fev. de 2020

Criação de Capivara



A capivara é o maior roedor do mundo, alcançando em média, 1 metro de comprimento por 65 centímetros de altura e pesando de 50 a 65 quilos. É encontrada sempre habitando as margens dos rios, brejos e lagoas, preferindo proximidade de matas e cerrados (SANTOS, 1956). 
Figura 6: Ilustração de Capivara (Hidrochoerus hidrochoeris). 
Como não possui glândulas sudoríparas bem desenvolvidas e as presentes encontram-se muito esparsas, necessita de água ou de abrigo sombrio para a regulação da temperatura corporal, além da cópula, que geralmente também ocorre dentro d’água. (ALHO, 1986). Como a maior exigência é de água, usada em banhos constantes, é preciso que antes de começar a criação sejam construídos tanques ou aguadas. 
A capivara é um herbívoro por excelência, que se alimenta de capins em geral, embora aceite raízes, milho, mandioca, cana-de-açúcar, bananas verdes, talos de bananeira, entre outros. Elas utilizam melhor a forragem e os concentrados de coelhos e ovinos, pois possuem grande capacidade digestiva. O estômago digere 10% dos alimentos, o intestino delgado 3%, o ceco 74% e o intestino grosso 13% (ROCHA, 1997). Quando criadas somente com capim-elefante (Pennisetum purpureum) apresentam ganho de peso de 38 a 41 gramas por dia, enquanto animais alimentados com pasto mais ração concentrada, apresentam ganho de peso de 89 a 127 gramas por dia (NEGRET, 1994). 
As capivaras constituem interesse tradicional de caça no Brasil. Na Amazônia, onde habitam as várzeas e os vales de rios e igarapés, são caçadas pelo homem ribeirinho acostumado a comer basicamente peixe, quando sua carne representa uma preciosidade. No Nordeste e nos vales de rios do Brasil central, as capivaras são raras, bem como no sul, onde os gaúchos apreciam sua carne. No Pantanal são encontradas capivaras em boas condições ecológicas em seus habitats naturais (DEUSTCH, 1988). 
Atualmente existem criadouros em sistema intensivo, semi-intensivo e extensivo (ROCHA, 1997). No sistema intensivo os animais são mantidos em áreas delimitadas por cerca, onde grande parte da alimentação é fornecida no cocho. No sistema semi-intensivo os animais são mantidos em áreas cercadas relativamente grandes e parte da alimentação é fornecida através de pastagens e outra é fornecida no cocho, principalmente nas épocas de escassez de pastagens. No sistema extensivo não há cercas em torno da área de criação, os animais são condicionados na área de criação através de cevas alimentares. Fatores de resistência do meio, tais como competição, predação e restrição alimentar são parcialmente controlados. Dessa forma há um ótimo nível de produção de animais. 
A quantidade de animais do criatório é relativa a diversos fatores de infra-estrutura, manejo e alimentação. 1 hectare (10.000 metros quadrados) cercado, pode abrigar cerca de 3 reprodutores, 12 matrizes e uma prole para terminação (entre filhotes e animais jovens) de cerca de 30 animais, ou seja, 45 animais ao todo (ROCHA, 1997). 

Figura 7: Capivaras (Hidrochoerus hidrochoeris). 



Esses índices propostos por Neto (1997) são de um criatório completamente estabilizado, isso é, onde os animais já estão aclimatados e condicionados ao manejo e principalmente onde os grupos familiares estão formados e estáveis. Em criadouros recém instalados, os índices zootécnicos ainda não estão dentro dos níveis ótimos obtidos em criadouros com pelo menos três anos. Isso é devido à delimitação do espaço por cercas e a pressão entre as famílias, contudo, depois dos primeiros anos os animais mais problemáticos são extraídos, as famílias se estabilizam e a produtividade aumenta. 






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10 de fev. de 2020

Vida de Garanhão



Foi um dos mais notáveis reprodutores da raça Campolina em todos os tempos. Produziu 45 Campeões Nacionais e 16 Reservado Campeões Nacionais, entre potros, potras, éguas e garanhões. Nasceu na Fazenda Palestina, município de Entre Rios de Minas. Foi vendido para o proprietário da Fazenda Serra do Paraiso, criatório sufixo "Angelim", em Potyragua, Bahia, onde foi o responsável pela notoriedade alcançada por aquele criatório. De lá, foi transferido para o Estado do Rio de Janeiro, por volta dos 16 anos de idade, pela quantia de Um milhão de dólares, na época o maior negócio já realizado na América do Sul envolvendo um garanhão. Foi comprado por um grupo de criadores cariocas, que constituíram um condomínio.
Gas Dengoso, conhecido no Brasil apenas como Dengo, reinava em uma fazenda montada só para ele e seu vasto harém. Diariamente chegava alguma égua para ser servida. A sua herança proliferava. Mas o destino foi cruel para este garanhão fora de série. Uma úlcera fulminante terminou com seu reinado antes de completar um ano de permanência no Rio de Janeiro. Mas sua herança continua viva em centenas de filhos, filhas, netos, netas ....

        A vida dos garanhões corre sérios perigos com os distúrbios intestinais, provocados, principalmente, pela ingestão de quantidades excessivas de ração concentrada, de capim picado fermentado, muito fibroso ou mal triturado. Em um livro publicados pelo Zootecnista Lúcio Sérgio de Andrade e o criador de campolinas José Eugênio Câmara Filho - Pesquisa Histórica e de longevidade de garanhões notáveis da raça Campolina -, foi constatado que quase 50% das mortes prematuras dos animais foi devido às cólicas intestinais.

- Nesta mesma obra é relatada a morte de um reprodutor que fez história na raça Campolina, o Xerife de Passa Tempo. Nascido na Fazenda Campo Grande, sudoeste mineiro, Xerife foi transferido ainda jovem para outra fazenda no norte de Minas, onde vivia com muita saúde, apesar de dois casos de cólicas renais após viagens de caminhão para deslocamento até outras propriedades com a finalidade de servir éguas.

Aos 23 anos de idade, em 1982, Xerife foi homenageado na Semana Nacionaldo Cavalo Campolina, em Belo Horizonte. Naquela mostra,estiveram presentes no Parque "Bolivar de Andrade" (criador do Xerife de Passa Tempo) 250 descendentes diretos, entre filhos(as) , netos (as) e bisnetos (as). Era impressionante o fato de um garanhão nascido há duas décadas atrás ainda se apresentar atual, e com uma virtude extra, uma marcha batida clássica de fazer inveja aos campeões nacionais de marcha daqueles tempos. Antes de retornar para o norte de Minas, Xerife fez uma escala para descanso e recuperação do estresse na Fazenda Campo Grande. Mas com 15 dias, sobreveio uma forte cólica renal.

O competente e renomado Médico Veterinário Prof. Biondini, passou dois dias e noites cuidando do Xerife, mas não houve solução. Lá se foi o "Xerife da raça Campolina"...Um outro reprodutor notável da linhagem "Passa Tempo" na raça Campolina foi o Expoente de Passa Tempo, o nome fala por este garanhão. Era mesmo fora de série. Além da sua trajetória vitoriosa nas pistas, tendo conquistado todos os títulos nacionais possíveis já aos 4 anos de idade, Expoente também fez história como reprodutor, tendo deixado inumeros campeões nacionais.Mas dois fatos chamam a atenção na vida deste garanhão. Um, o de não ter produzido fêmeas tão boas quanto os machos.

O segundo, por ter gerado algunas cavalos que se tornaram famosos pelo mal comportamento, sendo que um deles, o Quinau de Passa Tempo, encerrou um julgamento em Goiânia/1979, ao morder as costas de seu apresentador e tomar o cabresto, provocando uma badérnia jamais vista em uma pista de julgamento. Ocorre que havia uma tropa de cavalos de rodeio e bois no centro da pista, aguardando o momento do Rodeio. Quinau pulou para dentro daquela pista e foi cavalo e boi para todo lado,acabando com todos os julgamentos que aconteciam simultaneamente ao da raça Campolina. Expoente era um cavalo de uma docilidade a toda prova.

Mas o mesmo não poderia ser dito para seu pai, o Miraí Rififi. Este sim,era um leão, somente o seu tratador entrava na baia. É a genética do temperamento, que foi buscar no avô, os genes indesejáveis.Assim como o temperamento, muitos outros aspectos da criação de equinos são fortemente marcados pela genética, que é uma ciência fria, calculista, muitas vezes ignorada ou mal avaliada por aqueles que se consideram selecionadores.

Rio Verde não foi cria da Fazenda Campo Grande, linhagem "Passa Tempo", onde chegou ainda potro, no ano de 1928, recebido pelo Cel. Gabriel Andrade de presente, dado pelo amigo José Octavio Carneiro, na época, destacado criador no sul de Minas, em Conceição do Rio Verde. Por um descuido, Rio Verde foi vendido antes de ter sido testado na reprodução. Como Rio Verde era a melhor montaria da fazenda, o Cel. Gabriel gostava de oferecê-lo para as visitas montarem. Porém, cavalo árdego e muito sensível, Rio Verde não aceitava comandos inexperientes. Após a queda de um amigo, o Cel. Gabriel se aborreceu e resolveu vender Rio Verde. Quando sua primeira e única prole nasceu, foi um espanto geral. Bolivar de Andrade (filho caçula do Cel. Gabriel) de imediato disse: "Reprodutor igual ao Rio Verde, somente outro Rio Verde". Durante alguns anos a familia e amigos procuraram sem sucesso pelo paradeiro do Rio Verde. Quando esperanças já não existiam, um telefonema de um amigo trouxe notícias animadoras. Um cavalo castanho escuro, preenchendo a descrição do Rio Verde, foi visto no extremo nordeste do Estado, divisa com a Bahia, nas mãos de um cigano, servindo, até mesmo, como animal de carroça. Bolivar enviou um amigo para conferir, levando um cheque assinado em branco. Era mesmo o Rio Verde. Após nove anos, finalmente tinha sido encontrado. Havia sido vendido por 2 contos e oitocentos mil réis. Foi readquirido por 3 contos de réis. Assim, Rio Verde retornou, para desempenhar a mais nobre das funções: estruturar definitivamente a base genética da tradicional linhagem Passa Tempo e consolidar a trajetória gloriosa dos exemplares "marca F". Rio Verde morreu aos 31 anos de idade, deixando cinco éguas prenhes. Morreu de parada cardíaca, logo após servir uma das éguas. Por iniciativa futura e oportuna de Márcio Andrade (sucessor de Bolivar de Andrade) um monumento do Rio Verde foi erguido em frente à casa sede da Fazenda Campo Grande, com todas as medidas lineares, em cuja placa encontram-se gravadas as seguintes palavras: "Entre todos o mais inteligente; montado, o melhor; como reprodutor, incomparável" Nasceu em 1926 e morreu em 1957.