A exploração zootécnica de espécies silvestres, por ser uma boa alternativa econômica e ambiental, tem atraído a atenção e o investimento de muitos produtores rurais. A competição nas atividades tradicionais, o alto valor agregado e a normatização da criação de animais silvestres para fins comerciais, são fatores que contribuem para a ampliação da atividade. Centenas de criadores de animais silvestres se estabeleceram no Brasil interessados na tecnologia de criação em cativeiro, deixando a questão mercadológica relegada a segundo plano. O objetivo desse trabalho é responder algumas perguntas, levantar possibilidades e indicar diretrizes referentes ao sistema de criação, abate e comercialização de animais silvestres, abordando alguns tópicos como os aspectos legais e ambientais, as espécies a criar, os sistemas de produção, o manejo sanitário e reprodutivo, a montagem e a operação de um abatedouro, as formas de comercialização, o mercado, os exemplos de empresas e a importância econômica que a produção de carnes de animais silvestres tem para o país.
16 de set. de 2018
9 de set. de 2018
Raças Caprinas e suas Características
A produção de carne caprina no Brasil possui forte caráter regional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região Nordeste é responsável por mais de 90% da criação brasileira, com aproximadamente 8.109.672 cabeças. De acordo com previsões da Embrapa Ovinos e Caprinos, a tendência é que esse mercado seja mais valorizado.
Nos últimos 5 anos, a produção de carne caprina registrou uma taxa de crescimento de 1,4% ao ano. Segundo o pesquisador Octavio Morais, da área de melhoramento genético da Embrapa Ovinos e Caprinos, a caprinocultura é um mercado a ser explorado. “Embora ainda tenha alguns preconceitos com relação ao consumo da carne, ela é saborosa e saudável”, afirmou o pesquisador.
Moxotó
Das raças brasileiras, a Moxotó é a única reconhecida oficialmente. Os animais são considerados de pequeno porte, com uma média de peso em torno de 34 quilos. É mais conhecida pela produção de carne e pele, pois a produção de leite é pequena, cerca de 0,5 litro por dia. As criações concentram-se principalmente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí e Bahia.
Canindé
Os caprinos da raça Canindé são nativos do estado do Piauí. São animais de grande rusticidade, alta capacidade reprodutiva e de características fenotípicas bem definidas. Essa raça é responsável pela maior produção de leite de cabra no Brasil. Dentre as características físicas estão chifres dirigidos para trás, pelagem preta e porte médio.
Alpina
A raça é originária da parte meridional dos Alpes suíços. É também criada em regiões da França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e Canadá. Os animais apresentam cabeça triangular, perfil semicôncavo ou retilíneo, orelhas eretas e curtas e porte médio. Cor escura na face, no ventre, na parte dianteira dos membros e na linha dorsal. O peso varia de 70 kg a 90 kg nos machos e de 50 kg a 60 kg nas fêmeas. A raça é criada no Brasil para a produção de leite, principalmente em São Paulo e na região sul, onde a média diária de produção tem variado de 2,0 kg a 4,0 kg para um período de lactação entre 240 e 280 dias. Existem animais desprovidos de chifres (mochos) que são conhecidos como Oberhasli, que é considerado outra raça[
Anglo-Nubiana
A raça Anglo-Nubiana surgiu em torno de 1895, do aprimoramento feito com os cruzamentos de reprodutores da raça Nubiana com cabras nativas da Inglaterra, predominantemente a Zaraibi e a Chitral, após intenso processo de seleção genética buscando a dupla aptidão para leite e carne. A Nubiana pertence ao tronco das raças asiáticas-africanas, sendo consolidada em torno de 1860 no vale do Alto Nilo, da região da Núbia, hoje pertencente ao Sudão. A raça prospera em vários países e foi introduzida no Brasil em 1932. No nordeste a raça é bem apreciada em virtude da sua adaptação as condições climáticas da zona semi-árida. Os animais têm a cabeça pequena, boa conformação, perfil convexo, com orelhas podendo ir até abaixo do focinho. Machos e fêmeas são mochos. Os machos têm pelos finos, longos e brilhantes. As fêmeas têm pelos flexíveis e mais curtos. Pele quase sempre escura, solta e de espessura média.
Bôer
A raça tem como ascendentes os caprinos selvagens capturados pelos Hotentotes e outras tribos nômades do sudoeste da África do Sul. Teve miscigenação com outros animais europeus e asiáticos em razão da importância estratégica da região do Cabo, ponto de parada das embarcações nas rotas marítimas com destino a India e Extremo Oriente. Também é conhecida por Africânder ou Afrikaner, foi melhorada pelo cruzamento com reprodutores Angorá, no período entre 1800 e 1820, quando a sua criação foi desenvolvida na província do Cabo. O nome é derivado da palavra holandesa ‘boer’ que significa ‘fazendeiro/agricultor’. Em 4 de julho de 1959 foi fundada a ‘Associação Sul Africana de Criadores de Caprinos Boer’, que passou a ser responsável pelo registros genealógicos e melhoria da raça. Foi estabelecido cinco estirpes de animais: Boer comum, Boer pelo longo, Boer mocho, Boer nativo e Boer melhorado. É um animal forte, robusto e de aparência vigorosa. Apresenta pelos curtos sobre uma pele solta, macia e pregueada, responsável pela boa adaptação a condições climáticas adversas. A boa produção de leite, as altas taxas de fertilidade e fecundidade com alta incidência de partos duplos, são características da fêmea.
Murciana
A raça é originária da região de Múrcia, no sul da Espanha e pertence ao tronco das Pirenaicas. Existem hoje três estirpes: a Hora, que é criada entabulada, a Campeira de Cartagena e a Serrana, estas últimas criadas a regime de pasto. Os criadores e zootecnistas espanhóis têm dedicado, ao longo das últimas décadas, bastante esforço na seleção para o aprimoramento da raça, objetivando á produção de leite. No Brasil, na década de 1990 foi introduzido um lote desta raça por criadores do estado da Paraíba. São animais de pelos curtos e finos, de cor preta, avermelhada ou castanho-escuro. A cabeça é triangular, de perfil reto com frontal amplo e ligeiramente deprimido ao centro. As orelhas são de tamanho médio, eretas e muito móveis. É um animal geralmente mocho, de porte pequeno, com peso variando nas fêmeas adultas de 45 kg a 60 kg, e nos machos adultos de 60 kg a 70 kg. A altura média é de 0,80 m nos machos adultos e de 0,70 m nas fêmeas. A média de produção é de 600 kg de leite por período de lactação. A raça brasileira Graúna é descendente da Murciana.
Saanen
Também conhecida como Gessenay (sinônimo de Saanen em francês) é originária do vale de Saanen, nos cantões de Berna e Appenzell na Suiça. Raça muito difundida nas regiões mais frias da Europa e dos Estados Unidos por sua alta produção leiteira e duração de lactação. É considerada a raça de melhor produção de leite do mundo, produzindo num período médio de lactação de 10 meses cerca de 3 litros/dia com 3,5% de gordura.Uma cabra dos Estados Unidos produziu 1821 litros de leite em 300 dias. Tem a pele rosada, pelos curtos e cor branca ou quase branca, olhos amarelos e orelhas médias e levantadas. Existem animais mochos. É uma raça de animais grandes e altos: o macho pesa entre 70 kg e 90 kg e tem altura entre 80 e 95 cm e a fêmea pesa entre 45 kg a 60 kg medindo entre 70 e 85 cm. Existem rebanhos da raça no Brasil no Rio Grande do Sul, pois não suporta temperaturas altas.
Toggenburg
Originaria da Suíça, do vale do Toggenburg, no cantão de Saint-Gall, pelo cruzamento de animais da raça amarela de Saint-Gall com osda raça de animais brancos de Saanen. É uma das raças de maior rebanho na Suíça, sendo também bem difundida na Inglaterra e nos Estados Unidos, pela sua aptidão para a produção de leite. A cabra recordista dos Estados Unidos produziu 2010 litros de leite em um período de lactação. Apresenta pelagem parda, quase da cor de chocolate, com duas faixas cinzentas que partem da boca atingindo a orelha. Pode ter pelo comprido ou curto e as barbichas são muito desenvolvidas nos machos. As orelhas são eretas e dirigidas para frente. Os machos pesam em média 70 kg e têm uma altura média de 80 cm e as fêmeas pesam em média 50 kg e medem em média 70 cm.
Clique na busca do google abaixo e visite inúmeros textos e vídeos sobre esta postagem
25 de ago. de 2018
Principais Raças Ovinas do Brasil
A produção nacional de ovinos se concentra principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Bahia e Piauí
A criação de ovelhas é um mercado promissor no Brasil. De acordo com o pesquisador Octávio Morais, da área de melhoramento genético da Embrapa Ovinos e Caprinos, o custo de produção desse segmento é menor e o manejo é mais simples em comparação com outras criações agropecuárias. Além disso, a criação das ovelhas permite diversificar os negócios, já que se pode produzir lã, carne e leite.
Leia mais: dicas de manejo de cordeiros. Para avançar, esse segmento precisa aumentar a produção e fortalecer o mercado consumidor. Segundo Morais, o consumo brasileiro da carne de ovinos é modesto, com uma média de 700 gramas a 1 quilo por pessoa ao ano. Mas, segundo o pesquisador, esse cenário pode mudar.
Leia mais: consórcio milho e capim-massai garante silagem com menor custo para ovinos. “Os ovinos dão retorno muito rápido e são muito eficientes tanto em produção por área, quanto na adaptação a ambientes impróprios para a agricultura”, afirma o pesquisador. Conheça as principais raças de ovinos que se destacam no Brasil.
Ovinos dorper 1- Dorper A criação da raça de ovinos dorper é principalmente para a produção de carne. É conhecida pela alta taxa de reprodução e pela carcaça de qualidade. Por ter uma camada de lã fina, apresenta boa adaptação em regiões quentes como o Nordeste. O ganho de peso por dia é considerado grande, uma média de 190 a 330 gramas.
Ovinos Ile de France 2 – Ile de france A criação da raça de origem francesa é principalmente para a produção de carne. Em geral, 60% da produção do rebanho são para carne e 40% para lã. Também é conhecida como um animal prolífero, atingindo médias de nascimentos de 160%. O carneiro adulto pode atingir de 110 a 160 quilos e as ovelhas atingem cerca de 80 quilos. O Estado que mais produz a raça no Brasil é o Rio Grande do Sul.
Ovinos lacaune 3 – Lacaune A ovelha lacaune é muito conhecida pela produção de leite, com o qual se fabricam queijos e outros derivados, e pela qualidade da carne proveniente de seus cordeiros. A produção de lã é um pouco inferior em relação a outras raças, a média é de 2,5 quilos por carneiro. O peso médio das ovelhas adultas é de 70 a 80 quilos e dos machos é de 95 a 100 quilos.
Ovino merino australiano 4 – Merino australiano O ovino merino australiano é caracterizado pela produção de lã fina de qualidade e alto valor industrial. É conhecida pelo bom desenvolvimento corporal, pelo aspecto nobre e por se adaptar a regiões de clima seco. O velo das ovelhas de plantel varia de 5 a 6 quilos, sendo que as do rebanho geral podem atingir 4 quilos ou mais.
Ovinos morada nova 5 – Morada nova A raça morada nova também foi desenvolvida no Nordeste brasileiro e tem boa adaptabilidade para regiões áridas. O animal não produz lã, o rendimento da criação é por conta da carne de qualidade e do teor proteico. Os machos tem uma média de peso entre 40 e 60 quilos e as fêmeas de 30 a 50 quilos.
Ovinos santa inês 6 – Santa inês É uma raça desenvolvida no nordeste brasileiro, resultado do cruzamento intercorrente das raças bergamacia, morada nova, somalis e outros ovinos sem raça definida (SRD). As ovelhas são deslanadas e ao invés do velo, possuem pelos curtos e sedosos. O peso médio do macho varia de 80 a 120 quilos e das fêmeas varia de 60 a 90 quilos. A carne é considerada de boa qualidade e com baixo teor de gordura.
Ovino somalis 7 – Somalis brasileira As ovelhas da raça somalis brasileira tem boa adaptabilidade para as condições climáticas da região semiárida. A raça é deslanada, portanto é conhecida principalmente pela produção de carne, pele e leite. Os machos adultos podem pesar de 70 a 80 quilos e as fêmeas de 30 a 50 quilos.
Ovino texel - 8 – Texel O ovino da raça texel é conhecido pela constituição corporal robusta e pela qualidade da carne. Os carneiros atingem pesos médios de 110 a 120 quilos e as fêmeas adultas de 80 a 90 quilos. Produzida principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, o animal pode render uma boa produção de lã, pois o velo rende até 5 quilos com aproveitamento de 60%.
3 de ago. de 2018
Cavalos: mais populares no Brasil
Os cavalos são essenciais nas fazendas para a lida com o rebanho, mas também podem se mostrar excelentes parceiros em atividades de lazer, como a montaria, e até mesmo como exímios competidores em provas de hipismo. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possuía um plantel de 5,58 milhões de cabeças em 2016.
O número total de cavalos, éguas, potros e potrancas criados no Brasil cresceu 0,5% em comparação com os dados de 2015. Ainda segundo a pesquisa Produção da Pecuária Municipal, os estados que lideram a criação de equinos são Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia, com, respectivamente, 13,7%, 9,6% e 8,6% do plantel nacional. Conheça as principais características de famosas raças de cavalos criadas nas fazendas brasileiras.
1- Mangalarga marchador Os animais desta raça possuem médio porte e são conhecidos por serem ágeis, fortes, vigorosos e por terem temperamento ativo e dócil. O Mangalarga Machador se destaca por sua facilidade de adaptação a qualquer tipo de adversidade climática ou no terreno. Além disso, tem a capacidade de viajar longas distâncias sem se cansar. Este cavalo não necessita de uma alimentação específica, por isso se adapta bem a um regime no estábulo e também em campos abertos. O Mangalarga Marchador é resistente a doenças e parasitas.
2- Cavalos Mangalarga Desde a sua origem, o cavalo da raça Mangalarga foi selecionado como animal de trabalho na lida com gados e para a prática de esportes. De acordo com informações da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM), as principais características desta raça são os bons andamentos, a resistência e docilidade. Atributos como membros fortes, articulações grandes e tendões nítidos fazem com que o equino seja um excelente cavalo de sela.
3- Puro Sangue Inglês O cavalo da raça Pura Sangue Inglês tem temperamento ativo, valente, além de ser corajoso. Por ser destemido, este equino tem aptidão para corridas planas ou com obstáculos de média distância, salto, além de ser um bom cavalo de corrida. Além de ser velocista, é também utilizado como cavalo de sela para passeio.
4- Nordestino Com porte médio, temperamento ativo, dócil e aptidão para o trabalho com o gado, os cavalos da raça Nordestino se destacam pela sua sobriedade, rusticidade, rigidez de músculos e cascos duros. No terreno árido, o cavalo Nordestino é capaz de percorrer até 70 km por dia. Os equinos desta raça possuem a capacidade de se adaptar facilmente ao meio em que vivem e ao processo de criação.
5- Quarto de Milha Os cavalos Quarto de Milha são conhecidos por sua agilidade, facilidade de domar, docilidade e inteligência. Equinos desta raça se destacam, principalmente, no trabalho no campo, além de serem muito dóceis, robustos e velozes. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), os equinos desta raça se adaptam a qualquer situação, podendo transforma-se em instrumento de força e de transporte. Além de melhorador de plantel, o Quarto de Milha é difícil de ser derrotado em provas equestres.
6- Cavalo Crioulo O cavalo da raça Crioulo é criado, principalmente, em países como Uruguai, Chile e Argentina. No Brasil, o animal está presente em mais de 22 estados, mas a maior população está concentrada no Rio Grande do Sul. A raça é conhecida por sua força, resistência e saúde. O animal consegue viver em situações de extremo fio ou calor com o mínimo de alimentação. O Crioulo é considerado um cavalo de trabalho, ideal na lida com gado, para passeio e enduro, podendo ser usado para percorrer grandes distâncias.
7- Árabe Os equinos desta raça possuem trote e galope rasteiros, além de possuírem um temperamento muito vivo e uma grande resistência. O cavalo da raça Árabe é capaz de resistir a prolongados períodos de trabalho intenso com o mínimo de cuidado e alimentação. No trabalho na fazenda, os criadores ficam satisfeitos com a produtividade do Árabe, capaz de se recuperar rapidamente após um dia inteiro de atividade.
8- Pampa O cavalo Pampa possui pelagem malhada, quase sempre de cor branca, mesclado com outra coloração. Equinos desta raça possuem musculatura definida e expressão vigorosa, e apesar de serem dóceis, são conhecidos por sua coragem, velocidade e agilidade. A principal característica do Pampa é a marcha, que o qualifica como um animal ideal para turismo equestre, cavalgadas e provas de enduro equestre.
14 de jul. de 2018
Manejo dos Equinos
Cavalo não é vaca, mas ainda há muitas pessoas que teimam em fazer manejo de equinos da mesma forma que fazem o manejo do gado.
Na maioria das propriedades voltadas à criação de equinos, o mal mais comum que atormenta os proprietários, treinadores e tratadores é a cólica.
Todos os criadores já passaram por situações onde algum de seus animais sofreram com esse tipo de problema.
Normalmente, quem é indicada como culpada por desencadear esse problema é sempre a ração. Mas veremos que uma série de fatores pode levar a essas condições, que na maioria das vezes, erros simples e corriqueiros no manejo diário são os responsáveis por desencadear esse e outros problemas.
Mas antes é importante lembrar porque a nutrição de equinos é tão especifica e algumas diferenças no trato digestório guardam a chave para que fiquemos atentos a esses cuidados.
Os cavalos estabulados são suscetíveis aos vícios e ao estresse e por isso devem ser mantidos sob observação constante.
Equinos e o sistema digestório
Uma série de particularidades, no trato digestório de equinos, exige cuidados especiais para sua nutrição, ainda que a tropa seja criada a pasto.
Iniciando pela boca, umas das particularidades do equino é a altura de pastejo.
Equinos têm o hábito de pastejo muito rente ao solo. Ele seleciona os brotos e as folhas mais novas.
É muito comum em piquetes mal manejados, áreas com gramas mais altas e com excesso de pastejo, exatamente devido a essa seleção na hora de pastejar.
A dentição dos animais
Fator que precisa ser acompanhado periodicamente, é preciso avaliar se os dentes estão sem pontas grosseiras que possam estar machucando-o.
Caso seja necessário, deve-se chamar um profissional especializado para fazer essas avaliações e efetuar a correção.
Estômago
Outras duas particularidades no trato digestório de equinos estão no estômago, que é relativamente pequeno se comparado ao tamanho do cavalo e no intestino delgado, que apresenta uma taxa de passagem alta.
Esses fatores são relevantes, pois interferem no tempo de retenção do alimento. Isso é importante principalmente quando se refere ao fornecimento da ração.
Por isso, que se recomenda o fracionamento do seu fornecimento. Quanto mais fracionada, maior será seu aproveitamento e menor as chances de ser mal digerida quando chegar ao Intestino Grosso e fermentar.
“O manejo diário, seguindo a rotina com horários certos para o fornecimento da comida, treinamento, banho, entre outras ações, ajuda na redução do estresse de baia”.
O Intestino Grosso de equinos é onde ocorre a fermentação dos alimentos, neste compartimento acontece a degradação e o aproveitamento do capim realizada pelos microrganismos intestinais.
Essa simbiose é importante na nutrição equina e é a partir dela que equinos e bovinos possuem a capacidade de ser herbívoros. Nesse compartimento, uma das características é o grande volume hídrico.
Essa alta concentração de água no Intestino Grosso de equinos, entre outras funções, funciona como uma caixa d’agua, sempre que o animal precisa de água por alguma razão e não tem acesso a bebedouros. É nesse compartimento que ele irá retirar parte da água que precisa para manter-se.
Essas são apenas algumas das diferenças que os equinos apresentam. O que é importante lembrar é que tudo está interligado e pequenos erros de manejos podem influenciar em toda uma cadeia muito bem organizada e isso pode atrapalhar o desempenho de seu animal.
Erros comuns de manejo
Uma palavra é fundamental no dicionário de quem lida com cavalos: “rotina”.
Fazer o manejo diariamente, seguindo uma rotina com horários certos para o fornecimento da comida, para o treinamento, banho, entre outras ações, ajuda muito na redução do risco de distúrbios e até mesmo na redução do estresse de baia, além de ajudar a identificar quando algo não está bem com alguns dos animais.
O ditado: “É o olho do dono que engorda o gado” deve ser utilizado no manejo de equinos de forma cada vez mais atenta.
Mas não podemos deixar a rotina nos afetar e passar a exercer o trabalho de forma mecânica. Executá-lo desta maneira pode ser citada como a primeira ação para iniciar um manejo errado.
Deve-se tomar cuidado principalmente com animais mantidos em baias, que são susceptíveis aos vícios e ao estresse e por isso devem ser mantidos sob observação constante.
Quando realizamos o trabalho de forma mecânica, não observamos sinais claros que, muitas vezes, estão a nossa frente. Por isso, é sempre importante observar se os animais estão comendo, se estão ingerindo água e principalmente se estão com dor de qualquer tipo.
Cavalo com dor não come normalmente e tende a apresentar perda de peso.
Com relação à cólica, é extremamente importante deixar claro que há os mais variados tipos e que ela pode surgir a partir dos mais variados estopins.
1) Não fracionar o fornecimento de ração durante o dia
Devido ao estomago relativamente pequeno e a taxa de passagem alta no Intestino Delgado, quanto maior a quantidade de ração fornecida por refeição, pior é seu aproveitamento.
Fornecer volume grande de ração em uma única refeição reduz a eficiência da ação gástrica e a taxa de absorção dos nutrientes no Intestino Delgado.
As chances dessa ração mal digerida chegar ao Intestino Grosso, fermentar e criar um quadro de cólica é muito alta. Dessa forma, é extremamente importante ter em mente que, quanto maior for o volume de ração que você queira fornecer para seu cavalo, maior deve ser o número de vezes que deverá fracionar o seu fornecimento ao longo do dia.
O fornecimento de muita ração em uma única refeição reduz a eficiência da ação gástrica.
2) Não respeitar um período mínimo entre o fornecimento de ração e o fornecimento do feno
Após o fornecimento de ração deve-se aguardar um período de pelo menos uma a uma hora e meia para o fornecimento do feno. Isso porque o processo de digestão e a absorção dos nutrientes da ração, que deve ser realizada no Intestino Delgado, precisam de um tempo mínimo para ocorrer.
Quando fornecemos o feno (fibra), ele aumenta mais ainda a taxa de passagem neste compartimento e funciona como uma “vassoura”, arrastando todo alimento desse compartimento para o Intestino Grosso e aumentando o risco deste alimento fermentar e criar um quadro de cólica.
Após ingerir a ração deve-se aguardar um período de pelo menos uma a uma hora e meia para o fornecimento do feno.
3) Fornecer muita ração e pouca quantidade de feno
Como foi dito anteriormente, equinos são animais herbívoros e o feno deve fazer parte de sua vida.
A relação mínima e segura que deve haver entre o fornecimento da ração e do feno é de no mínimo 50/50. Ou seja, se o consumo diário por equino for de 4Kg de ração, seu consumo de feno deve ser no mínimo de 4kg ou mais.
4) Deixar o animal sem água por um longo período de tempo
Esse é um problema que parece tolo, mas que é muito frequente.
Como foi dito anteriormente o Intestino Grosso tem um grande volume hídrico e precisa dele para funcionar adequadamente.
Quando ele cai, isso pode influenciar de forma negativa em todo ecossistema intestinal.
Deve-se ter um cuidado especial com animais mantidos em piquetes com bebedouros que exigem ser enchidos manualmente.
Muitas vezes os animais derrubam os bebedouros, derramando toda a água e ficando por um longo período sem ela.
Isso pode ser prejudicial para o animal, principalmente em dias quentes e quando mantidos em piquetes não sombreados. Muitas vezes, o animal para de comer como reflexo do período sem água.
Os bebedouros automáticos são ótimos, pois se mantêm sempre cheios e facilitam a vida dos tratadores.
Contudo, atenção especial deve ser dada aos animais mantidos em baias e piquetes com esse tipo de bebedouro, pois deve-se observar se eles estão de fato consumindo água. Inúmeros fatores podem influenciar no consumo e observar essa alteração comportamental podem fazer a diferença, antes que algo mais grave aconteça.
Em alguns eventos é comum os competidores deixarem os animais por longos períodos presos a árvores ou trailers sem acesso a água. Sem a mínima noção de como isso pode ser prejudicial a eles.
Se seu cavalo não está aquecendo e nem competindo, deixe-o em um local adequado com acesso a água. Se esses animais foram mantidos em dietas hiperproteicas podem apresentar um quadro de desidratação ainda mais acelerada.
O consumo hídrico é um indicativo extremamente importante sobre a saúde de seu animal, pode ser um sinal claro de que algo não vai bem. Várias alterações podem influenciar no consumo de água, então é bom ficar muito atento a isso.
Animais adultos mantidos com dietas hiperproteicas, que não estão gestando ou amamentado e são mantidos com rações com teor acima de 14% de proteína bruta ou com feno de alfafa (principalmente) como única fonte de volumoso, apresentam um consumo hídrico maior e consequentemente produção maior de urina. Isso ocorre porque todo excesso, no caso a proteína, precisa ser excretada na urina.
Isso vai interferir de forma negativa para o animal, pois a tendência é de ter a baia sempre úmida e não é preciso nem relatar o quanto uma baia nesse estado pode ser ruim para seu cavalo. Além disso, essa excreção exige um gasto energético que poderia ser utilizada para melhorar o seu desempenho.
Em caso de dúvidas, consulte um zootecnista especializado em nutrição equina para verificar e até mesmo balancear a dieta.
5 – Animais soltos em piquetes com pastagens novas
É comum no início das estações de chuva alguns animais mantidos em piquetes apresentarem quadros de diarreia e até mesmo casos de cólica. Isso ocorre porque, como foi dito antes, os equinos selecionam os capins mais novos, quem contém em sua composição substâncias altamente fermentáveis, além de teor maior de proteína e água.
Para evitar esse tipo de ocorrência, deve ser organizado um esquema de entrada e saída de animais nos piquetes, padronizando-se uma altura de entrada, que pode variar em função da espécie forrageira.
Os casos citados acima são apenas alguns erros comuns, muitas vezes cometidos sem querer, mas que podem ser facilmente corrigidos no manejo diário. A principal ação é identificar onde está o erro no manejo e corrigi-lo.
Animais criados com foco nas competições, são e devem ser tratados como atletas.
Uma das recomendações para qualquer atleta é uma vida regrada, seja em sua rotina de trabalho quanto em sua rotina nutricional.
Ele não tem culpa se por alguma razão dormimos mal durante a noite e não respeitamos seu horário de alimentação e manejo.
A nutrição adequada dos equinos é extremamente importante para um bom desempenho em toda fase produtiva.
Escolha uma ração e um feno de boa qualidade para seus animais. Um bom resultado entra pela boca. Mas a nutrição não é tudo, ela é uma parte importante do todo.
Deve ser associada a uma rotina rigorosa de treinamento. Esse é o segredo para todo campeão.
Em caso de dúvida, consulte sempre um zootecnista especializado em nutrição equina, que poderá oferecer a melhor assessoria e esclarecer suas dúvidas com relação a melhor dieta e manejo nutricional para sua propriedade.
27 de jun. de 2018
Principais Raças Bovinas de Corte no Brasil
A pecuária bovina é um dos principais setores da economia brasileira. O mercado de bovinos tem um valor bruto de produção estimado em 74,38 bilhões neste ano, de acordo com levantamento do Ministério da Agricultura. Além disso, a área deve prosperar bastante nos próximos anos.
Segundo projeção do ministério, a produção de carne bovina deve crescer 21% na próxima década, chegando a um volume de 10.236 mil toneladas em 2026 (leia mais: aumento de produtividade é responsável por 80% do crescimento da agropecuária).
O crescimento expressivo está ligado ao número de cabeças de gado do país, que formam o maior rebanho comercial do mundo, com 214 milhões de animais. Só neste ano, foram abatidas 30,6 milhões de cabeças em todo o Brasil, de acordo com dados do IBGE. Outros fatores que tornam o Brasil competitivo no mercado de carne são a diversidade das raças existentes no País e o desenvolvimento genético, que seleciona animais com desempenho superior para a pecuária de corte e a produção leiteira. Confira na lista abaixo algumas raças bovinas que compõem o rebanho brasileiro e impulsionam o desenvolvimento da pecuária nacional.
A força dos bovinos
Os bovinos podem ser divididos de acordo com duas classificações. Os taurinos, de origem europeia, e os zebuínos, originários da Ásia. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), por causa da adaptação ao clima tropical, os zebuínos se desenvolveram mais no Brasil e representam atualmente cerca de 80% do rebanho brasileiro. Os zebuínos brasileiros são fruto do cruzamento com outras espécies e, apesar de manterem as principais características zebu, eles se diferenciam dos bois de outros países. “O Brasil possui uma tecnologia em agropecuária única no planeta e tem a melhor genética zebuína do mundo”, afirma Antônio Jorge Camardelli, presidente da ABIEC em publicação comemorativa da associação.
Nelore
É a raça predominante no Brasil, muito procurada por produtores de carne. Sua característica marcante é a pelagem branca, que pode ter tons de cinza claro. Tem orelhas pontiagudas e chifres curtos, mas algumas variações são mochos, ou seja, sem chifres.
Boi Guzerá
Guzerá Foi a primeira raça de zebuíno a ser trazida para o País e é uma das mais antigas do mundo. É reconhecida por possuir um par de chifres grandes e curvados para cima e pode ser direcionada tanto para a pecuária de corte como de leite. A pelagem varia em tons de cinza, do mais claro ao escuro. Os animais apresentam grande porte, a raça é muito fértil e resistente à seca.
boi Gir
Gir Trazido ao Brasil em 1911, das montanhas Gir na Índia, a raça é indicada para a pecuária de leite. Inclusive, a raça Girolando, a mais famosa na produção leiteira no Brasil é resultado de cruzamento de Gir com a vaca Holandesa. Os indivíduos dessa raça apresentam chifres compridos e torcidos para baixo, com orelhas enroladas na parte superior. A pelagem varia do vermelho ao amarelado e pode apresentar pintas. A raça é dócil e as fêmeas têm grande habilidade materna.
Gado cangaian
Cangaian Essa raça chegou ao Brasil entre 1962 e 1963, vindo da região Sul da Índia. A raça representa um rebanho pequeno e pouco representativo, em números, no Brasil. Os bois têm pequena estatura e possuem chifres longos e grossos, mas são indicados somente à produção de carne, porque não produzem muito leite. São muito resistentes ao calor e a doenças.
Gado brahman
Brahman Veio em 1994 dos Estados Unidos e é o resultado do cruzamento de Nelore, Guzerá, Sindi, Cangaian e Indubrasil. A coloração pode ser cinza-claro, cinza-escuro ou vermelho. Não tem chifres e as orelhas são de tamanho médio. É indicado como gado de corte (leia mais: conheça as vantagens de criar brahman).
Boi tabapuã
Tabapuã Surgiu ao cruzar zebuínos Nelore, Gir e Guzerá com os mochos brasileiros e apesar de ser uma raça nacional, é criada também em outros países, na maioria da América do Sul. A pelagem varia do branco ao cinza e não possui chifres. É usado na produção de carne, porque tem boa musculatura.
Gado sindi
Sindi Originária da província de Sindi, no Paquistão, a raça veio para o Brasil em 1952 e é formada por animais resistentes, que sobrevivem em locais secos e com pouco pasto sem perder peso. Por causa disso, são criados principalmente em regiões nordestinas. São bois pequenos, com chifres curtos e pelo vermelho. Podem ser usados para a produção de carne ou leite.
Gado indubrasil
Indubrasil A raça é fruto do cruzamento de Nelore, Gir e Guzerá. Surgiu no Brasil em 1930, sendo criação de bovinicultores do Triângulo Mineiro. A pelagem pode ser branca, cinza ou vermelha e tem chifres médios. É usado como gado de corte e já foi exportado para os Estados Unidos.
Gado angus
Angus Essa é a mais famosa raça de taurinos no Brasil. Seu nome ficou conhecido e a raça se popularizou especialmente a partir do investimento de grandes empresas, como o MC Donald’s, que criou um hambúrguer com a carne Angus. De acordo com a Associação Brasileira de Angus, as principais vantagens da raça para a criação são a alta fertilidade e precocidade, pois atingem a puberdade e o estado de abate mais cedo. Seu diferencial é a ótima qualidade da carne, que é marmorizada e macia (leia mais: angus garante produção de carne com qualidade superior).
Gado caracu
Caracu É um gado taurino português, trazido para o Brasil na época colonial, que tem pelagem amarela ou alaranjada. Segundo informações do Conselho Nacional de Pecuária de Corte, a raça é extremamente rústica, atingindo níveis de engorda mesmo em pastagens ruins. Outra vantagem da raça é ser resistente a doenças endêmicas brasileiras e a ectoparasitas. É usada como gado de corte ou de leite e também como animal de tração.
Charolês
Gado charolês De origem francesa, essa raça taurina é excelente para produção de carne. Informações do Conselho Nacional de Pecuária de Corte indicam que, no Brasil, é também muito usada na criação de mestiços, como o gado Canchim. A raça possui pelagem branca ou creme, com narinas rosas e é uma das melhores para engorda em confinamento, porque chega a atingir, em machos adultos, mais de uma tonelada (leia mais: conheça as vantagens de criar charolês).
Clique na busca do google abaixo e visite inúmeros textos e vídeos sobre esta postagem
17 de jun. de 2018
Consorciação de plantas forrageiras na produção leiteira
Atualmente, é comum observarmos vacas leiteiras criadas à base de pasto alimentando-se essencialmente de monoculturas de forragem, geralmente apenas gramíneas de gênero C3. Quanto aos animais confinados, uma característica comum dos sistemas é a alimentação regular, leia-se, os mesmos ingredientes e porcentagens ao longo do ano. Nestas duas situações é praticamente inexistente o emprego de leguminosas na dieta dos animais.
Embora o uso de pastagens consorciadas promova diversos benefícios ao solo e as plantas, como o aporte de nitrogênio no sistema por meio do processo de fixação biológica de N, e a melhoria da qualidade nutricional da pastagem, principalmente em termos de PB e digestibilidade, a prática ainda é muito pouco explorada por produtores brasileiros.
No entanto, além destes benefícios, o uso de pastagens consorciadas tem mostrado um potencial de modificar o perfil de ácidos graxos (ou gordura) do leite. Tal fato tem chamado a atenção de muitos pesquisadores acerca deste tema, impulsionados diretamente pela demanda crescente de consumidores cada vez mais preocupados com a qualidade nutricional dos produtos que consomem.
Na maioria dos casos, as pesquisas que avaliam o perfil lipídico do leite buscam o aumento dos ácidos graxos poli-insaturados, em especial o ácido linoleico conjugado (CLA). Shokryzadan et al. (2017) revisaram inúmeros estudos envolvendo o CLA e seus benefícios aos seres humanos, e os autores sentiram-se seguros em afirmar os efeitos benéficos do isômero CLA sobre o controle do peso corporal e também a inibição de diversos tipos de câncer em animais. No entanto, estas e outras questões como a diminuição do risco de doença cardiovascular em seres humanos ainda são controversos, embora os resultados preliminares sejam animadores.
Na literatura mundial, diversos estudos comparam sistemas à base de pasto com sistemas confinados e a influência disto no percentual de CLA no leite. Contudo, são escassos trabalhos que comparem apenas sistemas pastoris de monocultura com sistemas mistos. Os autores Rego et al. (2016), avaliaram vacas leiteiras da raça Holandesa em dois regimes de alimentação, em que no primeiro momento os animais foram mantidos em pastagem com suplementação de 5 kg de concentrado dia-1, e na sequência, os animais foram alocados em um confinamento no qual recebiam uma dieta composta por 60% de silagem de milho e 40% de concentrado. Após os 21 dias de confinamento as vacas retornaram a pastagem, que por sua vez era composta majoritariamente por azevém e trevo branco.
A concentração dos isômeros CLA no leite (g/100g de ácidos graxos totais) foi semelhante entre as duas etapas de pastagem, e estas, superiores ao período que os animais permaneceram confinados (1,71 e 1,58 vs. 0,85). Os mecanismos que explicam estas mudanças não estão completamente elucidados. Todavia, a principal hipótese é de que as leguminosas possuem compostos secundários, como os terpenos e os polifenóis que poderiam diminuir a taxa de biohidrogenação ruminal (Chilliard et al., 2007).
Lahlou et al. (2014) que trabalharam com vacas Holandesas confinadas versus animais à base de pastagem composta de 55% gramíneas e 45% leguminosas (trevo branco e vermelho) atribuíram a maior quantidade de CLA para os animais a pasto (1,06 vs. 0,71 g/100 g de ácidos graxos totais), devido aos polifenóis do trevo vermelho, os quais também poderiam proteger os lipídeos da biohidrogenação no rúmen.
Embora o mecanismo de ação destes compostos ainda não esteja totalmente claro, os resultados de pesquisa evidenciam a influência do consumo de leguminosas na composição do leite de vacas. Ao mesmo tempo, os trabalhos têm demonstrado que o consumo de produtos ricos em CLA parece ser promissor para a saúde humana. Aqui, gera-se então uma hipótese de que alimentar vacas com pastagens consorciadas pode ser uma alternativa para enriquecer ainda mais a qualidade nutricional do leite. Neste contexto, abre-se o precedente: podemos futuramente explorar este nicho de mercado?
Autores do artigo:
Daniel Augusto Barreta e Beatriz Danieli > Zootecnistas e mestrandos do PPGZOO UDESC.
Ana Luiza Bachmann Schogor > Zootecnista, Professora Doutora do Departamento de Zootecnia da UDESC Oeste
A produção animal, em grande parte das regiões tropicais, é limitada principalmente, pela variação de qualidade da forragem em oferta ao longo do ano. Essa qualidade é reflexo da concentração da produção no período das chuvas, com grande oferta de forragem, porém, em contradição nas demais estações do ano, com baixa oferta e qualidade, afetando diretamente a produção animal. Além disto, as gramíneas tropicais possuem menor qualidade de forragem do que as gramíneas de clima temperado e a introdução de leguminosas adaptadas nas pastagens tropicais resolvem problemas como a baixa disponibilidade de nitrogênio e os baixos teores de proteína na dieta dos ruminantes.
A consorciação é uma prática que permite associar numa mesma área o plantio de culturas diversas para aumentar o rendimento, enriquecer a vida biológica do solo e protegê-lo contra a erosão. Podendo também ser considerada como uma técnica agrícola de conservação que visa um melhor aproveitamento em longo prazo do solo, bem como o cultivo na qual se utiliza mais de uma espécie de planta na mesma área e no mesmo período de tempo (Peixoto et al., 2001). Sendo algumas espécies mais adaptadas à consorciação, como os gêneros Stylosanthes, Arachis, Leucaena, dentre outras.
Mas para a adoção dessa técnica é necessário avaliar alguns pontos críticos do processo, como as diferenças morfológicas entre leguminosas e gramíneas forrageiras, em que as gramíneas são mais eficientes na utilização de água, de alguns nutrientes minerais e apresentam uma eficiência fotossintética mais alta, que resulta na taxa de crescimento e potencial de produção de forragem superior ao das leguminosas (Nascimento Jr., et al., 2002). Ressaltando também sua forma de crescimento e propagação diferenciada, onde a gramínea é mais agressiva e competitiva, pela presença de perfilhos e ramificações, já a leguminosa apresenta grande dependência da planta mãe, custando a possuir vigor e eficiência própria.
Dentro desses critérios, o manejo deve ser direcionado para favorecer as leguminosas, porém sem comprometer a produtividade das gramíneas, escolhendo uma associação compatível entre a gramínea e a leguminosa, em que as condições climáticas não sejam limitantes, assegurando um suprimento adequado de nutrientes, para otimizar o crescimento da leguminosa forrageira.
Dentre os benefícios do uso de leguminosas estão a melhor qualidade do pasto; maior ganho de peso animal; economia nos gastos com adubação nitrogenada; recuperação de áreas degradadas; maior cobertura de solo e melhor proteção, além da garantia de um processo não poluente e ambientalmente correto.
O melhor desempenho animal em pastagens consorciadas é explicado por apresentarem em geral melhor valor alimentício em relação às gramíneas. Maiores níveis de proteína bruta e de digestibilidade são os atributos mais marcantes (Pereira, 2002).
O uso de leguminosas em pastagens vem para suprir os níveis de nitrogênio que, ao longo dos anos, acaba se tornando insuficiente para o desenvolvimento satisfatório das gramíneas, logo, a consorciação em pastagens é uma forma de aumentar o aporte de N no sistema, uma maneira econômica.
Não se trata de uma novidade para o pecuarista, embora o emprego desta técnica, anteriormente, tenha implicado em limitações pela própria falta de tradição e conhecimento dos pecuaristas, e técnicos em usar e manejar adequadamente as pastagens consorciadas.
Dheyme Cristina Bolson, Graduanda em Zootecnia – UFMT, Campus Sinop;
Dalton Henrique Pereira, Professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Sinop;
Bruno Carneiro e Pedreira, Pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril.
ESCOLHA DE FORRAGEIRAS PARA A PRODUÇÃO DE LEITE.pdf
clique na foto abaixo e leia o artigo ou baixe
Assinar:
Postagens (Atom)










































