3 de abr. de 2020

Criação da Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa)



Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) 

A Tartaruga-da-Amazônia é uma das maiores espécies de quelônios dulcícolas do mundo. A fêmea pode alcançar o comprimento de 90 centímetros e um peso de 50 quilos. O macho é menor, alcançando um comprimento de 50 centímetros. A espécie é 
amplamente distribuída por toda a bacia amazônica, inclusive nas bacias dos rios Araguaia e Tocantins (CENAQUA, 1994). 
Em termos de criação de animais silvestres, a criação da tartaruga-da-amazônia tem se mostrado como uma das mais promissoras, não só pelo aspecto econômico, mas também pela relevância que esses animais assumem na cultura amazônica, como pode ser demonstrado por Wetterberg (1976), que através de uma pesquisa realizada nos restaurantes de Manaus sobre a fauna amazônica preferida como alimento, afirma que a tartaruga foi considerada a espécie mais procurada. 
A caça predatória da tartaruga é mais que uma maneira de obter a carne, é um modo de vida e faz parte da cultura local (ALHO, 1985). Para reduzir a apanha ilegal é necessário conhecimento sobre a ecologia das espécies, a fim de se estabelecer estratégias de conservação e manejo. Para a proteção da tartaruga-da-amazônia, o IBAMA passou a coordenar o Projeto Quelônios da Amazônia – PQA – que foi criado em 1979. A partir de 1990 houve a necessidade de uma melhor estruturação dos projetos de conservação e manejo da fauna silvestre no Brasil, então alguns desses projetos foram substituídos pelos Centros Técnicos Especializados, entre eles o Centro Nacional dos Quelônios da Amazônia 
Hoje já existem 109 criatórios comerciais registrados no IBAMA em todos os estados da região Norte. O estado com maior número de criatórios é o Amazonas com 52 estabelecimentos e o maior está no Pará, que conta com 60 mil animais e nos próximos três anos pretende implantar mais 40 mil. O IBAMA reserva 10% dos quelônios que nascem naturalmente para os criadores que apresentam projetos e eles ficam também obrigados a manter, no mínimo, 10% de seu plantel para reprodução. 
Os animais chegam ao criatório com 20 gramas de peso e o abate é autorizado quando a tartaruga atinge o tamanho de 30 centímetros de casco, o que sinaliza que o peso está entre 1,5 e 3,5 quilos (GASPAR, 2001). 
O CENAQUA tem sistematizado a criação em três fases: inicial ou berçário, crescimento e reprodução. A fase de berçário inicia-se após o recebimento dos animais e pode se estender de seis meses a um ano, em função do desenvolvimento dos filhotes. A fase de crescimento é uma etapa mais extensiva, utilizando-se corpos d’água já existentes na propriedade, como represas, braços de lagos represados, tanques etc. Compreende o período que vai da transferência do berçário para um recinto maior até a comercialização dos lotes. Para essa fase recomenda-se uma densidade populacional de 4.500 animais por hectare de superfície de água, ou seja, aproximadamente 1 animal a cada 2 metros quadrados. 

Figura 10: Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa). 
Fonte: JOURNAL OF ETHNOBIOLOGY AND ETHNOMEDICINE, 2009. 

Para a fase de reprodução, o criador deverá reservar um lote de, no mínimo, 10% de plantel dentro de uma proporção de 1 macho para 3 fêmeas. Há necessidade de construção de “praias” na margem do recinto, que deverá ser feita mediante uma escavação de aproximadamente ½ metro abaixo do nível d’água, com posterior adição de areia até atingir uma altura de 1,5 metro do nível da água. 
Objetivando criar os mecanismos específicos que venham possibilitar a colocação desse produto no mercado, o CENAQUA tem buscado parcerias com empresas privadas e universidades para o desenvolvimento de tecnologias de abate e controle sanitário, além da identificação dos melhores mercados. 






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21 de mar. de 2020

Criação de aves domésticas: Galinhas (parte 1)


Quem possui uma propriedade rural, como fazenda, sítio ou chácara, pode aproveitar espaços para criação de várias espécies de aves, valorizando o meio ambiente com:

a. o aspecto agradável que elas proporcionam. Habitualmente, as pessoas criam apenas galinhas poedeiras, para consumo próprio, mas é muito fácil criar também aves como patos, marrecos, perus e avestruzes. Os palmípedes, isto é, patos e marrecos, precisam de um lago, porque apreciam banhos diários. Se porventura a propriedade não possuir nascentes próprias,

b. o problema poderá ser resolvido com a construção de um lago artificial, aproveitando as águas das chuvas. Quando o ambiente é favorável, os patos e marrecos costumam viver em plena harmonia. 
A criação de perus é relativamente simples, e pode ser feita em qualquer região do país. 
A criação de avestruzes pode ser transformar num excelente negócio.
As poucas doenças que afetam esses animais podem ser evitadas se o criador mantiver boas condições de higiene e fornecer alimentos adequados. As instalações, de modo geral, são modestas, estando ao alcance de todo criador.
O importante na criação de todas essas aves é introduzir sangue novo, principalmente nos reprodutores, para evitar consangüinidade.
A avicultura brasileira iniciou com Cabral, que trouxe para o Brasil os primeiros exemplares de aves de raça pura. Estas aves eram criadas soltas a campo e daí originou o nome popular de Galinha Caipira, nome originário do Tupi guarani. Devido ao sistema de produção utilizada até
hoje, estas aves sofreram um processo de degeneração, com conseqüente perda de produção e produtividade, porém ainda existe em mais de 80% das propriedades mineiras, contribuindo para melhorar a alimentação das famílias e muitas vezes servindo como parte de renda auxiliando substancialmente a economia familiar. Merece, em função disto, um trabalho na área de extensão rural visando melhorar principalmente a produtividade destas criações ditas caipiras, para aumentar a disponibilidade de carne e ovos para consumo próprio ou para incremento de renda.

Criação de aves domésticas: Galinhas

SELEÇÃO DO PLANTEL

Com este trabalho pretendemos provocar uma seleção do plantel existente visando seu melhoramento, descartando as aves que não se enquadram nos itens abaixo.

Escolha das Galinhas:
• Selecionar as galinhas que demonstram ser saudáveis, semdefeitos físicos e dóceis;
• Boa conformação corporal;
• Cristas e barbelas bem desenvolvidas;
• Por ovos com freqüência e de bom tamanho com formato regular;
• Menor tendência ao choco e manter-se em postura quando a maioria das galinhas estiverem em muda.

Escolha do Galo: 
• Devem ser vigorosos, sadios, não apresentar defeitos físicos ou de aprumos;
• Musculosos e pesados;
• Sexualmente ativos;
• Manter a proporção de um galo para dez galinhas;
• Ser mantido no plantel no máximo 30 meses;

INTRODUÇÃO DE AVES MELHORADAS

É possível provocar o melhoramento genético do plantel, sem precisar mudar o sistema produção e com pouco investimento.
Para tanto recomendamos a introdução de aves já melhoradas geneticamente que serão cruzadas com aves do plantel previamente selecionadas.

As aves que recomendamos deverão apresentar características de dupla aptidão - carne e ovos.
• Raças Puras - Rhode Island Red, Plimauth Rock Bared, New Hampshire;
• Aves híbridas de ovos vermelhos;
• Isa Browm;
• Hy-line Browm;
• Shaver Browm;
• Label Rouge;
• Aves Canadense - Paraíso Pedrez.

MANEJO DE PINTINHOS

A grande mortalidade dos pintinhos é verificada nas criações que não usam nenhuma tecnologia;
Os pintinhos requerem maiores cuidados principalmente nos primeiros 20 dias, pois eles não tem capacidade de regular sua temperatura corporal. por este motivo eles devem ser aquecidos pelas mães ou aquecimento artificial.
Após o nascimento deverão ser retiradas do ninho as cascas de ovos gerados e o material que foi utilizado no ninho como forro e trocando-o por material limpo e seco, deixando que a galinha abrigue sua ninhada.

Nas primeiras 24 horas após o nascimento não precisa dar alimentação pára os pintinhos, quando o produtor colocar para chocar várias galinhas e a eclosão não for uniforme pode-se juntar as ninhadas de forma que cada galinha não tome conta de mais 15 pintinhos.
Quando a propriedade for dotada de energia elétrica os pintinhos poderão ser colocados em pinteiros providos de comedouros, bebedouros e aquecimento através de uma lâmpada elétrica, que será usada 10 dias no verão e 15 dias no inverno.
A temperatura no interior do pinteiro deve ser regulada levantando ou abaixando a lâmpada ou compânula a gás, de acordo com o comportamento das aves. Quando os pintinhos se amontoarem debaixo da fonte de aquecimento é sinal que estão com frio ou quando se afastarem muito da fonte indica que está muito quente.
Quando a opção for adquirir pintinhos melhorados de incubatórios sugerimos utilizar c[circulo de proteção, cama, comedouro e bebedouro e fonte de calor.

MANEJO DA RECRIA

• Após 30 dias o empenamento estará completo e as aves poderão ser soltas lentamente onde irão adquirir o hábito de ciscar e procurar alimento, e receberão o mesmo manejo das aves adultas.
• Nesta fase inicia-se a seleção das melhores aves para a reprodução, as demais serão engordadas e vendidas para o abate (machos e fêmeas).
• Os machos neste período são facilmente reconhecidos, estes são mais fortes (20%±) que as fêmeas e também tem a crista bem mais vermelha.

MANEJO DE AVES ADULTAS

As aves de reprodução que permanecerão no plantel devem ser sadias e estar em bom estado físico. Os machos também devem ser sadios, vigorosos e bons reprodutores.
Recomenda-se 1 galo para 10 galinhas para haver uma boa fertilidade.
Ninhos - deve-se utilizar 1 ninho para 4 galinhas e estes devem ser fechados à noite, para evitar que as aves durmam nele, e serão colocados em locais que ficarão na penumbra, pois ninhos muito claros no seu interior, as aves rejeitam e muito escuro as aves aninham.

A cama do ninho deve ser macia e confortável, feita com materiais como capim seco picado, casca de arroz, serragem e folha de fumo, que contribui para o controle ao piolho e sarna, deve ser mantido sempre limpo e com espessura de 7 a 10 cm.
Os ovos devem ser colhidos diariamente, estes terão dois destinos. Os destinados à comercialização, devem ser limpos e guardados em ambientes frescos, geladeiras ou caixas de isopor, afim de preservar sua qualidade. Deve-se ter o cuidado de armazenar os ovos com a
extremidade mais fina voltada para baixo, afim de preservar a câmara de ar.
Ovos para incubação - devem ser colhidos mais vezes ao dia, sem trincas, sem sujeiras, tamanho médio para grande, formato normal.
Condicionamento - em pentes com extremidade maior voltada para cima e num período máximo de 7 dias.
Para haver uma boa eclosão deve-se colocar de 9 a 13 ovos para que a galinha o cubra totalmente.
Próximo aos ninhos onde as galinhas estão chocando deve haver água e ração à vontade.
As aves devido a idade, desenvolvimento sexual incompleto, e com início de mudas precoces não produzem ovos, e portanto, devem ser descartados.



É importante deixar boas chocadeiras para se fazer incubação natural dos ovos.
A postura ocorre com freqüência de aproximadamente até 10 horas da manhã, portanto neste período as aves devem ficar presas.




Criação de Cateto e Queixada


O cateto e o queixada são pertencentes à mesma família: os tayassuídeos. São muito semelhantes, contudo, o cateto tem um porte menor, com cerca de 25 quilos, 40 centímetros de altura e 95 centímetros de comprimento, além de possuir um colar de pêlos brancos em volta do pescoço. O queixada tem um porte maior, cerca de 35 quilos, 55 centímetros de altura e 1,10 metro de comprimento e ainda possuí uma vasta coleção de pêlos brancos na mandíbula e no focinho (ROCHA, 1998). 
O peso dos animais pode variar muito de acordo com o local em que o animal vive, tendo influência a quantidade de alimento por ele obtido (MORAES, 1992). 
Os tayassuídeos vivem em uma grande variedade de habitats, incluindo regiões de clima árido e florestas tropicais úmidas (DEUTSCH, 1988). Ainda existem controvérsias entre os autores sobre o hábito alimentar dos tayassuídeos, alguns os classificam como onívoros, outros acham a classificação inadequada devido a pouca proporção de material de origem animal encontrado em seu trato digestivo. Devido à sua ampla distribuição geográfica, os tayassuídeos tem uma longa lista de alimentos consumidos. Uma análise dos conteúdos estomacais de 17 catetos que viviam em floresta tropical úmida, no Peru, mostrou que partes reprodutivas de plantas, fragmentos de sementes e frutos representaram 71% do conteúdo estomacal, enquanto as partes vegetativas, pedaços de folhas e colmos constituíram 29%. Havia ainda, traços de alimentos de origem animal, especialmente partes do corpo de insetos. Concluiu-se que o cateto é onívoro, mas que em floresta tropical úmida ele é, predominantemente, frutívoro (MORAES, 1992). 
Cada grupo utiliza uma área de mais ou menos oito quilômetros, sendo a parte central de uso exclusivo do bando e a parte periférica compartilhada com outros grupos. Possui uma glândula dorsal que é utilizada para marcação do território através da sua esfregação em árvores e outros objetos e também para identificação dos membros do grupo (NOGUEIRA FILHO, 1999). 
Em criações intensivas ou semi-intensivas é indispensável a utilização de cercas. Deve existir uma área coberta, que possa ser isolada formando um cambeamento, para um manejo melhor dos animais. A densidade recomendada é de 1 animal por 10 metros quadrados, mantendo a relação de 1 macho para 4 fêmeas. Atualmente, a criação de tayassuídeos tem tendenciado para um sistema extensivo, onde os custos de implantação e manutenção são mais reduzidos. Esse sistema exige grandes extensões de mata, subprodutos acessíveis e pouca pressão de caça e predação natural (MORAES, 1992). 

Figura 8: Cateto ( Tayassu tajacu ) 

Mesmo considerando o fato da carne de cateto e queixada alcançarem preço maiores no mercado, quando comparada com carne de capivara e de jacaré, ainda sim a atividade encontra concorrência com a carne de javali (ROCHA, 1998). 
Ao nascer, o cateto pesa cerca de 500 a 600 gramas, podendo ganhar 300 gramas por semana. No caso do criadouro, a idade de abate é de 1 ano, com peso médio de 22 quilos. Para alimentação, fornece-se ração suína, frutas, raízes e tubérculos (PRADA, 

Figura 9: Queixada ( Tayassu pecari ) 









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20 de fev. de 2020

Criação de Capivara



A capivara é o maior roedor do mundo, alcançando em média, 1 metro de comprimento por 65 centímetros de altura e pesando de 50 a 65 quilos. É encontrada sempre habitando as margens dos rios, brejos e lagoas, preferindo proximidade de matas e cerrados (SANTOS, 1956). 
Figura 6: Ilustração de Capivara (Hidrochoerus hidrochoeris). 
Como não possui glândulas sudoríparas bem desenvolvidas e as presentes encontram-se muito esparsas, necessita de água ou de abrigo sombrio para a regulação da temperatura corporal, além da cópula, que geralmente também ocorre dentro d’água. (ALHO, 1986). Como a maior exigência é de água, usada em banhos constantes, é preciso que antes de começar a criação sejam construídos tanques ou aguadas. 
A capivara é um herbívoro por excelência, que se alimenta de capins em geral, embora aceite raízes, milho, mandioca, cana-de-açúcar, bananas verdes, talos de bananeira, entre outros. Elas utilizam melhor a forragem e os concentrados de coelhos e ovinos, pois possuem grande capacidade digestiva. O estômago digere 10% dos alimentos, o intestino delgado 3%, o ceco 74% e o intestino grosso 13% (ROCHA, 1997). Quando criadas somente com capim-elefante (Pennisetum purpureum) apresentam ganho de peso de 38 a 41 gramas por dia, enquanto animais alimentados com pasto mais ração concentrada, apresentam ganho de peso de 89 a 127 gramas por dia (NEGRET, 1994). 
As capivaras constituem interesse tradicional de caça no Brasil. Na Amazônia, onde habitam as várzeas e os vales de rios e igarapés, são caçadas pelo homem ribeirinho acostumado a comer basicamente peixe, quando sua carne representa uma preciosidade. No Nordeste e nos vales de rios do Brasil central, as capivaras são raras, bem como no sul, onde os gaúchos apreciam sua carne. No Pantanal são encontradas capivaras em boas condições ecológicas em seus habitats naturais (DEUSTCH, 1988). 
Atualmente existem criadouros em sistema intensivo, semi-intensivo e extensivo (ROCHA, 1997). No sistema intensivo os animais são mantidos em áreas delimitadas por cerca, onde grande parte da alimentação é fornecida no cocho. No sistema semi-intensivo os animais são mantidos em áreas cercadas relativamente grandes e parte da alimentação é fornecida através de pastagens e outra é fornecida no cocho, principalmente nas épocas de escassez de pastagens. No sistema extensivo não há cercas em torno da área de criação, os animais são condicionados na área de criação através de cevas alimentares. Fatores de resistência do meio, tais como competição, predação e restrição alimentar são parcialmente controlados. Dessa forma há um ótimo nível de produção de animais. 
A quantidade de animais do criatório é relativa a diversos fatores de infra-estrutura, manejo e alimentação. 1 hectare (10.000 metros quadrados) cercado, pode abrigar cerca de 3 reprodutores, 12 matrizes e uma prole para terminação (entre filhotes e animais jovens) de cerca de 30 animais, ou seja, 45 animais ao todo (ROCHA, 1997). 

Figura 7: Capivaras (Hidrochoerus hidrochoeris). 



Esses índices propostos por Neto (1997) são de um criatório completamente estabilizado, isso é, onde os animais já estão aclimatados e condicionados ao manejo e principalmente onde os grupos familiares estão formados e estáveis. Em criadouros recém instalados, os índices zootécnicos ainda não estão dentro dos níveis ótimos obtidos em criadouros com pelo menos três anos. Isso é devido à delimitação do espaço por cercas e a pressão entre as famílias, contudo, depois dos primeiros anos os animais mais problemáticos são extraídos, as famílias se estabilizam e a produtividade aumenta. 






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10 de fev. de 2020

Vida de Garanhão



Foi um dos mais notáveis reprodutores da raça Campolina em todos os tempos. Produziu 45 Campeões Nacionais e 16 Reservado Campeões Nacionais, entre potros, potras, éguas e garanhões. Nasceu na Fazenda Palestina, município de Entre Rios de Minas. Foi vendido para o proprietário da Fazenda Serra do Paraiso, criatório sufixo "Angelim", em Potyragua, Bahia, onde foi o responsável pela notoriedade alcançada por aquele criatório. De lá, foi transferido para o Estado do Rio de Janeiro, por volta dos 16 anos de idade, pela quantia de Um milhão de dólares, na época o maior negócio já realizado na América do Sul envolvendo um garanhão. Foi comprado por um grupo de criadores cariocas, que constituíram um condomínio.
Gas Dengoso, conhecido no Brasil apenas como Dengo, reinava em uma fazenda montada só para ele e seu vasto harém. Diariamente chegava alguma égua para ser servida. A sua herança proliferava. Mas o destino foi cruel para este garanhão fora de série. Uma úlcera fulminante terminou com seu reinado antes de completar um ano de permanência no Rio de Janeiro. Mas sua herança continua viva em centenas de filhos, filhas, netos, netas ....

        A vida dos garanhões corre sérios perigos com os distúrbios intestinais, provocados, principalmente, pela ingestão de quantidades excessivas de ração concentrada, de capim picado fermentado, muito fibroso ou mal triturado. Em um livro publicados pelo Zootecnista Lúcio Sérgio de Andrade e o criador de campolinas José Eugênio Câmara Filho - Pesquisa Histórica e de longevidade de garanhões notáveis da raça Campolina -, foi constatado que quase 50% das mortes prematuras dos animais foi devido às cólicas intestinais.

- Nesta mesma obra é relatada a morte de um reprodutor que fez história na raça Campolina, o Xerife de Passa Tempo. Nascido na Fazenda Campo Grande, sudoeste mineiro, Xerife foi transferido ainda jovem para outra fazenda no norte de Minas, onde vivia com muita saúde, apesar de dois casos de cólicas renais após viagens de caminhão para deslocamento até outras propriedades com a finalidade de servir éguas.

Aos 23 anos de idade, em 1982, Xerife foi homenageado na Semana Nacionaldo Cavalo Campolina, em Belo Horizonte. Naquela mostra,estiveram presentes no Parque "Bolivar de Andrade" (criador do Xerife de Passa Tempo) 250 descendentes diretos, entre filhos(as) , netos (as) e bisnetos (as). Era impressionante o fato de um garanhão nascido há duas décadas atrás ainda se apresentar atual, e com uma virtude extra, uma marcha batida clássica de fazer inveja aos campeões nacionais de marcha daqueles tempos. Antes de retornar para o norte de Minas, Xerife fez uma escala para descanso e recuperação do estresse na Fazenda Campo Grande. Mas com 15 dias, sobreveio uma forte cólica renal.

O competente e renomado Médico Veterinário Prof. Biondini, passou dois dias e noites cuidando do Xerife, mas não houve solução. Lá se foi o "Xerife da raça Campolina"...Um outro reprodutor notável da linhagem "Passa Tempo" na raça Campolina foi o Expoente de Passa Tempo, o nome fala por este garanhão. Era mesmo fora de série. Além da sua trajetória vitoriosa nas pistas, tendo conquistado todos os títulos nacionais possíveis já aos 4 anos de idade, Expoente também fez história como reprodutor, tendo deixado inumeros campeões nacionais.Mas dois fatos chamam a atenção na vida deste garanhão. Um, o de não ter produzido fêmeas tão boas quanto os machos.

O segundo, por ter gerado algunas cavalos que se tornaram famosos pelo mal comportamento, sendo que um deles, o Quinau de Passa Tempo, encerrou um julgamento em Goiânia/1979, ao morder as costas de seu apresentador e tomar o cabresto, provocando uma badérnia jamais vista em uma pista de julgamento. Ocorre que havia uma tropa de cavalos de rodeio e bois no centro da pista, aguardando o momento do Rodeio. Quinau pulou para dentro daquela pista e foi cavalo e boi para todo lado,acabando com todos os julgamentos que aconteciam simultaneamente ao da raça Campolina. Expoente era um cavalo de uma docilidade a toda prova.

Mas o mesmo não poderia ser dito para seu pai, o Miraí Rififi. Este sim,era um leão, somente o seu tratador entrava na baia. É a genética do temperamento, que foi buscar no avô, os genes indesejáveis.Assim como o temperamento, muitos outros aspectos da criação de equinos são fortemente marcados pela genética, que é uma ciência fria, calculista, muitas vezes ignorada ou mal avaliada por aqueles que se consideram selecionadores.

Rio Verde não foi cria da Fazenda Campo Grande, linhagem "Passa Tempo", onde chegou ainda potro, no ano de 1928, recebido pelo Cel. Gabriel Andrade de presente, dado pelo amigo José Octavio Carneiro, na época, destacado criador no sul de Minas, em Conceição do Rio Verde. Por um descuido, Rio Verde foi vendido antes de ter sido testado na reprodução. Como Rio Verde era a melhor montaria da fazenda, o Cel. Gabriel gostava de oferecê-lo para as visitas montarem. Porém, cavalo árdego e muito sensível, Rio Verde não aceitava comandos inexperientes. Após a queda de um amigo, o Cel. Gabriel se aborreceu e resolveu vender Rio Verde. Quando sua primeira e única prole nasceu, foi um espanto geral. Bolivar de Andrade (filho caçula do Cel. Gabriel) de imediato disse: "Reprodutor igual ao Rio Verde, somente outro Rio Verde". Durante alguns anos a familia e amigos procuraram sem sucesso pelo paradeiro do Rio Verde. Quando esperanças já não existiam, um telefonema de um amigo trouxe notícias animadoras. Um cavalo castanho escuro, preenchendo a descrição do Rio Verde, foi visto no extremo nordeste do Estado, divisa com a Bahia, nas mãos de um cigano, servindo, até mesmo, como animal de carroça. Bolivar enviou um amigo para conferir, levando um cheque assinado em branco. Era mesmo o Rio Verde. Após nove anos, finalmente tinha sido encontrado. Havia sido vendido por 2 contos e oitocentos mil réis. Foi readquirido por 3 contos de réis. Assim, Rio Verde retornou, para desempenhar a mais nobre das funções: estruturar definitivamente a base genética da tradicional linhagem Passa Tempo e consolidar a trajetória gloriosa dos exemplares "marca F". Rio Verde morreu aos 31 anos de idade, deixando cinco éguas prenhes. Morreu de parada cardíaca, logo após servir uma das éguas. Por iniciativa futura e oportuna de Márcio Andrade (sucessor de Bolivar de Andrade) um monumento do Rio Verde foi erguido em frente à casa sede da Fazenda Campo Grande, com todas as medidas lineares, em cuja placa encontram-se gravadas as seguintes palavras: "Entre todos o mais inteligente; montado, o melhor; como reprodutor, incomparável" Nasceu em 1926 e morreu em 1957.




2 de fev. de 2020

Mercado para Animais Silvestres



A produção e comercialização de animais silvestres é um sistema bastante complexo e quem investe, ou quer investir na atividade, precisa estar atento à tecnologia, mas não pode, de maneira nenhuma, esquecer a questão mercadológica (KINLAW, 1996). 
A pecuária alternativa ou silvestre, como também é chamada e inserida no contexto de econegócio, deve ser tornar regra nos próximos anos. As empresas e propriedades que atualmente estão investindo nesses seguimentos, carregam o ônus do pioneirismo pois estão abrindo o mercado (ROCHA, 2001). 
Nos últimos anos, inúmeros interessados na criação de animais silvestres foram desestimulados pela burocracia da legislação vigente, remetendo uma enorme necessidade de adaptação do mercado interno e de políticas governamentais que favoreçam as atividades ambientais desenvolvidas no país, pois será desvantajoso para o Brasil, manter uma legislação mais restrita para o uso da fauna silvestre do que a de nossos vizinhos perante o MERCOSUL. Será frustrante para o empresário nacional ver os consumidores brasileiros comprarem carne de jacaré, por exemplo, manufaturados na Argentina, legalizados na Paraguai e extraídos dos brejos do Pantanal brasileiro (ROCHA, 2001). 
A competitividade constitui, nesse século, a maior preocupação em todos os setores e atividades. Diante dessa realidade, os setores do agronegócio são pressionados a promover mudanças estratégicas em ritmo cada vez mais acelerado. O setor de produtos silvestres enfrenta mudanças turbulentas diante de um processo de reestruturação semelhante ao vivido em décadas passadas em países como Argentina, Venezuela, Bolívia e Paraguai. Entretanto, pode-se tomá-los como exemplos, fazendo uma análise da realidade do país, porém, não se pode ter um raciocínio simplista e acreditar que as soluções que foram aplicadas em outros países poderão ser adequadas para o Brasil. A produção interna do país não é suficiente para abastecer o mercado devido ao número de criadores legalizados ou à quantidade de matrizes e reprodutores. Com a abertura das importações e exportações pelo MERCOSUL, o setor passou a encarar, de uma hora para outra, uma competição com o produto externo, ou seja, os produtos oriundos de animais exóticos e até mesmo os produtos silvestres brasileiros manufaturados em países vizinhos, revendidos no Brasil como produtos de exportação (CARRER, 2001). 
O mercado brasileiro e internacional tem se mostrado ávido por carnes silvestres e exóticas, com menos gordura e colesterol, além do aspecto turístico. No Brasil, esse filão tem sido suprido pela caça predatória que ameaça de extinção inúmeras espécies. Daí o interesse para institucionalizar um amplo programa de criação, abate e comercialização de animais silvestres. Sobretudo, buscando a preservação das espécies mediante a conservação dos habitats naturais e porcentagem de reposição obrigatória por parte dos criadores (ROCHA, 2001). 
Pode-se dizer que para quem está entrando na atividade é difícil imaginar que existiria mercado, mas o detalhe é que só existe mercado se houver o produto. O país está numa fase onde não há o produto em oferta regular e constante, então se torna complicado abrir o mercado sem ter o produto. 
Segundo Oliveira (2008), hoje a criação de animais silvestres se encontra em transição e por esse motivo o criador precisa pensar, com muita cautela, numa estratégia de criação, abate e comercialização. A medida que vão aumentando as propriedades, vão se criando novos pontos de mercado. Por exemplo, o preço da capivara é o mesmo de seis anos atrás, pois conforme aumenta a oferta, os produtores tentam abrir o mercado. A Prófauna já chegou a exportar carne de capivara, mas a produção reduzida não viabiliza todo o esquema comercial para exportação. O ideal seria aumentar a produção, principalmente em fronteiras agrícolas e criar novos canais de comercialização. Se o sistema for bem dosado, a produção não vai sofrer como em alguns sistemas tradicionais onde, às vezes, existe maior oferta do que demanda do produto.




29 de dez. de 2019

MONTAGEM E OPERAÇÃO DO ABATEDOURO PARA ANIMAIS SILVESTRES



MONTAGEM E OPERAÇÃO DO ABATEDOURO 
Segundo Oliveira (2008), abatedouro trata-se de um estabelecimento comum registrado junto às autoridades sanitárias como abatedouro de pequenos animais e registrado junto ao IBAMA para abate de animais silvestres. Para um melhor entendimento do funcionamento de um abatedouro é necessário conhecer as instalações e equipamentos, as técnicas de abate e corte da carne e como é feita a inspeção sanitária. O abatedouro da empresa Pró-fauna será utilizado como modelo. 

6.1. Instalações e equipamentos 
Em um galpão dividido em baias, cujo acesso é feito por um corredor central, são alojados os animais a serem abatidos. As baias são em piso de concreto e são separadas por muretas de alvenaria, completadas por divisórias de telas de alambrado até o teto. O acesso dos animais é feito por um portão tipo guilhotina, que facilita o manejo (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Externamente existe um embarcadouro por onde os animais são retirados do caminhão de transporte. Entre o galpão de recepção e a sala de abate há um corredor por 
onde os animais são conduzidos. O transporte dos animais é feito por um caminhão cuja carroceria é subdividida em compartimentos separados por grades de ferro escamoteáveis, de maneira que permitem a circulação dos animais entre elas durante o embarque e o desembarque. Essa estrutura permite transportar os animais com segurança, facilitando o manejo, impedindo brigas e evitando fugas (PRÓ-FAUNA, 2009). 
No prédio onde funciona o abatedouro propriamente dito, existem duas caixas de água de 5 mil litros cada, que garantem o fornecimento ao abatedouro. Cada uma delas é equipada com um filtro na tubulação de abastecimento e com uma bomba de cloro na saída de água. Consome-se em média 100 litros de água por animal abatido (PRÓ-FAUNA, 2009). 
As janelas devem estar isoladas por telas, evitando a entrada de insetos e o acesso ao vestiário e ao banheiro devem ser feitos externamente. Na porta de acesso à área interna do abatedouro é indispensável uma pia para a limpeza das mãos e braços dos funcionários e também um pedilúvio para desinfecção das botas de borracha (a desinfecção pode ser feita com uma solução de cloro ou de água sanitária diretamente na água do pedilúvio). Também na parte externa do prédio, está uma área coberta para embarque de produtos para comercialização e o desembarque de insumos para a operação do abatedouro (PRÓFAUNA, 2009). 
O acesso é feito por uma ante-sala, vizinha à sala de abate, da qual se vai para a área de evisceração, local também utilizado para a inspeção sanitária. Ao lado está a sala de corte e a sala de embalagem, de onde se tem acesso à câmara fria que é dividida em dois compartimentos: o de resfriamento e o de armazenamento. Na parte interna do abatedouro, os pisos e paredes são revestidos de material impermeável. Preso ao teto está um trilho de transporte por onde as carcaças percorrem todas as instalações de processamento. Na 
portinhola de entrada dos animais estão duas gaiolas: uma com guilhotina de acesso á área externa e outra com guilhotina de acesso à área interna. Ao lado está o aparelho insensibilizador e seu painel de controle, que através de choque elétrico de 300 volts insensibiliza o animal para o momento da sangria. Outra estrutura é o tanque de coleta de sangue, sobre o qual é feita a sangria. É preciso outro tanque, que pode ser de inox, para ser o tanque escaldador, que serve para a retirada dos pêlos e que opera por um sistema de aquecimento a gás. Também com água aquecida opera uma bomba, tipo lava jato, que permite uma melhor higienização das carcaças (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Para as embalagens é preciso uma seladora a vácuo e/ou um rolo de fio de PVC. A última instalação a ser destacada é a câmara fria, que como já foi dito, se divide em dois compartimentos. Internamente as carcaças ficam dependuradas para o resfriamento (2° a 7° graus Celsius) antes do corte. Depois de cortadas e embaladas, as peças de carne vão para a câmara de armazenagem (-10° graus Celsius) (PRÓ-FAUNA, 2009). 

6.2. Operação do abatedouro 
Preliminarmente, a inspeção “ante-mortem” é feita pelo exame visual de caráter geral no momento do desembarque, observando cuidadosamente o comportamento dos animais, que devem estar com boa aparência, sem demonstrar cansaço excessivo e sem febre ou infecções. Depois do exame os animais são colocados nas baias, onde ficam em jejum por 24 horas, servidos apenas por água. Com o jejum é possível retirar as vísceras e os intestinos do animal com riscos pequenos de rompimento, preservando a higiene da 
carcaça e evitando contaminação. O jejum também diminui a energia do animal, permitindo melhor conservação da carne (DEUTSCH, 1988). 
A Lei do abate humanitário e proteção aos animais tornou obrigatório o uso de equipamentos insensibilizadores que produzem um choque elétrico e insensibilizam os animais, dando mais velocidade no abate e mais qualidade na carne. A norma, nesse caso, é provocar o menor estresse possível na hora do abate para obter uma carcaça de melhor qualidade (IBAMA, 2009). 
Assim que o animal fica inconsciente, é suspenso pelo guincho por uma das pernas traseiras, onde previamente se prende ao gancho. Em seguida, é feita a sangria contando-se a veia jugular com uma faca apropriada. A duração é de, no mínimo, três minutos, sendo que o sangue é coletado em recipientes especiais destinados a esse fim. Após a sangria é feita a pelagem com água quente no tanque escaldador. Depois de escaldados, os animais são depilados e são retiradas as unhas e a cabeça, em seguida a carcaça é lavada novamente com jatos de água quente. Procede-se, então, a evisceração do animal, que se inicia com a abertura do peito feita com uma faca própria, seguida pelo corte longitudinal da barriga (OLIVEIRA, 2008). 
Efetuadas essas operações, retiram-se as vísceras que são colocadas sobre uma mesa para serem submetidas à inspeção sanitária. Quando é encontrada alguma anomalia, a carcaça e os órgãos correspondentes são desviados para uma área reservada para inspeção detalhada e o veterinário do serviço de inspeção, juntamente com seus auxiliares, cumprem essa fiscalização final. Essa é uma tarefa que deve ser realiza com total atenção, observando se existem alterações de consistência, cor, presença de nódulos, abscessos, cistos, etc. Nenhuma peça que apresente qualquer alteração, deve ser liberada para consumo antes da inspeção (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Retiradas as vísceras, (que já inspecionadas podem ser descartadas em fossas sépticas ou incineradas, não havendo aproveitamento comercial), faz-se a divisão da carcaça ao meio, usando uma serra no sentido longitudinal da coluna vertebral. Depois de divididas, as meias carcaças passam por um novo processo de inspeção sanitária e quando aptas para o consumo, são carimbadas pelo veterinário do serviço de inspeção e ainda levam o carimbo do IBAMA, atestando que a origem da carne é de um criatório legalizado. Em seguida, as meias carcaças são levadas até a seção de pesagem e seguem para a câmara fria, onde são resfriadas e armazenadas por 24 horas. Só depois de resfriadas as carcaças vão para o corte, onde são divididas em partes. Posteriormente, são embaladas e já podem ser comercializadas (OLIVEIRA, 2008). 

6.2.1 Corte 
Nas meias carcaças de capivara, por exemplo, os corte são feitos em quatro partes: 
paleta, pernil, costela e carré (OLIVEIRA, 2008). A paleta é constituída pela pata dianteira. O pernil é a parte traseira. A parte que separa o pernil da paleta é dividido em duas partes: o carré (onde está o lombo) e a costela (que é a parte com menor quantidade de carne). Geralmente, esse mesmo esquema de corte segue para as outras espécies de mesmo porte da capivara. 
Figura 4: Localização dos cortes de Jacaré do Pantanal (Cayman yacare) efetuados pela COOCRIJAPAN em sua instalação frigorífica. 

6.2.2 Embalagem 
Terminado o corte da carcaça, já se tem o produto comercial do abate, que são as peças que serão distribuídas nos pontos de venda. Essas peças podem ser embaladas de diversas maneiras. Destaca-se o fio de PVC, onde a carne é revestida até que fique isolada, garantindo a conservação. Outra forma é a seladora a vácuo parcial. O aparelho, antes de selar o saco plástico, retira a maior parte do ar existente no interior da embalagem, o que melhora a conservação do produto (PRÓ-FAUNA, 2009). 
Seja em qualquer tipo de embalagem, é obrigatória a colocação do rótulo onde diversas informações devem estar presentes, como a identificação da espécie, o corte embalado, que nível de inspeção sanitária foi feita (se municipal, estadual ou federal), a identificação e o endereço do abatedouro e o número do registro junto ao IBAMA 
(ROCHA, 2001). 

Figura 5: Carne congelada de jacaré. 

6.3 Fiscalização 
O Decreto 7.889, de 23 de novembro de 1989, estabelece as competências de cada órgão governamental, no que diz respeito à fiscalização de abates de animais, segundo o tipo de comercialização a ser efetuada. O Decreto 7. 889 também define que as Secretarias Municipais de Agricultura deverão ser as responsáveis pela fiscalização do abatedouro no 
caso da comercialização municipal; as Secretarias Estaduais dos Estados, Territórios e Distrito Federal serão as responsáveis no caso de comercialização intermunicipal; e o Ministério da Agricultura será o responsável no caso da comercialização interestadual ou internacional (MAPA, 2009). 
Os abatedouros são caracterizados segundo o destino dos produtos que serão comercializados, ou seja, deverão possuir inspeção federal aqueles que realizarem comércio de produtos interestadual ou internacional; os estabelecimentos que realizarem negócios intermunicipais deverão possuir inspeção estadual; e os estabelecimentos que realizarem comércio local, ou seja, dentro dos próprios municípios, deverão possuir inspeção municipal. Além disso, os abatedouros deverão estar previamente registrados no órgão competente antes de entrar em funcionamento. Existe uma definição para os matadouros, segundo o regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária dos Produtos de Origem Animal, o RIISPOA, no 2° parágrafo do artigo 21: “estabelecimentos dotados de instalações adequadas para a matança de quaisquer das espécies de açougue, visando o fornecimento de carnes em natureza ao comércio interno, com ou sem dependências para industrialização”. 
Os maiores concorrentes dos abatedouros comerciais são os abatedouros clandestinos. Entretanto essa concorrência tende a desaparecer à medida que o consumidor vai adquirindo consciência dos riscos que corre provenientes desse tipo de abate e também à medida que o governo assume as suas responsabilidades com a saúde pública. Se o produto não estiver cadastrado em um dos serviços de inspeção, (que foram citados anteriormente), trata-se de um produto clandestino. Esse cadastro é muito importante, pois se alguma peça de carne não estiver apta para consumo, ela será investigada conforme a 
sua origem e deverá ter o cadastro em alguns dos serviços de inspeção sanitária (MAARA, 1995). 
Para o aproveitamento completo de todas as matérias-primas do abate, pode-se produzir rações com farinha de ossos ou carne. Muitos produtos farmacêuticos são produzidos utilizando a bile, as glândulas de secreção interna, as placentas e outros 
(GIANNONI, 2001). 

6.4 Higiene 
Deve-se considerar que a carne é facilmente contaminada e os alimentos mal manipulados servem como veículo de transmissão de infecções e intoxicações para o consumidor (ROCHA, 2001). 
Segundo Oliveira (2008), para produzir alimentos, deve-se observar rigorosamente o seguinte: 
- As pessoas que estiverem envolvidas no trabalho devem ser sadias e conhecedoras das técnicas recomendadas para cada tipo de produto. Elas devem, ainda, conhecer e aplicar todos os cuidados de higiene necessários como, por exemplo, lavar e desinfetar bem as mãos antes de qualquer atividade; estar bem uniformizadas, com uniformes de cor branca que estejam sempre limpos; usar boné ou gorro para evitar a queda de cabelos nos alimentos; botas de borracha branca, fáceis de serem lavadas; e aventais impermeáveis; 
- As matérias-primas e insumos devem ser de ótima qualidade; 


- Com respeito aos utensílios, equipamentos e instalações, devem-se ter cuidados especiais. Eles devem ser próprios para o trabalho, bem lavados e desinfetados. A limpeza e desinfecção dos equipamentos devem ocorrer antes e após o seu uso. Nunca deixar para o dia seguinte, pois isso irá dificultar o trabalho e aumentar as chances de contaminação. 

Na limpeza, devem ser usados detergentes neutros e biodegradáveis que não deixem resíduos prejudiciais ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Esses produtos são apropriados para a indústria de alimentos e possuem ótima capacidade de limpeza. É bom fazer sempre uma pré-enxaguagem com água fria antes de aplicar o detergente. 
A desinfecção pode ser física ou química, o que vai depender do material a ser utilizado. O vasilhame, os utensílios metálicos, as mesas em aço inox e o prato de balança podem ser desinfetados com água quente. Outras vasilhas e utensílios que não resistem ao calor, bem como as paredes e os pisos, devem ser desinfetados com produtos químicos a base de iodo ou cloro, ou então, com outros tipos de produtos recomendados para a indústria de alimentos. A desinfecção química pode ser feita por imersão, por aspersão, ou mesmo despejando a solução sobre os equipamentos que se deseja desinfetar. Após a desinfecção, não é necessário enxaguar o material, é preciso deixar apenas escorrer o excesso do desinfetante e o equipamento pode ser utilizado imediatamente.