27 de set. de 2021

LINHAGENS HÍBRIDAS COMERCIAIS DE GALINHAS CAÍPIRAS

 

LINHAGENS HÍBRIDAS COMERCIAIS

As linhagens híbridas comerciais são resultado de cruzamento entre raças diferentes, mas que pertencem a mesma espécie. Por isso, não podem ser cruzadas entre si, porque a sua descendência não transfere as qualidades genéticas das raças iniciais. Esta é a razão pela qual os produtores têm que comprar os pintinhos de um dia, para que não haja perda de produtividade. 

Os híbridos comerciais de grande aceitação entre os avicultores coloniais e que podem ser encontrados com relativa facilidade no mercado são: 

PESCOÇO PELADO LABEL ROUGE

É uma ave altamente rústica, que se adapta a qualquer parte do Brasil. Embora tenha um crescimento lento, a pescoço pelado é excelente tanto para a produção de ovos quanto para obtenção de carne. Em comparação às aves comerciais, sua carne é mais suculenta, tem menos gordura e um sabor tão diferenciado quanto o da carne de caça do faisão e da perdiz. E se receberem uma alimentação balanceada, atingirão a marca de 2 kg aos 63 dias de idade, em média. As fêmeas produzem cerca de 180 ovos de casca marrom por ano. 

PESADÃO MISTO LABEL ROUGE

Ave destinada exclusivamente para corte. Seu crescimento é acelerado, ela só precisa de 49 dias para atingir 2 kg de peso vivo com grande rendimento de carne de peito. A carne tem aparência mais escura que a das aves industriais e proporciona uma excelente gustação. A pele também é mais fina, com menos gordura, e se for depenada corretamente, não apresentará folículos escuros, como acontece com outras aves coloridas. O caipira pesadão tem plumagem vermelha ou carijó, pernas amarelas e crista simples, pode ser criada ao ar livre ou semiconfinada. 

CAIPIRA ROUGE

Ave de origem francesa, destinada exclusivamente à produção de ovos marrons ou vermelhos. Sua principal vantagem é a resistência aos diferentes tipos de clima e de manejo. Com 72 semanas de vida a Rouge atinge um peso corporal de 2,090 kg e a sua produção pode chegar a 298 ovos por ano. Os ovos apresentam uma casca bem mais grossa que o normal, a clara é mais consistente e a gema mais avermelhada. São aves dóceis, de plumagem avermelhada e de penas em toda a extensão do pescoço. 

PESCOÇO PELADO VERMELHO MESCLADO

A caipira francesa tradicional é uma das aves mais criadas na França e no Brasil. São aves com aptidão para a carne, próprias para criação a campo, em grande escala. Elas atingem o peso padrão de 2,200 kg por volta dos 95 dias, sem acúmulo de gordura, o que confere à carne e uma textura excelente. 

MASTER GRISS

O caipira Frances exótico é uma ave de grande porte, com canelas compridas adaptadas ao campo. A pele do bico e das patas são fortes, de pigmentação amarela, e sua plumagem apresenta uma mescla irregular nas cores branca, preta e marrom. É uma ave que aceita bem a alimentação alternativa e atinge peso vivo de 2,200 kg ao 68 dias em média. 

ISA BROWN

É a poedeira nº 1 em todo o mundo, pela capacidade de produção a baixos custos de instalação e alimento. É uma ave de pequeno porte, muito calma e de fácil manuseio. Tem as penas avermelhadas, patas e bico amarelos, e atinge o peso médio de 1,900 kg com o consumo de 115 gramas de ração por dia. As fêmeas são selecionadas para postura de ovos de granja quando confinadas, ou ovos caipira quando a campo, registrando uma média de 300 ovos grandes e vermelhos por ano. 

CAIPIRA NEGRA

Ave de médio porte para criação semi-intensiva. Possui penas pretas e brilhantes, com plumas avermelhadas na cabeça e pescoço, o bico e as patas também são pretas. Após 150 dias, consome 118 gramas de ração por dia e produz 270 ovos ao ano. 

EMBRAPA 031

Apresenta um potencial de produção de até três ciclos, fornecendo 325 ovos marrons com 60 gramas de peso, entre o período de 21 a 80 semanas de idade. 

EMBRAPA 041

Frango de corte do tipo colonial, para criações semiconfinadas e agroecológicas. A linhagem foi obtida pelo cruzamento de raças pesadas de corte e raças semipesadas de postura, preservando todas as vantagens do frango comercial. Alcança a idade de abate aos 84 dias, com peso vivo de 2,400 kg. Sua carne é pouco gordurosa, consistente e muito saborosa. 

PARAÍSO PEDREZ

Estas aves também são oriundas do melhoramento genético por meio de vários cruzamentos e se adaptam bem em todas as regiões do Brasil. É uma ave que tem um ganho de peso rápido e com boa rusticidade. Aceita bem as condições do sistema intensivo e semi-intensivo e tem uma plumagem multicolorida. Atinge a idade de abate aos 65 dias com um peso médio de 2,800 kg. 

RAÇAS REGIONAIS

São as galinhas “comuns” também conhecidas como “galinha-pé-duro”, “galinha de terreiro” e que se encontram em todo território nacional sendo criadas de forma solta. É uma ave com muita rusticidade, porém, é extremamente improdutiva. Enquanto uma ave selecionada produz em média 280 ovos/ano uma galinha da raça regional não chega a 80 ovos/ano. Outro exemplo é com relação ao ganho de peso: uma ave híbrida (resultado de cruzamento) produz em média 2,200 kg de carne em 75 dias, uma ave da raça regional leva de 6 a 8 meses para alcançar esse mesmo peso. Além de ter uma conversão alimentar extremamente baixa. Ou seja, consome muita ração para pouca produtividade. 



7 de set. de 2021

Raças e Linhagens de Galinhas: Raças Puras


 

Raças e Linhagens

No mundo, existem aproximadamente 300 raças de galinhas consideradas domésticas (gallus gallus domesticus). Esse número pode ser dividido em três grandes grupos de aves: aves de raça pura, aves locais e aves híbridas, resultado de cruzamento entre as raças. Cabe ao produtor fazer a escolha das raças que mais adéquam às particularidades do seu projeto de criação. 

As características das raças escolhidas devem ser muito bem observadas na hora de fazer uma seleção de plantel, pois disso depende o resultado da produção seja ela: carne, ovos, carne e ovos ou aves ornamentais. 

As galinhas de raça pura selecionadas para produção de carne são aquelas que apresentam um bom ganho de preso, tem melhor conversão alimentar, alta rusticidade e que possuem um tamanho avantajado. 

As aves selecionadas para postura, obviamente, devem oferecer uma produção de ovos adequada e uma incidência menor ao choco. 

Dentre as características das aves, também existem aquelas que apresentam dupla aptidão, ou seja, produzem uma quantidade boa de ovos e ao final do período de postura estão com um peso relativamente bom para o abate. 

As linhagens híbridas são originadas dos cruzamentos entre as raças e com isso possuem excelentes taxas de conversão alimentar, grande produção de ovos, uma boa conformação de carcaça e um rápido ganho de peso. 

As espécies ornamentais encantam os criadores com suas plumagens exóticas, tamanhos reduzidos e uma beleza extraordinária. 

Raças Puras

Para os interessados em selecionar um plantel de aves de raça pura de dupla aptidão para produção de matrizes e melhoramento genético. Segue abaixo algumas raças amplamente usadas nos projetos de avicultura no Brasil. 

Australorp


É uma abreviatura para Australian Black Orpington – Desenvolvida na Austrália sob a justificativa de que é uma Orpington melhorada tanto para ovos como para carne, com pele branca. Quando adultos, os machos pesam em média 3,859 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 200 ovos de casca marrom, que pesam em média 55g. (EMBRAPA, 2003) 

Brahma


É uma raça originária da China para os propósitos de ornamentação e corte, embora grande parte de seu desenvolvimento tenha se dado nos Estados Unidos. Apresenta crista ervilha, admitida nas variedades clara, escura e amarelada com empenamento que cobre toda perna e pé. A pele é de cor amarela. São aves belíssimas e majestosas. O grande porte e o aspecto elegante, combinados com os padrões complexos de cores as tornam favoritas para se criar no campo. São aves pesadas. Quando adultos, os machos pesam em média 5,448 kg e as fêmeas 4,313 kg. As galinhas produzem em média 140 ovos de casca marrom, que pesam em média 55g. (EMBRAPA, 2003) 

Cochin


Originária da China, essas aves são ornamentais por excelência, com grande habilidade para chocar, sendo frequentemente utilizada como chocadeira para outras aves ornamentais. Apresenta crista serra e empenamento que cobre a perna e o pé. Apresentam pele amarela e ovos de casca marrom. Existem nas variedades branca, preta, amarela, marrom, barrada e salpicada. Quando adultos, os machos pesam em média 4,994 kg e as fêmeas 3,859 kg. As galinhas produzem em média 120 ovos de casca marrom, que pesam em média 53g. (EMBRAPA, 2003) 

Gigante Negra de Jersey


Foi desenvolvida em New Jersey por volta de 1800, quando havia grande demanda por raças de galinhas pesadas para produção de frangos capões para o mercado de Nova Iorque. Existem as variedades: preta e branca exploradas para carne. São aves de crista serra e de grande porte. A pele é de cor amarela e os ovos são de casca marrom. A carne tende a apresentar-se com pigmentos escuros em função dos pigmentos escuros das pernas, que avança até a porção comestível. Quando adultos, os machos pesam em média 5,902 kg e as fêmeas 4,540 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 60g. (EMBRAPA, 2003) 

Índio Gigante


É uma raça que foi desenvolvida no Brasil, no interior dos estados de Goiás e Minas Gerais, a partir de 1920. No decorrer da década de 70 foi cruzada com outras raças, entre elas a Shamo e o Malayo. O resultado é uma ave com alta rusticidade, excelente ganho de peso, que se adapta bem a todas as regiões do Brasil, que possui uma conversão alimentar satisfatória e um sabor extraordinário. Os machos quando adulto podem chegar a uma envergadura de aproximadamente 1,10mts e as fêmeas em torno de 0,90cm. A idade de abate fica em torno de 120 dias. Os machos podem alcançar mais de 7 kg de peso quando adultos e as fêmeas 3,5 kg. 

É uma ave que tem conquistado uma popularidade muito grande entre os produtores de aves caipiras, para a função de melhoramento genético em suas propriedades. 

Minorca


É uma raça de origem mediterrânea de crista serra admitida nas variedades preta, branca e amarela e de crista rosa nas variedades preta e branca. É a mais pesada das raças leves e produz ovos de casca branca de tamanho extragrande. Quando adultos, os machos pesam em média 4,086 kg e as fêmeas 3,405 kg. As galinhas produzem em média 170 ovos que pesam em média 60g. 

New Hampshire


É uma raça americana de pele amarela, e ovos de casca marrom. Apresenta cor vermelho claro e crista serra. Por muitos anos foi utilizada para a produção de frangos de corte. Mais tarde passou a ser utilizada para cruzamentos com outras raças de corte na produção de frangos. Atualmente apenas poucos criadores se dedicam à comercialização desta raça. Esta raça foi utilizada em muitos cruzamentos que formam os atuais híbridos de corte, principalmente em função da habilidade de produção de grande quantidade de ovos com alta eclosão. A presença de uma mancha branca ou clara na asa dos pintos machos e sua correspondente ausência nos pintos fêmeas, favorecem a identificação dos machos e fêmeas com um dia de idade, conseguindo-se um índice de acerto de 80-90%. Quando adultos, os machos pesam em média 3,632 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 220 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 55g. 

Orpington


Raça desenvolvida na Inglaterra nos anos 1880. Apresenta dupla finalidade (carne e ovos). Existe nas variedades preta, branca, amarela e azul. Apresentam crista serra, pele branca e ovos de casca marrom. Quando adultos, os machos pesam em média 4,540 kg e as fêmeas 3,632 kg. As galinhas produzem em média 160 ovos de casca marrom, que pesam em média 55g. 

Plymouth Rock 


É uma raça americana de pele amarela, crista serra e ovos de casca marrom. Admite-se na Associação Americana de Aves, as variedades Barrada, Branca, Amarela, Prata Pincelado, Perdiz, Columbia e Azul. Quando adultos, os machos pesam em média 4,313 kg e as fêmeas 3,405 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 55g. 

Plymouth Rock Branca


As aves desta variedade foram muito utilizadas nos primeiros cruzamentos para produção de frangos de corte. Atualmente serve de material básico na formação de muitas linhas cruzadas. A maioria das linhas originais dos frangos de corte era de empenamento tardio, uma desvantagem para a produção de frangos de qualidade. Atualmente, a maioria das linhas disponíveis é de empenamento rápido. 

Plymouth Rock Barrada


As aves desta variedade apresentam penas com barras brancas e prestas no sentido transversal, dando uma aparência cinzenta às aves. O gene barrado, ligado ao sexo, através de sua dosagem de melanina resulta em diferenças entre os sexos. As fêmeas apresentam manchas brancas menores e menos irregulares na cabeça e geralmente são mais escuras na penugem e na canela do que os machos. Além disso, a pigmentação preta nos dedos das fêmeas, ao contrário dos dedos dos machos, cessa abruptamente deixando a porção distal de cada dedo amarela. Em contraste, os machos apresentam mancas brancas mais irregulares na cabeça e falta de contraste mais irregulares na cabeça e falta de contraste mais irregulares na cabeça e falta de contraste na abrupta mudança de coloração preta não preta dos pés. Existem diferenças nesses padrões de cor por sexo entre linhagens dessa raça. Dessa maneira, quando se quiser obter altos graus de certeza na sexagem pela cor se requer ajustamento para linhagem dos pintos. 

Com o aumento da preferência por ovos de casca branca, esta raça diminui em popularidade. Atualmente vem sendo mais utilizada como linha fêmea nos cruzamentos com galos Rhode Island Red para produzir pintos de postura autosexados, que quando adultos produzem ovos de casca marrom. Este tipo de cruzamento tem tornado a raça mais popular. 

Rhode Island 


É uma raça americana de pele amarela, e ovos de casca marrom. Admite-se na Associação Americana de Aves as variedades, vermelha com crista serra ou rosa e a variedade branca com crista tipo rosa. Muitos anos atrás existiam muitas variedades dessa raça e quase todas de alta produção de ovos. Quando adultos, os machos pesam em média 3,859 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 60g. 

Rhode Island Red


Apresenta corpo na forma de um de um bloco alongado com plumagem marrom com algumas penas pretas na cauda, pescoço e asas. Nos anos mais recentes esta variedade tem sido intensamente utilizada para produção de híbridos sexáveis pela cor. A presença de uma mancha branca ou clara na asa dos pintos macho e sua correspondente ausência nos pintos fêmeas, favorece a identificação dos machos e fêmeas com um dia de idade, conseguindo-se um índice de acerto de 80-90%. Por outro lado, nos cruzamentos, quando um galo desta raça (geneticamente “gold” ou não barrado) é acasalado com galinhas geneticamente “silver” ou barrada, é possível determinar o sexo do pinto por diferenças de coloração da penugem. Atualmente, grande parte dos híbridos comerciais de postura resultam de cruzamentos específicos entre indivíduos Rhode Island Red e Plymouth Rock Barrado e produzem grande quantidade de ovos de casca marrom. 

Sussex


É uma raça inglesa de crista serra, pele branca e ovos de casca marrom, predominantemente de duplo propósito com variedades pintada, vermelha e branca (light), das quais a Light Sussex e a mais popular. É boa produtora de carne. Em alguns países europeus frangos de pele branca são os preferidos. Quando adultos, os machos pesam em média 4,086 kg e as fêmeas 3,178 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 55g. 

Turken


Originária da Transilvânia, a raça Turken apresenta pescoço pelado e crista serra. Admitida nas variedades vermelha, branca, amarela e preta. Característica essa que confere a aparência semelhante aos perús. A pele da região do pescoço quando exposta ao sol fica vermelha como acontece com os perús. Esta característica é resultante de um único gene que controla o arranjo dos folículos de crescimento das penas, que se localizam sobre o corpo da ave. Este gene pode ser facilmente introduzido em qualquer raça. As aves sofrem mais com o frio devido a características e são, portanto, mais adaptadas ao calor. Quando adultos, os machos pesam em média 3,859 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos de casca creme claro, que pesam em média 55g. 


4 de ago. de 2021

Criação de Galinhas Caipiras

 

INTRODUÇÃO

Em todo território nacional, a criação de galinhas se tornou uma prática extremamente comum. Até nas grandes cidades, ainda que de forma inadequada, os criadores têm encontrado meios para instalar uma pequena criação para satisfazer suas necessidades na busca por alimento (carne e ovos) ou simplesmente por hobby. Criar galinhas é uma atividade muito prazerosa. Porém, é muito importante que quem a pratica conheça os processos de manejo adequados para que consiga melhores resultados. 

As galinhas caipiras tem se mostrado uma fonte inevitável de proteína animal, com excelente sabor e enormes qualidades nutricionais. E já é uma tendência do mercado brasileiro procurar por uma carne diferenciada que satisfaça o desejo das donas de casa e dos grandes restaurantes. E para que a sua carne se torne presente nas mesas dos brasileiros, devemos estabelecer algumas práticas de manejo em sua criação que sejam implementadas pelos avicultores para que o processo de criação transcorra de forma equilibrada, sistemática e rentável. 

Embora a criação de aves caipira já faça parte da cultura dos pequenos produtores, a prática dessa atividade não tem dado aos produtores rurais o retorno financeiro necessário para que os mesmos consigam cobrir os gastos com a produção e obviamente auferir algum lucro. Porém, se o conhecimento que colocamos neste manual for devidamente aplicado nas pequenas propriedades, temos plena certeza de que podemos solucionar esse problema e tornar essa atividade em uma excelente fonte de renda para o pequeno produtor. 

As aplicações corretas das técnicas de manejo possibilitam aos avicultores desempenhar o serviço necessário em pouco espaço de tempo e, com isso, atender as necessidades das aves sem que atrapalhe o desenvolvimento das outras tarefas habituais na propriedade. 

Foi pensando no desenvolvimento da agricultura familiar e conhecendo o potencial de produção diversificada desses produtores que desenvolvemos esse material, que de modo bem simples e eficaz poderá contribuir com os avicultores em seus projetos de criações de aves caipiras. 

 

OBJETIVOS DA CRIAÇÃO  

Geralmente, no Brasil, os produtores rurais criam uma variedade muito grande de aves domésticas. Entre elas: marrecos, gansos, patos, perus, codornas, etc. 

Para escolher os animais adequados para criação o produtor deve, antes de tudo, saber qual o objetivo de sua atividade: criação para postura, criação para produção de carne, criação mista (carne e ovos) ou ainda, criação de aves ornamentais. 

Neste trabalho destacamos a criação de galinhas com objetivo de produção de carne como sendo a atividade principal, em função do maior número de criadores destas aves. Porém, as informações contidas neste manual podem ser aplicadas nos outros seguimentos de criação em virtude da sua similaridade. 

PRODUÇÃO DE CARNE 

A avicultura brasileira é o setor da cadeia produtiva que vem se destacando de forma excepcional. Os resultados alcançados nos últimos anos colocaram o Brasil em posição de destaque no mercado internacional. Atualmente, estamos em terceiro lugar em produção de aves e em primeiro lugar como exportador de carne de frango do mundo. 

Esses números referem-se, particularmente, a produção de frangos comerciais, não havendo no Brasil uma exploração significativa da produção de criação de galinhas caipiras. E é exatamente para preencher essa lacuna, que esse nicho de mercado está sendo desenvolvido e com isso, transformando a vida do homem no interior do Brasil. 

Produzir carne de frango caipira tem se mostrado uma atividade bastante rentável e que tem merecido destaque em função da importância social que ela desempenha. A avicultura familiar tem sido beneficiada nesse processo devido os grandes produtores ainda não terem demonstrado interesse comercial por esse produto. A exploração deste setor não chega a 3% do consumo interno de frango industrial. 

PRODUÇÃO DE OVOS

Com a produção de ovos não é diferente, a demanda está bem aquecida e a oferta não vem acompanhado na mesma proporção. Existe um mercado consumidor que busca um produto diferenciado e que está disposto a pagar um preço acima do valor dos produtos convencionais. 

Diante deste cenário, o produtor rural tem uma possibilidade real de desenvolver um projeto que possa atender a demanda de sua região e, se for o caso, expandir a produção para alcançar os consumidores das cidades vizinhas. 


15 de jul. de 2021

Instalações para Criação de Rãs


Instalações

Na criação e produção de rãs, e quando as em­presas não são especializadas, ou seja, não se dedicam apenas a uma fase específica, faz-se a divisão por setores:

Setor de Reprodução

Neste setor, e de todos deve ser o mais quente, os animais reprodutores são mantidos todo o ano, geralmente separados entre sexos (para repouso) e tamanho, fazendo-se as uniões quando for conveniente.

Os reprodutores são escolhidos pelo tamanho e idade, evitando ultrapassar os 3 anos ou 2 anos de serviço, sobretudo pelo facto de as fêmeas de Rana ridibunda reduzirem rapidamente a sua prolificidade. As fêmeas serão escolhidas pela capacidade de produzir elevado número de ovos e, em todos os casos, deve seguir-se um programa de melhoramento genético.

As desovas ocorrem na primavera e verão (com máximo em abril no estado selvagem), a não ser que se proceda a uma suplementação com aquecimento (na criação é ideal que a temperatura seja, em média, >15°C, idealmente >18°C) e iluminação artificial, forma de alterar e estender o período produtivo.

Porém, nesta espécie em particular, de momento, a pausa para hibernação de reprodutores (mesmo artificial), a 2-3°C, é altamente recomendada.

Neste setor a densidade não deve ser superior a 3-6 rãs/m2 e uma relação máxima de 1:2 (macho/fêmea).

Estes são animais assustadiços, que gostam de repouso, pelo que todos os factores de stress, movimentos e ruídos devem ser evitados.

A desova da Rana ridibunda é de, aproximadamente 2.000 ovos, chegando a 10.000 ovos por época de reprodução.

Os óvulos são postos pelas fêmeas sobre a água e o esperma depositado sobre eles durante o acasalamento. Na produção comercial, depois do acasalamento (cerca de 2 a 3 horas), os ovos são levados para outra secção para desenvolvimento.

Setor de Eclosão e Girinagem

Nesta secção, os ovos devem estar em local onde as oscilações de temperatura sejam suaves, pois as variações bruscas (dia/noite) das estufas podem reduzir a fertilidade.

Os ovos ficam até 7 dias (depende da temperatura da água, podendo ser o dobro) em incu­bação, até que se dá a eclosão dos girinos, que se movimentam livremente e procuram alimento.

Uma vez nascidos, deve-se assegurar uma densidade máxima de 20 girinos por litro de água, mas tendo em consideração o tamanho do animal. A densidade dos girinos é algo que influencia enormemente o peso dos animais no início da metamorfose (quanto menor, maiores) além de haver uma má conversão da ração em carne.

Neste setor os tanques não devem ser muito profundos e, enquanto as rãs estão na fase aquática deve ter-se especial cuidado na oxigenação da água e na sua renovação diária (cerca de 50%/dia).

Quanto mais fria estiver a água, mais longa será a fase de girinagem, o que pode ser uma forma de o produtor fazer um “stock” de girinos cujo desen­volvimento retarda de modo a utilizar à medida das suas necessidades e espa­ço nos setores de engorda.

Os girinos iniciam ou aceleram a sua metamorfose com o acréscimo de temperatura, pelo que neste setor os tanques devem ter pouca profundida­de para que a água aqueça com maior facilidade. Nestes tanques existirá já uma pequena rampa por onde os ima­gos, nas fases mais avançadas da meta­morfose, possam sair parcialmente da água, mas, mesmo assim, mantendo-se molhados e poderem alimentar-se (é nesta fase que se inicia o treino com a ração granulada).

No total, desde a postura até ao final da metamorfose, terão transcor­rido entre 2 a 3 meses. 

Setores de pré-engorda e engorda

Os imagos perfeitos (miniaturas de rãs já sem cauda) são muito vorazes correspondendo a uma fase de crescimento exponencial, de modo que é importante fazer rapidamente a transição para a ração granulada, que não pode faltar, a fim de se evitarem grandes per­das em resultado de canibalismo e, mesmo as­sim, por esta razão e outras acessórias admi­te-se uma mortalidade relativamente elevada nesta fase.

Nos primeiros 30 dias alguns animais expressam um maior crescimento do que ou­tros, devendo começar-se a separação assídua por lotes de tamanho, como se disse, para evi­tar o canibalismo, vigilância de tamanhos que se manterá até ao abate e é o maior constran­gimento da produção de rã, por ser a fase que exige mais horas de trabalho.

Figura 3 Parques de engorda de Rana ridibunda 

Figura 4 Lote de engorda de rãs touro no Ranabox

RANABOX 

No Brasil assistiu-se a uma febre da ranicultura no início dos anos 80, numa época em que não havia ainda consumo interno nem os mercados mundiais estavam abertos. 

Das centenas de empreendimentos que se iniciaram, movidos pela atracção da alta rentabilidade da criação e por certa paixão, largas dezenas acabaram por desistir, fosse pela excessiva dimensão e falta de experiência, fosse pela ausência de uma fileira estabelecida. 

Alguns dos aspetos críticos nos sistemas tradicionais era a exigência de grandes áreas, elevados encargos em construções, enormes volumes de áreas, baixa densidade de animais, e dificuldade em manter os lotes de rãs homogéneos por tamanhos (trabalhoso). 

Surgiu assim, no Brasil, no final dos anos 80, o sistema vertical de pro­dução de rãs. O Ranabox, patenteado pela Ranamig, permite a produ­ção de rãs em gavetões de plástico, sobrepostos, até 3 metros de altura, permitindo realizar várias tarefas de uma só vez, como a limpeza. 

Este sistema permite, em muito pouco espaço, engordar (no caso da rã touro), mais de 1.500 rãs por metro quadrado (quando no sistema tradicional andaria em torno das 50 rãs/m2. 

Esta elevada densidade permitiu neste país aproveitar melhor os espa­ços confinados, de modo que o controlo ambiental pode ser feito de for­ma mais eficiente e, sobretudo, e esta a principal vantagem do sistema, e razão da sua criação, tornar-se muito fácil a constante calibração de animais pelo seu tamanho, de modo a prevenir e evitar o canibalismo.



30 de jun. de 2021

CICLO DE PRODUÇÃO DAS RÃS

 

CICLO DE PRODUÇÃO 

A maioria dos conhecimentos actuais sobre a criação de rã provém do Brasil, onde esta produção terá atingido o estado mais avan­çado de conhecimento, sobretudo em torno da produção da rã touro gigante (bullfrog) Rana catesbeiana. Apesar das diferenças (e note-se que aquela rã também provém de clima tem­perado e frio), a maioria dos conceitos e técnicas produtivas (bem como a sua evolução), permitiram que a Europa se lance agora com grande confiança na ranicultura com a Rana ridibunda.

A produção de rã inclui duas fases distintas:

1 – Fase estritamente aquática

A postura dos ovos de rã é feita directamente na água (o macho abraça a fêmea, libertando esperma enquanto aquela desova), dando-se a eclosão até ao fim de cerca de 7 dias, surgindo girinos (forma totalmente aquática, inicialmente sem membros, e com uma cauda).

No caso da Rana ridibunda, as fêmeas fazem até 5 posturas anuais, podendo totalizar até 10.000 ovos, embora a média seja bastante inferior.

Na fase de girinos estes são hominívoros, incluindo na sua dieta, além de algas, ovos e larvas de insectos. Porém, na produção industrial, a alimentação é dada na forma de farelo ou flocos flutuantes, como no caso dos peixes.

2 – Fase terrestre

Ao longo da vida como “girino”, estes vão passando por uma metamorfose, que se completa ao fim de 2-3 meses, nesta fase são miniaturas de rãs, iniciando-se um período de engorda. Apesar de se chamar fase terrestre, a verdade é que, neste caso, a vida do animal vai continuar a estar extremamente dependente da água e da humidade atmosférica, uma vez que, sendo a respira­ção feita sobretudo através da pele, esta tem que se manter sempre húmida. Por esse motivo, os animais têm que viver em tanques baixos onde possam manter uma vida “dentro e fora” de água (como curiosidade a Rana ridibunda, mesmo no estado selvagem, nunca se afasta mais de 5 metros de um espelho de água).

Nesta fase, as rãs passam a carnívoras e o canibalismo é um dos maiores problemas que se enfrenta na produção em cativeiro.

No final da metamorfose inicia-se a en­gorda, que no caso de produção em cativeiro, e com aquecimento atmosférico (estufa) ou da água, idealmente fontes renováveis ou de baixo custo), que poderá durar 4 a 5 meses.

Nesta rã, o estado adulto (ou seja, a ca­pacidade para se reproduzir) só se dá quando atinge, aproximadamente, um ano de idade, eventualmente 2 anos, em climas mais frios, onde todo o ciclo se retarda, podendo viver mais de 6 anos.

De sublinhar que o crescimento das rãs, e o tempo de cada fase, incluindo a incubação, aumenta ou reduz significativamente de acor­do com a temperatura ambiente e da água.

O abate faz-se quando os animais chegam, aproximadamente, aos 100 gramas de carcaça. Porém, tal como congéneres como a Turquia, a maior oportunidade que se perfila em Portugal está no abastecimento à Europa com animais vivos, reduzindo assim custos.

Sanidade

Apesar de animais rústicos, as rãs podem ser afetadas por várias doenças, pelo que a higiene da água, a realização de vazios sanitários nos tanques e sua correta higienização, a utilização de rações microbiologicamente seguras e um bom arejamento são condições fundamentais para o sucesso, e como em qualquer outra pro­dução zootécnica a vigilância veterinária deve ser realizada desde o início.

Apesar de não ser uma doença, na maior parte das criações, verifica-se, em poucos anos, uma rápida redução da fertilidade e subida da mortalidade, o que se deve ao fenómeno da consanguinidade (falta de diversidade gené­tica), pelo que é muito importante manter di­versas linhas reprodutoras em separado, bem como proceder a sistemáticas “renovações de sangue”.

Embora a criação em parques abertos e charcas seja uma possibilidade, esta expõe os animais ao ataque de predadores, e só sendo admissível na criação de espécies nativas, pelo risco de fuga.



22 de jun. de 2021

Espécies de Rãs

 

QUE ESPÉCIES ESCOLHER

Para começar a criar rãs para o mercado há que começar pela definição das espécies a criar.

Das centenas de espécies de rãs apenas algumas reúnem as características necessárias, ou mais interessantes para o consumo humano e criação.

Além da ausência de toxicidade ser obviamente um dos requisitos necessários, a adaptação às condições climáticas do meio artificial e o rendimento em carne, são algumas das características a ter em consideração.

Em todos os países onde se estabeleceu a produção industrial de rãs foram feitas duas escolhas: 

A primeira, e aparentemente mais tentadora, a produção de animais de espécies nativas, e eventualmente cruzamentos industriais destas; 

Na segunda opção deu-se preferência à produção de rã touro, principalmente da espécie nor­te americana Rana catesbeiana ou Lithobates catesbeiana, espécie que já sofreu melhoramen­to, e que se encontra melhor estudada em termos de produção industrial, sendo carnívora (hominívora quando girino), bem adaptada a regimes de ração granulada e com indivíduos adultos que ultrapassam os 2 kg de peso vivo.

Embora haja explorações realizadas na Europa utilizando espécies nativas de rã, sendo a Rana ridibunda e a Rana temporária as espécies preferidas em França, a informação sobre sis­temas de produção é ainda muito escassa, liderada, sobretudo, por pesquisas feitas em França, 

onde florescem nos últimos 5 anos as pri­meiras unidades industriais de R. ridibunda, exploradas ainda de forma bastante intuitiva, mas já muito bem sucedida dado o apoio dado pelo governo francês.

Em Espanha, a Rana perezi (também muito comum em Portugal, e já testada em França, incluindo em cruzamentos indus­triais) é a que se encontra em produção há mais tempo, tendo a rã touro tido uma his­tória curta, que culmina com a proibição da sua produção e até detenção, na Europa, dado o risco de fuga para o ambiente, sendo que se trata de um animal considerado de alto risco ecológico.

Do ponto de vista da produção industrial, o ideal, para um país com as características climáticas de Portugal, onde se esperariam elevadas produtividades, seria a introdução da rã touro sobretudo por se poder impor­tar com facilidade o modelo de produção, incluindo factores de produção sem grande necessidade de adaptação. Porém, em Portu­gal vigora para esta espécie anfíbia, e só para este espécie de rã touro, uma total proibição de produção, e até de detenção caseira, para fins lúdicos.

A rã touro é uma espécie omnívora, caça­dora implacável, que se alimenta, sem clemên­cia, inclusivamente, de outras espécies de rãs, sapos, ratos, lesmas, caracóis e até peixes. As­sim se compreende a importância de se pro­duzir em circuitos fechados e com redobradas cautelas para evitar perturbações ambientais irreversíveis, como sucedeu noutros países onde estes animais foram acidentalmente ou 

deliberadamente libertados no ambiente. A fa­cilidade com que se podem produzir fugas para o ambiente (bastam alguns ovos), vedou, nes­ses países, esta possibilidade de exploração.

Além de outras espécies exóticas (conside­radas como de fora da Europa), que se podem vir a introduzir em produção em Portugal, a opção que se perfila como mais imediata é a linha industrial, “Rivan 92”. Trata-se de uma linha obtida em França por melhoramento genético a partir da R. ridibunda, apresen­tando grandes diferenças face aos indivíduos selvagens, quer na pele, que é totalmente ver­de (água) na face superior e creme na inferior, quero pelo facto de apresentar uma excelente adaptação à alimentação granulada artificial (índice de conversão de 1,5:1 kg ração/carne produzida), elevada fertilidade e viabilidade, rapidez de crescimento precocidade e também porte, podendo passar dos 20 centímetros, maior do que a média selvagem da R. ridibun­da e que já é, por si, a maior das rãs europeias.




MODO IA

As rãs pertencem à ordem Anura e são caracterizadas pela pele lisa e úmida, além de pernas traseiras longas adaptadas para o salto e a natação. Elas são encontradas em quase todo o mundo, exceto na Antártida.

Abaixo estão as principais espécies e categorias de rãs:

1. Rãs Comuns e Comestíveis

Muitas espécies são criadas para consumo humano (ranicultura) ou são comuns em jardins e lagos. 

  • Rã-touro americana (Lithobates catesbeianus): Espécie invasora no Brasil, é muito grande, voraz e a mais utilizada na culinária comercial.

  • Rã-comestível (Pelophylax kl. esculentus): Um híbrido europeu amplamente consumido na Europa.

Rã-manteiga (Leptodactylus labyrinthicus): Nativa do Cerrado e Caatinga, é conhecida pelo seu porte robusto e hábitos semiaquáticos. 

2. Rãs Venenosas (Família Dendrobatidae) 

Essas rãs são famosas por suas cores vibrantes, que servem como alerta para predadores sobre sua toxicidade. 

  • Rã-dardo-dourada (Phyllobates terribilis): Considerada o animal mais venenoso do mundo, possui toxinas letais até para seres humanos.

  • Rã-flecha (Gênero Dendrobates): Espécies coloridas da Amazônia cujas toxinas eram usadas por indígenas em pontas de flechas

3. Rãs Gigantes e Miniatura

  • Sapo-golias (Conraua goliath): Apesar do nome "sapo", é tecnicamente a maior rã do mundo, podendo pesar mais de 3kg.

  • Rãs-pingo-de-ouro (Gênero Brachycephalus): Rãs minúsculas encontradas na Mata Atlântica brasileira, medindo entre 9 e 13 milímetros.

  • Rãs-gigantes-de-corredeira: Espécies recém-descobertas na Mata Atlântica de São Paulo, como a Phantasmarana curucutuensis

Diferenças Rápidas

Característica 

Rãs

Sapos

Pererecas

Pele

Lisa, úmida e viscosa

Seca e rugosa

Lisa e muito úmida

Habitat

Aquático/Semiaquático

Terrestre

Arborícola (vivem em árvores)

Patas

Longas com membranas

Curtas e robustas

Possuem discos adesivos nos dedos

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18 de jun. de 2021

Criação de Rãs

 

 Todos já ouviram falar de “coxinhas de rã” como sendo um petisco e, embora poucos as tenham realmente provado, a verdade é que, quem experimenta, considera-as verdadeiras iguarias, estando disposto a pagar elevados preços por esta carne considerada das mais finas, nutritivas e saudáveis. 

O consumo de carne de rã só se generalizou na gastronomia europeia por volta do século XVI, e apesar de proibido o seu consumo pelo livro Levítico da Bíblia, a procura do anfíbio não para de aumentar em todo o mundo, sobretudo em França, principal consumidor mundial. 

Em algumas espécies, como a rã touro, a mais criada, a pele é ainda valorizada para marroquinaria, como outro qualquer couro, embora muito mais delicado, e certas partes dos intestinos são utilizados para fins cirúrgicos, embora em menor escala. 

Em Portugal, além da captura amadora para consumo local, e pontual exportação de espécies selvagens, eventualmente em regime de tráfico, a carne (importada) é proposta aos consumidores congelada nas maiores cadeias de hipermercados, embora os amantes considerem que desta forma se perdem algumas das suas características mais refinadas. 

A França, principal país consumidor do mundo (o Estado do Louisiana, nos EUA, é o segundo), durante anos foi praticamente auto-suficiente, mas à medida que o consumo ia aumentando, e as reservas selvagens foram rareando, chegou-se a um ponto em que se tornou inevitável a proibição de caça de rãs, que se estabeleceu em França nos anos 80. Deste modo, abriu-se um enorme mercado de importação, estimando-se que atualmente este ultrapasse as 4.000 toneladas por ano, sobretudo de “coxas” congeladas, e pouco mais de 1.000 toneladas por ano de animais vivos, para abate em França, sobretudo provenientes de criações industriais. 

De referir ainda que no espaço europeu se estima que o consumo de coxas de rã ultrapassa as 10.000 toneladas ano sendo a Suiça e a Alemanha, dos maiores importadores, a seguir à França. 

A Europa é abastecida, sobretudo, por duas vias: 

1) Carne congelada proveniente de caça, em países asiáticos, como Indonésia, Tailândia, China e cada vez mais do Brasil, onde a produção é industrial. 

2) Animais vivos, de abastecimento feito sobretudo a partir de países da orla mediterrânica, como Turquia e Egipto, e destinados maioritariamente a restaurantes. 

 A maior parte dos animais que entram no espaço comunitário provém de capturas de animais selvagens, com as consequências que daí advêm para os ecossistemas e que têm impulsionado alguns países, e também numa lógica de aumento da rentabilidade, a aumentar a produção em criatórios industriais. 

Precisamente por esta razão, e pela rentabilidade, é no Brasil onde a fileira se vem afirmando como uma das mais sustentáveis e vigorosas, fazendo com que este país seja já o segundo maior produtor industrial a seguir a Taiwan, sendo uma fileira ambientalmente sustentável. 

Aliás, o Brasil passa por um interessante período em que a indústria da ranicultu­ra, (e este país é um dos países que tem esta produção num estado mais avançado de desenvolvimento), inicialmente projetada nos anos 80 para abastecer sobretudo os mercados externos, está com dificuldade em abastecer a própria procura local, em virtude do acelerado aumento da procura. 

Nos dois gráficos que acompanham este texto encontram-se os preços médios pagos em França, no mercado Internacional de Rungis, principal porta de entrada de carne de rã. Aí vemos que no histórico recente a cotação do produto congelado tem-se mantido muito estável em torno dos 12,5€/kg, e o produto fresco está normalmente cotado entre o dobro e o triplo do valor do produto congelado.

Estas cotações são muito atrativas, sobretudo as do mercado fresco, que dão a países extremamente próximos, como Portugal, a apenas 1 dia de viagem, uma vantagem competitiva quase inigualável, havendo quem chame, em França, à produção de rã, “pequeno tesouro verde”.

O elevado preço da carne de rã (e a rentabilidade que esta pode dar aos criadores) tem impulsionado, na França, a instalação de uma fileira zootécnica profissional para a produção de rã apoiada pelo INRA (Institut National de Recherche Agricole), sobretudo das espécies nativas, constituindo uma oportunidade de negócio em acelerado crescimento, fenômeno que se verifica, igualmente noutros países da orla mediterrânica.

Além da importância econômica e a oportunidade que representa, sobretudo na exploração de pequenas áreas, esta produção zootécnica mostra-se como um imperativo ambiental, uma vez que só é possível refrear a destruição furtiva dos ecossistemas selvagens, na Europa, e sobretudo das regiões asiáticas, com a produção industrial.

Visão geral criada por IA

A criação de rãs (ranicultura) no Brasil foca na rã-touro gigante (Lithobates catesbeianus), com ciclo completo que inclui acasalamento, desova, girinagem, metamorfose e engorda, geralmente em estufas para controle térmico. O negócio oferece alta rentabilidade, com abate para produção de carne nobre, exigindo licenças ambientais e manejo de alimentação com ração extrudada.

Principais Aspectos da Criação:

  • Espécie: Rã-touro americana (Lithobates catesbeianus), adaptada ao cativeiro.

  • Ciclo de Vida 

  • Inclui fases de acasalamento, desova, girinagem (2-3 meses), metamorfose e engorda (cerca de 4 meses), atingindo abate ideal com cerca de 200g a 400gAmbiente: Uso de estufas com telas de sombreamento é comum para manter a temperatura ideal, especialmente no inverno, aumentando a produtividade.

  • Mercado: A carne de rã é valorizada em restaurantes sofisticados e hotéis, rica em proteínas e com baixo teor de gordura.

  • Desafios: Alto custo da ração e necessidade de licenciamento da defesa agropecuária por ser um animal exótico.

A região Oeste do Paraná destaca-se na produção, com alguns produtores utilizando sistemas de confinamento intenso, como o Ranabox (bandejas sobrepostas) ou tanques inundados.

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