12 de set de 2015

Biologia de Abelhas Nativas


Tópicos em Biologia de Abelhas

Há muitas espécies diferentes de abelhas no mundo. Em 1974 estimava-se em 20.000 espécies, das quais menos de 1.000 seriam sociais.


Exemplos de abelhas solitárias:

Andrenidae 

Callonychium litoralis


Anthophoridae 

Exomalopsis sp


Colletidae 

Bicolletes sp


Halictidae 

Augochlora sp


Megachilidae 

Megachile sp

Exemplos que mostram a variedade entre as abelhas


Anthophoridae 

Xylocopa frontalis


Apidae - Meliponinae 

Plebeia remota


Halictidade 

Augochloropsis sp


Anthophoridae 

Melissoptila sp


Megachilidae 

Megachille sp

As abelhas dependem das flores para sua sobrevivência, pois obtêm nelas os açúcares de que necessitam para obter a energia calórica, e o pólen é sua fonte de proteínas. Esta relação entre as abelhas e as flores funciona nos dois sentidos: ao mesmo tempo que as abelhas se beneficiam visitando as flores e colhendo ali o seu alimento, as flores se beneficiam da visita produzindo melhores frutos. As abelhas sem ferrão são visitantes importantes das copas das árvores. Provavelmente são responsáveis pela preservação da nossa vegetação nativa.
    Polinização: 1) A flor possui órgãos reprodutivos. No centro temos o órgão feminino que contém o óvulo 2) Ao redor deste estão os órgãos masculinos que contêm os grãos de pólen 3) O grão de pólen 4) se adere ao corpo da abelha. 5) Ao visitar outras flores a abelha deixa o pólen no órgão feminino e ocorre a polinização. 6) Quando o grão de pólen germina e se une ao óvulo ocorre a fertilização que resultará em sementes e frutos. (esquema de F. G. Barth, 1985)


    Esquema  mostrando a formação da pelota de pólen na perna traseira das abelhas (esquema de R. Chauvin, 1968) e foto mostrando o tamanho da pelota em relação ao corpo da abelha (Plebeia sp).
A espécie de abelha mais popular é a Apis mellifera. É a abelha que normalmente vemos nos copos de refrigerantes, na padaria, nas flores. Era chamada de abelha europa, por ter, no Brasil, sido importada da Europa, em 1827. Estas abelhas do gênero Apis não são nativas nas Américas. O mel produzido por elas, geralmente em grande quantidade, foi a primeira fonte açucarada conhecida pelo homem primitivo. Foram as primeiras a serem criadas pelo homem em colmeias racionais, para obtenção de cera para ofícios religiosos, e também de mel. Em 1956 , com o objetivo de aumentar a produção de mel, foi introduzida no Brasil a Apis mellifera scutellata, da África. Do cruzamento das abelhas Apis vindas da Europa com as abelhas Apis vindas da África resultou a abelha que hoje chamamos de africanizada.

As abelhas Apis são criadas pelo homem em todo o globo terrestre, geralmente para a produção de mel. Entretanto há também outros produtos da colmeia de importância comercial: a cera, o própolis, o pólen, o veneno. Um conjunto de colmeias é chamado de apiário. Embora os produtos da colmeia tenham uma importância econômica grande, a maior importância das abelhas é como polinizadoras, aumento a produção de alimentos.
    Apiário
    Enxame de Apis
Estas abelhas vivem em sociedade. Esta sociedade é caracterizada por uma divisão de trabalho entre as abelhas, sendo que há uma rainha que se reproduz; cuidado com a prole, isto é, as operárias cuidam das suas irmãs, trocando alimento entre si, protegendo o ninho contra inimigos, etc., e da cria que existe na colônia; existe também uma sobreposição de gerações, isto é, várias rainhas podem se suceder umas às outras nos ninhos, que podem viver por muitos anos em um mesmo local. A rainha vive em média 2 anos, as operárias 2 meses.

    Corte em Apis
    Pupa de Apis dentro da célula de cria
Falamos em abelhas sociais e solitárias. Como é a vida de uma espécie de abelha solitária? As abelhas solitárias fazem um ninho formado por células de cria, isto é, ou perfuram a madeira ou fazem buraco na terra e ali constróem o ninho, formado por espaços geralmente circulares, eventualmente forrados com cera ou outros produtos das glândulas das abelhas, onde o alimento é todo depositado de uma vez. Isto é, o pólen, misturado com néctar, ambos obtidos nas flores, formam uma massa que é chamada de pão da abelha. Sobre esta massa a abelha vai colocar o seu ovo, fechar a célula e não vai ter contato com sua filha ou filho. Abelhas solitárias preparam ninhos, alimentam a cria, defendem o ninho contra inimigos e põem ovos. Geralmente têm uma vida curta, durante a primavera e/ou verão.

    ninhos de Tetrapedia
    em tronco e em caixa


    entrada de ninho de  
    Tetrapedia em tronco


    entrada de ninho de  
    Tetrapedia em caixa


    interior de ninho de  
    Tetrapedia

Entre as abelhas sociais há duas outras famílias: a das mamangavas, abelhas grandes e peludas, muito antigas, que vivem no planeta Terra há mais de 100 milhões de anos, portanto conviveram com os dinossauros; a das abelhas nativas sem ferrão do Brasil, que passaremos a conhecer com mais detalhes.
    Bombus sp - mamangava
    Melipona sp -  sem ferrão
As abelhas nativas sem ferrão são habitantes das regiões tropicais do mundo. Foram agrupadas em uma única subfamília: Meliponinae. Todas as espécies conhecidas até o momento são sociais, e a rainha fecundada tem um abdome muito desenvolvido, de modo que não pode mais voar. Todas as espécies de abelhas Meliponinae têm um ferrão vestigial, isto é, não ferroam para defender o seu ninho. Constróem células de cria de cerume, e a preenchem com alimento líquido. Entretanto, apesar de serem cerca de 400 espécies com tamanhos, cores e ninhos muito diferentes, há muitos padrões comuns entre elas.
Rainhas de M. bicolor
As abelhas sem ferrão vivem em ninhos, onde se abriga a sociedade. Os ninhos podem ser aéreos (como é o caso da abelha irapuá, por exemplo), em ocos variados de árvores (Scaptotrigona, Tetragonisca), de muros de pedras (Tetragonisca), no solo (Paratrigona, Schwarziana). Os ninhos das várias espécies têm entradas típicas, com arquitetura relacionada com o tipo de defesa do ninho. Podemos ver algumas delas ao longo das páginas deste site. O ninho das abelhas é como uma casa. Há lugar para tudo. Para chegar nesta casa, as abelhas passam pelo tubo de entrada, que liga o ambiente ao ninho. Algumas abelhas voam em torno da entrada da colmeia, enquanto outras parecem trabalhar mais apressadas. Entram e saem da colônia, pelo tubo, continuamente. Outras trazem néctar no abdome. O alimento é guardado em potes de cerume. Às vezes dá para ver, através das paredes finas do pote, se ele está guardando mel ou pólen. Quando as abelhas chegam com pólen, vão até a borda do pote que está sendo preenchido naquele dia e jogam ali sua carga. As operárias que buscam alimentos e as sentinelas podem estar no tubo de entrada, na região dos potes. Lá, algumas transformam néctar em mel, e depois guardam o mel em potes; quando estes potes são fechados pelas abelhas, quer dizer que ele já está pronto, que o excesso de água foi retirado e os enzimas adicionados.

    Potes de alimento em  
    Melipona quadrifasciata

A resina, coletada nas árvores, é armazenada em depósitos. Serve para proteger a colmeia contra certos inimigos (moscas, parasitas, formigas, etc.) Também tem outros usos: misturada na cera produzida no corpo das operárias (e armazenada em depósitos de cera pura) forma o material de construção, o cerume. O cerume é o principal material de construção usado pelas abelhas indígenas. É utilizado de várias maneiras. Estas paredes de cerume formam o invólucro do favo, ou seja, são folhas que protegem a principal área da colmeia, onde ficam a rainha e a cria.

    Frieseomelitta sp carregando 
    resina na corbícula

A cria fica na parte central do ninho. É protegida, alimentada e cuidada pelas operárias. Cada abelha é criada numa célula de cerume individual, quer dizer que cada vez que a rainha vai por um ovo, é preciso que as operárias tenham construído uma célula de cerume para este ovo. As células podem estar dispostas umas ao lado das outras formando favos compactos (horizontais ou helicoidais) ou formando cachos.
    Células de cria de M. bicolor
As operárias também colocam alimento nestas células. Fazem isso estimuladas pela rainha, que geralmente fica perto estimulando este trabalho. Quando a célula já está cheia de alimento, a rainha põe o seu ovo e as operárias fecham a célula. Todo o alimento necessário para o desenvolvimento da abelha (ovo- larva - pré-pupa - pupa - adulto) é fornecido de uma só vez. Destas células de cria vão nascer operárias, ou machos, ou rainhas.
    Oviposição em Melipona sp
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