20 de out. de 2021

PROCESSO DE REPRODUÇÃO DE GALINHAS CAIPIRAS

 

Manter um processo de reprodução eficiente na propriedade rural é de extrema importância para o avicultor, em função de ser a base da cadeia de produção do seu projeto de criação. 

Um projeto de avicultura bem estruturado deve sempre manter um bom plantel de aves matrizes com vários reprodutores que comprovadamente façam uma boa transferência genética aos seus descendentes e que possam se reproduzir de forma sistemática afim de manter a regularidade no fornecimento de aves para o mercado consumidor. 

MONTA NATURAL

Por apresentar uma grande facilidade de manejo, esse é o modo mais comum de reprodução das aves nas propriedades brasileiras. Cabe ao produtor fazer a formação das famílias e separá-las em grupos de no máximo 10 fêmeas para cada macho. 

Nesse sistema de reprodução o avicultor deve ficar atendo a um comportamento muito comum entre as aves que é a monta preferencial entre alguns galos e galinhas.

Quando o produtor perceber esse comportamento entre suas aves ele deve fazer a troca entre as famílias formadas pelas galinhas do seu plantel para evitar o problema de infertilidade dos ovos. 

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL

O procedimento de inseminação artificial é uma prática pouco realizada nos pequenos aviários, porém ela é capaz de trazer melhores taxas de fertilidade dos ovos quando aplicada corretamente. O que garante o sucesso nessa prática é possibilidade de aproveitar ao máximo a produção de sêmen de um reprodutor e a certeza de que todas as galinhas do plantel foram devidamente inseminadas. 

MANEJO DOS OVOS PARA INCUBAÇÃO

Somente se conseguem ótimos nascimentos e pintinhos de boa qualidade quando se mantém o ovo em ótimas condições, desde a postura até a colocação na máquina incubadora. Lembremos que o ovo contém muitas células vivas. Uma vez posto o ovo, o potencial de nascimento pode, na melhor das hipóteses, ser mantido, mas nunca melhorado. Se o manejo for insatisfatório, o potencial de nascimento pode se deteriorar rapidamente. 

COLETA DOS OVOS PARA INCUBAÇÃO

Deve-se realizar a coleta e conjuntamente, uma pré-seleção desses ovos. No mínimo cinco coletas por dia (três pela manha e duas pela tarde) devem ser realizadas. Atualmente, recomendações de sete a dez coletas diárias têm sido mais preconizadas por acreditar-se que quanto maior o numero de coletas, melhor será qualidade do ovo incubável. Os objetivos com esta prática são: reduzir o numero de ovos trincados e quebrados; reduzir o numero de ovos postos na cama e, portanto, reduzir a contaminação; reduzir o tempo de permanência dos ovos em ambiente contaminado. 

A maior concentração de postura é no período da manhã. Desta maneira, as coletas de ovos devem ser concentradas no período das 6 às 12 hora, no mínimo 4 vezes por período. No período entre 13 a 17 horas, as coletas de ovos devem ser no mínimo 3 vezes por período. 

Os funcionários devem desinfetar as mãos antes de colher os ovos, principalmente se os ovos de cama forem recolhidos inicialmente. 

Recomenda-se que os ovos Durante a colheita sejam acondicionados em bandejas de plástico desinfetadas, pois são laváveis, de fácil desinfecção e possibilitam melhor circulação de gás durante a fumigação. 

SELEÇÃO DOS OVOS

É necessário descartar os ovos que apresentem pouca chance de eclosão ou que impliquem na produção de pintainhos de baixa qualidade. Ovos muito grandes ou muito pequenos dificultam a incubação, ovos deformados, casca trincada, casca suja (sangue, fezes de galinha, fezes de mosca), casca anormal, alteração da coloração normal da casca, entre outros fatores podem implicar no descarte desses ovos para a incubação. 

Ovos sujos normalmente são provenientes de cama, porém podem ser de ninho quando as fêmeas dormirem nos ninhos ou quando o intervalo entre as coletas é muito grande. Ovos sujos geralmente têm taxas de nascimento 10% a 15% menores que as obtidas com ovos limpos. O ideal é não incubar os ovos sujos. 

Os ovos postos sobre a cama são contaminados e exigem cuidados especiais na coleta e higiene. A coleta, o armazenamento e a incubação dos ovos de cama devem sem sempre separados dos ovos de ninho, pois têm menor eclodibilidade e explodem mais nas incubadoras que os ovos de ninhos devido a maior contaminação verificada naqueles ovos. 

HIGIENIZAÇÃO DOS OVOS

A higienização dos ovos deve ser feita imediatamente após a colheita, e devem ser limpos a seco pois a prática de lavar ovos sujos e de cama aumenta a contaminação. Os ovos sujos podem contaminar os demais e, por isso representam um risco para o incubatório, além de conferirem uma queda expressiva na eclosão. 

A superfície dos ovos em nenhum momento pode ser considerada um ambiente estéril. Apesar de ser produzido por reprodutora saudável, o ovo pode ser contaminado por fezes, material de ninho, mãos do tratador, água, bandejas, cama, piso e poeira. 

Ao passar pela cloaca, o ovo já sofre uma contaminação e quando em contato com o ninho e com o ambiente do galpão tem aumentada essa contaminação. Apesar das barreiras naturais do ovo, muitas bactérias passam para o seu interior devido ao diferencial de temperatura no resfriamento pós-postura. Neste contexto, é muito importante reduzir esta carga microbiana, pois quanto menor for a contaminação, menor será a possibilidade de o embrião morrer devido à contaminação. 

Ovos com boa qualidade de casca, com peso específico adequado podem ter penetração de bactérias em apenas 30 minutos. Mesmo os ovos que são livres de organismos patogênicos, podem ser contaminados com microorganismos que não são patogênicos mas que se desenvolvem durante o processo de incubação, produzindo gases que podem ocasionar o estouro dos ovos na máquina de incubação e a contaminação dos demais ovos. 

Desta maneira, recomenda-se que a primeira higienização seja realizada no momento da coleta, no máximo 30 minutos após a postura, tentando assim evitar que os microorganismos atravessem a casca e contaminem a clara e a gema. 

A contaminação inicial do ovo apresenta apenas algumas colônias de microorganismos, os quais multiplicam-se dez vezes em apenas 60 minutos. 

A) HIGIENIZAÇÃO ÚMIDA A imersão dos ovos em solução de desinfetantes ou antibióticos é usada par a eliminação dos microorganismos sobre a casca do ovo. Esse método é pouco usado na indústria avícola por ser menos eficiente, uma vez que, a cada imersão, a solução vai se saturando com resíduos orgânicos e reduzindo a ação do desinfetante. 

A imersão consiste em mergulhar os ovos numa solução de amônia quaternária à base de 200ppm ou de dióxido de cloro à base de 80 ppm logo após a coleta. 

Os dados encontrados na literatura divergem sobre qual deve ser a temperatura e o tempo ideais, podendo se encontrar trabalhos feitos com imersão em soluções com temperatura entre 39 e 42°C (Proudfoot ET al., 1985) a 35°C por 10 segundos (Donassolo, 2004), 30°C (Soncini & Bittencourt, 2003), 25 a 43°C por 3 minutos (Barros Et al, 2001) e 45°C por 30 segundos (Oliveira & Silva, 2000). 

Segundo Mauldin (2002), a imersão deve ser feita por 5 minutos citando que quando a imersão é feita em período de tempos excessivametne longos a temperatura do embrião pode elevar-se resultando em mortalidade embrionária. Por outro lado, se o processo é feito em curto espaço de tempo não irá promover a desinfecção adequada. 

B) HIGIENIZAÇÃO ÚMIDA MANUAL A lavagem direta pode ser manual, usando-se uma solução de amônia quaternária 80%, á base de 2%, e formol 37%, a 1%. Essa técnica é usada para higiene de ovos sujos. Existe o inconveniente de reduzir a eclosão e estourar os ovos durante o processo de incubação. 

C) HIGIENIZAÇÃO ÚMIDA PULVERIZAÇÃO A pulverização foi introduzida no Brasil, em 1980, pela equipe da empresa Big Birds S/A com a finalidade de substituir o formol. 

É uma técnica simples, econômica e eficaz. Quando bem aplicada, reduz a contaminação dos ovos e não afeta a eclosão. 

Entre os produtos mais usados na avicultura brasileira, estão a amônia quaternária e o formol ou a combinação desses. 

Os ovos devem ser pulverizados, no Máximo, 30 minutos após a coleta, antes que sejam penetrados pelos microorganismos. As bandejas também são pulverizadas com a mesma solução antes de receberem os ovos. Um simples pulverizador é suficiente para essa operação. Em seguida, os ovos são guardados num armário livre de poeira. 

Muitos desinfetantes têm sido usados na desinfecção úmida (pulverização) como: 

· Amônia quaternária: 1.000 a 4.800ppm; 

· Formalina, solução: 1 a 1,5%; 

· Água oxigenada, solução: 1,0 a 5,0%; 

· Bióxido de cloro, solução: 30 a 40ppm; 

· Fenólicos, solução: 1.600ppm; 

· Glutaraldeído, solução: 1.000ppm; 

· Clohexidina, solução: 0,08 a 0,10ppm; 

· Proxitane, solução: 200ppm; 

· Combinações de amônia com: formalina, glutaraldeído, água oxigenada, ácido acético; 

· Combinações de água oxigenada com: ácido acétiico, ácido paracétio. 

 Todos esses produtos podem combater os microorganismos contaminantes da casca do ovo, porém só serão eficazes se forem considerados os fatores interferentes, como: 

· Incompatibilidade; 

· Dosagem; 

· pH; 

· Concentração do principio ativo; 

· Presença de matéria orgânica; 

· Perfumes de azeites componentes do desinfetante; 

· Excesso de minerais na água; 

· Temperatura da água. 

ESTOCAGEM DOS OVOS

A estocagem dos ovos férteis é uma prática comum e muitas vezes necessária na incubação comercial. Na maioria das vezes, o objetivo é evitar a mistura de ovos de diferentes lotes e idades, ou de lotes com status sanitário duvidoso e a incubação de um maior volume de ovos para atender uma demanda programada. O manejo de estocagem depende de vários fatores, entre eles as condições ambientais, linhagem, idade do lote, características físicas e químicas do ovo, estagio do desenvolvimento embrionário e tempo de estocagem, fatores esses que afetam a eclodibilidade e qualidade do pinto ao nascer. 

A) ARMAZENAMENTO DOS OVOS O armazenamento dos ovos férteis é uma prática, muitas vezes, necessárias na incubação comercial. Na maioria das vezes, o objetivo é evitar a mistura de ovos de diferentes lotes e idades. Porém, esta prática pode implicar em alterações na eclodibilidade dos ovos, necessitando de atenção aos fatores relacionados com a prática, como temperatura, umidade e tempo de armazenamento. 

B) TEMPERATURA Os ovos devem ser armazenados em temperaturas abaixo do “zero fisiológico” (23,9°C) para evitar o desenvolvimento do embrião fora da incubadora. Normalmente, é utilizada a temperatura entre 18 e 21°C consideradas ideais para o armazenamento dos ovos. O resfriamento dos ovos deve ser lento, sedo realizado num período entre 6 a 8 horas. 

C) UMIDADE A umidade relativa deve ser mantida entre 70% e 85%, para evitar a desidratação do embrião e a condensação de gotículas na superfície dos ovos. 

D) TEMPO O tempo Máximo de armazenamento é de 4 dias, principalmente para o armazenamento de ovos provenientes de matrizes com mais de 48 semanas de idade. Ovos de matrizes com menos de 48 semanas de idade possibilitam um tempo de armazenamento de até 7 dias sem prejuízos na eclosão. A partir daí a eclodibilidade cai na proporção de um ponto percentual por dia a mais de armazenamento. Os ovos postos pela manhã devem ser armazenados à tarde e, os postos à tarde devem ser armazenados à noite. 

INCUBAÇÃO  NATURAL

Usar galinhas para fazer a incubação dos ovos em um aviário comercial só é viável no início da criação. Depois que demanda pelo produto aumenta, essa prática torna-se economicamente não sendo interessante para o avicultor, pois é muito difícil para produtor manter um plantel de aves apenas para incubar os ovos sem que o avicultor consiga manter um programa de incubação de forma sistemática que atenda as necessidades de produção. 

INCUBAÇÃO ARTIFICIAL

O rendimento da incubação está estreitamente relacionado coma mortalidade embrionária, à qual sofre influencia da gravidade especifica (espessura da casca) e da capacidade do ovo em perder umidade. O acompanhamento dos resultados de incubação, para conhecimento sistemático dos índices de nascimento através da eclosão e da eclodibilidade, são de fundamental importância para avaliação dos possíveis fatores que limitam a produtividade do incubatório. 

A eclosão é obtida pela relação entre o numero de pintos nascidos e o total de ovos incubados (formula 1). Ela representa um índice geral, que caracteriza o desempenho tanto da granja produtora de ovos quanto do incubatório. 

Já a eclodibilidade consiste em uma avaliação mais específica do incubatório. Para sua obtenção utiliza-se a relação entre os pintos nascidos e o total de ovos férteis incubados (formula 2). Para essa avaliação é indispensável que seja realizada a ovoscopia (processo de retirada de ovos claros ou inférteis, realizada no décimo dia de incubação ou transferência da incubadora para o nascedouro) esta pratica permite também determinar a fertilidade aparente do lote. (formula 3). 

Após o nascimento dos pintos deve ser realizada a quebragem dos ovos não eclodidos para avaliação da mortalidade embrionária precoce (1 a 5 dias) intermediária (6 a 15 dias) e tardia (16 a 21 dias, de incubação). 

Valores de 88 e 96% para eclosão e eclodibilidade, respectivamente, refletem boas práticas na granja produtora de ovos férteis e no incubatório, ressaltando-se o manejo sanitário. 

É importante salientar que a qualidade do pinto está estritamente relacionada com as características do ovo incubado. Neste sentido é fundamental a manutenção de suas propriedades reprodutivas para a produção de pintos viáveis e com alta qualidade. 

A) TEMPERATURA A produção industrial de pintos de corte constitui um dos fatores de maior importância no desenvolvimento da indústria avícola moderna. O processo produtivo envolvido na atividade do incubatório é constituído por entradas (ovos férteis) e transformação biológica dessas entradas em produtos (pintos de um dia), agregando valor. O sucesso desta atividade envolve condições ótimas de manejo, considerando as pressões impostas aos animais pelo ambiente, somatório de fatores biológicos e físicos, dentre os quais se destacam a temperatura de incubação e a umidade relativa. (GONZALES, 1994). 

A temperatura é o fator ambiental mais importante e critico que afeta diretamente a eclodibilidade. Os reflexos da temperatura de incubação baixa ocasionam retardo no desenvolvimento embrionário e diminuição do ritmo de batimento cardíaco, com atraso de nascimento, má formação do animal e umbigo não cicatrizado. Temperaturas altas promovem aceleração no desenvolvimento do embrião com má posição embrionária, umbigo mal cicatrizado, pouca penugem, bicagem e nascimentos adiantados. (GUSTIN, 2003). A temperatura ideal para obtenção de bom desempenho zootécnico está em torno de 37,8°C e que a variação desta não deve ser superior a ± 0,3°C, uma vez que variações desta amplitude provocam impacto muito grande na incubação, dilatando o período de nascimento. 

B) UMIDADE A umidade relativa é outro ponto a ser levado em consideração, no entanto, esta pode variar muito mais que a temperatura sem causar danos sérios a eclodibilidade. Porém, deverá ser mantida em determinada amplitude para assegurar a obtenção de bons resultados. Se a umidade relativa for muito alta, os embriões tendem a eclodir precocemente. (DECUPYERE et al., 2003) 

Durante a incubação, a taxa de perda evaporativa de peso do ovo é controlada, em grande parte, pela umidade relativa da máquina incubadora e, também, influenciada pela qualidade da casca. Essa perda de peso tem sido associada a resultados de incubação e utilizada como ferramenta eficaz para avaliar o rendimento desse processo 

C) OXIGENAÇÃO E VENTILAÇÃO Para favorecer o metabolismo no desenvolvimento de um pintinho saudável, oxigênio tem que ser fornecido e o gás carbônico têm que ser retirado do ovo na forma de dejetos. Consequentemente, a manutenção dos níveis corretos de oxigênio durante todo o ciclo de incubação tem um efeito benéfico no desenvolvimento do sistema circulatório e no crescimento do embrião. Além de aumentar o desenvolvimento dos embriões nas incubadoras, a estimulação pelo controle preciso do oxigênio nos nascedouros conduz a uma melhor eclosão, redução na janela de nascimento e a uma melhor qualidade do pintinho. 

D) VIRAGEM Essa é uma prática muito importante no processo de incubação, ela evita que o embrião cole na membrana interna do ovo além de garantir a temperatura adequada em toda circunferência do ovo. 

Portanto, quando o ovo é colocado em condições de incubação, isto é, oxigenação em torno de 21%, temperatura (entre 37,5°C e 38,1°C), umidade relativa (entre 60% e 75%) e viragem (mínimo de 4 em 4 horas) o embrião encontra o ambiente ideal para um desenvolvimento equilibrado e saudável. 

E) PRÉ-AQUECIMENTO Esse procedimento é fundamental para que os ovos não sofram um choque de temperatura e com isso, reduzir a taxa de eclosão. Quando os ovos passam por um processo de resfriamento na estocagem, o pré-aquecimento deve ser feito antes que os mesmos sejam colocados na chocadeira, esse processo deve ser feito de forma lenta num período de 6 a 12 horas a uma temperatura de 24 a 30°C e umidade variando entre 60 e 70%. Para um bom desenvolvimento do embrião a temperatura interna do ovo, no momento da incubação, deve variar entre 26 e 28°. 






7 de out. de 2021

MELHORAMENTO GENÉTICO DA GALINHA CAIPIRA

 

MELHORAMENTO GENÉTICO DA GALINHA CAIPIRA

Os proprietários rurais frequentemente se defrontam com a necessidade de melhorar geneticamente o plantel de galinhas da propriedade. Normalmente, o melhoramento genético e feito com a eventual troca de galos com a vizinhança, o que no melhoramento genético significa uma migração de genes. A migração, com auxilio da seleção subseqüente, pode alterar a freqüência gênica para algumas características. Normalmente, tamanho corporal e produção de ovos. Para efeito desta explanação vamos denominar esse método de convencional, isto é, troca do reprodutor com seleção dos melhores descendentes. Esse método de melhoramento pode ser suficiente para os objetivos do produtor rural enquanto criar galinhas para consumo doméstico. 

Quando se tratar de criações comerciais, é necessário se elaborar um projeto mais apropriado e com maior controle dos dados de produção para se obter mais eficiência e ganho genético. Denominaremos esse método como método industrial. 

ESCOLHA DAS RAÇAS

A escolha correta das raças para formação do plantel é de estrema importância para iniciar um projeto de criação de galinhas. Uma prática muito comum que vem sendo realizado nos pequenos criatórios é a aquisição de aves híbridas para formação do plantel de matrizes. Porém, essas aves não podem cruzar entre si, para que não haja consangüinidade e, consequentemente, a perda de produtividade. A solução é a aquisição de reprodutores de raça pura para fazer o cruzamento entre as aves. 

CRUZAMENTOS

O cruzamento é utilizado para passar parte do potencial genético de uma raça para outra, formando híbridos inter-raciais ou mestiços, os quais podem formar uma população base para depois se proceder a seleção e se forma uma raça diferente. No cruzamento se procura combinar genes de freqüência distinta nas duas populações para as características de interesse. A diversidade entre as raças de galinhas existentes pode fornecer combinações genéticas desejáveis para uma variedade de situações de produção, de manejo e de mercado. Entretanto para utilizar eficientemente os recursos raciais é necessário se planejar os cruzamentos com base no nível de desempenho esperado dos vários sistemas alternativos de cruzamentos. 

CONSANGUINIDADE

Não é interessante para o produtor rural, do ponto de vista da produtividade, fazer os cruzamentos entre as aves com o mesmo parentesco (pai x filha, irmã x irmão e mãe x filhos) esse tipo de atitude leva o plantel a um declínio considerável em termos de ganho de peso, produção de ovos, conversão alimentar e rusticidade.



27 de set. de 2021

LINHAGENS HÍBRIDAS COMERCIAIS DE GALINHAS CAÍPIRAS

 

LINHAGENS HÍBRIDAS COMERCIAIS

As linhagens híbridas comerciais são resultado de cruzamento entre raças diferentes, mas que pertencem a mesma espécie. Por isso, não podem ser cruzadas entre si, porque a sua descendência não transfere as qualidades genéticas das raças iniciais. Esta é a razão pela qual os produtores têm que comprar os pintinhos de um dia, para que não haja perda de produtividade. 

Os híbridos comerciais de grande aceitação entre os avicultores coloniais e que podem ser encontrados com relativa facilidade no mercado são: 

PESCOÇO PELADO LABEL ROUGE

É uma ave altamente rústica, que se adapta a qualquer parte do Brasil. Embora tenha um crescimento lento, a pescoço pelado é excelente tanto para a produção de ovos quanto para obtenção de carne. Em comparação às aves comerciais, sua carne é mais suculenta, tem menos gordura e um sabor tão diferenciado quanto o da carne de caça do faisão e da perdiz. E se receberem uma alimentação balanceada, atingirão a marca de 2 kg aos 63 dias de idade, em média. As fêmeas produzem cerca de 180 ovos de casca marrom por ano. 

PESADÃO MISTO LABEL ROUGE

Ave destinada exclusivamente para corte. Seu crescimento é acelerado, ela só precisa de 49 dias para atingir 2 kg de peso vivo com grande rendimento de carne de peito. A carne tem aparência mais escura que a das aves industriais e proporciona uma excelente gustação. A pele também é mais fina, com menos gordura, e se for depenada corretamente, não apresentará folículos escuros, como acontece com outras aves coloridas. O caipira pesadão tem plumagem vermelha ou carijó, pernas amarelas e crista simples, pode ser criada ao ar livre ou semiconfinada. 

CAIPIRA ROUGE

Ave de origem francesa, destinada exclusivamente à produção de ovos marrons ou vermelhos. Sua principal vantagem é a resistência aos diferentes tipos de clima e de manejo. Com 72 semanas de vida a Rouge atinge um peso corporal de 2,090 kg e a sua produção pode chegar a 298 ovos por ano. Os ovos apresentam uma casca bem mais grossa que o normal, a clara é mais consistente e a gema mais avermelhada. São aves dóceis, de plumagem avermelhada e de penas em toda a extensão do pescoço. 

PESCOÇO PELADO VERMELHO MESCLADO

A caipira francesa tradicional é uma das aves mais criadas na França e no Brasil. São aves com aptidão para a carne, próprias para criação a campo, em grande escala. Elas atingem o peso padrão de 2,200 kg por volta dos 95 dias, sem acúmulo de gordura, o que confere à carne e uma textura excelente. 

MASTER GRISS

O caipira Frances exótico é uma ave de grande porte, com canelas compridas adaptadas ao campo. A pele do bico e das patas são fortes, de pigmentação amarela, e sua plumagem apresenta uma mescla irregular nas cores branca, preta e marrom. É uma ave que aceita bem a alimentação alternativa e atinge peso vivo de 2,200 kg ao 68 dias em média. 

ISA BROWN

É a poedeira nº 1 em todo o mundo, pela capacidade de produção a baixos custos de instalação e alimento. É uma ave de pequeno porte, muito calma e de fácil manuseio. Tem as penas avermelhadas, patas e bico amarelos, e atinge o peso médio de 1,900 kg com o consumo de 115 gramas de ração por dia. As fêmeas são selecionadas para postura de ovos de granja quando confinadas, ou ovos caipira quando a campo, registrando uma média de 300 ovos grandes e vermelhos por ano. 

CAIPIRA NEGRA

Ave de médio porte para criação semi-intensiva. Possui penas pretas e brilhantes, com plumas avermelhadas na cabeça e pescoço, o bico e as patas também são pretas. Após 150 dias, consome 118 gramas de ração por dia e produz 270 ovos ao ano. 

EMBRAPA 031

Apresenta um potencial de produção de até três ciclos, fornecendo 325 ovos marrons com 60 gramas de peso, entre o período de 21 a 80 semanas de idade. 

EMBRAPA 041

Frango de corte do tipo colonial, para criações semiconfinadas e agroecológicas. A linhagem foi obtida pelo cruzamento de raças pesadas de corte e raças semipesadas de postura, preservando todas as vantagens do frango comercial. Alcança a idade de abate aos 84 dias, com peso vivo de 2,400 kg. Sua carne é pouco gordurosa, consistente e muito saborosa. 

PARAÍSO PEDREZ

Estas aves também são oriundas do melhoramento genético por meio de vários cruzamentos e se adaptam bem em todas as regiões do Brasil. É uma ave que tem um ganho de peso rápido e com boa rusticidade. Aceita bem as condições do sistema intensivo e semi-intensivo e tem uma plumagem multicolorida. Atinge a idade de abate aos 65 dias com um peso médio de 2,800 kg. 

RAÇAS REGIONAIS

São as galinhas “comuns” também conhecidas como “galinha-pé-duro”, “galinha de terreiro” e que se encontram em todo território nacional sendo criadas de forma solta. É uma ave com muita rusticidade, porém, é extremamente improdutiva. Enquanto uma ave selecionada produz em média 280 ovos/ano uma galinha da raça regional não chega a 80 ovos/ano. Outro exemplo é com relação ao ganho de peso: uma ave híbrida (resultado de cruzamento) produz em média 2,200 kg de carne em 75 dias, uma ave da raça regional leva de 6 a 8 meses para alcançar esse mesmo peso. Além de ter uma conversão alimentar extremamente baixa. Ou seja, consome muita ração para pouca produtividade. 



7 de set. de 2021

Raças e Linhagens de Galinhas: Raças Puras


 

Raças e Linhagens

No mundo, existem aproximadamente 300 raças de galinhas consideradas domésticas (gallus gallus domesticus). Esse número pode ser dividido em três grandes grupos de aves: aves de raça pura, aves locais e aves híbridas, resultado de cruzamento entre as raças. Cabe ao produtor fazer a escolha das raças que mais adéquam às particularidades do seu projeto de criação. 

As características das raças escolhidas devem ser muito bem observadas na hora de fazer uma seleção de plantel, pois disso depende o resultado da produção seja ela: carne, ovos, carne e ovos ou aves ornamentais. 

As galinhas de raça pura selecionadas para produção de carne são aquelas que apresentam um bom ganho de preso, tem melhor conversão alimentar, alta rusticidade e que possuem um tamanho avantajado. 

As aves selecionadas para postura, obviamente, devem oferecer uma produção de ovos adequada e uma incidência menor ao choco. 

Dentre as características das aves, também existem aquelas que apresentam dupla aptidão, ou seja, produzem uma quantidade boa de ovos e ao final do período de postura estão com um peso relativamente bom para o abate. 

As linhagens híbridas são originadas dos cruzamentos entre as raças e com isso possuem excelentes taxas de conversão alimentar, grande produção de ovos, uma boa conformação de carcaça e um rápido ganho de peso. 

As espécies ornamentais encantam os criadores com suas plumagens exóticas, tamanhos reduzidos e uma beleza extraordinária. 

Raças Puras

Para os interessados em selecionar um plantel de aves de raça pura de dupla aptidão para produção de matrizes e melhoramento genético. Segue abaixo algumas raças amplamente usadas nos projetos de avicultura no Brasil. 

Australorp


É uma abreviatura para Australian Black Orpington – Desenvolvida na Austrália sob a justificativa de que é uma Orpington melhorada tanto para ovos como para carne, com pele branca. Quando adultos, os machos pesam em média 3,859 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 200 ovos de casca marrom, que pesam em média 55g. (EMBRAPA, 2003) 

Brahma


É uma raça originária da China para os propósitos de ornamentação e corte, embora grande parte de seu desenvolvimento tenha se dado nos Estados Unidos. Apresenta crista ervilha, admitida nas variedades clara, escura e amarelada com empenamento que cobre toda perna e pé. A pele é de cor amarela. São aves belíssimas e majestosas. O grande porte e o aspecto elegante, combinados com os padrões complexos de cores as tornam favoritas para se criar no campo. São aves pesadas. Quando adultos, os machos pesam em média 5,448 kg e as fêmeas 4,313 kg. As galinhas produzem em média 140 ovos de casca marrom, que pesam em média 55g. (EMBRAPA, 2003) 

Cochin


Originária da China, essas aves são ornamentais por excelência, com grande habilidade para chocar, sendo frequentemente utilizada como chocadeira para outras aves ornamentais. Apresenta crista serra e empenamento que cobre a perna e o pé. Apresentam pele amarela e ovos de casca marrom. Existem nas variedades branca, preta, amarela, marrom, barrada e salpicada. Quando adultos, os machos pesam em média 4,994 kg e as fêmeas 3,859 kg. As galinhas produzem em média 120 ovos de casca marrom, que pesam em média 53g. (EMBRAPA, 2003) 

Gigante Negra de Jersey


Foi desenvolvida em New Jersey por volta de 1800, quando havia grande demanda por raças de galinhas pesadas para produção de frangos capões para o mercado de Nova Iorque. Existem as variedades: preta e branca exploradas para carne. São aves de crista serra e de grande porte. A pele é de cor amarela e os ovos são de casca marrom. A carne tende a apresentar-se com pigmentos escuros em função dos pigmentos escuros das pernas, que avança até a porção comestível. Quando adultos, os machos pesam em média 5,902 kg e as fêmeas 4,540 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 60g. (EMBRAPA, 2003) 

Índio Gigante


É uma raça que foi desenvolvida no Brasil, no interior dos estados de Goiás e Minas Gerais, a partir de 1920. No decorrer da década de 70 foi cruzada com outras raças, entre elas a Shamo e o Malayo. O resultado é uma ave com alta rusticidade, excelente ganho de peso, que se adapta bem a todas as regiões do Brasil, que possui uma conversão alimentar satisfatória e um sabor extraordinário. Os machos quando adulto podem chegar a uma envergadura de aproximadamente 1,10mts e as fêmeas em torno de 0,90cm. A idade de abate fica em torno de 120 dias. Os machos podem alcançar mais de 7 kg de peso quando adultos e as fêmeas 3,5 kg. 

É uma ave que tem conquistado uma popularidade muito grande entre os produtores de aves caipiras, para a função de melhoramento genético em suas propriedades. 

Minorca


É uma raça de origem mediterrânea de crista serra admitida nas variedades preta, branca e amarela e de crista rosa nas variedades preta e branca. É a mais pesada das raças leves e produz ovos de casca branca de tamanho extragrande. Quando adultos, os machos pesam em média 4,086 kg e as fêmeas 3,405 kg. As galinhas produzem em média 170 ovos que pesam em média 60g. 

New Hampshire


É uma raça americana de pele amarela, e ovos de casca marrom. Apresenta cor vermelho claro e crista serra. Por muitos anos foi utilizada para a produção de frangos de corte. Mais tarde passou a ser utilizada para cruzamentos com outras raças de corte na produção de frangos. Atualmente apenas poucos criadores se dedicam à comercialização desta raça. Esta raça foi utilizada em muitos cruzamentos que formam os atuais híbridos de corte, principalmente em função da habilidade de produção de grande quantidade de ovos com alta eclosão. A presença de uma mancha branca ou clara na asa dos pintos machos e sua correspondente ausência nos pintos fêmeas, favorecem a identificação dos machos e fêmeas com um dia de idade, conseguindo-se um índice de acerto de 80-90%. Quando adultos, os machos pesam em média 3,632 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 220 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 55g. 

Orpington


Raça desenvolvida na Inglaterra nos anos 1880. Apresenta dupla finalidade (carne e ovos). Existe nas variedades preta, branca, amarela e azul. Apresentam crista serra, pele branca e ovos de casca marrom. Quando adultos, os machos pesam em média 4,540 kg e as fêmeas 3,632 kg. As galinhas produzem em média 160 ovos de casca marrom, que pesam em média 55g. 

Plymouth Rock 


É uma raça americana de pele amarela, crista serra e ovos de casca marrom. Admite-se na Associação Americana de Aves, as variedades Barrada, Branca, Amarela, Prata Pincelado, Perdiz, Columbia e Azul. Quando adultos, os machos pesam em média 4,313 kg e as fêmeas 3,405 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 55g. 

Plymouth Rock Branca


As aves desta variedade foram muito utilizadas nos primeiros cruzamentos para produção de frangos de corte. Atualmente serve de material básico na formação de muitas linhas cruzadas. A maioria das linhas originais dos frangos de corte era de empenamento tardio, uma desvantagem para a produção de frangos de qualidade. Atualmente, a maioria das linhas disponíveis é de empenamento rápido. 

Plymouth Rock Barrada


As aves desta variedade apresentam penas com barras brancas e prestas no sentido transversal, dando uma aparência cinzenta às aves. O gene barrado, ligado ao sexo, através de sua dosagem de melanina resulta em diferenças entre os sexos. As fêmeas apresentam manchas brancas menores e menos irregulares na cabeça e geralmente são mais escuras na penugem e na canela do que os machos. Além disso, a pigmentação preta nos dedos das fêmeas, ao contrário dos dedos dos machos, cessa abruptamente deixando a porção distal de cada dedo amarela. Em contraste, os machos apresentam mancas brancas mais irregulares na cabeça e falta de contraste mais irregulares na cabeça e falta de contraste mais irregulares na cabeça e falta de contraste na abrupta mudança de coloração preta não preta dos pés. Existem diferenças nesses padrões de cor por sexo entre linhagens dessa raça. Dessa maneira, quando se quiser obter altos graus de certeza na sexagem pela cor se requer ajustamento para linhagem dos pintos. 

Com o aumento da preferência por ovos de casca branca, esta raça diminui em popularidade. Atualmente vem sendo mais utilizada como linha fêmea nos cruzamentos com galos Rhode Island Red para produzir pintos de postura autosexados, que quando adultos produzem ovos de casca marrom. Este tipo de cruzamento tem tornado a raça mais popular. 

Rhode Island 


É uma raça americana de pele amarela, e ovos de casca marrom. Admite-se na Associação Americana de Aves as variedades, vermelha com crista serra ou rosa e a variedade branca com crista tipo rosa. Muitos anos atrás existiam muitas variedades dessa raça e quase todas de alta produção de ovos. Quando adultos, os machos pesam em média 3,859 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 60g. 

Rhode Island Red


Apresenta corpo na forma de um de um bloco alongado com plumagem marrom com algumas penas pretas na cauda, pescoço e asas. Nos anos mais recentes esta variedade tem sido intensamente utilizada para produção de híbridos sexáveis pela cor. A presença de uma mancha branca ou clara na asa dos pintos macho e sua correspondente ausência nos pintos fêmeas, favorece a identificação dos machos e fêmeas com um dia de idade, conseguindo-se um índice de acerto de 80-90%. Por outro lado, nos cruzamentos, quando um galo desta raça (geneticamente “gold” ou não barrado) é acasalado com galinhas geneticamente “silver” ou barrada, é possível determinar o sexo do pinto por diferenças de coloração da penugem. Atualmente, grande parte dos híbridos comerciais de postura resultam de cruzamentos específicos entre indivíduos Rhode Island Red e Plymouth Rock Barrado e produzem grande quantidade de ovos de casca marrom. 

Sussex


É uma raça inglesa de crista serra, pele branca e ovos de casca marrom, predominantemente de duplo propósito com variedades pintada, vermelha e branca (light), das quais a Light Sussex e a mais popular. É boa produtora de carne. Em alguns países europeus frangos de pele branca são os preferidos. Quando adultos, os machos pesam em média 4,086 kg e as fêmeas 3,178 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos no primeiro ciclo de postura, que pesam em média 55g. 

Turken


Originária da Transilvânia, a raça Turken apresenta pescoço pelado e crista serra. Admitida nas variedades vermelha, branca, amarela e preta. Característica essa que confere a aparência semelhante aos perús. A pele da região do pescoço quando exposta ao sol fica vermelha como acontece com os perús. Esta característica é resultante de um único gene que controla o arranjo dos folículos de crescimento das penas, que se localizam sobre o corpo da ave. Este gene pode ser facilmente introduzido em qualquer raça. As aves sofrem mais com o frio devido a características e são, portanto, mais adaptadas ao calor. Quando adultos, os machos pesam em média 3,859 kg e as fêmeas 2,951 kg. As galinhas produzem em média 180 ovos de casca creme claro, que pesam em média 55g. 


4 de ago. de 2021

Criação de Galinhas Caipiras

 

INTRODUÇÃO

Em todo território nacional, a criação de galinhas se tornou uma prática extremamente comum. Até nas grandes cidades, ainda que de forma inadequada, os criadores têm encontrado meios para instalar uma pequena criação para satisfazer suas necessidades na busca por alimento (carne e ovos) ou simplesmente por hobby. Criar galinhas é uma atividade muito prazerosa. Porém, é muito importante que quem a pratica conheça os processos de manejo adequados para que consiga melhores resultados. 

As galinhas caipiras tem se mostrado uma fonte inevitável de proteína animal, com excelente sabor e enormes qualidades nutricionais. E já é uma tendência do mercado brasileiro procurar por uma carne diferenciada que satisfaça o desejo das donas de casa e dos grandes restaurantes. E para que a sua carne se torne presente nas mesas dos brasileiros, devemos estabelecer algumas práticas de manejo em sua criação que sejam implementadas pelos avicultores para que o processo de criação transcorra de forma equilibrada, sistemática e rentável. 

Embora a criação de aves caipira já faça parte da cultura dos pequenos produtores, a prática dessa atividade não tem dado aos produtores rurais o retorno financeiro necessário para que os mesmos consigam cobrir os gastos com a produção e obviamente auferir algum lucro. Porém, se o conhecimento que colocamos neste manual for devidamente aplicado nas pequenas propriedades, temos plena certeza de que podemos solucionar esse problema e tornar essa atividade em uma excelente fonte de renda para o pequeno produtor. 

As aplicações corretas das técnicas de manejo possibilitam aos avicultores desempenhar o serviço necessário em pouco espaço de tempo e, com isso, atender as necessidades das aves sem que atrapalhe o desenvolvimento das outras tarefas habituais na propriedade. 

Foi pensando no desenvolvimento da agricultura familiar e conhecendo o potencial de produção diversificada desses produtores que desenvolvemos esse material, que de modo bem simples e eficaz poderá contribuir com os avicultores em seus projetos de criações de aves caipiras. 

 

OBJETIVOS DA CRIAÇÃO  

Geralmente, no Brasil, os produtores rurais criam uma variedade muito grande de aves domésticas. Entre elas: marrecos, gansos, patos, perus, codornas, etc. 

Para escolher os animais adequados para criação o produtor deve, antes de tudo, saber qual o objetivo de sua atividade: criação para postura, criação para produção de carne, criação mista (carne e ovos) ou ainda, criação de aves ornamentais. 

Neste trabalho destacamos a criação de galinhas com objetivo de produção de carne como sendo a atividade principal, em função do maior número de criadores destas aves. Porém, as informações contidas neste manual podem ser aplicadas nos outros seguimentos de criação em virtude da sua similaridade. 

PRODUÇÃO DE CARNE 

A avicultura brasileira é o setor da cadeia produtiva que vem se destacando de forma excepcional. Os resultados alcançados nos últimos anos colocaram o Brasil em posição de destaque no mercado internacional. Atualmente, estamos em terceiro lugar em produção de aves e em primeiro lugar como exportador de carne de frango do mundo. 

Esses números referem-se, particularmente, a produção de frangos comerciais, não havendo no Brasil uma exploração significativa da produção de criação de galinhas caipiras. E é exatamente para preencher essa lacuna, que esse nicho de mercado está sendo desenvolvido e com isso, transformando a vida do homem no interior do Brasil. 

Produzir carne de frango caipira tem se mostrado uma atividade bastante rentável e que tem merecido destaque em função da importância social que ela desempenha. A avicultura familiar tem sido beneficiada nesse processo devido os grandes produtores ainda não terem demonstrado interesse comercial por esse produto. A exploração deste setor não chega a 3% do consumo interno de frango industrial. 

PRODUÇÃO DE OVOS

Com a produção de ovos não é diferente, a demanda está bem aquecida e a oferta não vem acompanhado na mesma proporção. Existe um mercado consumidor que busca um produto diferenciado e que está disposto a pagar um preço acima do valor dos produtos convencionais. 

Diante deste cenário, o produtor rural tem uma possibilidade real de desenvolver um projeto que possa atender a demanda de sua região e, se for o caso, expandir a produção para alcançar os consumidores das cidades vizinhas. 


15 de jul. de 2021

Instalações para Criação de Rãs


Instalações

Na criação e produção de rãs, e quando as em­presas não são especializadas, ou seja, não se dedicam apenas a uma fase específica, faz-se a divisão por setores:

Setor de Reprodução

Neste setor, e de todos deve ser o mais quente, os animais reprodutores são mantidos todo o ano, geralmente separados entre sexos (para repouso) e tamanho, fazendo-se as uniões quando for conveniente.

Os reprodutores são escolhidos pelo tamanho e idade, evitando ultrapassar os 3 anos ou 2 anos de serviço, sobretudo pelo facto de as fêmeas de Rana ridibunda reduzirem rapidamente a sua prolificidade. As fêmeas serão escolhidas pela capacidade de produzir elevado número de ovos e, em todos os casos, deve seguir-se um programa de melhoramento genético.

As desovas ocorrem na primavera e verão (com máximo em abril no estado selvagem), a não ser que se proceda a uma suplementação com aquecimento (na criação é ideal que a temperatura seja, em média, >15°C, idealmente >18°C) e iluminação artificial, forma de alterar e estender o período produtivo.

Porém, nesta espécie em particular, de momento, a pausa para hibernação de reprodutores (mesmo artificial), a 2-3°C, é altamente recomendada.

Neste setor a densidade não deve ser superior a 3-6 rãs/m2 e uma relação máxima de 1:2 (macho/fêmea).

Estes são animais assustadiços, que gostam de repouso, pelo que todos os factores de stress, movimentos e ruídos devem ser evitados.

A desova da Rana ridibunda é de, aproximadamente 2.000 ovos, chegando a 10.000 ovos por época de reprodução.

Os óvulos são postos pelas fêmeas sobre a água e o esperma depositado sobre eles durante o acasalamento. Na produção comercial, depois do acasalamento (cerca de 2 a 3 horas), os ovos são levados para outra secção para desenvolvimento.

Setor de Eclosão e Girinagem

Nesta secção, os ovos devem estar em local onde as oscilações de temperatura sejam suaves, pois as variações bruscas (dia/noite) das estufas podem reduzir a fertilidade.

Os ovos ficam até 7 dias (depende da temperatura da água, podendo ser o dobro) em incu­bação, até que se dá a eclosão dos girinos, que se movimentam livremente e procuram alimento.

Uma vez nascidos, deve-se assegurar uma densidade máxima de 20 girinos por litro de água, mas tendo em consideração o tamanho do animal. A densidade dos girinos é algo que influencia enormemente o peso dos animais no início da metamorfose (quanto menor, maiores) além de haver uma má conversão da ração em carne.

Neste setor os tanques não devem ser muito profundos e, enquanto as rãs estão na fase aquática deve ter-se especial cuidado na oxigenação da água e na sua renovação diária (cerca de 50%/dia).

Quanto mais fria estiver a água, mais longa será a fase de girinagem, o que pode ser uma forma de o produtor fazer um “stock” de girinos cujo desen­volvimento retarda de modo a utilizar à medida das suas necessidades e espa­ço nos setores de engorda.

Os girinos iniciam ou aceleram a sua metamorfose com o acréscimo de temperatura, pelo que neste setor os tanques devem ter pouca profundida­de para que a água aqueça com maior facilidade. Nestes tanques existirá já uma pequena rampa por onde os ima­gos, nas fases mais avançadas da meta­morfose, possam sair parcialmente da água, mas, mesmo assim, mantendo-se molhados e poderem alimentar-se (é nesta fase que se inicia o treino com a ração granulada).

No total, desde a postura até ao final da metamorfose, terão transcor­rido entre 2 a 3 meses. 

Setores de pré-engorda e engorda

Os imagos perfeitos (miniaturas de rãs já sem cauda) são muito vorazes correspondendo a uma fase de crescimento exponencial, de modo que é importante fazer rapidamente a transição para a ração granulada, que não pode faltar, a fim de se evitarem grandes per­das em resultado de canibalismo e, mesmo as­sim, por esta razão e outras acessórias admi­te-se uma mortalidade relativamente elevada nesta fase.

Nos primeiros 30 dias alguns animais expressam um maior crescimento do que ou­tros, devendo começar-se a separação assídua por lotes de tamanho, como se disse, para evi­tar o canibalismo, vigilância de tamanhos que se manterá até ao abate e é o maior constran­gimento da produção de rã, por ser a fase que exige mais horas de trabalho.

Figura 3 Parques de engorda de Rana ridibunda 

Figura 4 Lote de engorda de rãs touro no Ranabox

RANABOX 

No Brasil assistiu-se a uma febre da ranicultura no início dos anos 80, numa época em que não havia ainda consumo interno nem os mercados mundiais estavam abertos. 

Das centenas de empreendimentos que se iniciaram, movidos pela atracção da alta rentabilidade da criação e por certa paixão, largas dezenas acabaram por desistir, fosse pela excessiva dimensão e falta de experiência, fosse pela ausência de uma fileira estabelecida. 

Alguns dos aspetos críticos nos sistemas tradicionais era a exigência de grandes áreas, elevados encargos em construções, enormes volumes de áreas, baixa densidade de animais, e dificuldade em manter os lotes de rãs homogéneos por tamanhos (trabalhoso). 

Surgiu assim, no Brasil, no final dos anos 80, o sistema vertical de pro­dução de rãs. O Ranabox, patenteado pela Ranamig, permite a produ­ção de rãs em gavetões de plástico, sobrepostos, até 3 metros de altura, permitindo realizar várias tarefas de uma só vez, como a limpeza. 

Este sistema permite, em muito pouco espaço, engordar (no caso da rã touro), mais de 1.500 rãs por metro quadrado (quando no sistema tradicional andaria em torno das 50 rãs/m2. 

Esta elevada densidade permitiu neste país aproveitar melhor os espa­ços confinados, de modo que o controlo ambiental pode ser feito de for­ma mais eficiente e, sobretudo, e esta a principal vantagem do sistema, e razão da sua criação, tornar-se muito fácil a constante calibração de animais pelo seu tamanho, de modo a prevenir e evitar o canibalismo.



30 de jun. de 2021

CICLO DE PRODUÇÃO DAS RÃS

 

CICLO DE PRODUÇÃO 

A maioria dos conhecimentos actuais sobre a criação de rã provém do Brasil, onde esta produção terá atingido o estado mais avan­çado de conhecimento, sobretudo em torno da produção da rã touro gigante (bullfrog) Rana catesbeiana. Apesar das diferenças (e note-se que aquela rã também provém de clima tem­perado e frio), a maioria dos conceitos e técnicas produtivas (bem como a sua evolução), permitiram que a Europa se lance agora com grande confiança na ranicultura com a Rana ridibunda.

A produção de rã inclui duas fases distintas:

1 – Fase estritamente aquática

A postura dos ovos de rã é feita directamente na água (o macho abraça a fêmea, libertando esperma enquanto aquela desova), dando-se a eclosão até ao fim de cerca de 7 dias, surgindo girinos (forma totalmente aquática, inicialmente sem membros, e com uma cauda).

No caso da Rana ridibunda, as fêmeas fazem até 5 posturas anuais, podendo totalizar até 10.000 ovos, embora a média seja bastante inferior.

Na fase de girinos estes são hominívoros, incluindo na sua dieta, além de algas, ovos e larvas de insectos. Porém, na produção industrial, a alimentação é dada na forma de farelo ou flocos flutuantes, como no caso dos peixes.

2 – Fase terrestre

Ao longo da vida como “girino”, estes vão passando por uma metamorfose, que se completa ao fim de 2-3 meses, nesta fase são miniaturas de rãs, iniciando-se um período de engorda. Apesar de se chamar fase terrestre, a verdade é que, neste caso, a vida do animal vai continuar a estar extremamente dependente da água e da humidade atmosférica, uma vez que, sendo a respira­ção feita sobretudo através da pele, esta tem que se manter sempre húmida. Por esse motivo, os animais têm que viver em tanques baixos onde possam manter uma vida “dentro e fora” de água (como curiosidade a Rana ridibunda, mesmo no estado selvagem, nunca se afasta mais de 5 metros de um espelho de água).

Nesta fase, as rãs passam a carnívoras e o canibalismo é um dos maiores problemas que se enfrenta na produção em cativeiro.

No final da metamorfose inicia-se a en­gorda, que no caso de produção em cativeiro, e com aquecimento atmosférico (estufa) ou da água, idealmente fontes renováveis ou de baixo custo), que poderá durar 4 a 5 meses.

Nesta rã, o estado adulto (ou seja, a ca­pacidade para se reproduzir) só se dá quando atinge, aproximadamente, um ano de idade, eventualmente 2 anos, em climas mais frios, onde todo o ciclo se retarda, podendo viver mais de 6 anos.

De sublinhar que o crescimento das rãs, e o tempo de cada fase, incluindo a incubação, aumenta ou reduz significativamente de acor­do com a temperatura ambiente e da água.

O abate faz-se quando os animais chegam, aproximadamente, aos 100 gramas de carcaça. Porém, tal como congéneres como a Turquia, a maior oportunidade que se perfila em Portugal está no abastecimento à Europa com animais vivos, reduzindo assim custos.

Sanidade

Apesar de animais rústicos, as rãs podem ser afetadas por várias doenças, pelo que a higiene da água, a realização de vazios sanitários nos tanques e sua correta higienização, a utilização de rações microbiologicamente seguras e um bom arejamento são condições fundamentais para o sucesso, e como em qualquer outra pro­dução zootécnica a vigilância veterinária deve ser realizada desde o início.

Apesar de não ser uma doença, na maior parte das criações, verifica-se, em poucos anos, uma rápida redução da fertilidade e subida da mortalidade, o que se deve ao fenómeno da consanguinidade (falta de diversidade gené­tica), pelo que é muito importante manter di­versas linhas reprodutoras em separado, bem como proceder a sistemáticas “renovações de sangue”.

Embora a criação em parques abertos e charcas seja uma possibilidade, esta expõe os animais ao ataque de predadores, e só sendo admissível na criação de espécies nativas, pelo risco de fuga.