12 de set de 2015

ISCA BAMBU-COM-VIDA (Para Abelha jataí)

8-NINHO ISCA DE BAMBU


ISCA "BAMBU-COM-VIDA"


Com o desmatamento das florestas, as abelhas indígenas sem ferrão, que constroem ninhos principalmente em ocos de árvores; numa linguagem bem simples: "não estão tendo mais lugares na mata pra morar !". Com esse problema algumas espécies estão sendo obrigadas a se adaptarem às cidades.
As pequenas parcelas de mata nativa, localizadas apenas nos topos dos morros, possuem poucas árvores de grande porte, as quais oferecem ocos de maior diâmetro para as abelhas fundarem suas colônias.
Meu objetivo é manter a diversidade biológica nas matas e o da captura de meliponíneos sem a destruição de árvores, aumentando assim a população das abelhas indígenas sem ferrão, por isso desenvolvi uma isca muito simples, a um custo baixo, necessitando apenas de bambu, um pouco de tinta acrílica, arame, machado ou serrote e, combustível para a coleta.
A isca para abrigar as colônias de abelhas indígenas sem ferrão, foi batizada por mim de "Bambu – com –Vida", que pode ter dois sentidos:
- O convite do bambu para abrigar suas amigas; as abelhas indígenas sem ferrão;
- O bambu no seu espaço interior, com a vida organizada das abelhas indígenas sem ferrão.
A isca consiste em utilizar de preferência o bambu gigante (Dendrocálamus giganteus), por apresentar um oco com diâmetro maior, porém pode-se também utilizar outras espécies:
Primeiramente corta-se o bambu maduro em pedaços com 2 ou 3m de comprimento, para evitar rachaduras e facilitar o transporte.
Em seguida é preciso deixá-lo secar a sombra (em posição vertical), após verificar que o mesmo se encontra seco, deve-se cortá-lo com serrote mantendo 1 nó em cada extremidade. É claro que terão pedaços que ficarão sem nó, más poderão ser utilizados colando-se 1 tábua quadrada nas 2 extremidades.
Peço a todos os criadores e pesquisadores que utilizem esse método, até mesmo em projetos científicos, como a colocação das iscas em diferentes alturas e cores, para estudo das preferências dos meliponíneos e, como forma de criar locais de nidificação e sobrevivência, das nossas adoráveis abelhas indígenas sem ferrão.
Na parte superior do colmo (pedaço do bambu) acima do nó, deve-se fazer 2 furos para a passagem do arame a fim de ser pendurado em uma árvore. De preferência utilizar arame grosso e passar graxa para evitar a entrada de formigas.
Já na parte inferior do mesmo ( 2 cm acima do nó ), será feito o orifício de entrada das abelhas, com furadeira ou um ferro quente, o diâmetro vai depender da espécie de abelha indígena sem ferrão que se deseja capturar.
Ex.: para a Jataí (Tetragonisca angustula), Mirim (Plebeia sp), Iraí (Nannotrigona testaceicornis) ou seja meliponíneos de porte físico pequeno, fazer um furo de 1 cm de diâmetro.

Para abelhas de maior porte físico, como Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), Uruçu- amarela (Melipona rufiventris ), Mandaguarí (Scaptotrigona postica) entre outras, fazer um furo de 1,5 a 2 cm de diâmetro.




Um artifício que facilita muito a atração das abelhas indígenas sem ferrão, é diluir o própolis ou o cerume em álcool de cereais ou comum e, passar essa mistura ao redor do orifício do bambu e, derramar um pouco em seu interior, para que exale o cheiro característico da colônia. O Eng.º Agr.º Jean Louis Jullien, grande criador de Jataí, costuma passar o própolis puro das mesmas, ao redor do orifício de entrada de suas caixas iscas, atraindo as abelhas e evitando a aproximação das formigas, já que o mesmo é grudento. Obs.: Se desejar capturar colônias de abelhas Jataí, então deve-se utilizar a mistura de própolis ou cerume da mesma espécie. A isca "Bambu-com-Vida" deverá ser mantida na posição vertical para imitar o oco de uma árvore. Devemos protegê-la da chuva através de pintura com tinta acrílica ( verde claro, marrom claro ou cinza claro), para imitar a cor dos troncos na natureza, fazer apenas uma marca com tinta branca para facilitar a procura do mesmo na mata.




Para impedir que a água da chuva se armazene na parte superior a forma mais barata de proteção é a utilização de um saco plástico, ou garrafa plástica de refrigerante de 2 l., (quando o bambu for de diâmetro menor).
É muito importante que se faça revisões nas iscas para a retirada de formigas, aranhas e outros insetos, que impeçam a nidificação dos meliponíneos.
9-NINHO ISCA DE PVC




9 comentários:

Martius disse...

Achei maravilhosa a sua idéia! Eu moro na cidade (Rio de Janeiro) e amo cultivar plantas. No meus pés de jasmim, nas onze-horas e nas roseiras juntam dezenas de abelhinhas pequenininhas (creio que jataí), além das normais e algumas grandonas pretinhas. Também vêm os beija-flores, caga-sebos e morceguinhos à noite. Eu queria muito construir uma casinha para as miudinhas. Vou aproveitar a sua idéia! Muito legal! Parabéns mesmo!

Martius

carpen2 disse...

bom dia Martius.
Pode fazer que dará certo, mas não esqueça de derreter um pouco do cerume ou propolis da jataí, e esfregar em torno do buraco de entrada

Paulo Romero disse...

Olá amigo,sem dúvidas essa idéia de usar o bambu,como isca ,para as abelhas nativas,é muito boa,pois,o bambu é mais aceito pelas abelhas nativas,em comparação com as garrafas pets...

Muito bom o blog,parabéns...

Um abraço.
Paulo Romero.
Meliponário Braz.
João Pessoa,PB.
www.urucueabelhasnetivas.blogspot.com

Adalto disse...

Onde podemos comprar o bambu gigante no Rio de Janeiro? Adalto.

carpen2 disse...

BOM DIA ADALTO.

EU SOU DO INTERIOR MINEIRO, ENTÃO FICA DIFICIL LHE REPASSAR ESTA INFORMAÇÃO, MAS NO INTERIOR DO RIO DEVE TER MUITO BAMBU GIGANTE, OUTRA OPÇÃO É USAR EM SEU LUGAR TUBO DE PVC, COMO AÍ NA FOTO.
ABRAÇOS

Valdecir disse...

Otima ideia do banbu gostaria de saber onde concigo cerume ou propolis.

ivan disse...

Oi Adalto,
Moro no Rio de Janeiro, na localidade do Rio da Prata, bairro de Campo Grande, se interessar posso ceder o bambu gigante.
Nos próximos dias estarei pondo em prática a excelente dica do autor.
Abraço
Ivan

Alcides disse...

Olá Ivan, moro proximo a vc, em Campo Grande e gostaria de saber se teve sucesso na captura de algum enxame.
Araço, Alcides.

Adalto disse...

Gostaria de entrar em contato com Ivan, morador de Rio da Prata - Campo Grande RJ.

adalto.monteiro@gmail.com

Forte abraço.